Arquivo da tag: prevenção

Herpes de repetição: o que é, tratamentos e métodos de prevenção

A herpes de repetição acontece quando o paciente tem uma série de crises em um único ano, desencadeadas por gatilhos variados

Quando o assunto é herpes, os tipos e sintomas são tantos que fica difícil saber diferenciá-los. Mas, vamos começar pelo básico: as infecções pelo vírus herpes simples (HSV) são comuns na população mundial, e as versões da doença mais frequentes são as chamadas tipo 1 e tipo 2.

Aproximadamente 90% dos adultos já tiveram contato com esse vírus de alguma forma, mas nem todos desenvolveram as lesões. Por conta disso, entender as suas implicações, e até mesmo os sintomas, é importante – afinal, as chances de você ter mais de uma vez o problema são altas.

“A herpes tipo 1 gera lesões dolorosas”, explica Brianna Nicolleti, alergista e imunologista pela USP. “São pequenas bolhas de base avermelhada, mais frequentemente localizadas nos lábios, mas que podem aparecer em outras áreas do corpo também”, completa.

Já a herpes tipo 2 ocasiona lesões de características semelhantes, mas em especial na região genital (tanto de homens quanto de mulheres). Por fim, a herpes de repetição acontece quando os pacientes apresentam mais de uma crise de herpes por ano – é o típico caso da pessoa que, sempre que a imunidade cai, ou ela passa por um caso de estresse, surge com as bolhas na boca.

Para a Brianna, existem fatores importantes que colaboram para o surgimento de novas crises. São eles:

-Exposição à radiação ultravioleta ( luz solar)
-Traumatismos locais
-Menstruação
-Distúrbios hormonais importantes
-Estresse físico ou emocional
-Crises depressivas
-Insônia ou noites mal dormidas
-Uso prolongado de antibióticos
-Imunodeficiência congênita ou adquirida
-Quadros crônicos inflamatórios (como doenças autoimunes)

Como tratar os casos de herpes de repetição?

“O tratamento dos quadros agudos de herpes é feito, na maior parte das vezes, com medicamentos antivirais, capazes de impedir que o material genético do vírus se multiplique e, consequentemente, melhorando o quadro clínico”, explica a especialista.

Além disso, é importante fazer ajustes no estilo de vida para impedir novos episódios de herpes de repetição. Por exemplo:

-Manter uma alimentação saudável
-Seguir uma rotina de exercícios físicos
-Fazer o autogerenciamento do estresse
-Priorizar boas noites de sono
-Fazer uma reposição vitamínica, caso necessário
-Garantir as medidas locais de hidratação e evitar gatilhos irritativos locais e alérgicos

O uso da lisina – um aminoácido conhecido por inibir a multiplicação do vírus da herpes -, também pode ser essencial para evitar a herpes de repetição, assim como a imunoestimulação, que melhora a atividade das células e das mucosas da pele, protegendo o organismo contra novas crises. Vale lembrar que ainda não existe vacinação contra a herpes, por isso, a prevenção segue sendo o melhor remédio nesses casos.

Fonte: Brianna Nicoletti é médica graduada pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas; Residência médica em Medicina Interna pela Universidade Estadual de Campinas; Residência médica em Alergia e Imunologia Clínica pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (2009). Associada à Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia. Médica Especialista em Alergia e Imunologia do Corpo Clínico do Hospital Israelita Albert Einstein). Integrante da equipe de Qualidade da UnitedHealth Group.

Mês de combate ao câncer: alimentação pode auxiliar na prevenção da doença

Vera Cruz Oncologia realiza ação que destaca quais alimentos devem ser evitados

O segundo mês do ano é, definitivamente, o momento certo para se levantar a bandeira do combate ao câncer, nome dado a um grupo de mais de 100 diferentes tipos de doenças malignas que têm em comum o crescimento desordenado de células, formando tumores. Além da leucemia, que atinge a medula óssea, lembrada pelo “Fevereiro Laranja”, fevereiro também carrega consigo o Dia Mundial do Câncer (4) e o Dia Internacional de Luta contra o Câncer Infantil (15). Tudo isso com o intuito de conscientização coletiva, já que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), entre 80% e 90% dos 625 mil casos da patologia que devem ser diagnosticados do início de 2020 até o final deste ano, serão oriundos de causas externas, tais como hábitos e comportamentos prejudiciais à saúde. O restante terá origem interna, das ações e reações naturais do corpo humano de cada indivíduo.

Para a nutricionista Ligia Vieira Carlos, do Vera Cruz Oncologia, tal dado não é surpresa, mas, sim, reflexo da mudança de hábito na alimentação da população brasileira, que vem substituindo alimentos in natura por processados. “Essa transformação no cardápio contribui para o empobrecimento da dieta e favorece o desenvolvimento das células cancerígenas. É importante ter alimentos de origem vegetal na base da alimentação, evitar o consumo de ultraprocessados, bebidas açucaradas, fast food e bebidas alcoólicas”, pontua.

Ela enfatiza que a população precisa comer de forma consciente, sabendo que tudo o que é ingerido será absorvido e refletirá na funcionalidade do organismo, tanto em adultos quanto em jovens e crianças. “Estudos científicos evidenciam que o excesso de realçadores de sabor, assim como de aditivos, como é o caso dos corantes e conservantes presentes em alimentos industrializados de baixo valor nutricional, pode contribuir negativamente para a saúde. Em outros países, a quantidade permitida dessas substâncias é bem menor do que a que está presente nos alimentos no Brasil. Por isso, a profissional alerta, na hora de montar o prato, a dica é que ele seja colorido e contenha todos os grupos alimentares. Atenção aos temperos, para que sejam naturais”.

Números e fatos

Há vários tipos de câncer, e o termo é usado para nomear neoplasias malignas, cujos principais tipos são: os carcinomas, que se desenvolvem em tecidos de revestimento tanto internos quanto externos; os linfomas, oriundos dos linfonodos do sistema linfático; a leucemia, que pode ser encontrada em tecidos sanguíneos; e os sarcomas, que são raros e acometem os tecidos conjuntivos, como osso, músculo ou cartilagem. Nos adultos, essa classe corresponde a cerca de 1% dos casos.

