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Doença de Crohn: saiba o que é e como tratar

Anualmente, a cada 100 mil pessoas, 15 são diagnosticadas com a enfermidade crônica causada pelo sistema imunológico

A Doença de Crohn é uma inflamação crônica causada pelo sistema imunológico do organismo que atinge uma das regiões do aparelho digestivo, da boca ao ânus, com mais frequência no intestino delgado e grosso. O surgimento é mais comum no início da adolescência até os 30 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.

Segundo Alexander de Sá Rolim, cirurgião do aparelho digestivo e proctologista especialista em doença inflamatória intestinal da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, anualmente, a cada 100 mil pessoas, 15 são diagnosticadas com a enfermidade e cerca de metade precisará de cirurgia no prazo de 10 anos.

“Apesar de ser a última opção, a intervenção cirúrgica pode ser necessária para resolver um acúmulo de pus e obstrução do canal intestinal. Já o tratamento terapêutico irá parar o processo inflamatório do intestino, promover a cicatrização da mucosa e corrigir as deficiências nutricionais, melhorando a qualidade de vida e aliviando os sintomas. Mas, infelizmente, ainda não existe a cura para doença de Crohn”, explica o especialista.

Sintomas

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Os sintomas mais comuns são diarreia, dor abdominal, náuseas e vômitos, febre moderada, sensação de distensão abdominal piorada com as refeições, fraqueza e cansaço, perda de apetite e peso que podem provocar atraso de desenvolvimento e crescimento em adolescentes. “Além disso, é importante a pessoa ficar atenta ao surgimento de sangue, muco ou pus nas fezes, junto com episódios de diarreia, e buscar ajuda médica”, reforça o médico.

Causas

Apesar de ser desencadeada pelo sistema imunológico, a Doença de Crohn não é considerada autoimune, ou seja, não é o próprio corpo que ativa esse sistema de defesa. “Ainda não há uma causa definida. Pode ser provocada pela combinação de fatores ambientais, imunidade e bactérias em pessoas predispostas geneticamente”, conta Rolim.

Tratamento e Novidades

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De acordo com o especialista, o tratamento depende da localização no sistema digestivo, grau da doença, complicações e resposta aos tratamentos anteriores, podendo incluir medicação, complementos nutricionais, cirurgia ou a combinação das três.

Entre as novidades para tratar a Doença de Crohn, estão novos medicamentos imunobiológicos, técnicas cirúrgicas e transplante de medula óssea. Nos casos moderados a graves, a terapia imunobiológica pode ser realizada com o uso de substâncias desenvolvidas na engenharia genética, produzidas a partir de uma matriz de células vivas.

“O objetivo dessa nova geração de tratamento é normalizar as anomalias celulares e parar o processo inflamatório. Com isso, a mucosa (parte interna) do intestino é cicatrizada e os sintomas desaparecem”, finaliza o proctologista.

Fonte: Hospitais São Camilo

Diarreia crônica pode ter várias causas, saiba identificar

Muito comuns e sem cura, as doenças podem atingir qualquer faixa etária e ainda causam prejuízos na qualidade de vida

A diarreia crônica é caracterizada pela redução na consistência das fezes, que podem ser amolecidas a líquidas, associada a um aumento do número de evacuações por mais de quatro semanas. Além do desconforto físico, também compromete a qualidade de vida, já que se torna um incômodo no dia a dia.

Segundo Matheus Freitas Cardoso de Azevedo, gastroenterologista da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, a diarreia crônica apresenta várias causas, como a síndrome do intestino irritável, intolerância à lactose, doença celíaca e diverticulite. “Elas podem acontecer em qualquer idade, sendo que algumas são mais comuns em fases específicas. A doença celíaca e síndrome do intestino irritável com adultos jovens, e a diverticulite, costuma atingir pessoas com mais de 50 anos”, explica.

O diagnóstico para a causa da diarreia crônica deve ser realizado pela consulta detalhada, analisando a rotina e histórico, além de exames complementares para direcionar o tratamento específico. Saiba mais sobre cada uma:

1) Intolerância à lactose

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O que é: a incapacidade de digestão da lactose – açúcar encontrado principalmente no leite e produtos lácteos – causada pela ausência da enzima responsável por esta função. Atinge cerca de 70% da população mundial.

Sintomas: dor e/ou distensão abdominal, diarreia, gases e náuseas. Em muitos casos pode ocorrer somente desconforto, sem diarreia.

Tratamento: dieta sem produtos com lactose na composição e suplementação da enzima lactase, encontrada em forma de pastilhas, em pó, comprimidos ou cápsulas, que deve ser adicionada aos produtos lácteos ou ingerida via oral antes da ingestão, possibilitando a digestão. “É importante colocar na dieta outros alimentos ricos em cálcio para suprir as necessidades do organismo”, ressalta Azevedo.

2) Intolerância ao glúten

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O glúten é um complexo proteico presente no trigo, centeio e cevada comum em alimentos como pães, massas e bolos. As principais doenças relacionadas à ingestão de glúten são doença celíaca e hipersensibilidade ao glúten:

O que é doença celíaca: doença autoimune que afeta o intestino delgado, desencadeada após a ingestão de alimentos que contêm glúten, dificultando a absorção de nutrientes, vitaminas, sais minerais e água.

Sintomas: dor abdominal, diarreia, gases, fraqueza, perda de peso, diminuição do apetite, lesões de pele, anemia, deficiência de ferro e atraso de crescimento em crianças.

Tratamento: dieta sem glúten por toda a vida. “É o único tratamento efetivo, pelo risco de complicações como anemia, déficit de crescimento, osteoporose e até câncer do intestino delgado”, explica o médico.

O que é hipersensibilidade ao glúten: reação intestinal logo após a ingestão de alimentos com glúten e que some com a retirada do alimento.

Sintomas: dor abdominal, diarreia, gases e náuseas.

O especialista reforça que não é possível diferenciar as doenças pelos sintomas, pois são muito parecidos. “Portanto, a triagem para a doença celíaca deve ocorrer antes de uma dieta sem glúten ser implementada, uma vez que a pessoa inicia uma dieta livre de glúten, o teste para doença celíaca não é mais confiável. Além disso, embora sejam tratadas com alimentação sem glúten, a distinção é muito importante pelo risco de complicações da doença celíaca a médio e longo prazo, principalmente naqueles que não aderem a dieta corretamente”, diz.

3) Síndrome do Intestino Irritável

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O que é: doença que causa desordem intestinal, mais comum dos 15 aos 45 anos, principalmente em mulheres. De acordo com o gastroenterologista, pode ser gerada por vários fatores, muitas vezes associada a problemas psicológicos como ansiedade, depressão, fibromialgia, enxaqueca e distúrbios do sono. “A doença é mais comum que se imagina, atingindo aproximadamente 20% da população mundial”, reforça o gastroenterologista.

Sintomas: dor abdominal, alteração do hábito intestinal com episódios de diarreia ou constipação, gases, sensação de urgência intestinal principalmente após as refeições.

Tratamento: medicamentos antiespasmódicos para controle da dor abdominal, laxativos para constipação, e medicamentos obstipantes, para controle da diarreia. Os antidepressivos também podem ser utilizados, pois apresentam ação no controle da dor abdominal e ajudam no hábito intestinal, além de tratar possíveis doenças psicológicas. “Nos últimos anos, dietas com baixo poder de fermentação têm sido estudadas como um tratamento eficaz. Além disso, também o acompanhamento em conjunto com nutricionista e/ou psicólogo e psiquiatra”, conta o médico.

4) Diverticulite

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O que é: inflamação dos divertículos, que são pequenas saculações ou “sacos” na parede do intestino grosso. É causada pela obstrução do divertículo por fezes ou restos de alimentos não digeridos e dieta pobre em fibras (legumes, verduras e frutas), que leva ao aumento da movimentação do intestino para eliminar o bolo fecal – histórico de prisão de ventre.

Sintomas: geralmente sem sintomas, mas em alguns casos, pode acontecer forte dor abdominal e diarreia. Segundo Alexander de Sá Rolim, cirurgião do aparelho digestivo e proctologista especialista em doença inflamatória intestinal da Rede de Hospitais São Camilo, de São Paulo, a diverticulite pode ser leve ou grave com necessidade de internação e cirurgia. “Normalmente, a entrada no pronto-socorro é com queixa de dor abdominal, e muitas vezes, já necessita de internação”, explica.

Tratamento: inclusão de fibras e água na dieta, e em casos mais graves, internação para controle da infecção abdominal e até cirurgia.

Fonte: Rede de Hospitais São Camilo

Saiba o melhor momento para procurar um médico geriatra

O envelhecimento pode ser muito mais tranquilo quando há o acompanhamento do especialista correto

A média de expectativa de vida dos brasileiros subiu de 62,5 anos em 1980 para 73 em 2010, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para que seja possível atingir essa desejada longevidade com qualidade de vida, a busca por um profissional geriatra deve ser a mais precoce possível.

Dúvidas como: “que tipo de médico devo procurar para tratar este sintoma?”, “não aguento mais ir a tantos médicos, será que não há um médico que resolva a maior parte dos meus problemas?”, podem ser solucionadas por esse especialista que, ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, não precisa ser procurado a partir de uma idade exata.

Segunda Aline Thomaz, geriatra da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, embora haja aumento da expectativa de vida, homens e mulheres vivem boa parte desses anos com incapacidades importantes e ainda há o preconceito em relação ao processo natural do envelhecimento, que faz com que uma parte das pessoas considere que só devem ir a um especialista quando se sentem mais velhas.

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“O geriatra está habilitado a tratar de situações complexas do processo de envelhecimento. Isso significa que ele irá avaliar aspectos físicos, mentais e psicossociais, com o objetivo de detectar as incapacidades, fazer o planejamento terapêutico e a reabilitação, focalizando não só no diagnóstico e tratamento de doenças específicas, mas principalmente na manutenção e recuperação da capacidade funcional.”

Com conhecimento em todas as áreas do corpo humano – desde o cérebro até as unhas do pé – o geriatra trata de doenças clínicas como: hipertensão arterial, diabetes, osteoporose, Alzheimer, acidente vascular encefálico, incontinência urinária, tonturas, quedas e tudo que possa interferir na qualidade de vida da pessoa idosa, atuando também no campo dos cuidados paliativos, com foco no bem-estar dos portadores de doenças sem possibilidade de cura.

Aline explica que é comum que as pessoas tenham muitas dúvidas sobre o momento exato de procurar o geriatra, mas que é necessário dar atenção a pequenos sinais do corpo que podem aparecer antes dos 60 anos. “Postergar a ida ao especialista pode ser, sim, um problema, especialmente quando muitas coisas são consideradas “naturais do processo de envelhecimento” e, na verdade, não são. Como, por exemplo: lapsos de memória frequentes, perda de urina de forma involuntária, quedas, idas frequentes ao pronto-socorro, isolamento em casa, entre outras”.

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Por outro lado, muitas pessoas não apresentam os sintomas comuns do envelhecimento, mas chegam à vida idosa com muitas doenças que podem incapacitar e dificultar a qualidade de vida. “Quando o idoso apresenta três ou mais doenças crônicas instaladas, recomenda-se centrar o seu cuidado com um geriatra. É recomendável também que seja realizada uma Avaliação Geriátrica Ampla (AGA), onde o paciente será avaliado globalmente, seus órgãos e sistemas serão vistos de forma integrada, juntamente com a sua capacidade funcional e aspectos sociais, psicológicos e culturais.”

Nas unidades da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, por exemplo, os pacientes são atendidos dentro das melhores práticas, fazendo com que ele tenha o acompanhamento do geriatra desde a sua entrada até o recebimento da alta, realizando a Avaliação Geriátrica Ampla. Dessa forma, o médico fica responsável pelos encaminhamentos e análises necessárias para o paciente, possibilitando a visão global de cada caso e diminuindo o período de tratamento dentro do Hospital. Em casos de internação, uma equipe multidisciplinar empenhada em sua recuperação e restabelecimento da sua saúde fica à disposição do paciente.

Fonte: Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo