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Dez coisas que você precisa saber sobre a obesidade*

1 – Tratar a obesidade não significa buscar um corpo mais bonito. Busca-se acima de tudo, um corpo saudável nos mais variados aspectos físicos e mentais.


2 – A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela vai se instalando aos poucos. Um jovem muito acima do peso pode não ter ainda descontrole de taxas como glicose, colesterol ou triglicerídeos, mas as chances de ter problemas com a idade mais avançada são maiores do que as de pessoas com peso controlado. Pode ser que ele nunca adoeça, mas diante do risco o ideal é buscar meios de perder o peso acumulado em excesso.

3 – Existem ao menos 15 tipos de doenças ligadas à obesidade, que podem afetar diversas partes do corpo: artérias, veias, fígado, pâncreas, coração, aparelho respiratório, rins, pele, vesícula, ossos, ovários, próstata, articulações, cérebro, intestino, esôfago, entre outras.

4 – Algumas pessoas ganham muito peso em pouco tempo, mas a maioria vai acumulando a gordura aos poucos, ao longo dos anos. A prevenção à obesidade, com uma alimentação saudável e prática constante de exercícios, portanto, precisa começar desde a infância, pois se uma pessoa ganha um quilo a mais do que deveria por ano, em 50 anos de vida, ela terá 50 quilos a mais.

5 – Nem todas as pessoas ganham mais peso, ou seja, acumulam mais gordura no corpo, porque comem muito mais alimentos calóricos e ricos em gorduras e carboidratos. Há pessoas que comendo o mesmo que outras engordam mais. Essa diferença se dá pela genética. Ou seja, há genes que atuam de forma diferente em cada organismo. Por isso, desde criança, é preciso ficar de olho na tendência familiar e no ganho de peso da pessoa. Se ela acumular mais, terá que se alimentar ainda melhor, diminuindo seus alimentos calóricos e aumentando os exercícios.



6 – Quanto mais peso se acumula, mais difícil é perdê-los. E chega um ponto em que até mesmo uma cirurgia bariátrica fica difícil de ser realizada, se a pessoa está com um peso muito alto. Muitas pessoas com obesidade em grau 3, com Índice de Massa Corpórea, o IMC, acima de 50, precisam fazer dietas para perder de 10% a 20% do peso corporal para conseguir operar. Portanto, uma reeducação alimentar e a mudança nos hábitos de vida, incluindo ao menos uma caminhada, devem ser feitas por todas as pessoas.

7 – Problemas emocionais, como a ansiedade, podem afetar o apetite de diferentes formas: alguns perdem o apetite e outras ficam com mais fome. Por isso, cuidar da mente é fundamental para prevenir a obesidade. A parte boa é que exercícios físicos ajudam tanto no gasto calórico, quanto na melhor oxigenação do cérebro, ajudando a reduzir os distúrbios emocionais.

8 – A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com este padrão, utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Conforme o IMC, classifica-se o grau de obesidade em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. Para o tratamento da obesidade são avaliados fatores de risco e outras doenças para determinar se há a necessidade de uso de medicamentos já em pacientes com sobrepeso.



9 – A obesidade muitas vezes também pode acarretar o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Muitas pessoas sofrem com gordofobia, são atacadas e criticadas por serem obesas, e há ainda preconceito no ambiente de trabalho (muitos não conseguem emprego). Buscar ajuda psicológica profissional é fundamental para obter sucesso no tratamento.

10 – A obesidade pode prejudicar a vida sexual e a capacidade reprodutiva de homens e mulheres. No homem, devido à redução da testosterona, pode reduzir a libido e levar a dificuldade de ereção. Já nas mulheres, pode ocorrer redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos hormônios masculinos. As mulheres podem apresentar aumento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. A síndrome do ovário policístico também é relacionada ao aumento de peso. Mas as chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

*Por Cid Pitombo, médico especializado em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica.

Dia Mundial da Psoríase: dermatologista orienta sobre como manter a pele a salvo de lesões

Hoje, 29 de outubro, é o Dia Mundial da Psoríase. A data foi estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2004, para divulgar informações sobre a doença e sobre a melhor qualidade de vida de seus portadores

A médica especializada em dermatologia clínica e cirúrgica Carla Bortoloto explica que a psoríase é uma doença crônica que atinge em torno de 3% da população mundial. “Trata-se de uma doença não contagiosa, mas a maior preocupação em relação a ela é o aumento da probabilidade de um paciente evoluir para outras patologias, como diabetes, hipertensão arterial ou problemas cardiovasculares, uma vez que ela não apresenta cura, apenas controle”, comenta a especialista.

A seguir, a médica enumera alguns cuidados que os portadores de psoríase devem ter para manter a saúde da pele:

Banho

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O ideal é que o banho seja rápido, não ultrapassando 10 minutos, com água em 37˚C. O sabonete deve apresentar pH neutro e ser glicerinado. Já o uso de buchas não é indicado, uma vez que pode agredir a pele. Para se secar, opte por toalhas macias e não “esfregue”, principalmente nas áreas lesionadas.

Hidratação

Foto: OnHealth

Hidratar a pele é fundamental para quem tem psoríase, principalmente nas regiões mais acometidas pelas lesões. Uma dica para aumentar a penetração do hidratante é aplicá-lo logo após o banho, quando os poros estão mais dilatados, devido à temperatura da água. Para reduzir o risco de alergias, prefira os produtos sem perfume ou cor. Evite, ainda, cremes e loções que possuam ureia em sua formulação, uma vez que o ativo pode irritar as áreas da pele em processo de cicatrização.

Esfoliação

Foto: LiveAbout

Não é recomendado que pacientes com psoríase realizem esfoliações. O ato pode lesionar a pele, desencadeando uma nova crise.

Exposição ao sol

Os raios solares atuam como anti-inflamatório sobre as lesões. Para aproveitar desse benefício, deve-se tomar de sol – até às 10h ou após as 16h – cerca de 10 a 15 minutos, ao dia. Depois do banho de sol, o hidratante deve ser aplicado, para evitar o ressecamento da pele.

Depilação

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A depilação pede atenção especial. Quando a psoríase está controlada e a pele livre de lesões, qualquer método de depilação – lâmina, cera, a laser – pode ser empregado, desde que não irrite sua pele. Por outro lado, se a pele estiver inflamada, o recomendado é trata-la antes de realizar qualquer tipo de depilação para que o quadro não se agrave.

Vestuário

Prefira as roupas mais soltas e de tecidos naturais, como algodão, linho e seda, permitindo que a pele possa respirar, impedindo a proliferação de bactérias e fungos.

Fonte: Carla Bortoloto é médica especializada em Dermatologia clínica e cirúrgica, tricologista, professora da Pós-Graduação em Dermatologia das Faculdades BWS, Membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia Clínico Cirúrgica (SBDCC) e da American Academy of Dermatology (AAD).