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Como a pandemia está afetando nosso corpo

A pandemia de Covid-19 e o estresse que veio com ela mudaram nossas vidas de muitas maneiras. Essas mudanças podem afetar a saúde, tanto física quanto mentalmente. Mas você pode fazer algumas coisas para limitar seus efeitos. Confira:

Ansiedade

Muitos aspectos da pandemia podem deixá-la mais ansiosa ou preocupada do que o normal. Se você tiver problemas para dormir ou notar mudanças no seu apetite ou sua energia, é uma boa ideia fazer uma pausa nas notícias e nas redes sociais e encontrar tempo para hobbies e exercícios, mesmo que seja apenas para fazer alongamento ou dar uma caminhada diária.

Depressão

As dificuldades causadas pela pandemia podem ser ainda mais difíceis de lidar se você se sentir isolado por causa do distanciamento físico. Se você se sentir triste, sem esperança ou mal-humorada na maior parte do tempo, é importante se conectar com amigos ou familiares e conversar sobre como está se sentindo. Se você ficar deprimido por vários dias, ou tiver pensamentos de se machucar, procure um médico ou psicólogo para obter ajuda.

Dores de cabeça

A ansiedade também pode afetar você fisicamente. Dores de cabeça e enxaquecas estão entre os sintomas mais comuns causados ​​por preocupação e incerteza durante a pandemia. Além de se desconectar e ser mais ativa, exercícios de meditação ou respiração podem ajudar a aliviar o estresse.

Perda de cabelo

Tufos de cabelo ralos ou caindo podem ser um sinal preocupante de estresse pandêmico, mas é apenas temporário. Acontece quando mais fios de cabelo do que o normal entram na “fase de queda” ao mesmo tempo. Você pode começar a notar dois a três meses após o início do estresse e que ele cessa depois que o estresse diminui.

Problemas dentários

Foto: LiveStrong

Se sua mandíbula estiver dolorida ou seus dentes doerem ou estiverem sensíveis, você pode estar cerrando a mandíbula ou rangendo os dentes sem saber. O estresse pode causar isso, e geralmente acontece quando você está dormindo ou se concentrando muito. Junto com os exercícios de relaxamento muscular, seu dentista também pode recomendar que você durma com um protetor bucal.

Problemas de pele

Lavar as mãos é uma parte importante para conter a disseminação da Covid-19, mas fazer isso com frequência pode quebrar os óleos naturais que protegem suas mãos e secá-las. Se você notar que suas mãos estão mais secas do que o normal, especialmente se você tiver uma condição como eczema, tente usar uma quantidade menor de sabão e água morna em vez de quente. Quando terminar, dê tapinhas nas mãos com uma toalha e, em seguida, use creme para as mãos ou vaselina.

Fadiga ocular

Foto: Optix

Durante a pandemia, as telas se tornaram uma conexão com o mundo exterior, seja um monitor para o trabalho, uma TV para entretenimento ou um telefone para as redes sociais. Mas passar muito tempo na frente delas pode causar queimação, coceira, olhos lacrimejantes e até mesmo visão embaçada ou dupla. Para se proteger, desligue as lâmpadas do ambiente para diminuir o brilho, certifique-se de que suas lentes corretivas seguem a prescrição, use lágrimas artificiais para ajudar com os olhos secos e faça pausas frequentes.

Ganho de peso

Foto: Pablo Merchan Montes/Unsplash

Durante a pandemia, várias coisas tornaram mais fácil ganhar quilos extras, como trabalhar em casa, fazer menos exercícios e fazer lanches quando estava estressada. Não seja muito dura consiga mesma, mas se sentir que precisa controlar seus hábitos alimentares, pode fazer um plano semanal de refeições e lanches, controlar o que come todos os dias, ou, se você trabalha home office, vá para a cozinha apenas quando puder sentar e saborear a comida.

Hábitos não saudáveis

Os maus hábitos são ainda mais difíceis de abandonar com o tempo disponível e poucas distrações. Quer se trate de beber álcool, fumar ou jogar videogame por horas a fio, é fácil escorregar e perder (ou ignorar) os sinais de alerta. Se você está fazendo algo em segredo ou uma pessoa querida tentou falar com você sobre isso, provavelmente é hora de parar. Se você tiver problemas para quebrar um hábito prejudicial à saúde, seu médico pode ajudar.

Dor no pescoço e nas costas

A mesa de jantar ou o balcão da cozinha não são necessariamente um bom substituto para a estação de trabalho ergonômica em seu escritório. Com o tempo, sentar-se em uma posição desleixada ou ter o monitor na altura errada pode danificar partes da coluna e causar todos os tipos de problemas no pescoço e nas costas. É melhor designar uma área de trabalho e seguir as diretrizes para torná-la o mais confortável possível. E não se esqueça de se levantar e andar frequentemente.

Dor nas mãos e nos pulsos

Uma configuração de trabalho confortável também é importante para outras partes do corpo. Certifique-se de que a altura da cadeira esteja ajustada para que os antebraços fiquem na altura do teclado. Mantenha o teclado reto ou inclinado para longe de você (nunca perto). Também é uma boa ideia fazer pausas e sacudir os pulsos com frequência. Também pode ajudar a manter as mãos quentes.

Fonte: WebMD

Estudo da Unifesp mostra relação dos hormônios do apetite e distúrbios de humor em mulheres na pós-menopausa

Os índices de depressão e de ansiedade, que já cresciam e preocupavam autoridades do Brasil e do mundo em geral, ano após ano, têm aumentado ainda mais em consequência das incertezas e dificuldades trazidas pela pandemia de Covid-19. Há quem diga, inclusive, que lidamos atualmente com duas pandemias, a de Covid-19 e a dos distúrbios mentais.

Nesse sentido, dois estudos realizados pelos Departamentos de Fisiologia, Psicobiologia e Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), trouxeram informações relevantes acerca da relação entre os distúrbios do humor e os hormônios do apetite, principalmente em mulheres na pós-menopausa.

