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Sedentarismo é fator de risco para desenvolvimento do diabetes

Prevalência global da doença é de 9,3%, sendo que mais da metade dos adultos não estão diagnosticados; médica explica como atividade física pode ajudar a prevenir este mal

A praticidade do mundo contemporâneo levou as pessoas a adotarem hábitos cômodos, mas nem tão saudáveis. Para quê caminhar alguns quarteirões se é possível pegar um táxi? Para quê subir alguns andares de escada se existe o elevador? Pois é desta forma que os costumes atuais e a ausência total de exercícios físicos estão levando os indivíduos ao extremo sedentarismo, o que vem aumentando o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como o diabetes.

“Diabetes é uma enfermidade na qual o corpo não produz insulina ou não consegue empregar adequadamente a insulina que produz. Já a insulina é um hormônio que controla a quantidade de glicose no sangue; nosso corpo precisa desse hormônio para utilizar a glicose, que obtemos por meio dos alimentos, como fonte de energia”, explica Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Quando a pessoa tem diabetes, o organismo não fabrica insulina e não consegue utilizar a glicose adequadamente. O nível de glicose no sangue fica alto –  a famosa hiperglicemia – e, se esse quadro permanece por longos períodos, pode haver danos em órgãos, vasos sanguíneos e nervos.

Conforme a médica esclarece, existem dois tipos principais de diabetes: o tipo 1, em que há ausência de produção de insulina pelo pâncreas (ele pode ocorrer em todas as idades), e o tipo 2, que responde por 95% dos casos da doença e acomete principalmente adultos com mais de 40 anos.

“A incidência vem crescendo em todo mundo por causa de diversos fatores, entre eles, o envelhecimento populacional e, principalmente, o estilo de vida atual, com sedentarismo marcante e alimentação inadequada”, diz a médica. Segundo ela, este cenário está presente sobretudo nos países ocidentais, como Brasil e Estados Unidos, onde estatísticas mostram que a obesidade não para de crescer e tem se apresentado cada vez mais cedo, já na infância.  

Dados da International Diabetes Federation (IDF) dão conta de que existem 463 milhões de adultos com diabetes em todo o mundo, o que significa uma prevalência global de 9,3%, sendo que mais da metade (50,1%) dos adultos ainda não estão diagnosticados. “As evidências sugerem que o diabetes tipo 2 pode ser prevenido com diagnóstico precoce e acesso aos cuidados adequados. Isso evitaria ou retardaria complicações em pessoas que vivem com a doença”, reflete a especialista em estilo de vida.

Estudos mostram que as atividades físicas são capazes de reduzir o risco de desenvolvimento do diabetes tipo 2 em até 60%. “O bom condicionamento físico melhora a ação da insulina no organismo, reduz o risco de morte por doença cardiovascular, ajuda no controle do peso e do colesterol, diminui os sintomas depressivos e aumenta a qualidade de vida. Todos esses benefícios são proporcionais à intensidade do exercício ou à capacidade aeróbica do indivíduo”, elucida Lívia, lembrando que o sedentarismo, por sua vez, é um dos principais fatores de risco para doenças do coração, assim como para o desenvolvimento da obesidade e do diabetes. 

Juntamente com os exames periódicos, a prática de exercícios regulares prolonga a expectativa de vida. “Não precisa ser muito: 20 minutos de caminhada diária são suficientes”, ensina ela. Já para as pessoas acima dos 60 anos de idade, é importante também conciliar exercícios de fortalecimento muscular, já que a perda de massa muscular é um problema sério nesta fase de vida.

Segundo a IDF, o diabetes está entre as dez principais causas de morte, sendo que quase metade delas ocorre em pessoas com menos de 60 anos. A previsão é que o número total de pessoas portadoras da doença aumente para 578 milhões em 2030 e para 700 milhões em 2045. “Se levarmos em consideração que o diabetes é uma enfermidade que podemos evitar ou postergar, os números são realmente assustadores. Infelizmente, o combate ao sedentarismo é hoje um problema de saúde pública no Brasil”, conclui a médica. 

Fonte: Livia Salomé é graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine. Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

Automedicação pode causar dependência e agravar doenças já existentes

Hábito comum entre 77% dos brasileiros, segundo informações do Conselho Federal de Farmácia (CFF), a automedicação pode agravar doenças sérias e até mascarar sintomas importantes para que elas sejam diagnosticadas.

De acordo com a farmacêutica Maria Cristina Tavares, que atende nas Unidades Básicas de Saúde Vila Calu e Jardim Caiçara, gerenciadas pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, ambas na zona sul de São Paulo, é necessário alertar a todos acerca dos riscos que a ingestão inadequada de fármacos pode trazer à saúde.

“A prática de medicalização inadequada pode causar reações adversas à saúde da população, impactando no crescimento de índices de intoxicação, resistências bacterianas, interações medicamentosas e reações alérgicas”, destaca.

A especialista destaca ainda que a pandemia de Covid-19, que fez com que a busca por medicamentos, sem eficácia comprovada contra a doença, aumentasse bruscamente. “A prática pode agravar ainda mais o quadro da doença, inclusive, desencadeando outras patologias graves”, afirma Maria Cristina.

Os riscos da “caixinha de remédios”

Steve Buissinne/Pixabay

A veiculação de campanhas publicitárias de medicamentos e o livre acesso a determinados fármacos estimulam um hábito bastante comum na maioria dos lares brasileiros: a chamada “caixinha de remédios”, na qual é comum serem encontrados fármacos como analgésicos, anti-inflamatórios, antibióticos e até remédios controlados.

“Algumas pessoas, inclusive, não saem de casa sem suas bolsinhas de remédios”, ressalta a farmacêutica.

A prática não é recomendada, pois, além das questões já citadas, o uso de certos remédios sem prescrição pode causar sérios efeitos colaterais, dependência e até óbito, em casos de dosagem excedida ou fortes reações alérgicas, por exemplo.

“Em casos de dores, mal-estar ou sintomas de quaisquer tipos de doenças, o ideal é sempre consultar o médico. O profissional irá levar em consideração as características do metabolismo de cada paciente para diagnosticar sintomas e, assim, recomendar a melhor medicação”, complementa a especialista.

