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Dieta Flexitariana: alimentos à base de vegetais podem ser grandes aliados

Dieta pode ser considerada tanto um retorno às antigas formas de alimentação quanto um salto para um futuro

O conceito da dieta flexitariana – o meio-termo entre uma alimentação que inclui alimentos de origem animal e plant-based – vem se popularizando dentro do universo da nutrição e propõe reduzir o consumo de alimentos derivados de animais em substituição aos alimentos plant based, isto é, 100% baseado em vegetais. O Brasil é o maior produtor de carne (principalmente bovina) do mundo, no entanto, é também o país com o número de vegetarianos que mais cresce no mundo.

Esse tipo de alimentação não é somente uma dieta segura, mas também um método reconhecido na reversão de doenças crônicas associadas à obesidade. Qualquer passo para a redução no consumo de proteína animal é muito positivo, uma vez que, automaticamente, o consumo diário de gorduras saturadas e de colesterol é diminuído.

Na dieta flexitariana, o consumo de fibras, a redução de gorduras, e a maior quantidade de compostos bioativos também ajudam a reduzir a quantidade de calorias diárias, e isso é muito importante quando pensamos em uma sociedade que tem o sobrepeso e a obesidade tão elevados.

Atualmente, existem opções saborosas e inovadoras para serem aliadas nessa nova dieta. Empresas como N.OVO já possuem linhas completas de alimentos plant-based, como ovos em pó (com um substituto vegetal para ovos mexidos e omeletes), coxinhas e maionese – que são criados a partir de tecnologia própria, à base de proteínas vegetais e ingredientes criteriosamente selecionados.

“O intuito da dieta é oferecer uma alimentação inclusiva e saborosa que protagoniza os vegetais, alimentos que fornecem naturalmente fibras e menores teores de gorduras saturadas. No entanto, não existe um padrão de consumo de proteína animal para definir o que é ou não um flexitariano, ou seja, se a pessoa se alimenta majoritariamente de fontes vegetais, mas consome carne duas ou três vezes por semana, já entra na categoria”, diz a nutricionista Alessandra Luglio, consultora da marca plant based N.OVO.

Mas atenção, antes de iniciar qualquer dieta, é importante sempre contar com acompanhamento especializado ao fazer alterações na sua alimentação.

Bob’s, em parceria com a Incrível!, oferece seis sanduíches clássicos da rede com proteína de origem vegetal

Em parceria inédita, os consumidores podem escolher a proteína de origem 100% vegetal da Incrível! em sete opções já consagradas do menu

O Bob’s, em parceria com a Incrível!, lança uma nova opção de personalização de seus sanduíches clássicos oferecendo um cardápio ainda mais inclusivo visando atender os públicos vegetariano e flexitariano. Desde o dia 5 de outubro, os hambúrgueres Big Bob, Double Cheese, Cheddar Australiano, Bob’s Burger, Cheeseburger e Cheddar estão disponíveis na versão com proteína de origem 100% vegetal. A parceria com a marca Incrível! também será oferecida na salada da rede.

O Bob’s foi pioneiro no Brasil ao incluir uma opção vegetariana no cardápio, em 2019. “Nós estamos sempre em sintonia com as principais tendências do mercado e trabalhamos constantemente para oferecer as melhores combinações para os nossos consumidores. Inovamos mais uma vez ao permitirmos que nossos consumidores personalizem seus clássicos favoritos com a proteína que desejarem”, conta Raquel Paternesi, diretora de marketing do Bob’s. As seis opções de sanduíches, que originalmente possuem proteína bovina na composição, também estão disponíveis na versão frango e agora na versão 100% de origem vegetal.

“Estamos muito orgulhosos por termos sido escolhidos como fornecedor exclusivo de proteínas vegetais do Bob’s. Já sabemos que a busca dos consumidores por alternativas a proteína animal está crescendo no Brasil, inclusive no food service. Através dessa parceria vamos tornar o menu da rede mais democrático e inclusivo, permitindo que os consumidores saboreiem o melhor do Bob´s com nossa proteína de origem 100% vegetal, e a melhor parte: com o mesmo preço do sanduíche original”, comemora Camille Lau, Diretora de Marketing da Incrível!

