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Como cuidar dos olhos durante todas as fases da vida

Especialista do Hospital Cema orienta sobre a frequência com que as pessoas devem ir ao oftalmologista e o que fazer em cada etapa para manter a saúde ocular em dia

É por ela que a gente vê o mundo. E ela nunca foi tão exigida quanto agora. No entanto, poucas são as pessoas que dão a devida importância para esse importante sentido. A visão, sabidamente, não é prioridade de boa parte dos brasileiros. Pelo menos é o que mostra a pesquisa do Ibope.

Segundo o levantamento, 34% dos brasileiros nunca foram ao oftalmologista e 74% deles acreditam que a consulta deve ocorrer apenas quando há um incômodo ou para correção de grau. No entanto, os cuidados com a visão devem ser uma prioridade durante toda a vida.

“Existem algumas doenças oftalmológicas que são assintomáticas e requerem exames para preservação da saúde ocular”, explica a oftalmologista do Hospital Cema, Marina Falcão. Abaixo a médica detalha o que deve ser feito em cada fase da vida:

Infância

Luisella Planeta Leoni/Pixabay

Logo que o bebê nasce, um dos primeiros exames que ele deve fazer é o Teste do Olhinho, que tem por objetivo diagnosticar precocemente doenças, como catarata congênita, retinoblastoma, infecções verticais, entre outras. “A retinopatia da prematuridade é uma doença que pode ocorrer na retina dos bebês prematuros, e a ausência de tratamento pode causar danos irreversíveis ao desenvolvimento visual da criança”, explica a médica. Após esses exames iniciais, é recomendado ir ao oftalmologista a cada seis meses até os dois anos. Em seguida, as consultas podem ser anuais, mas tudo vai depender da avaliação do médico. Algumas patologias exigem consultas mais frequentes. Entre as doenças mais comuns nessa fase estão os erros refrativos, a ambliopia (diminuição da capacidade visual) e o estrabismo.

Adolescência

Na adolescência, é importante manter as consultas. Essa é uma fase de intenso desenvolvimento e, em alguns casos, pode ocorrer alteração da refração. Nessa fase, as consultas devem ser anuais, na maioria dos casos. Entre as doenças mais comuns estão os erros refrativos e conjuntivites.

Vida adulta

Assim que a maturidade chega, as consultas devem seguir a frequência anual. “Porém, dependendo das comorbidades, o intervalo pode ser menor, de acordo com a recomendação médica”, explica a oftalmologista. Um conceito errôneo é achar que apenas pessoas com problemas oculares precisam ir ao especialista com frequência. Todas devem ir com regularidade, pois muitas enfermidades são assintomáticas. Os problemas mais comuns, nessa fase, são as ametropias, como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia.

Terceira idade

Freepik

Com o avançar da idade, todo o corpo passa por um processo de envelhecimento e com os olhos não é diferente. Por isso, aqui não tem opção: é necessário ir regularmente ao oftalmologista. Muitas doenças oculares aparecem na terceira idade, como catarata, glaucoma e Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). A frequência anual vale para os casos mais simples, mas algumas vezes pode ser preciso visitar o oftalmologista com mais regularidade.

Fonte: Hospital Cema

Inverno exige atenção com os olhos

Oftalmologista alerta da importância de não se esquecer dos cuidados com a saúde ocular na estação mais fria do ano. Especialmente por conta da diminuição de umidade do ambiente e da exposição ao vento, as conjuntivites alérgicas, virais e a síndrome do olho seco são os problemas que mais se intensificam.

A estação mais fria está apenas começando e junto dela, o ar seco, um já conhecido vilão da saúde. A maioria das pessoas acaba focando e preocupando-se exclusivamente com os problemas respiratórios e com a famosa gripe. Essa tendência é ainda mais forte em tempos de Covid-19. Não que seja errado, mas, por outro lado, faz com que problemas dermatológicos e as doenças oculares fiquem, muitas vezes, em segundo plano.

Segundo Anelise Nomura, oftalmologista e diretora médica da Alpha Diagnose, as complicações oculares no inverno podem ser tão delicadas quanto as de cunho respiratório e precisam ser tratadas. As conjuntivites alérgicas, virais e a síndrome do olho seco são as doenças com mais chances de intensificarem-se na estação mais fria do ano.

