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Profissionais alertam para o alto consumo de açúcar

Com mais tempo em casa e aumento de pedidos de refeições, ingestão de açúcar passou dos 68%

A pandemia de Covid-19 alterou vários hábitos entre os brasileiros. Muitas pessoas passaram a trabalhar na modalidade de home office, outras em modelos híbridos e tantas outras já retomaram suas atividades presenciais.

O fato é que com mais tempo em casa, muitas ações que faziam parte do dia a dia se transformaram, uma das consequências foi o elevado consumo de açúcar. A pesquisa realizada pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com as universidades de Minas Gerais (UFMG) e de Campinas (Unicamp), mostrou que praticamente a metade das mulheres, por exemplo, estão consumindo chocolates e doces em dois ou mais dias da semana.

O estudo realizado com mais de 40 mil brasileiros mostrou que esse aumento representa 7% a mais do que antes da pandemia. Outros 63% dos entrevistados afirmaram que consomem doces duas vezes por semana ou mais.

Para o endocrinologista credenciado da Paraná Clínicas, empresa do Grupo SulAmérica, Caoê Indio do Brasil Von Linsingen os açúcares são importantes para o bom equilíbrio do organismo, mas precisam de moderação. “Os açúcares são fontes importantes de energia e contribuem com a palatabilidade da dieta, mas moderação é fundamental. O excesso contribui para ganho de peso e pode também precipitar diabetes nas pessoas predispostas”, esclareceu.

A Organização Mundial de Saúde (OMS), recomenda que no máximo 10% das calorias diárias devem vir do consumo de açúcar. Considerando uma média de 2.000 calorias ao dia, essa taxa equivale a 50 gramas de açúcar por dia (aproximadamente dez colheres de chá).

Outra pesquisa que tem chamado a atenção dos médicos foi publicada em setembro e realizada nos Estados Unidos. O estudo produzido pelo Centro de Controle de Doenças dos EUA, com mais de 400 mil pacientes, mostrou uma elevada taxa de índice de massa corporal (IMC) das crianças e adolescentes durante a pandemia de Covid-19. Segundo o estudo, a proporção estimada de pessoas com obesidade aumentou de 19,3% em agosto de 2019 para 22,4% em agosto do ano passado.

Um dos fatores que levaram a esse aumento pode ser o maior período em casa e o aumento dos pedidos de comida por meio de aplicativos. “Geralmente, a pessoa pede a refeição e já coloca um refrigerante, um suco ou uma sobremesa já aproveitando o mesmo pedido. Há ainda locais que oferecem a bebida como combo da refeição. Outra possibilidade é que as pessoas podiam fazer um bolo para comer a tarde, por exemplo, fazer um docinho. Hábitos que antes não faziam parte do dia a dia do trabalho nas empresas e escritórios”, contou o médico.

Outro fator que pode ter contribuído para esse elevado consumo é a falta de atividade física, além das crises de ansiedade, estimuladas, muitas vezes, pelo longo período de distanciamento das pessoas e outras situações comportamentais.

É possível notar também esse consumo excessivo entre as crianças: “A interrupção das aulas pode ter contribuindo para essa situação. Os pesquisadores observaram que durante a pandemia as crianças provavelmente estavam longe de ambientes escolares estruturados e podem ter experimentado aumento do estresse, horários irregulares de refeições, menor acesso a alimentos nutritivos, aumento do consumo de ultraprocessados, aumento do tempo de tela e menos oportunidades de atividade física. Essas mudanças foram mais pronunciadas entre crianças do ensino fundamental de 6 a 11 anos, cuja taxa de mudança de IMC mais do que dobrou em comparação com a taxa pré-pandemia”, enfatizou Von Linsingen.

Cuidados redobrados

Foto meramente ilustrativa: Cait’s Place

Além da quantidade usual, é preciso que as pessoas que já possuam diabetes fiquem atentos a esses níveis, pois o consumo elevado de açúcares pode descompensar a doença. Engana-se quem acha que apenas os alimentos processados ou ultraprocessados possuem altas taxas de açúcar, já que fazem parte do grupo de alimentos chamado de carboidratos.

Dentro dessa grande classificação alimentar, os carboidratos são separados em simples e complexos. O primeiro de mais fácil digestibilidade está presente em produtos como pães, bolos, biscoitos, açúcar refinado, sucos e refrigerantes. Já os complexos têm absorção mais demorada pelo organismo, são mais saudáveis e estão presentes nos arrozes, massas integrais, aveias e outros.

