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Como o desmatamento da maior floresta tropical do mundo interfere na saúde da população?

Covid-19 e outras doenças chegam até nós como consequência da degradação ambiental

A preservação do meio ambiente nunca esteve tão em voga quanto ultimamente, o assunto é de extrema importância, não só pela vida dos seres vivos que ali habitam, mas também para a saúde ambiental do planeta e do ser humano.

A degradação ambiental ocorre há anos, e cada vez mais vemos de perto como esse descaso com as florestas interfere diretamente na vida da população. Estudos científicos já atestaram que o desmatamento gera uma cadeia de acontecimentos complexos, criando meios para que diferentes patógenos mortais se espalhem entre os humanos. Doença de Lyme e a malária, por exemplo, surgiram a partir daí.

São 40 mil espécies de plantas, milhões de insetos e 400 mamíferos que estima-se ter na Amazônia, floresta que ocupa sete milhões de quilômetros quadrados e faz parte de nove países da América do Sul. O especialista em Gestão de Resíduos Sólidos e fundador da Oceano Resíduos, Rafael Zarvos, alerta a necessidade das pessoas entenderem que desmatamento e doenças estão relacionados.

Doenças como a zika, que somada a dengue e chikungunya contabilizaram um aumento de 248% do número de casos no ano de 2019, é exemplo de enfermidade que veio da cena rural para a urbana pelo avanço do desmatamento em áreas florestais. “A destruição da natureza coloca em risco a nossa própria existência. O coronavírus, por exemplo, responsável pela pandemia que vivemos, é fruto do contato de humanos com morcegos”, destaca Rafael.

Em relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), é possível ver que a cada quatro meses o ser humano tem uma infecção originária de problemas relacionados ao meio ambiente, e que 75% das doenças são de origem animal. O consumo de carne crua de animais silvestres, o desmatamento, as mudanças climáticas e o tráfico ilegal de animais silvestres são fatores que contribuem para facilitar o contágio de seres humanos por patógenos que vivem na natureza e nas espécies que ali habitam.

Abaixo, artigo de Rafael Zarvos:

Meio ambiente, problema da destruição e pandemia. As pessoas precisam ter em mente que uma coisa está relacionada com a outra. Infelizmente, somos a única espécie capaz de de destruir e de ameaçar a nossa própria sobrevivência. A destruição da natureza coloca em risco a sobrevivência da espécie humana. A forma como a sociedade está transformando o meio ambiente e reduzindo os habitats, faz com que animais silvestres e seres humanos se aproximem.

Isso potencializa o risco de transmissão de variados patógenos aos seres humanos. Uma publicação recente da biblioteca nacional de medicina aponta que existem cerca de 165 espécies de doenças capaz de causar algum dano ao ser humano. Relatório da ONU mostra que a cada quatro meses a gente tem uma infecção originária de problemas relacionados ao meio ambiente, sendo que 75% das doenças que temos são de origem animal.

O impacto no meio ambiente de maneira negativa, acaba trazendo essas consequências que agora estamos vendo na pele, que é a pandemia originada pelo novo coronavírus. Em relação ao desmatamento, florestas estão sendo derrubadas para pasto, agronegócio. Mudanças climáticas, por conta da alteração da temperatura. Inclusive, uma publicação que saiu hoje (24) em um  jornal diz que a Groenlândia atingiu um ponto irreversível no degelo depois de 40 anos, e resultará no aumento de um milímetro por ano nos oceanos. Parece pouco, mas vai gerar impactos negativos a quem mora em ilhas e perto da costa. Um milímetro faz muita diferença.

A partir do momento que você tem mudanças climáticas com o aumento da temperatura, os micróbios começam a ter uma sobrevida maior. Tráfico ilegal de animais silvestres. Todos esses fatores contribuem, além do consumo da carne crua dos animais silvestres. Em relação ao coronavírus, por exemplo, tudo indica que a contaminação ocorreu pelo morcego no mercado chinês (mas ainda não está comprovado). Na história, para dar outro exemplo com origem já comprovada, o HIV, o vírus da Aids. Tudo indica que ele teria passado para o ser humano na década de 30 por meio de tribos africanas que faziam caça e domesticação de chimpanzés e macaco verde.

Passaram-se todas essas décadas, quando veio a explosão e, teoricamente, o marco zero teria ocorrido nos anos 1980 com um comissário americano que morreu nos Estados Unidos após viagem. Posteriormente, descobriu-se que surgiu, na verdade, em 1959, com registro de um rapaz no Congo que morreu de doença não detectada, mas que teve seu sangue congelado para posterior avaliação.

Ebola é outro exemplo de doença originária de animais silvestres, pois veio por meio do morcego de fruta. A gripe aviária, aqui no Brasil, a zika e por aí vai. Meio ambiente e doenças estão correlacionados, é preciso tomar cuidado. De acordo com o relatório da ONU, quanto maior a diversidade entre as espécies, mais difícil fica essa contaminação, pois passa de uma espécie para outra até chegar na gente. Se você elimina todas as espécies, ou se encurta a distância entre elas, você tem o que estamos vivendo agora: uma pandemia. E a relação de lixo descartado incorretamente e doenças?

A peste negra é um exemplo de doença que veio da falta de higiene. Se você descarta o lixo incorretamente, atrai vetores como o rato, por exemplo, que vai se aproximar e é vetor de doenças. Saneamento básico também. Cientistas especulam que o vírus que desencadeará a próxima pandemia já está em circulação, é só uma questão de tempo até sermos atingidos. Isso prova que está mais do que na hora de prestarmos atenção no consumo de produtos, além de pequenos hábitos do dia a dia que podem ser cruciais para ajudar o meio ambiente e a nós mesmos.

