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Doenças de verão: como evitar otites, dores de garganta e alergias respiratórias

Especialistas do Hospital Paulista dão dicas de prevenção a problemas que podem atrapalhar as férias de verão

O verão está chegando e, com ele, para muitos, a temporada de férias. Se por um lado, o tempo quente e seco é um verdadeiro convite para praias, piscinas e cachoeiras, por outro, pode ser a porta de entrada para alguns problemas de saúde.

Os otorrinolaringologistas do Hospital Paulista, Gilberto Ulson Pizarro e Cristiane Passos Dias Levy, alertam para as doenças mais comuns na estação e dão dicas de prevenção às otites, dores de garganta e alergias respiratórias.

Dor de garganta

Apesar de mais comum no frio, a dor de garganta pode ter várias causas, sendo a mudança brusca de temperatura uma delas. Conforme Dr. Gilberto, a oscilação do clima diminui o batimento ciliar da mucosa, podendo deixar bactérias entrarem na garganta.

“A piora pode acontecer por conta das trocas bruscas de temperatura, como quando alguém está no sol quente e depois toma sorvete. Ou, ao chegar da praia com o corpo quente, ir para o ar-condicionado”, explica o especialista.

O médico reitera a importância de tomar água com frequência ao longo do dia, principalmente durante o calor. “A garganta é uma região que só trabalha bem quando está úmida. Caso haja ressecamento por falta de hidratação ou alguma doença, podemos ter inflamações da mucosa, dores e sensações de inchaço ao engolir”, ressalta.

Otites e ouvido tapado

Outro grande afetado durante as férias pode ser o ouvido, que sofre tanto por conta das otites – processo inflamatório e infeccioso que acontece por conta do tempo excessivo que as pessoas passam dentro da água – como em decorrência dos incômodos causados ao descer a serra em direção ao litoral, por exemplo.

Gilberto detalha como é possível evitar o problema, mantendo livre a comunicação do nariz com o ouvido, chamada de tuba auditiva. Já para evitar as otites, o médico indica algumas recomendações básicas:

=Enxugue os ouvidos com a ponta da toalha, sem esfregar, após nadar;
=Não utilize hastes flexíveis ou qualquer objeto dentro dos ouvidos. Eles podem causar feridas na pele, retirar a camada protetora de cera e aumentar a probabilidade de infecção;
=Evite mergulhar em água suja;
=Para quem tem otites recorrentes, é recomendável utilizar protetores auriculares de silicone;
=Procure não passar um longo período dentro da água.

Alergias respiratórias

Cerca de 30% da população brasileira possui algum tipo de alergia, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). Para aqueles que apresentam o problema, o verão costuma ser uma estação mais delicada, podendo potencializar crises e desconfortos.

“Apesar das alergias respiratórias estarem associadas a outras estações do ano, devemos lembrar que é no verão que temos exposição a mudanças bruscas de temperatura, ao ar seco do ar-condicionado e a ambientes com muitos ácaros, que ficaram fechados por longos períodos de tempo, como casas de veraneio”, explica Cristiane.

A especialista destaca que, para um diagnóstico correto e completo, é importante que o médico pesquise o histórico clínico do paciente, bem como o familiar. Dessa forma, ele poderá identificar a causa da alergia.

Confira abaixo algumas dicas da médica para diminuir as chances de crise:

=Tomar bastante água;
=Fazer lavagens nasais frequentes com soro fisiológico para hidratar as mucosas;
=Abrir as casas de veraneio com antecedência e chegar, de preferência, durante o dia para abrir bem a casa;
=Limpar bem a casa ou o ambiente que irá utilizar;
=Optar por aspirar e passar pano úmido em vez de varrer os locais;

=Usar capas antiácaros em colchões e travesseiros;
=Sempre que possível, colocar travesseiros e edredons no sol;
=Evitar objetos que acumulem pó nos quartos, como cortinas, tapetes e carpetes;
=Limpar com frequência os filtros de ar-condicionado;
=Evitar, quando possível, mudanças bruscas de temperatura;
=Buscar auxílio médico assim que possível e não abandonar o tratamento após o verão.

Fonte: Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

Rouquidão persistente pode indicar doença mais grave, alerta especialista

Sintoma está ligado a diversas patologias e pode representar riscos ao ultrapassar 15 dias

A rouquidão é um sintoma caracterizado pela alteração na qualidade vocal. Ela pode simplesmente estar ligada a fatores como o uso abusivo e o mau uso da voz, ou até servir de alerta para uma doença mais grave.

