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Novas razões pelas quais as pintas podem se transformar em câncer de pele tipo melanoma

Publicada no final de novembro na revista eLife, pesquisa mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental. Descobertas abrem caminho para mais pesquisas sobre como reduzir o risco de melanoma

Pintas, manchas e melanomas provêm da mesma célula chamada melanócitos. “A diferença é que as pintas e manchas geralmente são inofensivas, enquanto os melanomas são cancerígenos e muitas vezes mortais, sem tratamento”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um novo estudo publicado no final de novembro na revista eLife e realizado por pesquisadores do Huntsman Cancer Institute (HCI) explica como as manchas comuns e os melanomas se formam e por que as manchas podem se transformar em melanoma. “Embora muitos trabalhos mostrem um caráter genético forte para o desenvolvimento do melanoma, esse estudo mostrou que as células produtoras de pigmentos, os melanócitos, são mais afetadas pela sinalização ambiental”, diz o médico.

Os melanócitos são células que dão cor à pele para protegê-la dos raios solares. Segundo o estudo, mudanças específicas na sequência de DNA dos melanócitos, chamadas mutações do gene BRAF, são encontradas em mais de 75% das pintas. A mesma alteração também é encontrada em 50% dos melanomas e é comum em cânceres como cólon e pulmão. “Pensava-se que, quando os melanócitos tinham apenas a mutação BRAFV600E, a célula parava de se dividir, resultando em uma pinta. Quando os melanócitos têm outras mutações com BRAFV600E, elas se dividem de forma descontrolada, transformando-se em melanoma. Este modelo foi denominado ‘senescência induzida por oncogene’. Mas vários estudos desafiaram esse modelo nos últimos anos”, diz o médico. “Esses estudos forneceram dados excelentes para sugerir que o modelo de senescência induzida por oncogene não explica a formação de pintas, mas o que faltou a todos é uma explicação alternativa – que permaneceu indefinida”, conta.

A equipe do estudo coletou sinais e melanomas doados por pacientes e usou perfis transcriptômicos e citometria holográfica digital. O perfil transcriptômico permite aos pesquisadores determinar as diferenças moleculares entre pintas e melanomas. A citometria holográfica digital ajuda os pesquisadores a rastrear mudanças nas células humanas. “Os pesquisadores descobriram, então, um novo mecanismo molecular que explica como as pintas e os melanomas se formam, e por que as pintas às vezes se transformam em melanomas”, diz o dermatologista.

O estudo mostra que os melanócitos que se transformam em melanoma não precisam ter mutações adicionais, mas são afetados pela sinalização ambiental, quando as células da pele recebem interferências do ambiente ao seu redor, que lhes dá direção. A radiação solar, por exemplo, é um estímulo ambiental. “Os melanócitos expressam genes em ambientes diferentes, dizendo-lhes para se dividir incontrolavelmente ou parar de se dividir completamente. As origens do melanoma serem dependentes de sinais ambientais dá uma nova perspectiva na prevenção e no tratamento”, diz o dermatologista. “O estudo também desempenha um papel na tentativa de combater o melanoma, prevenindo e tendo como alvo as mutações genéticas. Também podemos ser capazes de combater o melanoma mudando o ambiente, segundo o estudo”.

Essas descobertas criam uma base para a pesquisa de potenciais biomarcadores de melanoma, permitindo aos médicos detectar alterações cancerígenas no sangue em estágios iniciais. Os pesquisadores também estão interessados em usar esses dados para entender melhor os agentes tópicos potenciais para reduzir o risco de melanoma, atrasar o desenvolvimento ou interromper a recorrência e detectar o melanoma precocemente. “Mas, é claro que novas pesquisas devem ser feitas com o objetivo de confirmar a informação e encontrar meios de frear a replicação celular descontrolada que resulta em melanoma”, finaliza o dermatologista.

Fonte: Daniel Cassiano é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. Cofundador da clínica GRU Saúde, o Dr. Daniel Cassiano é formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e Doutor em medicina translacional também pela Unifesp. Professor de Dermatologia do curso de medicina da Universidade São Camilo, o Dr. Daniel possui amplo conhecimento científico, atuando nas áreas de dermatologia clínica, cirúrgica e cosmiátrica.

