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Inversão de papéis: quando os pais viram os filhos

Especialista em gerontologia lista os sinais que mostram quando os idosos não podem mais continuar sozinhos

Com a idade avançada, é essencial que a família – ou quem for responsável – tenha um olhar mais atento aos idosos. A partir daí, levanta-se o questionamento: até quando eles podem viver sozinhos? Apesar da resposta dessa pergunta não ser exata, toda atenção é pouca, mesmo que a distância.

“É normal achar que está tudo certo porque o idoso está lúcido, toma os remédios diariamente e passa por consultas”, explica Marcella dos Santos, enfermeira chefe do Grupo DG Sênior, especializada em gerontologia. “A inaptidão física é mais simples de ser percebida e aceita do que a diminuição da cognição. Por isso, alguns sinais podem ajudar as famílias a ter esse acompanhamento”, ressalta.

Os pontos abaixo mostram a importância de buscar uma orientação médica a fim de obter um tratamento adequado:

Ilustração: Tumisu/Pixabay

1- Acidentes recentes: ao envelhecer, o risco de quedas aumenta e é crucial dar atenção a isso, mesmo que o idoso diga que não foi nada. “Eles costumam ter um preconceito com o uso de bengala, mas é um apoio necessário para evitar quedas”, explica Santos.

2- Dificuldade durante as atividades cotidianas: a especialista ressalta que se o idoso começa a agir de forma diferente do que antes era habitual, o alarme vermelho pode estar tocando. “Dificuldade no autocuidado, alimentação inadequada, isolamento e apatia, dificuldade com as finanças, são sinais que apontam algum problema”, alerta.

3- Objetos quebrados e coisas queimadas: sinais que indicam esquecimento e falta de atenção devem ser bem observados, como por exemplo, bocas do fogão escuras, fundos de panela queimados, itens quebrados e acúmulo de papéis. A especialista explica que as demências são doenças neurodegenerativas que geram uma decadência nas funções cognitivas, afetando o comportamento, personalidade e memória.

4- Ganho ou perda de peso: para manter o controle do peso do idoso, verifique os alimentos presentes na geladeira. Confira se não há nada vencido ou estragado, se os produtos são saudáveis para a alimentação ou se não há uma quantidade exacerbada de um determinado mantimento.

Dia dos Pais: Jules lança pão de vinho com salame e nozes e doce com uísque

No ano em que a data será diferente, celebrada no domingo 9 de agosto, as novas criações do chef da padaria artesanal francesa foram desenvolvidas para valorizar as relações humanas e agradar a diferentes perfis de homem

O chef francês Pascal Abadie, da Jules, está com duas novidades muito especiais para um Dia dos Pais inesquecível e de dar água na boca. Para os fãs dos pães de fermentação natural da casa, vale a pena apostar no pão de 100% de vinho tinto com salame serrano e nozes, que já pode ser encomendado para a data. Custa R$ 14,90 (290g).

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Já, para os pais de paladar doce, a dica é solicitar o “irish coffee”, que sai por R$ 16,90 (a unidade). Feito com ganache de chocolate com o famoso licor à base de uísque irlandês, a criação leva ainda mousse de café, biscoito e caramelo. E, como complemento perfeito, a receita acompanha uma ampola de Jack Daniels, que pode ser tomada ou injetada no doce.

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Além dessas duas receitas inovadoras, a Jules vai comercializar cestas de café da manhã, onde os filhos vão poder customizar totalmente o presente, escolhendo os itens preferidos dos seus pais. E especialmente para a data, o chef Pascal Abadie sugere uma seleção de vinhos franceses vendidos no local, que também podem integrar a cesta, num mix perfeito para os pães, as viennoiseries e os frios da casa.

Importante: a padaria Jules garante que todos os itens da cesta e demais produtos estarão bem fresquinhos. Eles serão entregues no próprio domingo, dia 9 de Agosto.

Os pedidos para delivery ou encomendas devem ser realizados até o dia 6/8 pelos números de WhatsApp da boulangerie: (11) 98090-5050, para a unidade Moema, e (11) 96739-6909, para a unidade da Vila Nova Conceição.

Quem preferir retirar o doce ou o pão de vinho, ambos estarão disponíveis nas lojas físicas da padaria nos dias 8 e 9 de Agosto nas duas unidades da boulangerie.

Jules L’art du Pain:

Unidade Moema: Alameda dos Anapurus, 942, Moema – São Paulo (SP). Tel. (11) 5055-4537 e (11) 98090-5050. Todos os dias, das 7h às 21h.

