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Dia do Abraço: por que o cérebro sente tanta falta desse contato?

Hoje, 22 de maio, é celebrado o Dia do Abraço. Em tempos de isolamento social, o médico neurocirurgião e neurocientista Fernando Gomes, explica por que a ausência desse afeto tem causado tanta confusão de sentimentos e tristeza em muitas pessoas.

“O cérebro trabalha com recompensas e o fato de abraçar – ou ser abraçado – é capaz ativar o circuito mesolímbico dopaminérgico do cérebro: uma região responsável por emoções agradáveis e uma descarga de neurotransmissores e substâncias que causam bem-estar são disparadas para todo o corpo, causando a sensação de conforto que só um abraço bem apertado é capaz de causar”, explica.

O médico fala que sem o abraço, que estimula as funções cerebrais e ativa os cinco sentidos, não há a mesma troca de ‘energia’ entre as pessoas, e o cérebro sofre fisiologicamente com isso.

“Como somos seres programados para vivermos em sociedade, estabelecer conexões nos torna mais fortes e isso está no nosso DNA e por mais que isso não seja compensado por uma ligação em que se vê do outro lado da tela, essas ações são as únicas possíveis atualmente e podem ajudar a sanar o buraco que essa fase tem causado”, revela.

Outra dica importante é tentar ao máximo manter uma rotina no afastamento social. “Neste momento de pandemia os níveis de dopamina e serotonina se alteram e aumentam naturalmente a irritação, a intolerância, faz perder a noção do tempo, do dia da semana, do mês e isso tudo vai aumentando o estresse oxidativo.

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Para manter o eixo hipotalâmico – área do cérebro responsável pelo ritmo circadiano e comportamento alimentar – além dos cuidados com alimentação, sono e atividade física, Gomes chama a atenção para a importância de organizar a semana e o dia em manhã, tarde e noite; entre trabalho, estudo, descanso e lazer – mesmo que se esteja fazendo tudo isso sem sair de casa.

Fonte: Fernando Gomes é médico neurocirurgião, neurocientista, comunicador e autor de 8 livros. Professor Livre Docente de Neurocirurgia, com residência médica em Neurologia e Neurocirurgia no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, é neurocirurgião em hospitais renomados e também coordena um ambulatório relacionado a doenças do envelhecimento no Hospital das Clínicas. 

Psiquiatra analisa porque o número de suicídios tem aumentado durante pandemia

Por trás da máscara protetora contra o vírus pode estar uma outra doença mascarada: a depressão, responsável por 97% dos casos que levam ao suicídio

O Brasil registra mais de 13 mil casos de suicídio por ano, segundo dados do Ministério da Saúde. Considerado pela OMS como o oitavo país do mundo com maior número de casos e levar 32 brasileiros por dia, o suicídio é uma questão de saúde pública que pode ser prevenível em 90% dos casos, mas, durante a pandemia, os números tendem a aumentar.

O psiquiatra Diego Tavares, especialista em depressão e bipolaridade do Hospital das Clinicas da FMUSP, alerta que a depressão do transtorno bipolar causa o dobro dos casos de suicídio da depressão clássica, mais conhecida pela maioria das pessoas. Mas por que pouco se fala na depressão com bipolaridade em um tempo em que confusão de sentimentos tem tomado conta da população em geral?

Segundo o especialista, em transtornos de humor a maior parte das pessoas ao se deparar com temas relacionados a suicídio como automutilação, tentativas de suicídio e o próprio suicídio consumado, acaba dando atenção exclusiva aos fatores agravantes mas não aos fatores predisponentes biológicos como as doenças psiquiátricas.

Muitos são os estressores ou gatilhos que levam ao suicídio, ainda mais em um tempo de tantas incertezas, medos e inseguranças, mas pouco se fala sobre as raízes de um comportamento suicida. E é disso que precisamos falar quando pretendemos prevenir o suicídio: agir nas raízes do problema.

