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Endometriose: doença atinge uma a cada dez mulheres no Brasil

Especialista em cirurgia por vídeo, Thiers Soares explica os principais sintomas e tratamentos para doença que já atingiu Tatá Werneck, Wanessa Camargo e Malu Mader

Segundo dados do Ministério da Saúde, uma a cada dez mulheres entre 25 a 35 anos no Brasil sofre de endometriose, doença inflamatória do sistema reprodutor feminino, que acontece quando o endométrio, tecido que reveste o útero por dentro, se implanta em vários locais na cavidade abdominal, como ovário, intestino e bexiga. Durante o mês de março, campanhas como o Março Amarelo, mês mundial de conscientização da endometriose, reforçam a importância sobre os cuidados com a saúde da mulher em relação à doença.

De acordo com Thiers Soares, especialista em cirurgia por vídeo e robótica, muitos casos demoram anos para serem diagnosticados. O atraso médio mundial é de oito anos entre as primeiras queixas e o diagnóstico definitivo. A identificação acontece, muitas vezes, a partir de exames de imagem, como a ultrassonografia transvaginal e a ressonância magnética da pelve.

“A demora em diagnosticar os focos da doença pode levar ao estado mais grave do quadro, quando é necessário partir para uma intervenção cirúrgica”, explica o médico. Mesmo assim, é importante lembrar que a endometriose não tem cura. Ela é uma condição crônica, que deve ter acompanhamento constante.

No Brasil, 15% das mulheres, ou sete milhões, sofrem com a doença. Famosas como a apresentadora Tatá Werneck, a cantora Wanessa Camargo e a atriz Malu Mader já relataram sofrer com a condição e recorreram à cirurgia para aliviar as dores. Muitas mulheres manifestam o medo de não conseguirem engravidar devido a endometriose, mas o especialista em laparoscopia e robótica afirma que com o tratamento adequado para cada caso, é totalmente possível que a paciente tenha uma vida reprodutiva normal.

Principais sintomas

Entre os principais sintomas da endometriose estão as cólicas fortes – as quais podem impedir a mulher de praticar atividades comuns, como trabalho e exercícios físicos – e as dores abdominais frequentes, que podem também ocorrer fora do período menstrual. Além desses, também são comuns:
=Sangramento menstrual desregulado e intenso;
=Fadiga e cansaço;
=Sangramento intestinal durante o período menstrual;
=Dores fortes durante relações sexuais;
=Dificuldade de engravidar;

Tratamentos avançados diminuem riscos e cicatrizes

Primeiramente é importante realizar um acompanhamento com o ginecologista para entender o grau da condição e como prosseguir com o tratamento. Muitas vezes, o uso do anticoncepcional para suspender a menstruação é adotado para reduzir as dores.

Mesmo assim, quando necessário intervenções cirúrgicas, a ciência já avançou bastante para garantir procedimentos mais simples, que causem menos impacto na rotina dos pacientes.

Em alguns casos, recomenda-se a videolaparoscopia, cirurgia para a retirada dos focos de endometriose espalhados pelos órgãos. “A maioria das pessoas não sabe, mas existem métodos minimamente invasivos para esse procedimento, como a videolaparoscopia e a cirurgia robótica”, explica o especialista. Essas técnicas têm um pós-operatório muito mais seguro, com menos tempo de internação, menos chance de infecção e trombose, retorno mais precoce às atividades diárias e ao trabalho, entre outras vantagens.

Com os avanços tecnológicos, atualmente, a robótica é a técnica mais moderna e chega como alternativa para diminuir a necessidade de procedimentos mais complexos. Diferente da videolaparoscopia, a modalidade traz a visão 3D para a rotina do cirurgião, com movimentos mais refinados e articulação dos instrumentos muito mais ampla em comparação com a videolaparoscopia. Apesar da facilidade, nem todos os profissionais estão aptos a trabalhar com o equipamento, sendo necessário uma habilitação especial.

Segundo o especialista, campanhas como o Março Amarelo ajudam no alerta para identificar a doença, onde “a informação é o primeiro passo para o diagnóstico precoce e, com isso, evitarmos o comprometimento da qualidade de vida das pessoas afetadas por essa doença tão enigmática”, afirma.

Fonte: Thiers Soares é graduado em Medicina pela Faculdade de Teresópolis e Residência em Ginecologia e Obstetrícia pelo Instituto Fernandes Figueira – Fiocruz, RJ. Especialização em Endoscopia Ginecológica também peloFiocruz e Robótica pelo Memorial Hermann Institute, Houston, EUA. Presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Minimamente Invasiva e Robótica (Sobracil) no Rio de Janeiro.

Cannabis medicinal é eficaz no tratamento da endometriose

Mulheres possuem grande quantidade de receptores da substância nos órgãos reprodutivos

No Brasil, a endometriose acomete cerca de 15% das mulheres, ou seja, 6,5 milhões de brasileiras por ano. O tratamento da dor secundária da endometriose constitui um desafio histórico na prática clínica e muitos destes tratamentos são à base de hormônios, com uma série de efeitos colaterais.

Segundo artigo da Medical Cannabis Network, os órgãos pélvicos femininos possuem uma densidade muito alta de receptores canabinm0ides, fazendo com que o tratamento da endometriose com medicamentos à base de cannabis seja promissor, principalmente nos sintomas desse distúrbio. “Os receptores canabin0ides são locais onde as substâncias medicinais da planta se ligam e produzem seus efeitos medicamentosos”, explica Maria Teresa Jacob, médica que atende pacientes com a cannabis medicinal.

A Cannabis tem sido utilizada para tratar várias complicações ginecológicas e outras doenças em todo o mundo, pois restabelece o equilíbrio do organismo com menor incidência de efeitos colaterais. “A endometriose, patologia relativamente frequente entre mulheres na fase reprodutiva, compromete enormemente a qualidade de vida pela dor severa e por complicações genitourinárias. Estudos demonstram que a cannabis atua na melhora da dor, com recuperação da qualidade de vida e diminuição de complicações”, completa a médica, que também é especialista em dor crônica.

Os fitocanabinoides, substâncias presentes na cannabis, apresentam alívio para diversos incômodos que acometem as mulheres, sendo uma alternativa mais eficaz e menos invasiva. “Estudos anteriores sugerem que a cannabis tem a capacidade de mitigar problemas de sono, irritabilidade e dor nas articulações, portanto, pode desempenhar um papel significativo em alguns dos sintomas associados à tensão pré-menstrual”, apontam no artigo.

A utilização da cannabis como medicamento não é de hoje, inclusive era receitada pelo médico inglês Sir Reynolds para tratar as cólicas menstruais da rainha Vitória, no século 19. Reynolds foi responsável pela primeira publicação sobre o uso da planta para dor, seus efeitos terapêuticos e adversos na revista científica Lancet, em 1890. “Da mesma forma, observa-se melhora na tensão pré-menstrual, nas cólicas menstruais, nos sintomas indesejáveis da menopausa, nas dores pélvicas crônicas e no desempenho sexual”, finaliza Maria Teresa.

