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Estudo da Unifesp mostra relação dos hormônios do apetite e distúrbios de humor em mulheres na pós-menopausa

Os índices de depressão e de ansiedade, que já cresciam e preocupavam autoridades do Brasil e do mundo em geral, ano após ano, têm aumentado ainda mais em consequência das incertezas e dificuldades trazidas pela pandemia de Covid-19. Há quem diga, inclusive, que lidamos atualmente com duas pandemias, a de Covid-19 e a dos distúrbios mentais.

Nesse sentido, dois estudos realizados pelos Departamentos de Fisiologia, Psicobiologia e Ginecologia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp), trouxeram informações relevantes acerca da relação entre os distúrbios do humor e os hormônios do apetite, principalmente em mulheres na pós-menopausa.

“Apesar da depressão e da ansiedade serem patologias conhecidas e muito estudadas, pela sua complexidade e íntima relação com nosso sistema nervoso central as causas destes distúrbios mentais ainda não são completamente entendidas, o que pode dificultar o tratamento correto. Em dois estudos, pudemos observar, por exemplo, que além do excesso de peso, a grelina, que é o hormônio da fome, e a leptina, hormônio da saciedade, estão intimamente relacionados com a depressão e ansiedade, em mulheres na pós-menopausa”, explica Maria Fernanda Naufel, pós-doutoranda em nutrição pela Unifesp e uma das responsáveis pelos estudos. Os artigos foram publicados nas revistas Scientific Reports e Menopause.

No estudo veiculado no periódico Menopause Journal, foram incluídas tanto mulheres na pré-menopausa, com idade entre 40 e 50 anos e que representaram o grupo controle, quanto mulheres na pós-menopausa, entre 50 e 65 anos. Já no estudo publicado no periódico Scientific Reports, foram incluídas somente mulheres na pós-menopausa, com idade entre 50 e 65 anos, que apresentavam algum grau de depressão, excluindo, portanto, aquelas não deprimidas.

Em ambos os estudos foram analisadas medidas antropométricas por meio de bioimpedância avançada. Sintomas de depressão e ansiedade foram avaliados por questionários. Também foram dosados inúmeros parâmetros bioquímicos e hormonais por meio de amostras de sangue e saliva, além de parâmetros clínicos.

“Entre os principais resultados, constatamos que, além da obesidade total, obesidade abdominal, avançar da idade e resistência à insulina influenciarem de forma expressiva em quadros de depressão e ansiedade, observamos que a leptina e a grelina são fortes preditores independentes, que se associaram positivamente e respectivamente com a ansiedade e depressão, na população estudada. Ou seja, averiguamos que quanto maiores os índices de leptina maiores os sintomas de ansiedade e quanto maiores os níveis de grelina acilada (antes chamada de grelina ativa) maiores os sintomas de depressão, em mulheres na pós-menopausa”, destaca Maria Fernanda.

De acordo com a pesquisadora, “estudos já haviam encontrado receptores de grelina e leptina em zonas do cérebro responsáveis pela regulação do humor, e por meio de nossos estudos foi possível observar uma estreita associação entre estes hormônios do apetite e distúrbios mentais.”

Apesar de constatar a relação dos hormônios da fome e saciedade com a depressão e a ansiedade, Maria Fernanda ressalta que ainda não é possível concluir se estes efeitos são positivos ou negativos para o humor.

“Essa associação pode refletir tanto uma resposta fisiológica do corpo tentando lutar contra a depressão e ansiedade – neste caso, os hormônios estariam atuando como antidepressivos ou ansiolíticos -, quanto podem ser um fator causal destas patologias. Estudos experimentais levam a crer que estes hormônios auxiliam na melhora dos distúrbios de humor, contudo, mais estudos em humanos são necessários para se chegar a uma conclusão.”

Outros resultados constatados nos estudos incluem o fato de mulheres na pós-menopausa apresentarem maiores índices de depressão, ansiedade, obesidade total e obesidade abdominal, quando comparadas às mulheres na pré-menopausa. “Assim, é de suma importância monitorar o ganho de peso e alterações de humor em mulheres na pós-menopausa, para um diagnóstico e tratamento precoce, preservando com isso a qualidade de vida”, conclui a pesquisadora da Unifesp.

Fonte: Unifesp

Dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta desenvolvimento de doenças cardíacas e morte

Um estudo global, que conta com a participação de habitantes dos cinco continentes, revela que uma dieta rica em carboidratos de má qualidade aumenta o risco de ataques cardíacos, derrames e consequentemente, morte.

O levantamento constata que os riscos de uma dieta glicêmica elevada foram semelhantes às pessoas que tinham ou não doenças cardiovasculares anteriores.

O estudo publicado no New England Journal of Medicine é o maior já registrado, que engloba uma população geograficamente diversificada, já que estudos anteriores se concentraram principalmente em países ocidentais de alta renda.

Um total de 137.851 pessoas, de 35 a 70 anos, foram acompanhadas por uma média de 9,5 anos pelo estudo Population Urban and Rural Epidemiology (PURE), realizado pelo Population Health Research Institute (PHRI), da Universidade McMaster e Hamilton Health Sciences. No Brasil, o estudo é coordenado pelo Prof. Dr. Álvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

Foto: James Hills/Pixabay

Para o levantamento das informações do estudo, foram feitos questionários alimentares para medir a ingestão a longo prazo dos participantes e estimar o índice glicêmico (o ranking de alimentos com base em seu efeito sobre os níveis de açúcar no sangue) e a carga glicêmica (a quantidade de carboidratos em um alimento x seu índice glicêmico) de dietas. Foram registrados 8.780 óbitos e 8.252 eventos cardiovasculares de grande porte entre os participantes durante o período de seguimento.

Os pesquisadores categorizaram a ingestão de carboidratos pelos tipos que aumentaram mais os níveis de açúcar no sangue do que outros (alto índice glicêmico), e compararam esse índice com a ocorrência de doenças cardiovasculares ou morte.

O grupo que tinha uma dieta com índice glicêmico 20% mais alto, eram 50% mais propensas a ter um evento cardiovascular, derrame ou morte se tivessem um problema cardíaco pré-existente, ou 20% mais propensos a ter um evento destes, se não tivessem uma condição pré-existente. Esses riscos também foram maiores entre as pessoas obesas.

“Estamos estudando o impacto de dietas glicêmicas altas há muitas décadas, e esta pesquisa ratifica que o consumo de altas quantidades de carboidratos de má qualidade é um problema em todo o mundo”, explica o primeiro autor David Jenkins, professor de ciências nutricionais e medicina da Faculdade de Medicina Temerty da Universidade de Toronto, que também é cientista do Li Ka Shing Knowledge Institute of St. Michael’s Hospital, Unity Health Toronto.

“Os trabalhos de estudo PURE já indicaram que nem todos os alimentos ricos em carboidratos são iguais. Dietas ricas em carboidratos de baixa qualidade estão associadas à redução da longevidade, enquanto dietas ricas em carboidratos de alta qualidade, como frutas, legumes e leguminosas, têm efeitos benéficos”, diz. A maioria das frutas, legumes, feijões e grãos integrais intactos tem um baixo índice glicêmico, enquanto pão, branco, arroz e batatas têm um alto índice glicêmico.

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O pesquisador da PHRI, Mahshid Dehghan acrescenta “Este estudo também deixa claro que, entre uma população diversificada, uma dieta baixa tanto em seu índice glicêmico quanto na carga, tem um menor risco de doenças cardiovasculares e morte.”

“Os dados atuais, juntamente com publicações anteriores do PURE e de vários outros estudos, enfatizam que o consumo dos carboidratos de má qualidade provavelmente será mais adverso do que o consumo da maioria das gorduras na dieta”, disse Salim Yusuf, autor sênior do PURE, diretor executivo do PHRI e professor de medicina na McMaster. “Isso exige uma mudança fundamental em nosso pensamento sobre quais tipos de dieta provavelmente serão prejudiciais, e quais tipos neutros ou benéficos”,

“O estudo feito com a população de todos os continentes, comprova que o consumo de grandes quantidades de carboidratos de baixa qualidade associado à redução de longevidade é um problema mundial. Estes achados permitem estabelecermos políticas de saúde alimentar visando promoção de saúde e prevenção cardiovascular”, explica Alvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.

