Arquivo da tag: dermatologista

Quais as consequências das guloseimas juninas para a pele?

Depois de dois anos de isolamento social, as festas juninas estão de volta e os comes e bebes com elas. Confira quais alimentos podem prejudicar e os que podem fazer bem para a pele

Milho, amendoim, quentão, maçã do amor. Tudo delicioso. Mas pra muita gente essas gostosuras típicas das festas juninas podem afetar a saúde da pele. “Na rotina de cuidados, além de ser essencial a escolha de produtos adequados ao tipo de pele, a alimentação também tem influencia”, diz a dermatologista Luciana Garbelini .

Para conquistar uma aparência saudável, o ideal é uma dieta rica em verduras, legumes e frutas, além de muita água. Mas durante as festas abusa-se de alguns alimentos que fogem dos hábitos. “Amendoim, maçã do amor e arroz doce, por exemplo, são alimentos que podem causar o aumento da oleosidade do couro cabeludo e da pele, resultando em acne e dermatite seborreica por conta da gordura e do açúcar”, diz Luciana.

A pipoca é uma opção saudável das festas juninas, principalmente se preparada sem ou com pouco óleo ou manteiga. E nada de exagero, pois contém carboidrato. A casca do milho é rica em fibras, que ajudam no funcionamento do intestino, além de conter vitamina A e C, potássio e ferro. “A pipoca ainda tem antioxidantes que protegem as células do nosso organismo dos danos causados pelos radicais livres”, afirma Luciana.

Pinhão, abóbora, milho cozido e batata doce, também comuns nessas festas, podem ser ingeridos sem risco para a pele. “Ao contrário – são alimentos que contêm vitaminas e propriedades antioxidantes, que combatem os radicais livres e fazem bem para a pele”, afirma Luciana. No entanto, são ricos em carboidratos e devem ser consumidos com moderação.

E as bebidas alcoólicas?

“Quentão e vinho quente, bebidas mais comuns nessas festas podem prejudicar quem sofre de rosácea e psoríase porque vasodilatadoras. Peles sensíveis e com tendência à dermatite também podem ser afetadas”, diz Luciana. E, claro, como qualquer bebida alcoólica, tem que ser ingerida com moderação. No mais, é tomar bastante água, se preparar para dançar e pular a fogueira!

Luciana Garbelini é dermatologista formada pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro, Pós-graduada em cosmiatria e estética no Instituto Superior de Medicina. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

9 hábitos que aceleram a flacidez e as rugas no rosto

Segundo a pesquisa “O que a pele conta”, realizada pelo Ibope Inteligência, 94% das mulheres com idade entre 30 e 60 anos se sentem incomodadas com algum sinal na pele do rosto. Para 36% delas, a flacidez é um dos principais problemas.

De acordo com Renato Pazzini, dermatologista pela USP, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Membro do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz; tanto a flacidez como as rugas são sinais do envelhecimento, quando há perda das fibras de colágeno e elastina, que sustentam os tecidos corporais.

“O enfraquecimento e a perda da elasticidade da fibra são decorrentes do tempo, mas a falta de cuidado com a pele e a saúde em geral acaba abreviando o processo natural do envelhecimento. Isso sem falar nos diversos fatores que podem acelerar este processo, como sedentarismo; alimentação inadequada; tabagismo; exposição solar excessiva sem uso de filtro solar; estresse; variações de peso; entre outros”, ressalta Pazzini.

Como há muitas informações (nem sempre exatas) sobre o que pode causar ou estimular a flacidez facial e as indesejáveis rugas, o dermatologista selecionou alguns dos principais hábitos que precisam ser avaliados. Confira:

Exercícios faciais? Será?
Os exercícios são aliados contra a flacidez, pois trabalham os músculos da face. Entretanto, podem aumentar as linhas de expressão, uma vez que os ligamentos que sustentam nossa musculatura se afrouxam com o tempo, e os movimentos repetitivos na pele pouco elástica podem causar rugas. “Isso quer dizer que se um exercício reduz as olheiras, ele pode piorar os pés de galinha, por exemplo. Uma dica é consultar um especialista, já que a aplicação de toxina botulínica pode ser uma boa solução”.

Smartphone face
O termo smartphone face (rosto de smartphone) tem sido a associação ideal para aqueles que não desgrudam do celular. O hábito faz com que as pessoas passem praticamente o dia todo com os rostos colados à tela, tendendo a ficar com a cabeça para baixo. Em longo prazo, essa posição resulta na combinação rosto oval, queixo caído e rugas.

Controvérsias na alimentação
Quem cuida da saúde, muitas vezes, abre mão de alimentos gordurosos e fritos. No entanto, uma renúncia completa aos produtos contendo gordura afeta a condição da pele. Alguns ácidos graxos (ômega-3 e ômega-6) mantêm a elasticidade da membrana celular, suportam a imunidade e ainda reduzem o risco de desenvolver câncer. Já o consumo excessivo de açúcar afeta a elasticidade da pele, desencadeando o processo de envelhecimento. De acordo com estudos, moléculas de açúcar não digeridas podem inibir o colágeno e a elastina na pele. Quanto mais açúcar você consome, mais flácida a pele fica. Ou seja, o ideal é buscar orientação médica para saber o que faz bem ou não.

Abandone o cigarro já!
Além de destruir o colágeno, proteína responsável por atribuir elasticidade aos tecidos do corpo, a nicotina gera prejuízo na circulação em pequenos e médios vasos. Com a diminuição do fluxo sanguíneo na pele do rosto, os nutrientes e o oxigênio chegam com menor frequência à região, o que explica efeitos negativos como a flacidez. “Isso sem falar na contração do rosto ao fumar, que acaba formando marcas de expressão ao redor da boca”, reforça Renato Pazzini.

Perda de peso súbita
Emagrecer quando se está com sobrepeso é fundamental. Mas, seguir dietas malucas que te fazem perder muito peso em pouquíssimo tempo, além de perigosas, fazem com que você fique com excesso de pele nas regiões de maior perda de gordura. Sendo assim, se a meta é emagrecer, o processo precisa ser gradual e acompanhado por especialistas. “Durante o emagrecimento, atente-se ao rosto. Use produtos que sejam específicos para sua pele, com a ajuda de seu médico”.

