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A mania de controlar tudo que afeta severamente o equilíbrio emocional do ser humano*

Já parou para pensar se você está sofrendo por alimentar uma mania de controle? Por que desejamos controlar tudo? Na verdade, existe uma linha muito tênue em promover ou não uma justificativa para a mania de controle. A grande questão é que a necessidade em ter o controle das situações nas mãos é um sentimento intrínseco de nossa espécie. Tudo o que é externo, e nos foge ao controle, gera insegurança e medo – e nos faz sentir vulneráveis.

Essa sensação pode desencadear uma falsa ilusão de segurança, além de colaborar para que acreditemos que nossas ações e pensamentos são sempre superiores aos do outro, quando, na verdade, nossa necessidade por controle só reflete nossas próprias inseguranças e a falta de confiança que, inconscientemente, depositamos no outro e em nós.

Não podemos dizer que essa mania é justificável, pois tudo o que causa dor e sofrimento perde sua capacidade de aceitação. Estudos comprovam que a busca pelo controle pode refletir uma neurose por felicidade constante – uma vez que o ser humano tem a ilusão de que, quando o outro e todas as coisas estão dominadas ou sob o seu controle, não haverá possibilidades de riscos de resultados negativos. O grande problema é que não existem garantias de que a todo momento poderemos ter o controle total sobre o universo a nossa volta. Só podemos controlar nossas ações, não controlamos o tempo e nem os sentimentos e atitudes do outro. E é por isso que, por vezes, nos frustramos e experimentamos o sentimento de angústia.

As pessoas que quererem ter o controle de todas as situações vivem um dilema interno consigo mesmas, pois estão sempre frustradas por não terem suas expectativas atendidas. Podem, psiquicamente, apresentar distúrbios de alteração de humor, irritabilidade excessiva, estresse elevado e até desenvolvem transtornos depressivos. Apresentam grande dificuldade para lidar com críticas e podem ser totalmente inflexíveis, por estarem sempre tentando interferir no livre-arbítrio do próximo. São indivíduos capazes de oprimir a identidade do outro em função de sua característica dominadora, além de tentarem a todo custo centralizar tudo. Ou seja, por todo o exposto, quem possui este perfil e a mania de querer controlar tudo acaba sofrendo muito porque está sempre em estado de tensão. Sempre desesperado para saber se tudo sairá conforme suas expectativas. E quando isso não acontece, é invadido pelo amargo gosto da frustração e da decepção.

As palavras de ordem aqui são: equilíbrio e controle emocional. O autoconhecimento te faz entender que, na realidade, é impossível controlar tudo. Se faz necessário um melhor gerenciamento de seus sentimentos, pensamentos, emoções e ações. Desta maneira, fica mais claro perceber o que está fora do seu alcance e, assim, não correr o risco de empregar energia em algo que não irá trazer resultado. Saber separar, por meio de atitudes conscientes, o que eu posso controlar e o que não faz parte do meu autocontrole. O desapego a esta necessidade de controle é o que irá propiciar uma vida mais equilibrada, mais leve e sem pressões internas e, principalmente, sem o elemento culpa. Culpa porque quando o indivíduo percebe que algo deu errado e que perde o controle da situação, ele se enche de frustração e de culpa. Começa a povoar a mente com cobranças excessivas que aumentam ainda mais seu estresse e a sua ansiedade.

Ilustração: Kabaldesch0/Pixabay

Existem muitas situações as quais tentamos controlar em vão, pois tudo o que é externo a nós é incontrolável e imprevisível. Não controlamos, por exemplo, as palavras do outro, os sentimentos alheios, as decisões, ações e esforços das pessoas a nossa volta (sejam elas íntimas ou não). Nem o tempo é controlado por nós. No fundo, o que precisamos desapegar e abandonar é o orgulho e o delírio que alimentamos de acreditar que tudo vai ser como queremos, como planejamos em nosso inconsciente.

