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Guia com 10 dicas para recuperar sua pele dos excessos da Páscoa

Os excessos na alimentação durante a época da Páscoa podem causar danos à pele, favorecendo o surgimento da oleosidade e o surgimento de alterações como inchaço, ressecamento e acne. Felizmente, é possível reverter esse quadro através de alguns cuidados simples

Certamente, a Páscoa é uma daquelas datas em que é difícil demais não se deixar levar pelas tentações. Afinal, ovos, barras de chocolate, sobremesas, colombas, massas, enfim, há uma lista de alimentos hiperpalatáveis que deixam a Páscoa mais especial. Mas, apesar de ser uma época deliciosa e recheada de comidas irresistíveis, os abusos na alimentação durante esse período do ano podem prejudicar seriamente a aparência e a saúde de sua pele. “Há um impacto direto da alimentação na pele que, por conta dos abusos, tende a ficar mais oleosa, desidratada, opaca e sofrer com aparecimento de acne e inchaço”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Segundo o dermatologista Gustavo Saczk, membro Titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica, e consultor científico da Età Cosmetics, a má alimentação no período, juntamente com a falta de um sono de qualidade, pode deixar a pele com uma característica mais cansada e “exausta”. “Quando passamos por processos inflamatórios, seja pela dieta ou maus hábitos, nossa pele também evidencia alguns sinais de fadiga. E isso afeta a pele, dando um ar cansado e envelhecido, com alterações estéticas principalmente na região dos olhos (olheiras, bolsas e falta de hidratação e viço)”, explica o médico. Mas tranquilize-se, pois é perfeitamente possível recuperar os danos sofridos pela pele devido a alimentação desbalanceada da Páscoa através de alguns cuidados simples, que você pode conferir abaixo:

Higienize a pele com cuidado: se a sua pele acordou mais oleosa, não adianta apelar para o excesso de limpeza, principalmente quando ela já está debilitada. Existe até um termo chamado “overwashing”. “Não lave o seu rosto demais. Lavar muitas vezes a pele, prejudica a barreira cutânea: e ela é o que mantém a pele saudável. Para peles oleosas, é importante notar que a limpeza excessiva, sem repor a umidade, pode causar um ressecamento em um primeiro momento e depois a produção rebote de mais oleosidade. Além disso, nossa pele conta com um microbioma, uma ‘população’ de bactérias boas que nos protegem contra doenças e outros problemas, como ressecamento e sensibilidade da pele”, explica o dermatologista Daniel Cassiano, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“A presença desses microrganismos mantém o pH da pele em equilíbrio. Mas usar sabonetes e cosméticos que reduzem demais essas bactérias pode deixar a pele desprotegida e suscetível a doenças de pele como a dermatite atópica e acne”, completa o médico. Mas como deve ser, então, a limpeza da pele? “A limpeza da pele remove substâncias indesejáveis, como sujeira, sebo e microrganismos, além de células córneas esfoliadas, contribuindo para rejuvenescer a pele. A água, isoladamente, consegue remover cerca de 65% da sujeira e óleo da pele, mas é necessário complementar com um limpador suave. O limpador ideal não deve irritar, danificar nem romper a pele ou barreira cutânea de hidratação”, explica Cassiano .

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Aposte em uma esfoliação suave: para devolver a vida e o brilho a pele, é interessante estimular a renovação do tecido cutâneo através do uso de um esfoliante. “A esfoliação, com cautela, pode ser realizada uma a duas vezes por semana para ajudar na renovação celular. Mas, devemos evitar esfoliar peles finas”, aconselha a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Um produto interessante para essa etapa é o Esfoliante Facial Tribeca, da B.URB, que é capaz de remover impurezas e células mortas da pele, desobstruindo os poros e ajudando na renovação celular. Com sementes de Apricot (damasco) em sua composição, o produto é ideal para higienizar o tecido cutâneo.

Realize uma massagem facial: a automassagem é uma ótima maneira de recuperar a beleza e a saúde da pele, reduzindo o inchaço, recuperando a vitalidade, melhorando o tônus muscular e conferindo hidratação à pele. “Isso porque a massagem facial proporciona uma melhora da circulação sanguínea, o que contribui para uma oxigenação eficiente e faz com que as células da pele sejam nutridas adequadamente”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro do American College of Lifestyle Medicine.

Invista nos antioxidantes: a hidratação tópica da pele é um dos cuidados mais importantes para a sua recuperação, pois, quando desidratado, o tecido não se renova de maneira regular, o que causa a piora da qualidade e textura da pele. “Nessa etapa, é especialmente interessante apostar em produtos altamente concentrados e que conseguem penetrar nas camadas mais profundas da pele, potencializando a hidratação. Na formulação, além do ácido hialurônico, as Vitaminas C e E, o resveratrol e outros antioxidantes podem ser incorporados para conferir mais vitalidade à pele”, diz Paola. Um lançamento que traz o resveratrol e alta propriedade hidratante é o Gel-Complex Antissinais, da Età. No produto, um dos trunfos é o resveratrol mimético, que ainda conta com uma associação de ativos naturais biotecnológicos que agem sinergicamente para impedir os danos causados pelos radicais livres, aumentar a quantidade de fibras de colágeno e elastina e melhorar a densidade e integridade da pele.

Dê uma atenção especial aos olhos: a área dos olhos tem pele extremamente fina, então é normal que ela demonstre um ar de “fadiga” após exageros na dieta. Já é uma realidade no mercado o surgimento de dermocosméticos com ação antifadiga, como o Gel-Creme Lifting para Área dos Olhos, desenvolvido pela Età Cosmetics. “Por meio de seus ativos, esses dermocosméticos são capazes de aumentar a produção de energia das células da pele. Com isso, elas voltam a exercer suas funções corretamente e isso ajuda a tratar as alterações estéticas”, diz Saczk. Um dos principais ativos para essa ação é a taurina vegetal. Presente no produto, ela é obtida do cultivo em fotobiorreatores da alga Janiarubens.

“As algas são reconhecidas pela sua capacidade de produzir energia. Esse ativo energético e antifadiga, quando aplicado na pele, é capaz de aumentar a atividade mitocondrial em 24% e a produção de ATP (energia celular) em 50%. Como resultado, as células trabalham em sua perfeita forma para promover controle do estresse oxidativo, aumento da força de tensão dos fibroblastos e hidratação da pele. O ativo também reforça a reserva natural de água na epiderme, restaura a maciez e elasticidade da pele, estimulando a renovação celular e a função barreira da pele. O seu efeito é imediato: a Taurina Vegetal atenua os sinais de fadiga na primeira aplicação”, explica Saczk. A presença da Taurina Vegetal para melhorar o aporte de energia celular na pele é um avanço que se une aos outros mecanismos de ação do Gel-Creme Lifting para Área dos Olhos, um dermocosmético multifuncional que promove redução imediata e progressiva das bolsas sob os olhos, atenuando o aspecto de cansaço e também conferindo efeito tensor e preenchedor imediato para combater sinais do envelhecimento, além de ajudar a clarear olheiras e hidratar a pele.

Potencialize a hidratação com máscaras: para recuperar a pele de maneira ainda mais rápida, vale a pena apostar nas máscaras, que são capazes de promover hidratação por oclusão, assim potencializando o tratamento da pele. “O ideal é escolher as máscaras de acordo com sua necessidade. Por exemplo, enquanto as máscaras de argila e carvão ativado auxiliam no controle da oleosidade, as máscaras hidratantes com ingredientes calmantes contribuem para a hidratação e o viço da pele”, destaca Paola. Por exemplo, a Máscara Mineral de Argila Branca Poros, da Be Belle, auxilia na hidratação e na reestruturação da pele, promovendo ação antioleosidade, purificante e anti-inflamatória.

Consuma cápsulas antioxidantes: a suplementação com antioxidantes, como o Glycoxil e o Bio-Arct, é uma maneira excelente de recuperar a pele e devolver seu brilho natural. “O Glycoxil age inibindo o processo de glicação para impedir os efeitos do açúcar na pele, que podem torná-la envelhecida, opaca e manchada. Já o Bio-Arct aumenta a produção de energia no ATP celular, melhorando a nutrição da pele, com consequente resultado na iluminação e brilho facial”, diz a nutricionista Luisa Wolpe Simas, consultora de nutrição integrada da Biotec Dermocosméticos.

Não esqueça do fotoprotetor: o uso de protetor solar é indispensável para evitar que a pele fique ainda mais debilitada do que já está. “Isso porque, ao proteger a pele contra os danos causados pela radiação ultravioleta do sol, o fotoprotetor ajuda a preservar a barreira cutânea, mantendo a pele viçosa, iluminada e livre do ressecamento excessivo”, explica Cassiano. O ideal é que o fotoprotetor contenha, no mínimo, FPS 30 e proteção de amplo espectro (UVA/UVB/Infrared), como é o caso do protetor solar Bonelli Solare, da Be Belle, que ainda confere ação hidratante, antioxidante e rejuvenescedora.

Inclua sessões de HydraFacial: procedimento rápido, eficaz e sem downtime para conferir a melhor pele de sua vida, HydraFacial é precursor do inédito conceito de Beauty Health, que consiste em melhorar a aparência ao mesmo tempo em que promove uma restauração completa da pele para torná-la mais saudável e exuberante. HydraFacial é uma experiência personalizável de hidrodermoabrasão. “O HydraFacial promove melhora instantânea da qualidade da pele, auxiliando na uniformização do tom e da textura e no aumento da firmeza, viço, maciez e brilho da pele graças à patenteada tecnologia Vortex-Fusion presente nas ponteiras, que possui um design espiral exclusivo capaz de gerar um efeito de vórtice que, combinado a tecnologia de sucção a vácuo do equipamento, consegue expelir e remover facilmente as impurezas da pele enquanto fornece soluções hidratantes”, explica a dermatologista Mônica Aribi, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica. “Rápida, completamente indolor, não invasiva e sem downtime, assim não atrapalhando a rotina, a experiência HydraFacial pode ser vivenciada por qualquer pessoa, até mesmo por aquelas que possuem pele seca ou sensível”, diz a médica.

Invista nos hábitos saudáveis: de nada adianta apostar em uma série de cuidados para recuperar a pele e continuar com a mesma alimentação desbalanceada adotada no período da Páscoa. Por isso, volte à rotina dos bons hábitos, evitando alimentos ricos em gorduras e açúcar e buscando por opções mais saudáveis na alimentação. “Invista principalmente em alimentos antioxidantes, como a maioria dos vegetais escuros e as frutas. As proteínas também contribuem muito para a recuperação do tecido cutâneo, assim como a Vitamina C, que é um potente antioxidante, e a Vitamina D, responsável por regular diversas proteínas que fazem parte da estrutura da pele, como o colágeno. Além disso, procure dormir bem, praticar exercícios físicos e evitar vícios como o tabagismo e o consumo de bebidas alcoólicas”, finaliza a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

10 saudáveis razões para você comer chocolate amargo na Páscoa (e no ano todo)

Muitos estudos já foram feitos sobre o chocolate amargo. Uma revisão publicada no final de 2019, por exemplo, destaca chocolate como a “comida dos deuses” e enumera diversos benefícios com comprovação científica daqueles com maior concentração de cacau

O sabor, a textura e a versatilidade, mas também a história e seu encanto, fazem do chocolate uma paixão mundial que vem desde os tempos mais antigos: os maias por exemplo consideravam o chocolate (bebida de cacau preparada com água quente) o “Alimento dos Deuses”. De lá para cá, muita coisa mudou, e os processos industriais adicionaram pelo menos dois ingredientes ao cacau: gordura e açúcar. Surgiram também versões brancas do chocolate sem a massa de cacau e contando apenas com a manteiga do fruto, juntamente com leite em pó e açúcar.