“Os grãos consumidos nesses tipos de carboidratos, e os produtos à base dele, representam cerca da metade das calorias que as pessoas consomem em um dia. Em algumas regiões da África e da Ásia, porém, eles chegam a ser 70% do consumo calórico”, complementa Avezum.

O estudo PURE, consiste em uma plataforma do entendimento do adoecimento cardiovascular no mundo, e que está em andamento há 18 anos, reunindo dados de 101 países, com 300 mil indivíduos no mundo. É apoiado por dezenas de agências governamentais de saúde, instituições de caridade e empresas farmacêuticas, entre várias organizações, de todos os países participantes do estudo.

No Canadá, os principais apoiadores incluíram os Canadian Institutes of Health Research, Heart and Stroke Foundation of Ontario, Ontario Ministry of Health and Long-Term Care and Hamilton Health Sciences Research Institute through, a PHRI.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

Fundação Dom Cabral e Hype50+ lançam estudo sobre impacto da longevidade na sociedade brasileira

Para investigar os múltiplos impactos sociais da extensão de vida do brasileiro, o FDC Longevidade – projeto desenvolvido pela Fundação Dom Cabral (FDC) com apoio técnico da Hype50+ e patrocínio da Unimed-BH – lança o TrendBook Sociedade.

Quais são as 10 profissões do futuro quando pensamos na longevidade dos brasileiros e na necessidade de criar oportunidades novas de trabalho associadas a novas demandas demográficas? Essa é uma das perguntas respondidas pelo TrendBook Sociedade. Embora as previsões do impacto da longevidade descrevam cenários de 2030 ou 2050, a realidade de 2021 já revela os efeitos do envelhecimento em diversas áreas, inclusive, na atividade profissional.

A carreira que mais cresceu na última década foi a de cuidador de idosos. Em dez anos, o Brasil passou de 5.263 cuidadores (2007) para 34.051, em 2017 – segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No entanto, apesar do crescimento de 547% no número de profissionais, a regulamentação e a velocidade de formação dos cuidadores não acompanham a necessidade de cuidado da população madura. Para  ver todo o estudo, clique aqui. 

A lacuna se repete, também, em outras profissões. Hoje, o Brasil tem um déficit de 28 mil geriatras; em Estados como Acre, Amapá e Roraima, o número de profissionais não passa de cinco, de acordo com dados do Ministério da Saúde e IBGE (PNAD | 2017). O TrendBook Sociedade, um mapeamento que compõe o terceiro eixo do projeto FDC Longevidade – iniciativa da Fundação Dom Cabral (FDC) com apoio técnico da Hype50+ e patrocínio da Unimed-BH – reflete que o descompasso tem uma raiz.

Para surgirem novos profissionais, é preciso uma formação em massa da força de trabalho. A limitação de cursos e grades curriculares, especialmente na área da saúde, que contemplem as necessidades do envelhecimento, é um dos maiores gargalos para atender às demandas do país. Até 2017, por exemplo, apenas duas universidades brasileiras ofereciam uma graduação em Gerontologia, segundo a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia. 

Em contrapartida, novas profissões nascem para atender às pessoas, mostrando mais uma vez que a sociedade caminha mais rápido que qualquer instituição. Dessa forma, uma carreira inexistente hoje pode ser a dos sonhos de quem prestar vestibular em 2030. O TrendBook Sociedade traz uma lista das 10 profissões ligadas à longevidade populacional. O estudo completo traz, ainda, análises aprofundadas sobre o impacto do envelhecimento populacional na sociedade; os capítulos do estudo investigam dimensões como as novas sociedades envelhecidas; cenários prateados; trabalho e previdência versus extensão da vida; mercado de trabalho; e mapa social da longevidade. Destaque, também, para entrevistas exclusivas com o gerontologista Alexandre Kalache e o economista Roberto Teixeira da Costa, além de artigo de Flávia Ranieri, arquiteta com especialização em Gerontologia, que compõem o conteúdo.

Longevidade: desafios e oportunidades

Foto: Meetcaregivers

De acordo com Michelle Queiroz, professora-associada da FDC e coordenadora do FDC Longevidade, o expressivo aumento da expectativa de vida, considerada uma conquista da humanidade, gera impactos profundos na sociedade que podem, inclusive, serem analisados a partir de inúmeras perspectivas.

“No recorte desta publicação, optamos por priorizar alguns dos principais desafios no campo do etarismo, previdência, trabalho e desigualdade social e, também, trouxemos exemplos de soluções e atores que fazem acontecer dentro deste ecossistema. Apesar de termos capítulos segmentados, facilitando a compreensão dos temas, na vida as linhas que as separam são quase inexistentes. Nossa intenção é descortinar olhares para uma visão integrada das diferentes dimensões de impacto, contribuindo para despertar o valor do engajamento social!”, avalia a especialista.

Segundo Layla Vallias – especialista em Economia Prateada, cofundadora da Hype50+ e Janno, coordenadora do estudo Tsunami Prateado (maior mapeamento brasileiro sobre longevidade) –, a prática de inovação, empreendedorismo e pesquisa de tendências traz o desafio de disseminar entre os gestores de grandes marcas, indústrias e governos dados que comprovam o quanto o envelhecimento da população apresenta oportunidades reais. “A revolução que estamos vivendo nos obriga a revisitar conceitos, quebrar padrões e discutir tabus. Para os mais estratégicos, é nesse oceano azul da longevidade que residem as grandes oportunidades para o futuro”, afirma.

Do ponto de vista do mercado de trabalho à luz da longevidade, a especialista aponta que as perspectivas são igualmente boas. “Todos os mercados e setores de trabalho serão profundamente impactados pelo envelhecimento da população; quem antes observar essa realidade e se preparar para atendê-la, sai na frente. Esse é um caminho sem volta: todos os profissionais, da saúde à hotelaria, da indústria de beleza à moradia deverão ser, necessariamente, profissionais capacitados para a longevidade”, defende.

Para o diretor-presidente da Unimed-BH, Samuel Flam, a longevidade ressignificou a forma como vemos a realidade. “Hoje, não estamos apenas vivendo mais; estamos vivendo com qualidade, mantendo a produtividade e cultivando hábitos saudáveis. Como empresa de saúde, a Unimed Belo Horizonte está atenta a esse cenário e vem contribuindo, há quase 50 anos, para promover mais saúde e qualidade de vida para a população com mais de 60 anos. Afinal, nossa vocação e nosso propósito são cuidar de pessoas. Por isso, para nós, é uma grande honra contribuir com este projeto, capitaneado pela Fundação Dom Cabral, com o objetivo de colocar a longevidade em perspectiva. Conhecer melhor essa geração, da qual faço parte, é fundamental para que possamos, dentro do que é possível, projetar o amanhã. Estamos certos de que esta pesquisa traduz o espírito de nosso tempo e servirá como importante insumo para o futuro”, analisa.

Insights do estudo

| 10 Profissões do futuro para cuidar do envelhecimento

Novas profissões nascem para atender às pessoas, mostrando mais uma vez que a sociedade caminha mais rápido que qualquer instituição. Dessa forma, uma profissão inexistente hoje pode ser a carreira dos sonhos de quem prestar vestibular em 2030. O TrendBook Sociedade traz uma lista das 10 profissões ligadas à longevidade populacional.