Reeducação

Mesmo com os mais saudáveis é preciso ficar atento à quantidade. Para Von Linsingen, é importante reduzir o consumo e respeitar o corpo. “Reduzir essa porcentagem para 5% (25 gramas ou 5 colheres de chá) é ainda melhor para a saúde. Lembrando que essa quantidade abrange tanto os açúcares adicionados nos alimentos processados e ultraprocessados, quanto nos açucares naturalmente presentes nos alimentos. Um desafio e tanto para o momento em que vivemos, com alterações na rotina e consequente aumento na ansiedade. O doce acaba vindo como uma recompensa”, explicou.

Para a nutricionista credenciada pela Paraná Clínicas, empresa do Grupo SulAmérica, Fernanda Gularte, a redução precisa ser lenta e gradativa para que o paciente não obtenha ainda mais vontade de consumir. “Muitas pessoas se empolgam no início da dieta e com o passar do tempo, começam a sofrer com essas substituições. Por isso, é preciso ir aos poucos, com paciência e criar um planejamento, para que assim, o objetivo seja alcançado”, enfatizou a profissional.

Para isso, a profissional separou algumas dicas:

-Reduza as bebida açucaradas
-Troque o tipo de chocolate para 60% cacau ou mais, e saiba o melhor horário de comer
-Reduza o açúcar do café

Fonte: Paraná Clínicas

Estudo mostra aumento de 40% nos transtornos alimentares com a pandemia

De acordo com a psicóloga Valeska Bassan, o “comer” passa a ser a única forma de controle em um cenário de descontrole

O aumento dos transtornos alimentares – principalmente entre adolescentes e jovens – tem sido um problema recorrente há mais de duas décadas, de acordo com estudos feitos em todo o mundo desde os anos 2000. No entanto, levantamento feito pela National Eating Disorders Association, ONG que ajuda indivíduos e famílias afetadas por transtornos alimentares mostrou um aumento de 40% nas ligações em sua linha de suporte desde março de 2020.

De um modo geral, a pandemia da Covid-19 criou situações que fragilizaram a saúde mental como isolamento social, mortes, preocupações em excesso, medo, falta de emprego, dinheiro e de perspectivas em geral, facilitando o aparecimento da ansiedade, depressão e transtornos alimentares.

Um segundo estudo realizado em 2020, com mil participantes diagnosticados com transtornos alimentares, nos EUA e na Holanda, descobriu que as pessoas que já possuem o diagnóstico de anorexia ficaram mais propensas a comer ainda menos refeições diárias, jejuar e ingerir alimentos de baixa caloria desde o surgimento da pandemia. Já pessoas com bulimia e transtorno da compulsão alimentar tiverem episódios mais frequentes e mais desejo de comer de maneira compulsiva.

Para a psicóloga e coordenadora do grupo de comer compulsivo do Ambulim (IPQ- USP), Valeska Bassan, escolher quando, como e quanto comer, oferece uma sensação de poder e controle diante de circunstâncias incontroláveis, especialmente nesse cenário que estamos vivendo. “Em momentos de estresse é bastante comum o ‘comer emocional´ que não e um estímulo de fome, e sim um gatilho emocional como resposta a uma situação adversa, não necessariamente negativa, por isso muita gente ganhou ou perdeu peso de forma significativa durante a pandemia”, comenta.

Outro ponto destacado pela especialista é que com o distanciamento social, grande parte das pessoas teve as atividades físicas limitadas ou paralisadas. Além disso, muitos recorreram às redes sociais como “substituta” dessa interação, o que é positivo do ponto de vista de conexão, mas bastante prejudicial no quesito percepção da autoimagem, o que pode gerar comportamentos mais negligentes em relação à alimentação.

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“Por isso, ficar atento aos sinais do corpo e da mente é fundamental, e o mais importante é se perceber. Se perguntar como estou hoje? Isso que estou sentindo é normal? Enfim, se ouvir e tentar perceber o que se passa com a gente. Isso já é o primeiro passo para a cura ou para a busca de um tratamento adequado”, finaliza Valeska.

Consumo de doces por adolescentes cresce 48% durante pandemia

Opções de alimentos e produtos que substituem a sacarose auxiliam no emagrecimento, regulam o humor e ajudam na prevenção de doenças

Diminuir a ingestão de açúcar não é uma tarefa fácil. Além do sabor considerado agradável, alimentos com alto teor de sacarose (popularmente conhecido como açúcar branco) funcionam como calmantes emocionais e, por isso, são consumidos em excesso durante momentos de tensão e preocupação, seja por crianças, jovens ou adultos.

A pandemia e as incertezas geradas por ela podem acentuar ainda mais o abuso do ingrediente. Segundo recente pesquisa publicada no periódico científico Nutrients, que contou com a participação da Fiocruz, a porcentagem de adolescentes que consomem doces diariamente cresceu de 14% para 20,7% durante o período de isolamento social – um aumento de 48%, aproximadamente.

