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Telemedicina e teleconsulta: o que os médicos pensam da nova resolução do CFM

Acertos e insuficiências da normativa que pode transformar a assistência e saúde no país

O Conselho Federal de Medicina anuncia oficialmente hoje (7), a Resolução 2.227/2018, que define e disciplina a telemedicina como forma de prestação de serviços médicos mediados por tecnologias. Entre outras novidades, os médicos brasileiros poderão realizar consultas online, assim como telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de assistência à distância. A regulamentação entrará em vigor em três meses.

Especialistas de uma das maiores e mais representativas instituições médicas do Brasil, a Associação Paulista de Medicina (APM), e do Global Summit Telemedicine & Digital Health compreendem que a normativa do CFM traz avanços importantes para o atendimento em saúde, ao legitimar em nosso País soluções tecnológicas já fartamente utilizadas com sucesso na Europa, Estados Unidos e até em nações da África, só para citar exemplos.

O Brasil finalmente embarca no trem rumo ao futuro da Medicina, mas os avanços poderiam ser maiores, trazendo melhores perspectivas para a assistência remota. A exigência de uma consulta prévia presencial poderia muito bem ser dispensada em casos de consultas simples, conforme já ocorre internacionalmente.

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Pexels

A necessidade de consentimento livre esclarecido assinado ou gravado a ser guardado pelo médico acaba sendo uma garantia para comprovação de boa prática. O registro da teleconsulta tem sim relevância.

Por outro lado, com a Resolução, o Conselho perdeu a oportunidade de rever o Parecer nº 14/2017, que discorre sobre o uso do aplicativo WhatsApp para comunicação entre médicos, e também entre eles e seus pacientes. A despeito de ser bem eficientes para a resolução de questões profissionais distintas de outras áreas, o aplicativo não é ferramenta adequada para a prática médica.

O saldo da Resolução 2.227/18, entretanto, é bastante positivo e traz para o Brasil a possibilidade de consagrar a integralidade do Sistema Único e Saúde (SUS) para milhões de brasileiros, atualmente vítimas da negligência assistencial.

As normativas até então em vigor eram muito tímidas, atrasadas e mantinham o País à margem do desenvolvimento da telemedicina. Para ter uma ideia, se uma mulher estivesse grávida, em férias, em uma localidade distante, e tivesse um problema, um sangramento, não poderia fazer uma teleconsulta por celular, correndo o risco de perder o bebê e até morrer, pois havia proibição por parte da Resolução 1643 de 2012.

Em pesquisa realizada em dezembro de 2018 pela Associação Paulista de Medicina/Global Summit, com retorno espontâneo de 848 entrevistados, 84,67% dos médicos afirmaram usar ferramentas de TI para observação dos pacientes e para otimizar o tempo da consulta. O prontuário eletrônico é a ferramenta mais utilizada, com 76,75% das respostas entre os que já incorporaram a tecnologia na rotina.

Na Europa, 24 dos 28 países membros também possuem legislação sobre teleconsulta. Destes, 17 permitem a consulta remota de forma plena e apenas três com restrições (emergências, áreas com carência de médicos, necessidade de primeira consulta presencial). Alemanha, Eslováquia e Itália ainda não permitem a teleconsulta.

Já prevendo mudanças nas regras para consultas online, assim como telecirurgias e telediagnóstico, entre outras formas de assistência à distância, assim como em virtude da inadiável necessidade de o Brasil dar um passo sem volta à medicina e a assistência em saúde do futuro, a Associação Paulista de Medicina, com o apoio do Transamerica Expo Center, prepara desde 2017 o maior evento da área já realizado em toda a América Latina.

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Ilustração: Vector

É o Global Summit Telemedicine & Digital Health, que acontecerá de 3 a 6 de abril de 2019, com o objetivo de reunir, durante três dias, as principais referências mundiais nesta área do conhecimento, a programação prevê mais de 70 horas de conferências e fóruns com foco em conteúdo, negócios e inovações.