 

Descubra os quatro problemas mais comuns na língua

Dentista lista cuidados para garantir a saúde do músculo que é um dos mais importantes do corpo

Ter uma boca saudável, vai muito além de escovar os dentes depois de cada refeição. A língua, por vezes negligenciada, acumula uma grande quantidade de bactérias que podem provocar algumas doenças, caso a higiene bucal não seja bem feita. Para evitar transtornos, o dentista e presidente da rede OdontoCompany, Paulo Zahr, explica a seguir quais doenças são mais frequentes em consultórios e o que fazer para evitá-las e tratá-las.

1. Língua pilosa

Healthline

A língua pilosa não é um problema grave e ocorre quando existe um acúmulo de ceratina, fungos ou bactérias nas papilas gustativas, que ficam mais alongadas, dando uma aparência de pelos na língua. O problema pode ser causado por hábitos de higiene incorretos, tabagismo, infecções e reação adversa a alguns medicamentos. A boa notícia é que o tratamento é simples, sendo necessário apenas procurar um dentista para identificar a causa, seguir as recomendações quanto à higiene bucal, suspender o uso de tabaco ou substituir medicamentos, se for o caso. “Os sintomas devem desaparecer após uma semana de tratamento. No entanto, caso persistam, procure um estomatologista para verificar a necessidade de recorrer a medicamentos antifúngicos ou antibióticos”, salienta Zahr.

2. Afta

Pinterest

Pode afetar tanto a língua quanto a boca. É caracterizada por pequenas lesões arredondadas que causam dor e, muitas vezes, dificultam a alimentação e a fala. Seu aparecimento pode estar relacionado a diversos fatores, como mordidas na língua, estresse, doenças autoimunes ou até mesmo pelo consumo de alimentos cítricos, como abacaxi e limão. “As aftas costumam desaparecer de forma espontânea após 7 ou 10 dias, sem deixar cicatrizes. Quando isso não acontece ou quando são muito frequentes, é recomendado procurar um dentista”, orienta o especialista.

3. Sapinho

Bigstock

O sapinho ou candidíase oral é uma doença caracterizada pelo surgimento de placas esbranquiçadas na língua e interior da boca, vermelhidão, sensação de ardência e sabor desagradável. Ela ocorre devido a uma infecção causada por fungos e não é contagiosa. Alguns fatores como hábitos inadequados de higiene, fumo e uso de medicamentos podem favorecer o desenvolvimento da doença, assim como alguns grupos de pessoas são mais suscetíveis ao problema, como bebês recém-nascidos, usuários de drogas, com alimentação inadequada ou sistema imunológico debilitado, no caso, de pacientes com HIV ou transplantados, por exemplo. “O tratamento é feito com remédios antifúngicos em forma de gel ou creme aplicados de forma tópica. Após o início do tratamento, os sintomas devem desaparecer em duas semanas. No caso do sapinho causado por medicamentos, é preciso conversar com seu médico para verificar a possibilidade de mudar a dosagem ou substituir a medicação”, alerta Zahr.

4. Câncer Bucal

Foto: Zahnreinigung/Pixabay

É preciso visitar o dentista com regularidade para garantir a saúde da boca e evitar problemas mais graves como o Câncer Bucal, que não é tão incomum quanto a maioria das pessoas imagina. “Esse tipo de câncer é mais frequente em homens com mais de 40 anos e pode ser fatal, caso não seja diagnosticado de maneira precoce. Ao notar qualquer alteração na aparência e textura da língua, não hesite em procurar um profissional qualificado”, finaliza.

Fonte: OdontoCompany

Queda na vacinação acende alerta para volta de doenças erradicadas

Ontem (9) foi celebrado o Dia Nacional da Imunização; e um especialista observou a importância de os pais manterem a disciplina na vacinação. Imunizações precisam ser renovadas até a idade adulta

O Programa Nacional de Imunização (PNI), formulado em 1973, é referência mundial. O Brasil foi pioneiro na incorporação de diversas vacinas no calendário do Sistema Único de Saúde (SUS) e é um dos poucos países no mundo que ofertam de maneira universal um rol extenso e abrangente de imunobiológicos.

Porém, a alta taxa de cobertura, que sempre foi sua principal característica, vem caindo nos últimos anos, inclusive para crianças pequenas, colocando em alerta especialistas e profissionais da área, o que reforça a importância do Dia Mundial da Imunização, celebrado nesta terça-feira, 9 de junho.

Renato-Antonio

O farmacêutico hospitalar Renato Antônio Campos Freire, que vai inaugurar uma clínica de vacinação no Órion Shopping, em Goiânia, explica que na infância as crianças não têm imunidade e não conseguem combater sozinhas as doenças, por isso a vacinação é essencial. “Geralmente, até os dois anos os pais são mais cautelosos, depois relaxam. Mesmo para as vacinas gratuitas não vão”, diz ele.

O especialista afirma que datas como o Dia Nacional da Imunização são importantes, pois lembram as pessoas da ação e reforçam que a vacina não é proteção apenas individual. “Dependendo da doença e da região, se 80% da população é vacinada, os outras 20% também ficam protegidos”, diz.

Segundo dados preliminares do ano passado do Ministério da Saúde, divulgados em março deste ano, pela primeira vez desde 1994 – quando começou a disponibilização de dados – o País não atingiu a meta de vacinar 95% do público-alvo em nenhuma das 15 vacinas do calendário público. Isso inclui a cobertura vacinal em crianças de até 1 ano, a qual também está em queda no Brasil.