Depilação no rosto? Cuidado com as escolhas
A cera para depilação não penetra na pele, já que é aplicada na primeira camada da derme. A flacidez pode ocorrer se você fizer depilação toda semana, o que não é recomendado. O indicado é que seja realizada a cada 20 dias ou uma vez por mês. Outra recomendação é optar pela cera quente, já que ela abre os poros e é menos agressiva do que a fria.

Rugas do sono
Dormir de barriga para baixo ou de lado pode ocasionar o surgimento de marcas do travesseiro no rosto, o chamado sleep lines ou sleep wrinkles, ou seja, rugas do sono. Quando se é jovem, não é um problema, já que a pele é elástica e volta ao normal rapidamente. No entanto, com o envelhecimento, a pele se torna menos resistente ao atrito com o travesseiro, fazendo com que as marcas se tornem fixas no rosto. A boa notícia é que há hoje travesseiros com tecnologias que permitem maior ventilação, com gomos massageadores, que promovem o aumento da circulação sanguínea e reduzem o inchaço do rosto e bolsas nos olhos pela manhã.

O melhor momento para a pele
A privação de sono pode levar ao afrouxamento do oval facial e ao aprofundamento das rugas. Além disso, a regeneração da pele ocorre à noite. Daí a importância de fazer a limpeza e aplicação do hidratante neste horário, pois é durante o sono que a circulação sanguínea atua melhor.

Pegue leve com o sol
Os radicais livres (moléculas instáveis que danificam as células saudáveis do corpo) são responsáveis pela degradação do colágeno, substância essencial para a sustentação da pele. A exposição excessiva à radiação, especialmente a chamada UVA, é capaz de penetrar na camada mais profunda da pele. “Isso é mais perigoso do que se imagina, já que essa parte é composta de 70% de colágeno, e a UVA literalmente a destrói”, alerta Pazzini.

Fonte: Renato Pazzini é dermatologista pela USP, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Membro do Corpo Clínico dos Hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz.

Altas temperaturas e suor excessivo: o que fazer?

Nos dias quentes de verão, após a prática de atividade física ou mesmo em situações emocionais, a transpiração ganha a cena. O suor é uma reação importante do organismo para manter o controle de temperatura do corpo. No entanto, esse mecanismo pode ter um comportamento amplificado para quem sofre com a hiperidrose. Segundo a dermatologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Isis Veronez Minami, os pacientes que convivem com o quadro suam de forma excessiva até mesmo em repouso.

Uma das condições que define isso é o hiper funcionamento das glândulas sudoríparas – quadro que pode começar já aos primeiros sinais da adolescência e pode ser classificado como hiperidrose primária. Mas há outras causas para o excesso de suor, como uso de medicações ou o efeito de condições patológicas como a menopausa, infecções ou tumores. Nesses casos, a hiperidrose é do tipo secundária.

Apesar dos diferentes agentes desencadeantes do efeito, uma coisa é certa: a estação mais quente do ano é um momento difícil para os pacientes que convivem com o quadro. A dermatologista explica, que apesar de não existir cura, alguns hábitos e tratamentos são eficientes em amenizar os desconfortos causados pela transpiração abundante. “Nem sempre há como evitar a exposição às altas temperaturas, mas pode-se optar por roupas de tecidos naturais, procurar ambientes mais frescos e arejados, evitar ficar ao sol e até mesmo entender os fatores que pioram a condição, como o estresse, por exemplo, para evitar a situação”, comenta a médica.

Pinterest

Além da atenção às causas que desencadeiam o quadro, há diferentes tipos de tratamento para a condição, que variam conforme a intensidade do problema. Entre as alternativas medicamentosas há loções antitranspirantes, medicações para consumo por via oral ou injetável – como no caso da toxina botulínica – ou até mesmo a opção cirúrgica. “Há uma gama grande de possibilidades capazes de amenizar esse desconforto que pode causar em algumas pessoas constrangimento e ansiedade”, diz.

Alguns pacientes com hiperidrose podem sofrer com outra condição, a bromidrose – ou o mau cheiro causado pela colonização de bactérias nos locais de maior produção de suor. “É comum existir essa associação. Esse é um motivo de queixa muito ouvido em consultório. Mas é importante reforçar que esse é um quadro que pode ser facilmente solucionado. Muitas vezes, conseguimos melhorar a bromidrose mesmo com a pessoa mantendo a hiperidrose. Em outros casos, ambos os quadros são amenizados”, conclui.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Novas razões pelas quais as pintas podem se transformar em câncer de pele tipo melanoma

Publicada no final de novembro na revista eLife, pesquisa mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental. Descobertas abrem caminho para mais pesquisas sobre como reduzir o risco de melanoma

Pintas, manchas e melanomas provêm da mesma célula chamada melanócitos. “A diferença é que as pintas e manchas geralmente são inofensivas, enquanto os melanomas são cancerígenos e muitas vezes mortais, sem tratamento”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um novo estudo publicado no final de novembro na revista eLife e realizado por pesquisadores do Huntsman Cancer Institute (HCI) explica como as manchas comuns e os melanomas se formam e por que as manchas podem se transformar em melanoma. “Embora muitos trabalhos mostrem um caráter genético forte para o desenvolvimento do melanoma, esse estudo mostrou que as células produtoras de pigmentos, os melanócitos, são mais afetadas pela sinalização ambiental”, diz o médico.

