Arquivo da tag: crueldade

Devoluções de animais de estimação adotados durante pandemia batem recordes nos EUA

Os abrigos para animais de estimação nos Estados Unidos estão relatando taxas de devolução acima da média conforme a pandemia começa a diminuir

Por volta desta época, no ano passado, os abrigos relataram um aumento nas adoções, pois as pessoas passaram por medidas de bloqueio e queriam companhia em casa. Agora que estão se reajustando às rotinas anteriores, no entanto, elas estão voltando ao trabalho e às viagens e sentem que não podem mais cuidar de seus animais de estimação. Os cães, em particular, estão sendo devolvidos em números recordes.

AmericanHumane

“No início da pandemia, vimos absolutamente um aumento no número de pessoas prontas para adotar”, disse Ashley Roberts, do Lucky Dog Animal Rescue, em Arlington, VA, à BBC .

“Eles estavam fora do trabalho ou trabalhando em casa ou tinham horários mais flexíveis”, disse ela. “Mas nós, nos últimos dois meses, definitivamente vimos mais devoluções.”

Às vezes, as pessoas não pensam no compromisso sério de cuidar de um animal de estimação, disse ela. Conforme os novos tutores de animais voltam às suas rotinas, eles estão percebendo que filhotes e cães podem não se adequar ao seu estilo de vida, então os estão devolvendo, de acordo com KDVR , uma afiliada da Fox no Colorado.

“Fizemos muitas mudanças em nosso processo de adoção para evitar que as pessoas devolvessem cães uma vez que a pandemia acabasse”, disse Aron Jones, diretor executivo do Moms and Mutts Colorado Rescue em Englewood, CO, à estação de notícias.

“Mas nos últimos quatro meses, tivemos um número extremo de devoluções”, disse ela. “Eles estão devolvendo em vez de tentar fazer ajustes para manter seus cães, agora que o mundo está se abrindo”.

As entidades receberam mais devoluções até agora, em 2021, do que normalmente em um ano inteiro. Com mais de 200 cães disponíveis, eles estão enfrentando restrições financeiras e precisam de mais ração para alimentar todos os animais.

Além disso, as medidas de bloqueio impediram os tutores de animais de esterilizar ou castrar seus cães. Então, os abrigos estão vendo um aumento no número de ninhadas de filhotes que precisam de novos lares, informou a BBC.

No entanto, nem todos os abrigos tiveram um aumento nos retornos, de acordo com a WRGB , uma afiliada da CBS em Nova York. A Mohawk Hudson Humane Society, por exemplo, preparou novos tutores de animais para a responsabilidade da adoção quando o boom aconteceu no ano passado.

“A expectativa é que seja um compromisso vitalício para a vida toda que você terá com esse animal”, disse Ashley Bouch, CEO da humane society em Menands, NY, à estação de notícias.

“Isso sempre fez parte do nosso processo de querermos encontrar a melhor combinação”, disse ela. “Queremos combinar e preparar todos para o sucesso”, finalizou.

Esperemos que esta situação também não ocorra aqui no Brasil, já que a pandemia continua em alta, a vacinação lenta e muitos ainda estão em esquema de home office. Os animais simplesmente não merecem isso!

Fonte: WebMD

Caso Henry Borel: o casamento da psicopatia com o narcisismo perverso*

Na última semana o Brasil foi surpreendido com mais uma história de dor e comoção, com a morte do pequeno Henry Borel, de quatro anos. Uma tragédia com mais dois personagens investigados como suspeitos do crime: a mãe de Henry e o padrasto do menino. Muitos se perguntam porque tanta crueldade. E o que chama a atenção é a frieza com que os fatos se deram, além do comportamento apresentado pela mãe e pelo padrasto. Traçando um perfil psicológico dos dois, diante do que tem sido noticiado, podemos ver que a união de traços de psicopatia do padrasto com sinais de narcisismo perverso da mãe pode ter sido determinante para o desfecho trágico dessa história.

A psicopatia é mais comum do que se pensa. Infelizmente, os psicopatas vivem entre nós e essa identificação não é muito simples. Estudos estatísticos demonstram que o transtorno possui níveis de intensidade e que, de cada 100 pessoas, em torno de quatro a cinco podem apresentar sintomas característicos ao distúrbio.

HealthyPlace

Os psicopatas se apresentam, na maioria dos casos, como simpáticos e amáveis. São sempre cativantes e, muitas vezes, prestativos. A sedução é uma das características marcantes deste personagem. Também são inteligentes e sábios. O lado negativo fica por conta da frieza e dos cálculos estrategistas diante das situações, pois não sentem culpa alguma. Além disso, o remorso não faz parte de seu rol de sentimentos. Psicanaliticamente falando, possuem uma predominância da instância psíquica de personalidade ID, o que explica o modo de vida voltado, único e exclusivamente para seu prazer pessoal e para o atingimento de seus objetivos e metas. Não importa o que o outro sente ou quer, importa o que eu desejo – essa é a bandeira que um psicopata empunha.

