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Doenças inflamatórias intestinais crescem em média 15% ao ano e geram alerta no Brasil

Meio bilhão de neurônios, mais de 30 neurotransmissores e 700 espécies de bactérias que vivem em constante batalha do bem contra o mal. Os números impressionam e referem-se ao intestino, um órgão tão importante para o nosso corpo, que possui seus próprios circuitos neurais que funcionam em conexão complexa com o sistema nervoso central.

O desequilíbrio das funções intestinais pode ter grande impacto negativo na saúde, inclusive mental. O dia 19 de maio, Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), traz visibilidade para estas doenças que têm tido grande aumento de sua incidência. No Brasil, estima-se um aumento de casos de cerca de 11-15% por ano. As duas principais doenças inflamatórias intestinais são a doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, que acometem aproximadamente 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

O médico gastroenterologista da Rede Mater Dei de Saúde, Célio Geraldo, explica que as DIIs são mais frequentes em adolescentes e adultos jovens, de 15 a 40 anos. O fator causador da doença ainda é desconhecido, entretanto, postula-se ser um produto da interação de fatores genéticos, imunológicos, ambientais, alimentares e alteração da flora intestinal. Segundo Célio, a retocolite ulcerativa atinge a mucosa intestinal do reto e do cólon, conhecido como intestino grosso, já a doença de Crohn pode atingir todo o trato digestório, da boca ao ânus, sendo mais prevalente no intestino delgado, cólon e região perianal, provocando inflamações em todas as camadas intestinais.

Entre os sintomas estão diarreia crônica com sangue, muco ou pus, associada a cólicas abdominais, urgência evacuatória, falta de apetite, fadiga e emagrecimento. Em casos mais graves, o paciente pode ter anemia, febre, desnutrição e distensão abdominal. Entre 15% e 30% dos pacientes apresentam, ainda, manifestações extraintestinais como dor nas articulações, lesões de pele ou oculares.

O médico alerta, ainda, que o caminho até o diagnóstico da DII pode ser desafiador, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, como a síndrome do intestino irritável e diarreias infecciosas, o que torna imprescindível uma análise completa do paciente por profissional com experiência na área. Isso inclui investigação do histórico clínico e exames laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e biópsias. No Mais Saúde Mater Dei contamos com ambulatório especializado em Doenças inflamatórias intestinais.

Infelizmente as DIIs não têm cura, no entanto, o tratamento adequado melhora a qualidade de vida do paciente e previne complicações. Célio destaca ser importante fazer mudanças na alimentação, no estilo de vida, como parar de fumar e manter o tratamento médico de forma contínua, por se tratar de uma doença crônica. Alguns pacientes necessitam de medicações injetáveis, seja endovenosa ou subcutânea para manter a doença controlada. No Mater Dei está disponível o Centro de Infusão para pacientes com DII. Trata-se de um centro de terapia assistida idealizado com o objetivo de promover rapidez, conforto e segurança no tratamento, explica o gastroenterologista.

Pontos de atenção das DIIs

Sintomas
=dor ou desconforto abdominal;
=“inchaço” abdominal;
=diarreia;
=sangue, muco ou pus nas fezes;
=flatulência (gases) exagerada;
=constipação intestinal;
=sensação de esvaziamento incompleto do intestino;
=emagrecimento;
=fraqueza;
=febre;
=falta de apetite.

Na suspeita de doença inflamatória intestinal, o paciente deve buscar atendimento especializado o quanto antes de forma a não atrasar o diagnóstico e o tratamento.

Fonte: Rede Mater Dei de Saúde

Maio Roxo: o que pôr à mesa e o que evitar para a saúde da flora do “segundo cérebro”

No Mês da Conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais, especialistas alertam para a importância de uma alimentação saudável para o sistema gastrointestinal

Para colorir o mês de maio e marcar o World IBD Day (Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, celebrado em 19 de maio), a campanha de conscientização Maio Roxo, encabeçada pelas Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), e Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB), visa conscientizar e alertar a sociedade para importância de diagnóstico precoce e tratamento dessas doenças. Segundo dados da SBCP, as doenças inflamatórias intestinais (DII) atingem mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo e a incidência média fica em torno de 7 para cada 100 mil habitantes, constatando progressivo aumento na ocorrência de novos casos.