A otorrinolaringologista Isabela Tavares Ribeiro, do Hospital Paulista, chama a atenção para as diversas patologias associadas à rouquidão.

“Existem muitas doenças nas quais os pacientes podem apresentar rouquidão como sintoma. Entre as mais comuns, estão as infecções de via aérea superior, como gripes e resfriados; lesões benignas das cordas vocais – nódulos, pólipos e cistos -; alterações estruturais mínimas da laringe, geralmente desenvolvidas ao nascimento; doenças neurológicas e tumores benignos, como o papiloma; e, por fim, tumores malignos, como o câncer de laringe”, explica.

A especialista ressalta a importância de investigar a causa da rouquidão, principalmente em fumantes, pois o tabagismo é o principal fator de risco para o câncer de laringe.

“Se descoberto precocemente, a chance de cura para esse tipo de câncer chega a 95%. Já nos casos mais avançados, o tratamento é complexo e até mutilante. Além disso, as chances de cura diminuem consideravelmente”, alerta a otorrinolaringologista.

Segundo Isabela, justamente por conta do risco aumentado de desenvolver câncer de laringe, os fumantes devem estar sempre em alerta para quaisquer alterações na voz. Porém, não são apenas os tabagistas que devem se preocupar com a rouquidão. “Todas as pessoas que apresentarem o sintoma por mais de 15 dias devem procurar um otorrinolaringologista o quanto antes”, recomenda.

Prevenção

Foto: Zing Images/Getty Images

Da mesma forma que manter um estilo de vida saudável previne o surgimento diversas doenças, com a rouquidão não é diferente. “Praticar exercícios físicos regularmente, optar por uma alimentação balanceada e manter uma boa qualidade de sono, além da hidratação oral, são formas de prevenir a rouquidão. Em tempos mais frios, os cuidados precisam ser redobrados, com o aumento do consumo de água para evitar o ressecamento da laringe.”

Isabela orienta ainda evitar o tabagismo e o consumo excessivo de bebidas alcoólicas. Segundo a especialista, é importante também não gritar ou falar alto por muito tempo, assim como não cochichar ou sussurrar. Ela explica que esses comportamentos vocais aumentam a tensão na laringe e podem gerar rouquidão.

Tratamentos

Os tratamentos para rouquidão variam de acordo com a causa. As opções terapêuticas são escolhidas baseadas em evidências científicas e podem ser clínicas (com fonoterapia e medicamentos), cirúrgicas ou uma combinação das duas formas.

Segundo Isabela, os fonoaudiólogos são grandes parceiros dos otorrinolaringologistas nesse sentido. “A fonoterapia, quando bem indicada, é muito eficaz e se configura como peça-chave no tratamento da maioria das causas de rouquidão.”

“Cuidar da voz é tão importante quanto cuidar da nossa saúde em geral. A voz é a nossa comunicação com o mundo, nossa identidade”, finaliza a médica, alertando para a importância de buscar um especialista o quanto antes, caso haja rouquidão persistente.

Fonte: Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

Consumo regular de legumes e frutas é fator de proteção contra tumores de boca

Pesquisa coordenada pelo A.C.Camargo em São Paulo, Goiânia e Vitória comprovam que o consumo de banana, tomate, brócolis e outros vegetais protegem contra o câncer. Estudo foi publicado em revista ligada ao Ministério da Saúde dos EUA

Uma série de pesquisas das principais instituições oncológicas em todo o mundo tem mostrado nos últimos anos os benefícios do consumo de frutas e legumes na prevenção ao câncer. A revista científica Plos One (uma das mais respeitadas dos EUA, ligada ao NIH – National Institute of Health, o Ministério da Saúde norte-americano) publicou um estudo prospectivo acompanhou os dados de 1.740 pessoas de São Paulo, Goiânia e Vitória e relacionou a ingestão regular de alimentos minimamente processados à prevenção de tumores de cabeça e pescoço (boca, laringe, orofaringe e hipofaringe), que juntos figuram entre os dez mais frequentes em todo o mundo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Liderados pela epidemiologista Maria Paula Curado e sua doutoranda Olivia Galvão De Podesta, os pesquisadores selecionaram, em grupo-controle, igual número de pacientes e não pacientes entre os anos de 2011 e 2015 – a cada paciente diagnosticado em cada cidade era identificado um paciente sadio do mesmo gênero e idade. O grupo foi acompanhado pelos cientistas até 2017 e os dados agora publicados na Plos One, revelam que a alimentação frequente com os alimentos estudados se mostraram co mo fatores protetores a esses tipos de câncer para quem tem um consumo regular de vegetais não processados.