Os melanócitos são células que dão cor à pele para protegê-la dos raios solares. Segundo o estudo, mudanças específicas na sequência de DNA dos melanócitos, chamadas mutações do gene BRAF, são encontradas em mais de 75% das pintas. A mesma alteração também é encontrada em 50% dos melanomas e é comum em cânceres como cólon e pulmão. “Pensava-se que, quando os melanócitos tinham apenas a mutação BRAFV600E, a célula parava de se dividir, resultando em uma pinta. Quando os melanócitos têm outras mutações com BRAFV600E, elas se dividem de forma descontrolada, transformando-se em melanoma. Este modelo foi denominado ‘senescência induzida por oncogene’. Mas vários estudos desafiaram esse modelo nos últimos anos”, diz o médico. “Esses estudos forneceram dados excelentes para sugerir que o modelo de senescência induzida por oncogene não explica a formação de pintas, mas o que faltou a todos é uma explicação alternativa – que permaneceu indefinida”, conta.

A equipe do estudo coletou sinais e melanomas doados por pacientes e usou perfis transcriptômicos e citometria holográfica digital. O perfil transcriptômico permite aos pesquisadores determinar as diferenças moleculares entre pintas e melanomas. A citometria holográfica digital ajuda os pesquisadores a rastrear mudanças nas células humanas. “Os pesquisadores descobriram, então, um novo mecanismo molecular que explica como as pintas e os melanomas se formam, e por que as pintas às vezes se transformam em melanomas”, diz o dermatologista.

O estudo mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental, quando as células da pele recebem interferências do ambiente ao seu redor, que lhes dá direção. A radiação solar, por exemplo, é um estímulo ambiental. “Os melanócitos expressam genes em ambientes diferentes, dizendo-lhes para se dividir incontrolavelmente ou parar de se dividir completamente. As origens do melanoma serem dependentes de sinais ambientais dá uma nova perspectiva na prevenção e no tratamento”, diz o dermatologista. “O estudo também desempenha um papel na tentativa de combater o melanoma, prevenindo e tendo como alvo as mutações genéticas. Também podemos ser capazes de combater o melanoma mudando o ambiente, segundo o estudo”.

Essas descobertas criam uma base para a pesquisa de potenciais biomarcadores de melanoma, permitindo aos médicos detectar alterações cancerígenas no sangue em estágios iniciais. Os pesquisadores também estão interessados em usar esses dados para entender melhor os agentes tópicos potenciais para reduzir o risco de melanoma, atrasar o desenvolvimento ou interromper a recorrência e detectar o melanoma precocemente. “Mas, é claro que novas pesquisas devem ser feitas com o objetivo de confirmar a informação e encontrar meios de frear a replicação celular descontrolada que resulta em melanoma”, finaliza o dermatologista.

Fonte: Daniel Cassiano é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutor em medicina translacional também pela Unifesp. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

Cuidados com os cabelos: 12 erros que cometemos diariamente

Dermatologista responde perguntas sobre cuidados diários com o cabelo

Existem vários tipos de cabelo e, seja qual for o seu e as necessidades individuais dele, as práticas e tendências com os cuidados aos fios seguem viralizando e sendo disseminadas na Internet. Junto com isso, existe o esforço para que a cabeleira fique saudável e em bom estado. Apesar da utilização de novas técnicas e produtos, a rotina corrida e a falta de cuidado podem levar a alguns deslizes que, ao longo do tempo, comprometem a saúde capilar.

Por isso, a Doctoralia em parceria com a dermatologista especializada em tricologia e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Rita de Cássia Rossini, lista os principais erros e enganos que cometemos diariamente com os cabelos e como resolvê-los.

Lavar o cabelo com água gelada ou quente?
Rita:
O ideal é usar água morna ou gelada, evitando a água quente, uma vez que a temperatura mais alta estimula a produção de sebo nas glândulas, deixando o couro cabeludo mais oleoso. Isso também pode prejudicar a estrutura dos fios, que ficam mais frágeis e quebradiços.

Não lavar o cabelo com frequência pode danificar os fios?
Rita:
É recomendado fazer a limpeza, no mínimo, três vezes na semana, pois se lavarmos pouco o cabelo pode ocorrer acúmulo de sebo e de produtos no couro. Isso pode levar a uma irritação da pele e do folículo, favorecendo algumas doenças como a dermatite seborreica – inflamação que causa principalmente descamação e vermelhidão.

E o contrário, a limpeza muito frequente dos cabelos pode causar algum efeito negativo?
Rita
: Não há contraindicação em lavar os cabelos com maior frequência, como todos os dias. Realmente vai depender do tipo dos cabelos e das particularidades de cada indivíduo, mas recomendo que se use um produto de limpeza, como o shampoo, apenas uma vez ao dia.

Conair

É preciso limpar ou trocar a escova de cabelo?
Rita:
Com certeza! A limpeza da escova de cabelo é essencial para que sejam eliminadas secreções, restos celulares e microrganismos que podem crescer nestes itens de uso pessoal.

É verdade que ficar com os cabelos presos por muito tempo pode estragar os fios?
Rita:
Sim, é verdade. Quando prendemos o fio, principalmente de cabelos molhados, danificamos sua estrutura, o que favorece a quebra e queda. Além disso, cabelos presos com força e diariamente podem levar a um tipo de afinamento e queda do fio da região mais próxima à face, a linha de implantação dos cabelos na fronte, levando a uma alopecia de tração que pode ser irreversível.

Ficar com a toalha na cabeça após o banho é ruim? Por quê?
Rita:
Não é recomendado, pois o uso pode gerar atrito entre os fios e danificá-los. Além disso, o ambiente úmido pode estimular o crescimento de alguns fungos no nosso couro cabeludo.

O que o excesso de shampoo e condicionador na hora da lavagem pode causar?
Rita:
O excesso de shampoo, que por ter uma ação detergente, desengordurante, pode retirar água e óleos da parte mais externa do fio, deixando-os mais secos e frágeis, o que pode levar à quebra dos fios. Por outro lado, usar muito condicionador, principalmente, na raiz dos cabelos, pode ocasionar uma obstrução da abertura do folículo, e assim, piorar quadros de dermatite seborreica e outras alopecias do couro cabeludo, além de deixar o fio pesado e não maleável.

Muitos afirmam que a hidratação com óleo de coco no cabelo não faz bem, pois é muito pesado. Mito ou Verdade?
Rita:
Mito, o óleo de coco é um dos poucos ativos que tem propriedades de penetrar na estrutura do fio para o objetivo de hidratar os cabelos.

