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Dieta MIND ligada a melhor desempenho cognitivo – por Rubens de Fraga Júnior*

O envelhecimento afeta o corpo e a mente. Por exemplo, o tecido do cérebro humano envelhecido às vezes desenvolve aglomerados anormais de proteínas que são a marca registrada da doença de Alzheimer. Como você pode proteger seu cérebro desses efeitos?

Pesquisadores do Rush University Medical Center descobriram que idosos podem se beneficiar de uma dieta específica chamada dieta MIND, mesmo quando desenvolvem esses depósitos de proteína, conhecidos como placas amiloides e emaranhados, que são uma patologia encontrada no cérebro e se acumulam entre as células nervosas, normalmente interferindo nas habilidades de pensamento e resolução de problemas.

Desenvolvido pela falecida Martha Clare Morris, ScD, que era uma epidemiologista nutricional do Rush, e seus colegas, a dieta MIND é um híbrido das dietas mediterrânea e DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension). Estudos de pesquisa anteriores descobriram que a dieta MIND pode reduzir o risco de uma pessoa desenvolver a demência na doença de Alzheimer.

Agora, um estudo mostrou que os participantes do estudo que seguiram a dieta MIND moderadamente não apresentaram problemas de cognição, de acordo com um artigo publicado em 14 de setembro no Journal of Alzheimer’s Disease.

“Algumas pessoas têm placas e emaranhados suficientes em seus cérebros para ter um diagnóstico post mortem da doença de Alzheimer, mas não desenvolvem demência clínica durante a vida”, disse Klodian Dhana, MD, Ph.D., principal autor do artigo e professor assistente na Divisão de Geriatria e Medicina Paliativa do Departamento de Medicina Interna do Rush Medical College.

“Alguns têm a capacidade de manter a função cognitiva, apesar do acúmulo dessas patologias no cérebro, e nosso estudo sugere que a dieta MIND está associada a melhores funções cognitivas, independentemente das patologias cerebrais relacionadas à doença de Alzheimer.

Pesquisadores examinaram as associações de dieta – desde o início do estudo até a morte – patologias cerebrais e funcionamento cognitivo em idosos que participaram do Projeto de Envelhecimento e Memória em andamento do Rush Alzheimer’s Disease Center, que começou em 1997 e inclui pessoas morando na grande Chicago. Os participantes eram em sua maioria brancos sem demência conhecida, e todos concordaram em se submeter a avaliações clínicas anuais enquanto vivos, além de autópsia cerebral após sua morte.

Os pesquisadores acompanharam 569 participantes, que foram convidados a completar avaliações anuais e testes cognitivos para ver se haviam desenvolvido problemas de memória e julgamento. A partir de 2004, os participantes receberam um questionário anual sobre a frequência com que comeram 144 itens alimentares no ano anterior.

Usando as respostas do questionário, os pesquisadores deram a cada participante uma pontuação da dieta MIND com base na frequência com que os participantes comeram alimentos específicos. A dieta MIND tem 15 componentes dietéticos, incluindo 10 “grupos de alimentos saudáveis para o cérebro” e cinco grupos não saudáveis – carne vermelha, manteiga e margarina em barra, queijo, doces e tortas e frituras ou fast food.

Para aderir e se beneficiar da dieta MIND, uma pessoa precisaria comer pelo menos três porções de grãos inteiros, um vegetal de folhas verdes e um outro vegetal todos os dias – junto com uma taça de vinho – lanche quase todos os dias com nozes, e feijão dia sim, dia não, comendo aves e frutas vermelhas pelo menos duas vezes por semana e peixes pelo menos uma vez por semana. A pessoa também deve limitar a ingestão de alimentos não saudáveis designados, limitando a manteiga a menos de 1 1/2 colher de chá por dia e comendo menos de uma porção por semana de doces e tortas, queijo gordo integral e frituras ou fast food.

Com base na frequência de ingestão relatada para os grupos de alimentos saudáveis e não saudáveis, os pesquisadores calcularam a pontuação da dieta MIND para cada participante durante o período do estudo. Uma média da pontuação da dieta MIND desde o início do estudo até a morte do participante foi usada na análise para limitar o erro de medição. Sete medidas de sensibilidade foram calculadas para confirmar a precisão dos resultados.