Fonte: Maria Teresa Jacob é formada pela Faculdade de Medicina de Jundiaí. Pós-graduanda em Endocannabinologia, Cannabis y Cannabinoides na Universidade de Rosário, Argentina. Residência médica em Anestesiologia no Instituto Penido Burnier e Centro Médico de Campinas. Especialista em Anestesiologia, Título de Especialista em Acupuntura e Título de Especialista em Dor. Especialização em Dor, na Clinique de la Toussaint em Strassbourgo, França, Cannabis Medicinal e Saúde, na Universidade do Colorado, Cannabis Medicinal. Membro da Society of Cannabis Clinicians (SCC), da International Association for Canabinoid Medicines (IACM), da Sociedade Internacional para Estudo da Dor (IASP), da Sociedade Brasileira para Estudo da Dor (SBED), da Sociedade Internacional de Dor Musculoesquelética (IMS) e da Sociedade Europeia de Dor (EFIC). Atua no tratamento de Dor Crônica desde 1992 e há alguns anos em Medicina Canabinoide em diversas patologias na Bem – Centro de Saúde e Bem Estar, Campinas.

Lançado primeiro clube de assinatura para auxiliar mulheres com endometriose

Projeto EndoConectadas trará conteúdo com curadoria especial de Caroline Salazar, ativista responsável pela EndoMarcha Time Brasil e autora do blog A Endometriose e Eu

O EndoConectadas será lançado no dia 3 de agosto, como o primeiro Clube de Assinaturas para mulheres portadoras de endometriose no Brasil. A ideia do projeto é de Caroline Salazar, ativista da endometriose, autora do blog pioneiro sobre o assunto, A Endometriose e Eu, e capitã da EndoMarcha Time Brasil (Marcha Mundial de Conscientização sobre a Endometriose).

“O EndoConectadas surgiu para informar e empoderar as mulheres com endometriose e auxiliá-las na busca por um tratamento completo e eficiente”, afirma Caroline, que compartilha sua história e fatos científicos sobre a endometriose desde 2010 com suas seguidoras.

As assinantes do EndoConectadas terão acesso a conteúdo exclusivo preparado por Caroline em vídeos semanais, que contarão com especialistas e serão separados em editorias, entre eles o EndoCiência – Descomplicando a Endometriose, Superando a EndoInfertilidade, Sendo Mãe de uma EndoMenina, Como Apoiar uma EndoMulher e Entrevistas ao Vivo – as lives especiais que contarão com a participação das assinantes.

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O valor da assinatura é de R$ 39,90 mensais, mas o pré-lançamento – entre os dias 31 de julho e 2 de agosto – contará com um condições especiais para as assinantes. Para se associar, visite o site A Endometriose e Eu a partir do dia 30 de julho.

Sobre Caroline Salazar e o blog A Endometriose e Eu

Caroline Salazar é jornalista, autora do blog A Endometriose e Eu e ativista pela conscientização da endometriose. A partir da criação do blog, em 2010, Caroline se tornou referência no assunto entre pacientes, familiares de pacientes e especialistas sobre a doença em todo o mundo. O blog A Endometriose e Eu traz entrevistas e artigos exclusivos, com pesquisadores nacionais e internacionais sobre a doença.

Em 2014, Caroline Salazar capitaneou a primeira edição da EndoMarcha Brasil – a Marcha Mundial de Conscientização Sobre a Endometriose. O Brasil, desde então, lidera a marcha com o maior número de cidades participantes. Em 2019 foram 20 cidades participantes. A Marcha de 2020 foi adiada em decorrência da pandemia da Covid-19.

Caroline, a partir do blog, foi a pioneira no Brasil a abordar assuntos como a dispareunia (dor durante a relação sexual) e seu tratamento, além de disseminar no país o uso do termo Março Amarelo. Também colaborou com a criação do texto do PL 3047/19, apresentado pela deputada federal Daniela do Waguinho (RJ) e que prevê a instituição do dia 13 de março como o Dia Nacional de Luta Contra a Endometriose e a Semana Nacional de Luta Contra a Endometriose.

Confira 20 livros em formato digital, gratuitos, sobre saúde e fertilidade

Obras abordam infertilidade feminina e masculina, endometriose, alimentação, fertilização in vitro, congelamento e doação de óvulos, entre outros temas

Muita gente está aproveitando o período de quarentena para ler mais. Se o livro for gratuito, melhor ainda. Pois o IPGO (Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia) está relançando, em versão e-book e gratuita, todos os livros escritos pelo médico Arnaldo Schizzi Cambiaghi, especialista em ginecologia e obstetrícia, com certificado de atuação na área de reprodução assistida, e responsável técnico do instituto.

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Há também os livros criados apenas em versão digital. São obras que têm somente o especialista como autor, ou foram escritas em parceria com outros médicos e profissionais ligados à área da saúde, como nutricionistas e psicólogos.

Os livros são voltados a casais, ou a mulheres e homens, que estão tendo dificuldades para engravidar, e também para ginecologistas e médicos que querem entender mais ou enveredar pela área da reprodução humana.

A maioria dos títulos fala sobre infertilidade, porém, há outros temas como endometriose, adenomiose, obesidade e alimentação. Além destes, há um voltado a crianças, explicando o processo de fertilização in vitro. O livro foi feito em formato de revista em quadrinhos.

Abaixo, todos os 20 títulos disponíveis atualmente, lembrando que novas obras podem ser acrescentadas à lista.

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– Guia da Endometriose
– Guia da Adenomiose
– Doação e Recepção de Óvulos
– Fertilidade e Alimentação
– Gravidez na Sexualidade
– A Fertilidade do Homem
– Obesidade e Fertilidade

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– Os Tratamentos de Fertilização e as Religiões
– Inflamações Crônicas “Silenciosas” que Perturbam a Fertilidade
– Como Aumentar as Chances de Sucesso nos Tratamentos de Fertilização
– Abortos Podem ser evitados
– Congelamento de Óvulos
– Fertilização in vitro, um Ato de Amor
– Coito Programado e Inseminação Intrauterina
– Biópsia Embrionária na FIV
– Os Tratamentos de Fertilização em Casais Homoafetivos
– Os Tratamentos de Fertilização Para Mulheres Maduras
– Os Tratamentos de Fertilização Para Mulheres Más Respondedoras
– Miomas Uterinos e a Infertilidade
– Um Bebê e Duas Cegonhas (infantil e em formato de HQ)

CAPA CEGONHAS OFICIAL

Para ler ou baixar os livros, clique aqui.

