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10 dicas de como manter a mente jovem e afiada, fortalecendo a saúde cerebral

Para afastar o risco do declínio cognitivo que vem com a idade, nosso cérebro precisa de estímulo. “E existem muitos pilares no nosso estilo de vida que dão sustentação à saúde cerebral. Realizar atividades menos automáticas, buscar conhecimento, comer bem, buscar atividades prazerosas, tudo isso tem relação com a prevenção da deterioração cognitiva, na medida em que mantém o nosso cérebro bem treinado”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Abaixo, o especialista destaca 10 pilares importantes para manter a mente jovem e saudável:

Arranje tempo para fazer amigos: uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo o Dr. Gabriel. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. “Estudos têm mostrado que aqueles com maior interação social dentro de sua comunidade experimentam a taxa mais lenta de declínio da memória. Casamentos felizes ou relacionamentos de longo prazo e com um propósito na vida têm demonstrado efeitos protetores significativos contra o comprometimento cognitivo relacionado à idade”, diz o médico. Nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos amorosos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, diz Gabriel.

Fuja, às vezes, da rotina: não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo uma vez por semana pode ajudar. Uma mudança na rotina aumenta a capacidade do cérebro de aprender novas informações e mantê-las. Experimente uma nova receita ou explore uma parte diferente da sua cidade.

Torne-se um estudante novamente: quando você aprende uma nova habilidade ou assunto, seu cérebro cria novos caminhos entre suas muitas células, segundo o Dr. Gabriel. “Você pode tentar escrever um texto criativo ou um novo hobby que lhe interesse, como tocar violão. Se parecer difícil no início, não desista. Quanto mais difícil for para você pegar o jeito, melhor para o seu cérebro”, diz. O mesmo vale para a leitura de um livro, que requer também mais concentração. “E, nesse sentido, tente sempre manter o foco. Quando seu cérebro é atingido por vários fluxos de informações ao mesmo tempo, ele precisa vasculhar tudo. Isso torna mais difícil para você se concentrar, gerenciar sua memória e mudar de uma coisa para outra. Vá devagar com o seu cérebro e dê toda a sua atenção a uma coisa de cada vez”, diz.

Exercite o seu corpo: segundo Batistella, pessoas que se exercitam regularmente têm menor risco de desenvolver a doença de Alzheimer. “O exercício melhora o fluxo sanguíneo e protege a memória; estimula mudanças químicas no cérebro que melhoram o aprendizado, o humor e o pensamento”, diz o neuro-oncologista. Malhar é tão bom para o cérebro quanto para o corpo. “O exercício mantém suas habilidades de raciocínio e raciocínio afiados. Além de melhorar a saúde do coração, exercícios regulares de resistência, como correr, nadar ou andar de bicicleta, também podem promover o crescimento de novas células cerebrais e preservar as células cerebrais existentes. Já o treinamento de força não é apenas para fisiculturistas. Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca Batistella.

Descanse: poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixa com um humor melhor e aguça nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma o médico. Um estudo* suíço descobriu que as pessoas que dormiam com mais qualidade retinham as informações recentes melhor do que aquelas que não dormiam bem. “Durante o sono, a informação é consolidada e é transferida para áreas do cérebro associadas à memória de longo prazo”, explica o neuro-oncologista. Se você não dormir o suficiente, mesmo uma tarefa simples pode exigir mais esforço mental do que de outra forma. “Você também achará muito mais difícil se concentrar e poderá notar lacunas em sua memória de curto prazo. Para se manter revigorado, tente dormir de 7 a 9 horas todas as noites”, afirma o médico.

Fique de olho no seu prato: você é o que você come. Conforme você envelhece, seu cérebro é exposto a mais estresse prejudicial devido ao estilo de vida e fatores ambientais, resultando em um processo chamado oxidação, que danifica as células cerebrais. “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro. Alimentos ricos em antioxidantes podem ajudar a evitar os efeitos nocivos da oxidação das células no cérebro”, explica o Dr. Gabriel. Pesquisas mostram que uma dieta de estilo mediterrâneo rica em peixes, grãos inteiros, vegetais de folhas verdes, azeitonas e nozes ajuda a manter a saúde do cérebro e pode reduzir o risco de doença de Alzheimer. “Cozinhe e coma alimentos frescos, saboreie, desfrute de um jantar com a família e amigos. Adote um comportamento alimentar saudável como um estilo de vida, uma forma de viver bem”, explica o médico. “Não esqueça das ervas e especiarias – como açafrão-da-índia, canela e gengibre – elas contêm antioxidantes que podem diminuir a inflamação prejudicial no cérebro e em outros lugares. Os sabores fortes e as cores vivas e intensas são pistas do benefício que se esconde dentro do seu armário de especiarias”, diz o neuro-oncologista. Além disso, saiba que quanto mais calorias você ingerir, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Pequenas mudanças, como evitar ‘beliscar’ comidinhas fora do horário, o ajudarão a reduzir calorias. Seu médico ou nutricionista pode ajudá-lo com um plano certo para você”, diz. Por fim, preste atenção aos alimentos ultraprocessados: eles são mais inflamatórios e aceleram o processo de oxidação do cérebro.