A taxa de vacinação da tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, passou de 102,3% em 2011 para 90,5% em 2018, segundo dados divulgados oficialmente em 2019. O número está abaixo do recomendado pela Organização Mundial da Saúde, que é de 95% da meta estipulada.

Ainda de acordo com esse estudo, a taxa da poliomielite, contra paralisia infantil, caiu de 101,3% em 2011 para 86,3% em 2018. A cobertura vacinal da BCG, contra formas graves da tuberculose, era de 107,9% e também caiu para 95,6%, no mesmo período. O problema se estende para a meningocócica C, que antes tinha uma taxa de 105,6% e passou a ter apenas 85,6% de cobertura vacinal. Freire, que também é mestre em tecnologia farmacêutica, explica que a estimativa dos órgãos de saúde para uma campanha de vacinação é baseada nos anos anteriores e quando esse número é ultrapassado a meta passa de 100%.

Renato salienta que há vacina em todas as idades. “Para adolescentes, por exemplo, temos a HPV, reforço de DPT meningite, para adultos temos a hepatite e a pneumonia, e para idoso, além da gripe, muito conhecida, temos a herpes zoster, para pessoas a partir de 50 anos”. “A diferença das vacinas chamadas obrigatórias das sugeridas é que as primeiras o governo fornece gratuitamente, principalmente na fase infantil. Mas existem outras vacinas também para outras faixas etárias, que são recomendadas pelos profissionais da saúde, que são muito importantes. Se a pessoa tem condição, ela deve adquirir para preservar a saúde”.

Queda é preocupante

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iStock

O especialista vê de perto a queda dos números dos dados oficiais. “Temos uma preocupação com essa negligência, a população tem que ter consciência, não só o poder público. Quando se deixa de vacinar está contribuindo com a volta da doença e se gasta mais também, pois a cada um dólar investido em prevenção se economiza, em média, 16 dólares no tratamento”, ressalta ele, que reforçou que a vacinação é um tecnologia avançada para atuar antes da contaminação.

Coronavírus

sangue coronavirus

Sobre os estudos acerca de uma vacina para o novo coronavírus (Sars-Cov-2), Renato Freire, que atua na área há 25 anos, também mostra animação. “Estou otimista, pois vejo algo que não acontece há anos, o compartilhamento de informações. Os laboratórios têm segredos, que não costumam revelar para os concorrentes, por isso, normalmente, pode-se levar até cinco anos para produzir uma vacina, mas já estamos na terceira fase”, disse se referindo à vacina em desenvolvimento na Universidade de Oxford, no Reino Unido, que iniciou a etapa de testes em humanos na última semana.

Pelo menos dez mil pessoas serão vacinadas para averiguar a eficácia do produto. Para que essa terceira fase, da testagem maciça, não leve muito tempo, Oxford conclamou 18 centros de pesquisa em todo o Reino Unido a testar o imunizante, entre eles o de Liverpool, comandado pela imunologista brasileira Daniela Ferreira.

Do total, duas mil dessas vacinas serão testadas no Brasil a partir desta semana, no Rio de Janeiro e em São Paulo. “Normalmente, os testes em humanos podem levar até seis meses. No melhor cenário, se tudo ocorrer bem, podermos ter uma vacina até o final do ano. Porém, depois ela ainda precisará ser produzida em larga escala para beneficiar todos”, finaliza o especialista.

A epidemia da solidão*

A complexidade da solidão intriga cientistas do mundo todo. Ela é um mal universal, que não necessariamente diz respeito às pessoas que vivem sozinhas, mas às que estão isoladas socialmente. De acordo com Stephanie Cacioppo, diretora do Laboratório de Dinâmica Cerebral da Escola de Medicina Pritzker, da Universidade de Chicago (EUA), a solidão pode ser definida como “a discrepância entre o que você deseja dos seus relacionamentos e o que, de fato, você tem”.

Ela pode se manifestar em qualquer idade, mas é natural que tenha maior incidência entre pessoas a partir dos 60 anos de idade, uma vez que é nessa fase que normalmente começam a vivenciar a perda de entes queridos e amigos. Como fenômeno complexo que é, a solidão tem sido objeto de inúmeras pesquisas. Elas dão pistas para compreendermos de que forma ela atinge os indivíduos e, principalmente, quais são os caminhos possíveis para sua cura.

Um desses estudos foi conduzido pelo pesquisador Steve Cole, professor de medicina, psiquiatria e ciências biocomportamentais da Faculdade de Medicina da UCLA, nos Estados Unidos, que decidiu estudar o tema do ponto de vista molecular, partindo de uma amostra de glóbulos brancos. Elas foram retiradas de homens e mulheres solitários e a conclusão de Cole foi surpreendente: os glóbulos estavam em estado de alerta máximo, respondendo da mesma forma que a uma célula com infecção bacteriana. Era como se estivessem sob ataque de uma doença, a ‘doença da solidão’.

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Tão importante quanto o estudo foi o retorno que ele trouxe após sua publicação, em 2007: o pesquisador passou a receber um enorme volume de e-mails, de pessoas agradecendo e compartilhando relatos e como as descobertas faziam sentido em suas vidas. “Então isso me levou a respeitar a solidão como um tópico. Mas também como um inimigo”, afirma Cole.