Na tentativa de acabar ou, ao menos, diminuir a cultura da automedicação, o Conselho Regional de Farmácia (CRF) produz campanhas publicitárias educativas, principalmente por meio folders, a fim de oferecer ferramentas que sirvam para conscientizar a população sobre os riscos que ela pode trazer à saúde.

Assistência nas UBS

enClipart-Vectors/Pixabay


As Unidades Básicas de Saúde sob gestão do Cejam implantaram o Acompanhamento Farmacoterapêutico para gestantes e pacientes diabéticos insulinodependentes, hipertensos e em tratamento da tuberculose.

“Ao desempenhar suas atribuições junto à equipe multidisciplinar no tratamento farmacológico, o farmacêutico contribui ativamente para o controle da doença”, explica Maria Cristina.

O acompanhamento farmacêutico dos pacientes é realizado por meio de consultas individuais e visitas domiciliares, nas quais são observadas a adesão à farmacoterapia. Na ocasião, os profissionais analisam o estilo de vida do usuário e as interações com medicamentos de outras patologias, entre outras questões. 

Fonte: Cejam

Dia Mundial Sem Tabaco: cigarro compromete circulação e aumenta risco de trombose e câncer

Além disso, a nicotina diminui a espessura dos vasos sanguíneos e o monóxido de carbono reduz a concentração de oxigênio no sangue

Mais de 4.000 compostos químicos (muitos deles tóxicos), incluindo a nicotina, o monóxido de carbono, a acroleína e outros oxidantes: essa é a composição da fumaça de cigarro, cuja exposição constante induz a múltiplos efeitos patológicos no organismo, causados pelo estresse oxidativo das células.

“Os efeitos adversos do cigarro são muitos e, no caso da saúde das veias, o fumo também afeta principalmente a circulação e isso favorece o aparecimento de processos de trombose (com entupimento dos vasos e que pode levar à morte), principalmente quando associado a fatores de risco”, afirma a cirurgiã vascular e angiologista Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular. Por conta de todas as doenças associadas, o tabagismo é, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a principal causa de morte evitável no mundo.

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Normalmente relacionado ao aumento da probabilidade de desenvolver infarto, o cigarro também pode causar problemas circulatórios como arteriosclerose (envolvendo as artérias da perna) e tromboangeite obliterante – distúrbio que afeta as extremidades do corpo. “Em ambos os casos, há riscos de ter de amputar o membro (como pernas, pés e mãos)”, explica.

A médica enfatiza que a nicotina está ligada à diminuição da espessura dos vasos sanguíneos. “Além disso, o monóxido de carbono oferece um fator adicional de risco ao diminuir a concentração de oxigênio no sangue. Todo esse processo pode causar complicações para o normal funcionamento dos vasos, que ficam mais susceptíveis ao entupimento, podendo levar a processos de trombose principalmente quando há fatores de risco envolvidos”, afirma a médica.

A trombose é um termo que se refere à condição na qual há o desenvolvimento de um ‘trombo’, um coágulo sanguíneo, nas veias das pernas e coxas. Esse trombo entope a passagem do sangue. Os principais fatores de risco são: dor na perna, obesidade, uso de hormônios (pílula anticoncepcional), portadores de qualquer tipo de câncer, portadores de Trombofilias (doença do sangue que deixa maior predisposição a coagulação sanguínea) e qualquer condição que aumente a imobilização (gesso, deficientes físicos, fraturas), gestantes e idosos.

Alguns estudos também sugerem que a exposição à fumaça do cigarro resulta na ativação das plaquetas e estimulação da cascata de coagulação, por isso há um aumento na incidência de trombose arterial em fumantes. “Ao mesmo tempo, as propriedades anticoagulantes naturais são significativamente diminuídas”, comenta.

Outra complicação do cigarro é que o ele dificulta o importante papel do sangue no processo de cicatrização, após cirurgias e procedimentos. “O vaso mais estreito tem um fluxo menor de sangue e o suprimento de oxigênio aos tecidos é afetado. Isso dificulta a cicatrização e pode causar até necrose de pele. Várias substâncias no cigarro dificultam a formação de fibroblastos, células ligadas ao processo cicatricial”, comenta.

A angiologista alerta que, para os fumantes, o acompanhamento médico é fundamental para impedir que as doenças apareçam ou progridam.

É possível parar de fumar mesmo durante a pandemia

O consumo de cigarros aumentou durante a pandemia. E a dependência química causada pela nicotina pode provocar sofrimento para fumantes que desejam parar, mas a busca por conselho profissional e tratamento ajudam a vencer a batalha

Ansiedade, depressão e tristeza são algumas das causas apresentadas por pessoas que aumentaram o consumo de cigarro durante a pandemia. A batalha travada por fumantes que querem parar de fumar parece ser ainda mais árdua quando se pensa em todas as privações que população tem passado.

Uma pesquisa de comportamento na pandemia da Fundação Oswaldo Cruz, realizada em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais e a Universidade Estadual de Campinas em 2020, mostrou que 34% dos fumantes aumentaram a quantidade de cigarros. Desses, 6,4% aumentaram 5 cigarros ou menos, 22,5% aumentaram cerca de 10 cigarros e 5,1% aumentaram 20 cigarros ou mais. Entre as mulheres, o percentual de aumento de cerca de 10 cigarros por dia (29%) foi maior do que o percentual entre os homens (17%). No total da população, cerca de 12% são fumantes.

Segundo o oncologista torácico Carlos Gil Ferreira, presidente do Instituto Oncoclínicas, o tabagismo é um importante fator de risco para doenças crônicas não transmissíveis, como problemas cardiovasculares, doenças respiratórias, diabetes e, o mais grave, câncer de pulmão. “A maioria dos pacientes diagnosticados com a doença é ou já foi fumante. Quem fuma também é mais vulnerável a desenvolver um quadro grave da Covid-19, uma vez que têm o pulmão mais comprometido”, diz o médico.

Portanto, parar de fumar é uma batalha que pode e deve ser vencida – mas não sem ajuda. A nicotina é considerada droga e pode levar a dependência química. “Quando a pessoa resolve parar, sofre desconfortos físicos e psicológicos que podem trazer sofrimento. Por isso, é importante procurar ajuda profissional e não julgar ou desencorajar quem está passando pelo problema”, afirma o oncologista.

Campanha da OMS para 2021

Para ajudar quem deseja parar, a Organização Mundial da Saúde lançou no dia 8 de dezembro de 2020 uma campanha mundial com duração de um ano para o Dia Mundial Sem Tabaco de 2021 – intitulada “Comprometa-se a parar de fumar durante a COVID-19”. Um canal exclusivo via WhatsApp (Quit Challenge) e a publicação 101 razões para parar de fumarforam criados para dar início a campanha. “Fumar mata oito milhões de pessoas por ano, mas se as pessoas precisarem de mais motivação para largar o vício, a pandemia fornece o incentivo certo”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

SUS oferece tratamento para quem quer parar de fumar

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento gratuito nas Unidades Básicas de Saúde e nos Hospitais. O órgão do Ministério da Saúde responsável pelo Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT) e pela articulação da rede de tratamento do tabagismo no SUS, em parceria com estados e municípios e Distrito Federal é o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (INCA). O tratamento inclui avaliação clínica, abordagem mínima ou intensiva, individual ou em grupo e, se necessário, terapia medicamentosa juntamente com a abordagem intensiva.

Algumas instituições privadas também oferecem programas de cessação do tabagismo. Um exemplo é o Grupo Oncoclínicas, com o apoio do Instituto Oncoclínicas, que vem conduzindo um amplo programa para pacientes e colaboradores.

Novas diretrizes de rastreamento de câncer de pulmão em 2021

A Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos Estados Unidos (USPSTF) atualizou as recomendações para detecção precoce do câncer de pulmão. No documento publicado no Journal of the American Medical Association (JAMA) em 2021, a orientação é de ampliar o grupo de pessoas que deve fazer exames anuais para a doença. O foco ainda está em fumantes, mas agora ainda mais jovens e que consomem menos cigarro, o que pode ajudar no diagnóstico precoce.

Fumantes, ou pessoas que pararam a menos de 15 anos, entre 50 – 80 anos que consumiram um maço de cigarro por dia durante um ano ou o equivalente a isso, devem fazer anualmente uma tomografia computadorizada de tórax com baixa dose de radiação. (Antes eram fumantes com 30 “anos-maço” e com idade entre 55 e 80 anos).

“O câncer de pulmão é uma doença com alto índice de letalidade por causa da rápida evolução, se comparada com outros tipos de câncer e pelo diagnóstico que, na maioria dos casos, só acontece quando a doença já está em estágio avançado. A pandemia causada pelo novo coronavírus pode agravar ainda mais essa situação ao provocar um atraso em consultas e realização de exames que, para o câncer de pulmão, pode significar chances bem menores de cura” alerta Ferreira.

Confira cinco problemas de saúde desencadeados pelo estresse e como se prevenir

Estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde; entre as enfermidades que podem ser ocasionadas estão alergias, asma, transtornos intestinais e até infarto

A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que cerca de 90% da população mundial sofre com o estresse. No Brasil, a preocupação também é grande: segundo um levantamento da Associação Internacional do Controle do Estresse (Isma), somos o segundo país do mundo com o maior número de pessoas sofrendo deste mal.

“O estresse é uma resposta física do nosso organismo a um estímulo. Quando estressado, o corpo pensa que está sob ataque e aciona o modo ‘lutar ou fugir’, liberando uma mistura complexa de hormônios e substâncias químicas como adrenalina e cortisol para preparar o corpo para a ação física”, explica Lívia Salomé, médica especialista em Medicina do Estilo de Vida pela Universidade de Harvard e vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Segundo ela, a manutenção de um estado de estresse por longos períodos pode ser prejudicial à saúde, já que as alterações hormonais causam outras modificações no organismo. Entre elas, aumento da tensão muscular, modificação da flora intestinal, diminuição do sistema imune, prejuízo no funcionamento dos vasos sanguíneos e alterações no metabolismo de gorduras e açúcares.

A lista de enfermidades que podem ser ocasionadas pelo estresse é bem extensa e abrange desde alergias nervosas, infecções causadas por baixa imunidade, asma, doenças intestinais e cardiovasculares até transtornos alimentares.

Confira apenas algumas doenças que podem ser desencadeadas pelo estresse, de acordo com a médica:

1 – Transtornos alimentares
Quando o corpo está sobrecarregado ou fora de controle, tenta encontrar maneiras de lidar com esses sentimentos desagradáveis por meio da alimentação, desencadeando problemas como compulsão alimentar ou anorexia.

2 – Asma
O estresse está entre os fatores desencadeantes das crises de asma, doença inflamatória das vias aéreas porque provoca o estreitamento dos brônquios (pequenos canais de ar dos pulmões), o que dificulta a passagem do ar, comprometendo a respiração e tornando-a mais difícil.

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3 – Alergias e problemas de pele
A pele é um dos órgãos mais afetados pelo estresse. “A alergia nervosa pode ser caracterizada por lesões do tipo eczema, ou seja, placas vermelhas e ásperas, algumas vezes, com pequenas bolhas e tendo a coceira como principal sintoma”, explica a especialista em Medicina do Estilo de Vida.

4 – Doenças cardiovasculares
O estresse pode fazer com que as artérias e as veias se comprimam, resultando em uma diminuição do fluxo de sangue, batimentos cardíacos irregulares e até enrijecimento das artérias. Isto aumenta o risco de formação de coágulos, má circulação, AVC, aumento da pressão arterial e até infarto.

5 – Síndrome do intestino irritável e prisão de ventre
O estresse pode provocar contrações anormais no intestino, deixando-o mais sensível a estímulos e causando flatulência, diarreia e distensão abdominal. Assim, quando o estresse é constante, o intestino pode ficar com estas alterações permanentes, resultando em síndrome do intestino irritável. “Em alguns casos, pode ocorrer o contrário: o estresse provoca alteração da flora intestinal, levando a pessoa a ir com menos frequência ao banheiro, contribuindo para o surgimento ou agravamento da prisão de ventre”, explica Lívia.

Como driblar o estresse

A médica recomenda bons hábitos no dia a dia para evitar que o estresse atrapalhe a saúde. Ela ressalta que é muito importante reconhecer nossas limitações e não se preocupar excessivamente com aquilo que não está em nossas mãos: “Muitas pessoas deixam de compartilhar suas preocupações e acabam acumulando peso sobre suas costas – o que é extremamente prejudicial e pode desencadear um quadro de depressão e ansiedade”.

Além disso, ela ensina que praticar atividade física regularmente faz o cérebro liberar substâncias que auxiliam no relaxamento; sorrir mais induz o cérebro a produzir neurotransmissores ligados ao bem-estar e meditar influencia na química cerebral. “É preciso considerar que ter diversão é uma medida preventiva inigualável quando falamos em saúde cardiovascular”, alerta a especialista.

Por fim, ela indica que se priorize o sono. “É durante o descanso noturno que o corpo fortalece o sistema imunológico, libera a secreção de hormônios e consolida a memória, entre outras funções de extrema importância para o funcionamento correto do organismo”, diz ela.

Fonte: Lívia Salomé é graduada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem especialização em Clínica Médica e certificação em Medicina do Estilo de Vida pelo American College of Lifestyle Medicine. Atualmente, é vice-presidente da Regional Minas Gerais do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida (CBMEV).

O quê o odor do corpo pode falar sobre sua saúde?

Sim, os odores corporais podem falar bastante sobre como anda nossa saúde. Um cheiro diferente pode estar relacionado a algum alimento, por exemplo. Porém, quando o odor se torna constante e pode vir acompanhado de outros sinais, é melhor prestar atenção.

Confira alguns odores e seus possíveis significados:

Umbigo

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Pesquisas mostram que pode haver até 70 tipos de bactérias em seu umbigo. Sabonete e água podem ser tudo de que você precisa. Mas o odor também pode ser um sinal de infecção. Por exemplo, um piercing no umbigo infectado pode cheirar mal. E se você tem diabetes, é mais fácil pegar infecções. Se você cortar ou raspar seu umbigo, ele pode infeccionar. Corrimento com cheiro desagradável é um sintoma.

Ouvidos

A cera do ouvido é normal. Mas se começar a cheirar mal ou surgir secreção, pode ser um sinal de infecção ou algo preso no ouvido. Isso é especialmente verdadeiro para crianças.

Mau hálito

Acordar com hálito ruim é normal. Seu corpo emite muito menos saliva, ou cuspe, quando você está dormindo. A saliva ajuda a se livrar das bactérias que causam odores, então seu hálito também pode cheirar mal quando você está com fome ou desidratado. Isso porque a mastigação sinaliza ao corpo para produzir saliva. Não beber água suficiente retarda o processo. Alimentos como alho e cebola também podem causar mau hálito.

Mau hálito: um sinal de algo sério

Alterações na respiração podem ser um sintoma de vários problemas de saúde. Isso inclui infecções nos seios da face, doenças gengivais e refluxo ácido. A síndrome de Sjogren, uma doença autoimune, ataca as glândulas que produzem lágrimas e saliva. O odor também pode ser um problema médico. Por exemplo, gengivite pode exalar um cheiro metálico, enquanto diabetes pode fazer seu hálito cheirar frutado.

Fezes

As fezes naturalmente cheiram mal, por causa de bactérias e compostos. Mas se cheirar pior do que o normal e vir com outros sintomas, como diarreia, cólicas abdominais ou náuseas, pode ser um sinal de infecção. Certas bactérias, vírus e parasitas podem causar intoxicação alimentar. A giardíase é um tipo de diarreia que provoca fezes com cheiro excepcionalmente ruim. O parasita giárdia, normalmente encontrado em água e alimentos não tratados, é a causa disso.

Axilas

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Exercícios, nervosismo e calor demais podem causar suor. O suor em si não tem cheiro, mas quando ele se mistura com bactérias em sua pele, cuidado. Um antitranspirante, que controla a transpiração, geralmente corrige o problema. O mesmo pode acontecer com o desodorante, que ajuda com o odor. Alguns produtos de venda livre fazem as duas coisas. Antitranspirantes prescritos também podem ser uma opção.

Urina

Ilustração: UniversalHealthNews

É uma mistura de água e resíduos de seus rins. O xixi, composto principalmente de água, tem pouco ou nenhum odor. Mas se você costuma sentir o cheiro de amônia, é sinal de que precisa beber mais água. Certos alimentos, como os aspargos, podem alterar o cheiro do xixi. Os suplementos também. Adicionar água e outros fluidos sem cafeína deve ser o suficiente para colocá-lo de volta aos eixos.

Xixi fedido: quando se preocupar

Foto: Shutterstock

Você pode precisar procurar um médico se um odor estranho persistir. Uma infecção do trato urinário (ITU), inflamação da bexiga e diabetes tipo 2 não controlado podem desencadear cheiros incomuns. O mesmo pode acontecer com distúrbios metabólicos, cetoacidose diabética (uma complicação do diabetes) e fístulas gastrointestinais na bexiga.

Virilha

Algumas pessoas suam muito na virilha. É aí que suas coxas e barriga se encontram. Nos homens, os testículos podem se esfregar contra a pele e provocar a transpiração. Isso pode causar odor corporal.

Pênis

Se você não for circuncidado, células mortas da pele e fluidos podem se acumular no prepúcio. Esse acúmulo se torna uma substância fedorenta, semelhante a um queijo, chamada smegma. Lavar o pênis todos os dias pode impedir que isso aconteça. Infecção do trato urinário também pode causar odor.

Chulé

Muito suor e usar os mesmos sapatos todos os dias pode levar a pés cheirando mal. Lavá-los com sabonete antibacteriano e secá-los totalmente pode ajudar. Você também pode borrifar pó absorvente ou usar um antitranspirante nos pés. Os pés de molho com vinagre ou sais de Epsom também ajudam. Também é importante dar aos sapatos uma chance de secar. Pulverizá-los com um desinfetante mata as bactérias que causam o odor.

Odor vaginal

Sua vagina tem um cheiro próprio e único. Sexo, menstruação ou suor podem alterá-lo brevemente. Não limpar bem ou deixar o tampão por muito tempo também pode causar odores.