“Descobrimos que uma pontuação mais alta na dieta MIND foi associada a melhores habilidades de memória e raciocínio, independentemente da patologia da doença de Alzheimer e outras patologias cerebrais comuns relacionadas à idade. A dieta parecia ter uma capacidade protetora e pode contribuir para a resiliência cognitiva em idosos”, disse Dhana.

“Mudanças na dieta podem afetar o funcionamento cognitivo e o risco de demência, para melhor ou para pior”, continuou ele. “Existem mudanças bastante simples na dieta e no estilo de vida que uma pessoa pode fazer que podem ajudar a desacelerar o declínio cognitivo com o envelhecimento e contribuir para a saúde do cérebro”.

Fonte: Klodian Dhana et al, MIND Diet, Common Brain Pathologies, and Cognition in Community-Dwelling Older Adults, Journal of Alzheimer’s Disease (2021). DOI: 10.3233/JAD-210107

*Rubens de Fraga Júnior é professor titular da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. Médico especialista em geriatria e gerontologia pela SBGG.

Dieta mediterrânea protege contra perda de memória e demência?*

De acordo com um novo estudo, seguir uma dieta mediterrânea rica em peixe, vegetais e azeite de oliva pode proteger seu cérebro de proteínas amiloides e tau, que podem levar à doença de Alzheimer. A pesquisa foi publicada na edição on-line de maio de 2021 da Neurology.

O estudo (Mediterranean Diet, Alzheimer Disease Biomarkers and Brain Atrophy in Old Age, Ballarini et al., Neurology) analisou proteínas anormais chamadas amiloide e tau. Amiloide é uma proteína que se forma em placas, enquanto tau é uma proteína que se forma em emaranhados. Ambos são encontrados no cérebro de pessoas com doença de Alzheimer, mas também podem ser encontrados no cérebro de pessoas idosas com cognição normal.

A dieta mediterrânea inclui alta ingestão de vegetais, legumes, frutas, cereais, peixes e ácidos graxos monoinsaturados, como azeite de oliva, e baixa ingestão de ácidos graxos saturados, laticínios e carne.

“Nosso estudo sugere que comer uma dieta rica em gorduras insaturadas, peixes, frutas e vegetais e pobre em laticínios e carne vermelha pode realmente proteger seu cérebro do acúmulo de proteína que levaria à perda de memória e demência”, disse o autor Tommaso Ballarini, Ph.D., do Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas (DZNE) em Bonn, Alemanha. “Esses resultados se somam ao conjunto de evidências que mostram que o que você come pode influenciar suas habilidades de memória mais tardiamente”.

O estudo analisou 512 pessoas. Destes, 169 eram cognitivamente normais, enquanto 343 foram identificados como tendo maior risco de desenvolver a doença de Alzheimer.

As habilidades cognitivas foram avaliadas com um extenso conjunto de testes para a progressão da doença de Alzheimer que analisou cinco funções diferentes, incluindo linguagem, memória e função executiva. Todos os participantes fizeram exames de imagem para determinar seu volume cerebral. Além disso, o fluido espinhal de 226 foi testado para biomarcadores de proteína amiloide e tau.

Os pesquisadores então observaram como alguém que seguia a dieta mediterrânea e a relação com o volume do cérebro, biomarcadores tau e amiloide e habilidades cognitivas.

Depois de ajustar para fatores como idade, sexo e educação, os pesquisadores descobriram que na área do cérebro mais intimamente associada à doença de Alzheimer, em cada ponto menor que as pessoas pontuaram na escala da dieta mediterrânea era igual a quase um ano de envelhecimento do cérebro.

Ao olhar para amiloide e tau no fluido espinhal das pessoas, aqueles que não seguiram a dieta de perto tinham níveis mais elevados de biomarcadores de patologia amiloide e tau do que aqueles que seguiram.

Quando se tratava de um teste de memória, as pessoas que não seguiram a dieta tiveram uma pontuação pior do que as que seguiram.

“Mais pesquisas são necessárias para mostrar o mecanismo pelo qual uma dieta mediterrânea protege o cérebro do acúmulo de proteínas e da perda de função cerebral, mas as descobertas sugerem que as pessoas podem reduzir o risco de desenvolver Alzheimer incorporando mais elementos da dieta mediterrânea em seu dia a dia”, disse Ballarini.

*Rubens De Fraga Júnior é professor da disciplina de gerontologia da Faculdade Evangélica Mackenzie do Paraná. Médico especialista em geriatria e gerontologia.

Hábito alimentar pode prevenir ou, até mesmo, reverter doenças, diz endocrinologista

Médico alerta sobre o importante papel que alimentação exerce no sistema imunológico indo muito além do controle da obesidade

Desde o início da vida escolar, todos aprendem sobre a importância dos alimentos para uma vida saudável como fonte de vitaminas e nutrientes. No entanto, parece que ao passar do tempo as pessoas começam a observar seu hábito alimentar apenas como um aliado no controle da obesidade e se esquecem que simples mudanças em sua rotina podem prevenir ou, até mesmo, reverter as doenças crônicas, ou doenças de estilo de vida.

Por isso, o Prof. Dr. Filippo Pedrinola, endocrinologista, sempre destaca o papel do alimento para o funcionamento saudável do sistema imunológico e alerta que “comida é informação para o seu corpo”.

O sistema imunológico é uma rede de proteção composta por células, tecidos, órgãos e até bactérias de nossa microbiota que atuam em nossa defesa contra invasores, sejam micro-organismos (bactérias, fungos, vírus etc) ou substâncias tóxicas. Mantendo, assim, um corpo saudável e livre de doenças, infecções ou alergias.

Desenvolver um sistema imunológico eficiente, ou seja, um organismo saudável, depende de vários fatores, entre eles, o mais importante é o hábito alimentar. “É por intermédio dos alimentos que nosso corpo absorve vitaminas, minerais e substâncias bioativas. Este é o principal motivo da indicação de uma dieta variada e rica em alimentos como frutas, legumes, verduras e grãos, evitando alimentos processados, com muita gordura e açúcar”, explica Pedrinola.

Microbiota é responsável por 70% dos sistema imunológico

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O corpo humano é colonizado por milhões de micro-organismos que, juntos, podem chegar a dois quilos, que é o peso aproximado do cérebro. Trata-se de bactérias que estão, em sua grande maioria, hospedadas no intestino e que exercem funções como se fossem um órgão responsável por 70% de todo o sistema imunológico de uma pessoa. Uma função protetora acontece por meio do deslocamento de patógenos, competição por nutrientes e receptores, além da produção de fatores antimicrobianos.

Além disso, a microbiota também está associada às funções metabólicas, por exemplo na síntese de vitaminas, biotina e folato, além da fermentação de resíduos de alimentos que não são digeridos.

Quando a microbiota está em desequilíbrio, o corpo passa a permitir uma maior atuação e proliferação de bactérias causadoras de doenças. Esse desequilíbrio, chamado de disbiose, pode ser causado por má alimentação (rica em gorduras saturadas e açúcares refinados), ingestão de álcool, fumo, infecções bacterianas, envelhecimento, medicamentos e, até mesmo, estresse e fadiga. Por isso, o grupo de risco para a disbiose são os portadores de doenças crônicas (como diabetes, hipertensão e câncer), idosos, crianças e atletas de alta performance.

“Um desequilíbrio na microbiota, ao contrário do que muita gente ainda acredita, não está ligado apenas a um desconforto intestinal. São inúmeros os sinais e sintomas causados pela disbiose, como alergias, rinites, infecções de vias aéreas, halitose, alterações de humor, insônia, enxaqueca, asma, eczema, dermatite atópica, psoríase, urticária, doença coronariana, fibromialgia, doenças articulares, diabetes, cólicas, diabetes e até a obesidade, tema da pesquisa inédita da Sociedade Americana de Microbiologia”, alerta Pedrinola.