“Apesar da depressão e da ansiedade serem patologias conhecidas e muito estudadas, pela sua complexidade e íntima relação com nosso sistema nervoso central as causas destes distúrbios mentais ainda não são completamente entendidas, o que pode dificultar o tratamento correto. Em dois estudos, pudemos observar, por exemplo, que além do excesso de peso, a grelina, que é o hormônio da fome, e a leptina, hormônio da saciedade, estão intimamente relacionados com a depressão e ansiedade, em mulheres na pós-menopausa”, explica Maria Fernanda Naufel, pós-doutoranda em nutrição pela Unifesp e uma das responsáveis pelos estudos. Os artigos foram publicados nas revistas Scientific Reports e Menopause.

No estudo veiculado no periódico Menopause Journal, foram incluídas tanto mulheres na pré-menopausa, com idade entre 40 e 50 anos e que representaram o grupo controle, quanto mulheres na pós-menopausa, entre 50 e 65 anos. Já no estudo publicado no periódico Scientific Reports, foram incluídas somente mulheres na pós-menopausa, com idade entre 50 e 65 anos, que apresentavam algum grau de depressão, excluindo, portanto, aquelas não deprimidas.

Em ambos os estudos foram analisadas medidas antropométricas por meio de bioimpedância avançada. Sintomas de depressão e ansiedade foram avaliados por questionários. Também foram dosados inúmeros parâmetros bioquímicos e hormonais por meio de amostras de sangue e saliva, além de parâmetros clínicos.

“Entre os principais resultados, constatamos que, além da obesidade total, obesidade abdominal, avançar da idade e resistência à insulina influenciarem de forma expressiva em quadros de depressão e ansiedade, observamos que a leptina e a grelina são fortes preditores independentes, que se associaram positivamente e respectivamente com a ansiedade e depressão, na população estudada. Ou seja, averiguamos que quanto maiores os índices de leptina maiores os sintomas de ansiedade e quanto maiores os níveis de grelina acilada (antes chamada de grelina ativa) maiores os sintomas de depressão, em mulheres na pós-menopausa”, destaca Maria Fernanda.

De acordo com a pesquisadora, “estudos já haviam encontrado receptores de grelina e leptina em zonas do cérebro responsáveis pela regulação do humor, e por meio de nossos estudos foi possível observar uma estreita associação entre estes hormônios do apetite e distúrbios mentais.”

Apesar de constatar a relação dos hormônios da fome e saciedade com a depressão e a ansiedade, Maria Fernanda ressalta que ainda não é possível concluir se estes efeitos são positivos ou negativos para o humor.

“Essa associação pode refletir tanto uma resposta fisiológica do corpo tentando lutar contra a depressão e ansiedade – neste caso, os hormônios estariam atuando como antidepressivos ou ansiolíticos -, quanto podem ser um fator causal destas patologias. Estudos experimentais levam a crer que estes hormônios auxiliam na melhora dos distúrbios de humor, contudo, mais estudos em humanos são necessários para se chegar a uma conclusão.”

Outros resultados constatados nos estudos incluem o fato de mulheres na pós-menopausa apresentarem maiores índices de depressão, ansiedade, obesidade total e obesidade abdominal, quando comparadas às mulheres na pré-menopausa. “Assim, é de suma importância monitorar o ganho de peso e alterações de humor em mulheres na pós-menopausa, para um diagnóstico e tratamento precoce, preservando com isso a qualidade de vida”, conclui a pesquisadora da Unifesp.

Fonte: Unifesp

Saiba mais sobre o processo de luto e entenda como lidar com ele

O luto é um conjunto de reações humanas relacionadas a uma morte simbólica ou real que causa impacto significativo na vida de alguém. Cada um se enluta à sua maneira e todos que enfrentam a dor do luto vivem cada um desses processos de maneira singular.

Saiba mais neste artigo escrito pela psicóloga e psicopedagoga, Karina Okajima Fukumitsu.

Luto Coletivo

O luto coletivo é outro conceito importante e que vem sendo observado nos momentos atuais, em razão do aumento no número de vítimas da Covid-19, só no Brasil, ultrapassamos o número de 300 mil mortes, até o momento. Não é por acaso que observamos um aumento expressivo do sofrimento existencial. Neste artigo, falaremos sobre o processo de luto, as principais dificuldades e maneiras para preservar sua saúde existencial. Acompanhe e entenda.

Em meu livro “Suicídio e luto: histórias de filhos sobreviventes” (Lobo Editora, 2020) discorro sobre um novo paradigma tanto para a compreensão quanto para a intervenção do processo de luto, o modelo de processo dual do luto ou Dual Process Model of Grief, DPM (Stroebe; Schut, 1999, tradução nossa), proposto por Margaret Stroebe, por seu marido Wolfgang Stroebe e pelo assistente Henk Schut, apresentado em 1994, em uma conferência na Grã-Bretanha, e com a primeira publicação em 1999, por meio do artigo “The Dual Process Model of Coping with Bereavement: Rationale and Description”.

O modelo, que coloca em questão as fases do processo de luto descritas em estudos anteriores, traz reflexões acerca do redimensionamento dos papéis e tarefas sociais e considera o luto um processo que envolve a constante oscilação entre dois estressores ambivalentes – a “orientação para perda” e a “orientação para a restauração”. Dessa maneira, oferece possibilidades para a compreensão do luto como um processo dinâmico e regulador de enfrentamento e conciliação com novos papéis (Parkes, 1998; Cândido, 2011).

Além de lidar com a morte da pessoa, o enlutado se vê diante do impacto da ausência e, por isso, situações que se referem à elaboração da perda de per si e o imenso desejo de restaurar a vinculação com o morto serão vivenciados na “orientação para a perda”. Posteriormente, a busca da restauração da vida começa a emergir. Nesse sentido, o redimensionamento e a descoberta de papéis, a busca de reorganização prevalecem. É importante salientar que a oscilação entre “voltar-se para a perda” e “voltar-se para a restauração” permite que o enlutado encontre significados e que possa, dialeticamente, compreender seu processo de luto (Fukumitsu, 2020, p. 51).

Na pandemia, temos notado um número crescente de pessoas afetadas. Nesse caso, não só quem teve de passar pela experiência da morte de seus familiares e amigos, mas também pessoas que apresentam dificuldade para lidar com esse momento tão difícil. Estamos em crise e, como supramencionado, reagimos de maneiras diferentes. Maya Angelou tem uma frase que acredito ser pungente para este momento de nossas vidas: “Você não pode controlar todos os eventos que acontecem com você, mas você pode decidir a não ser reduzido por estes eventos” (You may not control all the events that happen to you, but you can decide not to be reduced by them).

Não podemos nos autorizar a sucumbir nesta crise pandêmica e o processo de luto é a possibilidade de respondermos a toda situação que vai na contramão de nossas expectativas e desejos.

Elizabeth Kübler-Ross, uma das autoras que faz parte do acervo de minhas diretrizes nos estudos sobre luto, foi uma profissional que se dedicava ao acompanhamento de pacientes na proximidade da morte. Kübler- Ross (1997) propõe fases do lidar com o luto: choque, negação, revolta e raiva, luto e dor, barganha com Deus, tristeza, aceitação (p.161). Mas, como percebo o luto como processo de crise existencial, explicarei a compreensão sobre este processo.

No luto não usamos maquiagem

“No luto não usamos maquiagem” -, é a frase recorrente que menciono em meus cursos. Digo isso, pois acredito que o luto é o momento mais puro que a pessoa pode se apresentar. A dor do luto não nos permite mascarar o que sentimos. Cada um enfrentará sua travessia de sofrimento. Para tanto, é preciso considerar alguns sentimentos que fazem com que a gente sinta que está no primeiro carinho de uma montanha russa.

Em virtude de a morte de alguém que amamos trazer impactos que não temos dimensão de suas consequências, não é raro ouvir que ao receberem a notícia de morte, alguns relatam o momento do choque. Nesta fase, o enlutado vive um período de estado de ameaça constante no qual existe uma confusão acerca da realidade e descrença de que aquilo está realmente acontecendo. Podemos dizer que, nesse momento, ocorre uma sensação semelhante a uma anestesia, uma proteção do próprio organismo para ajudar o enlutado a dar os primeiros passos nessa nova realidade. Nesse sentido, também não devemos julgar quem nega, pois “o sentido pertence ao ‘sentidor’, aquele que sente a dor” (Fukumitsu, 2014, p. 59).

Lidar com situações que nos fazem sentir impotentes provoca raiva. Nessa direção, é comum que pessoas em processo de luto se dê conta de sua indignação em relação ao que foi impactado. O organismo produz uma substância chamada novocaína, que é responsável por eliminar aquele amortecimento temporário inicial. Desaparecendo a sensação de anestesia, a pessoa começa a ter de lidar com a sensação de agonia física e mental. Dessa forma, a fadiga e dificuldade de executar tarefas simples são expressivas neste momento. Sendo assim, a pessoa em luto tenta resguardar as poucas energias que lhe parecem restar. Quando a pessoa não consegue mais executar as tarefas comuns do seu dia a dia, se sente prostrada e sem motivação para continuar, é um sinal de alerta para buscar ajuda profissional.

Quais são as principais dificuldades no processo de luto?

Certo dia, ouvi Teresa Vera Gouvêa dizendo que atualmente não se fala mais sobre “aceitação do luto”, mas sim, em “adaptação à situação adversa”.

No caso específico da pandemia que estamos vivendo, a sensação de incerteza e incapacidade toma conta de muitas pessoas. Uma mudança brusca na realidade conhecida pode ser relacionada com o luto, pois houve a perda do mundo presumido. Isso quer dizer que o luto se aplica não só ao falecimento de um ente querido, mas também acontece em situações de mortes simbólicas, tais como, a mudança de estilo de vida como a que estamos vivenciando com a pandemia.

Aceitar o que aconteceu não significa concordar com o evento. A pessoa enlutada busca forças para lhe dar impulso para a nova configuração da vida que se instala. A mudança nas atitudes é lenta e gradual, e a reapropriação de atitudes e a restauração de nossa existência vêm aos poucos.

A passagem da transformação da dor em amor ou processo de extrair flor de pedra se inicia.

Extrair flor de pedra é, portanto, a possibilidade de a pessoa exercitar sua capacidade de transcendência. Ou seja, quando a pessoa extrai o conhecimento que não aprendeu com ninguém e apresenta uma ação criativa para oferecer algo generoso e amoroso para a humanidade, por exemplo, quando uma pessoa oferece cuidados que nunca recebeu aos outros, encontrando assim, um sentido para sua vida (Fukumitsu, 2019, p. 189).

Nesse sentido, extrair flor de pedra significa perdoar a si mesmo por ter de lidar com a situação e aceitar que a perda de fato aconteceu representa esforço hercúleo e que nos auxilia a resgatar os bons momentos que a morte não é capaz de furtar.

O luto envolve um longo caminho a ser trilhado e a passagem por vários momentos áridos. Não existe um prazo para superar o luto, tampouco uma fórmula para se viver a experiência do luto, porque isso varia significativamente de uma pessoa para outra. A dor une e muitas vezes, buscar um profissional da área de saúde mental pode ajudar.

Parkes (1998, p.22-3) ensina que a dor do luto é tanto parte da vida quanto a alegria de viver; é, talvez, o preço que pagamos pelo amor, o preço do compromisso. Ignorar este fato ou fingir que não é bem assim é cegar-se emocionalmente, de maneira a ficar despreparado para as perdas que irão inevitavelmente ocorrer em nossa vida, e também para ajudar os outros a enfrentar suas próprias perdas.

O processo de luto faz com que a pessoa perceba que existem enfrentamentos diversos e que novas possibilidades devem ser estabelecidas para que a vida continue. Nunca somos os mesmos após uma perda, seja ela real ou simbólica. A vida é arte que leva tempo para continuar a viver, construindo novos laços e guardando na memória os bons momentos e a experiência que a pessoa falecida proporcionou. Repito. Nenhuma morte deve furtar as histórias e as experiências que tivemos com quem partiu.

Se você está passando por um processo de luto ou conhece alguém nessa situação, busque orientação profissional.