Verão: cuidados com Covid-19 e prevenção ao câncer de pele devem andar lado a lado

Além do uso do álcool em gel, máscaras e respeito ao distanciamento, população deve adotar hábitos de fotoproteção para garantir sua saúde de modo pleno, informa a Sociedade Brasileira de Dermatologia

Neste verão, vamos conjugar prevenção ao coronavírus com cuidados para reduzir as chances de casos de câncer de pele? Esta é a proposta da campanha do Dezembro Laranja, organizada pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), em 2021. A intenção é dar início ao esforço de mobilização no período que abriga o Natal e estendê-lo pelos meses seguintes. Nos alertas, a SBD quer deixar claro que o atual momento pede que junto com o uso do álcool gel, máscaras e distanciamento, os brasileiros cultivem as práticas de fotoproteção.

Com a queda nos indicadores de morbidade e de mortalidade relacionados à covid-19, estima-se que neste verão as praias e os espaços abertos voltarão a ser ocupados com muito mais intensidade. No entanto, alertam os especialistas da SBD, a retomada da normalidade não deve ser feita sem atenção às recomendações das autoridades sanitárias, ainda atentas à possibilidade de aumento dos casos de contaminação pelo coronavírus. Além desse cuidado, afirmam, a população deve agregar à sua rotina as medidas de prevenção contra o câncer de pele.

“Adicione mais fator de proteção ao seu verão”: esta é mensagem central da campanha do Dezembro Laranja 2021. Esse mote estará presente em uma série de conteúdos desenvolvidos pela SBD especialmente para a ação. Serão peças para redes sociais, com dicas de cuidados; vídeos com orientações de médicos dermatologistas; e gravações feitas por personalidades estimulando os brasileiros à aderirem aos cuidados preconizados; entre outras abordagens que buscam a conscientização.

Adesão

Em 2021, entre as celebridades que participam voluntariamente da iniciativa estão os atores Tony Ramos e Carmo Dalla Vecchia, as cantoras Kelly Key e Karol Conká, a modelo Claúdia Liz, e os jornalistas Tom Borges (TV Record) e Eliane Cantanhede (TV Globo). Além deles, dezenas de outras artistas, intelectuais e influenciadores também aderiram à iniciativa, assim como instituições públicas e privadas, como o Congresso Nacional, a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e inúmeros governos estaduais e prefeituras.

Todas as entidades ajudaram a montar uma rede nacional de apoio à causa. Isso ocorreu de duas formas: com a iluminação de sedes e monumentos na cor laranja e com a replicação em seus canais de comunicação do material produzido pela SBD incentivando a população a incorporar à sua rotina alguns cuidados. Dentre as recomendações, estão: cultivar hábitos de fotoproteção, que incluem o uso de óculos de sol e blusas com proteção UV, bonés ou chapéus; optar pela sombra; evitar a exposição ao sol entre 9h e 16h; e utilizar filtro solar com FPS igual ou superior a 30, reaplicando-o a cada duas horas ou sempre que houver contato com a água.

Diagnóstico precoce

Em caso de surgimento de sinais e sintomas suspeitos, o médico dermatologista deve ser consultado para fazer o diagnóstico precoce do quadro. Se for constatada uma lesão cancerosa, ele orientará o início do tratamento. É preciso prestar a atenção em pintas que crescem, manchas que aumentam, sinais que se modificam ou feridas que não cicatrizam pois podem revelar o câncer de pele. A rotina do autoexame facilita o reconhecimento dos casos.

A SBD ressalta ainda que a exposição solar exagerada e desprotegida ao longo da vida, além dos episódios de queimadura solar, são os principais fatores de risco do câncer de pele. Apesar de ser um problema de saúde que pode afetar qualquer pessoa, há perfis que são mais propensos ao seu surgimento. Neste grupo, estão os que têm a pele, cabelos e olhos claros; aqueles com histórico familiar dessa doença; os portadores de múltiplas pintas pelo corpo e pacientes imunossuprimidos e/ou transplantados. A SBD ressalta que os que apresentam estas características precisam de maior cuidado com a pele e passar por avaliação frequente com um médico dermatologista.

Tumores

De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (Inca), os números de câncer de pele no Brasil são preocupantes. A doença corresponde a 27% de todos os tumores malignos no país, sendo os carcinomas basocelular e espinocelular (não melanoma) responsáveis por cerca de 180 mil novos casos da doença por ano. Já o câncer de pele melanoma tem em torno de 8,5 mil casos novos por período. A incidência do câncer de pele é maior do que os cânceres de próstata, mama, cólon e reto, pulmão e estômago.

Há oito anos a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza o #DezembroLaranja, sempre com grande engajamento da população e de outras instituições e entidades. O público interessado pode se engajar na campanha e compartilhar nas redes sociais, customizando a foto de perfil e as publicações da SBD, por exemplo. A divulgação nas plataformas digitais (Facebook, Instagram, Youtube e Site) contará com o apoio das seguintes hashtags: #DezembroLaranja, #CancerdePeleECoisaSeria, #CancerdePele # Maisprotecaonoverao #CampanhaCancerdePele2021.

Doença

O câncer de pele é provocado pelo crescimento anormal das células que compõem a pele. Existem diferentes tipos de câncer da pele que podem se manifestar de formas distintas, sendo os mais comuns denominados carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular – chamados de câncer não melanoma – e que apresentam altos percentuais de cura se diagnosticados e tratados precocemente. Um terceiro tipo, o melanoma, apesar de não ser o mais incidente, é o mais agressivo e potencialmente letal. Quando descoberta no início, a doença tem mais de 90% de chance de cura.

O carcinoma basocelular é o câncer de pele mais frequente na população, correspondendo a cerca de 70% dos casos. Se manifestam por lesões elevadas peroladas, brilhantes ou escurecidas que crescem lentamente e sangram com facilidade. Por sua vez, o carcinoma espinocelular surge como o segundo tipo de câncer de pele de maior incidência no ser humano. Ele equivale a mais ou menos 20% dos casos da doença. É caracterizado por lesões verrucosas ou feridas que não cicatrizam depois de seis semanas. Podem causar dor e produzirem sangramentos.

Metástase

Já o melanoma, apesar de corresponder apenas cerca de 10% dos casos, é o mais grave deles, pois quadros avançados podem provocar metástases (espalhamento do tumor para outros órgãos do corpo humano) e levar à morte. Este tipo é geralmente constituído de pintas ou manchas escuras que crescem e mudam de cor e formato gradativamente. As lesões também podem vir acompanhadas de sangramento.

Desde 2014, a SBD promove o Dezembro Laranja, iniciativa que faz parte da Campanha Nacional de Prevenção ao Câncer da Pele. Desde então, sempre no último mês do ano, são realizadas diferentes ações em parceria com instituições públicas e privadas para informar a população sobre as principais formas de prevenção e a procurar um médico especializado para diagnóstico e tratamento. O câncer da pele é o tipo de câncer mais comum no Brasil, com cerca de 180 mil novos casos ao ano. Quando descoberto no início, tem mais de 90% de chances de cura.

Fonte: SBD

Câncer de pele corresponde a 3 em cada 10 casos no Brasil

O último mês do ano, chamado de Dezembro Laranja, é dedicado à conscientização da neoplasia mais recorrente no país

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia – SBD, o câncer de pele é o tipo mais frequente no mundo e corresponde a 27% de todas as neoplasias malignas no Brasil. Isso porque, de acordo com levantamento da entidade divulgado no final de 2019, mais de 60% dos brasileiros não usam nenhum tipo de proteção solar no dia a dia.

“A melhor forma de prevenção ao câncer de pele é evitar expor-se ao sol, especialmente das 10h às 16h, e fazer uso diário de protetor solar para pele e lábios”, alerta o radio-oncologista do Instituto de Radioterapia São Francisco, Rafael Salera.

O médico ainda lembra que quando a exposição ao sol for necessária, como no caso de pessoas que trabalham ao ar livre, é importante também a escolha de vestuário adequado.

