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Rotina alimentar diferente para quem tem diabetes é mito?

Aplicativo mostra que alguns cuidados permitem uma vida sem restrições

Conviver com o diabetes atualmente já não é uma tarefa tão difícil quanto foi no passado. Com a ajuda da tecnologia, é possível monitorar índices de glicemia ao longo do dia e ajustar as doses de insulina de acordo com a alimentação e a rotina.

Segundo levantamento do aplicativo Glic, plataforma gratuita que conecta quem tem diabetes à equipe de saúde para facilitar a evolução da prescrição médica, o arroz, por exemplo, que já foi considerado um carboidrato vilão, é um dos alimentos mais consumidos pelos usuários da plataforma. Isso demonstra que, com os cuidados adequados, a rotina alimentar de quem tem diabetes não precisa ser diferente da rotina de quem não tem, sendo possível comer arroz, feijão, pão, queijos, ovos e frutas sem problemas. O importante é seguir monitorando em tempo real o que foi consumido para ajustar a glicemia.

Claudia Labate, CEO do Glic, defende que a educação em diabetes para quem recebeu o diagnóstico deve ser o mais humanizada possível, para evitar que a pessoa caia na desinformação ou deixe de se cuidar, piorando o quadro. “Quando a pessoa recebe a confirmação de diabetes, ela passa a acreditar que viverá uma vida de restrições por conta de algumas desinformações que são compartilhadas. Porém, fazendo alguns ajustes necessários, ter diabetes passa a ter menos impacto na rotina e a pessoa consegue comer e beber sem qualquer tipo de bloqueio”, reforça.

Pensando em facilitar a rotina de quem convive com o diabetes, para que o autocuidado se torne um hábito, Claudia traz algumas dicas:


Tecnologia como aliada
Aplicativos de saúde são uma ótima solução para quem quer ter uma rotina mais controlada com o diabetes. Dentro do Glic, por exemplo, é possível anotar tudo que é consumido durante o dia, identificando as glicemias por horário. Assim, o próprio app pode ajustar as doses de insulina. A ferramenta também permite compartilhar os relatórios com o médico a qualquer momento, sem a necessidade de uma consulta.



Calcular carboidratos
Arroz, feijão, batata, macarrão, ovos e legumes estão entre os alimentos mais consumidos por quem tem diabetes. Para que não seja preciso cortar nada da alimentação, uma sugestão é utilizar uma calculadora de carboidratos para adequar o consumo e torná-lo o mais saudável possível. Com pequenos ajustes, pode-se evitar qualquer restrição ao longo da vida.


Bebida alcoólica de forma moderada
Bebidas alcoólicas possuem altas calorias e podem prejudicar a rotina de quem tem diabetes. É importante manter um consumo social moderado e nunca de estômago vazio, para evitar hipossuficiência.

Sobre o Glic
O Glic é o primeiro app para diabetes e acompanhamento de glicemia do Brasil, desenvolvido para auxiliar a rotina de cuidados com o diabetes, por meio de diversas funcionalidades como: consulta e registro de carboidratos, cálculo de dose de insulina, lembretes de medicamentos e registro de glicemia. Além de participar do dia a dia de quem tem diabetes e seus cuidadores, ele se conecta com a equipe médica em tempo real, por um prontuário eletrônico, permitindo decisões mais esclarecidas para o tratamento do paciente.

Comer duas maçãs inteiras por dia reduz o risco de desenvolver diabetes em 36%, diz estudo

Pesquisa publicada no começo de junho com mais de 7.500 pessoas, acompanhadas por 5 anos, destaca que duas porções de frutas inteiras, como maçãs e laranjas, estão relacionadas a uma menor chance de desenvolver diabetes

Um novo estudo descobriu que pessoas que consomem duas porções de frutas por dia têm 36% menos chances de desenvolver diabetes tipo 2 do que aquelas que consomem menos da metade de uma porção ou em forma de suco. A pesquisa foi publicada no Journal of Clinical Endocrinology & Metabolism em junho.

“Diabetes é uma doença em que as pessoas têm muito açúcar na corrente sanguínea e é um enorme fardo para a saúde pública. Aproximadamente 463 milhões de adultos em todo o mundo viviam com diabetes em 2019, e em 2045 esse número deve aumentar para 700 milhões, segundo projeções baseadas no estilo de dieta da população”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Estima-se que 374 milhões de pessoas correm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, a forma mais comum da doença. Uma dieta e um estilo de vida saudáveis podem desempenhar um papel importante na redução do risco de diabetes em uma pessoa.