Karina Okajima Fukumitsu é psicóloga, psicopedagoga e Pós-doutorado e doutorado em Psicologia pelo Instituto de Psicologia (USP). Mestre em Psicologia Clínica pela Michigan School of Professional Psychology. Coordenadora da Pós-graduação em “Suicidologia: Prevenção e Posvenção, Processos Autodestrutivos e Luto” da Universidade Municipal São Caetano do Sul. Coordenadora, em parceria, da Pós-graduação “Morte e psicologia: promoção da saúde e clínica ampliada”; coordenadora, em parceria, da Pós-graduação “Abordagem Clínica e Institucional em Gestalt-terapia” da Universidade Cruzeiro do Sul. Membro-efetivo do Departamento de Gestalt-terapia do Instituto Sedes Sapientiae e co-editora da Revista de Gestalt do Departamento de Gestalt-terapia do Instituto Sedes Sapientiae. Podcaster “Se tem vida, tem jeito”. Consultora ad hoc do hospital Santa Mônica.

Dia Mundial do Sono: a importância de uma noite bem dormida para o corpo humano na pandemia

Segundo dados da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid-19 (Vigitel), 41,7% dos entrevistados apontaram ter alguma dificuldade para dormir

O sono é uma peça-chave para o funcionamento adequado do nosso organismo, principalmente, durante a pandemia da Covid-19. Isso é o que mostra um estudo realizado, em 2020, pela Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico Covid-19 (Vigitel). O estudo, feito no Brasil com 2.007 pessoas, entre os dias 25 de abril e 05 de maio de 2020, destaca que 41,7% dos entrevistados relataram alguma alteração do sono, como dificuldade para dormir.

A pesquisa ainda indica outros agravantes à saúde mental dos brasileiros relacionados com a pandemia da Covid-19. Segundo a pesquisa: 35,3% relataram falta de interesse em fazer as coisas e 32,6% disseram se sentir para baixo ou deprimido.

Nesse sentido, o Dia Mundial do Sono, lembrado hoje, 19 de março, foi criado pela Associação Mundial de Medicina do Sono (World Association of Sleep Medicine – WASM) e tem como objetivo destacar a importância do sono na qualidade de vida, na saúde, no desempenho profissional, escolar e na sociedade.

No ser humano, o sono é constituído de duas fases: sono não-REM e o sono REM. O sono REM é considerado uma fase fundamental para fixação da memória, quanto o sono não-REM possui importantes funções regenerativas.

Durante o sono não-REM, nosso sono passa por três estágios diferentes: o primeiro, como uma transição da vigília para o sono, mas ainda de forma leve; o segundo, trata-se de uma desconexão do cérebro com os estímulos do mundo que nos cerca; e, o terceiro, é considerado um sono profundo, o período de maior regeneração cerebral.

O sono REM, é a fase do sono que se caracteriza por movimentos oculares rápidos, sonhos exuberantes, atividade cerebral intensa e movimentos musculares involuntários. O sono REM ajuda na fixação de memória, e regulação das emoções. Auxilia na prevenção problemas mentais e psicológicos, como ansiedade e depressão.

Todos esses estágios ocorrem de forma cíclica durante uma noite completa de sono. Enquanto dormimos, nosso cérebro passa diversas vezes por todas as fases de sono, criando pequenos ciclos durante toda a noite. Assim, um adulto normal costuma apresentar 5 ciclos de sono, podendo, cada um deles, durar em média de 90 minutos.

Dessa maneira, mesmo quando dormimos menos tempo que o ideal ainda temos um pouco do benefício de cada fase do sono.

De acordo com a National Sleep Foundation, importante organização sem fins lucrativos dos Estados Unidos, que se dedica a melhorar o sono e o bem-estar por meio da educação e defesa do sono, destaca que, com o passar dos anos, cada faixa etária demanda um número de horas para um processo de sono correto. As principais são:

=Recém-nascido (até 3 meses): de 14 a 17 horas
=Primeira infância (de 1 a 2 anos): de 11 a 14 horas
=Fase escolar (de 3 a 5 anos): de 10 a 13 horas
=Adolescente (de 14 a 17 anos): de 8 a 10 horas
=Adulto Jovem e Adultos (de 18 a 64 anos): de 7 a 9 horas
=Idoso (a partir de 65 anos): de 7 a 8 horas

De acordo com dados da Associação Brasileira do Sono, 60% dos brasileiros dormem menos de sete horas por noite. Uma outra informação ainda mais alarmante do Detran indica que 20% dos acidentes de trânsito estão associados à sonolência ao conduzir.

Assim, em um mundo agitado como o que vivemos, sem deixar de lembrar as consequências negativas que o atual cenário pandêmico também nos causa, uma noite de sono maldormida tem sérios efeitos negativos. Estes podem ser sentidos a curto, médio e longo prazo. Com o tempo, uma noite de sono maldormida pode afetar a imunidade levando ao surgimento de infecções, desregular o metabolismo, aumentando o risco de obesidade, hipertensão, diabetes e envelhecimento.

Segundo o Ministério da Saúde, há uma relação importante entre o curto período de sono e o aumento do índice de IMC. O que pode ser explicado, inclusive, por mudanças hormonais decorrentes de uma noite de sono maldormida. Dormir pouco e mal, altera o padrão dos hormônios que controlam a fome, ou seja, reduz os níveis de leptina (hormônio responsável por reduzir o apetite) e aumentam os níveis de grelina (responsável por estimular o apetite).

“É muito importante que, já aos primeiros sinais de dificuldades para dormir, as pessoas busquem ajuda médica adequada. Isso é primordial na prevenção de outras doenças que podem ser manifestadas silenciosamente e muito prejudiciais à saúde”, afirma Alexandre Venturi, médico neurologista da clínica Imuvi.

Apneia do sono

Existe ainda um outro ponto de extrema importância. Os distúrbios do sono. São doenças que se manifestam durante a noite, mas que afetam negativamente a saúde durante o dia. Alguns dos mais comuns são a insônia, a apneia obstrutiva do sono e a síndrome das pernas inquietas. A insônia, é caracterizada pela dificuldade de iniciar o sono, mantê-lo continuamente durante a noite ou pelo despertar antes do horário desejado e que causa sintomas durante o dia.

Já a apneia obstrutiva do sono ocorre quando há dificuldade na passagem do ar pelas vias aéreas durante o sono, levando a rápidos episódios de parada ou importante redução do fluxo de ar que deveria chegar aos pulmões. Em muitos casos, juntamente com essa “parada”, a pessoa pode acordar e/ou emitir um ronco muito barulhento.

