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Crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por ansiedade e estresse causados pela pandemia

Time de médicos deu dicas para prevenir os episódios de forte dor de cabeça durante a pandemia do Coronavírus e explicou como funcionam os tratamentos para o problema

Devido à pandemia do novo coronavírus, estamos passando por um período de grandes mudanças em nossos hábitos rotineiros. E, apesar das vacinas, os números de casos das doenças seguem altos, criando grande incerteza quanto ao futuro. Esses fatores podem resultar em grande quantidade de estresse e ansiedade, gerando até mesmo um impacto importante em nossa saúde.

“Por exemplo, muitas pessoas, principalmente aquelas que já possuem algum tipo de predisposição, podem sofrer com crises de enxaqueca. Isso porque nosso comportamento, emoções e estado mental influenciam fortemente no aparecimento do problema, já que, durante essas situações de alteração do humor, ocorrem mudanças na liberação das substâncias que o cérebro utiliza para minimizar a dor”, explica Paolo Rubez, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

Felizmente, é possível adotar alguns cuidados que vão ajudar a prevenir a recorrência dessas crises, principalmente no que diz respeito ao estilo de vida. “Não podemos menosprezar o valor de uma boa alimentação, uma rotina de exercícios físicos, meditação e tratamentos psicológicos. Comprimidos não fazem milagres. Mesmo ir ao neurologista não resolverá tudo sem esforço por parte do paciente”, diz o neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola).

Um dos cuidados importantes nesse sentido é controlar o estresse, o que pode ser feito por meio da programação da rotina. “Tente manter a mente ocupada. Procure ter horário para acordar, comer, trabalhar e para dormir. Ao se levantar, procure trocar de roupa. Não fique na cama de pijama o dia todo. Crie objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período. Mas, lembre-se de pausar por um momento. Ao final do dia, desconecte-se e realize algo que te dê prazer”, aconselha Rubez.

Foto: Ulrike Leone/Pixabay

A alimentação também é fundamental. De acordo com a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), os fortes sintomas da enxaqueca podem ser evitados e amenizados com uma alimentação equilibrada, principalmente com a inclusão de castanha-do-pará, atum, canela, vegetais verde-escuros e grão-de-bico na dieta. “Alimentos ricos em selênio e magnésio são importantes para diminuir o estresse, enquanto anti-histamínicos (presentes na canela e gengibre) inibem a produção de prostaglandina, responsável pela sensação de dor”, afirma a médica.

“É fundamental também evitar fast-foods, frituras e alimentos gordurosos, que têm perfil mais inflamatório e liberam prostaglandina, assim como diminuir o consumo de cafeinados, substâncias que alteram a circulação sanguínea e de bebidas alcoólicas, que promovem a dilatação dos vasos”, explica a médica. A prática regular de atividade física também é fundamental, pois libera substâncias que ajudam a controlar o estresse e promovem a sensação de bem-estar, algo muito importante nesse momento de grande ansiedade pelo qual estamos passando.

Porém, se mesmo com os cuidados acima as dores de cabeça não cessarem, vale a pena procurar um médico, que poderá realizar uma avaliação para diagnosticar corretamente o problema, pois a enxaqueca pode ser facilmente confundida com dores de cabeça passageiras. “Dores de cabeça ocorrem, na maioria das vezes, por duas causas comuns: tensional, que são dores geralmente mais leves que surgem nos dois lados da cabeça e não causam náusea ou irritabilidade com luz e cheiros fortes; e enxaqueca, quando a dor começa e permanece apenas de um lado, mas atrapalha muito a rotina do paciente, podendo gerar náusea, irritabilidade com a luz, sons e cheiros e redução da produtividade de forma geral”, afirma Batistella.

“De fato, a chance de estarmos lidando com uma dor de cabeça momentânea é maior do que de estarmos lidando com uma dor de cabeça crônica. Então, para identificarmos se há necessidade de um acompanhamento neurológico para dor de cabeça, precisamos considerar o impacto da dor na rotina social do paciente e o motivo do surgimento das dores. Por isso, à rigor, o ideal é que todos que possuem dor de cabeça procurem um neurologista ou clínico geral ao menos uma vez para receber orientação adequada”, recomenda o neurologista.

Uma vez que o quadro foi diagnosticado como enxaqueca, o médico poderá recomendar o melhor tratamento para cada caso. “A escolha do tratamento ideal para o paciente é difícil, exigindo que o médico e o paciente discutam profundamente todas as possibilidades. Mas hoje temos diversas opções para controlar o problema com bons resultados, incluindo desde o uso de medicamentos orais até procedimentos que utilizam toxina botulínica e medicamentos monoclonais”, destaca o neurologista.

Hoje já existe também a possibilidade da realização de uma cirurgia que, muitas vezes, é capaz de colocar um fim definitivo às fortes crises de enxaqueca. “A cirurgia de enxaqueca vem sendo realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma Rubez.

De acordo com o especialista, o procedimento é pouco invasivo e visa descomprimir e liberar os ramos periféricos dos nervos trigêmeo e occipital, que podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos e vasos sanguíneos, gerando a liberação de substâncias que desencadeiam a inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro e, consequentemente, favorecem o aparecimento dos sintomas da enxaqueca, como dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som. “

Ao todo, são sete tipos de cirurgias de enxaqueca, pois para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. Mas em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”, afirma o cirurgião.

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A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migranea (enxaqueca) feito por um neurologista e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações. Além disso, pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor, que tenham intolerância a estas medicações ou ainda que têm sua vida pessoal e profissional comprometida devido às dores também podem passar pelo procedimento.

