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Doenças inflamatórias intestinais crescem em média 15% ao ano e geram alerta no Brasil

Meio bilhão de neurônios, mais de 30 neurotransmissores e 700 espécies de bactérias que vivem em constante batalha do bem contra o mal. Os números impressionam e referem-se ao intestino, um órgão tão importante para o nosso corpo, que possui seus próprios circuitos neurais que funcionam em conexão complexa com o sistema nervoso central.

O desequilíbrio das funções intestinais pode ter grande impacto negativo na saúde, inclusive mental. O dia 19 de maio, Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), traz visibilidade para estas doenças que têm tido grande aumento de sua incidência. No Brasil, estima-se um aumento de casos de cerca de 11-15% por ano. As duas principais doenças inflamatórias intestinais são a doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa, que acometem aproximadamente 10 milhões de pessoas em todo o mundo.

O médico gastroenterologista da Rede Mater Dei de Saúde, Célio Geraldo, explica que as DIIs são mais frequentes em adolescentes e adultos jovens, de 15 a 40 anos. O fator causador da doença ainda é desconhecido, entretanto, postula-se ser um produto da interação de fatores genéticos, imunológicos, ambientais, alimentares e alteração da flora intestinal. Segundo Célio, a retocolite ulcerativa atinge a mucosa intestinal do reto e do cólon, conhecido como intestino grosso, já a doença de Crohn pode atingir todo o trato digestório, da boca ao ânus, sendo mais prevalente no intestino delgado, cólon e região perianal, provocando inflamações em todas as camadas intestinais.

Entre os sintomas estão diarreia crônica com sangue, muco ou pus, associada a cólicas abdominais, urgência evacuatória, falta de apetite, fadiga e emagrecimento. Em casos mais graves, o paciente pode ter anemia, febre, desnutrição e distensão abdominal. Entre 15% e 30% dos pacientes apresentam, ainda, manifestações extraintestinais como dor nas articulações, lesões de pele ou oculares.

O médico alerta, ainda, que o caminho até o diagnóstico da DII pode ser desafiador, uma vez que os sintomas podem ser confundidos com os de outras doenças, como a síndrome do intestino irritável e diarreias infecciosas, o que torna imprescindível uma análise completa do paciente por profissional com experiência na área. Isso inclui investigação do histórico clínico e exames laboratoriais, endoscópicos, radiológicos e biópsias. No Mais Saúde Mater Dei contamos com ambulatório especializado em Doenças inflamatórias intestinais.

Infelizmente as DIIs não têm cura, no entanto, o tratamento adequado melhora a qualidade de vida do paciente e previne complicações. Célio destaca ser importante fazer mudanças na alimentação, no estilo de vida, como parar de fumar e manter o tratamento médico de forma contínua, por se tratar de uma doença crônica. Alguns pacientes necessitam de medicações injetáveis, seja endovenosa ou subcutânea para manter a doença controlada. No Mater Dei está disponível o Centro de Infusão para pacientes com DII. Trata-se de um centro de terapia assistida idealizado com o objetivo de promover rapidez, conforto e segurança no tratamento, explica o gastroenterologista.

Pontos de atenção das DIIs

Sintomas
=dor ou desconforto abdominal;
=“inchaço” abdominal;
=diarreia;
=sangue, muco ou pus nas fezes;
=flatulência (gases) exagerada;
=constipação intestinal;
=sensação de esvaziamento incompleto do intestino;
=emagrecimento;
=fraqueza;
=febre;
=falta de apetite.

Na suspeita de doença inflamatória intestinal, o paciente deve buscar atendimento especializado o quanto antes de forma a não atrasar o diagnóstico e o tratamento.

Fonte: Rede Mater Dei de Saúde

Maio Roxo: o que pôr à mesa e o que evitar para a saúde da flora do “segundo cérebro”

No Mês da Conscientização das Doenças Inflamatórias Intestinais, especialistas alertam para a importância de uma alimentação saudável para o sistema gastrointestinal

Para colorir o mês de maio e marcar o World IBD Day (Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal, celebrado em 19 de maio), a campanha de conscientização Maio Roxo, encabeçada pelas Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD), e Sociedade Brasileira de Coloproctologia (SBCP) e Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB), visa conscientizar e alertar a sociedade para importância de diagnóstico precoce e tratamento dessas doenças. Segundo dados da SBCP, as doenças inflamatórias intestinais (DII) atingem mais de 5 milhões de pessoas em todo o mundo e a incidência média fica em torno de 7 para cada 100 mil habitantes, constatando progressivo aumento na ocorrência de novos casos.

As DII são divididas em dois subtipos: colite ulcerativa com acometimento, principalmente do cólon, e Doença de Crohn, que pode afetar qualquer região do trato gastrointestinal. As pessoas comumente são acometidas por esses males no início da idade adulta, mas é possível ocorrer em qualquer fase da vida. Nos últimos anos, a prevalência tem aumentado, atingindo desde crianças até idosos.

A causa é multifatorial e engloba fatores genéticos e ambientais, como o estilo de vida ocidentalizado, incluindo padrão alimentar caracterizado pelo alto consumo de proteínas e gorduras saturadas e baixa ingestão de vegetais, frutas e fibras que favorecem o ambiente pró-inflamatório, além de fatores como urbanismo, melhoria da higiene, aumento do uso de antibióticos e ingestão de anticoncepcionais orais. Todas essas condições interferem na microbiota do corpo como um todo, afetando as defesas naturais.

Eixo Cérebro-Intestino

A regra é clara: quem nunca sentiu dor de barriga em momentos de ansiedade ou estresse? Não é coincidência, visto que o cérebro e o sistema digestivo estão estritamente interligados. No intestino, estão presentes bactérias que compõem a “microbiota intestinal”. Os tipos e as quantidades desses microrganismos são influenciados pelo padrão alimentar, visto que os produtos da digestão interagem com essas bactérias, fazendo com que produzam substâncias que interferem em vias sistêmicas do corpo, inclusive as relacionadas às funções cerebrais, como é o caso do triptofano. O triptofano, por sua vez, é o aminoácido precursor da serotonina, ou seja, é necessário para que tenha a formação e a liberação desse hormônio, o qual está relacionado com o bem-estar. Por isso, as emoções influenciam na sensação geral de prazer, bem como a alimentação impacta a saúde cerebral.

Alimentando as boas bactérias intestinais: o que pôr à mesa

A alimentação saudável, tanto do ponto de vista qualitativo quanto do ponto de vista quantitativo, auxilia na prevenção e no tratamento das DII. A analista de P&D da Jasmine Alimentos, Erika Rodrigues explica que devemos priorizar a tradicional comida de verdade. “A base dessa alimentação deve conter verduras, como folhas em geral, alface, rúcula, agrião, legumes como, por exemplo, abobrinha, brócolis e couve-flor e frutas.

As oleaginosas como, por exemplo, castanha-do-pará, castanha-de-caju e amêndoa também são muito importantes. As sementes de abóbora, de gergelim, de linhaça e os grãos e cereais integrais como arroz integral, quinoa, aveia são indispensáveis. As leguminosas, ou seja, feijão, lentilha e ervilha e as fontes de proteínas com quantidades menores de gorduras saturadas, como peixes e ovos complementam o que chamamos de comida de verdade”, diz.

Essa base de alimentação possui nutrientes e compostos bioativos que atuam diretamente na inativação de vias pró-inflamatórias, assim como na redução de substâncias relacionadas à inflamação, contribuindo para o controle da dor, cicatrização e reparação da mucosa. Ainda, atuam como pré e probióticos, proporcionando e preservando uma microbiota saudável, ou seja, crescimento e desenvolvimento de bactérias benéficas para a saúde intestinal.

Outro nutriente relevante é a fibra, visto que a ingestão adequada deste nutriente colabora com a redução do risco das DII a longo prazo. Esse nutriente está presente em frutas, verduras, legumes, leguminosas, grãos e cereais integrais, além de sementes de linhaça e de chia.

“Em relação aos compostos bioativos, sabe-se que o polifenol e suas classes flavonoides, estilbenos, ácidos fenólicos e lignanas têm propriedades anti-inflamatórias e podem reduzir o estresse oxidativo decorrente de patologias, podendo contribuir para a melhoria dos sintomas das doenças inflamatórias intestinais. Em outras palavras, priorize o consumo de vegetais e frutas como cebola, brócolis, alho e frutas vermelhas que possuem ação antioxidante e efeitos anti-inflamatórios”, detalha a nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos, Adriana Zanardo.

Por fim, cabe ressaltar que os alimentos de coloração vermelha e roxa como uva, morango, framboesa, mirtilo, açaí, goji berry e cranberry também têm propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes. “Uma dica imprescindível é o consumo do açafrão, também conhecido como cúrcuma. Seu uso diário foi relacionado com a remissão clínica da colite em pacientes que mantiveram o tratamento medicamentoso indicado para o quadro”, explica Adriana.

O que não comer para o intestino inflamado

O ômega-6 é a família de ácidos graxos que, ao contrário do ômega-3, possui ação pró-inflamatória quando ingerido em quantidades elevadas, estando presentes em óleos vegetais e margarina. Segundo estudos, o risco de desenvolver colite ulcerativa é duas vezes maior em pacientes com alta ingestão de ômega-6.

Ainda, a sucralose, sacarina, aspartame, ciclamato e outros adoçantes artificiais podem aumentar o risco de DII. Da mesma forma, emulsificantes também podem aumentar o risco de desenvolvimento de colite devido à alteração da microbiota e da mucosa intestinal, com possível supercrescimento de Escherichia coli e proteobactérias, que, consequentemente, aumentam a inflamação e danos intestinais.

SOS: fase de ativação da doença

“Quando o portador de DII estiver com a doença ativa, deve-se pensar em quais são os sintomas predominantes para que a dieta seja ajustada de forma a contribuir com a diminuição dos mesmos. De modo geral, o raciocínio é pensar nos alimentos que têm fácil digestibilidade para não demandar tanto do trato gastrointestinal, considerando que já está consideravelmente inflamado em decorrência da doença. Pensando nisso, alguns alimentos, apesar de serem saudáveis, podem ser reduzidos por um período até o restabelecimento da homeostase intestinal”, explica a nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos.

Os alimentos fermentáveis, oligo, di, monossacarídeos e polióis possuem carboidratos de cadeia curta que são mal absorvidos e podem desencadear inchaço abdominal, dor, flatulência e diarreia. Esses alimentos são: cebola, alho, ervilha, beterraba, couve, milho, couve-flor, maçã, pera, manga, melancia, pêssego, ameixa, abacate, leite de vaca, queijo fresco, ricota, feijão, grão-de-bico, soja, trigo, centeio, castanha-de-caju, pistache e industrializados com xarope de milho, glicose, sacarose e polióis (xilitol, manitol e sorbitol). Estudos apontam que 50% das pessoas que tiveram redução do consumo desse grupo de alimentos apresentaram melhora dos sintomas.

Fonte: Jasmine Alimentos

Maio Roxo: Doença Inflamatória Intestinal atinge 13 em cada 100 mil brasileiros

Especialista do Vera Cruz Hospital explica como terapia infusional pode tratar com eficácia o problema, que não tem cura

O fato de se tornarem mais comuns a cada ano – segundo os dados mais recentes da Sociedade Brasileira de Coloproctologia, já atingiam mais de 13 em cada 100 mil habitantes no país em 2018 – fez as Doenças Inflamatórias Intestinais ganharem um mês próprio de alerta e conscientização: o Maio Roxo. As DIIs são doenças crônicas que se manifestam por meio de lesões no intestino ou ao longo do sistema digestivo. Quando mais graves ou avançadas, podem se transformar em úlceras e levar o paciente a internações ou cirurgias.

“Quem tem este tipo de problema deve realizar exames com frequência, pois possui maior risco de desenvolver câncer intestinal, posteriormente. Por isso, o Maio Roxo é um movimento tão relevante e que reforça a importância do diagnóstico precoce e tratamento das doenças envolvidas, sendo as principais delas Doença de Crohn e a retocolite ulcerativa”, explica o médico gastroenterologista do Vera Cruz Hospital, Luiz Carlos Nascimento Bertoncello.

Desde setembro do ano passado, o Vera Cruz Hospital, em Campinas, conta com um Centro de Infusão, cujo tratamento para DIIs tem sido o segundo mais procurado da instituição, atrás apenas de artrite. A terapia infusional nada mais é do que a aplicação de medicamentos intravenosos (na veia) ou subcutâneos (sob a pele) de forma rotineira com o objetivo de eliminar e controlar a inflamação por longo período de tempo, bem como proporcionar bem-estar e melhora da qualidade de vida dos pacientes, também diminuindo internações e cirurgias.

“Os tratamentos geralmente são feitos pela ingestão de medicamentos orais. A terapia infusional especializada, por sua vez, deve ser introduzida dependendo da gravidade da inflamação, bem como na falha da terapia convencional. É importante salientar que quanto mais precoce o início do tratamento, melhores são os resultados”, explica Bertoncello, que coordena o procedimento.

Terapia Infusional no controle das doenças

Bigstock

Ainda segundo o especialista, doenças inflamatórias que não têm cura podem ser amenizadas com a terapia infusional. “Não só amenizadas. Hoje, grande parte dos pacientes com DII tem sua inflamação controlada com a medicação, sem nenhum sintoma por logo período de tempo. Tem uma vida completamente normal, sem dor ou qualquer outra queixa”, afirma.

Apesar de o Centro de Infusão do Vera Cruz Hospital estar apenas no início de suas atividades, já foram feitos, pelo menos, 1,2 mil tratamentos. O ambulatório acolhe pacientes de toda a região, encaminhados por especialistas, que tenham necessidade de terapia infusional para várias especialidades, como ortopedia, neurologia, dermatologia, reumatologia, endocrinologia, gastroenterologia, coloproctologia, pediatria, entre outras. “Esse tipo de procedimento nos permite um atendimento especializado, com segurança, supervisionado pela equipe médica e de enfermagem. O tratamento é humanizado, com instalações modernas e tecnologia atualizada, fazendo com que o profissional médico tenha a certeza de que seus pacientes estão recebendo um atendimento diferenciado e de excelência”, garante.

Diagnóstico

O diagnóstico da DII é feito baseado na história clínica do paciente, sendo a diarreia crônica um sintoma frequente, geralmente acompanhado por sangue, dores abdominais, fraqueza e perda de peso. Além de exames laboratoriais, que sugerem um processo inflamatório, é realizada a colonoscopia, exame mais importante para gerar o diagnóstico. “A expressão destes sintomas, porém, não é constante. Eles alternam entre períodos de crise e períodos estáveis, que é quando o mal-estar parece estar curado e faz com que muitas pessoas não procurem uma investigação médica adequada para o tratamento”, alerta.

Bertoncello ainda diz que, na retocolite ulcerativa, a parte que sofre alterações é o cólon, o maior segmento do intestino grosso. Já na doença de Crohn, a inflamação pode ocorrer em qualquer parte do tubo digestivo, desde a boca até o ânus. “Ambas podem ser progressivas, se não tratadas, e causam muito desconforto na vida dos pacientes, atrapalhando seu estudo e seu trabalho. Podem causar um prejuízo significativo, além de serem potencialmente graves, podendo levar a perfurações no trato digestivo”, reforça.

Fonte: Vera Cruz Hospital

Vergonha causada por sintomas das DII faz com que pacientes não procurem tratamento

Aprender a falar sobre as doenças inflamatórias intestinais pode ajudar a combater o estigma

Os sintomas das doenças inflamatórias intestinais (DII), sendo a Doença de Crohn e retocolite ulcerativa, podem incluir ambos sintomas gastrointestinais e sistêmicos, os quais podem levar à interrupção das atividades, causando constrangimento e preocupação para os pacientes. Estes impactos imediatos resultam em uma cascata de efeitos na vida dos pacientes e em seu bem-estar psicológico.

A DII tem impactos psicológicos significativos devido à flutuação dos sintomas diários e à imprevisibilidade de exacerbações ou crises, constrangimento e estigma dos sintomas da DII, entre outros fatores, que podem causar ansiedade, depressão e outros efeitos emocionais.

“A aceitação do diagnóstico pode acarretar uma série de emoções, desde a raiva até uma sensação de alívio, por finalmente saber o que está acontecendo. O mais importante é não se perder em sentimentos negativos, como autopiedade, culpa ou solidão”, afirma o gastroenterologista Flavio Steinwurz, presidente da Organização Panamericana de Crohn e Colite.

A aceitação pode ajudar o paciente a realizar suas atividades diárias o máximo possível, seguir com as instruções dos médicos e manter uma atitude positiva e visão otimista da vida. Dificuldades emocionais, especialmente negação da doença, de alguma forma podem ser maiores em grupos mais jovens do que entre adultos mais velhos.

O pico de incidência das doenças inflamatórias intestinais ocorre entre os 15 e 30 anos, mas elas podem afetar pessoas de qualquer idade. Quando feito o diagnóstico, por exemplo, 15% delas estão acima de 60 anos. “Indivíduos mais jovens, apesar de muito escolados em alguns temas, têm certos constrangimentos em tocar em temas sensíveis como diarreia, aparecimento de sangue ou pus nas fezes. Por isso, a melhor forma de diminuir o estigma em relação às doenças ainda é a educação”, ressalta o gastroenterologista.

De acordo com o especialista, apesar de as doenças afetarem cerca de cinco milhões de pessoas em todo o mundo, ainda há estigmas a serem vencidos. “É possível manter a vida diária normal com uma doença inflamatória intestinal. Abordar o tema com naturalidade pode auxiliar a diminuir estes estigmas e contribuir para um diagnóstico mais precoce”, finaliza Steinwurz.

Sobre as DII

Ilustração: HealthMatters

As doenças inflamatórias intestinais correspondem a doenças crônicas inflamatórias do trato gastrointestinal. O termo engloba duas principais categorias, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa⁷. Entre os principais sintomas das DIIs estão a diarreia, dor abdominal, sangramento retal e sensação de evacuação incompleta. Além disso, outros sintomas gerais podem incluir febre perda de apetite e de peso, suores noturnos e fadiga.

Fonte: Takeda

Maio Roxo faz alerta para sintomas de doença inflamatória intestinal

Doenças Inflamatórias Intestinais podem aumentar riscos cardiovasculares

Doenças Inflamatórias Intestinais (DIIs) acometem milhares de pacientes no Brasil. De acordo com o Datasus, são cerca de 160 mil pessoas que sofrem com sintomas, como diarreia, dor abdominal, febre e sangue nas fezes. As DIIs são compostas essencialmente por duas enfermidades: a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

Para o cirurgião vascular Francisco Simi, a própria natureza inflamatória delas pode ser gatilho para doenças cardiovasculares, como o infarto.

“A mesma inflamação que afeta as paredes do intestino também acaba comprometendo todo o sistema vascular do organismo. Quando isso ocorre, a irrigação sanguínea de todo o nosso corpo fica comprometida. É aí que as doenças cardiovasculares podem surgir”, explica Simi.

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Ilustração: Sepalika

O médico chama atenção para casos nos quais há o agravamento do quadro clínico. “Diante de uma situação mais grave de comprometimento vascular, é possível um início de aterosclerose, que é a formação de placas que obstruem as artérias. Quando isso ocorre, o coração tem o seu funcionamento alterado, podendo evoluir para um infarto, inclusive”, afirma.

Tratamento

A campanha Maio Roxo chama atenção da população para os sintomas e tratamentos das Doenças Inflamatórias Intestinais. O diagnóstico rápido e o início imediato do tratamento são as maneiras mais eficazes de combater o agravamento da doença.

A doença de Crohn e a retocolite ulcerativa são enfermidades autoimunes e de caráter progressivo. “O uso adequado de imunossupressores é fundamental para o controle da doença, evitando o comprometimento de outros órgãos. Além disso, o acompanhamento médico deve ser constante para o controle clínico. As Doenças Inflamatórias Intestinais são autoimunes, então o sistema de defesa do paciente é bastante sensível”, completa Simi.

As DIIs são diagnosticadas por meio de colonoscopia e, apesar de afetarem principalmente jovens e adultos, elas podem ocorrer em todas as faixas etárias.

Posso ter DII?

colica intestinbal sii peq

De acordo com o Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (Gediib), a diarreia é um dos sintomas mais comuns na fase aguda de ambas as doenças. Na doença de Crohn, os sintomas mais frequentes incluem, também, a dor abdominal, febre e perda de peso. A retocolite ulcerativa apresenta quadro clínico com sangue ou muco nas fezes e urgência evacuatória, além de outras manifestações como aftas orais. Se houver esses sintomas, um médico especialista deve ser consultado.

Dez questões sobre as Doenças Inflamatórias Intestinais

As doenças inflamatórias intestinais (DII) prejudicam significativamente a vida de 78% dos pacientes. O dado é resultado da pesquisa Jornada do Paciente com DII, feita pela Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e doença de Crohn (ABCD) com mais de 3 mil brasileiros portadores dessas condições. Reconhecer os sintomas para o diagnóstico e o início do tratamento adequado são essenciais para proporcionar o bem-estar dos pacientes.

Os sintomas das DII podem se confundir com os de outras enfermidades mais simples e, por isso, conhecer as características particulares e procurar avaliação médica é fundamental. A gastroenterologista e presidente da ABCD, Marta Machado, esclarece as principais dúvidas sobre o tema.

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A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn são iguais?
Não. As duas principais enfermidades que compõem o grupo das DII são inflamatórias, crônicas, sem cura e podem ter diversos fatores como origem. Entretanto, são enfermidades distintas. A doença de Crohn pode acometer desde a boca ao ânus, atingindo todas as camadas do trato digestivo e, por isso, pode evoluir para perfuração e estreitamento no intestino. Já a retocolite ulcerativa é restrita ao reto e ao intestino grosso, com o acometimento restrito à mucosa.

O paciente com DII tem febre e dor como sintoma?
Sim. A dor abdominal está presente quando a doença está em atividade e o paciente pode ter quadros de febre. Além disso, os principais sinais das doenças são diarreia ou constipação, presença de sangue ou muco nas fezes e distensão abdominal.

É possível ocorrer perda de peso e queda de cabelo?
Sim. A pessoa com DII pode sofrer um emagrecimento excessivo e também queda de cabelo. Isso ocorre por questões secundárias como a desnutrição, a falta de vitaminas ou como efeito colateral de alguma medicação.

As DII apresentam sinais apenas no trato gastrointestinal?
Não. As enfermidades podem apresentar manifestações além do intestino como uveíte (inflamação no olho), artrite (inflamação das articulações), sacroileíte (inflamação na articulação do sacro, osso localizado na base da coluna vertebral), eritema nodoso (inflamação na pele), piodermite gangrenosa (feridas na pele), hidrosadenite supurativa (doença crônica de pele), hepatites, colangite (inflamação nos canais biliares), tromboses (coágulo no sangue), entre outras.

Existem sintomas que façam com que as DII possam ser confundidas com outras doenças?
Sim. Essas enfermidades podem ter inúmeras formas de apresentação com uma gama enorme de manifestações. Dessa forma, é essencial a realização correta e bem detalhada da história clínica do paciente e exame físico completo para o diagnóstico final.

O diagnóstico envolve diversas análises?
Sim. As doenças inflamatórias intestinais são diagnosticadas por história clínica completa, exames físicos e laboratoriais, incluindo estudos de imagem endoscópica e radiológica.

microbiota intestino SII

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma Doença Inflamatória Intestinal (DII)?
Não. A SII não é considerada uma doença inflamatória intestinal, principalmente porque não causa inflamação no intestino. Trata-se de um transtorno funcional, uma vez que não há uma origem aparente para os sintomas, ao contrário das DIIs, que são enfermidades orgânicas. Além disso, muitos indivíduos com SII não apresentam quaisquer alterações em seus exames.

O tratamento das DII é sempre o mesmo?
Não. Existem diversas opções de terapias e a escolha do tratamento indicado para cada paciente depende da gravidade e da localização da doença após uma criteriosa avaliação médica. Entre as alternativas terapêuticas estão os aminossalicilatos, os corticoides, os imunomoduladores, os antibióticos e os medicamentos biológicos, sendo que, nesta última classe, há três mecanismos de ação diferentes – anti-TNF, anti-integrina e anti-interleucinas 12 e 23. Os tratamentos biológicos mais inovadores são capazes de aliviar os sintomas da doença de maneira rápida e manter a resposta por um período de tempo prolongado, sendo hoje mais indicados em quadros moderados e graves das DII, embora já se discuta a adoção mais precoce pelos benefícios que proporcionam.

sem lactose

O cuidado com a alimentação é suficiente para o tratamento das enfermidades?
Não. Em casos mais leves, a mudança dos hábitos alimentares pode ser suficiente, entretanto, essa situação é muito rara. Normalmente, é recomendado que o paciente evite os alimentos que piorem os sintomas das doenças. Além disso, em algumas fases, pode ser necessário diminuir o consumo de fibras e, em outras, de lactose. Um acompanhamento com nutricionistas é muito importante.

O estilo de vida está relacionado ao desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais?
Depende. Não há confirmações científicas sobre essa influência, porém é possível afirmar que estresse, uso abusivo de medicamentos desde a infância, consumo em excesso de alimentos industrializados, gordurosos e com agrotóxicos afetam o funcionamento do aparelho digestivo.

*Respostas concedidas por Marta Machado, gastroenterologista e presidente da Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Crohn (ABCD).

Fonte: Janssen

Não confunda Síndrome do Intestino Irritável com Doença Inflamatória Intestinal

Quando se trata do mundo das doenças gastrointestinais, você pode ouvir muitas siglas, como SII e DII. Doença inflamatória intestinal (DII) é um termo amplo que se refere ao inchaço crônico (inflamação) dos intestinos. Muitas vezes, é confundida com a condição não inflamatória conhecida como síndrome do intestino irritável (SII). Embora os dois distúrbios compartilhem nomes semelhantes e alguns dos mesmos sintomas, eles apresentam diferenças distintas. Saiba as principais lendo este texto. E certifique-se de discutir suas preocupações com um gastroenterologista.

Prevalência

SII é extremamente comum. Na verdade, a Fundação Internacional para Transtornos Gastrointestinais Funcionais estima que ela afete até 15% da população em todo o mundo. De acordo com o Cedars-Sinai (EUA), cerca de 25% dos americanos reclamam dos sintomas da síndrome. Essa é também a razão mais comum pela qual os pacientes buscam um gastroenterologista.

SII é uma condição distintamente diferente da DII. Ainda assim, uma pessoa que tenha sido diagnosticada com DII pode apresentar sintomas semelhantes à SII. Também é importante saber que você pode ter ambas as condições ao mesmo tempo, já que as duas são consideradas condições crônicas (em curso). 

Características principais

Alguns tipos de DII incluem:

-Doença de Crohn
-colite ulcerativa
-colite indeterminada

Ao contrário da DII, a SII não está classificada como uma doença verdadeira. Em vez disso, é conhecida como um “transtorno funcional”. Isso significa que os sintomas não têm uma causa identificável. Outros exemplos de distúrbios funcionais incluem dores de cabeça de tensão e síndrome de fadiga crônica (SFC).

Contrariamente à crença popular, a síndrome não é uma condição psicológica. SII tem sintomas físicos, mas não há uma causa conhecida. Às vezes, os sintomas são chamados de colite mucosa ou colite espástica, mas esses nomes são tecnicamente incorretos. A colite é uma inflamação do cólon, enquanto a SII não causa inflamação.

Pessoas com SII não apresentam sinais clínicos de uma doença e muitas vezes têm resultados de testes normais. Embora ambas as condições possam ocorrer em qualquer pessoa de qualquer idade, a SII surge em mais de uma pessoa da família.

Sintomas

homem dor estomago barriga

A SII é caracterizada por uma combinação de:

dor abdominal
cólica
prisão de ventre
diarreia

DII pode causar os mesmos sintomas, bem como:

inflamação ocular
fadiga extrema
cicatriz intestinal
dor nas articulações
desnutrição
sangramento retal
perda de peso

Ambas podem causar evacuações urgentes.

Os pacientes com a síndrome podem experimentar uma sensação de evacuação incompleta também. A dor pode ser experimentada em todo o abdômen. A maioria das vezes se manifesta no lado inferior direito ou inferior esquerdo. Algumas pessoas também experimentam dor abdominal do lado direito superior sem outros sintomas.

A SII difere na quantidade de fezes produzidas. Elas podem ser soltas, mas o volume realmente estará dentro dos limites normais. (A diarreia é definida por volume, não necessariamente por consistência.)

Os sofredores da SII com constipação normalmente têm tempos normais de trânsito colônico – a quantidade de tempo que leva para que as fezes viajem do cólon para o reto – também. Dependendo do sintoma principal, os pacientes são classificados como predominantes em constipação, predominantes em diarreia ou predominantes em dor.

O papel do estresse

tristeza-ansiedade-depressao

Uma vez que a inflamação da DII está ausente em pessoas com SII, é difícil para os pesquisadores entenderem as causas precisas da última condição. Uma diferença notável é que a SII é quase sempre exacerbada pelo estresse. Técnicas de redução de estresse podem ajudar. Considere tentar:

-meditação
-exercício regular
-terapia de conversa
-ioga

Já a DII pode ser deflagrada em situações de baixo e alto estresse.

De acordo com o médico Fred Saibil, autor do livro “Crohn’s Disease and Ulcerative Colitis”* (Doença de Crohn e Colite Ulcerativa em tradução livre), muitas pessoas não sentem que possam discutir SII por causa de estigmas sociais: “Você não ouve muita gente falar sobre seus ‘vômitos de tensão’ ou ‘diarreia por tensão’ou ‘dores de tensão’, mesmo que sejam tão comuns quanto”.

Saibil também observa que ainda há alguma confusão sobre a DII porque os médicos já acreditavam que a condição era causada pelo estresse. Não há provas de que esse seja o caso. No entanto, os pacientes não devem, de modo algum, sentir que eles provocaram a condição em si mesmos.

Tratamentos

A SII pode ser tratada com certos medicamentos, como antiespasmódicos intestinais, como a hiosciamina (Levsin) ou a diciclomina (Bentyl). Alterações na dieta e no estilo de vida parecem ajudar mais. Pessoas com SII devem evitar agravar sua condição com alimentos fritos e gordurosos e bebidas com cafeína.

Já o tratamento da DII depende da forma diagnosticada. O principal objetivo é tratar e prevenir a inflamação. Ao longo do tempo, isso pode danificar os intestinos.

Quais remédios naturais ajudarão a aliviar os sintomas da SII e da DII?**

mulher tomando chá frio inverno.jpg

Existem vários remédios naturais e mudanças de estilo de vida que podem melhorar os sintomas da SII, como aumentar lentamente a fibra em sua dieta, beber muitos líquidos, evitar alimentos que pioram os sintomas, como chocolate, produtos lácteos e adoçantes artificiais, álcool, cafeína e itens picantes. Exercitar-se regularmente, comer em horários regulares e ter cuidado com laxantes e medicamentos antidiarreicos.

As recomendações diferem um pouco para os pacientes com DII. Se você tem esta doença, talvez seja necessário evitar produtos lácteos, álcool, cafeína e alimentos picantes e também é necessário limitar a ingestão de fibras e evitar alimentos gordurosos. Ainda é importante beber bastante líquido. Você também deve comer refeições menores e considerar tomar um multivitamínico. Finalmente, deve evitar fumar e reduzir seu nível de estresse com técnicas como exercício, biofeedback ou técnicas de relaxamento e respiração regulares.

Dr. Graham Rogers
**As respostas representam as opiniões de nossos especialistas médicos. Todo o conteúdo é estritamente informativo e não deve ser considerado um conselho médico.

Panorama

DII e SII aparentam compartilhar sintomas semelhantes, mas essas são duas condições diferentes com requisitos de tratamento muito diferentes. Com a DII, o objetivo é reduzir a inflamação que causa os sintomas. Já a SII, por outro lado, pode não ser tratável com medicamentos porque não há uma causa identificável. Um gastroenterologista pode ajudar a determinar sua condição específica e oferecer o melhor plano de tratamento e recursos para ajudá-lo a gerenciar os sintomas.

 *Livro não publicado no Brasil

Fonte: HealthLine

 

Maio Roxo: Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal

Data reforça a importância de alertar a população sobre a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, que acomete principalmente os jovens entre 20 e 30 anos de idade

 

Hoje, 19 de maio, também marca o Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal. A data serve de alerta para a propagação da campanha Maio Roxo, na qual diversos locais do Brasil serão iluminados como forma de chamar a atenção da sociedade, instituições e governo para a conscientização e melhoria na qualidade de vida de pacientes portadores da doença de Crohn e retocolite ulcerativa.

A  doença de Crohn ainda é muito pouco conhecida por grande parte da população, e de difícil diagnóstico. Trata-se de uma doença inflamatória crônica do trato gastrintestinal, que afeta predominantemente a parte final do intestino delgado (íleo) e intestino grosso (cólon). Os principais sintomas da doença são diarreia, cólica abdominal, febre e, por vezes, sangramento retal. Também pode ocorrer perda de apetite e perda de peso.

Até 80% dos pacientes internados com doença de Crohn podem apresentar algum déficit nutricional. O estado nutricional está diretamente relacionado com a gravidade da doença e sua piora pode contribuir para a deterioração da imunidade e, por isso, a nutrição adequada torna-se tão importante para a recuperação de pacientes diagnosticados com a doença, já que contribui para a correção das deficiências nutricionais e controle da inflamação. A terapia nutricional também é útil no preparo dos pacientes que eventualmente precisem de cirurgia.

Os medicamentos disponíveis no mercado combatem a inflamação intestinal e podem promover a remissão clínica e endoscópica da doença inflamatória intestinal. Em crianças e adolescentes com doença de Crohn a terapia nutricional exclusiva é uma grande arma contra a inflamação intestinal. Nos adultos, a terapia nutricional, geralmente suplementar, configura importante medida adjunta no tratamento da doença inflamatória intestinal.

Todas essas medidas contribuem para a recuperação do estado nutricional, reduzem a inflamação intestinal e ajudam a controlar os sintomas, porém, não curam a doença, que ainda tem causa não totalmente esclarecida. Ao contrário da doença de Crohn, em que todas as camadas da parede intestinal estão envolvidas e na qual pode haver segmentos de intestino aparentemente normal entre os segmentos de intestino doente, a retocolite ulcerativa afeta apenas a camada mais superficial (mucosa e, eventualmente, a submucosa) do intestino grosso.

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Ela costuma manifestar-se com diarreia com sangue e muco (catarro). Tanto na doença de Crohn quanto na retocolite ulcerativa podem existir manifestações extraintestinais, tais como aftas orais, artralgia e artrite, inflamação nos olhos e na pele.

De acordo com Adérson Damião, médico gastroenterologista da USP, a doença tem aumentado consideravelmente no Brasil nos últimos 25 anos, especialmente entre jovens de 20 a 30 anos, de ambos os sexos. Segundo o especialista, o número de pacientes acompanhados no Hospital das Clínicas de São Paulo na década de 1980 se aproximava de 150 casos. Hoje o hospital já registra mais de 3.400 casos na faixa dos 30 anos de idade, o que demonstra a importância do alerta sobre a doença.

“O diagnóstico correto pode levar até dois anos e, por isso, toda a classe médica, não só os gastroenterologistas, mas os coloproctologistas, cirurgiões e clínicos gerais precisam estar alertas para o diagnóstico precoce da doença inflamatória intestinal e tratá-la adequadamente, evitando assim complicações. Não há prevenção, mas estamos caminhando para isso”, afirma Damião.

Há diversos grupos de estudo e associações científicas nacionais, tais como a ABCD (Associação Brasileira de Colite e doença de Crohn) e o GEDIIB (Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil) que estão empenhados em obter dados de incidência e prevalência da doença inflamatória intestinal no Brasil.

Segundo Damião, que faz parte de um destes grupos (GEDIIB), os estudos feitos em várias partes do país têm revelado que a doença inflamatória intestinal tem aumentado em frequência de maneira geral, principalmente no Sul e Sudeste (provavelmente por influências étnicas) e que, ao contrário de outras partes da América do Sul, há tendência para maior número de casos de doença de Crohn do que de retocolite ulcerativa.

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Fatores ambientais, dieta “ocidental” (em contraposição ao padrão oriental considerado mais saudável, assim como no caso da dieta do Mediterrâneo) e suscetibilidade genética estão entre as possíveis causas para o aumento da doença inflamatória intestinal ao longo dos anos.