Cheiros vaginais: quando procurar um médico

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Um fedor de peixe que não vai embora pode ser um sinal de infecção ou outra condição – especialmente se vier com coceira, queimação ou secreção. A vaginose bacteriana, causada por muitas bactérias normais, é o motivo mais comum. A tricomoníase por infecção sexualmente transmissível (IST) também causa odor. Outras DSTs, como clamídia e gonorreia, geralmente não apresentam odores. Embora menos comum, o câncer cervical ou vaginal também pode alterar o cheiro da vagina.

Fonte: WebMD

Por que os seios ficam pesados e doloridos? Confira algumas causas e quando procurar médico

No geral, elas desaparecem sozinhas ou com ajuda de medicamentos ou modificações na dieta. Mas fique de olho que, em alguns casos, a consulta médica é fundamental

Em alguns momentos, por uma série de fatores, a mulher pode sentir os seios mais pesados e doloridos. “Variações hormonais, uso de anticoncepcional, gravidez e amamentação são alguns dos principais motivos. A maioria das causas não é motivo de preocupação. Mas, em alguns casos, e dependendo da frequência, é fundamental procurar ajuda médica, pois se for um problema mais sério, pode ser descoberto no começo e tratado de forma mais eficaz”, afirma Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica Gru Saúde.

A maioria dos casos de dor nas mamas desaparece por conta própria, segundo a médica. “Uma pessoa não precisa consultar um médico se a dor desaparecer e não retornar, ou se ela tiver uma dor cíclica e muito leve na mama. No entanto, uma pessoa deve consultar um médico para: sinais de infecção durante a amamentação, especialmente se sentir febre ou mal-estar; intensa dor nas mamas durante ou após a amamentação; um nódulo, especialmente um nódulo duro que não desaparece após o período menstrual; descarga do mamilo; qualquer dor na mama que seja intensa ou insuportável. O rastreamento da dor na mama ao longo do tempo pode ajudar o médico a dar um diagnóstico adequado”, diz.

Abaixo, a especialista aponta as seis principais causas de seios doloridos e pesados:

Mastalgia – o termo se refere justamente à dor nas mamas e existem dois tipos: “A primeira é a dor cíclica da mama, que os períodos menstruais costumam causar. O segundo é a dor não cíclica da mama, que pode vir da mama ou dos músculos e articulações que a circundam”, diz a Dra. Eloisa. A dor cíclica da mama geralmente ocorre no momento da ovulação e continua até o início do ciclo menstrual. Ela pode ocorrer em um ou ambos os seios e pode variar de leve a grave, mas afetar também as axilas. “Já a dor mamária não cíclica não varia com o ciclo menstrual de uma pessoa e ocorre em um único local e não desaparece. Nesse caso, o que gera essa dor está relacionado a um trauma, um golpe e dores artríticas e musculares”, diz a médica. Para o tratamento da dor, a ginecologista indica compressas quentes e medicamentos analgésicos, como ibuprofeno ou acetaminofeno, que podem ajudar na dor cíclica da mama. Algumas dicas para prevenir e aliviar a dor cíclica podem incluir: a redução da ingestão de cafeína, diminuir o consumo de gorduras e aumento na ingestão de alimentos com Vitamina E (amêndoas, castanha-do-pará e semente de girassol).

Infecções – duas infecções comuns que podem causar dor nas mamas são a mastite e infecção por candidíase ou levedura. “A mastite pode ocorrer após um longo período de ingurgitamento ou quando os dutos de leite ficam entupidos. Nesse caso, os sintomas podem incluir: febre, arrepios, uma área quente ou inchada na mama, náusea, fadiga, vômito e descarga amarela do mamilo. O tratamento é feito após avaliação médica e, nesse caso, a paciente deve fazer uso de antibióticos com orientação do ginecologista”, afirma.

Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, é seguro que uma pessoa continue amamentando se tiver mastite e estiver usando antibióticos. No caso da infecção por candidíase ou levedura, os sintomas podem incluir: mamilos doloridos, mamilos rosados, escamosos, brilhantes, rachados e com coceira, seios doloridos, e no caso de puérperas, ela pode sentir dor intensa na mama após a amamentação e é observado no bebê manchas brancas na língua, gengivas ou bochechas. Medicamentos e substâncias antifúngicas devem ser indicados pelo médico. Para prevenir o problema, é recomendado que as gestantes lavem as roupas em água quente com água sanitária, enxague os mamilos com uma solução de vinagre e água após a alimentação do bebê.

Nódulos fibrocísticos – a doença fibrocística da mama causa nódulos inofensivos nas mamas. Os seios podem parecer pesados ou cheios. “A fibrose ocorre quando há um espessamento do tecido mamário, o que pode causar secreção mamilar e dor”, diz a médica. O tratamento para aliviar os sintomas são compressas quente ou fria, vestir sutiã confortável, evitar excessos de sal, cafeína e gordura na dieta, tomar contraceptivos orais e usar analgésicos. “Se houver um cisto incômodo, o médico poderá drenar o fluido.”

Câncer – a maioria dos cânceres de mama não causa dor. “No entanto, se uma pessoa sentir dor na mama que não desaparece, deve consultar um médico para descartar a possibilidade de câncer.” Outros sintomas incluem: secreção mamilar sangrenta, alterações na pele ao redor do mamilo ou o mamilo virando para dentro, calor ou prurido nos seios (embora possa ser mastite), espessamento da pele com textura semelhante a casca de laranja, inchaço ou caroços que aparecem ao redor da clavícula e axilas, nódulo que geralmente é duro e indolor. O tratamento geralmente envolve: remover todo o tumor, o que pode resultar em uma mastectomia (retirada do seio); quimioterapia, que pode encolher o tumor; e radioterapia, que pode destruir as células cancerígenas. “Nesse caso, a consulta com o médico é fundamental o quanto antes. Por esse motivo, ressaltamos a importância de manter os exames em dia e fazer o autoexame das mamas”, finaliza a ginecologista.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Cuidado: confira 12 doenças que não podem ficar sem tratamento médico

Especialistas do Hospital Cema listam as enfermidades de olhos, ouvidos, nariz e garganta que podem causar sequelas graves se não receberem os cuidados médicos necessários durante a pandemia

Existem inúmeras doenças que precisam de um acompanhamento médico rigoroso, sob pena de provocar danos graves e sequelas irreversíveis com a interrupção do tratamento. Por esse motivo, o Hospital Cema e suas unidades são considerados serviços essenciais e continuarão com atendimento normalmente, mesmo na fase vermelha no estado de São Paulo.

