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Entenda como os alimentos podem combater ou piorar a candidíase

O que comemos pode interferir, positiva ou negativamente, na forma como o organismo lida com o fungo causador da candidíase

A candidíase é marcada por sintomas como coceira na vagina e na vulva, ardência ao urinar, dor durante a relação sexual, vermelhidão na região e corrimento vaginal espesso e esbranquiçado, o que pode causar grande desconforto.

“Extremamente comum, a candidíase afeta cerca de 75% das mulheres, ocorrendo devido a desequilíbrios na microbiota vaginal. Fatores como higienização excessiva e uso de produtos inadequados e calcinhas sintéticas causam uma alteração no pH da vagina, desregulando as bactérias do local, o que cria um ambiente propício para a proliferação de microrganismos, incluindo do fungo Candida albicans, causador da candidíase”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU. Mas também existe uma influência clara da alimentação: “Alguns alimentos previnem, melhoram ou pioram o quadro dessa patologia, tão recorrente nas mulheres”, acrescenta a médica.

De acordo com Eloisa, os alimentos podem tanto favorecer na multiplicação dos fungos que causam a candidíase como melhorar os fatores que podem prevenir esta patologia, ou seja, melhora do sistema imunológico, melhora da flora intestinal e controle do pH vaginal. Com relação ao fortalecimento do sistema imunológico, hábitos como dormir, controlar o estresse também ajudam, mas o principal é focar na alimentação. O baixo consumo de vitaminas e minerais e, em contrapartida, o exagero em carboidratos, açúcar e doces ou alimentos enlatados, de calorias vazias e pobres em nutrientes podem interferir na imunidade, piorando a doença.

“Os alimentos que são importantes para combater a doença são os integrais, frutas e vegetais, que fortalecem a flora intestinal impedindo a proliferação da candidíase. Além deles, temos os alimentos fermentados: como iogurte natural, kefir e kombucha que atuam tanto na melhora da saúde intestinal como sistema imunológico; ervas naturais como orégano, alecrim, tomilho, alho e cebola, que contam com ação antifúngica; gorduras boas como azeite e óleo de coco, que reduzem o fator inflamatório; e sementes como chia, linhaça, e de abóbora, que são ricas em ômega 3, que fortalecem o sistema imunológico”, explica a médica.

Com relação aos alimentos que pioram a condição, a lista é extensa, mas traz principalmente aqueles ricos em açúcar, o que altera o pH vaginal, além de alimentos industrializados, ricos em conservantes e aditivos químicos que pioram a imunidade. Açúcar e doces em geral, refrigerantes, bebidas alcoólicas e energéticos, carboidratos de alto índice glicêmico como farinha branca, bolos, pães, salgados e biscoitos, alimentos enlatados, carnes processadas (salsicha, linguiça, bacon e mortadela) e grãos refinados (tais como, arroz branco e macarrão branco) em excesso são ruins para a candidíase, segundo a médica.

No entanto, caso você esteja apresentando os sintomas da doença mesmo tomando todos os cuidados preventivos, principalmente com alimentação, não é uma boa estratégia realizar o diagnóstico e tratamento por conta própria, pois nem todo corrimento que coça é candidíase. “Infecção bacteriana, alteração na flora vaginal e produção excessiva de lactobacilos são apenas algumas das condições que podem ser facilmente confundidas com a candidíase, mas que, apesar de possuírem sintomas similares, não respondem bem ao tratamento antifúngico comumente usados para a candidíase”, afirma a médica.

“Além disso, existem até mesmo casos de candidíase que podem ser resistentes ao tratamento convencional. Por isso, o ideal é sempre buscar um ginecologista para tratar qualquer tipo de infecção vaginal, principalmente em casos de repetição, já que apenas o médico pode realizar um exame de cultura de secreção vaginal para identificar o tipo de Cândida que está causando o problema e assim recomendar o melhor tratamento para cada caso”, finaliza a médica.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Atrofia vaginal: 45% das mulheres na pós-menopausa sofrem com a doença

Sintomas são pouco discutidos e a condição ainda é subdiagnosticada;Desconforto afeta a autoestima e impacta a qualidade de vida

Questões culturais, constrangimento e receio estão entre os principais tabus na hora de falar sobre a saúde íntima da mulher. Com o passar dos anos, durante o climatério, essa situação pode ficar ainda mais complexa. A atrofia vaginal, também conhecida como vaginite atrófica, ocorre quando há o afinamento e a inflamação das paredes vaginais devido ao declínio do hormônio estrogênio, que deixa de ser produzido pelos ovários.

“A atrofia vaginal é um dos sintomas da pós-menopausa que, geralmente, acomete as mulheres a partir dos 50 anos de idade. Entre os sinais mais comuns estão a secura, queimação, irritação, coceira e dor durante a relação sexual. É preciso ter consciência sobre essa doença e saber que existe tratamento”, destaca o ginecologista, Luciano Pompei.

O diagnóstico da atrofia vaginal é feito por meio da avaliação dos sinais e sintomas e exame ginecológico. “Uma das questões que dificultam o diagnóstico assertivo da atrofia vaginal é o fato de muitas mulheres acreditarem que os sintomas são parte natural do envelhecimento, e isso não é verdade. A vergonha de falar sobre o assunto, também costuma ser uma barreira para o tratamento. Sentir dor durante a relação sexual, por exemplo, não é normal. Todo e qualquer sintoma relacionado à saúde da vagina deve ser relatado aos profissionais de saúde”, afirma o especialista.

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Tratamento

No Brasil existem diversos tratamentos disponíveis para esta condição. Entre eles, lubrificantes vaginais sem ingredientes hormonais ativos, hormônios na forma de creme vaginal ou óvulos e comprimido de estradiol, lançado recentemente.

