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Guia para resgatar a autoestima feminina

É possível amar a si mesma? A escritora Patrícia Cândido garante que sim em livro que ajuda as mulheres a redescobrirem a autoconfiança e não terem medo de serem elas mesmas

Vivemos em uma sociedade tóxica. Não é preciso muito para constatar essa afirmação. A maioria das mulheres já está cansada de saber que o mundo quer impor um padrão ideal de beleza: magras, jovens, altas, bem-comportadas, cabelos dos sonhos e unhas impecáveis, além de perfeitas em todas as áreas da vida. E sem reclamar!

Com a essência roubada por padrões estéticos e sociais, a maioria se coloca em segundo plano para atender aos desejos dos outros, ou seja, às exigências de uma sociedade marcada por estereótipos nocivos. Nesse contexto, as palavras da obra Manifesto da Autoestima soam como um manifesto, um verdadeiro grito de liberdade! E quem propõe que é possível resgatar a autoconfiança e ser feliz aqui e agora é a escritora, filósofa e palestrante, Patrícia Cândido, em livro recém-lançado pela Luz da Serra Editora.

Para isso, o primeiro passo é dizer chega! Chega de ser quem não somos! Depois desse exercício de autorreflexão, a autora propõe iniciar uma jornada de autoconhecimento com ferramentas que, como ela mesma diz, “vão ajudar a colar todos os caquinhos que se quebraram”. Patrícia Cândido apresenta ensinamentos poderosos para sair desse ciclo vicioso e redescobrir o amor próprio sem rótulos ou padrões.

“As mulheres, principalmente, vão muito atrás de ter uma vida perfeita em todos os aspectos, mas não é bem assim. Às vezes você sonha com uma maternidade que não existe, com um corpo inatingível, com coisas impossíveis de realizar. Nós idealizamos coisas que não existem na prática. A verdadeira autoestima é a capacidade de se autoapoiar em momentos de crise” – (Manifesto da Autoestima, p. 6)

Neste guia para resgatar a autoestima, Patrícia revela quais são as principais dores de quem está com baixa autoestima; como identificar o que traz autoconfiança; como trabalhar a autoimagem; os principais erros que podem ser encontrados no caminho; como trabalhar a resiliência e quais são as idealizações inatingíveis. Ao final da obra, a escritora traz três práticas para serem feitas em 21 dias e que ajudarão os leitores na tarefa de limpar o campo de energia de sentimentos nocivos.

Sobre a autora

Patrícia Cândido é escritora best-seller internacional, com mais de 16 obras publicadas. Filósofa e pesquisadora na área da espiritualidade há quase 20 anos, é mentora e palestrante internacional, com mais de 120 mil alunos em seus treinamentos. CEO do Grupo Luz da Serra, a autora se orgulha muito de dizer que é cofundadora de uma empresa genuinamente espiritualista. Como conferencista, ministrou mais de 2 mil palestras e workshops presenciais, somando um público superior a 50 mil pessoas.

Destaque no Canal Luz da Serra do YouTube, que conta com mais de 1,7 milhão de seguidores, ela aborda assuntos relacionados a bem-estar e espiritualidade que mudam a vida de milhares de pessoas diariamente. Patrícia é Embaixadora Mundial da Fitoenergética. Largamente reconhecida pela imprensa nacional, já colaborou com revistas como Negócios, Exame, Bons Fluidos e Glamour. Além de participar de programas como o Super Poderosas, da Band, e a Revista da Cidade, da TV Gazeta, já teve artigos publicados no Estadão, Catraca Livre e Mundo Positivo.

Título: Manifesto da Autoestima
Subtítulo: desprograme toda a insegurança que o mundo te impõe
Autora: Patrícia Cândido
Editora: Luz da Serra Editora
Preço: R$ 59,90
Páginas: 296
Formato: 16x23cm
Link de compra: Luz da Serra Editora ou Amazon

Ouvir livros: nova forma de entretenimento que só cresce

Veja as dez obras mais baixadas pelos leitores brasileiros e encontre inspiração neste Dia Nacional do Livro

Hoje, 29 de outubro, é o Dia Nacional do Livro. E, agora, ouvir livros tem se tornado a nova sensação entre os leitores. Pela praticidade e comodidade de ouvir quando e onde quiser (seja pelo celular, tablet ou computador), essa forma de consumir literatura cativou o público brasileiro.  

Segundo pesquisa realizada pela Nielsen Book e coordenada pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o faturamento com eBooks e audiolivros cresceu 140%, no comparativo dos últimos três anos, ou seja, o público consumidor aumentou.

Mas, afinal, qual o audiolivro mais baixado pelos brasileiros? A Tocalivros, plataforma digital com mais de 2 mil audiolivros e 10 mil eBooks, neste Dia Nacional do Livro (29) apresenta o Top 10 de títulos mais escutados pelos seus usuários.  

