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Dieta Sirtfood, feita pela cantora Adele, é mais uma moda passageira?

Nutricionista Adriana Stavro explica os segredos da dieta que fez a cantora Adele emagrecer 45kg

A preocupação da sociedade atual pela perda e controle de peso, leva cada vez mais a busca de dietas divulgadas nos meios de comunicação não científicos, que recomendam o uso de planos alimentares com restrição energética, como as famosas “dietas da sopa”, “dieta da Lua”, “dieta do tipo sanguíneo” entre muitas outras.

No momento, a dieta que promete a silhueta dos sonhos, comendo chocolate, tomando vinho é a Sirtfood, mais precisamente a dieta que fez a cantora Adele perder 45kg.

Criada em 2016 por dois nutricionistas ingleses, ela ganhou fama por incluir vinho tinto e chocolate amargo no dia a dia. O emagrecimento ficaria por conta dos alimentos ricos em polifenóis, substâncias que ativam as enzimas sirtuínas no organismo. Estas enzimas têm ação antioxidante e anti-inflamatória que previnem o envelhecimento precoce das células.

Alguns alimentos que fazem parte da dieta sirt, ricos em polifenóis, são o chá verde, chocolate amargo com 65% de cacau ou mais, cebola roxa, frutas vermelhas, frutas cítricas, oleaginosas como avelã, castanhas e nozes, rúcula, alcaparras, chicória roxa, aipo, azeite extra virgem, repolho roxo, café, salsa, couve galega, tâmara, cúrcuma, proteínas (salmão e frango) além dos conhecidos sucos detox.

Segundo os autores, é comprovada a perda de 7 kg em 7 dias. Eles afirmam que as sirtfoods são um grupo de nutrientes que ativam a queima de gordura, ao mesmo tempo que programam nossas células para saúde e longevidade. Esses alimentos ativadores de sirtuínas acionam as chamadas vias do ‘gene magro’, as mesmas vias ligadas pelo jejum e pelo exercício físico. É um plano alimentar para perda de peso sustentada e saúde definitiva. É uma dieta de inclusão e não de exclusão e os alimentos propostos estão amplamente disponíveis e acessíveis a todos. Esta é uma dieta que incentiva a ingestão de comida saudável.

A Dieta Sirtfoods é pautada em dois estágios:

Estágio 1: é um programa intensivo de 7 dias, projetado para iniciar a perda de peso. A pessoa consome 1000 calorias nos três primeiros dias. Em cada um deles, ela deve tomar três sucos verdes e ingerir uma refeição rica em alimentos sirt. Do quarto ao sétimo dia, deve aumentar a ingestão calórica para 1,5 mil, com dois sucos verdes e duas refeições diárias

Estágio 2: este serve de manutenção e dura 14 dias. O objetivo é perder peso de forma constante. A pessoa pode comer três refeições balanceadas ricas em alimentos sirt, além de um suco verde. As duas fases podem ser repetidas sempre que desejar para aumentar a perda de gordura.

Parece fácil emagrecer comendo chocolate e tomando vinho, mas não é. Na verdade, as celebridades lançam tendências em todos os sentidos, inclusive nas dietas.

O problema em relação à Dieta Sirtfoods, é a baixa quantidade de calorias, principalmente nos primeiros 3 dias (1.000kcal). A alimentação é baseada em proteínas magras, carboidratos integrais (pouquíssimas quantidades), verduras, legumes, castanhas, nozes, frutas vermelhas. Nada de novidade. Quanto ao comer chocolate, são 2 quadradinhos 70% cacau, e não uma barra inteira, e tomar vinho, são 15ml no jantar. Mas claro, se for comparar com outras dietas que viraram moda, esta estimula a ingestão de alimentos saudáveis como oleaginosas, verduras, legumes, proteínas e sucos verdes, o que a torna mais interessante.

Lembrando que reduzir drasticamente as calorias nos deixa cansado, com fome, irritado e, em médio prazo, pode nos levar à perda de massa muscular e a um metabolismo estagnado. Além disso, restrição alimentar está relacionada com transtornos alimentares como anorexia e bulimia.

Reprodução

Porém, o segredo para uma vida saudável está no equilíbrio. E se você está querendo mudar de vida siga, sim, o exemplo da cantora Adele.

•Procure um profissional responsável para te ajudar nesta nova jornada;
•Encontre os excessos da sua alimentação e com leveza faça as adaptações;
•Identifique quais alimentos podem estar prejudicando sua saúde e procure evitá-los;
•Inclua regularmente atividade física na sua vida;
•Ajuste um plano alimentar baseado em quantidades adequadas para você;
•Faça a sua dieta e não a dos outros, você é único. Seu metabolismo é único ;
•Pense nos Sirtfood como mais uma opção para estimular seu metabolismo de forma contínua.

A nutricionista simulou um cardápio da dieta “Sirtfoods” para que cada um faça a reflexão, se será ou não mais uma moda passageira

Café da manhã:

Foto: Scibosnian

1 xícara de chá verde mais 10 uvas vermelhas ou 1 ovo mexido ou 1 iogurte natural desnatado com 3 nozes picadas. Obs.: os autores sugerem iogurte de soja

Lanche da manhã:
suco verde – receita abaixo

Almoço:
Sopa de couve com aveia OU salada de rúcula, tomate e pepino acrescida com 1 colher de sopa de sementes de abóbora mais 1 posta de salmão (120g) assada com alcaparras
Sobremesa: 2 quadradinhos de chocolate 70% (comer lentamente, sentir o sabor do chocolate)

Lanche da tarde:
Suco detox – receita abaixo*

Jantar:

Foto: Simply Recipes

1 filé de frango grelhado no azeite (120g) mais 5 azeitonas
15ml de vinho tinto

Ceia: 

Foto: Rickyy Sanne/Morguefile

1 xícara de chá em infusão de erva cidreira sem açúcar ou adoçante

*Receita do suco

Ingredientes 
300ml de chá-verde
1 folha de couve manteiga orgânica
1 maçã verde pequena
1 talo de aipo verde com folhas
1 colher de sopa de salsinha
Suco de 1 limão
1 colher de sopa de matchá
1 colher de sopa de uva roxa sem caroço

Modo de preparo:
Bata todos os ingredientes no liquidificador e consuma sem adoçar ou coar.