O uso de produtos inadequados para o tipo de cabelo pode trazer danos aos fios? Por exemplo, uma cacheada usando condicionador para cabelos lisos.
Rita:
Sim! Esta regra vale principalmente para pacientes com cabelos crespos ou cacheados e que usam com frequência shampoo antirresíduo, que por sua vez são mais detergentes, então como fazem uma limpeza mais profunda dos cabelos, podem agredir ainda mais o cabelo.

Há um senso comum de que o cabelo deve ser cortado periodicamente. Mito ou verdade? Por quê?
Rita:
Não existe uma regra para frequência dos cortes. Vai depender do estilo, formato e dano do cabelo.

Deixar o cabelo secar naturalmente ou com o secador, qual a melhor opção?
Rita:
O ideal é deixar o cabelo secar naturalmente, lembrando que existem vários tipos de secador e quanto maior a temperatura maior o dano ao fio, deixando-o mais frágil, quebrado e sem brilho.

Foto: All4Women

A máscara pode ser um substituto para o condicionador?
Rita:
Não! A máscara hidratante pode ser utilizada entre uma e duas vezes na semana, conforme o tipo e dano existente no cabelo. Para uso diário, o condicionador tem maior capacidade de selar as cutículas garantindo brilho, maciez e facilidade na hora de escovar.

Fonte: Doctoralia

10 mitos e verdades sobre sol e câncer de pele

Segundo dados recentes do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de pele não melanoma é o mais frequente no Brasil e corresponde a cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados no país. Em 2020, foram registrados 176.930 casos, sendo 83.770 homens e 93.160 mulheres.

“O sol não é vilão, até porque ele é a principal fonte de vitamina D – 80% da formação dessa vitamina provém dos raios solares, principalmente do tipo B (UVB), que ativam a síntese da substância em nosso organismo. No entanto, sem os devidos cuidados, o sol pode provocar queimaduras, envelhecimento precoce, acne, alergias, manchas, feridas e, claro, câncer de pele”, afirma Renato Pazzini, dermatologista dos Hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz.

Para entender a relação entre o sol e o câncer de pele, Renato Pazzini cita alguns dos principais mitos e verdades acerca do tema:

Todo câncer de pele está associado ao sol
Mito.
De 5 a 10% dos casos de melanoma estão relacionados a fatores genéticos. O câncer de pele também pode ser causado por alterações em genes, hereditárias ou não, podendo atingir pessoas que produzem muita melanina. “No entanto, a exposição excessiva ao sol, e sem os devidos cuidados, ainda é o principal fator de risco para a doença”, alerta o dermatologista.

Para obter eficácia, o protetor solar precisa ser usado de forma correta
Verdade.
O protetor solar age como um filtro sobre a pele, protegendo-a dos raios ultravioletas. No entanto, para que isso ocorra, é necessário que o produto seja usado corretamente. O fator de proteção deve estar relacionado à necessidade de quem usa: pessoas com peles mais claras precisam de uma proteção mais intensa. Mas, independentemente do tipo de pele, o FPS mínimo deve ser 30. Além disso, busque um protetor que ofereça filtro contra os raios UVB e UVA. A aplicação deve ocorrer meia hora antes da exposição ao sol para que o produto seja absorvido pela pele, e é necessário reaplicar o protetor solar a cada três horas ou de duas em duas horas em casos de transpiração excessiva, exposição solar prolongada ou após molhar a pele. E não se esqueça do protetor labial com FPS.

O local e a hora de exposição solar influenciam no fator de risco
Verdade.
Dependendo de onde você está, a radiação solar é mais forte, representando maior risco para a pele. Perto da água, por exemplo, além da radiação recebida diretamente do sol, 70% dos raios solares são refletidos. No fundo da água, os raios conseguem atingir cerca de 30 cm de profundidade. Já a areia reflete 20% da radiação solar. “Se você quer tomar sol com mais segurança, opte pela grama. No verde, o sol reflete muito pouco. Também evite a exposição ao sol entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa”, aconselha Pazzini.

O guarda-sol nos protege contra os raios solares
Mito.
Até debaixo dele, não se pode descuidar da proteção solar, pois a água do mar e a areia refletem a radiação solar expondo a pele aos raios UV.

Bronzeadores com filtro solar também protegem a pele
Mito.
A proteção oferecida à pele por bronzeadores é baixa e insuficiente para filtrar a passagem de raios UVB e UVA. Além deste agravante, a aplicação do bronzeador feita por cima do protetor solar inibe a ação do produto. Dessa forma, em exposição ao sol não protegida, corre-se o risco de desenvolver câncer de pele do tipo basocelular e também melanoma.

Pessoas de pele mais clara têm mais chance de desenvolver a doença
Verdade.
As pessoas de pele mais clara têm um risco maior de desenvolver câncer de pele por possuírem menos melanina na pele. Essa substância serve como um protetor solar natural e biológico, ou seja, as pessoas que possuem mais melanina apresentam um fator natural de proteção maior contra a radiação solar. “Já as pessoas de pele mais clara não possuem essa proteção natural e acabam ficando mais expostas aos efeitos deletérios da radiação ultravioleta, sendo mais suscetíveis à melanose solar, ou seja, manchas escuras esparsas que ocorrem na face, no colo, no dorso das mãos e nos antebraços. Essas manchas têm significado importante, pois podem ser os primeiros sinais de um câncer de pele”, adverte Pazzini.

Pixabay

Dias nublados também requerem proteção solar
Verdade.
Em dias nublados, com nuvens claras e baixas, a insolação é menor (em torno de 40%). Entretanto, a emissão de raios ultravioletas independe de o céu estar ou não ensolarado, exigindo o uso de filtro solar da mesma forma.

Mole checkup. Professional dermoscopy

Somente regiões do corpo expostas ao sol podem ser afetadas
Mito.
Áreas que não são expostas podem desenvolver câncer de pele porque existem tipos da doença que não possuem uma relação tão importante com o sol, mas que podem ter um peso genético maior. “Exemplo disso são cânceres de pele melanoma que aparecem em unhas, mãos, pés, e em áreas genitais, que são locais cobertos”, ressalta Pazzini.

