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Setembro Amarelo: ANS reforça o alerta sobre cuidados com doenças mentais

Em alusão à campanha Setembro Amarelo, dedicada à prevenção do suicídio, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) reforça o alerta sobre os cuidados com as doenças mentais e incentiva as operadoras de planos de saúde a desenvolverem programas de promoção da saúde e prevenção de riscos de doenças (Promoprev) voltados a essa linha de atenção. Além disso, a ANS destaca as principais coberturas que estão previstas no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde para o tratamento de doenças mentais.

O mês foi escolhido em razão do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado todo ano em 10 de setembro. O objetivo é conscientizar as pessoas ao redor do mundo que o suicídio pode ser evitado. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo, e essa é a segunda maior causa de morte entre pessoas de 15 a 29 anos de idade.

No Brasil, 32 brasileiros tiram a própria vida por dia, o equivalente a uma pessoa a cada 45 minutos. Ações preventivas são fundamentais para reverter essa situação: mais de 90% dos casos de suicídio estão associados a distúrbios mentais e, portanto, podem ser evitados se as causas forem tratadas corretamente, aponta a OMS.

Na saúde suplementar, a preocupação com as doenças mentais é crescente. O Rol de Procedimentos da ANS determina cobertura obrigatória para consultas médicas em número ilimitado (inclusive em psiquiatria), internação hospitalar, atendimento e acompanhamento em hospital-dia psiquiátrico, consulta com psicólogo e com terapeuta ocupacional e sessões de psicoterapia.

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Procedimentos realizados por beneficiários de planos de saúde

O número de procedimentos realizados por beneficiários nessa área vem aumentando ano a ano, segundo dados do Mapa Assistencial. De 2011 a 2018, o número de atendimentos com psiquiatras subiu 63% – em 2011 foram 3,01 milhões de consultas, ante 4,9 milhões em 2018. As sessões com psicólogos deram um salto de 146% no período, saindo de 7,1 milhões em 2011 para 17,5 milhões em 2018.

O número de internações em hospital-dia para saúde mental quadruplicou de 2011 até 2018 – saiu de 18.595 mil internações para 99.965 mil. As consultas/sessões com terapeuta ocupacional cresceram 200%, passando de 648,1 mil para 1,9 milhão. E o percentual de internações psiquiátricas aumentou 130% (de 85,2 mil para 196,3 mil).

Cabe ressaltar que o número de beneficiários em planos de assistência médica também aumentou nesse período (passou de 46 milhões em 2011 para 47,3 milhões em 2018 – dados de dezembro). Portanto, é válido ponderar o número de atendimentos realizados em cada ano em relação ao número de usuários existentes no período. Ainda assim, percebe-se que houve aumento percentual em todos os procedimentos acima mencionados.

Confira os dados na tabela abaixo:

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Promoção e prevenção

Além de garantir, pelo Rol de Procedimentos, os tratamentos mais indicados para doenças mentais, a ANS vem estimulando as operadoras a desenvolverem programas de Promoção da Saúde e Prevenção de Riscos de Doenças (Promoprev) voltados para essa área. Em 2011, eram três iniciativas voltadas a esse fim; hoje, existem 42 programas cadastrados na Agência, atendendo cerca de 29,5 mil beneficiários de planos de saúde. As principais linhas de cuidado são depressão, estresse, esquizofrenia, transtornos psiquiátricos decorrentes do uso de álcool e outras drogas, transtorno bipolar, entre outras.

Vale destacar que as operadoras que têm programas aprovados na ANS recebem incentivos regulatórios. Há redução de 10% na exigência mensal de margem de solvência e bonificação que eleva pontos/notas no Programa de Qualificação das Operadoras. A ANS estimula que as operadoras elaborem ações de inclusão de seus usuários nos programas, concedendo descontos em serviços ou até pelo não pagamento de coparticipação para procedimentos relacionados ao Promoprev.

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Fonte: ANS

Janeiro Branco: 23 milhões de brasileiros têm transtornos mentais

Dados recentes divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que 23 milhões de brasileiros, ou seja, 12% da população, apresentam os sintomas de transtornos mentais. Ainda de acordo com a pesquisa, ao menos 5 milhões, 3% dos cidadãos, sofrem com transtornos mentais graves e persistentes.

A Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) de 2013 estimou que 7,6% (11,2 milhões) das pessoas de 18 anos ou mais de idade receberam diagnóstico de depressão por profissional de saúde mental. Mas, não é só a depressão que atinge os brasileiros, transtornos como ansiedade, bipolaridade e esquizofrenia também estão no topo da lista das doenças mais recorrentes.

O número de casos tende a aumentar em áreas urbanas, e também em mulheres, que representam dois terços dos diagnósticos para depressão, por exemplo. Por isso, é importante conscientizar todos, tanto os pacientes quanto quem convive com essas pessoas. Pensando nisso, foi lançada a recentemente campanha “Janeiro Branco”, aproveitando a simbologia do início de ano, para incentivar a cuidar da saúde mental e emocional.

Segundo Aier Adriano Costa, coordenador médico da Docway, as doenças psicológicas não são levadas a sério porque não são facilmente visíveis, como um osso quebrado por exemplo, apesar de serem doenças comuns e estrarem presentes na vida das pessoas. “Mudar depende da mobilização das pessoas para tentar combater o estigma social, evitar rotular e desqualificar pessoas que tem essas enfermidades e orientar já é um bom começo e não tem nenhum custo”, explica.

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Foto: MedicalNewsToday

Existem, de acordo com o médico, vários sinais e sintomas que podem identificar uma pessoa que não está com uma boa saúde mental, por exemplo: tristeza ou irritabilidade exacerbada, confusão, desorientação, apatia e perda de interesse, preocupações excessivas, raiva, hostilidade, violência, medo ou paranoia, problemas em lidar com emoções, dificuldade de concentração, dificuldade de lidar com responsabilidades, reclusão ou isolamento social, problemas para dormir, delírios ou alucinações, ideias grandiosas ou fora da realidade, abuso de drogas ou álcool, pensamentos ou planos suicidas.

Para ajudar, inicialmente, é bom estimular o paciente a buscar atendimento especializado com um médico, psicólogo ou um psiquiatra. De acordo com o Dr. Aier, é sempre importante criar um ambiente adequado para que a pessoa que está em tratamento se sinta segura para poder compartilhar seus problemas e aceitar ajudar especializada.

Outra dica importante é criar uma rede de apoio, com amigos e familiares, para entender e participar ativamente do processo de terapia. Existem, além disso, diversos outros grupos de apoio que podem auxiliar auxiliam no tratamento. A grande maioria das doenças psiquiátricas tem tratamento eficiente quando diagnosticada de maneira correta, além dos tratamentos estarem em constante melhora e evolução.

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“Cabe a todos nós como sociedade ajudar para o fim da discriminação e preconceito que estão presentes nas pessoas que tem pouco conhecimento sobre o assunto”, conclui o médico.

Fonte: Docway