Adriana Stavro é nutricionista funcional e fitoterapeuta. Especialista em Doenças Crônicas não Transmissíveis (DCNT) pelo Hospital Israelita Albert Einstein – Mestranda do Nascimento a Adolescência pelo Centro Universitário São Camilo.

Extremos na dieta: comer demais ou de menos pode arruinar a beleza da pele, cabelo e unhas

Queda acentuada de cabelos, manchas, acne, irritações, rugas, unhas quebradiças e sinais de envelhecimento são algumas das alterações que a alimentação desregulada pode causar. Situação pode ser ainda pior para quem tenta compensar um período de alimentação farta com momentos de escassez

No decorrer da pandemia, apesar das constantes informações sobre a importância de manter a alimentação saudável, muitas pessoas acabaram optando por extremos na dieta – alguns comendo demais, outros de menos. “As alterações emocionais são as principais responsáveis pelos comportamentos alimentares equivocados nesses tempos de pandemias. Muitos buscam o conforto das suas emoções nos alimentos e bebidas, muitas vezes se encaminhando para consumos compulsivos. Outros, por insegurança e desinformação, restringem o consumo de grupos ou quantidades alimentares importantes para a manutenção da saúde no momento atípico”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

O problema é que esses extremos na alimentação causam alterações físicas e estéticas importantes, impactando agressivamente na beleza da pele. “A pele denuncia rapidamente quando um paciente se alimentou excessivamente de alimentos mais inflamatórios, com alterações como acne, manchas, irritações sinais de desidratação. E quem vai ao outro extremo, de escassez para emagrecer, também nota muitos sinais importantes de carência nutricional, como queda de cabelo, ressecamento, unhas quebradiças, além de rugas e flacidez”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e professora-fundadora do Dermacademy MB. Consultamos especialistas para entender por que essas alterações ocorrem:

Extremo 1 – Comer demais

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De acordo com a nutróloga, no caso de quem comeu demais e principalmente abusou de junk foods, alimentos considerados mais inflamatórios (carboidratos de alto índice glicêmico, doces, gorduras trans, aditivos químicos), as consequências podem impactar o organismo como um todo porque a inflamação subclínica, que se instala com o consumo excessivo de açúcares adicionados e gorduras não saudáveis, aumenta o risco de doenças metabólicas, cardiovasculares, inflamatórias, degenerativas, neoplásicas e ainda acelera o envelhecimento cutâneo piorando a qualidade dos anexos como cabelos e unhas.

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MedicalNewsToday

“O aumento da queda dos cabelos e unhas frágeis e quebradiças, descartadas as causas patológicas, podem ser consequência de uma dieta desequilibrada”, diz Marcella.
Segundo a nutróloga, o excesso de açúcares adicionados é um grande vilão, que geralmente vem acompanhado de uma ingestão reduzida em proteínas, vitaminas, minerais e antioxidantes, condicionais para manter a saúde do organismo como um todo e ainda sobrar para o adequado aporte à pele, cabelo e unhas. Segundo a dermatologista e tricologista Kédima Nassif, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, em um primeiro momento, o excesso de açúcar causa inflamação e liberação de radicais livres.

“Se isso acontece de forma contínua, o excesso de radicais livres pode alterar proteínas, lipídeos e até mesmo o DNA. Na pele, o excesso de radicais livres pode danificar o DNA das células provocando menor atividade celular, menor produção de colágeno e fibras elásticas, menor atividade de células de defesa e menor poder de cicatrização”, diz Kédima. Elastina e colágeno são substâncias responsáveis pela firmeza da pele.

“Elas deixam a pele mais esticada, mais firme. É o que uma pessoa jovem tem em excesso e, a partir dos 25 anos, vamos perdendo. Aliado a essa desestabilização provocada pela glicação destas células, que é a quebra de elastina e colágeno, faz com que a pele perca sua sustentação, como um arcabouço que vai se quebrando. A glicação, portanto, faz com que a pele perca colágeno e elastina, resultando em rugas e flacidez”, explica a dermatologista.

Mas não é só isso: “O processo de glicação age principalmente nas linhas de expressão e flacidez. Mas produz, sim, rugas e pode piorar as manchas pelo processo de oxidação celular”, alerta Kédima. Mas o excesso de açúcar, por potencializar a inflamação, influencia mais rapidamente também no aparecimento e na piora da acne e oleosidade.
Além disso, lembra a médica nutróloga, um perfil inflamatório exacerbado pelo consumo excessivo de açúcares pode fazer desencadear ou agravar doenças inflamatórias na pele como dermatite e psoríase.

“O excesso de açúcar na dieta pode comprometer a saúde dos folículos capilares aumentando a possibilidade de eflúvio (queda de cabelos). Muito açúcar circulando é um dos fatores que propicia um desequilíbrio da microbiota do organismo como um todo e consequentemente maior prevalência de atopias e proliferação de fungos que comumente atingem as unhas”, diz Marcella.

O consumo excessivo de sódio, gorduras não saudáveis como as gorduras trans e interesterificadas, frituras de imersão, além do excesso de corantes e conservantes dos alimentos processados e ultraprocessados também pode impactar a pele e os anexos cutâneos. “Além das consequências metabólicas nas estruturas cutâneas, essas moléculas podem ser responsáveis pelo aumento de reações alérgicas e de aumento da sensibilidade”, diz e nutróloga.

“Lembre-se de controlar a quantidade de sódio nas refeições, pois ele colabora na retenção de líquido e isso acaba piorando a sensação de inchaço facial e corporal. Temos visto que, dentro de casa por conta da pandemia, as pessoas acabam descuidando muito da alimentação e consomem mais produtos enlatados e processados, ricos em sódio. E fique de olho em sucos de caixinha, que também têm muito sódio na composição”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Extremo 2 – Comer pouco

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O ideal é que qualquer emagrecimento rápido ou que conte com perda ponderal de mais de 10% do peso corporal tenha acompanhamento médico. “Só assim é possível descartar patologias e carências que agravam os sinais físicos de um emagrecimento não orientado. Como em muitas ocasiões a perda de peso não é monitorada, as intervenções nutrológicas devem ser incorporadas assim que o aspecto de envelhecimento precoce ou acelerado pelo emagrecimento for notado”, diz Marcella.

“Quando pensamos em perda de peso, pensamos sempre na perda de volume e de gordura corporal, num corpo mais esguio, em mais energia e numa autoconfiança perdida que fora agora reconquistada. Até aqui, tudo bem, são efeitos naturais dos quilos perdidos. Mas um processo de perda de peso tem ainda implicações também no rosto, afinal perdemos gordura no corpo inteiro, e isso nem sempre agrada”, afirma o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com o cirurgião plástico, a perda de peso excessiva e sem acompanhamento causa a redução do volume que mantinha a pele mais esticada. “Com essa redução, há uma ‘sobra’ da pele, obviamente se considerarmos uma perda expressiva de gordura”, diz o médico. “Este fenômeno é particularmente mais importante no rosto, sendo mais significativo no terço inferior e no pescoço”, afirma o especialista.

A acentuação da flacidez do rosto e do pescoço parece ser a consequência mais clara, porém, mais rugas, mais olheiras e mudança da expressão facial aparecem também.
Além disso, existe o problema das carências nutricionais. Uma alimentação com déficit calórico muito expressivo (ou seja, quando as calorias ingeridas são extremamente menores que a taxa metabólica) trará resultados para o emagrecimento, mas poderá causar sérios problemas ao corpo.

“Além do déficit calórico, o déficit proteico e a pouca ingestão de água são os fatores alimentares que mais rapidamente impactam negativamente as estruturas da pele, porém nutrientes importantes como vitaminas, minerais e antioxidantes são essenciais para a manutenção da saúde cutânea, portanto não há pele saudável sem alimentação equilibrada”, afirma Marcella.

Trocando em miúdos? Quando você escolhe pela escassez para emagrecer, está deixando seu organismo sem os nutrientes necessários para manter a beleza da sua pele, cabelo e unhas. “Automaticamente, tendemos a ficar com a aparência mais envelhecida, principalmente pela redução do aporte proteico que compromete a síntese de fibras colágenas para manutenção e reposição de estruturas dérmicas”, diz a nutróloga.

Mas o problema não para por aí: as carências de vitaminas, minerais, proteínas, gorduras e carboidratos de boa qualidade também impactam na saúde dos fios e do couro cabeludo. Seu cabelo é composto principalmente de proteínas, portanto, incluir quantidades adequadas em sua dieta é vital para o crescimento do cabelo.

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“Alimentos que são boas fontes de proteínas são peixe, frango, carne magra, ovos, feijão, quinoa, tofu e leguminosas. O ovo por exemplo é um velho conhecido quando o assunto é saúde capilar, sendo incluído em receitas caseiras de hidratação dos fios. Sua boa ‘fama’ vem do fato de que o ovo é rico em proteínas, ácidos graxos, aminoácidos essenciais, vitaminas e minerais como zinco, selênio e ferro. Esses micronutrientes são envolvidos nos processos de formação da fibra capilar e de multiplicação das células da raiz do cabelo, facilitando o processo. É por isso que o consumo de ovos contribui para sua saúde capilar”, diz Kédima.

Aproximadamente 85% do cabelo é formado de queratina, que é uma proteína, e por ser um tecido de excreção, é formado de aminoácidos sobressalentes para essa função. “Se não houver sobra de aminoácidos, não há boa síntese de queratina. Além disso, minerais metálicos como ferro e cobre além de vitaminas do complexo B como a biotina participam da manutenção da saúde capilar”, diz a nutróloga.

Se você tiver carência desses nutrientes durante o déficit calórico extremo (e provavelmente você tem), seu cabelo irá cair mais num quadro intenso (eflúvio telógeno), a textura dos fios podem mudar, além de ficarem mais fracos e propensos à quebra. “O ferro também é crucial para manter a textura natural dos fios; um baixo nível do nutriente é um dos principais motivos do crescimento de fios curtos e finos, principalmente nas têmporas e laterais”, afirma Kédima.

Segundo Paola, como as unhas também são formadas por queratina, a alimentação deficiente nutricionalmente pode torná-las mais quebradiças e fracas, além do aparecimento de manchas brancas.

Extremo 3 – Comer pouco compensatoriamente após comer demais

fast food or health food
fast food or health food

Quem foi de um extremo ao outro durante a pandemia aproveitou o que há de pior no “8 e 80” da dieta e está mais propenso a continuar desenvolvendo alterações na pele, cabelo e unha, se não buscar ajuda médica nutrológica.

“Tanto as pessoas com restrições alimentares quanto as que estão consumindo compulsivamente determinados alimentos podem ter impactos negativos na pele e muitas vezes precisam de orientação médica. Ir de um extremo ao outro só prolonga o período em que o corpo está sendo mal-nutrido. Sem contar que outro fator com grandes impactos negativos na pele e anexos cutâneos nesses tempos de pandemia é o estresse, que pode ter inúmeras consequências de variadas intensidades, que geralmente precisam de intervenção médica”, afirma a médica nutróloga.

A melhor maneira de começar a pensar em novos hábitos é buscar ajuda médica. Com mudanças no hábito alimentar e a prescrição individualizada de suplementos alimentares, muito do aspecto indesejável que surgiu na pele pode ser minimizado.

“Existem diversos tratamentos para as alterações citadas e o dermatologista e cirurgião plástico podem ser consultados, mas sem esquecer de buscar ajuda de um médico nutrólogo. Muitos tratamentos externos não têm boas respostas sem a associação com orientações alimentares e suplementares de forma individualizada. O objetivo nessa situação é obter as melhores respostas e resultados nos procedimentos estéticos ou cirúrgicos eleitos para corrigir cada alteração”, completa Marcella.

Mas, no geral, a nutróloga afirma que quem percebeu essas alterações na pele, cabelo e unhas, pode investir em uma dieta adequada, equilibrada, variada e colorida, rica em proteínas magras, carboidratos complexos integrais e gorduras boas, além de vegetais folhosos, legumes coloridos, frutas e bom consumo de água.

Especialista alerta sobre perigo de fazer dieta em tempos de quarentena

Em isolamento social, é necessário cuidar do corpo e não colocá-lo em risco com as restrições; a nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O peso das dietas”, Sophie Deram, acredita que a resposta é respeitar emoções e manter uma alimentação saudável em paz com a comida

Neste momento de isolamento social em que todos estão em casa para achatar a curva de contágio do coronavírus, muitas pessoas têm se preocupado em manter uma alimentação saudável para aumentar a imunidade e diminuir os riscos de se contaminar. Mas, também seria o momento de perder um pouco de peso? Muitos pensam que sim.

De acordo com a Organização Mundial de saúde (OMS), a obesidade é um fator de risco para quadro grave de contágio do novo coronavírus, considerando que, em sua maioria, pessoas que tem obesidade já fazem parte do quadro de doenças como diabetes, doenças cardiovasculares e complicações pulmonares. Uma pesquisa da Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico), aponta que, no Brasil, uma a cada cinco pessoas tem obesidade, e mais da metade da população tem sobrepeso.

Por conta disso, muitos adotam dietas restritivas para perder peso rapidamente. Porém essa não é a melhor opção, ainda mais quando se é preciso manter a imunidade do corpo em alta. A nutricionista doutora da USP e autora do best-seller “O peso das dietas”, Sophie Deram, entende que o foco deve estar em manter-se saudável e com uma boa imunidade.
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“As pessoas buscam nas dietas um emagrecimento rápido, acreditando que fará bem à saúde delas, mas não é bem assim. Dietas restritivas causam um grande estresse e, neste momento que estamos vivendo, afeta ainda mais a saúde mental das pessoas. Se você quer perder peso e, principalmente, emagrecer de maneira saudável e sustentável, a resposta não são as dietas, mas sim um estilo de vida saudável”, explica.

As dietas restritivas podem afetar a imunidade e diminuir a resistência física, o que é extremamente prejudicial neste momento. Além disso, o corpo ainda corre o risco de sofrer o “efeito sanfona”, que afeta o metabolismo. A melhor alternativa é ligar o alerta e saber que, no atual período, fazer dieta é piorar a saúde. “Cada dia que passa, respeitamos menos o nosso corpo da maneira que ele é. Atividades físicas diárias são importantes, mas o foco deve estar em manter uma alimentação mais fresca e caseira, com alimentos menos industrializados. Cozinhar também é uma boa dica. Agora, é preferível manter o mesmo peso, e ganhar saúde”, acredita.

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Envato Elements

A nutricionista ressalta que a ansiedade é diretamente afetada com uma nova rotina de isolamento social. “Por isso, é importante olhar para si mesmo, enxergar a sua fome e tentar descobrir se ela é real ou emocional. Esse é um fator que pode fazer com que as pessoas comam ainda mais”, salienta.

“O tédio e a ansiedade podem fazer com que as pessoas comam mais do que deveriam e, depois, elas tentam fazer dietas para perder o peso que ganharam. Devemos buscar entender o que sentimos no momento para descobrir se a fome não é apenas o nosso emocional querendo preencher a avalanche de sentimentos que estamos tendo. Não sou a favor de restrições, mas sim de comer bem. Para mim, a alimentação é um estilo de vida: comer bem, sem culpa, sem restrição, com prazer e respeitando sua fome, seu corpo e emoções. Essa é a melhor opção para nos mantermos saudáveis e cuidamos da imunidade no momento em que mais precisamos”, conclui.

Sobre a Sophie Deram

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Nutricionista e autora do livro “O peso das dietas”, Sophie Deram. Créditos: Divulgação

Autora do livro “O Peso das Dietas”, é engenheira agrônoma de AgroParisTech, Paris, nutricionista franco-brasileira e doutora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) no departamento de Endocrinologia. Além de especialista em tratamento de Transtornos Alimentares pelo Ambulim – Programa de Transtornos Alimentares do Instituto de Psiquiatria do HCFMUSP é coordenadora do projeto de genética e do banco de DNA dos pacientes com transtorno alimentar no Ambulim.

Dieta pobre pode levar à perda da visão

A mídia destaca os riscos para a saúde cardiovascular, obesidade e câncer, associados à má alimentação, mas a má nutrição também pode danificar permanentemente o sistema nervoso, principalmente a visão

Um caso extremo de comer “exigente” causou perda da visão em um jovem paciente, de acordo com um novo estudo de caso publicado no Annals of Internal Medicine. Os pesquisadores da Universidade de Bristol, que examinaram o caso, recomendam que os médicos considerem a neuropatia óptica nutricional em pacientes com sintomas visuais inexplicáveis ​​e dieta pobre, independentemente do Índice de Massa Corporal (IMC), para evitar perda permanente da visão.

junk food

“A neuropatia óptica nutricional é uma disfunção do nervo óptico, importante para a visão. A condição é reversível, se detectada cedo. Mas, se não tratada, pode levar a danos estruturais permanentes no nervo óptico e perda da visão”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO).

Em países desenvolvidos como o Reino Unido, as causas mais comuns de neuropatia óptica nutricional são problemas intestinais ou medicamentos que interferem na absorção de nutrientes importantes para o estômago. As causas puramente alimentares são menos comuns porque o suprimento de alimentos é bom, mas em outros lugares do mundo, pobreza, guerra e seca estão ligadas à desnutrição e a taxas mais altas de neuropatia óptica nutricional.

Cientistas clínicos da Bristol Medical School e do Bristol Eye Hospital examinaram o caso de um paciente adolescente que primeiro procurou um clínico geral com queixa de cansaço. A ligação entre seu estado nutricional e a visão não foi detectada muito mais tarde, quando sua deficiência visual tornou-se permanente.

Apesar de ser um “comedor exigente”, o paciente apresentava IMC e altura normais, sem sinais visíveis de desnutrição e não tomava medicamentos. Os testes iniciais mostraram anemia macrocítica e baixos níveis de vitamina B12, que foram tratados com injeções de vitamina B12 e orientação dietética.

Quando o paciente voltou ao hospital, um ano depois, os sintomas de perda auditiva e de visão haviam se desenvolvido, mas nenhuma causa foi encontrada. Aos 17 anos, a visão do paciente piorou progressivamente, a ponto de chegar à cegueira.

Investigações posteriores descobriram que o paciente apresentava deficiência de vitamina B12, baixos níveis de cobre e selênio, alto nível de zinco e acentuado nível reduzido de vitamina D e densidade mineral óssea. Desde o início do ensino médio, o paciente consumia uma dieta limitada a batatas fritas, pão branco e um pouco de carne de porco processada. No momento em que a condição do paciente foi diagnosticada, ele apresentava visão prejudicada permanentemente.

Os pesquisadores concluíram que a dieta junk food (alimentos com alto teor calórico, mas com níveis reduzidos de nutrientes) do paciente e a ingestão limitada de vitaminas e minerais nutricionais resultaram no aparecimento de neuropatia óptica nutricional. Eles sugerem que a condição pode se tornar mais prevalente no futuro, dado o consumo generalizado de junk food, em detrimento de opções mais nutritivas, e a crescente popularidade do veganismo (se a dieta vegana não for suplementada adequadamente para evitar a deficiência de vitamina B12).

That Vegan Brand - Gnocchi de Espinafre 4
Gnocchi de espinafre vegano

“A visão impacta nossa qualidade de vida, educação, emprego, interações sociais e saúde mental. O caso relatado no estudo destaca o impacto da dieta na saúde visual e física e o fato de que a ingestão de calorias e o IMC não são indicadores confiáveis ​​do estado nutricional”, afirma a neuro-oftalmologista Márcia Marques, que também integra o corpo clínico do IMO.

A equipe de pesquisadores recomenda que o histórico da dieta faça parte de qualquer exame clínico de rotina, como perguntar sobre tabagismo e ingestão de álcool. “Isso pode evitar que o diagnóstico de neuropatia óptica nutricional seja esquecido ou descartado, pois algumas perdas visuais associadas podem ser recuperadas totalmente se as deficiências nutricionais forem tratadas com antecedência suficiente”, afirma a oftalmologista Márcia Marques.

Fonte: IMO-Instituto de Moléstias Oculares

Alimentos que você não pode deixar de incluir na sua rotina

Você já prestou atenção nos alimentos que estão sempre presentes na sua rotina? Existem muitos que são indispensáveis para a sua saúde e que promovem benefícios que fazem muita diferença no seu dia a dia.

A nutricionista da Bio Ritmo, Fúlvia Gomes Hazarabedian, listou cinco alimentos que você não pode deixar de incluir na sua dieta, pois vão regular o seu organismo e intestino, melhorar a sua digestão, contribuir para o rejuvenescimento, entre muitos outros benefícios. Confira abaixo.

aveia pixabay
Pixabay

Aveia: apesar de não ser um alimento com baixas calorias, possui fibras e proteínas que ajudam no atraso do esvaziamento gástrico, prolongando a sensação de saciedade e assim ajudando no combate à obesidade. A sua ótima combinação de fibras solúveis e insolúveis ajuda ao funcionamento do trânsito intestinal. Além disso, retarda o tempo de absorção de glicose e por isso é eficaz tanto em processos de emagrecimentos como em algumas doenças metabólicas como o diabetes.

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Foto: JPPI

Brócolis: contém altos níveis de vitamina A, necessária para a saúde da pele e dos olhos, além do o betacaroteno, essencial para a saúde do fígado e para o funcionamento imunológico. Esse é um vegetal crucífero e por isso ajuda na redução de peso, funciona como alimento anti-inflamatório, contribui para a redução da pressão arterial e níveis de colesterol.

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Pixabay

Ovo: alimento com alta concentração de proteína que ajuda no rejuvenescimento, na memória e no ganho e manutenção de massa muscular. A taxa de absorção de proteínas que o ovo permite é alta, fazendo com que não haja perdas de nutrientes. Desta forma, ele é indispensável para quem busca um alimento com baixas calorias e boa fonte de proteínas, vitaminas e minerais.

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Pixabay

Limão: o teor elevado de ácido cítrico da fruta atua como um antibiótico natural, por funcionar como agente bactericida. Auxilia no processo digestivo, pois estimula a produção de saliva e sucos gástricos, e facilita a digestão de carnes e proteínas em geral, bem como no metabolismo de gorduras. Além disso, o limão tem ação alcalinizante, antioxidante, cicatrizante, ajuda no emagrecimento e promove bem-estar, saúde e longevidade.

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Banana: melhora a saúde do coração, pois é rica em potássio. As fibras presentes na banana ajudam na digestão e saúde do sistema digestivo, e os carboidratos de alta absorção são ideais para quem pratica atividade física, pois regulam os níveis de energia e recompõem as energias vitais no pós-treino.

Fonte: Bio Ritmo

É importante seguir a dieta low carb com orientação de nutricionista

Especialista do Dietbox apresenta detalhes sobre o protocolo alimentar

Nos últimos anos, a dieta low carb ganhou cada vez mais fama entre o público interessado em iniciar um processo de reeducação alimentar e perda de peso. Muitas vezes, porém, o protocolo é comunicado como milagroso, deixando de lado a importância do acompanhamento nutricional e personalizado para cada paciente.

Pensando nisso, Luiza Ferracini, nutricionista do Dietbox, software de nutrição mais utilizado do Brasil, elencou informações relevantes que reforçam a importância da dieta low carb ser guiada por um profissional de nutrição.

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Em primeiro lugar, vale explicar do que se trata o low carb: “Trata-se de um protocolo alimentar com baixo consumo de carboidratos, e não corte total. De modo geral, orientamos que os pacientes consumam uma quantidade diária de carboidratos que deve variar entre 45% e 65% das necessidades calóricas diárias. Quando uma pessoa passa a consumir uma quantidade menor do que essa, está em uma dieta low carb”, esclarece Luiza.

Já em um segundo momento, é importante lembrar que o protocolo não se baseia no consumo exclusivo de alimentos gordurosos ou proteínas, mas sim no foco em legumes e verduras. Carboidratos de baixo índice glicêmico também são recomendados, ou seja, aqueles cuja glicose é absorvida em menor velocidade e, por isso, não há picos de açúcar no organismo. Consequentemente, o corpo não precisa estocar glicose em forma de gordura.

aveia iogurte frutas pixabay
Pixabay

A definição do cardápio do paciente é, ainda, um dos momentos mais importantes dentro de qualquer protocolo nutricional. “É essencial o acompanhamento de um especialista, que poderá guiar o paciente por escolhas e substituições inteligentes, como a priorização de ‘bons carboidratos’, como tubérculos, iogurtes, frutas, verduras, legumes e oleaginosas, em detrimento do que chamamos de ‘carboidratos ruins’, como pães e farinhas brancos, e sucos e todos os tipos de açúcar”, explica.

A especialista reforça que todas as quantidades de gorduras, carboidratos e proteínas consumidas diariamente devem ser orientadas por um nutricionista a partir de entrevista completa como paciente, cálculo de gasto energético, avaliações laboratoriais e acompanhamento periódico.

LowCarb dieta

“Além disso, é importante ressaltar que em alguns casos a dieta low carb não deve ser seguida durante um longo período de tempo, pois a partir de um ponto, a restrição do consumo de carboidratos pode gerar a perda de massa magra, o que não se traduz de forma benéfica dependendo do objetivo do paciente”, conclui Luiza.

Sobre o Dietbox

Fundado em 2013, o Dietbox é o software online de nutrição mais utilizado por profissionais da área, oferecendo aos nutricionistas uma ferramenta de aproximação e fidelização de pacientes. A startup conta com mais de 80 mil profissionais e estudantes no sistema, mais de 2 milhões de pacientes cadastrados e está presente em 15 países. Recentemente, a companhia deu início ao seu processo de internacionalização e personalizou o software para o mercado chileno. O Dietbox ocupa posição de líder de mercado no Brasil, tanto entre softwares online, quanto entre offline.

Dieta cetogênica: conheça a dieta que corta drasticamente os carboidratos

Embora apresente considerável eficácia, método deve ser utilizado com cautela e acompanhamento profissional.

Quando se fala em emagrecer, a primeira coisa que a maioria das pessoas pensa é em diminuir o consumo de carboidratos. Um exemplo disso é a dieta cetogênica, que já existe há muito tempo; nos anos 1920, ela surgiu como tratamento para epilepsia, e foi ganhando fama como alternativa para a perda de peso apenas nos anos 1960.

A prática foi evoluindo com o tempo e, hoje em dia, é utilizada até mesmo por famosas, como as atrizes Giovanna Antonelli e a norte-americana Megan Fox. Segundo Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia, a dieta é eficaz, mas a custos altos: “Fisiologicamente falando, faz sentido diminuir o apetite por meio da produção dos corpos cetônicos, mas a prática traz efeitos colaterais relevantes e não deve ser iniciada sem o acompanhamento de um especialista”, afirma.

Como explica a nutróloga, geralmente, as refeições nessa dieta são compostas de proteínas de alto valor biológico; cada uma dessas refeições contém proteínas, carboidratos e gorduras, em quantidades e calorias restritas e costuma ter três fases: ativa, reeducação e manutenção.

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“A fase ativa pode variar de 30 a 45 dias é a que ocorre a maior perda de peso. Na segunda fase, a de reeducação, o paciente vai incorporando, gradualmente, comidas naturais e saudáveis na sua rotina. Após uma dieta muito restrita, a pessoa retorna a se alimentar com uma quantidade mais segura de calorias, no geral, em torno de 1200 a 1800 por dia, mas nessa fase ainda há perda de peso – ainda que menor do que na fase anterior. Por fim, vem a fase de manutenção do peso obtido nas duas fases anteriores”, detalha.

A grande questão que cerca o tema é: a dieta cetogênica é segura? Segundo a Dra. Marcella, sim, mas com ressalvas. “É uma dieta que não pode ser feita por tempo prolongado; é eficaz a médio e curto prazo, e não pode ser seguida por qualquer pessoa. No grupo que deve evitar a prática estão os diabéticos, os hipertensos, e pacientes com problemas no fígado ou rim. O alto consumo de gorduras é outro ponto a ser considerado antes de optar pelo plano, já que, ao fazer com que 90% das calorias venham da gordura, há o risco de alterações no perfil lipídico”, completa.

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Em suma, pode-se dizer que a dieta cetogênica tem, sim, eficácia, especialmente no combate à obesidade e/ou síndrome metabólica. No entanto, deve ser feita sob acompanhamento nutrológico, para que os riscos de efeitos colaterais sejam excluídos, assim como para uma boa indicação de alimentos. Além disso, a médica reforça: “O tempo máximo para praticar a dieta cetogênica deve ser de seis meses”, finaliza.

Fonte: Marcella Garcez é médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Adequar dieta é caminho para conviver com intolerância à lactose

Dependendo do caso, não é necessário se afastar completamente do leite e seus derivados, apenas dosar as quantidades. Readequação alimentar pode reduzir sintomas, que podem ser dores, inchaços abdominais, gases e diarreia

O leite é fonte de proteínas e gordura, mas também conta com carboidrato em sua composição. E é esse açúcar do leite o responsável por um mal-estar em pacientes que sofrem com intolerância à lactose.

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“Pacientes que têm incapacidade total ou parcial de produzir a enzima lactase, que quebra a lactose facilitando a digestão, geralmente, após ingerir derivados do leite, sofrem com dores e inchaço abdominais, além de gases e diarreia. A lactose que não foi devidamente quebrada acumula-se no intestino e é fermentada por bactérias locais, o que provoca o mal-estar”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran.

“Mas a readequação na dieta ajuda nesse processo, permitindo ao paciente viver sem dores e desconfortos”, acrescenta a médica.

O problema pode surgir em qualquer idade. Durante a amamentação, os bebês produzem lactase em larga escala, mas essa produção cai naturalmente com o desmame. Há alguns fatores de risco que contribuem para o aparecimento da condição, dentre eles: doenças gastrointestinais, envelhecimento, predisposição genética, diabetes, realização de cirurgia bariátrica e infecção por rotavírus. O diagnóstico é confirmado com avaliação médica e exames laboratoriais.

“O tratamento vai da redução ou limitação completa do consumo de lácteos, podendo ser indicado também cápsulas de lactase para ajudar na digestão”, afirma.

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Apesar do diagnóstico causar decepção para os amantes de queijos, doces e leites, são raros os casos em que se retira completamente esses alimentos da dieta. “E mesmo nesses casos, hoje há muitas opções de alimentos que já contam com a enzima lactase na sua composição ou então alternativas veganas, com leites e queijos de origem vegetal, que podem ser assimilados na dieta com parcimônia. É sempre importante verificar se essa bebida vegetal é calórica, fonte de gordura ou de proteína para equilibrar a alimentação”, diz a médica.

Nos casos em que a orientação é apenas a diminuição da quantidade de derivados do leite, uma dica é fracionar esses produtos na alimentação em menores doses, consumindo pouco deles em cada refeição. “Há lácteos menos perigosos, como os queijos, que normalmente possuem menos lactose que o leite. Com exceção dos tipos frescos, eles concentram quantidades mínimas desse açúcar. Mas tudo depende da sensibilidade de cada organismo”, diz a médica.

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Para quem evita o consumo do leite e derivados, é necessário ficar de olho no nível de cálcio, um dos minerais mais importantes, envolvido na constituição dos ossos e dentes, contração muscular, coagulação do sangue, transmissão de impulsos nervosos e secreção de hormônios.

“Outros alimentos que podem ser fontes de cálcio para compensar a dieta sem leite são legumes e verduras (vegetais de folhas verdes, couve, alface, abobrinha, repolho, brócolis, aipo, mostarda, erva-doce), feijão, ervilhas, salmão, tofu, laranja, amêndoa, sementes de gergelim, melaço e cereais enriquecidos com cálcio”, finaliza a médica.

Marcella Garcez: Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Projeto verão: ainda dá tempo para começar

Especialista lista dicas para iniciar uma reeducação alimentar e garantir bons resultados para a saúde e o corpo

No verão, é comum todos se preocuparem mais com o físico, já que as roupas deixam o corpo mais à mostra e as temporadas na praia e os dias de piscina são mais frequentes. De acordo com Ana Pallottini, consultora em nutrição da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi), não é preciso radicalismo para obter resultados e ainda dá tempo de começar uma mudança de estilo de vida, melhorando a alimentação e incluindo atividade física na rotina, sem colocar a saúde em risco.

“Muitas pessoas se aventuram em dietas restritivas em busca de efeitos imediatos, com cardápios que eliminam os alimentos fontes de carboidratos, por exemplo”, explica Ana.

A nutricionista destaca que o planejamento inicial também pode ser usado como um incentivo às mudanças permanentes no dia a dia, evitando assim, o efeito rebote ou sanfona, quando todo resultado conquistado se perde. “A alimentação adotada deve ser sustentável em longo prazo, saborosa e saudável. Dessa forma é mais fácil seguir o cardápio por mais tempo, passando de uma dieta para uma reeducação alimentar”, pontua.

Abaixo, Ana lista cinco dicas para chegar ao verão com um corpo bonito e saudável:

• Dê atenção para o café da manhã

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Começar o dia com uma refeição equilibrada garante mais energia, saciedade e disposição ao longo do dia. Aposte em um pão de forma integral ou torradas, que fornecem carboidratos e energia. Para acompanhar, queijo ou ovo mexido, que fornecem proteínas e, como complemento, fruta da estação ou suco de fruta natural, misturados com semente de linhaça ou chia, que acrescentam fibras, vitaminas e minerais.

• Capriche nas saladas

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Frescas e refrescantes, as saladas são boas opções para os dias mais quentes, especialmente para o jantar. Combinando alguns ingredientes, é possível elaborar uma refeição completa, leve e balanceada. Acrescente frango desfiado, ovos de codorna, atum ou grão de bico, que são os alimentos fontes de proteína. E, para acompanhar, croutons caseiros. É só cortar o pão de forma em quadradinhos, regar com um fio de azeite de oliva e orégano e torrar no forno.

• Prepare sorvetes caseiros e refrescantes

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Um lanche leve entre as refeições principais pode ajudar a controlar a fome e trazer mais disposição e energia para o dia. Frutas são boas opções para esse momento, e podem se tornar mais atrativas e apetitosas em forma de sorvete. A sugestão é picar uma banana e levá-la ao congelador. Depois de congelada, bater em um mixer com cacau em pó e um pouco de mel. Para dar aquele toque especial, quebre alguns biscoitos integrais de cacau junte à “massa” do sorvete.

• Pratique atividade física

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Comece a rotina de exercícios físicos aos poucos e escolha uma atividade prazerosa para você. Aproveite o sol e os dias mais longos e se exercite ao ar livre, quando possível, praticando corrida, caminhada ou natação. Reserve ao menos três dias da semana para atividades de uma hora. Desta forma já é possível cumprir a recomendação da Organização Mundial de Saúde de 150 minutos de exercício semanais.

• Estipule metas realistas

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Eleve a autoestima e trace metas realistas, condizentes com sua rotina e com o seu biotipo. É possível perder peso ou ficar com o corpo mais definido, mas dentro do que seria ideal para cada um, sem sofrimento e sem arriscar a saúde.

Fonte: Abimapi

O que incluir ou retirar da dieta para melhorar viço, hidratação e luminosidade da pele

Alguns alimentos, principalmente os processados, podem ‘roubar’ o viço e brilho natural da pele. Por outro lado, os alimentos in natura podem promover o reequilíbrio hídrico da pele, conferindo hidratação e mais nutrientes

Sua dieta desempenha um papel significativo na aparência da sua pele, principalmente melhorando a hidratação, o viço, a luminosidade e a defesa antioxidante contra os agentes que podem envelhecê-la. “Os alimentos que você consome regularmente definem a aparência da sua pele,

não apenas em um mês, mas também em um ou dois anos. Beber água é algo muito óbvio e algo que as pessoas esquecem também”, diz o dermatologista Jardis Volpe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

Para quem quer saber o que incluir e o que parar de comer, consultamos alguns especialistas:

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Tenha proteína suficiente no seu cardápio: coma mais peixe, frango, nozes, ovos e produtos lácteos, como iogurte. “A proteína ajuda a manter os músculos em dia, tornando a pele mais cheia. Se você estiver procurando por uma dieta antienvelhecimento eficaz, verifique se ela contém produtos proteicos suficientes”, diz o médico.

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Adicione muitos antioxidantes também: certifique-se de consumir muitas frutas como uvas, laranjas, kiwis, ameixas pretas, cranberries, mirtilos e morangos para neutralizar os radicais livres que influenciam seu processo de envelhecimento. “Temos um sistema muito eficiente de antirradicais livres ou sistema antioxidante, e ele tem três barreiras. A primeira delas é composta pelas vitaminas, resveratrol, e tudo aquilo que já ouvimos falar sobre antioxidantes. Então pode investir no suco verde, cúrcuma, pois realmente funcionam”, afirma a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps. Uma boa dica é não investir tudo em uma fruta em particular. “Tenha uma variedade de tudo para obter diferentes tipos de antioxidantes em sua dieta. Equilíbrio é a chave”, explica Jardis.

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Açúcar demerara

Reduza o açúcar: comer açúcar não é uma boa coisa para sua saúde e aparência. “O excesso de açúcar em doces e bolos contribui para a formação de AGEs prejudiciais ao colágeno, mas também está envolvido em processos inflamatórios, como a acne”, explica Beatriz. Ao mesmo tempo, é difícil abandonar o vício em açúcar. O que fazer? Comece com um passo de cada vez. “Além de adequar o paladar, buscando consumir menos açúcar, é possível em muitas receitas substituir esse ingrediente por frutas mais doces e mel, que são fontes de vitaminas, ou versões mais ‘magras’, como o açúcar demerara ou o adoçante xylitol – também evitando o excesso”, completa a médica.

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Tenha fibra suficiente em sua dieta: coma mais vegetais, grãos integrais e feijões. “Os alimentos fibrosos são ótimos, pois ajudam na saúde digestiva. E eles são baixos em calorias. Assim, você pode comê-los mais sem se sentir pesado. Além disso, por serem mais ricos em vitaminas, eles ajudam a melhorar a hidratação e luminosidade da pele”, diz Volpe. Quais são esses alimentos ricos em fibras? Invista nas cenouras, beterrabas, couve-de-bruxelas, brócolis, alface, entre outros. “Se você quiser obter mais fibras de um determinado alimento, coma-o em uma forma completa. Por exemplo, coma uma cenoura inteira em vez de beber suco de cenoura ou comer molho de cenoura”, diz o médico.

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Afaste-se das carnes processadas: salsicha, bacon e linguiça são exemplos de carnes processadas que podem ser prejudiciais à pele. “Essas carnes são ricas em sódio e gorduras saturadas, que podem desidratar a pele e enfraquecer o colágeno, causando inflamação”, lembra Beatriz. Ou seja, elas roubam o brilho natural da sua pele, que perde viço. Esse tipo de proteína pode ser substituído por ovos e frangos ou proteínas vegetais como feijão, grão-de-bico e ervilha.

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Portanto, os médicos enfatizam o papel das mudanças saudáveis e lembram que tudo que você faz hoje para sua pele reflete mais tarde. “Busque orientação de um médico ou nutricionista caso tenha dúvidas”, finaliza Jardis.

Fontes:

Jardis Volpe: dermatologista; Diretor Clínico da Clínica Volpe (São Paulo). Formado pela Universidade de São Paulo (USP); Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia; Membro da Sociedade Americana de Laser, da SBD e da Academia Americana de Dermatologia; Pós-graduação em Dermatocosmiatria pela FMABC; Atualização em Laser pela Harvard Medical School.

Beatriz Lassance: Cirurgiã Plástica formada na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo e residência em cirurgia plástica na Faculdade de Medicina do ABC. Trabalhou no Onze Lieve Vrouwe Gusthuis – Amsterdam -NL. Membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da International Society of Aesthetic Plastic Surgery e da American Society of Plastic Surgery. Além disso, é membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.