Entre as presenças confirmadas, estrelas como o médico alemão Andreas Keck, fundador do Strategy Institute for eHealth, Daniel Kraft (EUA), presidente de Medicina da Singularity University e fundador e presidente do Exponential Medicine, Frank Lievens (Bélgica), secretário executivo da International Society for Telemedicine & eHealth, Robert Wah (EUA), diretor médico global da DXC Technology e ex-presidente da Associação Médica Americana.

Também confirmado no evento, Pini Ben-Elazar, especialista israelense, diretor executivo da Mor Research Applications, evidencia os benefícios da telemedicina. Ele afirma que a tecnologia em saúde já tem salvado incontáveis pacientes e proporcionado mais qualidade de vida por todo o planeta.

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Imagem: Maps of India

“Em linhas gerais, destaco os cuidados à distância, por um custo baixo. Assim, o paciente necessita menos ver o seu médico e ser diagnosticado em casos de atenção primária”, diz Elazar.

O presidente da Associação Paulista de Medicina, José Luiz Gomes do Amaral, ressalta a importância do Global Summit em ampliar o debate sobre como os avanços técnico-científicos na área médica conduzirão a humanidade em direção a um futuro melhor.

“A Medicina se apoia em três pilares. O primeiro é a vontade de aliviar o sofrimento do próximo; isso se fez há 2.300 anos e será igual daqui a 200 anos. Segundo, caracteriza-se pelo comportamento ético, um juramento médico perante a sociedade. Por fim, trata-se da ciência, a qual imensas modificações, que não podemos prever, se fazem constantes em uma espiral que se move em velocidade exponencial”, conclui.

Medicina Veterinária da FAM usará animal sintético em aulas

O processo seletivo da FAM para o segundo semestre está a todo vapor. O curso de Medicina Veterinária está disponível para os alunos que pretendem ingressar na carreira. E o futuro veterinário tem desconto de 15% no primeiro semestre.

Porém, o grande diferencial da FAM está nas aulas práticas em relação à maioria das concorrentes: o uso de um cachorro sintético. Este é o primeiro modelo no país, o sistema vascular do “cachorro” possui uma bomba controlada eletronicamente que simula os batimentos cardíacos do animal.

Tudo parece tão real no laboratório que o animal até sangra durante os procedimentos. O microprocessador que controla a frequência dos batimentos pode ser acionado e modificado via Wi-Fi, a partir de um aplicativo no tablet à disposição dos alunos. É importante destacar que, o modelo sintético, em diversas ocasiões, é melhor para se estudar do que um cadáver real.

cachorro sintético

Uma opção ética para alunos que não querem usar animais durante os estudos, uma tendência que vem crescendo no mundo.

No segundo semestre, o aluno conta com outras novidades dentro do escopo de cursos como: música, farmácia e engenharia de transportes. Caso o aluno chegar à FAM transferido de outra faculdade, a instituição oferece até 50% de desconto na mensalidade.

Informações: FAM

Pesquisa aponta que brasileiros querem viver muito, mas descuidam da saúde

Maioria não adota hábitos que poderiam contribuir para a prevenção de doenças e o envelhecimento saudável

Os brasileiros desejam envelhecer com saúde e pretendem viver até os 85 anos, em média, superando a expectativa de vida atual, que é de 75,5 anos, segundo as estatísticas oficiais brasileiras¹. Mas a maioria não adota um estilo de vida que contribua para alcançar esse objetivo, com exercícios físicos regulares, alimentação equilibrada e cuidados preventivos.

Por outro lado, grande parte da população está convencida de que esses hábitos poderiam contribuir para uma maturidade mais saudável. Essas contradições são algumas das conclusões da pesquisa “Como os brasileiros encaram o envelhecimento – versão 2017”, um novo levantamento realizado pelo Instituto Qualibest com brasileiros de todas as regiões do País.

A pesquisa, que envolveu 703 adultos com 18 anos ou mais de idade, faz parte da campanha “Envelhecer Sem Vergonha – Qualidade de vida não tem idade”, uma iniciativa lançada pela Pfizer em 2015, com o objetivo de convocar a sociedade para uma conversa franca e bem-humorada sobre o tema. Naquela ocasião, foi lançada a primeira edição da pesquisa. Desta vez, algumas temáticas foram acrescentadas ao levantamento, como o impacto das mídias sociais para as diferentes gerações.

“As discussões sobre o envelhecimento se tornam cada vez mais prioritárias em uma sociedade que envelhece em ritmo acelerado, como é o caso da população brasileira. Uma vez que existem contradições importantes entre aquilo que o brasileiro almeja para a sua velhice e o que ele de fato faz no presente para garantir esse cenário positivo no futuro, é essencial convocar todas as gerações para um debate verdadeiro e aprofundado sobre o tema”, afirma o diretor médico da Pfizer, Eurico Correia.

Contradições

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Foto: Shutterstock

A maioria dos entrevistados, ou 92% da amostra, afirma que sente medo de envelhecer. E, para esse grupo, os problemas de saúde são justamente o aspecto mais temido quando pensam em maturidade. Por outro lado, os dados da pesquisa apontam que a minoria das pessoas ouvidas pratica atividades físicas, mantém uma alimentação saudável ou cuida da saúde de forma preventiva, hábitos que poderiam contribuir para a prevenção de doenças no futuro. Entre os jovens de 18 a 25 anos, esses cuidados são ainda menos adotados.

Contraditoriamente, os entrevistados demonstram estar cientes de que a prevenção, a nutrição adequada e a prática de atividades físicas são fatores importantes para a manutenção da saúde vida afora. Esses foram os aspectos mais lembrados pelos participantes quando questionados sobre os elementos essenciais para um bom envelhecimento.

Os dados apontam, ainda, que para os entrevistados o aumento da longevidade está fortemente atrelado ao progresso da medicina. Ao listarem os motivos que estariam auxiliando as pessoas a viver mais, os participantes identificaram quatro aspectos relacionados a esse segmento: a melhora na medicina preventiva, como as vacinas (40%), o avanço em medicamentos (38%), a evolução no tratamento de doenças graves (36%) e nos equipamentos de diagnóstico (27%).

Receios e expectativas

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Os problemas de saúde foram mencionados por 70% dos entrevistados que temem o envelhecimento como o principal motivo de receio em relação à maturidade, mas há outros fatores associados a esse sentimento. As limitações físicas, destacadas por 64% dos entrevistados, e os problemas com a memória, ressaltados por 55% do público, também chamam a atenção.

O medo da solidão, mencionado por 45% dos participantes, é outro aspecto que chama a atenção. “No Brasil há uma tendência ao narcisismo, pois os brasileiros cultuam muito a aparência, a juventude. Então, esse medo da solidão pode ser traduzido como um receio de não ser notado, de não ser visto pelo outro no fim da vida, quando já não se tem as características da juventude que a sociedade tanto valoriza“, diz a psiquiatra Rita Cecília Ferreira, do Programa da Terceira Idade do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (IPq-USP).

As preocupações financeiras também foram mencionadas por 45% dos participantes. Mas, ainda que as questões econômicas assumam um papel importante quando os entrevistados são convidados a pensar sobre suas expectativas para a maturidade, envelhecer próximo aos familiares (67%) é o principal anseio do grupo. A segurança financeira aparece em segundo lugar, juntamente com o tempo para realizar sonhos, com 58% das menções.

A análise comparativa entre as duas edições da pesquisa também indica que os entrevistados estão mais à vontade em dizer a idade. Em 2015, 74% dos entrevistados se mostravam confortáveis nesse quesito e a porcentagem subiu para 79% em 2017. Ainda assim, quando se investiga o comportamento de homens e mulheres diante dessa questão, é possível observar que revelar a idade continua a ser um problema maior para elas do que para o público masculino: 6,96% delas se incomodam, ante 3,78% dos homens.

Mais de 70% dos entrevistados afirmam que o envelhecimento não é motivo de vergonha e essa percepção é mais acentuada justamente entre aqueles com 51 anos ou mais, grupo em que essa porcentagem chega a 87%. Apenas 22% dos participantes se dizem constrangidos com a maturidade e, para essa parcela, os principais motivos seriam a dependência para a locomoção, mencionada por 64%, bem como a necessidade de auxílio para atividades rotineiras (60%) ou para complementar o orçamento (51%).

Diferentes gerações, múltiplos olhares

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A convivência entre pessoas de diferentes gerações é valorizada em todas as faixas etárias investigadas pela pesquisa. Entre os mais jovens, de 18 a 29 anos, a maioria (67%) afirma que os familiares mais velhos representam uma fonte de aprendizado. Já para os maiores de 50 anos, o contato com as novas gerações extrapola o núcleo familiar, de modo que 63% deles costumam participar de rodas de conversa com amigos mais jovens.

“Quando netos e avós têm a chance de envelhecer juntos, a história da família se perpetua. A criança e o jovem que convivem com um idoso, além de aprenderem com ele por meio de suas histórias de vida, provavelmente serão mais tolerantes com as dificuldades do envelhecimento no futuro, pois terão estabelecido um forte vínculo”, ressalta a psiquiatra Rita Ferreira.

As diferenças entre as gerações se expressam, principalmente, em seus pontos de vista sobre a própria maturidade. Enquanto 32% das pessoas com 51 anos ou mais afirmam que ficar mais velho está sendo melhor do que imaginavam, apenas 24% dos participantes de 18 a 25 anos compartilham dessa percepção. Ao contrário: 22% do grupo mais jovem diz que a experiência está sendo pior do que o esperado, uma porcentagem superior à média da amostra total (14%). Preocupações financeiras e aumento das responsabilidades explicam a visão negativa dos entrevistados mais novos.

Quando o assunto gira em torno das motivações para viver novas experiências, outras diferenças entre as faixas etárias se destacam. Se o espírito aventureiro é o que impulsiona as duas faixas etárias mais jovens, compreendendo as pessoas entre 18 e 35 anos, a partir dos 36 anos o principal fator considerado pelos entrevistados é a certeza de uma experiência segura, sem muitos riscos, conforme a tabela abaixo:

Facebook e política

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Uma das novidades da pesquisa são as informações sobre a vida digital das gerações. Nesse sentido, o Facebook se destaca como mídia transversal, que impacta todas as faixas etárias. Quase oito em cada dez participantes (78%) utilizam a ferramenta, que é a mídia social mais consumida pelos entrevistados, seguida pelo YouTube, com 62%. A navegação pelos sites de busca também é pronunciada, para todas as gerações.

Por outro lado, os dados da pesquisa evidenciam como a importância da televisão diminui progressivamente nas faixas mais jovens: enquanto 84% das pessoas com mais de 51 anos costumam utilizar essa mídia para se informar, apenas 45% daqueles que têm entre 18 e 25 anos utilizam esse recurso. Nessa mesma linha, o rádio é uma das mídias menos consumidas pelos mais jovens, com 14%, porcentagem que sobe para 32% entre os maduros. Essa tendência se verifica também para o consumo de jornais e revistas.

O Instituto Qualibest também investigou quais são os temas que mais interessam aos brasileiros. Embora filmes e séries representem o principal foco de atenção para todos, a discrepância no interesse das gerações por política chama a atenção. Se a temática é considerada importante para 55% dos maiores de 51 anos, só 36% dos mais jovens se interessam por esse assunto. Os mais maduros também são muito mais atraídos pelo jornalismo (79%), na comparação com o grupo dos mais novos (37%).