Como Convencer Alguém em 90 Segundos

Autor: Nicholas Boothman
Narração: Camilo Brunelli
Duração: 08h13m08s
Selo Editorial: Universo dos Livros
Produção: Tocalivros Studios
Editora: Universo dos Livros
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: Aprenda a liderar, vender, entrevistar, negociar, estabelecer networking, liderar. A chave do sucesso está em convencer as pessoas. O autor e especialista Nicholas Boothman ensina como usar a atitude, o corpo, o rosto e a voz para causar uma primeira impressão marcante e impactante, estabelecendo confiança imediata. Para convencer é necessário criar conexões de significado. Pratique os exercícios e você se tornará um verdadeiro mestre nas habilidades interpessoais para conseguir qualquer coisa nos negócios ou na vida pessoal. Escute e acompanhe o especialista Nicholas Boothman na série completa de exercícios extras indicados.


Mais Esperto que o Diabo

Autor: Napoleon Hill
Narração: Daniel Vidal, Cristopher Araujo
Duração: 06h59m01s
Produção: Tocalivros Studios
Editora: Citadel Grupo Editorial
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: Napoleon Hill revela que quebrou o código mental do diabo e o forçou a confessar os seus segredos. O manuscrito que resultou deste feito “Mais Esperto que o Diabo”, mostrou-se tão controverso que acabou escondido por mais de 70 anos. Usando sua habilidade legendária para chegar à raiz do potencial humano, Hill cava profundamente para identificar os maiores obstáculos que enfrentamos na busca de nossas metas pessoais, incluindo o medo, procrastinação, a raiva e a inveja, como ferramentas orquestradas pelo próprio diabo.

1808

Autor: Laurentino Gomes
Narração
: Daniel Vidal
Duração: 11h23m00s
Produção: Tocalivros Studios
Editora: GloboLivros
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: Considerada por muitos historiadores como a mais importante decisão tomada pelo príncipe regente e futuro rei Dom João VI durante os treze anos de permanência da corte portuguesa no Rio de Janeiro, a efetivação do Reino Unido colocou um ponto final no período colonial brasileiro e deu início de fato ao processo de Independência do país. É o terceiro e último volume da trilogia do autor sobre as três mais importantes datas da construção do Brasil durante o Século XIX, que inclui ainda 1822, sobre a Independência.

O Curioso Caso de Benjamin Button

Autor: Francis Scott Fitzgerald
Narração
: Camilo Brunelli
Duração: 01h09m53s
Editora
: Grupo Oxigênio
Produção: Tocalivros Studios
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: escrito em 1922, o livro conta a história de Benjamin Button, que nasceu com a aparência de um homem idoso. Conforme cresce, Benjamin vai rejuvenescendo e vivendo experiências como o amor, a solidão, a perda e o medo. O autor declarou que o conto era de um de seus mais preciosos escritos. Esse mesmo trabalho inspirou o filme O Curioso Caso de Benjamin Button.

A Hora e Vez de Augusto Matraga

Autor: Guimarães Rosa
Narração
: Rubens Caribé e Priscila Scholz
Duração: 02h09m27s
Selo Editorial
: Global Editora
Produção: Tocalivros Studios
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: O conto que encerra o livro Sagarana traz a história de um homem sertanejo acostumado a se impor pela força em seu cotidiano. Nhô Augusto é a perfeita síntese do mandonismo local que se fez presente em tantas cidades brasileiras durante o século XX. Manejando de forma magistral o dilema universal entre o bem e o mal, João Guimarães Rosa construiu um enredo surpreendente que leva os leitores a refletir acerca de seus instintos.

Perto do Coração Selvagem

Autora: Clarice Lispector
Narração
: Priscila Scholz
Duração: 07h16m18s
Selo Editorial
: Editora Rocco
Produção: Tocalivros Studios
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra e Clube do Audiolivro 

Sinopse: escrito em 1944, o livro mostra o cotidiano de Joana, menina criada pelo pai, já que a mãe, Elza, morrera muito cedo. Passados alguns anos, seu pai também morre e então ela vai morar com a irmã de seu pai.

Laços de Família

Autora: Clarice Lispector
Narração:
Adelia Nicolete
Duração:
05h14m54s
Produção:
Tocalivros Studios
Editora:
Editora Rocco
Idioma:
Português Brasil
Disponível:
Compra e Clube do Audiolivro

Sinopse: O texto de Clarice Lispector costuma apresentar ilusória facilidade. Seu vocabulário é simples, as imagens voltam-se para animais e plantas, quando não para objetos domésticos e situações da vida diária, com frequência numa voltagem de intenso lirismo. Mas que não se engane o leitor. Em poucas linhas, será posto em contato com um mundo em que o insólito acontece e invade o cotidiano mais costumeiro, minando e corroendo a repetição monótona do universo de homens e mulheres de classe média ou mesmo o de seres marginais.

Guerra dos Tronos

Autor:  George R.R. Martin
Narração
: Zeza Mota, Daniel Vidal e Elenco
Duração: 37h17m11s
Selo Editorial
: Suma
Produção: Tocalivros Studios
Editora: Companhia das Letras
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra e Clube do Audiolivro

Sinopse: O verão pode durar décadas. O inverno, toda uma vida. E a guerra dos tronos (game of thrones) começou. Como Guardião do Norte, lorde Eddard Stark não fica feliz quando o rei Robert o proclama a nova Mão do Rei. Sua honra o obriga a aceitar o cargo e deixar seu posto em Winterfell para rumar para a corte, onde os homens fazem o que lhes convém, não o que devem… e onde um inimigo morto é algo a ser admirado.