“O estudo descobriu que pessoas que consumiram cerca de 2 porções de frutas inteiras por dia tiveram um risco 36% menor de desenvolver diabetes tipo 2 nos próximos cinco anos do que aquelas que consumiram menos da metade de uma porção de frutas por dia. O mesmo padrão não é observado para sucos de frutas. Essas descobertas indicam que uma dieta saudável e um estilo de vida que inclua o consumo de frutas inteiras é uma ótima estratégia para diminuir o risco de diabetes”, completa a médica.

O diabetes mellitus tipo 2 (DM2) é caracterizado por secreção prejudicada de insulina (disfunção das células β) e aumento da resistência à insulina (ou resistência à captação de glicose mediada pela insulina). “A doença é responsável por mais de 2 milhões de mortes anualmente e é a sétima causa de incapacidade em todo o mundo”, explica a médica nutróloga.

No estudo, as frutas mais comumente consumidas foram maçãs, contribuindo com aproximadamente 23% para o consumo total de frutas, seguidas por bananas (20%) e laranjas e outras frutas cítricas (18%). “Os mecanismos biológicos que sustentam os efeitos benéficos das frutas na regulação da glicose e no risco de diabetes são provavelmente multifacetados. Além de sua baixa contribuição para a ingestão de energia, a maioria das frutas normalmente tem uma carga glicêmica baixa e são ricas em fibras, vitaminas, minerais e fitoquímicos, todos os quais podem desempenhar um papel contributivo. Tanto as fibras insolúveis e solúveis melhoram o controle glicêmico”, explica Marcella.

Anelka/Pixabay

“Além disso, muitas frutas, incluindo maçãs, são ricas em flavonoides, uma classe de fitoquímicos que melhoram a sensibilidade à insulina, potencialmente por diminuir a apoptose e promover a proliferação de células β pancreáticas, e reduzir a inflamação muscular e o estresse oxidativo”, destaca.

Os pesquisadores estudaram dados de 7.675 participantes do Estudo Australiano de Diabetes, Obesidade e Estilo de Vida do Baker Heart and Diabetes Institute, que forneceram informações sobre a ingestão de frutas e sucos de frutas por meio de um questionário de frequência alimentar, durante um período de cinco anos. Eles descobriram que os participantes que comeram mais frutas inteiras tinham 36% menos chances de ter diabetes em cinco anos.

“Os pesquisadores descobriram uma associação entre a ingestão de frutas e marcadores de sensibilidade à insulina, o que significa que as pessoas que consumiram mais frutas tiveram que produzir menos insulina para reduzir seus níveis de glicose no sangue”, conta a médica. “Isso é importante porque altos níveis de insulina circulante (hiperinsulinemia) podem danificar os vasos sanguíneos e estão relacionados não apenas ao diabetes, mas também à hipertensão, obesidade e doenças cardíacas”, completa.

Por fim, a médica lembra que mesmo com as diferentes concentrações e velocidade de absorção do açúcar contido nas frutas, inseri-las no hábito alimentar continua sendo uma opção saudável: “As frutas de baixo e médio índice glicêmico podem ser consumidas em qualquer horário do dia e não precisam estar combinadas com outros nutrientes como proteínas, fibras e gorduras. Já as de alto índice glicêmico, devem ser consumidas de modo mais restrito e sempre que possível, combinadas com nutrientes que ajudam a baixar o seu índice glicêmico”.

Dentre as frutas de baixo índice glicêmico, estão a maçã, o morango, a pera, as frutas vermelhas, as frutas cítricas, o pêssego e a ameixa fresca, enquanto os de médio índice glicêmico são o kiwi, a banana, as uvas frescas, o mamão, o melão, a manga e o damasco seco, ameixa seca e uvas passas. “Melancia e abacaxi maduro são exemplos de frutas de alto índice glicêmico que podem ser consumidas com parcimônia, ou combinadas com fibras, como as aveias”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dez coisas que você precisa saber sobre a obesidade*

1 – Tratar a obesidade não significa buscar um corpo mais bonito. Busca-se acima de tudo, um corpo saudável nos mais variados aspectos físicos e mentais.


2 – A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela vai se instalando aos poucos. Um jovem muito acima do peso pode não ter ainda descontrole de taxas como glicose, colesterol ou triglicerídeos, mas as chances de ter problemas com a idade mais avançada são maiores do que as de pessoas com peso controlado. Pode ser que ele nunca adoeça, mas diante do risco o ideal é buscar meios de perder o peso acumulado em excesso.