Pare de fumar: “Muitos produtos químicos nos cigarros são tóxicos para o cérebro, então você pode não se surpreender ao saber que fumar está relacionado ao declínio mental e à demência. O acetato de chumbo, por exemplo, é uma das substâncias tóxicas que possuem efeito cumulativo para o organismo, na medida em que o chumbo não é eliminado. Então, há um risco de danos celulares e para o desenvolvimento de tumores”, explica o neuro-oncologista. E o mesmo vale para o fumo passivo. Converse com outras pessoas de sua família sobre parar de fumar também. Todos ficarão mais saudáveis se sua casa e seu carro forem protegidos da fumaça do cigarro.

Cuide do seu coração: cada vez mais, estudos mostram a relação entre a saúde do coração e a do cérebro. Fatores de risco para problemas cardiovasculares, como obesidade, pressão alta, colesterol alto e diabetes, também estão ligados a um risco maior de demência e problemas cognitivos. “Se o seu coração está com problemas de saúde, é mais provável que você tenha problemas de aprendizagem e de memória. Estar acima do peso e não fazer exercícios suficientes pode estreitar os vasos sanguíneos. Isso limita a quantidade de sangue que flui para o cérebro e as artérias podem começar a endurecer. A pressão alta é o maior sinal de que a saúde do seu cérebro está em risco. Se o seu estiver alto, converse com seu médico sobre como controlá-lo”, diz o médico.

Dê uma trilha sonora à vida: seu cérebro treina mentalmente quando você reproduz sua lista de reprodução favorita. “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz o médico.

Foto: Shutterstock

Obtenha ajuda para sua saúde mental: se você está deprimido, é mais provável que tenha um declínio mental. Além de sentimentos de impotência e perda de interesse nas coisas que você ama, a depressão também pode colocá-lo em uma “névoa cerebral”. Pensar, manter o foco e tomar decisões pode ser muito mais difícil. Se você tiver algum desses sinais, converse com seu médico sobre o que você pode fazer para tratá-los.

Além dessas dicas, o médico também destaca que o estresse pode fazer seu cérebro liberar um hormônio chamado cortisol, o que torna difícil pensar com clareza. “Com o tempo, altos níveis de estresse podem causar problemas de aprendizado e memória. Uma maneira divertida de proteger seu cérebro é dar uma boa risada. Busque mais situações de vida em que o bom humor faça parte. Isso pode reduzir os níveis de cortisol e ajudar a manter o cérebro saudável”, explica. Outra forma de acalmar é por meio do contato com a natureza. “Quando você passa algum tempo ao ar livre, dá ao seu cérebro um descanso do fluxo constante de dados e estímulos que ele recebe ao longo do dia. Isso permite que ele reinicie sua capacidade de foco, para que você se sinta mais criativo e mais capaz de resolver os problemas”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO).

O velho cérebro diante do mundo moderno: como fica a saúde mental nos tempos atuais?

Entenda como enfrentar desafios pessoais e profissionais sem perder qualidade de vida no lançamento do neurologista e escritor best-seller Leandro Teles

Depressão, ansiedade, pânico, insônia, falta de energia e de tempo, burnout, fadiga da decisão… sintomas e doenças como essas derivam das reações primitivas do cérebro humano diante a contemporaneidade. O estudo do neurologista e escritor best-seller Leandro Teles, e tudo que é preciso saber para cuidar da saúde mental nos tempos modernos, está no lançamento Os Novos Desafios do Cérebro, publicado pela Editora Alaúde.

Diferente de outras produções direcionadas ao público especializado, a obra de Leandro é destinada para todos que sentem as dores na vida moderna na prática. O neurologista analisa nas 265 páginas as dificuldades de viver em uma era em que energia vital é sugada pelas tecnologias e revela como cuidar da saúde mental diante esse cenário.

“Mas será que temos que abdicar da modernidade? Devemos recuar no tempo e viver como antigamente? Minha resposta é não. Não acredito em um caminho de volta. Na verdade, o que precisamos é de um novo caminho de ida. Precisamos deixar a modernidade para trás e ser ultramodernos, almejar um tempo adiante do nosso, um tempo que valoriza o cérebro como o ativo mais nobre e raro que temos.” (Os desafios do cérebro, pág. 252)

Na obra, o autor apresenta ainda quais são os caminhos para enfrentar os males modernos e como lidar com os desafios da vida pessoal e profissional, cheios de prazos e expectativas. Leandro Teles, membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), também é autor de outras três obras: Antes que eu me esqueça (2016), o best-seller O cérebro ansioso (2018) e Depressão não é fraqueza (2019).

Sinopse

Quais são os caminhos para enfrentar os males modernos e ter mais qualidade de vida? Como lidar com os desafios da vida pessoal e profissional, com prazos e expectativas que nos parecem impossíveis de cumprir? Para responder essas e outras perguntas, o autor explica questões como ansiedade, depressão, burnout, pânico, fadiga da decisão, hiperatividade, insônia, criatividade, falta de energia e de tempo, estimulando a reflexão sobre o momento e nos incentivando a tomar a dianteira e fazer mudanças.

Sobre o autor

Leandro Teles é neurologista graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com especialização no Hospital das Clínicas (HC-FMUSP). É membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e também atua como palestrante e consultor em programas de TV, rádio e outros meios de comunicação, sempre disseminando conhecimentos e informações sobre saúde mental.