Seus maiores vilões são a baixa umidade do ar e, consequentemente, o clima seco. Tanto que as doenças oculares no inverno tem maior incidência em regiões mais frias, como no sul do país. Isso ocorre porque, além de provocar maior concentração de poluentes – agentes que prejudicam sensivelmente a saúde visual -, esses dois fatores também contribuem para a evaporação da camada aquosa da lágrima. O resultado é a diminuição da lubrificação natural de nossos olhos.

A síndrome do olho seco, por exemplo, tem como sintoma o olho vermelho e irritação ocular, exatamente pela falta de lubrificação. No caso da conjuntivite alérgica, ela pode vir simulando ou mesmo mascarando uma conjuntivite viral, que é transmissível, demandando assim um tratamento diferenciado, como o isolamento do paciente. Pacientes que sofrem de rinite alérgica e sinusite crônica ou que coçam muito o nariz, tendem a ter uma alteração mais importante de conjuntivite alérgica, por isso devem redobrar o cuidado.

“Como as demais doenças oculares, se não tratadas no tempo certo essas patologias podem causar consequências, como a evolução para uma conjuntivite mais crônica, de difícil tratamento. Já o olho seco, por exemplo, pode levar à incidência de uma úlcera corneana”, explica a oftalmologista.

O tratamento depende do diagnóstico feito pelo oftalmologista, das causas e da gravidade, sempre olhando individualmente. Porém, no caso da síndrome do olho seco, saber o fato motivador é bem importante. Pois, existem situações em que a causa é reumatológica, em outras por conta de um pós-operatório e, claro, em decorrência do tempo seco. Na maioria das vezes, o tratamento é feito com a aplicação de um colírio lubrificante, prescrito pelo médico conforme a necessidade do paciente.

O mesmo vale para a conjuntivite alérgica, que além do tempo, pode ter como causa, ácaro, pólen, entre outros. O uso do colírio antialérgico é a indicação mais comum, mas em algumas situações é necessário um tratamento sistêmico com o otorrino.

“É bem importante lembrarmos que, como em tudo em nossa saúde, a prevenção é o melhor remédio. Mas, quando elas acontecem, procurar um oftalmologista é a saída mais segura, especialmente, para evitar confusão do diagnóstico, já que os sintomas são os mesmos em variadas situações. Outra dica importante, que ajuda a prevenir não somente as doenças oculares comuns no inverno, mas também outras, como a própria Covid-19, é não colocar as mãos nos olhos e lavá-las sempre antes de qualquer contato com a região ocular”, enfatiza.

Fonte: Alpha Diagnose

Saúde Ocular: profissional dá dicas de como manter a saúde dos olhos

Segundo dados da OMS, 580 mil brasileiros sofrem com cegueira

Neste sábado (10), é lembrado o Dia Mundial da Saúde Ocular ou Dia Mundial da Saúde Visual. A data foi estabelecida com o objetivo de conscientizar a sociedade sobre a importância da prevenção e tratamentos precoces que podem evitar a perda da visão parcial ou total.

Dados da Organização Mundial de Saúde, demonstram que no ano passado, mais de 285 milhões de pessoas no mundo possuem incapacidade visual, dessas 39 milhões são cegas. Ainda segundo o estudo, 80% dos casos poderiam ter sido evitados ou curados, se houvesse uma rotina de visitas ao oftalmologista.

O oftalmologista credenciado da Paraná Clínicas, João Guilherme Oliveira de Moraes, alerta que as visitas a um profissional de confiança, devem ocorrer o quanto antes. “ A partir dos três anos de idade, todos devem fazer uma consulta anual com o médico especialista. A consulta rotineira não é apenas para conferir o grau ou necessidade de óculos, mas vários exames fazem parte da consulta de rotina, como avaliação do fundo de olho e medida da pressão ocular. Doenças silenciosas são detectadas na consulta de rotina, por isso é recomendável uma consulta anual”, alertou.

O relatório da OMS aponta ainda que no Brasil, mais de 580 mil pessoas sofrem com a cegueira e, geralmente, casos que poderiam ser evitados. De acordo com o médico, as doenças que possuem diagnóstico precoce são facilmente tratadas. “ Além da miopia, hipermetropia e astigmatismo, que são corrigidas com óculos, lentes de contato ou cirurgias, existem muitas doenças comuns que quando diagnosticadas precocemente podem evitar a cegueira, como a catarata, glaucoma, retinopatia diabética e degeneração macular”, ressaltou.

