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Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial

Hipertensão arterial afeta 1 em cada 4 brasileiros; “pressão alta” é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de doenças no coração, cérebro e rins que podem ser fatais

Ao aferir a pressão arterial, o esperado é que o resultado seja em torno de 120 por 80 mmHg. Quando o número registrado é igual ou maior do que 140 por 90 mmHg, a hipertensão é diagnosticada. De acordo com dados do Ministério da Saúde, mais de 38 milhões de brasileiros sofrem com essa doença. O grande perigo é que, em 99,9% dos casos, ela não apresenta sintomas.

“Chamamos a doença de ‘inimigo silencioso’ porque ela provoca danos no organismo sem dar sinais. São cerca de 300 mil mortes registradas por ano no Brasil devido às doenças no coração e cérebro, segundo o Ministério da Saúde. Por conta desses quadros, podemos certificar que 80% dos óbitos por acidente vascular cerebral (AVC-derrame cerebral) e 60% dos infartos agudos do miocárdio foram causados pela pressão arterial elevada”, revela Celso Amodeo, cardiologista do sono e especialista em hipertensão arterial do Hcor.

Por ter múltiplas causas, entre elas fatores genéticos e ambientais, o médico alerta que não é fácil determinar o que leva à chamada “pressão alta”. No entanto, é preciso ter em mente que há diversas maneiras de preveni-la. “Começando pelos bons hábitos, como manter uma alimentação saudável, com pouco sal, praticar exercícios físicos, não fumar e não ingerir bebida alcoólica. O que poucas pessoas sabem é que a qualidade do sono pode influenciar a pressão arterial. A apneia obstrutiva do sono, por exemplo, impacta no controle da pressão arterial. Além disso, o uso indiscriminado de alguns medicamentos, como anti-inflamatórios não hormonais, pílula anticoncepcional e os sprays nasais com vasoconstritores também podem levar ao desenvolvimento da hipertensão”, explica Amodeo.

Para o diagnóstico, é importante observar a pressão arterial ao longo de 24 horas. “Isso porque temos casos de hipertensão noturna, durante o sono, que também trazem um risco cardiovascular aumentado aos pacientes, mesmo quando a pressão arterial de vigília está dentro dos valores aceitáveis. Devido às diversas causas da pressão alta, a conduta é baseada em múltiplos medicamentos que agem em diferentes sistemas do organismo”, esclarece Amodeo.

Aprenda a aferir a pressão

Oscilométrico

Seja em casa, no consultório do médico ou na farmácia, fazer a medição com certa regularidade pode salvar a vida. Existem dois tipos de aparelhos para aferir a pressão arterial: os aneroides que empregam o método auscultatório e necessitam de estetoscópio; e os aparelhos digitais que empregam um método chamado oscilométrico. Independentemente do modelo escolhido, são indicados alguns cuidados:

Não tomar medicamentos antes
-Não estar com bexiga cheia
-Não ter praticado exercícios físicos há pelo menos 60 minutos
Descansar 5 minutos antes de iniciar
-Estar sentado e não cruzar as pernas
-Não falar durante a medição
-Utilizar sempre o braço esquerdo
-Não tomar café ou álcool 30 minutos antes

Fonte: Hcor

Silenciosa e devastadora: pressão alta pode desencadear sérios danos cerebrais em longo prazo

Baseado em estudos internacionais recentes, Neurocirurgião Feres Chaddad alerta sobre a relação da hipertensão com consequências neurológicas graves

A hipertensão é uma das doenças crônicas com maior prevalência entre a população brasileira. Segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), divulgada em novembro de 2020, mais de 38,1 milhões de pessoas com 18 anos ou mais se enquadram como hipertensos, número que corresponde a 23% da população total do país.

Assim como a alta incidência, o alerta que esses dados também devem trazer é que apesar de estar constantemente relacionada a problemas cardíacos e hepáticos, pacientes com hipertensão descontrolada podem também sofrer com comprometimento significativo do cérebro e suas funções.

“A pressão alta está por trás de cerca de 80% dos casos de acidente vascular cerebral (AVC). Uma taxa altíssima que precisa ser considerada. Além de também ser responsável por casos de aneurismas, cegueira, derrames, isquemias, arteriosclerose e demência vascular, novos estudos têm evidenciado os riscos da doença que já temos acompanhado ao longo dos anos no consultório, especialmente da relação com doenças neurológicas”, explica Feres Chaddad, Professor de Neurocirurgia da Unifesp, especialista em danos neurológicos e Malformação Artério-Venosa.

