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Dieta mediterrânea pode prevenir câncer de intestino

Rica em hortaliças e alimentos naturais, a dieta mediterrânea pode ajudar no bom funcionamento intestinal

Sabe-se que hábitos saudáveis são fundamentais na prevenção de doenças. Entre esses hábitos, a alimentação, fonte primordial de macro e micronutrientes, inclusive antioxidantes, tem um papel central. Dentre várias dietas, uma tem chamado a atenção dos proctologistas – a mediterrânea. Segundo os médicos, essa dieta pode prevenir o câncer de intestino.

O câncer de intestino, de acordo com o Instituto nacional do Câncer – INCA, deve atingir, ainda em 2020, mais de 40 mil pessoas no Brasil. Conhecido como câncer colorretal, a neoplasia tem uma taxa de mortalidade de cerca de 19 mil mortes anuais. Além disso, é o segundo tipo mais comum, excetuando-se o câncer de pele não melanoma.

Fator de risco

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Segundo o oncologista do Grupo OncoProcto do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte, Ricardo Cembranelli, um dos fatores de risco para a incidência de câncer no intestino é a má alimentação. “O consumo de embutidos, alimentos ultraprocessados e gorduras saturadas, por exemplo, pode provocar inflamações que, a longo prazo, correm risco de se tornarem cancerígenas”, explica.

Simone Silvestre, médica especialista em nutrologia, também do grupo OncoProcto, lembra que, em geral, uma dieta rica em alimentos in natura promove importantes efeitos no organismo. “Os alimentos in natura parecem ter funções ainda não inteiramente entendidas pela ciência. Um bom exemplo são as evidências que mostram que eles são mais eficazes que um suplemento vitamínico”, comenta.

Dieta mediterrânea

Um estudo divulgado pelo GUT, jornal internacional líder em Gastroenterologia e Hepatologia, mostrou que a dieta mediterrânea reage positivamente com a microbiota intestinal e ajuda a promover o envelhecimento saudável. “Essa dieta é baseada nos hábitos alimentares de países mediterrâneos e é rica em hortaliças, frutas, grãos integrais, nozes, azeite, laticínios, aves, frutos do mar, feijão e ovos. Além desses alimentos, há um menor consumo de carne vermelha”, explica Simone.

Segundo a médica, esses alimentos são fonte de antioxidantes e fibras, componentes que auxiliam o corpo a permanecer saudável e são moduladores da microbiota. “Os antioxidantes ajudam a eliminar radicais livres, que são substâncias que podem danificar nossas células e predispor a neoplasias. Já as fibras auxiliam no funcionamento intestinal, e são utilizadas na produção de ácidos graxos de cadeia curta, que têm, entre outros, uma função protetora de células colônicas”, explica. “Por outro lado, a redução no consumo da carne vermelha está associada a uma diminuição do câncer colorretal”, completa.

Simone pondera que, ao falar de hábitos saudáveis, muitas vezes isso se refere ao estilo de vida mediterrâneo. “Além da ingestão dos alimentos citados, valoriza-se também a ingestão adequada de líquidos, a prática de atividade física e o convívio social’, podera.

Indicação e contraindicação

Cembranelli lembra que, para quem tem casos de câncer de intestino na família, é interessante adotar o quanto antes esse tipo de dieta. “Ter casos na família é um dos fatores de risco para os cânceres no intestino. Então, atentar-se à alimentação pode fazer a diferença depois”, orienta.

Já Simone destaca que a dieta mediterrânea é considerada uma das dietas mais saudáveis do mundo, auxiliando não somente na prevenção do câncer como também na prevenção de doenças cardiovasculares.

Entretanto, caso haja o diagnóstico de um câncer e se inicie o tratamento, a dieta deve ser avaliada por um profissional capacitado, uma vez que os objetivos nesse período são diferentes e com efeito imediato. Isso porque as vantagens da dieta mediterrânea se manifestam em longo prazo, enquanto o tratamento pode ter repercussões nutrológicas importantes, necessitando de cuidados específicos.

“Essa situação precisa ser avaliada com cuidado, pois em pessoas que evoluem com perda de peso, é preciso que sejam realizados ajustes na dieta visando a prevenção de desnutrição e melhora de resultados”, salienta.

Fonte: Grupo Onco-Procto do Hospital Felício Rocho

Dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta desenvolvimento de doenças cardíacas e morte

Um estudo global, que conta com a participação de habitantes dos cinco continentes, revela que uma dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta o risco de ataques cardíacos, derrames e consequentemente, morte.

O levantamento constata que os riscos de uma dieta glicêmica elevada foram semelhantes às pessoas que tinham ou não doenças cardiovasculares anteriores.

O estudo publicado no New England Journal of Medicine é o maior já registrado, que engloba uma população geograficamente diversificada, já que estudos anteriores se concentraram principalmente em países ocidentais de alta renda.

Um total de 137.851 pessoas, de 35 a 70 anos, foram acompanhadas por uma média de 9,5 anos pelo estudo Population Urban and Rural Epidemiology (PURE), realizado pelo Population Health Research Institute (PHRI), da Universidade McMaster e Hamilton Health Sciences. No Brasil, o estudo é coordenado pelo Prof. Dr. Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Foto: James Hills/Pixabay

Para o levantamento das informações do estudo, foram feitos questionários alimentares para medir a ingestão a longo prazo dos participantes e estimar o índice glicêmico (o ranking de alimentos com base em seu efeito sobre os níveis de açúcar no sangue) e a carga glicêmica (a quantidade de carboidratos em um alimento x seu índice glicêmico) de dietas. Foram registrados 8.780 óbitos e 8.252 eventos cardiovasculares de grande porte entre os participantes durante o período de seguimento.

Os pesquisadores categorizaram a ingestão de carboidratos pelos tipos que aumentaram mais os níveis de açúcar no sangue do que outros (alto índice glicêmico), e compararam esse índice com a ocorrência de doenças cardiovasculares ou morte.

O grupo que tinha uma dieta com índice glicêmico 20% mais alto, eram 50% mais propensas a ter um evento cardiovascular, derrame ou morte se tivessem um problema cardíaco pré-existente, ou 20% mais propensos a ter um evento destes, se não tivessem uma condição pré-existente. Esses riscos também foram maiores entre as pessoas obesas.

“Estamos estudando o impacto de dietas glicêmicas altas há muitas décadas, e esta pesquisa ratifica que o consumo de altas quantidades de carboidratos de má qualidade é um problema em todo o mundo”, explica o primeiro autor David Jenkins, professor de ciências nutricionais e medicina da Faculdade de Medicina Temerty da Universidade de Toronto, que também é cientista do Li Ka Shing Knowledge Institute of St. Michael’s Hospital, Unity Health Toronto.

“Os trabalhos de estudo PURE já indicaram que nem todos os alimentos ricos em carboidratos são iguais. Dietas ricas em carboidratos de baixa qualidade estão associadas à redução da longevidade, enquanto dietas ricas em carboidratos de alta qualidade, como frutas, legumes e leguminosas, têm efeitos benéficos”, diz. A maioria das frutas, legumes, feijões e grãos integrais intactos tem um baixo índice glicêmico, enquanto pão, branco, arroz e batatas têm um alto índice glicêmico.

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O pesquisador da PHRI, Mahshid Dehghan acrescenta “Este estudo também deixa claro que, entre uma população diversificada, uma dieta baixa tanto em seu índice glicêmico quanto na carga, tem um menor risco de doenças cardiovasculares e morte.”