Assim como em todas as áreas de saúde, é preciso criar hábitos saudáveis para cuidar dos olhos. “Temos que lembrar que os olhos são os órgãos responsáveis pela visão e precisam ser cuidados. A saúde ocular é fundamental para a nossa qualidade de vida e de visão”, destacou o oftalmologista.

Confira outras dicas oferecidas pelo médico:

Healthline

=Evite coçar os olhos;
=Não force muito a visão, sem dar um descanso. Nos tempos de pandemia e com o aumento da exposição as telas de computador e celular, lembre-se sempre de piscar e fazer uso equilibrado desses equipamentos;

Foto: Beautynstyle

=Cuidados com a maquiagem: remover os produtos de beleza dos olhos antes de dormir; não usar produtos fora do prazo de validade; não usar produtos de outra pessoa; usar produtos antialérgicos e sem conservantes;

Pixabay

=Cuidado com a automedicação: a automedicação ou a utilização de medicamentos sem receitas também deve ser evitada nos olhos. Os colírios quando usados inadequadamente podem levar efeitos colaterais graves e prejudiciais a sua visão;
=Use óculos ou lentes de contato apenas quando prescritos por médico oftalmologista;

Freepik

=Ao menos uma vez por dia, higienize a área em volta dos olhos, como pálpebras, cílios e cantos, para remover impurezas e secreções secas evita coceira, irritação ou até conjuntivite.

Fonte: Paraná Clínicas

Oftalmologista dá dicas de alimentação para manter a saúde ocular

Alimente seus olhos: oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho fala sobre a importância da alimentação para manter a saúde dos olhos

Não é de hoje que se fala da importância de uma alimentação variada e rica em nutrientes para o bom funcionamento do organismo. Com os olhos, isto não é diferente. Daí a importância em se investir em alimentos como frutas e vegetais, pois eles contêm carotenoides, vitaminas e antioxidantes. “É por isso que a cenoura é o primeiro alimento em que as pessoas pensam quando o assunto é manter a saúde ocular. Ela é fonte de carotenoides, que constituem o pigmento da mácula, região central da retina responsável pela visão diurna e de detalhes”, comenta a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/UNICAMP.

Mas a lista de alimentos que, literalmente, agradam os olhos é bem mais extensa. Segundo Keila, existem 2.458 alimentos, entre frutas, legumes e verduras, ricos em carotenoides (alfacaroteno, betacaroteno, betacriptoxantina, licopeno e luteína), ou seja, que podem fazer a diferença quando o assunto é manter a saúde ocular. Neste grupo se encontram, além da cenoura, melão, damasco, manga, kiwi, pimentão vermelho, abóbora, batata doce, aspargos, brócolis, sucos de laranja e tangerinas, tomate, couve, mostarda, nabo e espinafre. “Em relação a alimentos que contêm efeitos nutricionais temos o brócolis verde  como um dos alimentos ‘miraculosos’, uma vez que é rico em antioxidantes, fitoquímicos e ácidos graxos omega-3”, comenta a especialista.

A oftalmologista lembra que a boa alimentação – e, consequentemente, a manutenção da visão – deve começar na infância precoce. “E, a partir dos 60 anos, quando se inicia a idade senil, passa-se a ser feita também a suplementação de vitaminas e antioxidantes, a fim de prevenir as doenças degenerativas, como a Degeneração de Mácula Relacionada à Idade (DMRI)”, acrescenta Keila. Por outro lado, o consumo de alimentos gordurosos deve ser evitado. O uso de óculos escuros sempre que se expor ao sol também é recomendado.

Veggie Quest

Conheça a seguir os benefícios de alguns dos alimentos amigos da visão:

Espinafre com suco de laranjaFerroPrevenir a anemia, perda de energia, infecçõesO suco transforma ferro em forma de mais fácil absorção
Tomates enlatados ou cozidoslicopenoAntioxidante pensado para deter os danos celularesO licopeno transformado em forma mais facilmente absorvida
Cozidos, em vez de cenoura cruaBetacarotenoAntioxidanteO cozimento quebra a parede celular e permite absorção mais fácil
Vegetais de folhas acrescidos de óleo de olivaLuteínaPode prevenir doenças ocularesA luteína é solúvel em gordura, por isso sua absorção é facilitada pelo uso do óleo
Foto: Site JessicaGavin

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é médica oftalmologista, Professora Titular de Oftalmologia da UNICAMP e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/UNICAMP

Estudo aponta o esmalte de unha como responsável pela maioria dos casos de alergia facial

Um estudo feito por pesquisadores brasileiros, publicado no final de 2020, apontou que os esmaltes usados para pintar as unhas são responsáveis por cerca de 30% dos casos de dermatite alérgica de contato. Em relação ao local da alergia, a região facial é a mais afetada em 26% dos casos, especialmente área das pálpebras.