Unidade Vila Nova Conceição: Rua Afonso Braz, 355, Vila Nova Conceição – São Paulo (SP). Tel: (11) 3848-9206 e (11) 96739-6909. De Segunda a Sexta, das 10h às 19h. Sábados e Domingos, das 7h às 20h.

Três presentes para pais que adoram gastronomia

Livros sobre culinária e registros históricos dos principais vinhedos do mundo são opções, que variam entre R$ 24,00 e R$ 48,00

Celebrar o Dia dos Pais é agradecer a presença paterna em mais um ano. Entre as opções de presente, os livros se mostram boa companhia para distrair a mente ou aprimorar algum conhecimento. A Catapulta Editores oferece opções para os papais que amam histórias ou se aventurarem na cozinha.

Os livros para presentear os pais oferecem receitas práticas, saudáveis e gostosas. Há opções doces e salgadas, com possibilidade de acompanhar o passo a passo por vídeo.

Além disso, aos amantes de vinho, há um título especial com registros históricos antigos dos principais vinhedos do mundo! Confira a lista completa abaixo:

Ouro nos vinhedos

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Quem ama vinho vai adorar conhecer as curiosidades deste título. A autora Laura Catena, considerada o rosto do vinho argentino, reuniu, de forma ilustrada, histórias de 12 dos mais famosos vinhedos do mundo.

Os desenhos que ocupam parte das 184 páginas são originais, vindos de cada local visitado para compor o livro. Feito em papel espesso e amarelado, o título traz histórias de amor, traição e sacrifício que fazem parte da origem dos vinhedos.

A cozinha da Emma

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Os sabores da culinária quase sempre são acompanhados por diversas lembranças. Com este lançamento, a editora traz receitas que marcaram a história de uma família de Mendoza, na Argentina. Julia Zuccardi, autora da obra, comenta o papel fundamental de cada prato na construção da família ao longo do tempo.

As 140 páginas do livro são mescladas entre receitas e ilustrações dos pratos doces e salgados da avó Emma. Segundo a autora, o título também tem o objetivo de homenagear a matriarca, pilar da família e do restaurante que leva o sobrenome da família Zuccardi na Argentina.

Coleção Senttia

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Composta por seis cookbooks, esta coleção traz informações nutricionais e receitas de uma fruta ou legume em cada um dos livros. Os títulos Tomate, Morango, Milhão Limão, Berinjela e Morango vêm em uma caixa colecionável, composta por um livro e 12 cartões com receitas fáceis e gostosas. A proposta da coleção é tornar o momento na cozinha ainda mais agradável, uma vez que cada cartão é acompanhado por um QR Code. Com o código, é possível acompanhar um vídeo de passo a passo de cada receita.

Os livros têm preço sugerido entre R$ 24 e R$ 48, e estão disponíveis nas principais livrarias do país, em lojas físicas e online. Além disso, é possível presentear os pais diretamente pelo e-commerce da editora.

Adolescência e tecnologia: como e quando impor limites

Muitos pais têm dúvidas quanto ao momento e a forma correta de impor limites saudáveis na relação entre seus filhos e o uso dos aparelhos eletrônicos

Eles já nasceram em meio à tecnologia. Diferentemente de seus pais, que viveram boa parte de suas vidas num mundo analógico, os adolescentes de hoje não sabem o que é um mundo sem aparelhos eletrônicos, sem Internet e sem a virtualidade. Diante disso, muitos pais, muitas vezes, ficam em dúvida quanto a estabelecer um limite saudável para o uso de aparelhos tecnológicos, justamente porque ali, naquele aparelho, se fundem tanto vida pessoal quanto escolar, especialmente neste momento de distanciamento social.

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As orientadoras de Ensino Fundamental do Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional, Telma Portugal Pereira e Debora R. R. Hochheim, consideram que a tecnologia chegou para ficar e modificou as relações humanas em todas as esferas, inclusive, ou principalmente, na família, podendo afastar ou aproximar pais e filhos, dependendo do vínculo que se estabeleceu desde cedo entre eles.

Para elas, ao chegar à adolescência, filhos e pais passam a se enxergar de forma diferente, com ou sem a presença da tecnologia. Ainda assim, em todas as áreas de atuação do filho adolescente, os pais devem cuidar, observando seu desempenho e posturas, seja em meio à presença da tecnologia ou não.