Na síndrome das pernas inquietas há um distúrbio caracterizado por um desconforto nos membros inferiores (pernas) que é aliviado ao movimentá-los. Os sintomas são mais evidentes à noite e interrompem o processo de adormecimento cerebral, levando a uma importante dificuldade de dormir.

“A insônia, a apneia e a síndrome das pernas inquietas, dentre outros, são distúrbios que podem acometer todas as pessoas, sejam homens ou mulheres, em diversas idades. Por isso, uma noite de sono reparadora é uma questão de saúde pública muito importante e que não deve ser minimizada”, conclui o especialista.

Fonte: Clínica Imuvi HSANP – R. Maria Amália Lopes Azevedo, 147 – Tremembé – Telefone: (11) 3531-6666

Terapeuta dá três dicas para que você não seja um “cancelador”

Rejeição a Karol Conká acende discussão sobre linchamento virtual que pode causar transtornos psicológicos como ansiedade e depressão

Cancelar é o termo utilizado por usuários da web para definir o ato coletivo de reprovar e boicotar personalidades famosas (e até mesmo desconhecidas) que tenham atitudes consideradas moralmente erradas. Em outras palavras, é a nova forma de se referir ao linchamento virtual, prática que não só prejudica a carreira e reputação, como também afeta seriamente a saúde mental do cancelado e pode levar a transtornos psicológicos como ansiedade e depressão.

O caso mais recente é da cantora e apresentadora Karol Conká, participante do Big Brother Brasil 21, que saiu na terca-feira (23) do programa com rejeição de recorde de 99,17% por suas falas e comportamento de “canceladora” com outros participantes, o mesmo que ocorre aqui fora com ela. Mesmo antes de sua saída, Karol já tinha perdido mais de 200 mil seguidores e impacto negativo financeiro avaliado em cerca de R$ 5 milhões, somando shows, aparições em programas e posts patrocinados suspensos ou cancelados.

Para o terapeuta do Zenklub, Diego Prade, o julgamento moral sempre existiu, mas com o virtual as pessoas expressam mais aquilo que de fato pensam, sentem e rejeitam, sem filtro e em seu modo mais bruto. “O ser humano não é totalmente bom ou totalmente ruim, por isso, cancelar é uma forma de desumanização, você pega uma parte de algo que ela fez e passa a julgar somente com base naquele recorte de uma atitude ou de um período”, analisa.

Para não endossar a prática, tão prejudicial para as relações humanas, o especialista cita três dicas simples:

Não siga a manada

O posicionamento de uma figura de liderança e o consenso coletivo sobre determinado assunto ou pessoa certamente pauta a nossa opinião. No entanto, não é porque muita gente ache aceitável que você, indivíduo, tenha que achar e repetir o comportamento sem questionar. Por isso, antes de comentar sobre um tema que você não tenha conhecimento aprofundado, pesquise. Além disso, respeite o espaço e as redes sociais do outro.

Saia da sua bolha

Em um momento de polarização como o que vivemos, fica cada vez mais difícil se permitir conhecer e se surpreender com outras pessoas, até porque saber lidar com as diferenças é parte fundamental para a construção do respeito. Para isso, um bom exercício prático é conversar, ao menos uma vez por semana, com uma pessoa nova. A menos que o motivo de discordância implique em questões fundamentais, como o direito do outro de existir, vale a pena sair da chamada “câmara de eco”, expressão usada para se referir a diálogos em que só é possível ouvir a si mesmo.

Pratique a escuta empática

No processo do diálogo com o outro, ter a capacidade de escutar é imprescindível para entender que há outras formas de ver o mundo. Pequenas mudanças de atitude numa conversa, como ouvir sem interromper, não falar sobre si, perguntar mais do que interpretar e procurar não aconselhar, podem facilitar o entendimento do próximo e contribuem para deixar sempre o diálogo em aberto. Afinal, se colocar no lugar do outro, por mais difícil que seja em algumas situações, é o caminho para uma sociedade com mais respeito e com relações humanas mais saudáveis.

Sobre o Zenklub
O Zenklub é a maior plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal do Brasil. Criado em 2016 pelo médico Rui Brandão e pelo Doutor em Computação e telecomunicações José Simões, atualmente atende empresas em mais de 980 cidades e brasileiros em 124 países. A plataforma oferece sessões online com mais de mil psicólogos, psicanalistas, coaches e terapeutas, além de conteúdos em texto, áudio, vídeo e diversas outras ferramentas em seu aplicativo. Hoje, o Zenklub impacta 1,5 milhão de pessoas por mês e mais de 200 empresas, entre elas Votorantim Energia, Natura, Qualicorp, Tecnisa e Loggi.

A microbiota intestinal desempenha um papel na função cerebral e na regulação do humor*

A depressão é um transtorno mental que afeta mais de 264 milhões de pessoas de todas as idades em todo o mundo. Compreender seus mecanismos é vital para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas eficazes. Cientistas do Institut Pasteur, Inserm e do CNRS, na França, conduziram recentemente um estudo mostrando que um desequilíbrio na flora bacteriana intestinal pode causar uma redução em alguns metabólitos, resultando em comportamentos semelhantes aos pacientes depressivos.

Essas descobertas, que mostram que uma microbiota intestinal saudável contribui para o funcionamento normal do cérebro, foram publicadas na Nature Communications em 11 de dezembro de 2020.

A população bacteriana no intestino, conhecida como microbiota intestinal, é o maior reservatório de bactérias no corpo. A pesquisa tem mostrado cada vez mais que o hospedeiro e a microbiota intestinal são um excelente exemplo de sistemas com interações mutuamente benéficas. Observações recentes também revelaram uma ligação entre transtornos de humor e danos à microbiota intestinal.

Isso foi demonstrado por um consórcio de cientistas do Institut Pasteur, do CNRS e do Inserm, que identificou uma correlação entre a microbiota intestinal e a eficácia da fluoxetina, molécula frequentemente usada como antidepressivo. Mas alguns dos mecanismos que governam a depressão, a principal causa de deficiência em todo o mundo, permaneceram desconhecidos.

Usando modelos animais, os cientistas descobriram recentemente que uma mudança na microbiota intestinal provocada pelo estresse crônico pode levar a comportamentos semelhantes aos da depressão, em particular por causar uma redução nos metabólitos lipídicos (pequenas moléculas resultantes do metabolismo) no sangue e no cérebro.

Esses metabólitos lipídicos, conhecidos como canabinóides endógenos (ou endocanabinóides), coordenam um sistema de comunicação no corpo que é significativamente prejudicado pela redução dos metabólitos. A microbiota intestinal desempenha um papel na função cerebral e na regulação do humor

Os endocanabinóides ligam-se a receptores que também são o principal alvo do THC, o componente ativo mais conhecido da cannabis. Os cientistas descobriram que a ausência de endocanabinóides no hipocampo, uma região-chave do cérebro envolvida na formação de memórias e emoções, resultou em comportamentos semelhantes aos pacientes depressivos.

Foto: News Medical

“Esta descoberta mostra o papel desempenhado pela microbiota intestinal na função normal do cérebro”, continua Gérard Eberl, chefe da Unidade de Microambiente e Imunidade (Institut Pasteur / Inserm) e coúltimo autor do estudo. Se houver um desequilíbrio na comunidade bacteriana intestinal, alguns lipídios vitais para o funcionamento do cérebro desaparecem, estimulando o surgimento de comportamentos semelhantes aos depressivos. Nesse caso particular, o uso de bactérias específicas pode ser um método promissor para restaurar uma microbiota saudável e tratar os transtornos de humor de forma mais eficaz.

Fonte: Grégoire Chevalier et al, Effect of gut microbiota on depressive-like behaviors in mice is mediated by the endocannabinoid system, Nature Communications (2020). DOI: 10.1038/s41467-020-19931-2

*Rubens de Fraga Júnior é especialista em geriatria e gerontologia. Professor titular da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná.

Quando a ansiedade deixa de ser ‘normal’?

Entenda a diferença e os sintomas do transtorno de ansiedade, síndrome do pânico e depressão

O Brasil é o país mais ansioso do mundo de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). São 18,6 milhões de pessoas, o que equivale a 9,3% da população nacional. Com o isolamento social, o medo e as incertezas econômicas geradas pela pandemia do novo coronavírus, o quadro tem se agravado ainda mais. Pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) aponta crescimento importante na busca por suporte médico, tanto de pacientes novos, quanto daqueles que já haviam recebido alta.

Os diagnósticos mais comuns são Transtorno de Ansiedade, Síndrome do Pânico e Depressão. As causas são variadas, mas foram agravadas, em sua maioria, devido à mudança de hábitos ocorrida nos últimos anos. “A correria do dia a dia, excesso de tecnologia e informações e também a falta de conexão consigo mesmo, têm levado as pessoas a um empobrecimento do autocuidado, gerando privação do sono, autocobrança, ansiedade, estresse, alterações de humor, assim como dificuldade na regulação emocional”, aponta a psicóloga credenciada da Paraná Clínicas, Ana Paula Zanardi.

Cada paciente precisa ser avaliado individualmente, para identificação do problema, construção do tratamento e identificação dos gatilhos que desencadeiam as crises. Segundo a psiquiatra credenciada da Paraná Clínicas, Priscila Hage Bonicontro, “casos leves podem ser conduzidos apenas com psicoterapia. Já os casos moderados a graves, requerem uso de medicamentos específicos e podem ser aliados a psicoterapia” para o alívio do sofrimento emocional.

Além do tratamento convencional, é importante aprender a administrar o estresse e compartilhar as dificuldades do dia a dia, incluindo na rotina atividades que gerem prazer. “Cuidar do organismo proporciona saúde mental. Por essa e outras razões, devemos manter hábitos saudáveis e praticar atividades físicas regularmente, inclusive porque estudos demonstram que a liberação de hormônios e outras substâncias são importantes para a manutenção do humor”, reforça a psiquiatra.

Você sabe a diferença?

A ansiedade é um sentimento normal e benéfico para o ser humano. É uma resposta do organismo para um momento de perigo ou alguma situação diferente e pode ser traduzida como um “friozinho na barriga”. “O problema é quando esse sentimento se torna mais intenso e constante, trazendo sofrimento e prejuízo social para o indivíduo, deixa de ser ‘normal’ e passa ser considerado doença e deve ser tratado de forma correta”, explica Priscila.

Transtorno de Ansiedade: mal-estar e estresse causados por medos, preocupações excessivas ou antecipações de problemas que ainda não aconteceram e talvez nem aconteçam, estão entre os primeiros indícios de que a ansiedade ultrapassa os níveis saudáveis. Durante as crises, podem surgir sintomas físicos como pupilas dilatadas, batimentos cardíacos e respiração aceleradas, aumento da pressão arterial e também dos níveis de glicose no sangue.

Síndrome do Pânico: ocorre quando as crises de ansiedade começam a ganhar intensidade e frequência. “É o medo de ter uma crise e não conseguir ser socorrido em lugares muito abertos ou com muitas pessoas, por exemplo. Os sintomas podem variar desde tonturas e vertigens, aumento da respiração e palpitações, sensações de nervosismo e pânico incontroláveis, até sensação de iminência de morte”, contextualiza Priscila.

Depressão: é caracterizada pela perda ou diminuição do interesse e prazer pela vida, gerando angústia, tristeza, choro fácil, desesperança, prostração, isolamento social, pensamentos pessimistas, alterações do sono e apetite, entre outros sintomas. “A depressão não promove apenas a sensação de ‘infelicidade crônica’, mas pode provocar alterações fisiológicas, como prejuízo no sistema imunológico e o aumento de processos inflamatórios”, completa a psiquiatra.

Sobre a Paraná Clínicas
Fundada em 1970, a Paraná Clínicas é referência em planos de saúde empresariais e também atua na modalidade coletiva por adesão. Desde setembro de 2020, é operadora integrante da SulAmérica, o maior grupo segurador independente do Brasil. Carrega a missão de cuidar com excelência empresas e pessoas, oferecendo como diferencial os programas de saúde preventiva e promoção de qualidade de vida. Com uma infraestrutura moderna e planejada em uma rede interligada, a Paraná Clínicas conta com sete unidades próprias em Curitiba e Região Metropolitana, chamadas de Centros Integrados de Medicina: CIM Araucária; CIM CIC – 24h; CIM Fazenda Rio Grande; CIM Rio Branco do Sul; CIM São José dos Pinhais; CIM Unidade Infantil – 24h (ao lado do Hospital Santa Cruz) e CIM Água Verde – onde também operam o Hospital Dia, projetado para oferecer o que existe de mais moderno em procedimentos eletivos, e o Centro de Infusão, estruturado para atender com excelência os pacientes de oncologia, hematologia e reumatologia.