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Um desses elementos é o licopeno, antioxidante presente em alimento com a coloração vermelha – caso do tomate, que o brasileiro consome com tanta frequência, relacionado à diminuição das probabilidades de se ter um tumor na cavidade oral, fator observado também em relação ao consumo de frutas cítricas. Limão, laranja e mexerica também contém o nutriente.

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Crucíferas como brócolis, repolho e couve estão associados à diminuição do risco de desenvolver câncer de laringe e hipofarínge, também beneficiado pelo consumo regular de cenoura. Também as bananas aparecem associadas à proteção contra tumores orofaríngeos, enquanto maçãs e peras em consumo diário reduzem os riscos associados ao câncer de laringe.

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“Os vegetais estudados são compostos de elementos que atuam de forma a reduzir a chance do câncer de cabeça e pescoço protetores que atuam diante do câncer”, afirma Maria Paula Curado, head do Núcleo de Epidemiologia e Estatística em Câncer do A.C.Camargo Cancer Center e que foi uma das diretoras de epidemiologia da IARC (International Agency for Research on Cancer), de Lyon (França), órgão da OMS responsável pelos estudos oncológicos em todo o mundo.

Os fatores de risco mais fortemente reconhecidos como causadores do câncer de cabeça e pescoço são o tabaco, álcool e a infecção pelo HPV. Na outra ponta, surge agora a evidência destes fatores protetores: “Mostramos aqui que quanto maior o consumo desses alimentos minimamente processados, menor será o risco de câncer na cavidade bucal”, diz a doutoranda Olivia Galvão De Podesta, do A.C.Camargo, uma das principais autoras da pesquisa.

Fonte: A.C.Camargo Cancer Center 

Faringite, laringite e amigdalite – entenda a diferença entre elas

Qual a diferença entre a faringite, laringite e amigdalite? Jeanne Oiticica, médica otorrinolaringologista, otoneurologista e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP explica.

Faringite: corresponde à inflamação/infecção da faringe (tubo localizado atrás da língua, formado por músculos e mucosa, por onde passa tanto o ar que respiramos como também o alimento que comemos).

Laringite: é a inflamação/infecção da laringe (estrutura localizada abaixo da língua, de especial importância, pois é responsável tanto pela respiração, quanto pela fonação: é aí que se localizam as pregas vocais, cujo funcionamento determina a voz).

Amigdalite: é a inflamação/infecção das amígdalas (estrutura em formato de amora localizada em cada lado da base da língua, capaz de reconhecer antígenos – partículas estranhas ao nosso organismo – e produzir anticorpos de defesa contra eles).

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“Tanto a faringite quanto a amigdalite podem causar dor de garganta, como também podem ocorrer isoladamente ou de modo concomitante. A laringite também pode ocorrer juntamente com as duas anteriores, mas, em geral, costuma dar rouquidão e ou afonia (perda da voz), a dor não aparece de forma relevante”, explica a especialista.

Automedicação

É comum vermos pessoas na farmácia comprando pastilhas para dor de garganta e anti-inflamatórios. Mas é preciso cuidado na automedicação, já que podem causar efeitos colaterais. Os mais comuns incluem náuseas, vômitos, prisão de ventre, diarreia, perda de apetite, dor de cabeça, tontura, erupções na pele, sonolência, inchaço nos membros decorrente da retenção de água nos tecidos.

“Efeitos colaterais mais graves incluem úlceras no trato digestivo, hemorragia, insuficiência nos rins e no fígado. Falta de ar pode ocorrer em pacientes alérgicos a determinados anti-inflamatórios, em especial naqueles com asma. Os anti-inflamatórios não podem ser tomados por pacientes com sintomas de dengue, pelo risco de hemorragia. Em crianças e adolescentes os salicilatos devem ser evitados tendo em vista que, eventualmente, podem causar a Síndrome de Reye, doença hepática potencialmente letal”, alerta Jeanne.