3 – Existem ao menos 15 tipos de doenças ligadas à obesidade, que podem afetar diversas partes do corpo: artérias, veias, fígado, pâncreas, coração, aparelho respiratório, rins, pele, vesícula, ossos, ovários, próstata, articulações, cérebro, intestino, esôfago, entre outras.

4 – Algumas pessoas ganham muito peso em pouco tempo, mas a maioria vai acumulando a gordura aos poucos, ao longo dos anos. A prevenção à obesidade, com uma alimentação saudável e prática constante de exercícios, portanto, precisa começar desde a infância, pois se uma pessoa ganha um quilo a mais do que deveria por ano, em 50 anos de vida, ela terá 50 quilos a mais.

5 – Nem todas as pessoas ganham mais peso, ou seja, acumulam mais gordura no corpo, porque comem muito mais alimentos calóricos e ricos em gorduras e carboidratos. Há pessoas que comendo o mesmo que outras engordam mais. Essa diferença se dá pela genética. Ou seja, há genes que atuam de forma diferente em cada organismo. Por isso, desde criança, é preciso ficar de olho na tendência familiar e no ganho de peso da pessoa. Se ela acumular mais, terá que se alimentar ainda melhor, diminuindo seus alimentos calóricos e aumentando os exercícios.



6 – Quanto mais peso se acumula, mais difícil é perdê-los. E chega um ponto em que até mesmo uma cirurgia bariátrica fica difícil de ser realizada, se a pessoa está com um peso muito alto. Muitas pessoas com obesidade em grau 3, com Índice de Massa Corpórea, o IMC, acima de 50, precisam fazer dietas para perder de 10% a 20% do peso corporal para conseguir operar. Portanto, uma reeducação alimentar e a mudança nos hábitos de vida, incluindo ao menos uma caminhada, devem ser feitas por todas as pessoas.

7 – Problemas emocionais, como a ansiedade, podem afetar o apetite de diferentes formas: alguns perdem o apetite e outras ficam com mais fome. Por isso, cuidar da mente é fundamental para prevenir a obesidade. A parte boa é que exercícios físicos ajudam tanto no gasto calórico, quanto na melhor oxigenação do cérebro, ajudando a reduzir os distúrbios emocionais.

8 – A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com este padrão, utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Conforme o IMC, classifica-se o grau de obesidade em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. Para o tratamento da obesidade são avaliados fatores de risco e outras doenças para determinar se há a necessidade de uso de medicamentos já em pacientes com sobrepeso.



9 – A obesidade muitas vezes também pode acarretar o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Muitas pessoas sofrem com gordofobia, são atacadas e criticadas por serem obesas, e há ainda preconceito no ambiente de trabalho (muitos não conseguem emprego). Buscar ajuda psicológica profissional é fundamental para obter sucesso no tratamento.

10 – A obesidade pode prejudicar a vida sexual e a capacidade reprodutiva de homens e mulheres. No homem, devido à redução da testosterona, pode reduzir a libido e levar a dificuldade de ereção. Já nas mulheres, pode ocorrer redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos hormônios masculinos. As mulheres podem apresentar aumento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. A síndrome do ovário policístico também é relacionada ao aumento de peso. Mas as chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

*Por Cid Pitombo, médico especializado em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica.

Sedentarismo é fator de risco para desenvolvimento do diabetes

Prevalência global da doença é de 9,3%, sendo que mais da metade dos adultos não estão diagnosticados; médica explica como atividade física pode ajudar a prevenir este mal

A praticidade do mundo contemporâneo levou as pessoas a adotarem hábitos cômodos, mas nem tão saudáveis. Para quê caminhar alguns quarteirões se é possível pegar um táxi? Para quê subir alguns andares de escada se existe o elevador? Pois é desta forma que os costumes atuais e a ausência total de exercícios físicos estão levando os indivíduos ao extremo sedentarismo, o que vem aumentando o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como o diabetes.

“Diabetes é uma enfermidade na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Já a insulina é um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue; nosso corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, que obtemos por meio dos alimentos, como fonte de energia”, explica Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Quando a pessoa tem diabetes, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente. O nível de glicose no sangue fica alto –  a famosa hiperglicemia – e, se esse quadro permanece por longos períodos, pode haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

Conforme a médica esclarece, existem dois tipos principais de diabetes: o tipo 1, em que há ausência de produção de insulina pelo pâncreas (ele pode ocorrer em todas as idades), e o tipo 2, que responde por 95% dos casos da doença e acomete principalmente adultos com mais de 40 anos.