Para não ter erro: quando falamos em benefícios do chocolate nos referimos à constituição da massa do cacau (de cor escura), portanto quanto maior o percentual dele no chocolate, mais saudável o é alimento e também mais escuro e amargo. Para se ter uma ideia, uma revisão recente publicada no final de 2019 no International Journal of Environmental Research and Public Health enumera oito benefícios dos chocolates mais amargos.

“O cacau, ingrediente básico do chocolate, contém uma quantidade significativa de gorduras boas (40-50% em manteiga de cacau, com aproximadamente 33% de ácido oleico, 25% de ácido palmítico e 33% de ácido esteárico). Ele também contém polifenóis, que constituem cerca de 10% do peso seco de um feijão inteiro. O cacau é uma das principais fontes de polifenóis na dieta ocidental, contendo mais compostos fenólicos do que a maioria dos alimentos. Três grupos de flavonoides podem ser identificados nos grãos de cacau: catequinas (37%), antocianidinas (4%) e proantocianidinas (58%); essas substâncias são os fitonutrientes mais abundantes no cacau e responsáveis por seus benefícios com relacionados às ações anti-inflamatória, antioxidante e vasculotônica”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Seria ótimo se o nosso paladar fosse educado ao cacau 100%. No entanto, a amargura causada pelos polifenóis torna os grãos de cacau não processados bastante desagradáveis. “Os fabricantes, portanto, desenvolveram técnicas de processamento para eliminar o amargor, criando chocolates com menor teor de cacau (ao leite, com oleaginosas, meio amargo e o branco). Tais processos reduzem o conteúdo de polifenóis em até 10 vezes: para os consumidores, o produto é marcadamente diferente, principalmente devido ao baixo teor de polifenóis e às outras substâncias adicionadas durante a fase de processamento (por exemplo, açúcar e emulsificantes como lecitina de soja)”, diz a médica.

“Os polifenóis estão associados aos efeitos benéficos; portanto, o cacau e o chocolate amargo (aquele que traz o cacau como primeiro item da lista de ingredientes no verso da embalagem) assumiram importância significativa e podem ser adicionados ao hábito alimentar com efeitos nutritivos e funcionais”, completa Marcella.

Abaixo, 10 motivos relacionados à saúde para consumir o chocolate amargo:

Foto: Her.ie

Efeitos cardiovasculares – uma série de benefícios para o sistema cardiovascular pode ocorrer após a ingestão regular de alimentos e bebidas que contenham cacau. “Os chocolates com maior concentração de cacau têm ação vasodilatadora, melhoram a função vascular e contam com atividades antiplaquetárias, prevenindo a formação de placa de gordura dentro das artérias”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV).

“Esses benefícios têm forte relação com a presença dos flavonoides, que são anti-inflamatórios e antioxidantes. Em adultos jovens e saudáveis, uma ingestão diária de 20g de chocolate de cacau mais alto (90%) por um período de 30 dias melhorou a função vascular, reduzindo as pressões da artéria braquial central e promovendo o relaxamento vascular. Um estudo prospectivo sueco relacionou o consumo de chocolate com menor risco de infarto do miocárdio e doença cardíaca isquêmica”, afirma Marcella.

Segundo o estudo, uma revisão sistemática, o uso regular de chocolate pode estar associado a um risco cardiovascular reduzido e a sugestão de dose adequada para consumo de chocolate foi de 45g por semana, uma vez que níveis mais altos podem contrariar os benefícios à saúde devido a efeitos adversos associado ao consumo elevado de açúcar.

Antidiabético – os componentes do cacau oferecem importante ação como agentes antidiabéticos, especialmente com diabetes mellitus tipo 2 (T2D). “Esse aspecto é de particular relevância devido à emergente epidemia mundial de síndrome metabólica, que inclui obesidade, diabetes e dislipidemia. O cacau e seus flavonóis melhoram a homeostase da glicose, retardando a digestão e absorção de carboidratos no intestino”, afirma a médica nutróloga. O cacau e seus flavonóis melhoram a sensibilidade à insulina, regulando o transporte de glicose e as proteínas sinalizadoras de insulina nos tecidos sensíveis à insulina (fígado, tecido adiposo e músculo esquelético), prevenindo efeitos oxidativos e danos inflamatórios, segundo o estudo.

Contra obesidade – recentemente, estudos investigaram os efeitos preventivos ou terapêuticos do cacau e de seus constituintes contra a obesidade e a síndrome metabólica. Na revisão desses relatos, os autores citam estudos que observaram uma redução na expressão de vários genes associados ao metabolismo e armazenamento de gorduras, além de aumentar a expressão de genes associados à termogênese. “Em um estudo clínico, o cheiro de chocolate amargo foi avaliado para avaliar a resposta do apetite. O chocolate produziu uma resposta de saciedade, reduzindo o apetite; portanto, poderia ser útil na prevenção do ganho de peso. Além disso, os flavonoides podem produzir eventos metabólicos que induzem a lipólise (quebra de gordura); tais eventos reduzem a deposição lipídica e a resistência à insulina”, afirma a médica. O chocolate escuro também pode funcionar em combinação com outros nutracêuticos e ter efeitos positivos no perfil lipídico. Um ensaio cruzado de 4 semanas entre 31 adultos com sobrepeso ou obesos determinou que o consumo diário de amêndoas (42g / dia) sozinho ou combinado com chocolate escuro foi efetivo para a redução do colesterol total e da fração colesterol de baixa densidade (LDL). Os autores concluíram que incorporar amêndoas de cacau e chocolate amargo em uma dieta, sem exceder as necessidades energéticas, pode reduzir o risco de doença cardíaca coronariana.

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Melhora da microbiota intestinal – nos últimos anos, há um interesse crescente nos estudos da microbiota intestinal e suas alterações como resultado dos hábitos alimentares. O intestino humano hospeda a microbiota intestinal, uma enorme coleção de microrganismos com papel fundamental no armazenamento de energia e distúrbios metabólicos. “Em um estudo de intervenção humana, projetado para investigar a influência da alta ingestão de flavonoides de cacau no crescimento da microbiota fecal humana, os autores avaliaram que a ingestão de 494 mg de flavonoides de cacau/dia por quatro semanas teve um efeito significativo no desenvolvimento da microbiota intestinal”, explica Marcella.

Um ‘up’ para o sistema imunológico – estudos in vivo e in vitro mostraram que o cacau possui propriedades regulatórias nas células imunes implicadas na imunidade inata e adquirida. “Os efeitos positivos dos flavonoides de cacau no sistema imunológico, por vários mecanismos, são conhecidos como a redução da liberação de mediadores, a restauração do equilíbrio das células e a regulação negativa de produção de imunoglobulinas”, diz a médica.

Benefícios ao sistema nervoso central – existem evidências de algum fator benéfico no sistema nervoso central. “Os polifenóis do chocolate preto podem atuar no sistema nervoso central (SNC) e nas funções neurológicas através da liberação de óxido nítrico, responsável pela vasodilatação e aumento do fluxo sanguíneo cerebral que fornece oxigênio e glicose aos neurônios, levando ao aumento na formação e manutenção de vasos sanguíneos no hipocampo. Além disso, o potencial antioxidante dependente do polifenol pode contribuir para a melhora de alguns distúrbios neurodegenerativos”, afirma a médica.

Estímulo à felicidade – segundo estudos, a ingestão de chocolate está ligada também a aspectos emocionais, ao aumentar a síntese cerebral de serotonina, o famoso hormônio da felicidade e que produz uma sensação de energia e prazer. Mas é necessário ter cautela no consumo de chocolates com teor maior de açúcar, uma vez que os carboidratos também estão envolvidos nesse processo em um primeiro momento, mas seu excesso também pode causar distúrbios metabólicos e elevar a sensação de culpa.

Poder sobre aspectos sexuais – o chocolate exerce vários efeitos sobre a sexualidade humana, atuando principalmente como afrodisíaco. “O cacau em pó e o chocolate contêm substâncias que, em conjunto com outros componentes do chocolate (como cafeína e teobromina), produzem uma sensação transitória de bem-estar. “O principal componente da excitação sexual é a vasocongestão periférica dos tecidos genitais, pelo aumento dos níveis de óxido nítrico; assim, juntamente com a serotonina, com produção aumentada após o consumo de cacau, pode estar envolvido no processo de estímulo sexual”, diz a médica nutróloga.

Prevenção da anemia – rico em ferro, o cacau pode ajudar a prevenir a anemia. “O ferro é essencial para a formação da hemoglobina, que é um componente das hemácias responsável pelo transporte de oxigênio para o organismo e que normalmente está em menores quantidades em caso de anemia”, explica a médica. Enquanto 100g de cacau contam com 13,9 mg de ferro, cada 100g de feijão, geralmente citado como uma boa fonte desse mineral, possui 5,1mg.

Efeito anti-idade na pele – de acordo com a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), o chocolate amargo não causa espinhas, ao contrário do que muitos acreditam. “Devido à alta concentração de cacau em sua fórmula, o chocolate amargo é, na verdade, um aliado da saúde da pele, pois suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias ajudam a conferir luminosidade e hidratação ao tecido cutâneo, além de auxiliarem na proteção aos danos dos raios UV, prevenirem rugas e combaterem os radicais livres”, destaca a dermatologista.

Mas atenção! Mesmo que você opte pelo chocolate amargo é importante tomar cuidado com o consumo excessivo, pois, independentemente da concentração de cacau, o chocolate ainda tem açúcar e gorduras saturadas. No final das contas, é importante controlar o consumo diário. Para obter os benefícios, o ideal é consumir entre 25 g a 50 g de chocolate ao dia, dando preferência às opções com maior concentração de cacau, como os chocolates mais amargos.

Além dos tipos mais comuns, existe o chocolate rosa, “feito a partir da semente do cacau rubi, esse chocolate se diferencia dos demais devido a sua coloração rosada natural, sem adição de corantes artificiais. O chocolate rosa se destaca pelo seu sabor diferenciado, sendo mais cremoso, frutado e adocicado, com um leve toque cítrico. Feito a partir do cacau rubi possui uma quantidade maior de polifenóis do que o chocolate convencional, pois os flavonóis presentes no ingrediente são mantidos até o produto final devido ao processo de fermentação especial pelo qual as sementes passam para que não percam o sabor e a coloração natural”, explica Marcella.

O único problema do chocolate rosa é o seu preço, pois tende a ser bem mais caro do que o chocolate amargo. Seguindo essas dicas, a guloseima pode ser consumida sem culpa. “Isso porque, no geral, o chocolate possui baixo índice glicêmico e se tiver mais de 65% de cacau, é um alimento que possui muitas funcionalidades e benefícios à saúde”, finaliza Marcella.

Fontes:
Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran.
Aline Lamaita é cirurgiã vascular, membro da diretoria (comissão de marketing) da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV). Membro da Sociedade Brasileira de Laser em Medicina e Cirurgia, do American College of Phlebology, e do American College of Lifestyle Medicine.
Paola Pomerantzeff é dermatologista, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) e da Sociedade Brasileira de Cirurgia Dermatológica (SBCD), especialista em Dermatologia pela Associação Médica Brasileira e pela Sociedade Brasileira de Dermatologia.

10 hábitos considerados saudáveis que podem ter um efeito contrário

Na tentativa de melhorar o estilo de vida é normal que algumas pessoas adotem hábitos que, apesar de parecerem saudáveis à primeira vista, podem, na verdade, prejudicar a saúde do organismo

Atualmente, a busca por um estilo de vida mais saudável é o foco de grande parte das pessoas, principalmente devido à pandemia, que nos deu uma nova perspectiva sobre a importância da manutenção da saúde do organismo. O problema é que, na procura por uma vida saudável, acabamos adotando hábitos que, apesar de parecerem saudáveis, podem, na verdade, ter o efeito oposto e prejudicar o organismo por serem infundados, realizados excessivamente ou até mesmo da maneira errada.

Então, para te ajudar a conquistar um estilo de vida saudável de maneira segura, consultamos um time de especialistas para apontar hábitos “saudáveis” que podem acabar saindo pela culatra. Confira:

Consumir produtos diet, light e zero: ser ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’ não torna um alimento mais saudável, já que, apesar de terem menos calorias, geralmente possuem um maior teor de produtos químicos adicionados. “Você pode reparar, por exemplo, que todo produto que é light, diet, zero tem mais sódio do que as versões regulares. Isso porque, quando alimentos não levam açúcar e sim adoçante, a indústria alimentícia acrescenta sódio para mascarar aquele sabor desagradável do adoçante”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Foto:edmontonfetalalcoholnetworkorg

Beber vinho em excesso: já é de conhecimento geral que tomar uma taça de vinho tinto por dia é muito benéfico à saúde, já que a bebida é fermentada e rica em polifenóis, como o resveratrol, que são substâncias com grande poder antioxidante. Mas é importante limitar o consumo diário a, no máximo, uma taça de até 150ml, pois a ingestão excessiva de álcool é extremamente prejudicial ao organismo. “O álcool é uma substância tóxica que pode provocar doenças mentais, cânceres, problemas hepáticos como a cirrose, alterações cardiovasculares, com risco de infarto e acidente vascular cerebral, e a diminuição de imunidade, além de favorecer a desidratação, a inflamação e o acúmulo de líquidos”, diz a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia.

Prender-se demais à rotina: criar uma rotina diária é uma das maneiras mais eficazes de adotar um novo hábito saudável e mantê-lo. E não há nada de errado nisso, afinal, os humanos são criaturas de hábitos. Mas fugir da rotina às vezes, mesmo que uma vez por semana, é importante para manter o cérebro saudável. “Uma mudança na rotina aumenta a capacidade do cérebro de aprender novas informações e mantê-las. Por isso, de vez em quando tente, por exemplo, experimentar uma nova receita ou explorar uma parte diferente da sua cidade”, destaca Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

Consumir alimentos que você não gosta por serem saudáveis: alimentação balanceada é um dos pilares para manutenção da saúde e prevenção de doenças, devendo ser rica principalmente em frutas, verduras e legumes. Mas tenha certeza de comer o que te dá prazer. “Se você não gostar de comer, dificilmente vai conseguir manter as mudanças de hábitos. Então, encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você gosta. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, afirma o médico nutrólogo e cardiologista Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

Colocar o sono em dia: quando chega o final de semana, o dia de folga ou mesmo o período de férias é muito comum que as pessoas aproveitem para colocar o sono atrasado em dia. No entanto, esse hábito não compensa pelas horas de sono perdidas, além de poder desregular ainda mais seu relógio interno e atrapalhar na realização das tarefas diárias. “O ideal é ter entre sete a oito horas de sono por dia de forma consistente. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco. Temos evidências extensas de que dormir cinco horas ou menos por dia aumenta consistentemente o risco de condições adversas à saúde, como doenças cardiovasculares e até longevidade”, alerta Aline.

Eliminar completamente os carboidratos da dieta: cortar totalmente os carboidratos faz parte de algumas das dietas mais populares. Mas, de acordo Marcella, isso não é totalmente recomendado. “Os carboidratos são um nutriente importante e há muitos conceitos errados sobre quando e como comer carboidratos quando sua meta é perder peso. Além disso, cortar carboidratos pode ser muito difícil e atrapalhar uma série de questões no organismo, pois eles são responsáveis pelo fornecimento de energia. E a maioria das pessoas pode perder peso sem cortar drasticamente os carboidratos”, esclarece a médica. “Mais importante do que a grande quantidade de carboidratos é o tipo de carboidrato que você ingere. Substituir carboidratos simples, como grãos refinados e açúcar, por carboidratos complexos, como carboidratos de vegetais e legumes, pode ter muitos dos mesmos benefícios do baixo teor de carboidratos”, aconselha.

Consumir alimentos que se autodefinem saudáveis: não é porque um alimento traz a palavra “saudável” ou “feito com ingredientes naturais” em seu rótulo que ele é, necessariamente, bom para sua saúde, afinal, não existe uma definição exata para o uso desses termos. Então, para ter certeza do que você está consumindo, fique atento à composição do produto. “Tome cuidado, por exemplo, com as gorduras e açúcares escondidos, que podem aumentar seu peso e piorar o perfil lipídico. Seja um comedor informado, conheça os ingredientes e leia atentamente os rótulos nutricionais. Fique longe de alimentos que contenham altos níveis de gordura saturada, colesterol e fontes ocultas de açúcar, como xarope de milho com alto teor de frutose e algumas dextrinas”, afirma Burckhardt.

Usar álcool em gel e lavar as mãos em excesso: com a pandemia do Coronavírus, a higiene frequente das mãos virou um dos hábitos mais importantes para manutenção da saúde. Mas é preciso tomar cuidado com os excessos. “As lavagens frequentes das mãos e o uso constante de álcool em gel podem facilmente desidratar o tecido cutâneo das mãos, contribuindo assim para o envelhecimento acelerado da pele e o surgimento de irritação na região”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. É claro que não podemos parar de jeito nenhum de higienizar as mãos, mas podemos acrescentar o uso do hidratante logo após como forma de prevenir o problema. “Para uma hidratação eficaz, aplique um cosmético específico para as mãos, que deve ser formulado com ativos de alta propriedade hidratante, como ureia e ácido hialurônico, e utilizado várias vezes ao dia. Se possível, opte por um produto à prova d’água para que o hidratante não saia após a lavagem”, recomenda.

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Apostar em dietas radicais: dietas restritivas, para muitos, é sinônimo de saúde, mas isso não é verdade. “A alimentação possui um papel fundamental na manutenção e fortalecimento do organismo, pois é responsável por fornecer nutrientes essenciais para as funções orgânicas. Por isso, qualquer mudança drástica nos hábitos alimentares sem acompanhamento médico, como restrição de grupos alimentares e diminuição de calorias e refeições, pode oferecer riscos à saúde, principalmente em pessoas que já apresentam algum tipo de carência nutricional prévia”, alerta Marcella.

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Ficar obcecado com comer saudavelmente: uma alimentação limpa e saudável tem inúmeras vantagens para a saúde geral. Mas também tem seu lado sombrio, que ocorre quando essa alimentação saudável e limpa torna-se o foco de sua vida. “O diagnóstico emergente de ortorexia nervosa mostra como o conceito de comer comida de verdade pode ficar fora de controle nas mãos de uma pessoa que é obsessiva, insegura e tenta ganhar autoestima e controle sobre a vida por meio da adesão estrita às normas criadas por ela mesma”, explica Burckhardt. Segundo o nutrólogo, enfatizar demais esse aspecto da vida pode levar ao estresse, isolamento social, espírito crítico, relacionamentos rompidos e até desnutrição. “Uma adoração tão rígida de certos tipos de alimentos como alimentos puros ou curativos é desnecessária. A alimentação limpa visa a saúde da pessoa, mas é apenas uma parte a ser considerada, devendo ser acompanhada também de relacionamentos, habilidades pessoais e desenvolvimento de talentos, crescimento emocional e espiritual, busca de hobbies e interesses e um amor pela vida que abrange o que está legalmente disponível e compatível com o bem de cada um. Isso é fundamental para a saúde, bem-estar e longevidade”, finaliza.

Alimentos ultraprocessados podem reduzir longevidade; entenda as consequências

Doces, sucos de caixinha, refrigerantes, salsicha e refeições prontas são exemplos de alimentos ultraprocessados, que podem prejudicar pele, coração, cérebro e outras estruturas do organismo, favorecendo o surgimento de condições como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares

Bolachas, miojo, refrigerantes, embutidos e salgadinhos. Você sabe o que esses alimentos tem em comum? São alimentos ultraprocessados, que, apesar de extremamente populares por serem práticos, de baixo custo e altamente palatáveis, podem causar sérios prejuízos a saúde. “Alimentos ultraprocessados são formulações industriais fabricadas a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos (sal, açúcar, óleos, proteínas e gorduras) e sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, conservantes e aditivos).

No geral, esses alimentos ultraprocessados possuem sabor mais agradável e um grande prazo de validade, mas são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, gorduras e aditivos químicos, favorecendo então a ocorrência de deficiências nutricionais, doenças do coração, diabetes, colesterol e obesidade”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. Para se ter uma ideia, estudos apontam que uma dieta composta de apenas 15% de alimentos processados está ligada a um maior risco de morte precoce por todas as causas, principalmente por doenças cardiovasculares.

“Cuidado inclusive com produtos ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’, que, apesar de serem vendidos como alternativas saudáveis por terem menos calorias, possuem um maior teor de produtos químicos adicionados”, explica o médico nutrólogo, cardiologista e geriatra Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). E a ação desses alimentos no organismo é muito diversa, afetando o bom funcionamento de diversas estruturas. Para entender melhor, consultamos um time de especialistas que explicaram alguns impactos do consumo excessivo desses alimentos. Confira:

Aumentam o colesterol ruim: por serem ricos em gorduras trans e saturadas, os alimentos ultraprocessados favorecem o aumento do perfil inflamatório e dos níveis de colesterol e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas. “Se sua dieta for estritamente rica nesses alimentos, seus níveis de colesterol no sangue serão mais elevados, assim como o risco de doenças cardiovasculares também aumentará. Além disso, o ganho de peso favorecido pelo consumo desses alimentos também aumenta o risco dos níveis altos de colesterol”, diz o Burckhardt. “O grande problema dos altos níveis de colesterol no sangue está no fato de ser uma intercorrência silenciosa: o colesterol aumentado pode não causar sintoma nenhum, obstruindo as artérias aos poucos. Então, em alguns casos, a primeira manifestação da alta do colesterol é um evento como infarto ou derrame, quando já é tarde para prevenir”, alerta a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Favorecem o inchaço e a hipertensão: alimentos ultraprocessados são ricos em sódio, que está presente mesmo em alimentos doces e sucos para realçar o sabor. E o uso excessivo de cloreto de sódio é o principal fator alimentar que aumenta a prevalência de hipertensão arterial, além de ser ruim para a saúde das veias. “O excesso de sódio é um vilão porque contribui com o aumento de pressão arterial, que é um fator de risco para a doença aterosclerótica e problemas circulatórios, além de piorar a retenção de líquidos e, consequentemente, o inchaço. Se você tem uma dieta muito rica em sódio, você tem maior tendência a retenção de líquidos no organismo”, destaca Aline.

Prejudicam o cérebro: quanto mais calorias você ingerir, o que não é difícil através do consumo de alimentos ultraprocessados, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados, por serem mais inflamatórios, também aceleram o processo de oxidação do cérebro”, afirma o médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro, danificando as células da região”, completa.

Envelhecem a pele: de acordo com Marcella, os alimentos ultraprocessados figuram entre os grandes responsáveis pelo aumento do quadro inflamatório do organismo, além de causarem o estresse oxidativo, que ocorre quando há uma produção exagerada de radicais livres. “Ao danificar o DNA das células da pele, o estresse oxidativo causa uma diminuição na atividade celular, redução da produção e qualidade das fibras de colágeno e elastina e menor poder de cicatrização. O resultado é a aceleração do processo de envelhecimento, com surgimento de flacidez, manchas, rugas, linhas de expressão e perda do viço e luminosidade da pele”, destaca Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Esses alimentos, no geral, têm alto índice glicêmico e também colaboram para o processo conhecido como glicação. “Os alimentos de alto índice glicêmico favorecem a ocorrência de uma reação não enzimática entre a proteína do colágeno e o açúcar presente nos carboidratos e isso leva a formação dos chamados produtos de glicação avançada, AGES, que irão acelerar o processo de envelhecimento celular”, explica a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos. E nesse caso, será necessário uso de suplementos anti e desglicantes, como é o caso do Glycoxil. “O Glycoxil irá auxiliar na restauração do equilíbrio metabólico da glicose, insulina e dos minerais minimizando o processo inflamatório associado ao envelhecimento. Também irá contribuir na diminuição da formação dos AGES, ação antiglicante, desglicante, que estão intimamente relacionados a alteração e modificação das funções das proteínas, especialmente o colágeno”, completa a farmacêutica.

Estimulam a produção de oleosidade: o consumo de alimentos ultraprocessados é especialmente prejudicial para quem sofre com oleosidade da pele, já que estimula a produção de sebo, favorecendo, consequentemente, o surgimento de cravos e espinhas. “Por serem ricos em gordura, os alimentos ultraprocessados podem levar a hiperinsulinemia, isto é, altas quantidades de insulina no sangue, o que acarreta no aumento de hormônios androgênicos, que, por sua vez, estimulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Aumenta a indisposição e prejudica a vida sexual: como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados ainda podem inibir sua capacidade de ter relações íntimas. “Apesar de não existirem alimentos específicos que afetem sua vida amorosa, uma dieta baseada excessivamente em alimentos ultraprocessados com alto teor de sal, gordura e açúcar pode prejudicar o fluxo sanguíneo saudável e os níveis de energia que são importantes para o sexo. Além disso, alimentos pró-inflamatórios, como estes, estão relacionados a sintomas de fadiga, indisposição e cansaço”, explica a ginecologista Eloisa Pinho, da Clínica GRU.

Mas, para prevenir todas essas alterações e manter-se saudável por muito mais tempo, a recomendação é adotar uma dieta balanceada. “A regra de ouro para uma alimentação adequada e saudável é optar sempre pelos alimentos in natura ou minimamente processados, aqueles obtidos de plantas ou animais que chegam ao consumidor sem terem passado por nenhum tipo de processamento. Nessa categoria se enquadram alimentos como frutas, legumes, verduras, hortaliças, grãos, nozes e ovos. São eles que provêm os nutrientes necessários para o bom funcionamento orgânico, como os ácidos graxos ômega-3, a vitamina C, os polifenóis e os carotenoides. Também devemos dar preferência às preparações caseiras e restringir ao máximo o consumo dos alimentos ultraprocessados”, aconselha Marcella.

E, caso você tenha dificuldade para deixar os alimentos ultraprocessados de lado, tente seguir a dica de Burckhardt: “Embora fazer pequenas mudanças ao longo do tempo seja uma estratégia eficaz para resultados duradouros, eliminar alimentos ultraprocessados por um período de tempo (de uma semana a um mês) pode ajudar a redefinir suas papilas gustativas e colocá-lo no caminho mais rápido”, explica o médico. Mas lembre-se também de comer o que você gosta, pois, caso contrário, dificilmente vai conseguir aderir a mudanças de hábitos.

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“Não agimos bem quando nos sentimos privados, e se você está comendo comida de que não gosta, está se preparando para o fracasso. Encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você goste. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, finaliza o médico nutrólogo.

Parece, mas não é: conheça a diferença entre produtos usados na rotina de cuidados

Sabonete ou shampoo em barra? Make com FPS ou protetor solar com cor? Fio dental ou escova interdental? Descubra quais as diferenças entre esses e outros produtos de autocuidado, que, apesar de parecidos, não são intercambiáveis.

A rotina diária de beleza, seja com o rosto, o corpo, os cabelos ou até os dentes, é um momento de autocuidado muito importante para a manutenção da saúde dessas estruturas. No entanto, às vezes, realizar esses cuidados pode ser complicado, especialmente para principiantes, que podem facilmente se confundir com a grande quantidade de produtos disponíveis hoje no mercado, principalmente pelo fato de muitos desses produtos serem parecidos à primeira vista, apesar de possuírem diferenças importantes.

E utilizar os produtos errados pode ser realmente catastrófico, com consequências que vão desde a perda da eficácia até a agressão das estruturas. Então, para ajudar você a realizar sua rotina de beleza sem complicações, reunimos um time de especialistas para apontar as principais diferenças entre produtos de autocuidado que, apesar de parecidos, possuem indicações diferentes. Confira:

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Sabonete convencional X sabonete facial: muitas pessoas acreditam que o sabonete facial é apenas uma jogada de marketing, mas não é bem assim. O sabonete convencional e o sabonete facial possuem diferenças importantes, sendo recomendado que você tenha os dois. “O pH do sabonete convencional é incompatível com a pele do rosto. Logo, se utilizado nessa região, pode causar desidratação e, em seguida, o efeito rebote. E o mesmo vale no caso contrário, já que, por ser mais suave, o sabonete facial pode não ser eficaz na remoção de sujidades e oleosidade do corpo”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E mesmo entre os sabonetes faciais, é importante prestar atenção para escolher um produto adequado a sua pele.

Peles oleosas, por exemplo, podem apostar em produtos que controlem a produção de sebo, como o Sabonete Poros com Ácido Glicólico, da Be Belle, enquanto peles mais secas devem investir em produtos mais hidratantes, como o Sabonete Poros Hidratante, também da Be Belle.

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Esfoliante facial X esfoliante corporal: novamente, a existência de um esfoliante para cada parte do corpo não é apenas uma jogada de marketing. “A pele do corpo é diferente da pele do rosto e, por isso, deve ser tratada com produtos específicos. Um esfoliante próprio para ser usado no corpo geralmente contêm partículas maiores para conseguir tratar a pele da região, que é mais grossa, com eficácia. Consequentemente, esses esfoliantes corporais são mais abrasivos, podendo causar lesões quando usados no rosto, que tem uma pele mais sensível”, afirma o dermatologista Abdo Salomão Jr, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O ideal então é que o esfoliante facial contenha partículas menores, como é o caso do Esfoliante Tribeca, da BURB, que conta com sementes de Apricot (damasco) em sua composição.

Água micelar X tônico adstringente: tanto o tônico facial quanto a água termal funcionam, de acordo com Paola, como um complemento à higienização da pele, removendo impurezas que não saíram apenas com o sabonete, além de normalizarem o pH da pele, o que também contribui para melhor absorção dos ativos cosméticos que serão aplicados. A diferença desses produtos está na indicação. “A água micelar possui micelas que atraem as partículas de sujeira, poluição e oleosidade sem a necessidade de atrito, sendo assim ideal para ser usada por peles mais secas e sensíveis. Já o tônico adstringente possui uma ação de controle da oleosidade, sendo assim recomendado para peles oleosas e mistas”, aconselha a dermatologista, que afirma também que a água micelar ainda pode ser usada como demaquilante.

Cremes X séruns: ambos os produtos têm como principal função hidratar a pele, podendo também trazer na composição uma série de ingredientes escolhidos conforme as características de cada pele. “Esses produtos utilizados podem ser formulados com uma série de ativos para atender às necessidades de cada pele, como substâncias calmantes, anti-inflamatórias, clareadoras, rejuvenescedores e, principalmente, antioxidantes”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética. A grande diferença desses dois produtos está no veículo, isto é, a textura do cosmético, e, consequentemente, em sua indicação. “Os séruns, assim como os géis, são veículos mais leves indicados principalmente para o tratamento de peles oleosas e mistas, enquanto os cremes, e também as loções, são veículos mais espessos, ideais para peles secas”, completa a médica.

Quem tem pele oleosa e está à procura de um cosmético rejuvenescedor, por exemplo, pode apostar no sérum Be Hialuronic, da Be Belle, enquanto o Be Young, também da Be Belle, é um creme antirrugas ideal para peles mais secas.

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Maquiagem com FPS X fotoprotetor com cor: apesar de parecerem a mesma coisa, as maquiagens com FPS não têm a mesma eficácia na fotoproteção que os protetores solares com cor. “Geralmente, o FPS das maquiagens é muito baixo, sendo insuficiente para proteger a pele. Então, para quem usa maquiagem, o ideal é optar mesmo pelo protetor solar com cor de alta cobertura, que, além de ser eficaz na proteção, também atua como base”, alerta Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E a boa notícia é que filtro solar com cor protege mais a pele do que a versão tradicional. “Isso porque a tonalidade do filtro solar é proporcionada pela presença de óxido de ferro na composição, substância capaz de absorver a radiação visível do sol. Hoje, sabemos que a luz visível tem uma participação importante no processo de pigmentação da pele, favorecendo o desencadeamento de dermatoses pigmentárias, como melasma e hipercromia pós-inflamatória”, diz o médico.

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Sabonete X shampoo em barra: mais uma vez, o shampoo em barra não é apenas uma estratégia para você comprar um sabonete por um valor mais caro. São produtos bem diferentes. “Usar um shampoo sólido ou em barra não tem nada a ver com lavar o cabelo com sabonete. Os sabões ou sabonetes passam por um processo de saponificação, têm mais aditivos químicos e pH mais alcalino, sendo assim agressivos aos fios. Já os shampoos em barra foram especificamente desenvolvidos para serem usados no couro cabeludo. A base de óleos vegetais pode até ser a mesma do sabonete, mas os componentes estão em quantidade mais adequada para o tratamento dessa região, além da fórmula ser mais nutritiva e o pH ser mais equilibrado”, acrescenta a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Fio dental X escova interdental: apesar de ambos atuarem na limpeza da região entre os dentes, o fio dental e as escovas interdentais, como a CPS Prime da Curaprox, possuem ações diferentes que se complementam. “Enquanto o fio dental auxilia na remoção de detritos alimentares e pontos de contato muito apertados, a escova interdental realiza a desorganização da placa bacteriana nas irregularidades e depressões interdentais que o fio dental não consegue higienizar”, finaliza Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor pela USP.