Jack, o Estripador em Nova York

Autor:  Stefan Petrucha
Narração
: Lucas Romano
Duração: 11h28m42s
Selo Editorial
: Vestígio
Produção: Grupo Autêntica
Editora: Grupo Autêntica
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: Carver Young sonha ser um detetive, apesar de ter crescido num orfanato, tendo apenas romances policiais e a habilidade de abrir fechaduras para estimulá-lo. Entretanto, ao ser adotado pelo detetive Hawking, da mundialmente famosa Agência Pinkerton, Carver não só tem a chance de encontrar seu pai biológico como também se vê bem no meio de uma investigação de verdade, no encalço do cruel serial killer que está deixando Nova York em pânico total.

Do que os Homens Têm Medo

Autora: Sonia Rodrigues
Narração
: Priscila Scholz
Duração: 03h29m53s
Selo Editorial
: Independente
Produção: Tocalivros Studios
Idioma: Português Brasil
Disponível: Compra, Clube do Audiolivro e Assinatura Ilimitada

Sinopse: Cinco contos que abordam com primor os mistérios que envolvem as relações de amor. Entre fantasias, traições e desejos, este livro apresenta um panorama profundo do que os sentimentos representam na vida das pessoas.

Todos os audiolivros citados estão presentes no aplicativo da Tocalivros, que está disponível para iOS e Android pela Apple Store e Google Play, além do site. 

Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Taxar livros: combate ao privilégio de um setor ou democratização do acesso à educação e cultura?*

Um projeto de reforma tributária do Governo Federal tem causado muita polêmica ao defender a cobrança de contribuição para o setor de livros; o cálculo é que a alíquota seja de 12% para esse novo imposto. Na prática, cai por terra a isenção de contribuição que o setor possui constitucionalmente. Contrárias à mudança, a Câmara Brasileira do Livro, o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e a Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares publicaram um manifesto, no qual o principal argumento é que essa cobrança aumentaria a desigualdade do acesso à cultura.

Ou seja, representaria um retrocesso social e econômico. O argumento do ministro Paulo Guedes, defensor da medida, é que o livro é um produto de elite, logo, quem compra pode pagar um preço maior. Questionado sobre como não prejudicar ainda mais as pessoas em situação de vulnerabilidade econômica, sugeriu que o poder público compre livros para “dar aos pobres”.

Esse é um panorama muito raso sobre um problema muito sério. Claro que a indústria livreira gostaria que o faturamento permitisse que todos os impostos fossem pagos; que o setor não precisasse de incentivos para se manter vivo e competitivo. Entretanto, vivemos um contexto adverso no qual políticas públicas de incentivo são essenciais para a sobrevivência de um setor que foi especialmente atingido pelas crises econômicas recentes.

Do outro lado, temos uma classe C que começou a consumir livros, justamente por uma série de medidas de incentivos. Não estamos falando de “dar livros”; o que está em questão é a oportunidade de escolha que o cidadão deve ter para comprar o próprio livro. Criar condições dignas para que seja um leitor pleno e exerça o seu direito de acesso à educação e cultura. Um país que taxa livros impede que o conhecimento circule entre os menos favorecidos economicamente. Essa é uma política excludente à luz da realidade brasileira.

Ilustração: Mohamed Hassan/Pixabay

Onde se taxa livros? Na França, Alemanha e Dinamarca, ou seja, países com solidez econômica. Um relatório produzido pela International Publishers Association aponta que os livros têm tributação zero na maioria dos países da América Latina; Argentina, Colômbia, Bolívia, Peru e Uruguai não tributam; a exceção é o Chile. No mundo, a alíquota zero é corrente entre regiões em desenvolvimento como Índia; é praticado, também, na África e Oriente Médio.

O recorte que faço é do impacto dessa medida em um momento em que começamos a fomentar novos leitores. A pesquisa Retratos da Leitura, edição 2020, mostra que para 22% dos leitores brasileiros o preço é uma determinante para a escolha e aquisição de obras; esse índice sobre para 28% entre os com renda de um a dois salários mínimos. Entre a classe A, somente 16% escolhem livros pelo preço.

São dados que comprovam a tese de que o imposto vai atingir 27 milhões de consumidores de livros das classes C, D e E – não da alta renda, como defende o ministro. Acredito que esse seja um alerta importante para que a população não pense que o setor está brigando para manter privilégios negados a outras indústrias.

É importante destacar que tornar o livro acessível a todos os brasileiros – sobretudo os de menor renda – é uma questão de cidadania e uma estratégia para a construção de um Brasil melhor.

*Lu Magalhães é presidente da Primavera Editorial, sócia do PublishNews e do #coisadelivreiro. Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, Estados Unidos). A executiva atua no mercado editorial nacional e internacional há mais de 20 anos.

 

 

Janis Joplin: biografia definitiva chega no ano em que se completa 50 anos de sua morte 

Livro relembra a carreira meteórica da cantora símbolo de independência feminina e cuja importância para a cena musical internacional permanece viva

O peso na letra unida à rouquidão e a emoção na voz de Janis Joplin dão o tom da carreira da maior e mais influente cantora de rock da história. Mas, por trás da figura mítica da artista, há uma vida carregada de transgressões, quebras de paradigmas, frustrações amorosas e dissabores familiares. Escrita por Holly George-Warren, jornalista e uma das mais respeitadas cronistas da história da música norte-americana, “Janis Joplin: Sua Vida, Sua Música”, lançamento da Editora Seoman, chega ao Brasil para nos fazer rememorar sua trajetória, no momento em que se marca o cinquentenário de sua morte.

Para relatar a vida da cantora, a autora, que também é especialista em biografias de rock, recorreu a familiares da cantora, amigos, colegas de banda, pesquisou arquivos, diários, cartas e entrevistas há muito perdidas. Ela faz, sobretudo, um perfil minucioso detalhando os passos de Janis até a overdose acidental de heroína, que lhe ceifou a vida em 4 de outubro de 1970.

Por meio de um estilo radiante e intimista, esta biografia consolida Janis como vanguardista musical. Uma mulher rebelde, dona de grande astúcia e personalidade complexa, que rompeu regras e desafiou todas as convenções de gênero em sua época, abrindo caminho para as mulheres poderem extravasar suas dores e revolta no cenário artístico sem serem tão oprimidas pelo universo machista existente no meio musical. Este livro também foi celebrado pela grande mídia nos estados Unidos – The New York Times e The Washington Post, entre outros – como a biografia que revela, de forma definitiva, a “verdadeira Janis Joplin”, além de ser elogiado no site oficial da cantora.

Janis se notabilizou com o rock, mas transitava com facilidade por outros ritmos, como blues, o soul e o folk-rock. Sua carreira solo teve poucos anos de existência, mas foi capaz de notabilizar canções como “Mercedes Benz”, “Get It While You Can” e “Me and Bobby McGee”. Entretanto, sua erudição, empenho e talento combinados não transformaram a cantora no símbolo que representa. “Por sua influência e por seu próprio trabalho perene, Janis Joplin permanece no coração de nossa música e de nossa cultura”, afirma a autora.

“Uma descrição magnífica e muito interessante de Janis. Holly George-Warren tem um estilo de escrita atraente e cativante, e fiquei impressionada com a profundidade de suas novas entrevistas e informações” – Laura Joplin, irmã de Janis Joplin.

Responsável por dar fim à tônica de opressão e machismo que pairavam no mundo àquela época, Janis Joplin expunha sem medo suas convicções sobre temas como sexualidade e a psicodelia. Por essa vertente também tem entre suas fãs, a compositora e ativista Rosanne Cash e outras emblemáticas cantoras como Brandi Carlile, Margo Price e Courtney Marie Andrews. Além disso, diversas artistas vivenciaram a luta de Janis contra o sexismo do mundo do rock, entre elas, Patti Smith, Debbie Harry (Blondie), Cyndi Lauper, Chrissie Hynde (The Pretenders), Kate Pierson (B-52’s) e Ann e Nancy Wilson (Heart), que foram diretamente influenciadas por sua música, atitude e coragem.

“Antes da passagem um tanto breve de Janis Joplin pelo sucesso, teria sido difícil para essas artistas encontrarem um modelo feminino comparável à beatnik de Port Arthur, Texas. A mistura de musicalidade confiante, sexualidade impetuosa e exuberância natural, que produziu a primeira mulher estrela do rock dos Estados Unidos, mudou tudo”, conta a autora na introdução da obra.

“Magistralmente bem pesquisada, esta biografia revela definitivamente a verdadeira Janis Joplin” – The New York Times

A forma como Janis transmitia emoção, em um canto que ia da melancolia à rebeldia, era e sempre será único. Sua voz rouca, que todos conhecem, revela uma alma que sofria e buscava refúgio na heroína. Outro fator que marcou sua vida, também retratado no livro, foi a busca incessante pelo amor. Ela que nunca foi capaz de ter um relacionamento sólido e duradouro, e dessa forma buscou uma maneira de aliar a sua carreira com o sonho de constituir uma família, levando-a ao seu triste fim: sua morte precoce, aos 27 anos, por overdose acidental de heroína.

Sobre a autora:

Holly George-Warren foi indicada duas vezes ao Grammy e é autora premiada de 16 livros, entre eles duas biografias: A Man Called Destruction: The Life and Music of Alex Chilton e Public Cowboy #1: The Life and Times of Gene Autry, além do best-seller do New York Times: A Estrada para Woodstock (com Michael Lang). Ela já escreveu para diversas publicações, incluindo The New York Times, Rolling Stone e Entertainment Weekly, tendo atuado também como consultora em documentários como Muscle Shoals, Nashville 2.0 e Hitmakers. Holly faz parte da comissão de indicação do Rock & Roll Hall of Fame e leciona na Universidade Estadual de Nova York, em New Paltz.

Livro: Janis Joplin: Sua Vida, Sua Música
Autora: Holly George-Warren
Editora: Seoman
Páginas: 432
Preço: R$ 69,90

Afinal, de quem é a culpa das crianças sem limites?