A solidão, diz Louise Hawkley, cientista sênior da Universidade de Chicago, “é uma experiência humana universal e, sendo os animais sociais que somos, deve haver implicações quando essas conexões sociais não são satisfeitas”. De acordo com ela, temos uma necessidade vital de aceitação, de sermos incorporados e conectados em uma rede social e quando isso não ocorre, existem consequências reais para nossa saúde mental e física. A necessidade de contato social aparece em todos os estudos, independentemente da linha seguida pelos especialistas e a ciência considera a solidão como um mal que afeta não apenas nossos cérebros, mas também nossos corpos.

Outra importante contribuição para essa discussão vem de Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e neurociência da Universidade Brigham Young. Ela questiona se o que estamos vivenciando atualmente é a solidão propriamente dita ou se as pessoas estão se desconectando socialmente de várias formas, de maneira gradativa. Segundo ela, existem dados de declínio das conexões sociais: aumento no número de pessoas que vivem sozinhas – embora esse fator isoladamente não possa ser relacionado com a solidão – diminuição das taxas de casamento e do número de filhos.

Todos esses fatores carregam um estigma de ‘fracasso social’, o que coloca esses indivíduos em risco. Julianne é o coautora de um estudo de referência que analisou vários grupos de pessoas consideradas como desprovidas de conexão social suficiente e cruzou essas informações com seus históricos médicos. A conclusão é que, seja o indivíduo saudável ou não, aqueles que estão mais conectados socialmente, vivem mais.

Existem diversos dados que sugerem que se sentir sozinho não é um problema exclusivamente do indivíduo, mas é um efeito do mundo em que vivemos. Em torno de 94% dos representantes da geração baby boomers** dizem que acreditam pertencer a um grupo de amigos, número que cai para 70% no caso da chamada Geração Z. É provável que a geração millenial, intermediária entre elas, seja mais solitária que os baby boomers e a Geração Z ainda mais do que as duas anteriores. A qualidade das relações sociais também tem papel fundamental para evitar a solidão. Apenas 53% dos americanos relatam ter interações significativas com amigos e familiares, o que sugere que a solidão tem menos relação com o número de amigos que temos ou com a frequência com que saímos com eles e mais relação com a capacidade de nos conectarmos com as pessoas em um nível mais profundo.

Efeitos da solidão

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Em janeiro de 2018, o Reino Unido criou o Ministério da Solidão, pasta que trabalha criando estratégias para enfrentar o que a primeira-ministra britânica da época,Theresa May, descreve como “uma triste realidade da vida moderna, que atinge pessoas de todas as idades”.

Na época, 9 milhões de britânicos se declaravam solitários, de uma população total de 65,6 milhões. Como consequências, o governo registrava efeitos como altos índices de internação, de mortalidade prematura e problemas associados à demência. A criação de um ministério para solucionar o problema, algo inédito no mundo, demonstra sua gravidade para a sociedade.

Outros países também enfrentam o mesmo desafio. Os impactos das pessoas que vivem em isolamento social nos Estados Unidos somam US$ 7 bilhões ao ano para o sistema de saúde americano, segundo estudo do Instituto de Políticas Públicas das Universidade de Stanford e Harvard. Isso ocorre principalmente por conta de internações de longa permanência nos hospitais. Nos indivíduos que padecem desse mal, os custos se materializam das mais diversas formas, com consequências negativas para corpos e mentes, encurtando vidas.

A solidão é mortal: uma série de estudos revelou que ela aumenta as chances de doenças cardíacas, nos torna mais vulneráveis ao Alzheimer, pressão alta, suicídio e até mesmo aos resfriados comuns. Ainda segundo essas pesquisas, o sentimento de estar sozinho equivale a fumar 15 cigarros por dia e a solidão ainda é considerada mais nociva para a saúde que a obesidade.

Um número elevado de especialistas concentra atualmente suas pesquisas nos sentimentos da solidão: na experiência pessoal de rejeição, desconexão e de saudade. Eles estão convencidos de que a dor dessas pessoas é tão real quanto qualquer outra causada por uma lesão física, por exemplo.

Nossa história evolutiva pode nos ensinar muito sobre isso: nossos ancestrais mais antigos tinham mais chance de sobrevivência em relação aos seus predadores quando estavam em grupos, de maneira que a solidão pode ter evoluído como um alerta de que algo não está certo, nos estressando até que voltemos à segurança do nosso grupo. No curto prazo isso pode ser benéfico – como a inflamação encontrada por Steve Cole nas células das pessoas solitárias – e pode ser traduzido como o sistema de defesa combatendo uma infecção ou reparando uma ferida. Mas, no longo prazo, pode ser mortal, tornando indivíduos mais vulneráveis a uma série de doenças.

Tratamento e cura

Conseguir cessar o que os cientistas têm chamado de ‘duelo entre corpo e mente’ é uma das formas de reverter a trajetória da solidão. Explicando melhor: enquanto o corpo quer fazer novos amigos e se reconectar socialmente, o cérebro moderno e solitário, que está sob a influência da resposta inflamatória e elevados níveis de estresse, sente ameaça em qualquer interação, obrigando os indivíduos a se isolarem ainda mais.

“Se você coloca alguém que está solitário em uma sala sozinho, todas as pessoas que chegam são percebidas como uma ameaça”, exemplifica Stephanie Cacioppo, diretora do Laboratório de Dinâmica Cerebral da Escola de Medicina Pritzker da Universidade de Chicago (EUA). Ela explica que as pessoas solitárias muitas vezes interpretam mal uma expressão facial ou um tom de voz – caracterizando a curiosidade como hostilidade, por exemplo – e desenvolvem uma realidade distorcida do mundo à sua volta. De acordo com Stephanie, enquanto nosso corpo tem um modo de autopreservação a longo prazo e quer abordar outras pessoas para sobreviver, o cérebro solitário tem um modo de autodefesa a curto prazo e vê, erroneamente, mais inimigos que amigos.

