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Proteína vegetal pode prevenir doenças como câncer e aumentar longevidade

Proteína vegetal pode prevenir doenças como câncer e aumentar longevidade, diz estudo recente

Em revisão publicada em julho no British Medical Journal, pesquisadores descobriram que aqueles que ingeriram mais proteína vegetal em sua dieta tiveram um risco 8% menor de morte prematura do que pessoas que raramente ou nunca consumiram esse tipo de alimento.

Adicionar à dieta mais proteína vegetal de fontes como leguminosas, grãos inteiros e nozes pode ajudá-lo a viver mais. Essa é a conclusão de uma revisão publicada em julho de 2020 no BMJ (British Medical Journal), segundo a qual para cada aumento de 3% no consumo diário de proteína vegetal foi associado a um risco 5% menor de morte prematura por todas as causas.

“Em um estudo recente foi confirmado que uma dieta à base de plantas e limitada em produtos animais beneficia a pressão arterial e reduz o risco de ataques cardíacos, derrames e doenças cardiovasculares. Mas essa nova revisão dá mais destaque à proteína vegetal, associando o seu consumo a um menor risco de morte por diversas causas, e incentivando o consumo de legumes, nozes e grãos no lugar de carnes vermelhas e processadas”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Os pesquisadores examinaram dados agrupados de 32 estudos publicados anteriormente, representando 715.128 participantes. Durante os períodos de acompanhamento variando de 3,5 a 32 anos, 113.039 pessoas morreram, incluindo 16.429 mortes por doenças cardiovasculares e 22.303 mortes por câncer.

“No geral, as pessoas que consumiram a maior parte da proteína total tiveram 6% menos probabilidade de morrer prematuramente do que os indivíduos com a menor quantidade de proteína em suas dietas. Mas quando os pesquisadores analisaram diferentes fontes de proteína separadamente, eles descobriram que apenas a proteína vegetal – e não a proteína animal – estava ligada a uma vida mais longa”, explica a médica.

Além disso, as pessoas que consumiram a maior parte da proteína vegetal tiveram um risco 12% menor de morte prematura por doença cardiovascular. “O maior consumo de proteína vegetal em substituição às carnes processadas e vermelhas é um comportamento que pode ajudar a reduzir o risco de várias doenças e morte prematura.”

A médica lembra, também, que, no caso da longevidade, apesar da inclusão de mais proteínas de origem vegetal na dieta ser fundamental, é necessário levar em consideração outros fatores, incluindo índice de massa corporal (IMC), tabagismo, consumo de álcool, hábitos de exercício e consumo total de calorias. Apesar disso, outros estudos também já vincularam dietas à base de plantas a uma vida mais longa. Por exemplo, um estudo (Fruit, vegetable, and legume intake, and cardiovascular disease and deaths in 18 countries (PURE): a prospective cohort study) publicado em agosto de 2017 no The Lancet acompanhou 135.335 pessoas por uma média de 7,5 anos e descobriu que comer pelo menos três porções por dia de frutas, vegetais e legumes estava associado a um risco até 22% menor de morte prematura de todas as causas e um risco até 42% menor de morte prematura por doença cardiovascular.

Outro estudo (Nut consumption and risk of cardiovascular disease, total cancer, all-cause and cause-specific mortality: a systematic review and dose-response meta-analysis of prospective studies), publicado em dezembro de 2016 na BMC Medicine, descobriu que cada porção adicionada de 28 gramas de nozes por dia estava associada a um risco 21% menor de doenças cardiovasculares e a uma chance 22% menor de morte prematura por todas as causas. “A carne vermelha e processada, por outro lado, parece ter o efeito oposto na longevidade, sugerem estudos anteriores”, afirma a médica.

Mas afinal, por que isso acontece?

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Segundo a médica, a proteína vegetal tende a ser rica em fibras, o que leva a uma maior satisfação e pode fazer com que as pessoas consumam menos calorias, além de ajudar a reduzir o colesterol.

“A fibra também é fermentada no intestino, o que aumenta a produção de bactérias benéficas que promovem a saúde do organismo como um todo. Além disso, a proteína vegetal é rica em antioxidantes que podem ajudar a prevenir ou retardar o desenvolvimento de muitas doenças crônicas, e polifenóis, que têm propriedades antioxidantes e têm sido associados a um menor risco de câncer”, afirma a nutróloga. “No geral, com todos esses compostos benéficos encontrados em proteínas vegetais, vemos redução da inflamação, menos toxinas, redução da pressão arterial e redução do risco de câncer, diabetes e doenças cardiovasculares”, acrescenta.

