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10 dicas de como manter a mente jovem e afiada, fortalecendo a saúde cerebral

Para afastar o risco do declínio cognitivo que vem com a idade, nosso cérebro precisa de estímulo. “E existem muitos pilares no nosso estilo de vida que dão sustentação à saúde cerebral. Realizar atividades menos automáticas, buscar conhecimento, comer bem, buscar atividades prazerosas, tudo isso tem relação com a prevenção da deterioração cognitiva, na medida em que mantém o nosso cérebro bem treinado”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Abaixo, o especialista destaca 10 pilares importantes para manter a mente jovem e saudável:

Arranje tempo para fazer amigos: uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo o Dr. Gabriel. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. “Estudos têm mostrado que aqueles com maior interação social dentro de sua comunidade experimentam a taxa mais lenta de declínio da memória. Casamentos felizes ou relacionamentos de longo prazo e com um propósito na vida têm demonstrado efeitos protetores significativos contra o comprometimento cognitivo relacionado à idade”, diz o médico. Nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos amorosos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, diz Gabriel.

Fuja, às vezes, da rotina: não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo uma vez por semana pode ajudar. Uma mudança na rotina aumenta a capacidade do cérebro de aprender novas informações e mantê-las. Experimente uma nova receita ou explore uma parte diferente da sua cidade.

Torne-se um estudante novamente: quando você aprende uma nova habilidade ou assunto, seu cérebro cria novos caminhos entre suas muitas células, segundo o Dr. Gabriel. “Você pode tentar escrever um texto criativo ou um novo hobby que lhe interesse, como tocar violão. Se parecer difícil no início, não desista. Quanto mais difícil for para você pegar o jeito, melhor para o seu cérebro”, diz. O mesmo vale para a leitura de um livro, que requer também mais concentração. “E, nesse sentido, tente sempre manter o foco. Quando seu cérebro é atingido por vários fluxos de informações ao mesmo tempo, ele precisa vasculhar tudo. Isso torna mais difícil para você se concentrar, gerenciar sua memória e mudar de uma coisa para outra. Vá devagar com o seu cérebro e dê toda a sua atenção a uma coisa de cada vez”, diz.

Exercite o seu corpo: segundo Batistella, pessoas que se exercitam regularmente têm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo e protege a memória; estimula mudanças químicas no cérebro que melhoram o aprendizado, o humor e o pensamento”, diz o neuro-oncologista. Malhar é tão bom para o cérebro quanto para o corpo. “O exercício mantém suas habilidades de raciocínio e raciocínio afiados. Além de melhorar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes. Já o treinamento de força não é apenas para fisiculturistas. Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca Batistella.

Descanse: poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixa com um humor melhor e aguça nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma o médico. Um estudo* suíço descobriu que as pessoas que dormiam com mais qualidade retinham as informações recentes melhor do que aquelas que não dormiam bem. “Durante o sono, a informação é consolidada e é transferida para áreas do cérebro associadas à memória de longo prazo”, explica o neuro-oncologista. Se você não dormir o suficiente, mesmo uma tarefa simples pode exigir mais esforço mental do que de outra forma. “Você também achará muito mais difícil se concentrar e poderá notar lacunas em sua memória de curto prazo. Para se manter revigorado, tente dormir de 7 a 9 horas todas as noites”, afirma o médico.

Fique de olho no seu prato: você é o que você come. Conforme você envelhece, seu cérebro é exposto a mais estresse prejudicial devido ao estilo de vida e fatores ambientais, resultando em um processo chamado oxidação, que danifica as células cerebrais. “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro. Alimentos ricos em antioxidantes podem ajudar a evitar os efeitos nocivos da oxidação das células no cérebro”, explica o Dr. Gabriel. Pesquisas mostram que uma dieta de estilo mediterrâneo rica em peixes, grãos inteiros, vegetais de folhas verdes, azeitonas e nozes ajuda a manter a saúde do cérebro e pode reduzir o risco de doença de Alzheimer. “Cozinhe e coma alimentos frescos, saboreie, desfrute de um jantar com a família e amigos. Adote um comportamento alimentar saudável como um estilo de vida, uma forma de viver bem”, explica o médico. “Não esqueça das ervas e especiarias – como açafrão-da-índia, canela e gengibre – elas contêm antioxidantes que podem diminuir a inflamação prejudicial no cérebro e em outros lugares. Os sabores fortes e as cores vivas e intensas são pistas do benefício que se esconde dentro do seu armário de especiarias”, diz o neuro-oncologista. Além disso, saiba que quanto mais calorias você ingerir, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Pequenas mudanças, como evitar ‘beliscar’ comidinhas fora do horário, o ajudarão a reduzir calorias. Seu médico ou nutricionista pode ajudá-lo com um plano certo para você”, diz. Por fim, preste atenção aos alimentos ultraprocessados: eles são mais inflamatórios e aceleram o processo de oxidação do cérebro.

Pare de fumar: “Muitos produtos químicos nos cigarros são tóxicos para o cérebro, então você pode não se surpreender ao saber que fumar está relacionado ao declínio mental e à demência. O acetato de chumbo, por exemplo, é uma das substâncias tóxicas que possuem efeito cumulativo para o organismo, na medida em que o chumbo não é eliminado. Então, há um risco de danos celulares e para o desenvolvimento de tumores”, explica o neuro-oncologista. E o mesmo vale para o fumo passivo. Converse com outras pessoas de sua família sobre parar de fumar também. Todos ficarão mais saudáveis se sua casa e seu carro forem protegidos da fumaça do cigarro.

Cuide do seu coração: cada vez mais, estudos mostram a relação entre a saúde do coração e a do cérebro. Fatores de risco para problemas cardiovasculares, como obesidade, pressão alta, colesterol alto e diabetes, também estão ligados a um risco maior de demência e problemas cognitivos. “Se o seu coração está com problemas de saúde, é mais provável que você tenha problemas de aprendizagem e de memória. Estar acima do peso e não fazer exercícios suficientes pode estreitar os vasos sanguíneos. Isso limita a quantidade de sangue que flui para o cérebro e as artérias podem começar a endurecer. A pressão alta é o maior sinal de que a saúde do seu cérebro está em risco. Se o seu estiver alto, converse com seu médico sobre como controlá-lo”, diz o médico.

Dê uma trilha sonora à vida: seu cérebro treina mentalmente quando você reproduz sua lista de reprodução favorita. “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz o médico.

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Obtenha ajuda para sua saúde mental: se você está deprimido, é mais provável que tenha um declínio mental. Além de sentimentos de impotência e perda de interesse nas coisas que você ama, a depressão também pode colocá-lo em uma “névoa cerebral”. Pensar, manter o foco e tomar decisões pode ser muito mais difícil. Se você tiver algum desses sinais, converse com seu médico sobre o que você pode fazer para tratá-los.

Além dessas dicas, o médico também destaca que o estresse pode fazer seu cérebro liberar um hormônio chamado cortisol, o que torna difícil pensar com clareza. “Com o tempo, altos níveis de estresse podem causar problemas de aprendizado e memória. Uma maneira divertida de proteger seu cérebro é dar uma boa risada. Busque mais situações de vida em que o bom humor faça parte. Isso pode reduzir os níveis de cortisol e ajudar a manter o cérebro saudável”, explica. Outra forma de acalmar é por meio do contato com a natureza. “Quando você passa algum tempo ao ar livre, dá ao seu cérebro um descanso do fluxo constante de dados e estímulos que ele recebe ao longo do dia. Isso permite que ele reinicie sua capacidade de foco, para que você se sinta mais criativo e mais capaz de resolver os problemas”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

Dê férias para seu cérebro: confira algumas sugestões de atividades prazerosas

Do exercício físico ao ‘fazer nada’, descubra como o cérebro pode se beneficiar nos períodos de férias

Quem não gosta de tirar férias? Pensamos sempre em descansar o físico, curtir um lugar diferente, mas a verdade é que esse período também é bom para a saúde mental – e melhor ainda para o cérebro.

“Tirar férias pode ser um fator determinante para muitos, ainda mais em tempos de pandemia e crise econômica. Acredito que muitos considerariam evitar férias neste momento, porém pode custar caro. Tirar uma pausa de alguns dias pode auxiliar na produtividade, velocidade de processamento cerebral e saúde cerebral de forma geral, criatividade, satisfação profissional e pessoal”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

“Somos constantemente bombardeados com informações, atualizações, demandas ativas e passivas, que podem gerar um enorme amontoado de estresse, ansiedade, insônia e síndrome de burnout. Durante as férias e pausas rotineiras podemos nos colocar longe destes focos, o que ajudará muito a reduzir os efeitos deletérios da rotina”, acrescenta o médico.

Abaixo, o neurologista indica o que pode ser feito de bom para a saúde cerebral no período de férias:

Exercício físico: “Mesmo durante as férias, vale a pena praticar algum tipo de atividade física. Os exercícios físicos regulares durante o período de férias podem auxiliar na redução do estresse, manutenção do peso durante um período de maior tendência a consumir alimentos calóricos e bebidas alcoólicas, além de ajudar no sono”, diz o neurologista.

