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Diabetes cresce mais rapidamente entre mulheres, durante a pandemia

Sociedade Brasileira de Diabetes também alerta para o avanço da doença entre adultos jovens

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) alerta para o avanço do diabetes na população brasileira, sobretudo entre a parcela feminina. A recém-lançada edição da pesquisa Vigitel aponta um crescimento de 11,6% no conjunto da população adulta que referiram diagnóstico médico de diabetes, nas capitais brasileiras. Em 2019, a pesquisa apontou que 7,4% da população apresentava a doença. Em 2020, esse percentual subiu para 8,2%. Esse crescimento, contudo, não se mostrou equitativo.

Em meio à população masculina a doença aumentou 0,2% (de 7,1% em 2019 para 7,3% em 2020). Contudo, entre as mulheres, o avanço foi mais acelerado – saltou de 7,8% no primeiro ano para 9%, no segundo. Em todo o país, segundo o recém-lançado Atlas do Diabetes 2021 da IDF (sigla em inglês para Federação Internacional de Diabetes), 15,7 milhões de pessoas, de 20 a 79 anos, apresentam quadro de diabetes.

O endocrinologista Marcio Krakauer, coordenador do Departamento de Saúde Digital, Telemedicina e Tecnologia em Diabetes da Sociedade Brasileira de Diabetes, aponta que apesar de, tradicionalmente, as mulheres apresentarem maior cultura de acompanhamento médico, o cenário de dificuldades sociais e econômicas, observado nos últimos anos, atingiu a população feminina com maior intensidade – com potencial impacto em suas condições para prevenção do diabetes, como acesso à alimentação de qualidade, rotina de atividades físicas e outros.

O especialista destaca ainda que os dados da pesquisa Vigitel revelaram que a velocidade de crescimento de novos diagnósticos mostrou-se mais expressiva entre adultos jovens. O percentual de mulheres de 25 a 34 anos que relataram diagnóstico da doença mais que dobrou de um ano para outro, passando de 1,3% para 2,9%. Entre os homens, essa velocidade ascendente foi observada na faixa de 18 a 24 anos.

Krakauer aponta que as facilidades cotidianas contribuem para o sedentarismo, visto que a demanda física tende a ser cada vez menor a execução das mesmas atividades. “Precisamos criar uma cultura ativa ligada ao bem-estar e saúde preventiva. A prática de atividades físicas e alimentação saudável podem se tornar elementos de prazer quando associados à rotina e preferência de cada pessoa. O que não podemos é normalizar esse contingente cada vez mais jovem de pessoas com diabetes. Hoje, a pessoa com diabetes pode ter uma vida completamente normal, quando a doença é bem monitorada. Mas por que não adotar essa rotina de autocuidado antes de desenvolver a doença e ficar suscetível a uma série de complicações?”

Fonte: SBD

Café da manhã é essencial para controle glicêmico no diabetes

O tradicional conselho sobre a importância de alimentar-se bem e de forma balanceada ainda nas primeiras horas após acordar é uma dica especialmente relevante quando se trata de pessoas com diabetes. O café da manhã tem papel fundamental no controle de glicemia no sangue, independentemente se há prescrição de um tratamento medicamentoso ou não.

O motivo, segundo a nutricionista do Centro Médico de Especialidades do Hospital Edmundo Vasconcelos Isadora Kaba Gomes, é que um café da manhã saudável implica menor probabilidade de busca por alimentos mais calóricos e gordurosos ao longo do dia. “Quando o diabético não se alimenta bem pela manhã, fica mais suscetível a consumir alimentos ricos em açúcares e farinhas refinadas durante o dia. Ou seja, algo que colabora de modo inadequado para o quadro da glicemia”, conta.

Outro fator que torna a primeira refeição do dia essencial à saúde deste público é a prevenção de hipoglicemia, principalmente em pacientes que fazem uso de insulina ou outros medicamentos para controlar o diabetes. A condição é caracterizada pela queda da taxa de açúcar no sangue e pode ocasionar tontura, palidez e confusão mental. “Dependendo da ingesta de alimentos realizada e principalmente do fato de haver prolongamento do jejum, esse risco fica maior”, explica a especialista.

A nutricionista do Hospital Edmundo Vasconcelos recomenda que as escolhas do cardápio para que o café da manhã seja saudável e balanceado contenham opções como leite semidesnatado e iogurte desnatado; frutas como banana, morango e mamão; e fibras, na forma de pão ou torradas integrais. “É válido que essas opções respeitem a individualidade de cada um e que sejam sugeridas por um especialista”, reforça.