“Quem se suicida está doente, isso é um fato, mesmo que a doença esteja silenciosamente oculta, e na maior parte dos casos está, o suicídio traz, em algum grau, alguma desordem no sistema nervoso, nas regiões desregulação emocional. O suicídio é um problema que começa no cérebro e termina na ação, agravado por estressores psicossociais”, diz.

Para exemplificar, Tavares enumera os tipos de depressão:

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Depressão melancólica: é a retratada nos filmes e, por isso, é o que a maior parte das pessoas acredita ser a única. É um tipo grave, porém raro de depressão, em que os pacientes podem apresentar intensa lentidão motora, ficam de cama, parados o tempo todo, não comem, não tomam banho e têm acentuada perda da capacidade de sentir prazer por coisas antes prazerosas. A característica principal da melancolia é a completa ausência de reatividade do humor, ou seja, a pessoa não se anima com nenhum estímulo positivo.

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Depressão ansiosa: os pacientes apresentam sintomas depressivos menos graves, porém há uma proeminência maior de sintomas ansiosos (medo intenso, preocupação, tensão, hipervigilância e insegurança).

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Depressão atípica: a pessoa sente um humor de apatia, sono excessivo durante o dia, aumento exagerado de apetite e reatividade do humor (melhora com fatores positivos eventuais). Costuma ser confundida com um esgotamento físico ou problemas como anemia, deficiência de hormônios etc.

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Foto: MedicalNewsToday

Depressão mista: é a mais perigosa e a que apresenta o maior risco de suicídio. São quadros de depressão com maior agitação mental, desespero, angústia, dificuldade de concentração por distração e pensamento acelerado, maior irritabilidade, comportamentos compulsivos que aliviam a depressão (fumar, beber, usar maconha, gastar dinheiro, abuso de calmantes, se masturbar etc), aumento da fala (reclamando e sofrendo com a depressão), labilidade de humor (momentos de grande variação emocional). Neste tipo, os pacientes podem apresentar com maior frequência ideias de suicídio como fenômeno associado ao intenso desespero e angústia presentes nesses quadros. Ocorre com frequência no transtorno bipolar, devido a mistura de elementos da depressão com elementos da fase maníaca (agitação, desespero, pensamento rápido, impulsividade aumentada etc).

De acordo com o especialista, a principal causa de suicídio são as depressões do transtorno bipolar (15% de frequência). Os tratamentos de depressões melancólicas, ansiosas e atípicas podem ser feitos apenas com medicamentos da classe dos antidepressivos mas quadros de depressão mista precisam de medicamentos da classe dos estabilizadores de humor (sozinhos ou associados aos antidepressivos).

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Pexels

“Mas, o mais importante de tudo é tratar a depressão como prevenção ao suicídio e sabermos que nem toda depressão se expressa da mesma maneira e que alguns tipos apresentam maior risco de suicídio. A depressão quando é grave não se cura sozinha e merece tratamento com medicamento e psicoterapia”, finaliza o especialista.

Fonte: Diego Tavares é graduado em medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP), fez residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP). Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (Gruda) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do IPQ-HC-FMUSP e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB)

Acne na quarentena? Você não está só

Dermatologistas dão dicas de como tratar e prevenir as inflamações neste período

Você tem usado menos maquiagem, levado mais a sério o skincare e ficado menos exposta à poluição, mas mesmo assim parece que as espinhas voltaram com tudo nesta quarentena, certo? Fique tranquila, pois você não está sozinha.

Cerca de 40% de adultos, principalmente as mulheres, sofrem com o problema. Com o nível de estresse aumentado, é comum que a acne volte a aparecer neste período, explica a dermatologista Gina Matzenbacher, da Clínica Leger, em São Paulo.

“O que tem acontecido é um aumento do nível de estresse e, consequentemente, do nível de cortisol, que chamamos de hormônio do estresse. Por isso, temos uma piora da acne. Nosso organismo cria um processo inflamatório interno que vai resultar na piora das lesões, principalmente, para quem tem predisposição”, explica.