Ouvir música: “Esse é hábito que traz comprovadamente benefícios para o cérebro, mas, obviamente, depende do estilo musical escolhido e como ele é usado. Músicas podem ativar diversas áreas do cérebro em concomitância, auxiliando no aprendizado, foco, mas podem também prejudicar um aprendizado se forem músicas com letras que tomem a atenção do paciente. Acaba sendo algo pessoal, e cada paciente vai encontrar sua playlist dedicada ao momento”, diz.

Dormir: com certeza, durante o período fora das férias somos submetidos intermitentemente a uma carga inesperada de estresse e ansiedade, o que pode alterar nossos hábitos de sono, prejudicar o ciclo circadiano e a capacidade de recuperação diária pelo sono, gerando uma bola de neve. “Durante as férias temos maior liberdade para dormir até mais tarde, algo que por si só já pode compensar as horas necessárias para dormir, mas também podemos organizar um horário preferencial para dormir, sem estresse ou anseios, que pode ser mantido por muito tempo após o término das férias. Devemos aproveitar as férias para ajustar nosso relógio interno”, diz o médico.

Atividades manuais e novas habilidades: “Pode ser muito bom para alguns pacientes desenvolver atividades manuais, justamente por serem um tipo de terapia em diversos contextos. No curto período de férias, pode ser muito difícil desenvolver uma habilidade por completo, logo poderia ser mais interessante como habilidade manual terapêutica, mas ainda assim poderia ser algo que serviria como válvula de escape para o paciente, e poderia ser levada para o período de retorno ao trabalho e mantido”, conta o neurologista.

Contato com a natureza: entrar em contato com a natureza tem, comprovadamente, atividade benéfica no cérebro, tanto que é uma forma terapêutica para pacientes psiquiátricos e pacientes com distúrbios neurológicos do espectro autista, segundo Batistella.

Visitar amigos e familiares: segundo o neurologista, retornar e fortalecer o ambiente social vai ser uma atividade fantástica para a saúde cerebral, claro que a depender do quanto o paciente se sente bem neste contexto social. “Ficar em ambientes sociais ruins ou com desavenças acabaria sendo prejudicial, logo desaconselhado durante o período de férias”, diz.

Por fim, o Dr. Gabriel ressalta que um tempo “sem fazer nada” acaba, também, sendo um ótimo exercício de meditação e redução dos níveis de estresse para o corpo e cérebro. “Então, sim, pode ser muito benéfico tirar um tempo para si. Cabe aqui também incentivar a atividade de meditação, assim como o mindfulness, hoje tão em alta”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO). Instagram: @neuro.oncologia.batistella

10 hábitos considerados saudáveis que podem ter um efeito contrário

Na tentativa de melhorar o estilo de vida é normal que algumas pessoas adotem hábitos que, apesar de parecerem saudáveis à primeira vista, podem, na verdade, prejudicar a saúde do organismo

Atualmente, a busca por um estilo de vida mais saudável é o foco de grande parte das pessoas, principalmente devido à pandemia, que nos deu uma nova perspectiva sobre a importância da manutenção da saúde do organismo. O problema é que, na procura por uma vida saudável, acabamos adotando hábitos que, apesar de parecerem saudáveis, podem, na verdade, ter o efeito oposto e prejudicar o organismo por serem infundados, realizados excessivamente ou até mesmo da maneira errada.

Então, para te ajudar a conquistar um estilo de vida saudável de maneira segura, consultamos um time de especialistas para apontar hábitos “saudáveis” que podem acabar saindo pela culatra. Confira:

Consumir produtos diet, light e zero: ser ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’ não torna um alimento mais saudável, já que, apesar de terem menos calorias, geralmente possuem um maior teor de produtos químicos adicionados. “Você pode reparar, por exemplo, que todo produto que é light, diet, zero tem mais sódio do que as versões regulares. Isso porque, quando alimentos não levam açúcar e sim adoçante, a indústria alimentícia acrescenta sódio para mascarar aquele sabor desagradável do adoçante”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

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Beber vinho em excesso: já é de conhecimento geral que tomar uma taça de vinho tinto por dia é muito benéfico à saúde, já que a bebida é fermentada e rica em polifenóis, como o resveratrol, que são substâncias com grande poder antioxidante. Mas é importante limitar o consumo diário a, no máximo, uma taça de até 150ml, pois a ingestão excessiva de álcool é extremamente prejudicial ao organismo. “O álcool é uma substância tóxica que pode provocar doenças mentais, cânceres, problemas hepáticos como a cirrose, alterações cardiovasculares, com risco de infarto e acidente vascular cerebral, e a diminuição de imunidade, além de favorecer a desidratação, a inflamação e o acúmulo de líquidos”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Prender-se demais à rotina: criar uma rotina diária é uma das maneiras mais eficazes de adotar um novo hábito saudável e mantê-lo. E não há nada de errado nisso, afinal, os humanos são criaturas de hábitos. Mas fugir da rotina às vezes, mesmo que uma vez por semana, é importante para manter o cérebro saudável. “Uma mudança na rotina aumenta a capacidade do cérebro de aprender novas informações e mantê-las. Por isso, de vez em quando tente, por exemplo, experimentar uma nova receita ou explorar uma parte diferente da sua cidade”, destaca Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

Consumir alimentos que você não gosta por serem saudáveis: alimentação balanceada é um dos pilares para manutenção da saúde e prevenção de doenças, devendo ser rica principalmente em frutas, verduras e legumes. Mas tenha certeza de comer o que te dá prazer. “Se você não gostar de comer, dificilmente vai conseguir manter as mudanças de hábitos. Então, encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você gosta. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, afirma o médico nutrólogo e cardiologista Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Colocar o sono em dia: quando chega o final de semana, o dia de folga ou mesmo o período de férias é muito comum que as pessoas aproveitem para colocar o sono atrasado em dia. No entanto, esse hábito não compensa pelas horas de sono perdidas, além de poder desregular ainda mais seu relógio interno e atrapalhar na realização das tarefas diárias. “O ideal é ter entre sete a oito horas de sono por dia de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos por dia aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade”, alerta Aline.

Eliminar completamente os carboidratos da dieta: cortar totalmente os carboidratos faz parte de algumas das dietas mais populares. Mas, de acordo Marcella, isso não é totalmente recomendado. “Os carboidratos são um nutriente importante e há muitos conceitos errados sobre quando e como comer carboidratos quando sua meta é perder peso. Além disso, cortar carboidratos pode ser muito difícil e atrapalhar uma série de questões no organismo, pois eles são responsáveis pelo fornecimento de energia. E a maioria das pessoas pode perder peso sem cortar drasticamente os carboidratos”, esclarece a médica. “Mais importante do que a grande quantidade de carboidratos é o tipo de carboidrato que você ingere. Substituir carboidratos simples, como grãos refinados e açúcar, por carboidratos complexos, como carboidratos de vegetais e legumes, pode ter muitos dos mesmos benefícios do baixo teor de carboidratos”, aconselha.

Consumir alimentos que se autodefinem saudáveis: não é porque um alimento traz a palavra “saudável” ou “feito com ingredientes naturais” em seu rótulo que ele é, necessariamente, bom para sua saúde, afinal, não existe uma definição exata para o uso desses termos. Então, para ter certeza do que você está consumindo, fique atento à composição do produto. “Tome cuidado, por exemplo, com as gorduras e açúcares escondidos, que podem aumentar seu peso e piorar o perfil lipídico. Seja um comedor informado, conheça os ingredientes e leia atentamente os rótulos nutricionais. Fique longe de alimentos que contenham altos níveis de gordura saturada, colesterol e fontes ocultas de açúcar, como xarope de milho com alto teor de frutose e algumas dextrinas”, afirma Burckhardt.

Usar álcool em gel e lavar as mãos em excesso: com a pandemia do Coronavírus, a higiene frequente das mãos virou um dos hábitos mais importantes para manutenção da saúde. Mas é preciso tomar cuidado com os excessos. “As lavagens frequentes das mãos e o uso constante de álcool em gel podem facilmente desidratar o tecido cutâneo das mãos, contribuindo assim para o envelhecimento acelerado da pele e o surgimento de irritação na região”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. É claro que não podemos parar de jeito nenhum de higienizar as mãos, mas podemos acrescentar o uso do hidratante logo após como forma de prevenir o problema. “Para uma hidratação eficaz, aplique um cosmético específico para as mãos, que deve ser formulado com ativos de alta propriedade hidratante, como ureia e ácido hialurônico, e utilizado várias vezes ao dia. Se possível, opte por um produto à prova d’água para que o hidratante não saia após a lavagem”, recomenda.

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Apostar em dietas radicais: dietas restritivas, para muitos, é sinônimo de saúde, mas isso não é verdade. “A alimentação possui um papel fundamental na manutenção e fortalecimento do organismo, pois é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas. Por isso, qualquer mudança drástica nos hábitos alimentares sem acompanhamento médico, como restrição de grupos alimentares e diminuição de calorias e refeições, pode oferecer riscos à saúde, principalmente em pessoas que já apresentam algum tipo de carência nutricional prévia”, alerta Marcella.

