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De que forma a saúde mental em tempos de Covid-19 afeta nossa pele

A esta altura, você não deve aguentar mais termos como “novo normal”. Mais estressada do que nunca, sua saúde mental tem alta relação com a do tecido cutâneo

É possível que você já esteja cansada de ouvir, ler e falar sobre o caos: do exausto “tempos incertos” ao ainda mais gasto “novo normal”, tudo nos bombardeia com incertezas e estresse constante, confirmando que o mundo, à falta de melhor expressão, está mesmo de pernas para o ar. Mais ansiosa e estressada que nunca, é possível que a sua pele esteja colhendo esses frutos. “A saúde mental e as doenças dermatológicas estão claramente associadas. Há uma ligação entre pele e mente que se explica pelo fato de existir uma origem biológica comum entre o sistema nervoso central e a pele”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

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“Podemos dizer que a pele é como um sensor, que estabelece plena ligação entre o mundo externo e o mundo interno, reagindo de forma mais ou menos acentuada às emoções despertadas por diferentes estímulos”, acrescenta. Intimamente ligadas, mente e pele vão assim influenciar-se mutuamente – e essa relação é mais complexa e profunda do que podemos imaginar.

De acordo com a médica, a pele é um órgão amplamente visível, com uma função de comunicação e integração social. Dessa forma, diferentes doenças cutâneas afetam seriamente a nossa autoimagem, o que por si só já origina ansiedade, depressão e consequentemente a alteração da qualidade de vida. “Mas também sabemos que o estresse é um fator preocupante, inclusive relacionado ao desencadeamento de algumas doenças dermatológicas, como a acne, a rosácea, a psoríase, a dermatite atópica, a alopecia, o prurido e até mesmo o envelhecimento, com aparecimento de rugas”.

A explicação para isso passa pelos hormônios. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, diz a médica.

Segundo o estudo “Brain skin connection: stress, inflamation and skin aging”, publicado no periódico Inflamm Allergy Drug Targets em 2014, o estresse leva à liberação de cortisol e, cronicamente, isso causa atrofia cutânea, redução do número de fibroblastos e diminuição do colágeno e elastina.

“Também há uma maior liberação de adrenalina e isso causa menor reparação aos danos ao DNA celular pelo processo de envelhecimento. O estresse emocional está ligado à redução dos mecanismos de adaptação ao estresse oxidativo (causado por agressores ambientais e hábitos como má alimentação e cigarro) aumentando a geração de radicais livres que também acentuam o envelhecimento da pele”, diz Roberta.

“Além disso, uma parte dos cromossomos, os telômeros, se encurtaria pelo estresse crônico: e o encurtamento dos telômeros é levantado como causador do envelhecimento por reduzir a função das mitocôndrias que geram energia para as células e por aumentar a produção de radicais livres”, completa a médica. Além disso, existe uma resposta exagerada dos nossos vasos cutâneos à liberação de determinadas substâncias do estresse.

Vários estudos também dão conta que o estresse aumenta a produção natural dos corticoides, facilitando a atrofia da pele e a perda de colágeno. “Ocorre também um déficit na circulação, acelerando o envelhecimento que culmina com a queda da imunidade da pele e sua capacidade de reparo e barreira — isso potencializa a ação dos agressores externos”, explica a Dra. Roberta.

O melhor meio de lidar com esses problemas é buscar ajuda médica. “Sabemos que o estresse provoca um desequilíbrio inclusive no microbioma da pele, que compreende os microrganismos que são nossos defensores. Por esse motivo, o médico pode ajudar indicando uma rotina de cuidados que conte com produtos mais suaves e menos abrasivos em um momento que essa pele precisa de um cuidado extra”, diz Roberta.

É fundamental reforçar a hidratação diária da pele, a fim de restaurar e manter o equilíbrio fisiológico da barreira cutânea”, aconselha. “Devem ser utilizados produtos de higiene suaves, com pH entre 4,5 a 5,5, e produtos cosméticos fáceis de espalhar, que não sejam muito espessos. Os produtos devem ser fáceis de espalhar, não irritantes, e com uma ação ao mesmo tempo emoliente, regeneradora, calmante, anti-inflamatória e descongestionante. Estes cosméticos aumentam muito o grau de tolerância da pele reativa, dando mais conforto, a curto e longo prazo, e melhorando a qualidade de vida”, finaliza a médica.