“A incidência vem crescendo em todo mundo por causa de diversos fatores, entre eles, o envelhecimento populacional e, principalmente, o estilo de vida atual, com sedentarismo marcante e alimentação inadequada”, diz a médica. Segundo ela, este cenário está presente sobretudo nos países ocidentais, como Brasil e Estados Unidos, onde estatísticas mostram que a obesidade não para de crescer e tem se apresentado cada vez mais cedo, já na infância.  

Dados da International Diabetes Federation (IDF) dão conta de que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo, o que significa uma prevalência global de 9,3%, sendo que mais da metade (50,1%) dos adultos ainda não estão diagnosticados. “As evidências sugerem que o diabetes tipo 2 pode ser prevenido com diagnóstico precoce e acesso aos cuidados adequados. Isso evitaria ou retardaria complicações em pessoas que vivem com a doença”, reflete a especialista em estilo de vida.

Estudos mostram que as atividades físicas são capazes de reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 em até 60%. “O bom condicionamento físico melhora a ação da insulina no organismo, reduz o risco de morte por doença cardiovascular, ajuda no controle do peso e do colesterol, diminui os sintomas depressivos e aumenta a qualidade de vida. Todos esses benefícios são proporcionais à intensidade do exercício ou à capacidade aeróbica do indivíduo”, elucida Lívia, lembrando que o sedentarismo, por sua vez, é um dos principais fatores de risco para doenças do coração, assim como para o desenvolvimento da obesidade e do diabetes. 

Juntamente com os exames periódicos, a prática de exercícios regulares prolonga a expectativa de vida. “Não precisa ser muito: 20 minutos de caminhada diária são suficientes”, ensina ela. Já para as pessoas acima dos 60 anos de idade, é importante também conciliar exercícios de fortalecimento muscular, já que a perda de massa muscular é um problema sério nesta fase de vida.

Segundo a IDF, o diabetes está entre as dez principais causas de morte, sendo que quase metade delas ocorre em pessoas com menos de 60 anos. A previsão é que o número total de pessoas portadoras da doença aumente para 578 milhões em 2030 e para 700 milhões em 2045. “Se levarmos em consideração que o diabetes é uma enfermidade que podemos evitar ou postergar, os números são realmente assustadores. Infelizmente, o combate ao sedentarismo é hoje um problema de saúde pública no Brasil”, conclui a médica. 

Fonte: Livia Salomé é graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine. Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Aumento modesto no consumo de frutas, vegetais e grãos reduz risco de diabetes, aponta estudos

Dois estudos publicados em julho no British Medical Journal associam maior consumo de frutas, vegetais e alimentos integrais a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Acredite se quiser, o aumento no consumo pode ser até modesto para evitar o problema

Sabemos dos benefícios de frutas, vegetais e grãos para a nossa saúde, justamente por fornecerem macro e micronutrientes importantes para o funcionamento do organismo. Mas acredite se quiser, dois estudos recentes, ambos publicados em julho no British Medical Journal, relacionam um aumento, mesmo que modesto, na ingestão de frutas, vegetais e grãos inteiros a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2.

“Uma maior ingestão desses alimentos em um contexto de uma dieta saudável pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2 segundo os estudos”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

No primeiro estudo, uma equipe de pesquisadores europeus examinou a associação entre os níveis sanguíneos de vitamina C e carotenoides (pigmentos encontrados em frutas e vegetais coloridos) com o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os níveis de vitamina C e carotenoides são indicadores mais confiáveis da ingestão de frutas e vegetais do que o uso de questionários dietéticos. As descobertas são baseadas em 9.754 adultos que desenvolveram diabetes tipo 2 de início recente e um grupo de comparação de 13.662 adultos que permaneceram sem diabetes durante o acompanhamento entre 340.234 participantes da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (EPIC) – Estudo InterAct em oito países europeus.

Segundo a médica, após o ajuste para estilo de vida, fatores de risco sociais e dietéticos para diabetes, níveis mais elevados de vitamina C e carotenoides no sangue e sua soma quando combinados em um “escore composto de biomarcador” foram associados a um risco menor de desenvolver diabetes tipo 2. “Os pesquisadores calculam que cada aumento de 66 gramas por dia na ingestão total de frutas e vegetais foi associado a um risco 25% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Sabemos que as frutas e vegetais são ricos em fibras que diminuem a inflamação e estão relacionados à melhoria do metabolismo da glicose, lipídios e tecido adiposo em pesquisas experimentais em humanos e animais”, afirma a médica. “Sabe-se também que diferentes fibras alimentares têm diferentes efeitos na saúde”, diz.