Os pais devem observar tempo e conteúdo dos acessos. E esse limite, segundo elas, deve ser imposto bem antes que o filho chegue à adolescência. As orientadoras ressaltam que pais com autoridade conseguem manter os filhos em segurança em todos os aspectos, inclusive no mundo virtual.

Débora e Telma alertam aos pais que um sinal amarelo de que o adolescente possa estar ultrapassando os limites saudáveis de uso da tecnologia é quando ele deixa de participar de atividades importantes para o seu desenvolvimento, como convívio familiar e com amigos, responsabilidades escolares, etc. De acordo com elas, caso isso aconteça, é extremamente importante que os pais cumpram seu papel de responsáveis.

Quando o diálogo é construído no decorrer da educação, quando os próprios pais sabem ouvir e falar, quando dão exemplo, mais do que ditam o que deve ser feito, o embate acontece de forma adequada. As educadoras advertem que não é necessário evitar todo o embate na educação dos filhos, mas é imprescindível que eles entendam que os pais são os responsáveis por eles. É importante que sejam firmes nas decisões a tomar com seus filhos e que discutam entre si o que acham melhor para eles.

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Telma e Débora argumentam que o papel da escola nesse controle é o de alertar e orientar os alunos, assim como as famílias, oferecendo oportunidades de reflexão sobre o assunto, por meio de palestras ou até contato individual com os responsáveis ao perceber inadequação do comportamento do aluno, como sono em aula, baixa produção acadêmica, dificuldades no relacionamento com seus pares.

Fonte: Colégio Presbiteriano Mackenzie Tamboré – Internacional

 

Dia de Finados: como lidar com a perda dos pais?

Hoje, 2 de novembro, é celebrado o Dia de Finados, data em que, tradicionalmente, homenageamos nossos entes queridos falecidos. No entanto, os ocidentais ainda encaram a morte de uma forma muito dolorida.

“A morte mexe muito com o nosso sistema de crenças e escancara nossa impotência, humanidade e fragilidade. A dor da perda ainda é um dos nossos maiores medos, pois é quando perdemos também nossa segurança e estabilidade”, afirma Heloísa Capelas, especialista de inteligência emocional e diretora do Centro Hoffman.

Para Heloísa, a perda dos pais ou daqueles que nos criaram é uma das mais doloridas. Isso porque somos 100% identificáveis com eles por conta da infância. “Quando criança, precisamos do apoio de adultos para termos o nosso aprendizado e, até os 12 anos, estamos na fase de construção da capacidade intelectual, mental e neurológica”, explica.

Estes aspectos fazem com que – mesmo com as brigas na adolescência e até um distanciamento na vida adulta – criemos um amor incondicional por eles. “Com a morte dessas pessoas, é como se estivéssemos perdendo também um pedacinho de nós mesmos”, completa.

Quando a pessoa cria, ao longo do tempo, algum tipo de mágoa ou rancor com relação a seus pais, a perda desses entes pode ser ainda mais dolorida e carregada com uma grande dose de culpa. Diante disso, Heloísa separou alguns pontos a serem refletidos e que podem ajudar na superação deste tipo de sentimento. Veja abaixo:

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Entenda que a mágoa é algo que está em nosso interior: segundo Heloísa, a primeira coisa da qual precisamos ter consciência é de que a mágoa que eventualmente criamos em torno de nossos pais é um problema individual nosso e não deles – está em nosso coração. Como estamos falando de um sentimento interior, o perdão pode vir a qualquer momento – antes ou depois da morte destes familiares.

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Entenda que é possível perdoar, mesmo que as pessoas que nos fizeram mal já tenham partido: Heloísa afirma que é preciso olhar para dentro de si e fazer uma escolha – se eu quero levar adiante essa mágoa, que vai ficar dentro do meu coração, dificultando meu caminhar, me envelhecendo precocemente e trazendo doenças para o meu corpo físico, ou perdoar e me sentir mais livre. “Seja lá o que vivemos com nossos pais, nós podemos resolver com eles vivos ou mortos. Claro que, quando eles morrem, nossa culpa aumenta e alguns vivem paralisados por conta disso. Pensam que agora que seu pais faleceram, não há mais tempo – que não é mais possível perdoar. Mas isso não é verdade. Podemos perdoar a qualquer momento e a qualquer hora, basta saber que essa escolha existe”, diz.