Fonte: Roberta Padovan é médica pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela Incisa. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, a médica é proprietária de duas clínicas, no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Sono na pandemia: dormir mais que o habitual deve ser um sinal de atenção

Neste longo período de pandemia, os reflexos físicos e mentais já deixaram de ser previsões para tornarem realidade para boa parte da população. A queda na qualidade do sono não ficou de fora dessa lista de efeitos externos que impactam na regulação rítmica de diversos processos fisiológicos do organismo. Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Ronaldo dos Reis Américo, é preciso atentar ao volume de sono, desmistificando a percepção de que dormir por mais horas significa eficiência do sono.

O especialista afirma que dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono. “Neste período pandêmico, pesquisas nacionais recentes mostram que os distúrbios de sono atingem até 50% da população do país. E, entre as mudanças, está o aumento do volume de horas de sono, sem que haja como reflexo a ampliação da qualidade deste ato”, conta Américo

Dormir por mais horas já é uma rotina na vida de aproximadamente 26% dos brasileiros, como cita o artigo ‘Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de Covid-19’. O otorrinolaringologista do Edmundo Vasconcelos lembra que é preciso atenção a essa realidade pois o sono tem papel fundamental na saúde. “É durante este momento do dia que regulamos a homeostase do corpo, liberamos grande carga de hormônios e consolidamos a memória”, enfatiza.

Além do maior volume de horas de sono, o cenário de tensão vem colaborando para mais insônia, sonolência excessiva diurna (SED), dificuldade de dormir e acordar em horários propostos e anormalidades comportamentais ligadas ao sono. De acordo com Américo, é importante dar atenção a esse hábito a fim de evitar que as alterações se tornarem crônicas, com efeitos duradouros e tratamento mais difícil.

Para evitar essas consequências, o médico aconselha seguir medidas de higiene de sono e nunca fazer uso indiscriminado de medicamentos sem supervisão médica, uma vez que eles podem gerar efeitos colaterais significativos e interagir de forma negativa com outras substâncias.

Como pôr em prática a higiene do sono:
• Opte por atividades mais calmas após o anoitecer;
• Diminua, de forma progressiva, a luminosidade do ambiente;
• Reduza o uso de aparelhos eletrônicos emissores de luminosidade como televisores e computadores;
• Estabeleça uma rotina para o sono, com horário estabelecido para dormir e acordar.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Dermatite, secura e irritação das mãos cresce na pandemia com abuso de higiene e álcool

Nova pesquisa apresentada no começo de março no Simpósio da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia destaca que a dermatite das mãos cresce e já atinge duas em cada 3 pessoas

O impacto dermatológico do Covid-19 é um tema que vem sendo estudado mundialmente e uma nova pesquisa apresentada no começo de março no Simpósio da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia destacou que a higiene rigorosa das mãos durante a pandemia fez aumentar os casos de dermatite, secura e irritação no local.

“Tanto os profissionais de saúde quanto o público em geral neste estudo afirmaram que a irritação e ressecamento da pele eram a principal barreira para a prática consistente de higiene das mãos”, destaca Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “A pele das mãos é naturalmente mais espessa, mas possui menos glândulas sebáceas, sendo assim a alta concentração de álcool na fórmula desse produto pode facilmente desidratar o tecido cutâneo da região, contribuindo também para o envelhecimento acelerado da pele dessa região”, afirma.

Pesquisadores do Father Muller Medical College, da Índia, analisaram a perda de água transepidérmica (TEWL – um parâmetro essencial para medir a função de barreira da pele) de 582 pessoas (291 profissionais de saúde e 291 indivíduos saudáveis da população em geral). Os resultados indicaram que a dermatite das mãos estava agora presente entre 92,6% dos profissionais de saúde e 68,7% da população em geral, apesar de apenas 3% dos profissionais e 2,4% do público em geral no estudo ter relatado um histórico prévio de dermatite das mãos.

“Foi observada também uma maior média de pele mais seca em mulheres e profissionais de terapia intensiva, que foi associada à alta frequência de lavagem das mãos e uso de gel para as mãos à base de álcool”, explica a dermatologista.