Como fenômeno que se manifesta de maneira diferente em cada indivíduo, o tratamento para aliviar ou extinguir a solidão pode exigir métodos diferentes. Os cientistas têm inclusive substituído o termo solidão por ‘conexão social’, evitando o estigma e o preconceito que recaem sobre ele. Julianne Holt-Lunstad afirma que um bom caminho seria considerar a saúde de nossas conexões sociais como tão importante como um estilo de vida saudável, dieta e exercícios físicos, por exemplo. Um dos métodos mais eficazes parece ser a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que pode ajudar um indivíduo solitário a entender melhor como suas suposições e comportamentos podem estar trabalhando contra o desejo de se conectar com os outros.

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Um experimento com um medicamento está sendo conduzido por Naomi Eisenberger, professora de psicologia da UCLA. “Talvez o naproxeno possa quebrar esse ciclo negativo de feedback e isso mudará a maneira como as pessoas vêm o mundo social. E então, em vez de interpretar cada pequeno comentário como algo negativo, talvez com o tempo as pessoas poderão se sentir um pouco menos desconectadas dos outros, um pouco menos solitárias”, afirma. Da mesma forma, alguns antidepressivos, classificados como inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou SSRIs, também podem ajudar a reduzir o senso de ameaça social.

A combinação entre os medicamentos e a terapia, na medida em que as drogas possibilitam o trabalho em uma mente mais flexível e aberta, também trazem esperança. Mas é fundamental que diversas abordagens sejam utilizadas nos tratamentos, levando em conta a singularidades da solidão para cada indivíduo. E o mais importante: que haja a conscientização das sociedades sobre a gravidade do problema e a relevância de incentivar cada vez mais esse debate.

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*José Carlos Vasconcellos é fundador da Telehelp, empresa pioneira em teleassistência no Brasil

**pessoa nascida após a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964.

Estudo diz que consumir leite e derivados de origem animal aumenta risco de doenças

Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) comenta os resultados do estudo, que revela os efeitos negativos da bebida, e recomenda não consumir lácteos em benefício da saúde humana.

O consumo de leite e derivados lácteos bovinos representa elevado risco para a saúde humana, principalmente no que diz respeito ao seu uso como fonte de cálcio. De acordo com o estudo “Milk and Health” (Leite e Saúde, na tradução livre), publicado pelo ‘New England Journal of Medicine’, aumentar o consumo de leite resulta diretamente no aumento do risco de fratura, câncer, doenças cardiovasculares, diabetes e mortalidade em geral.

Publicado no dia 12 de fevereiro de 2020, o material revela que o benefício atribuído ao leite está mais relacionado à qualidade da dieta e menos ao consumo dos produtos lácteos. Em regiões onde a qualidade da dieta e o aporte de calorias estão comprometidos, a alta densidade energética do leite pode ser particularmente favorável, mas apenas no curto prazo.

A Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB) destaca a recomendação do estudo para que a necessidade diária de cálcio seja suprida por meio de fontes de cálcio de origem vegetal como os vegetais crucíferos (brócolis, couve-flor e couve), tofu, castanhas, feijões e leites vegetais fortificados com cálcio.

“Os efeitos nocivos do consumo habitual de lácteos estão amplamente demonstrados. Portanto, não recomendamos o leite e os seus derivados como fonte de cálcio. Vale ainda um alerta para a urgente necessidade de redução do consumo, em benefício da saúde humana em diversos aspectos”, esclarece a médica Camila Secches, endocrinologista membro da SVB.

Diante dos riscos evidentes, a SVB preparou nove motivos que incentivam a redução e até mesmo a eliminação deste tipo de alimento da sua dieta:

1) Saúde óssea

mulher dor quadril alamy
Alamy

A redução do consumo de lácteos está associada ao menor risco de fratura de quadril.

2) Pressão arterial

leite
A dieta DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), que inclui derivados de leite com teor de gordura reduzido, é eficiente em reduzir a pressão arterial. No entanto, a contribuição específica dos lácteos não é clara, uma vez que a dieta é baixa em sódio e rica em frutas e vegetais. Abordagens dietéticas semelhantes, mas com exclusão de leite e derivados, se mostram igualmente eficazes.

3) Perfil lipídico

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A substituição isocalórica do leite por alimentos fontes de gorduras vegetais insaturadas resulta em redução de LDL-colesterol, triglicerídeos e marcadores inflamatórios.

4) Peso corporal

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O leite é um alimento de alta densidade energética e não tem fibras na sua constituição. É possível que sua substituição por um alimento com menor densidade energética e/ou rico em fibras tenha impacto positivo na perda de peso e promoção da saciedade.

5) Doenças cardiovasculares

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Ilustração: Pixabay

O consumo de gorduras do leite está associado a maior risco de doenças cardiovasculares do que o consumo de gorduras insaturadas (considerando uma substituição isocalórica).

6) Diabetes

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O risco de diabetes é maior quando o leite é comparado com bebidas sem açúcar adicionado, como o café.

7) Câncer

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O consumo de leite está relacionado ao aumento de risco de câncer de mama, endométrio e próstata. O aumento de IGF-1 em pessoas que consomem leite pode representar um mecanismo plausível entre a ingestão de lácteos e outros tipos de câncer.