Pequenas maneiras de adicionar mais proteína vegetal à dieta

A médica dá algumas dicas para melhorar o consumo de proteínas vegetais:

*Para colher os benefícios das proteínas de origem vegetal, experimente adicionar uma porção dela no lugar de uma porção de proteínas de origem animal pelo menos uma vez por dia e, em seguida, vá aumentando a partir daí;

*Adicione sementes, nozes e leguminosas (feijões, ervilhas, lentilhas, grãos de bico) aos seus pratos, substituindo a proteína animal gradativamente até limitar seu consumo a três vezes por semana;

Foto: Milza/Morguefile

*Adicione 1 colher de sopa de semente de linhaça, gergelim ou chia moída ao seu smoothie ou vitamina matinal;

*Entre as grandes refeições, coma um punhado de nozes ou castanhas.

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Por fim, a médica diz que uma grande mudança pode ser mais simples ao planejar os menus para a semana. “Busque também receitas de alimentos integrais à base de plantas. Isso ajudará a incluir mais das proteínas vegetais na sua rotina alimentar”, finaliza.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Estudo aponta que ingestão diária de abacate pode combater colesterol ruim

Estudo realizado por pesquisadores americanos, publicado na revista Journal of Nutrition, constata benefício antioxidante do abacate em indivíduos obesos, quando ingerido corretamente na dieta.

O abacate promove diversos benefícios à saúde, se usado corretamente na dieta alimentícia; a hidratação da pele e a melhora da circulação sanguínea, por exemplo, são alguns deles. Segundo estudo publicado em setembro de 2019, pela revista americana Journal of Nutrition, pesquisadores descobriram outra vantagem em relação à ingestão regular da fruta: a redução do colesterol LDL (popularmente conhecido como “colesterol ruim”), que é prejudicial à saúde do coração.

Foto: Science of Cooking

Participaram do estudo 45 adultos, entre pessoas acima do peso ou com obesidade. Todos foram orientados a seguir a mesma dieta duas semanas antes do início do experimento. Em seguida, cada pessoa completou cinco semanas se alimentando conforme um dos seguintes regimes: pouca gordura, com gordura moderada ou com gordura moderada e um abacate por dia. Ao final do experimento, os participantes que ingeriram um abacate por dia apresentaram níveis menores de colesterol ruim, além de um aumento na taxa de luteína, um importante antioxidante.

“Isso mostra que, quando as pessoas incorporavam um abacate por dia à dieta, passam a ter menos partículas pequenas e densas de LDL. Todo LDL é prejudicial, mas o pequeno e denso é ainda pior. Os dados revelam que, ao passarem pela dieta do abacate, os participantes apresentaram menos dessas partículas e mais luteína, que pode ser o bioativo que protege o LDL de oxidar”, explica Marcella Garcez, Médica Nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Na dieta de gordura moderada seguida pelos participantes, havia os mesmos ácidos graxos monoinsaturados encontrados no abacate, mas mesmo assim os resultados não foram iguais ao do grupo que se alimentou da fruta. Apesar disso, Marcella afirma que os estudos precisam ser intensificados. “As pesquisas sobre os benefícios do abacate são relativamente novas, então é possível que estejamos apenas começando a aprender sobre como o alimento pode ajudar a saúde”, diz.

Para a nutróloga, as constatações do novo estudo e os resultados de trabalhos anteriores reforçam o quanto o abacate é um alimento que deve fazer parte das dietas. “Hoje, o chamamos de um superalimento, pois têm a capacidade de oferecer vários benefícios. É claro que ele precisa ser consumido de maneira correta, por isso o acompanhamento nutrológico é indispensável para que seja adicionada a quantidade correta à dieta de cada pessoa, de modo que os resultados sejam potencializados”, finaliza Marcella.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

 

 

 

 

Obesidade é uma das principais causas de depressão entre mulheres durante quarentena

Thais Mugani criou método para ajudar pessoas durante a quarentena a recuperar a autoestima e combater a obesidade, que é uma das principais causas de depressão entre mulheres segundo os mais recentes estudos

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a obesidade é definida como uma doença em que o excesso de gordura corporal acumulada pode atingir graus capazes de afetar a saúde. De acordo com um estudo feito pela USF Briosa, a obesidade e a depressão em mulheres tem uma relação muito forte. Foram ouvidas e acompanhadas 5.700 pessoas, sendo 62% mulheres, e 19% eram obesas. Entre elas, 30% sofriam com sintomas de depressão.

obesidade mulher

Em nível psicológico, diversos especialistas concordam que a alteração da imagem corporal resultante do aumento de peso poderá provocar uma desvalorização da autoimagem e do autoconceito, no obeso, diminuindo a autoestima. Em consequência, poderão surgir sintomas depressivos e ansiosos, uma diminuição da sensação de bem-estar e um aumento da sensação de inadequação social, com uma consequente degradação da relação interpessoal. Mas como combater a obesidade e recuperar o controle do corpo e da mente?

A especialista em estética e empreendedora Thais Mugani, CEO da Slimcenter, ressalta que a pesquisa veio mais uma vez confirmar algo que já se sabia pela experiência em consultório.

