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Câncer de pulmão: imunoterapia e terapias avançadas revolucionam combate à doença

Tratamentos baseados no conceito de oncologia de precisão, cirurgias minimamente invasivas e programa antitabagismo estão entre as grandes aliadas para qualidade de vida dos pacientes

Na segunda-feira, 11 de abril, Rita Lee, de 74 anos, contou que não há mais a presença de um tumor no pulmão, segundo exames recentes. A cantora começou o tratamento logo após a descoberta da doença, em maio de 2021, e passou por imunoterapia e radioterapia. Na ocasião, foi encontrado um tumor primário no pulmão esquerdo da cantora. No entanto, mesmo em fase de remissão, Rita Lee irá continuar realizando exames para monitoramento

Rita Lee fotografada em casa pelo marido, Roberto de Carvalho. Reprodução Instagram

A ciência tem transformado a maneira de tratar diferentes tipos de câncer. E, no caso das neoplasias de pulmão, as alternativas terapêuticas avançam a passos largos, permitindo ao paciente um arsenal poderoso de condutas que podem ser indicadas para o enfrentamento da doença.

Diante deste cenário, estratégias que combinam modalidades de tratamento sistêmico (baseados na adoção de medicações via oral ou intravenosa, como por exemplo a quimioterapia) e local (radioterapia) podem ser adotadas no início do tratamento para reduzir o tumor antes de uma cirurgia para retirada da parte do pulmão acometido, ou mesmo como tratamento definitivo quando a cirurgia está contraindicada. A radioterapia isolada também é utilizada algumas vezes para diminuir sintomas como falta de ar e dor. “A indicação depende principalmente do estadiamento, tipo, do tamanho e da localização do tumor, além do estado geral do paciente”, diz Mariana Laloni, oncologista da Oncoclínicas São Paulo

O tratamento da imunoterapia oferece ferramentas para o sistema imune enxergar essas células anormais e combatê-las mais fortemente. Isso se dá por meio de medicamentos orais, injetáveis ou tópicos (pomadas) que estimulam a produção de citocinas (moléculas de proteína que agem contra as células cancerosas). O prognóstico é melhor nos pacientes cujos tumores possuem o revestimento de células imunes chamadas linfócitos infiltrantes no tumor (LIT)

Embora o sistema imune possa prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as células cancerosas podem ter capacidade de driblá-lo para evitar a destruição. Em algumas situações, elas podem:
-Sofrer alterações genéticas que as tornam menos visíveis pelo sistema imunológico;
-Ter proteínas em sua superfície que desabilitam o poder das células imunes sobre elas (formam uma camada de proteção); e
-Alterar as células normais ao redor do tumor para que interfiram na forma como o sistema imune responde às células cancerosas.

Além disso, o tratamento poderá ser diário, semanal ou mensal – a frequência depende de fatores como o tipo de câncer e seu estágio, a imunoterapia a ser utilizada e a maneira como o organismo responde a ela. Alguns tipos de imunoterapia são feitos em ciclos, da mesma forma que ocorre com a quimioterapia, seguidos de um período de descanso para que o corpo se recupere e produza novas células sadias.

Para a especialista, é válido destacar o papel que a imunoterapia exerce no panorama de enfrentamento do câncer de pulmão. Baseado no princípio de que o organismo reconhece o tumor como um corpo estranho desde a sua origem, e de que com o passar do tempo este tumor passa a se “disfarçar” para não ser reconhecido pelo sistema imunológico e então crescer, a terapia biológica funciona como uma espécie de chave, capaz de religar a resposta imunológica contra este agente agressor.

“Embora o sistema imune esteja apto a prevenir ou desacelerar o crescimento do câncer, as células cancerígenas sempre dão um jeitinho de driblá-lo e, assim, evitar que sejam destruídas. O papel da imunoterapia é justamente ajudar os ‘soldados’ de defesa do organismo a agir com mais recursos contra o câncer, produzindo uma espécie de super estímulo para que o corpo produza mais células imunes e assim a identificação das células cancerígenas seja facilitada – devolvendo ao corpo a capacidade de combater a doença de maneira efetiva”, explica a especialista.

Não à toa, as medicações imunoterápicas vêm conquistando protagonismo no tratamento de tumores de pulmão e de outros tipos de câncer. A abordagem terapêutica tem trazido resultados importantes também para cânceres de bexiga, melanoma, estômago e rim. Estudos atestam ainda a eficácia no tratamento de Linfoma de Hodgkin e de um subtipo do câncer de mama, chamado triplo negativo. “Na última década, a imunoterapia passou rapidamente de uma descoberta promissora para um padrão de cuidados que está contribuindo para respostas positivas para diversos casos de pacientes oncológicos”, pontua Mariana Laloni.

Tipos de imunoterapias

Existem diversos tipos de imunoterapia utilizados no tratamento oncológico. Os principais são:

-Inibidores de checkpoint: são drogas que bloqueiam os checkpoints imunes. Um dos papéis do sistema imunológico é atacar as células normais e anormais do organismo. Para fazer isso, usa pontos de verificação – ou checkpoints -, que são as moléculas de controle das células imunológicas que precisam ser ativadas ou desativadas para iniciar uma resposta de defesa. As células cancerosas podem utilizar esses checkpoints para evitar serem combatidas, e por isso os medicamentos imunoterápicos os tornam alvos. Pode apresentar efeitos adversos como danos teciduais inflamatórios, diarreia, colite, rash cutâneo, dermatite, elevação de transaminases, hipofisite e tireoidite;
-Transferência de células T adotivas: aumenta ainda mais a capacidade natural das células T de combater o câncer. Nesta abordagem, as células imunes são retiradas do tumor e as mais ativas contra o câncer são selecionadas ou alteradas em laboratório para se tornarem ainda melhores no ataque às células cancerosas – elas são cultivadas em grandes quantidades e, quando prontas, transferidas de volta ao organismo por meio de injeção intravenosa. Já no organismo, começam a combater as células doentes. Possíveis efeitos adversos são vitiligo e uveíte (em pacientes com melanoma) e hepatotoxicidade (naqueles com carcinoma renal);
-Anticorpos monoclonais: são medicamentos que auxiliam o corpo a identificar as células cancerosas. Os anticorpos são produzidos em laboratório para se ligar a um alvo específico nas células tumorais e podem provocar tanto uma resposta imune que destrói as cancerosas como marcá-las, facilitando a sua identificação pelo sistema imunológico. Essa técnica também pode ser chamada de terapia-alvo. Febre, calafrios, fraqueza, dor de cabeça, náusea, vômitos, diarreia, redução da pressão sanguínea e erupções cutâneas são alguns possíveis efeitos adversos;
-Vacinas: agem contra o câncer impulsionando a resposta do sistema imune às células cancerosas. Em geral, são produzidas a partir das próprias células tumorais do paciente ou de substâncias coletadas delas. Seu objetivo é tratar cânceres já existentes fortalecendo as defesas naturais do organismo contra a doença, mas também podem ser usadas para retardar ou impedir o crescimento de células cancerosas, reduzir o tamanho de tumores, prevenir recidivas da doença e eliminar células cancerosas remanescentes de outras formas de tratamento. É importante esclarecer que estas vacinas são diferentes das que previnem doenças, pois possuem um papel de tratamento, e não de prevenção. Podem desencadear febre, calafrios, fadiga, dor nas costas e articulações, náusea e cefaleia; e
-Moduladores do sistema imune: aumentam a resposta do sistema imunológico do paciente contra o câncer. Alguns destes agentes afetam partes específicas do sistema imune, enquanto outros o atingem de maneira mais geral. Possíveis efeitos adversos incluem supressão da medula óssea, hepatotoxicidade, nefrotoxicidade, neurotoxicidade, hipertensão, aumento do risco para infecções, leucopenia, disfunção gastrointestinal e trombocitopenia.

Tabagismo ainda é a principal causa

O tabagismo está na origem de 90% de todos os casos de câncer de pulmão no mundo, sendo responsável por ampliar em cerca de 20 vezes o risco de surgimento da condição. E, apesar destes dados não serem novidade, os tumores pulmonares ainda lideram o ranking das doenças oncológicas que mais matam todos os anos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), mais de 30 mil pessoas receberão o diagnóstico da doença ainda em 2022, enquanto a edição mais recente do Atlas de Mortalidade por Câncer (2019), indica que são 29.354 mortes em decorrência dessa neoplasia maligna a cada 12 meses.

A oncologista explica ainda que a maioria dos pacientes com câncer de pulmão apresenta sintomas relacionados ao próprio aparelho respiratório. “Os sinais de alerta são tosse, falta de ar e dor no peito. Outros sintomas inespecíficos também podem surgir, entre eles perda de peso e fraqueza. Em poucos casos, cerca de 15%, o tumor é diagnosticado por acaso, quando o paciente realiza exames por outros motivos. Por isso, a atenção aos primeiros sintomas é essencial para que seja realizado o diagnóstico precoce da doença, o que contribui amplamente para o sucesso do tratamento”, diz.

A médica comenta que existem dois tipos principais de câncer de pulmão: carcinoma de pequenas células e de não pequenas células. “O carcinoma de não pequenas células corresponde a 85% dos casos e se subdivide em carcinoma epidermóide, adenocarcinoma e carcinoma de grandes células. O tipo mais comum no Brasil e no mundo é o adenocarcinoma e atinge 40% dos doentes”, destaca.

Além disso, o tabagismo continua sendo o maior responsável pelo câncer de pulmão no Brasil e no mundo. Aliás, não apenas deste tipo de tumor: segundo o INCA, 156 mil mortes poderiam ser evitadas anualmente se o tabaco fosse evitado, sendo que cerca de 1/3 desses óbitos são decorrentes de algum tipo de câncer devido ao hábito de fumar.

E apesar do Brasil ter sido reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um exemplo no combate ao cigarro – o país tem um dos menores índices de fumantes do mundo, cerca de 10% da população acima de 18 anos, segundo o próprio INCA – os desafios não param de chegar. Um deles, é a chegada dos cigarros eletrônicos e outros dispositivos de vape, que têm conquistado principalmente os jovens.

“Nós vemos novas formas de tabagismo chegando, como o cigarro eletrônico, por exemplo, que tem atraído principalmente os adolescentes, pelo formato, pela novidade e pela falta de informação também sobre o impacto nocivo deles. Então, estamos vendo uma geração que tinha largado o cigarro, voltar para versões digamos, mais modernas, do mesmo mal”, alerta Mariana.

Parar de fumar, alerta a especialista, é a forma mais eficaz de se prevenir contra o câncer de pulmão e diversos outros tumores, além de doenças cardíacas, doença pulmonar obstrutiva crônica, pneumonia, AVC (acidente vascular cerebral) e complicações severas decorrentes da contaminação pela Covid-19.

Fonte: Oncoclínicas

Médico explica tratamento pelo qual Rita Lee vai passar após diagnóstico de câncer de pulmão

Câncer de pulmão: imunoterapia e terapias avançadas estão revolucionando o combate à doença; tratamentos baseados no conceito de oncologia de precisão, cirurgias minimamente invasivas e programa antitabagismo estão entre as grandes aliadas para qualidade de vida dos pacientes

Rita Lee, um dos ícones do rock brasileiro e uma das mais queridas cantoras do país, descobriu um tumor no pulmão esquerdo. Ela, que está com 73 anos, passava por exames de rotina no Hospital Israelita Albert Einstein. No Instagram, a equipe da cantora postou sobre o assunto e acrescentou: “Ela já se encontra em casa e dará sequência aos tratamentos de imuno e radioterapia”.

Rita Lee fotografada em casa pelo marido, Roberto de Carvalho. Reprodução Instagram

Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, ao ano, mais de 30 mil brasileiros são diagnosticados com câncer de pulmão, fazendo com que o tumor esteja entre os líderes em volume de incidência no país – cerca de 13% de todos os casos registrados. E cabe a ele mais um título pouco valoroso: o de doença oncológica que mais mata todos os anos. O levantamento mais recente sobre esses índices no Brasil, de acordo com o Atlas de Mortalidade por Câncer (2019), indica 29.354 mortes em decorrência dessa neoplasia maligna a cada 12 meses.

Contudo, há boas notícias que devem promover a melhora desse cenário: graças ao avanço proporcionado pelas pesquisas científicas nos últimos anos, os tumores de pulmão atualmente contam com um arsenal poderoso, que, somados à quimioterapia, radioterapia e outras condutas de cuidado, tem revolucionando o combate a esse tipo de câncer. Entre as mais recentes, a imunoterapia – que ativa o sistema imunológico por meio de uma combinação de medicamentos biológicos avançados – é apontada como uma aliada valiosa e eficaz em muitos casos, podendo ser combinada ou não a outras alternativas terapêuticas.

O tratamento recebeu dedicatória do Prêmio Nobel de Medicina em 2018 e, desde então, se estabeleceu como caminho importante para pacientes com Câncer de Pulmão, inclusive aqueles que apresentam metástases, por seu potencial de ação em tumores mais complexos, com um acúmulo de mutações genômicas alto. Dados apresentados na Associação Americana de Pesquisa do Câncer, em Chicago, no mesmo ano, já mostravam a Imunoterapia como a responsável por maior qualidade de vida e probabilidade de sobrevivência, modificando de forma imediata as práticas médicas no tratamento de algumas formas da doença desde então.

“Essa prática terapêutica vem apresentando resultados muito significativos para casos de neoplasias malignas de pulmão. Em linhas gerais, alguns tipos de câncer são capazes de driblar o sistema imunológico usando uma espécie de ‘camuflagem’ para não serem notados ou ‘desligando’ os mecanismos responsáveis por identificar que há algo errado com aquela célula. A imunoterapia tem então a missão de potencializar o sistema de defesa do corpo para combater o câncer, oferecendo ferramentas para que o organismo enxergue essas células anormais e as combatam. Ou seja, o caminho passa a ser o fortalecimento do sistema imune do próprio indivíduo, com menos chances de efeitos colaterais e aumentando não apenas as possibilidades de sucesso, mas também de bem-estar ao paciente”, argumenta Carlos Gil Ferreira, Líder de Oncologia Torácica do Grupo Oncoclínicas e Presidente do Instituto Oncoclínicas.

O médico lembra que nem todos os casos de câncer podem ser tratados com uso de imunoterapia, mas estudos para descoberta de novas drogas imunoterápicas seguem em curso, o que permitirá que cada vez mais pessoas sejam beneficiadas. Atualmente, além da indicação para alguns tumores de pulmão, os imunoterápicos podem ser adotados para tratar cânceres de bexiga, rins, cabeça e pescoço, melanoma, leucemia e linfoma de Hodgkin. Estudos clínicos apontam ainda para avanços consideráveis em alternativas de uso para subtipos específicos de câncer de mama e colorretal.

Combate ao tabagismo e individualização também são palavras de ordem

O arsenal de avanços na Oncologia tem ainda como aliada a análise genética, tanto para a precisão diagnóstica, quanto para o direcionamento de tratamentos cada vez mais pautados pelo olhar individualizado e eficácia nos resultados. Segundo Carlos Gil Ferreira, exames que ajudam a detectar o perfil molecular de tumores de pulmão têm se mostrado importantes ferramentas no controle da condição.

“Esse tipo de teste proporciona maior precisão e melhor qualidade no diagnóstico, o que é fundamental para uma definição precisa do tratamento. Isso porque, apenas conhecendo com precisão a célula cancerígena o profissional de saúde conseguirá especificar o melhor tratamento para aquele caso”, ressalta.

O presidente do Instituto Oncoclínicas cita estudos que comprovam esses impactos positivos, entre eles uma análise publicada no New England Journal of Medicine em agosto de 2020 , que mostra que a mortalidade em nível populacional devido ao câncer de pulmão diminuiu acentuadamente durante 2013-2016. Além disso, as taxas de sobrevivência após o diagnóstico melhoraram com o tempo, o que, conforme descrito pelos autores, é resultado da melhora nos índices de detecção precoce combinadas a esses avanços no tratamento, levando pouco a pouco à redução das taxas de letalidade pela doença.

Adicionalmente, seguindo essa visão voltada à união de esforços para obtenção de melhores resultados em toda a linha de cuidados ao paciente, o Carlos Gil ressalta que o combate ao fumo é essencial para reduzir os riscos de incidência de tumores de pulmão.

“Nunca é tarde para abandonar o vício. Mesmo no caso de pacientes com diagnóstico de câncer, aqueles que largam o cigarro obtêm uma melhora na capacidade de oxigenação que favorece a redução de possíveis efeitos colaterais das terapias empregadas e contribui para uma melhor resposta ao tratamento, com ganhos evidentes para a qualidade de vida”, finaliza, reforçando que em linha com esta percepção, o Instituto Oncoclínicas lançou neste ano um programa próprio de cessação do tabagismo.

Fonte: Carlos Gil Ferreira é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora e doutorado em Oncologia Experimental – Free University of Amsterdam. Foi pesquisador Sênior da Coordenação de Pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) entre 2002 e 2015, onde exerceu as seguintes atividades: Chefe da Divisão de Pesquisa Clínica, Chefe do Programa Científico de Pesquisa Clínica, Idealizador e Pesquisador Principal do Banco Nacional de Tumores e DNA (BNT), Coordenador da Rede Nacional de Desenvolvimento de Fármacos Anticâncer (REDEFAC/SCTIE/MS) e Coordenador da Rede Nacional de Pesquisa Clínica em Câncer (RNPCC/SCTIE/MS). Desde 2018 é Presidente do Instituto Oncoclínicas e Diretor Científico do Grupo Oncoclínicas.

Imunoterapia tem resultados positivos em casos de tumor de mama agressivo

A imunoterapia já vem sendo apontada como o principal avanço no combate ao câncer, porém seus estudos clínicos no tratamento do câncer de mama até o presente momento ainda não indicavam resultados que pudessem torná-lo uma alternativa segura e eficaz nestes casos.

Recentemente, durante a Asco 2018(American Society of Clinical Oncology ), principal evento voltado à oncologia clínica, alguns estudos mostraram que em casos classificados como tumor de mama triplo-negativo, ao ser combinado com quimioterápicos, trouxe boas respostas aos pacientes no tratamento neoadjuvante oferecido antes da cirurgia.

Considerado um tipo de câncer agressivo e que afeta geralmente mulheres jovens, o câncer de mama triplo-negativo representa cerca de 20% de todos os casos da doença mundialmente. Se considerarmos que o Brasil, segundo estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) contará com cerca de 60 mil novos casos de câncer de mama em 2018, esse percentual representa um universo de ao menos 12 mil pessoas.

“A denominação “triplo-negativo” é utilizada em casos em que o tumor não conta com nenhum dos três biomarcadores relacionados a classificação do câncer de mama: receptor de estrógeno, receptor de progesterona e proteína HER-2″, explica o oncologista Daniel Gimenes, do Centro Paulista de Oncologia ( CPO) – unidade de São Paulo do Grupo Oncoclínicas.

IMUNOTERAPIA CANCER the week
Imagem: The Week

Segundo o especialista, o câncer de mama triplo-negativo tem maiores chances de recorrência e em muitos casos acaba promovendo uma sobrevida menor em comparação a outros subtipos de tumores mamários. Por isso, a possibilidade de sucesso com a imunoterapia é animadora e abre novas frentes para o enfrentamento desta doença.

“Para esses casos de câncer especificamente houve poucos progressos terapêuticos nos últimos anos. Por isso, os estudos internacionais preliminarmente divulgados na ASCO são animadores por indicarem um novo caminho para tratar esse tipo de câncer de mama”, afirma Gimenes.

O médico menciona o estudo GeparNuevo que analisou 174 pacientes com câncer de mama triplo-negativo metastático ou localmente avançado Um grupo recebeu um tipo de imunoterápico associado à quimioterapia enquanto as demais pessoas utilizaram placebo. O resultado demonstra um aumento significativo na redução do tumor nos casos que receberam a combinação da imunoterapia com a quimioterapia.

“Apesar de ainda ser o uma primeira etapa de análises, esse avanço já pode ser entendido como um progresso terapêutico importante para médicos e pacientes. Essa combinação de imunoterapia com quimioterapia desconta como uma opção estratégica importante para mulheres com a doença em especial pelos benefícios a qualidade de vida dessas pacientes”, explica o médico.

Entenda a Imunoterapia

Na última década, a imunoterapia passou de um tratamento teórico promissor para um padrão de cuidados que está contribuindo para respostas positivas de pacientes oncológicos. Desde 2011, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou 15 novas drogas imunoterápicas para o tratamento do câncer, sendo cinco só no ano passado. No Brasil, a imunoterapia tem aprovação da Anvisa para uso em casos de melanoma, câncer de rim , câncer de pulmão e câncer de bexiga.

De forma simplificada, o nosso sistema imunológico é programado para combater quaisquer sinais que representem ameaças à saúde. Porém, para manter um equilíbrio que assegure plenamente o nosso bem-estar, o mecanismo de defesa do corpo também tem freios que impedem uma ação exagerada nesta resposta – caso contrário, ele pode desencadear as chamadas doenças autoimunes, como lúpus, esclerose múltipla e artrite reumatoide.

Contudo, quando ocorre uma falha nesse processo de combate ao inimigo e, em consequência, o surgimento de um tumor, a medicação imunoterápica pode ser adotada para inibir a ação desses freios e provocar a resposta necessária para combater as células malignas. “A imunoterapia cria uma memória imunológica no paciente contra o tumor. A concepção é gerar uma resposta imunológica exacerbada no paciente. Ao fazer isso, o sistema imunológico volta a reconhecer o tumor como um agente externo”, diz Gimenes.

Quando a imunoterapia é a melhor opção?

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Apesar dos avanços promissores, o especialista explica que ainda é cedo para afirmar que a imunoterapia seria a chave para a cura do câncer de mama. De toda forma, os passos já trilhados são observados com otimismo e lançam boas perspectivas para tratamentos do câncer de mama triplo-negativo metastático e que não responde às medicações convencionalmente indicadas, tais como quimioterápicos e drogas alvo moleculares.

O que tem se observado de forma global no tratamento do câncer é que nos casos onde o médico pode optar pela imunoterapia, a resposta dos pacientes têm sido satisfatórias. “Ela tem alguns efeitos colaterais, porém o paciente tem melhor qualidade de vida. É um tratamento mais sustentável para a saúde do paciente, pois ataca diretamente o tumor. E uma das principais vantagens da adoção destes imunoterápicos da nova geração é que, mesmo após o fim do tratamento, a imunidade desse indivíduo pode continuar respondendo a células tumorais, diminuindo a recidiva de tumores e aumentando o tempo livre de progressão da doença”, conclui Gimenes.

Fonte:  Grupo Oncoclínicas