“Os dados atuais, juntamente com publicações anteriores do PURE e de vários outros estudos, enfatizam que o consumo dos carboidratos de má qualidade provavelmente será mais adverso do que o consumo da maioria das gorduras na dieta”, disse Salim Yusuf, autor sênior do PURE, diretor executivo do PHRI e professor de medicina na McMaster. “Isso exige uma mudança fundamental em nosso pensamento sobre quais tipos de dieta provavelmente serão prejudiciais, e quais tipos neutros ou benéficos”,

“O estudo feito com a população de todos os continentes, comprova que o consumo de grandes quantidades de carboidratos de baixa qualidade associado à redução de longevidade é um problema mundial. Estes achados permitem estabelecermos políticas de saúde alimentar visando promoção de saúde e prevenção cardiovascular”, explica Alvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Os grãos consumidos nesses tipos de carboidratos, e os produtos à base dele, representam cerca da metade das calorias que as pessoas consomem em um dia. Em algumas regiões da África e da Ásia, porém, eles chegam a ser 70% do consumo calórico”, complementa Avezum.

O estudo PURE, consiste em uma plataforma do entendimento do adoecimento cardiovascular no mundo, e que está em andamento há 18 anos, reunindo dados de 101 países, com 300 mil indivíduos no mundo. É apoiado por dezenas de agências governamentais de saúde, instituições de caridade e empresas farmacêuticas, entre várias organizações, de todos os países participantes do estudo.

No Canadá, os principais apoiadores incluíram os Canadian Institutes of Health Research, Heart and Stroke Foundation of Ontario, Ontario Ministry of Health and Long-Term Care and Hamilton Health Sciences Research Institute through, a PHRI.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Dieta low carb não está associada a danos renais

Pelo contrário, estratégia alimentar que prioriza o consumo de proteínas e gorduras tem eficácia comprovada no tratamento de diabetes e hipertensão, duas grandes causas de doença renal crônica

A doença renal crônica é uma epidemia mundial. A estimativa é de que 850 milhões de pessoas apresentem essa condição. De acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), somente no Brasil mais de 10 milhões de pessoas sofrem com a perda progressiva da função dos rins e 90 mil necessitam da diálise para garantir qualidade de vida.

Como diabetes e hipertensão arterial sistêmica são dois dos grandes responsáveis por prejudicar os rins, a dieta low carb pode aparecer como uma alternativa ao combate deste mal em algumas ocasiões bem específicas, já que a estratégia alimentar restringe a ingestão de carboidrato, que em excesso no organismo leva ao desenvolvimento da diabetes tipo 2 e de outras doenças crônicas.

Conforme o médico, diretor-presidente da Associação Brasileira Low Carb (ABLC), José Carlos Souto, tal constatação pode parecer errada, haja visto que a tese difundida não apenas pelo senso comum como por médicos e profissionais da área de nutrição é de que, por privilegiar o consumo de proteína, a dieta low carb não é recomendada para quem sofre de doença renal. Isto porque, segundo Souto, já foi constatado que pacientes com insuficiência renal crônica têm dificuldade em excretar diversas substâncias, entre elas as derivadas do metabolismo de proteínas. Daí, explica o médico, conclui-se que comer muita proteína lesa os ruins, e que o macronutriente não ser consumido em grandes quantidades, tanto por quem tem quanto por quem não tem problemas nos rins.

Dito isso, inicialmente, Souto esclarece que a estratégia alimentar continuamente defendida pela entidade como a melhor para combater a obesidade, esteatose hepática, síndrome metabólica e hipertensão, não é necessariamente hiperproteica.

“Estudos comparando diversos tipos de dietas constataram que as proteínas tendem a ser o macronutriente mais constante e que carboidratos e gorduras apresentam maior variação de quantidade”, explica o médico. Conforme o especialista, isto acontece porque as pessoas tendem a consumir uma certa quantia de proteína naturalmente até satisfazerem o apetite. “Além disso, o que caracteriza uma dieta low carb não é o consumo de proteína e sim a restrição de carboidratos”, diz.

Contudo, mesmo que a low carb fosse hiperproteica, desde que respeitados alguns limites, não haveria problemas, segundo o médico. Isto porque diversas pesquisas científicas já mostraram não haver associação entre consumo de proteína e dano renal. Como exemplo, o médico endocrinologista, diretor-científico de Medicina da ABLC, Rodrigo Bomeny, cita um estudo randomizado que comparou os efeitos de uma dieta low carb e um dieta tradicional balanceada de carboidratos não refinados (high carb) sobre a função renal em adultos obesos, com diabetes tipo 2 e sem doença renal.

Depois de um ano de acompanhamento, os pesquisadores constataram que a taxa de filtração glomerular e a albuminúria – indicadores estabelecidos da presença e progressão da doença renal – dos pacientes responderam de forma semelhante a ambas as dietas. Vale salientar que o grupo low carb consumiu mais proteínas do que o grupo high carb.

Se foi comprovado que consumir mais proteína não está relacionado a danos renais, ainda resta a dúvida de que dietas desse tipo não devam ser recomendadas a pessoas que já sofrem de doença debilitante nos rins. Nesse caso, primeiramente é preciso saber a gravidade da disfunção renal, que varia entre grau 1 (mais leve) e grau 5 (mais grave).

Levando isso em consideração, um ensaio clínico randomizado foi realizado para testar a modificação de dieta em pacientes com doenças renais. Nesse estudo, uma parcela de pacientes com disfunção renal moderada foi orientada a ingerir 1,3 gramas de proteína diariamente (por quilo de peso corporal). Outra parcela alimentou-se de 0,6 g/Kg. Os portadores de disfunção renal severa foram separados de forma semelhante.

Um grupo ingeriu 0,6 g/Kg e o outro grupo consumiu 0,3 g/Kg. Após um período médio de 2,2 anos de acompanhamento, os pesquisadores verificaram que não houve diferença da progressão da doença renal a despeito da quantidade de proteína na dieta. Ainda atestaram que o grupo que ingeriu 1,3 g/Kg diariamente apresentou uma leve tendência de perda mais lenta da função renal.

Ou seja, além de não fazer mal, uma dieta com quantidade adequada proteína pode ter efeitos benéficos a quem tem o funcionamento dos rins prejudicado. Outra comprovação disso, conforme o diretor-presidente da ABLC, é um estudo californiano que testou a hipótese de uma dieta restrita em carboidratos (low carb) poder retardar a progressão de doença renal causada pelo diabetes quando comparada à dieta tradicional. Na pesquisa em questão 191 pacientes foram randomizados.

O grupo low carb não foi orientado a restringir proteínas, apenas a substituir carnes ricas em ferro (potencial ofensor do rim) por carnes pobres neste mineral, como frangos e peixes. Ao grupo controle foi recomendado uma dieta padrão para quem tem insuficiência renal, com restrição proteica (0,8 g/Kg).

Após tempo médio de acompanhamento de quase quatro anos, enquanto no grupo low carb, a duplicação da creatinina (que indica piora significativa da doença renal) ocorreu em 21% dos pacientes, no grupo com dieta tradicional, 39% viram a concentração dessa substância no sangue dobrar. O grupo low carb levou vantagem também em relação ao desfecho composto da doença renal. No grupo que não restringiu proteínas, 20% dos pacientes evoluíram para doença renal crônica terminal ou morte. Já no grupo controle 39% das pessoas estudadas caminharam para esses resultados.

Souto destaca que a dieta associada a maior mortalidade e maior evolução para insuficiência renal crônica grave contava com 10% de proteínas. Por sua vez, a dieta que apresentou redução absoluta na duplicação da creatinina possuía de 25% a 30% de proteínas em sua composição.

“Não se trata de propor uma dieta hiperproteica para pessoas com insuficiência renal. Mas, quando um ensaio clínico randomizado indica que a dieta com menos carboidrato e mais proteína protege o rim de pessoas com insuficiência renal crônica já estabelecida, não há mais como sustentar a afirmação de que pessoas normais estão sobrecarregando seus rins ao seguir uma dieta low carb”, conclui.