Entenda por que sua pele se beneficia da prática sexual

Acredite, há até um efeito anti-idade quando a prática sexual é realizada com frequência

Ter uma rotina skincare, proteger a pele com filtro solar e fazer procedimentos estéticos são ações que, definitivamente, vão beneficiar sua pele, mas os hábitos de vida também contam muito nessa jornada. E, dentro desses hábitos, a atividade sexual deve ser levada em consideração.

“Isso porque durante o sexo são liberados hormônios e substâncias, como o estrogênio e a testosterona, que estão diretamente envolvidos na manutenção da saúde da pele”, destaca a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “A melhora da circulação sanguínea proveniente da atividade sexual é capaz de diminuir o nível de cortisol, melhorando a elasticidade, controle de acne e oleosidade, além de aumentarmos a própria barreira de proteção da pele”, acrescenta a cirurgiã vascular Aline Lamaita, médica atuante em Medicina do Estilo de Vida e membro do American College of Lifestyle Medicine.

Segundo Beatriz Lassance, membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, o acúmulo de radicais livres nos tecidos é um dos fatores que levam ao envelhecimento. “A atividade sexual consome energia e consegue, com isso, neutralizar esses radicais, melhorando o que chamamos de estresse oxidativo. A produção de colágeno melhora, a circulação na pele fica melhor. O sexo acelera o metabolismo de todo o organismo, as células são estimuladas a absorverem mais nutrientes, e secretar toxinas de maneira mais eficiente”.

“Durante a atividade sexual, toda a nossa circulação fica mais solicitada. O sistema arterial (sangue que “alimenta” os músculos em movimento, por exemplo) aumenta seu fluxo, e consequentemente, o aporte de nutrientes e oxigênio para todos os tecidos, inclusive a pele. Isso se reverte na pele deixando-a mais hidratada, corada e mais viçosa”, explica Aline. “Também temos aumento de antioxidantes endógenos, que combatem os radicais livres; isso leva ao retardamento do envelhecimento, com efeito antiaging”, completa. Dessa forma, nosso corpo tem uma melhor resposta antioxidante com a prática regular do sexo.

Assim como um exercício físico, durante o sexo, o fluxo sanguíneo aumenta, passando a levar oxigênio e nutrientes de forma mais eficaz para os tecidos, incluindo a pele. “Com isso, o sistema linfático passa a trabalhar em maior velocidade, desintoxicando o organismo e diminuindo a retenção de líquidos. Como resultado, a pele ganha um aspecto mais saudável, tornando-se hidratada, corada e viçosa”, diz Paola.

Com relação à ação anti-idade, a prática sexual promove o estímulo da produção das fibras de colágeno e elastinas, que são responsáveis por conferir sustentação e elasticidade ao tecido cutâneo, segundo a dermatologista. “Logo, há um risco menor da pele tornar-se flácida ou apresentar rugas e linhas de expressão precocemente, além de tornar-se mais firme, elástica e com menos sinais de envelhecimento”, diz Paola.

“Outro benefício antienvelhecimento é usar adequadamente a energia proveniente do carboidrato (açúcar) que consumimos, diminuindo o estresse oxidativo e evitando a glicação do colágeno, um processo no qual o açúcar excedente liga-se às fibras de sustentação da pele, favorecendo o aparecimento de flacidez e rugas”, explica Beatriz.

A prática sexual também fortalece e favorece a regeneração da pele, o que pode tornar a cicatrização mais rápida. “Além disso, estudos apontam que o sexo melhora o sistema imunológico, que também está envolvido no processo de cicatrização da pele”, completa Paola.

A atividade também atua por vias indiretas para melhorar a pele, como é o caso da redução do estresse. A atividade sexual diminui o nível de cortisol (o hormônio do estresse) ao longo do dia. “A diminuição do nível de cortisol melhora também a qualidade do sono. Além disso, altos níveis de cortisol podem contribuir para o aparecimento da acne. Por isso a prática é interessante”, diz a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Altos níveis de cortisol podem contribuir para diversos problemas de pele, como envelhecimento e acne. O cortisol potencializa o estado inflamatório persistente do tecido cutâneo, diminuindo a longevidade e a atividade das células que compõem a pele, o que a torna mais propensa a ter rugas”, explica Paola.

“O cortisol está também relacionado ao aumento de oleosidade e à diminuição da produção natural de ácido hialurônico na pele”, conta Aline. É comum suarmos durante o sexo, assim como quando realizamos qualquer tipo de esforço físico intenso. “E o suor auxilia na eliminação de sujidades acumuladas no interior dos poros, desobstruindo-os e, consequentemente, prevenindo a formação de cravos e espinhas”, finaliza Paola.

Inchaço pode ter diversas causas; confira dicas para evitar o problema

Consultamos médicos para investigar uma grande questão com o nosso corpo durante a pandemia: por que estamos sentindo mais inchaço no corpo e até no rosto?

Visitante constante durante a pandemia, o inchaço chega sem ser convidado e causa aquela sensação péssima de peso na barriga, nos flancos, nas pernas, nos braços e até no rosto. Mas, afinal, o que causa esse problema? “Para alguns, a retenção hídrica acontece depois de abusar da comida ou bebida, enquanto para outros é apenas uma parte desconfortável da vida cotidiana. Hábitos de vida desregulados, como falta de sono e atividade física insuficiente, também podem estar relacionados”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

O inchaço é uma reclamação tão comum que a indústria investe maciçamente em “chás desintoxicantes”. Mas a verdade é que não existe um tratamento único para inchaço. “A melhor abordagem é adequar a dieta e principalmente perceber os gatilhos para alterar os hábitos de vida”, diz a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

De acordo com Marcella, o inchaço é causado por um acúmulo de água nas células, a famosa retenção de líquidos, que é pior no calor devido a dilatação dos vasos, mas que também pode acontecer no inverno por fatores como alimentação, problemas hormonais (geralmente na tireoide) e alterações no rim e coração.

“Além disso, o inchaço também pode acontecer por uma sensação de aumento da pressão no intestino. A pressão acumulada pode resultar de um grande volume de alimentos ou líquidos consumidos ou do gás produzido por nossos micróbios intestinais quando ingerimos grandes quantidades de carboidratos fermentáveis. Isso inclui muitos dos alimentos que ingerimos, desde frutas, legumes, grãos, laticínios, feijões e até leguminosas”, diz a médica nutróloga. “Este aumento no conteúdo estica essencialmente o intestino, dando a sensação de inchaço e flatulência.”

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O estresse é outro fator que pode causar inchaço, o que explica por que esse problema tem sido mais frequente durante a pandemia do Covid-19. Marcella explica que isso tem a ver com o eixo intestino-cérebro – em outras palavras, a comunicação entre nosso intestino e nosso cérebro. “Quando nos sentimos estressados, nossa função intestinal também fica impactada, o que pode levar a inúmeras disfunções intestinais”, diz a médica.

Alguns processos naturais do organismo também podem favorecer o surgimento de inchaço. “Na mulher, quando a fase do ciclo menstrual conhecida como ovulação se inicia, o que ocorre cerca de 14 dias antes da menstruação, há um aumento considerável nos níveis de estrogênio e progesterona no organismo que pode levar a uma maior retenção hídrica, favorecendo o surgimento de inchaço”, explica Eloisa Pinho, ginecologista da Clínica GRU.

O mesmo ocorre durante a gravidez devido a maior quantidade de progesterona. “Isso porque o aumento da progesterona causa uma flacidez das veias que pode levar a inchaço, dor nas pernas, tonturas e sensação de queimação”, explica Aline.

O edema também pode começar em áreas como os membros inferiores e se disseminar de maneira ascendente. Segundo Aline, o inchaço é um sintoma comum de má circulação sanguínea de pessoas que sofrem por causa do fluxo de sangue das pernas de volta ao coração, resultando em edema nas pernas ou sensação de peso no corpo todo.

O acúmulo de líquidos pode ser um sinal de doença cardíaca onde o coração não pode circular sangue suficiente ao redor do corpo”, afirma Aline. E o problema pode chegar até mesmo ao rosto, principalmente no período da manhã.

“Isso porque, durante o sono, o sistema linfático, que é responsável pela absorção de líquido das células, fica mais lento, o que predispõe o inchaço. Além disso, há uma influência também da alimentação, bebidas alcoólicas, remédios, alterações hormonais, posição de dormir e até causas genéticas”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Mas que medidas práticas podemos tomar para aliviar o inchaço? As médicas concordam que, na grande maioria dos casos, o edema e a distensão abdominal podem ser reduzidos, ou até eliminados por completo, através de simples mudanças na dieta e no estilo de vida, que estão listadas abaixo:

Cuidado com o que você come: em termos de dieta, evite excesso de alimentos que sejam “causas clássicas de inchaço”, incluindo feijão, brócolis, repolho, couve-flor e aqueles ricos em sódio. “Em vez disso, coma frutas e vegetais frescos, proteínas magras e carboidratos complexos, como grãos inteiros e arroz integral, para evitar o inchaço. Diuréticos naturais – como aipo, pepino, melancia, tomate, aspargos e alho – também podem ajudar a reduzir o inchaço”, aconselha Eloisa. “Três pilares para se manter saudável sempre, mas especialmente durante um período pré-menstrual, são: manter-se hidratado, comer com atenção e dormir o suficiente.”

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Evite o excesso de sódio: lembre-se de controlar a quantidade de sódio (sal) nas refeições, pois ele colabora para a retenção de líquido. “Temos visto que, dentro de casa, por conta da pandemia, as pessoas acabam descuidando muito da alimentação e consomem mais produtos enlatados, em conserva, processados e ultraprocessados, que são ricos em sódio. Fique de olho também em sucos de caixinha e produtos light, diet e zero, que também têm muito sódio na composição”, afirma Paola.

Beba bastante água: manter-se hidratado é indispensável para controlar o inchaço. “Para isso, beba de oito a dez copos de 350 ml de água e coma alimentos ricos em líquidos, como frutas vermelhas, aipo e pepino”, recomenda Eloisa. Água de coco e chá verde também são boas opções

Consuma fibras: a principal recomendação de Marcella é uma dieta rica em fibras com muitos ingredientes à base de plantas. “Tirar proveito dos nutrientes e prebióticos que ocorrem naturalmente nos alimentos é a melhor maneira de alimentar sua microbiota intestinal”, diz ela. O farelo de aveia também é uma excelente opção, juntamente com frutas como ameixa, mamão e abacate.

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Controle o estresse: para controlar o inchaço durante a pandemia, é essencial gerenciar o estresse. “Tente praticar meditação. Se estiver trabalhando em home office, a cada uma hora, pare 15 minutos para respirar, tomar um café, ou simplesmente fechar os olhos. O tempo de recuperação é extremamente importante para manejo de estresse. Também é importante ter pelo menos sete horas de sono por dia”, afirma Aline.

Atente-se à forma como você dorme: para evitar o inchaço facial, fique de olho na posição de dormir. “Deitar de bruços é a opção que mais favorece o inchaço matinal do rosto. Se possível, eleve a cabeça com mais de um travesseiro e durma de barriga para cima. Isso também ajuda a prevenir o aparecimento das rugas conhecidas como linhas do sono”, diz a dermatologista Paola.

Aposte nos exercícios: a prática regular de atividade física é uma excelente maneira de aliviar e prevenir o inchaço. “Os exercícios não apenas aumentam a frequência cardíaca, o que melhora o fluxo sanguíneo para o intestino, mas também estimulam o cólon, o que significa que é mais provável que você vá ao banheiro – um passo útil na sua jornada de redução de inchaço” diz a médica nutróloga. “Além disso, a própria contração muscular já contribui para a drenagem dos líquidos”, explica Paola. Aline ainda ressalta que se exercitar também ajudar com o controle do peso. “Quilos extras colocam mais pressão sobre o coração e reduzem o fluxo sanguíneo em todo o corpo”, afirma a médica.

Invista na água termal: para o rosto, o uso de água termal gelada logo ao acordar, ou simplesmente a higienização com água fria, pode ajudar a estimular a circulação e reduzir o inchaço. “Isso porque a temperatura fria refresca e descongestiona a pele”, destaca a dermatologista. “Para isso, a água termal com ativos calmantes pode ser deixada na geladeira à noite e borrifada no rosto pela manhã logo após a lavagem.”

Realize uma massagem facial: o inchaço no rosto também pode ser controlado através da realização de uma massagem. “A massagem facial proporciona uma melhora da circulação sanguínea, o que contribui para uma oxigenação eficiente e faz com que as células da pele sejam nutridas adequadamente. Essa também é uma excelente forma de autocuidado para relaxar e diminuir o estresse”, finaliza Aline.

Pandemia: aposte nesses cuidados para reduzir estresse e ansiedade e reforçar imunidade

Time de especialistas dá dicas para ajudar você a passar por esse momento de grande estresse e ansiedade sem prejudicar sua saúde mental

Apesar das campanhas de vacinação estarem ocorrendo em vários estados do Brasil, ainda não temos certeza de até quando a pandemia causada pelo novo coronavírus durará. Rotinas seguem abaladas e os números de casos e mortes se mantêm altos. Esses fatores, combinados à distância de amigos e familiares e o atual cenário político brasileiro, podem causar grande quantidade de estresse e ansiedade.

“Nesse período de pandemia é normal que estejamos apreensivos e ansiosos com o presente e futuro próximo, o que pode fazer com que realizemos nossos hábitos e funções no piloto automático enquanto nossa cabeça permanece sempre ligada e alerta, o que acaba gerando ainda mais estresse. Por isso, gerenciar o estresse nesse período e adotar cuidados para manter a sanidade mental é fundamental para diminuir a incidência de problemas psicológicos e evitar que o sistema imunológico seja afetado”, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Então, pensando em uma maneira de te ajudar nesse processo, reunimos um time de especialistas para dar dicas sobre como controlar o estresse e a ansiedade e melhorar a saúde mental nesse período tão complicado. Confira:

Entenda o momento – para lidar com essas questões, o primeiro passo é identificar que você está ansioso ou estressado. Então, observe se você está comendo demais, se seu humor está alterado ou se você não consegue dormir direito. “Além disso, é importante reconhecer o momento pelo qual estamos passando. É um período diferente de tudo o que vivemos e que não sabemos ao certo quando irá acabar. Mas, cada dia é um dia. Hoje você pode estar ansioso, mas amanhã não. Então, adapte sua rotina para essa situação. Se estiver ansioso, evite situações estressantes”, diz o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.

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Fuja da rotina de vez em quando – não há nada de errado em tomar o mesmo café da manhã todos os dias ou dirigir pelo mesmo caminho para o trabalho. “Os humanos são criaturas de hábitos. Mas é bom para o seu cérebro tentar misturar as coisas. Mesmo que essa mudança ocorra apenas uma vez por semana já é de grande ajuda”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (Snola). Segundo a médica nutróloga Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran), vale a pena aproveitar esse período, por exemplo, para aprender a cozinhar, tentar uma receita nova e preparar de refeições caseiras balanceadas: “Se não sabe por onde começar, tente diminuir o consumo excessivo de carboidratos, proteína animal e produtos industrializados e aumentar a ingestão de vegetais, que devem compor 75% do prato. A comida deve ser boa, gostosa e feita com ingredientes saudáveis”.

Desconecte-se – vivemos conectados e queremos sempre acompanhar tudo o que está acontecendo. Como se não bastasse, devido ao novo coronavírus, estamos expostos a uma grande quantidade de informação, o que pode ser extremamente estressante e ansiogênico. “Por isso, devemos segurar a vontade de ficar demasiadamente em redes sociais. Evite também procurar informações em excesso sobre o novo coronavírus. Poupe-se. Se possível, visite as redes sociais apenas em dias intercalados para ajudar a diminuir a ansiedade desse momento”, recomenda Farinazzo.

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Pause por um momento – caso você ainda esteja trabalhando em casa, a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro do American College of LifeStyle Medicine e do Colégio Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, aconselha investir em pequenas pausas ao longo do dia para descansar a mente. “A cada duas horas levante-se, tome água, olhe pela janela, tome um café, converse com alguém ou faça cinco minutos de meditação. Esse é um processo importante para relaxar e desestressar”, destaca. E claro, no final do dia não esqueça de descansar bem, pois poucas coisas na vida são melhores do que uma boa noite de sono. “Tempo e qualidade ao dormir nos deixam com um humor melhor e aguçam nosso cérebro. Também nos dá a energia e a capacidade de administrar nossas vidas ocupadas, desde exercícios físicos a até o trabalho”, afirma Batistella.

Programe-se e ocupe a mente – principalmente para quem está em home office, é muito comum a impressão de que não se está sendo produtivo. Por isso, é fundamental estabelecer um cronograma. “Para quem está trabalhando em casa, é necessário organizar-se. Quanto mais o cérebro trabalhar, melhor. Quanto mais desafios e problemas a serem resolvidos, melhor”, afirma Beatriz.

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Exercite o seu corpo – segundo Batistella, o exercício físico melhora o fluxo sanguíneo, protege a memória e estimula mudanças químicas no cérebro que contribuem para o aprendizado, o humor e o pensamento. “Levantar pesos ou usar uma faixa de resistência, por exemplo não apenas constrói músculos e fortalece os ossos, como pode aumentar também o poder do cérebro, melhorar o humor, aumentar a concentração e as habilidades de tomada de decisão”, destaca.

Medite – outra dica importante para diminuir a ansiedade e o estresse é apostar na meditação e no mindfullness. “Mindfullness significa viver em atenção plena, ou seja, conseguir vivenciar os momentos com todas as suas características emocionais e sensoriais, sem distrações. O mindfullness pode ser usado por qualquer pessoa que queira começar alguma prática de meditação, mas que não sabe como dar os primeiros passos, pois ajuda a gerenciar o estresse e a ansiedade e a melhorar a concentração e a produtividade”, recomenda Aline. Comece praticando 15 minutos por dia de meditação. Procure um canto quieto e atente-se a sua respiração. Existem até aplicativos que te ajudam a fazer isso, como o Headspace e o Calm.

Dê uma trilha sonora à vida – “Ouvir música não apenas ajuda você a se sentir mais alerta, mas também pode melhorar sua memória e seu humor. Um dos motivos é que há matemática na música e como uma nota se relaciona com a outra. Seu cérebro tem que trabalhar para dar sentido a essa estrutura. Isso é especialmente verdadeiro para a música que você está ouvindo pela primeira vez”, diz Batistella.

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Pratique o autocuidado – uma boa estratégia para diminuir o estresse e a ansiedade é realizar uma rotina diária de cuidados com a pele. “A rotina skincare é um momento de autocuidado e relaxamento. Por meio do cuidado com a pele somos capazes de nos conhecer melhor, aumentar nossa autoestima e bem-estar e ainda diminuir o estresse e a pressão do dia a dia”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E, para os iniciantes na rotina de beleza, não é preciso ir longe, pois o método de skincare conhecido como skip-care já é um ótimo começo, consistindo na utilização de apenas três produtos que vão manter sua pele bem cuidada: um sabonete de limpeza, um hidratante e um filtro solar (usados nessa ordem).

Estabeleça relações interpessoais – uma rica rede social fornece fontes de apoio, reduz o estresse e a ansiedade, combate a depressão e aumenta a estimulação intelectual, segundo Batistella. Outras habilidades mentais estimuladas pelo contato social são: a memória de curto prazo, o poder de desligar as distrações e a capacidade de manter o foco. Caso não seja possível estar próximo de seus amigos e familiares, utilize a internet a seu favor. Mas, nesse sentido, as pessoas não são a única fonte de relacionamentos. Os animais provaram ser igualmente bons para a saúde do nosso cérebro. “Animais de estimação fazem as pessoas se sentirem bem, mas o mais importante, seu animal favorito pode torná-lo saudável e ajudá-lo a permanecer assim. Eles podem nos acalmar, aumentar nossa imunidade, melhorar nossa saúde cardíaca, nos manter em movimento e melhorar nossa vida social”, completa o médico.

Porém, é importante ressaltar que existem quadros de ansiedade graves e que necessitam de acompanhamento e tratamento médico. Então, caso as dicas acima não sejam suficientes para amenizar sua ansiedade, você deve consultar um profissional especializado, como um terapeuta, psicólogo ou psiquiatra.

Dez maneiras pelas quais o processo de envelhecimento afeta o corpo

Aprenda a diferenciar o que é natural ou não conforme a idade avança; e veja dicas para quem deseja envelhecer saudavelmente

O envelhecimento do organismo é um processo natural que acontecerá com todos nós mais cedo ou mais tarde. É claro que cada pessoa sofrerá com o envelhecimento de forma diferente, mas todos nós notaremos algum tipo de alteração no organismo.

“Quando falamos de alterações causadas pelo envelhecimento, podemos dividi-las em duas categorias: senescência e senilidade. Enquadram-se como senescência todas aquelas mudanças que ocorrem devido ao processo natural de envelhecimento e que todos nós iremos apresentar, como perda de massa muscular e firmeza da pele. Já a senilidade abrange mudanças patológicas, ou seja, alterações que não são naturais do envelhecimento e podem prejudicar muito a qualidade de vida do indivíduo, ocorrendo devido a fatores como estilo de vida, genética, uso de medicamento e condições pré-existentes”, explica o médico nutrólogo e geriatra Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) e da International Colleges for Advancement of Nutrology e Membro Titular da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.

Dessa forma, é importante entendermos o que é natural ou não durante o processo de envelhecimento para sabermos quando alguma alteração precisa de uma atenção extra. Para ajudar, o especialista listou as principais alterações que afetam o organismo devido ao envelhecimento natural:

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Sua pele enruga: a pele é uma das principais sinalizadoras do processo de envelhecimento. “Conforme envelhecemos, ocorre uma degradação das fibras de colágeno e elastina, que são responsáveis por conferir sustentação e elasticidade ao tecido cutâneo. Além disso, a pele passa a produzir menos suor e oleosidade e perde parte do tecido gorduroso que confere volume. Como resultado, podemos percebê-la menos elástica e firme e mais ressecada, enrugada, flácida, frágil e sensível”, diz o médico. “Este fenômeno é particularmente mais importante no rosto, sendo mais significativo no terço inferior e no pescoço. É nesse processo em que aparecem as rugas e flacidez”, afirma o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). “Há uma diminuição também no número dos melanócitos (células que produzem o pigmento que dá cor da pele), o que faz com que fiquemos mais suscetíveis a radiação solar e formemos manchas com mais facilidade. E todo esse processo é ainda pior para quem se expôs demais ao sol ao longo dos anos”, explica o geriatra.

Foto: Hairmag

Seus cabelos ficam brancos e fracos: assim como a pele, os cabelos também são claramente afetados pelo envelhecimento, tornando-se menos densos, sem cor e mais propensos a queda. “Conforme envelhecemos, os melanócitos, células presentes nos folículos capilares que são responsáveis por produzir o pigmento que dá cor aos fios, vão perdendo sua função e, consequentemente, diminuem a produção de melanina. Então, quando os melanócitos param de funcionar completamente, surgem os primeiros cabelos grisalhos”, explica a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. “Além disso, com a diminuição no metabolismo, notamos um afinamento da fibra capilar e uma desaceleração na velocidade de crescimento dos fios, o que resulta na redução da densidade do cabelo”, explica Burckhardt .

Sua memória e capacidade de raciocínio já não são mais as mesmas: de acordo com Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA), com o processo de envelhecimento o cérebro apresenta modificações físicas e funcionais, dentre elas a diminuição da massa cerebral (que passa a perder 4,5g por ano após os 50 anos). Além disso, há uma redução da densidade neural. Tudo isso tem maior chance de causar declínios cognitivos, ainda mais se o cérebro não for estimulado, principalmente com bons hábitos de vida”, explica o neuro-oncologista. O cérebro e o sistema nervoso também são afetados pelo envelhecimento, pois há uma diminuição no número de células cerebrais, na comunicação entre os neurônios e na capacidade do organismo de criar novas conexões neuronais, o que faz com que o raciocínio fique mais lento, processar informações seja mais difícil e lapsos de memória sejam mais frequentes. “Devido às alterações no sistema nervoso, também podemos notar mudanças no equilíbrio, na percepção, na postura e na sensibilidade”, diz Burckhardt .

Você ganha peso mais facilmente: conforme envelhecemos, é comum engordarmos com mais facilidade. “Isso porque o nosso metabolismo, ou seja, a forma como o corpo consome energia, diminui com o passar da idade. E um metabolismo mais lento faz com que queimemos menos calorias mesmo com exercícios, pois as células consomem os nutrientes mais devagar e tendem a reservar gordura para casos de necessidade. Por isso, é normal ganharmos peso quando ficamos mais velhos”, destaca Burckhardt .

Daniel Reche/Pixabay

Locomover-se fica mais difícil: os ossos e músculos também sofrem alterações devido ao processo de envelhecimento. “Com a idade, há uma diminuição do tamanho e densidade dos ossos, o que faz com que se tornem mais fracos, porosos e, consequentemente, mais suscetíveis a fraturas. É por esse motivo também que algumas pessoas perdem alguns centímetros de altura ao envelhecerem”, diz Burckhardt. “Os músculos, por sua vez, perdem força, resistência, massa e flexibilidade. Todos esses fatores contribuem para a redução da mobilidade, equilíbrio, força e estabilidade.”

Seu coração passa a trabalhar mais: o processo de envelhecimento também age sobre o sistema cardiovascular. “A principal mudança no sistema cardiovascular com o passar dos anos é o enrijecimento das artérias e vasos sanguíneos, o que faz com que o coração tenha que se esforçar mais para conseguir bombear sangue por essas estruturas. Como resultado, há um aumento no risco de problemas como hipertensão e insuficiência cardíaca”, alerta o médico geriatra.

Sua vida sexual também muda: conforme envelhecem, homens e mulheres podem perceber mudanças nos órgãos genitais e na relação com os outros de formas distintas. “Devido a menopausa, a mulher sofre com uma diminuição nos níveis de estrogênio que pode fazer com que o desejo sexual diminua, o que ainda é intensificado devido a fatores comuns desse período que tornam o sexo menos prazeroso, como a diminuição da lubrificação vaginal e a atrofia da musculatura da região”, diz a ginecologista Eloisa Pinho, da Clínica GRU. “O homem, por sua vez, também apresenta uma diminuição nos níveis de testosterona, mas de forma menos repentina. Ainda assim, é possível observar uma redução da libido e da qualidade e quantidade de espermas. Além disso, a diminuição do fluxo sanguíneo pode fazer com que seja mais difícil para o homem ter ereções, que também se tornam menos rígidas e duradouras”, afirma Burckhardt .

Você torna-se mais suscetível a doenças: nossa imunidade diminui conforme envelhecemos. Então, ficamos doentes com mais facilidade. “Isso porque as células do sistema imune, que são responsáveis por identificar e destruir microrganismos estranhos para o corpo, passam a agir de forma mais devagar. Esse mecanismo é um dos motivos pelos quais cânceres e infecções são mais comuns entre idosos e resultam em morte com mais frequência. Em contrapartida, com o passar da idade, alergias tornam-se menos severas e condições autoimunes são menos comuns”, explica o geriatra.

Sua relação com o banheiro muda: controlar a bexiga pode se tornar um desafio conforme os anos passam. “Isso porque o processo de envelhecimento causa uma redução da elasticidade e, consequentemente, da reserva funcional dos rins. Além disso, os músculos da bexiga e do assoalho pélvico perdem força. Essa fatores podem fazer com que seja mais difícil eliminar toda a urina e controlar a bexiga, resultando assim em incontinência urinária”, afirma Burckhardt.

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Seus sentidos já não são mais tão confiáveis: todos os sentidos sofrem alterações causadas pelo envelhecimento. Há diminuição do olfato e alterações no paladar. Na boca pode ocorrer também perda da dentição e mudanças na deglutição. Esses fatores podem causar menor prazer e maior dificuldade na ingestão de alimentos, o que frequentemente resulta em desnutrição, problema comum entre idosos”, ressalta o médico. Burckhardt explica: “A visão e a audição também são reduzidas, tornando difícil ouvir altas frequências ou conversar em ambientes barulhentos e enxergar certos objetos dependendo da distância, além de fazer com que você fique mais sensível às luzes. Em muitos casos, pode ser necessário o uso de aparelhos auditivos e óculos”

Mas o que fazer para prevenir essas alterações? Infelizmente, quando falamos de senescência, não há meios de prevenção, afinal, é a evolução natural do organismo humano. No entanto, existem hábitos que podem ser adotados ao longo da vida que vão ajudar a promover um envelhecimento mais saudável, não apenas prevenindo a senilidade, mas também retardando o aparecimento das alterações caracterizadas como senescência.

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“É indispensável, por exemplo, que o indivíduo adote uma alimentação balanceada rica principalmente em fibras, frutas, vegetais, legumes e proteínas magras. Não se esqueça também de beber bastante água. Por sua vez, evite o consumo excessivo de sal, açúcar e gorduras saturadas, que podem aumentar a incidência de condições como câncer, hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares”, aconselha o geriatra.

A prática regular de exercícios físicos também é de extrema importância. E isso não quer dizer necessariamente ir à academia puxar peso. “Fazer alongamentos, dançar, pular corda, caminhar, correr, andar de bicicleta ou com o cachorro. Tudo isso conta como exercício físico, ajudando a prevenir a obesidade e melhorar a função cerebral e a saúde cardiovascular e musculoesquelética, além de aumentar sua disposição e bom humor e contribuir para o gerenciamento do estresse, que também pode prejudicar o organismo, principalmente o coração e a mente”, destaca o especialista.

“A atividade física tem um efeito antioxidante importante para a pele, pois melhora a circulação e o aporte de nutrientes, diminuindo principalmente o ressecamento e melhorando a função de barreira”, explica Burckhardt . A recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) é realizar pelo menos 150 minutos de algum tipo de atividade física leve ou moderada por semana.

Manter-se mentalmente ativo também é essencial para o envelhecimento saudável, principalmente no que diz respeito à saúde do cérebro. Por isso, invista em interações sociais e em atividades que te dão prazer, como ler, cozinhar, montar quebra-cabeças ou aprender uma nova língua ou instrumento. “Dormir bem também é muito importante para envelhecer com saúde, já que é durante o sono que o organismo passa por um processo de reparação e regeneração. O recomendado é dormir entre 7 e 8 horas por noite. Fugir desses valores é colocar a saúde em risco, pois já temos evidências que a falta de sono pode prejudicar o coração e o cérebro e diminuir a longevidade”, recomenda o médico.

Por fim, mas não menos importante, é fundamental que você se livre de hábitos ruins, como fumar ou consumir álcool em excesso. “Fumar aumenta sua frequência cardíaca e sua pressão arterial, obstrui suas artérias, danifica seus pulmões, favorece a inflamação e enfraquece seus ossos e sistema imunológico”, alerta o especialista. “Já o abuso de bebidas alcoólicas reduz o metabolismo, favorece o ganho de peso, promove desidratação e inflamação do organismo e aumenta o risco de problemas circulatórios cardiovasculares.”

E engana-se quem acredita que mudanças no estilo de vida só podem ser adotadas durante a juventude, pois estudos apontam que até mesmo octogenários podem se beneficiar da adoção de hábitos saudáveis, já que ajudam não apenas na prevenção, mas também no tratamento de muitas doenças.

“Porém, além da adotar um estilo de vida saudável, é importante que, ao alcançar uma idade avançada, o indivíduo se consulte com um geriatra regularmente, já que apenas ele poderá diferenciar corretamente as alterações de senescência e senilidade. Por exemplo, é natural que lapsos de memória se tornem mais frequentes com o passar da idade, sendo então parte da senescência do organismo. No entanto, quando essas alterações na memória causam um grande prejuízo funcional para o paciente, podendo inclusive serem indícios de doenças como o Alzheimer, já se caracterizam como senilidade. Apenas o profissional especializado poderá fazer esse diagnóstico da maneira adequada”, finaliza Burckhardt.

Tabaco prejudica a pele e faz fumante parecer mais velho

Existem condições dermatológicas causadas, associadas ou agravadas pelo tabagismo. “No contexto da saúde da pele, parar de fumar é fundamental para desacelerar o envelhecimento, minimizar complicações cirúrgicas e dermatológicas relacionadas ao tabagismo e melhorar as condições de saúde como um tudo, o que impacta diretamente no tecido cutâneo”, explica a dermatologista Paola Pomerantezeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Abaixo, a médica destaca as principais manifestações cutâneas do cigarro:

Dificuldade na cicatrização de feridas: o tabagismo demonstrou repetidamente ter efeitos deletérios na cicatrização de feridas cutâneas. “O cigarro tem sido associado a inúmeras complicações pós-operatórias, incluindo infecções de feridas. Quando são usados retalhos ou enxertos, os fumantes têm maior risco de necrose. Isso ocorre basicamente por três motivos: vasoconstrição, efeito pró-trombóticos e inflamação”, explica a médica. No caso da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui em 30-40% em poucos minutos após a inalação da fumaça, comprometendo a oxigenação dos tecidos e a cicatrização de feridas. “A nicotina aumenta a adesividade das plaquetas ao inibir a prostaciclina, levando à oclusão microvascular e isquemia do tecido. O tabaco também inibe a função das células endoteliais e dos fibroblastos, a atividade do óxido nítrico, a produção do fator de crescimento endotelial vascular e a síntese de colágeno, tudo isso com impacto direto na cicatrização”, destaca.

Aparecimento de rugas e aceleração do envelhecimento da pele: a associação entre tabagismo e rugas foi estabelecida há muito tempo. “As características clínicas de um ‘rosto de fumante’ foram descritas em estudos e incluem: rugas faciais proeminentes, proeminência dos contornos ósseos subjacentes, pele seca e vermelha. As mulheres, segundo estudos, parecem ser mais suscetíveis aos efeitos de enrugamento causado pelo fumo do que os homens. O tabagismo é um fator de risco independente para as rugas, entretanto, a exposição ao sol tem um efeito sinérgico que potencializa o envelhecimento da pele”, explica Paola. “Os mecanismos de influência do cigarro nas rugas incluem a degradação da elastina da pele (mesmo quando não exposta ao sol), o aumento de espécies reativas de oxigênio, que estão implicadas no envelhecimento acelerado da pele, e também de metaloproteinases da matriz, que são enzimas que levam à degradação do colágeno, fibras elásticas e proteoglicanos”, explica a médica.

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Distúrbios orais e mucocutâneos: o tabaco tem se mostrado um fator de risco independente para o carcinoma epidermoide oral, o câncer que se desenvolve na boca. Fumar está associado à melanose do fumante, hiperpigmentação gengival devido ao aumento da melanina na camada basal da epiderme, além de gengivite, periodontite e erosões palatinas dolorosas. “O hábito de fumar também contribui para as rugas labiais, na medida em que ajuda a quebrar a fibra de sustentação e o colágeno da pele, ocasionando o aparecimento do código de barras.”

Doenças de unhas e cabelos: fumar tem sido associado a vários distúrbios do cabelo e das unhas, como alopecia androgenética, cabelo grisalho prematuro, unhas de fumante e pelos faciais descoloridos. “O cigarro basicamente prejudica a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação e aporte de nutrientes de tecidos periféricos, incluindo a pele, unhas e cabelo. As substâncias tóxicas do cigarro também levam a um quadro altamente inflamatório, sensibilizando a região que pode sofrer com irritação, dermatite seborreica, afinamento, quebra dos fios e queda capilar”, explica.

Guia Médico Brasileiro

Hidradenite supurativa: conhecida como acne inversa, essa condição de pele ocorre com mais frequência em fumantes. “Geralmente confundida com furúnculos ou espinhas grandes, a hidradenite supurativa é uma inflamação crônica da pele que se caracteriza pelo surgimento de inchaços e cistos profundos em regiões como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos, que liberam secreção purulenta e causam desconforto e dor”, explica a Dra. Paola Pomerantzeff. “O mecanismo dessa associação ainda não está claro, mas foi sugerido que a nicotina altera a função das células imunológicas e hiperplasia epidérmica, levando à oclusão e ruptura dos folículos pilosos”, explica.

Psoríase: fumantes apresentam risco aumentado de desenvolver psoríase e apresentam taxas mais baixas de melhora clínica com o tratamento. “Nessa doença autoimune comum, o corpo reconhece uma proteína normal da pele como anormal e tenta se livrar dela fazendo a pele descamar. Isso resulta em placas grandes, espessas e escamosas que racham e sangram, e podem ser dolorosas e apresentar coceira”, diz a dermatologista. As áreas de impacto podem variar, mas algumas das mais sensíveis são o couro cabeludo, rosto, genitais e unhas. “Pacientes que fumam têm maior probabilidade de apresentar maior gravidade da doença. A pustulose palmoplantar, uma variante da psoríase, demonstrou ter uma associação mais forte com o tabagismo”, explica.

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Lúpus: o desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico, bem como o aumento da gravidade da doença, tem sido associado ao tabagismo. “Além disso, o cigarro prejudica demais o tratamento da doença, interferindo diretamente na efetividade dos medicamentos”, afirma.

Desordens vasculares: Doença de Buerger (tromboangeíte obliterante), uma doença oclusiva segmentar não aterosclerótica que afeta várias extremidades, está fortemente associada ao tabagismo. “Nessa doença, os sintomas são os mesmos da redução do fluxo de sangue nas extremidades: sensação de frio, dormência, formigamento ou ardor. É mais comumente visto em homens com idade entre 20 e 40 anos que fumam muito”, diz Paola.

Dermatite: o tabagismo demonstrou ter uma associação significativa com eczema ativo nas mãos. Os cigarros são um fator de risco conhecido para dermatite de contato alérgica. “Vários alérgenos potenciais de cigarros podem ser encontrados em filtros, papel e tabaco. Vários relatórios documentaram dermatite de contato irritante e alérgica ao adesivo de nicotina em alguns pacientes que tentaram parar de fumar.”

Câncer de pele: apesar da presença de vários carcinógenos na fumaça do tabaco, a relação entre o tabagismo e o câncer de pele permanece controversa. “Parece haver uma correlação entre maços por dia e anos de tabagismo com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas, principalmente em mulheres. Mas, mais estudos precisam ser realizados para avaliar o papel do tabagismo no desenvolvimento do câncer de pele. O que se sabe é que a falta de nutrição das células da pele pode prejudicar sua imunidade, o que a deixa mais suscetível aos danos ambientais do sol”, explica a médica. Não existe evidência conclusiva que associe o tabagismo a um risco aumentado de melanoma. “De qualquer maneira, parar de fumar ajudará e melhorar diversas condições de pele”, finaliza a médica.

Cigarro provoca rugas precoces e fumantes aparentam ter dois anos a mais

Cigarro acelera envelhecimento da pele e nicotina estimula o estresse oxidativo, libera mensageiros pró-inflamatórios, que prejudicam a função de barreira da pele, e compromete a hidratação

O cigarro figura entre os principais vilões de nossa saúde e com relação à pele não é diferente. “Ao fumarmos um cigarro ocorre, por exemplo, a vasoconstrição periférica, o que diminui o fluxo sanguíneo que é responsável por nutrir o tecido cutâneo. Como consequência desta diminuição de oxigenação e nutrição, nossa pele perde a luminosidade e torna-se amarelada e mais flácida com o passar do tempo”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

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“O fumo também causa uma série de manifestações cutâneas de forma que fumantes aparentam ter dois anos a mais do que suas idades reais, segundo pesquisa”, completa a médica. “O consumo de cigarro induz ao envelhecimento, já que as substâncias tóxicas presentes estão associadas à vasoconstrição periférica por um período de dez minutos, o que diminui o fluxo sanguíneo para o tecido cutâneo e cabelos. Isso traz consequências na perda da viço e luminosidade da pele além de favorecer o amarelamento do tecido; também há uma perda de firmeza por conta da oxigenação e nutrição diminuídas”, afirma Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com a especialista, o tabagismo é associado ao comprometimento da permeabilidade epidermal, ou seja, da primeira camada da pele. “E isso contribui para um aumento da prevalência de desordens cutâneas, uma vez que a nicotina – que é somente uma das substâncias tóxicas presentes no cigarro – estimula o estresse oxidativo e libera mensageiros que vão causar inflamação na pele e prejudicar a função da barreira. Isso compromete a hidratação e favorece o aparecimento de rugas e flacidez”, conta Roberta. Os efeitos do fumo no envelhecimento foram avaliados no norte da Finlândia, onde os danos cumulativos da exposição solar são baixos.

O cigarro também é responsável por causar a deterioração acelerada das fibras de colágeno e elastina responsáveis por conferir sustentação à pele, visto que a nicotina, princípio ativo do tabaco que compõe o cigarro, percorre pelo sangue até a parte interna do tecido cutâneo, lesando estas fibras elásticas da pele. “Dessa forma, a pele adquire um aspecto acinzentado, sem brilho, com a presença de rugas e vincos na região dos olhos e numerosas linhas de expressão na bochecha e mandíbula. Além disso, há a perda do contorno facial, o que culmina em olheiras profundas, sulcos mais proeminentes, mandíbula sem definição e maçãs do rosto caídas”, alerta Roberta Padovan.

A influência do tabaco sobre a saúde de nossa pele é tamanha que, segundo pesquisa realizada Santa Casa de São Paulo, as rugas em fumantes são 38% mais evidentes do que em não fumantes, sendo então o cigarro tão ou mais prejudicial para a pele do que a exposição solar prolongada sem proteção. “Além dos aspectos estéticos, o cigarro também é um fator de risco para certos tipos de câncer de pele, visto que provoca mutações no DNA das células que compõem o tecido cutâneo”, acrescenta a médica.

Roberta sugere que fumantes, além de buscar reduzir o consumo do cigarro, devem procurar um médico para reforçar os cuidados com a pele, a fim de diminuir os danos causados pelo cigarro. “Existem diversos tratamentos para recuperar o contorno facial, como preenchimentos injetáveis, além de lasers e radiofrequência microagulhada para melhorar a qualidade da pele”, diz.

Um dos tratamentos mais indicados para rejuvenescer a pele de fumante é o Pico Ultra 300, no modo de tratamento ultrafracionado. Segundo Letícia, diferente dos outros lasers de picossegundos, é possível com o comprimento de onda 532nm eliminar os sinais de fotodano e envelhecimento: “Além das hiperpigmentação, o envelhecimento ocorre pela desnaturação e redução de fibras elásticas e colágenas, então Pico Ultra 300 promove uma reorganização dessas fibras, além de aumento da produção dessas proteínas de sustentação da pele”.

A grande vantagem, segundo a médica, é o rejuvenescimento sem downtime ou com mínimo incômodo por pouco tempo. “Hoje as pessoas não querem e não tem tempo para ficar vermelhas ou descamando em casa. Além disso, o tratamento não dói, mas ainda é possível aplicar anestésico tópico antes para pessoas mais sensíveis”, conta. No geral, são feitas três sessões, sendo uma a cada 30 dias, mas podem ser feitas mais vezes, dependendo da indicação.

Outra opção para renovar o colágeno da pele, consumido pelos anos de vício, é o ultrassom microfocado, capaz de combater a flacidez e devolver firmeza à pele. “As ondas de ultrassom fazem micropontos de coagulação sob a pele para tonificar o tecido cutâneo, estimular a produção de colágeno e conferir efeito lifting, o que dá fim à flacidez presente na área tratada”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

“As sessões são rápidas, com o tempo de duração variando de acordo com o local de aplicação e a quantidade de áreas tratadas. No geral, cada sessão facial dura entre 15 e 40 minutos”, afirma a cirurgiã plástica. Já é possível ver melhora significativa após a primeira sessão e os resultados continuam a aparecer durante os três meses seguintes.