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Coçar os olhos oferece riscos à visão, alertam especialistas

Ceratocone, doença que altera as características da córnea, já responde por cerca de 40% dos diagnósticos em pacientes atendidos nos ambulatórios de córnea do H.Olhos; condição é a segunda principal causa de transplante de córnea no Brasil

O simples ato de coçar os olhos pode não ser tão inofensivo quanto se imagina. Ele é o principal fator de risco para o ceratocone, uma doença ocular que causa alterações na estrutura da córnea, tornando a visão embaçada. No H.Olhos, hospital referência no atendimento de casos de alta complexidade em oftalmologia, cerca de 40% dos diagnósticos de pacientes atendidos nos ambulatórios de córnea são para a doença. Do total de casos, em torno de 20% evoluem para transplante de córnea.

O problema costuma surgir na infância, adolescência ou no início da fase adulta. Entre 0,9% e 3% da população nesta faixa etária é diagnosticada com a doença todos os anos. Embora dependa de estímulos externos importantes que levam ao afinamento da córnea, como pressionar e, principalmente, coçar os olhos com frequência, estudos apontam que em 10% dos casos são hereditários, e o diagnóstico precoce é crucial para frear o avanço rápido da doença.

“O ceratocone é uma doença bilateral e geralmente assimétrica, ou seja, pode acometer os dois olhos, em graus diferentes, e progride de forma distinta com o passar do tempo. A principal queixa é a visão embaçada e distorcida”, explica Luiz Brito, oftalmologista especialista em transplante de córnea do H.Olhos. A boa notícia, segundo o médico, é que existem tratamentos minimamente invasivos capazes de estacionar a doença e restabelecer a visão.

Do diagnóstico ao transplante

Córnea normal e outra com ceratocone – ilustração: AllAboutVision

Nos últimos anos, houve um avanço importante em exames que detectam com precisão o ceratocone e em tratamentos. No H.Olhos, por exemplo, um exame de tomografia de córnea faz o mapeamento completo da região. Em apenas 15 minutos já é possível saber, por imagens tomográficas, o diagnóstico. São mais de 100 procedimentos diariamente. “A partir disso, podemos determinar o grau e o protocolo de tratamento, que variam de lentes específicas até procedimentos cirúrgicos que aumentam a resistência e a estabilidade da córnea, e interrompem a progressão da doença”, explicar o especialista.

O desafio, segundo destaca, ainda é evitar a forma avançada da doença, casos em que a única opção é o transplante de córnea. “O ceratocone é a segunda principal causa de transplante de córnea, segundo pesquisas recentes publicados em revistas científicas. No Brasil, por exemplo, de todos os transplantes de córnea realizados, cerca de 20% são em pacientes com ceratocone”, explica e completa. “Por isso, o check-up oftalmológico anual, desde a infância, é fundamental”.

Fonte: H.Olhos