Seja nesta fase da vida, na infância ou na fase adulta, uma dieta balanceada e que priorize a redução do consumo do açúcar branco pode trazer diversas vantagens para o organismo – entre elas a perda de peso, a regulação do humor e a prevenção de doenças, como hipertensão, problemas cardiovasculares, obesidade e diabetes. Além disso, a baixa ingestão de sacarose ainda auxilia na saúde da pele e ajuda no equilíbrio do sistema nervoso.

De acordo com a gerente de pesquisa e desenvolvimento da Jasmine Alimentos, Melissa Carpi, a busca por opções mais saudáveis já tem sido sentida pela indústria. “Em tempos como esse que estamos vivendo, as pessoas percebem a importância de adequar a alimentação. Então, cada vez mais, os alimentos saudáveis, orgânicos, integrais e com baixo teor de açúcar estão entrando na rotina das famílias que buscam a melhoria do bem-estar e o aumento da imunidade”, afirma.

A indústria de alimentos tem investido em soluções alternativas à sacarose, com opções naturais e até mesmo de produtos que não possuem origem animal. “Além da preocupação com a saúde, a proveniência da comida e sua sustentabilidade têm feito parte do debate sobre alimentação”, acrescenta Melissa.

Alternativa ao açúcar

Graças a esse cuidado com a origem dos alimentos, a Calda de Agave tem caído no gosto de consumidores e, principalmente, de nutricionistas e influencers de saúde, que trocaram até mesmo o mel (alternativa conhecida como ‘mais saudável’ ao açúcar branco) e tenham aderido ao adoçante natural de origem 100% vegetal.

“Por se tratar de um produto à base de frutose natural e com baixo teor de sacarose, a Calda de Agave se torna uma ótima escolha, por ser muito indicada para adoçar bebidas, cafés, sucos e vitaminas. O produto funciona ainda como ingrediente para preparações culinárias, como bolos e doces. Outra vantagem é a substituição do mel como adoçante natural, já que é o Agave proveniente de uma planta nativa do México e não agride o habitat das abelhas, tornando-se também uma opção viável para a comunidade vegana”, explica a nutricionista da E4 e consultora da Jasmine Alimentos, Karla Maciel.

A profissional ainda salienta que, além de alternativa ao açúcar e ao mel, a calda de Agave também combina com frutas, iogurtes e cereais no café da manhã. “O poder de adoçar desse ingrediente é até 1,5 vezes maior que a sacarose comum”, finaliza.

Linha Zero Açúcar

Além de possuir sua própria Calda de Agave Orgânico, prática, de fácil dissolução e pronta para o consumo, a Jasmine Alimentos também conta com uma linha completa de produtos zero açúcar para o consumidor brasileiro, como cookies, granolas, rosquinhas e Stevine Líquido.

Fonte: Jasmine

Brasil bate recorde de consumo de vinho em ano de pandemia

Pesquisa revela aumento histórico de mais de 30% no consumo de vinho

O brasileiro nunca consumiu tanto vinho como neste último ano de pandemia. Em média foi consumido 2,78 litros de vinho per capita, o que representa um aumento de mais de 30%.

É o que releva um estudo divulgado pela plataforma Cupom Válido que reuniu dados do Statista, Euromonitor e Nielsen, sobre o consumo de vinho no Brasil e no mundo. O consumo total foi de 501 milhões de litros (contra 383 milhões no ano anterior), um valor nunca atingido na história. Ao considerar todos os países da América Latina, o Brasil ficou só atrás da Argentina.

Do total de 83 milhões de consumidores de vinho no Brasil, 46% tomam vinho pelo menos uma vez por semana, e 53% pelo menos uma vez por mês.

Vinhos preferidos pelos brasileiros

O vinho tinto é o preferido dos brasileiros, com 55% da preferência. O vinho branco fica em segundo lugar, com 25%. E por fim, o vinho do tipo rosé está em terceiro lugar de preferência nacional, com 20% do total.

No caso vinho tinto, o tipo preferido dos brasileiros são os da uva Malbec, originária da França e com quase 59% do plantio mundial. Em sequência seguem os tipos Cabernet Sauvignon e Merlot, respectivamente.

Para os vinhos do tipo branco, a primeira opção é a do tipo Chardonnay, mais conhecida como a “Rainha das uvas brancas”. A uva do tipo Sauvignon Blanc e Moscato, seguem na segunda e terceira posição, respectivamente.

Aproximadamente 59% dos consumidores de vinhos no país tem mais de 35 anos. Além disso, 30% dos consumidores desta bebida, utilizam os canais digitais, como portais ou lojas online para comprar vinhos.

Os brasileiros também podem são considerados consumidores abertos à novas experiências, já que mais de 70% estão dispostos a provar novos tipos vinhos, não ficando preso só a uma marca ou subtipo de uva.

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Vinhos nacionais versus importados

Segundo a pesquisa, no Brasil, 69% do total de vinho consumido é nacional, contra 31% importado. A alta do dólar foi um dos principais contribuidores pela queda no consumo de vinhos importados em comparação com o ano anterior.

Mais de 42% de todos os vinhos importados, são provenientes do Chile. Seguido por vinhos importados da Argentina e Portugal, com 16% e 15%, respectivamente.O estado brasileiro que mais importou vinho, foi a Santa Catarina, com 30% da importação total. Seguindo por São Paulo em segundo, e Espírito Santo em terceiro.

Cenário mundial do consumo de vinho

O vinho mais vendido do mundo é o da marca Barefoot, dos Estados Unidos. O segundo mais vendido é a Concha y Tore, do Chile. E a marca Gallo, também dos Estados Unidos, segue em terceira posição.

Os Estados Unidos é o país que mais consome vinho do mundo, no total são mais de 33 milhões de hectolitros por ano, ou 13% do consumo mundial. A França e Itália seguem em segunda e terceira posição, respectivamente. Levando em consideração o consumo per capita, a ordem muda, e a França segue na liderança, seguido por Portugal na segunda posição.

Confira o infográfico completo abaixo:

Pandemia: dicas de como fortalecer as defesas do organismo e elevar a autoestima

Chefe de nutrologia do Instituto Dante Pazzanese, Daniel Magnoni, orienta sobre importância de manter os níveis adequados de vitaminas do Complexo B, (principalmente Biotina e Ácido Fólico), para proteção da pele e fortalecimento de unhas e cabelos, além de Cálcio e Vitamina D que auxiliam com o bom funcionamento do organismo

Muitos meses de pandemia, incertezas, home office, com ou sem crianças, restrições, má alimentação, correria, estresse e mais uma série de imprevistos que são resolvidos ao longo de cada semana. Como equilibrar a saúde diante de uma rotina tão atribulada? Mais ainda, como manter a boa aparência da pele, unhas e cabelos e participar de inúmeras reuniões on-line?

“Dietas que combinam vitaminas e minerais são muito importantes, não somente para imunidade, mas para o organismo de modo geral, pois a ação desses nutrientes auxilia não só com o sistema imunológico, mas também ajudam a reforçar a autoestima. Vitaminas do Complexo B, principalmente Biotina e Ácido Fólico, Cálcio e Vitamina D são essenciais nesse sentido, além de reforçar as defesas do organismo auxiliam na proteção da pele e fortalecimento de unhas e cabelos”, explica o chefe de nutrologia do Instituto Dante Pazzanese, em São Paulo, Daniel Magnoni.

Com a pandemia, cuidar da imunidade passou a ser item prioritário para 65% das pessoas. E 70% revelaram que consomem suplementos para apoiar o seu sistema imunológico, de acordo com um recente levantamento da DSM Nutrição e Saúde Humana, que entrevistou 12 mil pessoas, em 24 países, para entender as percepções e atitudes dos consumidores nas questões de saúde imunológica e nutricional.

“A alimentação das pessoas, que já não era ideal, piorou por conta da pandemia e a procura por suplementos aumentou. Mas é importante destacar que o médico deve ser procurado para uma avaliação mais precisa e orientações sobre suplementos, quando necessário. O segmento evoluiu de forma expressiva e hoje conta com várias opções em cápsulas, comprimidos, gotas, inclusive uma nova geração em formato de gomas mastigáveis, mais práticas, que reúnem vitaminas e minerais que suprem as necessidades diárias do organismo”, destaca Magnoni.

Aliados da imunidade e do bem-estar

Vitaminas do Complexo B – de maneira geral, as vitaminas que compõem o Complexo B, auxiliam com a absorção e ativação de nutrientes. Cada uma delas tem suas especificidades como, por exemplo: a Vitamina B7 (biotina), que também auxilia no combate à queda de cabelo, além de fortalecer as unhas e manter a saúde da pele e a Vitamina B9 (folacina ou ácido fólico), responsável pela formação de proteínas, entre elas a hemoglobina (presente nos glóbulos vermelhos no sangue).

Vitamina D – trata-se de um hormônio, classificado como vitamina, que é sintetizado pela exposição à luz solar. É um regulador do sistema imune e auxilia com a absorção de minerais como o cálcio, fundamental na formação de ossos e dentes.

Cálcio – ideal para manter a saúde óssea e auxiliar diretamente na prevenção de osteopenia e osteoporose, principalmente entre o público 60+. A combinação entre cálcio e a Vitamina D3 é fundamental para o metabolismo ósseo e a deficiência de qualquer um deles irá prejudicar que esse processo se realize.