Sobre o autor

Arnaldo Schizzi Cambiaghi é responsável técnico do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista obstetra com certificado em reprodução assistida. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros na área médica como Fertilidade Natural (Ed. LaVida Press), Grávida Feliz, Obstetra Feliz (LaVida Press), Fertilização um ato de amor (LaVida Press), Manual da Gestante (Ed. Madras) e Os Tratamentos de Fertilização e As Religiões (Ed. LaVida Press).

 

Mês Mundial de Conscientização sobre Endometriose

O que é, sintomas, tratamentos, alimentação e novidades

Março é o Mês Mundial de Conscientização Sobre a Endometriose e é quando é realizada a campanha Março Amarelo. São ações para alertar para uma doença de saúde reprodutiva comum. Estimativas da World Endometriosis Research Foundation sugeriam, em 2018, que a endometriose afetaria cerca de 176 milhões de mulheres em todo o mundo. No Brasil, ela atinge uma em cada dez mulheres.

Ela ocorre quando o tecido semelhante ao revestimento uterino (o endométrio) cresce fora do útero. Vale lembrar que ela esta fortemente associada à infertilidade e que até 50% das mulheres que necessitam de tratamento para engravidar têm este problema.

Arnaldo Cambiaghi, especialista em ginecologia e obstetrícia, com certificado de atuação na área de reprodução assistida, e responsável técnico do Centro de Reprodução Humana do IPGO, explica o que é endometriose, os sintomas, tratamentos, cirurgias, medicamentos, novos estudos, dá dicas de alimentação e elucida dúvidas por meio de 18 mitos e verdades.

Sintomas

Os sintomas mais comuns da endometriose são cólica, menstruação irregular, dor pélvica e infertilidade. O tratamento da endometriose profunda é sempre cirúrgico, feito por videolaparoscopia, é algo extremamente complexo e exige médicos qualificados e experientes neste tipo de intervenção. “Diversas teorias relacionam o efeito positivo da alimentação sobre a progressão e a agressividade da endometriose. Essa relação ocorre porque a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, o que significa que os níveis deste hormônio no organismo podem interferir na progressão da doença”, admite Cambiaghi.

Medicação

mulher tomando remedio probiotico suplemento

“Muitas pesquisas têm sido feitas no desenvolvimento de medicamentos que podem ser usados para aliviar os sintomas associados à endometriose. Além dos medicamentos já estabelecidos, o principal deles no momento, e que foi lançado na Europa em 2018, é o Elagolix, que promete ser a nova sensação nos tratamentos do distúrbio”, diz Cambiaghi, que acrescenta: “O diferencial deste fármaco em comparação aos outros da mesma categoria é que se trata de um antagonista da GnRH que pode ser administrado por via oral, diferente de outros como Zoladex (acetato de gosserrelina), Lectrum (acetato de leuprorrelina), Lupron (acetato de leuprorrelina) que são injetáveis”.

Melatonina ajuda a combater endometriose, além de melhorar a fertilidade

A melatonina é um hormônio produzido no sistema nervoso central pela glândula pineal, uma pequena glândula situada no cérebro que ajuda a controlar o ciclo natural de horas de sono e de vigília e, por isso, é conhecida como “o hormônio do sono”, regulando os ciclos circadianos (dormir-acordar). Sua produção é estimulada pela escuridão e inibida pela luz. Tem papel benéfico e recuperador na qualidade do sono.

Quantidades muito pequenas são encontradas em alimentos como carnes, grãos, frutas, legumes e até no vinho tinto. Uma vez sintetizada, a melatonina não é armazenada na glândula pineal, mas é logo liberada para a corrente sanguínea e outros fluidos corpóreos como bile, saliva, liquor, sêmen, líquido amniótico e fluido folicular. “Já é documentado que a melatonina é um excelente antioxidante natural. A partir dos 30, 40 anos poderá prevenir – ou pelo menos retardar – doenças relacionadas com o envelhecimento, os radicais livres e os processos inflamatórios”, afirma o médico.

Fertilidade

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

Nos eventos reprodutivos como a formação dos folículos ovulatórios (foliculogênese), atrofia dos folículos (atresia folicular), ovulação, maturação dos óvulos e formação do corpo lúteo, há envolvimento de radicais livres. Estudos têm demonstrado que a qualidade dos óvulos e dos embriões depende não só da formação genética e cromossômica, mas também do ambiente onde os óvulos se desenvolvem (fluido folicular que envolve os oócitos antes da ovulação). Assim, a melatonina, com sua ação antioxidante é essencial e tem papel benéfico no processo reprodutivo.

Grandes quantidades de melatonina são encontradas no fluido folicular periovulatório (líquido que envolve o óvulo dentro do folículo), com concentrações maiores do que no sangue periférico. O próprio ovário parece produzir melatonina (pelas células da granulosa), mas a maior parte é absorvida da circulação sanguínea. Quanto maior o folículo, maior a concentração de melatonina.

Além de sua ação antioxidante, a melatonina também regula a função ovariana através da regulação da liberação de gonadotrofinas no eixo hipotálamo hipofisário. Os hormônios sexuais têm um importante papel no crescimento e diferenciação de células ovarianas. A melatonina influencia na produção desses hormônios – progesterona, estradiol e androstenediona – em diferentes estágios da maturação folicular, podendo diminuir ou aumentar suas concentrações.

Durante o processo de ovulação, grande quantidade de radicais livres é produzida. Esse excesso induz à apoptose (morte celular programada), resultando na atresia folicular (atrofia dos folículos). Níveis aumentados de melatonina diminuem a quantidade de radicais livres prevenindo essa atresia.

O folículo é resgatado pela melatonina e continua seu desenvolvimento até se tornar um folículo dominante. O balanço entre radicais livres e antioxidantes tem papel importante na maturação do óvulo (oócito) e na fertilização. A ação antioxidante da melatonina melhora a qualidade do oócito. A melatonina estimula diretamente a liberação de progesterona pelo corpo lúteo e o protege da ação de radicais livres conferindo manutenção da função lútea.

A falta de melatonina está relacionada ainda com endometriose e com a Falência Ovariana Prematura (FOP). Em pacientes com SOP há diminuição de melatonina no fluido folicular. Em pacientes com infertilidade, o tratamento com melatonina melhora a qualidade do oócito além de melhorar as taxas de fertilização e reduzir os danos oxidativos no fluido folicular. Entretanto, o uso de melatonina para pacientes com SOP, FOP e endometriose é limitado.

Cirurgia

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Estudo feito por médicos franceses do CHU (Centre Hospitalier Universitaire) Clemont Ferrand, em 2018, mostrou que a cirurgia de endometriose reduz não só a dor pélvica, como aquela sentida durante a relação sexual, além de melhorar a qualidade de vida das pacientes. Os pesquisadores avaliaram a dor sentida por mulheres com endometriose antes e depois da cirurgia laparoscópica. Além disso, analisaram as respostas que as pacientes deram em um questionário sobre qualidade de vida.

