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Transtornos psiquiátricos catalisados pelo luto de vítimas de Covid-19

Médico psiquiatra comenta a situação exclusiva de pessoas que perderam parentes queridos durante a pandemia; A ansiedade e o transtorno de humor são os mais prevalentes nesses casos

A pandemia, gerada pela Covid-19, está longe de acabar, justamente quando “parece” estar na UTI. A aceleração e eficácia das vacinas têm dado segurança, fazendo com que países adotem medidas menos rígidas em relação ao vírus. Segundo os levantamentos da pesquisa constante do Our World in Data, proposta pela universidade de Oxford no Reino Unido, mais de 6 milhões de pessoas em todo o mundo já morreram devido a Covid-19, sendo que no Brasil, o número se aproxima de 700 mil.

Enquanto as mortes prosseguirão por um longo período, especialistas alertam para uma consequência da Covid-19: a saúde mental pós luto. De acordo com um manual “ Processo de Luto no Contexto da Covid-19”, elaborado pelo Instituto Fiocruz, a pandemia traz impactos para a saúde mental que pode envolver perdas e dores profundas. Diante disso, faz-se necessário pensar em alternativas que possam ajudar a lidar com aspectos novos das perdas na era do coronavírus, uma vez que os rituais em torno da morte, tão importantes para o luto, precisam ser redesenhados e ressignificados nesse contexto.

Para Ariel Lipman, médico especialista em psiquiatria e diretor da SIG Residência Terapêutica, a dor da perda nesse caso, em especial, pode vir a ser diferente de outros. “Um dos motivos para tal, é porque a situação colocada pelo vírus é nova em relação a outras doenças. As mudanças no cenário causadas pela pandemia foram extremamente repentinas, o que possibilitou confusão e insegurança entre as pessoas, sentimentos que podem vir a gerar estresse”, explica.

De acordo com o levantamento da clínica, com base nos pacientes atendidos, os transtornos que mais foram desenvolvidos por indivíduos de luto são os de humor e ansiedade. O transtorno de humor se caracteriza por alterações emocionais durante um longo período de tempo, alternando entre tristeza profunda e exaltação excessiva. Já a ansiedade é um distúrbio na saúde mental que consiste em extrema preocupação a ponto de interferir na vida cotidiana do indivíduo que a obtém. Dependendo do grau da ansiedade, há a possibilidade em alguns casos dela proporcionar ataques de pânico e até transtorno obsessivo compulsivo.

“Nós sabemos que os transtornos psiquiátricos têm origem multifatorial. Fatores estressantes costumam representar um forte catalisador para o adoecimento psíquico, e, sem dúvida, essa pandemia foi um dos fatores mais estressantes que as últimas gerações já vivenciaram. Quando junta a pandemia em si, aliada ao luto da perda de parentes, pudemos notar um aumento expressivo da demanda de pacientes com transtornos psiquiátricos.” complementa.

A explicação de tudo isso pode ser justificada pela existência da pandemia, excesso de notícias prós e contras, a “culpa” por não tomar todos os cuidados possíveis e ter um parente nas estatísticas da pandemia. “Isso pode servir de gatilho, e a constante lembrança do ente querido pela referência que se faz da doença o tempo todo, nas mídias, redes sociais etc”. finaliza o médico.

Fonte: Sig Residência Terapêutica

Alimentação vs emoções: veja quais alimentos podem ajudar a melhorar humor e bem-estar

A alimentação além de ser necessária como combustível metabólico para o corpo, é evidente a relação entre o alimento e as funções cerebrais, como o humor e cognição

O triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, que o organismo não consegue produzir, devendo ser obtido a partir da alimentação. “Esse aminoácido ajuda a sintetiza serotonina, conhecida como o “hormônio do bem estar”, melatonina e niacina e por isso está associado ao tratamento e prevenção da depressão, ansiedade, insônia e pode até mesmo auxiliar no processo de emagrecimento.” esclarece a nutróloga Marianna Magri Real.

O triptofano representa um elemento essencial para o funcionamento do cérebro, devido ao seu papel como precursor da produção do neurotransmissor serotonina.

Um estudo feito na Grã-Bretanha, analisou os hábitos de 200 voluntários. Em 88% dos casos, as mudanças na dieta, entre outros costumes, como tabagismo e atividade física, conseguiram amenizar os sintomas de transtornos mentais, como ataques de pânico, ansiedade e depressão.

A nutróloga comenta sobre outro estudo, este publicado na Revista de Saúde Pública, comparou os costumes de 49.025 brasileiros adultos e seus sentimentos, e mostrou que aqueles que tinham comportamentos menos saudáveis, o que envolvia a ingestão de refrigerantes, álcool e açúcar em excesso, apresentaram mais tendência à depressão.

Marianna traz algumas dicas de alimentos com fontes de triptofano:

Banana


A banana é um alimento rico em triptofano e ajuda no bom humor. Além disso, possui vitaminas, como a B6, que ajuda a combater a ansiedade e a irritabilidade. Recomenda-se o consumo de cerca de 1 banana ao dia, que pode ser crua ou cozida, com canela. “Deve ser ingerida com moderação pelos diabéticos, devido ao alto teor de açúcar.” completa a Dra. Marianna.

Mamão

Oferece uma boa dose de triptofano. Além disso, é rico em antioxidantes, substâncias que também têm participação no aumento do bem-estar. Isso sem falar nas fibras, que dão uma força ao funcionamento do intestino, mais um item que melhora o humor. Porém se você estiver com problemas de diarreia, o consumo deve ser evitado.

Peixes

Peixes como salmão, truta, sardinha, atum, por exemplo, aportam gorduras essenciais, como o ômega 3, que o corpo não consegue produzir, este protege a estrutura da membrana celular e os neurônios. Também fornecem proteínas, tirosina, ferro, zinco, vitaminas B6 e B12, todos nutrientes favoráveis ao cérebro.