Fonte: Instituto Dante Pazzanese

Pandemia: aposte nesses cuidados para reduzir estresse e ansiedade e reforçar imunidade

Time de especialistas dá dicas para ajudar você a passar por esse momento de grande estresse e ansiedade sem prejudicar sua saúde mental

Apesar das campanhas de vacinação estarem ocorrendo em vários estados do Brasil, ainda não temos certeza de até quando a pandemia causada pelo novo coronavírus durará. Rotinas seguem abaladas e os números de casos e mortes se mantêm altos. Esses fatores, combinados à distância de amigos e familiares e o atual cenário político brasileiro, podem causar grande quantidade de estresse e ansiedade.

“Nesse período de pandemia é normal que estejamos apreensivos e ansiosos com o presente e futuro próximo, o que pode fazer com que realizemos nossos hábitos e funções no piloto automático enquanto nossa cabeça permanece sempre ligada e alerta, o que acaba gerando ainda mais estresse. Por isso, gerenciar o estresse nesse período e adotar cuidados para manter a sanidade mental é fundamental para diminuir a incidência de problemas psicológicos e evitar que o sistema imunológico seja afetado”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Então, pensando em uma maneira de te ajudar nesse processo, reunimos um time de especialistas para dar dicas sobre como controlar o estresse e a ansiedade e melhorar a saúde mental nesse período tão complicado. Confira:

Entenda o momento – para lidar com essas questões, o primeiro passo é identificar que você está ansioso ou estressado. Então, observe se você está comendo demais, se seu humor está alterado ou se você não consegue dormir direito. “Além disso, é importante reconhecer o momento pelo qual estamos passando. É um período diferente de tudo o que vivemos e que não sabemos ao certo quando irá acabar. Mas, cada dia é um dia. Hoje você pode estar ansioso, mas amanhã não. Então, adapte sua rotina para essa situação. Se estiver ansioso, evite situações estressantes”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Fuja da rotina de vez em quando – não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. “Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo que essa mudança ocorra apenas uma vez por semana já é de grande ajuda”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), vale a pena aproveitar esse período, por exemplo, para aprender a cozinhar, tentar uma receita nova e preparar de refeições caseiras balanceadas: “Se não sabe por onde começar, tente diminuir o consumo excessivo de carboidratos, proteína animal e produtos industrializados e aumentar a ingestão de vegetais, que devem compor 75% do prato. A comida deve ser boa, gostosa e feita com ingredientes saudáveis”.

Desconecte-se – vivemos conectados e queremos sempre acompanhar tudo o que está acontecendo. Como se não bastasse, devido ao novo coronavírus, estamos expostos a uma grande quantidade de informação, o que pode ser extremamente estressante e ansiogênico. “Por isso, devemos segurar a vontade de ficar demasiadamente em redes sociais. Evite também procurar informações em excesso sobre o novo coronavírus. Poupe-se. Se possível, visite as redes sociais apenas em dias intercalados para ajudar a diminuir a ansiedade desse momento”, recomenda Farinazzo.

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Pause por um momento – caso você ainda esteja trabalhando em casa, a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, aconselha investir em pequenas pausas ao longo do dia para descansar a mente. “A cada duas horas levante-se, tome água, olhe pela janela, tome um café, converse com alguém ou faça cinco minutos de meditação. Esse é um processo importante para relaxar e desestressar”, destaca. E claro, no final do dia não esqueça de descansar bem, pois poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixam com um humor melhor e aguçam nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma Batistella.

Programe-se e ocupe a mente – principalmente para quem está em home office, é muito comum a impressão de que não se está sendo produtivo. Por isso, é fundamental estabelecer um cronograma. “Para quem está trabalhando em casa, é necessário organizar-se. Quanto mais o cérebro trabalhar, melhor. Quanto mais desafios e problemas a serem resolvidos, melhor”, afirma Beatriz.

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Exercite o seu corpo – segundo Batistella, o exercício físico melhora o fluxo sanguíneo, protege a memória e estimula mudanças químicas no cérebro que contribuem para o aprendizado, o humor e o pensamento. “Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência, por exemplo não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca.

Medite – outra dica importante para diminuir a ansiedade e o estresse é apostar na meditação e no mindfullness. “Mindfullness significa viver em atenção plena, ou seja, conseguir vivenciar os momentos com todas as suas características emocionais e sensoriais, sem distrações. O mindfullness pode ser usado por qualquer pessoa que queira começar alguma prática de meditação, mas que não sabe como dar os primeiros passos, pois ajuda a gerenciar o estresse e a ansiedade e a melhorar a concentração e a produtividade”, recomenda Aline. Comece praticando 15 minutos por dia de meditação. Procure um canto quieto e atente-se a sua respiração. Existem até aplicativos que te ajudam a fazer isso, como o Headspace e o Calm.

Dê uma trilha sonora à vida – “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz Batistella.