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Entenda que, quando a pessoa decide não perdoar, existe uma grande possibilidade de se tornar reflexo de seus pais: quando atingimos a vida adulta e temos algum tipo de rancor ou mágoa dos nossos pais, a tendência é que lutemos ao máximo para sermos indivíduos completamente opostos a eles. No entanto, com a morte, a probabilidade de ficarmos extremamente parecidos com eles é muito grande, por conta da culpa inconsciente de não ter liberado essa raiva antes da morte deles. A liberação da culpa e o perdão nos ajudam a lidar melhor com este aspecto e permitem com que a vida siga em frente.

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Compreenda que o amor nunca pode nos prender: muita gente não guarda rancor de seus pais, muito pelo contrário: os admira tanto que suas mortes levam à uma profunda tristeza que pode acarretar também a uma não aceitação do ocorrido. “É preciso entender que isso não está dentro do nosso controle e que a tristeza pela morte gera um apego que não é saudável para ninguém. O amor incondicional, pelo contrário, liberta”, afirma Heloísa. Para ela, morrer faz parte da continuidade do meu amor.

Curso

Essas e outras estratégias de inteligência emocional serão apresentadas, em sete dias de treinamento intenso no curso do Processo Hoffman, que terá suas próximas edições realizadas em Cabreúva (SP) entre os dias 14 e 20 de novembro e, em Petrópolis (RJ), entre 26 de novembro a 4 de dezembro.

Considerado um curso intensivo de autoconhecimento e reeducação que proporciona amplo desenvolvimento das Inteligências Emocional e Comportamental, o Processo Hoffman fornece instrumentos para que cada um possa ampliar seu potencial e, ao mesmo tempo, eliminar barreiras que impedem seu crescimento, conduzindo ao encontro do ser humano consigo mesmo, com seu amor-próprio e sua autoliderança. Seus resultados foram comprovados cientificamente pela Universidade da Califórnia (EUA) e indicam aumento nos índices da Inteligência Emocional gerando, entre outros benefícios, empatia, liderança, perdão, espiritualidade, bem-estar, vitalidade e alta performance.

Curso Processo Hoffman

Cabreúva – SP: 14/11 a 20/11
Hotel Solar das Primaveras – Cabreúva (SP)
Av. Pascoal Santi, 285 – Jacaré do Bonfim – Cabreúva, SP

Petrópolis – RJ: 26/11 a 4/12
Hotel Pedra Bonita – Petrópolis (RJ)
Rodovia BR-040, Km 69,2, Fazenda Inglesa – Petrópolis, RJ

Informações: Centro Hoffman

 

Adolescentes e computadores: aí meu Deus!

Nada mais comum atualmente do que encontrar adolescentes grudados no celular, tablet e computadores. Às vezes dá impressão que já nasceram grudados aos aparelhos eletrônicos. Com o exagero, o que poderia ser de grande ajuda para o estudo e a comunicação, acaba se tornando problema.

Para a professora adjunta Maria Sylvia de Souza Vitalle, presidente do Departamento Científico da Adolescência da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo) e chefe do Setor de Medicina do Adolescente do Departamento de Pediatria da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a questão do uso incontrolável dos computadores por parte dos adolescentes é meio uma consequência da ‘terceirização’ dos filhos.

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“Muitos pais precisam se ausentar por períodos longos por exigências de trabalho, por exemplo, e não conseguem supervisionar adequadamente as atividades das crianças”. Ela ressalta que os adolescentes precisam de supervisão sempre. Para que não se tornem totalmente dependentes das máquinas, é essencial dar o exemplo.

“Existem regras básicas de convívio e participação em todas as atividades familiares, como limitar o uso de todos os aparelhos eletrônicos, selecionar o que os adolescentes podem acessar, ensinar a ver as máquinas com olhar crítico e manter-se alerta para o que o filho vê na internet. Além de lembrar frequentemente que TV e computador não são babás”.

Maria Sylvia aconselha os pais a não confundir privacidade, com liberalidade total, pois isso acarreta exposição a riscos.

“Além de colocar limites ao uso, é necessário explorar as ferramentas possíveis de bloqueio de conteúdos e informar dos riscos do mundo digital, como o cyberbullying”, destaca.

Estudos apontam que 33% dos adolescentes mudam o comportamento quando sabem que os pais estão supervisionando; 48% deles escondem algumas atividades dos pais; 20% apagam mensagens; 23% apagam o histórico do navegador; e 16% minimizam o navegador quando adultos estão por perto.

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Quanto ao tempo que eles podem passar nos aparelhos, Maria Sylvia adverte que a utilização dos dispositivos eletrônicos “não pode nunca comprometer as atividades cotidianas; e o tempo precisa ser delimitado de acordo com as idades e o desenvolvimento das crianças e adolescentes”.