Fermentados

Foto: iStock

Alimentos e bebidas fermentadas como o kefir e kombucha, aqueles que contêm probióticos, ajudam no equilíbrio da microbiota intestinal. O órgão é responsável pela produção de cerca de 90% a 95% da serotonina do corpo, mantê-lo em equilíbrio é importante para a saúde emocional.

Chocolate 70%

Quem já experimentou, sabe consumir um pedaço já melhora rapidamente o humor. O triptofano está presente nas sementes de cacau, por isso que, quanto mais amargo e cacau o doce tiver, mais benefícios ao nosso bem estar. Foi o que constatou um estudo divulgado na reunião anual da Experimental Biology 2018, em San Diego, na Califórnia. O consumo do chocolate amargo com 70% de cacau pode melhorar os níveis de humor, memória e imunidade. Outra pesquisa da University of Wales Swansea, no País de Gales, no Reino Unido, mostrou que a ingestão de carboidratos está associada à melhora do humor e que o mau humor estimula o consumo de ‘alimentos de conforto’ como o chocolate.

Mel

Steve Buissinne/Pixabay

O mel também é fonte de triptofano, com ação calmante que induz a uma sensação de bem-estar. O alimento produzido pelas abelhas ainda é fonte de fruto-oligossacarídeos, que ajudam a promover o equilíbrio das bactérias no trato gastrointestinal. O mel também colabora com uma melhor regulação neuroendócrina, favorecendo a sensação de prazer e a disposição. Use com moderação.

Vitaminas do complexo B

Especialmente a B6 e a B12, são aliadas na produção de serotonina. São nutrientes importantes para pessoas idosas e, muitas vezes, uma suplementação com acompanhamento médico ou nutricional é indicada.

Magnésio

Outro nutriente importante para equilibrar a produção de serotonina e que ainda ajuda a regular a função nervosa. Alguns alimentos fontes desse mineral são folhas verde-escuras, como espinafre por exemplo, peixes, banana e feijão.

Melancia

Conta com o combo triptofano e vitamina C, excelente antioxidante que ajuda a combater o estresse físico e emocional. É recomendado o consumo de uma fatia média de melancia diariamente. Alerta-se o consumo moderado para os diabéticos pois contém altos níveis de açúcar.

Marianna finaliza alertando sobre a importância do consumo de água, a ingestão de água auxilia na produção de endorfina e serotonina, que têm efeito calmante e que são responsáveis pelo bom humor, relaxa e elimina a ansiedade e também diminui os níveis de adrenalina e cortisol responsáveis pelo estado de tensão.

Fonte: Marianna Magri Real é médica ecografista titulada pela Associação Médica Brasileira e Colégio Brasileiro de Radiologia. Médica nutróloga no Hospital Albert Einstein. Nutróloga responsável pelo setor de nutrologia da clinica de cirurgia plástica Dr. Hugo Sabath em São Paulo e no exterior. Food and Health ( Stanford). Medicina Integrativa e ciências da homeostase pela universidade Uningá – Maringá (certificado MEC).

Quatro benefícios da alimentação saudável para a saúde mental

Comer bem, praticar atividades físicas e balancear o tempo que se passa trabalhando com o lazer: são medidas simples que podem elevar significativamente a qualidade de vida. Mas você sabia que uma alimentação inadequada pode ser extremamente prejudicial à saúde mental? E que pode, ainda por cima, reduzir em até 20% a produtividade e eficiência de um colaborador? Este é um dado da Organização Internacional do Trabalho, que vem levando as empresas a buscarem ajuda em programas especializados para proporcionar uma melhor nutrição aos funcionários.

“Combater estes males se tornou uma preocupação e também um desafio dentro das organizações”, afirma Fernanda Mondin, head de nutrição da OrienteMe, healthtech especializada em saúde corporativa. Ela cita uma pesquisa realizada por profissionais da Saúde da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e da Faculdade de Ciências Médicas de Botucatu, indicando que o número de dias de trabalho perdidos em função da obesidade e doenças associadas (como diabetes) pode variar de 3,9 a 10,6 por ano.

A nutricionista alerta que alimentação saudável não é sinônimo de tratamento para a saúde mental. “A dieta pode ser usada como adjuvante de uma terapia específica, nunca como tratamento exclusivo de um transtorno mental diagnosticado”, reforça ela.

A especialista preparou uma lista com quatro benefícios da alimentação saudável para a saúde mental. Confira:

Controle e redução de ansiedade
Alguns alimentos ajudam a regular a flora intestinal e aumentam a produção de serotonina, também conhecida como hormônio da felicidade, promovendo o relaxamento e ajudando a combater a ansiedade. Entre eles estão aqueles ricos em magnésio, ômega-3, fibras, probióticos e triptofano, como banana, castanha-do-pará, amendoim e chocolate amargo (acima de 70% de cacau em sua composição). Além disso, é importante também diminuir o consumo de alimentos ricos em açúcares e farinha de trigo branca, já que estão associados com alterações na glicemia e na produção de serotonina.

Aumento de energia e disposição
O que comemos também têm relação direta com a energia que colocamos nas atividades que fazemos. Os carboidratos são importantes, mas devemos evitar aqueles produzidos com farinha branca porque se transformam rapidamente em açúcares – o que não é a opção mais saudável . Para ter mais energia e por mais tempo, é interessante investir em carboidratos integrais, como aveia, cereais em geral e batata doce.

