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Para aniversariantes, 50 anos não podem passar em branco

Festejar o aniversário é sempre um modo de celebrar a vida. E algumas datas costumam ser mais marcantes que outras. Uma delas, com certeza, são os 50 anos. Seja comemorando de forma discreta ou com um festão para centenas de pessoas, os novos 50 estão investindo cada vez mais para que este dia seja lembrado como um marco especial.

Reportagem publicada no site do jornal britânico Telegraph, em outubro de 2017, mostrava que algo já estava mudando nas celebrações por lá. Pela primeira vez, festas e vendas de cartões comemorando 50 anos ultrapassaram as de 21 anos (16% x 14,1%), até então os primeiros colocados.

bolo número

Os fornecedores entrevistados afirmaram que as festas das pessoas de 50 costumam ser maiores e mais extravagantes que as dos mais jovens. E que o número de convidados era o dobro, cerca de 100 pessoas. Também disseram que a maioria dos aniversariantes não aparentava a idade, e que 50 anos se tornou um marco e uma ocasião para as pessoas se reunirem para comemorar. Diante disso, confirmaram que estavam projetando um aumento real no número de festas nesta faixa etária para os anos seguintes.

E parece que essa intenção de festejar meio século cresceu por aqui também: “A procura pelas festas de 50 anos, com relação ao primeiro semestre de 2018, triplicaram. Antes, as de 40 anos eram nosso auge, mas, no último semestre de 2018, caíram e começaram a dar lugar às dos 50 anos. Começamos a notar que os 50 são os novos 40. E, neste ano, já realizamos o dobro de eventos de 2018 inteiro voltados para pessoas de 50”, conta Márcia Sandoli, sócia do Lugar 166, espaço para eventos na Vila Olímpia, em São Paulo

Márcia acrescenta que os novos 50 estão dispostos a investir um pouco mais e escolhem, com carinho, doces, bolos e fotógrafos. Não querem nada glamoroso, como em um casamento, mas como não são do tipo que vão à balada, curtem bem mais a própria festa, são mais animados e dançam o tempo todo.

Zilandia Camilo, proprietária da MZ1 Decorações, diz que o número de clientes na faixa dos 50 anos só cresce: “De 2016 para cá, a procura dos meus serviços por pessoas desta faixa etária aumentou 10%”, e acrescenta: “Mulheres são mais ligadas em festejar, gostam de flores, cores, brilho e, para essa data, o dourado predomina. Homens, geralmente, são mais desencanados. Para eles, a bebida é sempre o ponto-chave da festa”.

Dicas de Zilandia para quem pensa em festejar:

= o primeiro passo é fechar a data para a comemoração;
= pense no número de convidados;
= escolha um bom espaço, sempre levando em conta o número de convidados;
= decida se vai precisar de uma assessoria, que facilitará tudo para você;
= se tiver disponibilidade, escolha os serviços pessoalmente, é bem divertido.

Comida de boteco

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Silvana Regina Inácio, 51 anos, jornalista, solteira, tem 3 filhos, mora em Guarulhos (SP): “Comemorei em casa, em 2017, ao lado de cerca de 100 pessoas. Como a data caiu em um sábado, aproveitei para reunir amigos e familiares. A festa foi feita à tarde e teve um tema: Boteco da Sil. Escolhi petiscos e bebidas comuns desses estabelecimentos, como amendoim, calabresa, cerveja, batida, caipirinha. Amigos e primos ficaram responsáveis pela música ao vivo: pagode. Como estávamos em janeiro, até pensei em fazer feijoada, mas estava muito quente. Preferi macarronada. Já o bolo foi decorado com cervejas e frases típicas de bares. Não tinha docinhos, optei por doce de banana e de abóbora, paçoquinha, maria mole, jujuba, dadinho e pirulitos, tudo vintage, da época da minha infância. Eu mesma organizei tudo, mas contei com a ajuda dos meus irmãos, cunhados e filhos. Aluguei mesas e cadeiras apenas, pois como minha família gosta de festejar, temos muitas coisas guardadas para essas ocasiões. A parte complicada é convidar e confirmar a presença de todos, mas nada substitui o prazer de ter pessoas comemorando contigo. Afinal, 50 anos não são 50 dias! Hoje, os 50 são os novos 30. Para mim, a vida está começando. Meus filhos estão adultos e quase que totalmente independentes. É hora de retomar aqueles sonhos, a vida deve ser uma celebração diária”.

Bolo veio de avião

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Rodrigo Garcia, 51 anos, funcionário público da Câmara Municipal de São Paulo, solteiro, sem filhos. “Pernambucano, estou em São Paulo há 28 anos. Sou muito festeiro, e como em 2017 faria 50 anos em um sábado, resolvi comemorar. Nunca deixei de fazer algo, mesmo que fosse com amigos em um bar. Não consegui festejar como queria os 30 ou os 40, por questões financeiras, mas os 50, meio século, número redondo, tem uma simbologia especial. Pedi ajuda para uma amiga que organiza festas, e pensei em um grande jantar. O local escolhido foi um salão de um hotel em Higienópolis. O ponto alto da festa foi o bolo que ganhei e que veio de avião direto do Recife, no colo de um amigo e da mãe dele: o clássico bolo de noiva pernambucano, que leva frutas e vinho do Porto, uma receita inglesa adaptada. Outro amigo cantou e tocou música brasileira no violão. Não era uma festa dançante, mas, algumas pessoas dançaram nos espaços que conseguiram. Duas amigas, a que organizou tudo e outra, fizeram um vídeo juntando depoimentos de várias pessoas, especialmente das que não puderam vir. Entre elas, estava meu pai, que na época tinha 82 anos e não viaja mais de avião. Foi um dos momentos mais tocantes da festa, me emocionei e chorei. Aos 51 anos, me sinto jovem, gosto das mesmas coisas de sempre, me sinto mais sábio e paciente, e já estou pensando no festão que darei quando chegar aos 60”.

Parando a cidade

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Deise Regina Violin, 52 anos, empresária da área de cosméticos, nasceu em Tanabi (SP) e vive em Cuiabá (MT), divorciada, 3 filhos. “Comemorei meus 50 anos em março de 2017. Minha festa dos 50 anos era um sonho, eu a idealizei e a desenhei na minha mente, teria de ter minha identidade. Em todas as festas que ia eu observava, e tudo que achava lindo, colocava em um mosaico. Um dia ouvi a música ‘Flores em Vida’ (de Zé Gabriel Dias e gravada por Zezé Di Camargo e Luciano), ela ‘falou’ comigo ‘eu quero viver a vida, eu quero flores em vida, colhidas do jardim do amor’. Este foi o tema da minha festa. Vi aqueles vestidos bordados, lindos, no concurso de Miss Brasil, feitos pelo estilista Alexandre Dutra, de BH e pensei ‘os vestidos da festa serão dele’. Para mim, foi fácil organizar porque já tinha tudo em mente, e me ajudou muito ter feito antes a festa de 15 anos da minha filha. O bolo, por exemplo, na decoração tinha meu eneagrama (figura geométrica que representa os tipos de personalidades humanas). A parte difícil foi em relação à lista de convidados. Muitas vezes eu via que pessoas próximas não estavam na lista, que era de 600 lugares. A festa teve uma energia incrível, uma vibração no ar. Pessoas até hoje comentam e perguntam quando vai ter outra. Não pretendo fazer outra porque não será igual, a de 50 marcou minha vida. Para mim, comemorar foi uma forma de celebrar, de agradecer a Deus, às pessoas que fizeram parte da minha jornada”.

Aniversário das taurinas

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Eliane Soler mora em São Paulo, tem 51 anos, é formada em Direito, viúva e tem dois filhos: “ Quando faltava mais ou menos um mês para o dia do meu aniversário resolvi que não dava para deixar passar em branco. Tenho duas amigas na mesma faixa etária e que aniversariam na mesma época, então, resolvemos festejar juntas. Não havia um tema, foi o ‘aniversário das taurinas’. Como temos muitos amigos em comum, facilitou muito. Escolhemos o Sky Hall Terrace Bar, que é bem espaçoso e aberto. Foram cerca de 200 pessoas. Elas duas ficaram surpresas, mas eu sabia que ia lotar. Foi muito divertido e senti o carinho das pessoas. Na hora do bolo, meu filho comentou que o lado em que eu estava ‘ficou pesado’, pois quase todo mundo na casa havia vindo para a festa. Foi muito bom ver tantos amigos, até de infância, além da família. Faço parte de um grupo de amigos que se encontra para, quem sabe, estancar a solidão e os problemas de cada um. E se diverte muito. Eu me lembro de quando era garota olhar minha mãe, então com 30 anos e pensar que ela estava velha. Imagine! Eu, hoje, sou autossuficiente, independente, me sinto jovem, não escondo a idade e meus filhos me veem assim também. Não podia deixar passar meus 50 anos em branco”.