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Saúde bucal em dia aumenta chance de sobrevivência em casos de intubação por Covid-19

Os altos índices de mortalidade em casos de entubação por Covid-19 preocupam a sociedade brasileira. Uma pesquisa realizada pela BBC News Brasil revela que 80% dos procedimentos realizados por causa da doença em 2020 resultaram em morte.

Os motivos nem sempre são explicados somente pelo vírus. Há casos em que o quadro clínico é agravado por algum outro fator com potencial de levar a óbito, principalmente uma infecção não dimensionada. Neste caso, o perigo pode já estar morando na boca do paciente.

O alerta é feito pelo cirurgião-dentista André Luiz Pataro, doutor (PhD) e mestre em Odontologia e especialista em Periodontia. “A boca é a porta de entrada de muitas bactérias e vírus, inclusive a Covid-19. No processo de ventilação mecânica, o tubo é introduzido exatamente a partir dessa via. Se houver qualquer infecção no local, a chance de ela ser transportada pelo tubo até o pulmão é enorme, e isso pode ser fatal”, explica.

A Academia Americana de Periodontia (AAP) também já comprovou por meio de estudos que problemas gengivais podem estar associados a complicações mais graves da Covid-19. Pataro esclarece que o problema não está na decisão de intubação nessas circunstâncias, mas, antes de tudo, no cuidado do paciente com a própria saúde bucal.

“Nós, brasileiros, temos o hábito de evitar as idas periódicas ao dentista para a prevenção bucal, e esse comportamento pode influenciar na expressão de casos mais graves de Covid-19, incluindo a necessidade de intubações. Agora, mais que nunca, a prevenção bucal é um passo importante para diminuir complicações causadas pela Covid-19”, salienta o cirurgião-dentista.

Outra medida necessária para conter os óbitos provocados por infecção deve partir dos hospitais públicos e privados. Segundo o Conselho Federal de Odontologia (CFO), existem hoje em todo o país cerca de apenas 2 mil dentistas hospitalares, número muito aquém da demanda diante da quantidade de internações nas UTIs por causa do novo coronavírus.

“O atendimento na UTI é feito por uma equipe multidisciplinar, mas são poucos os hospitais que dispõem de um dentista nessas equipes. É ele que pode avaliar o quadro infeccioso da boca do paciente e, juntamente com a equipe de saúde multidisciplinar, avaliar os menores riscos de agravamento do paciente, ou vir a cuidar do mesmo após uma intubação de emergência”, conclui Pataro.

Foto: Zahnreinigung/Pixabay

Sendo assim, pensando-se em manutenção da saúde como um todo, com ou sem infecção por Covid-19, a prevenção da saúde bucal é fundamental para o equilíbrio e saúde sistêmica.

Fonte: André Luiz Pataro é doutor (PhD), mestre e graduado em Odontologia pela UFMG. Também é professor adjunto pela Faculdade Arnaldo e autor de artigos publicados em revistas internacionais de impacto. É membro da Sociedade Brasileira de Periodontia e autor do livro “Guia do Dentista – os caminhos para a realização profissional”

Por que os seios ficam pesados e doloridos? Confira algumas causas e quando procurar médico

No geral, elas desaparecem sozinhas ou com ajuda de medicamentos ou modificações na dieta. Mas fique de olho que, em alguns casos, a consulta médica é fundamental

Em alguns momentos, por uma série de fatores, a mulher pode sentir os seios mais pesados e doloridos. “Variações hormonais, uso de anticoncepcional, gravidez e amamentação são alguns dos principais motivos. A maioria das causas não é motivo de preocupação. Mas, em alguns casos, e dependendo da frequência, é fundamental procurar ajuda médica, pois se for um problema mais sério, pode ser descoberto no começo e tratado de forma mais eficaz”, afirma Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica Gru Saúde.