“As cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral ou, em alguns casos, sob anestesia local, durando cerca de uma a duas horas para cada nervo. E o melhor é que o paciente tem alta no mesmo dia, podendo voltar para casa”, finaliza Rubez.

Como entender, diferenciar e tratar a enxaqueca e uma dor de cabeça momentânea

Quadros mais graves de enxaqueca podem gerar náuseas, irritabilidade com a luz, sons e cheiros e reduzir até a produtividade no trabalho

Dor de cabeça ou enxaqueca? Independente do diagnóstico, uma coisa é fato: não espere a dor piorar para tomar o remédio. Essa é o alerta do médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Abaixo, ele explica em 5 pontos como diferenciar e tratar as dores de cabeça e enxaqueca:

O que diferencia a enxaqueca de uma dor de cabeça momentânea?
Batistella: De fato, a chance de estarmos lidando com uma dor de cabeça momentânea é, aparentemente, maior do que estarmos lidando com uma dor de cabeça crônica ou uma dor de cabeça relacionada a uma doença grave ainda não descoberta. Dores de cabeça são, na maioria das vezes, por duas causas comuns e passageiras: tensional (dores geralmente mais leves que uma crise de enxaqueca, sendo notada nos dois lados da cabeça e sem uma sensação de náusea, irritabilidade com a luz e cheiros fortes) e enxaqueca (geralmente começa e fica de um lado da cabeça, atrapalha muito a rotina da pessoa, pode gerar muita náusea, irritabilidade com a luz, sons e cheiros, e pode gerar até mesmo dias perdidos no trabalho ou redução da produtividade de forma geral). Para termos uma ideia de quando precisamos de um acompanhamento neurológico para dor de cabeça, com certeza devemos considerar se a dor está impactando o paciente na sua rotina social, trabalho, reuniões de família, e principalmente quando não se sabe ainda o motivo da dor de cabeça e como tratar. A rigor, gostaríamos de que todos que possuem dor de cabeça procurassem um neurologista ou clínico geral ao menos uma vez, para orientação, mas muitas vezes isto não é possível, e culturalmente não temos este hábito. Acredito ser importante orientar que, na maior parte das vezes, a consulta irá ensinar a usar o que temos disponível na farmácia, de forma racional e controlada, evitando idas desnecessárias a um pronto-socorro, e evitando até mesmo muitas consultas médicas, mantendo o paciente na sua rotina confortável. Dores mais crônicas podem demandar mais no início, mas assim que controlarmos o paciente, vamos ‘dando um espaço’ para ele respirar das consultas e retornar a sua vida habitual.”

Quais as origens mais comuns da cefaleia?
Batistella:
A origem exata da dor de cabeça ainda está para ser melhor esclarecida na Medicina, mas podemos, com alguma certeza, apontar que neurônios sensitivos em alguns locais do cérebro estão mais ‘abertos’ aos estímulos, ficando muito ativos e gerando um processo neuroinflamatório que culmina na dor de cabeça. Não acredito que isto por si só vai explicar todos os tipos de dores de cabeça que podemos ter, mas esta hipótese nos ajuda a guiar o tratamento do paciente da melhor forma. Fica um pouco mais fácil entender o motivo do estresse gerar dor, assim como muita luz, barulhos intensos, cheiros muito fortes e outros. Com o passar do tempo o mecanismo de cada dor vem ficando mais claro, e podemos ter fé que novas formas mais efetivas de tratar irão surgir.”

No caso de uma dor de cabeça momentânea, como tratar o sintoma?
Batistella:
A dica é lembrar qual remédio geralmente funciona na rotina do paciente, podemos ter diversas opções. Gosto de ensinar aos meus pacientes que temos sempre que tratar na primeira hora de dor, mesmo que ele fique em dúvida se a dor irá crescer a ponto de precisar do remédio. Tratar na primeira hora aumenta a chance de eliminar, de vez, aquela crise, e reduz as chances de cronificação, então compensa! Outra dica, que considero muito importante, é tentar usar medicamentos que costumo chamar de ‘puros’, isto é, não combinados com diversos outros remédios, pois isto aumenta a chance de vício e redução ao longo do tempo da eficácia do remédio. Prefira sempre um remédio, um mecanismo de ação, como dipirona, paracetamol, ibuprofeno, e não os combinados com relaxantes musculares, cafeína etc. Tente sempre utilizar a dose correta sugerida, no Brasil temos o costume de utilizar doses menores, com medo do remédio, e isto não é correto.”

E no caso de um quadro crônico de enxaqueca, como tratar a doença?
Batistella:
Aqui temos um cenário difícil, mesmo, mas que vai exigir do médico e do paciente que ambos façam uma amizade no consultório, e se conheçam muito bem. Temos diversas opções, desde medicamentos orais até mesmo procedimentos utilizando toxina botulínica e medicamentos monoclonais, com bons resultados. A dor crônica pode ser muito incapacitante para o paciente, mesmo que ele não entenda isso, passando a ter uma noção do quanto atrapalhava somente quando sai do período de cronicidade. O tratamento deve ser algo contínuo, aqui o paciente deve entender que vai utilizar, por alguns meses ou até mais, um medicamento diário, devendo ser reavaliado periodicamente buscando resultados. O medicamento de uso diário não serve para tirar a dor naquele dia, mas sim para retirar o mecanismo que faz com que a dor venha todo dia, então o paciente deve entender que também irá aprender a usar remédios para dor do dia, somado ao tratamento diário para dor crônica. Sugiro também, neste contexto, que o paciente anote bem quantos comprimidos por semana ele toma de remédio, pois na grande maioria dos casos encontramos abuso de substâncias, e o desmame pode ajudar muito o paciente a sair do período de cronicidade, além de ser uma ótima economia de dinheiro para o paciente. O tratamento da dor crônica é muito mais efetiva hoje do que antigamente.”

Pode listar algumas dicas gerais para evitar a dor de cabeça?
Batistella:
Primeiramente já aviso que, na Neurologia de forma geral, tratamento algum estará completo sem que o paciente mude seu estilo de vida. Não menospreze uma boa alimentação, uma rotina de exercícios físicos, meditação ou tratamentos psicológicos. Não vamos fazer milagres com comprimidos, não devemos ter este pensamento de que ir ao neurologista resolverá tudo sem esforço por parte do paciente, infelizmente ainda não podemos terceirizar totalmente nosso tratamento para a equipe médica. Quando em tratamento, busque lembrar quais os medicamentos costumam ser efetivos, e tente entender se a dor é a mesma da passada. Dores que vêm piorando em intensidade, ficando mais frequentes na semana ou no mês, e mais resistentes aos medicamentos deveriam levar o paciente a buscar um neurologista. Dores que não passam com os medicamentos habituais, e estão atrapalhando muito a rotina do paciente, deveria ser conduzida com medicamentos venosos, num pronto-socorro, por exemplo, e de preferência num pronto-socorro com suporte neurológico. Quando com dor, evite computadores, evite televisão ou qualquer fonte luminosa direta artificial, isto inclui seu celular. Prefira não se exercitar neste dia, e nem fazer alimentações pesadas (evitar gordura, refrigerante, frituras, chocolates, sucos com açúcar e outros), e oriente seus familiares a reduzirem barulhos. Não se esqueça, tome o remédio já na primeira hora de dor, vamos aprender que não é correto deixar a dor piorar para tratar!”

Novos tratamentos

Um estudo da edição de agosto de 2020 do Journal of the American Society of Plastic Surgeons, maior revista científica de Cirurgia Plástica do mundo, afirma que as crises de enxaqueca podem ter um fim de forma segura por meio da cirurgia de enxaqueca. O artigo “A Comprehensive Review of Surgical Treatment of Migraine Surgery Safety and Efficacy”, feito em conjunto com o Comitê de Segurança do Paciente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, avaliou o procedimento como seguro e eficaz.

“Além disso, o artigo reforça a importância do tratamento a ser incorporado pelos cirurgiões plásticos e pelas sociedades de neurologia, como um tratamento padrão para a enxaqueca”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade de Cirurgia de Enxaqueca (EUA) e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University. O médico é um dos poucos no Brasil a realizar o procedimento.

“A Cirurgia de Enxaqueca é hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o médico.

A cirurgia para enxaqueca, disponível mais recentemente no Brasil e embasada cientificamente por uma série de estudos, promete ser um divisor de águas para quem sofre com o problema. O artigo foi uma revisão abrangente da literatura relevante publicada sobre o tema. Segundo o estudo, a experiência clínica recente com cirurgia de enxaqueca demonstrou a segurança e a eficácia da descompressão operatória dos nervos periféricos na face, cabeça e pescoço para aliviar os sintomas da enxaqueca. A cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som”, diz o médico.

Além da cirurgia, vários benefícios dos tratamentos com enxerto de gordura já foram publicados com relação à melhora nos sintomas da enxaqueca. Um estudo, de março de 2019 (Therapeutic Role of Fat Injection in the Treatment of Recalcitrant Migraine Headaches), publicado no Plastic and Reconstructive Surgery Journal, concluiu que os sintomas da enxaqueca foram reduzidos com sucesso na maioria dos casos com injeção de gordura. O tratamento feito realizado em pacientes que persistiam com alguma dor após a cirurgia de descompressão de nervos. “Diferentes moléculas secretadas por células-tronco do tecido adiposo expressam um efeito anti-inflamatório, melhorando a regeneração dos nervos, levando ao sucesso do resultado clínico. A dor foi melhorada em 7 de 9 pacientes no seguimento de 3 meses, segundo estudos”, diz Rubez.

O cirurgião destaca que a lipoenxertia tem se mostrado minimamente invasiva com poucos riscos, de fácil execução, além de um procedimento seguro, tolerável e eficaz na redução ou eliminação completa da neuropatia persistente. “Esta técnica demonstrou melhora significativa de sintomas, permitindo uma melhora importante da qualidade de vida com menos efeitos colaterais de drogas”, finaliza Rubez.

Fontes:
Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).
Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Sete hábitos para evitar a enxaqueca

A enxaqueca não se trata de simples dores de cabeça. Quem sofre desse quadro tem muita dificuldade em lidar com a intensidade da dor. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca é considerada a 10ª dor mais incapacitante em 15% da população mundial. No Brasil este número é aproximadamente de 30 milhões de pessoas sofrendo com essa dor.

Existem alguns hábitos que podem ajudar a combater crises de enxaqueca, o chefe da neurocirurgia do Hospital Federal da Lagoa e médico especialista em coluna Haroldo Chagas, relata sete maneiras para evitar sentir essas indesejáveis dores.

=Mantenha um equilíbrio alimentar, evitando o excesso de alimentos conhecidos por desencadear crises, como chocolates, frutas cítricas, sorvete, queijo, bebidas alcoólicas e outras ricas em cafeína;

=Tenha uma boa postura, observando a posição da cabeça e dos braços, além de cadeiras e mesas adequadas para trabalhar;

Foto: Scott Webb/Pixabay

=Evite exercícios pesados, não sobrecarregue seu corpo. Invista em atividades de relaxamento, que também contribuem para o alívio da enxaqueca;

=Mantenha o equilíbrio entre momentos de alta produtividade e de descanso;

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=Opte por produtos com perfume suave ou sem perfume e mantenha o ambiente ventilado. Perfumes fortes podem desencadear dores de cabeça;

Foto: Optix

=Faça pausas durante os períodos de leitura ou trabalho na frente do computador. A pressão ocular é um dos fatores analisados em diagnósticos de enxaqueca;

=Durma bem, e pelo tempo adequado. Falta e excesso de sono estão relacionados a crises de enxaqueca.