“Trata-se de um comprimido, intravaginal, que proporciona uma liberação gradual e controlada do estradiol (um tipo de estrogênio que o corpo produz) nas células da mucosa vaginal. É um tratamento seguro e eficaz de longo prazo. Quanto mais cedo for iniciado, melhor para a paciente”, explica o especialista.

O medicamento deve ser administrado, com orientação médica, em três etapas: na primeira e segunda semana de uso é necessária uma aplicação diária do comprimido, já no período de manutenção, a aplicação é mais espaçada, duas vezes por semana.

“A fácil administração do comprimido e eficácia comprovada gera uma grande aderência ao tratamento. Os incômodos causados pela atrofia vaginal têm um impacto significativo não apenas no bem-estar físico, mas também no emocional e psicológico da mulher”, ressalta Luiz Steffen, diretor médico da Besins Healthcare, laboratório responsável pela terapia.

Sete hábitos que prejudicam a saúde íntima feminina

Ginecologista aponta práticas comuns entre as mulheres que, apesar de parecerem inofensivas, podem favorecer a proliferação de microrganismos e o surgimento de infecções na região íntima

O tabu referente a assuntos como saúde e higiene íntima feminina ainda é grande. Mesmo que cada vez mais pessoas e veículos de comunicação estejam abordando essas questões, ainda existe muita desinformação sobre como a mulher deve cuidar da região íntima. Como resultado, grande parte das mulheres acaba praticando hábitos que podem colocar a saúde íntima em risco e favorecer o aparecimento de condições como vaginoses e candidíase. Então, para auxiliar na manutenção da boa saúde da genitália feminina, a Dra. Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU, apontou hábitos que, apesar de fazerem parte da rotina de muitas mulheres, devem ser evitados. Confira:

Deixar a calcinha secando no banheiro: lavar a roupa íntima no banho é um hábito extremamente prático, não apresentando risco algum. Mas, para secar, é melhor estendê-las em outro ambiente. “Isso porque a umidade do banheiro favorece a proliferação de microrganismos causadores de doenças. Por isso, estenda as calcinhas em um ambiente arejado, como o quintal ou a varanda, e passe-as com um ferro antes de vestir, pois o calor ajuda a eliminar qualquer fungo ou bactéria que possa estar presente no tecido”, recomenda a médica.

Usar absorvente todos os dias: o absorvente é a melhor forma de prevenir o vazamento de secreções e corrimentos devido à menstruação e perda urinária. Mas é importante que o utensílio só seja utilizado nesses casos, pois o abafamento constante provocado pelo absorvente pode tornar a região íntima um ambiente propicio para que fungos e bactérias se proliferem. “Existem casos específicos em que o uso diário do absorvente é indispensável, como para mulheres que sofrem com incontinência urinária. Nesses casos, o ideal é optar por produtos respiráveis e trocá-los com frequência, de preferência a cada quatro horas”, aconselha a especialista.

Usar calcinhas sintéticas: muito cuidado na hora de escolher quais calcinhas comprar, pois, apesar de mais baratas, roupas íntimas sintéticas podem ser prejudiciais para a genitália feminina. “Esse tipo de tecido abafa a região, aumentando a transpiração e a umidade do local, o que, além de causar desconforto, favorece a proliferação de microrganismos responsáveis pelas infecções vaginais”, explica a Dra. Eloisa. O recomendado é optar por calcinhas feitas de algodão, que permitem a respiração adequada da região íntima. “O mesmo vale para roupas muito apertadas, como leggings. Por isso, evite usar essas vestimentas com frequência e dê preferência aos tecidos mais leves e que permitem que o ar circule adequadamente.”

Não higienizar a região íntima corretamente: ao contrário do que muitas pensam, a higiene íntima deve ser realizada apenas na vulva. “A vagina não necessita de assepsia, pois, além de acumular menos sujidades, possui pH menos ácido, que, quando desequilibrado devido à higienização, favorece a proliferação de agentes patógenos”, alerta a ginecologista.

Exagerar na higienização: de acordo com a especialista, a vulva deve ser lavada apenas uma vez por dia, pois, em excesso, a higienização pode causar o ressecamento da região. “Mas é importante ressaltar que existem casos específicos que exigem que a região íntima seja limpa mais vezes durante o dia. Por exemplo, a higienização da vulva após relações sexuais é sempre fundamental para evitar infecções urinárias e remover resíduos de lubrificante. A assepsia da região também deve ser realizada após fluxos menstruais, pois o sangue, além de alterar o pH da região, é um meio de cultura de bactérias”, completa.

Utilizar produtos inadequados para higienização: a vulva deve ser limpa apenas com os dedos, pois duchas, cotonetes e outros materiais podem provocar ferimentos na região. “Lenços umedecidos, duchas vaginais e sabonetes íntimos bactericidas também não devem ser utilizados, pois, enquanto os lenços podem provocar irritações, as duchas e sabonetes eliminam bactérias benéficas que são responsáveis pela manutenção da acidez do pH da vulva”, diz a médica. No lugar, Eloisa recomenda utilizar sabonetes neutros e sem fragrância, como os sabonetes de glicerina para bebês.

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Baixa ingestão de água: “O ideal é ingerir, no mínimo, dois litros de água diariamente, pois a substância é responsável por estimular a circulação do sangue e garantir o bom funcionamento do organismo, além de ajudar a prevenir infecções urinárias.”