A parceria entre Bob’s e Incrível! teve início no Rock in Rio Brasil 2022, onde a rede de fast-food foi fornecedora do hambúrguer e milk-shake oficiais do festival. “Exclusivamente para o evento, desenvolvemos o sanduíche Double Veggie Incrível! que foi um grande sucesso”, destaca Raquel.

Os consumidores poderão optar pela proteína de origem 100% vegetal em todas as lojas da rede, ou nos pedidos feitos pelos aplicativos de delivery e pelo app Chama o Bob’s. A nova opção não terá custo adicional para os clientes.

Creme de leite vegano: conheça cinco marcas que estão em alta no mercado

Nos últimos anos, um número expressivo de pessoas tem aderido ao consumo consciente e isso reflete de forma imperativa na alimentação. Muitos consumidores se tornaram vegetarianos, veganos ou flexitarianos. Esse público é definido por ser mais interessado e preocupado com a origem do que se consome e, principalmente, com as questões que envolvem o meio ambiente. 

De acordo com pesquisas, como a da Sociedade Brasileira Vegetariana com o Datafolha, feita ainda em 2017, mais de 60% da população gostaria de diminuir o consumo de carne de origem animal. Em uma outra abordagem, feita em 2020 pela multinacional de alimentos ADM, mostrou ao mercado que 52% dos brasileiros adotaram um estilo de vida e de alimentação definido como flexitariano, que consiste em pessoas que conscientemente procuram ingerir alimentos e/ou bebidas à base de proteína vegetal, mas que ainda fazem uso de algum produto de origem animal em pouca quantidade.  

Para atender a demanda proveniente dessa fatia que cresce com sede de produtos com esse perfil, várias marcas criam novidades em escala vertiginosa. São carnes plant-based, leites vegetais, proteínas veganas e doces. Uma dessas novas opções é o creme de leite vegano, que tem abocanhado uma parte significativa desse filão de consumidores dentro de supermercados, empórios e delicatessens. Abaixo selecionamos cinco opções de creme leite vegano que irão fazer a diferença nas receitas do dia a dia e em pratos especiais.  Confira. 

1. Creme de amêndoas da A Tal da Castanha: A embalagem, de 200 gramas, substitui o creme de leite tradicional e ingressou na nova linha da empresa: molhos culinários com a linha Cremeria. O produto chegou para competir com o tradicional no mesmo nível de textura e sabor, com a diferença de possuir baixíssimo teor de saturada, ser zero colesterol, menor valor calórico e baixo sódio. O creme de amêndoas pode ser encontrado por valor médio de R$ 9.

2. Creme de leite proveniente de amêndoas da marca Almond Breeze: com 200 gramas, esse produto pode ser usado em receitas doces e salgadas, como uma batata gratinada, um mousse, entre outras opções. O alimento é totalmente vegetal, sem glúten, lactose, amendoim ou soja, ideal para consumidores vegetarianos e veganos, além de alérgicos à proteína do leite. O valor médio do produto é de R$ 6.

3. Creme à base de aveia da Nude: a novidade possibilita que o consumidor prepare diversos tipos de receitas, estando disponível em uma caixinha Treta Pak de 200 gramas. O valor do creme é de R$ 9 em média.

4. Creme culinário vegetal da Nomoo: sua linha de laticínios plant-based oferece um creme de leite, produzido com castanha-de-caju em um processo de fermentação, sendo clean label, e pode ser utilizado em receitas doces e salgadas. Vem em uma caixa de 300 ml TetraPak e custa, em média, R$ 19,90.

5. Creme de leite vegetal da Natuterra: o creme de leite vegetal, proveniente da aveia, é próprio para consumo de pessoas adeptas ao veganismo na preparação de doces e salgados, sem colesterol, lactose e nem glúten. O preço médio do produto é de R$ 16,80. 