“A obesidade não tem apenas a ver com balanço energético, com a quantidade de calorias ingeridas, mas está associada a fatores complexos como genéticos, psicológicos, socioeconômicos, culturais e ambientais. Se nada é feito em relação a isto, este desequilíbrio tende a perpetuar-se, e por isso a obesidade é considerada uma doença crônica. Assim como a depressão, que já foi considerada a doença mais preocupante deste século, nas últimas décadas a obesidade tem adquirido proporções epidêmicas e a OMS reconhece que se não forem tomadas medidas drásticas para prevenir e tratar a obesidade, mais de 50% da população mundial será obesa em 2025. Hoje sabemos que ambas estão correlacionadas.”

Entendendo a obesidade

Thais aponta que muitos não entendem o que realmente significa o conceito de obesidade: “Muitas pessoas têm uma visão errada da obesidade, achando que ser obeso está relacionado a pessoas que quase não andam de tão pesadas e sedentárias que são, mas essa visão está completamente distorcida da verdade. Nas minhas consultorias já atendi centenas de mulheres que, aparentemente, estão somente com uma queixa de gordura localizada abdominal. No entanto, quando realizamos a bioimpedância, para verificar o percentual de gordura corporal, os números mostram que este percentual está bem acima do considerado saudável, enquadrando aquela paciente em um grau inicial de obesidade”.

Ela completa: “Como consequência, esta patologia leva a um aumento não apenas da possibilidade de ter uma visão distorcida e depreciativa da sua autoimagem, mas da prevalência da diabetes, hipertensão arterial, hiperuricemia, litíase vesicular, síndrome do ovário policístico, doença coronária, doença vascular cerebral, dificuldades respiratórias, apneia do sono e até mesmo pode enquadrar aquele paciente no grupo de risco do novo coronavírus.”

Identificando a pessoa com obesidade

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A especialista afirma que a obesidade não tem a ver com aspecto visual da pessoa e sim com dados da saúde e o percentual de gordura corporal: “Hoje existem muitas formas de identificar se o indivíduo é obeso, como a antropometria, bioimpedância, índice de massa corporal (IMC) e exames laboratoriais, entre outros recursos.”

Motivação para vencer a obesidade e a depressão

Tanto a obesidade quanto a depressão podem levar sérios prejuízos à saúde física, mental e emocional como doenças, relacionamentos destrutivos, auto desvalorização, isolamento social e até a morte.

“É importante que a mulher que passa por isso não se acomode, e sim lute para resgatar sua vida de volta, é preciso buscar ajuda.Uma mulher que se olha no espelho e não se reconhece mais, que as roupas que costumava usar agora não servem mais, que não tem ânimo para fazer nada por ela, que seus relacionamentos pessoais já não estão como antes, ela precisa dar uma basta e escolher se amar”, afirma a especialista.

Método online de emagrecimento

exercicio emagrecer saude zuzyusa pixabay

Mesmo com a quarentena e a pandemia da Covid-19, Thais revela que tem atendido seus clientes por meio de um protocolo exclusivo online que tem dado muitos resultados na recuperação da saúde e da autoestima: “Nesses dias de quarentena recebemos centenas de mensagens de mulheres que estavam se sentido mais ansiosas e depressivas devido ao ganho de peso nesse período. Isso nos deixou muito preocupados e pensamos em uma maneira de ajudar. Hoje, com o auxílio da tecnologia, podemos acompanhar cada paciente em suas residências, mesmo que não possam vir ao consultório.”

A solução encontrada por ela envolve parâmetros customizados de acordo com a complexidade e individualidade biológica de cada paciente: “Como a questão da obesidade não se resolve apenas comendo menos ou fazendo dieta, e sim tratando o problema como um todo, em nossos tratamentos temos a participação de uma equipe multidisciplinar de profissionais, com acompanhamento nutricional, acompanhamento psicológico, transformando os pensamentos limitantes e sabotadores em pensamentos vencedores”.

“Nós prezamos em respeitar esse momento difícil para a mulher. Então, escutamos, choramos juntas e comemoramos juntas, pois cada mulher livre da ansiedade e livre da depressão é uma grande vitória para nós. Nossas clientes tem emagrecido de 5 a 10 quilos em 4 semanas, e os resultados têm sido muito satisfatórios para todos”, finaliza Thais.

Ingerir um ovo por dia traz benefícios à saúde e não aumenta risco de doenças

De acordo com estudo realizado por pesquisadores da universidade McMaster e publicado em janeiro no The American Journal, a ingestão de um ovo por dia não aumenta o risco de doença cardiovascular ou diabetes.