Tipos de câncer de pele

Pode-se dividir o câncer de pele em dois grandes grupos: melanoma e não melanoma.
• Os tumores não melanoma são constituídos principalmente pelo carcinoma basocelular (mais comum e menos agressivo) e o carcinoma epidermoide.
• Já o melanoma tem origem nas células produtoras de melanina (substância responsável pela pigmentação da pele). Esse último é o subtipo mais agressivo, com maior propensão a causar metástases.

A exposição intensa ao sol, capaz de causar queimadura cutânea, parece contribuir mais para o surgimento do melanoma que outros tumores de pele. “Por esse motivo, é frequente que esse câncer se desenvolva em áreas como costas e pernas, que são usualmente protegidas do sol no dia a dia mas são regiões comumente acometidas por queimaduras graves em situações de exposição aguda e intensa à radiação solar”, explica o médico.

“A exposição crônica à radiação UVA e UVB no dia a dia, que não é tão intensa a ponto de causar queimadura aguda, está associada aos tumores não melanoma, motivo pelo qual essas lesões são comuns em face, orelhas, dorso das mãos e antebraços”, explica Salera.

Fatores de risco

Segundo o radio-oncologistao, os principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pele são:
• a exposição aos raios ultravioletas provenientes do sol ou câmaras de bronzeamento artificial (proibidas no Brasil desde 2009);
• pele clara;
• cicatrizes de queimadura;
• doenças hereditárias, como albinismo e xeroderma pigmentoso;
• imunossupressão;
• história pessoal ou familiar de neoplasia de pele.

“Pesquisas científicas indicam que indivíduos com história de cinco ou mais queimaduras cutâneas graves causadas por raios solares na infância têm o dobro de chance de desenvolverem melanoma”, comenta Salera.

Sintomas

Dentre os principais sintomas do câncer de pele, os mais comuns são o surgimento de nódulos, manchas, feridas que não cicatrizam em mais de quatro semanas ou sangram com facilidade e lesões em forma de crosta ou de coloração escura.

“É fundamental citar que a suspeita do câncer de pele baseada apenas na aparência das lesões é um desafio para os próprios profissionais de saúde. Por esse motivo as pessoas devem ser encorajadas a conhecer o próprio corpo e buscarem atendimento médico especializado em caso de detecção de qualquer alteração cutânea nova”, alerta o médico. “As chances de cura, quando descoberto no início, são de 90%”.

“É extremamente importante que a população conheça as formas de prevenção e se atente para o diagnóstico precoce a fim de se evitar tratamentos agressivos e, por outro lado, aumentar as taxas de cura”, finaliza.

Fonte: Instituto de Radioterapia São Francisco

Quarentena: aproveite para ficar atenta aos sinais suspeitos de câncer de pele

Maio é o Mês Internacional de Combate ao Melanoma; diagnóstico precoce é fundamental para aumentar as chances de cura desse câncer de pele agressivo

O isolamento social imposto pela pandemia relacionada ao novo coronavírus (SARS CoV-2) tem permitido que as pessoas cuidem mais de si mesmas em vários aspectos: seja com alimentação mais saudável, prática de exercícios em casa ou passando mais tempo com a família. Então, por que não aproveitar também para cuidar da nossa pele?

Como maio é o Mês Internacional de Combate ao Melanoma, este é um ótimo momento para aprender a identificar possíveis sinais da doença. Apesar de ser o menos incidente dos cânceres de pele (são estimados 8.450 novos casos por ano), melanoma é o tipo mais agressivo. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 55 mil pessoas morram por conta da doença todos os anos, o que representa seis mortes por hora.

Pensando nisso, Antônio Carlos Buzaid, diretor geral do Centro Oncológico da Beneficência Portuguesa de São Paulo e membro do Comitê Gestor do Centro de Oncologia do Hospital Israelita Albert Einstein, traz algumas dicas para a realização do autoexame. “Como a maioria das pessoas estão em casa, usem esse tempo para observar todo seu corpo e analisar se há pintas ou manchas que se enquadrem na regra ABCDE”, sugere o médico. Essa regra foi criada para contribuir com o diagnóstico precoce e cada letra representa um ponto a ser analisado:

• Assimetria: uma metade da pinta ou mancha é diferente da outra parte.
• Borda: as bordas são irregulares, entalhadas ou dentadas.
• Cor: muitas vezes apresentam cor desigual. Tons de preto, marrom e canela ou áreas brancas, cinza, vermelha ou azul podem estar presentes.
• Diâmetro: o diâmetro é maior que 5 milímetros.
• Evolução: uma pinta ou mancha vem mudando de tamanho, forma, cor, aparência ou coçando ou sangrando.

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O oncologista ressalta que esses sinais não significam que você esteja com melanoma, mas são um indicativo para procurar por um dermatologista. “Essa regra é uma maneira que encontramos de ajudar a promover o diagnóstico precoce do melanoma. Dado que, quando identificado em seus estágios iniciais, o câncer é tratável e as chances de cura podem ser superiores a 90%”, reforça Buzaid.

Com base no estágio da doença e outros fatores (como idade e saúde geral do paciente), as principais opções de tratamento para melanoma são: cirurgia, terapia-alvo, quimioterapia, imunoterapia e radioterapia. Mediante os avanços dos estudos sobre a linha terapêutica mais adequada para cada perfil de paciente, identificou-se que existem dois tipos de melanoma: o que apresenta mutação genética (como o gene BRAF) e o que não apresenta.

Para os casos em que há mutação no gene BRAF – cerca de 50% dos pacientes[iii] -, uma modalidade de tratamento muito efetiva é a terapia-alvo. Este tipo de tratamento consiste em medicamentos administrados por via oral que atacam as células tumorais que são portadoras da mutação do BRAF e poupam as células normais, o que garante menos efeitos colaterais, por exemplo.

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Foto: Indylasercenter

Durante todo o mês de maio, especialistas e associações de pacientes se mobilizam para combater o câncer melanoma com campanhas de conscientização sobre a doença e como realizar o autoexame para obter o diagnóstico precoce. É importante lembrar que o autocuidado também deve ser dedicado ao maior órgão do nosso corpo, que nos protege de tudo: a nossa pele.

Fonte: Novartis

Maio é o mês de combate ao melanoma: redobre a atenção com pintas no corpo

Dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia explica como o autoexame da pele permite detectar precocemente o melanoma e aumenta as chances de cura

Maio é o mês do combate ao melanoma, o tipo de câncer de pele com o pior prognóstico e o mais alto índice de mortalidade. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apesar de não ser o mais frequente câncer de pele, no ano de 2018 são estimados 2.920 casos novos em homens e 3.340 casos novos em mulheres. Com relação ao câncer de pele não-melanoma, estimam-se 85.170 casos novos de câncer de pele entre homens e 80.410 nas mulheres para o ano de 2018. É por isso que você deve ficar atento aos sinais que aparecem no seu corpo.

De acordo com a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Academia Americana de Dermatologia, embora a principal causa do melanoma seja genética, a exposição solar também influencia no aparecimento da doença — principalmente com os elevados índices de radiação que atingem níveis considerados potencialmente cancerígenos, onde ocorre exposição à radiação UVA/UVB E IR (infravermelho).

“O filtro solar deve ser usado diariamente independentemente da estação do ano e se está num dia nublado, chuvoso ou encoberto; a radiação UV mesmo em um dia 100% encoberto, ela só é barrada em 30% e 70% dessa radiação passa”, alerta a dermatologista.

Esta fotoexposição, ao longo dos anos, pode gerar lesões novas ou modificar aquelas que já existiam previamente na pele de qualquer pessoa. Com uma exposição solar frequente, seja por lazer ou ocupacional, muitas vezes, as pessoas não percebem a medida da exposição ao sol silencioso no trabalho de campo, no dirigir ou andar na rua.

Diagnóstico precoce

Embora o diagnóstico de melanoma normalmente traga medo e apreensão aos pacientes, as chances de cura são de mais de 90%, quando há detecção precoce da doença, segundo a SBD. “Por isso, a realização do autoexame dermatológico é necessária”, explica Claudia.

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Autoexame 

O autoexame deve ser realizado principalmente nas pessoas de pele clara, aquelas que possuem antecedentes familiares de câncer de pele, têm mais de 50 pintas, tomaram muito sol antes dos trinta anos e sofreram queimaduras. Quem tem lesões em áreas de atrito, como área da peça íntima, sutiã, palma das mãos, planta dos pés e área do couro cabeludo, também deve seguir as instruções.