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Foto: Shutterstock

Além da medicação, Jeanne aconselha a ingestão de muito líquido e de alimentos mornos, mais para o quente (caldos e consommé, sopas, chás etc). Fazer repouso, evitar choques térmicos, procurar se agasalhar bem, não sair na rua com o cabelo úmido ou molhado, evitar bebidas e alimentos gelados ou frios.

“Gargarejos diários com água morna e uma pitada de bicarbonato são indicados, porém, os enxágues bucais devem ser evitados, pois possuem álcool ou são mentolados, o que acaba acidificando ainda mais o pH da boca”, alerta a médica. Alimentos como o mel de abelha e gengibre podem ajudar, já que possuem um potencial efeito anti-inflamatório em sua composição.

Prevenção

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Foto: PublicDomainPictures

De acordo com a especialista, uma boa alimentação, imunidade alta e genética favorável são os pilares que contribuem para prevenir essas doenças. “No caso específico da laringite, recomenda-se ainda beber bastante água, comer uma maçã ao dia, e evitar os abusos vocais (gritos, sussurros, exageros na fala). Em casos de episódios recorrentes e/ou persistentes procure o médico, pois algo deve estar errado e precisa ser verificado e corrigido adequadamente”, finaliza Jeanne.

Fonte: Jeanne Oiticica é médica otorrinolaringologista, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP. Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Responsável do Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.

Própolis é poderosa aliada no inverno

Com a chegada do inverno e dos dias mais frios do ano, quem se faz presente são as gripes e resfriados – a Organização Mundial da Saúde (OMS) calcula que em todos os anos, cerca de 5 a 10% dos adultos e de 20 a 30% das crianças sejam infectados pelo vírus influenza, responsável pela gripe.

Um passo importante no combate às doenças respiratórias é a prevenção. Muitas pessoas preferem evitar a automedicação e procuram por métodos e soluções naturais que auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico. Você sabia que a própolis é um poderoso aliado à imunidade do nosso corpo? A Apis Flora separou cinco propriedades que mostram como a própolis é benéfica para a saúde:

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Shutterstock

Fortalece o sistema imunológico: a própolis regula a resposta imunológica, de modo que o sistema imunológico fica fortalecido. Suas substâncias promovem maior ativação das células de defesa e reguladoras, favorecendo o reconhecimento e a destruição dos micróbios por meio de citocinas.

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Ação antibacteriana: popularmente conhecido como um antibiótico natural, uma das grandes vantagens do seu uso em relação aos medicamentos alopáticos é que a própolis destrói bactérias nocivas e preserva as benéficas; um exemplo disso são as bactérias da flora intestinal.

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Protege contra os efeitos danosos dos radicais livres: além de ser antioxidante evitando a formação de radicais livres, a própolis bloqueia a ação danosa destes sobre as células saudáveis. Ainda, a própolis preserva a ação da vitamina C, um potente antioxidante antienvelhecimento.

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Foto: Justaboutskin

Função cicatrizante e regeneradora dos tecidos: a presença de flavonoides e aminoácidos, considerados regeneradores dos tecidos, torna a própolis eficaz no tratamento de dermatites, feridas, úlceras e queimaduras.

“Uma excelente alternativa durante este período do ano, quando gripes e resfriados são comuns, é o consumo de produtos à base de própolis. A substância é uma grande aliada para o equilíbrio do sistema imunológico e conta com diversas atuações benéficas para o corpo”, afirma Andresa Berretta, Gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Apis Flora.

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A linha Propomax da Apis Flora conta com duas versões de produtos à base do extrato de própolis. O Propomax, primeiro extrato de própolis 100% verde e sem álcool brasileiro, e o Propomax Zero Spray, que combina as propriedades da própolis verde e menta, num produto diferenciado que não contém mel e nem qualquer tipo de açúcar (indicado para diabéticos e pessoas que desejam controlar a glicemia).

Informações: Apis Flora

Check-up: saiba por que o otorrino deve ser incluído nas consultas de rotina

Se você é alguém que tem o hábito de fazer um check-up de saúde todo ano, por um acaso, coloca a especialidade de otorrinolaringologia na sua lista de exames? Pois saiba que é por meio dela que é possível prevenir diversas doenças que afetam ouvidos, nariz e garganta.