Fonte: Associação Brasileira Low Carb (ABLC)

Para emagrecer não é necessário abandonar todos os tipos de carboidratos

Se a primeira coisa que você pensa em abandonar quando quer perder peso é o carboidrato, está na hora de rever seus conceitos. Diminuir as porções, no geral, é mais adequado

As dietas mais populares e da moda se concentram em limitar a ingestão de carboidratos e parecem produzir resultados bastante legítimos para muitas pessoas. Portanto, faz sentido que, para perder peso, você pense primeiro em eliminar os carboidratos da dieta, certo? Você não está errado, mas não está totalmente certo.

“Os carboidratos são um nutriente importante, e há muitos conceitos errados sobre quando e como comer carboidratos quando sua meta é perder peso. Além disso, cortar carboidratos pode ser muito difícil e atrapalhar uma série de questões no organismo, pois eles são responsáveis pelo fornecimento de energia. E a maioria das pessoas pode perder peso sem cortar drasticamente os carboidratos”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Primeiro, o que exatamente são carboidratos e o que eles fazem?

Carboidratos são nutrientes e a fonte de energia mais importante para o corpo, de acordo com a Biblioteca Nacional de Medicina dos EUA. Seu sistema digestivo converte carboidratos em glicose (também conhecida como açúcar), que o corpo usa para gerar energia para as células, tecidos e órgãos.

“Os carboidratos também são divididos em duas categorias diferentes: carboidratos simples e complexos. Carboidratos simples incluem açúcares, farináceos refinados como trigo branco, amido de milho e polvilho, doces em geral, sorvetes, arroz branco, pães brancos, massas de trigo refinado, sucos concentrados, salgadinhos de pacote, sucos de frutas concentrados, bebidas açucaradas, refrigerantes regulares; enquanto carboidratos complexos incluem cereais como arroz, trigo, aveia, milho, cevada e centeio integrais, sementes, frutas, vegetais folhosos, legumes e tubérculos como as batatas, mandioca, cenoura, beterraba. Seu corpo tende a digerir carboidratos simples mais rapidamente, enquanto os carboidratos complexos fornecem uma fonte de energia mais duradoura”, afirma Marcella.

Então, quanto carboidrato devo comer por dia para perder peso?

As diretrizes dietéticas recomendam que você obtenha entre 45 a 65 por cento de suas calorias diárias de carboidratos. “Mas, como todos precisam de um número diferente de calorias todos os dias, não existe um número definido de carboidratos que seja igual a uma dieta “baixa em carboidratos” para todos. Se você sabe quantas calorias normalmente consome diariamente, pode fazer um pouco de matemática para encontrar a faixa de baixo teor de carboidratos: por exemplo, se você está comendo 1.800 calorias por dia, isso equivale a 203 a 293 gramas de carboidratos por dia. Reduzir carboidratos abaixo da faixa de 45 a 65 por cento não é recomendado para a maioria das pessoas porque torna a obtenção de todas as vitaminas e minerais a cada dia muito mais difícil”, diz a médica.

A questão genética deve ser observada com atenção através de exames. De acordo o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral da Multigene, laboratório especializado em análise genética e exames de genotipagem, três genes têm destaque quando o paciente é propenso ao acúmulo de gordura: FTO, INSIG2 e POMC. “No caso da desregulação desses genes, o corpo gasta menos energia e ganha mais peso, da mesma forma que ele acumula mais gordura. Para cada alelo de risco (o par do DNA), quando um está alterado, há um ganho de 1,13kg: é o caso de pessoas que engordam com muita facilidade”, afirma Sady.

Segundo Marcella, nesse caso, o paciente responde bem a uma dieta hiperproteica e somente se sente saciado quando consome fibras e vegetais que melhoram a saciedade. Com isso em mente, explica a médica, talvez você precise fazer algumas modificações para encontrar o ponto ideal que funciona melhor para você e seus objetivos de perda de peso. Ela sugere obter cerca de 45% de suas calorias diárias de carboidratos preferencialmente complexos, se você está tentando perder peso, e usar ferramentas como aplicativos para controlar essa ingestão.

De acordo com Marcella, você pode querer atingir o limite inferior da faixa de carboidratos ou não consumir carboidratos simples se tiver diabetes ou outros distúrbios metabólicos que exigem que você mantenha o açúcar no sangue estável e níveis mais baixos de insulina: “Se você tem problemas digestivos, especialmente constipação, o uso de carboidratos complexos é interessante, uma vez que uma dieta rica em fibras, como cereais integrais, sementes, frutas e vegetais melhoram o funcionamento intestinal”.

“A chave para manter o controle dos carboidratos é abastecer-se de variedades saudáveis de carboidratos, como grãos integrais, frutas, vegetais em geral e legumes, mantendo as porções sob controle e em equilíbrio com outros macronutrientes”, argumenta a médica. Essas fontes saudáveis de carboidratos também são repletas de fibras, de modo que o saciam mais rápido e reduzem o apetite melhor do que, digamos, massas e donuts.

Como uma dieta baixa em carboidratos o ajuda a perder peso, exatamente?

Em um nível muito básico, a perda de peso acontece quando o número de calorias consumidas é menor do que o número de calorias queimadas. Comer com baixo teor de carboidratos é uma maneira de chegar lá, mas não é a única – principalmente se você sobrecarrega em gorduras e proteínas. “Mais importante do que a grande quantidade de carboidratos é o tipo de carboidrato que você ingere; substituir carboidratos simples, como grãos refinados e açúcar, por carboidratos complexos, como carboidratos de vegetais e legumes, pode ter muitos dos mesmos benefícios do baixo teor de carboidratos”, explica a nutróloga.

Frutas, vegetais, legumes, nozes, grãos inteiros e tubérculos contêm carboidratos, mas são minimamente processados e carregados com fibras e outros nutrientes. “Nenhuma pesquisa mostrou que comer esses tipos de carboidratos impede a perda de peso saudável”, explica Marcella, acrescentando que os carboidratos encontrados em alimentos processados como massas, bagels, muffins, biscoitos, refrigerantes e doces não contêm muitos nutrientes e são os principais culpados pelo ganho de peso e problemas metabólicos.

Por exemplo, uma revisão de 2017 no International Journal of Environmental Research and Public Health sugere que carboidratos simples como açúcares e adoçantes podem aumentar a taxa de obesidade de uma população, de forma que carboidratos complexos como cereais integrais podem contribuir para uma diminuição geral nas taxas de obesidade.

Além da diferença nos benefícios para a saúde entre carboidratos simples e complexos, Marcella explica que existem duas outras maneiras de uma dieta baixa em carboidratos levar à perda de peso: em primeiro lugar, evita picos de açúcar no sangue, ao mesmo tempo que melhora a sensibilidade à insulina. “Isso significa que você sentirá fome com menos frequência e terá menos probabilidade de armazenar energia como gordura”.

Quando você limita os carboidratos, é mais provável que você obtenha mais calorias diárias de proteínas e gorduras, ambas mais satisfatórias do que os carboidratos. “Você pode comer menos calorias no geral porque fica mais satisfeito com o que está comendo”, diz a nutróloga.

Você pode comer poucos carboidratos?

Com certeza. Muitas pessoas relatam que se sentem melhor com uma dieta baixa em carboidratos, enquanto outras se sentem exaustos. Os carboidratos também são conhecidos por aumentar o desempenho atlético, especialmente em alta intensidade. “Os atletas precisam de alimentos ricos em carboidratos antes do treino para armazenar mais glicogênio em seus músculos para abastecê-los durante a atividade física. Eles também precisam de uma fonte de carboidratos de queima rápida durante exercícios intensos ou de resistência, e mais carboidratos após o exercício para se repor e se recuperar”, fala a médica.

Também é importante frisar que comer pouco carboidrato (menos de 100 gramas por dia) pode afetar sua memória, de acordo com o Instituto de Medicina do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). “Cortar drasticamente os carboidratos também pode ter um impacto no seu humor”, afirma a médica.

“Os carboidratos são a fonte de energia preferida do seu cérebro e aumentam a liberação de serotonina, um neurotransmissor que melhora o seu humor e faz você se sentir feliz. É por isso que as dietas com baixo teor de carboidratos estão associadas a um maior risco de depressão”, completa Marcella.

Em vez de adotar uma dieta com muito baixo teor de carboidratos, pode ser mais interessante começar a enfatizar carboidratos complexos minimamente processados, reduzindo o tamanho das porções e aumentando as quantidades de vegetais sem amido, como as folhas. “E juntamente com isso, buscar exercitar mais o corpo para, estrategicamente, aumentar o gasto calórico”, finaliza a médica.

Dieta equilibrada atua na prevenção de doenças crônicas não transmissíveis

Buscar equilíbrio na hora de escolher os alimentos, além de garantir uma dieta saudável, também pode contribuir para a prevenção de algumas doenças e auxiliar no tratamento de outras. O potencial dos nutrientes na manutenção da saúde foi abordado pela nutricionista Deise Cristina Oliva Caramico Favero, Especialista em Nutrição Clínica e Docente do Centro Universitário São Camilo, durante o evento “Conexão Paciente, Família e Cuidador”, realizado em dezembro pelo Instituto Lado a Lado pela Vida.

De acordo com a profissional, a alimentação equilibrada, realizada várias vezes ao dia, pode evitar algumas doenças, entre elas as cardiovasculares: “Para isso, é importante considerar o que comer e em que quantidade eles devem ser ingeridos”.

Para ilustrar a composição recomendada para as refeições, Deise utiliza a bandeira do Brasil e suas cores. A área verde deve representar metade do prato e incluir itens como verduras, frutas, legumes, leguminosas, leites e iogurtes sem gordura. Já o amarelo, presente em três quartos do prato, é reservado para cereais, preferencialmente integrais, tubérculos, óleos vegetais e oleaginosas como castanhas e nozes. Para o azul, alimentos a serem consumidos em menor quantidade, como carnes, queijos (brancos e amarelos), ovos e manteiga”.

A nutricionista também recomenda o consumo de frutas secas como fonte de fibras, minerais e vitaminas. “Por não terem açúcar, são mais saudáveis. Outro exemplo positivo é a semente de linhaça, que possui ômega 3, substância associada à prevenção de doença cardiovascular, por ter ação imunomoduladora e papel anti-inflamatório”. A especialista explica que a ingestão diária de ômega 3 por meio de refeições é muito pequena, por isso, muitas vezes é necessário prescrição de um suplemento, que deve ser realizada de forma individualizada e por um profissional habilitado.

Além de distúrbios do coração, Deise cita que os nutrientes também atuam para evitar outros tipos de patologias. “Existem muitas evidências em relação à alimentação saudável como prevenção de doenças crônicas não transmissíveis como câncer. Há melhora clínica para pacientes em tratamentos como radioterapia e quimioterapia. Nestes casos, é muito importante um atendimento individualizado, pois cada pessoa pode apresentar queixas diferentes, como náuseas, inflamação da mucosa oral ou diarreias”.

Deise alerta que, além de considerar todos os grupos alimentares, uma boa dieta deve levar ter pouca ingestão de substâncias ricas em sódio e industrializados, como embutidos, refrigerantes e refeições congeladas. “O Guia Alimentar Brasileiro diz para darmos preferência aos alimentos in natura, não industrializados. Itens processados e ultra processados contém substâncias como aditivos e conservantes, que devem ser evitados ao máximo”. De acordo com a profissional, a dieta equilibrada não age sozinha a manutenção da saúde. “Não é só alimentação que é fator de risco, precisamos pensar em outros valores associados ao estilo de vida saudável, como a prática de atividade física, por exemplo”.

Para assistir à apresentação completa clique aqui.

Fonte: Instituto Lado a Lado Pela Vida (LAL)

Verão: nutricionista dá dicas de alimentação em dias muitos quentes

Juliana Vieira fala o que devemos evitar e o quais alimentos devemos consumir na estação

Verão e os termômetros estão nas alturas em grande parte do Brasil. Com alguns ajustes, a alimentação pode ajudar, e muito, a lidar com as altas temperaturas.

“A temperatura corporal eleva e nosso corpo pede alimentos e ingredientes saudáveis. Também devemos optar por modos de preparo mais magrinhos . Na hora de preparar os pratos, ao invés de frituras , opte por grelhados”, pontua a nutricionista Juliana Vieira

A profissional afirma que frutas, verduras, legumes e cereais podem e devem ser consumidos em abundância e, de preferência, crus.

“Saladas de frutas coloridas enriquecem o organismo e equilibram o corpo, e podem ter a receita incrementada com cereais. Esses alimentos auxiliam na hidratação corporal e reposição de sais minerais que foram eliminados com a sudorese e muita água para manter a hidratação”, pondera.

Em dias muito quentes, feijão não é uma boa pedida

“O feijão puxa muita energia do seu corpo. Em dias de calor, ingerir alimentos com alta densidade energética costuma reduzir a disposição e gerar maior cansaço, além de não repor adequadamente a quantidade de líquido e sais minerais perdidos diariamente”, explica a nutricionista.

Alimentos para incluir no cardápio alimentar no calor:

Melancia, é uma das melhores frutas para consumir no verão devido ao seu alto poder de hidratação.

Água de coco

Foto: Uwe Tuchen / Pixabay

Tomate

Foto: Kariatx/Morguefile

Saladas de folhas

Pixabay

Frutos do mar

Frutas

Peixes

Carnes magras

Sorvetes e picolés de fruta

Quais evitar :

Preparações gordurosas (feijoada, maionese e frituras).

Sorvetes e picolés cremosos

E quando vamos encarar aquele sol forte, seja na praia, na piscina ou até mesmo a trabalho, o que comer ?

“Cenoura, mamão, abóbora, beterraba, acerola e folhas verdes escuras, como rúcula, couve, espinafre, agrião, brócolis. Se quiser ficar bronzeado, o consumo de alimentos ricos em betacaroteno ajuda a manter o bronze por mais tempo”

Se quiser levar um lanche de casa é bom evitar são alimentos que necessitam de refrigeração, como queijos, iogurtes e carnes. “Eles devem ficar o menor tempo possível expostos à temperatura ambiente”, afirma Juliana.

Para quem quer perder peso, o verão pode dar uma ajudinha

“No verão é mais fácil perder peso, pois as temperaturas altas favorecem a perda de líquidos por meio do suor e, com isso, comemos menos . É também um período em que não sentimos tanta fome, já que não precisamos de energia extra para nos manter aquecidas”, finaliza a nutricionista.

Fonte: Juliana Vieira

Qual é a dieta certa para perda de peso de maneira eficaz e duradoura?

Que a obesidade é um problema de saúde pública, todos sabemos, mas em meio a tantas ofertas para emagrecer, e diga-se de passagem algumas bem loucas, qual seguir? Bruna Marisa, médica, especialista em emagrecimento, pós-graduada em medicina ortomolecular, apoiada em sua experiência pessoal e em longos anos de estudos acadêmicos, concluiu que para se alcançar um emagrecimento eficaz e duradouro, é preciso passar por três etapas fundamentais, que ela chama de “os três pilares sustentáveis para um emagrecimento duradouro”:
• Mudança de comportamento;
• Plano nutricional individualizado as necessidades- recomenda: ela recomenda a low carb – com baixo déficit calórico com redução de carboidratos refinados;
• Aumento de gasto energético – atividades físicas.