  1. Cuidador de Idosos | Responsável por auxiliar nas tarefas domésticas para garantir o bem-estar da pessoa idosa. Higiene pessoal, suporte no cuidado médico e acompanhamento em consultas são atribuições do trabalho.  Média salarial: R$ 1.271,82
  2. Geriatra | Esse profissional é o médico especialista no tratamento de idosos, com o objetivo de melhorar a qualidade de vida da longevidade. Atua ao lado de enfermeiros, fisioterapeutas e educadores físicos. Média salarial: R$ 8.271,27
  3. Gerontólogo| A Gerontologia estuda o processo de envelhecimento pela perspectiva social, psicológica e biológica. Média salarial: R$ 3.793,25
  4. Terapeuta ocupacional | Costuma trabalhar em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), clínicas e hospitais, apoiando os maduros a manter sua autonomia na sua rotina, a partir das habilidades, limitações e reservas de saúde de cada pessoa. Média salarial:  R$ 2.598,45
  5. Conselheiro de aposentadoria |Essa é uma das 10 tendências de profissão do futuro, segundo a Fundação Instituto Administração (FIA). Além do planejamento financeiro, esse profissional apoia na decisão de alternativas de investimento, escolha de plano de saúde, plano de carreira e programação do tempo. Média salarial: Não há.
  6. Consultor de bem-estar para idosos | Interdisciplinar, sem uma formação própria, essa profissão combina conhecimentos diversos de finanças, recursos humanos e até saúde e bem-estar. Pessoas formadas em Gerontologia ou terapia ocupacional podem exercê-la. Média salarial: Não há.
  7. Bioinformacionista | Vindo da Biomedicina, esse profissional combina as informações genéticas com a metodologia clínica para desenvolver medicamentos personalizados cada vez mais eficientes para doenças genéticas. Média salarial: Entre R$ 4 mil e R$ 7 mil.
  8. Cuidador remoto | Conhecido como Walker/Talker, por meio de uma plataforma on-line, essa pessoa é contratada para passar um tempo com os maduros, praticando a escuta ativa e a conversa, para diminuir a solidão e manter ativa sua sociabilidade. Média salarial: Não há.
  9. Curador de memórias pessoais | O trabalho envolve desde a investigação de notícias e biografias para pessoas que perderam a memória até criação de biografias, perfis póstumos, histórias de famílias e empresas. O resultado pode ser entregue na forma de livro, filme ou uma experiência em realidade virtual. Média salarial: Não há, mas o piso cobrado pelo trabalho é de R$ 1 mil.
  10. Especialista em adaptação de casa | Com a tendência de Aging in Place, é cada vez mais necessária a adaptação de casas de família para atender às necessidades dos idosos. As modificações vão do tipo de piso à altura da prateleira, largura dos corredores e adaptação do banheiro. Média salarial: Não há, mas pode ser comparada a de um arquiteto ou gerontólogo.

Trabalho e Previdência Versus Extensão da Vida

Mabel Amber/Pixabay

No capítulo, O Bê-á-Bá da Previdência, o TrendBook Sociedade traz uma análise sobre o sistema previdenciário nacional – um pacto entre gerações no qual trabalhadores de hoje são os responsáveis por custear a aposentadoria daqueles que saíram do mercado de trabalho – e a relação futura com o aumento da longevidade populacional. Em 1980, a proporção era de 9,2 pessoas em idade ativa trabalhando para cada aposentado; em 2060 serão 1,6 trabalhador para cada idoso. Na prática, há grandes desafios no modelo da previdência nacional, sendo o aumento da taxa do envelhecimento um dos principais.

Em entrevista ao estudo, o economista Roberto Teixeira da Costa analisa formas de encarar a aposentadoria e aponta como os brasileiros de diferentes gerações podem se preparar para o futuro. “Acredito que deveríamos criar mecanismos para redistribuição de renda para aposentados; recursos que mitiguem os problemas causados pela desigualdade”, avalia.
Estamos diante de uma condição social inédita. A geração baby boomer é a primeira a ingressar na aposentadoria em uma era em que as pessoas vivem mais de 100 anos.

O estudo analisa as previdências sociais pelo mundo e traz o Índice Global de Pensões, que aponta que muitos países estão promovendo mudanças em direção a sistemas mais sustentáveis. Entre as medidas comuns, aumento da idade para se aposentar; aumento do nível de poupança (dentro e fora dos fundos de pensão); ampliação da cobertura de pensões privadas para toda a força de trabalho, incluindo autônomos e contratados; preservar os fundos de aposentadoria, limitando o acesso aos benefícios antes da idade de aposentadoria; e aumento da confiança de todas as partes interessadas por meio da transparência dos planos de pensão.

As novas sociedades envelhecidas

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No capítulo, destaque para O Telhado Branco do Mundo que analisa A Década do Envelhecimento Saudável – parte da Estratégia Global sobre o Envelhecimento e a Saúde, da Organização Mundial da Saúde (OMS). O documento recomenda que até 2030 seja conduzido um plano de colaboração combinada, catalítica e sustentada em prol da temática. Um alerta pertinente recai para a questão de gênero. As mulheres costumam viver mais do que os homens; em 2017, elas eram 64% da população mundial 60+, sendo que 61% tinham mais de 80 anos.

As que nascerem entre 2020 e 2030 terão uma expectativa de vida de três anos a mais do que os homens nascidos no mesmo período. Entretanto, o estudo mostra que as mulheres maduras são mais pobres; têm menos economias e ativos que os homens por conta de uma jornada de vida de discriminação – algo que afeta a equidade de oportunidades.

Entre os países que integram a Organização para a Cooperação de Desenvolvimento Econômico (OCDE), a pensão paga às mulheres é, em média, 27% menor do que a dos homens. As maduras estão, em algumas partes do mundo, entre as mais vulneráveis à pobreza e em desvantagem quando o assunto abarca propriedades e heranças de terras. Por conta das barreiras educacionais, as mulheres são desproporcionalmente afetadas pela automação das funções, pelas mudanças tecnológicas e pela inteligência artificial. A força de trabalho feminina compõe o maior número de cuidadores não remunerados, incluindo o setor informal.

Preconceito contra um futuro longevo

O ageísmo está dentro de casa, nas ruas e nas empresas. Na pandemia, o grupo de 60+ foi o mais atingido pelo desemprego: mais de 1,3 milhão de pessoas com sessenta anos ou mais deixaram de trabalhar ou de procurar emprego, o que representa 64% dos brasileiros sem uma colocação profissional. Para a geriatra Karla Giacomin, vice-presidente do Centro de Longevidade Internacional-Brasil (ILC-Brazil), a invisibilidade no processo do envelhecimento e dos direitos relacionados à velhice prejudica a inclusão do tema nas pautas políticas.

Preparar o mundo para o envelhecimento

Foto: MedicalNewsToday

Cresce o número de cidadãos acima de 60 anos nas zonas urbanas do mundo; os governantes precisam levar em consideração as necessidades e demandas dessa população prateada. O estudo mostra que o número de pessoas 60+ irá crescer 16 vezes até 2050. Para auxiliar governos e países a criarem um ambiente age-friendly, a OMS criou um guia com diretrizes de como transformar cidades em espaços onde pessoas de todas as idades possam viver de forma saudável. O TrendBook Sociedade analisa as recomendações nos tópicos Engajamento social, Serviços municipais e Infraestrutura.

Cada vez mais sozinhos. No Brasil, já são mais de 4 milhões de 60+ que vivem sozinhos, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); na cidade de São Paulo, dos mais de 1,8 milhão de idosos, 290.771 (16%) vivem sozinhos; desses, 22.680 têm mais de 90 anos. O estudo traz um mapa, por Estado, dos sessenta mais que residem sozinhos.

Cenários prateados

Na análise, iniciativas em vários países que mostram a adaptação das sociedades à conquista da longevidade. Prédios públicos, transporte, moradia, participação social, trabalho e engajamento cívico, comunicação e informação. Além disso, traz um ranking das melhores cidades brasileiras para viver após os sessenta anos: São Caetano do Sul, São Paulo (longevidade e bem-estar); São Paulo, capital (finanças); Atibaia, São Paulo (habitação); Birigui, São Paulo (educação e trabalho); Caraguatatuba, São Paulo (cultura e engajamento); Brusque, Santa Catarina (qualidade de vida); e Campo Largo, Paraná (cuidados com a saúde).

Ecossistema social da longevidade

Na análise, iniciativas de governos, empresas, sociedade civil, coletivos e indivíduos têm apoiado o envelhecimento do país em prol da qualidade de vida dos sessenta mais.
Embora as iniciativas sejam pontuais e muito associadas à saúde, despontam ações que ampliam o repertório governamental para abarcar setores como cultura, lazer e habitação. Por outro lado, a sociedade civil se mobiliza com iniciativas criativas para combater uma ameaça da longevidade, sobretudo em tempos de pandemia: a solidão. Incluir o idoso na ágora pública tende a ser a resposta dada por muitas das iniciativas, tanto governamentais quanto da sociedade civil.