Na obra “Déspotas mirins, o poder nas novas famílias”, a psicanalista Marcia Neder analisa a queda do poder patriarcal e as atuais construções familiares

Por que a sociedade atribui às mulheres e às mães a responsabilidade pelas crianças sem limites que infernizam a vida de professores e o convívio sociofamiliar? Esse foi o questionamento que inspirou a tese de pós-doutorado da psicanalista Marcia Neder. O resultado virou livro: a segunda edição de Déspotas mirins, o poder nas novas famílias, lançamento da Editora Metamorfose.

Segundo Marcia, vivemos uma “pedocracia”, nome que ela criou para a era do poder infantil, modelo caracterizado pela vida em família que gira em torno da criança desde a gravidez. De acordo com a escritora, o fim do patriarcado deu mais poder para os pequenos – e não para as mulheres. Como são elas as responsáveis pelos cuidados e educação dos filhos, também tornam-se as mais submetidas a esses novos tiranos.

Outro ponto explorado pela psicanalista são as novas famílias, famílias modernas ou a família brasileira. A “família tradicional”, formada por papai, mamãe e filhos, patriarcal e aparentemente coesa, foi implodida pela modernidade. Hoje, enteados, sogros, meio-irmãos e avós fazem parte dos núcleos familiares, construção que ainda não se adequou para educar.

“O namorado da minha mãe, a avó do meu irmão, o filho do marido da minha mãe, o pai da minha irmã, a mulher do meu pai, a mulher do pai do meu irmão são personagens cada vez mais frequentes no cotidiano das crianças” -Déspotas mirins, o poder nas novas famílias, pág. 18

Ao avançar nas investigações sobre a mulher e o feminino no imaginário da cultura e de suas instituições, Marcia Neder aprofunda as críticas à herança patriarcal da psicanálise e à misoginia da cultura. A função paterna, que faz do poder uma prerrogativa dos homens, concebe o masculino como separado da sensibilidade – esta que seria atributo exclusivo do feminino um ser naturalmente encarregado dos cuidados da “sua” prole.

Além da obra, Marcia é autora de outras produções como “Os Filhos da Mãe: como viver a maternidade sem culpa e sem o mito da perfeição”, que desmistifica a maternidade e mostra o preço que as mulheres pagam por essa idealização.

Sinopse

“Escrito com a erudição e a contundência que caracteriza o estilo da autora, Déspotas mirins, o poder nas novas famílias propõe conceitos inovadores, como o de pedocracia, e termos particularmente felizes, como os de “déspotas mirins”, “filho-fardo” e “filho-tsunami”. Mais que figuras de linguagem, essas expressões me parecem captar dimensões cruciais da experiência de pais e de filhos, tornando a pesquisa de grande utilidade para os que precisam lidar com essas questões. Em resumo, trata-se de um trabalho de grande qualidade, que enriquece sobremaneira a produção psicanalítica brasileira, e cuja publicação assinala um progresso na área da psicologia da família” – Renato Mezan.

Sobre a autora

Marcia Neder é psicanalista com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e também professora adjunta (aposentada) da UFMS, onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e cultura.

Déspotas mirins, o poder das novas famílias
Autora: Marcia Neder
Editora: Metamorfose
Páginas: 190
Venda: Amazon
Preço: R$ 60,00

Link de venda: Site da autora

Livro sobre menopausa retrata histórias divertidas e sensíveis que vão do ódio ao amor

Autora Leila Rodrigues compartilha com o leitor sobre como reagiu aos inúmeros sintomas dessa etapa que é pouco difundida

A menopausa é a soma de duas palavras gregas que significam mês e fim. Depois de passar por um período de altos e baixos, a autora, nascida no interior de Minas Gerais, Leila Rodrigues, decidiu compartilhar sobre este assunto pouco difundido: a menopausa e o climatério. Assim, por meio de crônicas, nasceu o livro Hormônios, me ouçam!, publicado pela Literare Books International.

O caso de amor e ódio que viveu durante oito anos com sintomas de enxaqueca, insônia, ganho de peso, calorão, “chororô”, e mau-humor, entre outros, fez Leila perceber que ninguém nos prepara para essa surpresa da vida, e que teve por si só entrar nesse mundo desconhecido e silencioso.

Na obra, aponta-se que 35% das mulheres têm vergonha de falar que estão na menopausa. Esse foi um dos fatores que fizeram com que a autora não só vivesse essa metamorfose, mas mergulhasse no mundo das palavras. Leila também explica a diferença entre dois termos: o climatério significa período crítico e abrange a partir do começo dos sintomas ao término definitivo. Enquanto a menopausa é classificada 12 meses após o cessar permanente da menstruação.

Com essa bagagem de experiência de quem viveu na pele, a autora conta de maneira bem-humorada tudo o que sentiu, são crônicas para o leitor rir e se identificar, além de se informar sobre um universo que não deveria ser confidencial.

Em um dos capítulos, ressalta-se a importância de ter uma rede de apoio para esses momentos, que vão desde a família a amigas verdadeiras. Para Leila, “envelhecer não é uma escolha, ser feliz, sim”. Por isso, a autora abraçou a causa e ajuda mulheres a pensarem que a menopausa pode, sim, ser vivida com mais autoestima e qualidade de vida.