Por fim, lembre-se que, ao notar qualquer alteração na região genital, o mais importante é que você consulte um ginecologista. “Apenas ele poderá realizar uma avaliação do quadro e dar um diagnóstico correto, indicando o melhor tratamento e as recomendações mais adequadas para lidar com cada caso”, finaliza Eloisa.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Sexo aos 50 x sexo aos 20: como o envelhecimento afeta a libido da mulher ao longo dos anos

Ginecologista explica como fatores diretamente ligados ao envelhecimento do organismo, como fertilidade, energia, autoestima e hormônios, podem interferir no apetite sexual feminino

O sexo é um instinto natural do ser humano que, além de servir para a reprodução, possui uma série de benefícios para o organismo, incluindo desde melhora da pele e do cabelo até diminuição do estresse. No entanto, cada um de nós possui uma relação específica com o sexo e é natural que, em alguns dias, algumas pessoas não sintam necessidade de praticar relações sexuais, o que pode estar associado a fatores que vão desde situações cotidianas, como cansaço e problemas no relacionamento, até condições sérias, como o vaginismo e a depressão.

“Além disso, o próprio processo de envelhecimento pode interferir em nossa libido. E isso não ocorre apenas por fatores hormonais, mas também por questões sociais, físicas e psicológicas, afinal, conforme envelhecemos, interagimos de diferentes formas com o ambiente a nossa volta”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU. Para ajudar a entender mais sobre o assunto, a especialista explicou abaixo de que maneiras a libido feminina é afetada com o passar dos anos. Confira:

20 anos: o fim da adolescência e o início da fase adulta são pensados por muitos como os momentos de maior atividade sexual, afinal, os hormônios estão à flor da pele e temos mais energia. “No entanto, alguns outros fatores podem prejudicar a libido nessa idade. Por exemplo, o fato de a mulher ser mais fértil nessa época da vida pode torná-la mais seletiva com relação a quando fazer sexo. Na verdade, estudiosos estimam que o desejo sexual da mulher tende a aumentar conforme os anos passam, principalmente após os 30 anos, momento em que a fertilidade começa a diminuir”, destaca a médica.

30 e 40 anos: a terceira e quarta década de vida parecem ser o período em que o desejo sexual feminino está mais forte. “Esse fato pode estar relacionado a fatores como maior segurança com o próprio corpo e maior dedicação a relacionamentos, além da diminuição das chances de gravidez”, afirma a ginecologista. Estudos mostram, inclusive, que mulheres entre 27 e 45 anos têm fantasias sexuais mais frequentes e fazem mais sexo do que mulheres mais jovens ou mais velhas.

Foto: Veggiegretz/Morguefile

Gravidez: independentemente da idade em que ocorra, a gestação possui grande impacto na vida da mulher, afetando até mesmo sua libido. “O corpo da mulher e os níveis de hormônios passam por uma série de alterações ao longo da gestação. Por isso, é natural que a mulher apresente menor libido em alguns momentos e maior em outros, principalmente durante o segundo trimestre de gravidez. Além disso, algumas mulheres têm dúvidas sobre a segurança de fazer sexo na gravidez, o que, salvo em casos de risco, é perfeitamente seguro”, diz a especialista. “E as mudanças na libido não param com o nascimento do bebê, pois fatores como a amamentação e a criação também podem afetar o interesse da mulher no sexo.”

50 anos ou mais: por volta dos 50 anos, a saída dos filhos de casa e a diminuição da fertilidade podem tornar a mulher mais interessada no sexo. No entanto, um processo que ocorre naturalmente no corpo da mulher nessa época de vida pode afetar significativamente a libido: a menopausa. “A diminuição nos níveis de estrogênio que ocorre durante a menopausa pode fazer com que o desejo sexual diminua, o que ainda é intensificado devido a fatores também comuns desse período, como a diminuição da lubrificação vaginal e a atrofia da musculatura da região. Além disso, outros sintomas da menopausa, como ondas de calor, mudanças no humor e ganho de peso, também pode afetar a vontade da mulher de fazer sexo. Felizmente, nesses casos, é possível verificar com o ginecologista a possibilidade do uso medicamentos, hormônios e lubrificantes para aliviar os sintomas da menopausa e melhorar a libido”, explica Eloisa.

Mas é importante ressaltar que cada organismo é único e o processo de envelhecimento pode afetar a libido das mulheres de diferentes formas. Além disso, você deve ter em mente que não há problema algum em não sentir vontade ou necessidade de praticar relações sexuais, afinal, essa é uma decisão que cabe apenas a você. “Mas, caso a falta de libido esteja te afetando física, mental e amorosamente, o recomendado é que você consulte um ginecologista, pois apenas o médico especializado poderá diagnosticar a real causa do problema e indicar o tratamento mais adequado, que vai variar de acordo com a idade, características e histórico médico da paciente”, finaliza Eloisa.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Entenda alguns fatores que podem reduzir o desejo sexual em mulheres

Além de fatores do cotidiano, como estresse e cansaço, alterações hormonais e até mesmo doenças sérias, como a depressão, também podem causar a diminuição e perda da libido no público feminino

O sexo faz parte da rotina de qualquer casal, sendo uma das bases de um relacionamento. Mas é natural que, em alguns dias, as mulheres não sintam necessidade de praticar relações sexuais.

“A perda ou diminuição da libido, ou seja, a falta de apetite sexual é um problema muito frequente, acometendo de 15 a 35% das mulheres. O problema pode estar relacionado simplesmente à dinâmica do relacionamento e ao cotidiano, sendo causado por fatores como cansaço e estresse, o que, geralmente, é solucionado naturalmente”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU.

No entanto, o comportamento pode ser também sinal de algo mais sério. Por isso, é fundamental ficar atenta ao apetite sexual e consultar um ginecologista caso o problema se estenda por longos períodos, o que pode estar relacionado a diversas causas, que a especialista listou abaixo:

Doenças ginecológicas: algumas condições que afetam a saúde da vagina podem prejudicar a mulher não apenas fisicamente, mas também mentalmente, diminuindo então a libido. “O vaginismo, por exemplo, é uma doença geralmente causada por fatores psicológicos em que os músculos da vagina realizam contrações involuntárias que podem impedir a penetração e, consequentemente causar grande dor durante as relações sexuais, diminuindo a vontade da mulher de praticá-las”, afirma a ginecologista.