Um aspecto interessante trazido pelo inusitado contexto de distanciamento social foi a nova dimensão de compreensão social do papel e dos desafios enfrentados pelos mais velhos na sociedade. De invisíveis, eles passaram a ser vistos como um grupo de risco que deveria ser protegido. Nesse cenário, muitos cidadãos decidiram conduzir iniciativas para combater o isolamento e o etarismo; ações para incluir os longevos de maneiras possíveis e seguras. Surgindo a partir do interesse de um indivíduo, de uma família, de uma comunidade, de uma universidade, de uma empresa ou até de uma rede internacional. O estudo traz iniciativas brasileiras como a Vila do Idoso (São Paulo); SESC (atividades culturais e esportivas); Governo da Paraíba (moradia); Brasília, Distrito Federal (Sua Vida Vale Muito); Me pede que eu canto (Rio de Janeiro, iniciativa da sociedade civil); Meninas de Sinhá (Belo Horizonte, Minas Gerais), entre outros. No Mapa Social da Longevidade, perfis de pessoas que estão transformando a forma de envelhecer no país.

Fonte: Hype50+

Metade das mulheres afirma que já mudou o estilo de cabelo para ser mais aceita

Na hora de escolher um penteado ou estilo para o cabelo, muitos fatores estão em jogo na cabeça de uma mulher. E não é só julgar, por exemplo, se um determinado estilo combina com a anatomia do rosto ou personalidade. Mas também é possível dizer que pressões sociais também influenciam na hora de escolher um novo corte ou arrumar as madeixas.

Pesquisa do All Things Hair, canal de cabelos da Unilever, encomendada para a empresa Opinion Box, revela que quase 50% das mulheres afirmam que já foi necessário mudar o estilo de cabelo para se sentirem aceitas em um determinado ambiente. Precisamente, para 6%, essa situação sempre ocorre, acontece muitas vezes para 15%, e algumas vezes para 27%.

A mesma pesquisa revela que quando perguntadas, como o cabelo, de forma geral, as fazem sentir, ‘bem com elas mesmas’ foi a resposta que saiu disparadamente na frente, com 69%. O resultado mostra a importância do cabelo no componente visual da mulher.

Emponderadas também apareceu relativamente forte, com 19% das opções, mostrando que os cabelos podem ser usados para passar uma mensagem desafiadora, política ou social para uma considerável parcela da população feminina. Já se sentir fashion e profissional surgiram mais atrás, com, respectivamente, 7% e 3%.

Estilo predileto

O fato de quererem estar bem consigo mesmas provavelmente também reflete na predileção pelo cabelo solto, tanto para o ambiente profissional, dito por 45%, quanto no final de semana, afirmado por 71%. Já o rabo de cavalo e o coque parecem ser estilos de cabelos mais apropriados para situações profissionais. O rabo de cavalo, por exemplo, foi mencionado por 26% das mulheres como sendo o estilo favorito para o trabalho. Já como estilo favorito no fim de semana, apareceu com 9%. E o coque, por sua vez, é o favorito para o trabalho por 24%.

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A predileção por cabelo solto provavelmente tem a ver com questões de liberdade e por ser versátil. Ele pode cair bem dentro de casa, no fim de tarde na hora do lazer e mesmo num evento ligado ao trabalho. E combina com fios curtos e longos, assim como em todos os tipos de cabelos: liso, cacheado e crespo. E ele pode ser usado de formas diferentes, sendo dividido no meio, repartido para o lado e com volume.

Metodologia: para a pesquisa, foram entrevistadas 1.000 mulheres de todas as regiões brasileiras e classes sociais, entre 18 e 40 anos, em fevereiro.

Fonte: All Things Hair

Pandemia serviu de estímulo na busca por alimentos funcionais, mostra pesquisa

Relatório elaborado pela Takasago mostra que consumidores estão procurando mais por alimentos que tragam imunidade, bom humor e intestino saudável

Utilizar a alimentação como uma forma de medicação natural não é um conceito novo, mas tem atraído cada vez mais as pessoas. Além de vitaminas e suplementos, os consumidores têm se voltado para alimentos e bebidas que contenham ingredientes específicos para atender a certos estados de necessidade, e a pandemia da Covid-19 trouxe para primeiro plano a importância de se cuidar da saúde e do bem-estar.

Essa conscientização crescente fornece, aos fabricantes, a oportunidade de desenvolver produtos funcionais voltados às necessidades de curto e longo prazo dos consumidores. De olho no mercado, a Takasago – uma das cinco maiores empresas de aromas e fragrâncias do mundo, com operação em 26 países, incluindo o Brasil – elaborou um relatório com as três principais tendências no espaço de alimentos e bebidas funcionais: imunidade, humor motivado e microbioma.

“Essa pesquisa forneceu à Takasago a oportunidade de trabalhar em conjunto com nossos clientes para desenvolver produtos que fossem saborosos e, ao mesmo tempo, saudáveis, atendendo a uma crescente demanda do mercado”, comenta Rafaela Bedone, Head de Marketing e de Consumer Insights da Takasago.

Imunidade

A imunidade já era um “sonho de consumo” mesmo antes do surgimento do novo coronavírus. Lançamentos em alimentos, bebidas e suplementos com tal funcionalidade cresceram 29% em comparação aos biênios 2015/2016 e 2018/2019. Com a pandemia, a esperança de se prevenir do vírus fez aumentar a procura por produtos de reforço imunológico. Esta vertente do mercado de alimentos e bebidas deverá crescer 6,6% ao ano, até 2024, no Brasil.

Tendências em ingredientes:

Foto: Joseph Mucira/Pixabay

• Gengibre
• Canela
• Zinco
• Pimenta-preta
• Açafrão
Tendências em sabores
• Citrus
• Capim-limão
• Maçã
• Açaí
• Romã

Motivação de humor

A pandemia da Covid-19 trouxe consigo o isolamento físico, as medidas restritivas e as quarentenas. No “pacote”, veio também o aumento do estresse, a ansiedade e os problemas relacionados à saúde mental. Por isso, o consumo de alimentos que trazem sensação de conforto aumentou. Além disso, os funcionais ganharam ainda mais espaço, fornecendo aos consumidores produtos que podem ajudar a melhorar o humor e aliviar algumas das preocupações com a saúde.

Tendências em ingredientes

Lavanda

• Lavanda
• Hibisco
• Cannabis
• Camomila
• Pepino

Tendências em sabores

Foto: Laura Musikanski/Morguefile

• Amora
• Morango
• Limão
• Melancia
• Menta

Microbioma

Um intestino saudável é mais do que apenas a decomposição e a absorção de nutrientes. O microbioma, um espectro de bactérias vivas encontradas no intestino, passou a ser compreendido e conectado ao cérebro e à saúde imunológica. Os produtos para a saúde intestinal estão sendo formulados para tratar da saúde digestiva, bem como de outras áreas da saúde geral, por meio de ações no intestino.

A saúde do microbioma intestinal está evoluindo além dos ingredientes probióticos e prebióticos para outros ingredientes, como os pós-bióticos, nos quais a pesquisa científica ainda está no início. Tal entendimento também aqueceu o mercado de alimentos e bebidas no Brasil, mas, desta vez, no nicho de saúde digestiva, que, segundo a Euromonitor, também deve crescer na ordem de 6,6% ao ano, até 2024.

Tendências em ingredientes

Foto: BenefitsHeader

• Kombucha
• Pós-bióticos
• Kefir
• Fibras
• Cardamomo

Tendências em sabores


• Maçã
• Pera
• Goiaba
• Abacaxi
• Pêssego

Fonte: Takasago

Quem come mais frutas, verduras e legumes por dia reduz risco de morte, aponta pesquisa

Quanto mais frutas e vegetais as pessoas comem, menor a probabilidade de morrerem, em qualquer idade

Segundo Mariela Silveira, médica diretora do Kurotel – Centro Contemporâneo de Saúde e Bem-Estar, um trabalho publicado na Journal o Epidemiology and Community Health em 2014 precisa ser aproveitado neste momento de pandemia da Covid-19 em todo o mundo. Pesquisadores da University College London estudaram 65.226 homens e mulheres acima de 35 anos de idade e os acompanharam durante sete anos e meio para avaliar o impacto da ingestão de frutas verduras e legumes ao dia na saúde.

