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Processo inflamatório não visível está ligado ao envelhecimento acelerado e doenças

Exposição solar, poluição e alimentação rica em alimentos processados pioram perfil inflamatório da pele e do organismo. Esse status inflamatório contínuo e progressivo ao qual estamos expostos, não percebemos e nem temos sinais clínicos, está ligado ao envelhecimento precoce e a doenças

Inflamação constante. Ela é responsável por diversos problemas, condições crônicas e até a aceleração do envelhecimento da pele. “Se você não estiver familiarizado com o termo, inflamação se refere a uma reação do sistema imunológico a uma infecção ou lesão. Nesses casos, a inflamação é um sinal benéfico de que seu corpo está lutando para se recuperar, enviando um exército de células brancas do sangue para combater o processo que a ocasionou. Mas a inflamação também ocorre sem servir a nenhum propósito saudável, como quando você sofre de estresse crônico, tem uma doença autoimune, diabetes ou obesidade”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

E ela completa: “E, ao invés de resolver o problema e regredir, esse tipo de inflamação, de forma sistêmica e discreta, pode perdurar de forma crônica, trazendo danos ao organismo e, potencialmente, levando a problemas de saúde como artrite, doenças cardíacas, mal de Alzheimer, depressão e câncer”.

Já a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos explica que existe um processo inflamatório subclínico que conhecemos como Inflammaging: “Esse é um conceito novo relacionado ao envelhecimento precoce ocasionado, entre outras condições, pela formação de radicais livres oriundos da exposição aos raios ultravioleta, poluição e alimentação rica em alimentos processados. Essas ações promovem um desequilíbrio entre os mecanismos pró e anti-inflamatórios do organismo, aumentando o status inflamatório contínuo e progressivo ao qual estamos expostos continuamente, não percebemos, e nem temos sinais clínicos. Podemos dizer que obesidade, diabetes tipo II e a aterosclerose são exemplos de inflammaging e em todas essas doenças temos um aumento das substâncias inflamatórias” explica.

Maus hábitos como sedentarismo, privação de sono, tabagismo, exposição solar crônica e sem proteção e abuso de bebidas alcoólicas estão ligados a esse processo, mas a alimentação costuma ser um dos principais pontos.

“A dieta ocidental, rica em alimentos pró-inflamatórios, pode gerar uma cascata de danos que podem culminar em doenças metabólicas e envelhecimento precoce. A inflamação ocupou o centro das atenções das pesquisas nos últimos anos e as estratégias destinadas a reduzi-la vem sendo estudadas cada vez mais. Muitas dessas recomendações anti-inflamatórias estão relacionadas à dieta”, explica a Dra. Marcella.

Segundo a médica nutróloga, está claro que ter uma dieta saudável pode ajudar a melhorar a saúde geral e a longevidade. “Existem também algumas evidências que apoiam a noção de que comer uma série de alimentos nutritivos pode reduzir a inflamação. Por exemplo, pessoas que comem muitas frutas e vegetais tendem a ter níveis mais baixos de uma substância chamada proteína C reativa, um marcador de inflamação dentro do corpo”, diz Marcella.

“Além disso, algumas pesquisas encontraram uma ligação entre dietas pesadas em alimentos que promovem inflamação e um maior risco de certos problemas de saúde. Por exemplo, um estudo no Journal of the American College of Cardiology descobriu que pessoas que consumiam alimentos pró-inflamatórios, incluindo carne vermelha e processada, carboidratos refinados e bebidas carregadas de açúcar, eram mais propensas a desenvolver doenças cardiovasculares do que aquelas que regularmente optavam por alimentos anti-inflamatórios, como verduras, feijão e chá”, diz a médica.

Felizmente, os alimentos que parecem reduzir a inflamação também tendem a ser bons para você por outros motivos. “Portanto, concentrar-se em comer esses alimentos provavelmente pode beneficiar sua saúde de várias maneiras”, afirma a médica, que dá abaixo 5 dicas de trocas alimentares que ajudam a combater a inflamação.

=Em vez de um pão francês com cream cheese, coma uma ou duas fatias de torrada integral regada com azeite de oliva. “Os grãos integrais contêm substâncias que ajudam a promover o crescimento de bactérias saudáveis no intestino. Essas bactérias podem então produzir compostos que ajudam a neutralizar a inflamação. O consumo regular de azeite de oliva também traz benefícios: junto com os efeitos anti-inflamatórios, também pode ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar os níveis de colesterol”, diz Marcella.

=Em vez de um refrigerante gaseificado, experimente uma xícara de chá verde. “O chá verde contém substâncias chamadas catequinas, um polifenol que combate a inflamação. Apenas tome cuidado de não adoçá-lo”, diz a médica.

Foto: UncustomaryHousewife

=Em vez de um muffin e barra de cereais, substitua por um punhado de nozes sem sal e uma maçã. “As nozes trazem vários benefícios à saúde, incluindo uma dose de gorduras saudáveis, proteínas e, dependendo da variedade, fitoquímicos, que contêm antioxidantes e ajudam a eliminar substâncias nocivas chamadas radicais livres no corpo. Acredita-se que também tenham propriedades anti-inflamatórias. Frutas como maçãs também contêm fibras e antioxidantes”, explica.

=Em vez de um bife com batata fritas, coma uma porção de salmão com brócolis. “Os ácidos graxos ômega-3 do salmão e outros tipos de peixes, como atum, sardinha e cavala, têm sido associados a uma melhor saúde cardiovascular, possivelmente devido às suas propriedades anti-inflamatórias. O brócolis também é uma boa fonte de fibra e é rico em vitaminas C, E, K e ácido fólico. Ele também contém carotenoides, um fitoquímico importante para a saúde e que tem função antioxidante”, diz Marcella.

Foto: SweetSimpleVegan

=Em vez de uma fatia de bolo com farinha refinada e açúcar, prepare um bolo funcional com aveia e adoce com banana ou vários tipos de frutas vermelhas. “Frutas são ricas em vitaminas, minerais, compostos bioativos e antioxidantes que combatem a inflamação. A aveia é uma fonte rica de fibras, que ajudam no trânsito intestinal, e também combate à inflamação”, explica.

Segundo a médica nutróloga, uma revisão completa da dieta é um desafio, então fazer essas pequenas mudanças ao longo do tempo pode ajudar muito. “Tentar uma série de trocas simples que pode resultar em uma saúde melhor a longo prazo”, explica.