Em oftalmologia, por exemplo, algumas enfermidades podem levando à perda da visão; já em otorrinolaringologia há aquelas que causam surdez e problemas neuromotores.

Há questões médicas que não podem ficar para depois. “Infecções agudas ou crônicas precisam ser tratadas e acompanhadas adequadamente, assim como casos de paralisia facial periférica aguda ou surdez súbita, que podem provocar sequelas sensório-motoras permanentes”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Andy Vicente.

“No que diz respeito à saúde dos olhos, os problemas que podem gerar sequelas graves, caso não exista um tratamento adequado, é o glaucoma, que atrofia o nervo óptico; a retinopatia diabética e hipertensiva, que causa hemorragia na retina, e também o estrabismo, em crianças menores de 4 anos”, detalha o oftalmologista Pedro José Monteiro Cardoso.

Os especialistas listam abaixo quais doenças necessitam de um acompanhamento presencial qualificado:

Imagem mostra olhos saudáveis, com glaucoma e catarata – Ilustração/Shutterstock
  • Glaucoma – sem controle médico, o aumento da pressão intraocular danifica o nervo óptico. O paciente não percebe, pois, a perda é, inicialmente, periférica. Com o tempo os danos podem ser irreversíveis;
  • Doenças maculares – a falta de acompanhamento leva a uma perda progressiva da visão central;
  • Miopia – em adolescentes e pessoas com mais de 6 graus pode haver progressão da doença. Além disso, acima dos 6 graus é mais comum a ocorrência de descolamento da retina;
Imagem mostra olho normal e olho com a retinopatia diabética – Ilustração: Researchgate
  • Retinopatia diabética e hipertensiva – essas doenças podem levar a hemorragia e extravasamento do líquido da retina, levando a perda da visão.
  • Catarata – sem acompanhamento cirúrgico, a doença evolui para perda da visão. Embora a diminuição da visão seja reversível, a cirurgia, quando adiada por muito tempo, fica mais complicada, já que o cristalino – afetado pela doença – torna-se mais rígido;
  • Conjuntivite – se não tratada, pode levar a complicações mais graves na córnea;
  • Estrabismo – principalmente nos casos de crianças que tratam a ambliopia (olho preguiçoso) é essencial o acompanhamento;
Imagem: WebMD
  • Infecções agudas ou crônicas no aparelho respiratório e auditivo – amigdalites, otites, otomastoidites, sinusites e laringites necessitam de acompanhamento criterioso, principalmente quando os sintomas permanecem por mais de 5 dias. Tais doenças podem causar complicações, como abscessos, meningite, trombose venosa, entre outras.
  • Obstruções nasais – crianças com aumento significativo das amígdalas, pessoas com hipertrofia dos cornetos nasais ou polipose nasal severa, que apresentam como principal sintoma a obstrução nasal intensa, devem ser acompanhadas, já que podem prejudicar a qualidade de vida das pessoas afetadas e trazer outras complicações;
  • Doenças que causam déficits sensoriais e/ou motores — surdez súbita, vertigem súbita, labirintites crônicas e a paralisia facial periférica aguda (paralisia de Bell) também devem ser avaliadas e acompanhadas adequadamente para evitar sequelas sensório-motoras permanentes;
  • Apneia e ronco — pacientes que apresentam tais problemas também precisam de avaliação médica regular, pois a afecção pode provocar ou estar associada à comorbidades importantes, como hipertensão arterial, diabetes, arritmias cardíacas e até mesmo morte súbita;
  • Candidatos à implante coclear — pacientes que apresentam perda auditiva neurossensorial profunda bilateral congênita, principalmente crianças abaixo de 2 anos, e que podem se beneficiar de implantes cocleares, devem fazer reabilitação auditiva o mais precocemente possível, pois um atraso na realização desse procedimento pode provocar déficits cognitivos irreversíveis. Essa é uma situação considerada emergência neurolinguística. Tais pacientes precisam de um acompanhamento contínuo.

Ademais, algumas doenças otorrinolaringológicas possuem sintomas semelhantes a outras enfermidades mais graves, como tumores, granulomatoses (inflamação nas vias aéreas), doenças autoimunes e neurológicas. Por isso é tão importante que essas patologias sejam investigadas, tratadas e acompanhadas adequadamente.

Fonte: Cema

Leptospirose: saiba como se prevenir em época de enchentes

Doença transmitida pela água contaminada com urina de rato é comum no verão, estação marcada por enchentes

O verão brasileiro é conhecido por dias mais longos e chuvas fortes, o que aumenta os riscos de enchentes e alagamentos. Com isso, crescem também o número de casos de leptospirose, doença transmitida pelo contato com a urina de ratos. De acordo com Ivan França, infectologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, isso ocorre porque quando as enchentes acontecem, a urina de ratos existente em esgotos e bueiros mistura-se à água das enxurradas e à lama.

Segundo o Guia de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, nos últimos dez anos, é registrada média anual de mais de 3.600 casos da doença no país. Em manifestações graves, a letalidade da leptospirose pode chegar a 40% dos casos. A principal medida de prevenção, segundo o infectologista, é evitar o contato com a água de enchentes, assim como evitar lavar, sem proteção adequada, quintais, caixas de esgoto e áreas que possam ter sido contaminadas.

123RF

Em caso de moradias alagadas, o infectologista indica medidas necessárias para limpar os ambientes e utensílios. “O ideal é utilizar luvas, botas de borracha ou outro tipo de proteção, como sacos plásticos duplos, para as pernas e os braços. O que não puder ser recuperado deve ser descartado e a lama que permanecer nos ambientes, utensílios, móveis e outros objetos deve ser removida com escova ou vassoura, sabão e água limpa. Para a limpeza de ambientes e superfícies deve-se utilizar produtos à base de hipoclorito de sódio (como água sanitária).”

Ainda segundo o infectologista, todos os alimentos que tiveram contato com a água das enchentes devem ser descartados, pois mesmo quando lavados e secos, ainda podem estar contaminados.

Sintomas, diagnóstico e tratamento

Os principais sintomas da leptospirose são dores pelo corpo – principalmente nas panturrilhas -, febre, icterícia rubínica (coloração amarelada na pele e nos olhos, que por vezes podem ficar avermelhados) e dor de cabeça. O período de incubação da doença pode chegar a até 30 dias, mas normalmente os sintomas se manifestam entre 7 e 14 dias após a exposição ao risco. O diagnóstico da doença é feito por meio de exame de sangue. Em alguns casos, quando a exposição a água de enchente é prolongada e, portanto, de alto risco para a infecção, existe indicação de mediadas profiláticas. O tratamento da leptospirose consiste no uso de antibióticos e medidas de suporte clínico, muitas vezes requer internação hospitalar.

“A qualquer sinal dos primeiros sintomas é importante procurar um médico e relatar o contato com a enchente, para que o tratamento seja iniciado o mais rápido possível”, afirma o infectologista. Se não tratada adequadamente, a leptospirose pode causar comprometimento renal, hepático e pulmonar e até mesmo levar à morte.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Cannabis medicinal tem eficiência no tratamento de dor crônica, aponta estudo

Especialistas em dor falam dos benefícios da medicina canabinóide

O uso de plantas para o tratamento de doenças é milenar, o que não é diferente com a Cannabis sativa, a maconha. Os primeiros registros de seu uso medicinal são datados antes de Cristo, mas o fato de ser considerada substância ilícita até este mês dificultou os avanços e estudos científicos da planta. Apesar do Brasil ter votado contra, em 2 de dezembro passado, depois de 60 anos, a Organização das Nações Unidas (ONU) retirou a maconha da lista de drogas mais perigosas, reconhecendo seus efeitos terapêuticos e trazendo novas possibilidades de pesquisas nessa área.

Segundo estudo realizado pela The Health Effects of Cannabis and Cannabinoids, nos Estados Unidos, o alívio da dor crônica é a condição mais comum relatada pelos pacientes que fazem uso da cannabis medicinal. Isso se dá pela existência do sistema endocanabinoide presente em todo o organismo que inclui receptores para substâncias da maconha.

“É o único sistema do organismo que tem receptores em todos os órgãos e nos tecidos. Diferente de todos os sistemas orgânicos, ele só entra em funcionamento em situações de alerta para recuperar o equilíbrio do organismo”, diz Maria Teresa Jacob, médica que desenvolve a medicina canabinóide com foco na dor crônica. Dentre os fitocanabinoides mais conhecidos e pesquisados, estão o THC (tetra-hidrocanabinol) e o CBD (canabidiol), mas existem mais de 400 substâncias ativas em sua composição. “Como são receptores que temos no corpo inteiro, a cannabis não vai atuar somente na dor”, reforça Beatriz Jacob Milani, filha e parceira de trabalho de Maria Teresa.

As especialistas, que têm prescrito remédios à base da cannabis principalmente neste ano, citam as patologias que respondem bem ao tratamento. Epilepsia, doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, transtornos de saúde mental (como estresse pós-traumático, ansiedade, depressão, vício, insônia), transtorno do espectro autista, doença de Crohn, síndrome do intestino irritável, náuseas e vômitos secundários à quimioterapia, anorexia e caquexia, são alguns exemplos.

Além disso, todos os tipos de dor crônica (incluindo enxaqueca e fibromialgia), doenças reumáticas, doenças autoimunes, diabetes tipo 1, síndrome de Raynaud, distúrbios de pele (psoríase, acne, dermatite), osteoporose, distúrbios ginecológicos (endometriose, adenomiose e cólica menstrual), dor oncológica e pacientes sob cuidados paliativos. “Em oncologia, a cannabis pode ser utilizada tanto para melhorar os sintomas da quimioterapia como para aumentar a eficácia da mesma, uma vez que apresenta efeito antitumoral. Nessas doenças já existem pesquisas. A alteração de classificação pela ONU, facilita o surgimento de mais estudos científicos em humanos”, destaca Maria Teresa.

Por ser uma planta, a cannabis oferece menos efeitos adversos em relação à alopatia convencional. Outra vantagem é a possibilidade da sua utilização concomitante com outros medicamentos para tratamento de dor crônica, aumentando a eficácia e, em alguns casos, diminuindo as doses destes, a partir da melhora do quadro com consequente melhora da qualidade de vida do paciente. Entretanto, é fundamental que o médico conheça a interação medicamentosa da cannabis com outros remédios, pois ela pode potencializar ou inibir a ação deles quando em associação.

“De certa forma, não existe nenhuma contraindicação formal ao uso da cannabis, principalmente do CBD com outros medicamentos. Ela é uma substância extremamente segura e não existe nenhum relato de óbito pelo uso de cannabis medicinal”, argumenta Maria Teresa. Quanto ao THC, a médica conta que existem algumas contraindicações, que têm sido estudadas recentemente.

Hoje, o paciente precisa passar por uma consulta, em que será avaliada a indicação ou não do uso da cannabis. Com a prescrição em mãos, basta acessar o site da Anvisa para solicitar a importação de produtos à base da planta. “É um processo burocrático, mas que se tornou muito mais ágil, principalmente depois da Covid-19. Entre sete a dez dias, no máximo, esses processos já estão sendo liberados. Esses medicamentos têm aprovação no país de origem com todo estudo cromatográfico e análise do produto, para que o médico possa saber aquilo que ele realmente está prescrevendo, quais as substâncias da cannabis presentes e em quais concentrações. Desta forma temos uma prescrição bem mais segura”, explica.

Vale ressaltar que a cannabis medicinal tem dosagens específicas dos fitocanabinóides, conforme a necessidade, os antecedentes e o perfil de cada paciente. “A cannabis medicinal possui dosagens de THC dentro de limites seguros, sem efeito psicoativo”, esclarece. As opções disponíveis no Brasil são via oral, em cápsula ou óleo em tintura, mas também já se encontra sob a forma tópica. “Não existem relatos de caso de vício com o uso de cannabis medicinal”, finaliza Maria Teresa.

Bem – Medicina Canábica e Bem Estar

A clínica Bem – Medicina Canábica e Bem Estar está localizada na cidade de Campinas. Com foco em saúde e bem-estar, atende pacientes de dor crônica com a medicina canabinóide, oferecendo tratamento complementar com a acupuntura. Realizam a prescrição e o acompanhamento da cannabis medicinal nos mais diversos casos e patologias. As médicas responsáveis, Maria Teresa Jacob e Beatriz Jacob Milani, mãe e filha respectivamente, fizeram cursos de especialização internacional no uso terapêutico da planta.