Quem comia no mínimo três porções ao dia tinha 14% menos risco de mortalidade. Os que ingeriam pelo menos cinco frações tinham 29% menos, quem absorvia sete porções reduzia em 36% e quem alimentava-se mais do que sete quantidades de frutas, verduras ou legumes ao dia reduzia para 42% o risco de morte, incluindo doenças cardiovasculares e câncer. O ideal é que cada porção tenha o tamanho da palma da mão.

“Ou seja, quanto mais frutas e vegetais as pessoas comiam, menor a probabilidade de morrerem, em qualquer idade. Se este trabalho mostra que a mortalidade é reduzida comendo-se frutas, verduras e legumes, significa que o organismo se torna mais forte e a redução de doenças, bem como sua recuperação, também. Por isso esta é uma medida barata e de saúde pública”, comenta Mariela.

A alimentação é um item fundamental para a saúde. Somos o reflexo daquilo que comemos, pois cada célula do nosso corpo é formada a partir dos nutrientes que fornecemos ao organismo por meio da alimentação. A falta ou quantidade insuficiente de um único nutriente já é capaz de gerar consequências negativas ao organismo. Os alimentos são como remédios naturais.

Foto: Nicole Franzen

No verão, por exemplo, uma grande aliada da pele é a vitamina C, que tem ação antioxidante, protege dos raios UVA e UVB, preserva a firmeza, elasticidade e resistência da pele. Alguns alimentos ricos em vitamina C são as frutas cítricas (laranja, mexerica, limão), mamão papaia, morango, kiwi, melão, tomate, manga etc.

Também precisamos buscar a adequação dos níveis de vitamina D, por meio de orientação dietética, mudança dos hábitos de vida e suplementação, caso necessário. As duas principais fontes de vitamina D são a síntese pela pele, em resposta à exposição aos raios ultravioleta B, e as fontes dietéticas, que incluem peixes gordurosos, gema de ovo, óleo de fígado de bacalhau e alimentos fortificados.

Fonte: Kurotel

“A melhor vacina é a que está disponível mais rápido e que pode vacinar mais gente”

Afirmação é do médico e pesquisador da USP Marcio Bittencourt. Nos testes, a Coronavac reduziu em 78% casos que precisariam de assistência médica e 50,4% da doença em geral, com qualquer nível de gravidade

por Luiza Caires – Jornal da USP

“A melhor vacina é a que está disponível mais rápido e que pode vacinar mais gente, e a melhor saída da pandemia é ter alguma vacina razoavelmente eficaz e segura.” A frase do médico e pesquisador da USP Marcio Sommer Bittencourt refletiu o tom que parte da comunidade científica tenta transmitir à população em relação à Coronavac. Cinco dias após a divulgação ao público de parte das informações e quatro dias após a submissão à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do pedido para seu registro emergencial, o Instituto Butantan apresentou, nesta terça-feira (12), mais números e a metodologia da vacina contra a covid que desenvolveu com o laboratório Sinovac.

Coletiva do Instituto Butantan nesta terça-feira (11) reuniu pesquisadores para detalhes sobre o estudo da Coronavac. Eficácia global da vacina na pesquisa com profissionais de saúde na linha de frente da pandemia foi de 50,4% – Foto: reprodução

Na quinta-feira (7) uma coletiva de imprensa informou que a vacina apresentou eficácia de 78% para prevenir casos relativamente leves, mas que precisam de algum tipo de assistência médica, e 100% para prevenir casos graves, que demandam internação, assim como óbitos. Faltava a porcentagem global de eficácia, que incluía casos da doença, em qualquer nível de gravidade. É o que, no estudo, os especialistas chamam de “desfecho primário”. Levando isso em conta, a eficácia da vacina é de 50,4%. Ou seja, a chance de desenvolver a doença tomando a vacina, por este estudo, é cerca de 50% menor para quem foi vacinado quando comparado a quem não foi. E a chance de, mesmo infectado, não desenvolver sintomas graves com necessidade de assistência nem ir a óbito é 78% menor entre quem tomou a vacina. Este último número é o que os especialistas chamam de “desfecho secundário” ou desfecho clínico.

Como ponto favorável à vacina, o diretor do estudo Ricardo Palácios ressaltou que o estudo foi desenhado para ser o mais rigoroso possível, sugerindo que a eficácia global pode ter caído por isso. Ela foi testada em profissionais de saúde em contato direto com pacientes com coronavírus – o número de casos em trabalhadores que atuam na linha de frente contra a covid é maior. “Se quisermos comparar os diferentes estudos, é como comparar uma pessoa que faz uma corrida num terreno plano com outra que corre num terreno íngreme e cheio de obstáculos. Isso foi o que fizemos: colocar obstáculos”, disse. Participaram 12.476 pessoas em 16 centros clínicos localizados em oito Estados brasileiros.

Natalia Pasternak – Foto: Arquivo Pessoal

Presente no evento, a presidente do Instituto Questão de Ciência (IQC) Natalia Pasternak chamou a atenção para a efetividade da vacina no “mundo real”. De acordo com a microbiologista, não adiantaria termos uma vacina com 90% de eficácia e poucas pessoas imunizadas porque a vacina não chegou até elas. Por exemplo, porque não temos freezers adequados para armazená-las. Natalia ressaltou que a Coronavac tem potencial de prevenir casos graves e mortes e agora é preciso investir o quanto antes numa campanha publicitária e de vacinação.

Para ela, essa vacina é só o começo do fim da pandemia, e as medidas de prevenção devem continuar. Podem surgir outras melhores, inclusive essa mesma continua sendo pesquisada, aprimorada. “Se essa vacina é o começo, vamos começar!”, concluiu.

Marcio Bittencourt – Foto: arquivo pessoal

Marcio Bittencourt, que integra Centro de Pesquisa Clínica e Epidemiológica Hospital Universitário (HU) da USP, também defende os benefícios da Coronavac. “Para uma vacina desenvolvida em um ano, que pode ser produzida em larga escala localmente, distribuída facilmente sem problemas, acho um espetáculo. Sim, tem outras que nas pesquisas foram melhores, mas se você não consegue distribuir não adianta nada”, diz. E ilustra:

“Sendo simplista, ao vacinar 1 milhão com vacina que reduz 95%, o máximo que você protegeu foram 950 mil pessoas. Mas ao vacinar 200 milhões com uma vacina que reduz 50%, você protege até 100 milhões de pessoas. E entre os que pegam, a maioria nem de médico precisa.”

Segurança

Nas etapas anteriores, os cientistas já haviam concluído que a Coronavac era segura e eficaz em produzir imunidade. A fase 3 foi realizada principalmente com o objetivo de saber se o imunizante, de fato, impedia que uma pessoa ficasse doente. Mesmo assim, continuam sendo acompanhados quaisquer reações e eventos adversos com os participantes.

Como mais um ponto a favor da segurança do produto, André Siqueira, pesquisador da Fiocruz que atuou como pesquisador principal do estudo da Coronavac no Rio de Janeiro, ressalta que a taxa de eventos adversos nos grupos placebo e vacinados foram similares, e menores em ambos os grupos após a segunda dose. Entre as reações foram relatadas dor no local da aplicação, dor de cabeça e fadiga.

A Anvisa tem dez dias para responder ao pedido de uso emergencial, após a entrega de todos os dados. O pedido de registro definitivo no Brasil, segundo o diretor do Butantan, deve ser feito pela Sinovac, assim como o pedido de registro em outros países, conforme os dados todos forem consolidados. “A Sinovac recolhe os dados dos estudos e é ela que submete o pedido de registro, inicialmente à MNPA, que é a ‘Anvisa chinesa’, e também à Anvisa ”, disse Dimas Covas.