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Pratique o autocuidado – uma boa estratégia para diminuir o estresse e a ansiedade é realizar uma rotina diária de cuidados com a pele. “A rotina skincare é um momento de autocuidado e relaxamento. Por meio do cuidado com a pele somos capazes de nos conhecer melhor, aumentar nossa autoestima e bem-estar e ainda diminuir o estresse e a pressão do dia a dia”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E, para os iniciantes na rotina de beleza, não é preciso ir longe, pois o método de skincare conhecido como skip-care já é um ótimo começo, consistindo na utilização de apenas três produtos que vão manter sua pele bem cuidada: um sabonete de limpeza, um hidratante e um filtro solar (usados nessa ordem).

Estabeleça relações interpessoais – uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse e a ansiedade, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo Batistella. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. Caso não seja possível estar próximo de seus amigos e familiares, utilize a internet a seu favor. Mas, nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, completa o médico.

Porém, é importante ressaltar que existem quadros de ansiedade graves e que necessitam de acompanhamento e tratamento médico. Então, caso as dicas acima não sejam suficientes para amenizar sua ansiedade, você deve consultar um profissional especializado, como um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

De que forma a saúde mental em tempos de Covid-19 afeta nossa pele

A esta altura, você não deve aguentar mais termos como “novo normal”. Mais estressada do que nunca, sua saúde mental tem alta relação com a do tecido cutâneo

É possível que você já esteja cansada de ouvir, ler e falar sobre o caos: do exausto “tempos incertos” ao ainda mais gasto “novo normal”, tudo nos bombardeia com incertezas e estresse constante, confirmando que o mundo, à falta de melhor expressão, está mesmo de pernas para o ar. Mais ansiosa e estressada que nunca, é possível que a sua pele esteja colhendo esses frutos. “A saúde mental e as doenças dermatológicas estão claramente associadas. Há uma ligação entre pele e mente que se explica pelo fato de existir uma origem biológica comum entre o sistema nervoso central e a pele”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

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“Podemos dizer que a pele é como um sensor, que estabelece plena ligação entre o mundo externo e o mundo interno, reagindo de forma mais ou menos acentuada às emoções despertadas por diferentes estímulos”, acrescenta. Intimamente ligadas, mente e pele vão assim influenciar-se mutuamente – e essa relação é mais complexa e profunda do que podemos imaginar.

De acordo com a médica, a pele é um órgão amplamente visível, com uma função de comunicação e integração social. Dessa forma, diferentes doenças cutâneas afetam seriamente a nossa autoimagem, o que por si só já origina ansiedade, depressão e consequentemente a alteração da qualidade de vida. “Mas também sabemos que o estresse é um fator preocupante, inclusive relacionado ao desencadeamento de algumas doenças dermatológicas, como a acne, a rosácea, a psoríase, a dermatite atópica, a alopecia, o prurido e até mesmo o envelhecimento, com aparecimento de rugas”.

A explicação para isso passa pelos hormônios. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, diz a médica.

Segundo o estudo “Brain skin connection: stress, inflamation and skin aging”, publicado no periódico Inflamm Allergy Drug Targets em 2014, o estresse leva à liberação de cortisol e, cronicamente, isso causa atrofia cutânea, redução do número de fibroblastos e diminuição do colágeno e elastina.

“Também há uma maior liberação de adrenalina e isso causa menor reparação aos danos ao DNA celular pelo processo de envelhecimento. O estresse emocional está ligado à redução dos mecanismos de adaptação ao estresse oxidativo (causado por agressores ambientais e hábitos como má alimentação e cigarro) aumentando a geração de radicais livres que também acentuam o envelhecimento da pele”, diz Roberta.

“Além disso, uma parte dos cromossomos, os telômeros, se encurtaria pelo estresse crônico: e o encurtamento dos telômeros é levantado como causador do envelhecimento por reduzir a função das mitocôndrias que geram energia para as células e por aumentar a produção de radicais livres”, completa a médica. Além disso, existe uma resposta exagerada dos nossos vasos cutâneos à liberação de determinadas substâncias do estresse.

Vários estudos também dão conta que o estresse aumenta a produção natural dos corticoides, facilitando a atrofia da pele e a perda de colágeno. “Ocorre também um déficit na circulação, acelerando o envelhecimento que culmina com a queda da imunidade da pele e sua capacidade de reparo e barreira — isso potencializa a ação dos agressores externos”, explica a Dra. Roberta.

O melhor meio de lidar com esses problemas é buscar ajuda médica. “Sabemos que o estresse provoca um desequilíbrio inclusive no microbioma da pele, que compreende os microrganismos que são nossos defensores. Por esse motivo, o médico pode ajudar indicando uma rotina de cuidados que conte com produtos mais suaves e menos abrasivos em um momento que essa pele precisa de um cuidado extra”, diz Roberta.