Estudos epidemiológicos mais recentes apontam que a cada três pessoas, duas estão acima do peso e precisam emagrecer; e que a alimentação tem papel fundamental na saúde.

O que nunca faltou foram as receitas milagrosas com promessas de emagrecimento rápido e eficaz. Mas o que a ciência tem a nos dizer, com fontes e informações seguras, sobre as propostas de emagrecimento aliados à boa alimentação?

DietaLow-carb, jejum intermitente e a cetogênica são algumas das propostas conhecidas e noticiadas pela mídia. O problema é que muitas vezes não são apresentadas informações com base científica sobre estas práticas.

Bruna comenta sobre os pontos positivos e negativos de algumas dessas propostas:

Jejum Intermitente

Talvez seja a prática mais antiga, vinda dos tempos paleolíticos, quando se comia uma vez ao dia. Assim, o jejum intermitente, mesmo sendo chamado de dieta é, na verdade, uma estratégia nutricional que se caracteriza por períodos alternados de jejum e alimentação.
Pontos Positivos: longevidade, ajuda no emagrecimento, ajuda no tratamento e prevenção de doenças, melhora na função cerebral, promove a autofagia celular, Aumenta a secreção de HGH, Previne doenças neurodegenerativas e cardíacas e Aumenta a sensibilidade à insulina.
Pontos Negativos: no início, pode provocar dores de cabeça, tontura e halitose, entre outros. Por isso, a médica acha necessário uma preparação para iniciá-lo. É necessário orientação e acompanhamento médico adequado.
“De qualquer forma, o jejum intermitente não deve ser visto como uma dieta isolada, mas sim, como uma estratégia de emagrecimento que, atrelada a qualquer dieta de baixo valor calórico, vai trazer infinitos benefícios para o corpo”- diz a especialista.

Low-carb

Tendo como objetivo não gerar picos de insulina no organismo, a dieta de baixa ingestão de carboidratos, proporciona uma queima de gordura disponível no corpo, impedindo a produção de novas células de gordura.
Pontos Positivos: perda rápida de peso, restringindo o consumo de açúcar e alimentos processados. A pessoa não sentirá fome pois proteínas (carnes e ovos), oleaginosas e gorduras boas, podem ser consumidos sem restrições. Além disso, baixa os níveis de triglicérides, colesterol e açúcar no sangue.
Pontos Negativos: pode haver reganho do peso que foi perdido; caso não haja as mudanças de hábitos por toda a vida. Limita o consumo de frutas e verduras; pode causar dores de cabeça; constipação; falta de certas vitaminas, por isso deve ser feita também sob orientação médica.

Bruna diz que é praticante e adepta da low carb há muitos anos, e também a indica a maioria de aos seus pacientes. A melhor estratégia de emagrecimento é decidida sempre depois de uma avaliação completa, de acordo com as individualidades de cada um. Assim como o jejum intermitente, a especialista não encara a low carb como mais uma dieta que você faz e volta a consumir tudo que deseja, quando elimina os quilos em excesso, mas ela afirma que a low carb deve ser encarada como um estilo de vida, uma conscientização, para que assim, você possa usufruir de todos seus benefícios, que são para a vida toda.

Cetogênica

A dieta cetogênica, também conhecida como Keto, tem como objetivo, quase que zerar os níveis de insulina no sangue para que o corpo entre em cetose e recorra ao estoque de gordura do corpo, a fim de mantê-lo funcionando.
Pontos Positivos: perda rápida de peso em tempo reduzido; maior saciedade, melhora de sintomas do autismo, esquizofrenia, doenças crônicas, aumento dos níveis da atividade cerebral, utiliza as gorduras do corpo como fonte de energia para manter o organismo funcionando.
Pontos Negativos: prisão de ventre, restrição total de carboidratos. É de fato uma estratégia muito difícil de ser mantida e nem todos se adaptam. Muitas pessoas não têm indicação para uso. Bruna diz que só deve ser indicada em situações muito específicas, e por um curto período de tempo.

A pergunta que vale uma fortuna: qual é a melhor dieta para emagrecer? Observando essas propostas, percebemos que há vantagens e desvantagens em todas elas.

Bruna responde à pergunta de forma muito lúcida: “A melhor dieta é aquela em que você se adapta, acredita e está disposto a praticar como estilo de vida. Manter um foco e manter-se motivado. Ter dedicação, persistência, autoconfiança e otimismo são fatores fundamentais para que qualquer projeto na vida seja bem sucedido. Ter um objetivo claro e não ter medo de fazer o que for preciso para chegar até ele”.

Bruna acrescenta: “É importante que a pessoa saiba o porquê ela quer emagrecer, que seu motivo sirva como o primeiro passo para uma longa jornada. Com essa motivação é necessário definir as metas alcançáveis e seguir à risca cada passo. Sem isso em mente, de nada adianta encontrar a dieta mais adequada.

Fonte: Bruna Marisa é médica, pós-graduada em Endocrinologia, membro da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), pós-graduada em Medicina Ortomolecular, especialista em Emagrecimento e Low Carb, com vários cursos na área de Medicina Esportiva. Autora do e-book: Guia de Emagrecimento Definitivo e Duradouro.

Conheça seis nutrientes essenciais e entenda como seu corpo precisa deles

Uma dieta equilibrada é fundamental para que o nosso corpo tenha a quantidade suficiente dos nutrientes necessários. A nutróloga Marcella Garcez comenta um pouco sobre cada nutriente que não pode faltar ao organismo

Você sabe quais são os nutrientes essenciais para o nosso organismo? Esses nutrientes são compostos que o nosso corpo ou não produz, ou produz, mas em quantidade insuficiente. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, esses nutrientes devem vir dos alimentos e são vitais ao crescimento, à prevenção de doenças e à manutenção da boa saúde. Eles podem ser divididos em duas categorias: macronutrientes e micronutrientes.

“Os macronutrientes ajudam a fornecer energia e são necessários diariamente e em grandes quantidades. Água, carboidratos, gorduras e proteínas são classificados como macronutrientes. Já os micronutrientes são os minerais e as vitaminas. São necessários ao organismo, porém em menor quantidade se comparado aos macronutrientes”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

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Proteínas: presentes em alimentos de origem vegetal e animal, contribuem para a formação dos tecidos. Integram diversas reações metabólicas (na forma de aminoácidos) e são utilizadas na síntese de alguns hormônios. “As proteínas constituem de 15 a 20% da dieta, e a quantidade exata de proteína necessária diariamente depende de uma variedade de fatores, incluindo a sua atividade física e a idade. Algumas fontes do macronutriente são: carne bovina, aves, peixes, ovos, leite, queijos, iogurtes, soja e leguminosas (feijão, lentilha, ervilha, grão de bico)”, afirma Marcella.

Carboidratos: conhecidos como a principal fonte de energia do ser humano, os carboidratos são responsáveis por diversas funções de nosso metabolismo. Por atuarem como combustível para o corpo, seu baixo consumo pode causar diversos prejuízos. São classificados em 3 tipos: monossacarídeos (glicose, frutose e galactose), dissacarídeos (sacarose, maltose e lactose) e polissacarídeos (amido, glicogênio, dextrina e celulose). “A falta de carboidratos nos dificulta de realizar qualquer atividade física, já que são eles que fornecem energia para as células do organismo. A carência do macronutriente pode causar, além disso, dificuldade de concentração, fraqueza, cansaço excessivo, tonturas e dor de cabeça. Apesar de ser necessário ao organismo, o ideal é dar preferência para os alimentos desse grupo que contribuam para uma melhor qualidade de vida. Exemplos de boas fontes saudáveis de carboidratos: mandioca, batata doce, cereais integrais, aveia, abóbora, quinoa, centeio, amaranto, arroz integral, milho, legumes e frutas”, destaca.

Gorduras: “São moléculas complexas compostas por ácidos graxos e glicerol. O organismo precisa de gordura para se desenvolver e produzir energia, mas ela deve ser consumida de maneira consciente. O corpo também usa a gordura para sintetizar os hormônios e outras substâncias necessárias para realizar as atividades do organismo. As gorduras boas são aquelas de origem vegetal, insaturadas, e podem ser encontradas em: azeite de oliva, castanha-de-caju, nozes, chia, sementes oleaginosas, amendoim, abacate. Essas gorduras boas são fontes de ômega 3 e 6, que tem como vantagem a redução do colesterol ruim e o aumento do colesterol bom (HDL), além de auxiliar na prevenção cardíaca e metabólica e na absorção das vitaminas.”

Vitaminas: são substâncias orgânicas que o nosso organismo não consegue produzir. Necessárias em pequenas quantidades e obtidas através de uma alimentação equilibrada, são classificadas em dois grupos: as lipossolúveis (A, D, E, K) e as hidrossolúveis (H,C e complexo B). “Entre os benefícios das vitaminas, estão a melhora da pele e mucosas; fornecimento de energia; melhora da oxigenação celular; auxílio nos processos de cura e rejuvenescimento; ação nos glóbulos vermelhos, células nervosas e no equilíbrio hormonal; ação no tecido conjuntivo; poder oxidante; combate o estresse; e funciona como antibiótico natural e auxilia na cura de doenças e infecções. A melhor maneira de consumir todas as vitaminas necessárias para o bom funcionamento do corpo é fazendo uma alimentação saudável e variada, de preferência incluindo alimentos frescos e biológicos. A suplementação vitamínica também é uma alternativa para prevenir ou tratar a falta de vitaminas e suas consequências – embora o consumo não deva substituir uma boa alimentação”, detalha a médica.

Minerais: “São substâncias de origem inorgânica e possuem função reguladora, contribuindo para a função osmótica, equilíbrio do ácido-básico, estímulos nervosos, ritmo cardíaco, atividade metabólica, construção de ossos e dentes saudáveis, manutenção da hidratação, entre outros. Entre os principais minerais estão: cálcio, magnésio, sódio, potássio, fósforo, ferro, cobre, manganês, iodo e zinco.”

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Água: é a substância mais abundante em nosso organismo, correspondendo a mais de 60% do nosso peso, e está presente em quase todos os alimentos, exceto em óleos, sais e açúcares. “A água é essencial para todas as funções do corpo, como: digestão, absorção e transporte de nutrientes, eliminação de resíduos, controle da temperatura corporal e para diversos outros processos químicos. Está presente em todos os tecidos do organismo e é a base do sangue e de todas as secreções fluídas, como lágrimas, saliva etc. Não existe uma quantidade correta de água a ser ingerida diariamente; isso depende de inúmeros fatores, como o seu nível de atividade física, o clima do local em que vive ou está, seu metabolismo, seu peso, sua dieta, suas condições físicas gerais, se consome álcool ou não, entre outras”, diz.

“Somente o médico poderá lhe ajudar a determinar qual o volume de água que é apropriado para você, assim como toda a sua dieta, que deve ser baseada nas recomendações de um nutrólogo responsável e de confiança. Ele saberá, por meio do acompanhamento clínico e dos exames, quais as necessidades alimentares e suplementares de cada paciente”, finaliza a nutróloga.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Mitos e verdades sobre a dieta low carb

Os médicos, José Carlos Souto e Rodrigo Bomeny, diretor-presidente e diretor científico de Medicina da ABLC, respectivamente, esclarecem as principais dúvidas sobre a prática alimentar e falam sobre sua eficácia no tratamento do diabetes

A Associação Americana do Diabetes, em inglês American Diabetes Association (ADA) tem diretrizes em que recomenda a prática alimentar low carb como alternativa dietética válida para o tratamento de diabetes tipo 2. Entre as vantagens comprovadas da estratégia alimentar para a doença, segundo a ADA, estão: perda de peso, redução da pressão arterial, aumento do HDL, o chamado colesterol bom, e redução dos triglicerídeos.

A decisão da associação vem baseada em estudos científicos realizados ao longo dos anos por cientistas renomados e capacitados, que demonstraram a eficácia da low carb, não apenas para o tratamento de diabetes tipo 2, como para o combate à obesidade, o tratamento de síndrome metabólica e a diminuição de gorduras no fígado.

Não obstante os resultados já demonstrados, a prática alimentar continua sendo contestada. Há muitas informações circulando na internet que não dizem totalmente a verdade sobre a prática. Neste contexto, os médicos José Carlos Souto e Rodrigo Bomeny, diretor-presidente e diretor científico de Medicina da Associação Brasileira LowCarb (ABLC), respectivamente, acharam por bem, esclarecer algumas dúvidas a respeito do consumo de carboidratos e consequentemente dos resultados que podem ser alcançados com a low carb.

Dieta da moda?

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A low carb é uma prática alimentar das mais populares. Certamente o termo dieta cetogênica (um dos espectros da estratégia low carb) é um dos mais pesquisados na ferramenta de busca Google. Contudo, segundo o diretor-presidente da ABLC, quando chamam esta abordagem de “dieta da moda”, isto é feito com conotação negativa e desmerecimento. Além disso, conforme Souto, não se trata propriamente de um argumento. “Há coisas que estão na moda e são ruins e outras que são ótimas. A popularidade não é o critério pelo qual se determina o mérito científico”, diz.

O que deve ser, de fato, levado em questão, segundo o médico, é que diversos estudos clínicos randomizados (os mais fidedignos) mostram a eficácia da prática low carb para o emagrecimento, manutenção de peso, e tratamento de diversas doenças.

Souto explica que low carb é, sobretudo, uma alimentação restrita em produtos refinados, alimentos processados e grãos. Essa era basicamente a forma como nossos ancestrais se alimentavam, em um período anterior ao surgimento da agricultura. Assim, de que forma uma prática alimentar tão antiga pode ser considerada como algo “da moda”? “O que é novo, datando dos anos 1970, é a recomendação de que devemos comer de 3 em 3 horas, com carboidratos perfazendo 60% das calorias, como sugere a ultrapassada pirâmide alimentar”, destaca.

Carboidratos são essenciais para o desenvolvimento físico?

A crença geral é de que apenas a glicose (encontrada no carboidrato) é capaz de gerar energia suficiente para a prática esportiva e, consequentemente, para o desenvolvimento físico. Isto não condiz com a verdade. O diretor-presidente da ABLC explica que a gordura é uma ótima fonte energética, pois tem mais do que o dobro de calorias do que os carboidratos. Além disso, existe em maior quantidade no corpo, visto que o mesmo tem capacidade maior em armazenar gordura do que glicose.

Outra molécula que pode ser utilizada como fonte de energia quando se ingere poucos carboidratos é a proteína. Contudo, segundo o diretor científico de Medicina da ABLC, o corpo prefere usar este macronutriente para construir músculos e realizar outras funções importantes para a saúde. E, havendo consumo adequado de proteínas na dieta, as proteínas do próprio corpo são poupadas. “Por isso, a gordura é a melhor fonte de energia alternativa”, explica Bomeny.

Em relação à alegação de que haveria perda de massa magra (músculos) com dieta low carb, Souto argumenta que qualquer dieta para perda de peso causa, em algum grau, este efeito. “Há apenas duas estratégias para mitigar isso: exercício resistido (musculação, por exemplo) e aumento do consumo de proteínas”, diz. Isto posto, os estudos randomizados não mostram uma perda maior de massa magra com low-carb quando comparada à que ocorre com outras estratégias.

Na verdade, estudos científicos – ensaios clínicos randomizados – realizados com atletas da ginástica olímpica da Itália, do crossfit, e de levantamento de peso, por exemplo, mostraram que uma estratégia alimentar com muito pouco carboidrato não produziu perda de massa muscular. Segundo o diretor-presidente da ABLC, esses estudos clínicos mostram até que o que há é uma maior perda de gordura com a adesão à prática low carb.

Com a diminuição da quantidade de carboidratos, o corpo precisa de outra fonte de combustível. Por este motivo, a gordura passa a ser utilizada, e não armazenada, favorecendo a perda de peso.

O cérebro precisa de carboidratos para funcionar?

O cérebro precisa de glicose para funcionar – algo em torno de 130 gramas – o que se traduz em cerca de 500 calorias por dia. Mas o fato de que o cérebro precisa de glicose não significa que esta precise ser adquirida por meio da dieta, no caso,mas por meio de uma alimentação rica em carboidratos. De acordo com Souto, a glicogênese – produção de glicose pelo fígado – é mais do que suficiente para manter o nível glicêmico do organismo por tempo indeterminado. E os aminoácidos necessários para a realização deste processo podem vir de proteínas ingeridas na dieta – a alegação de que tais aminoácidos viriam dos músculos é inverídica no contexto de uma alimentação com quantidade adequada de proteína, como demonstram vários ensaios clínicos randomizados.

O médico explica que o cérebro apenas depende primariamente de glicose em quem se alimenta à base de glicose. “Nas pessoas que se alimentam com baixo carboidrato, até 75% das necessidades energéticas do cérebro são supridas por corpos cetônicos – pequenas moléculas energéticas produzidas pelo fígado, a partir dos lipídios, com esse fim”, afirma.

Conforme o diretor científico de medicina da ABLC a prática alimentar pode ser utilizada perfeitamente sem a preocupação de afetar negativamente a função cognitiva. “Na verdade, na prática clínica, observamos uma melhora na concentração, foco e memória com a low carb”, salienta Bomeny.

Low carb faz mal à saúde cardíaca?

Uma prática alimentar que não condena o consumo de carnes e gordura animal pode ser considerada potencialmente problemática ao coração, afinal trata-se de um tipo de alimentação mais rica em gorduras saturadas do que sugerem as recomendações tradicionais?

De acordo com o diretor científico de Medicina da ABLC, a despeito de alegações em contrário, as gorduras dietéticas total e saturada não se correlacionam com o risco de doença cardiovascular, e há evidências científicas de alto nível que comprovam isso.

Estudo realizado entre 1999 e 2004 com pacientes portadores de doenças coronarianas, recrutados em dois hospitais da Noruega, mostrou que aqueles com maior consumo de gordura saturada apresentavam menos doença cardiovascular do que aqueles que ingeriam menos gordura. De acordo com Souto, isso na verdade é o esperado, já que a quantidade de gordura saturada no sangue não é decorrência direta da quantidade de gordura que se consome, e sim de carboidratos. E os níveis elevados de glicose e de insulina são fatores de risco cardiovascular muito mais importantes.

O diretor-presidente da ABLC explica que os carboidratos ingeridos, particularmente amido e açúcar, são transformados em glicose no organismo. Ou seja, quanto mais carboidratos, maior o nível de glicose no sangue. A questão é que a insulina, hormônio responsável por retornar a glicose para valores normais, sinaliza também ao corpo para que ele armazene gordura. “Como resultado, seu fígado começa a converter o excesso de açúcar em triglicerídeos (gordura)”, afirma o médico. Além disso, a insulina elevada favorece o ganho de peso e a deposição de gordura visceral – o tipo mais associado a doenças cardiovasculares.

A prática alimentar sobrecarrega rins e fígado?

Essa dúvida é suscitada porque pacientes com insuficiência renal crônica apresentam dificuldades em excretar diversas substâncias, entre as quais as derivadas do metabolismo de proteínas. Desse modo, pacientes portadores da doença não podem aderir a uma prática alimentar hiperproteica. Contudo, de acordo com Souto, pessoas sadias não vão adquirir a doença se consumirem proteínas. Não há indicações na literatura médica nesse sentido. Conforme o diretor-presidente da ABLC, na realidade, o que se vê é contrário. “As duas principais causas de doença renal e hemodiálise, diabetes e hipertensão, melhoram com low carb”, afirma.

Outro ponto, conforme Souto, é que a prática alimentar low carb não é hiperproteica. Então, ainda que uma dieta rica em proteínas prejudicasse os rins, esse não seria o caso da low carb. O diretor-médico da ABLC afirma que o mesmo consumo de proteínas é recomendado nas estratégias alimentares low carb, low fat e mediterrânea. “Low carb é normoproteico, e isso deveria ser conhecimento básico para um profissional de saúde que fala sobre esse assunto”, declara.

A respeito do fígado, é sabido que o álcool e medicamentos são os principais agentes que causam sobrecarga ao órgão. Já a esteatose (gordura no fígado) tem como causa o açúcar. A prática alimentar low carb, inclusive traz benefícios a quem sofre da doença. “Estudo recente mostrou que apenas 14 dias de low carb são capazes de reduzir significativamente a gordura hepática”, garante Souto.

Low Carb significa restrição total de carboidratos?

Pessoas que buscam saber mais sobre low carb em fontes de informações não confiáveis costumam ligar a prática à ingestão exclusiva de proteínas e gorduras. O diretor-presidente da ABLC enfatiza que as recomendações são simples e em nenhum momento afirmam que carboidratos devem ser eliminados. “Uma prática low carb não deve ser ‘no carb’. Ou seja, trata-se de restringir açúcar, farináceos e o excesso de amido, e não de preocupar-se com alguns gramas de carboidratos em vegetais, por exemplo”, afirma o médico.

Souto esclarece que uma low carb bem planejada frequentemente contém uma quantidade de vegetais (em volume de comida) maior do que a quantidade de produtos animais. “Isso é importante para a flora intestinal e para o equilíbrio nutricional da prática alimentar, pois vegetais folhosos e vegetais de baixo amido estão universalmente associados a bons desfechos de saúde em 100% dos estudos”, diz.

Há restrição de fibras, vitaminas e nutrientes?

Como se trata de uma prática alimentar em que grãos integrais não são recomendados, é comum achar que organismo de quem adere ao low carb tem falta de fibras, vitaminas e nutrientes. De acordo com o diretor-presidente da ABLC, tal assertiva não procede. Primeiramente, porque sequer há comprovação científica de que grãos integrais trazem benefícios à saúde: os estudos apenas mostram que seu consumo é melhor do que o de grãos refinados.

Em segundo lugar, porque grãos não são as únicas fontes de fibras, vitaminas e minerais. Conforme Souto, vegetais folhosos, vegetais de baixo amido e legumes apresentam densidade nutricional de magnitude superior a qualquer grão. “De que forma a retirada de pão, massa, biscoitos, guloseimas, açúcar e farinhas diversas, e sua substituição por vegetais múltiplos, peixes, ovos, carnes, laticínios, nozes, castanhas e amêndoas teria qualquer efeito que não fosse o de melhorar a densidade nutricional?”, questiona.

Low carb é ruim, pois elimina um grupo inteiro de alimentos?

Segundo o diretor-presidente da ABCL, trata-se de um argumento falacioso. Não existe uma restrição de um grupo inteiro de alimentos, o que há são opções feitas, dentro de cada grupo, visando um objetivo. Assim, em uma estratégia low carb, para que a meta de consumir pouco açúcar seja alcançada, sem que as frutas sejam eliminadas do cardápio, se dará preferência ao morango em relação à banana, por exemplo – mas ambos são frutas.