Queimaduras podem evoluir para câncer de pele
Verdade.
A queimadura solar, mesmo que intermitente (pessoas que não se expõem com frequência), é um fator de risco para alguns tipos de pele. Já as queimaduras cutâneas mais graves, de 2º ou 3º grau, provocadas por outros fatores, podem gerar futuramente um câncer não-melanoma, conhecido como “úlcera de marjolin”. “Uma dica fundamental é jamais se expor ao sol com produtos que tenham ácido retinoico na formulação. Eles são fotossensibilizantes e antagonistas ao sol. Além de provocar hiperpigmentação na pele, você pode sofrer queimaduras”, afirma o dermatologista.

Foto: InspiredMagazine

Excesso de exposição solar na infância aumenta a chance de câncer de pele no futuro
Verdade.
Isso influencia tanto no desenvolvimento de câncer em idades mais avançadas quanto no envelhecimento da pele. O sol possui uma ação cumulativa no DNA das células, ou seja, os danos celulares provocados pela radiação ultravioleta solar vão se acumulando no DNA da célula e esses são responsáveis tanto pelo surgimento de cânceres como por um estresse oxidativo nas células, resultando no envelhecimento cutâneo. “Daí a importância do cuidado com o excesso de sol desde sempre. Seja não se expondo muito, principalmente nos horários de pico, seja fazendo uso diário do protetor solar”, finaliza Pazzini.

Fonte: Renato Pazzini é dermatologista dos Hospitais Albert Einstein e Oswaldo Cruz, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e Fellow em Dermatopatologia pelo Hospital Mount Sinai, em Nova York (EUA), e pelo Hospital Karolinska, em Estocolmo (Suécia)

O que preciso eu saber sobre meu tipo de pele antes de comprar um creme anti-idade?

A maioria das tentativas frustradas de compra de creme anti-idade pode ser resolvida com a identificação do tipo de pele. O erro mais comum ainda é usar produtos com textura inadequada

Muitas pessoas apostam todas as fichas no cuidado skincare, o que é válido para ajudar a prevenir o envelhecimento da pele, mas tem efeito limitado quando os sinais já surgiram. “O melhor a fazer é buscar um dermatologista para uma avaliação da pele, que pode necessitar de procedimentos em consultório para um estímulo adequado de colágeno. E quando pensamos em prevenção, os cremes também funcionam melhor quando são prescritos por um médico, que vai entender a necessidade daquela pele”, explica a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“O erro mais comum em pacientes que compram produtos de prateleira sem indicação médica é com relação ao tipo de pele. A textura errada do produto pode fazer com que os resultados não sejam alcançados”, completa a médica.

Segundo a dermatologista, a pele é o maior órgão do corpo humano e desempenha diversas funções importantes, sendo a principal barreira de defesa do nosso corpo com o meio externo. “Esse é um dos motivos pelo qual a pele varia de características de acordo com a localização. Quando observamos a pele do rosto podemos perceber características bem específicas e quando mencionamos o tipo de pele, estamos falando da pele do rosto em relação à oleosidade. Daí podemos classificar basicamente em três tipos: normal, seca ou oleosa”, explica.

“Mas devemos lembrar que independentemente do tipo de pele, a região da zona T, que é a região central da face, apresenta um maior número de folículos e glândulas sebáceas. Por isso é uma região naturalmente mais oleosa ou menos seca, de acordo com o tipo de pele, quando comparamos com a parte lateral do rosto. Dessa forma, a pele também pode ser classificada como mista, com a zona T (testa, nariz e queixo) bem oleosa e o restante seco”, diz Patrícia.

Para identificar o tipo de pele devemos observar suas características e a forma como ela reage e fica ao longo do dia devido aos diferentes estímulos, como clima, alimentação etc. “A pele oleosa é mais espessa, aparenta os poros mais dilatados e fica mais úmida e brilhante ao longo do dia. Já, a pele mais seca é mais fina e costuma ser mais sensível. Tem um aspecto menos brilhante e tende a apresentar descamação. A pele normal é a que tem uma aparência mais bonita e saudável. Tem aspecto liso, aveludado, viçoso”, explica.

Com relação aos problemas de cada tipo de pele, a oleosa tende a ser mais acneica. “Por causa dos poros mais abertos, ela apresenta mais cravos e tendência a cistos, porém é uma pele mais resistente a rugas, devido a uma atividade acentuada das glândulas sebáceas”, destaca. “Já a pele seca está mais sujeita a um envelhecimento precoce. Como tende a ser mais fina e menos hidratada, ela sofre mais com a ação do sol, vento ou frio. O óleo funciona como um lubrificante que protege a pele.”

Atualmente, é possível encontrar uma variedade grande de hidratantes, produtos anti-idade e protetores. “A escolha do produto ideal varia muito com o tipo de pele. Para peles oleosas esses produtos devem ser livres de óleo, e ter toque seco ou matificante. Para peles secas esses produtos devem auxiliar na hidratação e conter ativos próprios para isso”, destaca a médica. “Um erro muito comum é o de pessoas com pele oleosa que usam cremes pesados no rosto. Isso tende a aumentar a oleosidade e pode piorar até a acne”, alerta a dermatologista.

O creme anti-idade também varia de acordo com o tipo de pele. “Em geral, a pele torna-se mais seca a partir dos 35 anos. As peles mais maduras pedem produtos que auxiliam na hidratação. Portanto, o veículo deve ser adequado para isso, seja em creme ou loção. Já as peles mais oleosas pedem produtos com toque mais seco, em veículos de gel ou sérum por exemplo”, lembra a médica.