No segundo estudo, pesquisadores nos Estados Unidos examinaram associações entre a ingestão total e individual de grãos integrais e diabetes tipo 2. As descobertas são baseadas em 158.259 mulheres e 36.525 homens que estavam livres de diabetes, doenças cardíacas e câncer e participaram do Nurses ‘Health Study, Nurses’ Health Study II e Health Professionals Follow-Up Study. Após o ajuste para estilo de vida e fatores de risco dietéticos para diabetes, os participantes da categoria mais alta para o consumo total de grãos inteiros tiveram uma taxa 29% menor de diabetes tipo 2 em comparação com os da categoria mais baixa. “Para alimentos de grãos inteiros individuais, os pesquisadores descobriram que consumir uma ou mais porções por dia de cereais matinais de grãos inteiros frios ou pão integral estava associado a um risco menor de diabetes tipo 2 (19% e 21% respectivamente)”.

Foto: Jules -Stonesoup

Para outros grãos inteiros, o consumo de duas ou mais porções por semana, em comparação com menos de uma porção por mês, foi associado a um risco 21% menor no caso da farinha de aveia e 12 % menor risco de desenvolver diabetes para arroz integral e gérmen de trigo. “Ambos os estudos são observacionais, portanto, não podem estabelecer a causa, e há uma possibilidade de que alguns dos resultados possam ser devido a fatores não medidos. No entanto, ambos os estudos levaram em consideração vários fatores de risco de estilo de vida bem conhecidos e marcadores de qualidade da dieta, e as descobertas confirmam outras pesquisas que relacionam uma dieta saudável com uma saúde melhor”, afirma a médica nutróloga.

Dessa forma, ambas as equipes de pesquisa dizem que suas descobertas fornecem mais suporte para as recomendações atuais para aumentar o consumo de frutas, vegetais e grãos inteiros como parte de uma dieta saudável para prevenir o diabetes tipo 2. “E para frutas e vegetais, as descobertas também sugerem que o consumo mesmo de uma quantidade moderadamente maior entre as populações que normalmente consomem baixos níveis pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2, portanto incluir esses alimentos na rotina é fundamental por todos os seus benefícios”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Mucormicose: SBD esclarece como esta doença oportunista afeta pacientes com Covid-19

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgou nota de esclarecimento à população sobre fungo causador de micoses que, de acordo com relatos clínicos científicos, podem afetar pacientes de Covid-19 com problemas respiratórios e na pele. Segundo o Departamento de Micoses da SBD, a mucormicose – erroneamente chamada de fungo negro – é uma doença oportunista que, em geral, não tem potencial patogênico. Ou seja, pessoas sadias entram em contato com os fungos, mas não ficam doentes. Contudo, organismos debilitados ficam suscetíveis a maiores complicações.

“O conhecimento da doença e dos fatores predisponentes, como o descontrole da glicemia e da cetoacidose, facilitam o diagnóstico e o tratamento precoces da mucormicose. Esse é o principal aliado para salvar vidas, pois essa micose oportunista tem progressão rápida e é muitas vezes fatal, com mortalidade em 40%-50% dos casos. No Brasil, outras doenças do mesmo tipo, como a aspergilose invasiva e a candidíase sistêmica, são mais comuns do que a mucormicose nos pacientes com Covd-19, sendo que também exigem atenção semelhante”, disse a coordenadora do Departamento de Micoses da SBD, Rosane Orofino.

Grupo de risco

Os indivíduos mais vulneráveis à mucormicose são portadores de diabetes melito descompensado ou com cetoacidose. No grupo de risco, ainda estão usuários de corticoides de forma prolongada, além de pacientes com alguns tipos de câncer, queimados graves, portadores de feridas abertas e transplantados de órgãos sólidos. O aumento do ferro sérico e a diminuição dos linfócitos, que ocorrem na covid-19, também são fatores que predispõem a essa micose oportunista.

“Há algum tempo a Índia vem relatando aumento dos números da mucormicose e, curiosamente, é também o segundo país em casos de diabetes melito do mundo, o que pode ser fator de predisposição ao seu surgimento. Dos 101 casos dessa micose oportunista relacionados à Covid-19 descritos recentemente, 82 deles aconteceram na Índia”, lembrou Rosane Orofino.

A apresentação clínica mais frequente da mucormicose é rino-ocular. Começa com edema (inchaço) e endurecimento da região nasal ou em volta dos olhos, dor na face e secreção nasal sanguinolenta. Essa doença pode rapidamente progredir para lesão cerebral e morte, se não houver diagnóstico e tratamento precoces. Os fungos entram nos vasos sanguíneos, causam embolia e infarto, levando à necrose tecidual. A maioria dos casos que chegam a acometer o cérebro são fatais. Pode ainda ter acometimento pulmonar ou de outros órgãos.