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Ficar obcecado com comer saudavelmente: uma alimentação limpa e saudável tem inúmeras vantagens para a saúde geral. Mas também tem seu lado sombrio, que ocorre quando essa alimentação saudável e limpa torna-se o foco de sua vida. “O diagnóstico emergente de ortorexia nervosa mostra como o conceito de comer comida de verdade pode ficar fora de controle nas mãos de uma pessoa que é obsessiva, insegura e tenta ganhar autoestima e controle sobre a vida por meio da adesão estrita às normas criadas por ela mesma”, explica Burckhardt. Segundo o nutrólogo, enfatizar demais esse aspecto da vida pode levar ao estresse, isolamento social, espírito crítico, relacionamentos rompidos e até desnutrição. “Uma adoração tão rígida de certos tipos de alimentos como alimentos puros ou curativos é desnecessária. A alimentação limpa visa a saúde da pessoa, mas é apenas uma parte a ser considerada, devendo ser acompanhada também de relacionamentos, habilidades pessoais e desenvolvimento de talentos, crescimento emocional e espiritual, busca de hobbies e interesses e um amor pela vida que abrange o que está legalmente disponível e compatível com o bem de cada um. Isso é fundamental para a saúde, bem-estar e longevidade”, finaliza.

Alimentos ultraprocessados podem reduzir longevidade; entenda as consequências

Doces, sucos de caixinha, refrigerantes, salsicha e refeições prontas são exemplos de alimentos ultraprocessados, que podem prejudicar pele, coração, cérebro e outras estruturas do organismo, favorecendo o surgimento de condições como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares

Bolachas, miojo, refrigerantes, embutidos e salgadinhos. Você sabe o que esses alimentos tem em comum? São alimentos ultraprocessados, que, apesar de extremamente populares por serem práticos, de baixo custo e altamente palatáveis, podem causar sérios prejuízos a saúde. “Alimentos ultraprocessados são formulações industriais fabricadas a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos (sal, açúcar, óleos, proteínas e gorduras) e sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, conservantes e aditivos).

No geral, esses alimentos ultraprocessados possuem sabor mais agradável e um grande prazo de validade, mas são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, gorduras e aditivos químicos, favorecendo então a ocorrência de deficiências nutricionais, doenças do coração, diabetes, colesterol e obesidade”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. Para se ter uma ideia, estudos apontam que uma dieta composta de apenas 15% de alimentos processados está ligada a um maior risco de morte precoce por todas as causas, principalmente por doenças cardiovasculares.

“Cuidado inclusive com produtos ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’, que, apesar de serem vendidos como alternativas saudáveis por terem menos calorias, possuem um maior teor de produtos químicos adicionados”, explica o médico nutrólogo, cardiologista e geriatra Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). E a ação desses alimentos no organismo é muito diversa, afetando o bom funcionamento de diversas estruturas. Para entender melhor, consultamos um time de especialistas que explicaram alguns impactos do consumo excessivo desses alimentos. Confira:

Aumentam o colesterol ruim: por serem ricos em gorduras trans e saturadas, os alimentos ultraprocessados favorecem o aumento do perfil inflamatório e dos níveis de colesterol e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas. “Se sua dieta for estritamente rica nesses alimentos, seus níveis de colesterol no sangue serão mais elevados, assim como o risco de doenças cardiovasculares também aumentará. Além disso, o ganho de peso favorecido pelo consumo desses alimentos também aumenta o risco dos níveis altos de colesterol”, diz o Burckhardt. “O grande problema dos altos níveis de colesterol no sangue está no fato de ser uma intercorrência silenciosa: o colesterol aumentado pode não causar sintoma nenhum, obstruindo as artérias aos poucos. Então, em alguns casos, a primeira manifestação da alta do colesterol é um evento como infarto ou derrame, quando já é tarde para prevenir”, alerta a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Favorecem o inchaço e a hipertensão: alimentos ultraprocessados são ricos em sódio, que está presente mesmo em alimentos doces e sucos para realçar o sabor. E o uso excessivo de cloreto de sódio é o principal fator alimentar que aumenta a prevalência de hipertensão arterial, além de ser ruim para a saúde das veias. “O excesso de sódio é um vilão porque contribui com o aumento de pressão arterial, que é um fator de risco para a doença aterosclerótica e problemas circulatórios, além de piorar a retenção de líquidos e, consequentemente, o inchaço. Se você tem uma dieta muito rica em sódio, você tem maior tendência a retenção de líquidos no organismo”, destaca Aline.

Prejudicam o cérebro: quanto mais calorias você ingerir, o que não é difícil através do consumo de alimentos ultraprocessados, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados, por serem mais inflamatórios, também aceleram o processo de oxidação do cérebro”, afirma o médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro, danificando as células da região”, completa.

Envelhecem a pele: de acordo com Marcella, os alimentos ultraprocessados figuram entre os grandes responsáveis pelo aumento do quadro inflamatório do organismo, além de causarem o estresse oxidativo, que ocorre quando há uma produção exagerada de radicais livres. “Ao danificar o DNA das células da pele, o estresse oxidativo causa uma diminuição na atividade celular, redução da produção e qualidade das fibras de colágeno e elastina e menor poder de cicatrização. O resultado é a aceleração do processo de envelhecimento, com surgimento de flacidez, manchas, rugas, linhas de expressão e perda do viço e luminosidade da pele”, destaca Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Esses alimentos, no geral, têm alto índice glicêmico e também colaboram para o processo conhecido como glicação. “Os alimentos de alto índice glicêmico favorecem a ocorrência de uma reação não enzimática entre a proteína do colágeno e o açúcar presente nos carboidratos e isso leva a formação dos chamados produtos de glicação avançada, AGES, que irão acelerar o processo de envelhecimento celular”, explica a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos. E nesse caso, será necessário uso de suplementos anti e desglicantes, como é o caso do Glycoxil. “O Glycoxil irá auxiliar na restauração do equilíbrio metabólico da glicose, insulina e dos minerais minimizando o processo inflamatório associado ao envelhecimento. Também irá contribuir na diminuição da formação dos AGES, ação antiglicante, desglicante, que estão intimamente relacionados a alteração e modificação das funções das proteínas, especialmente o colágeno”, completa a farmacêutica.

Estimulam a produção de oleosidade: o consumo de alimentos ultraprocessados é especialmente prejudicial para quem sofre com oleosidade da pele, já que estimula a produção de sebo, favorecendo, consequentemente, o surgimento de cravos e espinhas. “Por serem ricos em gordura, os alimentos ultraprocessados podem levar a hiperinsulinemia, isto é, altas quantidades de insulina no sangue, o que acarreta no aumento de hormônios androgênicos, que, por sua vez, estimulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Aumenta a indisposição e prejudica a vida sexual: como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados ainda podem inibir sua capacidade de ter relações íntimas. “Apesar de não existirem alimentos específicos que afetem sua vida amorosa, uma dieta baseada excessivamente em alimentos ultraprocessados com alto teor de sal, gordura e açúcar pode prejudicar o fluxo sanguíneo saudável e os níveis de energia que são importantes para o sexo. Além disso, alimentos pró-inflamatórios, como estes, estão relacionados a sintomas de fadiga, indisposição e cansaço”, explica a ginecologista Eloisa Pinho, da Clínica GRU.

Mas, para prevenir todas essas alterações e manter-se saudável por muito mais tempo, a recomendação é adotar uma dieta balanceada. “A regra de ouro para uma alimentação adequada e saudável é optar sempre pelos alimentos in natura ou minimamente processados, aqueles obtidos de plantas ou animais que chegam ao consumidor sem terem passado por nenhum tipo de processamento. Nessa categoria se enquadram alimentos como frutas, legumes, verduras, hortaliças, grãos, nozes e ovos. São eles que provêm os nutrientes necessários para o bom funcionamento orgânico, como os ácidos graxos ômega-3, a vitamina C, os polifenóis e os carotenoides. Também devemos dar preferência às preparações caseiras e restringir ao máximo o consumo dos alimentos ultraprocessados”, aconselha Marcella.

E, caso você tenha dificuldade para deixar os alimentos ultraprocessados de lado, tente seguir a dica de Burckhardt: “Embora fazer pequenas mudanças ao longo do tempo seja uma estratégia eficaz para resultados duradouros, eliminar alimentos ultraprocessados por um período de tempo (de uma semana a um mês) pode ajudar a redefinir suas papilas gustativas e colocá-lo no caminho mais rápido”, explica o médico. Mas lembre-se também de comer o que você gosta, pois, caso contrário, dificilmente vai conseguir aderir a mudanças de hábitos.

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“Não agimos bem quando nos sentimos privados, e se você está comendo comida de que não gosta, está se preparando para o fracasso. Encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você goste. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, finaliza o médico nutrólogo.

Desvendando a cirurgia para tumor cerebral: é arriscada? Deixa sequelas?

Maioria dos tumores cerebrais merecem ser operados e estudos demonstram raríssimas sequelas quando a cirurgia foi extremamente segura e bem planejada

A descoberta de um tumor em qualquer parte do corpo, especialmente no cérebro, costuma ser acompanhada de muito medo e apreensão, pois, afinal, é esse órgão que comanda nosso corpo. Nesse contexto de insegurança, muitos pacientes geralmente questionam se vale mesmo a pena operar e se a cirurgia pode deixar sequelas.