O resultado médio para dor caiu de 5,3, antes da cirurgia, para 2,6, seis meses após a intervenção, e para 2,3, três anos após a operação. A dor pélvica crônica caiu de 2,6 antes da intervenção para 1,4 após seis meses da cirurgia, e para 1,3 três anos após a operação. Já a dor durante a relação sexual caiu de 2,7 para apenas 1,1, seis meses após o procedimento.

Número que permaneceu praticamente o mesmo três anos após a cirurgia: 1,2. Os resultados foram animadores também para a qualidade de vida das mulheres no aspecto dor corporal. A melhora foi de 54,6 para 74,4, seis meses após a cirurgia. Já a melhora nas limitações físicas que a endometriose causava saltou de 63,3 para 81,9, seis meses após a cirurgia.

O mesmo ocorreu no quesito qualidade de vida, que aumentou de 66 para 75,6 seis meses após o procedimento. A melhoria nas limitações, devido a problemas emocionais, aumentou de 65,7 para 77,4 após o procedimento. E o mais importante: os resultados não mudaram ao longo dos anos.

“A cirurgia exige do médico consultante um conhecimento abrangente do problema, pois pode atingir vários órgãos. Conhecida por alguns como uma ‘doença sem cura’, pois mesmo tratada pode reaparecer, a endometriose tem esta fama por receber de alguns profissionais um acompanhamento inadequado e insuficiente, principalmente nos casos de endometriose ovariana e endometriose infiltrativa profunda. Nesses casos é fundamental o acompanhamento de profissionais especializados em infertilidade e que tenham experiência em cirurgia pélvica para uma resolução satisfatória”, frisa  Cambiaghi.

Estudo

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Um estudo colaborativo entre pesquisadores da Universidade de Southampton e do Centro de Fertilidade Completa do Hospital Princesa Anne, publicado no Scientific Reports*, em 2016, verificou que a qualidade do óvulo fica severamente comprometida em mulheres que têm endometriose. A descoberta foi que o fluído dos folículos de pacientes com endometriose bloqueia a maturação do óvulo gerando radicais livres chamados de Reactive Oxygen Species – ROS (espécies reativas de oxigênio. em tradução livre) e danificam o DNA.

Este dano faz com que o óvulo não amadureça e, assim, não possa ser fertilizado. Porém, mais pesquisas são necessárias para investigar se o problema é tratável ou evitável. O estudo utilizou óvulos imaturos de fêmeas de ratos que foram incubados em fluído folicular de mulheres com endometriose, in vitro. Os pesquisadores examinaram as quantidades de ROS que foram geradas e a capacidade do óvulo de amadurecer. Descobriram que o fluído folicular de mulheres com endometriose resultou em maiores quantidades de ROS.

Para os cientistas é encorajador ver a possibilidade de os danos serem prevenidos por antioxidantes, mas mais pesquisas são necessárias antes que possam por em pratica os resultados. Cambiaghi afirma que a pesquisa apenas corrobora o que já se desconfiava há anos: “Esse estudo reforça a interferência da endometriose na fertilidade feminina e confirma que os radicais livres também têm importância comprovada na infertilidade. Entretanto, não podemos esquecer que tratamos a endometriose utilizando a videolaparoscopia e temos conseguido resultados excelentes. Por isso, ela é considerada uma ótima estratégia para o tratamento”.

Tratamento não hormonal

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Ilustracao Giemsa Stain

Cientistas descobriram que certo tipo de célula imunológica pode ser uma das principais causas de dor pélvica em mulheres com endometriose. Os crescimentos anormais, ou lesões, da endometriose podem causar inflamação persistente, dor e infertilidade. Outros sintomas incluem menstruação dolorosa, fadiga, sangramento intenso e dor durante a relação sexual. Até agora não há cura para a endometriose. A cirurgia pode remover algumas lesões e tecido cicatricial.

Tratamentos hormonais podem oferecer alívio dos sintomas, mas, muitas vezes, trazem efeitos colaterais após o uso prolongado. Desse modo, há necessidade de drogas não hormonais. Nesse estudo, de 2019, pesquisadores das Universidades de Warwick e Edimburgo, ambas no Reino Unido, descobriram que a causa da dor da endometriose é um tipo de glóbulo branco, chamado macrófago, que sofreu mudanças como resultado da doença. A equipe relata as descobertas em um artigo do Faseb Journal**.

“Os macrófagos podem ser considerados células de limpeza do corpo, e são muito importantes para o sistema imunológico. Eles alertam sobre a presença de agentes estranhos”, afirma Cambiaghi. Ele explica que os tratamentos convencionais que usam hormônios “não são ideais” porque têm como alvo a função ovariana, e podem desencadear efeitos colaterais, como a supressão da fertilidade.

Um conjunto final de testes revelou que impedir a atividade do hormônio, bloqueando o receptor da célula para o IGF-1, “reverte o comportamento da dor observado em camundongos com endometriose”. O fato de sinais no ambiente tecidual local poderem alterar a função dos macrófagos não é novo. No entanto, essas descobertas lançam uma nova luz sobre o que acontece com os macrófagos no caso específico da endometriose. “Este novo estudo traz luz a uma doença complexa, como é a endometriose. E toda novidade positiva tem de ser comemorada. Esta descoberta pode mostrar novas formas de aliviar os sintomas das que vivem com a doença”, enfatiza Cambiaghi.

Alimentação correta pode diminuir os sintomas

Muito se tem insistido na importância de uma alimentação correta para praticamente tudo na vida. Com a fertilidade não é diferente. Mesmo pessoas que tenham alguma doença também podem contribuir para a diminuição dos sintomas seguindo uma dieta saudável.

É o caso de um dos males que mais afeta a fertilidade feminina: a endometriose, doença enigmática que vem crescendo pelo mundo. Estima-se que de 10% a 14% das mulheres em sua fase reprodutiva (19 a 44 anos) e de 25% a 50% das inférteis sejam acometidas por este mal. Muitas mulheres chegam a sentir tanta dor que se veem impossibilitadas de viver uma vida normal e até mesmo a faltar no trabalho.

Diversas teorias relacionam o efeito positivo da alimentação sobre a progressão e a agressividade da endometriose. Essa relação ocorre porque a endometriose é uma doença estrogênio-dependente, o que significa que os níveis deste hormônio no organismo podem interferir na progressão da doença. Assim, estudos diversos relacionam a melhora das dores com algumas intervenções nutricionais pontuais, como aumento do consumo de fibras, substituição de gorduras de animais por óleos de boa qualidade e consumo adequado de vitaminas antioxidantes como A, C, E e complexo B.

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São boas fontes de vitamina A: damascos, pêssegos, melão cantalupo e vegetais verde-escuros e amarelo-escuros.

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Das vitaminas A e C: abóbora, tomate, manga, mamão papaia e couve.