Sintomas

Quando acomete os pulmões, os sintomas da mucormicose são parecidos com os da Covid-19 (febre, tosse e falta de ar). O uso de corticoides, usados para diminuir a inflamação intensa em pacientes com o coronavírus, também pode ser um dos fatores envolvidos no aparecimento dessa micose oportunista.

Sobre o tratamento, a SBD explica que ele consiste na retirada cirúrgica do tecido necrosado e infectado (desbridamento), o que ajuda na melhoria da cicatrização e na diminuição de secreções. Ainda é recomendado o emprego de antifúngicos sistêmicos em ambiente hospitalar, como anfotericina B, posaconazol e isavuconazol.

Os fungos da Ordem Mucorales são adquiridos pela inalação de conídios (esporos). Estão presentes no ar, solo, material orgânico em decomposição e contaminam alimentos como frutas, pães etc. Os principais são Rhizopus sp, Mucor sp, Lichtheimia sp, Rhizomucor sp, entre outros, que não são pretos, como vem sendo divulgado pelos meios de comunicação.

“Talvez a cor escura da lesão da pele e mucosa decorrente da necrose do tecido tenha levado a esse termo equivocado”, ressaltou a coordenadora do Departamento de Micoses da SBD.

Fonte: SBD

Pacientes diabéticos ganham um importante aliado para o controle glicêmico

Nutren Control, produto inovador da Nestlé que auxilia em dietas de controle glicêmico, tem uma fórmula exclusiva de nutrientes que inclui proteína, vitaminas e minerais

Sempre atenta em oferecer produtos que vão além da nutrição, contribuindo também com o bem-estar dos brasileiros, a Nestlé Health Science (NHSc), unidade da Nestlé voltada para o desenvolvimento de soluções de saúde e alimentação, lança Nutren Control. Além de auxiliar em dietas de controle glicêmico de pacientes diabéticos, o produto também oferece nutrientes essenciais como proteína, vitaminas e minerais.

Hoje, mais de 17 milhões de pessoas possuem diabetes no Brasil e cerca de 14 milhões são pré-diabéticas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Diabetes. Control chega ao mercado como uma solução inovadora do portfólio da marca Nutren e um dos importantes lançamentos do primeiro semestre de 2021.

“Se não for bem tratada, a diabetes pode ter sérias consequências e se associar a outras comorbidades, prejudicando não só o quadro de saúde do paciente como também a sua qualidade de vida. Hoje, além dos benefícios nutricionais, Nutren preza por ser um aliado de seus consumidores no que diz respeito ao bem-estar. Diante disso, buscamos desenvolver uma fórmula que entrega um suplemento rico em nutrientes que auxiliam no controle do problema, podendo contribuir com a prevenção de danos associados à doença e que podem se estender pelo decorrer da vida”, explica Rodrigo Mendes, Diretor da divisão Consumer Care da Nestlé Heatlh Science.

A novidade conta com uma fórmula exclusiva, cuja composição nutricional é superior às já existentes no mercado: possui carboidratos de lenta absorção (isomaltulose e amido de tapioca), que auxiliam no controle glicêmico, 15 gramas de proteína, sendo a fonte proteica caseína e whey protein, além de ômega-3 e fibras. O produto também é zero lactose, podendo ser consumido pelos intolerantes à substância.

Nutren Control pode ser encontrado nas principais redes farmacêuticas do país nos sabores baunilha e chocolate, com duas opções para consumo: em pó e bebida pronta, ao preço sugerido de R$ 79,90 e R$ 13,90, respectivamente.

Café da manhã equilibrado previne diabetes e doenças cardiovasculares

A refeição além de dar mais disposição, ajuda a evita excessos e consequentemente o sobrepeso

O café da manhã é uma das refeições mais importantes do dia, isto você já sabe. Responsável por conceder a energia necessária para a realização das atividades diárias, a refeição também mantém a pessoa alerta, disposta e com o metabolismo funcionando bem — durante a noite, para que o corpo consiga descansar, o metabolismo se torna mais lento e a partir do desjejum, volta ao funcionamento normal.

Um estudo da Universidade Columbia, nos Estados, constatou que pessoas que pulam o café da manhã, tendem a beliscar mais durante o dia e principalmente à noite, o que pode favorecer o exagero de comida e consequentemente resultar em ganho de peso, inflamação e resistência à insulina favorecendo assim a diabetes e doenças cardiovasculares.

