Arquivo da tag: patricia frança

Futuro da beleza: 3 grandes novidades do Congresso Americano de Dermatologia 2022

De lifting não cirúrgico à criolipólise injetável, especialistas contam em primeira mão os principais destaques do evento nesse ano

O Congresso Americano de Dermatologia é o principal evento do setor. Todos os anos, o evento, que em 2022 ocorre em Boston entre os dias 25 e 29 de março, é responsável por apresentar as maiores novidades em procedimentos, técnicas, aparelhos, protocolos e fórmulas cosméticas e nutracêuticas.

E, para aqueles que estão ansiosos para ver o que há de novo no mundo da dermatologia, a espera acabou: convidamos a dermatologista Valéria Campos, professora convidada do Departamento de Dermatologia da Faculdade de Medicina de Jundiaí e Pós-Graduada em Laser e Dermatologia pela Harvard Medical School, e a farmacêutica Patrícia França, professora de Cursos de Pós-Graduação e Extensão e gerente científica da Biotec Dermocosméticos, para contar em primeira mão as principais tendências do congresso nesse ano. Confira:

Lifting não cirúrgico Cytrellis

Segundo a dermatologista, essa é uma técnica inovadora de lifting facial que não exige cirurgias invasivas ou causa cicatrizes. “Nesse procedimento, pequenos pedaços da pele são removidos, deixando microfuros no local. No total, cerca de 10% do tecido da área tratada é retirado. Conforme esses furos cicatrizam, há a contração da pele, com consequente efeito lifting e diminuição da flacidez, o que resulta em uma aparência mais jovial”, explica a médica.

“Desenvolvido por um professor de Harvard, o tratamento é rápido, durando cerca de 30 minutos, pouco dolorido, já que é realizado com anestesia local, e tem tempo de recuperação mínimo: em um final de semana, já é possível retornar as atividades normalmente”, destaca. O tratamento já está aprovado nos Estados Unidos, então podemos esperar que chegue em breve ao Brasil. E o melhor é que seu efeito ainda pode ser potencializado através do uso de fórmulas nutracêuticas que combinam ativos como Exsynutriment, Vitamina C e FC Oral.

“Enquanto o Exsynutriment, um sílicio orgânico de Mônaco, promove hidratação e estimula a produção de colágeno para potencializar o rejuvenescimento, o FC Oral atua na resolução do processo inflamatório, otimizando a cicatrização e os resultados. A Vitamina C, por sua vez, é capaz de potencializar a ação do Exsynutriment na síntese do colágeno”, diz Patrícia França.

Criolipólise injetável Slurry

Ideal para eliminação de gordura, a criolipólise injetável tem resultados superiores quando comparada ao ‘congelamento’ convencional, já que é capaz de atuar profundamente. “O procedimento consiste em uma substância pastosa de glicerol e solução salina que é congelada e injetada no local a ser tratado para eliminar as células de gordura”, explica a Dra. Valéria Campos. Ainda sem aprovação da Food and Drug Administration (FDA), órgão regulador americano, o procedimento entrará na etapa de testes em humanos agora, mas já apresenta bons resultados nos testes em animais, com melhora das fibras de colágeno e redução de 55% da camada de gordura após 8 semanas do tratamento, o que ainda é melhorado através do uso de suplementos que unem Slim Green Coffee, Bio-Arct, Modulip e Coleus forskohlii.

“Esses ativos potencializam o processo de eliminação da gordura provocado pelo procedimento. O Slim Green Coffee, por exemplo, estimula a oxidação das células gordurosas. Já o Modulip promove a lipólise, isto é, a quebra de gordura por meio de modulação neural no tecido adiposo branco. O Coleus forskohlii, por sua vez, aumenta o AMP cíclico, um mensageiro celular, e, consequentemente, a atividade lipolítica. Por fim, o Bio-Arct acelera o metabolismo celular para que a morte das células de gordura ocorra de maneira mais eficiente”, destaca Patrícia França.