Segundo a oftalmologista Tatiana Nahas, especialista em cirurgia plástica ocular e doenças das pálpebras, a pesquisa corrobora o que acontece na prática clínica. “É muito comum receber pacientes, na maioria das vezes mulheres, com reações alérgicas importantes na região das pálpebras. Quase sempre, essa alergia é desencadeada por produtos cosméticos, em especial esmaltes, tinturas de cabelo e cremes para o rosto”.

Outro dado levantado pela pesquisa é que, em média, as mulheres usam 12 produtos cosméticos por dia, colocando cerca de 168 diferentes componentes químicos em contato com a pele. No ranking do estudo, logo após o esmalte de unha, os produtos que mais causam alergia são as tinturas para cabelo, perfumes e fragrâncias, shampoos e cremes para o corpo.

Investimento na face

O mercado de produtos de higiene pessoal e cosméticos é um dos que mais crescem no Brasil. Mesmo em um ano de pandemia, com queda de renda e perda de empregos, o setor cresceu 5,8% em 2020, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

Os produtos para a pele tiveram um crescimento ainda mais robusto: 21,8%. E se você acha que é muito, prepare-se: máscaras e tratamentos faciais cresceram 91% em 2020.

O fator de risco mais importante para desenvolver a dermatite de contato é justamente o aumento do uso de cosméticos. As mulheres, entre 20 e 55 anos, são as mais afetadas.

Sinais e sintomas

Healthline

Tatiana explica que há duas formas da dermatite de contato: a irritativa e a alérgica. “A forma irritativa costuma ocorrer no primeiro contato com a substância. As lesões ficam restritas a área em que o produto foi aplicado, causando muita ardência, queimação ou coceira”.

Já a dermatite de contato alérgica, em geral, aparece após o uso frequente e prolongado de um produto. “Pode demorar anos para aparecer. Surgem erupções na pele, especialmente onde houve contato com a substância. Essas lesões podem inchar, ficar vermelhas, formar bolhas ou crostas e dar a sensação de rubor (calor)”, explica a especialista.

Procure seu médico

A principal recomendação ao perceber que houve uma reação alérgica é lavar com água, de forma abundante. Caso não melhore, o ideal é procurar o médico.

“Quando a pessoa identifica qual foi o produto, fica mais fácil evitar recorrência do problema. Isso para os casos das dermatites irritantes. Entretanto, as dermatites alérgicas podem demandar uma investigação mais apurada para descobrir qual ou quais produtos têm causado a alergia”

De olho na validade

A oftalmologista alerta: é preciso controlar a data de validade dos produtos. “Em geral, as mulheres não se preocupam muito com o vencimento das maquiagens. E produtos fora do prazo de duração têm um potencial maior para causar alergias. Isso vale para qualquer cosmético”, reforça Tatiana.  

Alergia ocular

A reação alérgica pode afetar tanto a pele das pálpebras quanto o globo ocular. Nesses casos, a atitude é a mesma: lavar com água de forma abundante e procurar o oftalmologista, se não houver melhora. Não use nenhum tipo de colírio ou outra substância.

Por fim, a médica faz um alerta: “Nos últimos anos, o uso dos óleos essenciais se tornou mais frequente no Brasil. Entretanto, esses produtos são bastante concentrados. Assim, deve-se evitar o uso desses óleos na região facial, especialmente em volta e nas pálpebras”, finaliza a medica.

Ácaros, poeira e mofo podem causar alergias oculares; saiba como evitar

Oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho ensina como evitar o problema

Eles podem até não ser vistos a “olho nu”, mas estão longe de passar despercebidos pelos olhos. Ácaros, poeiras, pólen, mofo, pelos de animais, produtos de limpeza (os chamados alérgenos), podem levar o sistema imunológico a uma reação exagerada, causando a alergia ocular.