Título: Os novos desafios do cérebro
Autor: Leandro Teles
Editora: Alaúde
Páginas: 264 páginas
Formato: 14 x 21 cm
Preço: R$ 49,90
Para comprar, clique aqui

Raiva em excesso faz mal ao corpo e à alma, afirma neurologista

Há dias em que nada está ao seu favor. Os faróis no trânsito estão vermelhos. Todos esbarram em você. Tudo é mais lento e demorado. Você se atrasa. Leva bronca do chefe, da mãe, do pai e até do seu bichinho de estimação. Mesmo levantando da cama com o pé direito, o mundo desabou nas suas costas e é inevitável: a raiva aparece acompanhada de um turbilhão de emoções.

Em pequenas doses é inofensiva, até nos ajuda a mobilizarmo-nos para uma ação; em excesso, esse sentimento é prejudicial e pode colocar sua saúde em risco

De acordo com a neurologista Sonia Brucki, da Academia Brasileira de Neurologia (ABN), vários neurotransmissores são envolvidos, como noradrenalina, serotonina, acetilcolina e substância P, cuja ação em diferentes receptores cerebrais provocam ações distintas nos locais do circuito envolvido na geração e controle da raiva.

“As estruturas são o hipotálamo, amígdala e os lobos frontais. Estas áreas são ligadas à sobrevivência das espécies, responsáveis pelos comportamentos de defesa e ataque”, explica a médica.

O problema começa quando sentimos raiva demais, prejudicando o convívio social e a saúde, acarretando sintomas mentais, como depressão, e até físico. De forma constante, os males ao indivíduo podem surgir ao longo do tempo em manifestações como cansaço, falta de memória e até problemas gastrointestinais.

“Em geral, as situações geram estresse crônico, afetando a imunidade e, em casos agudos, pode reativar herpes labial, por exemplo. Inclusive queda da imunidade pode ser secundária a alterações no corticoide endógeno do próprio organismo”, informa a especialista.

Aliás, a expressão popular “o sangue subiu” é verdadeira, como afirma a neurologista: “Temos uma vasodilatação periférica, deixando a pele mais rosada e quente. Ocorre, ainda, descarga de adrenalina e aumento da frequência cardíaca, que dilatam as pupilas”.

Abrace a raiva

prawny mulher com raiva
O primeiro passo para lidar bem com esse sentimento é não o negar. Já que está raivoso, procure entender e avaliar claramente suas razões, prestando atenção aos pensamentos que o levam a desenvolver esta emoção. Identificar o que estamos sentindo e se o motivo é real é a chave para o sucesso – sobretudo, precisamos ser conscientes para enxergar quando demonstramos reações desproporcionais aos eventos.

Sabemos que é difícil, mas respire fundo e olhe o cenário de vários ângulos, não somente o seu. Se não conseguir sozinho, consulte um terapeuta, que ensinará a lidar melhor com a raiva e a reconhecer o que desencadeia essa animosidade em você. Agir impulsivamente, por exemplo, pode levar a excessos desnecessários e a diminuir a assertividade das ações da vida.

Fonte: Academia Brasileira de Neurologia (ABN)

 

O que é Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)?*

A esclerose lateral amiotrófica (ELA) é uma doença neurológica degenerativa rara, que afeta o sistema nervoso, causando fraqueza muscular, atrofia e perda dos movimentos. É uma forma de doença do neurônio motor, mesma enfermidade do físico britânico Stephen Hawking (75), que se tornou um dos mais respeitados cientistas do mundo, mesmo com todas as limitações que enfrenta no dia a dia

A ELA é uma doença neurodegenerativa, que causa a destruição progressiva e irreversível dos neurônios. Trata-se de uma enfermidade rara, acometendo 1 em cada 100 mil pessoas por ano. A ELA é uma doença predominante em pacientes da terceira idade, embora possa ocorrer mais raramente em jovens. Neste caso, causas genéticas podem ser identificadas. De uma forma mais geral, nos estudo epidemiológicos sobre a ELA, verifica-se que o sexo masculino é mais comprometido que o feminino em uma proporção de 2:1 (2 homens para 1 mulher).

Os sintomas da ELA se caracterizam por fraqueza progressiva, atrofia muscular e fasciculações (pequenas contrações involuntárias da musculatura esquelética). No decorrer da doença, surgem alteração da fala e dificuldade para a deglutição. O envolvimento da musculatura respiratória ocorre em fases mais avançadas da doença. Em geral, a capacidade mental (memória e raciocínio) está preservada nos pacientes com ELA. A progressão da doença é muito variável, e depende de fatores individuais.

O diagnóstico da ELA é realizado através da história clínica, exame físico neurológico e exame complementar (eletroneuromiografia). O diagnóstico precoce é importante para os cuidados gerais e para a orientação dos familiares. Os casos de ELA de origem genética (formas hereditárias) ocorrem em 5 a 10%, sendo a maioria formas esporádicas (sem uma base genética identificada).

Há um grande número de condições neurológicas que algumas vezes podem mimetizar a apresentação clínica da ELA e que necessitam ser reconhecidas através de exame e investigação clínica apropriada. Dessa maneira, nem todo paciente com fraqueza muscular e atrofia terá o diagnóstico de ELA.

A causa da ELA ainda não é totalmente esclarecida. Os trabalhos epidemiológicos e sobretudo os experimentos com modelos animais têm permitido concluir que a doença relaciona-se com a presença de algum fator genético (condicionado ao indivíduo) e a sua expressão clínica estaria relacionada com a exposição deste indivíduo, marcado geneticamente, a algum fator, ou fatores, que funcionariam como gatilho para o desencadeamento do processo de degeneração dos neurônios.