Fonte: A Tal da Castanha

Vapza Alimentos lança espaguete de pupunha embalado a vácuo

O produto é plant-based e já vem cozido e pronto para comer; também é totalmente natural, sendo livre de grãos, glúten e aditivos

Pioneira no Brasil no segmento de alimentos embalados a vácuo e cozidos a vapor, a Vapza reforça seu portfólio com o lançamento do espaguete de pupunha. Tendo apenas o palmito-pupunha como ingrediente, o produto não contém qualquer conservante ou aditivo, é livre de glúten, vegano e plant-based. Além disso, já vem cozido e pode ser preparado em poucos minutos, permitindo maior praticidade ao consumidor. O produto já está disponível no varejo brasileiro, em embalagem de 300 gramas.

O espaguete de pupunha Vapza apresenta vantagens sobre outras formas de oferta do alimento, como a in natura e a em conserva. O produto é embalado à vácuo e cozido a vapor dentro da própria embalagem, processo este que auxilia na preservação dos nutrientes do alimento in natura, oferece maior segurança alimentar e possibilita uma validade mais extensa (de 9 meses); tudo isso sem a necessidade de utilizar conservantes. Em relação à pupunha em conserva, o produto Vapza tem menos sódio, sabor mais leve e já vem pronto para consumo, não sendo necessário ser escoado e lavado em água corrente.

Saudável e versátil, o espaguete de pupunha pode ser utilizado em saladas, molhos, sanduíches e tortas. Também pode ser um substituto para massas com trigo, com a vantagem de ser livre de glúten. Nutricionalmente, é um alimento rico em proteínas e minerais como cálcio, fósforo e potássio.

“Diversas pesquisas mostram o interesse cada vez maior do brasileiro por alimentos naturais. Também há um crescente número de pessoas que querem ou precisam evitar o glúten. Sempre atenta aos interesses de seu consumidor, a Vapza lança o espaguete de pupunha, mais um produto 100% livre de glúten da marca e que alia a saudabilidade a comidas saborosas e práticas”, destaca o CEO da Vapza Alimentos, Enrico Milani.

O portfólio Vapza conta com 46 produtos distribuídos em cinco linhas: dê o seu toque final (alimentos já prontos apenas para finalizar, a exemplo do espaguete de pupunha), Orgânicos (itens 100% orgânicos certificados, Só aquecer (alimentos que só precisam de aquecimento para o consumo), Single (porções individuais) e Marvel (atendendo as necessidades nutricionais de jovens e adultos).

Espaguete de pupunha Vapza – Preço sugerido: R$ 16,70

Informações: Vapza

Manteigas vegetais ganham espaço como opção mais saudável

Pesquisa de mercado global aponta crescimento anual de 4,45% até 2030

A manteiga que o brasileiro está acostumado a usar no pão na chapa, no preparo do brigadeiro, de um molho branco ou de refogados, tem uma nova roupagem com apelo mais saudável. É que chegam aos mercados cada vez mais variedades de manteigas feitas sem leite de vaca, consequentemente livres do colesterol presente em produtos de origem animal.

Um relatório recente da Market Research Future apontou que o mercado de manteigas de oleaginosas atingirá US$ 5 bilhões até 2030 – crescendo anualmente 4,45%. E, entre os fatores apontados para o aumento do consumo, está a maior conscientização dos seus benefícios para a saúde, bem como maior preocupação ligada ao consumo de manteiga láctea, por conta do teor de gordura.

Um dos produtos mais famosos do portfólio de 20 opções 100% vegetais da marca Galpão Cucina é justamente a manteiga. Aclamada pelos consumidores, ela é versátil tanto no uso das receitas quanto no público consumidor: intolerantes à lactose, veganos ou, simplesmente, quem busca saúde e encontra nesta manteiga vegetal um produto sem colesterol e fonte de Ômega 3 e 9.

manteiga Vegetal – 160 gramas – Preço: R$19,90

A maior demanda por produtos plant-based faz com que o preço ao consumidor final seja cada vez mais acessível. Conforme o CEO do Galpão Cucina, Tobias Biselli, todos os anos a empresa, criada em 2017, reduz os preços dos produtos ao ganhar mais escala.

Neste ano, a marca expandiu sua distribuição para chegar direto no consumidor através do varejo. Além de estar à venda no próprio marketplace e nas prateleiras de mercados e empórios, a manteiga e demais produtos nobres, como os queijos e carnes vegetais do Galpão Cucina, são insumos usados por mais de 300 estabelecimentos, entre eles restaurantes com gastronomia italiana e fast food.

“A maioria das pesquisas sobre o mercado plant-based mostra que os principais empecilhos para o consumidor são o sabor e o preço. Atuamos nas duas frentes. No sabor, trabalhamos com uma equipe de desenvolvimento para melhorar os produtos e, na questão do preço, apostamos no ganho de escala como aliado”, explica Biselli.

Sobre o Galpão Cucina

Com influência na gastronomia italiana, o Galpão Cucina tem 20 opções de alimentos à base de vegetais no portfólio. Criado em 2017 com a ideia de reinventar a culinária italiana, adaptando a tradição para o preparo de alimentos vegetais, a marca surpreende com queijos, manteiga, leite condensado, creme de leite e carnes vegetais diferenciadas, como camarão, frango e peixe, que podem fazer parte do cardápio diário das pessoas. Os produtos priorizam o uso de insumos brasileiros, com ingredientes como soja não-transgênica, jaca, castanha-de-caju e amêndoas.

Ajinomoto Food Service lança hambúrguer vegetal

Ajinomoto Food Service lança seu primeiro produto na categoria plant-based; mix tem composição 100% vegetal, de fácil de preparo e sabor similar à proteína animal

A Ajinomoto Food Service acaba de lançar seu primeiro produto plant-based, o Mix para Preparo de Hambúrguer Vegetal Terrano, marcando a entrada da Ajinomoto do Brasil no segmento. O produto em pó chega ao mercado de Food Service com duas opções de sabores, carne e frango, e em pacotes de 700g, suficientes para preparar 1,7 kg de alimento.

A tecnologia utilizada promove versatilidade, praticidade e facilidade, ampliando as opções para atender clientes flexitarianos, vegetarianos e veganos.

O Mix para Preparo de Hambúrguer Vegetal Terrano pode ser utilizado em receitas que vão além do hambúrguer: basta adicionar água gelada, hidratar a mistura em pó e moldar no formato desejado. Não é necessária nenhuma forma especial de armazenamento.

informações: Ajinomoto

Carne de planta é opção mais saudável? Nutricionista destaca mitos e verdades

Vegetarianos e veganos apostam em proteínas que não são de origem animal na hora de escolher o alimento que vai consumir. Com a crescente de pessoas que buscam por esse estilo de vida, uma das opções no mercado é a carne de planta. Geralmente, a soja, a ervilha, o grão-de-bico, cogumelos, feijões, lentilha, além de condimentos, são utilizados como bases para essa comida. Mas, apesar desses ingredientes naturais, ela contém conservantes e faz parte dos alimentos industrializados.

Segundo o nutricionista e coordenador do curso de Nutrição da Uninassau Recife, Diego Ricardo, se engana quem acredita que essa seja uma das opções mais saudáveis. “O produto é vegetal, mas é mito ele ser super saudável. A única coisa que pode não ter na composição é o colesterol. Porém, pode conter bastante conservante, para durar nas prateleiras do supermercado até chegar ao consumidor final”, conta.

Por ser industrializado, esse alimento pode se igualar aos ultraprocessados disponíveis do mercado. “Existe uma diferença, se o intuito for apenas não consumir nada de origem animal, essa é uma opção. Mas se o objetivo for a procura por alimentos saudáveis, a carne de planta dos mercados não dever ser considerada”, informa.

Ainda de acordo com o nutricionista, trocar o frango, o peixe e até a carne vermelha por um embutido vegetal é trocar “seis por meia dúzia”. “Quando a indústria de alimentos coloca produtos no mercado para as massas e os mais pobres, geralmente eles são de pior qualidade nutricional”, comenta.

Uma das melhores alternativas para quem deseja parar de consumir proteína animal é produzir o alimento em casa, utilizando apenas ingredientes naturais. “Existem várias receitas na internet. Mas, para quem deseja mudar a alimentação, é necessário procurar um nutricionista para substituir os alimentos da forma correta, sem perder o valor nutricional diário que o corpo precisa”, finaliza.

Por Millena Araujo/Uninassau

A Tal da Castanha aposta em creme de amêndoas para substituir o tradicional creme de leite

O lançamento chega para competir com o creme de leite no mesmo nível de textura e sabor, com a diferença de possuir baixíssimo teor de saturada, ser zero colesterol, menor valor calórico e baixo sódio

O ano de 2022 promete ser movimentado para o mercado plant-based no que depender do calendário de lançamentos da A Tal da Castanha. A marca líder em produção e comercialização de bebidas vegetais acaba de ingressar em um novo setor – o dos molhos culinários com a sua nova linha chamada Cremeria.

Os novos produtos são formulados à base de oleaginosas seguindo os pilares da marca: ingredientes 100% vegetais, naturais e de rótulo limpo. O primeiro lançamento da linha será um creme vegetal à base de amêndoas que chega para substituir o tradicional creme de leite em receitas doces e salgadas.

O negócio com base familiar tem a frente os irmãos e sócios Rodrigo e Felipe Carvalho. “A ideia de criar um creme de leite vegetal vai em linha com o que a gente tem feito em tornar A Tal da Castanha uma alternativa ao universo lácteo. Iniciamos com os leites veganos e agora chegamos aos molhos culinários com a linha Cremeria trazendo uma oferta que será ampla para atender o consumidor final e os estabelecimentos como confeitarias, restaurantes e padarias que utilizam o creme de leite como base para diversas receitas”, explica Felipe Carvalho.

O executivo comenta que o novo lançamento substitui com perfeição o creme de leite. “É o mesmo nível de textura e sabor. A diferença é que ele é colesterol, zero gorduras trans, zero aditivos artificiais e ainda é baixo em sódio por porção e em gorduras saturadas trazendo mais saudabilidade aos clientes que buscam por isso. O produto também apresenta baixo valor calórico comparado ao de original animal”, diz.

Na sequência deste lançamento, a marca pretende investir em outros sabores como o leite condensado, que já está em processo de estudos para também chegar ao mesmo nível do que o cliente já está acostumado, só que mais saudável e sustentável.

“É um caminho natural. O nosso portfólio se expande na medida que identificamos as necessidades do mercado vegano que só tende a crescer no Brasil e no mundo. Já conseguimos atravessar as fronteiras do global com as nossas bebidas, mas, muito antes disso, a nossa intenção sempre foi oferecer o que há de melhor ao mercado alimentício brasileiro”, finaliza Felipe.

O creme vegetal à base de amêndoas já pode ser encontrado na loja virtual, custando R$ 9,90 a caixinha com 200 gramas.

“O veganismo é inevitável”, diz presidente da SVB em audiência no Senado Federal

Ao falar sobre alimentação plant-based, Ricardo Laurino ressaltou os impactos positivos dessa escolha não só para os animais, mas também à saúde da população e do planeta

Uma audiência pública da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, realizada na quarta-feira (27), serviu de aviso aos políticos e à sociedade sobre a urgência de informar as pessoas a respeito dos benefícios de uma alimentação sem carne, ovos e leite, e a necessidade de criar políticas públicas que abordem o tema.

Conforme pesquisa de 2018 do Ibope, 14% da população brasileira se considera vegetariana, escolha que, para o presidente da Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB), Ricardo Laurino, é cada vez mais inevitável.

“Se temos a possibilidade de consumir produtos que evitam a morte e a exploração de bilhões de animais, que contribuem com uma menor pegada ambiental, tema importantíssimo atualmente, que podem facilitar a uma transição para uma alimentação mais saudável e reduz os riscos de pandemias, estamos sim lidando com um tema inevitável para a realidade atual”, explicou Laurino.

Realizada a pedido do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), a audiência contou com especialistas em saúde e representantes de organizações da causa animal e ambiental. A nutricionista Shila Minari informou que as dietas vegetarianas são nutricionalmente adequadas e podem reduzir em até 74% as chances de ter diabetes.

Para embasar as falas, foram citadas pesquisas, que também mostraram que a alimentação plant-based ainda reduz os riscos de hipertensão, depressão e doenças mentais.

Outra contribuição importante da alimentação sem produtos de origem animal é o menor impacto ambiental em relação à pecuária. Tema extremamente urgente, pois conforme documento publicado em abril por cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas Globais (IPCC), a última década teve o maior crescimento de emissões de gases do efeito estufa da história e os países têm só até 2025 para reduzi-las drasticamente para que a temperatura do planeta suba entre 1,5°C e 2°C.

“Em relação aos impactos ambientais, eles não se limitam às emissões de gases do efeito estufa. Vão desde o consumo de água, passando pelo uso excessivo de terras e a ineficiência na produção de comida. Ao colocar um alimento de origem animal no prato, muitas pessoas não entendem que, a cada 10 calorias que aquele alimento traz, em torno de 100 calorias foram utilizadas para produzir aquele bife. Quanto mais nós incentivamos a produção de origem vegetal, maior é a nossa eficiência na produção de alimentos”, alertou Laurino.

Para o presidente da SVB, os aspectos envolvendo a saúde do planeta e das pessoas se somam à questão ética, afinal, é difícil lidar com a realidade de que mais de 70 bilhões de animais terrestres são mortos anualmente para o consumo humano.

Por tantos motivos relevantes, Laurino acredita que a escolha por uma alimentação sem produtos de origem animal faz parte de um processo natural de desenvolvimento da sociedade humana que, diante de novos questionamentos, deverá renovar diversas posturas.

Fonte: Sociedade Vegetariana Brasileira (SVB)

Carne vegetal: será modismo ou tendência portadora de futuro?

É amplamente conhecida a ocorrência na sociedade de grupos denominados vegetarianos ou veganos. De forma simplificada, pode-se dizer que os primeiros são os que excluem qualquer tipo de carne (incluindo peixes e frutos do mar) de sua alimentação; os veganos vão além, evitando qualquer produto animal, como manteiga, leite, ovos ou mel, além de não usar roupas e acessórios de couro, pele, lã, seda e cosméticos testados em animais. Em 2018, a Sociedade Vegetariana Brasileira realizou um levantamento, com o apoio do Ibope, constatando que 14% da população brasileira se declara vegetariana o que, provavelmente, inclui veganos.

Mas quem desenvolve ou comercializa a carne vegetal, conhecida nos Estados Unidos pela sigla PBM (plant based meat) não busca atingir apenas os adeptos do veganismo ou os vegetarianos. Os produtos PBM, que imitam o sabor e a textura da carne bovina, focam especialmente nos consumidores que gostam de carne, mas que acreditam que a diminuição de seu consumo pode ter impactos econômicos, ambientais e de bem-estar animal significativos e positivos, por reduzirem a produção pecuária.

Como é feita a carne vegetal?

A carne é composta, fundamentalmente, de tecido muscular dos animais. As plantas não têm músculos. Então, como as plantas se tornam um pedaço de carne que parece, cheira, tem gosto e cozinha como carne?

Para responder, precisamos aprofundar a análise. A carne é composta de proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e água. Embora as plantas não tenham músculos, elas também contêm proteínas, gorduras, vitaminas, minerais e água. Então, o processo se baseia na semelhança bioquímica entre plantas e animais para obter um produto vegetal que imita a carne. Para cada proteína, lipídio ou composto funcional encontrado na carne existe um análogo ou substituto no reino vegetal. Se um substituto não existir na natureza, podemos tentar obtê-lo por meio de tratamento mecânico, químico ou biológico de um ingrediente vegetal. Ou introduzir em vegetais um gene responsável pelo composto ausente, que esteja presente em animais, utilizando técnicas de transgenia.

O arranjo espacial das proteínas no tecido muscular cria a textura típica da carne. Quando moída, a carne tem uma textura mais simples e é mais fácil de replicar do que pedaços maiores como a picanha, o filé, o peito de frango ou costeletas de porco, feitas de tecido muscular intacto. Facilita a produção de hambúrgueres, mas há desafios técnicos a serem superados para imitar a textura dos cortes inteiros de carne, utilizando ingredientes vegetais.
O processo genérico para produzir carne à base de plantas envolve três etapas principais. A primeira é a seleção e o cultivo das plantas que produzirão as matérias-primas. A seguir ocorre o seu processamento para separar as proteínas, gorduras, fibras e outros ingredientes necessários à produção da PBM. Finalmente ocorre a mistura dos ingredientes, nas proporções adequadas para criar a textura, o aspecto e o sabor tão próximos quanto possíveis da carne.

Qual o foco mercadológico da carne vegetal?

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O conceito de carne à base de plantas vem sendo trabalhado há tempos. No entanto, os primeiros produtos à base de plantas, que imitavam carne, tinham em mente atingir consumidores vegetarianos, e não tentaram replicar a carne convencional.
O impulso recente tem como pano de fundo temas como sustentabilidade, segurança alimentar e os impactos ambientais e de saúde pública que seriam provenientes da pecuária industrial. No caso, buscam atrair os consumidores em geral, em vez de nichos de mercado. Isso levou a uma série de inovações durante a última década. Atualmente, as opções de carne à base de vegetais atraem o segmento de consumidores em rápido crescimento, que vem sendo denominados pelos estudiosos de “flexitarianos”, em livre tradução do termo inglês “flexitarian”.

Os consumidores “flexitarianos” buscam opções de alimentos à base de plantas que criem a mesma experiência sensorial da carne de origem animal. Digamos que esses consumidores reduzem o consumo de carne, mas não desistem completamente da experiência sensorial dos produtos de origem animal. Essa decisão de comer mais vegetais geralmente se deve a preocupações com a saúde, o meio ambiente ou a proteção dos animais. Também pode ser, simplesmente, uma forma de obter novidade e variedade com refeições saborosas e acessíveis. O aumento do flexitarianismo está na base do crescimento do mercado de alimentos à base de plantas.

Qual o futuro previsível da carne vegetal?

Apesar do crescimento recente do mercado, a carne à base de plantas representa, atualmente, apenas 1% do mercado de carnes no varejo dos EUA. Tudo indica que o mercado deverá crescer se o produto agradar em cheio os consumidores, desligando-se do fundamento inicial da menor emissão de gases do efeito estufa (GEE). Chamamos a atenção para esse aspecto, porque o argumento pode ser falacioso pois, segundo um artigo publicado pelo Prof. Jayson Lusk (Purdue University), para cada 10% de redução no preço de PBM, estima-se que o decremento nas emissões equivale a 0,34% das emissões dos EUA devidas à produção de carne bovina e 1,14% se incluída a redução das emissões devidas às mudanças no uso da terra.
Assim, é improvável que mesmo reduções substanciais nos preços das alternativas de PBM tenham impactos ponderáveis sobre as emissões da pecuária nos EUA. O artigo do Prof. Lusk e colaboradores pode ser acessado aqui.

Considerando que os sistemas de produção pecuária no Brasil são menos intensivos em emissões de GEE que os americanos, o mesmo poderia ser afirmado para o Brasil. Apoiando esse fato está um sistema de produção bovino desenvolvido pela Embrapa, denominado Carne Carbono Neutro, que garante que os animais que deram origem ao produto tiveram as emissões de metano entérico compensadas durante o processo de produção, pelo crescimento de árvores no sistema (ver mais aqui).

Isto posto, desapareceria o argumento de menor emissão de GEE com a redução do consumo de carne. Assim, entendemos que o futuro do mercado será modulado por quatro fatores principais:
a) a adesão dos consumidores aos produtos BPM, em especial dos jovens recém ingressos no mercado, sem hábitos de consumo arraigados e dispostos a novas experiências, atribuíveis a um diversificado conjunto de razões que inclui desde modismo, sensações organolépticas favoráveis e crença em maior sustentabilidade;
b) o avanço da tecnologia de produção, que será tanto mais bem-sucedida quanto mais a textura e o sabor de um produto BPM se aproximar da carne;
c) o custo dos produtos BPM comparativamente aos produtos cárneos;
d) a agressividade dos lobbies comerciais e o sucesso do marketing dos produtos BPM.

*Por Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja e membro do Conselho Científico Agro Sustentável (CCAS)