Sugestões de cardápio:

Foto meramente ilustrativa: Virtual Saúde

Opção 1:
100 ml de leite semidesnatado + 50ml de café coado
1 fatia de pão 100% integral na chapa + 1 fatia média de queijo branco
½ mamão papaia + 1 colher (sopa) de semente de chia

Opção 2:
200ml de água de coco
2 torradas integrais + 2 colheres (sopa) de cottage temperado
3 colheres (sopa) de abacate ou avocado

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Frutas podem ser aliadas no combate ao diabetes

Pera e pêssego são exemplos de alimentos que ajudam a minimizar efeitos da doença, que atinge cerca de 12 milhões de brasileiros; Renata Guirau, nutricionista do Oba Hortifruti, ensina receitas que garantem uma nutrição saudável sem alterar os níveis de açúcar no sangue

O diabetes é uma das doenças crônicas que mais acometem as pessoas ao redor do mundo na atualidade – e no Brasil não é diferente. No País, segundo censo do IBGE de 2010, cerca de 6% da população é portadora desse mal, ou mais de 12 milhões de pessoas. As causas do diabetes estão associadas a alguns fatores, como ela ser autoimune, e devido à hereditariedade – no tipo 1. Mas, 90% da população sofre com o tipo 2 da doença, que é causada principalmente, por maus hábitos, como sedentarismo, má alimentação, excesso de peso e estresse. Por isso, atividades físicas constantes e nutrição saudável são fundamentais para prevenir e, quando o diabetes já se manifestou, controlá-lo para manter uma vida totalmente normal.

O próximo dia 14 de novembro é o Dia Nacional de Combate ao Diabetes e, inspirada nesta data, a nutricionista da Rede Oba Hortifruti, Renata Guirau, ensina duas receitas contendo pera e pêssego. Mas, e a frutose presente nesses alimentos? Renata explica que, ao contrário do que se pensa, “todas as frutas podem ser consumidas, porém existem maneiras mais interessantes para esse consumo”, assegura. “Na forma de sobremesa nas principais refeições (almoço e jantar), geralmente as frutas vão interferir menos no aumento da glicemia, quando comparado com o consumo no meio da tarde, de forma isolada, por exemplo”, explica Renata.

Já para o consumo das frutas entre as refeições menores ou para serem consumidas sozinhas, as melhores são as que contêm menor teor de carboidratos, como abacate, coco, morango, kiwi, maracujá e as frutas vermelhas.

Outra sugestão dada pela nutricionista é misturar a fruta com uma fonte de gordura (como a pasta de amendoim, sementes ou castanhas e nozes), ou de proteína (como iogurte, queijo, leite). “Isso porque a mistura da fruta, que é fonte de carboidrato, com esses nutrientes favorece oscilações de glicemia menos bruscas. Claro que a quantidade é sempre importante, pois mesmo as frutas, quando em excesso, podem fazer mal à saúde”, afirma.

Benefícios da pera e do pêssego

Pezibear/Pixabay

No caso da pera, uma das estrelas da receita especificada abaixo – assim como outras que se come com casca, como a maçã, a goiaba, a ameixa etc – é uma boa opção para quem precisa fazer um controle mais rigoroso da glicemia. “Isso porque as fibras contidas nos vegetais em geral e em grande quantidade nas cascas das frutas ajudam a melhorar o índice glicêmico dos alimentos e, consequentemente, seu impacto na glicemia de quem os consome”, diz Renata.

No caso do pêssego, assim como a pera, é uma fruta que pode ser consumida com casca, mantendo o teor de fibras mais alto. O ideal é que seja consumido junto com uma fonte de proteína ou gordura ou como sobremesa no almoço e jantar. O seu sabor doce pode ajudar a saciar a vontade de comer sobremesas, sem que seja necessária a ingestão de alimentos com açúcar adicionado. “O ideal é que seja consumido in natura, já que o pêssego em calda é rico em açúcar e causa grandes oscilações na glicemia de pessoas com diagnóstico de diabetes” recomenda a nutricionista.

Erros e mitos sobre o diabetes

Renata acredita que é preciso desmistificar alguns pontos acerca da doença, especialmente um erro muito frequente, que é a não aferição da glicemia, pois a pessoa, por “achismo”, crê que, devido ao sintoma apresentado, adivinha se o nível glicêmico está alto ou baixo. “Muito paciente erra nessa avaliação e acaba tendo um pior controle da glicemia ao longo do tratamento”, observa a nutricionista.

Em relação aos mitos, Renata lista alguns que levam as pessoas a, muitas vezes, não ingerir nada de açúcar como forma de prevenção da doença. “Não consumir nada de açúcar ao longo da vida previne diabetes? Isso não é verdade, já que a origem pode ser autoimune e tem uma forte influência genética. Porém, é claro que um bom estilo de vida ajuda muito a reduzir a incidência, sobretudo do diabetes tipo 2”, esclarece.

Outro mito em torno do diabetes é que o consumo de açúcar é proibido. “A ideia é que o consumo seja realmente bem esporádico, mas isso não impede que pacientes com bom controle da doença participem de refeições contendo açúcar, desde que tudo seja avaliado e adaptado pelo nutricionista que acompanha o paciente”, revela.

