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Usuários de site de relacionamento para pessoas maduras contam o que procuram

O site de relacionamento para público maduro fez uma pesquisa com seus usuários sobre o que é mais importante em suas buscas no site e, também, sobre para onde gostariam de viajar, sozinhos e namorando, após a pandemia.

A pesquisa, direcionada para o mês dos namorados, foi dividida em duas partes. Na primeira, os usuários preencheram o que buscam no site. Cada usuário colocou em ordem de importância três itens entre seis opções: Namoro, Amizade, Companhia, Romance, Casamento e Sexo. Na segunda, os usuários disseram para qual estado brasileiro gostariam de viajar após o término na pandemia, em duas situações: se ainda estiverem solteiros e se já estiverem namorando: 964 homens e 1.660 mulheres responderam. Veja abaixo as respostas:

Homens: 964 respostas.
Questão:
coloque em ordem de importância três itens que você procura no site, entre as seis opções: Namoro, Amizade, Companhia, Romance, Casamento e Sexo.

1ª opção (mais importante):
Namoro: 44,5%
Amizade: 24%
Romance: 10,5%
Companhia: 8,5%
Sexo: 8%
Casamento: 4,5%

2ª opção:
Companhia: 33%
Amizade: 24%
Namoro: 20%
Romance: 16%
Sexo: 6%
Casamento: 1%

3ª opção:
Namoro: 25%
Companhia: 20%
Romance: 15,5%
Sexo: 17%
Amizade: 14%
Casamento: 8,5%

Mulheres: 1.660 respostas.


Questão: coloque em ordem de importância três itens que você procura no site, entre as seis opções: Namoro, Amizade, Companhia, Romance, Casamento e Sexo.

1ª opção (mais importante)
Namoro: 37%
Companhia: 21,5%
Amizade: 18,5%
Casamento: 18%
Romance: 5%
Sexo: 0%

2ª Opção:
Namoro: 32%
Amizade: 27%
Companhia: 21,5%
Romance: 11,5%
Sexo: 4%
Casamento: 4%

3ª. Opção:
Companhia: 23,5%
Amizade: 23,5%
Namoro: 22,5%
Casamento: 14%
Romance: 10,5%
Sexo: 6%

Homens: 964 respostas

Para qual estado brasileiro você gostaria de viajar, sozinho, após a pandemia?

Santa Catarina: 11%
Ceará: 10%
Bahia: 9%
Minas Gerais: 9%
Rio Grande do Sul: 8,5%

Para qual estado brasileiro você gostaria de viajar, namorando, após a pandemia?

Ceará: 15,5%
Bahia: 15%
Santa Catarina: 8%
São Paulo: 8%
Minas Gerais: 7%

Mulheres – 1.660 respostas

Para qual estado brasileiro você gostaria de viajar, sozinha, após a pandemia?

Santa Catarina: 13%
Ceará: 12,5%
Bahia: 12%
Minas Gerais: 8,5%
São Paulo: 7,5%

Para qual estado brasileiro você gostaria de viajar, namorando, após a pandemia?

Rio Grande do Sul: 13,5%
Santa Catarina: 13,5%
Ceará: 12,5%
Bahia: 11,5%
São Paulo: 7%

Fonte: Coroa Metade

Aumento modesto no consumo de frutas, vegetais e grãos reduz risco de diabetes, aponta estudos

Dois estudos publicados em julho no British Medical Journal associam maior consumo de frutas, vegetais e alimentos integrais a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2. Acredite se quiser, o aumento no consumo pode ser até modesto para evitar o problema

Sabemos dos benefícios de frutas, vegetais e grãos para a nossa saúde, justamente por fornecerem macro e micronutrientes importantes para o funcionamento do organismo. Mas acredite se quiser, dois estudos recentes, ambos publicados em julho no British Medical Journal, relacionam um aumento, mesmo que modesto, na ingestão de frutas, vegetais e grãos inteiros a um menor risco de desenvolver diabetes tipo 2.

“Uma maior ingestão desses alimentos em um contexto de uma dieta saudável pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2 segundo os estudos”, afirma a médica nutróloga Dra. Marcella Garcez, professora e diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

No primeiro estudo, uma equipe de pesquisadores europeus examinou a associação entre os níveis sanguíneos de vitamina C e carotenoides (pigmentos encontrados em frutas e vegetais coloridos) com o risco de desenvolver diabetes tipo 2. Os níveis de vitamina C e carotenoides são indicadores mais confiáveis da ingestão de frutas e vegetais do que o uso de questionários dietéticos. As descobertas são baseadas em 9.754 adultos que desenvolveram diabetes tipo 2 de início recente e um grupo de comparação de 13.662 adultos que permaneceram sem diabetes durante o acompanhamento entre 340.234 participantes da Investigação Prospectiva Europeia sobre Câncer e Nutrição (EPIC) – Estudo InterAct em oito países europeus.

Segundo a médica, após o ajuste para estilo de vida, fatores de risco sociais e dietéticos para diabetes, níveis mais elevados de vitamina C e carotenoides no sangue e sua soma quando combinados em um “escore composto de biomarcador” foram associados a um risco menor de desenvolver diabetes tipo 2. “Os pesquisadores calculam que cada aumento de 66 gramas por dia na ingestão total de frutas e vegetais foi associado a um risco 25% menor de desenvolver diabetes tipo 2. Sabemos que as frutas e vegetais são ricos em fibras que diminuem a inflamação e estão relacionados à melhoria do metabolismo da glicose, lipídios e tecido adiposo em pesquisas experimentais em humanos e animais”, afirma a médica. “Sabe-se também que diferentes fibras alimentares têm diferentes efeitos na saúde”, diz.

No segundo estudo, pesquisadores nos Estados Unidos examinaram associações entre a ingestão total e individual de grãos integrais e diabetes tipo 2. As descobertas são baseadas em 158.259 mulheres e 36.525 homens que estavam livres de diabetes, doenças cardíacas e câncer e participaram do Nurses ‘Health Study, Nurses’ Health Study II e Health Professionals Follow-Up Study. Após o ajuste para estilo de vida e fatores de risco dietéticos para diabetes, os participantes da categoria mais alta para o consumo total de grãos inteiros tiveram uma taxa 29% menor de diabetes tipo 2 em comparação com os da categoria mais baixa. “Para alimentos de grãos inteiros individuais, os pesquisadores descobriram que consumir uma ou mais porções por dia de cereais matinais de grãos inteiros frios ou pão integral estava associado a um risco menor de diabetes tipo 2 (19% e 21% respectivamente)”.

Foto: Jules -Stonesoup

Para outros grãos inteiros, o consumo de duas ou mais porções por semana, em comparação com menos de uma porção por mês, foi associado a um risco 21% menor no caso da farinha de aveia e 12 % menor risco de desenvolver diabetes para arroz integral e gérmen de trigo. “Ambos os estudos são observacionais, portanto, não podem estabelecer a causa, e há uma possibilidade de que alguns dos resultados possam ser devido a fatores não medidos. No entanto, ambos os estudos levaram em consideração vários fatores de risco de estilo de vida bem conhecidos e marcadores de qualidade da dieta, e as descobertas confirmam outras pesquisas que relacionam uma dieta saudável com uma saúde melhor”, afirma a médica nutróloga.

Dessa forma, ambas as equipes de pesquisa dizem que suas descobertas fornecem mais suporte para as recomendações atuais para aumentar o consumo de frutas, vegetais e grãos inteiros como parte de uma dieta saudável para prevenir o diabetes tipo 2. “E para frutas e vegetais, as descobertas também sugerem que o consumo mesmo de uma quantidade moderadamente maior entre as populações que normalmente consomem baixos níveis pode ajudar a prevenir o diabetes tipo 2, portanto incluir esses alimentos na rotina é fundamental por todos os seus benefícios”, finaliza a médica.