Sobre a autora

Leila Rodrigues é palestrante, escritora e desenvolveu sua carreira como empresária no segmento de tecnologia. Partindo da sua experiência pessoal com a menopausa precoce, Leila Rodrigues se tornou uma estudiosa do assunto e fez desse tema a sua causa. Colabora, por meio de palestras e orientações nas redes sociais, para que as mulheres passem pela menopausa com mais dignidade, qualidade de vida e alegria de viver.

Atua também como cronista em jornais e revistas na sua região. Nascida no interior de Minas Gerais e criada junto aos três irmãos, Leila Rodrigues carrega nas suas crônicas a simplicidade de suas raízes e a força da sua própria trajetória. É casada, mãe de dois filhos e hoje vive em Divinópolis/MG com a família.

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Hormônios, me ouçam!
Autora: Leila Rodrigues
Editora: Literare Books International
Páginas: 123
Preço: impresso – R$ 34,90 / Kindle – R$ 24,90
Disponível na versão física e digital, para esta última, clique aqui.

Dia do Livro: dez autores indispensáveis para conhecer (ou reler) durante a quarentena

Bookplay, streaming de educação, faz lista com clássicos das literaturas brasileira e portuguesa; todos estão disponíveis na plataforma

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Ficar em casa durante o período de quarentena é uma oportunidade para aumentar o vocabulário, melhorar o próprio texto, aprimorar discursos e apresentações, colocar a leitura em dia e, ainda, conhecer (ou reler) clássicos de autores indispensáveis. A editora de livros Jenkins Group, dos Estados Unidos, publicou uma pesquisa sobre os hábitos de leitura e constatou um dado curioso: a maior parte das pessoas que verdadeiramente leem preferem best-sellers com, no máximo, dez anos de lançamento, deixando de lado os “bons e velhos” clássicos.

Bookplay, primeira plataforma de streaming 100% brasileira de educação, porém, pode ajudar a mudar este panorama e ainda trazer todos os benefícios acima. Confira a lista com dez obras de autores clássicos, das literaturas brasileira e portuguesa. A seleção – normalmente lembrada apenas em época de vestibular, mas que carrega histórias importantes e agrega ao conhecimento de forma geral – está disponível para leitura e em audiolivro na plataforma.

1. Machado de Assis – Dom Casmurro

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Narrado em primeira pessoa, o personagem principal é o carioca de 54 anos Bento de Albuquerque Santiago, advogado solitário e bem estabelecido que pretende contar, na meia idade, seus momentos de moço. O título, segundo o autor, é uma homenagem a um poeta que, certa vez, o importunou com seus versos em um trem e lhe chamou de “Dom Casmurro” por ter fechado os olhos durante a recitação.

2. José de Alencar – O Guarani
Situa-se na primeira metade do século XVII. O fidalgo português D. Antônio Mariz, que participou da fundação do Rio de Janeiro, tem dois filhos: Diogo e Cecília. Diogo, sem querer, mata uma índia durante uma caçada, fato que inicia uma guerra entre a tribo Aimoré e a família. Cecília é o alvo da fúria dos índios, que querem vingança. Cecília, porém, tem um “aliado”: o índio Peri é apaixonado por ela, mas não tem seu amor correspondido. Cecília ainda é alvo da ira de Loredano, servo de D. Antônio, líder de um motim entre os empregados.

3. Aluísio Azevedo – O Cortiço
A obra descreve a ascensão do comerciante português João Romão – dono de uma venda, uma pedreira e um cortiço – próximo à casa do endinheirado comendador Miranda. A rivalidade entre os dois aumenta à medida que cresce o número de moradores do cortiço, na sua maioria, empregados da pedreira que também fazem compras na venda, enriquecendo João rapidamente.

4. Lima Barreto – Recordações do Escrivão Isaías Caminha
Isaías Caminha é um mulato nascido no interior e, em certo momento, lê um artigo contendo ofensas às pessoas de sua raça. Ele resolve, então, partir para a capital para estudar e combater o preconceito. Percebendo o prestígio de cronistas e repórteres, aproveita-se de um contato e consegue um convite para trabalhar na redação de um jornal.

5. Castro Alves – Espumas Flutuantes

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Os 54 poemas reunidos em Espumas Flutuantes sintetizam todas as características inovadoras de Castro Alves. O título transmite a ideia de transitoriedade: as espumas de um mar agitado funcionam como uma metáfora de quem sente a iminência da morte, a vida se esvaindo.

6. Jorge Amado – A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água
O livro conta a história de Joaquim Soares da Cunha, funcionário público e cidadão respeitado, casado e com filhos, que levava uma vida tranquila. Um dia, resolve mudar seu destino: abandona a família e entrega-se ao vício da bebida. Recebe o apelido de “Berro D’água” após curioso episódio: em uma de suas bebedeiras, vira uma cachaça, toma um susto e berra para todos que era água.

7. Mário de Andrade – Macunaíma
Narrativa mítica cujo mote é caracterizar o povo brasileiro por meio de um herói sem caráter. Macunaíma, preguiçoso e mágico, desde pequeno, transformando-se em adulto, busca prazeres com a mulher de seu irmão Jiguê. Pelas traquinagens excessivas, é abandonado pela mãe e pelos dois irmãos, e passa a viver inúmeras aventuras na Floresta Amazônica, onde nasceu: ganha corpo de homem, mas com cabeça de menino; corre atrás de um amuleto; conhece a tribo das índias sem marido; e se envolve em lutas e combates.