Não há cura para a ELA. O tratamento é de suporte, com equipe multiprofissional: neurologista, fisioterapeuta, fonoaudiólogo, nutricionista, enfermagem e psicólogo. Reabilitação, assistência ventilatória (para melhorar a respiração) e acompanhamento nutricional (para facilitar a deglutição) são importantes para facilitar os obstáculos que vão surgindo com o decorrer da doença. Fundamental também é o apoio familiar. Essa doença causa grande impacto em todas as pessoas próximas ao paciente, e, por isso, parentes e cuidadores devem buscar orientação e suporte para auxiliar da melhor maneira nas dificuldades do dia a dia.

ELA

Há várias pesquisas em busca de novas terapias que possam bloquear a evolução da ELA, mas ainda não há um tratamento específico. Uma delas, são as células tronco. Porém, não há evidências científicas para seu uso como tratamento na prática clínica.

*José Luiz Pedroso é Professor Afiliado do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Universidade Federal de São Paulo, Escola Paulista de Medicina e Neurologista do Hospital Israelita Albert Einstein

Médico Leandro Teles desvenda a ansiedade em livro

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), 9,3% dos brasileiros têm algum transtorno de ansiedade, o que o coloca como o país com maior taxa de transtornos de ansiedade do mundo.

“Quando falamos em ansiedade, estamos pensando em um conjunto de emoções e reações corporais que antecedem o novo, o desafio ou uma experiência de alguma forma arriscada ou estressante. Trata-se de um pacote cerebral que precisa de estímulos específicos para aparecer e gera uma resposta física imediata, preparando o corpo para o enfrentamento ou para a esquiva de uma situação fora do comum.”

Até onde a ansiedade é positiva e quando ela passa a ser um transtorno para o indivíduo? Essa é uma das perguntas que assombram pacientes e que o neurologista Leandro Teles responde no seu mais novo livro: O Cérebro Ansioso, da Editora Alaúde. O médico investiga a fundo a doença que assombra 9,3% dos brasileiros e coloca o país no topo do ranking de ansiosos, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Na obra, o autor vai além do frio na barriga e com linguagem simples explica ao leitor que a ansiedade não possui apenas facetas ruins – na verdade, seu desenvolvimento foi uma necessidade e um trunfo para nossa sobrevivência – e aprender como esse sistema que age para nos proteger pode passar a nos prejudicar e a traçar o limite entre uma ansiedade considerada normal – e até a saudável – e um quadro de doença.

O livro também apresenta os principais transtornos de ansiedade e os sintomas mais comuns que se manifestam em alguém com um quadro ansioso, que pode variar de leve a moderado. A obra também traz relatos baseados em casos reais e resume os fatores que podem contribuir para o desenvolvimento dos quadros patológicos de ansiedade, além de fazer um apanhado das maneiras de tratá-la, abordando desde os tratamentos médicos disponíveis até as pequenas mudanças que todo mundo pode incorporar ao estilo de vida para manter os sensores cerebrais que ativam a ansiedade controlados e calibrados.

Sobre o autor

Leandro Teles é neurologista graduado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), com especialização no Hospital das Clínicas (HC-FMUSP). É membro da Academia Brasileira de Neurologia (ABN) e também atua como consultor em programas de TV, rádio, revistas, jornais e portais na internet com o intuito de melhorar a qualidade de vida das pessoas por meio da disseminação do conhecimento médico.

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Título: O cérebro ansioso
Subtítulo: Aprenda a reconhecer, prevenir e tratar o maior transtorno moderno
Autor:  Leandro Teles
Editora: Alaúde
Formato: 14 x 21 cm
Nº de Páginas: 184
Acabamento: brochura, orelhas, miolo P&B
Preço: R$ 32,00

Dia Nacional de Combate à Cefaleia: saiba como prevenir e tratar a doença

O Dia Nacional de Combate à Cefaleia é lembrado hoje, 19 de maio, por iniciativa da Sociedade Brasileira de Cefaleia (SBCe), com o objetivo de chamar a atenção da população a respeito das dores de cabeça. A doença está entre as que mais incapacitam as pessoas de realizarem suas atividades diárias e, apenas no Brasil, atinge cerca de 140 milhões de habitantes.

Segundo a Academia Brasileira de Neurologia, estima-se que 94% dos homens e 99% das mulheres apresentam cefaleia ao longo da vida. Cerca de 70% das pessoas apontaram a dor no último ano. De acordo com a Associação Internacional para o Estudo da Dor, a prevalência média da enxaqueca ao longo da vida é de 18%, tendo seu pico na população com idade entre 30 e 50 anos, enquanto da cefaleia tensional é de 52%.

“Os números são alarmantes. Quando não tratada adequadamente, existe maior risco de a cefaleia se tornar crônica, ou seja, no início o paciente experimenta poucos dias de dor, podendo até ser considerada ‘normal’, e, com o passar do tempo, associando a diversos fatores (como o uso excessivo de analgésicos), passa a ter dores praticamente diárias, com grande impacto no trabalho, vida social e pessoal”, afirma Alexandre Bossoni, neurologista do Instituto de Neurologia do Hospital Santa Paula.

Segundo o especialista, as cefaleias podem ser classificadas em primárias e secundárias

Cefaleia primária: é quando a própria dor de cabeça é a doença a ser tratada e não há nenhum problema estrutural, como tumores, anomalias ósseas ou anatômicas provocando a dor de cabeça. O problema está na maneira em como o cérebro recebe e processa os estímulos da sensibilidade e das dores. Fazendo um paralelo com a informática, é como se fosse um defeito de “software”, que analisa de forma errada a informação. Exemplos desse caso são as cefaleias de tensão e a enxaqueca.

As cefaleias primárias podem evoluir com piora da frequência e da intensidade das crises, transformando-se em uma cefaleia crônica diária – essa mudança é decorrente de diversos fatores, um deles, bastante frequente, é o uso excessivo de analgésicos orais por automedicação. De 3 a 5% da população mundial adulta sofre de cefaleia crônica diária, tendo dificuldades no trabalho, na vida pessoal, emocional e social por ter de convier diariamente com a dor. É importante ressaltar que, independente da gravidade e intensidade da dor, existem tratamentos disponíveis para amenizar os sintomas e melhorar a qualidade de vida.

Neuropatias cranianas dolorosas, outras dores faciais e outras cefaleias são parte do grupo de cefaleias primárias e engloba a neuralgia do trigêmeo, uma dor aguda ou semelhante a um choque elétrico em partes do rosto. Outros nervos cranianos também podem ser acometidos.

dor cabeça mulher

Cefaleia secundária: é quando a cefaleia é sintoma de outra doença, como sinusite, gripes, tumores cerebrais, aneurismas e meningite. A avaliação de um médico é importante para recomendar exames que possam confirmar ou descartar um ou outro diagnóstico, que terá um tratamento específico.

Os sinais que frequentemente indicam uma cefaleia decorrente de outra doença são: febre, início súbito de dores muito fortes, além de outros sintomas no corpo. O paciente já convive com alguma dor e, ao longo do tempo, ela piora progressivamente, ficando mais forte, frequente e resistente aos medicamentos.

Além disso, a mudança do padrão da dor, ou seja, do jeito como o paciente a sente, e as dores que ocorrem durante a prática de atividades físicas são sinais de alarme para dores decorrentes de outras doenças. Cefaleias novas, que aparecem após os 50 anos, merecem uma avaliação especial.

Tratamento

Segundo o neurologista, para cada tipo de cefaleia há um tratamento específico, que contempla desde terapias não-farmacológicas (mudança de hábitos e vícios, fisioterapia e psicoterapias, técnicas de relaxamento e acupuntura) a terapias farmacológicas (analgésicos, antidepressivos, anti-hipertensivos e anticonvulsivantes, ou medicações injetáveis, como a toxina botulínica em casos específicos, como os de enxaqueca crônica). Já o tratamento das cefaleias secundárias é direcionado à sua causa e pode envolver cirurgias, antibióticos e anticoagulantes.

Alguns tipos de cefaleia são mais comuns em mulheres, influenciadas pelas oscilações hormonais do ciclo menstrual. A principal delas é a enxaqueca, três vezes mais comum entre elas do que em homens. Após a menopausa, quando não há mais uma oscilação hormonal tão grande, a proporção em mulheres e homens tende a se igualar. Já nos homens, são mais comuns as cefaleias em salvas, uma das mais intensas dores descritas na medicina. Trata-se de um tipo de dor que é localizada somente em uma parte da cabeça.

A toxina botulínica, aquela mesma usada para tratamentos estéticos, tem sido aplicada para controle das crises de enxaquecas. Em cada sessão, a substância pode ser injetada em até 39 pontos da cabeça e do pescoço, com intervalos de aproximadamente 12 semanas, controlando bem os sintomas. A terapia é indicada para os casos de enxaqueca crônica.

Uma novidade, anunciada nos Estados Unidos, são os novos medicamentos injetáveis: um anticorpo (anti–CGRP) a ser aplicado na veia que também pode controlar crises de enxaqueca e, se usado regularmente, preveni-las. O tratamento ainda não chegou ao Brasil.

Prevenção

O médico afirma que diversos fatores podem desencadear uma crise, entre eles, aspectos emocionais, estresse, variações bruscas de temperatura e umidade do ar, fatores hormonais e alimentação.

“A ideia de normalidade atribuída à cefaleia é perigosa, atrasa o diagnóstico e o tratamento adequado, podendo ainda levar à automedicação, grave problema cultural em nosso país, mas também não significa que toda e qualquer mínima dor de cabeça signifique uma doença ou algo grave. Escute seu corpo. Se algo te incomoda, busque orientação e ajuda especializada de um neurologista de confiança. A dor é o meio de que seu corpo tem de chamar sua atenção de que algo não vai bem, mas não é sinal, necessariamente, de uma doença orgânica, pode ser, por exemplo, apenas um hábito de vida ruim”, ressalta Bossoni.

Veja abaixo algumas dicas do neurologista:

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– Dor de cabeça também pode ser fome. Ficar muito tempo em jejum pode levar à queda de açúcar no sangue (hipoglicemia), que é um dos principais desencadeadores da enxaqueca, e à abstinência de outras substâncias, como a cafeína, que também pode desencadear a cefaleia. O consumo de alimentos que liberam açúcar podem também causar dores muito rapidamente.