Aprender a não sofrer pela falta de controle, tolerando a sensação de incerteza que é intrínseca ao ser humano, sem dúvida é um de nossos maiores desafios. Faz parte do curso natural da vida não conseguir conduzir ou controlar tudo. Não somos seres onipresentes, onipotentes ou oniscientes. É necessário que tenhamos e possamos aceitar nossa infinita necessidade de autoconhecimento e aperfeiçoamento pessoal que nos garanta ordenação da vida, de forma a crescermos com as oportunidades e adversidades apresentadas à partir de um enfrentamento consciente. No entanto, o gerenciamento das emoções pode contribuir de maneira positiva na tarefa contínua de domínio dessa sensação de insegurança causada pela percepção de que não podemos controlar tudo.

Algumas ações individuais garantem o equilíbrio de sua saúde mental e um maior controle emocional em busca de uma vida saudável, como por exemplo: tentar não abraçar tudo para si; evitar centralizar tudo a ponto de se sufocar e aumentar sua ansiedade; aprender a delegar; não ser imprudente a ponto de se colocar acima dos desafios; ter humildade para reconhecer que não se sabe e não se pode tudo; não sucumbir à histeria e neurose coletiva de que é necessário ser perfeito e não se pode errar nunca; aceitar suas deficiências e fortalecer suas qualidades; aprender a exprimir novos significados para seus próprios resultados; permitir-se ousar e experimentar a sensação do descontrole ( por mais desconfortável que possa parecer). Sem medo de errar, se esses pontos forem observados e trabalhados, o indivíduo poderá aprender muito e se conhecer muito mais – entrando até em um processo adaptativo que promova gatilhos para que consiga se sentir mais feliz e menos vulnerável às adversidades.

Portanto, ao abrir mão do controle, relaxar e administrar apenas o que está ao seu alcance de ser administrado e controlado, o ser humano consegue ter mais domínio sobre si mesmo. Isso porque instala-se um equilíbrio emocional, reflexo da ausência de tensão interna que, naturalmente, torna-o mais leve e menos pressionado. Fato é que o primeiro passo deve ser dado: parar de pressionar a si mesmo. Em seguida, eliminar crenças enraizadas que valorizam os seus “tem que” e os “devo”.

Além de parar de se cobrar e de querer controlar com sua mente tudo o que acontece ao redor. Perceba que sua responsabilidade é cuidar de si mesmo. Se sua cabeça anda mal, certamente ficará difícil administrar sua casa, seus filhos ou seus negócios. Melhore seus pensamentos e emoções e se deixe um pouco mais à vontade, sem a rigidez que você mesmo se impõe. Permita-se! Seu corpo vai agradecer, sua saúde mental e sua vida podem se equilibrar e o resultado, acredite, será um maior controle emocional – sem culpas e sem cobranças.

Foto: Pedro Costa

*Andrea Ladislau é psicanalista; doutora em Psicanálise, Membro da Academia Fluminense de Letras. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise, Embaixadora e Diplomata In The World Academy of Human Sciences US Ambassador In Niterói. Professora Associada no Instituto Universitário de Pesquisa em Psicanálise da Universidade Católica de Sanctae Mariae do Congo. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada.

Esquecendo palavras? Especialista explica possíveis razões

Para Eloah Mestieri, psicanalista especialista em transtorno de ansiedade, todos podem vivenciar diariamente pequenos distúrbios de memória

Quem nunca esteve contando algum fato para alguém e acabou se esquecendo de alguma palavra no meio? Os chamados distúrbios de memória também podem envolver entrar em uma sala e esquecer-se do motivo, esquecer a senha do cartão de crédito ou perder a linha de raciocínio durante uma conversa.

Eloah Mestieri, psicanalista especialista em transtorno de ansiedade, explica que esses pequenos lapsos de memória nem sempre são causados por um comprometimento da função cognitiva ou tem alguma ligação com a idade cronológica.

Mesmo que possa ser conveniente uma avaliação neurológica, Eloah afirma que esses pequenos esquecimentos devem-se, na maioria dos casos a dois motivos. Um deles é a mudança do foco da atenção, principalmente quando estamos com algum projeto ou alguma preocupação em primeiro plano”, elucida.

A outra razão, segundo a especialista é a ansiedade. “Ainda que casual, no caso de esquecimentos de palavras, por exemplo, quando não estamos nos sentindo relaxados, à vontade ou confiantes, como quando estamos falando em público, dando uma opinião formal, querendo causar boa impressão”, complementa.

Eloah também chama a atenção para os quadros de ansiedade. “Ansiedade e memória estão intimamente relacionadas. Você pode não saber, mas quanto mais ansioso estiver, menos memoração terá à disposição”, alerta.