“O problema é mais comum em indivíduos que já possuam algum tipo de alergia, como sinusite, rinite ou asma, mas estima-se que 15% da população mundial sofra este tipo de reação, que pode afetar pálpebras e córnea”, explica a oftalmologista Keila Monteiro de Carvalho, Professora Titular de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/Unicamp.

Healthline

A oftalmologista explica que os olhos costumam ser alvo fácil para as alergias porque, ao abri-los, a conjuntiva – a parte branca dos olhos– fica totalmente exposta, podendo, em contato com certos alérgenos, desencadear algum processo alérgico. Com sintomas semelhantes aos diferentes tipos de conjuntivite, como vermelhidão, desconforto ocular, irritação, coceira, lacrimejamento, inchaço e fotofobia (sensibilidade à luz), o que difere o problema é o tempo de duração dos sintomas, que em casos de conjuntivite infecciosa, por exemplo, podem persistir por uma a duas semanas, e na forma alérgica, com administração do anti-histamínico, tendem a aliviar já no segundo dia.

Para evitar o problema, a prevenção é o melhor remédio. “O primeiro passo é identificar e eliminar os alérgenos do ambiente. Isso fará com que os sintomas apresentem uma boa melhora. Também é importante realizar o tratamento com o oftalmologista em conjunto com o alergologista”, comenta Keila.

Mudanças simples em casa também podem contribuir em muito para reduzir a incidência da alergia. Entre as medidas que podem ser tomadas, pode-se manter o ambiente limpo, arejado e com exposição solar, para evitar o acúmulo de ácaros; diminuir a quantidade de travesseiros, roupas de cama, cortinas, bichos de pelúcia e objetos que acumulem poeira; e realizar a higienização do ar-condicionado semanalmente.

Mas, caso ocorra uma crise de alergia ocular, a médica explica que é fundamental evitar esfregar ou coçar os olhos, pois, além de estimular as alergias, isso pode facilitar o surgimento ou desenvolvimento de ceratocone. “Deve-se ainda evitar o uso de soro fisiológico para lavar o local, pois o sal do soro irrita ainda mais os olhos. O ideal é aplicar compressas frias sobre os olhos fechados”, orienta a oftalmologista.

Segundo a especialista, colírios específicos podem ser indicados pelo oftalmologista a fim de amenizar os sintomas. Também pode ser prescrita a imunoterapia (vacina para alergia). “O método consiste em injetar gradualmente um número crescente de alérgenos no indivíduo para estimular a imunidade do paciente às substâncias que causam a alergia”, explica ela.

“É importante ressaltar que, se não tratada corretaente, a alergia ocular pode evoluir, trazendo complicações à visão, como o surgimento de vasos anormais na periferia da córnea e úlceras. Por isso, caso os sintomas surjam, deve-se consultar um oftalmologista”, acrescenta a médica.

Fonte: Keila Monteiro de Carvalho é Professora Titular de Oftalmologia da Universidade Estadual de Campinas e Chefe do Departamento de Oftalmologia da FCM/Unicamp

Cuidado: confira 12 doenças que não podem ficar sem tratamento médico

Especialistas do Hospital Cema listam as enfermidades de olhos, ouvidos, nariz e garganta que podem causar sequelas graves se não receberem os cuidados médicos necessários durante a pandemia

Existem inúmeras doenças que precisam de um acompanhamento médico rigoroso, sob pena de provocar danos graves e sequelas irreversíveis com a interrupção do tratamento. Por esse motivo, o Hospital Cema e suas unidades são considerados serviços essenciais e continuarão com atendimento normalmente, mesmo na fase vermelha no estado de São Paulo.

Em oftalmologia, por exemplo, algumas enfermidades podem levando à perda da visão; já em otorrinolaringologia há aquelas que causam surdez e problemas neuromotores.

Há questões médicas que não podem ficar para depois. “Infecções agudas ou crônicas precisam ser tratadas e acompanhadas adequadamente, assim como casos de paralisia facial periférica aguda ou surdez súbita, que podem provocar sequelas sensório-motoras permanentes”, explica o otorrinolaringologista do Hospital CEMA, Andy Vicente.

“No que diz respeito à saúde dos olhos, os problemas que podem gerar sequelas graves, caso não exista um tratamento adequado, é o glaucoma, que atrofia o nervo óptico; a retinopatia diabética e hipertensiva, que causa hemorragia na retina, e também o estrabismo, em crianças menores de 4 anos”, detalha o oftalmologista Pedro José Monteiro Cardoso.

Os especialistas listam abaixo quais doenças necessitam de um acompanhamento presencial qualificado:

Imagem mostra olhos saudáveis, com glaucoma e catarata – Ilustração/Shutterstock
  • Glaucoma – sem controle médico, o aumento da pressão intraocular danifica o nervo óptico. O paciente não percebe, pois, a perda é, inicialmente, periférica. Com o tempo os danos podem ser irreversíveis;
  • Doenças maculares – a falta de acompanhamento leva a uma perda progressiva da visão central;
  • Miopia – em adolescentes e pessoas com mais de 6 graus pode haver progressão da doença. Além disso, acima dos 6 graus é mais comum a ocorrência de descolamento da retina;
Imagem mostra olho normal e olho com a retinopatia diabética – Ilustração: Researchgate
  • Retinopatia diabética e hipertensiva – essas doenças podem levar a hemorragia e extravasamento do líquido da retina, levando a perda da visão.
  • Catarata – sem acompanhamento cirúrgico, a doença evolui para perda da visão. Embora a diminuição da visão seja reversível, a cirurgia, quando adiada por muito tempo, fica mais complicada, já que o cristalino – afetado pela doença – torna-se mais rígido;
  • Conjuntivite – se não tratada, pode levar a complicações mais graves na córnea;
  • Estrabismo – principalmente nos casos de crianças que tratam a ambliopia (olho preguiçoso) é essencial o acompanhamento;
Imagem: WebMD
  • Infecções agudas ou crônicas no aparelho respiratório e auditivo – amigdalites, otites, otomastoidites, sinusites e laringites necessitam de acompanhamento criterioso, principalmente quando os sintomas permanecem por mais de 5 dias. Tais doenças podem causar complicações, como abscessos, meningite, trombose venosa, entre outras.
  • Obstruções nasais – crianças com aumento significativo das amígdalas, pessoas com hipertrofia dos cornetos nasais ou polipose nasal severa, que apresentam como principal sintoma a obstrução nasal intensa, devem ser acompanhadas, já que podem prejudicar a qualidade de vida das pessoas afetadas e trazer outras complicações;
  • Doenças que causam déficits sensoriais e/ou motores — surdez súbita, vertigem súbita, labirintites crônicas e a paralisia facial periférica aguda (paralisia de Bell) também devem ser avaliadas e acompanhadas adequadamente para evitar sequelas sensório-motoras permanentes;
  • Apneia e ronco — pacientes que apresentam tais problemas também precisam de avaliação médica regular, pois a afecção pode provocar ou estar associada à comorbidades importantes, como hipertensão arterial, diabetes, arritmias cardíacas e até mesmo morte súbita;
  • Candidatos à implante coclear — pacientes que apresentam perda auditiva neurossensorial profunda bilateral congênita, principalmente crianças abaixo de 2 anos, e que podem se beneficiar de implantes cocleares, devem fazer reabilitação auditiva o mais precocemente possível, pois um atraso na realização desse procedimento pode provocar déficits cognitivos irreversíveis. Essa é uma situação considerada emergência neurolinguística. Tais pacientes precisam de um acompanhamento contínuo.

Ademais, algumas doenças otorrinolaringológicas possuem sintomas semelhantes a outras enfermidades mais graves, como tumores, granulomatoses (inflamação nas vias aéreas), doenças autoimunes e neurológicas. Por isso é tão importante que essas patologias sejam investigadas, tratadas e acompanhadas adequadamente.

Fonte: Cema

Calor dispara contaminação de lentes de contato

Principais vilões são a maior proliferação de bactérias, ar condicionado, água do mar ou piscina.

Usar lente de contato em dias quentes requer o dobro de cuidado no manuseio e higiene. Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, os prontuários do hospital mostram que durante o calor o número de contaminações chega a dobrar em relação aos meses mais frios. Isso porque o clima facilita a proliferação de bactérias que formam depósitos nas lentes e podem contaminar o estojo. Caso esses depósitos não sejam eliminados por uma higienização profissional, antecipa o vencimento da lente. Isso explica porque o uso além do prazo de validade ou durante a noite respondem por 45% das contaminações.

Alerta

Queiroz Neto afirma que vermelhidão nos olhos, sensibilidade à luz e visão borrada são os principais sinais de que algo está errado. “Insistir no uso da lente sentindo desconforto pode provocar úlcera na córnea e até cegar”, alerta.

Por isso, quando o olho fica vermelho ele recomenda retirar as lentes e consultar um oftalmologista imediatamente. Colocar um colírio por conta própria pode piorar o problema, mesmo que os olhos fiquem temporariamente mais brancos, adverte.

Lente escleral protege os olhos

O oftalmologista explica que a lágrima tem a função de proteger os olhos das agressões externas e pode ressecar em pessoas que permanecem ambientes com ar condicionado. Uma alternativa são as lentes esclerais que funcionam como um protetor da superfície ocular . Isso porque, cobrem a córnea e a esclera (parte branca do olho), minimizando a evaporação da lágrima. Este tipo de lente, destaca, também é indicado para quem tem ceratocone, abaulamento da parte central da córnea e outras doenças que afetam a mucosa ocular, entre elas, a síndrome de Sögren e a síndrome de Stevens-Johnson.

Nadar ou dormir com lentes pode cegar

Jill Wellington/Pixabay

“Quem usa lente de contato deve optar por óculos de grau quando vai à piscina ou praia”, adverte o especialista. Isso porque o contato da lente com água contaminada por bactérias, cloro e até filtro solar pode causar uma infecção na córnea ou uma conjuntivite tóxica. Além disso, entrar na água do mar ou de piscina usando lente aumenta o risco de contrair acanthamoeba, um parasita que dificilmente é controlado com medicamentos. Já durante o sono, o especialista diz que a produção lacrimal diminui e a falta de oxigênio na córnea aumenta entre 10 e 20 vezes o risco de deformação da córnea.

Outro erro comum, observa, é usar soro fisiológico para higienizar a lente e o estojo. O produto pode contaminar os olhos porque não tem conservante. Para pessoas alérgicas às soluções higienizadoras a recomendação é usar frascos de dose única de soro.

Manutenção

As principais recomendações do médico para quem prefere usar lente são:

=Fazer a adaptação com um oftalmologista. Lentes que não acompanham a curvatura da córnea podem causar lesões graves.
=Lavar cuidadosamente as mãos antes de manipular as lentes.
=Utilizar soluções higienizadora tanto na limpeza quanto no enxágue das lentes e estojo.
=Friccionar as lentes para eliminar completamente os depósitos
=Não usar água de torneira ou sobra de soro fisiológico depois que a embalagem for aberta.
=Retirar as lentes antes de remover a maquiagem e quando usar spray no cabelo
=Colocar as lentes sempre antes da maquiagem
=Guardar o estojo em ambiente seco e limpo
=Trocar o estojo a cada quatro meses
=Respeitar o prazo de validade das lentes
=Jamais dormir com lentes, mesmo as liberadas para uso noturno.
=Interromper o uso a qualquer desconforto ocular e procurar o oftalmologista
=Retirar as lentes durante viagens aéreas que durem mais de três horas
=Não entrar no mar ou piscina usando lentes

Fonte: Instituto Penido Burnier

Em tempos de pandemia estresse pode causar tremor nas pálpebras

Ingerir bastante água, diminuir o consumo de cafeína e meditação podem controlar este mal

Você já se pegou sentindo um dos olhos tremendo involuntariamente? Sabia que a causa pode ser estresse? Estudos recentes comprovam que os índices de estresse e ansiedade cresceram ainda mais durante o período de pandemia e isolamento social e, consequentemente, nosso corpo dá sinais de que algo não está bem. A contração involuntária das pálpebras, por exemplo, é um sintoma que deve ser analisado.

mulher olhos cocando oculos

Segundo o oftalmologista André Borba, especialista em oculoplástica pela Universidade da Califórnia, a mioquimia é um dos problemas que pode acontecer com qualquer pessoa que esteja com alto nível de estresse, ansiedade, fadiga, excesso de trabalho e poucas horas de sono revigorante.

“A mioquimia é uma contração involuntária localizada, rápida e espontânea de um ou mais músculos. É mais frequente na pálpebra mas pode ocorrer em outros pontos da face e até em mãos ou pés”, afirma o especialista.