Detalhando os dados

Durante o evento desta terça, foram apresentados os principais números do estudo. No grupo placebo, 3,6% dos participantes tiveram covid-19 (167 em um total de 4.599). No grupo vacinado, 1,8% pegaram a doença (85 em um total de 4.653).

No grupo placebo, 0,7% (31 participantes entre os 4.653) precisou de assistência médica por covid-19. No grupo vacinado, somente 0,15% (7 de 4.599 participantes) precisou de assistência médica. Ao comparar 0,15%, com 0,7%, chegamos a taxa de 78% pessoas a menos desenvolvendo sintomas graves.

Para André Siqueira, os resultados são positivos na prevenção de infecções que sobrecarregam os serviços de saúde, em especial infecções graves, de modo que podem ter um impacto relevante para a saúde pública. “O quão impactante vai depender do número de doses disponibilizadas, da cobertura populacional nos diferentes Estados e da rapidez desta administração”, fatores que, destaca ele, não estão claros no plano de imunização divulgado pelo Ministério da Saúde.

André Siqueira – Foto: INI/Fiocruz

Ele explica que a taxa de eficácia de 78% apresentada pelo Instituto Butantan foi calculada utilizando como desfecho principal um índice da OMS (ver tabela abaixo), mas considerando somente a pontuação maior ou igual a 3, comparando-se o grupo vacinado e o não vacinado. “Este score vai de 0, que é o assintomático, a 10, que é óbito; 2 é o paciente sintomático, mas independente; 3 é quando a pessoa é confirmada para infecção pelo coronavírus, sintomática, e tem necessidade de intervenção, mas perdeu de certa forma a independência do 2, que é paciente com sintoma leve.”

Já a taxa de 100% foi atingida considerando as formas graves, acima de 4, que precisam de internação. Ou seja, o que não entrou na conta dos 78%, e que não havia sido apresentado ainda pelo governo, era o grupo 2, que é a infecção sintomática, mas que não demanda cuidados médicos, e os assintomáticos.

Coronavac

A vacina da Sinovac é produzida com vírus inativado, incapaz de causar a doença. Quando introduzida no organismo, ativa o sistema imunológico para que ele reconheça aquele corpo estranho e produza anticorpos para se defender.

Os testes mostraram que serão necessárias duas doses da Coronavac – aplicadas em intervalos de 21 dias para garantir imunidade. Segundo o secretário de Estado da Saúde Jean Gorinchteyn, São Paulo já tem disponíveis 10,8 milhões de doses da vacina, e até a primeira quinzena de fevereiro chegarão mais 35 milhões. Dimas Covas anunciou que o Instituto Butantan tem capacidade para produzir 1 milhão de vacinas por dia.

O governador João Doria afirmou que a primeira fase da campanha de vacinação deve ser iniciada em 25 de janeiro deste ano. Profissionais de saúde, indígenas e quilombolas vão receber as primeiras doses.

Eficácia tira foco de outras discussões

O médico e pesquisador do Instituto de Psiquiatria (IPq) da USP José Galucci Neto acredita que estamos voltando muita atenção à questão da eficácia, quando este não é um problema. “A nossa maior chance de fracassar será na hora de transformar a vacina em um programa efetivo de vacinação que atinja a população, capilarize.”

Para ele, considerando que essa será uma campanha de vacinação imensa, talvez a maior da história do País, o Ministério da Saúde teria que ter mobilizado de maneira coesa sociedade civil, profissionais de saúde e a classe política, os governos federal e estaduais. “Mas não houve até o momento nenhum tipo de campanha nem de esclarecimento nem de mobilização. Pelo contrário, as mensagens são sempre ambivalentes, ambíguas.” Para Galucci Neto, tudo indica que o governo federal assumiu o risco de não se preparar acreditando que a pandemia de alguma maneira estivesse menos impactante agora ou já controlada. Haja vista que não adquiriu insumos como seringas e está dependendo de estoques que podem ser usados, mas teriam como endereço outras campanhas vacinais, como sarampo, BCG que vão ter que acontecer em paralelo.

“Não sabemos como está o PNI [Programa Nacional de Imunização], o quanto foi desestruturado, e se vai ter a mesma potência que tinha antes. Na época do H1N1, o PNI vacinou 80 milhões de pessoas em três meses. Mas eles já tinham, antes de começar a campanha, 100 milhões de doses da vacina estocadas e insumos preparados”, recorda. “Acho improvável, da maneira como as coisas estão sendo feitas, que o Ministério da Saúde consiga dar conta das duas coisas de maneira organizada.” Com tudo isso, o pesquisador acha que discutir neste momento se a eficácia é 50% ou 60% acaba sendo “picuinha”, ainda que ele tenha críticas sobre a maneira como foi feita a comunicação do governo estadual sobre a Coronavac. “Passando dos 50%, o Ministério teria que estar preparado para começar a vacinação assim que a Anvisa aprovar, mas não está. Honestamente, estou muito preocupado.”

Fonte: Jornal da USP

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Avon estuda diversidade cromática da pele brasileira e amplia portfólio para peles negras

Estudo realizado pelo Centro Global de Inovação da marca, em colaboração com a maquiadora Daniele Damata, traz mudança na indústria internacional de maquiagem

Embasado em um trabalho colaborativo com a maquiadora Daniele Damata surge uma nova visão e abordagem sobre como são criadas as cores para maquiagem na Avon. O processo é resultado de uma conduta humanizada e empática, que foi inspirado pelas mulheres pretas e pardas do Brasil. O mapeamento das particularidades do subtom da pele delas impulsionou a transformação da paleta de cores da marca em um portfólio colaborativo de peles.

Daniele DaMata – Avon

Desde 2013, a Avon estuda a diversidade global e já investigou os tons de pele de seis países, incluindo o Brasil. Como resultado desse trabalho, a companhia construiu uma estratégia de tonalidades mais diversificada de um ponto de vista internacional, mas identificou que o país, em particular, precisava de mais opções de cores voltados ao público negro. Em novembro de 2019, a cientista Candice Deleo-Novack, chefe de desenvolvimento de produtos para olhos, rosto e design técnico de produtos da Avon, nos Estados Unidos, e a maquiadora expert em beleza negra Daniele Da Mata, iniciaram uma parceria para desenvolver uma paleta inteligente e diversa para a marca.

O desfecho foi o desenvolvimento de sete novas cores de bases par todas as nossas linhas, além de novos tons para po compacto, corretivo e blush, que atendem os tons de pele médio a médio-escuro e traz uma diretriz inédita em termos de tecnologia e inovação para criar as cores para maquiagens na Avon. Os novos tons chegam ao mercado com produtos que levam as cores da vida real para as fórmulas.

“Queremos ter certeza de que estamos cobrindo o maior número possível de mulheres com cada uma de nossas cores. Então, o que fizemos foi realmente incorporar essa mentalidade aos novos tons que selecionamos para abranger o maior número possível de mulheres. Também levamos em conta que, a cada bebê que nasce, surge também uma nova cor de base, pois cada cor de pele é única. Nós da Avon, como empresa de beleza, queremos ter certeza de que estamos conversando constante e consistentemente com as mulheres em todos os nossos mercados”, explica a cientista, Candice Deleo-Novack.

“A Candice veio dos Estados Unidos para o Brasil aberta a entender a diversidade cromática das peles negras brasileiras e, juntas, vimos pessoalmente como muitas das modelos selecionadas para os testes não encontravam bases ideais para suas peles. Foi daí que nasceu a ideia de criarmos tonalidades de pessoas e não tonalidades de bases. Isto é, criamos cores representando peles reais e quebramos a lógica das fórmulas padronizadas de proporções e pigmentos. Utilizamos pessoas reais, que antes eram invisibilizadas, como nossa grande inspiração e a Candice levou essa experiência para o laboratório”, explica Da Mata

Como uma empresa global, nos dá muito orgulho ver o Brasil liderando esse movimento de mudança dentro da companhia. Aprendemos uma nova forma de criar proporções de pigmentos com as mulheres brasileiras e isso se compara ao processo de, por exemplo, lançar uma coleção de alta costura, com roupas personalizadas para essas mulheres e suas características únicas e especiais. E foi esse trabalho sob medida que resultou em novas cores e em uma forma muito mais humana de desenvolvimento em laboratório”, complementa a cientista Candice Deleo-Novack.