Se você está preocupada com cada inflamação que aparece no rosto, a também dermatologista da clínica Leger, Cibele Tamietti, tira algumas dúvidas de quem enfrenta o problema. Confira:

Algumas pessoas voltaram a ter acne neste período de isolamento. Isso é normal?

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Sim. A acne está muito relacionada aos hormônios e à qualidade de vida. Como este período tem mexido muito com o emocional e com o estilo de vida das pessoas, é comum que as espinhas voltem a aparecer.

Se estamos dentro de casa, menos expostos à poluição e maquiagens, por que isso acontece?

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Outros fatores, além da poluição e maquiagens, podem causar acne. Entre eles está a má alimentação, principalmente composta de alimentos com alto índice glicêmico, a má qualidade do sono, o estresse e a falta de rotina – que pode levar a um menor cuidado com a pele.

O emocional neste momento influencia no aparecimento de espinhas? Por quê?

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Sim. O estresse emocional aumenta a produção do hormônio cortisol no organismo, que pode ocasionar a acne. O aumento do cortisol também está associado ao aumento da ansiedade, o que nos leva a uma busca maior por alimentos de alto índice glicêmico, como doces e chocolates, e que também contribuem para o surgimento da acne.

Quais são os cuidados necessários neste momento?

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Devemos ter alguns cuidados, como lavar o rosto diariamente com um sabonete próprio para a face. Também é importante optar por sabonetes para pele mista a oleosa. Vale ressaltar que devemos lavar o rosto de duas a três vezes ao dia, no máximo. O excesso de lavagem retira a oleosidade da pele, causando um ressecamento imediato e um efeito rebote, que consiste em um aumento da produção de oleosidade pelas glândulas sebáceas. Você também deve dar preferência para a lavagem com água fria ou morna, pois a água quente também estimula a hiperprodução sebácea. Outro cuidado importante é criar uma rotina diária de produtos antiacne e hidratantes faciais específicos para peles mistas e oleosas, que tenham ação matificante. Evite manipular ou espremer espinhas para que sua pele não fique com marcas, manchas ou cicatrizes. Quando estiver com acne inflamatória, evite usar produtos esfoliantes, buchas e até mesmo esfregar a toalha na região. Não leve muito as mãos ao rosto. E, por último, tente não usar maquiagens e, caso não consiga, dê preferência para as não comedogênicas. Não esqueça de retirá-las antes de dormir.

Existe alguma rotina de skincare que é aconselhável para quem está sofrendo com a acne?

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Ao acordar pela manhã, lave o rosto com o sabonete adequado. Logo em seguida, use produtos antiacne e, por último, o filtro solar. À noite, repita o processo de lavar o rosto, use o hidratante específico para a sua pele e, em alguns casos, um produto antiacne noturno, geralmente com ácidos. Não esqueça que para toda essa rotina é preciso a orientação de um dermatologista capacitado. É preciso ter uma constância na aplicação dos produtos para obter um bom resultado. Usar pontualmente na acne ou usar no rosto todo, mas de forma irregular ou eventual, pode não surtir o efeito esperado.

Existe alguma receitinha caseira que auxilia no tratamento?

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Tradicional Medicinals

Existem muitas receitinhas caseiras para acne, mas é preciso salientar que nenhuma delas têm respaldo científico. É necessário muita cautela ao usar algumas dessas “receitas milagrosas”, pois podem causar alergias na pele, como dermatites de contato. O mais inofensivo, que, inclusive indico após os procedimentos, é a compressa de chá de camomila gelado. Ela tem efeito calmante que pode ser usado em acnes muito inflamatórias para diminuir a “vermelhidão” da pele.

Neste momento é importante passar filtro solar mesmo estando dentro de casa?

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Sim. O filtro solar deve ser usado mesmo em casa, principalmente, os com proteção física ou com cor. Além de proteger contra as radiações ultravioletas, eles também protegem contra a luz visível. Atualmente, sabemos que a luz visível contribui para o envelhecimento cutâneo, o aparecimento ou piora das manchas da pele, a produção dos temíveis radicais livres e para a piora de algumas dermatoses fotoinduzidas.