A maioria dos casos de dor nas mamas desaparece por conta própria, segundo a médica. “Uma pessoa não precisa consultar um médico se a dor desaparecer e não retornar, ou se ela tiver uma dor cíclica e muito leve na mama. No entanto, uma pessoa deve consultar um médico para: sinais de infecção durante a amamentação, especialmente se sentir febre ou mal-estar; intensa dor nas mamas durante ou após a amamentação; um nódulo, especialmente um nódulo duro que não desaparece após o período menstrual; descarga do mamilo; qualquer dor na mama que seja intensa ou insuportável. O rastreamento da dor na mama ao longo do tempo pode ajudar o médico a dar um diagnóstico adequado”, diz.

Abaixo, a especialista aponta as seis principais causas de seios doloridos e pesados:

Mastalgia – o termo se refere justamente à dor nas mamas e existem dois tipos: “A primeira é a dor cíclica da mama, que os períodos menstruais costumam causar. O segundo é a dor não cíclica da mama, que pode vir da mama ou dos músculos e articulações que a circundam”, diz a Dra. Eloisa. A dor cíclica da mama geralmente ocorre no momento da ovulação e continua até o início do ciclo menstrual. Ela pode ocorrer em um ou ambos os seios e pode variar de leve a grave, mas afetar também as axilas. “Já a dor mamária não cíclica não varia com o ciclo menstrual de uma pessoa e ocorre em um único local e não desaparece. Nesse caso, o que gera essa dor está relacionado a um trauma, um golpe e dores artríticas e musculares”, diz a médica. Para o tratamento da dor, a ginecologista indica compressas quentes e medicamentos analgésicos, como ibuprofeno ou acetaminofeno, que podem ajudar na dor cíclica da mama. Algumas dicas para prevenir e aliviar a dor cíclica podem incluir: a redução da ingestão de cafeína, diminuir o consumo de gorduras e aumento na ingestão de alimentos com Vitamina E (amêndoas, castanha-do-pará e semente de girassol).

Infecções – duas infecções comuns que podem causar dor nas mamas são a mastite e infecção por candidíase ou levedura. “A mastite pode ocorrer após um longo período de ingurgitamento ou quando os dutos de leite ficam entupidos. Nesse caso, os sintomas podem incluir: febre, arrepios, uma área quente ou inchada na mama, náusea, fadiga, vômito e descarga amarela do mamilo. O tratamento é feito após avaliação médica e, nesse caso, a paciente deve fazer uso de antibióticos com orientação do ginecologista”, afirma.

Segundo o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas, é seguro que uma pessoa continue amamentando se tiver mastite e estiver usando antibióticos. No caso da infecção por candidíase ou levedura, os sintomas podem incluir: mamilos doloridos, mamilos rosados, escamosos, brilhantes, rachados e com coceira, seios doloridos, e no caso de puérperas, ela pode sentir dor intensa na mama após a amamentação e é observado no bebê manchas brancas na língua, gengivas ou bochechas. Medicamentos e substâncias antifúngicas devem ser indicados pelo médico. Para prevenir o problema, é recomendado que as gestantes lavem as roupas em água quente com água sanitária, enxague os mamilos com uma solução de vinagre e água após a alimentação do bebê.

Nódulos fibrocísticos – a doença fibrocística da mama causa nódulos inofensivos nas mamas. Os seios podem parecer pesados ou cheios. “A fibrose ocorre quando há um espessamento do tecido mamário, o que pode causar secreção mamilar e dor”, diz a médica. O tratamento para aliviar os sintomas são compressas quente ou fria, vestir sutiã confortável, evitar excessos de sal, cafeína e gordura na dieta, tomar contraceptivos orais e usar analgésicos. “Se houver um cisto incômodo, o médico poderá drenar o fluido.”