A saúde auditiva, por exemplo. As células da audição, diferentemente das células de outras áreas do corpo, aparentemente não apresentam capacidade regenerativa ou de cicatrização. Uma vez perdidas não é possível recuperá-las.

“Entretanto, existe uma janela ou gap, ou seja, se a perda auditiva for tratada imediatamente diante de sua instalação, maiores são as chances de recuperação da audição. A perda auditiva aguda recente tem chance de reversão. Perda auditiva crônica instalada pode ser tratada, mas com pouca chance de reversão, com algumas exceções”, explica Jeanne Oiticica, otorrinolaringologista, otoneurologista e Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

A visita de rotina anual aliada ao exame de audiometria são medidas preventivas capazes de reduzir o impacto da deficiência auditiva na população. A especialista conta que estudos recentes mostram que a deficiência auditiva não corrigida aumenta em 36% as chances de demência na população não reabilitada.

Outras doenças capazes de serem evitadas ou receber tratamento precoce, assim que o problema se instala, são: otite, mastoidite (infecção bacteriana do osso mastoide, localizado atrás da orelha), otoesclerose (formação atípica de osso na orelha média e ou interna, de causa genética, que provoca perda progressiva da audição), colesteatoma (massa de pele – tecido epitelial – que se forma dentro do ouvido), glomus (tumor benigno altamente vascularizado do sistema neuroendócrino que se forma na orelha média), neuroma (tumor benigno que se forma por espessamento do nervo do ouvido), meniere (aumento da pressão de líquido no ouvido que determina episódios recorrentes de sensação ouvido tampado, zumbido, vertigem e surdez flutuante) e ototoxicidade (lesão das células ciliadas do ouvido – células responsáveis pela audição – pelo uso de drogas e medicamentos – antibióticos e antineoplásicos – potencialmente danosos a estas estruturas).

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No consultório do otorrinolaringologista é possível fazer alguns exames como o eletrofisiológico da audição, incluindo audiometria tonal e vocal, imitanciometria, otoemissões acústicas e Potenciais Evocados Auditivos de Tronco Cerebral (PEAT).

Já nos exames laboratoriais estão incluídos hemograma, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, colesterol total e frações, triglicérides, dosagem de hormônios da tireoide, entre outros.

“É muito mais fácil prevenir do que cuidar da doença. A visita de rotina aos especialistas é uma das formas de se atingir uma boa qualidade de vida”, alerta Jeanne.

Fonte: Jeanne Oiticica Médica otorrinolaringologista, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP. Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Responsável do Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.

Verão saudável: cuidados com o ouvido, o nariz e a garganta

É época de curtir as férias e a estação mais quente do ano: o verão. E para se refrescar, nada melhor do que aproveitar a piscina, a água do mar e se deliciar com as bebidas geladas e muito sorvete. Porém, alguns cuidados são importantes para que os excessos não comprometam a saúde, especialmente do ouvido, do nariz e da garganta.

De acordo com a médica otorrinolaringologista e especialista em Otoneurologia,. Jeanne Oiticica, o clima quente do verão favorece especialmente o surgimento das otites, e isto ocorre devido a dois principais fatores: primeiro, porque as pessoas ficam mais expostas à água (piscina, praia, sauna, rios, lagos), tanto em frequência, quanto em tempo de exposição (contato prolongado); e segundo porque o calor dilata os vasos sanguíneos, favorece o suor e a umidade, fatores que deixam a pele do ouvido mais quente, úmida e molhada, o que contribui para a proliferação de micro-organismos (bactérias, fungos, vírus) causadores de otites.

Confira algumas dicas importantes da especialista e garanta um verão saudável:

– Ao nadar, quais os principais cuidados para evitar a otite?

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Foto: Beglib/MorgueFile

Apesar de serem raras as ocorrências, o excesso de água e de umidade nos ouvidos pode contribuir para o surgimento de infecções, em especial da pele do canal da orelha. Por isto, para quem estiver em contato com água e for mergulhar diariamente ou para aqueles que fazem isto em períodos específicos do ano (férias, verão, piscina, praia) é recomendado usar um líquido secante no ouvido. No exterior estes produtos são vendidos costumeiramente em farmácias.