O Artigo “Hypertension-induced cognitive impairment: from pathophysiology to public health”, publicado em junho de 2021, é uma das revisões mais recentes sobre a associação da hipertensão com impactos no cérebro. Segundo o estudo, a pressão alta afeta a integridade estrutural e funcional da microcirculação cerebral, causando alterações patológicas importantes nos pequenos vasos, que contribuem para o surgimento de hemorragias, infartos lacunares (silenciosos e que podem se acumular e provocar sequelas a longo prazo), assim como lesões da substância branca (comum na população idosa e principalmente nos indivíduos com fatores de risco cardiovasculares), e aumento do declínio cognitivo.

Impactos cerebrais da doença

O artigo aponta que as consequências cerebrais induzidas pela hipertensão podem ser consideradas como resultado do envelhecimento vascular acelerado pela doença. Outras alterações ressaltadas se referem ao desenvolvimento de placas ateroscleróticas (acúmulo de gordura) em artérias cerebrais maiores, que desregulam o fluxo sanguíneo cerebral e levam a derrames isquêmicos.

“A pressão alta pode bloquear e entupir as artérias, que ficam mais enrijecidas e propensas ao surgimento de AVCs, aneurismas e outras patologias. Em idosos, os perigos são ainda maiores, devido a doença provocar a má adaptação da circulação cerebral, que resulta em danos à estrutura microvascular, ruptura da barreira hematoencefálica (estrutura que previne a passagem de substâncias do sangue para o sistema nervoso central), estresse oxidativo e defasagem do acoplamento neurovascular”, complementa Feres.

Outro ponto a destacar é que a hipertensão descontrolada acelera também o declínio cognitivo, podendo comprometer a memória, concentração e raciocínio. Segundo uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que utilizou como base de dados o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto – ELSA Brasil, depois de quatro anos de acompanhamento, 22% dos voluntários que apresentavam pré-hipertensão e 46,8% que eram hipertensos demonstraram declínios cognitivos importantes.

Subnotificação de danos neurológicos

Pixabay

A desatenção aos sintomas neurológicos leves e intermediários, a dificuldade do acompanhamento de pacientes e grupos de risco que não acessam o sistema de saúde e a falta de atendimentos integrais que observem os impactos na saúde de maneira específica, mas abrangente, esconde um problema muito mais expressivo. Parte desses pacientes pode vir a desenvolver manifestações neurológicas tardias e ter seu processo terapêutico impactado.

Necessidade do acompanhamento neurológico global

“A implementação de centros de triagem neurológica em hospitais e postos de atendimento é urgente. O acompanhamento longitudinal, com equipes multidisciplinares e check-ups médicos regulares é fundamental para todos os pacientes acometidos por doenças importantes, como a hipertensão. Incluir avaliação neurológica para examinar vários domínios cognitivos pode identificar alterações neurológicas, de maneira precoce, e assim trabalhar na redução da incidência de danos graves e riscos futuros”, reforça Chaddad.

Dia Nacional de Combate à Hipertensão

Médico Cid Pitombo explica as causas da doença e como se prevenir

Sua vida tem sido estressante? A alimentação desregrada? Suas atividades físicas estão prejudicadas com a pandemia? Aumentou o consumo de tabaco e álcool? E de comidas prontas, industrializadas? Você se sente ansioso? E durante a pandemia do novo coronavirus, os problemas se acentuaram? Pois bem, saiba que você pode estar hipertenso e não sabe. A pressão arterial acima de 12×8 ou de 13×9, em idosos, é considerada acima do normal e muitas vezes o indivíduo está acima desse patamar sem sentir nada de diferente, é a chamada doença silenciosa.

E a hipertensão pode provocar diversas doenças, como arritmias cardíacas, acidente vascular cerebral isquêmico e hemorrágico, demência, aneurisma da aorta torácica e abdominal, insuficiência cardíaca, angina do peito, infarto agudo do miocárdio, perda progressiva da visão e insuficiência renal. Um estudo divulgado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia relatou aumento de casos de hipertensão e também de problemas cardiovasculares que chegaram a aumentar o número de óbitos em 2020 em 132%.

A boa notícia é que ao se controlar a hipertensão com medicamentos, as chances de se desenvolverem essas doenças são muito reduzidas.

” Cerca de 25% dos brasileiros já tinham hipertensão antes da pandemia. Esperamos novos dados do Ministério da Saúde para saber como estamos agora. Certamente é maior porque foi um ano muito estressante para todos. Mas, em linhas gerais, o que sempre alertamos aos pacientes e estamos reforçando é que muitas doenças podem ser evitadas se diminuirmos o fumo e álcool excessivo, alimentos industrializados e ultraprocessados, que são carregados de sódio, se abandonarmos de vez o sedentarismo e ao menos, fazermos uma caminhada, pular corda, andar de bicicleta, ou exercícios funcionais em casa mesmo; e dormimos ao menos 7 horas por dia”, afirma o médico Cid Pitombo, especialista em tratamentos para obesidade e cirurgia bariátrica por videolaparoscopia.

“Fazendo essa rotina, já vai ajudar a aliviar o estresse, grande provocador de hipertensão. Aí pode complementar com atividades prazerosas, como ouvir música, dançar, ler um bom livro, brincar com crianças ou animais e tantos outros hobbies ou atividades que trazem mais calma, conforto e alegria”, reforça.

Entre os sintomas mais comuns que podem aparecer quando a pressão está acima do normal estão dor de cabeça, dor na nuca, tontura, enjoo, dor no peito (angina), falta de ar e visão turva ou embaçada, mas normalmente a doença se instala sem dar sinais. “E é muito comum famílias terem o mesmo problema, tanto de diabetes quanto de hipertensão, porque normalmente os hábitos ruins são adotados por todos, sobretudo a alimentação rica em sal, açúcar, farinhas e gorduras”, lembra o médico.

Ilustração: RACGP

“E depois da Covid trazendo tantas complicações associadas a essas comorbidades, o que se espera é a sociedade melhorar todos esses hábitos. Pacientes portadores de obesidade mórbida quando submetidos à cirurgia bariátrica, por exemplo, ao perderem peso, têm o benefício da reversão da hipertensão na maior parte dos casos. Diminuindo além da chance estatística das doenças que a hipertensão leva, a uma importante diminuição no custo com medicamentos, em um momento importante como o que estamos vivendo”, complementa.

Fonte: Cid Pitombo é especialista em obesidade e cirurgias bariátricas

Dieta baseada em vegetais e pouca quantidade de carne e laticínios ajuda a diminuir pressão arterial

Queijos e outros produtos lácteos, além da carne, são alimentos que devem ser consumidos com muita moderação por pacientes hipertensos. Estudo, publicado em julho no Journal of Hypertension, avaliou que mais importante que não comê-los é priorizar os vegetais na dieta.

“Segundo o estudo, qualquer esforço para aumentar alimentos à base de plantas em sua dieta e limitar produtos animais provavelmente beneficiará sua pressão arterial e reduzirá o risco de ataques cardíacos, derrames e doenças cardiovasculares”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Os pesquisadores da Universidade de Warwick conduziram uma revisão sistemática de pesquisas anteriores de ensaios clínicos controlados para comparar sete dietas à base de plantas, várias das quais incluíam produtos de origem animal em pequenas quantidades, a uma dieta de controle padronizada e o impacto que estes tiveram na pressão arterial dos indivíduos.

Foto: Olga’s Flavor Factory

“As dietas à base de plantas sustentam o alto consumo de frutas, vegetais, grãos integrais, legumes, nozes e sementes, limitando o consumo da maioria ou de todos os produtos de origem animal (principalmente carne),” afirma a médica. A pressão alta é o principal fator de risco global para ataques cardíacos, derrames e outras doenças cardiovasculares. Uma redução na pressão sanguínea traz importantes benefícios à saúde, tanto para indivíduos quanto para populações.

Segundo a médica, dietas não saudáveis são responsáveis por mais mortes e incapacidades, globalmente, do que o uso de tabaco, alto consumo de álcool, uso de drogas e sexo inseguro juntos. Segundo o estudo, um aumento no consumo de grãos integrais, vegetais, nozes, sementes e frutas, como alcançado em dietas à base de plantas, poderia evitar até 1,7, 1,8, 2,5 e 4,9 milhões de mortes globalmente a cada ano, respectivamente, anualmente, de acordo com pesquisas anteriores.

“Já se sabe que dietas vegetarianas e veganas com total ausência de produtos de origem animal diminuem a pressão arterial em comparação com dietas onívoras. Sua viabilidade e sustentabilidade são, no entanto, limitadas. Até agora, não se sabia se era necessária uma completa ausência de produtos de origem animal nos padrões alimentares baseados em plantas para obter um efeito benéfico significativo na pressão sanguínea”, diz Marcella.

O estudo estima que uma redução na escala da pressão arterial causada por um maior consumo de dietas à base de plantas, mesmo com produtos de origem animal limitados, resultaria em uma diminuição de: 14% nos acidentes vasculares cerebrais, 9% nos ataques cardíacos, e 7% na mortalidade geral. “Esta é uma descoberta significativa, pois destaca que a erradicação completa de produtos de origem animal não é necessária para produzir reduções e melhorias na pressão arterial. Dessa forma, fica mais fácil para o paciente colocar em prática uma mudança em direção a uma dieta baseada em plantas”.

A pesquisa ainda sugere ações multissetoriais por parte de governos e sociedade para aumentar a disponibilidade e diminuir os custos de alimentos vegetais com a intenção de promover mudanças de políticas com foco na sustentabilidade ambiental da produção de alimentos, coleta de informações científicas e consequências para a saúde. “Introduzir mais vegetais à dieta trará uma série de benefícios à saúde. Independente da opção alimentar pessoal, as escolhas devem compor um hábito de consumo variado, equilibrado e o mais natural quanto possível”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

Hipertensão sem controle pode levar à insuficiência renal

A hipertensão é um dos maiores problemas de saúde no mundo. Essa doença crônica é marcada pelo aumento dos níveis de pressão sanguínea nas artérias. Isso força o coração a fazer maior esforço para bombear o sangue pelos vasos sanguíneos. Além disso, a doença pode afetar outros órgãos vitais. 

Especialistas afirmam que os rins podem ser comprometidos pela hipertensão arterial, chegando à insuficiência renal. E é uma relação de mão dupla: se a função renal estiver com problemas, pode levar ao aumento da pressão arterial. Em ambos os casos, há outro fator que agrava: a hipertensão e os problemas renais costumam ser silenciosos no início e só manifestar sintomas quando já instalados com certa gravidade. 

O ideal é manter coração e rins funcionando da melhor forma. Isso exige que a pessoa sempre cuide da saúde, com atitudes no dia a dia e acompanhamento por exames de rotina, que podem indicar alterações.  

Sintomas e causas

A aferição da pressão é feita por meio de duas medidas: a sistólica ou máxima, observada durante a contração do músculo cardíaco, e a diastólica ou mínima, durante o relaxamento do músculo. A referência para uma pessoa ser considerada hipertensa é pressão arterial superior a 14 por 9.

Em mais de 30% dos casos, não há sintomas de pressão alta na fase inicial. Portanto, para descobrir a hipertensão, há necessidade de aferi-la regularmente. No restante dos casos, alguns dos sinais podem ser dor de cabeça, cansaço e tontura, que também são sintomas de outros problemas de saúde. 

Quem apresenta pressão alta e sem controle por muito tempo vai minando o sistema vascular. Como o que impacta o coração também afeta os rins, as artérias e arteríolas renais também são muito atingidas pela pressão arterial alta. Elas podem sofrer alterações que levam à perda progressiva da função excretora do excesso de volume e de substâncias resultantes do metabolismo. Essa falha na função renal também contribui para aumentar a pressão arterial.  

Os fatores que desencadeiam a hipertensão – e também podem causar problemas renais – incluem genética, sedentarismo, obesidade, colesterol alto e má alimentação. Costumam ser mais comum em pessoas mais velhas. Tabagismo, diabetes, excesso de estresse, de consumo de sal e de bebida alcoólica agravam a situação.  

Diagnóstico  

Por rotina ou para investigar suspeita de problema renal desencadeado ou agravado pela hipertensão, o clínico geral pode solicitar inicialmente a dosagem da creatinina no sangue e o exame de urina tipo 1. 

Se os níveis de creatinina estiverem aumentados, há problema na eliminação pela urina, ou seja, algo errado no funcionamento dos rins. Já o exame de urina tipo 1 aponta se há perda da proteína albumina na urina, algo que não deve ocorrer. Se houver, é indício de algo irregular.  

Outros exames inicialmente solicitados são os de imagem, como a ultrassonografia de abdome total. Ela pode detectar o estado das artérias, mostrando como está a irrigação dos rins e se há alguma alteração no fluxo sanguíneo para ele.  

Tratamento e prevenção  

Remédios para a hipertensão arterial e os específicos para estabilizar a função renal são prescritos conforme a necessidade do paciente. Se for o caso, também será indicado tratamento para controlar as doenças relacionadas, como diabetes, obesidade e o colesterol alto.