Fonte: Marcella Garcez é médica nutróloga, Mestre em Ciências da Saúde pela Escola de Medicina da PUCPR, Diretora da Associação Brasileira de Nutrologia e Docente do Curso Nacional de Nutrologia da Abran. Membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR, Coordenadora da Liga Acadêmica de Nutrologia do Paraná e Pesquisadora em Suplementos Alimentares no Serviço de Nutrologia do Hospital do Servidor Público de São Paulo.

A epidemia da solidão*

A complexidade da solidão intriga cientistas do mundo todo. Ela é um mal universal, que não necessariamente diz respeito às pessoas que vivem sozinhas, mas às que estão isoladas socialmente. De acordo com Stephanie Cacioppo, diretora do Laboratório de Dinâmica Cerebral da Escola de Medicina Pritzker, da Universidade de Chicago (EUA), a solidão pode ser definida como “a discrepância entre o que você deseja dos seus relacionamentos e o que, de fato, você tem”.

Ela pode se manifestar em qualquer idade, mas é natural que tenha maior incidência entre pessoas a partir dos 60 anos de idade, uma vez que é nessa fase que normalmente começam a vivenciar a perda de entes queridos e amigos. Como fenômeno complexo que é, a solidão tem sido objeto de inúmeras pesquisas. Elas dão pistas para compreendermos de que forma ela atinge os indivíduos e, principalmente, quais são os caminhos possíveis para sua cura.

Um desses estudos foi conduzido pelo pesquisador Steve Cole, professor de medicina, psiquiatria e ciências biocomportamentais da Faculdade de Medicina da UCLA, nos Estados Unidos, que decidiu estudar o tema do ponto de vista molecular, partindo de uma amostra de glóbulos brancos. Elas foram retiradas de homens e mulheres solitários e a conclusão de Cole foi surpreendente: os glóbulos estavam em estado de alerta máximo, respondendo da mesma forma que a uma célula com infecção bacteriana. Era como se estivessem sob ataque de uma doença, a ‘doença da solidão’.

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Tão importante quanto o estudo foi o retorno que ele trouxe após sua publicação, em 2007: o pesquisador passou a receber um enorme volume de e-mails, de pessoas agradecendo e compartilhando relatos e como as descobertas faziam sentido em suas vidas. “Então isso me levou a respeitar a solidão como um tópico. Mas também como um inimigo”, afirma Cole.

A solidão, diz Louise Hawkley, cientista sênior da Universidade de Chicago, “é uma experiência humana universal e, sendo os animais sociais que somos, deve haver implicações quando essas conexões sociais não são satisfeitas”. De acordo com ela, temos uma necessidade vital de aceitação, de sermos incorporados e conectados em uma rede social e quando isso não ocorre, existem consequências reais para nossa saúde mental e física. A necessidade de contato social aparece em todos os estudos, independentemente da linha seguida pelos especialistas e a ciência considera a solidão como um mal que afeta não apenas nossos cérebros, mas também nossos corpos.

Outra importante contribuição para essa discussão vem de Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e neurociência da Universidade Brigham Young. Ela questiona se o que estamos vivenciando atualmente é a solidão propriamente dita ou se as pessoas estão se desconectando socialmente de várias formas, de maneira gradativa. Segundo ela, existem dados de declínio das conexões sociais: aumento no número de pessoas que vivem sozinhas – embora esse fator isoladamente não possa ser relacionado com a solidão – diminuição das taxas de casamento e do número de filhos.

Todos esses fatores carregam um estigma de ‘fracasso social’, o que coloca esses indivíduos em risco. Julianne é o coautora de um estudo de referência que analisou vários grupos de pessoas consideradas como desprovidas de conexão social suficiente e cruzou essas informações com seus históricos médicos. A conclusão é que, seja o indivíduo saudável ou não, aqueles que estão mais conectados socialmente, vivem mais.

Existem diversos dados que sugerem que se sentir sozinho não é um problema exclusivamente do indivíduo, mas é um efeito do mundo em que vivemos. Em torno de 94% dos representantes da geração baby boomers** dizem que acreditam pertencer a um grupo de amigos, número que cai para 70% no caso da chamada Geração Z. É provável que a geração millenial, intermediária entre elas, seja mais solitária que os baby boomers e a Geração Z ainda mais do que as duas anteriores. A qualidade das relações sociais também tem papel fundamental para evitar a solidão. Apenas 53% dos americanos relatam ter interações significativas com amigos e familiares, o que sugere que a solidão tem menos relação com o número de amigos que temos ou com a frequência com que saímos com eles e mais relação com a capacidade de nos conectarmos com as pessoas em um nível mais profundo.