Por fim, um hábito muito bastante popular é a substituição de todos os alimentos pela versão diet, como garantia de que essa modalidade de alimentos é saudável. “Não é! Muitos alimentos, mesmo não contendo açúcar, podem fazer mal à saúde por serem ultraprocessados e, portanto, mesmo os alimentos dietéticos devem ser consumidos com moderação”, alerta.

Assim, para incorporar um pouco mais de saúde às refeições, a nutricionista criou duas receitas com pera e pêssego que são fáceis de fazer, rápidas, saudáveis e com baixíssimo teor de açúcar. Delicie-se:

Salada com pera e queijo

Ingredientes
2 xícaras de alface roxa fatiada
2 xícaras de alface crespa fatiada
1 pera fatiada
½ xícara de queijo (brie, gorgonzola)
½ xícara de castanhas (nozes, amêndoas)

Modo de fazer:
Monte a salada, acomodando primeiro as folhas e finalizando com a pera, o queijo e as amêndoas. Tempere com o molho da receita abaixo.

Molho

Ingredientes
2 colheres de sopa de vinagre
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de água
Sal a gosto

Pêssego cozido com canela e manjericão

Ingredientes
1 xícara de água
2 colheres de suco de limão
1 pedaço de canela em pau
3 pêssegos médios, cortados ao meio e sem caroço
½ xícara de folhas de manjericão frescas picadas

Modo de preparo
Em uma panela, misture a água, o limão e a canela. Leve para ferver, em fogo baixo, mexendo sempre. Adicione os pêssegos, tampe a panela e deixe cozinhando por cerca de 15 a 20 minutos. Retire do fogo e adicione o manjericão ao pêssego cozido com o caldo. Deixe descansando por mais 15 minutos, com a panela tampada.

Fonte: Oba Hortifruti

Confira alimentos que podem ser consumidos por diabéticos

Leguminosas, frutas com casca, vegetais e alguns derivados do leite são exemplos

Em 14 de novembro foi comemorado o Dia Mundial do Diabetes, campanha de conscientização da doença que atinge 537 milhões de pessoas em todo mundo e pode chegar a 784 milhões até 2045, segundo dados da IDF (Federação Internacional de Diabetes).

A causa principal da doença é a produção insuficiente ou má absorção de insulina e o consumo de alguns alimentos pode potencializar a condição. Entretanto, segundo a nutricionista Fernanda Larralde, parceira da Bio Mundo, franquia de alimentos naturais e saudáveis, existem também alimentos que contribuem para o controle dos níveis de glicose no sangue, evitando que aconteçam alterações como a hiperglicemia, que é o excesso de açúcar, ou a hipoglicemia, que é a diminuição de açúcar no sangue.

“O ideal para quem tem diabetes é controlar a dieta, sempre apostando em manter o equilíbrio em nutrientes, carboidratos e proteínas, com o cuidado de realizar refeições com pequenas porções de alimentos a cada 3 horas”, comenta Fernanda. Por isso, pensando na data, a Bio Mundo, listou alguns alimentos que podem ser consumidos por diabéticos. Confira:

Leguminosas

Alimentos como feijão, lentilha, ervilha, grão-de-bico e soja contêm fibras e proteínas que favorecem a absorção mais lenta dos carboidratos, contribuindo para o equilíbrio dos níveis de glicose no sangue.

Frutas com casca

Thinkstock

Algumas frutas como maçã, pera, laranja, pêssego, damasco, tangerina, frutos vermelhos e banana verde podem ser consumidas em até 3 porções diárias, sendo importante consumir a fruta inteira, com casca e bagaço.

Leites e derivados

Leite e iogurtes desnatados, queijos brancos, como ricota, minas ou cottage, são ótimos por serem alimentos de baixo índice glicêmico, ajudando no controle dos níveis de glicose no sangue.

Vegetais frescos

Foto: Jerzy Gorecki

Alguns exemplos são alface, brócolis, abobrinha, cogumelos, cebola, tomate, espinafre, couve-flor, pimentão, berinjela e cenoura, esses alimentos são ricos em vitaminas e minerais fundamentais para o funcionamento do organismo, ajudando na produção de hormônios, como a insulina, controlando a diabetes.

Oleaginosas

Pixabay


Nozes, castanha-de-caju, amêndoas, avelãs, amendoim, são alimentos ricos em fibras que ajudam no controle dos níveis de glicose no sangue.

Fonte: Bio Mundo

Ter diabetes significa nunca comer doces? 10 mitos e verdades sobre restrições alimentares

Diabetes é considerado um dos maiores vilões da saúde nos tempos atuais. A doença, que atinge 463 milhões de pessoas em todo o mundo, sendo 16,8 milhões somente no Brasil – número que pode passar dos 21 milhões até 2030 -, conforme a Federação Internacional de Diabetes (IDF), é considerada um verdadeiro problema de saúde pública. Os dados referem-se apenas a adultos entre 20 e 79 anos.