Fonte: Haroldo Chagas é neurocirurgião e cirurgião de coluna; graduado pela Escola de Medicina Souza Marques; especializou-se em Neurocirurgia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ; fez Cirurgia de coluna (2005-2006): Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ; Chefe da Neurocirurgia e do Centro Cirúrgico do Hospital Federal da Lagoa – RJ.


Entenda os tipos de cirurgias indicados ao tratamento de enxaqueca

Desenvolvida em 2000 e respaldada por vários estudos científicos, cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital, envolvidos nos pontos de dor.

A enxaqueca afeta 15% da população brasileira, segundo estatísticas, e já existe uma forma mais eficaz de lidar com o problema: a cirurgia. Hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard, o procedimento tem resultados muito positivos e semelhantes.

“As publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

Mas afinal, por que investir em uma cirurgia para enxaqueca? De acordo Rubez, a enxaqueca tem sido associada à compressão e irritação dos principais nervos sensitivos do rosto e da cabeça. “Em pessoas com predisposição genética para a enxaqueca os nervos podem sofrer compressões ao longo de seus trajetos e desencadear a cascata de sintomas da doença. O alívio cirúrgico da compressão nos nervos pode reduzir a frequência, a intensidade e a duração das dores de cabeça ou até mesmo eliminá-las”, destaca.

Da mesma forma, a cirurgia é uma opção muito vantajosa para pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor ou que tenham intolerância a essas medicações. Todos os tipos de cirurgia de enxaqueca são pouco invasivos, de forma que a cirurgia tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som”, diz o médico.

A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migrânea (enxaqueca) feito por um neurologista, e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações; pacientes que tenham muitos efeitos colaterais com as medicações; ou ainda em pacientes que desejam realizar o procedimento devido ao grande comprometimento que as dores causam em sua vida pessoal e profissional.

Segundo o especialista, são sete os tipos de cirurgia, pois para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. O cirurgião explica que cada cirurgia foi desenvolvida para gerar a menor alteração possível na fisiologia local. “Em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”.

Conheça abaixo cada um deles:

Frontal – um dos tipos mais comum e é realizado para os pacientes que têm o início das dores na região dos supercílios, segundo o médico. “Esta cirurgia é feita a partir de incisões nas pálpebras superiores, como nas blefaroplastias, ou incisões no couro cabeludo. As cicatrizes, portanto, ficam imperceptíveis. Nesta cirurgia, é realizada a remoção dos músculos corrugadores do supercílio, depressores do supercílio e próceros, além de artérias locais, que causam irritação aos ramos supraorbital e supratroclear do nervo trigêmeo”, afirma o médico. Além de tratar a enxaqueca, o paciente desse tipo de cirurgia, como consequência do procedimento, diminui a formação de rugas nestas áreas, contribuindo para um efeito rejuvenescedor da face.

Temporal – “Neste procedimento as incisões são realizadas no couro cabeludo, e tem como objetivo descomprimir ou ressecar parte do nervo zigomático-temporal, o qual é rotineiramente lesado em cirurgias estéticas para a face”, afirma o médico. A perda parcial de sensibilidade na região temporal pode ser temporária ou definitiva e nesta cirurgia também ocorre efeito rejuvenescedor da face, uma vez que os tecidos da região são levemente tracionados para lateral, causando elevação discreta da sobrancelha.

Aurículo-temporal – pacientes que apresentem dores na lateral da cabeça, ou seja, nas têmporas, podem se submeter a cirurgia para o nervo aurículo-temporal. “Assim como as demais, fará a descompressão dos nervos localizados na região temporal — bem próximo à orelha—, minimizando os sintomas da enxaqueca. Em alguns casos, a condição pode ser eliminada por completo. Esta cirurgia pode ser feita sob anestesia local, com duração de cerca de 15 minutos”, afirma o médico.

Numular – trata-se de um procedimento realizado sob anestesia local, com duração em torno de 15 minutos. “As dores são na região do couro cabeludo, mais comumente nas laterais da cabeça. O paciente em geral consegue identificar pontualmente o local de maior dor, que é confirmado com a utilização de um doppler. Através de pequena incisão é realizada a neurotomia de pequenos ramos nervosos, sendo que a cicatriz fica disfarçada pelo cabelo”, explica Rubez.

Rinogênico – trata-se de cirurgia realizada toda por dentro do nariz, e destinada para os pacientes que apresentam dores que se iniciam atrás dos olhos, por exemplo, causadas por variações do clima. “Os contatos entre o septo desviado e os cornetos (ou carne esponjosa) ativam a cascata de dores neste caso. O intuito da cirurgia, portanto, é corrigir eventuais desvios ou esporões do septo, hipertrofias de cornetos ou conchas bulhosas. Esta cirurgia vai promover um pós-operatório com melhora da respiração”, conta o especialista.

Occipital – este tipo é correspondente às dores atrás da cabeça ou na nuca, que podem ser causadas pela irritação de diversos nervos, sendo o principal o nervo occipital maior. “A compressão do nervo pode ser feita por músculos ou vasos. Realiza-se, então, a remoção de parte do músculo semiespinal e descompressão do nervo em todo seu trajeto”, afirma.

Occipital Menor – o nervo occipital menor, quando apresenta compressão, faz com que o paciente tenha dores na região lateral da nuca, semelhantes a uma dor muscular. “Para melhorar a condição clínica, a cirurgia realiza a neurotomia (secção) do nervo. A incisão é pequena e no couro cabeludo do paciente, não resultando em cicatriz visível, e com melhora significativa do quadro de enxaqueca na grande maioria dos casos”, enfatiza o especialista.