A indicação também vale para as pessoas que apresentam muitas sardas e manchas por exposição solar anterior, já retiraram pintas com diagnóstico de atípicas, não se bronzeiam ao sol, e consequentemente acabam adquirindo a cor vermelha com facilidade e apresentam qualquer lesão que esteja se modificando.

“Podemos realizar esse procedimento com certa regularidade, uma vez por mês, na frente do espelho e de preferência com luz natural, para verificar o surgimento de alguma mancha, relevo ou ferida que não cicatriza”, indica a médica.

As dicas para o autoexame são:

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=Examine seu rosto, principalmente o nariz, lábios, boca e orelhas.
=Para facilitar o exame do couro cabeludo, separe os fios com um pente ou use o secador para melhor visibilidade. Se houver necessidade, peça ajuda a alguém.
=Preste atenção nas mãos, também entre os dedos.
=Levante os braços, para olhar as axilas, antebraços, cotovelos, virando dos dois lados, com a ajuda de um espelho de alta qualidade.
=Foque no pescoço, peito e tórax. As mulheres também devem levantar os seios para prestar atenção aos sinais onde fica o sutiã. Olhe também a nuca e por trás das orelhas.
=De costas para um espelho de corpo inteiro, use outro para olhar com atenção os ombros, as costas, nádegas e pernas.
=Sentada(o), olhe a parte interna das coxas, bem como a área genital.
=Na mesma posição, olhe os tornozelos, o espaço entre os dedos, bem como a sola dos pés.

De acordo com a dermatologista, este tipo de cuidado de rotina, principalmente para quem tem a pele bem clara e com muitas pintas, promove consciência e aguça o olhar sobre as lesões, aumentando a percepção de mudança ou seu crescimento. O passo seguinte, ou mesmo em caso de dúvida, é visitar o dermatologista.

Lesões preocupantes 

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Para saber se uma lesão é mais preocupante, normalmente é usada a regra do ABCD (área, borda, cor e diâmetro) sobre pintas com pigmentação. “Dividimos a lesão em quatro partes iguais e comparamos os quadrantes observando a simetria, avaliamos as bordas identificando irregularidade na forma de desenhos circinados, observamos a presença ou não de várias cores compondo esta figura e observamos se apresenta diâmetro acima de 6 mm”, comenta a médica.

Quanto aos sinais clínicos, qualquer lesão que coce, doa ou sangre e que aumente de tamanho com rapidez ou apresente sensibilidade, precisa ser examinada por um dermatologista, que fará então uma dermatoscopia manual ou de preferência digital avaliando a necessidade da retirada cirúrgica.

Além de prevenir o surgimento do melanona, o autoexame, por ser uma avaliação em que o paciente começa a detectar precocemente lesões que apresentam sinais e sintomas diferentes dos habituais ou que estão crescendo, proporciona visitas precoces ao dermatologista que decidirá sobre o tratamento terapêutico em questão com chances maiores de cura.

“Outra lesão que hoje é bastante comum, principalmente após a quinta e sexta década de vida são os carcinomas, tanto provenientes da camada basal, como da camada espinhosa da epiderme, que quando diagnosticados também com rapidez trazem 100% de cura ao paciente”, informa a dermatologista.

A grande maioria destas alterações tem componente genético, pelo tipo de pele herdada, mas tem como gatilho principal a exposição solar crônica sem a proteção solar adequada.

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“Todos os pacientes devem aplicar FPS diariamente antes de sair de casa, principalmente quando em contato com o meio e precisam reaplicar pelo menos mais uma ou duas vezes ao dia, evitando assim a perda da saúde e da beleza da pele”, recomenda a dermatologista.