Quem não está com acne, qual skincare é aconselhável como prevenção?

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Manter a rotina diária de lavar o rosto com sabonete próprio para o seu tipo de pele e usar, no mínimo, hidratantes faciais e filtro solar. Se optar por produtos específicos para tratar rugas, manchas ou outras patologias, procure a ajuda de um dermatologista.

Fonte: Clínica Leger

Como manter uma relação positiva com os alimentos durante a pandemia

Professor no curso de Nutrição da Pitágoras Ipatinga dá dicas de alimentação, o que contribui para o controle da ansiedade durante a quarentena

Com a pandemia causada pelo novo coronavírus, muitas pessoas têm aproveitado o momento para descobrir novas habilidades na cozinha e passar o tempo. Mas este cenário também pode causar muita ansiedade, levando à compulsão alimentar e outros agravos à saúde. É importante destacar que neste período de quarentena, a alimentação saudável é fundamental para ampliar as chances de defesa do organismo.

Diante disso, este não é o momento de se pensar em restringir para emagrecer, pois uma dieta limitada fornece pouca energia e a quantidade de micronutrientes insuficiente (vitaminas e minerais), podendo vir a enfraquecer o sistema imunológico.

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Getty Images

Segundo o professor no curso de Nutrição da Pitágoras Ipatinga, Daniel Urils, é possível se alimentar de forma equilibrada e saudável, degustando ocasionalmente chocolate ou outro doce que tanto gosta, sem engordar por causa disso. “Restrição gera compulsão. Se estiver com fome, sacie sua fome, depois aprecie seu doce preferido com muita atenção e sem interferências externas”, orienta.

Conforme explica o especialista, é importante sentir o aroma, mastigar lentamente e aproveitar o alimento em todos os aspectos. “Comendo com calma, é muito mais provável que vá precisar somente de um pedaço pequeno para se satisfazer, do que se comesse em frente à televisão, por exemplo”, reforça.

Para lidar com a ansiedade, muitas pessoas procuram alimentos à base de açúcares, ou com muita gordura. Essa situação pode até acarretar problemas à saúde intestinal, além de interferir no estado de humor. “O momento é de respeitar o seu tempo, o seu corpo, e não exigir demais de você mesmo”, destaca o nutricionista. Segundo o especialista, não existe fórmula mágica para uma alimentação que melhore a saúde, seja para fortalecer a imunidade ou para diminuir a ansiedade. “A chave do sucesso é se alimentar de forma equilibrada”, esclarece.

Nesse sentido, a mudança de hábito, embora importante, pode começar com pequenos passos. Uma dica é colocar mais salada no prato, o que auxilia na saciedade e contribui naturalmente para a redução da quantidade de outros alimentos.

“O importante é lembrar que as metas devem ser estabelecidas conforme a realidade de cada um, sem usar orientações feitas para outras pessoas, como blogueiras e personalidades famosas. Pense em como pode evoluir diariamente, sem pressão de conseguir toda a mudança que você quer em pouco tempo. Esse processo também envolve autoconhecimento e entrega para identificar e dominar os impulsos que nos fazem desistir. Reconhecer que somos humanos e podemos falhar é fundamental, pois muitas vezes desistimos de tentar apenas porque fizemos escolhas menos saudáveis em uma refeição, quando na verdade podemos usar essa vivência para aprender e progredir”, finaliza.

Fazer boas escolhas alimentares ajuda a manter a mente saudável. As diretrizes do Guia Alimentar para a População Brasileira , do Ministério da Saúde, podem auxiliar a população a realizar uma alimentação equilibrada.