Câncer – a maioria dos cânceres de mama não causa dor. “No entanto, se uma pessoa sentir dor na mama que não desaparece, deve consultar um médico para descartar a possibilidade de câncer.” Outros sintomas incluem: secreção mamilar sangrenta, alterações na pele ao redor do mamilo ou o mamilo virando para dentro, calor ou prurido nos seios (embora possa ser mastite), espessamento da pele com textura semelhante a casca de laranja, inchaço ou caroços que aparecem ao redor da clavícula e axilas, nódulo que geralmente é duro e indolor. O tratamento geralmente envolve: remover todo o tumor, o que pode resultar em uma mastectomia (retirada do seio); quimioterapia, que pode encolher o tumor; e radioterapia, que pode destruir as células cancerígenas. “Nesse caso, a consulta com o médico é fundamental o quanto antes. Por esse motivo, ressaltamos a importância de manter os exames em dia e fazer o autoexame das mamas”, finaliza a ginecologista.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Ginecologista aponta algumas condições que podem causar irritação vaginal

Eloisa Pinho também dá dicas para prevenir e identificar as principais causas do surgimento de coceira, ardor e secreção na vagina

Quando há algo de errado com o nosso organismo, nosso corpo apresenta uma série de sinais de alerta. Por exemplo, quando a saúde da pele é prejudicada, um dos primeiros sintomas a surgir é um processo irritativo da região afetada. Mas, engana-se quem acredita que a irritação é um sintoma de alerta que se restringe à pele, já que também pode atingir outros locais do corpo que estão sofrendo com algum tipo de alteração ou desequilíbrio, incluindo a vagina.

“Caracterizada pela presença de coceira, queimação e secreção na vagina e na vulva, a irritação vaginal é geralmente causada por fatores como alterações hormonais, que ocorrem durante o período menstrual e a menopausa. Isso acontece porque a vagina contém uma série de bactérias responsáveis por protegê-la de agressores externos e qualquer desequilibro hormonal pode causar uma alteração nessa composição, favorecendo o surgimento de irritação. Mas, nesses casos, o problema surge em breves episódios e, geralmente, resolve-se sem tratamento. Porém, quanto torna-se intensa, recorrente e persiste por longos períodos, a irritação pode ser sinal de uma condição mais séria e que pode representar riscos à saúde”, explica Eloisa Pinho, ginecologista e obstetra da Clínica GRU. Então, para ajudar aqueles que sofrem com o problema, a especialista listou as principais causas da irritação vaginal. Confira:

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Vaginose bacteriana: de acordo com a médica, a vaginose bacteriana figura entre as razões mais comuns para a irritação vaginal, ocorrendo devido a uma mudança no pH da vagina com consequente desequilíbrio na microflora bacteriana local. “Além da irritação, a vaginose bacteriana também é caracterizada pela presença de corrimento amarelado, bolhoso e de odor fétido, o que muitas pessoas chamam de ‘cheiro de peixe podre’”, completa.

Infecção fúngica: “Similar à vaginose bacteriana, a infecção fúngica também é causada por um desequilíbrio do pH vaginal, além de fatores como estresse, uso de antibióticos, práticas sexuais e mudanças na dieta, sendo que mulheres diabéticas são um dos grupos com maior predisposição a sofrerem com o problema”, afirma a ginecologista. “Também causando irritação, a condição pode ser diferenciada da vaginose pela aparência do corrimento, que é mais espesso e esbranquiçado.”

Vaginite atrófica: a vaginite atrófica, ou atrofia vaginal, é caracterizada pelo ressecamento e inflamação da vagina devido à diminuição da produção de estrogênio. “Ocorrendo geralmente na menopausa, mas podendo se desenvolver também durante a amamentação ou devido a condições que afetam a produção natural de estrogênio, a vaginite atrófica pode ser identificada pela presença de irritação e corrimento na região intima, além de ressecamento vaginal, dor ao urinar, necessidade constante de ir ao banheiro, incontinência urinária, infecções do trato urinário e desconforto e sangramento durante relações sexuais”, diz a médica.

Alergias e dermatites: certos produtos que entram em contato com a região íntima podem causar hipersensibilidade com consequente surgimento de irritação vaginal. “Os principais culpados são os produtos que contam com fragrâncias, incluindo preservativos, sabonetes, espermicidas e lubrificantes. Absorventes e roupas intimas de tecidos sintéticos também favorecem o surgimento de irritação na região. Nesses casos, o problema fica ainda pior caso a região seja repetidamente exposta ao produto que causou a irritação”, destaca Eloisa.