8) Alergias e intolerâncias

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O leite de vaca causa alergia em cerca de 4% das crianças e está associado ao agravamento de asma na infância. A intolerância à lactose tem alta prevalência na população em geral e é subdiagnosticada. O consumo de lactose por intolerantes, além dos sintomas gastrointestinais, gera deficiência de macro e micronutrientes e impacto negativo na flora intestinal.

9) Mortalidade geral

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Stocksy

O consumo de leite resulta em aumento significativo de mortalidade geral quando comparado com uma fonte de proteína vegetal não processada. Em relação a outras fontes de proteína animal (ovos, carnes, aves e peixes), o leite tem menor mortalidade.

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira

Coronavírus: o comércio de animais silvestres é uma ameaça à saúde humana*

São muitas as teorias de desinformação e fake news que diminuem a eficácia da resposta da Organização Mundial da Saúde (OMS) para conter a atual disseminação do coronavírus. Com o número de vítimas fatais superando o da Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), última grande epidemia global, que assolou o mundo entre 2002 e 2003, a origem do surto atual está cercada de especulações e achismos.

Entre as diversas teorias difundidas para a origem do coronavírus, a maioria delas aponta como culpado um animal silvestre. Morcegos, cobras e pangolins já foram acusados de transmitirem o vírus aos humanos. A similaridade entre as três espécies? Todas são comercializadas no mercado de animais vivos da cidade chinesa de Wuhan, epicentro da pandemia.

Compreender as reais causas para este surto global é crucial para que ele não se repita. E, independentemente de qual animal selvagem seja a fonte propagadora do vírus, uma coisa é certa: o comércio de animais silvestres é uma ameaça para a saúde humana global. A venda de animais silvestres é extremamente perigosa e, portanto, esta prática deve acabar.

Entre as medidas que a OMS aconselha para minimizar a propagação do vírus está a higiene ao visitar mercados de animais vivos ou de produtos de animais, além de evitar o consumo de produtos de origem animal crus ou malcozidos. Isso ocorre porque mais de 70% das infecções em humanos são provenientes de animais – principalmente animais silvestres.

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Pangolim, animal que está em risco de extinção, mas cuja carne, infelizmente, é muito apreciada pelos chineses –  Foto: Sangha Pangolin Project

A maioria das pessoas não ficaria surpresa ao saber que o comércio ilegal de animais silvestres envolve higiene precária e inúmeros animais doentes e mortos, que podem representar um alto risco para a saúde humana, porém, esses problemas também são muito comuns no comércio legalizado de animais. Há uma falta de medidas adequadas de biossegurança – assunto fundamental para prevenir a propagação de doenças.

Casos como o do coronavírus, e tantas outras doenças causadas a partir do contato de animais com humanos, revela que manter um grande número de animais silvestres juntos, em péssimas condições de higiene, tudo em nome do lucro, representa uma grande ameaça para a saúde humana, além dos problemas de bem-estar animal.

Os riscos que o mercado de animais silvestres representa no atual cenário é, sem dúvida, o motivo pelo qual a China tomou a louvável decisão de proibir, ainda que temporariamente, o comércio de animais silvestres em todo o país. Para minimizar riscos futuros, é fundamental que esta seja uma abordagem abrangente e permanente, que seja adotada não só pela China, mas em todo o mundo.

Portanto, ao invés de debatermos e tentarmos descobrir qual foi o animal responsável pelo início da contaminação do coronavírus, mais correto seria agir na causa principal do problema e proibir o comércio de animais silvestres o quanto antes. Sem essa proibição permanente, a ameaça será constante. Os animais continuarão sofrendo sem necessidade, e mortes humanas ocorrerão por causas evitáveis.

*Neil D’Cruze – chefe global de Vida Silvestre na Proteção Animal Mundial

Nota da redação: a China anunciou no começo desta semana o banimento do comércio e do consumo de animais silvestres. Seria bom se eles também banissem o consumo de cães e gatos!

 

Sarampo pode ocasionar sérias complicações na visão

Nos últimos meses, o Brasil registrou 3.339 casos de sarampo em 16 estados, com quatro mortes, segundo balanço do Ministério da Saúde divulgado na última sexta-feira (13). Neste período, o Distrito Federal registrou três casos. Causado por um vírus transmitido pelas secreções respiratórias, o sarampo é uma doença infectocontagiosa aguda grave e provoca inflamação generalizada nos vasos sanguíneos. Além de manchas na pele, febre e mal-estar, a doença pode causar graves lesões nos olhos.

“A infecção pode causar desde um quadro leve de conjuntivite ou ceratite, até complicações mais sérias como úlcera de córnea com risco de desenvolver cicatrizes corneanas ou perfurações, entre outros casos, podendo evoluir para cegueira”, explica o oftalmologista Hilton Medeiros, da Clínica de Olhos Dr. João Eugenio.

Recomenda-se a avaliação oftalmológica caso a pessoa acometida pelo sarampo apresente hiperemia, irritação ocular, fotofobia, lacrimejamento, ardor e embaçamento visual.

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Mulheres que não foram vacinadas e contraem o sarampo durante a gravidez, apresentam risco de transmissão ao feto por meio da placenta, podendo o bebê sofrer alterações da retina, catarata e nervo óptico com potencial de cegueira. “Nestes casos, é comum o bebê nascer com catarata congênita, doença que é responsável por 4 em cada 10 casos de perda da visão na infância”, afirma o especialista.

A única forma de prevenir o sarampo é a vacinação. Não existe um tratamento específico para a doença. O tratamento profilático (preventivo) com antibióticos é contraindicado.