Depressão: a depressão figura entre uma das principais causas da redução da libido, pois é uma doença acompanhada de sintomas como estresse, ansiedade e baixa autoestima, fatores que contribuem diretamente para a perda do desejo sexual. “Além disso, os medicamentos antidepressivos utilizados no tratamento da condição também são responsáveis pela diminuição do apetite sexual, já que causam desequilíbrios nos níveis hormonais. Porém, nem todos os medicamentos causam esse efeito e, por isso, o acompanhamento psicológico e ginecológico é fundamental no tratamento da condição de forma a evitar impacto sobre a libido”, aconselha a especialista.

Menopausa: afetando todas as mulheres em algum momento da vida, a menopausa é um processo natural do envelhecimento que ocorre quando a quantidade de óvulos se esgota e a produção de hormônios é reduzida, causando assim uma série de alterações no organismo da mulher, como a redução da libido. “Isso porque, além da diminuição drástica na produção de testosterona e estrogênio, a menopausa também é marcada por aumento de peso, ressecamento vaginal e dor, desconforto e até sangramento durante relações sexuais, o que, consequentemente pode diminuir a vontade da mulher de fazer sexo”, diz a Dra. Eloisa.

Transtorno do desejo sexual hipoativo: existe ainda uma condição médica caracterizada justamente pela redução ou perda da libido, conhecida como transtorno ou distúrbio do desejo sexual hipoativo. “Afetando principalmente mulheres, o distúrbio do desejo sexual hipoativo é uma condição comum e de difícil diagnóstico que causa a falta persistente de desejo sexual sem que haja outras causas envolvidas. O problema pode causar sofrimento pessoal e dificuldades no relacionamento e geralmente está relacionado a questões psicológicas”, destaca a médica.

Por fim, é importante ressaltar que não há problema algum em não sentir vontade ou necessidade de praticar relações sexuais, afinal, essa é uma decisão que cabe apenas a você.

“No entanto, caso a falta de libido esteja te afetando física, mental e amorosamente, o recomendado é que você consulte um ginecologista, já que apenas ele poderá diagnosticar a real causa do problema e indicar o tratamento mais adequado, que vai variar de acordo com cada caso e pode incluir terapia de reposição hormonal, acompanhamento psicológico, substituição dos métodos contraceptivos e outros medicamentos ou simplesmente a adoção de um estilo de vida mais saudável, com uma alimentação balanceada, a prática regular de exercícios físicos e boas noites de sono”, finaliza a médica.

Fonte: Eloisa Pinheiro é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Parece, mas não é: entenda o que é perimenopausa, período que antecede a menopausa

Apesar de possuir sintomas similares àqueles da menopausa, a perimenopausa é um processo distinto que marca a transição para o fim da idade reprodutiva da mulher

A menopausa é um grande marco na vida da mulher, afinal, é caracterizada pela suspensão definitiva da ovulação e, consequentemente, da menstruação. Porém, o que poucas mulheres sabem é que esse processo não se inicia de maneira repentina. Na verdade, uma série de alterações que afetam o organismo da mulher devido ao envelhecimento ocorrem antes do início da menopausa em um período conhecido como perimenopausa.

“A perimenopausa pode ser definida como um período de transição entre a fase fértil da mulher e a menopausa, ocorrendo próxima à ultima menstruação e sendo marcada, principalmente, por uma grande oscilação nos níveis hormonais”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU.

Como resultado dessas alterações hormonais, a mulher pode sentir uma série de sintomas que são comumente confundidos com aqueles que ocorrem durante a menopausa, incluindo ciclo menstrual desordenado, ondas de calor, aumento da sudorese, principalmente durante a noite, redução do apetite sexual, surgimento de condições urinárias, tontura, dores de cabeça, mudanças de humor e aumento da pressão.

“Mas, apesar de possuírem sintomas similares, a perimenopausa e a menopausa são processos distintos, principalmente porque durante a perimenopausa ainda há ovulação, o que quer dizer que a mulher é fértil, podendo então engravidar. Além disso, a mulher na perimenopausa ainda pode sofrer com doenças comuns durante a idade reprodutiva, como a síndrome do ovário policístico e a endometriose”, afirma a ginecologista.

Outro fator que pode facilitar que mulher confunda esses dois períodos é o fato de ser difícil determinar o início exato da perimenopausa, que pode variar caso a caso, cabendo então ao ginecologista, através da observação dos sintomas, identificá-lo. “Geralmente, a perimenopausa tem início entre os 30 e 40 anos de idade e pode durar cerca de 1 a 3 anos, terminando quando a ovulação é interrompida e a menstruação não ocorre há mais de 12 meses, o que marca o início oficial da menopausa”, diz a médica.

Mas ela ressalta que, assim como a menopausa, a perimenopausa é um processo natural do envelhecimento feminino. Logo, não existem maneiras para prevenir ou retardar seu início, que é definido geneticamente. Felizmente, mulheres que sofrem demais com as alterações hormonais podem adotar alguns cuidados para diminuir os sintomas característicos desse período.

“Uma das alternativas, por exemplo, é a reposição hormonal, que visa restabelecer as funções normais do organismo, tornando a adaptação para essa nova fase da mulher mais tranquila”, destaca. Além disso, é importante que a mulher adote um estilo de vida saudável, que é essencial para auxiliar no controle dos sintomas da perimenopausa.

“Por isso, procure beber bastante água, durma bem e evite o cigarro e a ingestão excessiva de álcool. É indispensável também praticar regularmente exercícios físicos, o que contribui para o controle do peso, melhora a qualidade do sono e diminui a irritabilidade”, recomenda a especialista. “Investir em uma dieta equilibrada também é fundamental nesse período de transição, devendo ser rica, principalmente, em cálcio, fibras, frutas, vegetais e grãos integrais.”

Por fim, Eloisa ressalta que, apesar da perimenopausa ser um processo natural que afetará todas as mulheres em algum momento da vida, é indispensável que se consulte um ginecologista ao notar seus primeiros sintomas. “Isso porque apenas o profissional especializado poderá realizar uma avaliação para realmente confirmar que se trata do início da perimenopausa, excluindo assim a possibilidade de condições sérias que podem provocar sintomas similares”, finaliza.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, é formada pela Universidade de Ribeirão Preto; realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, faz parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Redobre os cuidados com a pele durante a menopausa para combater os sinais do envelhecimento

Além dos sintomas como irritabilidade, cansaço, perda de massa muscular e calor causados pela queda do estrogênio, menopausa também torna a pele mais ressecada, fina, sensível e, consequentemente, mais propensa a sofrer com o envelhecimento precoce

O envelhecimento é um processo que ocorre com todos nós, sendo marcado por uma série de modificações no funcionamento do organismo. Por exemplo, uma das principais alterações que afetam o corpo da mulher devido ao envelhecimento é a menopausa.

“Geralmente ocorrendo após os 50 anos, mas podendo afetar algumas mulheres precocemente, a menopausa é caracterizada pela suspensão definitiva da menstruação com consequente queda na produção de estrogênio. Como resultado, a mulher passa a apresentar uma série de sintomas, incluindo irritabilidade, mudanças drásticas de humor, sudorese excessiva, cansaço intenso, ondas de calor e perda de massa óssea e massa magra”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU Saúde.

Além disso, a pele também é afetada. Segundo Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, devido à menopausa, ocorre uma diminuição na produção de ácido hialurônico e das fibras de colágeno e elastina. “Isso favorece o ressecamento do tecido cutâneo e acelera o surgimento dos sinais de envelhecimento da pele, incluindo rugas, linhas de expressão, flacidez e perda de firmeza, elasticidade e volume”, afirma o dermatologista.

A má notícia, de acordo com Eloisa, é que não existem métodos para se prevenir ou retardar a menopausa, visto que é definida geneticamente. Mas, quem deseja combater os efeitos da menopausa na pele, pode apostar no reforço da rotina skincare.

“Inicie pela limpeza, que, em peles maduras, deve ser realizada com produtos mais suaves que não causem agressões na pele ou removam excessivamente a barreira de proteção do tecido cutâneo, o que pode agravar ainda mais o ressecamento e tornar a pele mais suscetível a danos”, aconselha Cassiano. Em seguida, aposte na hidratação com produtos formulados com ativos capazes de fortalecer a barreira da pele e segurar a molécula de água no tecido cutâneo.

“É indicado também o uso de substâncias com propriedades antioxidantes e rejuvenescedoras, incluindo o retinol, a vitamina C, o resveratrol e os alfa-hidroxiácidos. Mas, mesmo durante a menopausa, o fotoprotetor segue sendo o principal método de combate ao envelhecimento cutâneo, lembrando que o produto deve conter FPS 30, no mínimo, e ser aplicado todos os dias pela manhã após o hidratante, com reaplicação necessária a cada duas horas”, destaca o médico.

Vale ressaltar ainda que, na menopausa, a pele da mulher é mais sensível por ser mais fina e ressecada. Então, o cuidado na escolha dos produtos deve ser redobrado, evitando aqueles cosméticos que possam causar irritação, vermelhidão, coceira e descamação do tecido.

“Entre as substâncias irritantes, as fragrâncias figuram entre as principais vilãs, já que favorecem a desidratação e comprometem a integridade da barreira protetora da pele”, alerta o especialista. “No geral, o recomendado é sempre escolher produtos hipoalergênicos e naturais, além de livres de fragrância. No geral, quanto mais forte o cheiro de um cosmético, maiores as chances de ele causar irritações, alergias e dermatites”, diz o médico

Além disso, é interessante investir em hábitos saudáveis que auxiliem na manutenção da saúde do organismo, amenizando os sintomas da menopausa não apenas na pele, como no organismo como um todo. “Por exemplo, invista em uma alimentação equilibrada rica em vegetais, frutas e legumes, principalmente aqueles com propriedades antioxidantes, e evite alimentos industrializados e o consumo excessivo de sal e açúcar. Além disso, tenha boas noites de sono, consuma pelo menos dois litros de água por dia, pratique exercícios físicos regularmente e evite fumar e ingerir álcool”, recomenda Eloisa.

Em mulheres que sofrem demais com a queda hormonal, é possível também apostar na reposição hormonal para reduzir os sintomas da menopausa. “Realizada através de administração vaginal, oral ou transdérmica, a reposição de estrogênio em baixas doses ajuda a restabelecer o equilíbrio do organismo para que a mulher se adapte mais facilmente ao período da menopausa. Porém, esse tipo de tratamento deve ser prescrito por um ginecologista, já que é contraindicado para pacientes com câncer em atividade, que possuem predisposição à doença ou que sofrem de alterações nas mamas”, alerta a especialista.

Por sua vez, mulheres que já passaram pela menopausa e apresentam sinais de envelhecimento acentuado podem apostar em procedimentos estéticos, como o preenchimento de ácido hialurônico, que, segundo Cassiano, confere volume ao rosto, reduz a aparência de rugas e linhas de expressão e estimula a produção natural da substância pelo organismo, tornando a pele mais hidratada e combatendo o ressecamento. “Os bioestimuladores de colágenos também são interessantes por hidratarem profundamente e estimularem a neocolagênese, aumentado assim a firmeza e a elasticidade da pele para combater flacidez e rugas”, afirma.