OFTALMOLOGISTA OLHOS EXAME

– Problemas oftalmológicos, como hipermetropia, miopia e astigmatismo, podem causar dor de cabeça. Nesses casos, o paciente relata acordar bem, mas durante ou no final do dia começam as dores. A este tipo de queixa damos o nome de astenopia. Uveítes (doenças inflamatória nos olhos) e glaucoma agudo também podem provocar essas dores de cabeça.

dor de cabeça

– Durante uma crise sempre tenha o medicamento indicado pelo médico por perto. Em caso de dor intensa, procure um local fresco e escuro para recostar. Beba muita água, coma moderadamente e mantenha-se em repouso. Colocar gelo sobre as áreas doloridas também pode minimizar a dor.

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– A herança genética tem sua contribuição no desenvolvimento da cefaleia, mas observa-se que os hábitos de vida do paciente também influenciam muito. Um indivíduo que come mal, fuma, bebe, não faz exercícios físicos regularmente e não tem um sono reparador terá uma maior chance de desenvolver ou agravar uma cefaleia preexistente.

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– A cafeína potencializa os efeitos de outros analgésicos e tem sido usada no auxilio do tratamento da cefaleia, principalmente na enxaqueca e na cefaleia do tipo tensional, inclusive em casos de abstinência da bebida. Porém, o uso abusivo ou em indivíduos sensíveis a esta substância pode precipitar alguns tipos de cefaleia, principalmente a chamada cefaleia em salvas que, como foi falado anteriormente, é a mais intensa de todas.

Fonte: Hospital Santa Paula

 

A dor nas mulheres e nos homens

Diz o ditado popular que homem não chora. Em relação à dor, a crendice tem certa razão. Devido a uma série de fatores, o comportamento é diferente do da mulher quanto à percepção do estado doloroso.

“As dores são sentidas de maneira diferente entre os sexos. Experimentos revelaram que as mulheres têm maior capacidade de distinguir as regiões com dor, menor limiar de percepção dolorosa e menor tolerância aos estímulos da dor induzidos do que os homens. Estudos com ressonância magnética funcional demonstraram diferenças no processamento cerebral da dor. Além disso, é fato que as mulheres sejam mais comumente afetadas por dores crônicas”, explica o neurologista Rogério Adas Ayres de Oliveira, coordenador do Departamento Científico de Dor da ABN (Academia Brasileira de Neurologia).

Entre as principais causas possíveis para a predisposição feminina para a ocorrência de dor estão, segundo o neurologista, os ritmos hormonais sexuais cíclicos e grandes variações nas concentrações dos principais hormônios (estrogênio, progesterona e testosterona). Mas ele ressalta que a dor é uma experiência subjetiva e individual que recebe a influência de uma ampla gama de fatores – biológicos, psicocomportamentais, cognitivos e socioculturais – que são orquestrados pelo encéfalo.

AdobeStock mão dor mulher
Foto: AdobeStock

“Por isso, a percepção da dor varia muito de pessoa para pessoa. Um determinado estímulo pode ser percebido como mais ou menos doloroso por fatores que vão desde a espessura da pele, limiares das fibras nervosas, atividade inflamatória, fatores hormonais, até atenção, padrões de pensamento e flutuações do humor, ansiedade, medo e humor depressivo, bem como contextos e expectativas sociais, experiências passadas, entre outros”, avalia o neurologista.

Mais propensas às dores crônicas, “as mulheres sofrem com as enxaquecas e as cefaleias causadas por tensão, as dores temporomandibulares, a fibromialgia (dor que ocorre nos tecidos fibroso e muscular de diferentes partes do corpo), dores crônicas da coluna cervical e lombar, as dores pélvicas, entre outras, enquanto os homens são mais vulneráveis às cefaleias em salvas (que atinge um só lado da cabeça), neuralgias pós-herpéticas (lesões na pele observada após a herpes zoster), entre outras”, relata o médico. Apesar das diferenças na percepção da dor, os tratamentos são similares para ambos os sexos.

“Foram descritos, contudo, diferenças quanto ao perfil de utilização e eficácia de analgésicos entre homens e mulheres. Condições dolorosas cíclicas como as enxaquecas peri-menstruais (antes da menstruação), as dismenorreias (menstruações mais difíceis), entre outras condições podem demandar abordagens específicas”, garante Oliveira.

dores nas costas

O médico afirma ainda que é muito difícil diferenciar o papel de cada
fator na experiência dolorosa. “Aspectos genéticos, ambientais, socioculturais são relevantes em proporções variadas em cada indivíduo ou população”, confirma. E além das diferenças na percepção de dor entre os sexos, há as variações entre faixas etárias, etnias e culturas.

“Isso demonstra que a combinação de fatores ambientais associada a diferenças genéticas individuais vai determinar as diferentes suscetibilidades para a ocorrência de dor crônica no decorrer da vida e grande variabilidade na expressão da experiência dolorosa”, conclui.

Fonte: ABN (Academia Brasileira de Neurologia)

 

O que fazer ao suspeitar de um AVC?

Neurologista do Grupo São Francisco alerta sobre os primeiros cuidados que devem ser tomados ao identificar os sintomas de um AVC

Formigamento e perda da força na face, braço ou perna, dificuldade de enxergar, alteração na fala, dor de cabeça súbita e intensa e vertigem são alguns dos principais sintomas de um AVC. O problema, conhecido popularmente como derrame, ocorre quando há um entupimento ou rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro. Mas, o que fazer ao identificar um ou mais desses sintomas? Quais devem ser os primeiros socorros?