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“A geração mais madura tende a ser mais politizada se considerarmos que essas pessoas passaram pelas grandes transformações sociais do século 20, como a ditadura militar, a revolução sexual e o protagonismo crescente da mulher no mercado de trabalho e nas outras esferas. São pessoas que estão mudando o próprio significado do envelhecimento”, conclui Rita.

Referência:
1. IBGE. Disponível para acesso aqui. Acessado em dezembro de 2017.

Fonte: Pfizer

 

Sem sacrifício de animais: cursos de medicina ganham modelos sintéticos

Protótipos são capazes de ter reações físicas e até mesmo sangrar durante uma cirurgia, podendo também serem cortados e suturados

Os cursos de medicina e de veterinária de São Paulo serão os primeiros no Brasil a utilizar modelos sintéticos (humano e canino) em aulas de anatomia, fornecidos com exclusividade pela empresa brasileira Csanmek, especializada em sistemas e soluções para o mercado educacional. A aquisição segue a tendência mundial de eliminar o sacrifício de animais e o uso de cadáveres em salas de aula.

Chamados de Syndaver Human e Syndaver Canine, o humano sintético e o cachorro sintético, que custam entre R$ 200 mil e R$ 700 mil, serão utilizados para simulações cirúrgicas e treinamentos de habilidades nos cursos de formação médica e veterinária. Os modelos são desenvolvidos com textura e densidade similar às estruturas anatômicas reais e contêm todos os sistemas e órgãos dos corpos humano e canino, permitindo a realização de cirurgias, dissecações, entubações e demais procedimentos médicos e veterinários.

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O humano e o cachorro sintéticos são capazes de ter reações físicas e até mesmo sangrar durante uma cirurgia, podendo também serem cortados e suturados. Os modelos integram o sistema multidisciplinar dos cursos para o ensino da medicina e veterinária e serão utilizados junto com a Plataforma 3D de simulações de anatomia, desenvolvida pela Csanmek.

O equipamento funciona como uma mesa que exibe modelos tridimensionais altamente detalhados e anatomicamente corretos de todos os sistemas do corpo canino, que permite aos alunos realizar dissecações virtuais e ter acesso a locais que dificilmente teria em um cadáver real.

O simulador 3D possui ainda uma ferramenta de integração entre hospitais e salas de aula e oferece aos alunos a possibilidade de estudar casos clínicos e exames reais de animais, pois permite que os professores convertam tomografias e ressonâncias magnéticas em 3D, com acesso total e irrestrito a anatomia real.

“Todos os anos, milhares de animais são sacrificados para o ensino superior, além da enorme burocracia e altos custos com a aquisição de cadáveres humanos. Essa tecnologia foi desenvolvida para reduzir esses números e modificar esse cenário, pois o simulador cirúrgico permite que os alunos utilizem um modelo realístico com todos os sistemas e órgãos na mesma coloração e densidade do real”, comenta Claudio Santana, fundador da Csanmek Tecnologia.

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“Apesar de ser um equipamento para educação, a plataforma 3D também é utilizada por médicos e profissionais da saúde no dia a dia, para melhorar o aprendizado e compreensão das estruturas anatômicas reais e modeladas, e, junto com o Syndaver Canine, formou-se o cenário ideal”, conclui Santana.

Informações: Csanmek

O câncer de mama ainda é mantido no escuro?

A autoestima da mulher costuma melhorar após a cirurgia de reconstrução. Porém, para um resultado melhor, é preciso se informar sobre os diversos tipos de reconstrução, e os seus resultados

Apesar do aumento dos procedimentos de reconstrução de mama realizados em 2008, quase 70% das mulheres que são elegíveis para o procedimento não são informadas sobre as opções de reconstrução disponíveis para elas, aponta um relatório recentemente publicado pela Sociedade Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS).

O documento mostra que houve mais de 79.000 procedimentos de reconstrução de mama realizados em 2008, um aumento de 39% em relação a 2007. Mas, apesar disso, o relatório sugere que muitas pacientes com câncer de mama estão perdendo a oportunidade de ter uma conversa chave sobre a reconstrução de mama no momento do diagnóstico.

Uma pesquisa do Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgada neste mês aponta que, em 66,2% dos casos de câncer de mama, é a própria mulher quem detecta os primeiros sinais da doença. O Inca e o Ministério da Saúde lançaram, neste mês, a campanha “Câncer de mama: vamos falar sobre isso?”. A ideia é divulgar a informação de que todas as mulheres de 50 a 69 anos façam a mamografia a cada dois anos.

“Mas, mais do que se debruçar sobre o diagnóstico precoce, as mulheres precisam entender todas as suas opções terapêuticas para tomar uma decisão informada sobre o seu tratamento de câncer de mama. Aquelas que são diagnosticadas com a doença devem ser encaminhadas para uma equipe multidisciplinar que possa prestar cuidados apropriados em relação ao câncer de mama. O cirurgião plástico precisa ser incluído como parte da equipe de tratamento”, afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Toda mulher merece o direito de escolher qual tipo de reconstrução, se houver esta opção, é melhor para ela. A entidade americana está fazendo um esforço contínuo para trazer a público as questões de reconstrução da mama, incluindo a educação sobre o tema, o acesso ao tratamento e a abordagem sobre a equipe multidisciplinar.

“O envolvimento precoce dos cirurgiões plásticos pode permitir o desenvolvimento de um plano de tratamento ideal para cada paciente individualmente. Nesse sentido, a colaboração entre as especialidades é essencial. Para tanto, os cuidados primários de cirurgia geral, radiologia, patologia, oncologia, ginecologia e cirurgia plástica precisam estar disponíveis a partir do início do tratamento do câncer de mama para assegurar o melhor resultado possível para a paciente”, diz Ruben Penteado, que é membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Paciente com câncer precisa de informação

É também importante que as pacientes participem ativamente do tratamento. As pacientes não devem aceitar que a sua reconstrução de mama seja feita por outro profissional que não um cirurgião plástico. “Mesmo que a tecnologia tenha feito muito em termos de diagnóstico e de tratamento do câncer de mama, a reconstrução, mais do que nunca, exige a perícia médica do cirurgião plástico”, diz o médico.

Dentre os fatores que contribuem para a conscientização e a compreensão da paciente, a educação específica sobre as opções para a reconstrução da mama é muitas vezes inexistente. Nos próximos meses, a ASPS vai chegar às mulheres através de uma variedade de materiais, que vão desde cartões de informação e vídeos on-line, por meio de uma campanha publicitária, a publicações nas salas de espera produzidas pelo Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas.

“Sabemos que há muitas questões que envolvem a reconstrução da mama e que abordar todos elas vai levar tempo, mas este é um primeiro passo muito importante. O objetivo é nos certificarmos que as mulheres que não estão fazendo a reconstrução da mama estão fazendo isso por vontade própria e não porque são ignorantes ou desinformadas sobre as suas opções”, defende o cirurgião plástico.

Mutirão da reconstrução

No Brasil, uma importante ação em prol da reconstrução mamária ocorrerá nesse mês. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) promoverá entre os dias 24 e 28 de outubro a Semana da Reconstrução Mamária. Serão 16 hospitais participando de um mutirão para reconstrução mamária e a meta é operar em torno de 80 pacientes no período. O critério para seleção será de acordo com o tempo de espera na fila. A ação é mais uma oportunidade de destacar e reforçar a necessidade de conhecimento da doença, além de trazer as principais novidades no tratamento e as possibilidades pós-cirurgia. As interessadas devem se informar através do e-mail: projetofendas@hucff.ufrj.br.

Informações: Medicina Integrada