É fundamental reforçar a hidratação diária da pele, a fim de restaurar e manter o equilíbrio fisiológico da barreira cutânea”, aconselha. “Devem ser utilizados produtos de higiene suaves, com pH entre 4,5 a 5,5, e produtos cosméticos fáceis de espalhar, que não sejam muito espessos. Os produtos devem ser fáceis de espalhar, não irritantes, e com uma ação ao mesmo tempo emoliente, regeneradora, calmante, anti-inflamatória e descongestionante. Estes cosméticos aumentam muito o grau de tolerância da pele reativa, dando mais conforto, a curto e longo prazo, e melhorando a qualidade de vida”, finaliza a médica.

Fonte: Roberta Padovan é médica pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela Incisa. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, a médica é proprietária de duas clínicas, no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Sono na pandemia: dormir mais que o habitual deve ser um sinal de atenção

Neste longo período de pandemia, os reflexos físicos e mentais já deixaram de ser previsões para tornarem realidade para boa parte da população. A queda na qualidade do sono não ficou de fora dessa lista de efeitos externos que impactam na regulação rítmica de diversos processos fisiológicos do organismo. Segundo o otorrinolaringologista do Hospital Edmundo Vasconcelos, Ronaldo dos Reis Américo, é preciso atentar ao volume de sono, desmistificando a percepção de que dormir por mais horas significa eficiência do sono.

O especialista afirma que dormir por mais tempo de maneira rotineira pode indicar distúrbios de latência e baixa eficiência do sono. “Neste período pandêmico, pesquisas nacionais recentes mostram que os distúrbios de sono atingem até 50% da população do país. E, entre as mudanças, está o aumento do volume de horas de sono, sem que haja como reflexo a ampliação da qualidade deste ato”, conta Américo

Dormir por mais horas já é uma rotina na vida de aproximadamente 26% dos brasileiros, como cita o artigo ‘Fatores associados ao comportamento da população durante o isolamento social na pandemia de Covid-19’. O otorrinolaringologista do Edmundo Vasconcelos lembra que é preciso atenção a essa realidade pois o sono tem papel fundamental na saúde. “É durante este momento do dia que regulamos a homeostase do corpo, liberamos grande carga de hormônios e consolidamos a memória”, enfatiza.

Além do maior volume de horas de sono, o cenário de tensão vem colaborando para mais insônia, sonolência excessiva diurna (SED), dificuldade de dormir e acordar em horários propostos e anormalidades comportamentais ligadas ao sono. De acordo com Américo, é importante dar atenção a esse hábito a fim de evitar que as alterações se tornarem crônicas, com efeitos duradouros e tratamento mais difícil.

Para evitar essas consequências, o médico aconselha seguir medidas de higiene de sono e nunca fazer uso indiscriminado de medicamentos sem supervisão médica, uma vez que eles podem gerar efeitos colaterais significativos e interagir de forma negativa com outras substâncias.

Como pôr em prática a higiene do sono:
• Opte por atividades mais calmas após o anoitecer;
• Diminua, de forma progressiva, a luminosidade do ambiente;
• Reduza o uso de aparelhos eletrônicos emissores de luminosidade como televisores e computadores;
• Estabeleça uma rotina para o sono, com horário estabelecido para dormir e acordar.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos

Dermatite, secura e irritação das mãos cresce na pandemia com abuso de higiene e álcool

Nova pesquisa apresentada no começo de março no Simpósio da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia destaca que a dermatite das mãos cresce e já atinge duas em cada 3 pessoas

O impacto dermatológico do Covid-19 é um tema que vem sendo estudado mundialmente e uma nova pesquisa apresentada no começo de março no Simpósio da Academia Europeia de Dermatologia e Venereologia destacou que a higiene rigorosa das mãos durante a pandemia fez aumentar os casos de dermatite, secura e irritação no local.

“Tanto os profissionais de saúde quanto o público em geral neste estudo afirmaram que a irritação e ressecamento da pele eram a principal barreira para a prática consistente de higiene das mãos”, destaca Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “A pele das mãos é naturalmente mais espessa, mas possui menos glândulas sebáceas, sendo assim a alta concentração de álcool na fórmula desse produto pode facilmente desidratar o tecido cutâneo da região, contribuindo também para o envelhecimento acelerado da pele dessa região”, afirma.

Pesquisadores do Father Muller Medical College, da Índia, analisaram a perda de água transepidérmica (TEWL – um parâmetro essencial para medir a função de barreira da pele) de 582 pessoas (291 profissionais de saúde e 291 indivíduos saudáveis da população em geral). Os resultados indicaram que a dermatite das mãos estava agora presente entre 92,6% dos profissionais de saúde e 68,7% da população em geral, apesar de apenas 3% dos profissionais e 2,4% do público em geral no estudo ter relatado um histórico prévio de dermatite das mãos.