Segundo a médica, esta pesquisa demonstra verdadeiramente o impacto do aumento da lavagem das mãos e do consumo de produtos à base de álcool na saúde da pele das mãos dos profissionais de saúde e do público em geral. “Além disso, agora sabemos que é necessário alertar a população sobre os meios de prevenção do eczema das mãos”, explica Letícia.

Após o uso do álcool em gel, é recomendável, segundo a médica, que se aplique um cosmético específico para as mãos, que deve ser formulado com ativos de alta propriedade hidratante, como ureia e ácido hialurônico. “O mesmo vale para a higienização das mãos com água e sabão, já que quando realizada com frequência, o que é necessário nesse momento, também pode favorecer o ressecamento da região”, alerta.

“Por isso, além de também utilizar um hidratante para as mãos após lavar a região, vale a pena apostar no uso de sabonetes menos agressivos, dando preferência a fórmulas mais hidratantes”, finaliza.

Fonte: Letícia Bortoloni é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. À frente da clínica Enlapy, em Cuiabá, a médica é formada em Medicina pela Universidade de Cuiabá, com especialização em Dermatologia pela Fundação Souza Marques (São Paulo/SP) e em Clínica Médica pelo Hospital Guilherme Álvaro (Santos/SP).

Consumo de medicamentos aumenta na pandemia

Especialista analisa os riscos da automedicação e faz alerta sobre a busca por orientações acerca dos medicamentos na internet

Um dos setores da economia que tem obtido bons resultados na pandemia é o farmacêutico. Segundo uma pesquisa do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o segmento cresceu 16,2% no Brasil nos últimos 12 meses. Ao apontarem para um aumento significativo do consumo de medicamentos no país, esses números acendem um alerta sobre o consumo excessivo e imprudente desses produtos por parte da população.

Com a pandemia, surgiram vários tratamentos alternativos que, mesmo sem nenhuma comprovação científica, foram difundidos nas redes como eficazes contra o vírus. Para a professora da disciplina de Farmacoterapia e Cuidado Farmacêutico no Centro Universitário Newton Paiva , Yone de Almeida Nascimento, a pandemia apenas acelerou um fenômeno que já estava em andamento.

“A internet tem se tornado uma fonte de pesquisas cada vez mais frequente sobre medicamentos e tratamentos. Existem bons conteúdos sobre o assunto, mas a grande maioria é de credibilidade duvidosa. O problema é que pessoas que recorrem a essa alternativa são leigas, portanto, têm dificuldade para filtrar tais informações”, afirma ela.

Automedicação

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Apesar da existência de um certo tabu em torno da automedicação, ela é considerada uma prática de autocuidado, que é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, sintomas leves como dor de cabeça eventual ou cólica menstrual podem ser tratados pelo paciente. Por isso existem os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), recomendados pelas autoridades sanitárias para tratar os sintomas associados a condições de saúde autolimitadas, como os citados acima.

No entanto, os especialistas alertam para a existência de riscos. Yone destaca três situações principais a que o paciente deve ficar atento: a persistência dos sintomas após a utilização dos MIPs; o consumo de um MIP e os medicamentos de uso habitual do paciente, de forma simultânea, pois existe o risco deles se anularem ou até mesmo prejudicar o paciente; e, por fim, o risco do MIP agravar outras doenças preexistentes. Em todos esses casos, é importante consultar o farmacêutico ou o médico.

Consulta ao farmacêutico

Apesar de ser uma prática tradicional no Brasil, a prescrição de remédios por parte dos profissionais farmacêuticos só foi regulamentada em 2013, por meio da resolução 586 do conselho federal de farmácia. Todos os medicamentos que se enquadram na lista de grupos e indicações terapêuticas presentes no documento podem ser prescritos pelos farmacêuticos.

Yone diz que a consulta ao farmacêutico é válida, mas faz um alerta aos consumidores. “No Brasil, muitos atendentes de farmácia que não possuem formação adequada e trabalham por comissão. O que faz com que muitas vezes eles incentivem o consumo de medicamentos sem atentar para a real necessidade do paciente”, explica a professora da Newton Paiva.

“A melhor forma de se resguardar é certificando de que o profissional que passa as orientações é de fato um farmacêutico que possui o conhecimento técnico para prescrever um medicamento adequado às necessidades do paciente, ou até mesmo direcioná-lo a um outro profissional de saúde”, finaliza a especialista.