Afinal, o ovo faz bem ou mal à saúde? Este é um alimento que gera bastante controvérsia; você já deve ter ouvido (ou lido em algum lugar) alguma opinião de especialista dizendo para ter cuidado com a ingestão excessiva de ovos, assim como, provavelmente, já escutou o contrário.

ovo

“De fato, o ovo possui propriedades muito benéficas, pois é uma ótima fonte de proteína de alta qualidade, minerais e possui vitaminas A, D e B12. No entanto, devido ao alto índice de gordura, alguns estudos já apontaram que o alimento pode estar relacionado ao aumento de colesterol no sangue, o que levaria a problemas cardíacos”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Ocorre que, de acordo com um novo estudo, publicado em janeiro e conduzido na Universidade McMaster, a ingestão moderada de ovos – aproximadamente um por dia -, não aumenta o risco de doença cardiovascular ou de diabetes, nem mesmo para pessoas que já possuem histórico dessas doenças.

A pesquisa utilizou dados de três outros estudos anteriores de longo prazo. Assim, os pesquisadores avaliaram cerca de 177 mil pessoas, distribuídas em 50 países dos seis continentes, e constatou que a ingestão moderada de ovos não aumenta o risco de doenças cardiovasculares (DVC) ou mortalidade entre aqueles com ou sem histórico de DCV ou diabetes. Além disso, não foi encontrada associação significativa entre a ingestão de ovos e colesterol na dieta e lipídios no sangue.

“Um fator muito interessante desse estudo é o fato de ter incluído informações do sul da Ásia, África, Oriente Médio e América do Sul, pois, geralmente, os estudos se concentram na América do Norte, Europa, China e Japão – países de alta renda. É importantíssimo, para uma investigação efetiva, que os estudos contemplem uma variedade maior de contextos culturais e socioeconômicos”, afirma.

Para chegar à conclusão, os pesquisadores revisaram todos os dados dos três estudos anteriores e observaram diversas discordâncias entre as pesquisas, o que evidencia a possibilidade de que os efeitos dos ovos à saúde possam depender, também, da dieta de fundo. Dessa forma, os ovos forneceriam efeitos diferentes, dependendo da qualidade da proteína na dieta.

Como exemplo: em regiões do mundo que consomem dietas ricas em carboidratos, principalmente carboidratos refinados, é menor a probabilidade de os ovos serem os alimentos prejudiciais e causadores de doenças cardiovasculares. Por isso, segundo a nutróloga, é ideal manter sempre a alimentação equilibrada e sob acompanhamento profissional.

ovo cozido Gimme Some Oven

Segundo Marcella, apesar de não haver consenso sobre a questão, é possível consumir o alimento de modo a minimizar os possíveis riscos: “O ideal é cozinhar o ovo da forma mais natural possível, com água, por exemplo, evitando fritá-lo com gorduras processadas como óleo ou margarina. Como não há consenso, o ideal é que, principalmente pessoas com diabetes e problemas cardiovasculares, consumam o alimento sob acompanhamento nutrológico e, além disso, tenham uma dieta balanceada e saudável elaborada pelo especialista”, destaca.

Fonte: Marcella Garcez é Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da ABRAN. A médica é Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

 

Dieta pobre pode levar à perda da visão

A mídia destaca os riscos para a saúde cardiovascular, obesidade e câncer, associados à má alimentação, mas a má nutrição também pode danificar permanentemente o sistema nervoso, principalmente a visão

Um caso extremo de comer “exigente” causou perda da visão em um jovem paciente, de acordo com um novo estudo de caso publicado no Annals of Internal Medicine. Os pesquisadores da Universidade de Bristol, que examinaram o caso, recomendam que os médicos considerem a neuropatia óptica nutricional em pacientes com sintomas visuais inexplicáveis ​​e dieta pobre, independentemente do Índice de Massa Corporal (IMC), para evitar perda permanente da visão.

junk food

“A neuropatia óptica nutricional é uma disfunção do nervo óptico, importante para a visão. A condição é reversível, se detectada cedo. Mas, se não tratada, pode levar a danos estruturais permanentes no nervo óptico e perda da visão”, afirma o oftalmologista Virgílio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares (IMO).

Em países desenvolvidos como o Reino Unido, as causas mais comuns de neuropatia óptica nutricional são problemas intestinais ou medicamentos que interferem na absorção de nutrientes importantes para o estômago. As causas puramente alimentares são menos comuns porque o suprimento de alimentos é bom, mas em outros lugares do mundo, pobreza, guerra e seca estão ligadas à desnutrição e a taxas mais altas de neuropatia óptica nutricional.

Cientistas clínicos da Bristol Medical School e do Bristol Eye Hospital examinaram o caso de um paciente adolescente que primeiro procurou um clínico geral com queixa de cansaço. A ligação entre seu estado nutricional e a visão não foi detectada muito mais tarde, quando sua deficiência visual tornou-se permanente.

Apesar de ser um “comedor exigente”, o paciente apresentava IMC e altura normais, sem sinais visíveis de desnutrição e não tomava medicamentos. Os testes iniciais mostraram anemia macrocítica e baixos níveis de vitamina B12, que foram tratados com injeções de vitamina B12 e orientação dietética.