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Da vitamina E: frutas cítricas, morangos, pimentas, repolho, batata-doce e brócolis.

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Já as vitaminas do complexo B são encontradas em ovos e laticínios (prefira orgânicos), leguminosas e alimentos integrais.

Há também aqueles alimentos que podem agravar a dor como os industrializados, produzidos com excesso de gordura hidrogenada, farinha e açúcar refinado. Os de origem animal são a maior fonte de substancias hormonalmente ativas, pois o tecido gorduroso e produtos à base de gordura animal são grandes retentores de xenoestrogênio, bem como antibióticos, drogas veterinárias e hormônios para estimulo do crescimento. Assim, o ideal é evitar embutidos, carnes vermelhas, leite e derivados não-orgânicos, além de gorduras saturadas.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é responsável técnico do Centro de Reprodução Humana do IPGO, ginecologista obstetra com certificado em reprodução assistida. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.

Confira 18 mitos e verdades sobre endometriose

A endometriose é uma doença de saúde reprodutiva comum, que ocorre quando o tecido semelhante ao revestimento uterino (o endométrio) cresce fora do útero. Porém, como muitas outras, ela é cercada de muitos mitos e crenças. O médico ginecologista e especialista em Medicina Reprodutiva Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do Instituto Paulista de Ginecologia e Obstetrícia, comenta 18 mitos muito comuns sobre a doença. Confira:

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Foto: Is-Med.com

1 – É fácil diagnosticar a endometriose
Mito: não é fácil diagnosticar a endometriose. É comum que demore até cerca de 8 anos, essa é a média esperada para o diagnóstico da endometriose. Essa é uma das primeiras dificuldades na vida reprodutiva da mulher: o diagnóstico não ser feito precocemente. Uma mulher que chega ao consultório de um ginecologista reclamando de cólica, menstruação irregular e infertilidade, as chances de ter endometriose são muito altas. Se ela acrescentar cólicas muito fortes, abdômen inchado, dor ao evacuar, dor para urinar e dor durante a relação sexual, essa paciente deve ter endometriose profunda. Se o médico estiver atento, o diagnóstico não será difícil, pois a endometriose será uma possibilidade bastante provável.

2 – É normal que os períodos da menstruação sejam extremamente dolorosos
Verdade: mulheres com endometriose se referem a cólicas fortes durante a menstruação. Portanto, se uma mulher estiver sentindo uma dor severa e que não encontra alívio com medicação, a endometriose pode, sim, ser a causa do problema. O melhor é marcar uma consulta com o ginecologista.

3 – Os sintomas estão sempre presentes em mulheres com endometriose
Mito: nem sempre, algumas mulheres não sentem dor alguma, elas só vão perceber que têm endometriose quando forem ao ginecologista e ele pedir um exame de ultrassom de rotina.

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Foto: Jeviniya-Pixabay

4 – Terapias complementares não têm lugar no tratamento da endometriose
Mito: são sempre alternativas possíveis. Porém, o tratamento da endometriose é basicamente cirúrgico, por vídeolaparoscopia, no qual se ressecam as lesões endometrióticas. Podem ser complementos, além dos medicamentos convencionais, terapias como acupuntura, naturopatia e ioga. Porém, sem o tratamento cirúrgico não haverá resultado.

5 – Mulheres com endometriose não podem ter filhos
Mito: cerca de 30% das mulheres com endometriose têm dificuldade em engravidar. Quando se realiza uma pesquisa correta, por meio de exames complementares, como ultrassom e ressonância magnética, é possível diagnosticar em detalhes a doença e, em seguida, realizar a cirurgia ressecando esses focos de endometriose. Após esse tratamento, a mulher pode engravidar, mas é importante que não se esqueça de avaliar também outros problemas de infertilidade, como obstrução tubária, trombofilias, fator ovulatório e fator masculino. Muitas vezes se foca tanto na endometriose que se esquece de verificar a fertilidade do homem.

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Foto: Veggiegretz/Morguefile

6 – Gravidez cura endometriose
Mito: este é um dos maiores mitos sobre o problema. Gravidez não cura endometriose. Pode amenizar os sintomas, mas a melhora só é possível com a realização da cirurgia e, mesmo assim, não há garantia de cura da doença. Isso porque os sintomas podem ser amenizados, mas se for algo provisório, a doença pode voltar com o tempo.

7 – Histerectomia cura endometriose
Mito: a endometriose é um tecido endometrial fora do útero. A remoção do útero e/ou dos ovários, sem remover os importantes focos de endometriose não levará à cura. Portanto, histerectomia não cura endometriose, e é um erro gravíssimo acreditar que tirar o útero será a solução para a doença.

8 – Mulheres com endometriose devem evitar exercícios físicos
Mito: pelo contrário, o exercício físico ajuda a melhorar a vascularização e a circulação sanguínea, isso pode amenizar o mal-estar e as cólicas. Mulheres com endometriose devem, sim, realizar exercícios físicos. Além disso, podem tomar outras atitudes como manter uma dieta alimentar adequada.

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9 – Adolescentes não têm endometriose
Mito: muito pelo contrário. Muitas já têm sintomas de endometriose no início da adolescência e é fundamental que se faça um diagnóstico precoce para se evitar as complicações futuras, como a infertilidade e o comprometimento de outros órgãos. Isso porque, em casos de endometriose mais avançada, é necessário fazer cirurgias muito mais agressivas. O diagnóstico precoce da endometriose é fundamental e não deve ser descartado porque a paciente é adolescente.

10 – Mulheres com endometriose sofrem dor somente durante o período menstrual.
Mito: a dor pode ser intermitente ou contínua. Ela é mais frequente nos períodos menstrual e pré-menstrual. Às vezes, pode ocorrer durante ou após a atividade sexual, o que é mais comum quando houver um comprometimento do intestino ou bexiga, ou regiões próximas ao fundo da vagina.

11 – Endometriose é mais comum entre mulheres caucasianas na faixa dos 20 e 40 anos.
Mito: até meados do século 20, pensava-se que o problema existia apenas em mulheres brancas. Isso acabou sendo resultado da falta de cuidados médicos contínuos para muitas mulheres afrodescendentes. Hoje, inclusive, se entende que qualquer mulher, de qualquer etnia, adolescente ou mais velha, pode ter endometriose.

12 – A endometriose não tem cura
Verdade: infelizmente, não há cura. Quando a endometriose é diagnosticada criteriosamente e existe o mapeamento da doença por meio de exames complementares, como ressonância magnética e ultrassom, e um bom exame ginecológico, pode se realizar uma cirurgia bem detalhada para que se ressequem todos os focos da endometriose. Mulheres que passaram por uma cirurgia bem indicada e pelas mãos de profissionais qualificados, alcançam uma cura provisória por muitos anos. E pode ser até que nunca mais tenham endometriose, mas não de pode descartar que existe chance de a doença voltar.