A nutricionista Marlucy Lindsey Vieira, que atende na Unidade Básica de Saúde do Jardim Nakamura, gerenciada pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, respondeu a algumas questões que ajudam a esclarecer mitos e verdades associados à alimentação das pessoas que vivem com esta doença. Confira:

O consumo excessivo de açúcar realmente tem ligação com o surgimento do diabetes?
Verdade.
O excesso de açúcar pode provocar uma sobrecarga no pâncreas, que não consegue produzir insulina suficiente para diminuir os níveis de glicose. Essa sobrecarga pode desencadear o diabetes tipo 2.

Pessoas com alimentação saudável e regrada não têm nenhuma chance de desenvolver diabetes?
Mito.
Existem outros fatores de risco, como o genético, a presença de problemas como pressão alta, colesterol alto ou alterações na taxa de triglicérides no sangue, doenças renais crônicas, diabetes gestacional e o uso excessivo de medicamentos da classe dos glicocorticoides (tipo de corticoide). Todos podem contribuir para o desenvolvimento da doença.

Apenas as pessoas mais velhas têm diabetes?
Mito.
O diabetes tipo 1 aparece geralmente na infância ou adolescência, mas pode ser diagnosticado em adultos também. Conforme dados da IDF, 1,1 milhão de crianças e adolescentes com menos de 20 anos apresentam diabetes tipo 1.

Diabéticos não podem exagerar no consumo de carboidratos, como arroz, pães, massas e batatas?
Verdade.
Os carboidratos são os principais responsáveis pelo aumento dos níveis de glicose no sangue, por isso, pacientes diabéticos precisam consumir esses alimentos de forma moderada. Uma opção saudável seria substituir alimentos feitos com farinha branca, como pão, bolo e macarrão, pelos integrais. O arroz também pode ser substituído pela versão integral.

Steve Buissinne/Pixabay

Apenas o açúcar refinado faz mal. O mel e outros açúcares, como mascavo, demerara ou de coco, estão liberados na dieta de um diabético?
Mito.
Assim como o açúcar refinado, o mel e outros açúcares também podem descompensar o diabetes, levando ao quadro de hiperglicemia (elevação dos níveis de glicose no sangue).

Diabéticos devem evitar o consumo de bebidas alcoólicas?
Verdade.
O diabético não deve ingerir bebidas alcoólicas porque o álcool pode desequilibrar os níveis de açúcar no sangue, alterando os efeitos da insulina e dos medicamentos orais, podendo provocar hiper ou hipoglicemia (queda vertiginosa das taxas de açúcar no sangue).

Ter diabetes significa não poder comer doces em hipótese alguma?
Mito.
O paciente diabético pode consumir doces em pequenas quantidades, quando associado a uma dieta e hábitos de vida saudáveis. O doce não pode se tornar um alimento do dia a dia e deve-se ter cuidado com a qualidade da sobremesa escolhida, de preferência pobre em gordura.

É possível prevenir o diabetes?
Verdade.
A melhor forma de prevenir o diabetes é por meio da manutenção de hábitos saudáveis, como a ingestão diária de verduras, legumes e três porções de frutas; a redução do consumo de sal, açúcares e gorduras; não fumar; praticar exercícios físicos regularmente; e manter o peso controlado.

Os diabéticos devem ter uma alimentação saudável e isso inclui o consumo de frutas à vontade?
Mito.
A frutose é um açúcar presente naturalmente nas frutas. O consumo recomendado a pacientes diabéticos é de, no máximo, três porções de frutas ao dia.

Foto: Live Science

Todos os tipos de adoçantes são permitidos na dieta de um diabético, pois são todos iguais.
Mito.
Os adoçantes são divididos em dois grandes grupos: os naturais, são obtidos a partir de plantas ou de alimentos de origem animal; e os artificiais/sintéticos, obtidos, de produtos naturais ou não, através de reações químicas apropriadas. Entre os adoçantes naturais indicados estão a frutose, o xilitol, o eritritol e a stevia. Já no grupo dos sintéticos, a sacarina, o ciclamato, o aspartame e a sucralose costumam ser mais recomendados. Antes de escolher quaisquer um desses produtos, é importante ler os rótulos com atenção para saber qual o tipo de adoçante utilizado na composição e, sempre que possível, optar pelos naturais.

Fonte: Cejam

Rotina alimentar diferente para quem tem diabetes é mito?

Aplicativo mostra que alguns cuidados permitem uma vida sem restrições

Conviver com o diabetes atualmente já não é uma tarefa tão difícil quanto foi no passado. Com a ajuda da tecnologia, é possível monitorar índices de glicemia ao longo do dia e ajustar as doses de insulina de acordo com a alimentação e a rotina.