8. Gregório de Matos – Obras Poéticas
Nascido em 1636, Gregório de Matos é considerado o maior poeta barroco do Brasil. Conhecido por ser ousado, satírico e moderno para a época, sempre gerou muita polêmica ao criticar temas políticos e religiosos. “Obras Poéticas” reúne grande parte da produção do autor.

9. Eça de Queirós – O Primo Basílio
Jorge, bem-sucedido engenheiro e funcionário de um ministério, e Luísa, moça romântica e sonhadora, protagonizam o típico casal da classe média da sociedade portuguesa do século XIX. Casados e felizes, sentem a falta apenas de um filho para completar a alegria do lar. Ao mesmo tempo em que cultiva a união formal e feliz com Jorge, Luísa mantém amizade com uma antiga colega, Leopoldina, conhecida por seus adultérios. A felicidade e a segurança de Luísa passam a ser ameaçadas quando Jorge precisa viajar a trabalho para o Alentejo.

10. Fernando Pessoa – Cancioneiro

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As poesias do escritor, além de prestar uma homenagem à tradição lírica lusitana de preservar os seus mais antigos textos literários, também se relacionam com cantigas medievais, pois o ritmo e a métrica dos versos deixam esses poemas tão harmoniosos que eles se transformam, também, em verdadeiras letras de música. A obra é composta por poemas líricos, rimados e metrificados, de forte influência simbolista.

Sobre o Bookplay

Primeira plataforma de streaming 100% brasileira voltada para o conteúdo de educação, reúne mais de 4 mil livros, mil cursos – inclusive de inglês -, 1,5 mil audiolivros, 600 videoaulas, banca completa com revistas e jornais e área kids com livros, audiolivros e jogos para as crianças. Tudo 24 horas por dia e com acesso liberado para até três pessoas via computador, tablet ou celular, sendo compatível com iOS e Android. O Bookplay também conta com clube de benefícios, pelo qual mais de 200 parceiros proporcionam ofertas e descontos exclusivos. O aplicativo também permite a leitura dos livros em modo off-line. Com mais de 120 mil usuários já cadastrados, a plataforma deve fechar 2020 com mais de 200 mil.

Single shaming: a vergonha de estar solteira, por Lu Magalhães

Historicamente, as mulheres solteiras têm sido estigmatizadas em diferentes culturas; elas são enxergadas como um fardo para a comunidade – renegadas como se fossem indivíduos que não pertencem à coletividade. Em pleno século 21, essa estigmatização não cessou e mostra uma face inacreditável do atraso cultural que carregamos.

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Esta é uma das conclusões de Gunda Windmüller, mestre em Literatura e jornalista, autora do livro Mulher, solteira e feliz, lançado pela Primavera Editorial. Essa obra é bastante relevante, porque nos convida a refletir sobre a construção social que perpetua a falsa noção de que somente um relacionamento amoroso confere sentido à vida feminina.

Com base em estatísticas, digressões históricas e sociológicas, experiências pessoais e entrevistas com especialistas e mulheres em idades entre trinta e sessenta anos, Gunda traz um texto provocativo, consistente e que lança luz a conceitos e preconceitos que permeiam o tecido social. Um deles é o single shaming, em livre tradução: vergonha de estar solteira. Ela cunhou esse termo por defender que é mais fácil combater os problemas quando temos um nome para eles; com a nomeação de um preconceito é possível começar um processo de desconstrução.

O single shaming aborda, fundamentalmente, o que a mulher está perdendo. Supostamente, claro. É degradante porque as solteiras percebem – no olhar, no discurso e nas atitudes – a pena que a sociedade dedica a elas; esse sentimento acaba por contaminar o cotidiano delas, que passam a sentir pena de si mesmas. A frase padrão que ilustra esse comportamento é “você ainda vai encontrar o cara certo”. O mito do “cara certo” é brutal, porque passa a imagem que sem esse homem essa mulher é um ser incompleto.

O mais chocante é que obras adoradas por mulheres contribuem, cotidianamente, para disseminar esse conceito. O Diário de Bridget Jones e Sex and City são dois exemplos clássicos de como o single shaming se tornou socialmente aceitável, segundo Gunda Windmüller. “Por mais charmosa, ingênua e assoberbada que seja a heroína, seu final é inevitável. Seu final feliz. A pergunta era: Renée Zellweger ficará com Hugh Grant ou Colin Firth no final? Homem ou homem. Nada de Bridget”, afirma, no livro Mulher, solteira e feliz.

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Em um trecho da obra, Gunda compara a imagem de homens solteiros versus mulheres solteiras. Em entrevista conduzida com Jean-Claude Kaufmann, o sociólogo afirma que “a solidão masculina pode ser complicada e difícil de suportar, mas é, essencialmente, um assunto privado. Aqui está a grande diferença para as mulheres, para quem viver sozinha é ao mesmo tempo um assunto privado e público, algo que se torna interesse de toda a sociedade”, revela. Uma mulher que foge disso é uma ameaça; um homem, ao contrário, é um modelo de conduta. Um solteirão cobiçado.