Tratar e especialmente prevenir a hipertensão arterial e a possível consequência para os rins passam pela mudança de hábitos, como adotar uma alimentação balanceada, com redução no consumo de sal e de alimentos gordurosos. Também recomenda-se melhorar a hidratação, bebendo mais água e praticar exercícios físicos regularmente. O cigarro deve ser abandonado, assim como ingerir bebidas alcoólicas em excesso.

Fonte: Rede D’or São Luiz

Pesquisa revela que paulistas não controlam colesterol, hipertensão e diabetes

Especialista fala sobre os perigos de não tratar essas e outras doenças que afetam o coração

O colesterol, hipertensão e diabetes são os principais fatores de risco para as complicações cardiovasculares, principalmente quando a evolução destas doenças não é acompanhada e tratada por um especialista.

Uma recente pesquisa, realizada com 9 mil pacientes em Unidades Básicas de Saúde (UBS), em 32 cidades do estado de São Paulo, e analisada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp), indicou que a maioria dos paulistas não se preocupa com o controle destas doenças. Segundo dados do estudo, apenas 16% dos entrevistados se importam com o controle do colesterol, só 25% dos participantes estavam com bons níveis de glicemia, enquanto 48% nem se dedicava em checar e controlar a pressão arterial.

Para Elcio Pires Júnior, cirurgião cardíaco e membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular, o principal motivo destas doenças serem tão prevalentes entre os brasileiros são os maus hábitos da população. “No Brasil, além dos altos índices de obesidade e sobrepeso, o sedentarismo somado a alimentação ruim, favorece não só para a hipertensão, mas também para o colesterol e diabetes”, alerta o médico.

Como estas doenças afetam o coração?

O diabetes, doença que afeta a resistência insulínica, resulta em um estado inflamatório do organismo. Esta inflamação favorece uma condição chamada de aterosclerose, onde placas de gordura se acumulam no interior das artérias, fazendo com que os vasos percam a sua flexibilidade natural. Quando o colesterol ruim está alto, há uma grande quantidade de LDL circulando pelo organismo, que podem se depositar no interior dos vasos. O enrijecimento das artérias exige que o coração trabalhe ainda mais para que o sangue circule por essas vias que estão cada vez mais estreitas, resultando na hipertensão.

“A hipertensão é um alerta vermelho para o infarto e para o AVC. Se os hábitos não mudarem, os vasos podem se obstruir em qualquer momento, interrompendo o fluxo de sangue. Se isso acontecer próximo do coração e o músculo cardíaco deixar de ser irrigado, temos o infarto do miocárdio. Se acontecer próximo ao cérebro, temos o Acidente Vascular Cerebral”, conta o especialista.

Sem sintomas, sem busca por ajuda

Tanto a hipertensão quanto o alto colesterol e diabetes, em seu início, são doenças que não apresentam sintomas característicos. Quando alguns sinais começam a aparecer, pode já ser tarde para reverter. “Check-ups regulares podem identificar essas doenças previamente, oferecendo ao paciente uma alternativa: a mudança de hábitos”, ressalta o cirurgião.

Vale lembrar que existem vários fatores para o desenvolvimento dessas doenças, até mesmo o avanço da idade. Entretanto, de maneira geral, a melhor maneira de se prevenir é evitando o alto consumo de bebidas alcoólicas, assim como o excesso de sódio na alimentação. Vale lembrar que o tabagismo, o sedentarismo e a má alimentação são os principais fatores para o desenvolvimento dessas doenças.

“Embora essas doenças não tenham cura, existe tratamento. E controlar o diabetes, a pressão alta e o colesterol alto são fundamentais para a saúde geral do organismo e a longevidade. Antes que essas doenças apareçam, previna-se!”, finaliza o médico.

Fonte: Élcio Pires Júnior é coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital e Maternidade Sino Brasileiro – Rede D’or – Osasco, e coordenador da cirurgia cardiovascular do Hospital Bom Clima de Guarulhos. Membro especialista da Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular e da The Society of Thoracic Surgeons dos EUA. Especialista em Cirurgia Endovascular e Angiorradiologia pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. E atualmente é cirurgião cardiovascular pela equipe do Dr. André Franchini no Hospital Madre Theodora de Campinas.

Covid-19: pacientes com diabetes correm mais risco?

Pessoas com doenças crônicas têm desfechos clínicos piores quando são infectadas pelo coronavírus, mas não há evidências de que estão mais propensas a contraírem a doença

As estatísticas demonstram que pessoas idosas e com condições médicas crônicas, como diabetes e doenças cardíacas, têm mais riscos quando contraem o Covid-19. Em um estudo chinês, feito com mais de 173 pacientes, que foram acometidos de maneira severa pelo coronavírus, 23% tinham hipertensão arterial e 16%, diabetes. No Brasil, a primeira vítima fatal do vírus foi um idoso com ambas doenças.

Segundo Rodrigo Noronha, cardiologista do Hospital BP, atualmente, não há dados suficientes para mostrar que pessoas com diabetes tenham, ou não, mais chances de contrair o vírus, mas que, na China, os diabéticos apresentaram mais complicações durante a evolução do Covid-19.

diabetes 2

“Esses pacientes já são mais propensos a apresentarem sintomas graves quando são infectados por um vírus, de forma geral. Contudo, se o diabetes estiver controlado, o doente tem uma chance de complicação quase igual à população sem a doença”, explica o médico. “Isso acontece porque as infecções virais podem aumentar a inflamação e o inchaço no corpo, assim como o açúcar elevado no sangue, então, controlar o diabetes é extremamente importante para que esse paciente fique mais seguro”, completa.

No Brasil, 73% dos pacientes com diabetes ainda estão fora de controle e o avanço dessa doença já é considerado uma epidemia global pela OMS, que estima que o diabetes tipo 2 teve crescimento próximo a 62% na última década, mas é a baixa adesão às terapias que impacta em complicações no coração e nos rins, causando hipertensão, insuficiência cardíaca e renal, e, em tempos de pandemia, podem prejudicar o paciente.

Ainda segundo Noronha, não há indícios de que o coronavírus afete os pacientes com diabetes tipo 1 ou 2 de forma diferente. Contudo, é importante lembrar que os pacientes do tipo 2 que tratam a doença de forma medicamentosa têm mais chances de não serem adeptos à terapia e, por isso, se tornam mais suscetíveis a complicações. “Cada caso é um caso e deve ser tratado de forma individual, uma vez que temos diversas faixas etárias e quadros de comorbidades, como as doenças cardíacas”, completa o especialista.

“A boa notícia é que, nesse caso, os próprios pacientes têm o poder de mudar esse cenário e diminuir o grupo de risco para o coronavírus, mantendo o tratamento conforme recomendado pelo médico — e assim mantendo seus níveis de glicose equilibrados, controlando a obesidade e o sedentarismo, além de manter uma dieta saudável e planejada”, explica o Dr. Noronha. “Outro ponto essencial, é fazer check-ups cardiovasculares periódicos para monitorar qualquer mudança que comprometa a sua saúde”.

Sobre o diabetes

mulher meia idade diabete

Diabetes Mellitus é uma doença caracterizada pela elevação da glicose no sangue (hiperglicemia) que pode ser subdividida, principalmente, em dois tipos: o tipo 1, no qual há a deficiência de insulina, e o tipo 2, em que há a chamada resistência insulínica. No segundo tipo existe importante influência do aumento de peso e obesidade e o início da doença.

Mas como tratar a doença? Além da adoção hábitos saudáveis, incluindo boa dieta e o abandono do sedentarismo com início de atividade física, em muitos casos, o paciente tem de recorrer à medicação. Para auxiliar no controle dos níveis de açúcar na corrente sanguínea, a ciência tem evoluído e testado formas diversas de tratamento, que varia de acordo com a necessidade individual.

Fonte: AstraZeneca 

Hábitos de fácil introdução no cotidiano reduzem chances de doenças no coração

Atualmente, cerca de 300 mil pessoas morrem no Brasil todos os anos vítimas de arritmias cardíacas, segundo pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde em parceria com a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (Sobrac). “A prevenção é a melhor maneira para manter o coração fora de riscos e alguns hábitos simples inseridos no dia a dia podem evitar problemas futuros”, afirma Diego Gaia, coordenador de cardiologia do Hospital Santa Catarina.

Abaixo, o especialista elenca cinco hábitos de fácil introdução no cotidiano que podem reduzir consideravelmente as doenças cardiológicas:

Controle os fatores de risco

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A maior parte das mortes por doenças cardíacas poderiam ser evitadas se a pessoa controlasse o colesterol ruim (LDL) do corpo. Portadores ou pessoas com histórico familiar de diabetes e hipertensão devem redobrar a atenção.

Faça exames preventivos

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Principalmente após os 40 anos, é importante realizar exames de rotina para o coração. Um possível problema pode ser evitado ou minimizado, se descoberto com antecedência. Antes dessa idade, a pessoa deve procurar um cardiologista se perceber algum sinal atípico.