Quando o paciente voltou ao hospital, um ano depois, os sintomas de perda auditiva e de visão haviam se desenvolvido, mas nenhuma causa foi encontrada. Aos 17 anos, a visão do paciente piorou progressivamente, a ponto de chegar à cegueira.

Investigações posteriores descobriram que o paciente apresentava deficiência de vitamina B12, baixos níveis de cobre e selênio, alto nível de zinco e acentuado nível reduzido de vitamina D e densidade mineral óssea. Desde o início do ensino médio, o paciente consumia uma dieta limitada a batatas fritas, pão branco e um pouco de carne de porco processada. No momento em que a condição do paciente foi diagnosticada, ele apresentava visão prejudicada permanentemente.

Os pesquisadores concluíram que a dieta junk food (alimentos com alto teor calórico, mas com níveis reduzidos de nutrientes) do paciente e a ingestão limitada de vitaminas e minerais nutricionais resultaram no aparecimento de neuropatia óptica nutricional. Eles sugerem que a condição pode se tornar mais prevalente no futuro, dado o consumo generalizado de junk food, em detrimento de opções mais nutritivas, e a crescente popularidade do veganismo (se a dieta vegana não for suplementada adequadamente para evitar a deficiência de vitamina B12).

That Vegan Brand - Gnocchi de Espinafre 4
Gnocchi de espinafre vegano

“A visão impacta nossa qualidade de vida, educação, emprego, interações sociais e saúde mental. O caso relatado no estudo destaca o impacto da dieta na saúde visual e física e o fato de que a ingestão de calorias e o IMC não são indicadores confiáveis ​​do estado nutricional”, afirma a neuro-oftalmologista Márcia Marques, que também integra o corpo clínico do IMO.

A equipe de pesquisadores recomenda que o histórico da dieta faça parte de qualquer exame clínico de rotina, como perguntar sobre tabagismo e ingestão de álcool. “Isso pode evitar que o diagnóstico de neuropatia óptica nutricional seja esquecido ou descartado, pois algumas perdas visuais associadas podem ser recuperadas totalmente se as deficiências nutricionais forem tratadas com antecedência suficiente”, afirma a oftalmologista Márcia Marques.

Fonte: IMO-Instituto de Moléstias Oculares

Estudo relaciona uso do celular com dor nas mãos; massageador alivia sintoma

Segundo estudo conduzido por Universidade na Suécia, o polegar é uma das regiões mais sensíveis. O dispositivo home device iPalm massageia as mãos, além de proporcionar sensação de bem-estar e alívio das dores

Atualmente, é cada vez mais fácil observar pessoas que não largam o celular por nada e passam o dia todo digitando e enviando mensagens. No entanto, isso pode trazer problemas, segundo estudo de 2018 conduzido pela Universidade de Gothenburg, na Suécia.

mulher celular cama

De acordo com a publicação, os movimentos altamente repetitivos têm sido identificados como um potencial fator de risco para distúrbios musculoesqueléticos relacionados ao uso de telefones celulares, sendo que o polegar é o que mais sofre.

Uma das formas de diminuir o impacto do problema é por meio de massageadores, como iPalm, da Basall. O aparelho portátil alivia a tensão e recupera as energias com uma massagem por pressão de ar (bolsas pneumáticas) e compressa quente, trazendo uma sensação de relaxamento e conforto.

Prático, iPalm possibilita programar o tempo de massageamento, ajustar os níveis de compressão e a temperatura. O aparelho ainda conta com um botão para descarga de pressão. Indicado para quem trabalha com computadores, teclados e mouses por muito tempo; heavy-users de smartphones; artistas que usam os dedos com frequência; pessoas que têm enrijecimento de dedos e em pontos da palma das mãos. Auxilia como complemento de terapias SPA das mãos.

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Com apenas 1.129 gramas, o dispositivo segue o conceito de home device (equipamentos que podem ser usados em casa e qualquer lugar).

Informações: Basall

Como os antidepressivos afetam as bactérias intestinais?

Pesquisas recentemente publicadas  examinam os efeitos de drogas psiquiátricas, incluindo antidepressivos, na composição de bactérias intestinais de roedores e de humanos. Mais e mais estudos estão apoiando o papel da microbiota intestinal em condições psiquiátricas.

Ansiedade e depressão são apenas algumas das condições de saúde mental que os pesquisadores associaram a alterações na composição da microbiota intestinal.

Por exemplo, um estudo recente publicado pela Medical News Today listou uma variedade de bactérias que contribuem para a criação de compostos neuroativos no intestino – isto é, substâncias que interagem com o sistema nervoso, influenciando a probabilidade de desenvolver depressão.

Outra pesquisa em ratos mostrou que roedores criados para serem livres de germes desenvolveram sintomas de ansiedade e depressão e tornaram-se socialmente retraídos. Portanto, dado esse vínculo íntimo entre a saúde mental e a composição das bactérias intestinais, os medicamentos psiquiátricos que afetam o humor também afetam a população de bactérias no intestino?