Novo portfólio: traduzindo as descobertas em alta tecnologia

Todos os ensinamentos coletados no Brasil foram levados para os laboratórios da Avon em Suffern. No Centro de Inovação, uma equipe de cientistas, engenheiros e especialistas em beleza trabalhou usando alta tecnologia para fornecer soluções novas e resolver os desafios de criar uma paleta de cores de maquiagem que atenda todos os tons de pele brasileiros, em todos os produtos.

“Foram oito meses de trabalho utilizando os aprendizados coletados no país em abordagens qualitativas e quantitativas para descobrir percepções, tensões e necessidades não atendidas da consumidora brasileira. Essa longa jornada culminou na nova paleta de cores para pós, bases e corretivos da Avon, que será lançada em novembro de 2020 primeiro nas bases Power Stay e base compacta, com cores da vida real levadas para as fórmulas. A paleta também será aplicada em todas as linhas da Avon até 2021”, explica Juliana Barros, diretora de marketing da categoria de maquiagem da Avon.

Até o final deste ano, serão lançados 28 itens de maquiagem elaborados com as novas cores para a pele preta e parda brasileira: 7 tons da base compacta e base líquida Power Stay (totalizando 12 tons para pele negra), 10 tons de corretivo Power Stay, sendo 6 para pele preta, 2 tons de pó (compactos e refis) totalizando 4 para pele negra, 1 tons de blush totalizando 4 tons para pele negra, e 1 iluminador em Gotas Cobre. E, em 2021, já são previstos 25 itens com a nova gama de cores. Além disso, todos produtos de pele ganharão novos nomes, excluindo referência alimentares. Cada item será sinalizado pelo seu tom e subtom em uma combinação de letras e números. O número refere-se ao tom e a letra ao subtom: “F” (frio), “N” (neutro) e “Q” (quente).

Pesquisa nacional: como a mulher brasileira quer a maquiagem

Para o lançamento e readequação do novo portfólio de maquiagem, a Avon ainda realizou, em parceria com a Grimpa, uma pesquisa inédita que ouviu 1.000 mulheres pretas e pardas, de norte a sul do país, entre 18 e 60 anos, de todas as classes sociais, para traçar um cenário atual da sua representatividade na indústria de beleza, especificamente para base, pó e corretivo – que estão intimamente ligados ao tom de pele.

Os dados foram utilizados pela Avon para elaborar o planejamento e compreender quais eram as necessidades das consumidoras brasileiras. O principal insight mostrou que quase 70% não estão totalmente satisfeitas com as opções de produtos específicos para seu tipo de pele. Os números inéditos revelam ainda que:

46% disseram que o principal motivo de desistirem da compra de uma base, pó ou corretivo é não encontrar o tom compatível com a sua pele.
57% dizem que compram ou já tiveram que comprar mais de um tom de base porque simplesmente não encontram um produto adequado à sua cor– tendo assim que gastar mais, personalizando a maquiagem.
20% apenas das mulheres negras sabem qual é o seu subtom.
95% gostariam de saber mais sobre o subtom quando compram base, pó e corretivo.
Cerca de 70% gostariam que as vendedoras de maquiagem entendessem melhor a pele negra/parda.

Transformação além do portfólio: Avon firma compromisso antirracista

Essa transformação no portfólio da Avon não ficará apenas no segmento de maquiagem. A empresa está fomentando um grande movimento interno de lideranças negras que traz o compromisso de reparar injustiças históricas dentro da companhia, com importantes metas, entre elas: aumento da diversidade dos níveis de gestão, equidade de gênero com mulheres na liderança, acesso ao salário digno individual a 100% de funcionários, comunidades comerciais de biodiversidade e força de vendas.

Esse pacto antirracista e pela diversidade busca amplificar e dar continuidade às iniciativas que a empresa vem desenvolvendo principalmente nos últimos cinco anos: em 2015, a Avon iniciou proativamente seu programa de diversidade, chamado Rede Pela Diversidade, e desde então vem ampliando ações neste sentido, como o selo Pró-Equidade, a criação da Célula Raça, a adesão à Coalizão Empresarial pela Igualdade Racial, o programa de desenvolvimento de profissionais negros e as metas de inserção deles nos processos de seleção – todos realizados entre 2015 e 2020.

Todos os produtos Avon podem ser adquiridos por meio das revendedoras Avon ou pelo e-commerce. SAC: 0800 708 2866, de segunda a sábado das 8h às 20h.

Pesquisa com mulheres negras revela que 70% estão insatisfeitas com maquiagem disponível

Levantamento de norte a sul do país traça um retrato do cenário atual delas na indústria de beleza e revela que 46% desistem de adquirir produtos por não encontrarem sua cor, entre outros dados

Hoje, o Brasil é o país que tem mais pessoas negras fora da África no mundo. Dos 209 milhões de brasileiros, atualmente, 56% são negros, grupo racial composto por pessoas que se classificam como pardas e pretas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Além disso, segundo o Think Etnus é estimado é que, até 2023, 70% dos brasileiros se autodeclarem negros, como resultado do crescimento da autoafirmação e empoderamento. Apesar desse cenário, uma pesquisa inédita realizada pela Avon em parceria com a consultoria Grimpa, mostrou que 70% das mulheres negras entrevistadas, não estão satisfeitas com as opções de produtos específicos para o seu tipo de pele encontrados no mercado.

O levantamento realizado entre setembro e outubro de 2020, entrevistou mil mulheres pardas e pretas, entre 18 e 60 anos, de todas as classes sociais, e em todo o Brasil, para entender como é a relação delas com a maquiagem, especificamente base, pó e corretivo – que estão intimamente ligados ao tom de pele. Os números reforçam a atual falta de representatividade da mulher negra pela indústria de beleza.

Na busca um novo item de maquiagem, por exemplo, os problemas das mulheres pardas e pretas começam logo com um dos atributos mais básicos: a cor. 46% delas disseram que o principal motivo de desistirem da compra de uma base, pó ou corretivo é não encontrar o tom compatível com a sua pele.

A falta de opções faz com que as consumidoras negras limitem sua experiência de compra de novos produtos, pois, enquanto as mulheres brancas podem encontrar facilmente sua cor em diversas marcas e experimentar bases com diferentes efeitos e ativos, negras ainda estão preocupadas em encontrar produtos que ofereçam a compatibilidade de tom. Hoje, elas ainda encontram só o básico, mas querem opções melhores. Das entrevistadas, 61% dizem estar em busca de acabamento e fórmulas multifuncionais quando pesquisam uma base.

A carência de produtos compatíveis no mercado nacional acaba pesando no bolso delas. 56% procura opções importadas ocasionalmente ou sempre: 47% fazem isso porque consideram os produtos estrangeiros mais interessantes, 35% acreditam que eles têm mais qualidade e 17% encontram tons compatíveis apenas nas paletas de cores vindas do exterior. Além disso, 57% dizem que compram ou já tiveram que comprar mais de um tom de base para misturá-la a outras porque simplesmente não encontram um produto adequado à sua cor – tendo assim que gastar mais, personalizando a maquiagem.

As diferenças de comportamento de uso da maquiagem também aparecem quando olhamos para diferentes regiões brasileiras, idades e classes sociais. A maioria usa base em momentos especiais (55%), seguida pelas mulheres que usam todos os dias (45%). No Sul (61%) e Norte/Centro-Oeste (58%) está a maior proporção de mulheres que usam bases apenas em momentos especiais, enquanto no Sudeste o uso diário é mais comum, ocorrendo para 51% delas. Já quando analisamos as diferenças em relação a idade, vemos que para 53% das mulheres mais maduras, entre 50 e 60 anos, apenas algumas marcas de maquiagem as valorizam, já entre as mais jovens, de 18 a 29 anos, essa é a percepção de 47% das entrevistadas.

Apesar do cenário geral adverso da indústria de beleza, as mulheres negras consideram que a representatividade vem melhorando. 80% das entrevistadas disseram reconhecer ações que olham para suas necessidades e que as faça sentir valorizadas. Isso evidencia que o principal desafio imposto para as marcas hoje é tornar a representatividade exibida em sua comunicação e publicidade uma realidade em seus portfólios de produtos.

Construindo uma das estratégias de tonalidades mais diversificadas no mundo: com tecnologia humanizada, Avon transforma sua paleta de cores em um portfólio colaborativo de peles

Como resposta a esses aprendizados, somados a estudos e workshops realizados entre 2013 e 2019, a Avon muda sua paleta de cores de bases, pós e corretivos, lançando em novembro deste ano novos itens de maquiagem elaborados com as cores personalizadas para as peles pardas e pretas brasileiras: 7 tons da base líquida Power Stay e da Base Compacta, 10 novos tons de corretivo Power Stay, 2 tons de pós compactos, 1 tom de blush e 1 iluminador Face Drops.

A criação da paleta foi resultado do trabalho colaborativo entre a maquiadora Daniele Da Mata, uma das maiores experts em pele negra no Brasil, e a cientista norte-americana Candice Deleo-Novack, chefe de desenvolvimento de produtos para olhos, rosto e design técnico de produtos da Avon. A dupla conseguiu sintetizar em uma única paleta a maior gama possível de tons e subtons das peles brasileiras ao aportar um olhar humanizado para cada produto.

“Como uma empresa global, nos dá muito orgulho ver o Brasil liderando esse movimento de mudança dentro da companhia. Aprendemos uma nova forma de criar proporções de pigmentos com as mulheres brasileiras e isso se compara ao processo de, por exemplo, lançar uma coleção de alta costura, com roupas personalizadas para essas mulheres e suas características únicas e especiais. E foi esse trabalho sob medida que resultou em novas cores e em uma forma muito mais humana de desenvolvimento em laboratório”, diz a cientista Candice Deleo-Novack.

Além dos lançamentos que ocorrem este mês, ao longo de 2021 a Avon lançará mais 25 produtos com as novas cores para a consumidora parda e negra: 10 novos tons das bases Real Matte, 3 novos tons dos pós Real Matte, 1 nova cor de corretivo, 4 bases Ultramatte, 5 bases líquidas Matte Efeito Segunda Pele e 2 pós soltos com efeito matte.

“Foram oito meses de trabalho utilizando os aprendizados coletados no país em abordagens qualitativas e quantitativas para descobrir percepções, tensões e necessidades não atendidas da consumidora brasileira. Essa longa jornada culminou na nova paleta de cores para pós, bases e corretivos da Avon, que será lançada em novembro de 2020 primeiro nas bases Power Stay e base compacta, com cores da vida real levadas para as fórmulas. A paleta também será aplicada em todas as linhas da Avon até 2021”, explica Juliana Barros, diretora de marketing da categoria de maquiagem da Avon.

Os produtos complementam a oferta total de cores de maquiagem para a pele negra da Avon e selam o compromisso de fazer com que a experiência do consumidor com a marca seja cada vez mais completa. “Os novos itens conversam entre si, ou seja, os corretivos, bronzeadores, blushes e iluminadores foram testados extensivamente na pele das mulheres negras brasileiras para funcionarem em todas as nuances, do médio ao escuro”, afirma a cientista Candice Deleo-Novack.

No total, serão 53 produtos com as novas cores. Além disso, toda a paleta de bases, pós e corretivos ganha novos nomes, sinalizando tom e subtom em uma combinação de letra e número: o número faz referência ao tom (1 para o tom claro, 2 para o médio-claro, 3 para o médio, 4 para o médio-escuro e 5 para o escuro) e a letra faz referência ao subtom: “F” (frio), “N” (neutro) e “Q” (quente).

Todos os produtos Avon podem ser adquiridos por meio das revendedoras Avon ou pelo e-commerce. SAC: 0800 708 2866, de segunda a sábado das 8h às 20h.

Pesquisa Herbalife revela que pessoas mudaram alimentação na quarentena

Consumo de frutas e vegetais aumentou nos últimos meses, assim como a procura por alimentos e receitas saudáveis

Após sete meses de confinamento em casa, parece que as pessoas começaram a tomar consciência sobre a necessidade de adotar uma boa alimentação para ter uma vida mais saudável. Pelo menos é isso que mostra uma Pesquisa Global Sobre Hábitos Alimentares na Pandemia encomendada pela Herbalife Nutrition e conduzida pela One Poll. O estudo foi realizado em 30 países, com um total de 28 mil indivíduos, entre eles 1.000 brasileiros.

O levantamento, realizado entre 22 de setembro e 6 de outubro, revelou que, globalmente, 41% das pessoas fizeram uma grande mudança em sua dieta. Entre as novas medidas alimentares adotadas pela população, estão o aumento no consumo de frutas e verduras (51%), a ingestão de mais alimentos à base de plantas (43%) e o esforço para comer menos carne (43%).

Segundo os resultados da pesquisa, para 49% dos entrevistados essa mudança só foi possível por conta do tempo extra em casa, que permitiu pesquisar mais sobre alimentos saudáveis, enquanto 45% usaram as horas livres para cozinhar mais e aprender novas receitas.

Ficar longe de influências negativas, como snacks e sobremesas disponíveis no ambiente de trabalho e nas idas aos restaurantes, foi outro ponto que parece ter contribuído com a mudança na alimentação de 31% dos pesquisados. Outros 39% dos entrevistados também disseram que aproveitaram esse tempo para fazer uma mudança positiva.

“As dietas plant based são uma tendência global. Observamos novas gerações cada vez mais conscientes sobre impacto de suas escolhas à saúde e ao meio ambiente. As evidências científicas suportam que dietas com predominância de grãos, cerais integrais, hortaliças e frutas estão associadas a longevidade e estilo de vida mais saudável. Dietas ricas em proteínas vegetais, por exemplo, diminuem as chances de doenças do coração”, coloca a nutricionista Carolina Pimentel, Membro do Conselho Consultivo de Nutrição da Herbalife Nutrition do Brasil.

Outro dado apresentado pela pesquisa foi que 72% dos entrevistados comem carne como parte de sua dieta, 21% são “flexitarianos” e o restante, veganos ou vegetarianos. As dietas plant-based parecem ser uma tendência: 62% dos entrevistados no mundo disseram que gostariam de incorporar mais alimentos à base de plantas em seu cardápio, apesar de não saberem ao certo como começar.

O levantamento também mostrou que 46% disseram estar mais abertos em relação aos vegetais e opções de “carnes” preparadas à base de proteína vegetal durante a pandemia. E 43% dos entrevistados também acreditam que, ao longo da vida, a maioria das pessoas vai fazer uma dieta baseada em vegetais.

Hábitos alimentares dos brasileiros

A pesquisa sobre hábitos alimentares na pandemia encomendada pela Herbalife Nutrition também identificou algumas mudanças adotadas pelos brasileiros.

Segundo 47% dos entrevistados, sua alimentação foi modificada nos últimos meses e, para 73%, a pandemia ajudou a manter essa mudança.

Dentre as novas medidas alimentares adotadas pelos brasileiros, estão o aumento no consumo de frutas e verduras (50%), a ingestão de mais alimentos à base de plantas (45%) e o esforço para comer menos carne (46%). Aliás, a intenção de incorporar mais alimentos plant-based na dieta apareceu para 70% dos entrevistados, mas que também reveleram não saberem ao certo como começar.

Em relação ao consumo de açúcar, 32% dos entrevistados brasileiros disseram ter reduzido a ingestão, diante de 26% na amostra global.

Uma explicação para a mudança pode ser a necessidade de perda de peso, uma vez que a Pesquisa Nacional de Saúde 2019 (PNS) divulgada neste mês pelo IBGE apontou que 60,3% da população brasileira acima dos 18 anos estão com excesso de peso.

“Atingimos o maior número de brasileiros com excesso de peso dos últimos anos. Todos precisamos repensar a importância do controle do peso por meio de uma alimentação saudável e prática diária de atividade física. Esta pesquisa aponta que os entrevistados já percebem a necessidade de mudar esses comportamentos”, finaliza a nutricionista Carolina.

Fonte: Herbalife Nutrition