Rubez enfatiza que as cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral e em alguns casos sob anestesia local. “A duração da cirurgia, para cada nervo, é de cerca de uma a duas horas, e o paciente tem alta no mesmo dia, ou no dia seguinte, para casa”, explica.

Como surgiu a cirurgia para enxaqueca

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A Cirurgia para Enxaqueca foi criada e desenvolvida, a partir de 2000, pelo cirurgião plástico Dr. Bahman Guyuron, em Cleveland nos EUA. Desde então, diversas equipes ao redor de todo o mundo vêm realizando este tipo de cirurgia com sucesso. Único médico a realizar a cirurgia em São Paulo, Rubez aprendeu detalhes das técnicas cirúrgicas desse procedimento com o médico Bahman Guyuron, por meio de sete estágios entre os anos de 2014 e 2019.

Segundo Rubez, o procedimento foi criado a partir de cirurgias estéticas para a região frontal ou superior da face, de forma que Guyuron notou que seus pacientes melhoravam das dores de enxaqueca, quando sofriam com o problema. Em 2005, Guyuron e sua equipe publicaram um estudo prospectivo com randomização entre um grupo tratado e um controle sem cirurgia, envolvendo no total 125 pacientes.

Do grupo tratado 92% dos pacientes obtiveram sucesso com a cirurgia, sendo que 35% apresentaram eliminação completa dos quadros de Enxaqueca. “Nos trabalhos científicos sobre a Cirurgia de Enxaqueca, o sucesso do procedimento é definido como uma melhora de no mínimo 50% na intensidade, duração e frequência das crises. Este mesmo grupo de pacientes foi acompanhado por cinco anos e, em nova publicação de 2011, comprovou-se a manutenção da melhora dos pacientes operados”, finaliza.

Fonte: Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Cinco exemplos de doenças psicossomáticas mais comuns

Quem nunca sentiu uma dor específica ou um mal-estar e, ao ir ao médico e fazer os exames solicitados, descobriu que o problema tinha origem emocional? Atualmente, a relação entre doenças físicas e emocionais é bastante comum. Aquilo que antigamente ganhava o nome de “histeria”, nos dias atuais, nós chamamos de “estados conversivos”, nos quais o paciente sente dores, desmaios, parestesias ou outros sintomas, sem que nenhum exame laboratorial ou de imagem corrobore a organicidade dos mesmos.

Segundo Alexandre Pedro, psicanalista pela Sociedade Internacional de Psicanálise de São Paulo e Master Practitioner de PNL filiado ao NLP Academy, os problemas emocionais geram excesso da descarga de adrenalina causada por uma disfunção nos neurotransmissores, ocasionando uma psicossomatização, ou seja, os efeitos psíquicos se refletem na parte fisiológica do organismo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a mente doente pode desenvolver enfermidades graves como câncer ou infarto. Segundo a organização, cerca de 60% dos pacientes que procuram ajuda médica sofrem de sintomas gerados pela somatização.

Mas o que são doenças psicossomáticas?

Elas apresentam sintomas físicos, mas não têm origem ou causa identificada em exames. Estar sob forte pressão no trabalho, ter passado por um rompimento amoroso abrupto, pela perda de um ente querido ou estar com problemas financeiros, são exemplos de situações que podem levar o indivíduo a uma condição de estresse, ansiedade e tristeza tão grave que o seu estado mental transcende e acaba afetando o emocional. Assim, tudo que a pessoa sente na mente e em seu coração acaba se manifestando fisicamente, causando mal-estar e dores pelo corpo. Isso é a somatização, quando alguém absorve no corpo os seus desequilíbrios emocionais e mentais.

Cinco exemplos de doenças psicossomáticas mais comuns

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– Resfriados frequentes: quando os episódios acontecem com frequência é sinal de que há algo de errado. Se os exames médicos não encontram uma explicação lógica para essa imunidade sempre baixa e você está passando por dificuldades, a somatização pode ser a resposta.

– Herpes: o vírus é transmitido por contato com uma pessoa infectada. Entretanto, ele se manifesta em ocasiões de baixa imunidade. Ter episódios constantes de herpes, em especial, a labial, indica que o indivíduo apresenta alguma desordem no organismo. As feridas podem surgir em momentos de muito estresse. Os sintomas são surgimento de feridas ao redor da boca ou na região genital, com fortes dores e sensação de queimação no local.

dor cabeça mulher
– Enxaquecas: não é uma dor de cabeça convencional, podendo durar algumas horas ou até dias. Alguns casos são incapacitantes, ou seja, a pessoa não consegue realizar atividades rotineiras. Estudos científicos apontam que o principal gatilho para o episódio de enxaqueca é o estresse. Por isso, ela também é considerada uma doença psicossomática. Os sintomas são dor intensa e localizada em um ponto da cabeça, náuseas e falta de concentração.

– Alergia nervosa: talvez você nunca tenha ouvido falar, mas existe um tipo de alergia de fundo nervoso, em que o indivíduo apresenta erupções na pele desencadeadas por um forte processo de estresse. Uma crise, se não for tratada, pode acarretar em um choque anafilático. Os sintomas são surgimento de erupções na pele, coceira, vermelhidão no local e irritabilidade.

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– Diarreia: em algumas pessoas, episódios de diarreia são decorrentes de forte estresse. Quando a diarreia se mostra constante e não há uma explicação física, como a Síndrome do Intestino Irritável, é bem possível que se configure como um caso de doença psicossomática. Os sintomas são dores abdominais, fezes extremamente líquidas e episódios constantes e frequentes de emergência para ir ao banheiro.