A criolipólise injetável também vem sendo estudada no combate à gordura visceral. “Por estar localizada na cavidade abdominal, próxima a órgãos vitais, esse é o tipo de gordura que predispõe a problemas de saúde como infartos. Essa é uma aplicação revolucionária, que já apresenta bons resultados em porcos, com diminuição da gordura visceral próxima ao coração sem prejudicar seu funcionamento, mas ainda não tem previsão para ser testada em humanos”, completa a dermatologista.

Criomodulação

Desenvolvida por pesquisadores de Harvard, no mesmo laboratório em que a famosa criolipólise foi inventada, a tecnologia de criomodulação também funciona através da ação do frio, assim atuando na eliminação de gordura e podendo, inclusive, ser associado ao uso dos ativos Slim Green Coffee, Bio-Arct, Modulip e Coleus forskohlii.

Mas essa não é a única aplicação do procedimento: “A tecnologia é capaz, por exemplo, de combater manchas na pele, pois reduz a capacidade dos melanócitos de produzir melanina e promove esfoliação do tecido, assim tornando a pele mais luminosa e com tom homogêneo. Além disso, a criomodulação é capaz de combater processos inflamatórios e diminuir a condição nervosa, assim podendo ser utilizada para reduzir dores e inchaços em diversas regiões do corpo”, diz Valéria Campos, que ressalta que o procedimento já tem aprovação do governo americano e deve chegar nos próximos anos ao território brasileiro.

Fonte: Biotec Dermacosméticos

Saúde da pele: por que a vitamina C tópica é tão importante

A vitamina C tópica é um dos ingredientes favoritos dos dermatologistas. Ela tem respaldo científico e pode ajudar a retardar o envelhecimento precoce da pele, prevenir os danos do sol e melhorar a aparência de rugas, manchas escuras e textura da pele. “A vitamina C é um antioxidante, o que significa que combate os radicais livres prejudiciais (toxinas) que entram em contato com a pele de fontes externas, como a poluição do ar, ou de dentro do corpo como resultado de processos normais, como o metabolismo. Os radicais livres podem causar danos à pele e a aplicação de vitamina C tópica pode combater os radicais livres e melhorar sua aparência geral”, explica a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Alguns estudos clínicos demonstraram que a vitamina C pode melhorar as rugas. Um estudo da Nova Zelândia mostrou que o uso diário de uma formulação de vitamina C por pelo menos três meses melhorou a aparência de rugas finas e grossas do rosto e pescoço, bem como melhorou a textura e aparência geral da pele. “Isso acontece porque a Vitamina C é cofator para a produção de colágeno. Então ela ajuda a estimular a síntese dessa proteína que ajuda a dar sustentação à pele”, completa Patrícia.

A vitamina C também pode ajudar a proteger a pele dos raios ultravioleta prejudiciais quando usada em combinação com um filtro solar de amplo espectro. Estudos clínicos publicados no JAAD, um periódico da Academia Americana de Dermatologia, demonstraram que combinar vitamina C com ácido ferúlico e vitamina E, pode diminuir a vermelhidão e ajudar a proteger a pele dos danos a longo prazo causados pelos nocivos raios solares. “Como um antioxidante poderoso, a Vitamina C oferece uma proteção também biológica ao reparar a pele depois de sofrida uma agressão solar; com isso, ela consegue diminuir o número de radicais livres, diminuindo os danos”, diz a médica.

Além disso, a vitamina C também pode reduzir o aparecimento de manchas escuras, bloqueando a produção de pigmento em nossa pele. Em ensaios clínicos do JAAD, a maioria dos participantes que aplicaram vitamina C tópica apresentaram melhora em suas manchas escuras com muito pouca irritação ou efeitos colaterais. “Essa ação se deve ao mecanismo de inibir a tirosinase, que é uma enzima que produz a pigmentação causadora de manchas escuras, dessa forma a Vitamina C tópica pode ser usada para uniformizar a pele e clarear as manchas do sol e do melasma”, explica Patrícia.