ISTs: muitas infecções sexualmente transmissíveis apresentam irritação como sintoma. Porém, entre elas, a tricomoníase é uma das principais causadoras do problema. “É uma infecção sexualmente transmissível muito comum causada por um protozoário que afeta principalmente a vagina, a vulva e o colo do útero. Geralmente, o quadro da tricomoníase é assintomático, mas podem surgir sintomas como corrimento amarelo-esverdeado, irritação e odor fétido, sendo assim sintomaticamente muito parecida à vaginose, diferenciando-se pela coloração do corrimento, que, como dito, é mais esverdeado. E, se não tratada, a condição pode evoluir para uma doença inflamatória pélvica e até mesmo causar infertilidade”, alerta a especialista.

A boa notícia é que grande parte das causas da irritação vaginal pode ser prevenida por meio de cuidados básicos, como higienizar a região íntima diariamente e enxugar bem a área para evitar que fique úmida, o que a torna um ambiente propicio para a proliferação de fungos e bactérias.

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“Na hora da higienização, opte por produtos hipoalergênicos e que sejam formulados especialmente para a região íntima. Além disso, cuidado com o uso de sabonetes bactericidas e duchas vaginais, que causam alterações na microbiota responsável pela proteção da região”, aconselha a médica. “Evite ainda utilizar roupas íntimas sintéticas, dando preferência para aquelas que são feitas de tecidos que permitam a respiração adequada da região íntima, como o algodão. E sempre use preservativo para ter relações sexuais.”

No entanto, caso você apresente irritação vaginal persistente, o mais importante é consultar um médico, já que apenas ele poderá diagnosticar o problema corretamente e recomendar o melhor tratamento para cada caso, que pode variar dependendo da causa da irritação. “Por exemplo, enquanto alterações hormonais podem ser tratadas através de cremes hormonais tópicos ou a substituição da pílula anticoncepcional, alergias e dermatites são solucionadas apenas com a interrupção da utilização do agente causador do problema. Por fim, infecções bacterianas e fúngicas, assim como IST’s, podem ser resolvidas por meio do uso de antibióticos tópicos e orais”, finaliza a médica.

Fonte: Eloisa Pinho é ginecologista e obstetra, pós-graduada em ultrassonografia ginecológica e obstétrica pela Cetrus. Parte do corpo clínico da clínica GRU Saúde, a médica é formada pela Universidade de Ribeirão Preto, realiza atendimentos ambulatoriais e procedimentos nos hospitais Cruz Azul e São Cristovão, além de também fazer parte do corpo clínico dos hospitais São Luiz, Pró Matre, Santa Joana e Santa Maria.

Pequenos cortes podem ser porta de entrada para bactérias e causar infecções

No Havaí, uma mulher quase morreu após cortar a mão em uma caixa de papelão; SBCM explica os riscos

Os acidentes domésticos estão entre as principais causas de ferimentos nas mãos. Uma simples caixa de papelão, por exemplo, pode causar cortes e resultar em graves infecções, como aconteceu com uma mulher de 49 anos, no Havaí (EUA). O caso ocorreu em 2017, mas veio a público neste ano, após entrevista dela ao jornal britânico Daily Mail. A mulher ainda faz fisioterapia para recuperar os movimentos da mão.

Ao organizar a mudança para uma casa nova, ela cortou a mão em uma caixa de papelão onde estavam itens que seriam transportados. Durante a noite, a mulher percebeu que o local estava ficando vermelho e inchado. No dia seguinte, a situação piorou, com quadro evoluindo para febre e dor para movimentar o braço. A havaiana procurou um hospital e foi constatado que ela contraiu estafilococos no corte, um tipo de bactéria presente na superfície de pele de cerca de 20% das pessoas.

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A havaiana Heather Harbottle mostrando a mão que ela quase perdeu após a infecção – Foto: arquivo pessoal

Especialistas da SBCM (Sociedade Brasileira de Cirurgia da Mão) explicam que as bactérias fazem parte da flora normal da pele, mas basta um pequeno corte, arranhão ou mesmo uma picada de inseto para que alguns desses micro-organismos ultrapassem essa barreira e provoquem infecções. Pessoas obesas, portadoras de diabetes, com problemas no sistema circulatório e deficiências de imunidade estão mais suscetíveis a infecções.

No caso da havaiana, enquanto as bactérias iam para o sangue, causando a sepse (infecção que pode atingir vários órgãos ao mesmo tempo), sua mão era devorada por uma fasciíte necrosante, mais conhecida como a ação das “bactérias devoradoras de carne”. Foram 65 dias de internação e tratamento com antibióticos. A mulher teve a pele morta removida a cada três dias e, quando a área parou de se desintegrar, foi submetida a transplante de pele, mas sofreu um abscesso. Com isso, foi preciso uma cirurgia reconstrutiva. Ela passou por mais duas até voltar para casa e ainda hoje passa por sessões de fisioterapia.

Como evitar

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De acordo com os cirurgiões da SBCM, a melhor maneira de evitar infecções bacterianas é lavar com água e sabão as mãos e o local lesionado por um corte. Os especialistas ressaltam que é preciso ficar atento à aparição de algum sinal de infecção, como febre, vermelhidão intensa, mal-estar e dores no corpo.

Caso o ferimento demore para cicatrizar ou se houver sinais de inflamação, como vermelhidão, pus ou dor excessiva, a orientação é buscar rapidamente por um médico.

Fonte: Sociedade Brasileira de Cirurgia de Mão

 

 

Pouca ingestão de líquidos aumenta casos de cistite no inverno

Sensação de queimação ao urinar, desconforto, forte odor e presença de sangue na urina são alguns dos sintomas da doença

A cistite, uma das inflamações mais comuns no mundo, acomete milhões de pessoas todos os anos. E, no inverno, o número de casos dispara, uma vez que as pessoas acabam ingerindo menos líquidos e, consequentemente, urinando com menos frequência. Essa simples situação, que passa despercebida, pode evoluir para uma inflamação, uma infecção no sistema urinário e/ou outras complicações.

Não há uma relação casual direta, mas certos comportamentos aumentam o número de casos. Geralmente, a doença é causada pela bactéria Escherichia coli, que está presente no intestino e é muito importante para a digestão. Mas outros micro-organismos também podem ocasionar a doença. “A história de que ficar com os pés descalços no frio também é um agravante não passa de lenda. Essa relação não tem comprovação científica”, alerta a médica nefrologista da Fundação Pró-Renal, Luciana Cardon.

De acordo com a médica, quando a cistite é de causa infecciosa, por bactérias ou fungos, temos uma infecção urinária. “Se não houver o tratamento precoce da cistite bacteriana ou fúngica, esta infecção pode subir até os rins e causar o que chamamos de pielonefrite, podendo ocasionar redução no seu funcionamento agudamente ou deixar cicatrizes”, afirma. Luciana também alerta que quanto mais infecções, maior probabilidade de sequelas nos rins. Sintomas como febre, micção frequente e dores nas costas, nas laterais ou na região genital são um alerta.

Dor e forte odor são alguns dos sintomas

Woman holding hand near toilet bowl - health problem concept

Desejo de urinar com frequência, sensação de queimação ou ardência ao urinar, presença de sangue na urina, turva ou com cheiro forte, dor ou desconforto na região pélvica e febre baixa (inferior a 38 graus) são alguns dos sintomas ocasionados pela infecção. “Vale dizer que algumas cistites causam pouco ou nenhum sintoma. Tendo qualquer sintoma, o médico deve ser procurado para não ocorrer complicações, como a pielonefrite”, ressalta a nefrologista da Fundação Pró-Renal.

O risco da cistite aumenta quando a pessoa ingere pouca água, urina raramente, é sexualmente ativa (e não usa preservativo), usa diafragma para controle de natalidade, está grávida (a condição muda o corpo da mulher), possui sistema imunológico baixo (imunodeprimidos e diabéticos), sofre obstruções ao fluxo de urina ou/e faz uso prolongado de cateteres no trato urinário.

A cistite é mais comum em mulheres, por razões anatômicas, por serem sexualmente ativas ou após a menopausa, por redução de estrogênio – que protege a uretra contra bactérias – e traumatismos. Mas homens e crianças também estão propícios a desenvolver a infecção. É importante, caso a pessoa tenha esses sintomas, ir até a unidade de atendimento hospitalar mais próxima e procurar por atendimento médico.

Algumas dicas de como evitar a cistite

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Ingerir boas quantidades de líquidos diariamente, urinar após as relações sexuais, evitar reter a urina na bexiga por muito tempo e não utilizar roupas íntimas muito apertadas e que evitam a transpiração. No caso das mulheres, não usar absorventes internos e trocar os externos com frequência, para reduzir a umidade local. Já os homens, devem seguir as mesmas dicas e verificarem a saúde da próstata anualmente.

Fonte: Pró-Renal

 

 

Infecção no dente é risco para doença cardíaca? Entenda a relação

Quando se pensa em cuidar da saúde do coração, automaticamente lembramos a necessidade de manter o monitoramento dos principais fatores de risco, como colesterol e hipertensão. Apesar de estes elementos serem de grande influência, o cardiologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Lucas Velloso Dutra, alerta que uma simples infecção de dente também pode gerar risco de doença cardíaca.

O especialista explica que o problema pode ser causado quando uma bactéria se dissemina pela corrente sanguínea e atinge o órgão, ocasionando, então, comprometimentos.

“A doença cardíaca relacionada a uma infecção na cavidade oral é chamada de endocardite infecciosa (EI), que consiste na inflamação das válvulas cardíacas. Em casos mais graves é necessária a troca dessas válvulas”, complementa.

Apesar de infecção secundária na boca ser algo comum, o médico esclarece que as consequências ao coração comumente atingem pacientes que já possuem alguma predisposição, como cirurgia cardíaca prévia, problemas congênitos das valvas ou quadros clínicos em que existe diminuição da imunidade.

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A rapidez no diagnóstico e tratamento adequado são fundamentais para evitar a piora do quadro e evitar comprometimento do coração e outros órgãos, sem deixar de lado, é claro, o cuidado com a saúde bucal. O alerta fica para os primeiros sinais que são febre, mal estar, taquicardia e falta de ar. Dutra esclarece que após a detecção, o problema pode ser tratado apenas com antibiótico ou, em casos mais graves, uma cirurgia cardíaca.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Maquiagem: falta de higienização de acessórios pode causar dermatites e infecções

O compartilhamento de pincéis e o uso de maquiagem vencida também favorecem o desenvolvimento de bactérias e fungos. Dermatologista Thais Pepe dá dicas para evitar o problema

No nécessaire de grande parte das mulheres a maquiagem é o item número um para camuflar imperfeições e embelezar o rosto. Porém, para evitar que as maquiagens acabem piorando a situação da pele, alguns cuidados são necessários.

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Pixabay

“A higienização dos pincéis e das esponjas que auxiliam na aplicação da maquiagem é fundamental para a saúde da pele, pois estas ferramentas acumulam resíduos ao longo do tempo, como restos dos produtos e poeira”, explica a dermatologista Thais Pepe, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia.

“Estes instrumentos contaminados, além de influenciarem no acabamento, textura e até na cor de sua maquiagem, podem causar alergias, irritações ou dermatites na pele, chegando até a contribuírem para a formação de cravos e espinhas”, acrescenta.

Para evitar este problema, o ideal é sempre limpar os pincéis e esponjas após o uso ou, pelo menos, a cada duas semanas, esfregando as cerdas de trás para frente com delicadeza, para não embaraçar os fios, e deixando os utensílios, de cabeça para baixo, para secar ao sol. Para isso, você pode usar produtos específicos ou água morna e xampu neutro, e, em caso de pincéis de cerdas naturais, pode utilizar também condicionador.

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“Além disso, na hora de se maquiar, opte pelos pincéis, pois as esponjas acumulam mais bactérias. Também é necessário armazenar seus produtos em ambientes limpos, evitando contato com itens que tornam a contaminação mais fácil, como dinheiro e documentos”, completa a médica.

Outro cuidado importante a ser tomado é evitar o uso de maquiagens e pincéis de outras pessoas, pois este hábito aumenta o risco de transmissão de doenças como conjuntivite, herpes e foliculite.

“Quando seu uso não é estritamente individual, as maquiagens que têm proximidade com mucosas ou olhos são as mais perigosas. Nos batons, por exemplo, há o risco de transmissão do vírus do herpes. Já as maquiagens para os olhos, como rímel e delineador, podem transmitir conjuntivite, terçol e até tracoma”, afirma a especialista. “Se você vai se maquiar no salão e não confia nos produtos que serão utilizados, o ideal é que você leve seus pincéis ou até mesmo suas próprias maquiagens.”

validade

De acordo com Thais, o risco de contaminação é ainda maior se o cosmético estiver fora do prazo de validade, pois as substâncias presentes na maquiagem que evitam a proliferação de bactérias e fungos perdem a sua eficácia quando o produto vence. Geralmente, além da data de validade, um símbolo de pote aberto com um número seguido pela letra M indica a validade do produto em meses após aberto. “Caso note alguma alteração em sua pele devido ao uso da maquiagem, procure imediatamente um dermatologista”, finaliza.

Fonte: Thais Pepe é dermatologista especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia, membro da Sociedade de Cirurgia Dermatológica e da Academia Americana de Dermatologia. Diretora técnica da clínica Thais Pepe, tem publicações em revistas científicas e livros, além de ser palestrante nos principais Congressos de Dermatologia.

Tosse serve de alerta para uma eventual infecção ou alergia

A tosse é um reflexo natural do sistema respiratório e decorre de qualquer processo irritativo. Maura Neves, otorrinolaringologista da Clínica MedPrimus, explica que a função da tosse é remover agentes irritantes, limpar a via respiratória e defender o organismo de agentes nocivos inalados.

“A tosse pode ser seca ou produtiva. A diferença entre elas é a presença de muco. Na tosse produtiva há presença de secreção, que pode ser de pequena a grande quantidade, de clara a mais escura e até com laivos de sangue. A cor da secreção é um dos indicativos da causa”, explica.

.Secreção: clara ou transparente está associada a alergias ou gripes e resfriados. Já a secreção amarelada ou esverdeada sugere infecção. A presença de secreção sanguinolenta está associada à pneumonia, bronquite ou situações mais graves como tuberculose e câncer.

.Tosse seca: não tem secreção e muitas vezes está associada à “coceira” na garganta. Nesses casos, a tosse causa irritação na garganta. E quanto mais irritação mais tosse, e quanto mais tosse mais irritação.

.Tosse aguda: a médica explica que a tosse também é dividida por sua duração. Uma tosse aguda, habitualmente, é de curta duração. Muitas vezes apresenta outros sintomas como obstrução nasal, dor de garganta, rouquidão etc. Já os sintomas crônicos duram mais de oito semanas e tem causas diversas.

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Foto: Wallsdesk

Se a tosse persistir, um médico deve ser consultado. O diagnóstico da causa é fundamental para guiar o tratamento correto e pode ser feito por meio de exame, história clínica, exames laboratoriais e de imagem.

Para amenizar os sintomas e se prevenir da tosse nos dias mais frios, Maura Neves listou algumas medidas práticas e eficientes:

-Hidratação: beber água ajuda na fluidificação de secreções e hidratação de toda a via área.

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-Lavagem nasal com soro fisiológico: rinites e sinusites são causas muito frequentes de tosse. Manter uma boa respiração nasal sem acúmulo de secreções ajuda a controlar a tosse;
-Evite comer muito antes de deitar;
-Evite café, chá preto ou mate, chocolate e alimentos condimentados: eles podem piorar sintomas de refluxo;
-Umidificador ou vaporizador nos dias mais secos ajudam a aumentar a umidade do ar;
-Mantenha o ambiente ventilado.

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Foto: Emily Beeson/Morguefile

Fonte: Maura Neves é graduada em medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, com residência médica em Otorrinolaringologia no Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP
Fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal no Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Título de especialista pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial – ABORL-CCF
Doutorado pelo Departamento de Otorrinolaringologia do Hospital das Clinicas Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo – USP. Faz parte da Clínica Medprimus.

 

Conheça alguns mitos e verdades sobre infecção urinária

O tema infecção urinária está em alta nesta época do ano, já que a incidência dessa condição aumenta nos meses mais quentes. Ainda assim, há uma diversidade de mitos envolvendo a patologia. Com a missão de alertar a população, Regina Paula Ares, ginecologista, fala sobre alguns deles e também lista algumas verdades

Mitos e Verdades sobre infecção urinária

É indicado urinar depois do sexo! 
Verdade: durante o sexo, o corpo humano entra em contato com muitas bactérias que, por consequência, podem acabar entrando tanto no canal urinário feminino quanto no masculino. Eliminar o xixi após a prática pode ajudar a remover as possíveis bactérias que se acumulam durante a relação.

Sempre que houver ardor ao urinar o motivo é a infecção urinária.
Mito: segundo pesquisas, apenas 20% dos casos de dor e ardor são infecções urinárias. Os outros 80% não apresentam alterações que comprovem. Esse problema pode estar relacionado a infecções ginecológicas, traumatismo local ou irritações.

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Foto: Shutterstock

É melhor não segurar a urina.
Verdade: o fato de reter a urina favorece um aumento da população bacteriana da flora local, podendo ocasionar a infecção. O nosso trato urinário tem uma flora bacteriana própria, que coloniza o sistema e é eliminada periodicamente ao urinar.

A limpeza após a evacuação não pode causar infecção urinária.
Mito: em quase 90% das vezes a bactéria Escherichia coli, que habita o intestino, é a culpada. Por isso, é tão importante fazer corretamente a higiene íntima, limpando sempre da vagina em direção ao ânus.

Os problemas ginecológicos favorecem o surgimento da patologia.
Verdade: mulheres com infecções vaginais ou corrimentos estão mais predispostas à infecção urinária. A proximidade entre a vagina, ânus e uretra, facilita a contaminação.

A ingestão de álcool e cafeína não influenciam na contaminação. 
Mito: é necessário reduzir o consumo desses itens, pois podem enfraquecer o sistema de defesa do organismo.

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Foto: Emilysimagery/Morguefile

Evitar o uso de biquíni molhado por longos períodos.
Verdade: o uso prolongado de peças molhadas, como biquínis ou bermudas, aumentam as chances de contrair a doença, devido à proliferação facilitada de bactérias patogênicas (agressoras) no sistema urinário.

Usar roupas justas ou de fibras sintéticas não interfere no desenvolvimento da patologia. 
Mito: o hábito pode, sim, contribuir para o aparecimento dos sintomas, uma vez que a falta de ventilação pode facilitar na proliferação das bactérias.

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Foto: WeightLossDiet

O ideal é trocar o absorvente íntimo com frequência.
Verdade: a presença de umidade e sangue aumenta muito o risco de proliferação de bactérias. Portanto, o correto é não deixar o absorvente íntimo ficar cheio por muito tempo, principalmente se for um absorvente externo, que pode deixar a pele ao redor da uretra úmida e com sangue. Ainda há controvérsias entre os especialistas sobre qual tipo de absorvente é o mais danoso: interno ou externo. Na dúvida, independentemente do absorvente usado, troque-o com frequência.

Fonte: Regina Paula Ares tem formação e Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo. Atualmente atende no Hospital Sírio-Libanês.