Adotar a Dieta Mediterrânea é uma das práticas consideradas ideais

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Uma microbiota saudável já é uma grande aliada de um sistema imunológico eficiente. Hoje, depois de muitos estudos populacionais realizados em toda a história da humanidade, que o hábito alimentar considerado mais próximo do ideal é a chamada Dieta Mediterrânea. Uma afirmação baseada em inúmeros estudos científicos já publicados.

Após a 2ª Guerra Mundial, um fisiologista norte-americano chamado Ancel Keys desembarcou em Salermo, no sul da Itália. Ele observou que os habitantes da região banhada pelo Mar Mediterrâneo, de diferentes países e diferentes culturas, compartilhavam um hábito alimentar comum devido as características similares de clima, solo e vegetação. Apesar de rica em gordura, o pesquisador identificou que essa população apresentava baixíssimos índices de doenças cardiovasculares.

Basicamente, as refeições eram compostas por peixes de água salgada, azeite de oliva, oleaginosas, frutas, legumes, grãos integrais e derivados do leite como queijo e iogurte. Consumiam poucas quantidades de carne vermelha e alimentos processados.

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Ao adotar o mesmo hábito alimentar, é comprovada cientificamente a proteção cardiovascular, prevenção do diabetes e do câncer, melhora da função intestinal e estimula a atividade cognitiva do cérebro e prevenindo a temida doença de Alzheimer.

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Foto: Iude Richele

Fonte: Filippo Pedrinola é criador do protocolo Medicina de Estilo de Vida, formado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) com residência médica em clínica e endocrinologia no Hospital das Clínicas de São Paulo. Após período de um ano do Fellowship Program do Cedars Sinai Medical Center da University of California em Los Angeles (UCLA), doutor em endocrinologia pela Faculdade de Medicina da USP. Membro da The Endocrine Society dos Estados Unidos, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Associação Brasileira de Estudos sobre Obesidade (ABESO).

 

Dieta mediterrânea melhora microbiota intestinal e favorece envelhecimento saudável

Dieta baseada no consumo de frutas, hortaliças, cereais, leguminosas, oleaginosas, peixes e leite é capaz de prevenir perda de funções importantes do organismo e doenças como diabetes e aterosclerose, segundo pesquisa publicada em fevereiro na revista médica The BMJ.

Conforme envelhecemos, nosso organismo passa por uma série de mudanças, sofrendo com a debilitação de diversos mecanismos importantes. Como resultado, nos tornamos mais propensos a doenças inflamatórias, diminuição do desempenho cognitivo, sarcopenia e condições crônicas como diabetes e aterosclerose. De acordo com evidências científicas, tais problemas estão correlacionados com alterações na microbiota intestinal causadas pelo consumo de dietas extremamente restritivas e pouco variadas em alimentos.

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Mas a boa notícia é que um estudo publicado em fevereiro na revista médica The BMJ apontou que tais consequências do envelhecimento podem ser combatidas através da adoção da dieta mediterrânea no dia a dia.

“A dieta mediterrânea é caracterizada pelo alto consumo de alimentos como frutas, verduras, legumes, cereais, leguminosas como grão-de-bico e lentilha, oleaginosas como amêndoas, azeitonas e nozes, peixes, leite e derivados, incluindo iogurte e queijos. Vinhos, azeite de oliva e uma enorme variedade de ervas de cheiro também estão liberadas nessa dieta. Além disso, deve-se consumir pouco de carnes vermelhas, gorduras de origem animal, produtos industrializados e alimentos ricos em gordura e açúcar”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores investigaram de que maneira a adoção da dieta mediterrânea no dia a dia durante um ano é capaz de alterar a microbiota intestinal e reduzir a potencial debilitação do organismo. Essa investigação foi feita através da análise das “bactérias do bem” presentes no intestino de 612 indivíduos com idades entre 65 e 79 anos que viviam em 5 cidades europeias (Reino Unido, França, Holanda, Itália e Polônia) antes e depois desse período de um ano.