Sobre as substâncias anti-idade, que são recomendadas a todos os tipos de pele e funcionam muito bem para ajudar a prevenir o envelhecimento, Patrícia cita o ácido hialurônico de baixo peso molecular, a Vitamina C, o ácido ferúlico e o resveratrol, além de alfa-hidroxiácidos (ácido glicólico), beta-hidroxiácidos (ácido salicílico) e retinoides sempre com orientação médica. “O ácido hialurônico de baixo peso molecular tem maior permeação e ajuda a hidratar; a Vitamina C, ácido ferúlico e resveratrol são excelentes anti-idades, agindo para proteger o colágeno e o DNA celular, além de eliminar os radicais livres aceleradores do envelhecimento precoce. E os ácidos e retinoides ajudam a melhorar o turn-over (renovação) celular, o que ajuda também a estimular colágeno”, finaliza a médica.

Fonte: Patrícia Mafra é dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Graduada em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCM-MG), com estágio em Dermatologia pelo Grupo Santa Casa e acompanhamento do Serviço de Ginecologia e Sexologia do Hospital Mater Dei.

Mitos e verdades sobre o uso de alimentos para cuidados da pele

Dermatologista especializado em medicina estética desmitifica lista de crenças sobre alimentos, quando utilizados para o tratamento da derme

Passar limão no rosto clareia a pele? Água de arroz realmente alivia a vermelhidão? Hidratação com óleo de coco é segura? Com a pandemia e o isolamento social, muitas pessoas decidiram olhar mais para si e, consequentemente, cuidar mais da saúde. E nessa onda de cuidados, o famoso skincare não ficou de fora. No entanto, ao procurar por soluções rápidas, simples e milagrosas na internet, o barato pode acabar saindo caro.

São inúmeras as receitas caseiras que se disseminaram nas redes sociais, que têm como objetivo tratar a pele. Porém, é preciso ter cuidado e entender até que ponto é possível investir em receitas que não são indicadas por um profissional de confiança. Pensando nisso, o médico dermatologista, especialista em medicina estética e membro da Doctoralia , Gabriel Monteiro de Castro, desmitifica algumas crenças sobre os benefícios dermatológicos dos alimentos, em um “pingue-pongue” de mitos e verdades. Confira:

Getty Images

Pó de café no rosto: mito ou verdade?
Mito.
O que muitos procuram na cafeína é a ação estimuladora que, na circulação, de certa forma, pode melhorar um pouco a qualidade da pele e reduzir as olheiras, por exemplo. No entanto, quando passamos o pó de café direto no rosto, a cafeína não vai agir da forma que desejamos. Além disso, como há resíduos irregulares dos grãos no pó de café, uma esfoliação com o alimento pode ser bruta e causar sérias irritações no rosto. Por isso, se você está procurando um produto para esfoliação ou que atue na regeneração do rosto, é possível optar por produtos industrializados e testados dermatologicamente que são à base de cafeína.

Getty Images

Pepinos nos olhos: mito ou verdade?
Verdade.
Estamos falando de um clássico, né? Seja em filmes ou na vida real, as rodelas de pepinos são sinônimos de hidratação ao rosto. Pelo pepino ter uma base de água, ele possui alguns ativos, mesmo que fracos, que são anti-inflamatórios e, quando gelado, pode ajudar também na diminuição do inchaço da pele. Mas vale destacar que os benefícios do pepino só são visíveis quando utilizado como um complemento na rotina diária, em conjunto com produtos que realmente possam atuar diariamente nessas “dores”.

Pixabay

Água de arroz: mito ou verdade?
Mito.
A água de arroz para aliviar a vermelhidão e/ou como tônico é totalmente mito! Como hidratação, tanto para o rosto quanto para o cabelo, não estamos ganhando nenhum benefício de fato, só perdendo tempo. O arroz pode até ter alguns efeitos anti-inflamatórios e de redução da vermelhidão, mas somente a água do arroz não possui concentração mínima para ter o efeito necessário e, então, notar qualquer diferença na pele.

Limão como clareador: mito ou verdade?
Mito.
O limão, de fato, possui inúmeros benefícios, como a melhora da digestão, da imunidade e absorção de ferro. No entanto, para a pele, pode apresentar um perigo muito grave. Isso porque, em uma tentativa de utilizar alimentos cítricos como clareadores de forma leiga, os ácidos que a fruta contém podem queimar a pele e causar fitofotodermatose, onde a pele fica extremamente manchada com a exposição solar. Isso faz com que o paciente precise do auxílio de um especialista para realizar o tratamento – que pode ser longo – para tirar essas manchas. Então, todas as frutas cítricas são super contraindicadas para qualquer tipo de procedimento na derme.

O famoso abacate: mito ou verdade?
Totalmente verdade.
O abacate, assim como os alimentos que podem ter uma finalidade um pouquinho mais hidratante, como aloe vera (babosa), pode ser usado para pele ressecada, pois além de ser muito hidratante, contém óleos essenciais. Porém, precisamos tomar cuidado, uma vez que nem toda pele precisa de tantos óleos e hidratação assim. Então, dependendo do paciente, eu indicaria uma hidratação facial com abacate com mais regularidade.

Consulte sempre um médico

Além de desmascarar essas crenças bastante comuns, o especialista ainda garante que não é preciso gastar muito para cuidar da pele. “O essencial é investir em um bom filtro solar, pensando tanto no envelhecimento precoce quanto em doenças da pele, como o câncer de pele, e um hidratante específico, inclusive para peles oleosas, que também precisam de hidratação”, pontua o médico.

O especialista ainda destaca a importância de reforçar que nenhuma receita da internet garante a saúde da derme – isso apenas um especialista pode afirmar. “O correto é procurar um dermatologista para entender qual é o seu tipo de pele e as causas de uma possível anormalidade, se existir, para seguir com o tratamento ideal”, finaliza.

Fonte: Doctoralia

Dermatologista dá dicas de como lidar com os poros

A dermatologista Luciana Garbelini explica como lidar melhor com esta estrutura da pele que muitos buscam esconder a qualquer custo

Ter uma pele perfeita e, principalmente, sem poros só é possível ao usar um dos diversos filtros das redes sociais. E é só olhar um pouco mais de perto que qualquer pele normal – e saudável – vai apresentar poros. E que bom que estão lá.