Pratique exercícios com regularidade e mantenha o peso sob controle

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Fazer atividades físicas regularmente é benéfico para a saúde no geral. Porém, se tratando do coração, é ainda mais: hormônios como a endorfina liberados pelo organismo após o exercício relaxam a parede das artérias. Com a queda da pressão arterial, a taxa de glicose diminui e o índice do colesterol bom aumenta. A recomendação é praticar 30 minutos de qualquer atividade física (ex: corrida, musculação, esportes com bola etc.), no mínimo três vezes por semana.

Não fume

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O tabagismo é um dos maiores potencializadores de doenças no coração. Entre as mais comuns causadas pelo fumo estão pressão alta, infarto e Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Priorize alimentos saudáveis

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A alimentação saudável é um dos principais fatores para evitar doenças cardiovasculares. O ideal é investir em frutas e verduras e é primordial evitar o excesso de sal e açúcar. Frituras e alimentos processados devem ser consumidos com moderação. Esses alimentos são verdadeiros vilões, já que podem elevar o colesterol ruim (LDL), um dos responsáveis por depositar gordura na parede das artérias.

Fonte: Hospital Santa Catarina

Neste inverno, convém cuidar do coração – por Américo Tângari Jr*

À medida que o frio avança, os hábitos adquiridos durante o verão e o outono vão sendo substituídos pelo eventual conforto do inverno: roupas pesadas, alimentação forte e uma sensação de aquecimento bem quieto dentro de casa. Mas é bom refletir se vale a pena passar a temporada de temperatura mais fria hibernando e ganhando peso.

Primeiro, é importante saber que as mortes por enfarte do miocárdio aumentam 30% durante o inverno, segundo estudos feitos em todo o mundo há pelo menos 50 anos. Até uma simples gripe ou a pouca atenção à prevenção favorecem as doenças do miocárdio, especialmente se a pessoa tem alguma predisposição e ainda não saiba.

pés frio lareira

E a bateria de ataque ao coração só aumenta: pesquisa recente da Universidade de Sydney revelou que o risco de ataque cardíaco é 17 vezes maior após uma infecção respiratória. Pelo estudo, publicado no Internal Medicine Journal, doenças como pneumonia, gripe ou bronquite podem desencadear os problemas.

Os dados mostram que o aumento do risco não ocorre necessariamente no início dos sintomas da infecção respiratória, mas atinge picos nos primeiros sete dias e vai reduzindo gradualmente. Os cientistas afirmam que o perigo, no entanto, permanece mais alto durante um mês.

Foram analisados 578 pacientes vítimas de ataque cardíaco por obstrução da artéria coronária – e todos forneceram informações sobre a ocorrência de doenças respiratórias, como dor de garganta, tosse, febre, dor no seio, sintomas de gripe, e se ainda relataram um diagnóstico de pneumonia ou bronquite nos dias que antecederam problema no coração. Entre os pacientes analisados, 17% relataram sintomas de infecção sete dias antes do ataque cardíaco, e 31% em até 31 dias.

O estudo ajuda a explicar a existência de picos de ataques cardíacos durante o inverno, quando essas infecções são mais comuns. Uma das hipóteses para que a exposição a infartos seja maior após o registro de infecções respiratórias é a ocorrência de alterações no fluxo sanguíneo.

Para não se tornar alvo desses ataques, o melhor remédio é procurar um médico, submeter-se aos exames e se precaver, como, por exemplo, avaliar as vacinações. Depois, seguir uma dieta própria e se preparar para uma vida longa e mais saudável.

Todas essas doenças vasculares – AVC, hipertensão, infarto, aterosclerose e outras – resultam de um estilo de vida inapropriado. Entre os principais fatores que ocasionam essas doenças estão má alimentação, tabagismo, álcool, sedentarismo, obesidade ou portadores de diabetes, além do estresse do dia-a-dia.

Mesmo que a pessoa não fume, não beba e caminhe regularmente, deve ficar atenta, pois, viver sem estresse nas grandes cidades brasileiras, é quase um milagre. Sem poluição, impossível. Importante saber que qualquer pessoa pode sofrer de pressão alta, essa doença silenciosa. Estima-se que um quarto da população seja hipertensa.

E nada na medicina substitui aquele verbo que todos conjugam, mas poucos o praticam: prevenir. Não contém nenhuma contraindicação. Mesmo que não haja na família um parente com histórico de doença coronariana, ou mesmo nenhum sintoma, não deixe de estar sempre atento ao seu coração.

coração partido

Também é importante manter a visita ao médico em dia, realizar os exames, monitorar os medicamentos, além de praticar exercícios indicados e seguir uma alimentação saudável.

