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Tempo seco: como se cuidar de maneira natural

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o nível ideal de umidade relativa do ar varia entre 40% e 70%. Nos últimos e nos próximos dias, o país todo enfrenta estado de atenção – já que a umidade do ar tem se mantido baixa.

E com um tempo muito seco, seguido ainda de oscilações de temperatura, é hora de tomar alguns cuidados para a saúde não sair prejudicada. O farmacêutico naturopata Jamar Tejada, da capital paulista, deixa algumas dicas.

Hidrate-se

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Para aumentar o consumo de água – que é essencial para manter o nível de hidratação corporal adequado nesses dias – os chás podem ser uma boa solução para variar nos sabores e consumir ainda mais líquidos.

Tenha plantas por perto

As plantas fazem o papel de umidificador caseiro já que liberam vapor no ar. Alguns exemplos são a aloe vera, palmeira de jardim e ficus e diversas outras espécies de philodendron e dracena que através das folhas, flores e caules deixam o ambiente mais úmido.

Umidificador caseiro

Para fazer um umidificador caseiro basta ferver duas xícaras de água em uma panela e colocar no ambiente ainda quente. Repetir a ação sempre que a água esfriar.

Homeopatia

A homeopatia ajuda a manter suas mucosas nasais saudáveis. A hydrastis ou paris quadrifólia são algumas utilizadas no trato respiratório e assim ajudam a restabelecer o equilíbrio. Ainda dentro da homeopatia podem ser utilizados os próprios tecidos da mucosa nasal, pulmão, laringe e faringe, chamados nosódios que quando indicados restabelecem a energia e integridade vital desses órgãos. Outro exemplo são as tinturas de algumas plantas como o eucalipto, que ajuda a expectorar e evita quadros de infecção que são tão comuns em clima seco.

Solução simples e natural

Foto: iStock

Para fazer uma solução nasal salina natural basta uma simples mistura de água com sal para ajudar a irrigar as mucosas. Para preparar o soro adicione 1 colher de chá de bicarbonato de sódio e 2 colheres de sal marinho em 250 ml de água fervida. Utilize um conta-gotas, uma seringa ou uma caneca para lavar narinas de 2 a 3 vezes ao dia . Isso ajuda a dispensar o uso de fluidificantes, vasoconstritores e descongestionantes nasais medicamentosos.

Fonte: Jamar Tejada é farmacêutico graduado pela Faculdade de Farmácia e Bioquímica pela Universidade Luterana do Brasil, RS (Ulbra), Pós-Graduação em Gestão em Comunicação Estratégica Organizacional e Relações Públicas pela USP (Universidade de São Paulo), Pós-Graduação em Medicina Esportiva pela (Fapes), Pós-Graduação em Ciências Homeopáticas pelas Faculdades Associadas de Ciências da Saúde. Proprietário e Farmacêutico Responsável da Anjo da Guarda A Farmácia de manipulação e homeopatia desde agosto 2008.

Pele: estresse potencializa estado inflamatório fazendo surgir rugas, flacidez e manchas

Células imunológicas recebem descarga de hormônios do stress e potencializam estado inflamatório persistente na pele que culmina com o envelhecimento precoce do tecido cutâneo. Especialistas explicam o que ocorre

Várias doenças com sintomas físicos e psicológicos podem surgir por conta do stress e ansiedade; muitas delas você pode sentir na pele: eczemas, dermatites, psoríase, urticária, acne e até alopecia. Típica do mundo moderno com a velocidade da informação e a constante exigência por superação de metas (e de maneira rápida), a sensação de desconforto e irritação típicas do stress, se provoca ou piora doenças, também pode envelhecer precocemente a pele.

“Uma pele que vive sobre descargas constantes de adrenalina e outros hormônios como cortisol e prolactina está mais propensa a ter rugas, pelo desequilíbrio em cascata, já que esses hormônios potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo e fazem com que nossas células tenham um tempo de vida e atividade diminuídas, acarretando perda da longevidade”, explica a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

 

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Estudos recentes indicam que o estresse causa manchas e rugas, além de atuar como um gatilho importante no aparecimento de doenças como acne, eczema e queda de cabelo. Uma coisa é comum em todas as doenças e no processo de envelhecimento do tecido: a inflamação.

A dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, argumenta que muitos tipos de células da pele, incluindo células imunológicas e células endoteliais (células que alinham os vasos sanguíneos), podem ser reguladas por neuropeptídeos e neurotransmissores, que são substâncias químicas liberadas pelas terminações nervosas da pele.

“O estresse pode liberar um nível maior dessas substâncias e, quando isso ocorre, pode afetar o modo com o qual nosso corpo responde a muitas funções importantes, como sensação e controle do fluxo sanguíneo. Além disso, a liberação desses produtos químicos pode levar à inflamação da pele”, explica Thais.

Segundo o pesquisador em Cosmetologia Lucas Portilho, que é farmacêutico e diretor científico da Consulfarma, na maioria das vezes, os problemas ocorrem devido a liberação de mediadores inflamatórios e a ativação de mecanismos de defesa que atuam de forma negativa na pele.

“Por exemplo, hormônios como cortisol, são aumentados em pessoas com alto nível de estresse e podem impactar negativamente gerando manchas na pele. O cortisol está relacionado com um pró hormônio denominado POMC (pro-ópiomelanocortina) que induz a formação de melanina (pigmento que dá cor à pele)”, acrescenta Potilho. “O estresse também libera catecolaminas, como a adrenalina, conhecida como ‘hormônio da fuga’ que leva a aceleração dos batimentos cardíacos e na pele interfere na produção de melanina, podendo causar manchas e diminuição da produção de colágeno pelos fibroblastos”, pontua o pesquisador.

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Por fim, Portilho esclarece que a prolactina, um hormônio que tem principal função de estimular a produção de leite pelas glândulas mamárias, na pele pode causar aumento da produção de sebo pelas glândulas sebáceas e alterar a defesa natural da pele, além de causar desidratação.

“Por conta da inflamação causada pelo estresse, a pele perde elasticidade, torna-se mais seca, flácida, perde o brilho, aparecem as rugas e o processo de cicatrização fica mais lento”, acrescenta Jardis Volpe, dermatologista da Clínica Volpe (SP).

Thais também lembra que ao atuar nas células imunológicas e enfraquecendo a função de barreira da pele, o stress pode deixar a pele mais suscetível às ameaças ambientais relacionadas ao fotoenvelhecimento, como raios UV e poluição.

Cuidados com a pele “estressada”

Segundo a farmacêutica Mika Yamaguchi, diretora científica da Biotec Dermocosméticos, a chave da beleza da pele está no poder que se confere à imunidade. “Como o corpo, a pele também tem um sistema imune com as células de Langerhans, que são as responsáveis pela defesa da pele; mas suas funções decaem com o tempo, exposição solar e principalmente o estresse. O uso de probióticos como PGT1, que aumenta a imunidade da pele, é uma das novas abordagens para a diminuição da inflamação e também para restabelecer a função de barreira da pele”, sugere a especialista.

“As cápsulas de FC Oral e Bio-Arct também são importantes, uma vez que agem, consequentemente, na diminuição da inflamação (protegendo também as membranas celulares) e no aumento da produção de energia pela mitocôndria, o que tem efeitos no aumento da imunidade da pele e sua função de barreira”, completa.

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Já Portilho afirma que alguns cremes podem auxiliar no controle dos efeitos da ação dos hormônios na pele. “Um ativo chamado Neurolight, consegue diminuir a ação da POMC (pro-ópiomelanocortina) que induz a formação de melanina na pele. Isso faz com que a mancha causada pelo estresse diminua”, explica o especialista.

“Ativos que controlam oleosidade como Sebonormine também são indicados em pessoas que tem aumento da oleosidade por estresse. Outro ativo muito indicado é o Filmexel que impede que a pele sofra ação do estresse e agressão externa, que pode agravar ainda mais a condição da pele estressada”, conta.

Mas os farmacêuticos pontuam que o paciente que sente que sua pele está respondendo negativamente ao estresse deve rapidamente buscar ajuda de um médico especialista que prescreverá o tratamento oral e tópico adequado.