“Os poros são estruturas que compõem a pele porque apresentam uma função. A busca por minimizá-los ou ‘extingui-los’ a qualquer custo não é saudável não só para a derme, mas para saúde como um todo”, diz a dermatologista Luciana Garbelini, da Clínica que leva seu nome em São Paulo.

Os poros são aberturas naturais da pele. Têm relação com os pelos e por meio deles a derme expele diversas secreções, como oleosidade e suor. “Apesar de em um primeiro momento pensarmos nessa estrutura por um viés estético, os poros desempenham diversas funções fisiológicas” afirma a dermatologista.

Poros não são inimigos

Entre as funcionalidades desta estrutura uma das principais é a regulação de temperatura e hidratação natural da pele, criando um ambiente adequado para a microbiota cutânea existente em diferentes regiões do corpo. “Assim, toda pele saudável deve e precisa apresentar poros, podendo estar mais ou menos dilatados” diz a médica. “O correto é tratá-los para que se mantenham em boas condições e desempenhem suas funções adequadamente, e como consequência o aspecto estético consegue ser alcançado”, explica Luciana.

Uma das principais reclamações relacionadas aos poros é por conta do aspecto dilatado. E se tratando de tamanho, a produção de óleo pela pele interfere diretamente nessa questão. “Regiões com oleosidade em excesso apresentam tendência a terem poros mais evidentes. Além disso, o envelhecimento – e consequentemente a flacidez – também evidenciam essas estruturas”. A especialista explica ainda que nesse caso há uma alteração estrutural da pele em diversos níveis, o que atinge e reflete em todas as camadas da pele. “Assim, os poros também acabam ficando mais frouxos e, portanto, mais perceptíveis ou dilatados,” diz.

Como disfarçar sem deixar de cuidar

No caso de poros dilatados, a etapa da higienização é fundamental. Como essa abertura em excesso pode ter como primeira causa o aumento da produção de oleosidade pela pele, manter a derme limpa – sem exagero – faz com que essa estrutura não fique sobrecarregada ou desregulada. “E diferentemente do que muitos acreditam, a hidratação também ajuda no tratamento dos poros dilatados. Isso faz com que a pele entenda que não precisa produzir óleo em excesso para repor o que foi retirado durante o passo da limpeza.”

A temperatura é mais um fator de influência no aspecto dos poros. “As estações acabam influenciando em uma maior dilatação ou não dos poros, assim esse problema pode ser evidenciado durante o verão, por exemplo”. Porém, se a questão tiver relação com a época do ano, com adaptações na rotina e nos produtos de skincare – levando em conta essa variante – se torna mais fácil resolver o problema.

Outro passo do skincare que ajuda com os poros dilatados é a esfoliação. “A esfoliação além de contribuir com a limpeza, consegue remover os resíduos que estão mais presos à pele. A prática promove a renovação celular, e assim a pele mais ‘jovem’ que está embaixo da camada solta de células mortas apresenta mais tônus e poros menos dilatados.”

Os peeling e lasers também são ferramentas interessantes na busca por um tratamento mais imediato ou intenso. “O uso de certos ácidos dentro do skincare também pode trazer em associado esse objetivo de diminuir a oleosidade da pele, e ajudam na retração dos poros. Além disso, os bioestimuladores de colágeno injetáveis ao estimularem a produção de colágeno e uma melhora estrutural da pele, também acabam auxiliando com o aspecto dos poros como mais um dos benefícios da sua aplicação.”

Assim, a dilatação em excesso dos poros faz com que resíduos e bactérias se acumulem nesses locais, se tornando um ambiente propício para o desenvolvimento de cravos. E quando isso acontece com inflamação, ocorre a formação da acne. “O importante é lembrar que disfarçar os poros pode ser o objetivo, mas que uma pele sem eles não é algo real. Além disso, almejar uma pele perfeita deve estar muito mais associado com a busca por uma pele saudável do que conquistar uma derme sem manchas, rugas ou poros,” conclui a dermatologista.

Fonte: Luciana Garbelini é dermatologista pela Universidade de Santo Amaro. Residência médica em Dermatologia na Universidade de Santo Amaro, Pós-graduada em cosmiatria e estética no Instituto Superior de Medicina. Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia=

Sete cuidados de beleza que os médicos seguem com rigor

Dermatologistas são especialistas quando se trata de pele, cabelo e unhas, diagnosticando e tratando mais de 3.000 doenças e condições, incluindo câncer de pele, acne, psoríase e eczema. Eles também ajudam os pacientes a lidar com suas preocupações estéticas, como remoção de tatuagens, cicatrizes e envelhecimento da pele. Mas você já se perguntou quais dicas de cuidados com a pele os médicos usam para manter uma pele saudável? Consultamos especialistas que entregam os melhores cuidados de beleza pessoais, mas que servem para a população em geral:

Protetor solar diariamente

“Antes de se preocupar com uma rotina que contenha ácidos e antioxidantes, devemos ter o hábito do uso regular do filtro solar: ele é o creme antienvelhecimento mais importante”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, da Clínica Gru e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E diariamente é realmente diariamente, ok?

“As consequências dos danos causados pela radiação sobre as estruturas celulares e cutâneas (como fibras de colágeno e elastina, responsáveis pela elasticidade da pele) são flacidez, rugas ou linhas de expressão e manchas”, destaca Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética. Para obter a melhor proteção, aplique um protetor solar de amplo espectro resistente à água com FPS 30 ou superior em todas as peles não cobertas por roupas e reaplique a cada duas horas ou após nadar ou suar.

