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Especialista explica diferença entre amor e carência afetiva

Pesquisa revelou que cerca de 85% dos brasileiros já sofreram de carência afetiva

A carência afetiva pode trazer sérias consequências para quem sofre. Ela se caracteriza como uma dependência acima do normal em relação a outra pessoa. Ítalo Ventura, especialista em relacionamentos que oferece mentoria para quem busca ajuda, acredita que se trata de um problema crônico. Uma das bases desse mal são os aprendizados que temos desde a infância.

“Desde criança, somos ensinados a ir à escola para estudar, crescer e ter uma casa, ter um trabalho, ter um namorado ou namorada, ter uma família. Nossa base de ensinamento é o ter e não o ser. Não somos ensinados a ter inteligência emocional ou afetiva. No Brasil, esse é um problema estrutural ainda mais grave, já que não temos nem a educação convencional de uma forma aceitável”, explica.

A plataforma de atendimento online Fepo Psicólogos realizou pesquisa que revelou que 84,6% dos brasileiros já demonstraram algum nível de carência excessiva em um relacionamento, sendo que 14,6% afirmaram que este foi o principal motivo para terminarem na ocasião. A pesquisa foi feita com pessoas de 18 a 55 anos, das cinco regiões do país, no começo do mês de fevereiro deste ano.

Ventura afirma que recebe frequentemente pessoas com esse perfil, a chamada “cegueira afetiva”. Ele reforça que o problema afeta diretamente a vida de quem sofre em todos os campos: “Tem pessoas que não conseguem se desprender da dependência de outra. Se questionam por que um affair não retornou uma ligação, por que amam e não são correspondidos, e questões desse tipo”.

Há sinais que podem identificar a carência afetiva. Entre as formas de demonstração estão o sentimento de carência e solidão após uma separação, que são cultivados e persistem por um longo tempo, o que pode ocasionar crises de ansiedade e depressão. O especialista em relacionamentos também chama a atenção para as consequências perigosas da carência afetiva: “Um grande risco para quem é carente demais é o abuso. A pessoa esquece quem é e acaba tolerando maus-tratos, agressão verbal e tolera o intolerável”.

A dica é que a pessoa se foque no que está no seu controle. Quem está bem afetivamente conseguirá seguir em frente sem se abalar. O especialista acrescenta que o problema leva quem sofre a uma interpretação equivocada do que é o amor: “O amor não é duro, ninguém sofre por amor, mas, sim, por carência, por idealização e expectativa. O amor é lindo. Eu gosto muito de uma frase: se não lhe der sossego, não é amor, é apego”.

Como é um relacionamento verdadeiro de amor? Segundo Ventura, tem convivência, o olhar para o outro, conversas, saber lidar com coisas boas e ruins no dia a dia e todos os detalhes que preenchem e satisfazem os envolvidos.

“O amor real conta com altos e baixos, apesar disso se escolhe estar com a pessoa. Carência é uma inflamação do coração mostrando que há algo errado com você, é uma disfunção da nossa identidade. Tem pessoas que falam que são carentes e ciumentas, mas isso não é verdade, na certidão de nascimento não diz que a pessoa é ciumenta: olha que linda, nasceu com três quilos, 49 centímetros e ciumenta, isso não existe. Esse traço ciumento é construído ao longo da vida, e mostra que é necessário olhar para dentro. No final das contas, o grande segredo de tudo é o autoconhecimento”, afirma.

Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Portanto, buscar ajuda profissional, como terapia, é a recomendação se você estiver sofrendo.

Ítalo Ventura é Bacharelando pela FCU ( Florida Christian University/EUA ) em “ Arts Of Couseling” (Arte de Aconselhamento ), referência no campo e desenvolvimento humano e espiritual, desenvolvimento de habilidades táticas de intervenção interpessoal. Além de diversas formações em life coach, e programas de desenvolvimento pessoaI ao longo de sua vida profissional. Criador do Método Mulheres de Alto Valor, filosofia na qual as mulheres entendem como funcionam seus mecanismos internos (emoções, decisões, medos, angústias e inseguranças em relação aos relacionamentos). Seu canal Youtube conta com um milhão e meio de mulheres que se identificam com seu método.