Efeitos da solidão

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Em janeiro de 2018, o Reino Unido criou o Ministério da Solidão, pasta que trabalha criando estratégias para enfrentar o que a primeira-ministra britânica da época,Theresa May, descreve como “uma triste realidade da vida moderna, que atinge pessoas de todas as idades”.

Na época, 9 milhões de britânicos se declaravam solitários, de uma população total de 65,6 milhões. Como consequências, o governo registrava efeitos como altos índices de internação, de mortalidade prematura e problemas associados à demência. A criação de um ministério para solucionar o problema, algo inédito no mundo, demonstra sua gravidade para a sociedade.

Outros países também enfrentam o mesmo desafio. Os impactos das pessoas que vivem em isolamento social nos Estados Unidos somam US$ 7 bilhões ao ano para o sistema de saúde americano, segundo estudo do Instituto de Políticas Públicas das Universidade de Stanford e Harvard. Isso ocorre principalmente por conta de internações de longa permanência nos hospitais. Nos indivíduos que padecem desse mal, os custos se materializam das mais diversas formas, com consequências negativas para corpos e mentes, encurtando vidas.

A solidão é mortal: uma série de estudos revelou que ela aumenta as chances de doenças cardíacas, nos torna mais vulneráveis ao Alzheimer, pressão alta, suicídio e até mesmo aos resfriados comuns. Ainda segundo essas pesquisas, o sentimento de estar sozinho equivale a fumar 15 cigarros por dia e a solidão ainda é considerada mais nociva para a saúde que a obesidade.

Um número elevado de especialistas concentra atualmente suas pesquisas nos sentimentos da solidão: na experiência pessoal de rejeição, desconexão e de saudade. Eles estão convencidos de que a dor dessas pessoas é tão real quanto qualquer outra causada por uma lesão física, por exemplo.

Nossa história evolutiva pode nos ensinar muito sobre isso: nossos ancestrais mais antigos tinham mais chance de sobrevivência em relação aos seus predadores quando estavam em grupos, de maneira que a solidão pode ter evoluído como um alerta de que algo não está certo, nos estressando até que voltemos à segurança do nosso grupo. No curto prazo isso pode ser benéfico – como a inflamação encontrada por Steve Cole nas células das pessoas solitárias – e pode ser traduzido como o sistema de defesa combatendo uma infecção ou reparando uma ferida. Mas, no longo prazo, pode ser mortal, tornando indivíduos mais vulneráveis a uma série de doenças.

Tratamento e cura

Conseguir cessar o que os cientistas têm chamado de ‘duelo entre corpo e mente’ é uma das formas de reverter a trajetória da solidão. Explicando melhor: enquanto o corpo quer fazer novos amigos e se reconectar socialmente, o cérebro moderno e solitário, que está sob a influência da resposta inflamatória e elevados níveis de estresse, sente ameaça em qualquer interação, obrigando os indivíduos a se isolarem ainda mais.

“Se você coloca alguém que está solitário em uma sala sozinho, todas as pessoas que chegam são percebidas como uma ameaça”, exemplifica Stephanie Cacioppo, diretora do Laboratório de Dinâmica Cerebral da Escola de Medicina Pritzker da Universidade de Chicago (EUA). Ela explica que as pessoas solitárias muitas vezes interpretam mal uma expressão facial ou um tom de voz – caracterizando a curiosidade como hostilidade, por exemplo – e desenvolvem uma realidade distorcida do mundo à sua volta. De acordo com Stephanie, enquanto nosso corpo tem um modo de autopreservação a longo prazo e quer abordar outras pessoas para sobreviver, o cérebro solitário tem um modo de autodefesa a curto prazo e vê, erroneamente, mais inimigos que amigos.

Como fenômeno que se manifesta de maneira diferente em cada indivíduo, o tratamento para aliviar ou extinguir a solidão pode exigir métodos diferentes. Os cientistas têm inclusive substituído o termo solidão por ‘conexão social’, evitando o estigma e o preconceito que recaem sobre ele. Julianne Holt-Lunstad afirma que um bom caminho seria considerar a saúde de nossas conexões sociais como tão importante como um estilo de vida saudável, dieta e exercícios físicos, por exemplo. Um dos métodos mais eficazes parece ser a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que pode ajudar um indivíduo solitário a entender melhor como suas suposições e comportamentos podem estar trabalhando contra o desejo de se conectar com os outros.

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Um experimento com um medicamento está sendo conduzido por Naomi Eisenberger, professora de psicologia da UCLA. “Talvez o naproxeno possa quebrar esse ciclo negativo de feedback e isso mudará a maneira como as pessoas vêm o mundo social. E então, em vez de interpretar cada pequeno comentário como algo negativo, talvez com o tempo as pessoas poderão se sentir um pouco menos desconectadas dos outros, um pouco menos solitárias”, afirma. Da mesma forma, alguns antidepressivos, classificados como inibidores seletivos da recaptação de serotonina, ou SSRIs, também podem ajudar a reduzir o senso de ameaça social.

A combinação entre os medicamentos e a terapia, na medida em que as drogas possibilitam o trabalho em uma mente mais flexível e aberta, também trazem esperança. Mas é fundamental que diversas abordagens sejam utilizadas nos tratamentos, levando em conta a singularidades da solidão para cada indivíduo. E o mais importante: que haja a conscientização das sociedades sobre a gravidade do problema e a relevância de incentivar cada vez mais esse debate.

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*José Carlos Vasconcellos é fundador da Telehelp, empresa pioneira em teleassistência no Brasil

**pessoa nascida após a Segunda Guerra Mundial, entre 1946 e 1964.

As bactérias do intestino e o cérebro: somos controlados por micróbios?

Embora a interação entre nosso cérebro e intestino tenha sido estudada por anos, suas complexidades são mais profundas do que se pensava inicialmente. Parece que nossas mentes são, em parte, controladas pelas bactérias em nossos intestinos.

O intestino tem defesas contra patógenos, mas, ao mesmo tempo, estimula a sobrevivência e o crescimento de bactérias intestinais “saudáveis”. A grande maioria desses visitantes unicelulares está situada no cólon, onde não menos de 1 trilhão delas residem em cada grama de conteúdo intestinal.

Estimar o número de hóspedes bacterianos em nosso intestino é um desafio; até hoje, o melhor palpite é que 40 trilhões de bactérias chamam nossos intestinos de lar – parcialmente dependentes do tamanho do seu último movimento intestinal (o principal ingrediente do cocô são as bactérias).

Para colocar esse número pesado em perspectiva, nossos corpos consistem em aproximadamente 30 trilhões de células. Então, em um sentido muito real, somos mais bactérias do que humanos. A maioria das bactérias intestinais pertence a 30 ou 40 espécies, mas pode haver até 1.000 espécies diferentes no total. Coletivamente, elas são denominadas microbioma.

Naturalmente, as bactérias se beneficiam do calor e da nutrição em nossas entranhas, mas não é um relacionamento unidirecional – elas também retribuem. Algumas espécies nos beneficiam quebrando a fibra alimentar em ácidos graxos de cadeia curta que podemos absorver e usar. Elas metabolizam vários compostos em nosso nome e desempenham um papel na síntese das vitaminas B e K.

Do outro lado da cerca, pesquisas recentes inferem que a desregulação das bactérias intestinais pode ser um fator importante nas condições inflamatórias e autoimunes. O papel do microbioma na saúde e na doença está lentamente abandonando seus segredos. A descoberta mais recente, e talvez mais notável, é a capacidade que as bactérias do intestino têm para moderar o cérebro e o comportamento.

Por que o intestino e o cérebro devem estar ligados?

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Os acontecimentos nas nossas entranhas são uma questão de vida ou morte. Se o intestino estiver vazio, nosso cérebro deve ser informado; se houver um problema no intestino que prejudique o processamento de alimentos e, portanto, a absorção da nutrição, o cérebro precisará ser informado. Se nosso intestino está enfrentando um ataque de patógenos, nosso cérebro deve ser mantido no circuito.

As ligações entre o nosso intestino e o cérebro são hormonais, imunológicos e neurais, por meio do sistema nervoso central e do sistema nervoso entérico, que governam a função do intestino. Coletivamente, eles são chamados de eixo do intestino-cérebro.

Embora, à primeira vista, as conexões entre o intestino e o cérebro possam parecer surpreendentes, todos nós já experimentamos isso em ação. A relação entre estresse, ansiedade e um movimento rápido do intestino não é estranha a ninguém.

Essas conversas no cérebro são estudadas há algum tempo. No entanto, um novo nível para esta parceria foi recentemente vislumbrado. Os pesquisadores estão agora considerando a influência de nosso microbioma no eixo do intestino-cérebro. Em outras palavras, os pesquisadores estão se perguntando: as bactérias em nosso intestino afetam nossa psicologia e comportamento?

De forma bastante desajeitada, os pesquisadores estão apenas começando a arranhar a superfície do eixo da microbiota cérebro-intestino-entérica ou o eixo microbioma-intestino-cérebro,

Estresse e o intestino

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Nos seres humanos, o eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA) é o principal responsável pelas tensões de qualquer tipo. É um dos principais intervenientes no sistema límbico e está fortemente envolvido em emoções e memória.

O estresse ativa o eixo HPA e, eventualmente, resulta na liberação de cortisol – o “hormônio do estresse” – que tem uma variedade de efeitos em muitos órgãos, incluindo cérebro e intestino.

Dessa forma, a resposta do cérebro ao estresse tem uma influência direta sobre as células do intestino, incluindo células epiteliais e imunes, neurônios entéricos, células intersticiais de Cajal (os marcapassos dos intestinos) e células enterocromafins (células sintetizadoras de serotonina).

Por outro lado, esses tipos de células também estão sob a influência do nosso exército de bactérias residentes. Embora os mecanismos pelos quais a microbiota regula o cérebro sejam menos claros, há evidências de que existe, de fato, um diálogo de mão dupla.

Que diferença faz um micróbio

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As primeiras pistas de que os micróbios podem ter algum controle sobre nossa atividade mental surgiram há mais de 20 anos. Pacientes com encefalopatia hepática – um declínio na função cerebral devido a doença hepática grave – tiveram melhora substancial após tomarem antibióticos orais.

Estudos posteriores forneceram mais dicas de que o microbioma tinha mais do que uma influência passageira nos estados mentais. Verificou-se que ele afeta a ansiedade e os comportamentos depressivos.

Outra observação importante ligou a disbiose (desequilíbrio microbiano) ao autismo. Crianças com autismo muitas vezes têm comunidades anormais e menos diversas de bactérias no intestino. Um pesquisador concluiu:

“Nós suspeitamos que os micróbios do intestino podem alterar os níveis de metabólitos relacionados ao neurotransmissor, afetando a comunicação entre o cérebro e/ou alterar a função cerebral. Correlações entre bactérias intestinais e metabólitos relacionados a neurotransmissores são degraus para uma melhor compreensão do crosstalk* entre bactérias intestinais e autismo”.

Pesquisadores, em 2004, observaram que ratos criados para não terem bactérias intestinais tinham uma resposta exagerada do eixo HPA ao estresse. Investigações posteriores usando camundongos semelhantes expostos a germes semelhantes demonstraram que a falta de bactérias intestinais altera a função da memória.

Camundongos sem germes têm sido uma ferramenta útil para estudar o eixo microbioma-intestino-cérebro. Eles ajudaram a provar que algo está acontecendo, mas os resultados são impossíveis de extrapolar para os seres humanos. Eles não replicam nenhuma situação natural conhecida pelo homem – não existe um humano livre de germes.

Outros estudos usaram diferentes abordagens; alguns investigaram os efeitos dos compostos neuroativos que a flora intestinal produz; outros ainda observaram as diferenças na flora intestinal de indivíduos com diferenças psiquiátricas ou neurológicas.

A pesquisa, em geral, não foi conclusiva. Mesmo se forem observadas mudanças na flora intestinal, a eterna questão da galinha ou do ovo persiste: a condição psiquiátrica foi causada pela mudança na flora intestinal, ou a condição psiquiátrica e seus padrões de comportamento alterados fizeram com que a flora intestinal mudasse? Ou existe uma interação nos dois sentidos?

Como a flora intestinal pode moderar o cérebro?

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O estresse é conhecido por aumentar a permeabilidade do revestimento intestinal; isso dá às bactérias acesso mais fácil ao sistema imunológico e às células neuronais do sistema nervoso entérico. Essa pode ser uma das maneiras pelas quais as bactérias encontram uma maneira de nos influenciar. No entanto, outra rota mais direta também foi demonstrada.

Um estudo, usando patógenos de origem alimentar, forneceu evidências de que as bactérias no intestino podem ativar os circuitos de estresse ativando diretamente o nervo vago – um nervo craniano suprindo um número de órgãos, incluindo o trato digestivo superior.

Uma rota mais direta ainda pode envolver o contato direto do microbioma com os neurônios sensoriais do sistema nervoso entérico. Estudos mostraram que esses neurônios sensoriais são menos ativos em camundongos sem germes e, uma vez que os camundongos receberam probióticos para reabastecer seu microbioma, os níveis de atividade dos neurônios retornam ao normal.

Probióticos influenciando a psicologia

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Se os camundongos sem germes apresentaram diferenças de comportamento, a próxima pergunta é se a adição de bactérias intestinais a um animal pode causar mudanças semelhantes. Uma metanálise, publicada no Journal of Neurogastroenterology and Motility, reuniu os resultados de estudos que avaliaram os efeitos dos probióticos na função do sistema nervoso central em humanos e animais.

Eles examinaram 25 estudos em animais e 15 em humanos, a maioria dos quais usou Bifidobacterium e Lactobacillus durante um período de 2-4 semanas. Embora, como os autores mencionam, traduzir estudos em animais como este em termos humanos seja um jogo desonesto. Eles concluíram:

“Esses probióticos mostraram eficácia na melhora dos comportamentos relacionados a transtornos psiquiátricos, incluindo ansiedade, depressão, transtorno do espectro do autismo, transtorno obsessivo-compulsivo e habilidades de memória, incluindo memória espacial e não-espacial”.

Outro estudo, publicado na PLOS One, descobriu que o declínio da memória relacionado à idade poderia ser revertido em ratos, alterando os níveis de Actinobacteria e Bacterioidetes em seu intestino com probióticos.

Os autores concluem: “Os dados suportam a noção de que a microbiota intestinal pode ser manipulada para impactar positivamente na função neuronal”.

O futuro do eixo microbioma-intestino-cérebro

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Foto: News medical

Há um caminho longo e sinuoso à frente dos cientistas que são corajosos o suficiente para investigar a estranha realidade do eixo microbioma-intestino-cérebro. Sem dúvida, uma multidão de moléculas está envolvida de várias maneiras em diferentes graus.

No futuro longínquo, talvez os medicamentos que visam especificamente o microbioma sejam criados para condições psiquiátricas; o microbioma pode se tornar um sistema de alerta precoce para certas doenças ou até mesmo uma ferramenta de diagnóstico.

Por enquanto, tudo o que podemos fazer é refletir sobre a influência que as bactérias exercem sobre nosso estado mental cotidiano. Também devemos nos surpreender e nos divertir que os seres humanos, por mais inteligentes que nos consideremos, estão parcialmente sob o controle de formas de vida unicelulares.

Talvez devêssemos lembrar que as bactérias nos precedem em bilhões de anos e têm grande probabilidade de sobreviver à nossa espécie em bilhões a mais.

Fonte: Tim Newman – MedicalNeswToday

*um ou mais componentes de uma via de transdução de sinal afetam outra