“De uma forma geral, praticamente todos as lesões que aparecem no cérebro e que nos levem a suspeitar de tumor merecem ser operadas; temos como exceções algumas lesões que são muito arriscadas para serem operadas, alguns tumores muito benignos e pequenos que podem ser apenas observados, e raros tumores mais comuns em crianças que soltam marcadores no sangue e na água que banha o cérebro (líquor) que podem ser imediatamente tratados, pois a cirurgia não gera benefício. As cirurgias costumam ser tranquilas, e existem várias formas de evitarmos que a cirurgia deixe sequelas, assim podemos tranquilizar bastante os pacientes que vão precisar enfrentar o centro cirúrgico”, explica o médico neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola).

Segundo o especialista, no momento não há como falar em prevenção de tumor cerebral para a população em geral. “Mas podemos afirmar que para pacientes que possuem herança genética com risco de gerar tumores, existem formas de prevenir câncer e outros tumores benignos”, diz o médico. Quando o tumor é identificado, a cirurgia é a melhor opção.

“Fica muito mais fácil tratar o cérebro que está com pouquíssimas células tumorais, do que tratar um punhado de células anormais tumorais que podem inflamar e gerar sintomas no paciente, além de ficar mais fácil sobrar alguma célula resistente a quimioterapia e a radioterapia. Ou seja, se possível vamos tirar o máximo de tumor sem deixar qualquer sequela, a partir daí vamos poder analisar qual tumor se trata, para escolher o melhor tratamento para hoje e para o futuro”, diz o médico.

O neuro-oncologista enfatiza que geralmente a cirurgia exige muita técnica do médico. “O neurocirurgião faz um pequeno corte e chega no cérebro com muita cautela, entrando e sempre afastando gentilmente as estruturas nobres. Geralmente o tumor vai sendo removido com materiais cirúrgicos pequenos, aspirando muitas vezes, e com ajuda de microscópio, além da ajuda de outros médicos, que ficam observando de diversas formas se o paciente apresenta qualquer risco de sequela ou se o cirurgião está próximo de alguma parte nobre, como a área da fala e da visão.

Costumam ser cirurgias não muito longas, com uma recuperação rápida que costuma levar um dia na UTI (geralmente mera precaução, zelo) e um a dois dias no quarto antes da alta. Às vezes, pela inflamação que a cirurgia gera, alguma dificuldade neurológica momentânea pode ficar aparente após a cirurgia, mas quase todas elas somem após alguns dias”, diz o médico.

Com relação às sequelas, ao decidir operar, os médicos nunca têm como objetivo deixar sequelas. “A maioria dos estudos demonstra raríssimas sequelas quando a cirurgia foi extremamente segura e bem planejada, e realizada por profissional bem treinado e com conhecimento em neuro-oncologia cirúrgica. Quando um neurocirurgião entra em campo para operar um paciente é para retirar o máximo de tumor possível sem deixar danos”, destaca. No entanto, sintomas neurológicos no pós-operatório podem ser comuns, e dependem muito do tamanho do tumor e aonde ele está, mas devem ser transitórios, segundo o Dr. Gabriel Batistella.

“O cérebro não gosta que alguém toque nele, mexa e o movimente, além do fato de que a remoção do tumor pode gerar uma inflamação por algum tempo, afetando zonas totalmente saudáveis do órgão. Na recuperação após a cirurgia, muita coisa acontece, o ar que entra some, sangue é limpado pelo próprio corpo do paciente, o cérebro ‘se ajeita’ novamente, e a inflamação reduz, fazendo com que os sintomas sumam. Pacientes que apresentam sequelas fixas são pacientes que já tinham áreas do cérebro infiltradas pelo tumor, e mesmo que o cirurgião não retirasse, ainda assim teriam um déficit decorrente disso”, explica o neuro-oncologista.

O acompanhamento após o procedimento é fundamental. Além de o paciente ficar um tempo no hospital, curto, para observação e segurança, ele deve voltar no consultório do cirurgião cerca de 10 dias após a cirurgia, para retirar os pontos.

“O paciente que retira um tumor deve ter um neuro-oncologista clínico ou um oncologista para dar seguimento no tratamento, geralmente a consulta já aconteceu antes da cirurgia, ou este médico ‘entra em campo’ no pós-operatório, de preferência na mesma semana. A maioria dos pacientes vai precisar esperar cerca de 4 a 8 semanas após a cirurgia para fazer uma radioterapia ou quimioterapia, então neste tempo aproveitamos para conhecer o paciente, explicar tudo, examinar o tumor, buscar estratégias, reabilitar quem precisa ser reabilitado e fazer o máximo com esse tempo para permitir que o paciente comece o tratamento com muita força e garra”, explica o médico.

Ilustração: Kateryna Kon/Shutterstock

Após a cirurgia, explica o médico, o paciente deve realizar, obrigatoriamente, uma ressonância magnética ou, caso indisponível, uma tomografia de crânio com contraste até 48h após a cirurgia (mas de preferência imediatamente após a cirurgia). “Este exame serve para mostrar o quanto de tumor saiu. Em seguida, o paciente possivelmente vai fazer outra ressonância ou tomografia para planejar a radioterapia, seguido de outra ressonância cerca de duas a três semanas após terminar a radioterapia. Quando os ciclos de quimioterapia começam, temos o hábito de fazer ressonância a cada dois ou três ciclos, com o objetivo de garantir que o tratamento está fazendo efeito, e para identificar necessidades de mudar o tratamento o quanto antes, caso necessário. Costumamos dizer que o paciente precisa seguir religiosamente o cronograma oncológico, pois isto é o que garante a segurança e melhor resultado no tratamento”, finaliza o neuro-oncologista.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

Dieta rica em ômega-3 pode diminuir gravidade e frequência de dores de cabeça, diz estudo

Estudo publicado no começo de julho no British Medical Journal afirma que uma dieta rica em ômega-3

As suas dores de cabeça constantes podem ser falta de peixes no prato. Isso é o que conclui um estudo do periódico The British Medical Journal, publicado no começo de julho. O estudo avalia que comer uma dieta rica em ácidos graxos ômega-3 reduz a frequência de dores de cabeça. A pesquisa cita que as dietas industrializadas modernas tendem a ser pobres em ômega-3 e ricas em ácidos graxos ômega-6. Esses ácidos graxos são precursores das oxilipinas – moléculas envolvidas na regulação da dor e da inflamação.

“As oxilipinas derivadas de ácidos graxos ômega-3 estão associadas a efeitos de redução da dor, enquanto as oxilipinas derivadas de ácidos graxos ômega-6 pioram a dor e podem provocar enxaqueca”, destaca Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

É importante destacar, no entanto, que a causa da enxaqueca pode ser multifatorial. “A origem exata da dor de cabeça ainda está para ser melhor esclarecida na medicina, mas podemos, com alguma certeza, apontar que neurônios sensitivos em alguns locais do cérebro estão mais ‘abertos’ aos estímulos, ficando muito ativos e gerando um processo neuroinflamatório que culmina na dor de cabeça. Não acredito que isto, por si só, explique todos os tipos de dores de cabeça que podemos ter, mas esta hipótese nos ajuda a guiar o tratamento do paciente da melhor forma. Fica um pouco mais fácil entender o motivo do estresse gerar dor, assim como muita luz, barulhos intensos, cheiros muito fortes e até alimentos”, acrescenta o médico.

Os peixes gordurosos, como salmão, truta, sardinha, atum, arenque e cabala, aportam gorduras essenciais, como o ômega-3 que o corpo não consegue produzir sozinho e protegem a estrutura da membrana celular e os neurônios. Nozes, semente de chia e linhaça são opções veganas de alimentos que contam com ômega-3.

No estudo, uma equipe de pesquisadores quis descobrir se as dietas ricas em ômega-3 aumentariam os níveis do ácido 17-hidroxidocosahexaenóico (17-HDHA), que reduz a dor, e reduziria a frequência e a gravidade das dores de cabeça. Seus resultados são baseados em 182 pacientes da Universidade da Carolina do Norte, EUA (88% mulheres; idade média de 38 anos) com enxaqueca em 5 a 20 dias por mês que foram aleatoriamente designados para uma das três dietas por 16 semanas.

A dieta controle incluiu níveis típicos de ácidos graxos ômega-3 e ômega-6. Ambas as dietas intervencionistas aumentaram a ingestão de ácidos graxos ômega-3. Um manteve a ingestão de ácido ômega-6 igual à dieta controle, e o outro reduziu simultaneamente a ingestão de ácido ômega-6. Durante o ensaio, os participantes receberam aconselhamento dietético regular e acesso a informações de suporte online. A frequência da cefaleia foi avaliada diariamente por meio de um diário eletrônico.

“Ao longo das 16 semanas, ambas as dietas de intervenção aumentaram os níveis de 17-HDHA em comparação com a dieta de controle”, diz Batistella. “Isso significa que aumentar o consumo de ômega-3 pode ser benéfico para diminuir a frequência das dores de cabeça, segundo o estudo”, acrescenta o neuro-oncologista.