Psiquiatra Marco Antônio Abud promove aulas online gratuitas sobre ansiedade e depressão

Para aproveitar o período de alerta que ocorre no mês da conscientização sobre a saúde mental, denominado Janeiro Branco, o psiquiatra Marco Antônio Abud – responsável pelo canal Saúde da Mente, no YouTube, o maior do Brasil sobre o tema, com mais de 1,3 mi de inscritos – promove dois cursos on-line gratuitos voltados a pessoas interessadas em técnicas de controle da ansiedade e formas de lidar com a depressão.

“É uma forma não só de levar conhecimento sobre o tema, como também pode ser um primeiro passo para que essas pessoas tomem consciência sobre si mesmas para conseguirem lidar com essas questões. É importante ressaltar que a ansiedade e depressão são condições que afetam a maioria da população em algum nível e não devem ser tratadas como tabus”, explica Abud.

O médico desenvolveu técnicas para promoção da melhora da qualidade de vida de seus pacientes após anos de estudos e pautado pela sua própria experiência com a ansiedade. Aos 22 anos, o psiquiatra enfrentou sua primeira crise e, diante dos aprendizados como indivíduo e profissional, criou técnicas para ajudar a população em geral a lidar com essas barreiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo – no Brasil, os números chegam a 11,5 milhões e de acordo com o órgão, a doença será a mais comum entre a população até 2030. Além disso, em 2019 outro dado importante foi revelado: o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com o transtorno (9,3% da população).

De acordo com Abud, aulas e workshops online são uma maneira de oferecer conteúdo de qualidade sobre os temas de maneira acessível a todas as classes sociais. “É a minha forma de levar conhecimento sobre esses assuntos o mais longe possível, para pessoas das mais variadas origens e condições financeiras, com respaldo médico científico”, explica.

Como funcionarão as maratonas de aulas

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Atualmente, em tempos de pandemia, o isolamento se tornou uma medida de segurança para conter o coronavírus. A distância de amigos, familiares e pessoas do convívio social faz parte da realidade de inúmeras pessoas do mundo inteiro e tal fator, somado também ao luto (já são mais de dois milhões de mortes registradas mundialmente pela doença), vem agravando ainda mais a situação tanto de quem já sofria com transtornos mentais quanto de quem passou a desenvolvê-los.

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde da mente e qualidade de vida de forma democrática, as maratonas/ workshops se dividirão entre os temas ansiedade e depressão, ambos com quatro aulas gravadas que serão disponibilizadas às 10h da manhã, nos dias 17, 19, 21 e 24 de janeiro. Ocorrerão também aulas complementares ao vivo com o Dr. Marco nos dias 18, 20, 22 e 24.

A Maratona Livre da Ansiedade, que já conta com 57 mil inscritos, será focado nas pessoas que desejam conhecer os diferentes tipos do transtorno e suas crises, além de aprender a controlar a crise de ansiedade de forma prática e assim, conquistar uma vida mais harmônica e equilibrada, com mais felicidade, tranquilidade e redução do estresse.

Para participar, basta se inscrever no site clicando aqui.

Além disso, na aula do dia 24 de janeiro, Abud abrirá inscrições para uma nova turma do Treinamento para Mentes Ansiosas. Já na Maratona Supere a Depressão, que já possui 12 mil inscritos, o foco será desvendar e entender como e porque o transtorno ocorre, entendendo seu diagnóstico e as melhores formas de tratamento.

O objetivo é que, a partir do conteúdo proposto, o público possa aprender a lidar com a doença e assim, conquistar mais qualidade de vida, vitalidade, segurança em si mesmo e melhorar os relacionamentos. Para participar, basta se inscrever no site, clicando aqui.

Além disso, os participantes terão a oportunidade se inscreverem na nova turma do Treinamento para Mentes Depressivas, cuja inscrição também será liberada na aula do dia 24 de janeiro.

Abud frisa que as aulas das maratonas são um primeiro passo para o entendimento sobre os temas e estimulam o autocuidado, o que é especialmente válido para pacientes com sintomas leves e moderados, que possivelmente não precisam de medicação para tratar a condição.

“O autocuidado é um conjunto de estratégias que as pessoas podem colocar em prática para lidarem melhor com seus pensamentos, sentimentos e relações e, assim, melhorarem o bem-estar geral. No caso da saúde mental, é essencial estar alinhado aos estudos e práticas que auxiliam no controle de transtornos, como ansiedade e depressão. No entanto, nem sempre é possível fazer esse controle sozinho e buscar um tratamento adequado, começando por um psiquiatra ou psicólogo, se torna essencial”, finaliza o médico.

Hipnoterapia não é um tratamento psicológico nem tampouco um serviço de coach; entenda

Por trás de uma depressão, fobia ou crise de pânico existe uma demanda emocional mais complexa que necessita ser investigada e tratada. Uma emoção que trava a vida, e tudo o que há por trás das tomadas de decisões. Uma atitude que torna uma situação difícil ou uma fase que sempre se repete.

Nestes momentos questionamos onde está o erro, ou por que agimos dessa forma. Em um misto de sentimentos e sensações, as pessoas procuram referências religiosas, terapeutas, psiquiatras, além de respostas místicas e astrais. Rodrigo Costa, hipnoterapeuta, nos ensina a enxergar além de nossos próprios problemas.

Ele propõe um formato compacto e assertivo de terapia. Seu método é rápido e indolor e vai até o cerne das questões mais complexas e provoca o entendimento de nossos impasses, distúrbios e dificuldades. Por meio de uma criteriosa avaliação do paciente, um “norte” lhe conduzirá durante o tratamento.

Agendada a sessão para o tratamento em si, o paciente e o hipnoterapeuta, seguem pela jornada do autoconhecimento, dos desafios de desvendar os meandros do subconsciente e, sobretudo, caminham juntos pelas lembranças guardadas no abismo, muitas vezes profundo, da mente humana.