“Foi observada também uma maior média de pele mais seca em mulheres e profissionais de terapia intensiva, que foi associada à alta frequência de lavagem das mãos e uso de gel para as mãos à base de álcool”, explica a dermatologista.

Segundo a médica, esta pesquisa demonstra verdadeiramente o impacto do aumento da lavagem das mãos e do consumo de produtos à base de álcool na saúde da pele das mãos dos profissionais de saúde e do público em geral. “Além disso, agora sabemos que é necessário alertar a população sobre os meios de prevenção do eczema das mãos”, explica Letícia.

Após o uso do álcool em gel, é recomendável, segundo a médica, que se aplique um cosmético específico para as mãos, que deve ser formulado com ativos de alta propriedade hidratante, como ureia e ácido hialurônico. “O mesmo vale para a higienização das mãos com água e sabão, já que quando realizada com frequência, o que é necessário nesse momento, também pode favorecer o ressecamento da região”, alerta.

“Por isso, além de também utilizar um hidratante para as mãos após lavar a região, vale a pena apostar no uso de sabonetes menos agressivos, dando preferência a fórmulas mais hidratantes”, finaliza.

Fonte: Letícia Bortoloni é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. À frente da clínica Enlapy, em Cuiabá, a médica é formada em Medicina pela Universidade de Cuiabá, com especialização em Dermatologia pela Fundação Souza Marques (São Paulo/SP) e em Clínica Médica pelo Hospital Guilherme Álvaro (Santos/SP).

Consumo de medicamentos aumenta na pandemia

Especialista analisa os riscos da automedicação e faz alerta sobre a busca por orientações acerca dos medicamentos na internet

Um dos setores da economia que tem obtido bons resultados na pandemia é o farmacêutico. Segundo uma pesquisa do Instituto Febrafar de Pesquisa e Educação Corporativa, em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o segmento cresceu 16,2% no Brasil nos últimos 12 meses. Ao apontarem para um aumento significativo do consumo de medicamentos no país, esses números acendem um alerta sobre o consumo excessivo e imprudente desses produtos por parte da população.

Com a pandemia, surgiram vários tratamentos alternativos que, mesmo sem nenhuma comprovação científica, foram difundidos nas redes como eficazes contra o vírus. Para a professora da disciplina de Farmacoterapia e Cuidado Farmacêutico no Centro Universitário Newton Paiva , Yone de Almeida Nascimento, a pandemia apenas acelerou um fenômeno que já estava em andamento.

“A internet tem se tornado uma fonte de pesquisas cada vez mais frequente sobre medicamentos e tratamentos. Existem bons conteúdos sobre o assunto, mas a grande maioria é de credibilidade duvidosa. O problema é que pessoas que recorrem a essa alternativa são leigas, portanto, têm dificuldade para filtrar tais informações”, afirma ela.

Automedicação

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Apesar da existência de um certo tabu em torno da automedicação, ela é considerada uma prática de autocuidado, que é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, sintomas leves como dor de cabeça eventual ou cólica menstrual podem ser tratados pelo paciente. Por isso existem os Medicamentos Isentos de Prescrição (MIPs), recomendados pelas autoridades sanitárias para tratar os sintomas associados a condições de saúde autolimitadas, como os citados acima.

No entanto, os especialistas alertam para a existência de riscos. Yone destaca três situações principais a que o paciente deve ficar atento: a persistência dos sintomas após a utilização dos MIPs; o consumo de um MIP e os medicamentos de uso habitual do paciente, de forma simultânea, pois existe o risco deles se anularem ou até mesmo prejudicar o paciente; e, por fim, o risco do MIP agravar outras doenças preexistentes. Em todos esses casos, é importante consultar o farmacêutico ou o médico.

Consulta ao farmacêutico

Apesar de ser uma prática tradicional no Brasil, a prescrição de remédios por parte dos profissionais farmacêuticos só foi regulamentada em 2013, por meio da resolução 586 do conselho federal de farmácia. Todos os medicamentos que se enquadram na lista de grupos e indicações terapêuticas presentes no documento podem ser prescritos pelos farmacêuticos.

Yone diz que a consulta ao farmacêutico é válida, mas faz um alerta aos consumidores. “No Brasil, muitos atendentes de farmácia que não possuem formação adequada e trabalham por comissão. O que faz com que muitas vezes eles incentivem o consumo de medicamentos sem atentar para a real necessidade do paciente”, explica a professora da Newton Paiva.

“A melhor forma de se resguardar é certificando de que o profissional que passa as orientações é de fato um farmacêutico que possui o conhecimento técnico para prescrever um medicamento adequado às necessidades do paciente, ou até mesmo direcioná-lo a um outro profissional de saúde”, finaliza a especialista.

Fonte: Centro Universitário Newton Paiva