Mas, ainda que alguma estratégia alimentar restrinja um grupo inteiro de alimentos, como a paleolítica, em que os laticínios não podem ser ingeridos, ou a vegana, em que diversos alimentos nutritivos são deliberadamente excluídos, o que deve validar os benefícios de uma prática alimentar são os ensaios clínicos randomizados. Conforme Souto, se eles mostram que a prática traz bons resultados, é este o critério que embasa a sua indicação.

É difícil se manter na dieta low carb?

Toda intervenção de estilo de vida – seja a prática de exercícios físicos, a cessação do tabagismo ou do consumo de bebidas alcoólicas, ou qualquer tipo de dieta – deixa de funcionar com o tempo. Isto porque a maioria das pessoas deixa de seguir a recomendação em menos de 24 meses. Assim, de acordo com o diretor-presidente da ABLC, uma prática alimentar deve ser valorada em relação a sua eficácia no período em que foi utilizada.

E, conforme Souto, a low carb para diabéticos mostrou resultados muito favoráveis, quando aferidos nos primeiros 90 dias a 180 dias, intervalo em que as pessoas ainda estão seguindo a estratégia. Por isso é muito recomendada para estes casos. Se a baixa efetividade, no longo prazo, não nos impede de recomendar a cessação do tabagismo e a prática de exercícios físicos, também não deve nos impedir de indicar low carb para os pacientes diabéticos. “Isso é óbvio”, conclui.

Fontes:
José Carlos Souto – médico e diretor presidente da ABLC
Rodrigo Bomeny de Paulo – médico endocrinologista e diretor de Medicina na ABLC

Dieta Sirtfood, feita pela cantora Adele, é mais uma moda passageira?

Nutricionista Adriana Stavro explica os segredos da dieta que fez a cantora Adele emagrecer 45kg

A preocupação da sociedade atual pela perda e controle de peso, leva cada vez mais a busca de dietas divulgadas nos meios de comunicação não científicos, que recomendam o uso de planos alimentares com restrição energética, como as famosas “dietas da sopa”, “dieta da Lua”, “dieta do tipo sanguíneo” entre muitas outras.

No momento, a dieta que promete a silhueta dos sonhos, comendo chocolate, tomando vinho é a Sirtfood, mais precisamente a dieta que fez a cantora Adele perder 45kg.

Criada em 2016 por dois nutricionistas ingleses, ela ganhou fama por incluir vinho tinto e chocolate amargo no dia a dia. O emagrecimento ficaria por conta dos alimentos ricos em polifenóis, substâncias que ativam as enzimas sirtuínas no organismo. Estas enzimas têm ação antioxidante e anti-inflamatória que previnem o envelhecimento precoce das células.

Alguns alimentos que fazem parte da dieta sirt, ricos em polifenóis, são o chá verde, chocolate amargo com 65% de cacau ou mais, cebola roxa, frutas vermelhas, frutas cítricas, oleaginosas como avelã, castanhas e nozes, rúcula, alcaparras, chicória roxa, aipo, azeite extra virgem, repolho roxo, café, salsa, couve galega, tâmara, cúrcuma, proteínas (salmão e frango) além dos conhecidos sucos detox.

Segundo os autores, é comprovada a perda de 7 kg em 7 dias. Eles afirmam que as sirtfoods são um grupo de nutrientes que ativam a queima de gordura, ao mesmo tempo que programam nossas células para saúde e longevidade. Esses alimentos ativadores de sirtuínas acionam as chamadas vias do ‘gene magro’, as mesmas vias ligadas pelo jejum e pelo exercício físico. É um plano alimentar para perda de peso sustentada e saúde definitiva. É uma dieta de inclusão e não de exclusão e os alimentos propostos estão amplamente disponíveis e acessíveis a todos. Esta é uma dieta que incentiva a ingestão de comida saudável.

A Dieta Sirtfoods é pautada em dois estágios:

Estágio 1: é um programa intensivo de 7 dias, projetado para iniciar a perda de peso. A pessoa consome 1000 calorias nos três primeiros dias. Em cada um deles, ela deve tomar três sucos verdes e ingerir uma refeição rica em alimentos sirt. Do quarto ao sétimo dia, deve aumentar a ingestão calórica para 1,5 mil, com dois sucos verdes e duas refeições diárias

Estágio 2: este serve de manutenção e dura 14 dias. O objetivo é perder peso de forma constante. A pessoa pode comer três refeições balanceadas ricas em alimentos sirt, além de um suco verde. As duas fases podem ser repetidas sempre que desejar para aumentar a perda de gordura.

Parece fácil emagrecer comendo chocolate e tomando vinho, mas não é. Na verdade, as celebridades lançam tendências em todos os sentidos, inclusive nas dietas.

O problema em relação à Dieta Sirtfoods, é a baixa quantidade de calorias, principalmente nos primeiros 3 dias (1.000kcal). A alimentação é baseada em proteínas magras, carboidratos integrais (pouquíssimas quantidades), verduras, legumes, castanhas, nozes, frutas vermelhas. Nada de novidade. Quanto ao comer chocolate, são 2 quadradinhos 70% cacau, e não uma barra inteira, e tomar vinho, são 15ml no jantar. Mas claro, se for comparar com outras dietas que viraram moda, esta estimula a ingestão de alimentos saudáveis como oleaginosas, verduras, legumes, proteínas e sucos verdes, o que a torna mais interessante.

Lembrando que reduzir drasticamente as calorias nos deixa cansado, com fome, irritado e, em médio prazo, pode nos levar à perda de massa muscular e a um metabolismo estagnado. Além disso, restrição alimentar está relacionada com transtornos alimentares como anorexia e bulimia.

Reprodução

Porém, o segredo para uma vida saudável está no equilíbrio. E se você está querendo mudar de vida siga, sim, o exemplo da cantora Adele.

•Procure um profissional responsável para te ajudar nesta nova jornada;
•Encontre os excessos da sua alimentação e com leveza faça as adaptações;
•Identifique quais alimentos podem estar prejudicando sua saúde e procure evitá-los;
•Inclua regularmente atividade física na sua vida;
•Ajuste um plano alimentar baseado em quantidades adequadas para você;
•Faça a sua dieta e não a dos outros, você é único. Seu metabolismo é único ;
•Pense nos Sirtfood como mais uma opção para estimular seu metabolismo de forma contínua.

A nutricionista simulou um cardápio da dieta “Sirtfoods” para que cada um faça a reflexão, se será ou não mais uma moda passageira

Café da manhã:

Foto: Scibosnian

1 xícara de chá verde mais 10 uvas vermelhas ou 1 ovo mexido ou 1 iogurte natural desnatado com 3 nozes picadas. Obs.: os autores sugerem iogurte de soja

Lanche da manhã:
suco verde – receita abaixo

Almoço:
Sopa de couve com aveia OU salada de rúcula, tomate e pepino acrescida com 1 colher de sopa de sementes de abóbora mais 1 posta de salmão (120g) assada com alcaparras
Sobremesa: 2 quadradinhos de chocolate 70% (comer lentamente, sentir o sabor do chocolate)

Lanche da tarde:
Suco detox – receita abaixo*

Jantar:

Foto: Simply Recipes

1 filé de frango grelhado no azeite (120g) mais 5 azeitonas
15ml de vinho tinto

Ceia: 

Foto: Rickyy Sanne/Morguefile

1 xícara de chá em infusão de erva cidreira sem açúcar ou adoçante

*Receita do suco

Ingredientes 
300ml de chá-verde
1 folha de couve manteiga orgânica
1 maçã verde pequena
1 talo de aipo verde com folhas
1 colher de sopa de salsinha
Suco de 1 limão
1 colher de sopa de matchá
1 colher de sopa de uva roxa sem caroço

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador e consuma sem adoçar ou coar.

Adriana Stavro é nutricionista funcional e fitoterapeuta. Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein – Mestranda do Nascimento a Adolescência pelo Centro Universitário São Camilo.