Confira mais dicas do professor de Nutrição da Pitágoras Ipatinga:

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• Faça de alimentos in natura ou minimamente processados a base de sua alimentação: ou seja, priorize o consumo de alimentos obtidos diretamente de plantas ou de animais, como legumes, verduras, frutas, batata, mandioca e outros tubérculos; arroz, milho, feijão de todas as cores, lentilhas, grão de bico e outras leguminosas; castanhas, nozes, amendoim e outras oleaginosas sem sal ou açúcar; farinhas de mandioca, de milho ou de trigo e macarrão feito com essas farinhas e água; carnes; leite e iogurte (sem adição de açúcar);
Evite alimentos processados, como refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos de pacote e macarrão instantâneo;

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Foto: chamomileteaonline

Alguns alimentos podem contribuir com o controle da ansiedade. É o caso de chás calmantes e que não contenham cafeína, como camomila, melissa, maracujá;
• Procure fazer suas refeições diárias em horários semelhantes. Evite ‘beliscar’ nos intervalos entre as refeições. Coma sempre devagar e desfrute o que está comendo, sem se envolver em outra atividade;

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Procure comer sempre em locais limpos, confortáveis e tranquilos, onde não haja estímulos para o consumo de quantidades ilimitadas de alimentos;
• Sempre que possível, prefira comer em companhia das pessoas que gosta, lembrando da importância do isolamento social que se faz necessário neste momento. Procure compartilhar também as atividades domésticas que antecedem ou sucedem o consumo das refeições;

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• Se você tem habilidades culinárias, procure desenvolvê-las e partilhá-las com as pessoas com quem você convive, principalmente com crianças e jovens. Se você não tem habilidades culinárias, e isso vale para homens e mulheres, procure adquiri-las. Para isso, converse com as pessoas que sabem cozinhar, peça receitas a familiares, amigos e colegas, leia livros, consulte a internet, eventualmente faça cursos (há tantas opções online) e…comece a cozinhar.

“Como todas as habilidades, o preparo de alimentos melhora quando é praticada. Descasque mais e desembale menos”, finaliza Urils.

Fonte: Faculdade Pitágoras

Cuidados com cabelos, unhas e pele para evitar contaminação

O vírus da Covid-19 pode permanecer vivo mesmo fora do corpo humano e, como não sabemos ao certo o tempo que sobrevive, é importante mantermos os cuidados e as orientações que as autoridades de saúde recomendam: lavar as mãos frequentemente, manter o isolamento e o distanciamento social.

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“Os cabelos têm papel de fômites na infecção pelo coronavírus, ou seja, objetos, locais ou superfícies que são capazes de absorver e carregar o vírus”, explica Paula Ferreira,
médica do corpo clínico do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

É importante entender que ao encostar a mão em alguma superfície que possa estar contaminada, como maçanetas, portas, itens do supermercado, maquininhas de cartão, e depois passar a mão nos cabelos, o vírus pode ser transferido para os cabelos. A médica alerta para o momento de distração: “é ao passar a mão nos fios contaminados e depois ter contato com alguma parte da face que a pessoa vai se contaminar com o coronavírus”.

Paula dá algumas orientações:

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– Ao voltar da rua, busque ir direto para o banho. Não se esqueça de colocar toda a roupa que estava usando para lavar.
– Ao lavar os cabelos, deixe o xampu agir por, no mínimo, 30 segundos. Na hora do enxágue, procure inclinar a cabeça para trás ou para frente, evitando que o xampu entre em contato com seu rosto.
– Para pessoas com cabelos compridos, o ideal é prender os fios ao sair na rua, diminuindo a superfície que pode ser contaminada. Mesmo com os fios presos, é imprescindível lavar os cabelos.
– Caso seja extremamente necessário que você saia várias vezes no mesmo dia, o recomendado é tomar banho e lavar os cabelos em todas as vezes que retornar para casa, evitando o contato com objetos da residência antes do banho.

Pele

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Ainda não há confirmações de estudos médicos que comprovem a contaminação por feridas na pele. Isso porque a Covid-19 é uma doença nova, então o seu comportamento e as diferentes formas de contaminação ainda estão em fase de descoberta.