Lembre-se de que, como nenhum protetor solar pode bloquear 100% dos raios ultravioleta do sol, também é importante procurar sombra e usar roupas de proteção ao ar livre, incluindo camisa de mangas compridas, calças, chapéu de aba larga e óculos de sol, quando possível. Durante o inverno, o uso do protetor também se faz necessário: “A radiação ultravioleta mesmo no inverno causa fotoenvelhecimento e possíveis manchas. O fotoenvelhecimento inclui flacidez. Além de, a longo prazo, poder causar câncer de pele. Mesmo no inverno dentro de casa (durante a quarentena) o uso do protetor solar é fundamental. A radiação ultravioleta atravessa vidros e tecidos finos (cortinas) e pode atingir a pele da mesma forma”, acrescenta a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Fugir da exposição solar direta

Foto: Wikimedia

“Não existe bronzeamento saudável que envolva a exposição à radiação ultravioleta, as pessoas acreditam nisso, mas é um grande mito. Todo bronzeamento é uma defesa natural da pele, isto é, resposta a um dano induzido pela radiação ultravioleta”, explica Roberta. A alternativa mais sensata para expor a pele ao sol com menos riscos é respeitar o clássico horário que seria antes das 10h e após às 16h, pois nesse intervalo (das 10h às 16h) a incidência de radiação UVB é maior. “Mas não abuse, pois apesar de boa fama, esse horário também causa rugas e manchas”, diz a médica.

Simplificar a rotina de cuidados com a pele

Menos é mais quando se trata de cuidados com a pele. Usar muitos produtos, especialmente vários produtos antienvelhecimento, pode irritar sua pele. Para a pele, o essencial é: limpeza adequada (lavar), hidratar e proteger (proteção solar com FPS 30 no mínimo).

“Você precisa lavar o rosto de manhã e à noite. Lavar a face pela manhã ajuda a retirar possíveis células mortas que se acumularam durante o sono. Além disso, se a pessoa usou um ácido à noite deve limpar bem a pele pela manhã (ácidos são fotossensíveis). Ainda temos mais uma razão para lavar o rosto ao despertar: preparar a pele para a rotina da manhã: hidratante e protetor solar. À noite, a limpeza facial é essencial para retirar vestígios de maquiagem, protetor solar e resíduos de poluição. Existem diversos trabalhos que mostram a poluição como fator agravante do fotoenvelhecimento cutâneo”, explica Paola.

A introdução de antioxidantes também é bem-vinda. Ativos com essa finalidade podem estar presente nos hidratantes, em fórmulas com vitaminas C e E, ácido ferúlico, resveratrol e alistin, que são ativos clássicos.

Cuidar dos lábios

Além de ser uma região sensível ao câncer, a pele dos lábios também envelhece. Esse envelhecimento começa por volta dos 30 anos de idade e é progressivo. “Ele ocorre devido ao processo de envelhecimento intrínseco da face: há uma perda de colágeno com diminuição da firmeza da pele e diminuição da gordura facial. Além disso, usamos muito a musculatura ao redor da boca (mastigação e mímica facial – sorriso e fala)”, explica Paola.

Segundo Cassiano, os sinais do envelhecimento da região incluem a perda de volume e as rugas “códigos de barras”. “Os lábios tornam-se mais finos, com rugas ao redor da boca (o famoso “código de barras”) e consequente queda do ângulo da boca (“sorriso triste”). Outra medida importante é não traumatizar (morder ou lamber) essa região com frequência de forma repetitiva”, explica Paola.

“A hidratação deve ser endógena (beber pelo menos dois litros de água por dia) e com hidratantes labiais específicos pela manhã, de preferência, com FPS 30 de exposição solar. O hidratante labial pode ser reaplicado ao longo do dia quantas vezes forem necessárias para manter a hidratação adequada”, completa a médica.

Tirar as mãos do rosto

Sempre que você toca seu rosto, você transfere sujeira, germes e óleo das mãos para o rosto. Faça o possível para deixar sua pele em paz ao longo do dia. O toque no rosto pode espalhar sujeira, óleo e bactérias, o que pode entupir os poros. “Suas mãos entram em contato com toneladas de coisas diariamente – maçanetas, telas de celular gordurosas etc. – e essa transferência de bactérias pode facilmente sujar a sua pele, propiciando o entupimento do poro e a inflamação. Isso explica o motivo pelo qual, mesmo no frio e sem produção excessiva de oleosidade, ainda há acne”, afirma o dermatologista Abdo Salomão Jr., membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Vírus e microrganismos potencialmente patogênicos podem ficar nos cabelos, na barba, nas roupas ou objetos. “Então, caso seu cabelo ou sua barba sejam contaminados e você os toque e, em seguida, leve a mão ao rosto, existe a possibilidade de contaminação. Por isso é fundamental também higienizar as mãos frequentemente e evitar tocar a face”, diz Paola.

Verificar a pele regularmente

O câncer de pele é o tipo de câncer mais comum. No entanto, quando detectado precocemente, o câncer de pele – incluindo o melanoma – é altamente tratável. É importante verificar regularmente a sua pele em busca de novas manchas, manchas diferentes das outras manchas do corpo ou manchas que coçam, sangram ou mudam de cor, pois costumam ser sinais precoces de câncer de pele. O fotoprotetor também ajuda a evitar o câncer de pele. “Se você tem dúvida sobre qual o produto mais adequado a sua pele ou acredita que há alguma mancha ou pinta suspeita, visite um dermatologista”, afirma Cassiano.

Cuidados preventivos

Getty Images

Seja por meio de procedimentos injetáveis, lasers, radiofrequência ou ultrassom, os tratamentos preventivos podem ajudar a formar uma ‘poupança de colágeno’, o que mantém a pele mais jovem por mais tempo. “Existem diversas novidades que ajudam nesse processo, com destaque para Ultraction 3D, um ultrassom microfocado, e Pico Ultra 300, um laser de picossegundos. Ambos estimulam a produção de colágeno e não tiram o paciente das atividades diárias”, explica Salomão.

Além disso, nutracêuticos e uma boa dieta podem impactar diretamente na pele. Mesmo uma boa genética necessita de bons hábitos: “Muito do processo inflamatório subclínico é causado por estresse, obesidade, falta de sono adequado, má alimentação e falta de atividade física, por exemplo, o que pode acelerar mais ainda a formação de rugas. Bons hábitos de vida podem modular a expressão de genes, de forma a prevenir alterações de pele”, finaliza o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.