De acordo com o psicanalista Alexandre Pedro, a psicoterapia, às vezes associada à medicação, é a melhor forma de evitar ou diminuir essas reações. “A junção destas duas formas de tratamento é sempre o mais indicado para os transtornos mentais atuais, sejam eles transtornos de humor, como a depressão ou de ansiedade, sejam eles transtornos bipolares, esquizofrênicos, ou mesmo de personalidade, como de borderline. Em casos mais graves, como uma depressão severa, o emocional pode levar o paciente ao suicídio. Daí a importância de procurar ajuda de um profissional de saúde mental, ao menor sinal de que algo não vai bem”, reforça o especialista.

Santa Casa promove mutirão sobre enxaqueca em metrôs de São Paulo

Atendimento gratuito acontece no dia 30 de março nas estações do metrô da linha 4-Amarela e trará informações sobre a doença que atinge 30 milhões de brasileiros¹

No dia 30 de março (sábado), a Santa Casa de Misericórdia, em parceria com a Novartis, promoverá ações de saúde sobre a enxaqueca, os riscos da automedicação e o impacto da doença na qualidade de vida dos pacientes. A equipe de profissionais de saúde, composta por médicos e médicos residentes, estarão nas estações de metrô Luz, Paulista e Butantã, das 8h30 às 16h30.

“O mutirão é importante porque muitos pacientes subestimam a doença que atinge 15 a cada 100 brasileiros, o que equivale a 30 milhões de pessoas no país, com impacto direto na produtividade no trabalho, na vida pessoal e familiar de quem sofre com a enxaqueca”, ressalta Renan Domingues, professor de neurologia e coordenador do setor de Cefaleias da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

Durante a ação, serão feitos esclarecimentos e aconselhamentos sobre tratamentos disponíveis no Brasil, bem como distribuição de materiais educativos. Além disso, os que aderirem ao mutirão, poderão responder a um questionário sobre a prevalência das dores, escalas de impacto, entre outros aspectos. A coleta das informações será feita a partir de um aplicativo cuja funcionalidade foi desenvolvida especificamente para a realização de pesquisas em enxaqueca.

“Iniciativas como essa servem para alertar sobre a importância do tratamento preventivo (profilático), para os perigos do consumo crescente do uso de analgésicos – que pode piorar o quadro da enxaqueca -, e para as mudanças no estilo de vida que auxiliam no tratamento”, acrescenta.

A enxaqueca é um dos tipos de cefaleia (dor de cabeça) primária – que não tem causa conhecida e não pode ser explicada por meio de exames clínicos ou laboratoriais – e envolve ataques de dor de cabeça recorrentes com intensidade de moderada a severa. De característica pulsante, é acompanhada por outros sintomas como náuseas, vômitos, e sensibilidade à luz e ao som. Os sintomas de quem sofre de enxaqueca podem durar dias e a doença acaba sendo mais comum nas mulheres, em uma proporção de 2:1, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

dor cabeça mulher

Além da causa da migrânea – outro nome dado à enxaqueca – ser desconhecida, os gatilhos também não são completamente compreendidos. Entretanto, o peptídeo relacionado aos genes de calcitonina (CGRP) tem papel importante no processo desencadeador das crises de enxaqueca.

“A causa da enxaqueca é desconhecida, o que se sabe é que fatores ambientais e genéticos podem desencadear as crises e um dos problemas recorrentes de quem sofre com a doença é a automedicação e a busca por um neurologista acaba postergada para quando os sintomas se tornam graves. O diagnóstico costuma ser complexo, pois os sintomas podem sugerir outras doenças”, esclarece Domingues.

Mutirão de Enxaqueca da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo
Data: 30/03
Horário: das 8h30 às 16h30
Locais: Estações de Metrô Luz, Paulista e Butantã (Linha 4-Amarela)

Fonte: Novartis

Cardiologista do HCor alerta: enxaqueca pode levar a infartos e derrames

A enxaqueca é uma doença que pode tornar a pessoa incapacitada. Ela deve ser tratada com muita seriedade e controle porque aumenta o risco de AVC e infarto, assim como a hipertensão, o colesterol alto e o tabagismo

Um estudo feito nos Estados Unidos mostrou que as mulheres que têm enxaqueca correm um risco muito maior de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Mais grave ainda, se elas usam anticoncepcionais. Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), estima-se que a enxaqueca atinja de 12% a 15% da população geral, com uma prevalência de 17% entre as mulheres.

Com a predominância da doença, durante 15 anos, 574 pacientes com idade entre 55 e 94 anos foram acompanhados através de exames neurológicos e questionários sobre a doença. Inicialmente, a intenção era avaliar a ligação entre a enxaqueca e a aterosclerose, analisando o risco de tromboembolismo venoso.

Os resultados foram publicados na revista Neurology e constataram que os riscos para desenvolver o tromboembolismo estavam presentes em 18,9% das pessoas que sofrem com as dores de cabeça e tiveram problemas cardiovasculares, contra 7,6% dos pacientes que não apresentavam enxaquecas. Enquanto isso, a tendência para aterosclerose não foi constatada ou tida com menor tendência.

De acordo com o cardiologista e responsável pelo Programa de Infarto Agudo do Miocárdio HCor (Hospital do Coração), Leopoldo Piegas, durante a crise de enxaqueca a pessoa sofre uma isquemia rápida (insuficiência de irrigação sanguínea), que normalmente regride sozinha.