Por fim, é importante ressaltar que a menopausa é um processo natural do envelhecimento que ocorrerá em todas as mulheres em algum momento da vida. Por isso, ao notar os sintomas da queda hormonal, o mais importante é que você visite um médico ginecologista, que poderá dar orientações para que você passe por essa nova fase de sua vida da forma mais tranquila possível. Além disso, vale a pena também consultar seu dermatologista, que poderá rever as necessidades de sua pele para recomendar a melhor rotina de cuidados ou indicar os tratamentos mais adequados para combater os sinais do envelhecimento.

Fontes:

Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão. Faz parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.
Daniel Cassiano é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e Doutorando em medicina translacional também pela Unifesp. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo.

Menopausa: entenda o que é este fenômeno fisiológico e as mudanças que ele traz

Processo natural do organismo feminino, menopausa causa diversas modificações no corpo da mulher, que vão desde ressecamento da pele, cabelos e genitais até instabilidade emocional. Ginecologista explica a causa desse evento e aponta métodos para diminuir os sintomas

Conforme envelhecemos, nosso organismo passa por uma série de alterações que afetam o corpo. Na mulher, uma dessas alterações é a menopausa, caracterizada pela suspensão definitiva da menstruação.

“A condição é diagnosticada após um ano do último evento de sangramento menstrual da mulher, podendo ser subdividida em períodos a partir desta fase. Durante a menopausa, algumas mulheres são assintomáticas e não se queixam de nenhuma intercorrência. Porém, a grande maioria pode apresentar sintomas físicos, comportamentais, emocionais e psicológicos causados pela queda hormonal”, explica Ana Carolina Lúcio Pereira, ginecologista membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).

A mulher pode identificar que entrou na menopausa ao notar sintomas como ganho de peso, principalmente na região abdominal, insônia, ondas de calor, sudorese noturna e alteração do humor com instabilidade emocional.

“Geralmente ocorrendo após os 50 anos, mas podendo acontecer antes em casos de falência ovariana prematura, ou seja, quando a mulher deixa de ovular precocemente, a menopausa gera uma série de modificações no organismo da mulher, que acontecem principalmente devido à queda na produção de estrogênio, incluindo perda de massa óssea e massa magra, cansaço, diminuição do colágeno e ressecamento da pele e cabelos, com consequente acentuação dos sinais de envelhecimento. Além disso, o emocional da mulher tende a ficar extremamente abalado, visto que deixa de apresentar a mesma aparência e feminilidade que tinha anteriormente”, destaca a médica.

A queda de estrogênio na menopausa afeta principalmente a região íntima da mulher e, consequentemente, sua vida sexual. “A diminuição dos hormônios femininos leva à atrofia vaginal e redução da libido e da lubrificação do genital, fatores que afetam diretamente o bem-estar da mulher, visto que, na região íntima, uma mucosa atrofiada e sem lubrificação pode causar dor e desconforto durante a relação sexual, sangramento, ardência, corrimentos e até mesmo infecções urinárias de repetição”, explica a ginecologista.

De acordo com a especialista, com a diminuição hormonal e desconhecimento de sua nova identidade física devido à menopausa, a mulher também pode perceber o envelhecimento de uma forma mais conturbada, transferindo essa insatisfação para seu relacionamento sexual. “A falência ovariana também faz com que a mulher se torne incapaz de engravidar, salvo em casos em que se tenha realizado ovodoação prévia ou congelamento dos óvulos.”

A má notícia é que não existem métodos para se prevenir ou retardar a menopausa, visto que é definida geneticamente. Porém, esse processo de alterações hormonais tem fim, o que ocorre por volta 65 anos, quando a mulher entra no período senil e os sintomas e desconfortos consequentes da baixa hormonal se encerram.

Além disso, para as mulheres que sofrem demais com a queda hormonal é possível reduzir os sintomas da menopausa por meio da reposição de estrogênio em baixas doses por administração local (vaginal) ou sistêmica (oral e transdérmica). “A reposição hormonal restabelece a função orgânica, melhorando a sintomatologia da menopausa e, consequentemente, a adaptação da mulher a essa nova fase de sua vida”, ressalta Ana.

“Porém, o tratamento com hormônios é contraindicado para pacientes oncológicas ou com histórico de câncer, com patologias que não permitem associação hormonal ou que sofrem de alterações mamográficas e bioquímicas. O medo e o desejo da paciente também possuem grande influência na hora do médico prescrever a reposição hormonal.”

Os sintomas da menopausa também podem ser mascarados com terapia cognitiva comportamental e hipnoterapia, métodos alternativos ao tratamento hormonal que têm se mostrado muito promissores. “Por fim, é importante ressaltar que a menopausa é um processo natural do envelhecimento que ocorrerá em todas as mulheres em algum momento da vida. Por isso, ao notar os sintomas da queda hormonal, o mais importante é que você visite um médico ginecologista, que poderá dar orientações para que você passe por essa nova fase de sua vida da forma mais tranquila possível”, finaliza.

Fonte: Ana Carolona Lúcio Pereira é ginecologista, membro da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), especialista em Ginecologia Obstetrícia pela Associação Médica Brasileira e graduada em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005.

Climatério: severidade das ondas de calor aumenta risco de eventos cardiovasculares

60% a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores

É a severidade e não a frequência das ondas de calor do climatério, o famoso fogacho, que aumenta o risco de eventos cardiovasculares, como infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Essa foi a principal descoberta de um estudo publicado esse ano, no American Journal of Obstetrics and Gynecology.

O estudo reuniu dados de 23 mil mulheres por meio da análise de seis estudos prospectivos, fruto de uma colaboração internacional, liderada pela Universidade de Queensland, na Austrália. Segundo Edvaldo Cavalcante, ginecologista e obstetra, cerca de 60% a 80% das mulheres no climatério apresentam sintomas vasomotores, como os fogachos e suor noturno.

“Esses sintomas costumam se acentuar dois anos antes da última menstruação (menopausa), com um pico de um ano após a menopausa. Em média, esses incômodos podem durar até sete anos. Além de afetar a qualidade de vida, aumentam o risco de eventos cardiovasculares”.

O que o estudo mostrou de interessante é que o risco de problemas cardiovasculares aumenta de acordo com a severidade das ondas de calor e dos suores noturnos.

“Mesmo que a mulher tenha uma frequência maior desses sintomas, a severidade é o que realmente faz a diferença quando se fala de maior probabilidade de ter um AVC ou um infarto, por exemplo”, comenta Cavalcante.

Início precoce ou tardio

Outra descoberta dos pesquisadores é o que risco de eventos cardiovasculares também é maior nas mulheres que apresentaram esses sintomas precocemente (muito tempo antes da menopausa) ou tardiamente (muito tempo depois da menopausa).

Janela de oportunidade

Infelizmente, não há evidências científicas sólidas sobre hábitos que possam prevenir os sintomas vasomotores no climatério. “Entretanto, quanto mais saudável a mulher chegar a essa fase, melhor. Inclusive porque aquelas com doenças cardiovasculares prévias têm contraindicação para realizar a terapia hormonal (TH)”, comenta o médico.

“Atualmente, o consenso sobre a indicação da TH aponta que deve ser iniciada na transição menopáusica ou nos primeiros anos após a menopausa, no que chamamos de ‘janela de oportunidade’. Mas, a TH só pode ser prescrita para mulheres saudáveis e sem doenças cardiovasculares”, explica o especialista.

A TH indicada nessa janela não só alivia os sintomas vasomotores, como também reduz o risco cardiovascular.

Alternativas aos hormônios

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De acordo com Cavalcante, existem alternativas para as mulheres que possuem contraindicação ou que não desejam usar a TH. “Os estudos mais recentes apontam que o tratamento com alguns fármacos de uso psiquiátrico, como antidepressivos ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), ISRN (inibidores seletivos da recaptação de serotonina-norepinefrina) e a gabapentina (anticonvulsivante) são eficazes em reduzir os sintomas vasomotores”, cita o ginecologista.

Por outro lado, fitoterápicos e acupuntura são terapias controversas, com estudos de menor consistência.

Quanto ao estudo citado no início do texto, o recado é claro: mulheres com quadros mais severos de sintomas vasomotores no climatério e na pós-menopausa devem ser monitoradas mais de perto.

“Isso significa fazer check-up com maior frequência, bem como reduzir os fatores de risco preveníveis, como obesidade, tabagismo, sedentarismo, hipertensão arterial e hipercolesterolemia”, encerra o médico.

Fonte: Edvaldo Cavalcante é médico ginecologista e obstetra, mestre e Doutor em Ginecologia, graduou-se em Medicina pela Universidade de Santo Amaro (UNISA–SP), realizou Residência em Ginecologia e Obstetrícia no SUS, em São Paulo; Especialização em Endoscopia Ginecológica no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPM-SP) e capacitação em Cirurgia Robótica no Intuitive Surgical Training Center, na Flórida (EUA). Possui títulos de Especialista em Ginecologia e Obstetrícia; Especialista em Videolaparoscopia e Histeroscopia pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

Oito erros comumente realizados na hora do banho que podem prejudicar a saúde

Apesar de parecer um hábito simples, existe uma série de cuidados que devem ser tomados durante o banho para evitar o surgimento de condições que podem afetar a pele, os cabelos e o organismo como um todo

Seja de manhã para acordar ou à noite para relaxar, não há nada melhor do que tomar um bom banho. Mas, por mais simples e rotineiro que esse hábito possa parecer, existem certas práticas que nós realizamos durante o banho que podem ser prejudiciais para a pele, os cabelos e o organismo, como a falta de higienização das toalhas, o tipo de sabonete utilizado ou a temperatura da água.

Por isso, mesmo durante o banho mais rápido, devemos tomar alguns cuidados para evitar sofrer com problemas como ressecamento da pele e dos cabelos e até mesmo infecções. Então, para ajudar você a aproveitar o banho da melhor maneira possível, reunimos um time de especialistas para dar dicas sobre como realizar esse hábito. Confira:

Tomar banho em excesso: principalmente no verão, é comum tomarmos mais de um banho por dia. Mas é importante tomar cuidado com esse hábito, pois o excesso de banhos pode interferir no ambiente cutâneo saudável, prejudicando o manto hidrolipídico e a microbiota. “Limpar demais a pele, sem repor a umidade, pode causar um ressecamento em um primeiro momento e depois a produção rebote de mais oleosidade. Além disso, o excesso de lavagens pode desequilibrar o microbioma da pele, uma ‘população’ de bactérias boas que nos protegem contra doenças e outros problemas, como ressecamento e sensibilidade da pele”, explica Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica Gru Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Por isso, o recomendado é que você tome banhos no máximo duas vezes por dia.

Tomar banho com água quente: água quente pode remover demais a oleosidade da pele, favorecendo o ressecamento, descamação, irritação e o efeito rebote, que leva ao aumento da produção de oleosidade. Logo, o ideal é optar por banhos frios. “Além de prevenir a perda da oleosidade natural da pele, a água fria ajuda a contrair os vasos sanguíneos, fechando os poros e diminuindo a vermelhidão e o inchaço, e aumenta a circulação na região, conferindo ao rosto um aspecto mais brilhante e saudável”, destaca Claudia Marçal, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia. Outra opção é optar por banhos curtos, com menos de dez minutos, em água morna, que já são suficientes para manter a pele e o cabelo com uma aparência brilhante e saudável. Se tiver dúvidas quanto a temperatura da água, basta observar os espelhos e o box: caso estejam embaçados, é melhor diminuir a temperatura.