A especialista em Nutrição e Educação Física Sue Lasmar aponta que para que o café da manhã cumpra seu papel, ele precisa ser completo, rico em proteínas, minerais, vitaminas e carboidratos. “Comer bem durante a manhã evita que haja exageros na hora do almoço pois, ajuda a prolongar a sensação de saciedade”, explica.

Sue Lasmar aponta ainda que pular essa refeição também atrapalha o processo de emagrecimento. “Ao ficar sem comer, o corpo começa a fazer reservas de gordura e dificulta o ganho de massa muscular”, garante.

O que comer?

Pixabay

Mamão papaia: rico em fibras, essa fruta ajuda a fazer um desjejum correto, além de ser rico em vitamina C

Leite desnatado: com uma concentração baixa de gordura, o leite supre as necessidades de cálcio diárias.

Klacomas/Pixabay

Cereais e pães: opte por integrais, que fornecem fibras e antioxidantes para a dieta. O consumo também garante o bom funcionamento intestinal e previne doenças.

Mel’s Kitchen Cafe

Ricota: além de não ter altos teores de sódio, o queijo é rico em cálcio, vitaminas A, B, D e E, e outros minerais como zinco e iodo.

Frutas ou sucos de fruta naturais: fontes de vitaminas e minerais. O ideal é evitar colocar açúcar.

Dia Mundial do Diabetes: país tem 500 novos casos diagnosticados por dia, aponta especialista

Doença metabólica atinge 16 milhões de brasileiros e, nos últimos dez anos, a taxa mundial de incidência cresceu mais de 60%; Biofarmacêutica Biomm lança campanha #ÉBomSaber para ampliar o conhecimento da população e estimular o diagnóstico precoce

Atualmente, cerca de 463 milhões de pessoas no mundo têm diabetes, segundo a Federação Internacional de Diabetes (IDF), sendo o Brasil a quarta maior população afetada. Os números assustam e ajudam a avaliar o tamanho do desafio para combater essa doença. E para reforçar a conscientização a respeito do problema, o dia 14 de novembro foi instituído pela IDF e pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como o Dia Mundial do Diabetes.

A doença metabólica crônica, segundo dados da OMS, atinge 16 milhões de brasileiros e, nos últimos dez anos, sua taxa de incidência cresceu 61,8% mundialmente. Muito falado, mas pouco conhecido, o diabetes tem duas causas principais causas diferentes: nos pacientes com tipo 1, o organismo deixa de produzir insulina, o hormônio que leva a glicose para dentro das células, para que o açúcar seja usado como combustível. Já em pacientes com tipo 2, o organismo não produz quantidade suficiente de insulina ou não consegue empregar de forma adequada o hormônio produzido.

Cerca de 500 novos casos são diagnosticados por dia, mas, ainda assim, muitas pessoas não sabem identificar a doença. Segundo Dr. Márcio Krakauer, endocrinologista do núcleo de tecnologia da Sociedade Brasileira de Diabetes, “devido à falta de conhecimento, quase metade das pessoas com diabetes não sabem que convivem com a doença e desconhecem os riscos desse problema para a saúde, o que pode gerar complicações graves, em virtude dos níveis elevados de açúcar no sangue.” Com isso em mente, a disseminação da informação é o primeiro passo para que a doença seja identificada e, então, tratada o mais rápido possível.

#Ébomsaber

Com o intuito de fomentar a busca pelo diagnóstico precoce do diabetes, a biofarmacêutica Biomm , pioneira no setor de medicamentos biológicos, responsável pela chegada da insulina inalável no Brasil, lança a campanha educativa “É bom saber”.

Com o intuito de fomentar a busca pelo diagnóstico precoce do diabetes, a biofarmacêutica Biomm , pioneira no setor de medicamentos biológicos, responsável pela chegada da insulina inalável no Brasil, lança a campanha educativa “É bom saber”.

A influenciadora digital Marina Collaço, paciente com diabetes que comanda a conta Diabética Tipo Ruim no Instagram, junto com Mário Márcio Barros, criador de conteúdo no perfil Diabetes de Boa , foram convidados pela companhia a dividirem suas histórias pessoais, desde os primeiros sintomas e o diagnóstico do diabetes, até os desafios encarados no dia a dia para manter a glicemia controlada. Celebridades como os atores José Loreto e João Fernandes também receberão o kit da campanha.