Nos casos sem complicações, o ideal é manter a pessoa bem hidratada e alimentada e combater a febre. Os sintomas podem demorar até oito semanas para desaparecerem.

Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo

A Campanha Nacional de Vacinação contra o Sarampo vai ocorrer de 7 a 25 de outubro e o público-alvo são crianças de 6 meses a menores de 5 anos. Já a segunda etapa, de 18 a 30 de novembro, o foco é a população de 20 a 29 anos.

Oftalmologista Hilton Medeiros
Oftalmologista Hilton Medeiros

Fonte: Clínica de Olhos Dr. João Eugenio

Doenças de inverno: saiba as diferenças entre gripe e resfriado

Especialista da SulAmérica esclarece as distinções entre as enfermidades e oferece dicas de prevenção

Com a chegada do inverno, são comuns o aumento de casos de doenças respiratórias e a piora de condições crônicas como asma ou rinite. Nesse período, é natural que, ao surgirem os primeiros sintomas de desconforto, existam dúvidas sobre o diagnóstico. Há, por exemplo, quem acredite que gripe e resfriado são sinônimos. No entanto, embora semelhantes, são doenças distintas, causadas, inclusive, por vírus diferentes.

A gripe tem como agente o vírus influenza. Os sintomas apresentam maior intensidade que os do resfriado e podem durar até duas semanas. É comum uma pessoa gripada apresentar febre alta e abrupta, dores no corpo, congestão, fraqueza e cansaço. O vírus pode ser transmitido por meio do contato direto, de pessoa para pessoa, via espirro, por exemplo, e também de forma indireta, por contato com objetos contaminados.

O resfriado, por sua vez, é causado por vírus específicos como o Coronavírus e o Rinovírus, entre outros. Em geral, os sintomas duram de três a cinco dias, e, nesse período, é comum ter as vias respiratórias obstruídas, coriza, febre baixa, tosse, espirros e dor de garganta. Em ambos os casos, o tratamento é feito com analgésicos, antitérmicos, repouso e hidratação.

Prevenção

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Foto: Portal Brasil

Segundo a diretora Técnica Médica e de Relacionamento com Prestadores da SulAmérica, Tereza Veloso, para prevenir-se é aconselhável tomar a vacina anualmente, além de lavar bem as mãos e o nariz e evitar locais fechados, com aglomeração de pessoas e pouca ventilação. “A vacinação anual é muito importante, porque as cepas do vírus causador da gripe mudam a cada ano e as vacinas são atualizadas para tais mudanças”, destaca a médica.

Além disso, é essencial manter uma alimentação saudável e equilibrada para manter o sistema imunológico fortalecido, dica que vale para todas as épocas do ano. “Procure comer alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, como frutas e legumes. A vitamina C, presente na laranja e em outras frutas cítricas, é uma forte aliada no combate a gripe e ao resfriado”, completa a especialista.

E-book sobre doenças respiratórias

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Para conscientizar a população, a SulAmérica desenvolveu um e-book exclusivo com informações sobre essas e outras doenças recorrentes nesta época do ano. O material é gratuito e foi produzido pelo programa SulAmérica Saúde Ativa, que desde 2002 incentiva a adoção de hábitos saudáveis pelos segurados. O download está disponível aqui.

“Iniciativas de conscientização da população, como o desenvolvimento deste conteúdo educativo sobre doenças respiratórias, estão alinhadas com o compromisso assumido pela SulAmérica em promover saúde e qualidade de vida”, explica Tereza. “A queda de temperatura, a baixa umidade e o aumento da poluição do ar são fatores comuns no inverno que prejudicam as condições respiratórias e este e-book traz orientações para manter a saúde no período.”

Em caso de dúvidas sobre este e outros temas de saúde, segurados da SulAmérica contam com serviços de medicina conectada como Orientação Médica Telefônica (OMT), Médico na Tela e Médico em Casa. O objetivo dessas iniciativas, cuja utilização está sujeita a critérios de elegibilidade e disponibilidade, é oferecer ainda mais conforto e tranquilidade para beneficiários, evitando idas desnecessárias ao pronto-socorro, em casos de baixa complexidade. Para mais informações, consulte o site do Saúde Ativa.

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Tereza Veloso: Diretora Técnica Médica e de Relacionamento com Prestadores da SulAmérica – Crédito: Reinaldo Canato

Atenção: este conteúdo tem caráter meramente informativo e não deve substituir as orientações de um médico. Nunca se automedique ou interrompa o uso de medicamentos sem consultar um profissional de saúde.

Cinco exemplos de doenças psicossomáticas mais comuns

Quem nunca sentiu uma dor específica ou um mal-estar e, ao ir ao médico e fazer os exames solicitados, descobriu que o problema tinha origem emocional? Atualmente, a relação entre doenças físicas e emocionais é bastante comum. Aquilo que antigamente ganhava o nome de “histeria”, nos dias atuais, nós chamamos de “estados conversivos”, nos quais o paciente sente dores, desmaios, parestesias ou outros sintomas, sem que nenhum exame laboratorial ou de imagem corrobore a organicidade dos mesmos.

Segundo Alexandre Pedro, psicanalista pela Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo e Master Practitioner de PNL filiado ao NLP Academy, os problemas emocionais geram excesso da descarga de adrenalina causada por uma disfunção nos neurotransmissores, ocasionando uma psicossomatização, ou seja, os efeitos psíquicos se refletem na parte fisiológica do organismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mente doente pode desenvolver enfermidades graves como câncer ou infarto. Segundo a organização, cerca de 60% dos pacientes que procuram ajuda médica sofrem de sintomas gerados pela somatização.