Fonte: Centro Universitário Newton Paiva

Decoradora dá dicas para preparar uma festa junina em casa com a família

A festa junina é uma das maiores tradições brasileiras. Como o país continua com muitos casos de Covid-19, o correto é evitar aglomerações. Assim, as comemorações precisam ser mais intimistas, só com a família.

“Pela segunda vez, durante a pandemia, não ocorrem festas de ruas, igrejas, colégios, clubes etc. Mas é possível não deixar passar essa época sem um evento seguro e intimista em casa”, afirma Luciana Marquez, decoradora e especialista em eventos. Para isso, ela dá nove dicas fáceis e práticas para você preparar uma festa em casa:

Usar na decoração madeira, chapéu de palha, sisal, tecidos de juta, chita ou xadrez para jogo americano, toalha de mesa, guardanapos e bandeirola. Basta recortar e desfiar as laterais. O tecido também pode ser usado para amarrar um vidrinho ou garrafinha para colocar flores. É possível inclusive misturar esses tecidos e vale até mais de uma estampa de chita. A festa junina requer uma decoração com cores quentes, mais ousada, alegre, colorida e ao mesmo tempo rústica.

=Aproveitar as comidas típidas na decoração. Por exemplo: usar paçoca ou docinhos no chapeuzinho de palha, colocar algumas espigas de milho com a casca para decorar, amendoim com casca…

=Colocar amendoim em vidro descartável com tampa e decorar a tampa com tecido de chita e amarrar com sisal.

=Preparar plaquinhas de papel tipo bandeirola coloridas, colar num palito e usar com tag para doces. Também pode escrever frases divertidas, típicas de festa junina como “Isso aqui tá bão demais da conta sô, olha a chuva, Eita trem bom, Arraiá do …”.

=Fazer bandeirola de juta, cartolina ou papelão e colar uma chita em formato de coração. Dá até para escrever um nome com as letras.

=Fazer uma luminária com milho de pipoca e vela, dentro de um vidro reciclado. Ou usar uma espiga de milho seco como castiçal.

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=Fazer uma fogueirinha com pau de canela ou toquinhos de madeira.

=Usar flores como Girassol ou Margarida ou Crisântemo para decorar.

=Envolver as crianças na decoração da festa junina.”

“A ideia é aproveitar o que tem em casa e usar a criatividade para customizar sua festa de firma segura e com a família, em casa”, conclui Luciana Marquez.

Fonte: Luciana Marquez

Pandemia faz crescer casos de bruxismo

Segundo a Organização Mundial da Saúde, a disfunção afeta mais de 80 milhões de brasileiros

Situações de estresse e nervosismo são normais no nosso dia a dia, mas este estado de espírito tem se tornado uma constante na vida do brasileiro neste último ano. Entre um período tão longo de isolamento social, a crise econômica no país e tantos outros cansaços mentais causados pela pandemia, é de se esperar que alterações na saúde de nossa população aconteçam, e um aumento que tem sido observado nos consultórios dentários é o aumento nos casos de bruxismo.

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Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o distúrbio atinge 40% das pessoas no Brasil, equivalente a quase 84 milhões de brasileiros. “Tenho observado desde o ano passado uma maior procura nos problemas relacionados à condição, assim como muitos outros profissionais”, comenta doutor Willian Ortega, cirurgião dentista.

O bruxismo é o ato involuntário de pressionar ou ranger os dentes e pode acontecer tanto durante o dia quanto o sono. Apesar de poder ser causado por uma desarmonia no formato da arcada dentária, na maioria das vezes ele aparece como um sintoma da ansiedade e do estresse.

Para Ortega, a necessidade de se conscientizar as pessoas sobre o problema é que, por ser uma válvula de escape inconsciente, o diagnóstico geralmente vem de maneira tardia. “O bruxismo tem diversos sinais, que se manifestam de maneiras diferentes em cada pessoa, por isso são difíceis de perceber se você não sabe o que está procurando”, explica.

O mais comum dos indícios são as dores de cabeça e enxaquecas, que muita gente não relaciona com a dentição. Porém, conforme o distúrbio vai progredindo sem tratamento, podem ocorrer desgastes e quebras nos dentes, estalos ao abrir e fechar a boca. O cirurgião ainda relata que em casos mais extremos, o movimento repetitivo afeta os tecidos que dão suporte à mandíbula, como os ligamentos e músculos da região do rosto.