Além disso, ambos incentivarão seus seguidores a compartilharem seus relatos nas redes sociais, considerando informações que podem ajudar outras pessoas a identificarem a doença ou a lidarem com o diagnóstico que, no primeiro momento, pode não ser fácil.

“A Biomm busca constantemente por soluções que promovam melhor qualidade de vida aos portadores da doença. Pensando nisso, a campanha ganhará vida ao longo do final de semana do Dia Mundial do Diabetes, quando influenciadores digitais que vivem com a doença serão os grandes porta-vozes da causa. Faz parte da nossa missão institucional atuar na educação em saúde da sociedade”, destaca Caio Campos, gerente de Marketing da companhia.

A campanha será desdobrada nas redes sociais dos influenciadores e da Biomm , com o uso da #ÉBomSaber.

Fonte: Biomm

Dia Mundial do Diabetes: retinopatia diabética pode causar cegueira irreversível

Especialista do Hospital CEMA explica o que é a doença, quais os avanços no controle da enfermidade e como prevenir

Hoje é o Dia Mundial do Diabetes e quem sofre com a doença precisa cuidar dos olhos. No entanto, apesar da relação bem consolidada entre problemas de visão e diabetes, são poucos os que, de fato, se preocupam com a saúde ocular. Porém, deveriam. Diabéticos têm 25 vezes mais chances de ficarem cegos, de acordo com estimativa do Conselho Brasileiro de Oftalmologia.

Uma das enfermidades mais graves, nesse sentido, é a retinopatia diabética, que pode afetar até 40% dos diabéticos. Embora grave, a medicina segue avançando no tratamento desse problema, com novidades como a injeção intravítrea de antiangiogênicos. “Quando há edema na retina, principalmente na região macular, e outras condições que causem sofrimento do tecido retiniano, essa é uma das opções mais novas e eficazes”, explica o oftalmologista do Hospital CEMA, Antônio Sérgio Franca Neves.

A retinopatia ocorre em pacientes portadores de diabetes, principalmente aqueles que apresentam a doença há muito tempo ou sofrem com um quadro crônico de descompensação de glicemia. Na retinopatia, o desequilíbrio glicêmico leva a alterações na rede vascular da retina (tecido neurológico que cobre a parte interna do olho), tornando-a incapaz de exercer sua principal função: transformar estímulos luminosos em impulsos elétricos, para que o cérebro interprete essas imagens.

Uma das consequências mais graves é a cegueira irreversível. “Normalmente, é uma doença silenciosa. Os sintomas ocorrem quando afetam a região central, causando baixa acuidade visual progressiva. Em estágios avançados, há presença de manchas ou escurecimento súbito da visão, secundários à hemorragia e o descolamento tracional da retina”, explica o médico do CEMA.

A injeção intravítrea de antiangiogênicos funciona da seguinte forma: uma medicação de antiangiogênicos é aplicada diretamente no vítreo, que fica localizado na parte interna e posterior do olho, em contato direto com a retina. Os antiangiogênicos inibem a formação de novos vasos, ajudam ainda na regressão do quadro, além de melhorar o desequilíbrio gerado pela diabetes na circulação retiniana. O procedimento dura poucos minutos, não dói e raramente traz complicações.

Além desse tratamento, é possível administrar injeções de anti-inflamatórios, fotocoagulação a laser (para casos avançados) e a vitrectomia, uma cirurgia indicada para casos nos quais o paciente apresenta hemorragia vítrea (sangue na estrutura gelatinosa que fica em contato com a retina), descolamento de retina e alguns outros casos específicos. “Consiste no uso de instrumentos e aparelhos específicos para remoção do sangue do gel vítreo e das trações geradas pelo tecido cicatrizado. A ideia é restaurar ao máximo a anatomia dessas estruturas”, detalha o especialista.

Todos esses procedimentos são indicados de acordo com o caso e a evolução da doença. A melhor forma de prevenir a retinopatia diabética é fazer o controle dos índices glicêmicos, com acompanhamento multidisciplinar, e exames oftalmológicos de rotina, principalmente os que avaliam o fundo do olho.

Imagem mostra olho normal e olho com a retinopatia diabética – Ilustração: Researchgate

Nos últimos dez anos, o Brasil apresentou crescimento de 61,8% dos casos de diabetes, atingindo 8,9% da população, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Estimativas da Organização Mundial de Saúde apontam que cerca de 422 milhões de pessoas no mundo vivam com a doença, sendo que metade delas nem sabe que tem o problema. A Federação Internacional de Diabetes estima que, em 2040, a cada 10 adultos, 1 será diabético.

Fonte: Hospital Cema