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Lavar os cabelos excessivamente: todo mundo sabe que não lavar os cabelos pode favorecer o surgimento de uma série de problemas, como queda e caspa. Mas realizar a higienização em excesso é igualmente prejudicial. “Não remover demais a oleosidade dos fios estimula a produção de sebo pelas glândulas sebáceas. Por isso, o recomendado é que você lave os cabelos de acordo com as suas necessidades. Por exemplo, quem pratica atividades físicas ou utiliza pomadas nos cabelos deve higienizá-los diariamente para remover impurezas e resíduos de produtos que podem ficar acumulados nos fios. Já quem tem cabelos oleosos e grossos pode aumentar um pouco o espaço entre as lavagens, que deve ser ainda maior no caso de pessoas de cabelos secos e finos”, recomenda Lucas Fustinoni, médico divulgador científico nas áreas de Tricologia e Estética, Fellowship de Estética em Miami e membro da World Trichology Society.

Utilizar o sabonete errado: usar apenas um sabonete durante o banho é prejudicial para a pele, pois o tecido cutâneo de diferentes regiões possui características e necessidades específicas. Por isso, o recomendado é que você tenha dois sabonetes diferentes: um para o corpo e outro para o rosto. “O pH do sabonete corporal é incompatível com a pele do rosto. Logo, se utilizado nessa região, pode causar desidratação e, em seguida, o efeito rebote. E o mesmo vale no caso contrário, já que, por ser mais suave, o sabonete facial pode não ser eficaz na remoção de sujidades e oleosidade do corpo”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Além disso, é importante evitar o uso de sabonetes com ação antisséptica. “Isso porque esse tipo de sabonete pode reduzir a quantidade dos microrganismos responsáveis por manter o pH da pele em equilíbrio, tornando-a ressecada, desprotegida e mais suscetível a doenças como dermatite e acne e aos danos ambientais que causam o envelhecimento precoce”, completa Cassiano.

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Passar o sabonete onde você não deveria: utilizar o sabonete em todo o corpo é a ação mais natural. Mas existe uma região que, ao contrário do que muitos pensam, não deve ser higienizada com sabão. “A vagina não necessita de assepsia, pois, além de acumular menos sujidades, possui pH menos ácido, que, quando desequilibrado devido à higienização, favorece a proliferação de agentes patógenos que podem causar infecções. Logo, o ideal é realizar a higienização apenas da vulva, que é a parte externa do órgão genital feminino”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU.

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Não trocar a toalha com frequência: é fundamental trocar e higienizar as toalhas pelo menos uma vez por semana. “Isso porque as toalhas são um ambiente propício para a proliferação de fungos e bactérias, além de acumularem óleos, células da pele e outros detritos, o que pode aumentar o risco de infecções de pele e irritações”, alerta Claudia. Além de lavar regularmente, é importante secar as toalhas corretamente para mantê-las livres de microrganismos nocivos. Logo, o ideal é pendurá-las em um local fresco, com bastante circulação de ar e pouca umidade e esperar até que sequem completamente.

Usar a mesma toalha para o corpo e rosto: segundo Claudia, além de lavá-las com regularidade, é importante utilizar toalhas diferentes para o corpo e para o rosto. “Isso porque alguns resquícios de produtos que você coloca em seu corpo, como hidratantes e fragrâncias, podem ficar na toalha e serem transmitidos para o seu rosto, obstruindo os poros, favorecendo o surgimento de cravos e espinhas e causando erupções cutâneas”, completa a dermatologista.

Não hidratar a pele após o banho: e os cuidados não devem ser restringidos apenas ao momento do banho em si. Após se enxugar, é fundamental realizar a hidratação da pele da face e do corpo para manter a barreira de proteção do tecido intacta. “Para isso, o ideal é buscar produtos cujos veículos sejam à base de fosfolipídeos, que formam uma segunda pele e protegem a derme de forma mais efetiva diminuindo a perda de água por evaporação. A associação do ácido hialurônico de alto e baixo peso molecular também é uma ótima opção, pois os ativos atuam em sinergia para estimular a produção de hidratação natural em todas as camadas da pele”, destaca Paola.

Você pode investir em substâncias como Hyaxel, DSH CN, Nutriomega 3, 6, 7 e 9. Para hidratar a face, por exemplo, você pode optar pelo uso do sérum 4D, da Buona Vita, que contém quatro ácidos hialurônicos, incluindo os de alto e baixo peso molecular, para promover hidratação nas camadas mais profundas da pele e preenchimento das rugas.

Já para o corpo, aposte no Nutribalm Lipid Replenish, da Ada Tina Italy, um hidratante corporal com Niacinamida Clareadora de textura leve e macia capaz de hidratar, nutrir, proteger e manter a pele integra e saudável, sendo assim capaz de prevenir o envelhecimento e o escurecimento da pele. “Aplicar os hidratantes após o banho é uma ótima maneira de melhorar a penetração dos ingredientes cosméticos. Mas tome cuidado na hora de aplicar os produtos para não deixar de lado regiões como pescoço, área dos olhos, joelhos e cotovelos. Além disso, evite realizar movimentos muito bruscos e repetitivos, que podem irritar a pele, fazendo com que os produtos percam o seu efeito”, finaliza Isabel Piatti, Consultora Executiva em Estética e Inovação Cosmética e conselheira do Comitê Técnico de Inovação da Buona Vita.