Segundo a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos, para clarear as manchas, ainda existem ativos que potencializam a ação da Vitamina C, com o destaque para o SuperOx-C. “Esse ativo botânico extraído da mais rica fonte de vitamina C do mundo, uma super fruta australiana Kakadu plum (ameixa australiana), além de atuar no estímulo do SVCT-1 (transportador da vitamina C nos queratinócitos), promove luminosidade cutânea, reduz o fator angiogênico (vermelhidão) e melhora a uniformidade do tom da pele”, explica. “Também podemos citar que SuperOx-C traz propriedades super antioxidantes e proporciona efeito glow à pele”, completa a farmacêutica Maria Eugênia Ayres, gestora técnica da Biotec Dermocosméticos.

Além dele, há o Ascorbosilane C, uma Vitamina C vetorizada pelo Silício Orgânico. “Ela garante ação antiaging, de reestruturação da derme com ação antioxidante global e estímulo da síntese de colágeno, além de ação despigmentante”, diz Maria Eugênia. A estratégia de vetorizar a Vitamina C em silício orgânico foi usada no produto Derm Deep C, o sérum clareador da Be Belle. O produto é antioxidante e rejuvenescedor, formulado com Vitamina C encapsulada em permeadores biocompatíveis de Silício Orgânico. “Dessa forma, o Derm Deep C é capaz de fazer com que os ativos penetrem profundamente na pele, conferindo assim ação hidratante, antioxidante, clareadora, preenchedora, protetora e rejuvenescedora. Além disso, por ser encapsulada em Sílicio Orgânico, a Vitamina C presente no produto não oxida, o que garante eficácia prolongada e resultados mais rápidos”, explica a cosmiatra Ludmila Bonelli, especialista em dermatocosmética e diretora científica da Be Belle.

Além disso, a vitamina C tópica pode ajudar com a acne por meio de suas propriedades anti-inflamatórias que ajudam a controlar a produção de sebo (óleo) na pele. Em ensaios clínicos, a aplicação de vitamina C duas vezes ao dia reduziu as lesões de acne em comparação com o placebo. Também por isso o Gel Complex Antioleosidade, da Età Cosmetics, conta com um complexo das Vitaminas A, C e E nanoencapsuladas, que são liberadas na pele de maneira mais potente para conferir efeito antienvelhecimento, antioxidante, clareador, protetor e regenerador.

A dermatologista destaca que a vitamina C pode ser encontrada em diversos produtos para a pele, incluindo cremes, géis e séruns. “Mas é importante que a indicação seja feita por um médico, uma vez que existem muitas fórmulas que não garantem a estabilidade do ativo, que oxida facilmente. Outra informação importante é a concentração. Existem produtos no mercado que contam com 5% e outros 40%. Mas nem sempre a maior concentração é a melhor para a pele do paciente”, diz a médica.

A vitamina C é indicada para ser usada a partir dos 20 anos. Ela foi estudada apenas em adultos e não é recomendada para crianças. “Além disso, sempre leia a lista de ingredientes antes de comprar um produto com vitamina C. Se você tem sensibilidade ou uma alergia conhecida a qualquer um dos ingredientes, considere um teste de contato ou consulte seu médico antes de usar. Se você tem pele acneica ou oleosa, considere o uso de uma formulação que também combata a oleosidade ou contenha ingredientes como ácido salicílico, que combatem as erupções acneicas”, explica. Se sentir desconforto ou irritação substancial, pare de usar vitamina C e consulte seu médico.

Por fim, quanto ao modo de uso, a dermatologista afirma que é fundamental usar um limpador suave antes de aplicar o produto com Vitamina C. “Se ele for em sérum, algumas gostar podem ser usadas no rosto e pescoço, antes do hidratante e protetor solar. Existem cremes hidratantes que já contam com a Vitamina C, então os benefícios estão concentrados em um único produto. Mas sempre use protetor solar. A vitamina C não substitui o uso de protetor solar ou o uso de roupas que protejam. Certifique-se de usar protetor solar de amplo espectro diariamente e limitar a exposição ao sol durante os horários de pico”, finaliza.

Alimentos ultraprocessados podem reduzir longevidade; entenda as consequências

Doces, sucos de caixinha, refrigerantes, salsicha e refeições prontas são exemplos de alimentos ultraprocessados, que podem prejudicar pele, coração, cérebro e outras estruturas do organismo, favorecendo o surgimento de condições como hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares

Bolachas, miojo, refrigerantes, embutidos e salgadinhos. Você sabe o que esses alimentos tem em comum? São alimentos ultraprocessados, que, apesar de extremamente populares por serem práticos, de baixo custo e altamente palatáveis, podem causar sérios prejuízos a saúde. “Alimentos ultraprocessados são formulações industriais fabricadas a partir de substâncias extraídas ou derivadas de outros alimentos (sal, açúcar, óleos, proteínas e gorduras) e sintetizadas em laboratório (corantes, aromatizantes, conservantes e aditivos).

No geral, esses alimentos ultraprocessados possuem sabor mais agradável e um grande prazo de validade, mas são pobres nutricionalmente e ricos em calorias, gorduras e aditivos químicos, favorecendo então a ocorrência de deficiências nutricionais, doenças do coração, diabetes, colesterol e obesidade”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia. Para se ter uma ideia, estudos apontam que uma dieta composta de apenas 15% de alimentos processados está ligada a um maior risco de morte precoce por todas as causas, principalmente por doenças cardiovasculares.

“Cuidado inclusive com produtos ‘fit’, ‘light’, ‘zero’ e ‘diet’, que, apesar de serem vendidos como alternativas saudáveis por terem menos calorias, possuem um maior teor de produtos químicos adicionados”, explica o médico nutrólogo, cardiologista e geriatra Juliano Burckhardt, membro Titular da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN), da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). E a ação desses alimentos no organismo é muito diversa, afetando o bom funcionamento de diversas estruturas. Para entender melhor, consultamos um time de especialistas que explicaram alguns impactos do consumo excessivo desses alimentos. Confira:

Aumentam o colesterol ruim: por serem ricos em gorduras trans e saturadas, os alimentos ultraprocessados favorecem o aumento do perfil inflamatório e dos níveis de colesterol e, consequentemente, o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e metabólicas. “Se sua dieta for estritamente rica nesses alimentos, seus níveis de colesterol no sangue serão mais elevados, assim como o risco de doenças cardiovasculares também aumentará. Além disso, o ganho de peso favorecido pelo consumo desses alimentos também aumenta o risco dos níveis altos de colesterol”, diz o Burckhardt. “O grande problema dos altos níveis de colesterol no sangue está no fato de ser uma intercorrência silenciosa: o colesterol aumentado pode não causar sintoma nenhum, obstruindo as artérias aos poucos. Então, em alguns casos, a primeira manifestação da alta do colesterol é um evento como infarto ou derrame, quando já é tarde para prevenir”, alerta a cirurgiã vascular Aline Lamaita, membro da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular.

Favorecem o inchaço e a hipertensão: alimentos ultraprocessados são ricos em sódio, que está presente mesmo em alimentos doces e sucos para realçar o sabor. E o uso excessivo de cloreto de sódio é o principal fator alimentar que aumenta a prevalência de hipertensão arterial, além de ser ruim para a saúde das veias. “O excesso de sódio é um vilão porque contribui com o aumento de pressão arterial, que é um fator de risco para a doença aterosclerótica e problemas circulatórios, além de piorar a retenção de líquidos e, consequentemente, o inchaço. Se você tem uma dieta muito rica em sódio, você tem maior tendência a retenção de líquidos no organismo”, destaca Aline.

Prejudicam o cérebro: quanto mais calorias você ingerir, o que não é difícil através do consumo de alimentos ultraprocessados, maiores serão as chances de perda de memória. “A razão não é clara, mas um maior IMC (índice de massa corporal) na meia-idade está relacionado a problemas de saúde do cérebro mais tarde na vida. Como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados, por serem mais inflamatórios, também aceleram o processo de oxidação do cérebro”, afirma o médico neurologista e neuro-oncologista Gabriel Novaes de Rezende Batistella, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). “A ferrugem no guidão de uma bicicleta ou em uma maçã parcialmente comida dá uma ideia do tipo de dano que a oxidação pode causar ao cérebro, danificando as células da região”, completa.