Fonte: Claudia Marçal é dermatologista da Clínica de Dermatologia Espaço Cariz, Membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia, Especialização pela AMB, Membro da American Academy of Dermatology e CME na Harvard Medical School

Melanoma: lesões podem ser sinal de câncer de pele

Detecção precoce eleva chances de cura em 90% dos casos; especialista do Grupo Oncoclínicas alerta para as principais características da doença

Os cânceres de pele são os mais incidentes no Brasil, representando cerca de 30% de todos os casos da doença – um número que chega a 180 mil novos casos por ano, segundo dados do INCA (Instituto Nacional de Câncer). O melanoma corresponde a 4% deste total, mas, apesar de ser um dos tipos de tumores que afetam o órgão com menor prevalência entre a população, é considerado o mais grave e com grande potencial metastático. Entretanto, a chance de cura é de mais de 90% se houver diagnóstico precoce.

Esse tipo de tumor surge por conta do crescimento anormal dos chamados melanócitos, células que produzem a melanina, dando cor e pigmentação à pele. Pessoas de pele clara, cabelos claros e sardas são mais propensas a desenvolver o câncer de pele. A idade é um fator que também deve ser considerado, pois quanto mais tempo de exposição da pele ao sol, mais envelhecida ela fica. Evitar a exposição excessiva e constante aos raios solares sem a proteção adequada é a melhor medida – e isso vale desde a infância. Vale lembrar que, mesmo áreas não expostas diretamente ao sol e menos visíveis – como o couro cabeludo – podem apresentar manchas suspeitas.

De acordo com Bernardo Garicochea, oncologista e especialista em genética do CPO, unidade do Grupo Oncoclínicas em São Paulo, é importante a avaliação frequente de um dermatologista para acompanhamento das lesões cutâneas. “As alterações a serem avaliadas como suspeitas são o que qualificamos como ‘ABCD’- Assimetria, Bordas irregulares, Cor e Diâmetro. A análise da mudança nas características destas lesões é de extrema importância para um diagnóstico precoce”.

Além dos cuidados gerais indicados à toda a população quando o assunto é câncer de pele, o que inclui o uso do protetor solar e atenção ao período de exposição solar prolongada, pessoas com propensão a desenvolver o melanoma devem estar constantemente mais atentas, pois ele pode surgir em áreas difíceis de serem visualizadas. “Uma lesão aparentemente inocente pode ser suspeita aos olhos do médico. Métodos diagnósticos auxiliares, como biópsia e dermatoscopia*, podem ser indicados. Além disso, pacientes que já tiveram um tumor de pele diagnosticado estão sob maior risco de apresentar uma recidiva, e devem ser submetidos a exames dermatológicos periódicos”, diz Garicochea.

Novos tratamentos dobram chances de cura

O melanoma é o tipo de câncer que apresenta o maior número de mutações genéticas no DNA do tumor. Essas mutações podem confundir o sistema imunológico do paciente e dificultar a ação de terapias tradicionais. Por isso, a imunoterapia é uma das grandes aliadas no tratamento da doença.

“A Imunoterapia é o tratamento que promove a estimulação do sistema imunológico por meio do uso de substâncias modificadoras da resposta biológica. Em resumo, trata-se de um grupo de drogas que, ao invés de mirar o câncer, ajuda as nossas defesas a detectá-lo e agredi-lo”, explica o oncogeneticista do CPO.

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De acordo com ele, 3% dos melanomas são hereditários. Ele indica alguns pontos de atenção que podem indicar propensão à doença:

-Pessoas que possuem uma grande quantidade de pintas escuras espalhadas pelo corpo;
-Incidência de melanoma em algum parente muito jovem (menos de 35 anos);
-Mais de dois casos de melanoma na família (em qualquer idade).

Nesses casos, há um teste genético capaz de identificar se há predisposição genética ao melanoma. O teste coleta uma amostra de saliva ou sangue para detectar a presença de genes ligados à doença. Já para quem não conta com um histórico ou indicação que justifique a realização do exame específico de analise do DNA, Garicochea recomenda que, em especial para áreas em que há mais dificuldade de visualização, seja solicitado a um familiar ou conhecido um apoio para a avaliação dos sinais existentes no corpo.

“Muitas das pintas suspeitas surgem nas costas e pescoço, lugares de difícil visualização. É muito importante também estar atento a manchas que surjam sob as unhas, na palma das mãos e planta dos pés”, finaliza o médico.