“Ao compararem as duas amostras os pesquisadores encontraram uma variedade de resultados benéficos correlacionados às alterações na microbiota intestinal, incluindo diminuição da debilidade de organismo e da inflamação e aumento no desempenho cognitivo, além de identificarem redução nos marcadores de moléculas como Interleucina-17, que possui papel em diversas patologias autoimunes e doenças crônicas inflamatórias intestinais, e Proteína C-Reativa, que aparece em valores elevados no organismo quando há a presença de infecções, aterosclerose e diabetes”, destaca a médica.

Com isso, pode-se concluir que a adoção de uma alimentação saudável e específica, como a dieta mediterrânea, é capaz de modular e alterar a composição da microbiota intestinal, que, por sua vez, tem o potencial de promover um envelhecimento mais saudável e livre de condições crônicas como diabetes e aterosclerose, melhorando assim a expectativa e a qualidade de vida do paciente.

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“Porém, é importante ressaltar que antes de adotar qualquer tipo de dieta você deve consultar um médico nutrólogo, pois ele poderá realizar uma avaliação de seu estado de saúde e prescrever a dieta ideal de acordo com as características de cada indivíduo, conmtemplando todos os grupos de alimentos para suprir as necessidades nutricionais específicas de cada um”, finaliza Marcella.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Dieta nórdica ganha adeptos pelo mundo, mas ela é muito diferente da mediterrânea?

Você deve ter notado que há uma nova dieta criando muito barulho na cena da saúde e bem-estar. É a dieta nórdica, e alguns nutricionistas acham que pode ser uma das maneiras mais saudáveis ​​de se alimentar. Ela foi construída quando especialistas em saúde começaram a descobrir por que, exatamente, o norte da Europa tinha taxas de obesidade mais baixas do que as dos Estados Unidos. A dieta nórdica foi desenvolvida com base na culinária tradicional encontrada na Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia.

Os especialistas chegaram à conclusão de que a causa das diferenças era a introdução de uma dieta mais ocidental em detrimento da dieta usual nórdica, que contém menos açúcar, menos gordura e duas vezes mais fibras. A dieta nórdica é caracterizada por um alto teor de frutas, legumes, cereais integrais e peixes. É muito semelhante à Dieta Mediterrânea, mas a maior diferença é a fonte de gordura: enquanto a mediterrânea enfatiza o azeite, a nórdica prefere o óleo de canola.

Um estudo anterior já havia relatado que a Dieta Nórdica era mais benéfica para a perda de peso e para a saúde, apresentando marcadores reduzidos de inflamação e melhores perfis de glicose e lipídios em comparação à dieta média dinamarquesa (próxima à dieta ocidental).

O que é a dieta nórdica?

A dieta nórdica é uma maneira de comer que se concentra em alimentos de origem local nos países nórdicos, os já citados Noruega, Dinamarca, Suécia, Finlândia e Islândia. Pode ser uma boa escolha do ponto de vista ambiental, pois enfatiza os alimentos de origem local e de criação sustentável. Comparado a uma dieta ocidental média, contém menos açúcar e gordura, mas o dobro de fibras e frutos do mar.

Alimentos para comer e evitar

A dieta nórdica enfatiza os alimentos tradicionais, sustentáveis e de origem local, com um forte foco naqueles considerados saudáveis.

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Foto: Alibaba

Coma frequentemente: frutas, bagas, legumes, verduras, batatas, grãos integrais, nozes, sementes, pães de centeio, peixe, frutos do mar, laticínios com pouca gordura, ervas, especiarias e óleo de canola.

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Coma com moderação: carnes de caça, ovos orgânicos, queijo e iogurte.

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Coma raramente: outras carnes vermelhas e gorduras animais.

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Não consuma: bebidas açucaradas, açúcares adicionados, carnes processadas, aditivos alimentares e fast-food refinados

A dieta nórdica é muito semelhante à dieta mediterrânea. A maior diferença é que enfatiza o óleo de canola em vez do azeite extravirgem. Como os críticos apontam corretamente, alguns dos alimentos da dieta nórdica não existiam nos países nórdicos séculos atrás.