Patrícia concorda com a mudança de hábitos, principalmente na dieta, e sugere, também, o uso de suplementos anti-inflamatórios como os Fosfolipídeos de Caviar (FC Oral). “Quando utilizamos fosfolipídeos de caviar, conseguimos reduzir essas substâncias pró-inflamatórias, o que diminui o inflammaging. Em sua composição, um carotenóide, a astaxantina, e vitamina E trazem benefícios no aumento do status antioxidante da pele e do organismo, reduzindo a inflamação e auxiliando na redução de radicais livres. Para a pele, ele ainda melhora a hidratação por inibir a perda de água transepidérmica, deixando a superfície da pele protegida (barreira cutânea) e hidratada, ajudando a combater o envelhecimento precoce”, finaliza a farmacêutica.

Fontes:
Marcella Garcez é Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran.
Patrícia França é farmacêutica e gerente científica da Biotec Dermocosméticos.

Dez coisas que você precisa saber sobre a obesidade*

1 – Tratar a obesidade não significa buscar um corpo mais bonito. Busca-se acima de tudo, um corpo saudável nos mais variados aspectos físicos e mentais.


2 – A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela vai se instalando aos poucos. Um jovem muito acima do peso pode não ter ainda descontrole de taxas como glicose, colesterol ou triglicerídeos, mas as chances de ter problemas com a idade mais avançada são maiores do que as de pessoas com peso controlado. Pode ser que ele nunca adoeça, mas diante do risco o ideal é buscar meios de perder o peso acumulado em excesso.

3 – Existem ao menos 15 tipos de doenças ligadas à obesidade, que podem afetar diversas partes do corpo: artérias, veias, fígado, pâncreas, coração, aparelho respiratório, rins, pele, vesícula, ossos, ovários, próstata, articulações, cérebro, intestino, esôfago, entre outras.

4 – Algumas pessoas ganham muito peso em pouco tempo, mas a maioria vai acumulando a gordura aos poucos, ao longo dos anos. A prevenção à obesidade, com uma alimentação saudável e prática constante de exercícios, portanto, precisa começar desde a infância, pois se uma pessoa ganha um quilo a mais do que deveria por ano, em 50 anos de vida, ela terá 50 quilos a mais.

5 – Nem todas as pessoas ganham mais peso, ou seja, acumulam mais gordura no corpo, porque comem muito mais alimentos calóricos e ricos em gorduras e carboidratos. Há pessoas que comendo o mesmo que outras engordam mais. Essa diferença se dá pela genética. Ou seja, há genes que atuam de forma diferente em cada organismo. Por isso, desde criança, é preciso ficar de olho na tendência familiar e no ganho de peso da pessoa. Se ela acumular mais, terá que se alimentar ainda melhor, diminuindo seus alimentos calóricos e aumentando os exercícios.



6 – Quanto mais peso se acumula, mais difícil é perdê-los. E chega um ponto em que até mesmo uma cirurgia bariátrica fica difícil de ser realizada, se a pessoa está com um peso muito alto. Muitas pessoas com obesidade em grau 3, com Índice de Massa Corpórea, o IMC, acima de 50, precisam fazer dietas para perder de 10% a 20% do peso corporal para conseguir operar. Portanto, uma reeducação alimentar e a mudança nos hábitos de vida, incluindo ao menos uma caminhada, devem ser feitas por todas as pessoas.

7 – Problemas emocionais, como a ansiedade, podem afetar o apetite de diferentes formas: alguns perdem o apetite e outras ficam com mais fome. Por isso, cuidar da mente é fundamental para prevenir a obesidade. A parte boa é que exercícios físicos ajudam tanto no gasto calórico, quanto na melhor oxigenação do cérebro, ajudando a reduzir os distúrbios emocionais.

8 – A obesidade é diagnosticada através do cálculo do Índice de Massa Corpórea (IMC). Ele é feito da seguinte forma: divide-se o peso (em Kg) do paciente pela sua altura (em metros) elevada ao quadrado. De acordo com este padrão, utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa. Conforme o IMC, classifica-se o grau de obesidade em: obesidade leve (classe 1 – IMC 30 a 34,9 kg/m2), moderada (classe 2 – IMC 35 a 39,9 kg/m2) e grave ou mórbida (classe 3 – IMC ≥ 40 kg/m2). Essa classificação é importante na escolha do tipo de tratamento, quando deve ser clínico ou cirúrgico. Para o tratamento da obesidade são avaliados fatores de risco e outras doenças para determinar se há a necessidade de uso de medicamentos já em pacientes com sobrepeso.



9 – A obesidade muitas vezes também pode acarretar o desenvolvimento de ansiedade e depressão. Muitas pessoas sofrem com gordofobia, são atacadas e criticadas por serem obesas, e há ainda preconceito no ambiente de trabalho (muitos não conseguem emprego). Buscar ajuda psicológica profissional é fundamental para obter sucesso no tratamento.

10 – A obesidade pode prejudicar a vida sexual e a capacidade reprodutiva de homens e mulheres. No homem, devido à redução da testosterona, pode reduzir a libido e levar a dificuldade de ereção. Já nas mulheres, pode ocorrer redução dos níveis de hormônio feminino e aumento no nível dos hormônios masculinos. As mulheres podem apresentar aumento de pelos, irregularidade menstrual e infertilidade. A síndrome do ovário policístico também é relacionada ao aumento de peso. Mas as chances de todos esses problemas se resolverem, com uma perda de peso na ordem de 10%, são bem grandes.

*Por Cid Pitombo, médico especializado em tratamentos de obesidade e cirurgia bariátrica.

Especialista responde se reduzir consumo de carne vermelha ajuda a desinflamar o organismo

A endocrinologista Bruna Manes conta o que acontece com o organismo quando se reduz o consumo do alimento

Nenhum brasileiro resiste a uma boa porção de batata frita acompanhado de uma carne bovina bem cozida e muitos, inclusive, têm o hábito de comer carne vermelha todos os dias, tanto no almoço, quanto no jantar.

As carnes vermelhas provêm do porco, carneiro e boi, e são uma excelentes fonte de proteínas, vitamina B3, B6 e B12, além de obterem minerais essenciais para o organismo como o ferro, zinco e selênio, podendo trazer muitos benefícios para a saúde.

Entretanto, a médica Bruna Laudano Manes especialista em endocrinologia, do Instituto Santa Rosa, ressalta que tais benefícios aparecem quando a alimentação faz parte de uma dieta balanceada, pois, do contrário, o consumo exagerado de carne vermelha pode trazer malefícios à saúde, como inchaço e a dificuldade de emagrecer.

“Isso porque o problema maior da carne vermelha é carregar ácido araquidônico, uma substância pró-inflamatória que, em excesso, deixa o organismo resistente à perda de peso”, explicou a especialista, que ainda acrescenta. “Caso se torne crônico, mesmo o indivíduo tentando emagrecer, por meio de dieta, ele não vai conseguir”.

Outro problema que a médica pontua é o possível surgimento de câncer do cólon e isso acontece porque, o aumento da inflamação no intestino, sem o consumo adequado de frutas, legumes e verduras, favorece alterações nas células, fazendo surgir a doença. “O ideal é que se consuma carne vermelha apenas duas vezes na semana e se comeu no almoço, procure evitar no jantar. Coma também alimentos saudáveis para equilibrar as toxinas no organismo”, disse.

O que acontece com o organismo quando se reduz a carne vermelha?

De acordo com a endocrinologista, dentro de alguns dias o corpo vai apresentar mudanças. Bruna Manes fala que o corpo vai passar por uma espécie de detox, o que vai favorecer na perda de peso, diminuição da celulite, aumento da fertilidade e bem-estar.

“A sensação de peso vai passar porque o organismo vai produzir enzimas o suficientes para quebrar as moléculas das proteínas da carne vermelha, facilitando o trabalho dos rins na eliminação das toxinas pela urina, causando menos inchaço”, explicou.

E você não precisa se tornar vegetariano, pois basta diminuir no consumo e manter a rotina. Para te ajudar, Bruna ressalta a importância do acompanhamento profissional. “O processo é gradativo e comer carne é muito bom, mas ninguém consegue levar uma vida saudável sem incentivo”, finalizou.

Fonte: Bruna Manes é médica especialista em modulação hormonal, medicina ortomolecular e endocrinologia, atua em duas clínicas – em Volta Redonda (RJ), cidade onde mora com o marido e outra no bairro Leblon, no Rio de Janeiro.

Comer muita gordura e açúcar afeta mais que a cintura: a pele também inflama, diz estudo

Estudo publicado em fevereiro de 2020 no Journal of Investigative Dermatology destaca que, mesmo a curto prazo, a exposição à dieta ocidental rica em gordura e açúcar é capaz de induzir doenças inflamatórias na pele, como acne, psoríase e envelhecimento antes de um significativo ganho de peso corporal

Antes mesmo de experimentar o peso a mais de alguns abusos na alimentação, podemos literalmente sentir na pele as consequências. Pelo menos é o que mostra um estudo, publicado em fevereiro de 2020 no Journal of Investigative Dermatology. “Os pesquisadores da UC Davis Health demonstraram que, mesmo uma exposição a curto prazo à dieta ocidental rica em gordura e açúcar pode levar a doenças inflamatórias da pele, como a psoríase”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

“Segundo o estudo, as doenças inflamatórias da pele podem aparecer antes mesmo de experimentarmos os quilinhos a mais dos excessos”, acrescenta a médica. Embora o estudo tenha relacionado a casos de psoríase, há evidências de que a dieta rica em gorduras ruins (como frituras) e açúcar pode causar acne e envelhecimento da pele.

“Existe um gene chamado TNF-alfa que está associado ao processo inflamatório; se o indivíduo tem um alelo (forma alternativa de um determinado gene) que leva a um processo inflamatório mais intenso, vai usar alguns ativos orais em uma determinada concentração para frear e adequar a expressão desse gene. Além disso, você deve tomar cuidado com a alimentação, pois existem alimentos que são pró-inflamatórios e o consumo exagerado pode piorar a inflamação da acne e também o envelhecimento da pele”, afirma o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.

O estudo “Short-term exposure to a Western diet induces psoriasiform dermatitis by promoting accumulation of IL-17A-producing γδ Tcells” sugere que os componentes da dieta podem levar à inflamação da pele e ao desenvolvimento de psoríase. De acordo com a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, a psoríase é uma inflamação que ocorre quando os anticorpos começam a agredir os queratinócitos, células produtoras da proteína morta responsável por formar a camada protetora da pele. Em resposta a essa agressão, os queratinócitos começam a se proliferar, multiplicando-se de maneira muito mais rápida e assim favorecendo a formação de crostas.

“Além disso, há a dilatação dos vasos sanguíneos, que leva ao surgimento de manchas vermelhas. Posteriormente, ainda ocorre um processo de micropontos de sangramento no local, chamado de orvalho sangrento, devido a remoção dessas crostas que se formaram durante o processo inflamatório”, explica a médica. “Dessa forma, a psoríase é categorizada como uma doença autoimune, sendo causada então principalmente devido à predisposição genética. Porém, outros gatilhos também podem agravar a doença, como fatores ambientais, alimentação e o estresse”, acrescenta.

Estudos anteriores mostraram que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento ou agravamento da psoríase. A dieta ocidental, caracterizada por uma alta ingestão de gorduras saturadas e sacarose e baixa ingestão de fibras, tem sido associada ao aumento da prevalência de obesidade no mundo. Para o estudo da UC Davis Health, que utilizou um modelo de camundongo, os pesquisadores descobriram que era necessária uma dieta contendo alto teor de gordura e alto teor de açúcar (imitando a dieta ocidental em humanos) para induzir a inflamação da pele. Em apenas quatro semanas, os ratos com dieta ocidental aumentaram significativamente o inchaço dos ouvidos e a dermatite visível em comparação com os ratos alimentados com dieta controlada e com dieta rica em gordura. “A dieta não saudável não afeta apenas a sua cintura, mas também a imunidade da pele”, diz Marcella.

O estudo detalhou os mecanismos pelos quais a inflamação ocorre após uma dieta ocidental. “O trabalho identificou que a alimentação rica em gordura e açúcares é capaz de despertar a sinalização inflamatória na pele, desregulando a via Interleucina-23, um mensageiro pró-inflamatório que contribui para o desenvolvimento de dermatites”, afirma a nutróloga.

A pesquisa também enfatiza a importância da dieta para pacientes com doenças de pele. Pacientes com psoríase, por exemplo, com má alimentação têm maior risco de desenvolver doenças relacionadas, incluindo diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que podem ser evitadas ou melhoradas por abordagens dietéticas.

Ilustração: Ficusbio

Um exame de genotipagem também pode ajudar no tratamento da psoríase. “Prevenir a psoríase também pode ajudar na prevenção contra o câncer. Segundo um estudo recente, publicado em outubro de 2019, no conceituado JAMA Dermatology, portadores de psoríase apresentam risco aumentado de diversos tipos de câncer, principalmente portadores de psoríase severa, cujo risco de câncer de células escamosas (um dos tipos de câncer de pele), pode ser até aproximadamente doze vezes maior”, afirma o geneticista. A multigene já trabalha com o perfil de genotipagem para prevenção e tratamento de psoríase, que não só identifica a presença dessas variantes genéticas responsáveis por maior incidência da doença, como também ajuda a orientar o paciente a como controlar a ação negativa das variantes mais importantes.

Em uma revisão sistemática da literatura, o aumento da gravidade da psoríase pareceu correlacionar-se com um maior índice de massa corporal (IMC), e acredita-se que a obesidade provavelmente predisponha à psoríase e vice-versa. “Embora as recomendações dietéticas específicas não sejam claras, um estudo observacional encontrou uma associação benéfica de melhora com pacientes que seguiram a dieta mediterrânea. Em termos de suplementos nutricionais, vários estudos apostam no óleo de peixe como o mais promissor e a vitamina D oral demonstrando alguma promessa em estudos abertos”, diz Claudia.

“De qualquer forma, uma boa alimentação, equilibrada e com boa ingestão de fibras, sem excessos em açúcar e gordura de má qualidade, é capaz de trazer diversos benefícios para a pele e evitar muitas doenças. Por isso, procure ajuda de um médico nutrólogo para ajustar os desequilíbrios da sua dieta”, finaliza Marcella.

Fontes
Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.
Claudia Marçal é médica dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da American Academy Of Dermatology (AAD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD). É speaker Internacional da Lumenis, maior fabricante de equipamentos médicos a laser do mundo; e palestrante da Dermatologic Aesthetic Surgery International League (DASIL). Possui especialização pela AMB e Continuing Medical Education na Harvard Medical School. É proprietária do Espaço Cariz, em Campinas – SP.
Marcelo Sady é pós-doutor em genética com foco em genética toxicológica e humana pela UNESP- Botucatu. Speaker, diretor Geral e Consultor Científico da Multigene, empresa especializada em análise genética e exames de genotipagem, professor, orientador e palestrante. Autor de diversos artigos e trabalhos científicos publicados em periódicos especializados, fez parte do Grupo de Pesquisa Toxigenômica e Nutrigenômica da FMB – Botucatu, além de coordenar e ministrar 19 cursos da Multigene nas áreas de genética toxicológica, genômica, biologia molecular, farmacogenômica e nutrigenômica.

Sete piores tipos de alimentos para a pele e por que você deve evitá-los

Acne, aceleração do envelhecimento, inflamações constantes e alergias. Descubra por que esses alimentos devem entrar na sua lista de bloqueio

Alguns alimentos podem impactar negativamente o equilíbrio do organismo em geral e, com isso, ajudar a provocar inflamações, acne, alergias, além de acelerar o envelhecimento cutâneo. “Eles geralmente são ricos em açúcares, sal e gorduras modificadas, as frituras de imersão, além dos alimentos ultraprocessados, que são os industrializados nos quais não conseguimos identificar os ingredientes à primeira vista. Eles são os maiores responsáveis pelo aumento do perfil inflamatório do organismo como um todo, além de promoverem estresse oxidativo, que resulta em maior liberação de radicais livres, em situações metabólicas que aceleram sobremaneira o envelhecimento cutâneo”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Quer saber quais alimentos você deve evitar de todo modo?

Freepik

Carboidratos, massas e pão francês: “Os pães brancos são feitos com farinhas refinadas e têm alto índice glicêmico, portanto são absorvidos rapidamente e, ao aumentar rapidamente os níveis circulantes de glicose e insulina, desencadeiam uma série de reações metabólicas com potencial aumento de perfil inflamatório e consequentemente o envelhecimento precoce ou acelerado, mesmo os livres de glúten”, explica Marcella. O envelhecimento da pele relacionado à alimentação é causado por um processo denominado glicação.

“A glicação é o nome dado para a ligação covalente entre duas fibras de proteína – o colágeno, por exemplo, é a proteína mais abundante na derme. Em uma pele normal, as fibras de colágeno estão ligadas de maneira padronizada, no entanto, dependendo da dieta, essas ligações podem aumentar. Quanto maior o cross-linking, maior a dificuldade de reparo dessas fibras, o que acelera a degeneração do colágeno. As fibras de elastina (outra proteína presente na derme) também aumentam o cross-linking devido à glicação, resultando numa pele menos flexível. A glicose é o principal ligante. Dessa maneira, uma dieta rica em açúcar e carboidrato é causa de envelhecimento, pois aumenta a glicação do colágeno e elastina da pele, impossibilitando o seu reparo”, afirma o dermatologista Daniel Cassiano, da Clínica GRU e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Foto: Hans Benn/Pixabay

Frituras de imersão: batata frita, coxinhas, pastéis e todas as frituras de imersão impactam negativamente a saúde da pele. “Alimentos gordurosos no geral favorecem muito o surgimento da acne, pois estimulam a pele a produzir mais gordura através das glândulas sebáceas. Além disso, uma dieta mais gordurosa também faz com que sejam liberadas substâncias inflamatórias que podem estar relacionadas ao desencadeamento da acne”, afirma o farmacêutico Maurizio Pupo, Pesquisador, Consultor em Cosmetologia e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina Italy.

“Existe um gene chamado TNF-alfa e ele está associado com o processo inflamatório; se o indivíduo tem um alelo (forma alternativa de um determinado gene) que leva a um processo inflamatório mais intenso, ele deve tomar cuidado com a alimentação, pois existem alimentos que são pró-inflamatórios e o consumo exagerado pode piorar a inflamação da acne e também o envelhecimento da pele”, afirma o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.

Free-Photos/Pixabay

Segundo a dermatologista Claudia Marçal, esse tipo de gordura ruim pode piorar casos de psoríase, alergias e dermatites. “O fato de ingerir proteínas glicadas também induz a glicação do colágeno e da elastina. As proteínas glicadas da nossa dieta são provenientes dos alimentos aquecidos em alta temperatura na ausência de água. A crosta marrom de um pão francês ou a pele tostada do peru de natal, por exemplo, contêm proteínas glicadas. Dessa forma, fritar (superficialmente ou por imersão) ou assar produzem mais proteínas glicadas que outros processos de cocção envolvendo água como o cozimento ou vapor. A restrição da ingesta de proteínas glicadas também diminui o estresse oxidativo e a inflamação da pele”, explica Cassiano.

Doces e guloseimas ricas em açúcares: comer açúcar não é uma boa coisa para sua saúde e aparência. “O excesso de açúcar em doces e bolos contribui para a formação de AGEs (agentes avançados de glicação) prejudiciais ao colágeno, mas também está envolvido em processos inflamatórios, como a acne”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

“O açúcar refinado talvez seja o ingrediente isolado que mais acelera o envelhecimento cutâneo, por fatores intrínsecos, e a radiação UV é o principal fator extrínseco”, completa a médica nutróloga Marcella. Ao mesmo tempo, é difícil abandonar o vício em açúcar. O que fazer? Comece com um passo de cada vez. “Além de adequar o paladar, buscando consumir menos açúcar, é possível em muitas receitas substituir esse ingrediente por frutas mais doces e mel, que são fontes de vitaminas, ou versões mais ‘magras’, como o açúcar demerara ou o adoçante xylitol – também evitando o excesso”, completa Beatriz.

Foto: Yahoo

Carnes ultraprocessadas: salsicha, bacon e linguiça são exemplos de carnes processadas que podem ser prejudiciais à pele. “Essas carnes são ricas em sódio e gorduras saturadas, que podem desidratar a pele e enfraquecer o colágeno, causando inflamação”, lembra Beatriz. “Além disso, as carnes processadas trazem conservantes, corantes, grande quantidade de sal e seu consumo frequente tem consequências metabólicas indesejáveis na saúde da pele”, diz Marcella. Ou seja, elas roubam o brilho natural da sua pele, que perde viço. Esse tipo de proteína pode ser substituído por ovos e frango ou proteínas vegetais como feijão, grão-de-bico e ervilha.

Laticínios, manteiga e margarina: “As gorduras saturadas de origem animal, como a manteiga, são o segundo tipo de gordura a ser ingerida com muita moderação, por seus impactos negativos na pele. Pior que essa categoria somente as gorduras modificadas e as trans, presentes nas margarinas”, afirma Marcella. O perigo é que esses tipos de gorduras são potencialmente inflamatórios, aumentando os riscos de alergias, envelhecimento e acne.

Salgadinhos, bolachas e biscoitos: unindo gorduras trans, sódio em excesso, carboidratos simples em alta quantidade, além de corantes, aditivos e ingredientes desconhecidos, esse tipo de alimento é um dos principais causadores do envelhecimento da pele, por seu perfil pró-inflamatório, além de contarem com ‘calorias vazias’.

Refrigerantes e bebidas alcoólicas: segundo a médica nutróloga, os refrigerantes são bebidas ultraprocessadas que deveriam ser evitadas por todos, tanto as versões regulares, que são as piores quanto as dietéticas são desaconselháveis para quem quer envelhecer com saúde. “O problema é a alta quantidade de açúcar, aditivos, corantes que podem causar irritação, vermelhidão, enfraquecimento da barreira cutânea por meio da inflamação causada pelos seus componentes”, afirma Claudia.

“A bebida é, na verdade, um dos piores e mais agressivos compostos para destruir a pele. O álcool em excesso pode causar não só a desidratação, mas também a inflamação sistêmica, que colabora para a vermelhidão e envelhecimento da pele”, acrescenta a dermatologista. Ao beber dois ou mais drinks por dia, há uma enorme quantidade de dano que ocorre na pele: “O álcool afeta qualquer membrana ou mucosa, do pâncreas e fígado à pele. O primeiro efeito é a desidratação, uma vez que, na verdade, retira todo o fluido da pele. Se você olhar para uma mulher que está bebendo há 20 ou 30 anos e uma mulher da mesma idade que não tem esse hábito, veremos uma enorme diferença na pele”, afirma Claudia. Esse tipo de desidratação causa mais rugas, o que pode fazer você parecer até dez anos mais velho.

Por fim, Claudia Marçal afirma que alimentos como milho, soja e carne vermelha também podem aumentar o risco do aparecimento de acne e merecem atenção. “Isso porque são alimentos ricos em ácidos graxos do ômega-6, substância com efeitos que favorecem a inflamação”, afirma a dermatologista.

Já Marcella lembra que os laticínios são um capítulo à parte, pois apresentam inúmeras variações em suas composições, e a depender das sensibilidades, seu consumo deva ser individualizado, para não causar danos à pele e seus anexos. Mas existem alimentos que podem retardar o efeito do tempo.

“Um hábito alimentar equilibrado, variado e natural com boas fontes de proteínas magras, carboidratos complexos, fibras, gorduras boas como os ácidos graxos omega-3, presentes nos peixes de água fria, sementes e nozes, vegetais ricos em carotenoides que são todos aqueles de coloração verde, passando pelos amarelos, alaranjados e vermelhos, além dos ricos em polifenóis presentes nas frutas vermelhas e roxas, além do chocolate amargo”, diz a nutróloga. “Não podemos esquecer da água, que é insubstituível para a boa hidratação do organismo em geral e da pele, pois os cremes hidratantes apenas seguram na pele a água que foi ingerida”, finaliza.

Cuidado com os excessos de fim de ano: antes mesmo de você engordar, sua pele pode sofrer

Estudo publicado em fevereiro no Journal of Investigative Dermatology destaca que, mesmo a curto prazo, a exposição à dieta ocidental rica em gordura e açúcar é capaz de induzir doenças inflamatórias na pele, como acne, psoríase e envelhecimento antes de um significativo ganho de peso corporal

Amamos pavês, bolos, doces, tortas e todo o exagero de Natal, afinal, a ceia feita em família é um momento gostoso. Mas é necessário ter cuidado para não esticar a comilança. Isso porque antes mesmo de experimentar o peso a mais de alguns abusos na alimentação, podemos literalmente sentir na pele as consequências, segundo um estudo, publicado no começo de fevereiro no Journal of Investigative Dermatology.

“Os pesquisadores da UC Davis Health demonstraram que, mesmo uma exposição em curto prazo à dieta ocidental rica em gordura e açúcar pode levar a doenças inflamatórias da pele, como a psoríase”, explica Marcella Garcez, médica nutróloga e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. “Segundo o estudo, as doenças inflamatórias da pele podem aparecer antes mesmo de experimentarmos os quilinhos a mais dos excessos”, acrescenta a médica.

Embora o estudo tenha relacionado a casos de psoríase, há evidências de que a dieta rica em gorduras ruins (como frituras) e açúcar pode causar acne e envelhecimento da pele. “Existe um gene chamado TNF-alfa e ele está associado ao processo inflamatório; se o indivíduo tem um alelo (forma alternativa de um determinado gene) que leva a um processo inflamatório mais intenso, você vai usar alguns ativos orais em uma determinada concentração para frear e adequar a expressão desse gene. Além disso, você deve tomar cuidado com a alimentação, pois existem alimentos que são pró-inflamatórios e o consumo exagerado pode piorar a inflamação da acne e também o envelhecimento da pele”, afirma o geneticista Marcelo Sady, Pós-Doutor em Genética e diretor geral Multigene.

Foto: Mel Schmitz

O estudo “Short-term exposure to a Western diet induces psoriasiform dermatitis by promoting accumulation of IL-17A-producing γδ Tcells” sugere que os componentes da dieta podem levar à inflamação da pele e ao desenvolvimento de psoríase. De acordo com a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, a psoríase é uma inflamação que ocorre quando os anticorpos começam a agredir os queratinócitos, células produtoras da proteína morta responsável por formar a camada protetora da pele. Em resposta a essa agressão, os queratinócitos começam a se proliferar, multiplicando-se de maneira muito mais rápida e assim favorecendo a formação de crostas.

Psoriasis Hand

“Além disso, há a dilatação dos vasos sanguíneos, que leva ao surgimento de manchas vermelhas. Posteriormente, ainda ocorre um processo de micropontos de sangramento no local, chamado de orvalho sangrento, devido a remoção dessas crostas que se formaram durante o processo inflamatório”, explica a médica. “Dessa forma, a psoríase é categorizada como uma doença autoimune, sendo causada então principalmente devido à predisposição genética. Porém, outros gatilhos também podem agravar a doença, como fatores ambientais, alimentação e o estresse”, completa.

Estudos anteriores mostraram que a obesidade é um fator de risco para o desenvolvimento ou agravamento da psoríase. A dieta ocidental, caracterizada por uma alta ingestão de gorduras saturadas e sacarose e baixa ingestão de fibras, tem sido associada ao aumento da prevalência de obesidade no mundo. Para o estudo da UC Davis Health, que utilizou um modelo de camundongo, os pesquisadores descobriram que era necessária uma dieta contendo alto teor de gordura e alto teor de açúcar (imitando a dieta ocidental em humanos) para induzir a inflamação da pele.

Em apenas quatro semanas, os ratos com dieta ocidental aumentaram significativamente o inchaço dos ouvidos e a dermatite visível em comparação com os ratos alimentados com dieta controlada e com dieta rica em gordura. “A dieta não saudável não afeta apenas a sua cintura, mas também a imunidade da pele”, diz Marcella.

O estudo detalhou os mecanismos pelos quais a inflamação ocorre após uma dieta ocidental. “O trabalho identificou que a alimentação rica em gordura e açúcares é capaz de despertar a sinalização inflamatória na pele, desregulando a via Interleucina-23, um mensageiro pró-inflamatório que contribui para o desenvolvimento de dermatites”, afirma a nutróloga.

O estudo também enfatiza a importância da dieta para pacientes com doenças de pele. Pacientes com psoríase, por exemplo, com má alimentação têm maior risco de desenvolver doenças relacionadas, incluindo diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, que podem ser evitadas ou melhoradas por abordagens dietéticas.

Image Hires

Um exame de genotipagem também pode ajudar no tratamento da psoríase. “Prevenir a psoríase também pode ajudar na prevenção contra o câncer. Segundo um estudo recente, publicado em outubro de 2019, no conceituado JAMA Dermatology, portadores de psoríase apresentam risco aumentado de diversos tipos de câncer, principalmente portadores de psoríase severa, cujo risco de câncer de células escamosas (um dos tipos de câncer de pele), pode ser até aproximadamente 12 x maior”, afirma o geneticista.

A Multigene já trabalha com o perfil de genotipagem para prevenção e tratamento de psoríase, que não só identifica a presença dessas variantes genéticas responsáveis por maior incidência da doença, como também ajuda a orientar o paciente a como controlar a ação negativa das variantes mais importantes.

Em uma revisão sistemática da literatura, o aumento da gravidade da psoríase pareceu correlacionar-se com um maior índice de massa corporal (IMC), e acredita-se que a obesidade provavelmente predisponha à psoríase e vice-versa.

“Embora as recomendações dietéticas específicas não sejam claras, um estudo observacional encontrou uma associação benéfica de melhora com pacientes que seguiram a dieta mediterrânea. Em termos de suplementos nutricionais, vários estudos apostam no óleo de peixe como o mais promissor e a vitamina D oral demonstrando alguma promessa em estudos abertos”, diz Claudia.

“De qualquer forma, uma boa alimentação, equilibrada e com boa ingestão de fibras, sem excessos em açúcar e gordura de má qualidade, é capaz de trazer diversos benefícios para a pele e evitar muitas doenças. Por isso, procure ajuda de um médico nutrólogo para ajustar os desequilíbrios da sua dieta”, finaliza Marcella.

Invista em alimentos anti-inflamatórios para melhorar a saúde do corpo até o verão

Além da prática de exercícios, a alimentação deve ser o foco para quem quer chegar em forma no verão. Especialistas comprovam que uma dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras saudáveis pode ajudar a proteger o corpo contra a inflamação e uma série de outros problemas de saúde.

A má alimentação gera a inflamação sistêmica do corpo, como explica a médica da Clínica Leger, Simone Henriques, pós-graduada em nutrição, metabolismo e exercício físico.

“Vários estudos mostram que a inflamação cerebral pode provocar Alzheimer e doenças neurodegenerativas. No coração, a alimentação inflamatória causa entupimento dos vasos sanguíneos. E na pele, o maior órgão do nosso corpo, as celulites são consequência desse processo”, pontua.

Pesquisas sugerem que alimentos processados como carboidratos refinados, refrigerantes, gorduras trans e carnes vermelhas podem promover a inflamação crônica. Para quem está de olho no verão e quer eliminar as celulites, vale apostar em uma alimentação menos inflamatória.

“Quando o paciente consegue ter uma alimentação balanceada e redução do acúmulo de gordura corporal, ele consegue não só amenizar o aspecto de casca de laranja na pele, mas também ter menor pressão subcutânea. Com isso, é possível melhorar a circulação de micro e macro nutrientes, diminuir a retenção hídrica, melhorar a drenagem linfática e, consequentemente, o aspecto geral da pele”, diz o cirurgião Roberto Chacur, especialista no combate às celulites.

Aumentar o consumo de fibras, frutas vermelhas, oleaginosas, sementes, peixes ricos em ômega 3, vinho e água é uma estratégia para quem quer diminuir o grau das celulites e melhorar o aspecto da pele até o verão. Para a médica Simone Henriques, a melhor forma de reduzir a inflamação do corpo é a mudança dos hábitos alimentares.

“Uma dieta pobre em açúcar, carboidratos simples, frituras, alimentos processados e industrializados faz bem à saúde do corpo como um todo”, diz Simone.

Vale destacar que uma alimentação anti-inflamatória alivia e previne o cansaço excessivo, dores de cabeça, inchaços, vermelhidão, lesões em vasos sanguíneos, dores nas articulações e músculos, além de aumentar a imunidade, evitando gripes e resfriados, e ajudar no controle do peso.

Fonte: Clínica Leger

Pesquisas indicam que açaí pode ajudar a combater sintomas da Covid-19

Que o açaí faz bem à saúde, é gostoso e altamente energético, todo mundo já sabia. A novidade agora é que ele pode ajudar a combater os sintomas mais graves da Covid-19. É o que estão tentando provar pesquisadores do Canadá, que já estudam o efeito do açaí sobre as inflamações. A esperança é que a intervenção precoce com o extrato do fruto, se for eficaz, evite os sintomas mais prejudiciais associados ao novo coronavírus.

“Os frutos do açaí são baratos e estão disponíveis para todos, são seguros, então vale a pena tentar”, disse Michael Farkouh, da Universidade de Toronto, à Agência France Press. Segundo ele, pesquisas anteriores já mostraram que o extrato do açaí pode reduzir a inflamação, uma das consequências que o vírus pode causar e levar a complicações de saúde.

Para o estudo, Farkouh, junto com sua colega Ana Andreazza, recrutaram cerca de 580 pacientes com resultado positivo para o coronavírus no Canadá e no Brasil. Metade deles recebeu doses do medicamento experimental e a outra metade, um placebo. Os resultados do estudo serão divulgados até o final de 2020.

Para o diretor executivo da Açaí Concept, Jath Azevedo, independente dos resultados da pesquisa, já se sabe que o açaí é um aliado para uma vida mais saudável e para reforçar a imunidade do organismo. “Recebemos com muita alegria a notícia da realização dessas pesquisas. Há muito tempo acreditamos no açaí como alimento gostoso e nutritivo, ideal para quem quer levar uma vida saudável”, completa.

As lojas da franquia Açaí Concept já estão recebendo clientes, seguindo as regras sanitárias e um manual operacional elaborado pela empresa, com todos as informações e requisitos necessários para a retomada segura das operações.

Maior franquia de açaí do mundo, com cerca de 300 unidades, a Açaí Concept conquistou recentemente o certificado de Mega Franquia Internacional 2020. Atualmente, a Açaí Concept conta com lojas em dez países.

Informações: Açaí Concept – Central de Atendimento pelo (82) 3317.9084

 

Chocolate amargo tem efeito anti-idade, já os demais podem piorar inflamação de acne

É possível aproveitar a Páscoa sem deixar de comer ovos de chocolate. Mas para isso, a opção deve ser por chocolates menos calóricos, como o amargo, que traz alta concentração de cacau, um poderoso antioxidante

Com a proximidade da Páscoa, a procura por ovos de chocolate aumenta e, frequentemente, surgem dúvidas quanto aos seus benefícios ou malefícios à pele. “Eficaz contra o mau humor, além de trazer sensação de bem-estar, o chocolate deve ser consumido com parcimônia; as versões brancas e ao leite devem ser evitadas, por conta da quantidade de açúcar e gordura presente nesses produtos, que podem favorecer a inflamação e envelhecer a pele”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da American Academy of Dermatology.

Chocolate e acne

acne

A principal dúvida com relação aos chocolates é se eles causam ou não acne. De acordo com a médica, o cacau em si é um alimento extremamente benéfico e a sua concentração não está relacionada ao surgimento ou piora da acne, pelo contrário: esse ingrediente é um aliado da saúde e da pele. “Ele é um poderoso antioxidante e ajuda a promover luminosidade e hidratação. O cacau contém flavonoides, que são fitonutrientes com propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Eles [flavonoides] auxiliam na proteção aos danos dos raios UV, prevenindo as rugas e combatendo os radicais livres que ajudam a deixar a pele mais brilhante e saudável”, afirma a dermatologista.

Portanto, que fique bem claro: o cacau não causa espinhas. O problema está no açúcar e nas gorduras do chocolate. “Alimentos com gorduras, açúcares e hidratos de carbono, como os chocolates ao leite e branco, têm alto índice glicêmico. Muitos estudos sugerem que a alta carga glicêmica na dieta habitual está envolvida com a ocorrência e gravidade da acne vulgar em pacientes predispostos, na medida em que favorece a hiperinsulinemia que, em consequência, influencia no crescimento epitelial folicular, na queratinização e, também, na secreção sebácea e desenvolvimento de acne. A gordura e o leite presente em chocolates podem colaborar também para o agravamento do quadro”, explica a médica.

Estudos realizados pela Universidade de Miller School of Medicine, em Miami (EUA), mostraram que as pessoas que comeram mais chocolate (branco e ao leite) tiveram aumento de acne e da inflamação na pele.

Chocolate amargo

chocolate amargo pixabay

Chocolates com mais de 50% de cacau e o padrão ouro (com mais de 70%) fornecem os benefícios antioxidantes dos flavonoides do cacau e podem ser ricos em vitamina C, vitamina E, cálcio, fósforo, ferro, potássio e sódio. “De forma geral, o chocolate amargo tende a ser uma boa opção – com menos quantidade de carboidratos e açúcar, pois ele ajuda a combater doenças cardiovasculares, tem ação antioxidante e anti-inflamatória. Além disso, as versões deste chocolate com oleaginosas trazem mais benefícios e nutrientes, principalmente para pacientes com pele seca”, diz.

Mas atenção à dose: 30g ao dia é o recomendado – portanto um ovo de chocolate pode ser consumido, em média, em uma semana.

Chocolates não recomendáveis

ovo de pascoa

“O ideal é evitar os chocolates ao leite e branco, que possuem mais gordura e açúcar, ambos envolvidos com o processo de inflamação e aceleração do envelhecimento da pele”, explica. Pacientes de pele oleosa devem evitar esse tipo de chocolate principalmente se ele ainda tiver amendoim e castanhas, que trazem mais gorduras saturadas (e muitas vezes mais açúcar) para a pele e as glândulas serão as responsáveis por excretar este acúmulo de gordura.

“Além disso, sabemos que alimentos com alto índice glicêmico são mais inflamatórios levando ao estresse oxidativo e glicação”, finaliza a médica.

Fonte:  Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, com especialização pela Associação Médica Brasileira (AMB), membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e membro da American Academy of Dermatology (AAD), CME (Continuing Medical Education) na Harvard Medical School

 

 

 

 

 

 

 

Não confunda Síndrome do Intestino Irritável com Doença Inflamatória Intestinal

Quando se trata do mundo das doenças gastrointestinais, você pode ouvir muitas siglas, como SII e DII. Doença inflamatória intestinal (DII) é um termo amplo que se refere ao inchaço crônico (inflamação) dos intestinos. Muitas vezes, é confundida com a condição não inflamatória conhecida como síndrome do intestino irritável (SII). Embora os dois distúrbios compartilhem nomes semelhantes e alguns dos mesmos sintomas, eles apresentam diferenças distintas. Saiba as principais lendo este texto. E certifique-se de discutir suas preocupações com um gastroenterologista.

Prevalência

SII é extremamente comum. Na verdade, a Fundação Internacional para Transtornos Gastrointestinais Funcionais estima que ela afete até 15% da população em todo o mundo. De acordo com o Cedars-Sinai (EUA), cerca de 25% dos americanos reclamam dos sintomas da síndrome. Essa é também a razão mais comum pela qual os pacientes buscam um gastroenterologista.

SII é uma condição distintamente diferente da DII. Ainda assim, uma pessoa que tenha sido diagnosticada com DII pode apresentar sintomas semelhantes à SII. Também é importante saber que você pode ter ambas as condições ao mesmo tempo, já que as duas são consideradas condições crônicas (em curso). 

Características principais

Alguns tipos de DII incluem:

-Doença de Crohn
-colite ulcerativa
-colite indeterminada

Ao contrário da DII, a SII não está classificada como uma doença verdadeira. Em vez disso, é conhecida como um “transtorno funcional”. Isso significa que os sintomas não têm uma causa identificável. Outros exemplos de distúrbios funcionais incluem dores de cabeça de tensão e síndrome de fadiga crônica (SFC).

Contrariamente à crença popular, a síndrome não é uma condição psicológica. SII tem sintomas físicos, mas não há uma causa conhecida. Às vezes, os sintomas são chamados de colite mucosa ou colite espástica, mas esses nomes são tecnicamente incorretos. A colite é uma inflamação do cólon, enquanto a SII não causa inflamação.

Pessoas com SII não apresentam sinais clínicos de uma doença e muitas vezes têm resultados de testes normais. Embora ambas as condições possam ocorrer em qualquer pessoa de qualquer idade, a SII surge em mais de uma pessoa da família.

Sintomas

homem dor estomago barriga

A SII é caracterizada por uma combinação de:

dor abdominal
cólica
prisão de ventre
diarreia

DII pode causar os mesmos sintomas, bem como:

inflamação ocular
fadiga extrema
cicatriz intestinal
dor nas articulações
desnutrição
sangramento retal
perda de peso

Ambas podem causar evacuações urgentes.

Os pacientes com a síndrome podem experimentar uma sensação de evacuação incompleta também. A dor pode ser experimentada em todo o abdômen. A maioria das vezes se manifesta no lado inferior direito ou inferior esquerdo. Algumas pessoas também experimentam dor abdominal do lado direito superior sem outros sintomas.

A SII difere na quantidade de fezes produzidas. Elas podem ser soltas, mas o volume realmente estará dentro dos limites normais. (A diarreia é definida por volume, não necessariamente por consistência.)

Os sofredores da SII com constipação normalmente têm tempos normais de trânsito colônico – a quantidade de tempo que leva para que as fezes viajem do cólon para o reto – também. Dependendo do sintoma principal, os pacientes são classificados como predominantes em constipação, predominantes em diarreia ou predominantes em dor.

O papel do estresse

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Uma vez que a inflamação da DII está ausente em pessoas com SII, é difícil para os pesquisadores entenderem as causas precisas da última condição. Uma diferença notável é que a SII é quase sempre exacerbada pelo estresse. Técnicas de redução de estresse podem ajudar. Considere tentar:

-meditação
-exercício regular
-terapia de conversa
-ioga

Já a DII pode ser deflagrada em situações de baixo e alto estresse.

De acordo com o médico Fred Saibil, autor do livro “Crohn’s Disease and Ulcerative Colitis”* (Doença de Crohn e Colite Ulcerativa em tradução livre), muitas pessoas não sentem que possam discutir SII por causa de estigmas sociais: “Você não ouve muita gente falar sobre seus ‘vômitos de tensão’ ou ‘diarreia por tensão’ou ‘dores de tensão’, mesmo que sejam tão comuns quanto”.

Saibil também observa que ainda há alguma confusão sobre a DII porque os médicos já acreditavam que a condição era causada pelo estresse. Não há provas de que esse seja o caso. No entanto, os pacientes não devem, de modo algum, sentir que eles provocaram a condição em si mesmos.

Tratamentos

A SII pode ser tratada com certos medicamentos, como antiespasmódicos intestinais, como a hiosciamina (Levsin) ou a diciclomina (Bentyl). Alterações na dieta e no estilo de vida parecem ajudar mais. Pessoas com SII devem evitar agravar sua condição com alimentos fritos e gordurosos e bebidas com cafeína.

Já o tratamento da DII depende da forma diagnosticada. O principal objetivo é tratar e prevenir a inflamação. Ao longo do tempo, isso pode danificar os intestinos.

Quais remédios naturais ajudarão a aliviar os sintomas da SII e da DII?**

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Existem vários remédios naturais e mudanças de estilo de vida que podem melhorar os sintomas da SII, como aumentar lentamente a fibra em sua dieta, beber muitos líquidos, evitar alimentos que pioram os sintomas, como chocolate, produtos lácteos e adoçantes artificiais, álcool, cafeína e itens picantes. Exercitar-se regularmente, comer em horários regulares e ter cuidado com laxantes e medicamentos antidiarreicos.

As recomendações diferem um pouco para os pacientes com DII. Se você tem esta doença, talvez seja necessário evitar produtos lácteos, álcool, cafeína e alimentos picantes e também é necessário limitar a ingestão de fibras e evitar alimentos gordurosos. Ainda é importante beber bastante líquido. Você também deve comer refeições menores e considerar tomar um multivitamínico. Finalmente, deve evitar fumar e reduzir seu nível de estresse com técnicas como exercício, biofeedback ou técnicas de relaxamento e respiração regulares.

Dr. Graham Rogers
**As respostas representam as opiniões de nossos especialistas médicos. Todo o conteúdo é estritamente informativo e não deve ser considerado um conselho médico.

Panorama

DII e SII aparentam compartilhar sintomas semelhantes, mas essas são duas condições diferentes com requisitos de tratamento muito diferentes. Com a DII, o objetivo é reduzir a inflamação que causa os sintomas. Já a SII, por outro lado, pode não ser tratável com medicamentos porque não há uma causa identificável. Um gastroenterologista pode ajudar a determinar sua condição específica e oferecer o melhor plano de tratamento e recursos para ajudá-lo a gerenciar os sintomas.

 *Livro não publicado no Brasil

Fonte: HealthLine