MULHER DOR ESTOMAGO COLICA

13 – A endometriose afeta apenas os órgãos pélvicos.
Mito: embora a endometriose encontra-se principalmente na região pélvica, pode ser descoberta em outros órgãos, como diafragma, pulmão, parede abdominal, estômago e até mesmo nos olhos.

14 – Qualquer ginecologista pode efetivamente tratar a endometriose.
Parcialmente verdade: os ginecologistas, de um modo geral, estão preparados para o diagnóstico e para o tratamento, desde que estejam atentos aos sintomas e saibam mapear a doença. Porém, o tratamento cirúrgico, feito por laparoscopia, deve ser realizado por profissionais qualificados que tenham experiência em laparoscopia e em cirurgia pélvica. Encontrar um especialista em endometriose pode ser fundamental para o sucesso do tratamento.

15 – A endometriose sempre piora.
Parcialmente verdade: para algumas mulheres, sim, pode piorar. Isso porque muitas vezes a endometriose se comporta como uma doença benigna, progressiva e invasiva. Ou seja, ela vai invadindo os órgãos com o passar do tempo. Por isso o diagnóstico precoce é fundamental.

mulher calor fogacho menopausa

16 – Menopausa cura a endometriose.
Mito: a diminuição dos níveis hormonais pode amenizar a endometriose, porém, os focos vão permanecer. No caso de uma reposição hormonal, comum na menopausa, esses focos poderão retroceder a endometriose, abrandar a dor, diminuir o inchaço, amenizando os sintomas, mas não cura a doença.

17 – É comum confundir a endometriose com a síndrome do intestino irritável (SII)
Verdade: isso pode acontecer em uma fase inicial, pois os sintomas intestinais podem ser confundidos. Faz parte do diagnóstico diferencial verificar se a dor pélvica é uma endometriose, um problema intestinal ou até mesmo um problema urinário. Entretanto, com os exames complementares de ultrassom e ressonância magnética, é possível diferenciar uma da outra.

18 – A endometriose pode ser prevenida
Mito: não existe uma maneira de se prevenir. Porém, ter bons hábitos, boa alimentação e rigor no estilo de vida pode amenizar sintomas ou diminuir a chance dela surgir.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros.

Novos medicamentos para tratar endometriose melhoram qualidade de vida das pacientes

Muitas pesquisas têm sido feitas no desenvolvimento de medicamentos que podem ser usados para aliviar os sintomas associados à endometriose. Além dos medicamentos já estabelecidos, o principal deles no momento, e que foi recentemente lançado na Europa, é o Elagolix, que promete ser a nova sensação nos tratamentos do distúrbio.

Essa novidade foi apresentada durante o 4º Congresso da SEUD – Society of Endometriosis and Uterine Disorders (Sociedade de Endometriose e Desordens Uterinas), realizado em abril último, em Florença, na Itália. “O diferencial deste fármaco em comparação aos outros da mesma categoria é que se trata de um antagonista da GnRH que pode ser administrado por via oral, diferente de outros como Zoladex (acetato de gosserrelina), Lectrum (acetato de leuprorrelina), Lupron (acetato de leuprorrelina) que são injetáveis”, comenta o especialista em Medicina Reprodutiva Arnaldo Cambiaghi, diretor do Centro de Reprodução Humana do IPGO.

A endometriose é uma condição inflamatória crônica, dependente de estrogênio, caracterizada pela implantação de tecido semelhante ao endométrio fora do útero e que afeta de 6% a 10% das mulheres em idade reprodutiva. Os sintomas incluem dismenorreia (cólica menstrual), dor pélvica não-menstrual e dispareunia (dor na realção sexual), bem como os sintomas menos comuns, como dor na ovulação e ao urinar e constipação.

A dor associada à endometriose pode diminuir a qualidade de vida da paciente e resultar em uma carga econômica substancial. A dispareunia pode ter profundo impacto interpessoal e consequências psicológicas. A endometriose tem causas multifatoriais, incluindo menstruação retrógrada, fatores genéticos e ambientais, alteração do sistema imune e diferenciação ectópica (fora do útero) de células-tronco mesenquimais.

O estrogênio tem um papel necessário na fisiopatologia da endometriose, uma vez que promove o implante de endométrio no peritônio (tecido que reveste internamente o abdômen), traz efeitos proliferativos e antiapoptóticos (apoptose é a morte celular) nas células endometriais e estimula a inflamação local e sistêmica.

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Com base na “hipótese da importância do estrogênio”, a supressão completa do estrogênio pode não ser necessária para controlar a dor associada à endometriose, e o estrogênio pode ser ajustado a um nível adequado para controlar a dor, mas minimizar os efeitos hipoestrogênicos.

“Embora o tratamento cirúrgico por videolaparoscopia cirúrgica seja o “padrão ouro” para a resolução “definitiva” deste distúrbio, nem sempre a intervenção pode ser indicada, principalmente nas pacientes que são jovens e ainda não têm filhos. A indicação cirúrgica deve ser sempre ponderada quanto aos seus prós e contras”, alerta Cambiaghi.

As terapias de primeira linha para dor relacionada à endometriose incluem drogas antiinflamatórias não-esteroidais (AINEs) e contraceptivos orais contendo progesterona. As terapias de segunda linha envolvem formulações de depósito injetável de agonistas do hormônio liberador de gonadotropina (GnRH), como o acetato de leuprolide. Os agentes são eficazes e reduzem os níveis de estrogênio para níveis pós-menopausa e estão associados a efeitos colaterais (por exemplo, perda óssea progressiva e sintomas vasomotores graves – ondas de calor), que limitam seu uso a seis meses.

As opções médicas permanecem limitadas. As progesteronas, muitas vezes estão associadas a sangramento, ganho de peso e alterações de humor. Agentes androgênicos, como o danazol, estão associados à acne, hirsutismo e alterações no perfil lipídico. A ablação cirúrgica ou a excisão das lesões podem seja eficazes.

“O Elagolix é um antagonista oral e os estudos mostraram eficácia no controle tanto da dismenorreia quanto da dor pélvica não menstrual, com um perfil de segurança aceitável em uma dose (uma vez ao dia de 150 mg) que produza supressão parcial do estrogênio. O Elagolix (na dose de 200 mg duas vezes ao dia) levou à supressão quase completa do estrogênio”, finaliza o médico.

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Outros medicamentos na fase final de pesquisa:

·Relugolix: um antagonista seletivo não peptídico, atualmente está em fase III de ensaios clínicos para o tratamento da endometriose, do leiomioma uterino e do câncer de próstata.
·Linzagolix: é um antagonista de hormônio liberador de gonadotropina de pequena molécula, não peptídico, ativo oralmente (antagonista de GnRH) que está em desenvolvimento para o tratamento de útero leiomioma e endometriose.
·SKI 26 O70: antagonista do hormônio libertador de gonadotropina (GNRH), é um novo antagonista de GnRH não peptídico, ativo por via oral ainda nos estudos iniciais
.Vilaprisan (codinome de desenvolvimento BAY-1002670): é um modulador esteroidal seletivo de receptor de progesterona sintético (SPRM) que está em desenvolvimento para o tratamento de endometriose e miomas uterinos.