Isso inclui laticínios com pouca gordura e óleo de canola, que são alimentos modernos. A maioria das frutas também não cresce bem no norte – exceto maçãs e poucas outras. Ainda assim, a dieta nórdica não foi projetada para refletir a dieta das pessoas nórdicas centenas de anos atrás. Em vez disso, enfatiza alimentos saudáveis que são adquiridos localmente na Escandinávia moderna.

Ajuda na perda de peso?

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Vários estudos avaliaram os efeitos da perda de peso da dieta nórdica. Em um deles, realizado em 147 pessoas obesas instruídas a não restringir calorias, as pessoas com dieta nórdica perderam 4,7 kg , enquanto as pessoas que seguiam uma dieta dinamarquesa típica perderam apenas 1,5 kg.

No entanto, em um estudo de acompanhamento um ano depois, os participantes da dieta nórdica haviam recuperado a maior parte do peso. Esses resultados são muito típicos para estudos de longo prazo sobre perda de peso. As pessoas perdem peso no começo, mas depois recuperam gradualmente ao longo de 1 a 2 anos.

Outro estudo de seis semanas apóia os efeitos de redução de peso da dieta nórdica, pois o grupo da dieta nórdica perdeu 4% do seu peso corporal – significativamente mais do que aqueles em uma dieta padrão.

Potenciais benefícios à saúde

Uma alimentação saudável vai além da perda de peso. Também pode levar a melhorias significativas na saúde metabólica e diminuir o risco de muitas doenças crônicas. Vários estudos examinaram os efeitos da dieta nórdica em marcadores de saúde.

Pressão sanguínea

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Em um estudo de 6 meses em pessoas obesas, a dieta nórdica reduziu a pressão arterial sistólica e diastólica em 5,1 e 3,2 mmHg, respectivamente – em comparação com uma dieta controle. Outro estudo de 12 semanas encontrou uma redução significativa na pressão arterial diastólica (o número mais baixo de uma leitura) em participantes com síndrome metabólica.

Colesterol e triglicerídeos

Embora a dieta nórdica seja alta em muitos alimentos saudáveis ​​para o coração, seus efeitos sobre o colesterol e os triglicerídeos são inconsistentes. Alguns estudos – mas não todos – encontram uma redução nos triglicerídeos, mas os efeitos no colesterol LDL (ruim) e HDL (bom) são estatisticamente insignificantes. Ainda assim, um estudo observou uma leve redução no colesterol não HDL, bem como as razões LDL-c / HDL-c e Apo B / Apo A1 (todos fatores de risco fortes para doenças cardíacas).

Controle de açúcar no sangue

A dieta nórdica não parece ser muito eficaz na redução dos níveis de açúcar no sangue, embora um estudo tenha observado uma pequena redução em jejum.

Inflamação

A inflamação crônica é um dos principais fatores de muitas doenças graves. Estudos sobre a dieta nórdica e inflamação dão resultados mistos. Um estudo encontrou uma redução no marcador inflamatório da PCR (proteína C-reativa), enquanto outros não observaram efeitos estatisticamente significativos. Outro estudo mostrou que a dieta nórdica reduziu a expressão de genes relacionados à inflamação nos tecidos adiposos do corpo.

Calorias

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A dieta nórdica é saudável porque substitui os alimentos processados por alimentos integrais e de ingrediente único. Pode causar perda de peso a curto prazo e alguma redução na pressão arterial e marcadores inflamatórios. No entanto, a evidência é fraca e inconsistente. Geralmente, qualquer dieta que enfatize alimentos integrais, em vez de junk food ocidental padrão, provavelmente levará a algumas melhorias na perda de peso e na saúde.

Não há contagem de calorias ou dieta intensiva – a dieta nórdica promove uma abordagem ao longo da vida para uma alimentação saudável. Na verdade, a “nova dieta” já existe há séculos e foi adaptada da Pirâmide da Dieta do Mar Báltico em 2004 para incluir mais sabores e valor nutricional. A nova versão promove mais alimentos de origem selvagem, menos aditivos alimentares, produtos orgânicos sempre que possível e mais refeições caseiras.

Como se compara à dieta mediterrânea?