Foto: Alfonso Charles/Pixabay

Melhora da memória
O acúmulo de várias atividades, somadas aos momentos de pressão, estresse, avanço da idade ou rotina com alimentação desregulada interferem no organismo e portanto, podem intensificar os danos ao nosso cérebro e nossa memória. “Existem maneiras de fazer com que os neurônios do cérebro conservem as informações sensoriais recebidas e ajudem a nossa memória a ter um melhor funcionamento, e uma delas é a alimentação saudável”, diz a especialista. Entre os alimentos recomendados, estão salmão, leite, ovos, nozes, tomate, brócolis, suco de uva e azeite de oliva.

iStock

Combate às doenças crônicas
Refeições balanceadas podem auxiliar na prevenção de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes, obesidade e cardiovasculares. Inclusive, 30% das causas de morte no Brasil estão diretamente relacionadas a doenças do coração, segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Para evitá-las, recomenda-se evitar ao máximo alimentos ultraprocessados, como salsicha, linguiça, presunto, salame e afins. Refrigerantes e bebidas alcoólicas também estão na lista dos vilões da saúde, assim como frituras e doces em excesso. Para caprichar nos cuidados, adote uma alimentação rica em frutas, legumes, cacau, folhas verde-escuras e, claro, água. “Hidratar-se também é essencial”, afirma ela.

Todos sabem que existe a relação entre alimentação saudável e a saúde mental; e elas caminham juntas, muito mais do que as pessoas imaginam. Em tempos difíceis, como estamos enfrentando atualmente, fica ainda mais complicado ter as duas frentes controladas, mas com pequenos hábitos alimentares saudáveis e mudanças na rotina é possível atingir o equilíbrio.
“Recentemente, lançamos ao mercado nosso mais novo braço de negócio, a nutrição, pois queremos ajudar as empresas e seus colaboradores a atingirem o equilíbrio e melhorarem, cada vez mais, a própria saúde”, finaliza Fernanda.

Fonte: OrienteMe

46% dos brasileiros afirmam ter algum problema de saúde mental e emocional

Entre os principais problemas estão o estresse (28%), seguido por insônia (18%), falta de concentração (13%) e depressão (10%)

Para entender os principais problemas e preocupações das pessoas com relação à sua saúde física e mental, especialmente em tempos tão complexos como este da pandemia da Covid-19, a DSM, empresa global de origem holandesa voltada para a saúde, nutrição e biociência, realizou a pesquisa “Health & Wellness 2021”. Aplicada em 11 países da América Latina, entre eles o Brasil, com mais de 6 mil pessoas, o levantamento constatou que 46% dos brasileiros declaram ter algum problema de saúde mental e/ou emocional, sendo o estresse o principal deles (28%), seguido de insônia (18%), falta de concentração (13%) e depressão (10%).

Essas enfermidades também estão entre as mais citadas pelos brasileiros quando questionados sobre quais são as principais preocupações em relação à própria saúde. Ser acometido pelo estresse aflige 60% das pessoas, já o cansaço físico e a falta de energia 58%, a imunidade e o sobrepeso são preocupantes para 55% dos entrevistados, respectivamente, e a depressão para 53%. As preocupações seguem essa mesma linha, segundo a pesquisa, quando se considera a América Latina: 63% tem receio com o estresse, 61% com falta de energia e cansaço, 59% com baixa imunidade, 58% com sobrepeso e 54% com depressão.

A pesquisa mostrou ainda que, além das pessoas darem atenção aos problemas mentais e emocionais, a saúde física também é valorizada. Prova disto é que 70% dos brasileiros entrevistados declaram estar ingerindo mais frutas e verduras, 59% afirmam ter reduzido o consumo de açúcar, enquanto 39% indicam que estão tentando cortar totalmente o açúcar da sua alimentação.

“O fato de as pessoas estarem atentas para criar hábitos mais saudáveis de alimentação é muito importante. Mas, boa parte da população não consegue manter uma rotina alimentar que forneça todos os nutrientes essenciais para a saúde nas quantidades recomendadas. Por isso, um dos maiores objetivos da área de Nutrição & Saúde Humana da DSM é inovar em soluções que ajudem as pessoas a garantir o aporte ótimo de nutrientes, seja por meio de alimentos fortificados ou suplementos nutricionais”, ressalta Giovani Saggioro, vice-presidente de Nutrição Humana para a DSM América Latina.

A pesquisa constatou que o Brasil foi o país que apresentou maior aumento no consumo de suplementos alimentares no comparativo entre 2019 e 2021, de 51% para 69% dos entrevistados. Os principais objetivos do uso de suplementos são ter mais energia, melhorar a performance em exercícios e fortalecer a imunidade. Já 72% fazem uso de vitaminas e minerais, seja para melhorar a saúde mental ou fortalecer a imunidade. Por outro lado, as pessoas adotam dietas saudáveis pensando principalmente na manutenção do peso, na saúde cardiovascular e na prevenção de doenças no futuro.

O conhecimento sobre como fortalecer o sistema imunológico apresentou bons resultados na América Latina. No Brasil, foi identificado que 30% dos consumidores de suplementos começaram a consumir o item de forma mais frequente e 17% declararam ter começado a tomar um tipo de suplemento por causa da pandemia. Outros 24% adicionaram novos suplementos aos que já consumiam antes da Covid-19. Além disso, 44% dos entrevistados afirmaram terem mudado seus hábitos alimentares exclusivamente para otimizar a imunidade.

Em relação aos nutrientes especificamente, 77% das pessoas consultadas têm conhecimento dos benefícios da vitamina C para a saúde e 59% fazem uso desse suplemento vitamínico. Já em relação à vitamina D, 70% reconhecem ser um bom aliado para a imunidade e 39% fazem uso do nutriente.

“A vitamina D foi o nutriente que obteve maior crescimento em adesão entre os consumidores durante a pandemia, juntamente com o ômega-3. Provavelmente, esses resultados estão associados ao crescente número de evidências científicas que relacionam a vitamina D e o ômega-3 com a otimização da imunidade”, reforça Saggioro.

Fonte: DSM

Luto: quais as 5 fases e por que é importante vivê-lo?