“Um grande indício que vale a pena observar, é a dor de cabeça ou rosto muito intensa logo quando acorda, indicando que você provavelmente está forçando os dentes durante a noite,” aponta Ortega. Ele ainda frisa que mesmo que não seja o caso, já que a dor na região é normal em momentos de tensão, o bruxismo é muito mais fácil de lidar quando identificado cedo.

O tratamento é focado em reduzir a dor e preservar os dentes, já que a condição não tem cura. A placa dentária em acrílico é indicada na maioria dos casos, produzida sob medida para encaixar entre os dentes protegendo-os do impacto.

Uma alternativa surpreendente é a aplicação do botox, que no caso do bruxismo é utilizado com fins terapêuticos. A substância promove relaxamento muscular e automaticamente diminui a tensão da região. “Em determinados casos a paralização do músculo pode ser benéfica trazendo uma sensação de alívio ao paciente e diminuindo até o uso de medicamentos para dor ou inflamação. O foco é que o paciente não perca a mobilidade mandibular,” esclarece doutor Willian.

Apesar do transtorno não ser perigoso, o desconforto constante prejudica muito a qualidade de vida de quem passa por ele. Por isso para o cirurgião é essencial sempre consultar um especialista, tanto para a parte física quanto mental, já que eles andam juntos quando se trata de bruxismo. “Buscar formas de relaxar e diminuir a ansiedade, como uma leitura leve, filmes, jogos de diversão, meditação ou qualquer outra atividade que cause prazer e relaxamento também é importante para o tratamento”, finaliza Ortega.

Fonte: Willian Ortega é graduado pela Unipar (Universidade Paranaense), especialista em Ortodontia e Pós- Graduado em Harmonização Orofacial. Diretor professor da Facial Academy. Especialista em Implantodontia pela Uningá.

Como fica a saúde mental após mais de um ano de isolamento social?

A estimativa de instituições brasileiras é de que até metade da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer de alguma doença psicopatológica

Quem ao longo desses 15 meses de pandemia não procurou em sites de busca algo sobre os sintomas do novo coronavírus diante de qualquer reação que julgasse estranha do próprio corpo? Quem não ouviu falar de alguém que sentiu uma sensação de angústia, um aperto no peito? Ou que trabalhou horas em home office e nem viu o dia passar? Após mais de um ano da pandemia da Covid-19, com variantes do vírus ainda se espalhando e provocando aumento no número de casos e mortes, questões como a saúde mental acendem a luz vermelha para especialistas da área da saúde.

Por isso, sociedades médicas, sociedades da psicologia, e organizações da Saúde, como OMS (Organização Mundial da Saúde) e FioCruz, no Brasil, têm divulgado constantemente informações e diretrizes de conduta na atenção psicossocial e saúde mental.

Já temos alguns estudos que trazem a preocupação do cuidado em saúde mental e, baseados na literatura produzida a partir de epidemias anteriores, podemos considerar a gravidade em termos de sofrimento psíquico e elevação dos transtornos mentais. É certo que daqui alguns anos vamos ter uma literatura robusta apontando um provável crescimento desses casos e consequente comprometimento nas esferas familiares, sociais e laborais. Não é à toa que a saúde mental é a quarta maior preocupação e prioridade da OMS durante a pandemia”, diz Natalia Pavani, psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Uma pesquisa Datasus, divulgada em novembro de 2020, apontou que a ansiedade foi o transtorno presente em 86,5% dos 17.491 indivíduos adultos ouvidos pelo Ministério da Saúde, seguido de estresse pós-traumático (45,5%) e depressão grave (16%), no primeiro ano de pandemia.

A especialista do Hospital alerta que para atender de forma adequada esses pacientes é necessário que haja investimentos na capacitação da assistência e na definição de diretrizes de intervenções na atenção primária que estejam voltadas para a prevenção de doenças psicossociais. Com esse foco, a FioCruz preparou uma cartilha com recomendações para profissionais da saúde e agentes comunitários, e também para a população em geral, para que possam reconhecer os sinais de que algo não vai bem com a mente. O material indica, ainda, que por conta do estado de alerta, preocupação, confusão de informações, estresse e falta de controle, estima-se que entre um terço e metade da população exposta a uma epidemia pode sofrer alguma manifestação psicopatológica.