*Dermatoscopia é um método que utiliza o dermatoscópio, espécie de microscópio que aumenta a imagem da pele em 10 a 70 vezes e permite a visualização das estruturas cutâneas sem nenhum corte ou desconforto. As imagens colhidas ficam em computador e são regularmente comparadas a cada visita médica.

Fonte: Grupo Oncoclínicas

Pintas, sardas e manchas de sol podem não ser inofensivas

Para muitos, pintinhas no rosto são sinônimo de charme. Além de serem características de pessoas de pele muito clara e dos ruivos, elas podem ter outras causas além do excesso de melanina. Pintas pelo corpo podem ser perigosas para a saúde e levar, inclusive, à morte, no caso de cânceres de pele (melanoma) sem tratamento.

As manchas na pele podem surgir em diferentes situações, a partir de uma reação do corpo contra doenças, infecções e inflamações, distúrbios hormonais, exposição exagerada ao sol, acne ou tumores.A maioria das alterações no pigmento da pele causam um grande prejuízo estético, dependendo do lugar e do tamanho.

Para ter certeza se suas pintas são apenas inofensivas sardas ou alguma patologia mais grave da pele e os cuidados que devem ser tomados, a visita a um dermatologista é fundamental e deve ser realizada sempre que for percebida alguma alteração na pele.

 

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Foto: Freckles.org

As manchas mais comuns são:

Sardas: ou efélides são manchas arredondadas ou geométricas de cor castanha ou marrom, causadas pelo aumento da melanina (pigmento que dá cor à pele). Existe uma tendência familiar e as sardas surgem principalmente nas pessoas de pele clara (fototipo I e II) e ruivas. São causadas pela exposição continuada da pele ao sol e tendem a escurecer mais durante o verão. Por isso surgem nos locais mais expostos ao sol, como a face, ombros e colo. O tratamento inclui o uso de protetores solares sempre que houver exposição da pele ao sol ou mormaço e o uso de substâncias despigmentantes associadas a alguns tipos de ácidos. Peelings superficiais e luz intensa pulsada podem acelerar o processo de clareamento. O tratamento deve ser orientado de acordo com cada caso, pelo médico dermatologista.

Manchas na gravidez: o período gestacional é muito delicado e é possível que apareçam algumas manchas no rosto da gestante, devido à alteração hormonal e à possível exposição ao sol. Essas manchas são chamadas de cloasmas. O tratamento consiste no uso de protetores solares sempre que houver exposição da pele ao sol ou mormaço e no uso de substâncias despigmentantes e ácidos permitidos durante a gestação. Microdermoabrasão pode ser associada para acelerar o clareamento.

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Foto: Freckles.org

Melanose solar (mancha senil): as melanoses solares são manchas escuras, de coloração castanha a marrom, geralmente pequeninas, mas que podem chegar a alguns centímetros de tamanho. Como aparecem em consequência do dano causado pelo sol ao longo dos anos, surgem apenas nas áreas que ficam muito expostas ao sol, como face, dorso das mãos, braços, colo e ombros. São mais frequentes em pessoas de pele clara. O dano solar acumulado ao longo dos anos induz ao aumento do número de melanócitos (célula que produz o pigmento que dá cor à pele) e da sua atividade, produzindo mais melanina e escurecendo a pele. O ideal é a prevenção do surgimento das manchas, que deve ser feita através do uso de proteção solar nas áreas continuamente expostas ao sol. O tratamento pode ser feito de várias maneiras:

• cauterização química
• criocirurgia
• peelings químicos
• luz intensa pulsada

Os resultados costumam ser bons, desde que a técnica seja empregada de forma adequada.

Fonte: Anelise Ghideti, dermatologista formada pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo; membro efetivo da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD); e médica colaboradora no Ambulatório de Doenças das Unhas no Departamento de Dermatologia do Hospital das Clínicas da FMUSP. Erick Omar, dermatologista formado pela USP, especialista em Tricologia, tendo adquirido vasta experiência no assunto como médico colaborador no Ambulatório de Doenças dos Cabelos e Couro Cabeludo do Hospital Padre Bento, de Guarulhos, sob supervisão de José Marcos Pereira. Ambos são diretores da AE Skin Center.