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Pesquisadores liderados por Sofia Cussotto, da University College Cork, na Irlanda, começaram a investigar isso em roedores. Primeiro, a equipe “investigou a atividade antimicrobiana dos psicotrópicos contra duas estirpes bacterianas residentes no intestino humano, Lactobacillus rhamnosus e Escherichia coli“.

Os psicotrópicos nos quais os pesquisadores se concentraram incluem: fluoxetina, escitalopram, venlafaxina, lítio, valproato e aripiprazol. Em seguida, os cientistas testaram “o impacto do tratamento crônico com esses medicamentos” na microbiota dos ratos.

Sofia e sua equipe publicaram a primeira parte dos resultados no ano passado na revista Psychopharmacology. Eles já apresentaram suas descobertas completas no Congresso do Colégio Europeu de Neuropsicofarmacologia, em Copenhague, na Dinamarca.

Os resultados do primeiro estudo desse tipo

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Os cientistas deram aos roedores medicamentos psiquiátricos por um período de quatro semanas, no final dos quais analisaram as composições da microbiota intestinal. Eles descobriram que o lítio e o valproato – ambos estabilizadores de humor que podem tratar doenças como transtorno bipolar – aumentaram o número de certos tipos de bactérias, como Clostridium, Peptoclostridium, Intestinibacter e Christenellaceae.

Por outro lado, inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS), como os antidepressivos fluoxetina e escitalopram, interromperam o crescimento de cepas bacterianas como Escherichia coli. “Descobrimos que certos medicamentos, incluindo o estabilizador de humor lítio e o antidepressivo fluoxetina, influenciaram a composição e a riqueza da microbiota intestinal”, diz a cientista.

“Embora algumas drogas psicotrópicas tenham sido previamente investigadas em ambientes in vitro, esta é a primeira evidência em um modelo animal”  Sofia Cussotto

Implicações da nova pesquisa

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Shape Magazine

Comentando de forma independente, Serguei Fetissov, professor de fisiologia da Universidade Rouen, na França, que não participou da pesquisa, oferece sua opinião sobre os resultados.

Ele diz: “Esses dados iniciais são intrigantes e dignos de uma investigação mais aprofundada. No momento, seria prematuro atribuir um papel direto das bactérias intestinais na ação dos medicamentos antidepressivos até que este trabalho possa ser reproduzido em seres humanos, o que autores agora esperam fazer. ”

De fato, Sofia e colegas estão atualmente tentando desvendar os efeitos que as drogas psiquiátricas podem ter sobre os indivíduos e, para esse fim, estão realizando um estudo observacional em larga escala em humanos.

“A composição da microbiota intestinal é muito sensível aos processos metabólicos do corpo e pode mudar naturalmente, por meio de mudanças metabólicas induzidas por drogas no cérebro e em outros órgãos”, explica Fetissov.

“Algumas das mudanças relatadas aqui, por exemplo, aumento de Christensenella, podem realmente ser benéficas, mas o significado geral das alterações da composição bacteriana induzidas por medicamentos na […] saúde metabólica e mental precisa de mais pesquisas”.

A pesquisadora principal do estudo também registra a importância dos resultados. “Existem várias implicações nesse trabalho”, diz ela.

“Primeiro de tudo, alguns estudos mostraram que pacientes deprimidos ou esquizofrênicos podem ter composição microbiológica alterada; portanto, drogas psicotrópicas podem funcionar nos micróbios intestinais como parte de seus mecanismos de ação. É claro que isso tem que ser provado”.

“Dado que os antidepressivos, por exemplo, funcionam em algumas pessoas, mas não em outras, a concessão de um subsídio para [o] microbioma pode alterar a resposta de um indivíduo aos antidepressivos. Por outro lado, os efeitos do direcionamento de microbioma podem ser responsáveis pelos efeitos colaterais associados ao esses medicamentos “. Sofia Cussotto

“Todas essas hipóteses precisam ser testadas em modelos pré-clínicos e em humanos, e este é o nosso próximo passo”, finaliza Sofia.

Fonte: MedicalNewsToday

Vitamina D tem papel importante no tratamento da depressão, mostra estudo

Pesquisa clínica aponta que ausência do nutriente aumenta em até 75% o risco de desenvolvimento da doença

A falta de vitamina D pode aumentar o risco de depressão em pessoas com mais de 50 anos. É o que aponta o estudo feito na Irlanda e publicado no Journal of Post-Acute e Long-Term Care Medicine. Especialistas responsáveis pela pesquisa acompanharam 3.965 pessoas nesta faixa etária durante quatro anos e constaram que 400 pessoas haviam desenvolvido depressão. Os participantes do grupo com nível baixo de vitamina D foram os que mostraram um risco 75% maior de apresentar a doença.