“Mas, em alguns pacientes, essa isquemia se mantém e pode provocar a morte celular na área afetada pela isquemia. O anticoncepcional, assim como o cigarro, é outro fator de risco que pode comprometer a circulação do sangue. Por isso, as mulheres que somam esses dois componentes à enxaqueca correm sérios riscos”, explica o médico.

dor cabeça mulher

A enxaqueca é uma doença que pode tornar a pessoa incapacitada. Ela deve ser tratada com muita seriedade e controle porque aumenta o risco de AVC e infarto, assim como a hipertensão, o colesterol alto e o tabagismo. Trata-se de uma doença hereditária e, na maioria dos casos, a automedicação pode ser uma cilada.

Para o médico, a dica é registrar as manifestações e crises em um caderno de anotações. “Fatores como duração e horários predominantes, intensidade e localização da dor, sintoma, entre outros, devem ser observados. A alimentação de quem tem enxaqueca deve ser balanceada, com intervalos regulares entre uma refeição e outra. Outra dica é evitar o uso de substâncias estimulantes em excesso, como a cafeína, pois são fatores importantes que podem provocar as crises”, esclarece Piegas.

Fique atento aos sintomas associados da enxaqueca: náusea, vômitos, bocejos, irritabilidade, sensibilidade à luz, sensibilidade ao som, sensibilidade ao movimento do corpo ou do ambiente, tontura, fadiga, mudanças de apetite, problemas de concentração, dificuldade para encontrar as palavras etc.

Durante as crises de enxaqueca, siga algumas recomendações: tome os medicamentos, entenda o que alivia a sua dor, trate os sintomas separadamente, descanse em um local escuro e silencioso, faça refeições leve e hidrate-se.

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De olho nos fatores de risco de infarto: homens acima dos 45 anos e mulheres com 55 anos ou mais têm maior propensão ao infarto, tabagismo, hipertensão, colesterol elevado, diabetes, histórico familiar de infarto, sedentarismo, obesidade, estresse, alcoolismo e uso de drogas ilegais estimulantes.

Sintomas associados ao infarto: vômitos, suor frio, fraqueza intensa, palpitações, falta de ar, sensação de ansiedade, fadiga, sonolência, desmaio e tontura.

Fonte: HCor

Dor de cabeça: quando devo procurar um médico?

Estar atento à frequência e aos sintomas que acompanham as cefaleias é fundamental para saber o melhor momento de marcar uma consulta com um especialista

A cena é familiar: após chegar em casa do trabalho, a cabeça lateja e o corpo pede repouso. Basta um simples comprimido analgésico e uma noite de sono para a dor desaparecer e o dia seguinte ser produtivo. Mas, quando esse cenário vira rotina e prejudica a qualidade de vida, ou vem acompanhado de outros sintomas, deve-se ficar atento e procurar ajuda médica.

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“Existem inúmeros tipos de dor de cabeça. Por vezes não é ela própria o problema, como no caso da habitual enxaqueca ou da cefaleia tensional, mas, sim, um sintoma de algo mais grave. Caso a dor de cabeça mude de característica em relação ao que se está acostumado, tornando-se intensa e noturna, ou venha acompanhada de alterações na visão, enjoos, vômitos e até crises convulsivas, é preciso procurar um médico. Para o diagnóstico correto da causa desses sintomas, podem ser solicitados exames como tomografia e ressonância magnética cerebral”, explica Marcelo Prudente do Espirito Santo, neurocirurgião do Hospital Santa Catarina (SP).

Ao consultar o médico, tenha em mãos as seguintes informações sobre as dores de cabeça que vem sentindo, para facilitar o diálogo com o profissional e até o diagnóstico: quanto tempo a dor costuma durar? Em qual região ela é sentida? Qual é a intensidade? Que tipo de dor é (crônica, aguda)? Quais outros sintomas a acompanham?

O que não fazer se as dores de cabeça forem frequentes

Evite o uso excessivo de analgésicos, pois eles podem levar a um ciclo vicioso de dor e por vezes agravar o caso. Se os episódios de crise de enxaqueca ocorrerem dez ou 15 vezes por mês, essa recomendação deve ser seguida à risca. “Algumas células no sistema nervoso central produzem endorfina, que ajuda no combate à dor. O uso frequente de analgésicos acaba prejudicando a produção dessa substância, obrigando o paciente a toma-los cada vez mais, uma vez que as dores de cabeça se intensificam bastante”, afirma doutor Marcelo.

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Nesses casos, é indicado suspender a medicação para que o sistema nervoso volte a produzir endorfinas e o organismo desenvolva sua defesa natural contra as dores de cabeça frequentes.

“Embora a interrupção do uso de analgésicos nesta situação possa fazer com que o indivíduo sofra por um período, depois ele estará livre delas, graças ao aumento da produção de endorfinas”, conclui o especialista.

Fonte: Hospital Santa Catarina

SII, enxaquecas e cefaleia de tensão podem estar geneticamente ligadas?

Por Honor Whiteman

Uma pesquisa, apresentada na 68ª Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia em Vancouver, no Canadá, em 2016, descobriu que pode haver uma associação genética entre enxaquecas, cefaleia tipo tensão e síndrome do intestino irritável.

A síndrome do intestino irritável (SII) é uma desordem do sistema digestivo, caracterizada por dor abdominal, desconforto e alterações nos padrões de movimentos intestinais. Estima-se que cerca de 25 a 45 milhões de pessoas nos EUA tenham SII, sendo mais comum entre as mulheres que em homens.

A causa exata da SII não está clara, embora os pesquisadores sugiram que a condição pode surgir como resultado de mudanças na forma como o intestino, o cérebro e o sistema nervoso se comunicam.

Além disso, pesquisas anteriores mostraram que pessoas com a síndrome e outros distúrbios gastrointestinais muitas vezes têm mais dores de cabeça ou enxaquecas do que aqueles sem tais distúrbios. As condições podem estar vinculadas? É o que estudou a co-autora, Derya Uluduz, da Universidade de Istambul na Turquia, e seus colegas para estabelecer o resultado.

Genes da SII e dos grupos de dor de cabeça diferiram dos das pessoas saudáveis

Para atingir a descoberta, os pesquisadores inscreveram 107 pacientes com enxaqueca episódica, 53 pacientes com cefaleia de tensão episódica, 107 pacientes com SII e 53 controles saudáveis.

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Fatos rápidos sobre SII

-Em todo o mundo, entre 9% a 23% das pessoas têm SII;
-A maioria das pessoas que tem SII tem menos de 50 anos, embora a condição também possa afetar adultos mais velhos;
-Cerca de 2 em 3 pessoas com ISS são mulheres.

A equipe avaliou os pacientes com SII para qualquer incidência de enxaqueca e cefaleia de tensão, enquanto a incidência de SII foi avaliada em pacientes com enxaqueca ou cefaleia de tensão.

Em comparação com os pacientes que tinham cefaleia de tensão, aqueles com enxaqueca eram quase duas vezes mais propensos a ter SII; 54,2% dos pacientes com enxaqueca também apresentaram SII, em comparação com 28,3% das pessoas com cefaleia de tensão.

Entre os pacientes com SII, 35,5% também tinham enxaqueca e 22,4% também tinham cefaleia de tensão

Em seguida, os pesquisadores analisaram a presença do gene transportador da serotonina e do gene do receptor 2A de serotonina entre todos os grupos de pacientes e controles saudáveis.

“Nos pacientes com constipação da SII, a secreção de serotonina no plasma estava diminuída”, explicaram os autores. “Há defeito na sinalização de serotonina na SII e diminuição na serotonina mucosa e reatividade imune do transportador de serotonina”.

dor de cabeça

A equipe descobriu que pacientes com SII, enxaqueca ou cefaleia de tensão tinham pelo menos um gene diferente dos pacientes saudáveis, sugerindo que as três condições podem compartilhar uma ligação genética.

Comentando suas descobertas, a médica afirmou: “Uma vez que a dor de cabeça e a síndrome do intestino irritável são condições tão comuns e as causas para ambas são desconhecidas, descobrir uma possível ligação que pode lançar luz sobre a genética compartilhada dessas condições é encorajador. Mais estudos são necessários para explorar este possível elo. A descoberta de genes compartilhados pode levar a futuras estratégias de tratamento para essas condições crônicas”.

Fonte: MedicalNewsToday

Enxaqueca no verão: cuidados

Estudo publicado em 2009 estimou que 15,2% dos brasileiros sofrem com enxaqueca. Cerca de 40% da população foi diagnosticada com prováveis sintomas. Portanto, estima-se que metade dos habitantes do País possam ser vítimas do mal.

“A enxaqueca é uma cefaleia (dor de cabeça) primária, aquela que não é causada por outra doença. O diagnóstico é clínico e se caracteriza por uma dor que se localiza em um dos lados da cabeça. Tem duração entre quatro e 72 horas, quando não tratada; pode ser do tipo pulsátil (latejante), de forte intensidade e piora com o esforço ou com a movimentação da cabeça. As crises são, frequentemente, associadas a enjoo, às vezes, a vômitos, intolerância à claridade e ao barulho; e o exame neurológico deve ter resultado normal”, esclarece o neurologista Marcelo Ciciarelli, membro titular da ABN (Associação Brasileira de Neurologia), especialista em cefaleias e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Cefaleia.

mulher rosto

A despeito de não haver consenso sobre o aumento das crises de enxaqueca no verão, “é evidente que exposição à luz durante esse período do ano é muito maior e o estímulo pode funcionar como um gatilho para as crises. Um estudo mostrou que pacientes com enxaqueca com aura têm mais crises e mais fotofobia (intolerância à claridade) nessa época”.

Enxaqueca com aura caracteriza-se por fenômenos sensoriais, ou seja, envolve os sentidos como a visão, e também os fenômenos motores, aqueles que influenciam no movimento muscular. Esses fenômenos são temporários e duram entre 5 e 60 minutos. É um tipo de enxaqueca que acomete cerca de 10 a 15% dos pacientes e tem duas fases distintas: a de aura (chamada aura de enxaqueca) e a dor de cabeça propriamente dita.

Portanto, para evitar que as crises se tornem mais frequentes, é aconselhável diminuir o tempo de exposição ao sol e, se isso não for possível, utilizar óculos escuros para minimizar o estímulo luminoso. Outra dica do neurologista é beber bastante água.

“Independentemente da estação do ano, o paciente deve procurar o médico no caso de novas dores de cabeça, ou que iniciaram após um traumatismo craniano ou um esforço físico. O especialista também deve ser procurado nos episódios de dores de cabeça associadas a sinais de infecção, a paralisias, sonolência e confusão mental. Já no caso de dores crônicas, o profissional de saúde deve ser consultado quando elas ocorrem três ou mais vezes ao mês, por um período maior do que três meses”, ressalta Ciciarelli.

Como em outras enfermidades, a automedicação tem de ser sempre evitada: “Devemos lembrar que as dores de cabeça podem ser sintoma de outro problema, alguns potencialmente graves como os tumores, as hemorragias cerebrais, as sinusites e nesses casos os analgésicos podem mascarar tais enfermidades”.

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Ciciarelli também destaca que a automedicação pode levar a um uso indiscriminado de analgésicos, o que, dependendo da quantidade, pode promover aumento da frequência e da intensidade da dor e provocar uma dor que é chamada de cefaleia por uso excessivo de medicação.

Fonte: Associação Brasileira de Neurologia