Cuidados para se proteger de doenças nas festas de fim de ano

Covid-19, meningite, pneumonia e coqueluche são doenças contagiosas e o risco é aumentado em aglomerações

Com o final do ano, chegam as comemorações de Natal e Ano Novo, momentos em que familiares e amigos costumam se reunir para celebrar. Porém, com a pandemia do novo coronavírus tornando a crescer no Brasil desde o início de novembro, o sinal de alerta aumenta e as precauções precisam ser redobradas.

Uma das lições que o ano de 2020 deixou foi que aglomerações, mesmo que pequenas, podem ser ambientes de transmissão de Covid-19 e outras doenças com formas de contágio similares, tais como meningite, pneumonia, coqueluche e sarampo.

Pensando em como as famílias podem aproveitar as festas sem descuidar da saúde, Jessé Reis Alves, infectologista e gerente médico de vacinas da GSK, destacou seis cuidados importantes..

Prevenção por meio da vacinação

Foto: Fernando Zhiminaicela/Pixabay

Muitas doenças infectocontagiosas são preveníveis pela vacinação e o Programa Nacional de Imunizações (PNI) oferta gratuitamente, desde os recém-nascidos até a terceira idade,19 vacinas que protegem contra mais de 40 doenças. Na rede privada estão disponíveis vacinas para a imunização de todas as faixas etárias, complementando o calendário vacinal do PNI.

Porém, nos últimos anos o país vem registrando baixos índices de cobertura vacinal, o que torna a população vulnerável. Esse cenário foi agravado ainda mais pela pandemia, que também evidenciou uma nova contradição de saúde pública que compromete a qualidade de vida de todos: se por um lado a população anseia pela chegada de uma vacina contra a Covid-19; por outro, ela negligencia todas as outras imunizações que já estão disponíveis.

Dados do PNI apontam que, em 2020, até o décimo mês do ano, nenhuma das vacinas que integram o PNI ultrapassou os 71% do público-alvo imunizado.16 Esses índices estão bem abaixo da meta de 90% ou 95% de cobertura para cada uma, estabelecida pelo Ministério da Saúde.

“Vacinar é um ato de proteção para si mesmo e para quem amamos, pessoas com quem estaremos juntos nas festas de fim de ano. O coronavírus não é a única ameaça atual. Várias outras doenças infectocontagiosas também são perigosas, mas já têm prevenção por vacinas eficazes disponíveis no PNI e na rede privada. É fundamental manter a caderneta de vacinação em dia para minimizar riscos e garantir a proteção”, pontua o médico.

Acompanhar a rotina de vacinação é um cuidado não apenas para as crianças, mas para todas as faixas etárias.5 Além de saber quais vacinas tomar, é necessário se atentar para a quantidade de doses em cada fase da vida. Assim, a vacinação cumpre seu papel na saúde pública: mais do que uma proteção individual, seus efeitos são coletivos, beneficiando toda a sociedade.19 Com a chamada “imunidade de rebanho”, quando uma alta porcentagem da população está imunizada, até quem não pode receber algum tipo de vacina se beneficia da proteção.

Evitar abraçar e beijar

Nada mais típico do brasileiro do que ser afetuoso com as pessoas. Porém, é importante lembrar que, ao abraçar, beijar ou até mesmo apertar as mãos, expõe-se ao risco de entrar em contato com vírus, bactérias ou outros agentes infecciosos. “Quando beijamos ou abraçamos alguém, ficamos muito próximo de mucosas como boca e nariz, que contém secreções que podem estar infectadas. As mãos são partes do corpo que intuitivamente levamos ao rosto e têm grande potencial de também estarem contaminadas. Lembrando que nem todas as pessoas que estão doentes e transmitindo a infecção apresentam sintomas. Por isso devemos tomar cuidado em todas as situações. Precisamos ainda nos reeducar a ter um comportamento afetuoso sem contato físico”, explica Jessé.

Higienizar as mãos

Hábito que ganhou força este ano, o ato de lavar as mãos parece simples mas foi revolucionário na medicina e na saúde pública.7 Lavar as mãos é ato reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos principais instrumentos contra epidemias e capaz de evitar casos e óbitos de várias enfermidades. A lavagem das mãos deve ser feita com água e sabão, por cerca de trinta segundos, sempre que assoar o nariz, tossir ou espirrar, tocar o rosto, tocar outra pessoa, tocar superfícies em ambientes comunitários, depois de usar o banheiro, antes e depois de comer. Em situações em que não há como lavar as mãos, o álcool em gel é uma alternativa de desinfetante.

Etiqueta respiratória

Ao tossir ou espirrar, deve-se cobrir nariz e boca com a parte interna do cotovelo, e não com as mãos, para diminuir os riscos de contaminação. Para a higiene nasal, utilize um lenço descartável. “É importante, ainda, que quem esteja com sintomas de infecções, como febre, tosse, secreções e dores, se ausente da reunião e fique em casa para se recuperar.
Sabemos que são momentos que todos gostamos de participar, mas a saúde deve ser prioridade diante as comemorações, preservando a si mesmo e às demais pessoas”, recomenda Jessé.

Precauções alimentares

Natal e Ano-Novo são festas com fartura de comida, quesito em que o cuidado também é
essencial. Toda a ceia e utensílios devem permanecer cobertos ou tampados; ao se servir, as pessoas devem usar máscara e luvas descartáveis nas mãos; deve-se lavar as mãos antes e depois de se servir; e não gerar aglomeração no ambiente onde a comida está. Outra precaução é não compartilhar talheres e copos.

Usar máscara

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Mesmo em reuniões mais intimistas, com número reduzido de convidados, como é o recomendado atualmente, é fundamental o uso da máscara.11 Ao retirá-la, nos momentos de refeição, o item deve ser guardado devidamente e trocado a cada duas horas.11 Cuidados complementares como o distanciamento entre as pessoas e a boa ventilação do ambiente também são indispensáveis.

Referências
Fiocruz Brasília / Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia / Ministério da Saúde / Organização Mundial da Saúde.

Fonte: GSK