Segundo o estudo, a dieta rica em ômega-3 foi associada a uma redução de 1,3 horas de dor de cabeça por dia e dois dias de dor de cabeça por mês. O grupo de dieta com alto ômega-3 e baixo ômega-6 viu uma redução de 1,7 horas de dor de cabeça por dia e quatro dias de dor de cabeça por mês, sugerindo benefício adicional da redução do ácido graxo ômega-6 na dieta. “As dores de cabeça também foram mais curtas e menos graves”, explica o médico.

Embora a mudança nas dietas não tenha melhorado significativamente a qualidade de vida segundo o estudo, ela produziu grandes e robustas reduções na frequência e severidade das dores de cabeça em relação à dieta de controle. “Este estudo fornece uma demonstração biologicamente plausível de que a dor pode ser tratada também por meio de alterações dietéticas direcionadas em humanos”, afirma.

Apesar da interpretação dos resultados deste estudo ser complexa, ensaios de medicamentos recentemente aprovados para a prevenção da enxaqueca relataram reduções de cerca de 2 a 2,5 dias de dor de cabeça por mês em comparação com o placebo.

“Comparativamente, a intervenção dietética pode ser tão ou mais eficaz, podendo ser um adicional ao tratamento convencional”, diz o médico. “Essas descobertas mostram que a ciência está muito próxima de encontrar uma dieta para enxaqueca apoiada por resultados de ensaios clínicos robustos”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO)

Pandemia: aposte nesses cuidados para reduzir estresse e ansiedade e reforçar imunidade

Time de especialistas dá dicas para ajudar você a passar por esse momento de grande estresse e ansiedade sem prejudicar sua saúde mental

Apesar das campanhas de vacinação estarem ocorrendo em vários estados do Brasil, ainda não temos certeza de até quando a pandemia causada pelo novo coronavírus durará. Rotinas seguem abaladas e os números de casos e mortes se mantêm altos. Esses fatores, combinados à distância de amigos e familiares e o atual cenário político brasileiro, podem causar grande quantidade de estresse e ansiedade.

“Nesse período de pandemia é normal que estejamos apreensivos e ansiosos com o presente e futuro próximo, o que pode fazer com que realizemos nossos hábitos e funções no piloto automático enquanto nossa cabeça permanece sempre ligada e alerta, o que acaba gerando ainda mais estresse. Por isso, gerenciar o estresse nesse período e adotar cuidados para manter a sanidade mental é fundamental para diminuir a incidência de problemas psicológicos e evitar que o sistema imunológico seja afetado”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Então, pensando em uma maneira de te ajudar nesse processo, reunimos um time de especialistas para dar dicas sobre como controlar o estresse e a ansiedade e melhorar a saúde mental nesse período tão complicado. Confira:

Entenda o momento – para lidar com essas questões, o primeiro passo é identificar que você está ansioso ou estressado. Então, observe se você está comendo demais, se seu humor está alterado ou se você não consegue dormir direito. “Além disso, é importante reconhecer o momento pelo qual estamos passando. É um período diferente de tudo o que vivemos e que não sabemos ao certo quando irá acabar. Mas, cada dia é um dia. Hoje você pode estar ansioso, mas amanhã não. Então, adapte sua rotina para essa situação. Se estiver ansioso, evite situações estressantes”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Fuja da rotina de vez em quando – não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. “Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo que essa mudança ocorra apenas uma vez por semana já é de grande ajuda”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), vale a pena aproveitar esse período, por exemplo, para aprender a cozinhar, tentar uma receita nova e preparar de refeições caseiras balanceadas: “Se não sabe por onde começar, tente diminuir o consumo excessivo de carboidratos, proteína animal e produtos industrializados e aumentar a ingestão de vegetais, que devem compor 75% do prato. A comida deve ser boa, gostosa e feita com ingredientes saudáveis”.

Desconecte-se – vivemos conectados e queremos sempre acompanhar tudo o que está acontecendo. Como se não bastasse, devido ao novo coronavírus, estamos expostos a uma grande quantidade de informação, o que pode ser extremamente estressante e ansiogênico. “Por isso, devemos segurar a vontade de ficar demasiadamente em redes sociais. Evite também procurar informações em excesso sobre o novo coronavírus. Poupe-se. Se possível, visite as redes sociais apenas em dias intercalados para ajudar a diminuir a ansiedade desse momento”, recomenda Farinazzo.

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Pause por um momento – caso você ainda esteja trabalhando em casa, a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, aconselha investir em pequenas pausas ao longo do dia para descansar a mente. “A cada duas horas levante-se, tome água, olhe pela janela, tome um café, converse com alguém ou faça cinco minutos de meditação. Esse é um processo importante para relaxar e desestressar”, destaca. E claro, no final do dia não esqueça de descansar bem, pois poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixam com um humor melhor e aguçam nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma Batistella.

Programe-se e ocupe a mente – principalmente para quem está em home office, é muito comum a impressão de que não se está sendo produtivo. Por isso, é fundamental estabelecer um cronograma. “Para quem está trabalhando em casa, é necessário organizar-se. Quanto mais o cérebro trabalhar, melhor. Quanto mais desafios e problemas a serem resolvidos, melhor”, afirma Beatriz.

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Exercite o seu corpo – segundo Batistella, o exercício físico melhora o fluxo sanguíneo, protege a memória e estimula mudanças químicas no cérebro que contribuem para o aprendizado, o humor e o pensamento. “Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência, por exemplo não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca.

Medite – outra dica importante para diminuir a ansiedade e o estresse é apostar na meditação e no mindfullness. “Mindfullness significa viver em atenção plena, ou seja, conseguir vivenciar os momentos com todas as suas características emocionais e sensoriais, sem distrações. O mindfullness pode ser usado por qualquer pessoa que queira começar alguma prática de meditação, mas que não sabe como dar os primeiros passos, pois ajuda a gerenciar o estresse e a ansiedade e a melhorar a concentração e a produtividade”, recomenda Aline. Comece praticando 15 minutos por dia de meditação. Procure um canto quieto e atente-se a sua respiração. Existem até aplicativos que te ajudam a fazer isso, como o Headspace e o Calm.

Dê uma trilha sonora à vida – “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz Batistella.

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Pratique o autocuidado – uma boa estratégia para diminuir o estresse e a ansiedade é realizar uma rotina diária de cuidados com a pele. “A rotina skincare é um momento de autocuidado e relaxamento. Por meio do cuidado com a pele somos capazes de nos conhecer melhor, aumentar nossa autoestima e bem-estar e ainda diminuir o estresse e a pressão do dia a dia”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E, para os iniciantes na rotina de beleza, não é preciso ir longe, pois o método de skincare conhecido como skip-care já é um ótimo começo, consistindo na utilização de apenas três produtos que vão manter sua pele bem cuidada: um sabonete de limpeza, um hidratante e um filtro solar (usados nessa ordem).

Estabeleça relações interpessoais – uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse e a ansiedade, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo Batistella. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. Caso não seja possível estar próximo de seus amigos e familiares, utilize a internet a seu favor. Mas, nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, completa o médico.

Porém, é importante ressaltar que existem quadros de ansiedade graves e que necessitam de acompanhamento e tratamento médico. Então, caso as dicas acima não sejam suficientes para amenizar sua ansiedade, você deve consultar um profissional especializado, como um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Crises de enxaqueca podem ser desencadeadas por ansiedade e estresse causados pela pandemia

Time de médicos deu dicas para prevenir os episódios de forte dor de cabeça durante a pandemia do Coronavírus e explicou como funcionam os tratamentos para o problema

Devido à pandemia do novo coronavírus, estamos passando por um período de grandes mudanças em nossos hábitos rotineiros. E, apesar das vacinas, os números de casos das doenças seguem altos, criando grande incerteza quanto ao futuro. Esses fatores podem resultar em grande quantidade de estresse e ansiedade, gerando até mesmo um impacto importante em nossa saúde.

“Por exemplo, muitas pessoas, principalmente aquelas que já possuem algum tipo de predisposição, podem sofrer com crises de enxaqueca. Isso porque nosso comportamento, emoções e estado mental influenciam fortemente no aparecimento do problema, já que, durante essas situações de alteração do humor, ocorrem mudanças na liberação das substâncias que o cérebro utiliza para minimizar a dor”, explica Paolo Rubez, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University.

Felizmente, é possível adotar alguns cuidados que vão ajudar a prevenir a recorrência dessas crises, principalmente no que diz respeito ao estilo de vida. “Não podemos menosprezar o valor de uma boa alimentação, uma rotina de exercícios físicos, meditação e tratamentos psicológicos. Comprimidos não fazem milagres. Mesmo ir ao neurologista não resolverá tudo sem esforço por parte do paciente”, diz o neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola).

Um dos cuidados importantes nesse sentido é controlar o estresse, o que pode ser feito por meio da programação da rotina. “Tente manter a mente ocupada. Procure ter horário para acordar, comer, trabalhar e para dormir. Ao se levantar, procure trocar de roupa. Não fique na cama de pijama o dia todo. Crie objetivos e prazos para que você cumpra ao longo desse período. Mas, lembre-se de pausar por um momento. Ao final do dia, desconecte-se e realize algo que te dê prazer”, aconselha Rubez.

