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Páscoa: chocolate pode ser aliado da saúde, diz nutricionista

Fernanda Carvalho Mangabeira Albernaz, nutricionista do Vera Cruz Hospital, dá dicas de como consumir corretamente a iguaria

“Eu nunca imaginei que poderia comer chocolate sem culpa. Com o acompanhamento de uma nutricionista, descobri que é possível incluir a iguaria na rotina, mas na quantidade e tipo certo”, conta a bacharel em direito Carla Santos, de 39 anos. “Eu pesava 112 quilos, tentei de tudo para emagrecer: várias dietas, medicações, exercícios, e não conseguia. Foi quando pesquisei sobre a cirurgia bariátrica, me aprofundei no assunto e fiz o procedimento. Hoje, sete meses após a cirurgia, estou com 34 quilos a menos, e ainda posso me dar ao prazer de comer dois quadradinhos de chocolate 70% cacau por dia”.

Para atender os pacientes que precisam realizar a cirurgia bariátrica, o Vera Cruz Hospital conta com uma equipe multidisciplinar que os orienta, atendendo as necessidades individuais de cada um. “Eu sabia que o sucesso do procedimento dependia bastante de mim e que precisaria ser determinada e dedicada, mas poder contar com uma equipe de especialistas para esclarecer as minhas dúvidas e me orientar tem tornado tudo mais leve”, salienta.

E foi durante o acompanhamento nutricional que Carla soube que poderia continuar consumindo chocolate, mesmo que de forma controlada. “O chocolate me acalma, e saber que posso comer um pouquinho me ajuda a seguir com a dieta. Antes da cirurgia, cheguei a comer uma caixa de bombom por dia. Hoje, como a quantidade permitida e me sinto satisfeita e feliz”.

Foto: Her.ie

A casa de Carla faz parte dos 82,6% dos lares brasileiros em que o chocolate está na lista de compras. Fernanda Carvalho Mangabeira Albernaz, nutricionista do Vera Cruz Hospital, explica que a presença do item nas residências pode ser justificada pela sensação de prazer após o consumo. “O chocolate contém mais de 300 substâncias químicas que nos dão a sensação de bem-estar, de concentração e energia, além de melhorar o humor. Por possuir um sabor doce e agradável, faz parte de inúmeras receitas, como brigadeiros, bolos, coberturas, trufas, bombons, achocolatados em pó, e dos próprios tabletes de chocolate que combinam com café expresso e proporcionam aquele momento aconchegante e feliz nas famílias”, detalha.

Exemplos como o de Carla chamam a atenção com a chegada da Páscoa (17) e mostram que é possível, sim, usar o chocolate como aliado na saúde. A vontade em consumir chocolate faz parte da rotina dos brasileiros. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Kantar, e apresentada em 2021 pela Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Amendoim e Balas), mostra que os brasileiros consomem chocolate com frequência e apontam crescimento de 9,3% no período da pesquisa.

Na visão da nutricionista, as pessoas não precisam se privar do alimento, mas é fundamental fazer uma boa escolha e comer em pequenas quantidades. “Se a ideia for comprar ovos recheados de chocolate, a dica é procurar por aqueles que possuam frutas secas e castanhas no recheio. Tome bastante cuidado com chocolates que tenham conservantes, pois fazem mal à saúde. Evite também aqueles que possuam gordura vegetal hidrogenada (a chamada gordura “trans”) ou que contenham gordura anidra de leite”, esclarece.

O mercado de doces oferece diversas opções de chocolates, como meio amargo, amargo, extra amargo, ao leite, branco, de soja, de alfarroba, light, diet. Segundo Fernanda, os da linha “amargo” são aqueles que realmente oferecem benefícios à saúde, mas o consumo em excesso (acima de 30g por dia) é prejudicial à saúde. “Os benefícios acontecem pelo fato de o chocolate amargo contar com boas quantidades de pó de amêndoa de cacau em sua fórmula, que, por sua vez, é uma excelente fonte de flavonoides, um poderoso antioxidante que ajuda na redução do risco de doenças cardiovasculares, de câncer, protege o cérebro e é de grande auxílio na redução do colesterol ruim e da pressão arterial”, elenca.

Com maior teor de gordura e açúcar, o chocolate branco é o menos saudável. “Ele não possui o pó de cacau em sua composição, é feito de leite, manteiga de cacau e açúcar, e, muitas vezes, a manteiga de cacau é quase totalmente substituída por gordura vegetal hidrogenada. Sendo assim, não traz benefícios relevantes. Consumir chocolate com poucos nutrientes, muita gordura e açúcares pode causar obesidade, diabetes, dislipidemia, enxaqueca e, consequentemente, elevar o risco de doenças cardiovasculares”, explica.

Para quem gosta da iguaria, a nutricionista faz recomendações para auxiliar na escolha. O indicado é que tenha pelo menos 50% de cacau (no caso de crianças) ou 70% (no caso de adultos), com quantidade reduzida de açúcares e gorduras. “Além disso, evite aqueles com adoçantes tóxicos na fórmula, como sacarina, ciclamato e aspartame. E compre o que tiver menor quantidade de açúcar. Mesmo que tenha 70% de teor de cacau, é preciso evitar aqueles que têm o açúcar em primeiro lugar na lista de ingredientes”.

Sobre crianças, a nutricionista ressalta que o consumo de açúcar só é liberado a partir dos dois anos de idade e, ainda, que é preciso respeitar o horário de alimentação na hora de introduzir a iguaria na rotina dos pequenos. “Para crianças, é bom saber que o chocolate precisa ter, pelo menos, 50% de teor de cacau em sua composição e ser livre de açúcares. No entanto, como criança é criança, você pode até comprar aqueles que possuam esse ingrediente”, conclui.

Para aqueles que não conseguem se controlar e atacam os doces em datas pontuais, a dica é “levar em consideração a qualidade e quantidade do chocolate ingerido, e preferir os amargos. Escolha porções menores: em vez de pegar um ovo de Páscoa inteiro, pegue pedaços menores para não boicotar a dieta. Evite comer chocolate de estômago vazio. Dê preferência para comer o chocolate como sobremesa, pois evita que o consumo seja excessivo. E não deixe de praticar atividade física para evitar que as calorias a mais se transformem em ‘gordurinhas’ mais tarde”, conclui.

Fonte: Vera Cruz Hospital