“Pesquisadores chineses descobriram e sequenciaram o genoma do vírus, identificando que o principal receptor do nosso corpo que permite a entrada no vírus no organismo é o receptor ACE II. Esse receptor está presente na mucosa oral, nasal e ocular e nas camadas mais profundas da pele”, comenta a especialista. Quando a pele está se regenerando de uma ferida, por exemplo, fica “mais fácil” de chegar a essa camada, explica a médica.

Por isso, mesmo que não haja relatos de contaminação dessa forma, as feridas na pele podem ser uma via de contágio. “É melhor que as feridas sejam protegidas quando houver exposição, descartando o risco de transmissão”, aconselha.

Unhas

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Assim como os cabelos, as unhas também podem carregar o vírus. A principal medida que as autoridades mundiais de saúde estão orientando para evitar a contaminação da Covid-19 é lavar as mãos por, pelo menos, 20 segundos. “A atenção ao lavar as unhas é fundamental para garantir que o vírus não permaneça na região, e unhas compridas podem dificultar a limpeza total, por isso a recomendação é mantê-las curtas nesse momento”, ressalta Paula.

Sobre retirar as cutículas, a especialista afirma: “é um procedimento desnecessário e prejudicial à saúde das unhas”. Além disso, ela lembra ainda que como pode causar feridas na pele, torna-se um meio de contágio do coronavírus, mesmo que ainda não haja relatos de contaminação dessa forma.

Fonte: Libbs Farmacêutica

Coronavírus: abertura de academias é um erro, alerta médico

Cid Pitombo é pesquisador da obesidade e acredita que estimular as pessoas a irem à academia no meio da pandemia vai gerar aglomerações desnecessárias e aumentar o número de contaminados com a Covid-19

A decisão do presidente Jair Bolsonaro de incluir academias na lista de “serviços essenciais” que podem ser mantidos mesmo durante a pandemia do novo coronavírus não agradou nem os especialistas no combate à obesidade. Para Cid Pitombo, médico pesquisador da doença e coordenador do Programa Estadual de Cirurgia Bariátrica, o decreto presidencial gera um risco sem benefícios.

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“Durante muitos anos, nós médicos evitamos falar que a relação entre perda de peso e atividade física é muito pequena, pois não podemos deixar de estimular a prática de exercícios regulares como um bem para saúde. Mas o que é importante saber é que fazer atividade física é fundamental para a melhora do sistema cardiovascular, função intestinal, para mente, e para uma série de outros órgãos e sistemas, no entanto, já é sabido por estudos científicos que a relação com a perda de peso é muito pequena. Ou seja, praticar atividade física sem uma dieta restritiva, você provavelmente não perderá peso algum”, alerta o médico, citando como principal evidência científica grande estudo do tema publicado na Bristish Association of Sport And Medicine.

O especialista acredita que estimular as pessoas a irem a academia no meio da pandemia vai criar aglomerações desnecessárias e aumentar o número de contaminados com a Covid-19. No caso ainda mais especial dos obesos, que têm maior tendência ao agravamento de quadro pela doença, vai gerar ainda mais internações com necessidade de UTI e respiradores, colapsando ainda mais um sistema de saúde já em colapso.

“Ao liberarmos as academias estaremos literalmente levando uma enorme população de risco, a dos obesos, a um ambiente com grandes chances de contaminação, pois envolve aglomeração, secreções respiratórias e das mais diversas, dispersão de aerossóis pelas atividades aeróbicas intensas, em salas com pouca ou nenhuma ventilação, que se tornam impossíveis de controlar”, destaca Cid Pitombo.

Os maiores estudos feitos até agora nos Estados Unidos (NYU) e França (Instituto Lille Pasteur) correlacionam a obesidade ao agravamento dos quadros de Covid-19. O Ministério da Saúde brasileiro já admitiu, inclusive, que a principal causa de morte entre pessoas infectadas que estão abaixo de 60 anos no país é a obesidade. Mais da metade da população está acima do peso e um em cada cinco brasileiros tem obesidade.