Fonte: Arnaldo Schizzi Cambiaghi é diretor do Centro de reprodução humana do IPGO, ginecologista-obstetra especialista em medicina reprodutiva. Membro-titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica, da European Society of Human Reproductive Medicine. Formado pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa casa de São Paulo e pós-graduado pela AAGL, Illinois, EUA em Advance Laparoscopic Surgery. Também é autor de diversos livros

Síndrome do intestino irritável e outros problemas de saúde: qual o link?

Pessoas que têm síndrome do intestino irritável (SII) tendem a ter outras condições. Os médicos não sabem por que isso acontece, mas, na maioria das vezes, há coisas que você pode fazer para aliviar seus sintomas, seja qual for a causa.

Veja o que você precisa saber sobre essas doenças relacionadas e o que você pode fazer para se sentir melhor.

mulher tomando leite

Problemas para digerir leite: uma em cada três pessoas com SII não se sente bem depois de ingerir produtos lácteos, a chamada intolerância à lactose. Eles podem ter diarreia, inchaço e gases. Pode ser que esses alimentos irritem os já sensíveis intestinos das pessoas com SII. Se você não se sentir bem entre 30 minutos e 2 horas depois de consumir leite, queijo ou iogurte, converse com seu médico. Ele pode pedir exames para ver como seu corpo lida com a lactose, o açúcar nos alimentos lácteos. Você pode precisar reduzir os produtos lácteos, mas também pode tentar tomar comprimidos ou gotas de lactase para ajudá-lo a digeri-los.

OSSOS

Problemas com articulações, músculos e ossos: duas em cada três pessoas com SII também têm condições que afetam essas partes do corpo, chamadas doenças reumáticas. Os sintomas podem variar, mas você pode ter erupções cutâneas, dores musculares e dores de cabeça. Dependendo do problema que você está enfrentando, diferentes tipos de tratamentos podem ajudar. Converse com seu médico ou consulte um reumatologista para descobrir o que pode ajudá-lo mais.

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Foto: iStock

Fibromialgia: até 60% das pessoas com a síndrome têm esse distúrbio, que causa dor duradoura, rigidez muscular e manchas sensíveis ao redor do corpo. As pessoas também se sentem muito cansadas e têm dificuldade em dormir. Os médicos suspeitam que SII e fibromialgia têm uma causa comum, mas não sabem o que é ainda. Para ajudá-lo a se sentir melhor, seu médico pode prescrever medicamentos para dor, antidepressivos ou auxiliares de sono. Exercícios leves e moderados, alongamentos e massagens também podem ajudar.

microbiota intestino SII

Excesso de bactérias intestinais: bactérias fazem trabalhos importantes em nossos intestinos, como ajudar a digerir nossa comida e nos manter saudáveis. Mas as pessoas com SII são mais propensas a ter muitos desses germes, uma condição chamada supercrescimento bacteriano do intestino delgado (SCBID). Pode causar diarreia que não melhora, perda de peso e falta de vitaminas no corpo. O seu médico pode fazer alguns testes para verificar se a SCBID é a causa dos seus sintomas. Se for, os antibióticos podem matar as bactérias extras no seu intestino.

insonia cama mulher sono cansaço pixabay

Síndrome da fadiga crônica (SFC): essa condição é exatamente o que parece, uma sensação de exaustão que não melhora com o descanso. As pessoas que a têm geralmente estão muito cansadas para realizar tarefas simples e cotidianas. Alguns pesquisadores acham que a inflamação no cérebro e no intestino, ou problemas com as bactérias no intestino, podem impulsionar o SFC e a SII, o que poderia explicar por que às vezes as duas acontecem juntas. O tratamento varia dependendo dos seus sintomas. Você pode precisar de ajuda para dormir melhor, como manter bons hábitos ou tomar medicação. Se a dor é um problema, medicamentos, relaxamento, massagem e outras técnicas podem ajudar. Você também pode conversar com seu médico sobre tratamentos para depressão, ansiedade ou problemas de memória.

MULHER DOR ESTOMAGO COLICA

Endometriose: esse problema doloroso acontece quando o tecido que normalmente reveste o útero cresce fora dele. As mulheres que têm este problemas são mais propensos a ter sintomas de SII, como dor de barriga, constipação e inchaço. A inflamação pode estar na raiz de ambas as condições, embora os cientistas não tenham certeza se é por isso que elas acontecem juntas. Os médicos podem prescrever medicamentos para aliviar a dor e ajudar na fertilidade se você quiser ter filhos.

gluten free sem

Doença celíaca: a pesquisa sugere que uma em cada cinco pessoas com essa condição, na qual o corpo não consegue digerir uma proteína em trigo chamada glúten, também tem SII. A inflamação intestinal que adquirem quando comem alimentos como macarrão, pão e cerveja pode torná-las mais propensos a ter a síndrome. Os sintomas geralmente desaparecem quando você para de comer alimentos que contêm glúten.

tristeza dor depressão mulher pixabay

Ansiedade e depressão: alguns médicos acham que o estresse de lidar com os sintomas da SII pode ser difícil para sua saúde mental. Ou pode ser que suas emoções afetem os hormônios e os nervos podem afetar a atividade do seu intestino. Não está claro qual é o link, mas, para muitas pessoas, a síndrome anda de mãos dadas com depressão e ansiedade. O que você pode fazer sobre isso? Seu médico pode conversar com você sobre tomar antidepressivos ou medicamentos ansiolíticos. Mas você também pode encontrar alívio ao conversar com um terapeuta sobre como está se sentindo e aprender a substituir pensamentos negativos por positivos.

Referência Médica WebMD Analisado por Minesh Khatri, MD em 10 de setembro de 2017

 

Mês da mulher: ginecologista esclarece algumas dúvidas sobre endometriose

Em homenagem ao mês da mulher, a especialista do H9J fala sobre algumas lendas relacionadas a doenças e destaca a cirurgia robótica como um dos tratamentos mais procurados contra a endometriose

Março é o mês de conscientização da endometriose e, para aproveitar o momento e falar dos cuidados com a saúde da mulher, Bárbara Murayama, ginecologista e Coordenadora da Clínica da Mulher do Hospital 9 de Julho, revela algumas respostas para as dúvidas mais comuns sobre a doença. “Muitas mulheres não conseguem o diagnóstico rápido da doença e podem sofrer até descobrir o tratamento mais assertivo” observa a especialista.