De acordo com a psicóloga, nem sempre essas manifestações serão classificadas como doenças mentais. Muitos problemas psicológicos podem ser considerados normais e momentâneos diante do atual cenário. “O impacto vai depender da vulnerabilidade da pessoa no momento. Cada problema psíquico se manifesta de uma forma em cada indivíduo”, explica Pavani. “A maior ferramenta para essas questões é o autoconhecimento, reconhecer o que faz bem e o que não faz”, complementa.

O sono que já não é como antes, a capacidade de concentração nos estudos e/ou no trabalho também não é a mesma, o cansaço parece que ‘bate’ com mais facilidade, o sentimento de incerteza, inquietação diante de situações rotineiras, sensação que a cabeça não opera no mesmo ritmo do corpo, são sinais de que algo não vai bem. “É importante ficar atento e analisar bem a intensidade e a duração desses episódios, e se tem gerado alguma dificuldade para a vida rotineira, seja nos relacionamentos interpessoais, nas atividades e no trabalho”, explica a psicóloga do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Como amenizar?

Se a pessoa está passando por um momento de sofrimento prolongado, o primeiro passo é procurar um clínico geral, que realizará exames e poderá encaminhá-la para consulta com psicólogo e/ou psiquiatra. Para evitar risco de contaminação pela Covid-19, diversas instituições de saúde estão realizando consultas on-line.

Uma dica importante da especialista é procurar o que faz bem. “A OMS define que ter saúde não corresponde somente ao corpo físico, mas também ao bem-estar psíquico, social e espiritual. E muitas vezes nos esquecemos disso, acreditando que saúde é somente ausência de doença. “.

Se conectar com a natureza, ter mais plantas em casa para cuidar, adquirir novos hobbies, consumir mais arte e cultura mesmo que virtualmente. Além disso, organizar a rotina, separar os espaços de trabalho dos de descanso, limitar o uso de redes sociais e estabelecer limites para si mesmo, tirar 30 minutos a uma hora por dia para alguma ação de autocuidado, e praticar exercícios, são atividades que podem ajudar a aliviar a solidão, a angústia, a tristeza, a apatia ou a inquietação. Fazer um plano de atividades do dia, mas um plano consciente, que não vá potencializar mais o estado aflitivo caso não consiga cumpri-lo.

“Não é preciso mudar tudo de uma só vez. Estabeleça algumas prioridades e procure reconhecer as pequenas conquistas do cotidiano. E caso e esteja em sofrimento psíquico, procure por ajuda profissional, afinal, os tratamentos de saúde mental existem para isso”, pontua a psicóloga, que ainda lembra que o desafio é coletivo, portanto ao aderir ao isolamento social e ficar em casa, a pessoa está se protegendo e ajudando toda a população.

“Se o desafio é coletivo, o único caminho para superarmos essa crise é por meio da união e do exercícios com responsabilidade das recomendações das autoridades em saúde pública”, declara.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Devoluções de animais de estimação adotados durante pandemia batem recordes nos EUA

Os abrigos para animais de estimação nos Estados Unidos estão relatando taxas de devolução acima da média conforme a pandemia começa a diminuir

Por volta desta época, no ano passado, os abrigos relataram um aumento nas adoções, pois as pessoas passaram por medidas de bloqueio e queriam companhia em casa. Agora que estão se reajustando às rotinas anteriores, no entanto, elas estão voltando ao trabalho e às viagens e sentem que não podem mais cuidar de seus animais de estimação. Os cães, em particular, estão sendo devolvidos em números recordes.

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“No início da pandemia, vimos absolutamente um aumento no número de pessoas prontas para adotar”, disse Ashley Roberts, do Lucky Dog Animal Rescue, em Arlington, VA, à BBC .

“Eles estavam fora do trabalho ou trabalhando em casa ou tinham horários mais flexíveis”, disse ela. “Mas nós, nos últimos dois meses, definitivamente vimos mais devoluções.”