Na maioria dos casos os sintomas são desencadeados pelo estresse, porém a condição também pode aparecer pelo excesso de cafeína, aumento no consumo de bebidas alcoólicas e exercícios físicos pesados.

“Geralmente a mioquimia se resolve sozinha com a diminuição do estresse e fadiga do momento. Por isso, a maioria dos casos não exige medicação e apenas compressa com água morna auxilia na melhora da tensão muscular do local. Aumentar a ingestão de água, diminuir o consumo excessivo de cafeína e álcool, descansar e meditar também ajudam muito”, complementa Borba.

É comum a mioquimia ser confundida com blefaroespasmo, contração automática das pálpebras, que geralmente atinge homens e mulheres a partir dos 60 anos e que não tem cura. “Normalmente a doença começa de forma discreta e aos poucos vai se intensificando. A pessoa pisca sem parar a ponto de não enxergar. Nos casos avançados do blefaroespasmo, a doença pode prejudicar totalmente a visão e atrapalhar o dia a dia e a execução de atividades simples do cotidiano como cozinhar, dirigir e ler”, alerta Borba.

mulher coçando olho healthline
Healthline

Nos casos onde o tremor prevalece por muitos dias a ponto de incomodar a rotina diária, é necessário procurar um especialista. “A aplicação de toxina botulínica em pontos específicos pode ser utilizada para imobilizar os músculos, diminuindo as contrações indesejadas e melhorando a qualidade de vida do paciente”, finaliza.

Fonte: André Borba é médico cirurgião oculoplástico, especialista em Cirurgia Reconstrutiva e Estética das Pálpebras e Via Lacrimal, com doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP). Revisor científico da Pan-American Journal of Ophthalmology dos EUA e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular.

Máscara esconde sorriso e realça olhos; cuidado com excesso de maquiagem nas pálpebras

Com a obrigatoriedade do uso de máscaras decretado por diversos Estados do país, estamos passando por uma transformação de comportamento. O sorriso perde um pouco seu espaço e o olhar passa a ser a primeira fonte de comunicação entre as pessoas. Em época de pandemia, a tendência é a de que os tutoriais de maquiagem destaquem cada vez mais os olhos. E aí surge uma dúvida: usar maquiagem nos olhos em tempos de coronavírus faz mal?

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Pinterest

Segundo André Borba, oftalmologista especialista em oculoplástica, a maquiagem pode, sim, ser utilizada tranquilamente, porém alguns cuidados importantes devem ser redobrados. “O uso excessivo de maquiagem pode causar danos à saúde dos olhos, podendo provocar alergias e ser porta de entrada para contaminações”, afirma.

De acordo com a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, duas em cada dez mulheres que utilizam grande quantidade de maquiagem nos olhos apresentam problemas oculares. “A principal causa é o uso inadequado e excessivo. A higienização correta dos pincéis, o prazo de validade de cada produto, o descuido na hora da aplicação e o ato de compartilhar maquiagem, podem deixar os olhos mais vulneráveis às doenças”, complementa Borba.

A blefarite, por exemplo, que é causada pela inflamação das glândulas das pálpebras, pode ser ocasionada pelo acúmulo de maquiagem nos olhos. “Por isso sempre enfatizamos a importância de retirar totalmente a maquiagem antes de dormir. Além de auxiliar na saúde da pele, você evita possíveis danos às pálpebras”, explica o especialista.

O acúmulo de maquiagem na região dos olhos pode levar a alguns sintomas de alerta: irritação, coceira, vermelhidão e lacrimejamento constante.

maquiagem olhos Mohamed Hassan
Foto: Mohamed Hassan

Mas calma. Não é preciso deixar de lado as maquiagens. Rímel, delineador, lápis e sombras continuam sendo ótimos aliados da beleza. “Apenas intensifique os cuidados na hora de realçar a beleza do olhar. Qualquer alteração na saúde da região procure um especialista mesmo na pandemia, já que atualmente é possível utilizar a telemedicina para consultas prévias”, finaliza Borba.

Fonte: André Borba é médico cirurgião oculoplástico, especialista em Cirurgia Reconstrutiva e Estética das Pálpebras e Via Lacrimal, com doutorado em Ciências Médicas pela Universidade de São Paulo (USP). Revisor científico da Pan-American Journal of Ophthalmology dos EUA e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica Ocular.