Segundo levantamento do aplicativo Glic, plataforma gratuita que conecta quem tem diabetes à equipe de saúde para facilitar a evolução da prescrição médica, o arroz, por exemplo, que já foi considerado um carboidrato vilão, é um dos alimentos mais consumidos pelos usuários da plataforma. Isso demonstra que, com os cuidados adequados, a rotina alimentar de quem tem diabetes não precisa ser diferente da rotina de quem não tem, sendo possível comer arroz, feijão, pão, queijos, ovos e frutas sem problemas. O importante é seguir monitorando em tempo real o que foi consumido para ajustar a glicemia.

Claudia Labate, CEO do Glic, defende que a educação em diabetes para quem recebeu o diagnóstico deve ser o mais humanizada possível, para evitar que a pessoa caia na desinformação ou deixe de se cuidar, piorando o quadro. “Quando a pessoa recebe a confirmação de diabetes, ela passa a acreditar que viverá uma vida de restrições por conta de algumas desinformações que são compartilhadas. Porém, fazendo alguns ajustes necessários, ter diabetes passa a ter menos impacto na rotina e a pessoa consegue comer e beber sem qualquer tipo de bloqueio”, reforça.

Pensando em facilitar a rotina de quem convive com o diabetes, para que o autocuidado se torne um hábito, Claudia traz algumas dicas:


Tecnologia como aliada
Aplicativos de saúde são uma ótima solução para quem quer ter uma rotina mais controlada com o diabetes. Dentro do Glic, por exemplo, é possível anotar tudo que é consumido durante o dia, identificando as glicemias por horário. Assim, o próprio app pode ajustar as doses de insulina. A ferramenta também permite compartilhar os relatórios com o médico a qualquer momento, sem a necessidade de uma consulta.



Calcular carboidratos
Arroz, feijão, batata, macarrão, ovos e legumes estão entre os alimentos mais consumidos por quem tem diabetes. Para que não seja preciso cortar nada da alimentação, uma sugestão é utilizar uma calculadora de carboidratos para adequar o consumo e torná-lo o mais saudável possível. Com pequenos ajustes, pode-se evitar qualquer restrição ao longo da vida.


Bebida alcoólica de forma moderada
Bebidas alcoólicas possuem altas calorias e podem prejudicar a rotina de quem tem diabetes. É importante manter um consumo social moderado e nunca de estômago vazio, para evitar hipossuficiência.

Sobre o Glic
O Glic é o primeiro app para diabetes e acompanhamento de glicemia do Brasil, desenvolvido para auxiliar a rotina de cuidados com o diabetes, por meio de diversas funcionalidades como: consulta e registro de carboidratos, cálculo de dose de insulina, lembretes de medicamentos e registro de glicemia. Além de participar do dia a dia de quem tem diabetes e seus cuidadores, ele se conecta com a equipe médica em tempo real, por um prontuário eletrônico, permitindo decisões mais esclarecidas para o tratamento do paciente.

Comer duas maçãs inteiras por dia reduz o risco de desenvolver diabetes em 36%, diz estudo

Pesquisa publicada no começo de junho com mais de 7.500 pessoas, acompanhadas por 5 anos, destaca que duas porções de frutas inteiras, como maçãs e laranjas, estão relacionadas a uma menor chance de desenvolver diabetes

Um novo estudo descobriu que pessoas que consomem duas porções de frutas por dia têm 36% menos chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que aquelas que consomem menos da metade de uma porção ou em forma de suco. A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em junho.

“Diabetes é uma doença em que as pessoas têm muito açúcar na corrente sanguínea e é um enorme fardo para a saúde pública. Aproximadamente 463 milhões de adultos em todo o mundo viviam com diabetes em 2019, e em 2045 esse número deve aumentar para 700 milhões, segundo projeções baseadas no estilo de dieta da população”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Estima-se que 374 milhões de pessoas correm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, a forma mais comum da doença. Uma dieta e um estilo de vida saudáveis podem desempenhar um papel importante na redução do risco de diabetes em uma pessoa.

“O estudo descobriu que pessoas que consumiram cerca de 2 porções de frutas inteiras por dia tiveram um risco 36% menor de desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos cinco anos do que aquelas que consumiram menos da metade de uma porção de frutas por dia. O mesmo padrão não é observado para sucos de frutas. Essas descobertas indicam que uma dieta saudável e um estilo de vida que inclua o consumo de frutas inteiras é uma ótima estratégia para diminuir o risco de diabetes”, completa a médica.

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é caracterizado por secreção prejudicada de insulina (disfunção das células β) e aumento da resistência à insulina (ou resistência à captação de glicose mediada pela insulina). “A doença é responsável por mais de 2 milhões de mortes anualmente e é a sétima causa de incapacidade em todo o mundo”, explica a médica nutróloga.