Estudos realizados em hospitais especializados paulistas mostraram que, ao sentir frio, os receptores nervosos da pele estimulam a liberação de adrenalina e noradrenalina, este um hormônio responsável por contrair os vasos sanguíneos.

Todas as pesquisas indicam que a pressão arterial costuma ser mais alta no inverno, época na qual se consome alimentos mais calóricos. O problema é que isto vem junto com a preguiça de praticar exercícios físicos para queimar calorias.

É preciso mudar a história: a pessoa deve manter no inverno a frequência, o volume e a intensidade da atividade física costumeira – de preferência, de três a cinco vezes por semana, com duração de trinta minutos a uma hora.

mulher cabeça

Atenção aos sintomas que se manifestam em quase todas as doenças do coração ou que podem indicar algum tipo de comprometimento cardíaco:

– Falta de ar, seja no repouso ou no esforço; dor no peito, em virtude de má circulação sanguínea no local; cansaço fácil; desmaio após atividade física intensa; dor de cabeça; inchaço nos tornozelos.

Enfim, é importante se aquecer no inverno. Porém, o mais importante é passar por ele com boa saúde, sem correr nenhum risco.

*Américo Tângari Junior é especialista em cardiologia pela Sociedade Brasileira de Cardiologia e Associação Médica Brasileira

Cinco fatos que você precisa saber sobre hipertensão

Esta sexta-feira, 26 de abril, marca o Dia Nacional do Combate à Hipertensão, mal que afeta 36 milhões de brasileiros, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia. Frequentemente negligenciada, a hipertensão é uma doença silenciosa: a maior parte dos pacientes não apresenta sintomas até que um órgão, como coração, cérebro ou rim, seja lesionado.

O que muita gente não sabe é que a pressão alta, se não for tratada da forma correta, pode reduzir a expectativa de vida em até 5 anos3 e pode ter como consequência outras doenças cardiovasculares, como infarto e AVC. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essas enfermidades representam a principal causa de morte no mundo2, por isso a conscientização é imprescindível. Luciana Abrahão, gerente médica de Cardiometabolismo da Sandoz, empresa do Grupo Novartis, comenta os principais fatos que você precisa saber sobre a hipertensão.

1. A pressão alta é uma doença comum e altamente negligenciada

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Dados do Ministério da Saúde apontam que 25% das pessoas diagnosticadas com hipertensão não aderem ao tratamento corretamente. O Brasil, em particular, tem vivenciado a ocorrência precoce do problema. “A maior parte dos hipertensos não adota hábitos saudáveis, tais como a prática de atividade física e uma dieta pobre em sal, o que agrava o cenário”, comenta Luciana Abrahão.

2. Quem tem pressão alta corre maior risco de infarto e outras doenças

eletrocardiograma saude coração pixabay
A pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo. Se não controlada, é fator de risco para infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e outras doenças cardiovasculares.

3. Hipertensos podem fazer atividades físicas…

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A atividade física regular, após avaliação e liberação médica, auxilia no controle da hipertensão arterial. O exercício ajuda na regulação do sistema nervoso simpático, responsável pelo ritmo da respiração e da pressão arterial.

4. … e devem diminuir drasticamente a quantidade de sal na alimentação

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O sal contém sódio, uma substância que, em excesso, pode ter como consequência o aumento de pressão. O sódio obriga o corpo a reter mais líquidos, aumentando o volume de fluidos nos vasos sanguíneos. Com o volume aumentado, os vasos se contraem para equilibrar o fluxo. Luciana explica: “Vasos contraídos diminuem a quantidade de sangue circulando no organismo, mas a pressão de bombeamento do coração continua alterada”. Por isso, é importante que hipertensos controlem a ingestão de sal e de alimentos ricos em sódio.

5. Hipertensão não tem cura, mas há tratamento

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Hipertensão é definida como a medida da pressão arterial acima de 14 por 9 com o paciente em repouso. É possível controlar a pressão alta com mudanças no estilo de vida e com a administração medicamentos anti-hipertensivos por via oral. É importante frisar, porém, que a hipertensão arterial essencial, que acomete a maior parte dos indivíduos, não tem cura definitiva: “É preciso acompanhamento periódico e uso contínuo de medicamentos”, alerta Luciana Abrahão. Visite o médico de acordo com as recomendações para checar como anda a sua saúde e aferir a pressão.

Fonte: Sandoz