Claro que a conexão com a internet tem pontos positivos também, diversos. “São ótimos aliados para a educação e aquisição de conhecimento. As mídias sociais têm imenso potencial de motivação. Sabendo usar, incrementam as habilidades cognitivas, sendo capazes de desenvolver a leitura, o vocabulário e a criatividade. Podem auxiliar na resolução de problemas e atuar na melhora do desempenho de matemática. Portanto, podem enriquecer e em muito o conteúdo acadêmico, trazendo benefícios em distintas áreas, como história, artes, ciência, literatura, música, somente para citar algumas. Há a facilidade do acesso, trazendo o mundo à palma da mão; isso pode aumentar o capital cultural das pessoas. E é o capital cultural que também auxiliará na formação de cidadãos melhores”, conclui.

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Fonte: SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo)

Atenção dos pais pode reduzir risco de abuso de drogas na adolescência

Karina Toledo | Agência Fapesp

Pais que exigem o cumprimento de regras e que monitoram constantemente as atividades dos filhos – buscando saber onde estão, com quem e o que fazem – correm menor risco de enfrentar problemas relacionados ao abuso de álcool e de outras drogas quando as crianças entram na adolescência.

A probabilidade torna-se ainda menor quando, além de monitorar e cobrar, os pais também abrem espaço para o diálogo, explicam o motivo das regras e se mostram presentes no dia a dia dos filhos, dispostos a acolher suas dificuldades – característica parental que especialistas chamam de “responsividade”.

A conclusão é de uma pesquisa realizada na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) com 6.381 jovens de seis cidades brasileiras. Os resultados acabam de ser publicados na revista Drug and Alcohol Dependence.

“A principal conclusão do estudo é que o estilo parental, ou seja, o modo como os pais educam seus filhos, pode ser um fator de proteção ou de risco para o consumo de álcool e outras drogas na adolescência. Isso significa que os programas escolares de prevenção devem, além de conscientizar as crianças, também se preocupar em treinar habilidades parentais”, disse Zila Sanchez, professora da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp) e coordenadora da pesquisa apoiada pela Fapesp.

Os dados foram coletados em 62 escolas públicas das cidades de Tubarão (SC), Florianópolis (SC), São Paulo (SP), São Bernardo do Campo (SP), Fortaleza (CE) e Brasília (DF). Participaram do levantamento estudantes de 7º e 8º anos do ensino fundamental. A idade média dos entrevistados foi de 12,5 anos.

“Optamos por trabalhar com jovens que haviam acabado de entrar na adolescência para avaliar se, nessa fase, o estilo parental já estava influenciando o consumo de substâncias. Entretanto, como ainda são muito jovens, a prevalência de consumo ainda é baixa. Por esse motivo, consideramos no questionário quem havia feito uso ao menos uma vez no último ano”, explicou Sanchez.

Os questionários foram preenchidos pelos próprios adolescentes, sem a presença do professor, e depositados anonimamente em envelopes pardos – de modo a evitar inibição e constrangimento. Além de perguntas sobre o uso de drogas, também foram incluídas questões sobre o estilo parental (como os jovens percebiam os pais), condições socioeconômicas, comportamento sexual e violência escolar, entre outras.

A análise das respostas foi feita durante o doutorado de Juliana Valente, com Bolsa da Fapesp e orientação de Sanchez.

Por meio de um modelo estatístico conhecido como análise de classes latentes, foi possível dividir os entrevistados em três grupos de uso de drogas. A mais prevalente, com 81,54%, foi a classe dos “abstinentes/usuários leves”. Em seguida, com 16,65%, vieram aqueles considerados “usuários de álcool/bebedores pesados”. Por último, com 1,8%, os “poliusuários”, ou seja, aqueles que, além de álcool, usaram no último ano substâncias como tabaco, maconha, cocaína, crack ou inalantes (benzina e cola de sapateiro, por exemplo).

“O passo seguinte foi avaliar se os estilos parentais estavam associados a algum desses três perfis de consumo. Para isso, os pais também foram classificados em quatro tipos diferentes – segundo a avaliação dos adolescentes e critérios estabelecidos na literatura científica”, explicou Sanchez.

Com base em uma escala de avaliação consagrada em estudos internacionais e validada no Brasil, os perfis parentais foram classificados de acordo com dois domínios principais: “exigência” – o quanto os pais monitoram as atividades dos filhos e demandam o cumprimento de regras – e “responsividade” – o quanto são sensíveis às demandas dos filhos e abertos ao diálogo.