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A dieta nórdica é bastante semelhante à bem conhecida dieta mediterrânea. Ambas incluem muitos peixes de água doce, vegetais de raiz, frutas e grãos integrais – como aveia e cevada – e limitam o consumo de carne vermelha, laticínios, açúcares e alimentos processados.

A principal diferença está nas gorduras oleosas. Como já foi dito, enquanto a mediterrânea sugere azeite, a nórdica opta pelo óleo de colza, também conhecido como óleo de canola. Ambos os óleos promovem um coração saudável, aumentando o bom colesterol (HDL) e eliminando o colesterol ruim (LDL).

“Ambos são óleos vegetais com grandes quantidades de ômega-3. Como o óleo de canola tem menos gordura saturada que o azeite, é considerado mais saudável, no entanto, ambos têm um uso recomendado diferente na cozinha ”, afirma Nancy P. Rahnama, médica bariátrica de Los Angeles.

Por exemplo, o azeite, que é mais rico em antioxidantes, é mais saboroso e normalmente é usado para saladas e coberturas, enquanto o óleo de canola pode suportar mais calor, e pode ser usado ao cozinhar e assar em temperaturas mais altas.

A longa lista de benefícios à saúde

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Uma das principais razões pelas quais os nutricionistas gostam tanto da dieta nórdica é por causa de todos os benefícios de saúde apoiados por pesquisas às quais está associada. A Organização Mundial da Saúde (OMS) descobriu que as dietas mediterrânea e nórdica reduzem o risco de câncer, diabetes tipo 2 e doenças cardíacas. Outros estudos revelaram que pode reduzir os níveis de pressão arterial sistólica e diastólica, normalizar os níveis de colesterol e ajudar as pessoas a perder peso ou manter um peso saudável.

Além disso, como a dieta é bastante semelhante às dietas anti-inflamatórias – que tradicionalmente consistem em frutas, vegetais, proteínas magras e gorduras saudáveis ​​- foi demonstrado que reduz a inflamação nos tecidos gordurosos e, consequentemente, os riscos à saúde relacionados à obesidade.

Pode até ajudar as mulheres que estão tentando engravidar

“Esse estilo de vida se alinha com as recomendações que dou aos meus clientes quando eles estão tentando conceber”, disse Lauren Manaker, nutricionista e proprietária do Nutrition Now Counseling. “Uma dieta pobre em alimentos processados ​​e carboidratos refinados, além de consumir principalmente proteínas vegetais e frutos do mar e de alto consumo de frutas e legumes, está correlacionada com o aumento das chances de gravidez”.

Também é boa para o planeta Terra

Além disso, a dieta nórdica é ambientalmente sustentável, pois se concentra no consumo de ingredientes locais frescos. Como resultado, menos gases de efeito estufa são emitidos. “As dietas à base de plantas criam menos poluição, porque usam menos recursos naturais do que as dietas pesadas”, disse Lauren Cadillac, nutricionista e personal trainer certificada.

“Também podemos reduzir o consumo de energia e o desperdício comendo alimentos produzidos localmente. Uma grande razão pela qual eu gosto dessa dieta é que ela retira o foco das calorias e o coloca na qualidade”, acrescentou Lauren.

Uma opção acessível e equilibrada

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Embora a dieta mediterrânea tenha sido mais pesquisada, o crescente interesse pela dieta nórdica já descobriu que ela é igualmente saudável, se não mais. Sem mencionar que a nórdica se concentra em consumir o que há de temporada e não quebra o orçamento. Os produtos sazonais tendem a ser um pouco mais baratos, pois são mais amplamente disponíveis.

Portanto, se você deseja fazer algo de bom para o seu corpo, e para o planeta, vale a pena tentar a dieta nórdica. Ela é embalada com uma tonelada de nutrientes, vitaminas e minerais que seu corpo precisa para sobreviver e prosperar.

Fonte: Healthline

Dieta mediterrânea pode reduzir o risco de degeneração macular

Estudo é o primeiro a mostrar que a cafeína pode ser protetora contra a degeneração macular relacionada à idade

Pessoas que seguem a dieta mediterrânea – especialmente pela ingestão de frutas – podem ter um terço menos probabilidades de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade, de acordo com um estudo apresentado na AAO 2016, 120ª reunião anual da Academia Americana de Oftalmologia. O estudo é o primeiro a identificar que a cafeína pode ser um fator de proteção contra a degeneração macular.

Muitos estudos já confirmaram os benefícios da dieta mediterrânica para a saúde, que enfatiza a ingestão de frutas, legumes, cereais integrais, leguminosas, nozes, gorduras saudáveis e peixes, limitando a carne vermelha e a manteiga. A dieta tem sido apontada como uma forma de melhorar a saúde do coração e de reduzir o risco de câncer, mas poucas pesquisas sobre os seus benefícios se estendiam dobre as doenças oculares.

“Para averiguar esse aspecto, os pesquisadores estudaram parte da população portuguesa para ver se a adesão à dieta mediterrânea impactaria o risco de degeneração macular das pessoas. Os achados revelaram uma redução significativa do risco naqueles que ingeriram uma dieta mediterrânica com mais frequência e particularmente entre aqueles que consumiam mais frutas e cafeína”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do IMO, Instituto de Moléstias Oculares.

Pesquisadores da Universidade de Coimbra, em Portugal, estudaram 883 pessoas com 55 anos ou mais, na região central do país, entre 2013 e 2015. Destes, 449 tinham degeneração macular em seus estágios iniciais, antes da perda de visão, e 434 não tinham a doença. Os pesquisadores avaliaram suas dietas com base em um questionário, perguntando quantas vezes comiam alimentos associados com a dieta mediterrânea. Quanto mais os participantes comiam alimentos associados com a dieta, maior a pontuação entre 0-9. Aqueles que seguiram direitinho a dieta marcaram 6 pontos ou mais.

Os resultados foram os seguintes:

· “As pontuações que indicavam maior adesão à dieta significavam menor risco de degeneração macular. Dentre aqueles que não seguiam estritamente a dieta (pontos abaixo de 6), 50% tinham degeneração macular. Dos que seguiam estritamente a dieta (ponto acima de 6 ou mais), apenas 39% tinham degeneração macular. Isto representa um risco 35% menor em comparação com aqueles que não aderiram à dieta”, afirma o oftalmologista Juan Caballero, que também integra o corpo clínico do IMO;

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· As frutas foram especialmente benéficas. “Os pesquisadores analisaram o consumo de alimentos e descobriram que as pessoas que consumiram níveis mais elevados de frutas são significativamente menos propensas a desenvolver degeneração macular. Entre os que consumiram 150 gramas ou mais de frutas por dia: 54,5% não tinham degeneração macular e 45,5% tinham a doença. No geral, as pessoas que comeram mais frutas, a cada dia, apresentaram quase 15% menos probabilidades de ter degeneração macular”, informa Juan Caballero;

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· Cafeína e antioxidantes também são protetores. Os pesquisadores usaram um programa de computador para analisar o consumo de micronutrientes dos participantes, de acordo com as respostas dos questionários. “Eles encontraram que um maior consumo de antioxidantes, tais como cafeína, betacaroteno e vitaminas C e E, é fator protetor contra a degeneração macular. Entre os que consumiram altos níveis de cafeína (cerca de 78 mg por dia ou o equivalente a uma xícara de café expresso): 54,4% não tinham degeneração macular e 45,1% tinham degeneração macular”, diz o médico.

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Embora a cafeína não seja considerada parte da dieta mediterrânica, por si só, o consumo de alimentos que contêm cafeína, como café e chá, é comum nos países mediterrânicos. Os pesquisadores optaram por destacar o papel da cafeína porque a substância é um antioxidante poderoso, conhecido por ser protetor contra outras condições, tais como a doença de Alzheimer.

“Esta pesquisa reforça a evidência de que uma dieta saudável, rica em frutas é importante para a saúde, incluindo, agora, o dado de proteção contra a degeneração macular. O trabalho pode ser um trampolim para a medicina preventiva eficaz na degeneração macular”, afirma o oftalmologista Juan Caballero.

Fonte: IMO