Envelhecem a pele: de acordo com Marcella, os alimentos ultraprocessados figuram entre os grandes responsáveis pelo aumento do quadro inflamatório do organismo, além de causarem o estresse oxidativo, que ocorre quando há uma produção exagerada de radicais livres. “Ao danificar o DNA das células da pele, o estresse oxidativo causa uma diminuição na atividade celular, redução da produção e qualidade das fibras de colágeno e elastina e menor poder de cicatrização. O resultado é a aceleração do processo de envelhecimento, com surgimento de flacidez, manchas, rugas, linhas de expressão e perda do viço e luminosidade da pele”, destaca Beatriz Lassance, cirurgiã plástica membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Esses alimentos, no geral, têm alto índice glicêmico e também colaboram para o processo conhecido como glicação. “Os alimentos de alto índice glicêmico favorecem a ocorrência de uma reação não enzimática entre a proteína do colágeno e o açúcar presente nos carboidratos e isso leva a formação dos chamados produtos de glicação avançada, AGES, que irão acelerar o processo de envelhecimento celular”, explica a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos. E nesse caso, será necessário uso de suplementos anti e desglicantes, como é o caso do Glycoxil. “O Glycoxil irá auxiliar na restauração do equilíbrio metabólico da glicose, insulina e dos minerais minimizando o processo inflamatório associado ao envelhecimento. Também irá contribuir na diminuição da formação dos AGES, ação antiglicante, desglicante, que estão intimamente relacionados a alteração e modificação das funções das proteínas, especialmente o colágeno”, completa a farmacêutica.

Estimulam a produção de oleosidade: o consumo de alimentos ultraprocessados é especialmente prejudicial para quem sofre com oleosidade da pele, já que estimula a produção de sebo, favorecendo, consequentemente, o surgimento de cravos e espinhas. “Por serem ricos em gordura, os alimentos ultraprocessados podem levar a hiperinsulinemia, isto é, altas quantidades de insulina no sangue, o que acarreta no aumento de hormônios androgênicos, que, por sua vez, estimulam a produção de sebo pelas glândulas sebáceas”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Aumenta a indisposição e prejudica a vida sexual: como se não bastasse, os alimentos ultraprocessados ainda podem inibir sua capacidade de ter relações íntimas. “Apesar de não existirem alimentos específicos que afetem sua vida amorosa, uma dieta baseada excessivamente em alimentos ultraprocessados com alto teor de sal, gordura e açúcar pode prejudicar o fluxo sanguíneo saudável e os níveis de energia que são importantes para o sexo. Além disso, alimentos pró-inflamatórios, como estes, estão relacionados a sintomas de fadiga, indisposição e cansaço”, explica a ginecologista Eloisa Pinho, da Clínica GRU.

Mas, para prevenir todas essas alterações e manter-se saudável por muito mais tempo, a recomendação é adotar uma dieta balanceada. “A regra de ouro para uma alimentação adequada e saudável é optar sempre pelos alimentos in natura ou minimamente processados, aqueles obtidos de plantas ou animais que chegam ao consumidor sem terem passado por nenhum tipo de processamento. Nessa categoria se enquadram alimentos como frutas, legumes, verduras, hortaliças, grãos, nozes e ovos. São eles que provêm os nutrientes necessários para o bom funcionamento orgânico, como os ácidos graxos ômega-3, a vitamina C, os polifenóis e os carotenoides. Também devemos dar preferência às preparações caseiras e restringir ao máximo o consumo dos alimentos ultraprocessados”, aconselha Marcella.

E, caso você tenha dificuldade para deixar os alimentos ultraprocessados de lado, tente seguir a dica de Burckhardt: “Embora fazer pequenas mudanças ao longo do tempo seja uma estratégia eficaz para resultados duradouros, eliminar alimentos ultraprocessados por um período de tempo (de uma semana a um mês) pode ajudar a redefinir suas papilas gustativas e colocá-lo no caminho mais rápido”, explica o médico. Mas lembre-se também de comer o que você gosta, pois, caso contrário, dificilmente vai conseguir aderir a mudanças de hábitos.