Aqui no Brasil, no entanto, não são encontrados com facilidade. Neste caso é preciso que o médico otorrinolaringologista faça a prescrição de fórmula secante na apresentação de gotas para pingar nos ouvidos. O uso de tampão de ouvido também é importante para evitar a otite. O ideal é que o tampão de ouvido seja confeccionado sob medida. Isto é fácil, uma fonoaudióloga tira o molde ou o decalque do canal do ouvido da pessoa, e daí é confeccionado um molde, preferencialmente sob medida, pois é mais eficiente, consegue vedar completamente o canal do ouvido e impedir a entrada de água.

Isto, em geral, costuma ser recomendado para pessoas expostas regularmente à água (nadadores, profissionais de natação), àquelas predispostas a otites de repetição ou crônica, e ou aqueles com perfuração da membrana timpânica do ouvido.

– Por que, em alguns casos, o sorvete e as bebidas geladas prejudicam a garganta?

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Em alguns casos, sorvetes e bebidas geladas causam “vasoconstrição” – contração dos vasos sanguíneos – na mucosa da garganta. Isto reduz a circulação local de sangue e a produção de secreções da garganta, por exemplo, de saliva, que é rica em anticorpos. Portanto, se a imunidade já está comprometida, ou se a pessoa possui algum tipo de predisposição individual a ter infecções recorrentes de garganta, alimentos e bebidas gelados facilitam as chances de infecções de garganta.

– Ar condicionado pode ser prejudicial à garganta?

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Sim, pode prejudicar, apesar de nem sempre ocorrer. O principal efeito do ar condicionado é que ele promove o ressecamento do ar e consequentemente da mucosa da garganta. Isto reduz a produção local de secreções, ricas em anticorpos, o que torna a mucosa da garganta susceptível e predisposta ao ataque de micro-organismos.

– O cloro da piscina pode ser prejudicial às vias respiratórias?

Sim, o cloro é um irritante da mucosa das vias respiratórias capaz de sensibilizar o aparecimento de crises de rinite, bronquite, asma em pessoas susceptíveis e predispostas. O uso regular de piscinas tratadas com cloro e o contato prolongado aumentam em até três vezes as chances de crises respiratórias.

Fonte: Jeanne Oiticica é médica otorrinolaringologista concursada do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Orientadora do Programa de Pós-Graduação Senso-Stricto da Disciplina de Otorrinolaringologia da Faculdade de Medicina da USP. Chefe do Grupo de Pesquisa em Zumbido do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. Professora Colaboradora da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Chefe do Laboratório de Investigação Médica em Otorrinolaringologia (LIM-32) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.
Responsável pelo Ambulatório de Surdez Súbita do hospital das Clínicas – São Paulo.

Amigdalite: saiba mais

Mal, ocasionado pela inflamação das amígdalas, pode ter origem viral ou bacteriana

Localizadas na região da garganta, as amígdalas são responsáveis pela defesa contra alguns microrganismos que entram no nosso corpo pela boca e nariz. Na infância, esta função é de grande importância, pois o sistema imunológico ainda não está completamente maduro e as crianças são mais expostas aos vírus e bactérias. Quando pequenas, por exemplo, as crianças lavam menos as mãos, não tomam cuidado ao tossir e espirrar e ficam, portanto, mais vulneráveis a transmitir e se contaminar com esse tipo de doença. “A transmissão da amigdalite, também conhecida como dor de garganta, ocorre por meio do contato com a saliva ou secreções respiratórias de pessoas doentes”, explica a gerente médica da unidade MIP do Aché Laboratórios Farmacêuticos, Talita Poli Biason.

No entanto, a amigdalite não é exclusividade de crianças, sendo uma doença muito comum também em adolescentes e adultos. Os sintomas são consequências de um processo inflamatório, que pode ter origem viral e bacteriana.

Diferenciar a causa do problema, nem sempre é fácil e além de ficar atento aos sintomas, é preciso ás vezes de auxilio de um médico. Geralmente, nas virais a dor de garganta é amena, a febre é ausente ou baixa, e o mal estar é leve. Já nas bacterianas, pode se ter alta temperatura corporal, mal estar moderado para intenso, cansaço e placas brancas nas amígdalas, causando grande desconforto na região da garganta, principalmente ao engolir.

“Em ambos os tipos de amidalite o médico irá indicar medidas como repouso e hidratação, além de medicamentos sintomáticos para alivio da dor na garganta. Porém na bacteriana, é necessário um tratamento com antibiótico associado a essas medidas gerais para combater a infecção de forma eficiente”, ressalta a médica.

Fonte: Flogoral