Quando o endométrio, tecido responsável pelo revestimento do útero passa a crescer fora do órgão, como nos ovários e tuba, intestino etc, a mulher pode ter uma série de sintomas que incluem cólicas intensas, dor durante a relação sexual, constipação ou mesmo infertilidade. Bárbara explica que os sintomas, caso não sejam tratados, podem alterar drasticamente o convívio social e a rotina da mulher. A especialista lembra ainda que há muitas dúvidas sobre como é caracterizada a doença, quais são os fatores de risco, sintomas e faixa etária de risco.

Para responder algumas dúvidas sobre a doença, Bárbara esclarece alguns pontos abaixo. Confira:

P-O tratamento da endometriose é feito apenas por intervenção cirúrgica?

Bárbara Murayama-A intervenção cirúrgica é parte do tratamento em muitos casos da doença, mas faz parte de uma gama de soluções para o controle da dor como o uso de medicações hormonais. Caso seja realmente indicada a intervenção cirúrgica, o procedimento robótico tem se mostrado cada vez mais efetivo pela rápida recuperação da paciente, menor perda de sangue durante o procedimento. Já para o médico, facilita na melhor visualização de pequenas lesões no endométrio com a visão 3D e maior assertividade no tratamento.

mulher deitada na cama dor doente

A endometriose causa dores intensas relacionadas a menstruação?

BM-As cólicas menstruais estão entre as dores que mais acometem as mulheres. Um dos sintomas mais característico de endometriose é a cólica intensa, incapacitante e com aumento progressivo da dor. Esse, porém, não é sempre o principal sintoma da doença, cujo tecido endometrial pode estar alojado em outras partes do corpo e muitas mulheres, apesar das lesões, não apresentam sintomas.

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P-Mulheres acima dos 30 anos têm maior risco de serem diagnosticadas com a doença?

BM-Não há uma faixa etária definida. Alguns diagnósticos são mais comuns em mulheres acima dos 30 anos, mas a doença pode atingir qualquer mulher a partir da primeira menstruação, durante toda a fase reprodutiva e, apesar de raro, na menopausa.

P-A endometriose é diagnosticada por exames de imagem e laboratoriais?

BM-Os exames por imagem são fundamentais para ajudar na investigação e mapeamento da doença. Para que este tipo de exame seja solicitado, porém, é importante que a paciente informe em detalhes o que vem sentindo durante a consulta médica, quando também é feito o exame ginecológico.

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A especialista ainda enfatiza a importância da visita periódica ao ginecologista como a principal forma de acompanhamento da saúde. “Vamos aproveitar o mês da mulher para conscientizar a todas sobre como é fundamental ter um ginecologista de confiança, que precisa ser acionado periodicamente, independentemente de qualquer sintoma”, afirma e finaliza: “até a endometriose pode ser assintomática, por isso, faça a sua parte em prol da saúde”.

Fonte: Hospital 9 de Julho

Sintomas da síndrome do intestino irritável em mulheres e homens

A síndrome do intestino irritável (SII) pode afetar homens e mulheres, mas ocorre com mais frequência em mulheres. Os sintomas comuns em ambos os sexos incluem:

=aumento ou diminuição do número de movimentos intestinais
=fezes mais aquosas, duras, grumosas ou com muco
=diarreia, constipação ou alternância entre os dois
=sensação de que os movimentos intestinais estão incompletos
=inchaço abdominal, cãibras, gases e/ou dores
=azia
=sentir-se desconfortável ou enjoado depois de comer uma refeição normal
=emergências de banheiro frequentes
=dor nas costas
=sintomas que pioram após as refeições

Um estudo publicado pela Fundação Internacional para Distúrbios Gastrointestinais Funcionais (IFFGD) mostrou que os homens nas culturas ocidentais são muito menos propensos do que as mulheres a reportar sinais de SII para o médico. Portanto, não existem dados sobre sintomas específicos de gênero. Os sintomas podem ser constantes, mas para a maioria das pessoas eles vêm e vão em ciclos, ocorrendo pelo menos três dias por mês.

Sintomas nas mulheres

As mulheres geralmente são diagnosticadas com SII durante o período de idade fértil. Elas também tendem a relatar mais distúrbios ginecológicos.

MULHER DOR ESTOMAGO COLICA

Menstruação

Muitas mulheres com a síndrome dizem que seus sintomas variam de acordo com seus ciclos menstruais. Antes e durante o período,  podem relatar ter mais dor abdominal e diarreia. Após a ovulação (dia 14 de um ciclo), podem sentir mais inchaço e constipação.

As mulheres que têm SII são mais propensas a experimentar:

=fadiga
=insônia
=sensibilidade alimentar
=dor lombar
=menstruação dolorosa
=cólicas
=TPM

Gravidez

Cerca de um terço de todas as mulheres grávidas dizem ter aumentado a azia, náuseas e evacuações intestinais ou constipação em comparação com o período em que não estavam grávidas. Quando se trata de vincular a gravidez com um aumento nos sintomas da síndrome, nenhuma pesquisa foi realizada. Mais estudos são necessários para descobrir se esses sintomas são devidos à pressão física do feto nos órgãos internos ou à SII.

Endometriose

A endometriose é uma doença em que o tecido que normalmente alinha o interior do útero cresce fora dele. Alguns estudos indicam que as mulheres com endometriose apresentam maior incidência de sintomas relacionados à síndrome, de acordo com a IFFGD.

Relações sexuais

Se você tem SII, pode experimentar uma diminuição no desejo sexual. Também pode ter desconforto e dor durante as relações sexuais. Isso pode ter um efeito poderoso nas relações sexuais.

Qualidade de vida

Ir ao banheiro frequentemente, sentir dor e desconforto geral podem tornar mais difícil para você trabalhar, ou mesmo fazer atividades em casa e em situações sociais. Muitas mulheres com a síndrome relatam sentimentos de depressão ou isolamento.

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Sintomas em homens

Estudos mostram que os homens nos países ocidentais são menos propensos do que as mulheres a relatar os sintomas da SII. Isso, infelizmente, resultou na falta de dados úteis.

Alguns pesquisadores sugerem que, devido a diferenças hormonais, o intestino masculino pode ser menos sensível aos sintomas da SII. Outros pensam que os homens simplesmente evitam procurar ajuda para tratar o problema.

Qualidade de vida

Como as mulheres, homens com SII podem enfrentar problemas com a intimidade sexual. Homens com a síndrome também podem enfrentar dificuldades em cumprir suas obrigações trabalhistas, domésticas e sociais. Eles também são mais propensos a sofrer de depressão.

Panorama

A síndrome do intestino irritável afeta homens e mulheres de maneiras semelhantes. Ainda não está claro se as mulheres experimentam mais surtos durante a menstruação e a gravidez. Também não está claro se os homens evitam notificar seus médicos sobre essa condição. Mais pesquisas precisam ser feitas sobre este transtorno e como ele afeta homens e mulheres.

Fonte: HealthLine