As DII são divididas em dois subtipos: colite ulcerativa com acometimento, principalmente do cólon, e Doença de Crohn, que pode afetar qualquer região do trato gastrointestinal. As pessoas comumente são acometidas por esses males no início da idade adulta, mas é possível ocorrer em qualquer fase da vida. Nos últimos anos, a prevalência tem aumentado, atingindo desde crianças até idosos.

A causa é multifatorial e engloba fatores genéticos e ambientais, como o estilo de vida ocidentalizado, incluindo padrão alimentar caracterizado pelo alto consumo de proteínas e gorduras saturadas e baixa ingestão de vegetais, frutas e fibras que favorecem o ambiente pró-inflamatório, além de fatores como urbanismo, melhoria da higiene, aumento do uso de antibióticos e ingestão de anticoncepcionais orais. Todas essas condições interferem na microbiota do corpo como um todo, afetando as defesas naturais.

Eixo Cérebro-Intestino

A regra é clara: quem nunca sentiu dor de barriga em momentos de ansiedade ou estresse? Não é coincidência, visto que o cérebro e o sistema digestivo estão estritamente interligados. No intestino, estão presentes bactérias que compõem a “microbiota intestinal”. Os tipos e as quantidades desses microrganismos são influenciados pelo padrão alimentar, visto que os produtos da digestão interagem com essas bactérias, fazendo com que produzam substâncias que interferem em vias sistêmicas do corpo, inclusive as relacionadas às funções cerebrais, como é o caso do triptofano. O triptofano, por sua vez, é o aminoácido precursor da serotonina, ou seja, é necessário para que tenha a formação e a liberação desse hormônio, o qual está relacionado com o bem-estar. Por isso, as emoções influenciam na sensação geral de prazer, bem como a alimentação impacta a saúde cerebral.

Alimentando as boas bactérias intestinais: o que pôr à mesa

A alimentação saudável, tanto do ponto de vista qualitativo quanto do ponto de vista quantitativo, auxilia na prevenção e no tratamento das DII. A analista de P&D da Jasmine Alimentos, Erika Rodrigues explica que devemos priorizar a tradicional comida de verdade. “A base dessa alimentação deve conter verduras, como folhas em geral, alface, rúcula, agrião, legumes como, por exemplo, abobrinha, brócolis e couve-flor e frutas.

As oleaginosas como, por exemplo, castanha-do-pará, castanha-de-caju e amêndoa também são muito importantes. As sementes de abóbora, de gergelim, de linhaça e os grãos e cereais integrais como arroz integral, quinoa, aveia são indispensáveis. As leguminosas, ou seja, feijão, lentilha e ervilha e as fontes de proteínas com quantidades menores de gorduras saturadas, como peixes e ovos complementam o que chamamos de comida de verdade”, diz.

Essa base de alimentação possui nutrientes e compostos bioativos que atuam diretamente na inativação de vias pró-inflamatórias, assim como na redução de substâncias relacionadas à inflamação, contribuindo para o controle da dor, cicatrização e reparação da mucosa. Ainda, atuam como pré e probióticos, proporcionando e preservando uma microbiota saudável, ou seja, crescimento e desenvolvimento de bactérias benéficas para a saúde intestinal.

Outro nutriente relevante é a fibra, visto que a ingestão adequada deste nutriente colabora com a redução do risco das DII a longo prazo. Esse nutriente está presente em frutas, verduras, legumes, leguminosas, grãos e cereais integrais, além de sementes de linhaça e de chia.

“Em relação aos compostos bioativos, sabe-se que o polifenol e suas classes flavonoides, estilbenos, ácidos fenólicos e lignanas têm propriedades anti-inflamatórias e podem reduzir o estresse oxidativo decorrente de patologias, podendo contribuir para a melhoria dos sintomas das doenças inflamatórias intestinais. Em outras palavras, priorize o consumo de vegetais e frutas como cebola, brócolis, alho e frutas vermelhas que possuem ação antioxidante e efeitos anti-inflamatórios”, detalha a nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos, Adriana Zanardo.

Por fim, cabe ressaltar que os alimentos de coloração vermelha e roxa como uva, morango, framboesa, mirtilo, açaí, goji berry e cranberry também têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. “Uma dica imprescindível é o consumo do açafrão, também conhecido como cúrcuma. Seu uso diário foi relacionado com a remissão clínica da colite em pacientes que mantiveram o tratamento medicamentoso indicado para o quadro”, explica Adriana.

O que não comer para o intestino inflamado

O ômega-6 é a família de ácidos graxos que, ao contrário do ômega-3, possui ação pró-inflamatória quando ingerido em quantidades elevadas, estando presentes em óleos vegetais e margarina. Segundo estudos, o risco de desenvolver colite ulcerativa é duas vezes maior em pacientes com alta ingestão de ômega-6.

Ainda, a sucralose, sacarina, aspartame, ciclamato e outros adoçantes artificiais podem aumentar o risco de DII. Da mesma forma, emulsificantes também podem aumentar o risco de desenvolvimento de colite devido à alteração da microbiota e da mucosa intestinal, com possível supercrescimento de Escherichia coli e proteobactérias, que, consequentemente, aumentam a inflamação e danos intestinais.

SOS: fase de ativação da doença

“Quando o portador de DII estiver com a doença ativa, deve-se pensar em quais são os sintomas predominantes para que a dieta seja ajustada de forma a contribuir com a diminuição dos mesmos. De modo geral, o raciocínio é pensar nos alimentos que têm fácil digestibilidade para não demandar tanto do trato gastrointestinal, considerando que já está consideravelmente inflamado em decorrência da doença. Pensando nisso, alguns alimentos, apesar de serem saudáveis, podem ser reduzidos por um período até o restabelecimento da homeostase intestinal”, explica a nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos.

Os alimentos fermentáveis, oligo, di, monossacarídeos e polióis possuem carboidratos de cadeia curta que são mal absorvidos e podem desencadear inchaço abdominal, dor, flatulência e diarreia. Esses alimentos são: cebola, alho, ervilha, beterraba, couve, milho, couve-flor, maçã, pera, manga, melancia, pêssego, ameixa, abacate, leite de vaca, queijo fresco, ricota, feijão, grão-de-bico, soja, trigo, centeio, castanha-de-caju, pistache e industrializados com xarope de milho, glicose, sacarose e polióis (xilitol, manitol e sorbitol). Estudos apontam que 50% das pessoas que tiveram redução do consumo desse grupo de alimentos apresentaram melhora dos sintomas.

Fonte: Jasmine Alimentos

Vergonha causada por sintomas das DII faz com que pacientes não procurem tratamento

Aprender a falar sobre as doenças inflamatórias intestinais pode ajudar a combater o estigma

Os sintomas das doenças inflamatórias intestinais (DII), sendo a Doença de Crohn e retocolite ulcerativa, podem incluir ambos sintomas gastrointestinais e sistêmicos, os quais podem levar à interrupção das atividades, causando constrangimento e preocupação para os pacientes. Estes impactos imediatos resultam em uma cascata de efeitos na vida dos pacientes e em seu bem-estar psicológico.

A DII tem impactos psicológicos significativos devido à flutuação dos sintomas diários e à imprevisibilidade de exacerbações ou crises, constrangimento e estigma dos sintomas da DII, entre outros fatores, que podem causar ansiedade, depressão e outros efeitos emocionais.

“A aceitação do diagnóstico pode acarretar uma série de emoções, desde a raiva até uma sensação de alívio, por finalmente saber o que está acontecendo. O mais importante é não se perder em sentimentos negativos, como autopiedade, culpa ou solidão”, afirma o gastroenterologista Flavio Steinwurz, presidente da Organização Panamericana de Crohn e Colite.

A aceitação pode ajudar o paciente a realizar suas atividades diárias o máximo possível, seguir com as instruções dos médicos e manter uma atitude positiva e visão otimista da vida. Dificuldades emocionais, especialmente negação da doença, de alguma forma podem ser maiores em grupos mais jovens do que entre adultos mais velhos.

O pico de incidência das doenças inflamatórias intestinais ocorre entre os 15 e 30 anos, mas elas podem afetar pessoas de qualquer idade. Quando feito o diagnóstico, por exemplo, 15% delas estão acima de 60 anos. “Indivíduos mais jovens, apesar de muito escolados em alguns temas, têm certos constrangimentos em tocar em temas sensíveis como diarreia, aparecimento de sangue ou pus nas fezes. Por isso, a melhor forma de diminuir o estigma em relação às doenças ainda é a educação”, ressalta o gastroenterologista.

De acordo com o especialista, apesar de as doenças afetarem cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo, ainda há estigmas a serem vencidos. “É possível manter a vida diária normal com uma doença inflamatória intestinal. Abordar o tema com naturalidade pode auxiliar a diminuir estes estigmas e contribuir para um diagnóstico mais precoce”, finaliza Steinwurz.

Sobre as DII

Ilustração: HealthMatters

As doenças inflamatórias intestinais correspondem a doenças crônicas inflamatórias do trato gastrointestinal. O termo engloba duas principais categorias, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa⁷. Entre os principais sintomas das DIIs estão a diarreia, dor abdominal, sangramento retal e sensação de evacuação incompleta. Além disso, outros sintomas gerais podem incluir febre perda de apetite e de peso, suores noturnos e fadiga.

Fonte: Takeda

Transplantes de fezes de “superdoadores” podem ser uma cura para várias doenças

Uma nova pesquisa sugere que as fezes dos chamados “superdoadores” têm uma diversidade microbiana tão rica que usá-las para transplantes fecais pode curar condições que variam da doença inflamatória intestinal à doença de Alzheimer e à esclerose múltipla.

Recentemente, um número crescente de estudos descobriu doenças relacionadas a mudanças na microbiota do intestino. Câncer, obesidade, depressão e transtorno de estresse pós-traumático são apenas algumas das condições que os pesquisadores associaram a um desequilíbrio na composição bacteriana de nosso intestino.

Esse desequilíbrio leva o nome de “disbiose”, e estudos observacionais notaram uma ligação entre disbiose e alergias microbianas, síndrome do intestino irritável e doença cardiovascular.

Mais recentemente, o Medical News Today informou sobre pesquisas que encontraram conexões entre bactérias intestinais e doenças relacionadas à idade, como Alzheimer ou paralisia induzida por idade.

Muitos dos estudos que iluminaram essas conexões foram realizados em camundongos sem germes. Nesses testes, os pesquisadores substituíram as microbiotas intestinais dos roedores por bactérias saudáveis, realizando transplantes fecais de um doador saudável.

Os médicos usam o mesmo procedimento de transplante de fezes em ensaios clínicos em humanos. Mas novas pesquisas sugerem que algumas fezes são melhores que outras – isto é, os chamados superdoadores têm certas bactérias em suas entranhas que podem ajudar a restaurar a diversidade microbiana que é perdida em condições como doença inflamatória intestinal e diabetes.

Se os pesquisadores conseguirem entender melhor os mecanismos pelos quais essas amostras de fezes de superdoadores ajudam a curar doenças crônicas, o transplante fecal pode ser uma terapia segura e eficaz para uma ampla gama de doenças.

Com esse raciocínio em mente, Justin O’Sullivan, Ph.D., da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia, e seus colegas decidiram revisar os ensaios clínicos existentes sobre transplante fecal. A equipe publicou suas descobertas na revista Frontiers in Cellular and Infection Microbiology.

Estudando os efeitos dos transplantes fecais

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Os pesquisadores examinaram estudos existentes de transplante fecal para doenças crônicas associadas à disbiose, como doença inflamatória intestinal, colite alérgica e constipação, bem como algumas condições hepáticas, metabólicas e até mesmo neurológicas.

“O padrão de sucesso nesses testes demonstra a existência de ‘superdoadores’, cujas fezes são particularmente propensas a influenciar o intestino do hospedeiro e levar à melhora clínica”, relata O’Sullivan.

A taxa média de cura quando se utiliza transplante fecal para infecção diarreica é superior a 90%, observam os pesquisadores, mas para outras condições, como doença inflamatória intestinal ou diabetes tipo 2, a taxa média é de cerca de 20%.

Mas alguns transplantes levam a resultados notáveis, O’Sullivan explica: “Nós vemos transplantes de superdoadores atingindo taxas de remissão clínica de talvez o dobro da média restante”.

“Nossa esperança é que, se pudermos descobrir como isso acontece, podemos melhorar o sucesso do transplante fecal e até testá-lo para novas condições associadas ao microbioma, como Alzheimer, esclerose múltipla e asma”-Justin O’Sullivan, Ph.D

Principais características das amostras fecais de superdoadores

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Os pesquisadores também descrevem algumas características dessas amostras fecais de superdoadores. Diversidade microbiana e altas concentrações de “espécies-chave” de bactérias estão entre essas características. Espécies-chave são bactérias que desencadeiam a produção de substâncias químicas – como o butirato – sem as quais o corpo é mais vulnerável a doenças

“Na doença inflamatória intestinal e no diabetes, por exemplo”, explica O’Sullivan, “as espécies-chave associadas à remissão clínica prolongada produzem butirato – um químico com funções especializadas na regulação do sistema imunológico e do metabolismo energético”.

A análise dos pesquisadores também revela que a interação entre vírus, dieta e sistema imunológico influencia a existência e o desenvolvimento de bactérias benéficas. “Por exemplo, o sucesso dos transplantes fecais tem sido associado em alguns estudos com a transferência de vírus que infectam outros micróbios intestinais”, diz O’Sullivan.

“Alguns casos de infecção diarréica recorrente foram curados com transplantes de fezes filtradas que tiveram todas as bactérias vivas filtradas, mas ainda contêm DNA, vírus e outros detritos. Apoiar o microbioma transplantado através da dieta também pode melhorar o sucesso”, acrescenta o pesquisador.

“Tem sido demonstrado que uma alteração rápida na dieta, como a mudança de uma dieta baseada em animais para uma dieta exclusivamente vegetal, pode alterar a composição da microbiota intestinal em 24 horas” – Justin O’Sullivan

Finalmente, à luz do exposto, os pesquisadores recomendam que os testes de transplante fecal humano devem levar em conta os antecedentes genéticos e as dietas dos doadores, a fim de melhor predizer os resultados clínicos da intervenção.

Texto originalmente publicado em 22 de janeiro de 2019 , por Ana Sandoiu e revisado por Gianna D’Emilio

Fonte: MedicalNewsToday

Dez questões sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais

As doenças inflamatórias intestinais (DII) prejudicam significativamente a vida de 78% dos pacientes. O dado é resultado da pesquisa Jornada do Paciente com DII, feita pela Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e doença de Crohn (ABCD) com mais de 3 mil brasileiros portadores dessas condições. Reconhecer os sintomas para o diagnóstico e o início do tratamento adequado são essenciais para proporcionar o bem-estar dos pacientes.

Os sintomas das DII podem se confundir com os de outras enfermidades mais simples e, por isso, conhecer as características particulares e procurar avaliação médica é fundamental. A gastroenterologista e presidente da ABCD, Marta Machado, esclarece as principais dúvidas sobre o tema.

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A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn são iguais?
Não. As duas principais enfermidades que compõem o grupo das DII são inflamatórias, crônicas, sem cura e podem ter diversos fatores como origem. Entretanto, são enfermidades distintas. A doença de Crohn pode acometer desde a boca ao ânus, atingindo todas as camadas do trato digestivo e, por isso, pode evoluir para perfuração e estreitamento no intestino. Já a retocolite ulcerativa é restrita ao reto e ao intestino grosso, com o acometimento restrito à mucosa.

O paciente com DII tem febre e dor como sintoma?
Sim. A dor abdominal está presente quando a doença está em atividade e o paciente pode ter quadros de febre. Além disso, os principais sinais das doenças são diarreia ou constipação, presença de sangue ou muco nas fezes e distensão abdominal.

É possível ocorrer perda de peso e queda de cabelo?
Sim. A pessoa com DII pode sofrer um emagrecimento excessivo e também queda de cabelo. Isso ocorre por questões secundárias como a desnutrição, a falta de vitaminas ou como efeito colateral de alguma medicação.

As DII apresentam sinais apenas no trato gastrointestinal?
Não. As enfermidades podem apresentar manifestações além do intestino como uveíte (inflamação no olho), artrite (inflamação das articulações), sacroileíte (inflamação na articulação do sacro, osso localizado na base da coluna vertebral), eritema nodoso (inflamação na pele), piodermite gangrenosa (feridas na pele), hidrosadenite supurativa (doença crônica de pele), hepatites, colangite (inflamação nos canais biliares), tromboses (coágulo no sangue), entre outras.

Existem sintomas que façam com que as DII possam ser confundidas com outras doenças?
Sim. Essas enfermidades podem ter inúmeras formas de apresentação com uma gama enorme de manifestações. Dessa forma, é essencial a realização correta e bem detalhada da história clínica do paciente e exame físico completo para o diagnóstico final.

O diagnóstico envolve diversas análises?
Sim. As doenças inflamatórias intestinais são diagnosticadas por história clínica completa, exames físicos e laboratoriais, incluindo estudos de imagem endoscópica e radiológica.

microbiota intestino SII

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma Doença Inflamatória Intestinal (DII)?
Não. A SII não é considerada uma doença inflamatória intestinal, principalmente porque não causa inflamação no intestino. Trata-se de um transtorno funcional, uma vez que não há uma origem aparente para os sintomas, ao contrário das DIIs, que são enfermidades orgânicas. Além disso, muitos indivíduos com SII não apresentam quaisquer alterações em seus exames.

O tratamento das DII é sempre o mesmo?
Não. Existem diversas opções de terapias e a escolha do tratamento indicado para cada paciente depende da gravidade e da localização da doença após uma criteriosa avaliação médica. Entre as alternativas terapêuticas estão os aminossalicilatos, os corticoides, os imunomoduladores, os antibióticos e os medicamentos biológicos, sendo que, nesta última classe, há três mecanismos de ação diferentes – anti-TNF, anti-integrina e anti-interleucinas 12 e 23. Os tratamentos biológicos mais inovadores são capazes de aliviar os sintomas da doença de maneira rápida e manter a resposta por um período de tempo prolongado, sendo hoje mais indicados em quadros moderados e graves das DII, embora já se discuta a adoção mais precoce pelos benefícios que proporcionam.

sem lactose

O cuidado com a alimentação é suficiente para o tratamento das enfermidades?
Não. Em casos mais leves, a mudança dos hábitos alimentares pode ser suficiente, entretanto, essa situação é muito rara. Normalmente, é recomendado que o paciente evite os alimentos que piorem os sintomas das doenças. Além disso, em algumas fases, pode ser necessário diminuir o consumo de fibras e, em outras, de lactose. Um acompanhamento com nutricionistas é muito importante.

O estilo de vida está relacionado ao desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais?
Depende. Não há confirmações científicas sobre essa influência, porém é possível afirmar que estresse, uso abusivo de medicamentos desde a infância, consumo em excesso de alimentos industrializados, gordurosos e com agrotóxicos afetam o funcionamento do aparelho digestivo.

*Respostas concedidas por Marta Machado, gastroenterologista e presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD).

Fonte: Janssen