Foto: Ulrike Leone/Pixabay

A alimentação também é fundamental. De acordo com a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), os fortes sintomas da enxaqueca podem ser evitados e amenizados com uma alimentação equilibrada, principalmente com a inclusão de castanha-do-pará, atum, canela, vegetais verde-escuros e grão-de-bico na dieta. “Alimentos ricos em selênio e magnésio são importantes para diminuir o estresse, enquanto anti-histamínicos (presentes na canela e gengibre) inibem a produção de prostaglandina, responsável pela sensação de dor”, afirma a médica.

“É fundamental também evitar fast-foods, frituras e alimentos gordurosos, que têm perfil mais inflamatório e liberam prostaglandina, assim como diminuir o consumo de cafeinados, substâncias que alteram a circulação sanguínea e de bebidas alcoólicas, que promovem a dilatação dos vasos”, explica a médica. A prática regular de atividade física também é fundamental, pois libera substâncias que ajudam a controlar o estresse e promovem a sensação de bem-estar, algo muito importante nesse momento de grande ansiedade pelo qual estamos passando.

Porém, se mesmo com os cuidados acima as dores de cabeça não cessarem, vale a pena procurar um médico, que poderá realizar uma avaliação para diagnosticar corretamente o problema, pois a enxaqueca pode ser facilmente confundida com dores de cabeça passageiras. “Dores de cabeça ocorrem, na maioria das vezes, por duas causas comuns: tensional, que são dores geralmente mais leves que surgem nos dois lados da cabeça e não causam náusea ou irritabilidade com luz e cheiros fortes; e enxaqueca, quando a dor começa e permanece apenas de um lado, mas atrapalha muito a rotina do paciente, podendo gerar náusea, irritabilidade com a luz, sons e cheiros e redução da produtividade de forma geral”, afirma Batistella.

“De fato, a chance de estarmos lidando com uma dor de cabeça momentânea é maior do que de estarmos lidando com uma dor de cabeça crônica. Então, para identificarmos se há necessidade de um acompanhamento neurológico para dor de cabeça, precisamos considerar o impacto da dor na rotina social do paciente e o motivo do surgimento das dores. Por isso, à rigor, o ideal é que todos que possuem dor de cabeça procurem um neurologista ou clínico geral ao menos uma vez para receber orientação adequada”, recomenda o neurologista.

Uma vez que o quadro foi diagnosticado como enxaqueca, o médico poderá recomendar o melhor tratamento para cada caso. “A escolha do tratamento ideal para o paciente é difícil, exigindo que o médico e o paciente discutam profundamente todas as possibilidades. Mas hoje temos diversas opções para controlar o problema com bons resultados, incluindo desde o uso de medicamentos orais até procedimentos que utilizam toxina botulínica e medicamentos monoclonais”, destaca o neurologista.

Hoje já existe também a possibilidade da realização de uma cirurgia que, muitas vezes, é capaz de colocar um fim definitivo às fortes crises de enxaqueca. “A cirurgia de enxaqueca vem sendo realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma Rubez.

De acordo com o especialista, o procedimento é pouco invasivo e visa descomprimir e liberar os ramos periféricos dos nervos trigêmeo e occipital, que podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos e vasos sanguíneos, gerando a liberação de substâncias que desencadeiam a inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro e, consequentemente, favorecem o aparecimento dos sintomas da enxaqueca, como dor intensa, náuseas, vômitos, sensibilidade à luz a ao som. “

Ao todo, são sete tipos de cirurgias de enxaqueca, pois para cada um dos tipos de dor existe um acesso diferente para tratar os ramos dos nervos, sendo todos nas áreas superficiais da face ou couro cabeludo, ou ainda na cavidade nasal. Mas em todos estes tipos o princípio é o mesmo: descomprimir e liberar os ramos do nervo trigêmeo ou occipital, que são irritados pelas estruturas adjacentes ao longo de seu trajeto”, afirma o cirurgião.

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A cirurgia para enxaqueca pode ser feita em qualquer paciente que tenha diagnóstico de migranea (enxaqueca) feito por um neurologista e que sofra com duas ou mais crises severas de dor por mês que não consigam ser controladas por medicações. Além disso, pacientes que sofrem com efeitos colaterais das medicações para dor, que tenham intolerância a estas medicações ou ainda que têm sua vida pessoal e profissional comprometida devido às dores também podem passar pelo procedimento.

“As cirurgias são realizadas em ambiente hospitalar e sob anestesia geral ou, em alguns casos, sob anestesia local, durando cerca de uma a duas horas para cada nervo. E o melhor é que o paciente tem alta no mesmo dia, podendo voltar para casa”, finaliza Rubez.

Como entender, diferenciar e tratar a enxaqueca e uma dor de cabeça momentânea

Quadros mais graves de enxaqueca podem gerar náuseas, irritabilidade com a luz, sons e cheiros e reduzir até a produtividade no trabalho

Dor de cabeça ou enxaqueca? Independente do diagnóstico, uma coisa é fato: não espere a dor piorar para tomar o remédio. Essa é o alerta do médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Abaixo, ele explica em 5 pontos como diferenciar e tratar as dores de cabeça e enxaqueca:

O que diferencia a enxaqueca de uma dor de cabeça momentânea?
Batistella: De fato, a chance de estarmos lidando com uma dor de cabeça momentânea é, aparentemente, maior do que estarmos lidando com uma dor de cabeça crônica ou uma dor de cabeça relacionada a uma doença grave ainda não descoberta. Dores de cabeça são, na maioria das vezes, por duas causas comuns e passageiras: tensional (dores geralmente mais leves que uma crise de enxaqueca, sendo notada nos dois lados da cabeça e sem uma sensação de náusea, irritabilidade com a luz e cheiros fortes) e enxaqueca (geralmente começa e fica de um lado da cabeça, atrapalha muito a rotina da pessoa, pode gerar muita náusea, irritabilidade com a luz, sons e cheiros, e pode gerar até mesmo dias perdidos no trabalho ou redução da produtividade de forma geral). Para termos uma ideia de quando precisamos de um acompanhamento neurológico para dor de cabeça, com certeza devemos considerar se a dor está impactando o paciente na sua rotina social, trabalho, reuniões de família, e principalmente quando não se sabe ainda o motivo da dor de cabeça e como tratar. A rigor, gostaríamos de que todos que possuem dor de cabeça procurassem um neurologista ou clínico geral ao menos uma vez, para orientação, mas muitas vezes isto não é possível, e culturalmente não temos este hábito. Acredito ser importante orientar que, na maior parte das vezes, a consulta irá ensinar a usar o que temos disponível na farmácia, de forma racional e controlada, evitando idas desnecessárias a um pronto-socorro, e evitando até mesmo muitas consultas médicas, mantendo o paciente na sua rotina confortável. Dores mais crônicas podem demandar mais no início, mas assim que controlarmos o paciente, vamos ‘dando um espaço’ para ele respirar das consultas e retornar a sua vida habitual.”

Quais as origens mais comuns da cefaleia?
Batistella:
A origem exata da dor de cabeça ainda está para ser melhor esclarecida na Medicina, mas podemos, com alguma certeza, apontar que neurônios sensitivos em alguns locais do cérebro estão mais ‘abertos’ aos estímulos, ficando muito ativos e gerando um processo neuroinflamatório que culmina na dor de cabeça. Não acredito que isto por si só vai explicar todos os tipos de dores de cabeça que podemos ter, mas esta hipótese nos ajuda a guiar o tratamento do paciente da melhor forma. Fica um pouco mais fácil entender o motivo do estresse gerar dor, assim como muita luz, barulhos intensos, cheiros muito fortes e outros. Com o passar do tempo o mecanismo de cada dor vem ficando mais claro, e podemos ter fé que novas formas mais efetivas de tratar irão surgir.”

No caso de uma dor de cabeça momentânea, como tratar o sintoma?
Batistella:
A dica é lembrar qual remédio geralmente funciona na rotina do paciente, podemos ter diversas opções. Gosto de ensinar aos meus pacientes que temos sempre que tratar na primeira hora de dor, mesmo que ele fique em dúvida se a dor irá crescer a ponto de precisar do remédio. Tratar na primeira hora aumenta a chance de eliminar, de vez, aquela crise, e reduz as chances de cronificação, então compensa! Outra dica, que considero muito importante, é tentar usar medicamentos que costumo chamar de ‘puros’, isto é, não combinados com diversos outros remédios, pois isto aumenta a chance de vício e redução ao longo do tempo da eficácia do remédio. Prefira sempre um remédio, um mecanismo de ação, como dipirona, paracetamol, ibuprofeno, e não os combinados com relaxantes musculares, cafeína etc. Tente sempre utilizar a dose correta sugerida, no Brasil temos o costume de utilizar doses menores, com medo do remédio, e isto não é correto.”