Às vezes, as pessoas não pensam no compromisso sério de cuidar de um animal de estimação, disse ela. Conforme os novos tutores de animais voltam às suas rotinas, eles estão percebendo que filhotes e cães podem não se adequar ao seu estilo de vida, então os estão devolvendo, de acordo com KDVR , uma afiliada da Fox no Colorado.

“Fizemos muitas mudanças em nosso processo de adoção para evitar que as pessoas devolvessem cães uma vez que a pandemia acabasse”, disse Aron Jones, diretor executivo do Moms and Mutts Colorado Rescue em Englewood, CO, à estação de notícias.

“Mas nos últimos quatro meses, tivemos um número extremo de devoluções”, disse ela. “Eles estão devolvendo em vez de tentar fazer ajustes para manter seus cães, agora que o mundo está se abrindo”.

As entidades receberam mais devoluções até agora, em 2021, do que normalmente em um ano inteiro. Com mais de 200 cães disponíveis, eles estão enfrentando restrições financeiras e precisam de mais ração para alimentar todos os animais.

Além disso, as medidas de bloqueio impediram os tutores de animais de esterilizar ou castrar seus cães. Então, os abrigos estão vendo um aumento no número de ninhadas de filhotes que precisam de novos lares, informou a BBC.

No entanto, nem todos os abrigos tiveram um aumento nos retornos, de acordo com a WRGB , uma afiliada da CBS em Nova York. A Mohawk Hudson Humane Society, por exemplo, preparou novos tutores de animais para a responsabilidade da adoção quando o boom aconteceu no ano passado.

“A expectativa é que seja um compromisso vitalício para a vida toda que você terá com esse animal”, disse Ashley Bouch, CEO da humane society em Menands, NY, à estação de notícias.

“Isso sempre fez parte do nosso processo de querermos encontrar a melhor combinação”, disse ela. “Queremos combinar e preparar todos para o sucesso”, finalizou.

Esperemos que esta situação também não ocorra aqui no Brasil, já que a pandemia continua em alta, a vacinação lenta e muitos ainda estão em esquema de home office. Os animais simplesmente não merecem isso!

Fonte: WebMD

Mesmo sem poder abraçar fisicamente, é preciso acolher e demonstrar afeto

Pelo segundo ano consecutivo, o Dia Nacional do Abraço será comemorado seguindo as orientações de distanciamento social para conter a propagação da Covid-19. Especialista dá dicas para amenizar a falta do contato social

Mais de um ano após o início da pandemia, os brasileiros vão passar mais um Dia do Abraço, celebrado sábado (22), distantes de quem amam por conta do distanciamento social para evitar a disseminação da Covid-19. Enquanto a maior parte da população brasileira ainda não está vacinada, as medidas sanitárias devem ser seguidas, inclusive evitando-se os abraços.

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De acordo com a psicóloga Daniela Dias Barros Schmidt, que atende no Órion Complex, em Goiânia, o abraço é um importante meio de fazer vínculos com familiares e amigos, algo que, desde a infância, se faz necessário para a convivência humana. “O abraço, assim como o contato físico, é uma demonstração de sensibilidade e carinho, que traz um sentimento de pertencimento. Como estamos em um momento de isolamento social, passamos a sofrer algumas consequências que podem resultar em doenças”, destaca a psicóloga.

Segundo Schmidt, a falta de contato físico pode provocar aumento de casos de depressão e ansiedade. De acordo com pesquisa da Universidade de São Paulo (USP), levando em consideração 11 países, o Brasil é o país com o maior número de casos de ansiedade (63%) e de depressão (59%). A pesquisa foi feita com cerca de 1.500 pessoas e também contou com a participação de Irlanda, Bulgária, China, Cingapura, Espanha, Estados Unidos, Índia, Macedônia, Malásia e Turquia.

“Com as restrições, as pessoas passaram a ter menos contato com seus amigos e familiares e houve uma redução de atrações de lazer e entretenimento. A vida vai ficando mais entediante porque perdemos justamente esse sentido do contato. O humor vai sendo deprimido, mas temos que lembrar que é algo passageiro e ter resiliência para passar por esse momento”, detalha a psicóloga.