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“Estamos todos vivendo uma enorme ansiedade por respostas às frustrações do confinamento, emprego, dinheiro, futuro, estado emocional, tudo está sendo afetado e, inevitavelmente, o ganho de peso tem acontecido. Na França, estudos já demonstraram um ganho de peso significativo na população confinada. Mas o que estamos aqui hoje para alertar é que ao tornamos essa atividade fundamental, estaremos literalmente levando milhões de brasileiros de grupo de risco, para um ambiente propício à doença, sem nenhum benefício”, reforça o especialista.

Apoio virtual 

Pensando em se manter conectado com os pacientes obesos em tratamento, Pitombo e sua equipe multidisciplinar de psicólogos, nutricionistas e clínicos montou grupos de WhatsApp e estão postando vídeos nas redes sociais para orientar e confortar. E tem dado resultado. Juntos, os vídeos já tiveram mais de 100 mil visualizações em apenas uma semana.

Fonte: Cid Pitombo é médico cirurgião, coordenador do Programa de Cirurgia Bariátrica do Rio de Janeiro, recordista em cirurgias bariátricas por videolaparoscopia no SUS. Já foram mais de 3.200 pessoas que passaram pelo procedimento no sistema público do Rio e Janeiro, com taxa de sucesso de 99%.

Alimentos que minimizam os efeitos do tempo seco

O tempo seco auxilia no aumento da transmissão do novo coronavírus, favorecido pela combinação do ar frio e baixa umidade, mas a alimentação pode ajudar nesse combate

Se o tempo seco e os dias frios já aumentam naturalmente os casos de gripes e resfriados, em época de pandemia os alertas ficam em nível máximo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o ideal para a saúde humana é que a umidade do ar seja superior a 60%. Para driblar o problema, a médica nutróloga Ana Luisa Vilela, da capital paulista, ensina como minimizar os malefícios desse clima por meio da alimentação.

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Engana-se quem acha que a regra de ingestão de dois litros por dia é a solução para tudo. “A real quantidade de consumo ao dia varia de acordo com alguns padrões individuais e não adianta encher a barriga de água junto com as refeições. O consumo deve ser feito entre os intervalos e nunca durante para não comprometer a absorção dos nutrientes e aumentam ainda o consumo de bons alimentos ricos em água na alimentação”, alerta a médica.

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Foto: 1zoomme

Por isso que alguns cuidados são fundamentais para atravessar o clima e essa fase de contágio sem esquecer da dieta e da saúde. “A melancia e o melão, por exemplo, apresentam cerca de 90% de concentração de água, além de serem ricas em vitaminas e minerais, que colaboram para manter a hidratação, inclusive a da pele”, diz.

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Foto: Hotblack

Para Ana alguns alimentos ricos em enxofre ajudam a descongestionar as vias respiratórias nesses dias secos do ano, pois evitam o muco provocado pela poluição. “O enxofre, junto com o consumo de água, torna mais fácil a eliminação desse muco nas vias respiratórias. São eles: gengibre, cebola, alho, batata doce, salsinha e cebolinha”, finaliza.

Fonte: Ana Luisa Vilela é graduada em Medicina pela Faculdade de Medicina de Itajubá – MG, especialista pelo Instituto Garrido de Obesidade e Gastroenterologia (Beneficência Portuguesa de São Paulo) e pós graduada em Nutrição Médica pelo Instituto GANEP de Nutrição Humana também na Beneficência Portuguesa de São Paulo e estágio concluído pelo Hospital das Clinicas de São Paulo – HCFMUSP. 

Água, sabão, álcool e hidratação

Com a rotina intensa de higiene das mãos, reforçar o hidratante é fundamental para ajudar a manter a pele saudável

Em tempos de isolamento social e reforço nos cuidados com a higiene das mãos, água, sabonete e álcool em gel têm sido grandes aliados na rotina das pessoas. O que acontece é que esse processo que fazemos repetidas vezes, tende a deixar a pele das mãos mais seca e, em muitos casos, com descamação, comprometendo a hidratação e prejudicando a saúde da pele.