O desejo de mudar e de conquistar uma nova vida, faz com que o paciente “acorde” até então áreas adormecidas de seu subconsciente. Este “despertar” aciona e o faz entender todos os gatilhos por trás de determinado comportamento, distúrbio ou fobia.

A partir de então, Costa estimula o paciente a modificar os padrões de pensamentos negativos, as ‘amarras mentais’ que o impede de viver a vida que deseja. Esse método já curou inúmeros pacientes e, até hoje, impacta positivamente a vida de muitas pessoas.

Para o especialista, o “problema nunca é o problema”, ou seja, nem sempre a causa é a que imaginamos que seja; em geral, as curvas sinuosas de nosso subconsciente nos ilude com relação ao diagnóstico e, nem sempre, o tratamento é o adequado para o paciente.

Compulsão alimentar, ejaculação precoce, drogas, impotência, relacionamentos abusivos, alcoolismo, alergias, entre outros distúrbios, fazem parte da gama de tratamentos que obtiveram êxitos entre os pacientes.

Gerd Altmann/Pixabay

Costa nos propõe um novo parâmetro e uma nova ordem de tratamento para os problemas da mente humana, não importa a origem e o tamanho do transtorno e, sim, o desafio de cicatrizar lembranças e despertar a autocura. Essa é a principal missão de Rodrigo, fortalecer e tornar seres humanos aptos a se transformarem em pessoas felizes e simples, dentro do próprio universo de cada um.

Fonte: Rodrigo Costa é hipnoterapeuta, formado em Inteligência Emocional , pela Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, formação em PNL, pela The Society on NLP, formado em Keynote Speaker Program pelo Elsever Institute, formado em Hipnose Clínica Avançada pela International Hypnosis Association LLC, formação em Hipnoterapia Avançada pelo Método Kraisch.

Estudo diz que toxina botulínica pode ser usada para tratamento de depressão

Pesquisa publicada na revista médica Scientific Reports apontou que pacientes que se submeteram à aplicação da toxina botulínica para diversas finalidades apresentaram quadros depressivos com menor frequência.

Figurando entre os procedimentos estéticos não cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo, a toxina botulínica é uma das principais opções para a correção de rugas e marcas de expressão, visto que, se aplicada corretamente, a substância é capaz de paralisar a musculatura, eliminando, consequentemente, as rugas da região. Mas se engana quem acredita que esta é a única funcionalidade da toxina.

“Inicialmente, a toxina botulínica era utilizada pela oftalmologia, para o tratamento de blefaroespasmo, passando em seguida a ser usada no tratamento de espasmos musculares em pacientes neurológicos. Só muito tempo depois a substância passou a ser aplicada para o tratamento de rugas e hoje pode ser utilizada para diversos fins, desde tratamento de enxaqueca até melhora de cicatrizes”, explica o cirurgião plástico, Mário Farinazzo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

E, com o avanço das pesquisas médicas, cada vez mais funcionalidades da toxina botulínica são descobertas. Por exemplo, um estudo publicado em julho desse ano na revista médica Scientific Reports apontou que a substância também pode ser utilizada no tratamento de quadros depressivos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram um banco de dados de cerca de 40 mil pessoas que se submeteram à aplicação de toxina botulínica para verificar o que esses pacientes experenciaram após o tratamento. A partir dessa avaliação, os estudiosos observaram que pessoas que receberam injeções da substância em seis diferentes locais relataram depressão com frequência de 40 a 80% menor do que pacientes submetidos a tratamentos diferentes para as mesmas condições.

“A relação entre depressão e toxina botulínica já é conhecida há algum tempo, visto que muitos cirurgiões notam uma melhora nos quadros depressivos após o tratamento. Mas até então acreditava-se que esse efeito estava ligado à amenização das linhas na testa, o que impede certas expressões que reforçam emoções negativas. No entanto, o presente estudo apontou que essa relação ocorre não importando onde a toxina é aplicada”, destaca Farinazzo.

Dessa forma, o estudo mostra-se de grande relevância por apresentar uma nova alternativa de tratamento para uma doença extremamente comum e perigosa. No entanto, ainda é preciso mais pesquisas para entender realmente o mecanismo por trás do impacto da toxina botulínica em quadros depressivos. De acordo com os autores do estudo, algumas possibilidades incluem o transporte da substância para regiões do sistema nervoso central envolvidas no controle das emoções ou a ação terapêutica da toxina sobre condições que podem contribuir e agravar quadros depressivos.

“É importante ressaltar que o estudo possui algumas limitações, visto que, apesar dos estudiosos terem excluído relatos de pessoas que tomavam antidepressivos, é possível que alguns indivíduos tenham ingerido medicamentos dessa classe sem notificarem. Logo, mais estudos são fundamentais antes que a toxina botulínica seja incluída na lista de tratamentos para depressão”, completa o cirurgião.

Outras indicações

Enquanto a ação da toxina botulínica em quadros de depressão ainda está em estudo, outras indicações da substância já são comprovadas cientificamente e amplamente utilizadas. Por exemplo, em casos de paralisia facial, a toxina botulínica pode ser utilizada para melhorar a assimetria da face causada pela contração dos músculos, melhorando assim a harmonia do rosto. Além disso, a substância pode ser utilizada na melhora de cicatrizes hipertróficas e queloides.

“A toxina botulínica pode ajudar para que a cicatrização ocorra de forma adequada, sendo usada preventivamente, já no dia da cirurgia, quando há necessidade de reduzir a tensão local para dar pontos na pele, evitando assim a formação de cicatrizes espessas e inestéticas”, completa o especialista.

Doenças de pele, como a acne e a rosácea, também podem ser tratadas com a toxina botulínica, bem como a sudorese excessiva. Porém, é fundamental utilizar a toxina com cuidado e apenas sob orientação médica, já que o uso indiscriminado da substância, em grandes doses ou em um espaço de tempo muito curto, pode levar a uma tolerância à toxina, que não fará mais efeito. “Por isso, o mais importante é que você consulte um médico antes de realizar qualquer procedimento. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para seu caso”, finaliza Farinazzo.

Fonte: Mário Farinazzo é cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da Unifesp e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz, Oswaldo Cruz, entre outros.