No estudo, as frutas mais comumente consumidas foram maçãs, contribuindo com aproximadamente 23% para o consumo total de frutas, seguidas por bananas (20%) e laranjas e outras frutas cítricas (18%). “Os mecanismos biológicos que sustentam os efeitos benéficos das frutas na regulação da glicose e no risco de diabetes são provavelmente multifacetados. Além de sua baixa contribuição para a ingestão de energia, a maioria das frutas normalmente tem uma carga glicêmica baixa e são ricas em fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos, todos os quais podem desempenhar um papel contributivo. Tanto as fibras insolúveis e solúveis melhoram o controle glicêmico”, explica Marcella.

Anelka/Pixabay

“Além disso, muitas frutas, incluindo maçãs, são ricas em flavonoides, uma classe de fitoquímicos que melhoram a sensibilidade à insulina, potencialmente por diminuir a apoptose e promover a proliferação de células β pancreáticas, e reduzir a inflamação muscular e o estresse oxidativo”, destaca.

Os pesquisadores estudaram dados de 7.675 participantes do Estudo Australiano de Diabetes, Obesidade e Estilo de Vida do Baker Heart and Diabetes Institute, que forneceram informações sobre a ingestão de frutas e sucos de frutas por meio de um questionário de frequência alimentar, durante um período de cinco anos. Eles descobriram que os participantes que comeram mais frutas inteiras tinham 36% menos chances de ter diabetes em cinco anos.

“Os pesquisadores descobriram uma associação entre a ingestão de frutas e marcadores de sensibilidade à insulina, o que significa que as pessoas que consumiram mais frutas tiveram que produzir menos insulina para reduzir seus níveis de glicose no sangue”, conta a médica. “Isso é importante porque altos níveis de insulina circulante (hiperinsulinemia) podem danificar os vasos sanguíneos e estão relacionados não apenas ao diabetes, mas também à hipertensão, obesidade e doenças cardíacas”, completa.

Por fim, a médica lembra que mesmo com as diferentes concentrações e velocidade de absorção do açúcar contido nas frutas, inseri-las no hábito alimentar continua sendo uma opção saudável: “As frutas de baixo e médio índice glicêmico podem ser consumidas em qualquer horário do dia e não precisam estar combinadas com outros nutrientes como proteínas, fibras e gorduras. Já as de alto índice glicêmico, devem ser consumidas de modo mais restrito e sempre que possível, combinadas com nutrientes que ajudam a baixar o seu índice glicêmico”.

Dentre as frutas de baixo índice glicêmico, estão a maçã, o morango, a pera, as frutas vermelhas, as frutas cítricas, o pêssego e a ameixa fresca, enquanto os de médio índice glicêmico são o kiwi, a banana, as uvas frescas, o mamão, o melão, a manga e o damasco seco, ameixa seca e uvas passas. “Melancia e abacaxi maduro são exemplos de frutas de alto índice glicêmico que podem ser consumidas com parcimônia, ou combinadas com fibras, como as aveias”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dez coisas que você precisa saber sobre a obesidade*

1 – Tratar a obesidade não significa buscar um corpo mais bonito. Busca-se acima de tudo, um corpo saudável nos mais variados aspectos físicos e mentais.


2 – A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela vai se instalando aos poucos. Um jovem muito acima do peso pode não ter ainda descontrole de taxas como glicose, colesterol ou triglicerídeos, mas as chances de ter problemas com a idade mais avançada são maiores do que as de pessoas com peso controlado. Pode ser que ele nunca adoeça, mas diante do risco o ideal é buscar meios de perder o peso acumulado em excesso.

3 – Existem ao menos 15 tipos de doenças ligadas à obesidade, que podem afetar diversas partes do corpo: artérias, veias, fígado, pâncreas, coração, aparelho respiratório, rins, pele, vesícula, ossos, ovários, próstata, articulações, cérebro, intestino, esôfago, entre outras.

4 – Algumas pessoas ganham muito peso em pouco tempo, mas a maioria vai acumulando a gordura aos poucos, ao longo dos anos. A prevenção à obesidade, com uma alimentação saudável e prática constante de exercícios, portanto, precisa começar desde a infância, pois se uma pessoa ganha um quilo a mais do que deveria por ano, em 50 anos de vida, ela terá 50 quilos a mais.

5 – Nem todas as pessoas ganham mais peso, ou seja, acumulam mais gordura no corpo, porque comem muito mais alimentos calóricos e ricos em gorduras e carboidratos. Há pessoas que comendo o mesmo que outras engordam mais. Essa diferença se dá pela genética. Ou seja, há genes que atuam de forma diferente em cada organismo. Por isso, desde criança, é preciso ficar de olho na tendência familiar e no ganho de peso da pessoa. Se ela acumular mais, terá que se alimentar ainda melhor, diminuindo seus alimentos calóricos e aumentando os exercícios.