Por isso, é importante lembrar de inserir na rotina diária algo para suprir essa necessidade de hidratação da pele. E já que ao longo do dia a recomendação é lavar as mãos sempre e recorrer ao álcool gel quando necessário, incluir o uso de um hidratante logo após a higienização, além de separar alguns minutos antes de dormir para hidratar a pele, contribui para uma sensação mais confortável e saudável.

Uma das opções que oferece esse boost de hidratação intensa é Bepantol Derma Toque Seco, creme hidratante oil free com textura leve e alta concentração de dexpantenol, que hidrata profundamente a pele e ajuda a evitar a descamação e o ressecamento, promovendo sua renovação de forma natural e restaurando a barreira cutânea.

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Além disso, a linha Bepantol Derma conta ainda com o Bepantol Derma Creme Multirrestaurador, que pode complementar a hidratação das áreas mais ressecadas e Bepantol Sensicalm, um hidratante corporal ideal para todos os tipos de pele, incluindo peles secas, sensíveis ou com tendência atópica.

Informações: Bepantol Derma

Pesadelo e sono agitado durante a pandemia são respostas naturais do organismo

O desgaste emocional e a preocupação durante o isolamento social por conta da pandemia do novo coronavírus têm tirado o sono de muita gente, no sentido literal. Na nova rotina, o descanso é substituído por sonos agitados, pesadelos e noites mal dormidas.

A mudança, segundo o neurologista e chefe do Serviço de Eletroencefalograma do Hospital Edmundo Vasconcelos, Gilmar Fernandes do Prado, é uma resposta natural do organismo para situações de perigo.

Afinal, o vírus, uma ameaça invisível, traz à consciência pensamentos sobre morte, o desconhecido e o risco – elementos que propiciam uma reação cerebral. “Temos mecanismos para nos defender de ameaças. Diante desse quadro, nosso cérebro pode determinar comportamentos como o de hiper alerta, a ruminação de pensamentos, a valorização de fatos insignificantes ou alerta emocionais. No limite, esse cenário leva a estados de ansiedade e depressão”, explica Prado.

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Ele observa que durante algumas fases do sono o cérebro está mais ativo e permite que as vivências do dia se transformem em sonhos – agradáveis ou não -, pesadelos e, ainda, haja dificuldade para despertar ou insônia. “O sonho agitado e o pesadelo são a expressão natural da condição instável e imprevisível que a pessoa experimenta durante o dia”, ressalta.

Em momentos intensos de medo e perigo, ele esclarece que quem está fragilizado tende a estar mais suscetível a essas manifestações. “Doenças, trabalho, desemprego e demais desvantagens sociais, aumentam a fragilidade das pessoas que já iniciam o enfrentamento da pandemia em estado mental desfavorável, possibilitando o agravamento de sua condição clínica ou o surgimento de novas. Por vezes, é necessário inclusive cuidado clínico”.

Como retomar a rotina de um sono tranquilo

Para evitar esses momentos desgastantes, é preciso compreender a importância da rotina, mesmo durante a quarentena. Manter horários para dormir, trabalhar e realizar outras atividades, como esportes, ajudam, segundo o médico. Nesta programação é importante pensar até mesmo no consumo de informação sobre a Covid-19. “É válido definir um único momento no dia para isso, a fim de estabelecer limites e garantir que o acesso à informação funcione como um meio de proteção e não como alarde”, diz.

Caso o sono persista tumultuado e faça você acordar no meio da noite, o primeiro passo, segundo Gilmar, é despertar totalmente e levantar da cama. “Ao voltar para a cama, faça um momento de relaxamento. Pense em algo agradável, respire lentamente, percebendo a respiração. Uma música agradável também pode ajudar a voltar ao sono”, explica.

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Ele alerta quanto à persistência destes momentos. “Se não for possível por várias noites devido ao volume de pesadelos, um profissional deverá ser consultado para ajudar o paciente e avaliar até mesmo a necessidade de medicamentos”, conclui.

Fonte: Hospital Edmundo Vasconcelos