Fontes:
Claudia Marçal – É médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD e da American Academy Of Dermatology – AAD. Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.
Jardis Volpe – Dermatologista; Diretor Clínico da Clínica Volpe (São Paulo). Formado pela Universidade de São Paulo (USP); Especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia; Membro da Sociedade Americana de Laser, da SBD e da Academia Americana de Dermatologia; Pós-graduação em Dermatocosmiatria pela FMABC; Atualização em Laser pela Harvard Medical School.
Thais Pepe – Dermatologista especialista em Dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.
Lucas Portilho – Consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma. Especialista em formulações dermocosméticas e em filtros solares. Diretor das Pós Graduações do IPUPO Educacional, Hi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Formulações do IPUPO. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos. Possui 17 anos de experiência na área farmacêutica e cosmética. 
Mika Yamaguchi – Farmacêutica pela faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP – Universidade de São Paulo, é também cosmetóloga e diretora científica da Biotec Dermocosméticos, empresa fornecedora matérias primas para cosméticos.

Cosmético vegano, orgânico ou cruelty free? Conheça as diferenças

Pesquisador em cosmetologia Lucas Portilho explica o que significa cada uma destas nomenclaturas, que cada vez mais aparecem nos rótulos de cosméticos devido ao aumento de consumidores preocupados com a sustentabilidade.

Com o crescimento da preocupação geral com o meio ambiente e de movimentos como o veganismo, o mercado dermatológico vem investindo cada vez mais em produtos naturais e veganos. Já é possível encontrar nas prateleiras de mercados e farmácias cosméticos para todas as etapas de cuidados com a pele e com os cabelos.

Mas na hora de escolher quais produtos levar para casa surge a dúvida: vegano, orgânico ou cruelty free? Para ajudar a entender melhor o pesquisador em Cosmetologia Lucas Portilho, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma, explicou a principal diferença entre cada um destes produtos. Confira:

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– Cosméticos orgânicos: “Também conhecido como sustentável, o cosmético orgânico é aquele que tem um baixo impacto ambiental. E, para ser considerado orgânico, o cosmético deve ser certificado por órgãos específicos. Para isso o cosmético precisa que 95% do total das matérias primas presentes no produto sejam orgânicas e os outros 5% devem ser matérias primas permitidas em cosméticos orgânicos.”

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– Cosméticos veganos: “Cosméticos veganos são aqueles que não possuem nenhum ingrediente de origem animal e também não são testados em animais. Os cosméticos veganos não precisam nem conter ingredientes orgânicos ou vegetais, podem até mesmo ter em sua formulação componentes sintéticos, desde que nada em sua composição seja derivado de animais. O problema é que os cosméticos não precisam, obrigatoriamente, de uma certificação para serem considerados veganos.”

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– Cosmético Cruelty Free: “Quer dizer cosmético livre de crueldade, ou seja, é aquele produto que não é testado em animais. Porém, hoje quase não existem mais cosméticos testados em animais, pelo menos no Brasil. Grande parte dos cosméticos brasileiros, se não todos, são testados em seres humanos através do patch test, um teste realizado em laboratório e acompanhado por um dermatologista onde um adesivo com o produto é aplicado sobre a pele de um grupo de voluntários para avaliar a irritabilidade e a sensibilidade das pessoas em relação ao produto. Se nenhum destes voluntários apresentar algum tipo de reação o produto é considerado dermatologicamente testado.”

E, diferente do que muitas pessoas pensam, a eficácia dos cosméticos veganos e orgânicos é a mesma de produtos convencionais. O que realmente muda é o preço, principalmente em produtos orgânicos, já que as matérias-primas orgânicas certificadas tendem a ser mais caras, o que acaba impactando no preço do produto final. Mas claro que tudo depende da composição.

“Hoje o número de ingredientes não orgânicos e veganos é muito maior, então temos um leque muito maior de componentes para adicionar em cosmético convencionais. Porém, este cenário já está mudando e em feiras e congressos internacionais é cada vez mais comum ver empresas lançando matérias primas sintéticas em versões vegetalizadas”, destaca o pesquisador.