6 – Quanto mais peso se acumula, mais difícil é perdê-los. E chega um ponto em que até mesmo uma cirurgia bariátrica fica difícil de ser realizada, se a pessoa está com um peso muito alto. Muitas pessoas com obesidade em grau 3, com Índice de Massa Corpórea, o IMC, acima de 50, precisam fazer dietas para perder de 10% a 20% do peso corporal para conseguir operar. Portanto, uma reeducação alimentar e a mudança nos hábitos de vida, incluindo ao menos uma caminhada, devem ser feitas por todas as pessoas.

7 – Problemas emocionais, como a ansiedade, podem afetar o apetite de diferentes formas: alguns perdem o apetite e outras ficam com mais fome. Por isso, cuidar da mente é fundamental para prevenir a obesidade. A parte boa é que exercícios físicos ajudam tanto no gasto calórico, quanto na melhor oxigenação do cérebro, ajudando a reduzir os distúrbios emocionais.

8 – A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com este padrão, utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Conforme o IMC, classifica-se o grau de obesidade em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. Para o tratamento da obesidade são avaliados fatores de risco e outras doenças para determinar se há a necessidade de uso de medicamentos já em pacientes com sobrepeso.



9 – A obesidade muitas vezes também pode acarretar o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Muitas pessoas sofrem com gordofobia, são atacadas e criticadas por serem obesas, e há ainda preconceito no ambiente de trabalho (muitos não conseguem emprego). Buscar ajuda psicológica profissional é fundamental para obter sucesso no tratamento.

10 – A obesidade pode prejudicar a vida sexual e a capacidade reprodutiva de homens e mulheres. No homem, devido à redução da testosterona, pode reduzir a libido e levar a dificuldade de ereção. Já nas mulheres, pode ocorrer redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos hormônios masculinos. As mulheres podem apresentar aumento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. A síndrome do ovário policístico também é relacionada ao aumento de peso. Mas as chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

*Por Cid Pitombo, médico especializado em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica.

Sedentarismo é fator de risco para desenvolvimento do diabetes

Prevalência global da doença é de 9,3%, sendo que mais da metade dos adultos não estão diagnosticados; médica explica como atividade física pode ajudar a prevenir este mal

A praticidade do mundo contemporâneo levou as pessoas a adotarem hábitos cômodos, mas nem tão saudáveis. Para quê caminhar alguns quarteirões se é possível pegar um táxi? Para quê subir alguns andares de escada se existe o elevador? Pois é desta forma que os costumes atuais e a ausência total de exercícios físicos estão levando os indivíduos ao extremo sedentarismo, o que vem aumentando o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como o diabetes.

“Diabetes é uma enfermidade na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Já a insulina é um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue; nosso corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, que obtemos por meio dos alimentos, como fonte de energia”, explica Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Quando a pessoa tem diabetes, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente. O nível de glicose no sangue fica alto –  a famosa hiperglicemia – e, se esse quadro permanece por longos períodos, pode haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

Conforme a médica esclarece, existem dois tipos principais de diabetes: o tipo 1, em que há ausência de produção de insulina pelo pâncreas (ele pode ocorrer em todas as idades), e o tipo 2, que responde por 95% dos casos da doença e acomete principalmente adultos com mais de 40 anos.

“A incidência vem crescendo em todo mundo por causa de diversos fatores, entre eles, o envelhecimento populacional e, principalmente, o estilo de vida atual, com sedentarismo marcante e alimentação inadequada”, diz a médica. Segundo ela, este cenário está presente sobretudo nos países ocidentais, como Brasil e Estados Unidos, onde estatísticas mostram que a obesidade não para de crescer e tem se apresentado cada vez mais cedo, já na infância.  

Dados da International Diabetes Federation (IDF) dão conta de que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo, o que significa uma prevalência global de 9,3%, sendo que mais da metade (50,1%) dos adultos ainda não estão diagnosticados. “As evidências sugerem que o diabetes tipo 2 pode ser prevenido com diagnóstico precoce e acesso aos cuidados adequados. Isso evitaria ou retardaria complicações em pessoas que vivem com a doença”, reflete a especialista em estilo de vida.

Estudos mostram que as atividades físicas são capazes de reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 em até 60%. “O bom condicionamento físico melhora a ação da insulina no organismo, reduz o risco de morte por doença cardiovascular, ajuda no controle do peso e do colesterol, diminui os sintomas depressivos e aumenta a qualidade de vida. Todos esses benefícios são proporcionais à intensidade do exercício ou à capacidade aeróbica do indivíduo”, elucida Lívia, lembrando que o sedentarismo, por sua vez, é um dos principais fatores de risco para doenças do coração, assim como para o desenvolvimento da obesidade e do diabetes. 

Juntamente com os exames periódicos, a prática de exercícios regulares prolonga a expectativa de vida. “Não precisa ser muito: 20 minutos de caminhada diária são suficientes”, ensina ela. Já para as pessoas acima dos 60 anos de idade, é importante também conciliar exercícios de fortalecimento muscular, já que a perda de massa muscular é um problema sério nesta fase de vida.