Em Mulher, Solteira e Feliz há uma crítica ao papel feminino na construção do single shaming – e o quanto as mulheres podem fazer para que haja uma mudança social que promova uma real transformação. “Se queremos mudar a narrativa sobre as mulheres, precisamos começar a falar de forma diferente; há uma demanda por sermos mais gentis conosco e com nossas irmãs. Por sermos mulheres, sempre pensamos que devemos ser perfeitas e, quando vemos outras de nós se comportando de maneira ‘não tão perfeitas’, somos rápidas em apontar o dedo, em culpá-las. Esse não é o caminho a seguir”, declara a autora.

Acredito, sinceramente, na importância da leitura no processo de reflexão – que dará início a um questionamento social essencial para construirmos um novo repertório sobre as mulheres. Por isso, convido as mulheres a lerem Mulher, solteira e feliz. Vamos ampliar o debate?

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Lu Magalhães é presidente da Primavera Editorial, sócia do PublishNews e do #coisadelivreiro. Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), possui mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, Estados Unidos). A executiva atua no mercado editorial nacional e internacional há mais de 20 anos.

Sobre a editora

A Primavera Editorial é uma editora que busca apresentar obras inteligentes, instigantes e acalentadoras para a mulher que busca emancipação social e poder sobre suas escolhas.

Sugestão de livro para o Dia Internacional da Síndrome de Down

O amor na visão de uma menina com Síndrome de Down, cujo dia internacional é comemorado hoje (21) é tema de romance da Editora Melhoramentos; obra convida o leitor a entrar na “cabeça” de Rose e a quebrar muitos “pré-conceitos”

Rose ama Jack. Jack ama Rose. Assim começa um incrível romance. Rose Procura Jack, da autora Mel Darbon, com tradução de Sandra Pina, foi indicado a diversos prêmios internacionais e é o novo lançamento da Editora Melhoramentos.

Logo na primeira página somos apresentados a Rose Tremayne, uma garota de 16 anos, com 1,50 de altura, pele clara, olhos verdes e cabelos ruivos dourados, na altura dos ombros. Com botas e bolsa roxa, sua cor preferida. Essa é a descrição de Rose, desaparecida há 5 dias. Rose tem síndrome de Down.

O amor entre Rose e Jack, seu namorado há 7 meses, uma semana e três dias também é revelado ao leitor, logo nas primeiras páginas. Sem entender o motivo de Jack ter desaparecido, a adolescente encontra no escritório do pai, postais escondidos que foram enviados pelo seu namorado, de quem não se tem notícia desde o fatídico dia em que ele foi levado.

Após uma crise de raiva, Jack é internado em uma clínica e os pais de Rose a impedem de vê-lo. Os postais confirmam que Jack também sentia sua falta, e foi assim que a garota reuniu toda a sua coragem e traçou uma rota detalhada, em busca do seu amor, até o endereço que constava nos postais. Rose entra então, em uma longa e angustiante viagem, atravessando Londres.

O livro é escrito em primeira pessoa, e a linguagem de Rose e de Jack refletem a maneira como eles são, ela com síndrome de Down e ele com outras limitações. Sandra Pina, tradutora da obra, comenta que “na tradução literária, uma das coisas mais importantes é manter a ‘voz’ do autor original. Neste caso, a voz da narradora tinha uma característica especial. Por isso, depois de ler a história e antes de começar a tradução, fiz um trabalho de pesquisa”. Completa “traduzir as palavras foi a parte mais fácil, o mais complexo foi, antes de tudo, entender a personagem”.

Durante o trajeto Rose se depara com as mais inimagináveis situações. “Sua independência a leva a tomar decisões, mas sua ingenuidade acaba colocando a personagem em situações muito perigosas”. Ao compartilhar a visão do mundo com Rose, o leitor tem a possibilidade de ultrapassar inúmeros preconceitos com relação a síndrome de Down.

“Através de uma aventura, o leitor consegue perceber que existem níveis diferentes da Síndrome, que portadores dela são pessoas iguais a ele, com sentimentos, que tomam decisões, que têm desejos, etc. Talvez se a história fosse contada por um narrador onipresente, esse tipo de empatia do leitor com a personagem não fosse tão forte”, ressalta Sandra.

O trajeto da protagonista provoca emoção, indignação. Mel Darbon produziu uma história envolvente, “acho que esses são elementos que caracterizam um bom livro: ele precisa ser capaz de provocar sentimentos no leitor”, finaliza Sandra.

Sobre a autora

Mel Darbon passou grande parte de sua infância inventando histórias para manter seu irmão autista feliz em viagens de carro. Trabalhou em várias áreas, como designer de teatro e artista freelancer. Também passou um bom tempo ensinando jovens adultos com dificuldades de aprendizagem e organizando workshops criativos para mães adolescentes. Ela agora escreve romances para jovens adultos e é apaixonada por dar voz àqueles que de outra forma não poderiam ser ouvidos. Seu primeiro romance é este Rose Procura Jack e ela está trabalhando em seu segundo livro.

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Será que Rose encontra Jack?
Autora: Mel Darbon
Editora: Melhoramentos
Formato: 21 x 13,5 x 1,5 cm
Número de páginas: 304
Preço: R$ 45,00