Com a passagem do feriado de Finados ontem(2), muitas famílias brasileiras voltaram suas lembranças para entes queridos que faleceram. O mundo vem tendo que aprender a lidar com o luto e, pensando nisso, os psicólogos da Eurekka falam sobre a importância de viver esse processo. O luto é um conjunto de reações naturais a perdas importantes, é um processo que se inicia no momento da perda e termina com a elaboração do sofrimento e o retorno à vida normal. É algo que faz parte da nossa capacidade de superação, além de ser algo positivo, nos ajudando a colocar as coisas em uma perspectiva diferente.

Ninguém quer falar, pensar ou ouvir sobre a morte. Afinal, perder um ente querido é muito difícil, doloroso e nos traz sentimentos de medo e angústia. O problema é que a morte é muito comum e vai acontecer várias vezes nas nossas vidas. Quanto maior a dificuldade de falar sobre isso, mais temos que enfrentar o sofrimento sozinhos, sem preparo e com grande dificuldade de superação.

Ficamos de luto pela perda em várias situações diferentes na vida, não necessariamente só quando falamos de morte. Pode ser a perda de um relacionamento, da infância ou adolescência, de amizades, de um trabalho ou de um sonho – e isso tudo é normal!

No entanto, o luto só se torna um problema quando permanece e a pessoa acaba adoecendo. Por isso, é importante que estejamos preparados para esse momento inevitável e que saibamos lidar com ele quando acontecer. Até o fim desse texto, você vai entender como funciona o processo de luto, pois ele acontece e como nós podemos lidar com ele de uma maneira mais saudável.

As cinco fases do luto

Os especialistas consideram que existem cinco estágios do luto, os quais todo mundo enfrenta quando vivencia a morte de um ente querido. No entanto, nem sempre as etapas acontecem em sequência e o tempo que as pessoas vivenciam cada uma delas pode variar.

Estágio de negação
Nessa fase, o indivíduo tem dificuldade de acreditar na perda, então tenta se afastar dessa realidade. Também sente uma dor intensa e não consegue suportar a ideia de um futuro sem o que perdeu. Por isso, age como se nada tivesse acontecido ou racionaliza muito a situação, como se não tivesse nenhuma emoção ligada a ela.

Estágio de raiva
Nessa fase, o indivíduo já entendeu a morte como uma realidade e começam a surgir sentimentos de revolta, ressentimento e injustiça, que podem ser expressados de forma agressiva. A pessoa pode dirigir a raiva para si mesma ou para outras pessoas – como para o médico, para Deus ou para a própria pessoa que faleceu.

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Estágio de negociação ou barganha
Nessa fase, a pessoa começa a imaginar diferentes situações e a tentar negociar, com Deus, por exemplo, para que a perda não seja de verdade e para que a pessoa amada volte.

Estágio de depressão
Nessa fase, o indivíduo percebe que a morte é inevitável e que o objeto de perda não vai voltar. Assim, ela, por fim, sente tristeza, desmotivação, apatia e acredita que não vai conseguir superar essa situação.

Foto: Klimkin/Pixabay

Estágio de aceitação do luto
Por fim, na última fase, a pessoa já se acostumou mais com a ideia da perda e consegue falar sobre o assunto com mais facilidade. Aos poucos, a dor diminui e é substituída por saudade e carinho. É nessa fase que a pessoa enxerga a ideia de morte com mais naturalidade e sente que está na hora de seguir em frente.

Atitudes que podem ajudar um parente ou amigo em luto:

Lembre-se que não há maneira certa de sofrer. Algumas pessoas sofrem muito, de maneira muito rápida, enquanto outras sofrem pouco, mas por muito tempo. Assim, a primeira coisa que devemos saber é que cada um sofre de um jeito.

Pergunte “Como foi o seu dia?”
Mostre à pessoa que você se preocupa com ela e que está disponível para confortá-la. Portanto, quando não souber o que dizer, só diga: “sinto muito” ou “não consigo imaginar o que você deve estar sentindo”. Essas são frases úteis, mas você também pode oferecer um abraço. Não saia abraçando; pergunte.

Abra mão do controle
Muitas vezes queremos sugerir planos e temos pressa para resolver a situação, mas às vezes pode ser mais útil só fazer companhia e ver um filme junto com a pessoa, por exemplo.

Leve um pet
Muitas pesquisas mostram que a companhia de um animal pode ajudar na melhora de pessoas enlutadas.

Entenda a diferença cultural de gêneros
Na cultura, os homens e as mulheres são ensinados a lidar com as emoções de formas diferentes. Enquanto as mulheres podem expressar mais os sentimentos, alguns homens tendem a se isolarem mais, recorrem ao álcool ou até mesmo ficarem mais irritados.

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Esteja presente
Às vezes as pessoas passando pelo luto se isolam por não saberem bem como pedir ajuda. Contudo, no fim das contas, uma simples visita já faz bem!

Buscando ajuda médica e psicológica para lidar com o luto

Caso perceba que esse processo está te deixando doente (você sente dores, não consegue mais sair de casa, não consegue mais conversar com os seus amigos, sente crises de ansiedade várias vezes etc.), não deixe de procurar auxílio médico ou psicológico. Afinal, existem profissionais qualificados para lidar com situações específicas, como esta.

Além disso, o luto mal resolvido pode desencadear transtornos como a depressão, ansiedade, transtorno obsessivo compulsivo e, até mesmo, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Assim, na terapia, será disponibilizada uma escuta atenta e técnica para o sofrimento da pessoa, para que ela possa superar esse processo de uma maneira saudável.

Fonte: Eurekka

Cada vez que julgamos o corpo ou aparência de alguém, matamos um pouco a pessoa*

Em uma época em que discutimos tanto a questão do combate ao suicídio, não poderíamos deixar de trazer à tona uma questão extremamente urgente e necessária: a imagem corporal, tema bastante atual e discutido especialmente no universo dos famosos.

Após lançar a música ‘Rumors’ em parceria com a Nick Minaj, a rapper Lizzo sofreu diversos ataques maldosos na internet. Todos com base em sua aparência, de cunho racista e gordofóbico.

Já a cantora e atriz Camila Cabello já concedeu muitas entrevistas e fez postagens falando sobre os ataques que vem sofrendo relacionados ao seu corpo. Ela sempre comenta sobre o costume em usar filtros nos vídeos e fotos, fazendo com que a internet se acostume com um padrão: magra e alta. Ela ressalta que mulheres reais possuem corpos reais com curvas, celulites, estrias, e lamenta não poder simplesmente ser e existir.

“Cada vez que julgamos o corpo ou aparência de alguém, matamos um pouco a pessoa. Combatemos muitas doenças ao longo da vida, especialmente aquelas de ordem mental, seja depressão, ansiedade, transtorno alimentar. A maioria delas surgem de ‘questões’ que foram criados em nossa sociedade para manter padrões criados pela indústria da moda ou da estética que não fazem nenhum sentido, mas que aprendemos desde cedo que precisamos seguir”, comenta Valeska Bassan, coordenadora do Ambulim na USP e especialista em transtornos compulsivos alimentares.

A especialista alerta ainda que grande parte dos transtornos alimentares tem forte relação com a imagem corporal, sendo que a maioria dos transtornados seguiram dietas alimentares bastante restritivas; no caso da anorexia, o comportamento alimentar está ligado a distorção na autoimagem corporal, sendo sua principal característica o medo de engordar; já a bulimia é o resultado de compulsão alimentar seguida de uma necessidade de eliminar os alimentos do organismo, passando também pela necessidade de “manter o peso”.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que, todos os anos, 800 mil pessoas tiram suas vidas em todo o mundo. De acordo com a entidade, em grande parte dos casos, os transtornos mentais são fatores que contribuem para essa atitude extrema.

Conceito de autoimagem e imagem corporal

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O conceito em si da palavra significa a forma como eu me vejo, fisicamente, emocionalmente, cognitivamente e nos diversos papéis que todos nós exercemos. Embora essa construção seja “interna”, sofremos de uma forte influencia do “externo” desde a primeira infância.

Se desde muito cedo ouvimos que somos inteligentes e capazes, certamente essa informação será assimilada na construção da minha autoimagem, o contrário também é verdadeiro. Ao longo da vida o retorno das outras pessoas vai formando a maneira com a gente se enxerga. A forma como eu me vejo, a minha autoimagem e a forma como eu me percebo, o meu autoconceito influenciam diretamente o nível e a qualidade da autoestima.

*Fonte: Valeska Bassan é coordenadora do Ambulim na USP e especialista em transtornos compulsivos alimentares

Entenda o que é ESG e por que ele é indissociável da saúde mental

Investimento em políticas e cuidados em saúde mental são essenciais para um olhar profundo e estrutural para o ESG

A ênfase em olhar para o ESG (Environmental, Social and Governance) tem se tornado uma realidade cada vez mais presente no Brasil. Para além de um olhar para o impacto socioambiental e para o papel social das empresas no que diz respeito ao meio ambiente, às relações sociais e à governança, a proposta também se conecta (e muito) à questão da saúde mental dentro de organizações.

Mas o que é ESG?

ESG é uma sigla que surgiu no ano de 2004 em uma publicação do Pacto Global em parceria com o Banco Mundial, chamada Who Cares Wins. A sigla, que agrega os componentes “Environment” para o meio ambiente, “Social” para as relações sociais, e “Governance” para a governança, é um resultado de um olhar comprometido para a sustentabilidade por parte das empresas dentro de sua atuação. O movimento coloca critérios de impacto socioambiental e de regras sólidas de governança dentro do mundo corporativo, elevando os padrões com que estes fatores devem ser levados em consideração na condução dos negócios.

Por que isso é importante?

O entendimento e aplicabilidade do ESG no Brasil e no mundo é cada vez mais relevante e tende a indicar mais solidez, reputação e compromisso social. Estes critérios estão também diretamente relacionados com as metas de desenvolvimento global da ONU, as ODS, e trazem para o centro do debate o papel das empresas no desenvolvimento sustentável.

Consumidores e investidores têm dado preferência a instituições que incorporam práticas sólidas de ESG em seus negócios. Um estudo realizado pela Ágora Investimentos mostrou que empresas preocupadas com essas questões tendem a se destacar em seus nichos, com vantagens competitivas, melhor reputação e maior lucratividade. Em meio à urgência de mudanças climáticas, soluções sustentáveis e crescentes demandas de responsabilidade social, a pauta do ESG está cada vez mais em alta, especialmente entre as gerações mais jovens que têm dado mais atenção à perspectiva de futuro e longevidade saudável. Esse movimento exige, de forma articulada, um compromisso por parte do setor privado.

O que a saúde mental tem a ver com ESG?

O processo de adoecimento no mundo do trabalho se acentuou ainda mais com a pandemia da Covid-19. Cargas horárias extensas, pressão psicológica, sobrecarga de tarefas, competitividade e responsabilidade financeira, impactos físicos e emocionais são alguns dos motivos que levaram mais de 47,3% de trabalhadores de serviços essenciais no Brasil ao esgotamento profissional e pessoal entre 2020 e 2021, segundo Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Índices como estes têm despertado o entendimento de que questões associadas à saúde, ao social e ao ambiente têm grande impacto econômico, sobretudo na permanência de empresas no mercado e continuidade de investimentos. Pessoas adoecidas mentalmente fazem com que haja uma maior rotatividade de funcionários (turnover), menor produtividade e maior absenteísmo, o que impacta diretamente nos resultados finais de uma organização.

Por conta disso e pela necessidade de se olhar para os indivíduos como parte da responsabilidade socioambiental de uma empresa, há um tempo especialistas vêm colocando a saúde mental como um componente importante do “S” do ESG, já que este se relaciona com o bem-estar dos funcionários e preocupações com questões sociais da comunidade.

“Apesar de encaixarmos de forma bastante direta a saúde mental no ‘S’ do ESG, ela também está presente como parte indissociável dos outros componentes. Ela se relaciona com o meio ambiente quando percebemos que a poluição do ar e as mudanças climáticas foram classificadas como uma das maiores ameaças à saúde global, com sérios impactos na saúde mental”, afirma Maria Fernanda Quartiero, Diretora Presidente do Instituto Cactus, organização que atua na prevenção de doenças e promoção da saúde mental no Brasil, através da geração de conhecimento, identificação e multiplicação de boas práticas, colaboração em políticas públicas, articulação de ecossistemas e conscientização sobre o tema.

“Por outro lado, saúde mental também tem tudo a ver com o ‘G’, já que para trabalhar a saúde mental nas empresas não basta apenas que ofereçam atendimentos psicológicos aos seus funcionários, mas, sim que abordagens estruturais sejam adotadas, como a institucionalização da saúde mental nas práticas e governança, por meio, por exemplo, da criação de comitês e áreas específicas que olhem para o tema de forma transversal em toda a empresa”, salienta a diretora.

O olhar de forma estrutural para a saúde mental dentro das empresas e como parte fundamental do ESG é fundamental. De acordo com uma pesquisa do LifeWorks Mental Health Index, 76% dos entrevistados afirmaram que ter suporte à saúde mental é um diferencial na hora de deixar o emprego. O Relatório de Tendências, da Great Place to Work, revela que a saúde mental foi citada por 38% dos 1.700 respondentes como principal tema da gestão de pessoas em 2021.

Caminhos a se seguir

Cuidar da saúde mental no ambiente de trabalho não é só oferecer terapia e exercícios laborais. Cuidar da saúde mental no trabalho deve passar por um olhar que evite que o ambiente de trabalho seja um ambiente que adoeça e, por isso, precisamos institucionalizar o debate sobre saúde mental em todos os espaços (inclusive nas empresas), incorporando visões que trabalhem a prevenção e a promoção da saúde mental no ambiente de trabalho.

Quando falamos em boas práticas para a saúde mental, podemos, então, pensar em uma diversidade de ações, como: iniciativas de diversidade e equidade, práticas de integração de equipe e momentos de convivência em grupos, atividades de formação e práticas corporais guiadas, canal de escuta e denúncia de abusos, plano de carreira, creches internas próximas ao local de trabalho etc.

“Investir em profissionais qualificados (como médicos e psicólogos); criar projetos de psicoeducação preventiva, com programas que contemplem o tema; incentivar rodas de conversas com profissionais para os funcionários falarem sobre as dificuldades do dia a dia e terem orientação sobre os sinais de alerta em termos de saúde mental, ao quais precisam se atentar; oferecer rede apoio, serviços de terapia online e criar condições saudáveis de trabalho, que estejam incorporadas às práticas de gestão e governança das empresas, são algumas ações importantes que precisam ser atribuídas pelas empresas como parte prioritária de suas políticas, visto que a atenção à saúde de forma integral não só é um investimento cujo retorno pode ser financeiramente positivo, mas principalmente porque o olhar para os indivíduos e sua saúde mental é pressuposto básico para uma sociedade mais saudável e inclusiva.”, finaliza Luciana Barrancos, Gerente Geral do Instituto Cactus.

Fonte: Instituto Cactus

Depressão sazonal de inverno pode afetar o humor

Neuropsicóloga explica que o clima pode provocar alterações nos níveis de serotonina, comprometendo a saúde mental

A Depressão Sazonal de Inverno, ou Transtorno Afetivo Sazonal, é um tipo de depressão maior que aparece no outono e inverno. Embora atinja homens e mulheres, sua prevalência é maior na população feminina. A condição costuma ocorrer com maior frequência em países cuja estação gelada é mais intensa, com clima extremamente frio e úmido, onde há menos luz solar e dias mais curtos.

Segundo explica a neuropsicóloga da Clínica Maia, Katherine M. De Paula Machado, a falta de luz é o fator mais importante para o desenvolvimento desse tipo de depressão, porque interfere no ritmo circadiano (ciclo biológico relacionado ao sono) podendo causar alterações nos níveis de serotonina, um neurotransmissor e neuromodulador essencial, afetando o humor. Também interfere na produção de melatonina, hormônio secretado pelo cérebro durante a noite, que também possui um papel determinante no sistema circadiano.

“Com a diminuição da luz solar no inverno, as pessoas permanecem no padrão noturno, o que causa sonolência, cansaço, irritação, tristeza e fome maior do que o normal. Além disso, a ausência do sol atrapalha a fixação da vitamina D, que atua na produção de hormônios que ajudam a combater a depressão”, destaca.

Contudo, a especialista ressalta que mesmo com as alterações do clima, o nosso relógio biológico está programado para se adaptar às mudanças inerentes às estações do ano. Mas o que acontece é que pessoas que desenvolvem a depressão sazonal são justamente aquelas que têm dificuldade em se ajustar a essas transformações climáticas.

“Diagnosticamos esse padrão sazonal se houver recorrência do episódio depressivo numa altura específica do ano, assim como a sua remissão completa após a estação. Em outras palavras, nesse tipo de depressão, assim que o clima frio vai embora, ela vai junto com ele”, esclarece Katherine.

Então, se houver sintomas que aparecem sempre em um determinado período do ano, como humor depressivo, irritabilidade, ansiedade, diminuição da libido, baixa autoestima, desconcentração, sentimentos de culpa, fadiga, insônia ou sonolência excessiva, alteração no padrão alimentar (principalmente compulsão alimentar), no peso (normalmente aumento de peso), ideias de morte ou de suicídio é um sinal de alerta.