Segundo Rodrigo Costa, neurocirurgião do Grupo São Francisco, as três primeiras horas após o início dos sintomas são essenciais e podem fazer a diferença na recuperação do paciente. “O importante é buscar ajuda médica o quanto antes. O indicado é chamar um serviço de atendimento pré-hospitalar, como a ambulância para evitar que os sintomas progridam e o paciente perca a chance de um tratamento precoce”, afirma o especialista.

O AVC pode acontecer em dois tipos: hemorrágico, quando há o rompimento de um vaso que provoca sangramento no cérebro ou isquêmico, quando há entupimento dos vasos que levam sangue ao cérebro. Em ambos os casos, pode haver sequelas, dificuldade na fala ou na hora da alimentação, alterações comportamentais, perda de movimentos em um lado do corpo, perda visual e, em casos mais graves, a pessoa acometida pode tornar-se fisicamente dependente de cuidados ou até correr risco de morte.

Para diminuir o risco de complicações mais sérias, o especialista recomenda alguns cuidados essenciais após a identificação dos sintomas:

· Imobilização: o paciente que suspeita de AVC deve ser mantido deitado, em repouso, com a cabeça levemente levantada com um travesseiro.

copo de agua

· Evite comidas e bebidas: não ofereça alimentos e líquidos para a pessoa. Em alguns casos, há chance de convulsão, que pode levar ao vômito e causar asfixia.

· Fique longe do ácido acetilsalicílico: há um mito de que o consumo de medicações com esse princípio ativo ajuda a reverter os casos de AVC. Na verdade, a ingestão da medicação sem orientação médica pode aumentar sangramentos e dificultar a intervenção médica.

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· Nada de remédios para pressão: os remédios que controlam a pressão também podem prejudicar o quadro se ingeridos sem indicação médica, já que há chances de dificultar a circulação cerebral.

Fonte: Hospital São Francisco

N.R.: Se você notar o problema em si mesma, peça ajuda imediatamente a alguém. Se estiver sozinha, ligue para a emergência no 192.

Dor na coluna: dicas de prevenção e as principais causas

O neurologista e especialista em Medicina da Dor, Adriano Scaff, fala sobre os principais problemas referentes às dores da coluna, a segunda queixa mais frequente da população brasileira. Veja abaixo as dicas do especialista sobre o assunto:

Por que dores na coluna têm sido tão frequentes nos dias de hoje? Existe uma estatística?

Adriano Scaff: A dor na coluna é a segunda dor mais frequente do ser humano. Recentemente, o sedentarismo, associado com o stress, as posturas inadequadas e viciosas no trabalho e durante o uso de smartphones aumentaram a incidência destas dores.

Quais os tipos de doenças mais comuns na coluna vertebral? Em que faixa etária é mais comum esses problemas?

Adriano Scaff: As doenças mais frequentes na região da coluna são as doenças miofascais (musculares) seguidas pelas doenças dos discos invertebrais (hérnias, protrusões, degenerações), bem como as dores das articulações (facetas). Na coluna cervical temos uma incidência maior das doenças articulares em detrimento da lombar, na qual as dores são mais de origem discogênica (do disco).

dor nas costas

É possível fazer a prevenção para evitar problemas na coluna?

Adriano Scaff: Sim, o exercício físico, o controle do stress e dos hábitos alimentares são medidas gerais para prevenção. Porém medidas mais específicas como a ergonomia do trabalho, exercícios específicos para o fortalecimento da musculatura eretora da espinha (músculos profundos da coluna), controle da obesidade e do exagero de alimentos inflamatórios (que estimulam os mecanismos da dor) são ideais para quem sofre deste problema. Vale à pena ressaltar que o stress, a depressão e a ansiedade, são fatores que geram alterações (aumento) na percepção de dor pelo cérebro, podendo muitas vezes ser o principal mecanismo causador da dor em uma pessoa, onde seu tratamento é fundamental para o controle da doença.

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Os tratamentos são diferenciados?

Adriano Scaff: Quando falamos de dor na coluna, a literatura mundial demonstra que o tratamento multidisciplinar (médico, fisioterapeuta, nutricionista, psicólogo, dentre outros) é o método mais eficaz para tratar a maioria dos casos. Devemos olhar o paciente como um todo, o que não acontece em muitas ocasiões. Em muitos casos o profissional se baseia apenas nos exames de imagem (ressonância, tomografia, RX) para tomar uma decisão, quando o diagnóstico em sua maioria é feito clinicamente, com a história e o exame físico. Estes exames deveriam ser complementares ao diagnóstico clínico. A dor deveria ser tratada na maioria das vezes com medicamentos, repouso (na fase aguda) e fisioterapia específica. Quando não existe a melhora satisfatória, os bloqueios, a radiofrequência e as cirurgias minimamente invasivas, como por exemplo, a cirurgia endoscópica, podem ser úteis, sendo avaliados caso a caso. Associada a estas terapias, a avaliação da psicologia e da nutrição, quando detectado algum distúrbio emocional e alimentar complementam o tratamento.

Quais os hábitos dos dias modernos que mais comprometem a coluna?

Adriano Scaff: A falta de tempo para exercitar-se é o principal fator. O exercício físico além de movimentar e fortalecer a musculatura, melhora o sono e alivia o stress. O exercício libera endorfina, uma substância poderosa no alívio da dor. O trabalho com posturas erradas e viciosas, como por exemplo, a pessoa que passa muito tempo sentada seja no computador ou dirigindo, por exemplo, sobrecarregam a coluna e em alguns casos geram dor. Os smartphones hoje tem um papel importante a medida que a coluna cervical é sobrecarregada pela postura da cabeça em relação ao pescoço (fletido).

mulher ocupada trabalho

A hérnia de disco pode manifestar tanto na coluna lombar como na cervical? A hérnia de disco pode ser assintomática ou provocar dor de moderada e leve intensidade até dor muito forte e incapacitante?