Prevenção e cuidados

Na tentativa de diminuir esses pequenos inconvenientes, Eloah aconselha fazer manter um diário, realizar anotações após uma conversa ou reunião importante e certificar-se de manter o calendário sempre atualizado. “Defina coisas para fazer todos os dias. É uma forma divertida e útil de organizar e controlar o seu dia”, ensina.

Outro fator importante no combate ao distúrbio é uma rotina com hábitos saudáveis. “Alimente-se bem, faça exercícios regularmente e tenha uma rotina adequada para dormir, como tomar um chá de ervas e ler um livro antes de pegar no sono”, encerra Eloah.

Fonte: Eloah Mestieri é Psicanalista Clínica Integrativa, com abordagem Cognitivo/Comportamental, formação em PNL, Análise Transacional, Nova Medicina Germânica (psicossomática), entres outras. Especializada no bem-estar na terceira idade, transtorno de ansiedade e terapia em casal, Com rica experiência na área, a especialista fala com propriedade sobre temas como envelhecimento bem-sucedido, cuidados com o transtorno de ansiedade e terapia em casal.

Afinal, de quem é a culpa das crianças sem limites?

Na obra “Déspotas mirins, o poder nas novas famílias”, a psicanalista Marcia Neder analisa a queda do poder patriarcal e as atuais construções familiares

Por que a sociedade atribui às mulheres e às mães a responsabilidade pelas crianças sem limites que infernizam a vida de professores e o convívio sociofamiliar? Esse foi o questionamento que inspirou a tese de pós-doutorado da psicanalista Marcia Neder. O resultado virou livro: a segunda edição de Déspotas mirins, o poder nas novas famílias, lançamento da Editora Metamorfose.

Segundo Marcia, vivemos uma “pedocracia”, nome que ela criou para a era do poder infantil, modelo caracterizado pela vida em família que gira em torno da criança desde a gravidez. De acordo com a escritora, o fim do patriarcado deu mais poder para os pequenos – e não para as mulheres. Como são elas as responsáveis pelos cuidados e educação dos filhos, também tornam-se as mais submetidas a esses novos tiranos.

Outro ponto explorado pela psicanalista são as novas famílias, famílias modernas ou a família brasileira. A “família tradicional”, formada por papai, mamãe e filhos, patriarcal e aparentemente coesa, foi implodida pela modernidade. Hoje, enteados, sogros, meio-irmãos e avós fazem parte dos núcleos familiares, construção que ainda não se adequou para educar.

“O namorado da minha mãe, a avó do meu irmão, o filho do marido da minha mãe, o pai da minha irmã, a mulher do meu pai, a mulher do pai do meu irmão são personagens cada vez mais frequentes no cotidiano das crianças” -Déspotas mirins, o poder nas novas famílias, pág. 18

Ao avançar nas investigações sobre a mulher e o feminino no imaginário da cultura e de suas instituições, Marcia Neder aprofunda as críticas à herança patriarcal da psicanálise e à misoginia da cultura. A função paterna, que faz do poder uma prerrogativa dos homens, concebe o masculino como separado da sensibilidade – esta que seria atributo exclusivo do feminino um ser naturalmente encarregado dos cuidados da “sua” prole.

Além da obra, Marcia é autora de outras produções como “Os Filhos da Mãe: como viver a maternidade sem culpa e sem o mito da perfeição”, que desmistifica a maternidade e mostra o preço que as mulheres pagam por essa idealização.

Sinopse

“Escrito com a erudição e a contundência que caracteriza o estilo da autora, Déspotas mirins, o poder nas novas famílias propõe conceitos inovadores, como o de pedocracia, e termos particularmente felizes, como os de “déspotas mirins”, “filho-fardo” e “filho-tsunami”. Mais que figuras de linguagem, essas expressões me parecem captar dimensões cruciais da experiência de pais e de filhos, tornando a pesquisa de grande utilidade para os que precisam lidar com essas questões. Em resumo, trata-se de um trabalho de grande qualidade, que enriquece sobremaneira a produção psicanalítica brasileira, e cuja publicação assinala um progresso na área da psicologia da família” – Renato Mezan.

Sobre a autora

Marcia Neder é psicanalista com pós-doutorado e doutorado em Psicologia Clínica pela PUC-SP e também professora adjunta (aposentada) da UFMS, onde criou e coordenou a linha de pesquisa Psicanálise e cultura.

Déspotas mirins, o poder das novas famílias
Autora: Marcia Neder
Editora: Metamorfose
Páginas: 190
Venda: Amazon
Preço: R$ 60,00

Link de venda: Site da autora

É permitido não gostar ou não dar conta de fazer tudo na quarentena*

Aumenta o número de pessoas com queixas relacionadas à pressão para seguirem – ou cumprir – as preciosas dicas de atividades que surgem, a cada minuto, durante a quarentena.

Uma verdadeira maratona de lives, cursos on line, aplicativos com tarefas planejadas para adultos ou crianças, listas enormes com sugestões de livros, filmes, séries e afins. Tudo com o objetivo de preencher as 24 horas do isolamento social.

Percebemos uma histeria coletiva para que o indivíduo consiga conciliar o suposto “excesso” de tempo com a grande oferta de ocupações. Muitas vezes impedindo a sua capacidade de admitir que não se é tão megaprodutivo e conectado assim.

estresse

O bombardeio, em um tempo carregado de incertezas, que não ajudam a relaxar, acrescido da sensação de impotência ou da incapacidade de se cumprir o que foi proposto ou imposto a si mesmo, pode manifestar sensações de estresse, ansiedade e muita, muita tensão. É o que chamamos de exaustão emocional.

A ideia da improdutividade negativa em alguns casos ganha força quando nos incomodamos ao ver que o outro está realizando inúmeras atividades ao mesmo tempo: é assíduo no acompanhamento das milhares de lives ofertadas; está concluindo vários cursos oferecidos por plataformas on line; praticando dança, atividades físicas, culinária, artesanato, enfim… É um exímio conhecedor e praticante dos mais variados aplicativos.

Entenda que cada um tem seu ritmo e seu tempo de resposta aos estímulos externos. Não se sucumbir a essa pressão também faz parte. E sim, você é normal quando não dá conta de tudo ou não se sente motivado a acompanhar ou fazer tudo o que está sendo oferecido. Não é um crime não acompanhar todas as lives, fazer os cursos ou estar em conexão direta todo momento.

Não precisamos corresponder às expectativas do mundo sempre. Tenha essa consciência e sua saúde mental agradecerá. Cada um de nós é um ser único e em nossa individualidade trazemos uma essência singular – essência essa que irá determinar o nosso ritmo. Compreender a sua velocidade, dominar suas emoções, reconhecer suas reais necessidades, desejos e falhas é sinônimo de autoconhecimento. Portanto, não acelere e não negligencie seu “tempo interior” simplesmente para dizer ao mundo que sua quarentena está sendo produtiva.

Cobrar e culpar-se por tudo, sem respeitar seus limites e seus anseios, sem dúvida alguma só irá aumentar a sua angústia. É muito importante ouvir seu próprio chamado interno. Fazer as coisas ao seu tempo. Lembrando sempre que o prazer na realização das atividades deve estar acima da sua autocobrança de TER QUE…Não se sinta exaurido e nem obrigado a nada. Tudo o que gera desconforto, foge da normalidade.

Portanto, não faça nada por obrigação, sem vontade, apenas para atender ao apelo do bombardeio de sugestões de ocupação em tempos de pandemia. Seja honesto e genuíno com sua essência e seu ritmo. Não force uma motivação. O desejo em realizar qualquer coisa deve surgir naturalmente; para agregar, conciliando benefício e prazer.

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Pixabay

Quando o incômodo se instala, é possível que o equilíbrio emocional seja ferido e que ocorra o acionamento do gatilho para um processo de transtorno de ansiedade generalizada, até de depressão. Não alimente a neurose da produtividade que os tempos atuais têm trazido. Se todo excesso reflete uma falta, tenha cautela para não provocar uma exaustão mental, pincelada por culpas e cobranças, através de uma pressão insana. Viva um dia de cada vez sendo fiel ao seu ritmo e aos seus desejos.

*Andrea Ladislau é Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras;  Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise. Professora Associada do Departamento de Psicanálise du Saint Peter and Saint Paul Lutheran Institute au Canada, situado em souhaites.

O caos mental ocasionado pelo excesso de notícias sobre o coronavírus*

Mundialmente, estamos enfrentando momentos de crise na saúde pública com a disseminação do Coronavírus Disease (Covid – 19). Uma doença que foi identificada pela primeira vez em dezembro de 2019 na China, e está revolucionando o mundo de uma forma geral.

A transmissão se dá por contato próximo com pessoas que foram infectadas pelo vírus, por alguma superfície ou objeto contaminado. E podemos destacar como sintomas da doença a febre acima de 37,5ºC, tosse e a falta de ar, com bastante dificuldade respiratória. E, em casos mais extremos, podendo até chegar a pneumonias graves com insuficiência respiratória aguda, falência renal e de outros órgãos, levando a eventual óbito. Mas, a boa notícia é que os casos que são tratados, em sua grande maioria, não deixam sequelas.

Infelizmente, o coronavírus trouxe muito pânico e medo, por isso, além de estarmos atentos aos aspectos físicos e biológicos relacionados a esta doença, cabe também fazermos uma análise minuciosa de outros pontos relevantes voltados para a saúde mental e emocional das pessoas.

2 Micrografia eletrônica de transmissão de uma partícula do vírus SARS-CoV-2, isolada de um paciente. Crédito NIAID
Niaid

O excesso de notícias e informações tem levado o ser humano a um descontrole e a uma insegurança sem igual. Com o advento tecnológico, a propagação das chamadas fake news (notícias falsas) trouxe um grande impacto viral e, por meio de chamadas sensacionalistas, tendem a prender o público e acabam, assim, por desestabilizar emocionalmente quem consome essas notícias. E a cada minuto surge uma nova notificação nas mídias colaborando por aumentar o medo e o desespero das pessoas. Com isso, é natural a presença de transtornos de estresse pós-traumático, transtornos de ansiedade generalizada, pânico e outros sintomas decorrentes.

Infelizmente, essas são as respostas de nossa mente para a tão temida pandemia que se desenha no cenário mundial. Como estão recebendo uma enxurrada de notícias, as pessoas se sentem inseguras e sem ter muita certeza do que pode realmente ser real, a sensação mais comum é a falta de controle, incerteza com os dias futuros e uma instabilidade relativa a tudo e a todos. Pessoas infectadas ou com suspeita podem, pelo desespero, apresentar comportamentos impulsivos e até evidenciar tendências suicidas.

Definição dos sintomas, causas, tratamento e cuidados com o coronavírus, ainda são pontos que geram muitas dúvidas, portanto é natural que os pacientes infectados ou com suspeita de infecção venham a manifestar, principalmente, o medo das consequências de se portar a doença. Em casos suspeitos ou confirmados, a recomendação é colocar o paciente em quarentena. Estes, no entanto, por estarem isolados, impedidos de realizar suas atividades rotineiras e de manterem contato direto com outras pessoas, podem apresentar sinais que vão do tédio à solidão, incluindo acessos de raiva, intolerância e agressividade.

Os transtornos psíquicos das epidemias podem atingir a todos, inclusive os cuidadores e profissionais da saúde que entram em contato com os pacientes. Transtornos de ansiedade, ataques de pânico, depressão, agitação psicomotora (movimentos indesejados devido ao estresse), delírio e suicídio, são os sintomas mais comuns. O medo, a frustração e ansiedade ocasionados pela possibilidade de se contrair a doença, tirando-os assim de suas atividades e também podendo até deixá-los isolados de suas famílias, são as principais apreensões que povoam a mente dos colaboradores da saúde ao estarem diante de uma situação de cuidado de um infectado. Além claro, da sensação de impotência diante de um possível fracasso no trato e manejo do doente.

Por mais que se tenha uma informação de qualidade e pautada em dados verdadeiros e estatísticos, infelizmente, comprovamos que o ser humano não está preparado para compreender. A fragilidade cerceada pelo medo contribui ainda mais para a potencialização dessa atmosfera de insegurança.

Nestas horas, o que podemos orientar é que as pessoas devem procurar não alimentar mais ainda a sensação de medo e pânico que se instaurou. O vírus Covid- 19 trouxe um verdadeiro estrago para a economia e a paz mundial. Não podemos contribuir com o caos. Devemos evitar as fake news. Buscar as informações corretas e verdadeiras sobre o assunto, não divulgar as falsas notícias e respeitar as orientações da OMS (Organização Mundial de Saúde) que preconiza medidas de cuidado e precaução para não se adquirir a doença e também não disseminar, infectando os outros.

Existem, sim, muitos oportunistas que estão se aproveitando de toda essa situação de desequilíbrio estrutural e emocional, para desestabilizar toda uma sociedade que, já vive sob tensão psicológica desde que os primeiros casos foram anunciados. Ao menor sinal de contaminação deve-se buscar orientação de um profissional de saúde e seguir todas as recomendações necessárias. Informação e prevenção são os melhores caminhos. Tranquilidade e serenidade é o que devemos buscar para nossa vida e para os que estão a nossa volta.

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É certo que vencemos o medo e a insegurança quando trabalhamos a nossa inteligência emocional a favor da razão. Esta fará com que você ultrapasse os obstáculos. Se estiver consciente dos cuidados e precauções, municiado de informações corretas, com toda certeza, você poderá encarar essa situação da maneira mais tranquila, sem pânico e sem desespero. E, o mais importante: sem contribuir para a disseminação das falsas notícias que só trazem angústia e alimentam os transtornos psíquicos de toda uma população.

*Andréa Ladislau é Doutora em Psicanálise, membro da Academia Fluminense de Letras – cadeira de numero 15 de Ciências Sociais. Administradora Hospitalar e Gestão em Saúde. Pós Graduada em Psicopedagogia e Inclusão Social. Professora na Graduação em Psicanálise. Possui clínica terapêutica em Ipanema, Bonsucesso e Niterói, onde atua como psicanalista, atendendo jovens, adultos e casais.

 

Sete passos para superar uma separação conjugal

A separação de um casal, depois de algumas tentativas, às vezes é inevitável. Não é porque o relacionamento chegou ao fim que não deu certo. Muito pelo contrário, pode ter dado muito certo, pois há casais que viveram felizes por anos, construíram uma família, criaram os filhos juntos e agora cada um buscará novos rumos.

“Precisamos estar abertos para a nova fase e, consequentemente, darmos uma nova chance de felicidade. Afinal dor de amor se cura com outro amor”, afirma psicanalista Lelah Monteiro, terapeuta familiar e educadora sexual.

Segundo a especialista, o grande erro de algumas recém-separadas é buscar amores casuais quando ainda estão fechando uma ferida. Relacionamento sem compromisso não pode ter cobrança no início, tem que começar aos poucos, conhecer as pessoas e, principalmente, se redescobrir. Há tempos em uma relação, a pessoa acaba se anulando, não fazendo o que gosta por causa do outro.

“Autoestima é a palavra da vez nestes casos, ter amor próprio, quebrar seu próprio tabus e crenças antigas. Mas por medo de se machucarem, por outro lado, se fecham e não curtem as novas experiências”, explica Lelah.

Ela alerta para as culpas e preocupações excessivas, por exemplo, como filhos, casa e parentes. “A gente acaba se sabotando. Infelizmente é uma caraterística da mulher, que acha que vai fracassar outra vez”.

A seguir, a especialista sugere sete passos para superar uma separação conjugal:

1- Cuide de sua saúde física e mental. Que tal voltar a fazer aquela caminhada matinal ou entrar em uma aula de dança?

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2- Separe um tempo para sair com as amigas, ir ao shopping ou aquele barzinho para uma happy hour?

3- Mude a cor e modelo do cabelo. Um novo visual faz milagres.

4- Sabe aquela viagem que tanto queria fazer? Chegou a hora. Inspire-se no final do filme com a atriz Julia Roberts: Comer, Rezar e Amar!

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Javier Bardem e Julia Roberts em cena de Comer, Rezar e Amar

5- Tente conversar sempre francamente com seus filhos e parentes sobre a separação

6- Se puder, tenha uma relação amigável com seu ex-marido. Esse convívio social é importante para os filhos e netos.

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Ilustração: Kabaldesch0/Pixabay

7- Conheça seu corpo, se toque, saiba como ter prazer também sozinha. Por que não? Há no mercado muitos acessórios e brinquedos eróticos.

Fonte: Lelah Monteiro