Mas o que são doenças psicossomáticas?

Elas apresentam sintomas físicos, mas não têm origem ou causa identificada em exames. Estar sob forte pressão no trabalho, ter passado por um rompimento amoroso abrupto, pela perda de um ente querido ou estar com problemas financeiros, são exemplos de situações que podem levar o indivíduo a uma condição de estresse, ansiedade e tristeza tão grave que o seu estado mental transcende e acaba afetando o emocional. Assim, tudo que a pessoa sente na mente e em seu coração acaba se manifestando fisicamente, causando mal-estar e dores pelo corpo. Isso é a somatização, quando alguém absorve no corpo os seus desequilíbrios emocionais e mentais.

Cinco exemplos de doenças psicossomáticas mais comuns

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– Resfriados frequentes: quando os episódios acontecem com frequência é sinal de que há algo de errado. Se os exames médicos não encontram uma explicação lógica para essa imunidade sempre baixa e você está passando por dificuldades, a somatização pode ser a resposta.

– Herpes: o vírus é transmitido por contato com uma pessoa infectada. Entretanto, ele se manifesta em ocasiões de baixa imunidade. Ter episódios constantes de herpes, em especial, a labial, indica que o indivíduo apresenta alguma desordem no organismo. As feridas podem surgir em momentos de muito estresse. Os sintomas são surgimento de feridas ao redor da boca ou na região genital, com fortes dores e sensação de queimação no local.

dor cabeça mulher
– Enxaquecas: não é uma dor de cabeça convencional, podendo durar algumas horas ou até dias. Alguns casos são incapacitantes, ou seja, a pessoa não consegue realizar atividades rotineiras. Estudos científicos apontam que o principal gatilho para o episódio de enxaqueca é o estresse. Por isso, ela também é considerada uma doença psicossomática. Os sintomas são dor intensa e localizada em um ponto da cabeça, náuseas e falta de concentração.

– Alergia nervosa: talvez você nunca tenha ouvido falar, mas existe um tipo de alergia de fundo nervoso, em que o indivíduo apresenta erupções na pele desencadeadas por um forte processo de estresse. Uma crise, se não for tratada, pode acarretar em um choque anafilático. Os sintomas são surgimento de erupções na pele, coceira, vermelhidão no local e irritabilidade.

mulher banheiro celular

– Diarreia: em algumas pessoas, episódios de diarreia são decorrentes de forte estresse. Quando a diarreia se mostra constante e não há uma explicação física, como a Síndrome do Intestino Irritável, é bem possível que se configure como um caso de doença psicossomática. Os sintomas são dores abdominais, fezes extremamente líquidas e episódios constantes e frequentes de emergência para ir ao banheiro.

De acordo com o psicanalista Alexandre Pedro, a psicoterapia, às vezes associada à medicação, é a melhor forma de evitar ou diminuir essas reações. “A junção destas duas formas de tratamento é sempre o mais indicado para os transtornos mentais atuais, sejam eles transtornos de humor, como a depressão ou de ansiedade, sejam eles transtornos bipolares, esquizofrênicos, ou mesmo de personalidade, como de borderline. Em casos mais graves, como uma depressão severa, o emocional pode levar o paciente ao suicídio. Daí a importância de procurar ajuda de um profissional de saúde mental, ao menor sinal de que algo não vai bem”, reforça o especialista.

Dor de estômago pode ser um alerta para doenças graves

Especialista ressalta que vários males agridem o aparelho gastrointestinal e eles são diagnosticados somente com exames

Quem nunca sentiu uma dor de estômago pelo menos uma vez na vida? Alguns desses desconfortos como gases, azia, má digestão podem passar em algumas horas ou em poucos dias. O que muitas pessoas não sabem é que se a dor, for constante, pode ser alguma doença que precisa de tratamento urgente. As causas da doença são variadas e vão desde abusos na dieta até a presença de bactérias, úlcera e câncer de estômago.

A dor de estômago é definida como toda a sensação de mal-estar localizada na parte central superior do abdome. Um estudo publicado no British Medical Journal (BMJ), em 2015, divulgou uma pesquisa que avaliou os riscos e a prevalência desse sintoma, concluindo que 20% da população de todo o mundo pode vivenciá-lo, e que a dor de estômago é mais frequente entre as mulheres, fumantes e pessoas que fazem uso contínuo de um anti-inflamatório, principalmente o do tipo não esteroide.

Segundo Henrique Eloy, médico especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia, são vários males que agridem o aparelho gastrointestinal e eles são diagnosticados apenas com a realização de exames, sendo a endoscopia – que consiste em introduzir um pequeno tubo com uma câmera pela boca para visualização do esôfago e da primeira parte do intestino delgado, o principal deles. “Muitas vezes a dor de estômago pode não estar ligada a doenças graves, mas ela sempre impacta de forma negativa a qualidade de vida das pessoas”, ressalta.

MULHER DOR ESTOMAGO COLICA

Ainda de acordo com Eloy, não usar medicamentos sem indicação médica, evitar o consumo excessivo de álcool, não fumar e não exagerar na alimentação, são algumas formas de prevenir a doença.

As pessoas devem ficar alertas para alguns sinais que indicam maior gravidade sobre a doença. São eles: histórico familiar de câncer gastrointestinal; perda de peso importante e espontânea; sangramento nas fezes; vômitos; dificuldade progressiva ao engolir os alimentos; anemia por deficiência de ferro sem causa definida; e icterícia.

Fonte: Henrique Eloy, médico especialista em cirurgia e endoscopia bariátrica e gastroenterologia