Entre as alternativas para superar esse momento de dificuldade e distanciamento, Schmidt destaca que é imprescindível manter diálogo virtual com pessoas do nosso ciclo social e de trabalho. “Também é fundamental encontrar maneiras de fazer com que a vida tenha sentido e fazer coisas que gostamos durante o nosso dia a dia, como ver filmes, caminhar, fazer atividades físicas em parques ou até mesmo em casa. Isso é importante porque mobiliza a nossa energia interna para que a vida continue”, orienta a psicóloga. “Já pessoas que têm predisposição a ter quadros mais graves, como ansiedade e depressão, é necessário buscar um psicólogo e, se necessário, um psiquiatra”, completa.

Abraço ainda deve ser evitado

Apesar do avanço da vacinação contra a Covid-19 em grupos de risco, a orientação é de que o contato físico seja evitado e o distanciamento social continue sendo seguido como um instrumento para conter a disseminação do vírus. Segundo a infectologista Juliana Barreto, a volta do contato físico só deve ser pensada quando cerca de 70% da população estiver imunizada.

“Este ainda não é momento de se pensar em abraço porque ainda não temos uma grande parcela da população vacinada”, destaca a infectologista, também ressaltando que a orientação serve para a manutenção de outras medidas para diminuir a propagação do vírus, como o uso das máscaras.

Depois de tomar a vacina, ainda preciso usar máscara?

Alguns países ao redor do mundo já suspendem o uso de máscaras após avanço da vacinação; entenda como esse cenário não se aplica ao Brasil

Imagens simbólicas têm viralizado recentemente na internet com repórteres tirando as máscaras ao vivo ao noticiar que, nos Estados Unidos, o uso de máscaras não é mais obrigatório para a população já vacinada com as duas doses. Um gesto simples e tão esperado por milhões de pessoas ao redor do mundo que traz esperança de volta à normalidade. Mas, no Brasil, essa realidade ainda está distante. Confira abaixo alguns motivos pelos quais deve-se manter o uso de máscaras e o distanciamento social no Brasil mesmo com a vacinação.

Aumento constante no número de casos

Em mais de um ano de pandemia do novo coronavírus, o país vive o pior momento no número de contágios e mortes diárias por causa da Covid-19. São mais de 70 mil novos casos diários, enquanto nos Estados Unidos a curva de contágio tem diminuído conforme a vacinação avança no país. O infectologista do Hospital Universitário Cajuru, João Telles, explica que o aumento no Brasil se deve a três fatores principais. “A presença de variantes de cepas circulando no território nacional, somado ao baixo número de pessoas vacinadas com as duas doses e o aumento da circulação da população economicamente ativa acabam culminando no alto número de casos de Covid no Brasil”, diz.

Baixo índice de vacinados no país

A suspensão do uso de máscaras entre os norte-americanos é resultado do alto número de pessoas já completamente vacinadas no país, que contempla inclusive adolescentes a partir de 12 anos de idade. Enquanto isso, o Brasil ainda vacina idosos e pessoas com comorbidades.

O infectologista explica que, para suspender as máscaras, é necessário que uma alta parcela da população esteja imunizada. “Se tivermos um alto índice de vacinação, com uma curva baixa de contágios e baixa ocupação hospitalar, os riscos de transmissão comunitária são menores. É preciso que esses três fatores estejam andando juntos. Mas essa é uma realidade completamente diferente do Brasil, onde não temos uma grande parcela da população vacinada, com número de casos variando bastante e taxa de ocupação hospitalar muito alta, na maioria das cidades”, afirma.

Crescimento de casos em jovens

Outro fator que justifica o constante uso de máscaras no Brasil é a queda de idade entre os casos mais graves da Covid-19. “Como a vacinação completa está entre as pessoas acima de 70 anos, eles têm menores chances de desenvolver o estágio grave da Covid se forem contagiados pelo vírus. Dessa forma, há uma tendência da curva aumentar entre a população mais jovem, além de serem as pessoas em maior circulação nas ruas devido à necessidade de voltar ao trabalho e também por causa das variantes que podem desenvolver casos mais graves em pacientes nessa nova faixa etária”, finaliza o infectologista.

A orientação dos médicos é, de acordo com a situação da pandemia no Brasil, que a população continue usando máscaras em ambientes abertos e fechados e mantenha o uso constante de álcool em gel e distanciamento social. Uma vez que a vacinação está no início, essas ainda são as formas mais efetivas de evitar o vírus da Covid-19.

Fonte: Hospital Universitário Cajuru