E no caso de um quadro crônico de enxaqueca, como tratar a doença?
Batistella:
Aqui temos um cenário difícil, mesmo, mas que vai exigir do médico e do paciente que ambos façam uma amizade no consultório, e se conheçam muito bem. Temos diversas opções, desde medicamentos orais até mesmo procedimentos utilizando toxina botulínica e medicamentos monoclonais, com bons resultados. A dor crônica pode ser muito incapacitante para o paciente, mesmo que ele não entenda isso, passando a ter uma noção do quanto atrapalhava somente quando sai do período de cronicidade. O tratamento deve ser algo contínuo, aqui o paciente deve entender que vai utilizar, por alguns meses ou até mais, um medicamento diário, devendo ser reavaliado periodicamente buscando resultados. O medicamento de uso diário não serve para tirar a dor naquele dia, mas sim para retirar o mecanismo que faz com que a dor venha todo dia, então o paciente deve entender que também irá aprender a usar remédios para dor do dia, somado ao tratamento diário para dor crônica. Sugiro também, neste contexto, que o paciente anote bem quantos comprimidos por semana ele toma de remédio, pois na grande maioria dos casos encontramos abuso de substâncias, e o desmame pode ajudar muito o paciente a sair do período de cronicidade, além de ser uma ótima economia de dinheiro para o paciente. O tratamento da dor crônica é muito mais efetiva hoje do que antigamente.”

Pode listar algumas dicas gerais para evitar a dor de cabeça?
Batistella:
Primeiramente já aviso que, na Neurologia de forma geral, tratamento algum estará completo sem que o paciente mude seu estilo de vida. Não menospreze uma boa alimentação, uma rotina de exercícios físicos, meditação ou tratamentos psicológicos. Não vamos fazer milagres com comprimidos, não devemos ter este pensamento de que ir ao neurologista resolverá tudo sem esforço por parte do paciente, infelizmente ainda não podemos terceirizar totalmente nosso tratamento para a equipe médica. Quando em tratamento, busque lembrar quais os medicamentos costumam ser efetivos, e tente entender se a dor é a mesma da passada. Dores que vêm piorando em intensidade, ficando mais frequentes na semana ou no mês, e mais resistentes aos medicamentos deveriam levar o paciente a buscar um neurologista. Dores que não passam com os medicamentos habituais, e estão atrapalhando muito a rotina do paciente, deveria ser conduzida com medicamentos venosos, num pronto-socorro, por exemplo, e de preferência num pronto-socorro com suporte neurológico. Quando com dor, evite computadores, evite televisão ou qualquer fonte luminosa direta artificial, isto inclui seu celular. Prefira não se exercitar neste dia, e nem fazer alimentações pesadas (evitar gordura, refrigerante, frituras, chocolates, sucos com açúcar e outros), e oriente seus familiares a reduzirem barulhos. Não se esqueça, tome o remédio já na primeira hora de dor, vamos aprender que não é correto deixar a dor piorar para tratar!”

Novos tratamentos

Um estudo da edição de agosto de 2020 do Journal of the American Society of Plastic Surgeons, maior revista científica de Cirurgia Plástica do mundo, afirma que as crises de enxaqueca podem ter um fim de forma segura por meio da cirurgia de enxaqueca. O artigo “A Comprehensive Review of Surgical Treatment of Migraine Surgery Safety and Efficacy”, feito em conjunto com o Comitê de Segurança do Paciente da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica, avaliou o procedimento como seguro e eficaz.

“Além disso, o artigo reforça a importância do tratamento a ser incorporado pelos cirurgiões plásticos e pelas sociedades de neurologia, como um tratamento padrão para a enxaqueca”, diz o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, membro da Sociedade de Cirurgia de Enxaqueca (EUA) e especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University. O médico é um dos poucos no Brasil a realizar o procedimento.

“A Cirurgia de Enxaqueca é hoje realizada por diversos grupos de cirurgiões plásticos ao redor do mundo e em mais de uma dezena das principais universidades americanas, como Harvard. Os resultados positivos e semelhantes das publicações dos diferentes grupos comprovam a eficácia e a reprodutibilidade do tratamento”, afirma o médico.

A cirurgia para enxaqueca, disponível mais recentemente no Brasil e embasada cientificamente por uma série de estudos, promete ser um divisor de águas para quem sofre com o problema. O artigo foi uma revisão abrangente da literatura relevante publicada sobre o tema. Segundo o estudo, a experiência clínica recente com cirurgia de enxaqueca demonstrou a segurança e a eficácia da descompressão operatória dos nervos periféricos na face, cabeça e pescoço para aliviar os sintomas da enxaqueca. A cirurgia é pouco invasiva e tem o objetivo de descomprimir e liberar os ramos dos nervos trigêmeo e occipital envolvidos nos pontos de dor.

“Os ramos periféricos destes nervos, responsáveis pela sensibilidade da face, pescoço e couro cabeludo, podem sofrer compressões das estruturas ao seu redor, como músculos, vasos, ossos e fáscias. Isto gera a liberação de substâncias (neurotoxinas) que desencadeiam uma cascata de eventos responsável pela inflamação dos nervos e membranas ao redor do cérebro, que irão causar os sintomas de dor intensa, náuseas, vômitos e sensibilidade à luz e ao som”, diz o médico.

Além da cirurgia, vários benefícios dos tratamentos com enxerto de gordura já foram publicados com relação à melhora nos sintomas da enxaqueca. Um estudo, de março de 2019 (Therapeutic Role of Fat Injection in the Treatment of Recalcitrant Migraine Headaches), publicado no Plastic and Reconstructive Surgery Journal, concluiu que os sintomas da enxaqueca foram reduzidos com sucesso na maioria dos casos com injeção de gordura. O tratamento feito realizado em pacientes que persistiam com alguma dor após a cirurgia de descompressão de nervos. “Diferentes moléculas secretadas por células-tronco do tecido adiposo expressam um efeito anti-inflamatório, melhorando a regeneração dos nervos, levando ao sucesso do resultado clínico. A dor foi melhorada em 7 de 9 pacientes no seguimento de 3 meses, segundo estudos”, diz Rubez.

O cirurgião destaca que a lipoenxertia tem se mostrado minimamente invasiva com poucos riscos, de fácil execução, além de um procedimento seguro, tolerável e eficaz na redução ou eliminação completa da neuropatia persistente. “Esta técnica demonstrou melhora significativa de sintomas, permitindo uma melhora importante da qualidade de vida com menos efeitos colaterais de drogas”, finaliza Rubez.

Fontes:
Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).
Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (ISAPS), Dr. Paolo Rubez é Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Dez maneiras pelas quais o processo de envelhecimento afeta o corpo

Aprenda a diferenciar o que é natural ou não conforme a idade avança; e veja dicas para quem deseja envelhecer saudavelmente

O envelhecimento do organismo é um processo natural que acontecerá com todos nós mais cedo ou mais tarde. É claro que cada pessoa sofrerá com o envelhecimento de forma diferente, mas todos nós notaremos algum tipo de alteração no organismo.

“Quando falamos de alterações causadas pelo envelhecimento, podemos dividi-las em duas categorias: senescência e senilidade. Enquadram-se como senescência todas aquelas mudanças que ocorrem devido ao processo natural de envelhecimento e que todos nós iremos apresentar, como perda de massa muscular e firmeza da pele. Já a senilidade abrange mudanças patológicas, ou seja, alterações que não são naturais do envelhecimento e podem prejudicar muito a qualidade de vida do indivíduo, ocorrendo devido a fatores como estilo de vida, genética, uso de medicamento e condições pré-existentes”, explica o médico nutrólogo e geriatra Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da International Colleges for Advancement of Nutrology e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Dessa forma, é importante entendermos o que é natural ou não durante o processo de envelhecimento para sabermos quando alguma alteração precisa de uma atenção extra. Para ajudar, o especialista listou as principais alterações que afetam o organismo devido ao envelhecimento natural:

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Sua pele enruga: a pele é uma das principais sinalizadoras do processo de envelhecimento. “Conforme envelhecemos, ocorre uma degradação das fibras de colágeno e elastina, que são responsáveis por conferir sustentação e elasticidade ao tecido cutâneo. Além disso, a pele passa a produzir menos suor e oleosidade e perde parte do tecido gorduroso que confere volume. Como resultado, podemos percebê-la menos elástica e firme e mais ressecada, enrugada, flácida, frágil e sensível”, diz o médico. “Este fenômeno é particularmente mais importante no rosto, sendo mais significativo no terço inferior e no pescoço. É nesse processo em que aparecem as rugas e flacidez”, afirma o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). “Há uma diminuição também no número dos melanócitos (células que produzem o pigmento que dá cor da pele), o que faz com que fiquemos mais suscetíveis a radiação solar e formemos manchas com mais facilidade. E todo esse processo é ainda pior para quem se expôs demais ao sol ao longo dos anos”, explica o geriatra.

Foto: Hairmag

Seus cabelos ficam brancos e fracos: assim como a pele, os cabelos também são claramente afetados pelo envelhecimento, tornando-se menos densos, sem cor e mais propensos a queda. “Conforme envelhecemos, os melanócitos, células presentes nos folículos capilares que são responsáveis por produzir o pigmento que dá cor aos fios, vão perdendo sua função e, consequentemente, diminuem a produção de melanina. Então, quando os melanócitos param de funcionar completamente, surgem os primeiros cabelos grisalhos”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Além disso, com a diminuição no metabolismo, notamos um afinamento da fibra capilar e uma desaceleração na velocidade de crescimento dos fios, o que resulta na redução da densidade do cabelo”, explica Burckhardt .