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O psiquiatra Kalil Dualibi, presidente do Departamento Científico de Psiquiatria da Associação Paulista de Medicina (APM), corrobora com a pesquisa e reforça que relação entre o nível de vitamina D e a saúde mental é estudada há séculos pela comunidade médica. “Para se ter como exemplo, em textos do Tratado de Hipócrates já havia menções sobre o hábito de tomar banho de sol para melhorar o humor”, explica.

A vitamina D pode ser útil para prevenir a depressão e também ajudar no tratamento de pacientes que já apresentam quadro depressivo. Para Dualibi, é fundamental verificar o nível de vitamina D nos pacientes com depressão e fazer suplementação sempre que necessário. “Atendi um paciente frustrado por estar em tratamento há tempos sem ter sucesso. Quando pedi exames, a vitamina D dele estava baixíssima, perto de 8ng/ml. Depois da suplementação, ele melhorou muito e nem precisei alterar as medicações”, afirma o médico.

Para o especialista, pessoas com depressão devem ter atenção especial quando o assunto é o nível de vitamina D – assim como as que apresentam doenças crônicas como diabetes, hipertensão e osteoporose. “Pacientes com depressão também estão entre os grupos de risco porque eles costumam não ter vontade de sair de casa e a exposição ao sol é muito importante para produção da vitamina D”, lembra o especialista.

A falta do nutriente também está associada à diminuição da imunidade e ao comprometimento da massa óssea, o que pode favorecer o desenvolvimento de osteoporose. Sem o nível ideal de vitamina D, apenas entre 10% e 15% do cálcio é absorvido pelo organismo. Além disso, a ausência da vitamina tem relação com a evolução do raquitismo e até alguns tipos de câncer.

Fontes de Vitamina D: o sol não precisa ser sua única alternativa

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Além da exposição ao sol de áreas específicas do corpo, como braços e pernas – durante 15 a 45 minutos, entre o período das 10h às 16h30 –, e sem filtro solar, o nível ideal de vitamina D pode ser alcançado também por fonte alimentar. Porém, garantir a ingesta adequada vitamina D só com alimentação é extremamente difícil.

De acordo com o médico para atingir 2.000UI de vitamina D seria preciso ingerir cerca de 422g de salmão por dia ou 706g de sardinha (seis latas) ou ainda 80 gemas de ovo. Uma opção mais prática e que não compromete a saúde é a suplementação. Atualmente no mercado, é possível encontrar a vitamina D em cápsulas moles, de fácil ingestão, como o lançamento de Addera D3 2000UI.

Shakes são uma opção para incrementar o consumo de proteína

Os substitutos parciais de refeição oferecem 20 g de proteína por porção, nutriente conhecido por ajudar no ganho de massa muscular, além de oferecer nutrientes essenciais para o organismo com calorias controladas

De acordo com o estudo Global Burden of Disease Study, nenhum país reduziu a taxa de obesidade nos últimos 27 anos. Na realidade, de 40 anos para cá, o problema quase triplicou se tornando uma epidemia, inclusive no Brasil.

Dentre os motivos que levam ao ganho excessivo de peso, estão o desequilíbrio entre as calorias consumidas e as gastas, além do sedentarismo, muito comum nas regiões urbanas. Isso é reforçado por situações que a vida moderna nos coloca, como a falta de tempo, as refeições feitas fora de casa, porções cada vez maiores à venda e a facilidade em comprar alimentos calóricos e com poucos nutrientes.

herbalife

Nesse cenário, os shakes¹ substitutos de refeição tornam-se opções interessantes não apenas para ajudar quem precisa perder peso, como também para pessoas que buscam se alimentar de forma mais saudável. Isso porque são práticos e possuem fórmula nutricionalmente balanceada que seguem toda uma legislação que regula e fiscaliza esse tipo de alimento.

Diferente dos suplementos de proteína, que têm como proposta de oferecer especialmente esse nutriente, os shakes substitutos de refeição possuem fórmula equilibrada, com calorias controladas e ótima densidade nutricional. Isso quer dizer que esse tipo de produto tem uma relação equilibrada de vitaminas e minerais por caloria.

“Esses shakes são projetados para diferentes objetivos. De uma maneira simplificada, os substitutos de refeições foram desenhados para ajudar no controle do peso e a manter uma alimentação equilibrada, enquanto os suplementos de proteínas são usados para o desempenho atlético. Mas ambos oferecem ótimas quantidades de proteína, essencial para o ganho de massa muscular quando utilizados com um programa de exercícios físicos”, explica o médico nutrólogo, Nataniel Viuniski, membro do Conselho de Assuntos de Nutrição da Herbalife Nutrition.

No entanto, a quantidade de proteína presente na fórmula dos substitutos de refeição também se destaca, com cerca de 20 g por porção. “Além da função de nutrir, a proteína está presente nesse produto para reduzir a fome e controlar o apetite. Por isso, é uma opção muito interessante para quem busca um estilo de vida saudável e ativo”, fala o médico.

Por oferecer muitos nutrientes com calorias controladas, o shake substituto de refeição possibilita à pessoa fazer um bom gerenciamento de seu peso. Ou seja, quando substituímos uma ou duas das três refeições principais diárias por um shake com menos calorias, obtemos um emagrecimento adequado, sem abrir mão dos nutrientes essenciais ao organismo.

“Para se ter ideia, um shake corretamente preparado oferece cerca de 200 calorias, enquanto um café da manhã, um almoço ou jantar pode variar facilmente de 500 a 800 calorias. É essa redução da ingestão de calorias a razão científica dos shakes substitutos de refeição funcionarem tão bem”, explica Viuniski.

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Um estudo realizado por cientistas da Universidade de Ulm, na Alemanha, avaliou dois grupos de obesos durante 12 meses. Um deles seguiu uma dieta rica em proteína, substituindo uma ou duas das refeições diárias por shakes. O outro grupo seguiu uma dieta de proteína com refeições convencionais. O resultado mostrou que, aqueles que consumiram o shake emagreceram mais e perderam mais gordura em relação ao outro grupo. Já a manutenção da massa magra foi semelhante em ambos. Portanto, na hora de escolher qual produto consumir, avalie qual é o seu real objetivo.

¹1Pó para o preparo de bebida para controle de peso. Para mais informações sobre esse produto, consulte o catálogo ou o site.

Fonte: Herbalife

Combate à violência infantil: crianças brasileiras querem ser ouvidas, aponta estudo

No país, 70% das crianças não se sentem protegidas contra maus-tratos, índice superior à média mundial, que é de 40%

A violência contra crianças é um grave problema nacional que ultrapassa gerações, classe social, cultura, gênero e status socioeconômico. No Brasil, 67% dos meninos e meninas com idades entre 10 e 12 anos não se sentem suficientemente protegidos contra a violência. O percentual é superior ao verificado mundialmente, que é de 40%.

É o que revela o estudo do ChildFund Brasil, agência humanitária internacional de proteção e assistência a crianças, adolescentes, jovens e famílias em situação de pobreza no país. O levantamento é um recorte nacional da pesquisa Small Voices Big Dreams 2019, realizada pelo ChildFund Alliance com quase 5.500 crianças com idades entre 10 e 12 anos de 15 países diferentes.

Para aprofundar a realidade brasileira, o ChildFund Brasil ouviu a opinião de 722 meninos e meninas nos estados em que atua: Minas Gerais, Ceará, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Amazonas, Piauí, Bahia e Goiás.

Outro dado relevante mostrado pela pesquisa é que, no Brasil, 90% dos meninos e meninas entrevistados rejeitam a violência física como um instrumento de educação. No levantamento global, esse percentual é de 69%.

Também há diferença entre os dados mundiais e brasileiros quanto à percepção sobre as ações de políticos e governantes para proteger as crianças contra a violência. No Brasil, menos de 3% das crianças acreditam que eles cumprem seu papel, contra 18,1% no mundo.

“Em regiões socialmente vulneráveis do Brasil, é possível observar aspectos mais agravantes com relação à prática de maus-tratos. Compreender todas as dimensões da violência e, principalmente, ouvir as expectativas e concepções das crianças é fundamental para erradicá-la”, afirma Águeda Barreto, assessora de Advocacy e Comunicação do ChildFund Brasil.

É preciso ouvir as crianças

criança psicologa

No Brasil, 26% dos meninos e meninas entrevistados acreditam que as opiniões infantis não são consideradas em questões que lhes dizem respeito. “O dado é preocupante, tendo em vista que a prevenção e o combate da violência contra as crianças exigem o reconhecimento e o respeito pelos direitos delas como indivíduos capazes de agir de forma autônoma e eficaz diante de situações que os afetam diretamente”, reforça Águeda.

O estudo aponta que, para prevenir e combater a violência, é essencial que os adultos ofereçam atenção, apoio e carinho às crianças, reconhecendo os seus direitos.

As principais causas da violência infantil, na avaliação das crianças brasileiras, são o fato de serem indefesas, a falta de conhecimento dos direitos que elas possuem e a perda de autocontrole dos adultos devido ao uso de substâncias.

Algumas das principais conclusões do estudo:

=De acordo com 83% dos entrevistados, os adultos deveriam amar mais as crianças: a oferta de atenção, apoio e carinho às crianças, por parte dos adultos, é um fator-chave na prevenção e no combate à violência;
=52% não concordam com a ideia de que as crianças não podem fazer nada para pôr fim à violência: a atitude delas, seja de denúncia seja de organização, constitui um importante mecanismo para prevenir a violência;
=Mais de 30% acreditam que as crianças não são suficientemente protegidas contra a violência no país em que vivem;
=A maioria das crianças percebe as ruas da vizinhança, praças, parques e transporte público como lugares de maior risco de violência;
=82% dos respondentes concordam que é mais comum meninas sofrerem maus-tratos ou outras formas de violência do que os meninos.

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Fonte: ChildFund Brasil