Segundo a IDF, o diabetes está entre as dez principais causas de morte, sendo que quase metade delas ocorre em pessoas com menos de 60 anos. A previsão é que o número total de pessoas portadoras da doença aumente para 578 milhões em 2030 e para 700 milhões em 2045. “Se levarmos em consideração que o diabetes é uma enfermidade que podemos evitar ou postergar, os números são realmente assustadores. Infelizmente, o combate ao sedentarismo é hoje um problema de saúde pública no Brasil”, conclui a médica. 

Fonte: Livia Salomé é graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine. Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Aumento modesto no consumo de frutas, vegetais e grãos reduz risco de diabetes, aponta estudos

Dois estudos publicados em julho no British Medical Journal associam maior consumo de frutas, vegetais e alimentos integrais a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Acredite se quiser, o aumento no consumo pode ser até modesto para evitar o problema

Sabemos dos benefícios de frutas, vegetais e grãos para a nossa saúde, justamente por fornecerem macro e micronutrientes importantes para o funcionamento do organismo. Mas acredite se quiser, dois estudos recentes, ambos publicados em julho no British Medical Journal, relacionam um aumento, mesmo que modesto, na ingestão de frutas, vegetais e grãos inteiros a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2.

“Uma maior ingestão desses alimentos em um contexto de uma dieta saudável pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2 segundo os estudos”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

No primeiro estudo, uma equipe de pesquisadores europeus examinou a associação entre os níveis sanguíneos de vitamina C e carotenoides (pigmentos encontrados em frutas e vegetais coloridos) com o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os níveis de vitamina C e carotenoides são indicadores mais confiáveis da ingestão de frutas e vegetais do que o uso de questionários dietéticos. As descobertas são baseadas em 9.754 adultos que desenvolveram diabetes tipo 2 de início recente e um grupo de comparação de 13.662 adultos que permaneceram sem diabetes durante o acompanhamento entre 340.234 participantes da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (EPIC) – Estudo InterAct em oito países europeus.

Segundo a médica, após o ajuste para estilo de vida, fatores de risco sociais e dietéticos para diabetes, níveis mais elevados de vitamina C e carotenoides no sangue e sua soma quando combinados em um “escore composto de biomarcador” foram associados a um risco menor de desenvolver diabetes tipo 2. “Os pesquisadores calculam que cada aumento de 66 gramas por dia na ingestão total de frutas e vegetais foi associado a um risco 25% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Sabemos que as frutas e vegetais são ricos em fibras que diminuem a inflamação e estão relacionados à melhoria do metabolismo da glicose, lipídios e tecido adiposo em pesquisas experimentais em humanos e animais”, afirma a médica. “Sabe-se também que diferentes fibras alimentares têm diferentes efeitos na saúde”, diz.

No segundo estudo, pesquisadores nos Estados Unidos examinaram associações entre a ingestão total e individual de grãos integrais e diabetes tipo 2. As descobertas são baseadas em 158.259 mulheres e 36.525 homens que estavam livres de diabetes, doenças cardíacas e câncer e participaram do Nurses ‘Health Study, Nurses’ Health Study II e Health Professionals Follow-Up Study. Após o ajuste para estilo de vida e fatores de risco dietéticos para diabetes, os participantes da categoria mais alta para o consumo total de grãos inteiros tiveram uma taxa 29% menor de diabetes tipo 2 em comparação com os da categoria mais baixa. “Para alimentos de grãos inteiros individuais, os pesquisadores descobriram que consumir uma ou mais porções por dia de cereais matinais de grãos inteiros frios ou pão integral estava associado a um risco menor de diabetes tipo 2 (19% e 21% respectivamente)”.

Foto: Jules -Stonesoup

Para outros grãos inteiros, o consumo de duas ou mais porções por semana, em comparação com menos de uma porção por mês, foi associado a um risco 21% menor no caso da farinha de aveia e 12 % menor risco de desenvolver diabetes para arroz integral e gérmen de trigo. “Ambos os estudos são observacionais, portanto, não podem estabelecer a causa, e há uma possibilidade de que alguns dos resultados possam ser devido a fatores não medidos. No entanto, ambos os estudos levaram em consideração vários fatores de risco de estilo de vida bem conhecidos e marcadores de qualidade da dieta, e as descobertas confirmam outras pesquisas que relacionam uma dieta saudável com uma saúde melhor”, afirma a médica nutróloga.

Dessa forma, ambas as equipes de pesquisa dizem que suas descobertas fornecem mais suporte para as recomendações atuais para aumentar o consumo de frutas, vegetais e grãos inteiros como parte de uma dieta saudável para prevenir o diabetes tipo 2. “E para frutas e vegetais, as descobertas também sugerem que o consumo mesmo de uma quantidade moderadamente maior entre as populações que normalmente consomem baixos níveis pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2, portanto incluir esses alimentos na rotina é fundamental por todos os seus benefícios”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.