Café pode ajudar no funcionamento do intestino, mas cuidado com a ‘dependência’

De acordo com a literatura científica, beber café é benéfico para a saúde intestinal, pois ajuda a melhorar as contrações musculares no intestino, aumentando a motilidade do músculo liso no trato gastrointestinal. Mas outros alimentos, como as fibras, são mais eficazes

O café é uma das bebidas mais consumidas globalmente. É composto por mais de mil ingredientes ativos, como cafeína, minerais, vitaminas, compostos fenólicos, polissacarídeos, lipídeos e aminoácidos.

“Muitas evidências afirmam que beber café pode melhorar o microbioma intestinal e manter o metabolismo. No corpo humano, cerca de 100 trilhões de microrganismos, incluindo bactérias, vírus, fungos e protozoários estão presentes no trato gastrointestinal (GI). Toda a população de microrganismos GI é conhecida coletivamente como microbiota intestinal. Em condições fisiológicas normais no intestino, a microbiota, além de ajudar na eliminação do bolo fecal, desempenha papéis importantes na regulação de uma ampla variedade de funções celulares, incluindo o metabolismo energético, a resposta imune e a resposta neuroendócrina”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

“No entanto, é necessário ter cuidado com o consumo excessivo, que pode levar à dependência das substâncias estimulantes do café, o que pode levar a consequências indesejadas. Por outro lado, algumas pessoas são sensíveis à cafeína, apresentando problemas de digestão e gástricos, alterações de ritmo cardíaco e pressão arterial, agitação emocional e distúrbios do sono, situações em que o café deve ser deixado de lado”, completa a médica.

De acordo com Marcella, ao beber café, ocorre uma aceleração das contrações musculares em todo o intestino e, depois, a cafeína também faz com que os músculos do cólon relaxem. Isso é o responsável pela vontade de ir ao banheiro. “Mas essa movimentação também faz com que algumas pessoas sofram com refluxo ácido quando bebem café e outras bebidas com cafeína”, afirma a médica.

Vários estudos afirmam que o consumo de café ajuda a melhorar o movimento intestinal. Foi demonstrado, por exemplo, que os oligossacarídeos extraídos de borra de café podem estimular o crescimento de bactérias intestinais benéficas e aumentar a produção de ácidos graxos de cadeia curta. “Os tipos e a quantidade de ácidos graxos de cadeia curta produzidos pela microbiota intestinal determinam o resultado funcional geral de muitos processos fisiológicos por meio da modulação das respostas anti-inflamatórias e neuroendócrinas”, diz a nutróloga.

Um estudo em ratos mostrou que o consumo de café por três dias causa um aumento na taxa de contração do músculo liso no intestino delgado e no cólon. “O mais interessante é que o estudo descobriu que os efeitos observados do café regular na função intestinal e na microbiota intestinal são semelhantes aos efeitos causados pelo consumo de café sem cafeína. Isso indica que a cafeína não é o ingrediente causador do café responsável pelos benefícios mencionados”, diz Marcella.

Essas evidências que apontam para uma ação benéfica do café para o conteúdo do microbioma gastrointestinal também sustentam a ação dessa bebida na prevenção e ajuda contra a disbiose, desequilíbrio da mirobiota, que podem levar a complicações graves de saúde, como doença hepática gordurosa não alcoólica, esteatohepatite não alcoólica, doença inflamatória intestinal, doença cardiovascular, diabetes mellitus, obesidade e câncer.

No entanto, a médica enfatiza que o café não é uma bebida medicinal e que não substitui uma alimentação saudável, com adequado consumo de fibras, ligadas a uma série de benefícios para a microbiota. “As dietas ricas em fibras podem reduzir o risco de doenças cardíacas e AVC em até 30%, de acordo com um artigo de revisão publicado em 2019 pela The Lancet. Além disso, elas trazem mais saciedade, ajudam no controle da glicose e do diabetes e reduzem a inflamação no fígado. Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), o recomendável é consumir diariamente de 25 a 35 gramas de fibras”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dependência de chocolate pode necessitar de ajuda terapêutica

Também conhecido como chocoholics, pessoas “viciadas em chocolate” podem precisar de tratamento multidisciplinar

Com o mercado bombardeando os consumidores com promoções de Páscoa, fica difícil para muitos resistirem à tentação de comprar até mesmo uma barrinha de chocolate. O consumo, que pode parecer inocente para algumas pessoas, pode ser um problema que vai além do aumento de peso. A vontade exagerada de comer chocolate pode caracterizar uma compulsão alimentar que deve ser tratada por profissionais.

A psicóloga Tatiane Paula Souza alerta sobre a dependência, que pode ser uma forma prejudicial da pessoa aliviar suas questões emocionais. “Como se trata de um alimento que pode implicar em uma associação de alívio de situações problemáticas, liberando endorfina e serotonina (neurotransmissores ligados à sensação de bem-estar), estamos falando de um efeito rebote que vem quando a pessoa percebe a falta das substâncias do chocolate, passando a consumir quantidades cada vez maiores para durabilidade imediata e de extremo prazer”.

No caso específico dos chocoholics, o consumo de chocolate é diário, variando a frequência conforme a gravidade do vício. “Dependendo da intensidade, o hábito pode ser comparado a dependências como às do álcool, tabaco, jogos e internet entre outras compulsões”, afirma a psicóloga.

Em mulheres, a compulsão alimentar associada ao consumo exagerado do chocolate é mais frequente, pois muitas vezes se desenvolve uma associação do doce com o alívio dos sintomas da TPM.

“Quando estamos associando padrão de consumo que eleva a normalidade, falamos de compulsão do comportamento, podendo ser do sexo masculino ou feminino. Porém, foi observada incidência maior do consumismo do chocolate em mulheres, principalmente em períodos pré menstruais”, relata Tatiane. “Há muitos relatos de mulheres que encontram no alimento (chocolate) calma e prazer. É muito comum este tipo de demanda no consultório”, complementa.

Características da compulsão

Portrait of sad young girl with the big chocolate

De acordo com Tatiane, na compulsão alimentar é observada nos indivíduos a necessidade exagerada e incontrolável de altas quantidades em períodos de curto tempo.

Para pensarmos no diagnóstico deve ser observado que esse padrão de comportamento disfuncional aconteça no mínimo duas vezes na semana, por um período mínimo de três meses. Abaixo, algumas das características que devem ser observadas na alimentação:

-Comer muito e rápido;

-Fazer refeições mesmo com ausência de fome;

-Comer exageradamente, mesmo que satisfeito;

-Ultrapassar o limite e comer até estar desconfortável;

-Sensação de perder o controle da alimentação;

-Comer escondido, para ocultar a compulsão, gerando sentimentos de culpa e fracasso;

-Comer para lidar situações problemáticas, pois durante os episódios de compulsão não há clareza dos sentimentos envolvidos.

Caso se identifique com as características, procure um profissional especialista no transtorno, como psicólogos, psiquiatras e nutricionistas, para que possa ser feito um diagnóstico completo e dadas as orientações e tratamentos adequados.

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Foto: SweetLouise/Pixabay

Teste de compulsão alimentar

Nas questões abaixo, quanto mais respostas “sim”, mais provável é que você tenha transtorno de compulsão alimentar.

=Penso em comida o tempo todo?

=Tenho o hábito de comer escondido?

=Sinto-me descontrolado, vulnerável e impotente para parar de comer, mesmo querendo?

=Como a ponto de me sentir doente/estufado/cheio?

=Como chocolate ou outros alimentos para lidar com as situações difíceis, aliviar o estresse, ou para confortar/buscar conforto?

=Frequentemente sinto culpa após as refeições?