Sua memória e capacidade de raciocínio já não são mais as mesmas: de acordo com Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA), com o processo de envelhecimento o cérebro apresenta modificações físicas e funcionais, dentre elas a diminuição da massa cerebral (que passa a perder 4,5g por ano após os 50 anos). Além disso, há uma redução da densidade neural. Tudo isso tem maior chance de causar declínios cognitivos, ainda mais se o cérebro não for estimulado, principalmente com bons hábitos de vida”, explica o neuro-oncologista. O cérebro e o sistema nervoso também são afetados pelo envelhecimento, pois há uma diminuição no número de células cerebrais, na comunicação entre os neurônios e na capacidade do organismo de criar novas conexões neuronais, o que faz com que o raciocínio fique mais lento, processar informações seja mais difícil e lapsos de memória sejam mais frequentes. “Devido às alterações no sistema nervoso, também podemos notar mudanças no equilíbrio, na percepção, na postura e na sensibilidade”, diz Burckhardt .

Você ganha peso mais facilmente: conforme envelhecemos, é comum engordarmos com mais facilidade. “Isso porque o nosso metabolismo, ou seja, a forma como o corpo consome energia, diminui com o passar da idade. E um metabolismo mais lento faz com que queimemos menos calorias mesmo com exercícios, pois as células consomem os nutrientes mais devagar e tendem a reservar gordura para casos de necessidade. Por isso, é normal ganharmos peso quando ficamos mais velhos”, destaca Burckhardt .

Daniel Reche/Pixabay

Locomover-se fica mais difícil: os ossos e músculos também sofrem alterações devido ao processo de envelhecimento. “Com a idade, há uma diminuição do tamanho e densidade dos ossos, o que faz com que se tornem mais fracos, porosos e, consequentemente, mais suscetíveis a fraturas. É por esse motivo também que algumas pessoas perdem alguns centímetros de altura ao envelhecerem”, diz Burckhardt. “Os músculos, por sua vez, perdem força, resistência, massa e flexibilidade. Todos esses fatores contribuem para a redução da mobilidade, equilíbrio, força e estabilidade.”

Seu coração passa a trabalhar mais: o processo de envelhecimento também age sobre o sistema cardiovascular. “A principal mudança no sistema cardiovascular com o passar dos anos é o enrijecimento das artérias e vasos sanguíneos, o que faz com que o coração tenha que se esforçar mais para conseguir bombear sangue por essas estruturas. Como resultado, há um aumento no risco de problemas como hipertensão e insuficiência cardíaca”, alerta o médico geriatra.

Sua vida sexual também muda: conforme envelhecem, homens e mulheres podem perceber mudanças nos órgãos genitais e na relação com os outros de formas distintas. “Devido a menopausa, a mulher sofre com uma diminuição nos níveis de estrogênio que pode fazer com que o desejo sexual diminua, o que ainda é intensificado devido a fatores comuns desse período que tornam o sexo menos prazeroso, como a diminuição da lubrificação vaginal e a atrofia da musculatura da região”, diz a ginecologista Eloisa Pinho, da Clínica GRU. “O homem, por sua vez, também apresenta uma diminuição nos níveis de testosterona, mas de forma menos repentina. Ainda assim, é possível observar uma redução da libido e da qualidade e quantidade de espermas. Além disso, a diminuição do fluxo sanguíneo pode fazer com que seja mais difícil para o homem ter ereções, que também se tornam menos rígidas e duradouras”, afirma Burckhardt .

Você torna-se mais suscetível a doenças: nossa imunidade diminui conforme envelhecemos. Então, ficamos doentes com mais facilidade. “Isso porque as células do sistema imune, que são responsáveis por identificar e destruir microrganismos estranhos para o corpo, passam a agir de forma mais devagar. Esse mecanismo é um dos motivos pelos quais cânceres e infecções são mais comuns entre idosos e resultam em morte com mais frequência. Em contrapartida, com o passar da idade, alergias tornam-se menos severas e condições autoimunes são menos comuns”, explica o geriatra.

Sua relação com o banheiro muda: controlar a bexiga pode se tornar um desafio conforme os anos passam. “Isso porque o processo de envelhecimento causa uma redução da elasticidade e, consequentemente, da reserva funcional dos rins. Além disso, os músculos da bexiga e do assoalho pélvico perdem força. Essa fatores podem fazer com que seja mais difícil eliminar toda a urina e controlar a bexiga, resultando assim em incontinência urinária”, afirma Burckhardt.

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Seus sentidos já não são mais tão confiáveis: todos os sentidos sofrem alterações causadas pelo envelhecimento. Há diminuição do olfato e alterações no paladar. Na boca pode ocorrer também perda da dentição e mudanças na deglutição. Esses fatores podem causar menor prazer e maior dificuldade na ingestão de alimentos, o que frequentemente resulta em desnutrição, problema comum entre idosos”, ressalta o médico. Burckhardt explica: “A visão e a audição também são reduzidas, tornando difícil ouvir altas frequências ou conversar em ambientes barulhentos e enxergar certos objetos dependendo da distância, além de fazer com que você fique mais sensível às luzes. Em muitos casos, pode ser necessário o uso de aparelhos auditivos e óculos”

Mas o que fazer para prevenir essas alterações? Infelizmente, quando falamos de senescência, não há meios de prevenção, afinal, é a evolução natural do organismo humano. No entanto, existem hábitos que podem ser adotados ao longo da vida que vão ajudar a promover um envelhecimento mais saudável, não apenas prevenindo a senilidade, mas também retardando o aparecimento das alterações caracterizadas como senescência.

Botswanayouth

“É indispensável, por exemplo, que o indivíduo adote uma alimentação balanceada rica principalmente em fibras, frutas, vegetais, legumes e proteínas magras. Não se esqueça também de beber bastante água. Por sua vez, evite o consumo excessivo de sal, açúcar e gorduras saturadas, que podem aumentar a incidência de condições como câncer, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares”, aconselha o geriatra.

A prática regular de exercícios físicos também é de extrema importância. E isso não quer dizer necessariamente ir à academia puxar peso. “Fazer alongamentos, dançar, pular corda, caminhar, correr, andar de bicicleta ou com o cachorro. Tudo isso conta como exercício físico, ajudando a prevenir a obesidade e melhorar a função cerebral e a saúde cardiovascular e musculoesquelética, além de aumentar sua disposição e bom humor e contribuir para o gerenciamento do estresse, que também pode prejudicar o organismo, principalmente o coração e a mente”, destaca o especialista.

“A atividade física tem um efeito antioxidante importante para a pele, pois melhora a circulação e o aporte de nutrientes, diminuindo principalmente o ressecamento e melhorando a função de barreira”, explica Burckhardt . A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é realizar pelo menos 150 minutos de algum tipo de atividade física leve ou moderada por semana.

Manter-se mentalmente ativo também é essencial para o envelhecimento saudável, principalmente no que diz respeito à saúde do cérebro. Por isso, invista em interações sociais e em atividades que te dão prazer, como ler, cozinhar, montar quebra-cabeças ou aprender uma nova língua ou instrumento. “Dormir bem também é muito importante para envelhecer com saúde, já que é durante o sono que o organismo passa por um processo de reparação e regeneração. O recomendado é dormir entre 7 e 8 horas por noite. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco, pois já temos evidências que a falta de sono pode prejudicar o coração e o cérebro e diminuir a longevidade”, recomenda o médico.

Por fim, mas não menos importante, é fundamental que você se livre de hábitos ruins, como fumar ou consumir álcool em excesso. “Fumar aumenta sua frequência cardíaca e sua pressão arterial, obstrui suas artérias, danifica seus pulmões, favorece a inflamação e enfraquece seus ossos e sistema imunológico”, alerta o especialista. “Já o abuso de bebidas alcoólicas reduz o metabolismo, favorece o ganho de peso, promove desidratação e inflamação do organismo e aumenta o risco de problemas circulatórios cardiovasculares.”

E engana-se quem acredita que mudanças no estilo de vida só podem ser adotadas durante a juventude, pois estudos apontam que até mesmo octogenários podem se beneficiar da adoção de hábitos saudáveis, já que ajudam não apenas na prevenção, mas também no tratamento de muitas doenças.

“Porém, além da adotar um estilo de vida saudável, é importante que, ao alcançar uma idade avançada, o indivíduo se consulte com um geriatra regularmente, já que apenas ele poderá diferenciar corretamente as alterações de senescência e senilidade. Por exemplo, é natural que lapsos de memória se tornem mais frequentes com o passar da idade, sendo então parte da senescência do organismo. No entanto, quando essas alterações na memória causam um grande prejuízo funcional para o paciente, podendo inclusive serem indícios de doenças como o Alzheimer, já se caracterizam como senilidade. Apenas o profissional especializado poderá fazer esse diagnóstico da maneira adequada”, finaliza Burckhardt.