“Esses sintomas surgem no outono/inverno e desaparecem na primavera. E se a doença não for devidamente diagnosticada e controlada, a evolução desses sinais pode trazer uma condição bastante debilitante ao paciente e, nesses casos, a remissão dos sintomas na estação seguinte se torna parcial. Ou seja, em parte, o problema deixa de ser sazonal devido ao agravamento do quadro”, aponta a neuropsicóloga.

Portanto, o tratamento, que é individualizado, é importantíssimo, ele conta com recursos variados que vão desde o uso de medicamentos, até dieta, técnicas de relaxamento e atividade física, usados isoladamente ou em combinação. Outra ferramenta eficaz e bastante utilizada é a fototerapia (tratamento com luz artificial).

Assim como em outros tipos de depressão, a psicoterapia também é um forte recurso terapêutico utilizado no controle da doença, visando o bem-estar e a qualidade de vida do paciente. Ela previne, muitas vezes, a recaída da doença, principalmente quando associada à fototerapia.

“É que a fototerapia contempla as vulnerabilidades fisiológicas do paciente, e a psicoterapia, por sua vez, foca nas questões emocionais, como pensamentos, comportamentos disfuncionais ou reatividade ao clima. E, assim sendo, é importante entender que ter um bom diagnóstico é fundamental, então, se preciso, não hesite, busque ajuda”, completa a profissional.

Fonte: Clínica Maia

Hábitos alimentícios e saúde mental estão interligados

Consumo de certos alimentos pode auxiliar na prevenção ou até mesmo agravar quadros de depressão e ansiedade devido à conexão entre o cérebro e o intestino

É cada vez mais natural falarmos sobre saúde mental. Ao contrário de antigamente, quando o assunto era reprimido, hoje sabemos da importância de se discutir sobre doenças que afetam a mente, como a depressão e a ansiedade, que são extremamente comuns e até mesmo perigosas. Mas mesmo com esse tema ganhando mais espaço na mídia e nas redes sociais, pouco se fala sobre um fator que possui influência direta sobre a saúde mental: a alimentação.

“O intestino, por onde absorvemos os nutrientes dos alimentos, possui uma relação direta com o cérebro, sendo inclusive chamado de segundo cérebro. Nós podemos até mesmo observar essa ligação no dia a dia quando, por exemplo, sentimos ‘borboletas na barriga’ em momentos de nervosismo. Isso ocorre porque existe uma complexa rede de comunicação em nosso corpo que liga os centros emocionais e cognitivos do cérebro às funções intestinais. O sistema nervoso intestinal se conecta ao cérebro por meio do nervo vago, que entre suas várias funções, é também responsável pelo controle do humor e da ansiedade”, afirma Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Segundo a especialista, é no intestino também que estão 90% dos receptores de serotonina. “A serotonina é uma substância química sintetizada principalmente pelo sistema nervoso central e trato gastrointestinal, que está envolvida no processo de regulação do humor e processamento das emoções e, quando ineficiente, pode causar ansiedade e depressão”, explica.

Por meio da conexão entre o intestino e o cérebro, é possível entender então de que forma a alimentação influencia na saúde mental, o que vai muito além de apenas se alimentar saudavelmente ou não, já que alimentos específicos possuem impacto positivo ou negativo em nosso cérebro.

By Pink

Por exemplo, o consumo de prebióticos e probióticos é uma ótima maneira de começar a regular a saúde mental por meio do bom funcionamento intestinal. “Isso porque prebióticos, presentes em alimentos como aveia, alho, cebola, frutas vermelhas e banana, são componentes naturais que ao chegarem no intestino promovem o crescimento de bactérias benéficas para a saúde intestinal e do organismo em geral. Por sua vez, são os probióticos, que podem ser encontrados em alimentos fermentados, como kombucha e missô, e alguns queijos e iogurtes”, destaca a nutróloga.

“Para melhorar a saúde mental, é interessante apostar também no consumo de frutas e legumes, pois são alimentos ricos em vitaminas, minerais, fibras prebióticas e antioxidantes, nutrientes fundamentais para que as bactérias benéficas para o intestino prosperem, melhorando o humor, aumentando a sensação de bem-estar, aliviando o estresse e reduzindo a inflamação. É especialmente interessante investir em alimentos ricos em magnésio, vitamina C e fibras, que ajudam a reduzir a ansiedade.”

Em contrapartida, guloseimas, alimentos fritos em imersão e ultraprocessados, ricos em sal, açúcar refinado, gordura saturada e trans podem piorar quadros de depressão, ansiedade e estresse. “Esses alimentos favorecem a proliferação de bactérias prejudiciais para a saúde intestinal, piorando a inflamação e o humor”, alerta a médica.

“A ingestão excessiva de cafeína e bebidas alcoólicas também pode prejudicar a saúde mental e fazer com que você se sinta mais ansioso ou depressivo. Por isso, é importante consumir essas substâncias com moderação. No geral, até 400mg de cafeína, o que equivale a cerca de 4 xícaras de café, é o consumo máximo diário e seguro para adultos. Já a ingestão de bebidas alcoólicas deve ser restringida a duas doses diárias para homens e uma para mulheres”, completa.

Mas vale ressaltar que condições como depressão e ansiedade são doenças e devem ser diagnosticadas e tratadas por um profissional especializado, já que suas causas vão muito além da alimentação, podendo incluir fatores como eventos traumáticos, doenças preexistentes, desequilíbrios hormonais, uso de certos medicamentos e até mesmo genética.

“Já reconhecida como uma doença hereditária, a depressão é uma condição extremamente complexa que envolve a interação de diversos genes e uma série de fatores ambientais que podem modular e acionar a predisposição genética. Para se ter uma ideia, estudos apontam que a influência genética para o desenvolvimento da depressão é de 30 a 40%, sendo que o risco dessa condição entre parentes de primeiro grau é três vezes maior do que na população geral”, afirma o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.

Existem inclusive exames capazes de identificar a presença de variantes genéticas que aumenta a predisposição à depressão, ajudando assim na prevenção da condição por meio do monitoramento de fatores ambientais que podem desencadeá-la. “Esses exames genéticos podem até mesmo avaliar as respostas aos tratamentos para a depressão. Mas é fundamental consultar profissionais especializados, como psiquiatras e psicólogos, já que apenas eles serão capazes de avaliar corretamente o exame e indicar o tratamento mais adequado para cada caso”, finaliza o especialista.

Fontes:
M
arcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.
Marcelo Sady é pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu, o Dr. Marcelo Sady possui mais de 20 anos de experiência na área. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, professor, orientador e palestrante.

Como fica a saúde mental após mais de um ano de isolamento social?

A estimativa de instituições brasileiras é de que até metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer de alguma doença psicopatológica

Quem ao longo desses 15 meses de pandemia não procurou em sites de busca algo sobre os sintomas do novo coronavírus diante de qualquer reação que julgasse estranha do próprio corpo? Quem não ouviu falar de alguém que sentiu uma sensação de angústia, um aperto no peito? Ou que trabalhou horas em home office e nem viu o dia passar? Após mais de um ano da pandemia da Covid-19, com variantes do vírus ainda se espalhando e provocando aumento no número de casos e mortes, questões como a saúde mental acendem a luz vermelha para especialistas da área da saúde.

Por isso, sociedades médicas, sociedades da psicologia, e organizações da Saúde, como OMS (Organização Mundial da Saúde) e FioCruz, no Brasil, têm divulgado constantemente informações e diretrizes de conduta na atenção psicossocial e saúde mental.

Já temos alguns estudos que trazem a preocupação do cuidado em saúde mental e, baseados na literatura produzida a partir de epidemias anteriores, podemos considerar a gravidade em termos de sofrimento psíquico e elevação dos transtornos mentais. É certo que daqui alguns anos vamos ter uma literatura robusta apontando um provável crescimento desses casos e consequente comprometimento nas esferas familiares, sociais e laborais. Não é à toa que a saúde mental é a quarta maior preocupação e prioridade da OMS durante a pandemia”, diz Natalia Pavani, psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Uma pesquisa Datasus, divulgada em novembro de 2020, apontou que a ansiedade foi o transtorno presente em 86,5% dos 17.491 indivíduos adultos ouvidos pelo Ministério da Saúde, seguido de estresse pós-traumático (45,5%) e depressão grave (16%), no primeiro ano de pandemia.

A especialista do Hospital alerta que para atender de forma adequada esses pacientes é necessário que haja investimentos na capacitação da assistência e na definição de diretrizes de intervenções na atenção primária que estejam voltadas para a prevenção de doenças psicossociais. Com esse foco, a FioCruz preparou uma cartilha com recomendações para profissionais da saúde e agentes comunitários, e também para a população em geral, para que possam reconhecer os sinais de que algo não vai bem com a mente. O material indica, ainda, que por conta do estado de alerta, preocupação, confusão de informações, estresse e falta de controle, estima-se que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode sofrer alguma manifestação psicopatológica.

De acordo com a psicóloga, nem sempre essas manifestações serão classificadas como doenças mentais. Muitos problemas psicológicos podem ser considerados normais e momentâneos diante do atual cenário. “O impacto vai depender da vulnerabilidade da pessoa no momento. Cada problema psíquico se manifesta de uma forma em cada indivíduo”, explica Pavani. “A maior ferramenta para essas questões é o autoconhecimento, reconhecer o que faz bem e o que não faz”, complementa.

O sono que já não é como antes, a capacidade de concentração nos estudos e/ou no trabalho também não é a mesma, o cansaço parece que ‘bate’ com mais facilidade, o sentimento de incerteza, inquietação diante de situações rotineiras, sensação que a cabeça não opera no mesmo ritmo do corpo, são sinais de que algo não vai bem. “É importante ficar atento e analisar bem a intensidade e a duração desses episódios, e se tem gerado alguma dificuldade para a vida rotineira, seja nos relacionamentos interpessoais, nas atividades e no trabalho”, explica a psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Como amenizar?

Se a pessoa está passando por um momento de sofrimento prolongado, o primeiro passo é procurar um clínico geral, que realizará exames e poderá encaminhá-la para consulta com psicólogo e/ou psiquiatra. Para evitar risco de contaminação pela Covid-19, diversas instituições de saúde estão realizando consultas on-line.

Uma dica importante da especialista é procurar o que faz bem. “A OMS define que ter saúde não corresponde somente ao corpo físico, mas também ao bem-estar psíquico, social e espiritual. E muitas vezes nos esquecemos disso, acreditando que saúde é somente ausência de doença. “.

Se conectar com a natureza, ter mais plantas em casa para cuidar, adquirir novos hobbies, consumir mais arte e cultura mesmo que virtualmente. Além disso, organizar a rotina, separar os espaços de trabalho dos de descanso, limitar o uso de redes sociais e estabelecer limites para si mesmo, tirar 30 minutos a uma hora por dia para alguma ação de autocuidado, e praticar exercícios, são atividades que podem ajudar a aliviar a solidão, a angústia, a tristeza, a apatia ou a inquietação. Fazer um plano de atividades do dia, mas um plano consciente, que não vá potencializar mais o estado aflitivo caso não consiga cumpri-lo.

“Não é preciso mudar tudo de uma só vez. Estabeleça algumas prioridades e procure reconhecer as pequenas conquistas do cotidiano. E caso e esteja em sofrimento psíquico, procure por ajuda profissional, afinal, os tratamentos de saúde mental existem para isso”, pontua a psicóloga, que ainda lembra que o desafio é coletivo, portanto ao aderir ao isolamento social e ficar em casa, a pessoa está se protegendo e ajudando toda a população.

“Se o desafio é coletivo, o único caminho para superarmos essa crise é por meio da união e do exercícios com responsabilidade das recomendações das autoridades em saúde pública”, declara.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz