Arquivo da tag: Keila Monteiro de Carvalho

Oftalmologista dá dicas de alimentação para manter a saúde ocular

Alimente seus olhos: oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho fala sobre a importância da alimentação para manter a saúde dos olhos

Não é de hoje que se fala da importância de uma alimentação variada e rica em nutrientes para o bom funcionamento do organismo. Com os olhos, isto não é diferente. Daí a importância em se investir em alimentos como frutas e vegetais, pois eles contêm carotenoides, vitaminas e antioxidantes. “É por isso que a cenoura é o primeiro alimento em que as pessoas pensam quando o assunto é manter a saúde ocular. Ela é fonte de carotenoides, que constituem o pigmento da mácula, região central da retina responsável pela visão diurna e de detalhes”, comenta a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/UNICAMP.

Mas a lista de alimentos que, literalmente, agradam os olhos é bem mais extensa. Segundo Keila, existem 2.458 alimentos, entre frutas, legumes e verduras, ricos em carotenoides (alfacaroteno, betacaroteno, betacriptoxantina, licopeno e luteína), ou seja, que podem fazer a diferença quando o assunto é manter a saúde ocular. Neste grupo se encontram, além da cenoura, melão, damasco, manga, kiwi, pimentão vermelho, abóbora, batata doce, aspargos, brócolis, sucos de laranja e tangerinas, tomate, couve, mostarda, nabo e espinafre. “Em relação a alimentos que contêm efeitos nutricionais temos o brócolis verde  como um dos alimentos ‘miraculosos’, uma vez que é rico em antioxidantes, fitoquímicos e ácidos graxos omega-3”, comenta a especialista.

A oftalmologista lembra que a boa alimentação – e, consequentemente, a manutenção da visão – deve começar na infância precoce. “E, a partir dos 60 anos, quando se inicia a idade senil, passa-se a ser feita também a suplementação de vitaminas e antioxidantes, a fim de prevenir as doenças degenerativas, como a Degeneração de Mácula Relacionada à Idade (DMRI)”, acrescenta Keila. Por outro lado, o consumo de alimentos gordurosos deve ser evitado. O uso de óculos escuros sempre que se expor ao sol também é recomendado.

Veggie Quest

Conheça a seguir os benefícios de alguns dos alimentos amigos da visão:

Espinafre com suco de laranjaFerroPrevenir a anemia, perda de energia, infecçõesO suco transforma ferro em forma de mais fácil absorção
Tomates enlatados ou cozidoslicopenoAntioxidante pensado para deter os danos celularesO licopeno transformado em forma mais facilmente absorvida
Cozidos, em vez de cenoura cruaBetacarotenoAntioxidanteO cozimento quebra a parede celular e permite absorção mais fácil
Vegetais de folhas acrescidos de óleo de olivaLuteínaPode prevenir doenças ocularesA luteína é solúvel em gordura, por isso sua absorção é facilitada pelo uso do óleo
Foto: Site JessicaGavin

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/UNICAMP

Ácaros, poeira e mofo podem causar alergias oculares; saiba como evitar

Oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho ensina como evitar o problema

Eles podem até não ser vistos a “olho nu”, mas estão longe de passar despercebidos pelos olhos. Ácaros, poeiras, pólen, mofo, pelos de animais, produtos de limpeza (os chamados alérgenos), podem levar o sistema imunológico a uma reação exagerada, causando a alergia ocular.

“O problema é mais comum em indivíduos que já possuam algum tipo de alergia, como sinusite, rinite ou asma, mas estima-se que 15% da população mundial sofra este tipo de reação, que pode afetar pálpebras e córnea”, explica a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/Unicamp.

Healthline

A oftalmologista explica que os olhos costumam ser alvo fácil para as alergias porque, ao abri-los, a conjuntiva – a parte branca dos olhos– fica totalmente exposta, podendo, em contato com certos alérgenos, desencadear algum processo alérgico. Com sintomas semelhantes aos diferentes tipos de conjuntivite, como vermelhidão, desconforto ocular, irritação, coceira, lacrimejamento, inchaço e fotofobia (sensibilidade à luz), o que difere o problema é o tempo de duração dos sintomas, que em casos de conjuntivite infecciosa, por exemplo, podem persistir por uma a duas semanas, e na forma alérgica, com administração do anti-histamínico, tendem a aliviar já no segundo dia.

Para evitar o problema, a prevenção é o melhor remédio. “O primeiro passo é identificar e eliminar os alérgenos do ambiente. Isso fará com que os sintomas apresentem uma boa melhora. Também é importante realizar o tratamento com o oftalmologista em conjunto com o alergologista”, comenta Keila.

Mudanças simples em casa também podem contribuir em muito para reduzir a incidência da alergia. Entre as medidas que podem ser tomadas, pode-se manter o ambiente limpo, arejado e com exposição solar, para evitar o acúmulo de ácaros; diminuir a quantidade de travesseiros, roupas de cama, cortinas, bichos de pelúcia e objetos que acumulem poeira; e realizar a higienização do ar-condicionado semanalmente.

Mas, caso ocorra uma crise de alergia ocular, a médica explica que é fundamental evitar esfregar ou coçar os olhos, pois, além de estimular as alergias, isso pode facilitar o surgimento ou desenvolvimento de ceratocone. “Deve-se ainda evitar o uso de soro fisiológico para lavar o local, pois o sal do soro irrita ainda mais os olhos. O ideal é aplicar compressas frias sobre os olhos fechados”, orienta a oftalmologista.

Segundo a especialista, colírios específicos podem ser indicados pelo oftalmologista a fim de amenizar os sintomas. Também pode ser prescrita a imunoterapia (vacina para alergia). “O método consiste em injetar gradualmente um número crescente de alérgenos no indivíduo para estimular a imunidade do paciente às substâncias que causam a alergia”, explica ela.

“É importante ressaltar que, se não tratada corretaente, a alergia ocular pode evoluir, trazendo complicações à visão, como o surgimento de vasos anormais na periferia da córnea e úlceras. Por isso, caso os sintomas surjam, deve-se consultar um oftalmologista”, acrescenta a médica.

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é Professora Titular de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/Unicamp

Você sabe o que é DMRI?

Degeneração Macular Relacionada à Idade acomete a região central da retina é e considerada a principal causa de cegueira na terceira idade

Ter a sensação de que a escrita está borrada, perceber áreas sem visão dentro do campo de visão (escotomas), visualizar as linhas retas da paisagem – como laterais de construções e postes – tortas, são sinais que podem indicar a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), doença que compromete a região central da retina (mácula) e é considerada a principal causa de cegueira na terceira idade.

A oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da Unicamp, explica que a lesão se localiza na parte central da retina, fazendo com que as pessoas tenham que “olhar de lado” para enxergar. “Como grande parte da visão central é perdida, quem possui DMRI considera difícil realizar atividades diárias que exigem nitidez de visão, como ler, costurar e dirigir”, diz a especialista.

A seguir, Keila esclarece as principais dúvidas sobre a doença, sua prevenção e tratamento:

A partir de qual idade a DMRI se manifesta na pessoa?


Os primeiros sintomas costumam surgir após os 55 anos de idade, e sua prevalência avança com o aumento da idade.

Quais os principais sintomas da doença?


A pessoa pode começar a perceber um ponto escuro ou vazio no local de foco da visão; podem surgir áreas de escotomas (áreas sem visão dentro do campo de visão), ou espaços escuros e vazios que bloqueiam o campo de visão. Linhas verticais que se mostram distorcidas e linhas retas na paisagem, como os lados dos edifícios ou postes, que parecem tortas, e escrita parecendo borrada, oferecendo mais dificuldade no seguimento da leitura, são outros indícios do problema.

Quais são as formas de manifestação da DMRI?

AARP

A DMRI se classifica em dois tipos: a degeneração atrófica (seca) e a degeneração exsudativa (úmida). Na maior parte dos casos, o paciente apresenta a DMRI seca. Nela, a perda da visão é lenta e progressiva. Os pontos escuros e vazios no campo de visão são relativos e depois se tornam absolutos. A visão é mais estável e com menos deformação das imagens. A acuidade visual para letras separadas é melhor, mas torna-se pobre para leitura que exige seguimento visual. Para tanto é preciso muito treinamento visual e uso de letras ampliadas, mesmo com auxílio ópticos. Já a DMRI úmida é mais grave e atinge cerca de 15% dos pacientes. Ela se caracteriza pela presença de neovasos subretinianos que sangram, levando a uma perda da visão súbita, piorando após a absorção e cicatrização.

Como prevenir a DMRI?

Ivabalk/Pixabay

Manter o equilíbrio da saúde é fundamental. Uma alimentação equilibrada colabora para a saúde ocular como um todo. Deve-se consumir alimentos ricos em vitamina C (frutas cítricas, espinafre, rúcula, agrião tomate e pimentão), vitamina E (abacate, kiwi, castanhas, vegetais de folhas verdes e óleos vegetais, como oliva e girassol), betacarotenos (laranja, manga, pimentão amarelo, milho, brócolis, espinafre e ovos), ômega 3 (sardinha, salmão, nozes, semente de linhaça e kiwi), zinco (ostras, camarão, carnes boi, frango e peixe e grãos integrais) e luteína (laranja, tangerina, couve, espinafre, brócolis e milho). Por outro lado, o consumo de alimentos gordurosos deve ser evitado. O uso de óculos escuros sempre que se expor ao sol também é recomendado.

Como se trata a DMRI?


Como se trata de uma doença degenerativa, não há cura. Porém um pequeno número de pessoas com DMRI úmida, felizmente, pode receber tratamento a laser. Nesta terapia, o feixe de luz intensa passa através das lentes do olho, coagulando os vasos sanguíneos sangrantes no fundo dos olhos. Também pode ser utilizada a aplicação de injeções intraoculares de anti-VEGF (terapia com fator de crescimento endotelial antivascular). Muitas vezes são necessárias três ou mais injeções, sendo uma a cada mês, conforme a evolução do caso. Além disso, o uso de suplementos vitamínicos específicos também contribui favoravelmente no tratamento.

Também há indicação cirúrgica para a doença?


Pode ocorrer a necessidade de cirurgia chamada vitrectomia, nos casos em que ocorre o sangramento extenso para o vítreo (gelatina que preenche os olhos). Outras técnicas cirúrgicas são indicadas para a reabilitação visual, como a implantação de telescópio intraocular, que é feito em casos selecionados. Neste caso, a pessoa vai ficar com visão para longe no olho que recebe o telescópio, enquanto o outro será usado para perto.

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da Unicamp.