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Estudo feito com mais de 6 mil jovens reforça a função protetora do estímulo ao cumprimento de regras. Pesquisa também indica que ricos bebem mais (Foto: Rebcenter / Wikimedia)

Pais com escore alto nos dois domínios foram classificados como “autoritativos”. Aqueles com escore alto apenas no domínio da exigência foram classificados como “autoritários”. Pais responsivos, mas que não monitoram as atividades dos filhos ou não se apegam a regras foram considerados “indulgentes”. Por último, aqueles com escore baixo nos dois domínios foram classificados como “negligentes”.

De modo semelhante ao observado em estudos internacionais, o estilo “autoritativo” foi o mais protetor, seguido pelo “autoritário” e, na sequência, pelo “indulgente”. Como ressaltaram os pesquisadores no artigo, os pais “negligentes” são os que colocam os adolescentes em maior risco de pertencer às duas classes de usuários de drogas encontradas no estudo: usuários de álcool/bebedores pesados e poliusuários.

“O fato de o ‘autoritativo’ ser o mais protetor e o ‘negligente’ o de maior risco já era esperado. Porém, ainda havia na literatura científica uma discussão em relação aos estilos ‘autoritário’ e ‘indulgente’. Não estava claro qual deles seria melhor. Os achados deste estudo reforçam a função protetora que a dimensão da exigência, composta por monitoramento parental e estímulo ao cumprimento de regra, desempenha na prevenção do consumo de drogas na adolescência”, disse Valente.

Ricos bebem mais

Um dado que chamou a atenção do grupo da Unifesp foi que, quanto mais alta era a classe social do entrevistado, maior era a probabilidade de pertencer aos grupos de bebedores pesados ou poliusuários. De acordo com Sanchez, o achado contraria dados de estudos norte-americanos e europeus, onde a pobreza é considerada um fator de risco para o uso de álcool e drogas na adolescência. Porém, vai ao encontro de dados brasileiros anteriores para a mesma faixa etária.

“Esse dado é bem curioso e mostra que não podemos simplesmente importar dados relacionados a fatores de risco e proteção para programas de prevenção de uso de drogas, sem considerar diferenças culturais”, disse Sanchez.

Segundo Valente, as análises estatísticas não permitiram associar os diferentes modelos de educação a uma classe social específica, ou seja, houve uma distribuição homogênea dos estilos parentais entre as diferentes faixas de renda.

A coleta dos dados ocorreu no fim de 2014, no âmbito de um projeto financiado pelo Ministério da Saúde. A equipe da Unifesp foi escalada pelo órgão governamental para avaliar nas 62 escolas selecionadas a efetividade de um programa de prevenção ao uso de drogas intitulado #Tamojunto.

“Esse programa foi trazido da Europa, onde apresentou bons resultados, e adaptado pelo Ministério da Saúde. Além de passar conhecimentos sobre as drogas para os jovens, buscava trabalhar o desenvolvimento de habilidades pessoais e interpessoais. Porém, aqui no Brasil, não observamos efetividade para as mesmas medidas europeias”, contou Valente.

Como explicou Sanchez, os dados analisados durante o doutorado de Valente, que embasam o artigo agora publicado, foram coletados antes da aplicação do programa #Tamojunto e não têm relação com seus resultados.

O artigo Gradient of association between parenting styles and patterns of drug use in adolescence: A latent class analysis, de Juliana Y.Valente, Hugo Cogo-Moreira e Zila M. Sanchez, pode ser lido aqui.

As mãos do meu pai

As tuas mãos têm grossas veias como cordas azuis
sobre um fundo de manchas já cor de terra
— como são belas as tuas mãos —
pelo quanto lidaram, acariciaram ou fremiram
na nobre cólera dos justos…

Porque há nas tuas mãos, meu velho pai,
essa beleza que se chama simplesmente vida.
E, ao entardecer, quando elas repousam
nos braços da tua cadeira predileta,
uma luz parece vir de dentro delas…

Virá dessa chama que pouco a pouco, longamente,
vieste alimentando na terrível solidão do mundo,
como quem junta uns gravetos e tenta acendê-los contra o vento?
Ah, Como os fizeste arder, fulgir,
com o milagre das tuas mãos.

E é, ainda, a vida
que transfigura das tuas mãos nodosas…
essa chama de vida — que transcende a própria vida…
e que os Anjos, um dia, chamarão de alma…

leao e filhote

Mário Quintana, in ‘Esconderijos do Tempo’