Mas o grande problema quando falamos de cosméticos orgânicos e veganos é o fato de a Anvisa, a agência fiscalizadora de cosméticos, não possuir a capacidade de avaliar se um produto é orgânico ou não, vegano ou não, o que fica a cargo de certificadoras independentes. Com isso, várias empresas acabam afirmando que seu produto é vegano ou eco-friendly, quando, na verdade, não é.

“Então, para ter certeza de que o produto que você está adquirindo é realmente vegano ou orgânico, é preciso atentar-se aos selos e certificações. Os mais comuns neste tipo de produto são os selos da Cosmos, IBD e Ecocert”, finaliza Lucas.

Fonte: Lucas Portilho é Consultor e pesquisador em Cosmetologia, farmacêutico e diretor científico da Consulfarma e Pesquisador em Fotoproteção na Unicamp. Especialista em formulações dermocosméticas e em filtros solares. Diretor das Pós-Graduações do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele Educacional, Hi Nutrition Educacional e Departamento de Desenvolvimento de Novas fórmulas. Atuou como Coordenador de Desenvolvimento de produtos na Natura Cosméticos e como gerente de P&D na AdaTina Cosméticos. Possui 17 anos de experiência na área farmacêutica e cosmética. Professor e Coordenador dos cursos de Pós-Graduação com MBA do Instituto de Cosmetologia e Ciências da Pele Educacional. Coordena Estágios Internacionais em Desenvolvimento de Cosméticos na Itália, França, Mônaco e Espanha. Atua em desenvolvimento de formulações para mercado Brasileiro, Europeu e América Latina

Farmacêuticos alertam: quebrar comprimidos prejudica tratamento

Ato de quebrar o comprimido pode levar a alterações na dosagem do mesmo, desde a superconcentração do remédio até uma subdose, sem o efeito desejado

A prática de quebrar um comprimido pela metade para alcançar a dose prescrita pelo médico faz parte da rotina de milhares de brasileiros, mas o que muitos não sabem é que essa prática pode prejudicar o tratamento ou expor o paciente a uma superconcentração do remédio, deixando-o vulnerável a efeitos tóxicos.

Segundo o farmacêutico e presidente do Conselho de Administração da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), entidade que representa o segmento das farmácias de manipulação, Ademir Valério, estudos feitos em laboratórios mostram que as metades obtidas na partição do comprimido apresentam uma variação de conteúdo além dos limites recomendados, resultando em “significativa diferença” de massa entre as partes e perda de partículas.

Muitas vezes, explica Valério, os comprimidos são de liberação sustentada, ou seja, após a ingestão, são absorvidos pouco a pouco pelo organismo.

Segundo o farmacêutico, esse tipo de medicamento não deve ser partido em nenhuma condição. “A quebra é desaconselhável em qualquer caso, mesmo quando o medicamento for fabricado com um sulco para facilitar a partição. Vimos que a posologia (indicação de doses) acaba comprometida no momento da quebra”, diz.

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Quando quebrado, além da falta de uniformidade, o medicamento pode sofrer alterações no teor ou se degradar em substâncias que tenham toxicidade.

“A farmácia de manipulação tem um papel importante nesse caso de evitar quebras de comprimidos, pois abre o leque de opções para o médico prescritor que irá adequar a dose para cada paciente” diz. “Além disso, o paciente levará para casa o estritamente necessário para seu tratamento, sem ter que partir ou interferir na integridade da fórmula e também sem sobras de medicamento, gerando economia e segurança (evitando a automedicação no futuro)”.

Valério explica que a quebra de comprimidos virou prática comum porque, em alguns casos, uma caixa de comprimidos de 20 mg custa o mesmo que uma de 40 mg. O paciente, então, “economiza” comprando o de 40mg e partindo em dois, o que não acontece na manipulação, em que a dose é feita de acordo com a necessidade do paciente.

Outro alerta que deve ser observado e que tem acontecido com frequência são os casos de pacientes que compraram comprimidos em concentrações inadequadas, tiveram de parti-los e comprometeram o tratamento. Exemplo são aqueles pacientes que sofrem de hipertensão (pressão alta) e, como partem o medicamento, não conseguem o controle adequado da pressão.

Fonte: Anfarmag