Adriano Scaff: As hérnias de disco podem se manifestar em toda a coluna, tanto cervical, torácica e lombar, sendo que nesta última ela é mais frequente. Mas vale lembrar que ter hérnia de disco não significa ser doente, muitas hérnias de disco não causam sintomas e são achados de exames. Ela deve ser tratada quando se encontra sintomática, a intensidade da dor não tem correlação com tamanho da hérnia e com gravidade. Pequenas hérnias podem geral dor forte e grandes hérnias podem ser assintomáticas. A dor esta correlacionada com o grau de inflamação local que a hérnia gera. Casos que devem ter mais atenção são os casos onde além da dor, a pessoa apresenta fraqueza nos membros (braços e pernas e esfincteres).

O que se tem de mais avançado em tratamento para coluna?

Adriano Scaff: O desenvolvimento da ciência no tratamento das patologias da coluna é relativamente recente quando comparado as áreas chamadas básicas da medicina, como cardiologia, ginecologia, etc. Mas na área médica por exemplo, o desenvolvimento das técnicas minimamente invasivas, como os bloqueios, a radiofrequência e as cirurgias endoscópicas (todas estas técnicas feitas com anestesia local e sedação) foram um grande avanço. Na fisioterapia o desenvolvimento de técnicas específicas para o tratamento da dor e para o fortalecimento da musculatura eretora da espinha, são fundamentais para o bem-estar do paciente. Toda esta evolução vem a evitar na maioria dos casos as grandes cirurgias e suas morbidades (complicações).

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Fonte: Adriano Scaff é formado em Neurocirurgia pelo Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- USP. Mestre em Cirurgia pelo Departamento de Cirurgia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto- USP.
Fellowship em Cirurgia Minimamente Invasiva da Coluna Vertebral – University of Florida – USA. Fellowship em Dor pelo Hospital Maasland – Sittard – Holanda. Coordenador do Curso de Formação em Técnicas Minimamente Invasivas da Coluna. Docente da pós graduação em Dor do Hospital Israelita Albert Einstein. Diretor / Secretário do Comitê de Cirurgia Minimamente Invasiva da Sociedade Brasileira de Coluna. Diretor/Secretário da Sociedade Brasileira de Médicos Intervencionistas em Dor. Membro do Centro de Tratamento Integrado da Dor em São Paulo.

 

Anda esquecido? Saiba como se livrar das falhas de memória

Você tem certeza de que trancou a porta de casa ao sair? Não esqueceu a cafeteira ligada? Pagou a conta que venceu ontem? Ih, a janela ficou aberta e se chover vai molhar tudo!… Quantas vezes nos pegamos puxando pela memória para checar se cumprimos os pequenos compromissos de uma rotina cheia de afazeres, e em algumas delas não conseguimos respostas de pronto por causa dos lapsos.

Calma, isso é absolutamente normal, ainda mais quando há quebra na rotina. Mas quando essas falhas passam a ser frequentes e começam a atrapalhar as atividades do dia a dia, é hora de procurar um médico. Há vários fatores que contribuem para as falhas da memória, ressalta o neurologista Renato Anghinah, coordenador do Departamento Científico
de Traumatismo Cranioencefálico da Academia Brasileira de Neurologia (ABN).

Segundo ele, os fatores mais comuns que causam os lapsos são sobrecarga de trabalho, estresse e distúrbio do sono, isso se não estiverem associados a doenças como Doença de Alzheimer e a depressão.

Normalmente relacionamos essas falhas ao processo de envelhecimento, mas se engana quem pensa que esse problema atinge apenas as pessoas de idade avançada. O neurologista confirma que os excessos de compromissos, a correria do dia a dia, as noites mal dormidas, problemas carenciais, metabólicos, hormonais e os estados depressivos também provocam os lapsos de memória nos mais novos. Mas Anghinah adverte que os esquecimentos podem ter outra origem. “Às vezes o jovem pode se queixar da memória, mas, na verdade, ela está com problemas tencionais”, diz o especialista.

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A boa notícia é que é possível evitar esse quadro, e isso em qualquer estágio da vida. Segundo o médico, o melhor meio de prevenção é ter uma rotina mais saudável, com uma jornada de trabalho adequada e o cumprimento das horas de sono necessárias. Caso a pessoa tenha adquirido as falhas de memória por uma doença como Alzheimer ou depressão, o neurologista afirma que é possível ter uma melhora na qualidade de vida. “Se ela apresenta uma depressão, por exemplo, dá para fazer o diagnóstico e buscar uma melhora, Alzheimer e distúrbio do sono também são doenças tratáveis”, explica.

O mais indicado, no entanto, é fazer a prevenção do quadro buscando uma rotina mais saudável e menos estressante, e isso necessariamente vem associado à prática de exercícios físicos e a uma alimentação balanceada. Outro aliado importante no combate às falhas de memória é o uso lúdico da mente, seja por meio de leitura e de jogos como sudoku ou ábaco, além das velhas e boas palavras-cruzadas.

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Foto: Cohdra/Morguefile

Fonte: ABN