Freepik

“Não agimos bem quando nos sentimos privados, e se você está comendo comida de que não gosta, está se preparando para o fracasso. Encontre um estilo de alimentação saudável que você adore e que corresponda ao que você goste. Existem muitas opções saborosas e saudáveis demais para se contentar com alimentos que você não gosta”, finaliza o médico nutrólogo.

Processo inflamatório não visível está ligado ao envelhecimento acelerado e doenças

Exposição solar, poluição e alimentação rica em alimentos processados pioram perfil inflamatório da pele e do organismo. Esse status inflamatório contínuo e progressivo ao qual estamos expostos, não percebemos e nem temos sinais clínicos, está ligado ao envelhecimento precoce e a doenças

Inflamação constante. Ela é responsável por diversos problemas, condições crônicas e até a aceleração do envelhecimento da pele. “Se você não estiver familiarizado com o termo, inflamação se refere a uma reação do sistema imunológico a uma infecção ou lesão. Nesses casos, a inflamação é um sinal benéfico de que seu corpo está lutando para se recuperar, enviando um exército de células brancas do sangue para combater o processo que a ocasionou. Mas a inflamação também ocorre sem servir a nenhum propósito saudável, como quando você sofre de estresse crônico, tem uma doença autoimune, diabetes ou obesidade”, explica a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

E ela completa: “E, ao invés de resolver o problema e regredir, esse tipo de inflamação, de forma sistêmica e discreta, pode perdurar de forma crônica, trazendo danos ao organismo e, potencialmente, levando a problemas de saúde como artrite, doenças cardíacas, mal de Alzheimer, depressão e câncer”.

Já a farmacêutica Patrícia França, gerente científica da Biotec Dermocosméticos explica que existe um processo inflamatório subclínico que conhecemos como Inflammaging: “Esse é um conceito novo relacionado ao envelhecimento precoce ocasionado, entre outras condições, pela formação de radicais livres oriundos da exposição aos raios ultravioleta, poluição e alimentação rica em alimentos processados. Essas ações promovem um desequilíbrio entre os mecanismos pró e anti-inflamatórios do organismo, aumentando o status inflamatório contínuo e progressivo ao qual estamos expostos continuamente, não percebemos, e nem temos sinais clínicos. Podemos dizer que obesidade, diabetes tipo II e a aterosclerose são exemplos de inflammaging e em todas essas doenças temos um aumento das substâncias inflamatórias” explica.

Maus hábitos como sedentarismo, privação de sono, tabagismo, exposição solar crônica e sem proteção e abuso de bebidas alcoólicas estão ligados a esse processo, mas a alimentação costuma ser um dos principais pontos.

“A dieta ocidental, rica em alimentos pró-inflamatórios, pode gerar uma cascata de danos que podem culminar em doenças metabólicas e envelhecimento precoce. A inflamação ocupou o centro das atenções das pesquisas nos últimos anos e as estratégias destinadas a reduzi-la vem sendo estudadas cada vez mais. Muitas dessas recomendações anti-inflamatórias estão relacionadas à dieta”, explica a Dra. Marcella.

Segundo a médica nutróloga, está claro que ter uma dieta saudável pode ajudar a melhorar a saúde geral e a longevidade. “Existem também algumas evidências que apoiam a noção de que comer uma série de alimentos nutritivos pode reduzir a inflamação. Por exemplo, pessoas que comem muitas frutas e vegetais tendem a ter níveis mais baixos de uma substância chamada proteína C reativa, um marcador de inflamação dentro do corpo”, diz Marcella.

“Além disso, algumas pesquisas encontraram uma ligação entre dietas pesadas em alimentos que promovem inflamação e um maior risco de certos problemas de saúde. Por exemplo, um estudo no Journal of the American College of Cardiology descobriu que pessoas que consumiam alimentos pró-inflamatórios, incluindo carne vermelha e processada, carboidratos refinados e bebidas carregadas de açúcar, eram mais propensas a desenvolver doenças cardiovasculares do que aquelas que regularmente optavam por alimentos anti-inflamatórios, como verduras, feijão e chá”, diz a médica.

Felizmente, os alimentos que parecem reduzir a inflamação também tendem a ser bons para você por outros motivos. “Portanto, concentrar-se em comer esses alimentos provavelmente pode beneficiar sua saúde de várias maneiras”, afirma a médica, que dá abaixo 5 dicas de trocas alimentares que ajudam a combater a inflamação.

=Em vez de um pão francês com cream cheese, coma uma ou duas fatias de torrada integral regada com azeite de oliva. “Os grãos integrais contêm substâncias que ajudam a promover o crescimento de bactérias saudáveis no intestino. Essas bactérias podem então produzir compostos que ajudam a neutralizar a inflamação. O consumo regular de azeite de oliva também traz benefícios: junto com os efeitos anti-inflamatórios, também pode ajudar a reduzir a pressão arterial e melhorar os níveis de colesterol”, diz Marcella.

=Em vez de um refrigerante gaseificado, experimente uma xícara de chá verde. “O chá verde contém substâncias chamadas catequinas, um polifenol que combate a inflamação. Apenas tome cuidado de não adoçá-lo”, diz a médica.

Foto: UncustomaryHousewife

=Em vez de um muffin e barra de cereais, substitua por um punhado de nozes sem sal e uma maçã. “As nozes trazem vários benefícios à saúde, incluindo uma dose de gorduras saudáveis, proteínas e, dependendo da variedade, fitoquímicos, que contêm antioxidantes e ajudam a eliminar substâncias nocivas chamadas radicais livres no corpo. Acredita-se que também tenham propriedades anti-inflamatórias. Frutas como maçãs também contêm fibras e antioxidantes”, explica.

=Em vez de um bife com batata fritas, coma uma porção de salmão com brócolis. “Os ácidos graxos ômega-3 do salmão e outros tipos de peixes, como atum, sardinha e cavala, têm sido associados a uma melhor saúde cardiovascular, possivelmente devido às suas propriedades anti-inflamatórias. O brócolis também é uma boa fonte de fibra e é rico em vitaminas C, E, K e ácido fólico. Ele também contém carotenoides, um fitoquímico importante para a saúde e que tem função antioxidante”, diz Marcella.

Foto: SweetSimpleVegan

=Em vez de uma fatia de bolo com farinha refinada e açúcar, prepare um bolo funcional com aveia e adoce com banana ou vários tipos de frutas vermelhas. “Frutas são ricas em vitaminas, minerais, compostos bioativos e antioxidantes que combatem a inflamação. A aveia é uma fonte rica de fibras, que ajudam no trânsito intestinal, e também combate à inflamação”, explica.

Segundo a médica nutróloga, uma revisão completa da dieta é um desafio, então fazer essas pequenas mudanças ao longo do tempo pode ajudar muito. “Tentar uma série de trocas simples que pode resultar em uma saúde melhor a longo prazo”, explica.

Patrícia concorda com a mudança de hábitos, principalmente na dieta, e sugere, também, o uso de suplementos anti-inflamatórios como os Fosfolipídeos de Caviar (FC Oral). “Quando utilizamos fosfolipídeos de caviar, conseguimos reduzir essas substâncias pró-inflamatórias, o que diminui o inflammaging. Em sua composição, um carotenóide, a astaxantina, e vitamina E trazem benefícios no aumento do status antioxidante da pele e do organismo, reduzindo a inflamação e auxiliando na redução de radicais livres. Para a pele, ele ainda melhora a hidratação por inibir a perda de água transepidérmica, deixando a superfície da pele protegida (barreira cutânea) e hidratada, ajudando a combater o envelhecimento precoce”, finaliza a farmacêutica.

Fontes:
Marcella Garcez é Médica Nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran.
Patrícia França é farmacêutica e gerente científica da Biotec Dermocosméticos.