Paulo Eduardo Pizão, coordenador do Vera Cruz Oncologia, esclarece que a enfermidade pode se desenvolver em diferentes partes do corpo e ser mais ou menos agressiva dependendo do seu tipo. “O que diferencia o tipo de câncer é a velocidade de multiplicação das células e a capacidade de invadir tecidos e órgãos vizinhos ou distantes, conhecida como metástase”, pontua.

A patologia é uma das principais causas de morte em todos os países do mundo, e os tipos de câncer que mais afetam a população são: próstata, mama, colorretal e pulmão. De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Brasil, mais de 230 mil pessoas morrem, todos os anos, com a doença.

Segundo Vitória Pinheiro, hematologista infantil do Vera Cruz Hospital, a causa do câncer em crianças, assim como no adulto, é multifatorial, considerando causas externas do meio ambiente (agrotóxicos, metais pesados) e causas internas (condições imunológicas, presença de mutações genéticas). Esses fatores podem interagir de diversas formas, ocasionando o aparecimento do câncer. As mudanças no meio ambiente, provocadas pelo próprio homem, os hábitos e comportamentos podem aumentar o risco de diversos tipos de câncer. “Os tipos mais comuns na infância são as leucemias linfoblásticas agudas, seguidas pelo tumor no sistema nervoso central e os linfomas”, conta.

Human breast cancer, computer illustration.

O câncer pode dar sinais ou ser silencioso, sendo necessário exames para sua detecção. “A leucemia linfoblástica aguda, por exemplo, é o câncer mais comum na infância e pode ser detectada em um hemograma. Quando o tratamento é adequado e o diagnóstico feito precocemente, as chances de cura chegam a 90%. Para que isso seja possível, é importante seguir com as consultas de rotina, além de ficar atento aos sinais do corpo e procurar seu médico de confiança”, sinaliza.

Conscientização

Para que os pacientes e a população em geral possam entender na prática quais alimentos fazem mal à saúde, o Vera Cruz Oncologia preparou uma ação especial: a exposição “A alimentação como aliada na prevenção do câncer”, que expõe alimentos na forma líquida, sólida e gasosa que podem causar a doença.

Além dos principais, como refrigerantes, macarrão instantâneo e tabaco, mais 30 itens estiveram presentes na apresentação do último dia 4, que contou ainda com explicações dos malefícios à saúde e de como afetam o organismo. As unidades do Vera Cruz Hospital e Vera Cruz Casa de Saúde também receberam a ação em horário predeterminado. “A ideia foi alertar a população quanto ao consumo cada vez mais abundante e frequente de produtos industrializados e seus riscos potenciais apontados pela Agência Internacional para Pesquisas em Câncer, órgão vinculado à OMS”, esclarece Ligia.

O objetivo também foi desafiar os pacientes a melhorar hábitos e prevenir o câncer. Todos receberam, no mês passado, um potinho com “21 dias para melhorar os hábitos de vida e prevenir o câncer” feito pelo time de especialistas em oncologia da unidade, como nutricionistas, psicólogos, bucomaxilos e cardiologistas.

O Vera Cruz Oncologia é um espaço único, preparado para acolher e tratar os pacientes que forem diagnosticados com a patologia. “A unidade foi planejada para proporcionar o tratamento da patologia com conforto e comodidade. Os consultórios foram pensados para facilitar a conversa entre médico, pacientes e familiares”, adiciona Pizão.

Informações: Vera Cruz Hospital – Rua Onze de Agosto, 495, Centro – Campinas – SP

Quase 60% dos brasileiros estão acima do peso ou obesos; problema gera várias doenças

A obesidade aumenta o risco para o desenvolvimento de diversas outras doenças, como infarto, AVC, diabetes, cânceres, pressão alta e doenças reumatológicas. Para o endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista, reduzir o sedentarismo e evitar refeições industrializadas, além do excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar, são caminhos necessários para prevenção

O número de pessoas com obesidade e excesso de peso no país não para de crescer desde 2006 e este dado piorou com a pandemia, de acordo com a Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2020), divulgada pelo Ministério da Saúde. O material indica que, no ano passado, 57,5% da população adulta do Brasil estava com excesso de peso – era 55,7% em 2019 – e 21,5% da população está com obesidade – era 19,8% em 2019.

Estes índices são preocupantes, especialmente quando incluímos a Covid-19 na equação, já que a obesidade é um dos principais fatores de risco para infecções mais graves pelo novo coronavírus. Em adição, o excesso de peso influencia diretamente no aumento da falta de ar, necessidade de oxigênio e ventilação mecânica, além de estar associado a outras doenças.

“Apesar do cenário alarmante, as perdas de peso podem reduzir as chances de desenvolver as formas graves da Covid-19. Então, a perda de 5% do peso é benéfica não só para o metabolismo, mas também para a diminuição do processo inflamatório que a obesidade causa. Esta combinação diminui os riscos de complicações por infecções em geral, entre elas está a do novo coronavírus” explica o Dr. Hugo Valente, endocrinologista do Hospital Santa Catarina – Paulista.

A obesidade é uma doença crônica, ou seja, ela não põe em risco a vida da pessoa a curto prazo, mas aumenta o risco para o desenvolvimento de diversas outras doenças, como infarto, AVC, diabetes, cânceres, pressão alta, doenças reumatológicas e outras. Além disso, pode mexer com fatores psicológicos, ocasionando a diminuição da autoestima e depressão, e dores físicas nos músculos e articulações, principalmente nas costas, pernas e braços.

A previsão da Organização Mundial da Saúde (OMS) é que, até 2025, 700 milhões de pessoas sejam diagnosticadas com a doença e mais de 2 bilhões de pessoas estejam acima do peso no mundo. E mais de 11 milhões de crianças e adolescentes terão, pelo menos, sobrepeso.

A obesidade é calculada a partir do índice de massa corpóreo (IMC), que é obtido ao se dividir o peso (em kg) pela altura ao quadrado (em metros). De acordo com o padrão utilizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), quando o resultado fica entre 18,5 e 24,9 kg/m2, o peso é considerado normal. Entre 25,0 e 29,9 kg/m2, sobrepeso, e acima deste valor, a pessoa é considerada obesa.

A obesidade pode ser causada por diversos fatores – genéticos, psicológicos, sociais, metabólicos – e, assim como o excesso de peso, está ligada aos hábitos da vida moderna, estresse e diminuição da atividade física. “Para o bem da população, temos que evitar ou diminuir o sedentarismo, refeições industrializadas, além do excesso de alimentos ricos em gordura e açúcar, que resultam no aumento do número de pessoas obesas, inclusive crianças”, reforça o médico.

Dicas para evitar ou retardar o sobrepeso

=Beber água. A hidratação é um ponto fundamental para manter o metabolismo adequado, a fim de melhor o gasto de energia e, consequentemente, evitar ou prevenir o ganho de peso;
=Aumentar o consumo de vegetais, como leguminosas e verduras;
=Consumir frutas, especialmente in natura e evitar sucos adocicados;
=Ingerir fibras, como grãos – aveia, linhaça, entre outros -, porque geram uma saciedade maior e regularizam o intestino.
=Escolher os macronutrientes – carboidratos, gorduras e proteínas – em equilíbrio, como forma de retardar ou evitar o sobrepeso.

Problema está associado a diversas doenças e tipos de câncer; saiba como evitá-la

Getty Images

Uma pesquisa do Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis, do Ministério da Saúde, informa que, entre 2006 e 2019, a obesidade cresceu 72% no Brasil. E hoje já é considerada um problema de saúde pública no país, potencializado durante a pandemia de Covid-19.

A nutricionista Francyne Silva Fernandez, que atende na Unidades Básica de Saúde Jardim Caiçara, gerenciada pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, destaca que a doença pode tanto ter uma predisposição genética como ocorrer em consequências de maus hábitos de vida e alimentação, gerando o acúmulo de gordura no corpo.

“Esse acúmulo é causado quase sempre pelo sedentarismo e pelo consumo excessivo de alimentos com alto valor calórico, superior ao usado pelo organismo para sua manutenção e realização das atividades diárias.”

O diagnóstico da doença é clínico e baseado no Índice de Massa Corporal, o IMC, que é dado pela relação entre o peso e a altura, considerando menor que 18,5 abaixo do peso; entre 18,5 e 24,9 peso normal; entre 25 e 29,9 sobrepeso; e igual ou acima de 30 obesidade.

A nutricionista explica que doença é considerada grave pois o excesso de peso está associado ao aumento do risco de desenvolvimento de patologias como diabetes, pressão alta, apneia do sono, aterosclerose, trombose e distúrbios no ciclo menstrual, além de problemas cardiovasculares diversos.


Uma pesquisa feita pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), em parceria com a Universidade de Harvard e com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), também confirmou a associação da obesidade a diversos tipos de câncer: o de mama na pós-menopausa, cólon e reto, útero, vesícula biliar, rim, fígado, ovário, próstata, mieloma múltiplo (células plasmáticas da medula óssea), esôfago, pâncreas, estômago e tireoide.

“Além dos problemas físicos, a obesidade ainda pode afetar a saúde emocional e psicológica, já que pessoas obesas podem desenvolver a baixa autoestima, que leva à depressão”, alerta a especialista.

Prevenção

Francyne explica que a prevenção da obesidade deve ser feita a partir da conscientização da importância de uma vida saudável, com um tempo dedicado para a prática de atividades físicas e uma dieta equilibrada, baseada em alimentos saudáveis, de preferência in natura ou minimamente processados.

“Por outro lado, o sedentarismo, a ingestão de alimentos com excesso de gorduras e açúcares refletem no aumento de chances desta e de tantas outras patologias associadas a ela.” De acordo com a profissional, legumes, verduras, frutas naturais ou envasadas, iogurtes sem adição de açúcar, ovos, chá, café, carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, ervas frescas ou secas, leites e sucos de frutas pasteurizados, feijões, entre outros, são bons amigos do peso.

Já os alimentos processados e ultraprocessados, como aqueles em conserva, carnes enlatadas, queijos, pães feitos com farinha de trigo branca, biscoitos recheados, sucos em pó, refrigerantes, macarrão instantâneo, cereais matinais açucarados, frios embutidos, entre outros, são grandes inimigos dos que buscam ter uma vida saudável.

Tratamentos


Além da estética, o tratamento da obesidade tem como finalidade alcançar uma série de objetivos e a saúde é o principal deles. O processo pode ser feito a curto ou longo prazo, por meio das intervenções multifatoriais que combinam componentes como a dieta, exercícios físicos, mudança comportamental e até mesmo utilização de medicamentos, caso o especialista que estiver acompanhando o caso avalie necessário.

“O uso desses remédios, inclusive, não deve ser feito por conta própria ou de maneira indiscriminada, pois pode acarretar outros problemas de saúde. O mesmo vale para as dietas. Regimes milagrosos, que prometem a perda de peso da noite para o dia, não existem. O essencial é sempre buscar um profissional, de preferência um endocrinologista e um nutricionista” orienta.

De acordo com a nutricionista, no SUS (Sistema Único de Saúde) existem diversos serviços dedicados às pessoas que buscam perder peso de forma saudável e com acompanhamento médico.

Grupo de Combate à Obesidade

Algumas UBSs, sob gestão do Cejam, possuem grupos de apoio multidisciplinares, compostos por nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas, para quem precisa de ajuda com reeducação alimentar e atividade física para lidar com a obesidade.

O trabalho tem como foco a prevenção e o tratamento da obesidade, abordando e estimulando o tratamento de diabetes, hipertensão e alta do colesterol, além de acompanhamento nutricional.

As unidades participantes disponibilizam grupos de apoio abertos e fechados, dependendo da necessidade. Qualquer pessoa pode participar, até mesmo quem não é paciente da unidade, basta apresentar o cartão do SUS.

Sete hábitos para evitar a enxaqueca

A enxaqueca não se trata de simples dores de cabeça. Quem sofre desse quadro tem muita dificuldade em lidar com a intensidade da dor. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a enxaqueca é considerada a 10ª dor mais incapacitante em 15% da população mundial. No Brasil este número é aproximadamente de 30 milhões de pessoas sofrendo com essa dor.

Existem alguns hábitos que podem ajudar a combater crises de enxaqueca, o chefe da neurocirurgia do Hospital Federal da Lagoa e médico especialista em coluna Haroldo Chagas, relata sete maneiras para evitar sentir essas indesejáveis dores.

=Mantenha um equilíbrio alimentar, evitando o excesso de alimentos conhecidos por desencadear crises, como chocolates, frutas cítricas, sorvete, queijo, bebidas alcoólicas e outras ricas em cafeína;

=Tenha uma boa postura, observando a posição da cabeça e dos braços, além de cadeiras e mesas adequadas para trabalhar;

Foto: Scott Webb/Pixabay

=Evite exercícios pesados, não sobrecarregue seu corpo. Invista em atividades de relaxamento, que também contribuem para o alívio da enxaqueca;

=Mantenha o equilíbrio entre momentos de alta produtividade e de descanso;

Getty Images

=Opte por produtos com perfume suave ou sem perfume e mantenha o ambiente ventilado. Perfumes fortes podem desencadear dores de cabeça;

Foto: Optix

=Faça pausas durante os períodos de leitura ou trabalho na frente do computador. A pressão ocular é um dos fatores analisados em diagnósticos de enxaqueca;

=Durma bem, e pelo tempo adequado. Falta e excesso de sono estão relacionados a crises de enxaqueca.

Fonte: Haroldo Chagas é neurocirurgião e cirurgião de coluna; graduado pela Escola de Medicina Souza Marques; especializou-se em Neurocirurgia no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ; fez Cirurgia de coluna (2005-2006): Hospital Universitário Clementino Fraga Filho – UFRJ; Chefe da Neurocirurgia e do Centro Cirúrgico do Hospital Federal da Lagoa – RJ.


Hoje é o Dia Mundial da Luta Contra o Câncer

Oncologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz compartilha dicas de detecção precoce e rastreamento do câncer

A data 8 de abril é marcada pelo Dia Mundial da Luta Contra o Câncer com o objetivo de conscientizar e disseminar informações úteis para toda a população. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), 600 mil novos casos da doença foram diagnosticados no Brasil em 2020.

Existem diversos tipos de exames de rastreamento para a detecção precoce de tumores, o que contribuiu para aumentar as chances de cura. Segundo Ricardo Caponero, oncologista do Centro Especializado em Oncologia do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, os exames de rastreamento são divididos em dois grupos, o primeiro é o teste indicado pelo Ministério da Saúde para toda a população, que independe de qualquer risco individual, como é o caso da mamografia, exame que as mulheres devem realizar a partir de 50 anos anualmente, e da vacina contra o HPV (Papilomavírus humano), que previne o câncer no colo do útero.

O segundo grupo de exames de rastreamento envolve testes genéticos, que são indicados para quem tem parentes de primeiro grau (pais ou irmãos) com diagnóstico de câncer. Com base nesses dados, Caponero explica que o resultado será mais específico e individualizado, de acordo com as características genéticas de cada paciente e, assim, a escolha do tratamento será mais precisa.

“É importante particularizar aquilo que é necessário para cada paciente, uma mulher que tem caso de câncer de mama na família, por exemplo, não vai fazer a mamografia apenas aos 50 anos. Ela deve iniciar o acompanhamento e realizar os exames antes desta idade, com mais frequência afim de detectar precocemente a existência de nódulos “, diz.

Para o médico, o ideal é que as pessoas, ao menos uma vez na vida, façam uma consulta com um oncologista ou clínico-geral levando o histórico familiar para que o especialista aponte a melhor conduta a ser adotada para cada um.

Com os resultados dos exames, Caponero diz que não necessariamente o paciente precisará ser submetido à cirurgia preventiva. “Não são todos os genes mutados que indicam a necessidade de tratamento. Pode ser indicado, por exemplo, o uso de medicamento, exames para um acompanhamento mais próximo do paciente, como fazer a mamografia uma vez por ano começando em uma idade mais cedo do que os 50 anos ou fazer uma ressonância da mama ao invés do ultrassom. O teste genético indica a cirurgia para algumas poucas mutações, sendo necessária a avaliação de cada caso”, explica.

Segundo dados do Inca, os tipos mais comuns de câncer hoje no país são de mama nas mulheres e de próstata nos homens. Os exames de rotina e de seguimento são fundamentais para detectar a prevenir esses tipos de neoplasias, no entanto, não é possível fazer a prevenção de todas as formas de câncer. Portanto, a indicação do Ministério da Saúde é de que a população mantenha uma dieta saudável, com os chamados alimentos de verdade, ou seja, diminuir ao máximo o consumo de produtos industrializados e dos alimentos com alto teor de gorduras, evitar o excesso de ingestão de bebida alcoólica e abandonar o tabagismo.

“Adquirir esses hábitos é benéfico não apenas no aspecto da prevenção de alguns dos tipos de câncer, mas também em relação ao controle do diabetes, hipertensão e outras doenças. Fazer 30 minutos de atividade física por dia, além da alimentação balanceada e práticas saudáveis, como não fumar e não ingerir bebida alcoólica em excesso, são atitudes que podem evitar ou postergar inúmeras complicações e doenças ao longo da vida”, conclui o médico.

Fonte: Hospital Alemão Oswaldo Cruz

O papel da Vitamina D na prevenção de doenças crônicas

Mais de 35% da população brasileira é pré-diabética e essa vitamina é responsável por ativar as chamadas células betapancreáticas responsáveis pela produção da insulina

A Vitamina D é considerada um dos hormônios mais poderosos que nosso corpo produz. Ela é responsável por modular até 3% de todo nosso genoma. Ou seja, como o nosso material genético vai se expressar, além de participar fortemente da chamada homeostase no corpo, que nada mais é do que o equilíbrio do nosso metabolismo.

Existem duas fontes principais de produção desse hormônio no organismo, a primeira é por meio de dieta alimentar, que contribui de 10% a 20%, já os outros 80% a 90% são produzidos endogenamente, via tecidos cutâneos após a exposição à radiação ultravioleta B.

Ela tem importantes ações quanto a algumas doenças crônicas e algumas delas, extremamente comuns, como o diabetes. No Brasil temos mais de 35% da população pré-diabética, algo que é extremamente comum, podendo evoluir para o próprio diabetes. E a Vitamina D tem um papel importante através do aumento do cálcio, que é o de ativar as células do pâncreas, chamadas células betapancreáticas que é quem produz a insulina. Essa produção está intimamente ligada aos níveis da Vitamina D, sendo responsável por retirar o açúcar do sangue e jogá-lo para dentro da célula.

Quando não temos os receptores dessa vitamina adequadamente, aumentamos as interleucinas inflamatórias (tipos de proteína), especialmente a IL6 que é uma interleucina extremamente perigosa chamada ITNF Alfa, considerado fator de necrose tumoral. Elas bloqueiam o que chamamos de glut4 na célula, que é o canal que faz a passagem da glicose para dentro dela. Então a deficiência dos receptores da Vitamina D também prejudicam a entrada da glicose na célula, contribuindo para o diabetes.

Além da diabetes, nós temos a Vitamina D e seu receptor ligados também a proteção de outra doença extremamente comum, a hipertensão. “Existe um sistema chamado renina angiotensina aldosterona, que é um dos principais fatores que modulam a rigidez da parede das artérias, quanto mais rígida, você tem aumento da pressão, quanto mais relaxada, menor a pressão. E a Vitamina D tem um papel fundamental na modulação desse sistema, promovendo um maior relaxamento da parede das artérias, então podemos dizer que ela também está ligada ao controle da pressão arterial”, afirma Fábio Gabas, médico de saúde integrativa, neurocientista e pesquisador.

Outra doença que é intimamente ligada, é o próprio câncer. Estima-se que 50% dos homens terão câncer ao longo da vida e nas mulheres esse valor chega a 42%, sendo um índice alarmante. O câncer está ligado a inflamação, a alimentação, ao enfraquecimento imunológico, a exposição de radiação pelas pessoas, toxinas, deficiência de nutrientes importantes, estresse emocional, além da má qualidade de sono. Não podemos dizer que é uma doença hereditária, raríssimos casos são ligados a genes, a grande maioria é epigenética, ou seja, ligada a essas informações.

Ainda segundo Gabas, não estamos determinados pelos nossos genes, não é porque nossos familiares tiveram que nós teremos, as pessoas possuem a predisposição, mas ela só vai ser ativada se existirem os fatores do meio que irão modular a expressão genética para o desenvolvimento do câncer.

“E a Vitamina D, além de ter um papel imunológico importante, tem também o papel de equilibrar a proliferação celular e a apoptose, que é a chamada morte celular programada. Toda célula do nosso corpo tem o seu ciclo, ela nasce, faz sua função, envelhece e morre. Quando temos uma deficiência no controle dessa apoptose, acaba tendo o aumentando da proliferação celular, a não morte das células que pode contribuir com o desenvolvimento da doença. E a Vitamina D, nós sabemos que ela tem uma ação importante na modulação da apoptose celular e, portanto, tem efeitos antiproliferativos e pró-apoptóticos, dessa forma protegendo o indivíduo contra o câncer”, afirma o médico.

Ele alerta que, além disso, temos a inibição da angiogenese, que é a geração de novos vasos: “Todo câncer tem uma característica, como o metabolismo dele é mais elevado, precisa de mais irrigação sanguínea, cria novos vasos para irrigar aquela região, aquele tumor e a Vitamina D também exerce um efeito inibidor dessa angiogenese. Desta forma, atrapalhando o desenvolvimento dele”, finaliza.

Álcool gel e doenças da pele: dermatologista dá dicas de como prevenir

A segunda onda do novo coronavírus chegou e é hora de redobrar os cuidados que já eram obrigatórios. Entre as principais recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), está a higienização frequente das mãos por meio do álcool gel, o que acaba ressecando a pele. Além do ressecamento normal causado pela substância, a pele também pode apresentar coceira, descamação e até feridas.

Para ajudar prevenir essas doenças dermatológicas e minimizar desconfortos causados pelo álcool gel, a dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Nádia Bavoso, dá algumas sugestões:

=Sempre que possível, higienize as mãos com água e sabonete, de preferência produtos que tenham componentes com mais hidratação e menos detergentes (sabonetes neutros). Esses produtos costumam ter o pH mais equilibrado para a pele sensível. Deixe o álcool para situações na rua e para higienizar as compras, por exemplo;

Foto: Anastasia Gepp/Pixabay

=Use luvas sempre que for trabalhar com produtos de limpeza e até mesmo lavar a louça. O detergente é feito para tirar a gordura dos pratos, talheres etc., mas também acaba tirando um pouco da proteção da pele das mãos. Se a região está ressecada, as chances de irritação são bem maiores;

=Hidrate muito a região das mãos e braços (até perto do cotovelo). O álcool resseca, lavar excessivamente também pode ressecar e ainda tem o fator do clima que, em muitas regiões do Brasil, pode ser mais seco em determinadas épocas do ano. Prefira sempre cremes à base de água e emolientes como a ureia, o ácido hialurônico e o D-pantenol. Os produtos à base de óleo deixam a pele macia, mas não repõe água – e se a região já estiver irritada, pode piorar. Dica: lambuze as mãos com hidratante e coloque suas luvas descartáveis ou reutilizáveis e deixe por 15 minutos antes de dormir. Isso ajuda a intensificar a hidratação em um momento que a pele não será exposta e vai ficar algumas horas sem receber álcool ou água;

=Use protetor solar diariamente e reaplique toda vez que lavar as mãos e for se expor ao sol, mesmo que seja por poucos minutos. Com a pele mais sensível, a exposição solar, mesmo que por poucos minutos, pode causar queimaduras na região. Além disso, vale ressaltar que o câncer de pele atinge cerca de 200 mil brasileiros por ano e a principal forma de prevenção é com o uso correto de protetor solar;

By Pink

=Faça uma esfoliação suave nas mãos uma vez por mês. Isso ajuda a renovar as células e deixar a pele mais saudável. Você pode usar produtos específicos para a mão ou seguir essa receitinha:

  • Uma colher de sopa de aveia em flocos finos
  • Uma colher de sopa de mel
  • Misturar os ingredientes e aplicar sobre a pele fazendo movimentos leves. Deixar agir por 15 minutos e enxaguar apenas com água. O protetor solar deve ser aplicado em seguida.

“Essas dicas ajudam muito a prevenir o sofrimento da pele na região das mãos, uma área tão sensível. Mas vale reforçar que se a irritação, descamação ou feridas persistirem por mais de 15 dias, é importante buscar um Dermatologista de confiança para avaliação. Às vezes é preciso entrar com algum medicamento local para abreviar o desconforto. Mas isso só uma avaliação médica poderá definir. A automedicação não é uma opção”, explica Nádia.

Fonte: Nádia Bavoso é dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), formada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem mestrado pela mesma instituição e faz parte do corpo docente da Unifenas (BH). É sócia da Clínica Eveline Bartels, uma das mais conceituadas em medicina estética de Belo Horizonte.

Dezembro Laranja: no mês de prevenção ao câncer de pele conheça mitos e verdades sobre a doença

Brasileiros ainda cometem muitos deslizes na hora de se cuidar; campanha alerta para a prevenção do tipo de tumor maligno que mais afeta a população brasileira

A proximidade do verão, período que marca a alta nas temperaturas em todo o país, acende um importante alerta: a exposição prolongada ao sol sem proteção adequada pode levar a consequências importantes à saúde. Além de causar o envelhecimento precoce, o contato direto com raios nocivos aumentam em até dez vezes o risco de câncer de pele, o mais incidente entre os brasileiros, correspondendo a um total que ultrapassa a marca de 185 mil novos casos a cada ano – cerca de 30% de todos os tumores malignos registrados, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca).

E apesar de uma considerável parcela da população acreditar que sabe lidar com o sol por viver em um país tropical, campanhas de conscientização como o Dezembro Laranja são essenciais para que informações precisas sejam transmitidas e assim seja possível reduzir os índices deste tipo de câncer, evitável na maioria das situações.

“Já são décadas de campanhas alertando sobre a necessidade de proteger a pele da exposição aos raios ultravioletas do sol – UVA e UVB – com filtro solar e com barreiras físicas, como roupas e chapéus, por exemplo. Mas ainda precisamos superar as barreiras da desinformação, especialmente sobre mitos em relação ao câncer, como, por exemplo, achar que apenas pessoas de pele clara têm risco aumentado de desenvolver a doença ou que o uso de protetor solar só é necessário em momentos de lazer, quando na verdade essa deveria ser parte da nossa rotina essencial diária”, diz o oncologista Bruno Ferrari, fundador e presidente do Conselho de Administração do Grupo Oncoclínicas.

E mesmo com os avanços da ciência e da medicina que garantem qualidade de vida e bem estar aos pacientes, o médico é categórico em afirmar que a melhor forma de combater o câncer de pele é a vigilância ativa para identificação de possíveis sinais de alerta e o foco na prevenção. Por isso, o Instituto Oncoclínicas – iniciativa do corpo clínico do Grupo Oncoclínicas para promoção à saúde, educação médica continuada e pesquisa – realiza neste mês uma série de ativações nas redes sociais para alertar sobre a importância dos cuidados com a pele como forma efetiva de achatar os índices de ocorrência da doença.

Com o mote “A melhor dica é viver bem”, a ação é direcionada à sociedade em geral, e ressalta uma importante informação: proteja sempre a pele contra os raios solares e busque aconselhamento especializado para que o diagnóstico aconteça o quanto antes.

Nem todo câncer de pele é igual

O oncologista Sergio Jobim Azevedo, líder do grupo de pele da Oncoclínicas, explica que existem dois tipos de câncer de pele: o melanoma e o não melanoma (o mais comum deles). Entre os sintomas do câncer de pele não-melanoma estão a presença de lesões cutâneas com crescimento rápido, feridas que não cicatrizam e que podem estar associadas a sangramento, coceira e algumas vezes dor. Esses sinais geralmente surgem em partes do corpo que costumam ficar mais expostas ao sol, tais como rosto, pescoço e braços.

Já os indícios do câncer de pele do tipo melanoma – cuja incidência representa apenas 3% dos casos dos tumores de pele, mas com um grau elevado de agressividade, o que eleva suas chances de letalidade – costumam se manifestar através de pintas escuras que apresentam modificações ao longo do tempo.

“Esse tipo de tumor pode aparecer na pele ou mucosas, na forma de manchas, pintas ou sinais. Feita pela própria pessoa ou pelo profissional de saúde, a observação regular das pintas do nosso corpo permite identificar novos sinais ou mudanças previamente não existentes. Isto deve ser levado à atenção do médico para que, havendo necessidade, sejam realizados exames mais complexos e, assim, obter o diagnóstico necessário”, reforça Azevedo.

Pessoas com histórico familiar de melanoma e/ou que tenham um volume maior que 50 pintas pelo corpo também devem manter a vigilância ativa para controle dos riscos de desenvolver a doença. As alterações avaliadas como suspeitas são classificadas como “ABCDE” – Assimetria, Bordas irregulares, Cor, Diâmetro, Evolução.

“Quando descoberta em fase inicial, a indicação é que seja realizada a ressecção cirúrgica das lesões por especialista habilitado para adequada abordagem das margens ao redor do tumor. E isso vale tanto para os casos de câncer de pele melanoma como para os não-melanoma. A cirurgia de fato é capaz de resolver a maioria dos casos, fazendo com que quaisquer outros tratamentos complementares sejam raramente necessários”, reforça Sergio Azevedo.

Dependendo do subtipo, estágio e extensão da doença, o especialista conta que outras condutas de tratamentos podem ser empregadas. Em casos mais avançados e com metástase, especificamente de melanoma, a imunoterapia – uma medicação que ativa o sistema imunológico para que ele se torne capaz de combater as células malignas – tem provado ser uma alternativa com bons resultados para a qualidade de vida e bem estar dos pacientes. Outro tipo de intervenção nestes cenários avançados, para um número limitado de pacientes cujo melanoma apresenta uma mutação nos gene BRAF, é o uso de medicamentos orais que inibem a proliferação celular anormal.

Para esclarecer as dúvidas mais comuns sobre o câncer de pele, Azevedo comenta 12 mitos e verdades relacionados à doença:

1 – É preciso usar protetor em dias nublados.

Verdade. Os raios ultravioleta, principalmente o UVA, estão presentes na mesma intensidade em dias nublados, portanto, o uso de protetor solar é imprescindível.

2 – O risco é maior no verão.

Verdade. O que determina maior risco de incidência de câncer de pele é o índice ultravioleta (IUV), que mede o nível de radiação solar na superfície da Terra. Quanto mais alto, maior o risco de danos à pele. Esse índice é mais alto no verão, porém pode ser alto em outras épocas do ano.

3 – Existe exposição ao sol 100% segura.

Mito. É preciso evitar excessos e sempre tomar sol com moderação. E os cuidados devem ser seguidos o ano inteiro e vale intensificá-los no verão. Isso inclui evitar ao máximo se expor diretamente ao sol, em especial das 10 às 16 horas, sempre usar protetor solar e não abrir mão de viseiras, chapéus e/ou bonés, bem como roupas e óculos de sol com proteção UV, em momentos de exposição mais intensa aos raios, como durante a prática de esportes ao ar livre ou descanso em locais como parques, clubes e praias, além de muito protetor solar com diferentes aplicações ao longo do dia.

4 – Quem tem pele, cabelo e olhos claros corre maior risco de ter câncer de pele.

Verdade. Mas atenção: isso não significa que quem possui características diferentes destas está imune ao câncer de pele. De fato as pessoas que produzem mais melanina (pigmento responsável pela cor da pele) têm com isso um fator de proteção extra à pele, que a torna menos vulnerável. Contudo, a regra vale para todos os indivíduos: é preciso se proteger e sempre usar protetor solar nas áreas expostas ao sol.

5 – Negros não precisam usar protetor solar.

Mito. Independentemente da cor da pele, todas as pessoas têm de usar protetor solar para se proteger. Apesar de o câncer de pele ser menos comum entre pessoas com maior quantidade de melanina presente na pele – o que confere uma fotoproteção natural, aumentando a resistência cutânea a esse tipo de dano causado pelo sol -, isso não as torna imunes ao carcinoma espinocelular, carcinoma basocelular e o melanoma. Por isso, a regra vale para todos os indivíduos: evite ao máximo a exposição desprotegida ao sol ou por fontes artificiais.

6 – Toda pinta escura é câncer de pele.

Foto: Indylasercenter

Mito. A pinta precisa ser examinada pelo médico do paciente ou dermatologista para avaliação. Somente após esta avaliação o especialista indicará a retirada ou não da pinta. É preciso atenção com pintas que coçam, que crescem, que sangram. Um jeito de identificar se uma pinta ou mancha pode representar algum perigo é utilizar a escala do ABCDE:
A de assimetria entre as metades da mancha
B de bordas irregulares
C de cores, que avalia a variação da coloração
D de diâmetro
E de evolução (mudança no padrão de cor, crescimento, coceira e sangramento)

7 – Na sombra não é preciso usar filtro solar.

Mito. Mesmo na sombra é preciso passar o protetor solar, pois não estamos livres dos raios ultravioleta.

8 – Câncer não-melanoma pode evoluir para melanoma.

Mito. São lesões distintas. Mas quando a pessoa tem um câncer não-melanoma é sinal de que abusou do sol e que também poderá ter um melanoma, então precisa ficar sempre atenta.

9 – Melanoma não tem cura.

iStock

Mito. O importante é o diagnóstico em estágios iniciais, quando os tratamentos são mais eficientes. Hoje já há tratamentos inclusive para estágios mais avançados, com excelentes resultados para casos metastáticos a partir da inclusão do uso de imunoterápicos e dos medicamentos orais alvo-direcionados, mas quanto antes o problema for identificado e começar o tratamento, melhor.

10 – Somente regiões expostas diretamente ao sol podem ser afetadas.

Mito. A maioria dos tipos câncer de pele (não melanoma e melanoma) de fato tem uma relação de risco de surgimento aumentada devido aos impactos do sol. Mas vale lembrar que os raios ultravioleta que causam danos à pele são capazes de atravessar janelas e até mesmo o concreto. Um alerta: alguns subtipos de melanomas podem surgir em áreas do corpo que muitas vezes não observamos com a devida cautela, como genitais, glúteos, couro cabeludo, palmas das mãos, solas do pé, debaixo das unhas e entre os dedos.

11 – Câmaras de bronzeamento são 100% seguras.

Mito. No Brasil, este tipo de bronzeamento é proibido, assim como em outros países, justamente pelo alto risco que oferecem. As câmaras de bronzeamento não são seguras, causam câncer e melanoma. Portanto, não devem ser usadas ou permitidas existir.

12 – Quem tem muitas pintas ou histórico familiar de câncer de pele corre mais riscos.

Shutterstock

Verdade. Pessoas com histórico familiar da doença ou que tenham de 50 a 100 pintas no corpo devem ser avaliadas com maior frequência e também têm de redobrar os cuidados com a proteção adequada, usando sempre filtro solar e se expondo ao sol com moderação.

Fonte: Oncoclínicas

Diagnóstico precoce do câncer de colo do útero pode evitar riscos de complicações

A cada ano 16 mil mulheres no Brasil são diagnosticadas com a doença; Vacinação contra o vírus HPV é medida preventiva essencial na prevenção da doença, que tem sintomas silenciosos e em 35% dos casos acaba sendo letal

A apresentadora Fátima Bernardes revelou na quarta-feira (2) que foi diagnosticada, durante exames de rotina, com câncer de útero. A jornalista afirmou que a doença está no estágio inicial e que irá passar por uma cirurgia para retirada do tumor.

De acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tumor de colo do útero atinge mais de 16 mil mulheres no Brasil por ano, o que já faz dele o terceiro tipo de câncer mais prevalente entre a população feminina. A doença é silenciosa e, por isso, em cerca de 35% dos casos acaba levando à morte. A preocupação acerca dos crescentes índices da doença aumenta quando analisado o principal causador da condição: o contágio pelo chamado papilomavírus humano – conhecido como HPV.

Imagem: Agência Aids

Mais comum tipo de infecção sexualmente transmissível em todo o mundo, o vírus HPV atinge de forma massiva as mulheres. Segundo o Ministério da Saúde, 75% das brasileiras sexualmente ativas entrarão em contato com o HPV ao longo da vida, sendo que o ápice da transmissão do vírus se dá na faixa dos 25 anos. Após o contágio, ao menos 5% delas irá desenvolver câncer de colo do útero em um prazo de dois a dez anos, uma taxa que preocupa os especialistas.

“A cada ano, mais de 500 mil mulheres são diagnosticadas com câncer de colo uterino no mundo. Cerca de 300 mil óbitos ao ano são atribuídos a essa doença, o que configura um desafio na saúde mundial, apesar de se tratar de uma doença prevenível. Aproximadamente 90% dos casos ocorrem em países pobres ou emergentes, sobretudo por estratégias de implementação vacinal e programas de rastreio populacional inadequados. A mortalidade nesses países é cerca de 18 vezes maior que em países desenvolvidos. No Brasil, a taxa de mortalidade ajustada para a população mundial de 4,70 óbitos para cada 100 mil mulheres”, revela Michelle Samora, oncologista do Grupo Oncoclínicas.

Segundo a médica, esse tipo de infecção genital é muito frequente, o que pode ocasionar alterações celulares no corpo da mulher, evoluindo para um tumor maligno. “O processo de oncogênese do HPV consiste em algumas etapas principais: infecção pelo HPV de alto risco oncogênico, acesso do vírus ao epitélio metaplásico na zona de transformação do colo uterino, persistência da infecção com integração do genoma viral ao DNA da célula hospedeira. A partir daí, o vírus passa a expressar suas proteínas relacionadas ao câncer, promovendo a imortalização celular. Como consequência, a depender da condição de cada indivíduo, ocorrerá o aparecimento das lesões precursoras ou mesmo o câncer”, explica.

Para Michelle, a prevenção é um dos principais aliados no combate ao câncer de colo do útero. “A vacinação contra o HPV representa a melhor forma de prevenção primária. Ela resulta em uma resposta imune dez vezes mais eficiente que a viral e está disponível contra os seguintes subtipos: vacina bivalente contra HPV 16 e 18; vacina quadrivalente contra HPV 6,11,16 e 18; e a vacina nonavalente que inclui mais 5 subtipos oncogênicos os 31, 33, 45, 52 e 58. 8. Todas as vacinas possuem soroconversão próximas a 100%. A duração total do proteção ainda é incerta, estima-se em aproximadamente 9 anos; porém, estudos matemáticos indicam alta concentração de anticorpos por no mínimo 20 anos”.

Em complemento à prevenção primária, a médica destaca os exames periódicos para detecção da doença: “Quando diagnosticado precocemente, é possível que haja uma redução de até 80% de mortalidade por este câncer. Considerando que o tumor de colo do útero é uma doença com sintomas silenciosos, muitas vezes as mulheres perdem a chance de descobrir a condição ainda na fase inicial. Sempre aconselho as mulheres a realizarem os exames como o Papanicolau periodicamente, para que aumentem as chances da doença ser diagnosticada precocemente”.

Fique atento aos primeiros sinais

Microbioz India

O tumor ocorre quando as células que compõem o colo uterino sofrem agressões causadas pelo HPV. Os primeiros sinais aparecem por meio de sangramento vaginal, seguido de corrimento e dor na pelve.

Quando a doença já se encontra em um estágio mais avançado, a mulher pode apresentar um quadro de anemia devido à perda de sangue, além de dores nas pernas, nas costas, problemas urinários ou intestinais e até perda de peso sem intenção. “Os sangramentos podem ocorrer durante a relação sexual, fora do período menstrual e em mulheres que já estão no período da menopausa”, diz a oncologista.

Quando detectado, os procedimentos para o tratamento do câncer são cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia. “A cirurgia pode consistir na retirada do tumor ou na retirada do útero, o que pode impossibilitar a mulher de engravidar. Para os estágios mais avançados da doença, são recomendados os tratamentos de radioterapia e quimioterapia”, finaliza Michelle.

Fonte: Grupo Oncoclínicas

Setembro Amarelo: tristeza não é frescura, e depressão é doença séria

Este mês é o da campanha de conscientização sobre a prevenção do suicídio, com o objetivo direto de alertar a população a respeito da realidade dos problemas mentais que levam a tantos casos de morte no Brasil e no mundo. Diego Tavares, psiquiatra e pesquisador do programa de transtornos afetivos (Gruda) do Hospital das clínicas da USP, alerta sobre os três principais sinais de alerta para identificar quando uma tristeza passa a ser depressão.

• Alteração no humor por pelo menos duas semanas

Foto: MedicalNewsToday

Quando o estado de humor se altera de forma persistente e diferente do temperamento normal da pessoa fazendo ela se sentir para baixo e sem esperança na maior parte do dia, quase todos os dias, por pelo menos duas semanas, pode estar ocorrendo uma desregulação cerebral de áreas relacionadas ao humor, impulsos (vontade) e energia. Esse quadro pode ser engatilhado por algum evento negativo na vida da pessoa ou pode aparecer espontaneamente, não importa muito se o quadro apresentou algum “desencadeante” porque sabemos hoje que uma parte desses quadros se segue a um estressor psicológico ou de vida, mas muitos não. “Isso acontece porque cada vez mais sabemos que depressão pode ocorrer mesmo em pessoas que passaram por eventos aversivos ou negativos na vida, a diferença é que se a pessoa não tem predisposição a um transtorno do humor, o cérebro se adapta a situação estressora sem alterar seu funcionamento, ao passo que no depressivo, a vivência de estresse e tristeza normal se prolonga para um quadro persistente e distorcido que compõe junto com outros sintomas uma síndrome cerebral psiquiátrica que denominados de depressão”, diz Tavares.

• Cansaço excessivo


Os níveis de energia da pessoa caem e ela se torna fadigada e sem forças, mesmo estando descansada e sem ter feito muita coisa, essa sensação persiste. “Tudo isso porque tanto a energia quanto a disposição física, estão no cérebro, que é o órgão responsável por fornecer o vigor físico e na depressão isso fica reduzido”, comenta o médico.

• Sem vontade nem para falar


Os impulsos e a vontade do individuo ficam reduzidas. A pessoa fica mais indecisa pra fazer as coisas, procrastina tudo, se isola, não faz quase nenhum plano, se retrai mais, tem menos ânimo pra tomar banho ou se alimentar e normalmente fica sem vontade para falar, para interagir, para se divertir, para fazer exercícios e até para viver. “Esses sintomas indicam que a pessoa precisa de ajuda médica, já que ela não se sente bem por estar sentindo isso, mas não consegue dar a voltar por cima. O principal a entender é que pessoas com depressão devem ser tratadas como doentes, assim como aquelas que sofrerem de qualquer outra doença física, a única diferença é que depressão não é visível, como por exemplo, um pé quebrado que impede tanto quanto, uma vida normal”, completa o psiquiatra.

Fonte: Diego Tavares é Médico Psiquiatra e Pesquisador com enfoque principal em transtorno do humor, especialmente a depressão resistente (falha a múltiplos tratamento prévios) e bipolaridade (instabilidade de humor).