Fonte: Tatiane Paula Souza é psicóloga com formação na abordagem Cognitiva-Comportamental pela Unifesp e especialista em Psicopatologia e Dependência Química pelo Instituto de Pesquisa de São Paulo. Atuou em Hospital Psiquiátrico como Psicóloga Clínica a pacientes em regime de internação continuada e, atualmente, atende como Psicóloga Clínico Cognitivo-Comportamental, com ênfase em: Transtornos, Saúde Mental, Dependências e Compulsões. Desenvolve programas para empresas, corporações, palestras, workshop, treinamento e desenvolvimento, na área da dependência química, voltado para prevenção e tratamento.

 

Comer em excesso também é considerado uma forma de dependência

Chocolate, hambúrguer, pizza, queijo e sorvete são alguns dos alimentos altamente “viciantes”, segundo estudo

Poucas pessoas sabem que comer pode gerar dependência, assim como fazer uso de drogas ilícitas, fumar cigarros ou consumir álcool. Mas, você sabe por que isso acontece? Alimentos ricos em açúcares e gorduras ativam uma área do cérebro chamada “sistema cerebral de recompensa”. Trata-se de uma rede complexa de neurônios que é estimulada quando fazemos algo que gera prazer.

Segundo Carolina Marques Pellegrini, psicóloga e neuropsicóloga, a função biológica do sistema de recompensa é garantir a sobrevivência da nossa espécie e, para isso, ela nos garante a motivação para comer, beber e nos reproduzir, por exemplo.

mulher comendo doce

“Entretanto, esse sistema também é ativado quando consumimos alimentos muito processados como: pizza, chocolate, sorvetes e batata frita, entre outros. O prazer gerado é imediato e muito rápido, desta forma, para sentir novamente a mesma sensação, a tendência é repetir os comportamentos, ou seja, consumir compulsivamente alimentos gordurosos e doces”, explica Carolina.

Uma pesquisa recente, publicada na revista PlosOne revelou que os alimentos processados, como biscoitos, embutidos, refrigerantes e sorvetes, podem gerar no cérebro uma resposta semelhante a de quando consumimos álcool ou nicotina, justamente por ativarem o sistema de recompensa, podendo levar ao desenvolvimento do “vício” alimentar.

Comida pode ser válvula de escape

“Quando a pessoa é obesa ou apresenta alguma compulsão alimentar, é sempre interessante avaliar como estão as emoções. Descartando os problemas físicos que podem gerar a obesidade, é preciso investigar qual o papel a comida ocupa na vida da pessoa”, diz a psicóloga.

Carolina explica que a relação do ser humano com a comida começa ao nascimento. “O primeiro sistema de recompensa que temos contato é a amamentação. O leite materno alivia o desconforto, a fome e acalma o bebê. E é assim que se forma a relação “comida-emoção”. Esse é um processo natural e que dura o tempo necessário até que sejam desenvolvidas as habilidades para lidar com os sentimentos de frustração, ansiedade, medo etc.”.

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Getty Images

“Entretanto, quando a pessoa não tem esses recursos bem desenvolvidos, pode usar a comida como uma maneira de aliviar desconfortos emocionais com os quais não consegue lidar. Esse comportamento fica programado no cérebro, impactando na dificuldade em perder peso ou até mesmo de mantê-lo”.

“Nestes casos a psicoterapia é fundamental, pois irá auxiliar no desenvolvimento de outras estratégias, mais saudáveis, para lidar com os sentimentos e situações que levam a dependência de certos alimentos. Na terapia, por exemplo, é possível investigar quais são os gatilhos que causam a compulsão e atuar especificamente neles”, afirma Carolina.

Fonte: Carolina Marques Pellegrini tem Pós-doutorado em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Pesquisadora do Núcleo de Estatística e Metodologias Aplicadas do Departamento de Psiquiatria (NEMAP) da Universidade Federal de São Paulo; Doutorado em Neurologia e Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo, UNIFESP, São Paulo, Brasil; Aprimoramento em Neuropsicologia no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP); Formação em Coaching pelo Integrated Coaching Institute – ICI;  Graduação (Bacharelado e Licenciatura) em Psicologia pela Universidade São Marcos.