A psicopatia é muitas vezes confundida com um transtorno de conduta. O diagnóstico final que decreta afetações do transtorno relata disfunções neurológicas associadas a um conjunto de sentimentos influenciados por crenças limitantes natas ou aprendidas ao longo da vida. Os primeiros sinais podem aparecer ainda quando criança, em um grau mais leve e moderado. Por isso, é muito importante um acompanhamento profissional de perto quando se identificar qualquer indício de alteração comportamental motivado por perversidades e frieza. Um psicopata, quando criança, apresenta algumas características muito peculiares como: mentiras frequentes, dificuldade em seguir regras, são antissociais, insensibilidade emocional, conturbações ao tentar manter amizades, praticam bullying e até podem vir a cometer pequenos delitos transgressores, como roubos, violências e vandalismos.

Mas cuidado, o diagnóstico final que decreta que a pessoa pode ser um psicopata ou não, para ser realmente finalizado com êxito, pauta-se na ancoragem de intensidade e frequência com que esses episódios e comportamentos acontecem. O mais comum é que, por serem muito inteligentes e inquietos quanto à busca por conhecimento, a grande maioria dos psicopatas têm ciência das características do seu posicionamento destoante dentro da sociedade e, com isso, camuflam seus reais sentimentos e ações – o que causa grande dificuldade na definição do distúrbio.

Visto que existem diferentes graus de psicopatia, que variam desde os mais leves, moderados e até os graves, podemos afirmar que nem todos chegam a se tornar assassinos. Podem desempenhar papéis de destaque em seu meio social e usar de algum poder conferido a eles para praticar delitos com total frieza emocional que, em muitos casos, chegam a impressionar. Podendo também ser autores de fraudes, golpes, estelionatos e roubos.

Os psicopatas podem, ainda, mostrar uma faceta carregada de sinais que demonstram que o distúrbio da psicopatia é latente. São eles: egocentrismo; mentiras; trapaças e manipulações; ausência de culpa, remorso e empatia; observação constante ao comportamento do outro, analisando os passos de suas vítimas; alterações severas de humor, com ataques de agressividade; podem ser superficiais e eloquentes; estão sempre envolvendo emocionalmente as pessoas que se encontram vulneráveis; vivem a elogiar todos e a perfeição faz parte de seus objetivos. Porém, os psicopatas nunca buscam ajuda porque não se sentem incomodados com suas ações. São desprovidos de sentimentos e mudar não está nunca em seus planos.

Getty Images

Analisando o perfil da mãe do pequeno Henry, podemos identificar indícios claros de desenvolvimento de uma personalidade de natureza narcísica perversa, onde a maior preocupação é consigo mesma. Pessoas que apresentam esse distúrbio estão sempre em busca da perfeição estética, afinal manter uma máscara sedutora para a sociedade é o mais importante. O foco está sempre voltado para as aparências, onde o excesso de vaidade prevalece em detrimento da empatia e compaixão pelo outro. Não conseguem fazer muitos vínculos emocionais e uma pitada de egoísmo está sempre presente em seu caráter perturbador.Esse perfil narcísico, normalmente, não consegue se abalar com o luto. E isso ficou claro, na história triste e dramática do filho, vítima de maus tratos e agressões.

A junção destas duas personalidades doentias, certamente, foi o estopim determinante na morte trágica da criança de quatro anos. A busca por poder e status percebida em ambos personagens descritos aqui, padrasto e mãe, associada a todas as características de desvios de conduta e de transtornos, foram fatores cruciais que completam essa receita desastrosa que culminou na morte de uma criança indefesa, vulnerável e sofrida.

Portanto, o casamento do narcísico e do psicopata pode potencializar a perversidade severa que irá rejeitar a presença de um terceiro personagem. Provavelmente, motivo que levou às práticas de maus-tratos, com o intuito consciente e velado de eliminar um obstáculo: o menino. O casal, motivado por seus sintomas transgressores, não conseguiam transmitir afeto e amor para a criança. Visto que a sedução doentia e aparente da mãe e o papel forçado de bom moço e bom político do padrasto misturou-se com a perversidade e frieza requintada presentes no crime.

Depositphotos

Enfim, se nem tudo que reluz é ouro, fica claro que todo o cuidado é pouco no quesito relacionamentos. O charme e a inteligência utilizados para impressionar e seduzir o outro podem ser ingredientes bombásticos. Neste caso, a ausência de sentimentos denuncia os fatos e, infelizmente, Henry foi vítima do lado sombrio da mente de pessoas que deveriam apenas proteger e amar.

*Andréa Ladislau é doutora em Psicanálise Membro da Academia Fluminense de Letras; Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social Professora na Graduação em Psicanálise Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada.