Arquivo da tag: psicologia

Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Setembro Amarelo: infográfico traz dicas de autocuidado

A Care Plus faz parte da Bupa, que tem presença em mais de 190 países. Há mais de 28 anos, fornece soluções de saúde premium, por meio de uma ampla gama de produtos (medicina, odontologia, saúde ocupacional e medicina preventiva). É a principal operadora de saúde no Brasil em seu nicho de mercado, atendendo a mais de 1.000 empresas e cerca de 112 mil beneficiários.

A empresa preparou um infográfico com dicas de autocuidado da saúde mental durante a quarentena, especialmente para este mês, quando é realizada a campanha Setembro Amarelo, de prevenção ao suicídio.  Confira:

Fonte: Care Plus

Hoje é o Dia Mundial de Combate ao Estresse; veja dicas

Cinco reflexões importantes sobre o tema que merecem destaque em tempos de pandemia

Há mais de seis meses de convívio com a situação de pandemia do novo coronavírus no país, ainda é difícil definir como ficou a saúde mental dos brasileiros. Essa ‘panela de pressão’ – que colocou os níveis de estresse e ansiedade de boa parte da população nas alturas – continua sendo alvo de pesquisas de muitas instituições nacionais e internacionais. Em meio a esse cenário desafiador para a mente da população global, o Dia Mundial de Combate ao Estresse, comemorado hoje, 23 de setembro, nunca foi tão relevante.

Um pesquisa recente realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de Valencia , na Espanha, reuniu respostas de 22 mil pessoas sobre como o isolamento ou distanciamento social afetou a saúde mental de brasileiros e espanhóis. O levantamento apontou que 51% dos brasileiros responderam ter alterações no controle do estresse neste momento. Nos espanhóis, a taxa foi menor: 34%.

O coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo, Rodrigo Linhares, salienta que o estresse é uma defesa, uma reação a um estímulo numa tentativa de se adaptar a ele. “Certos níveis de estresse, nervosismo ou irritação, portanto, são perfeitamente esperados na vida de qualquer pessoa. O estresse merece atenção quando se aproxima do trauma – quando, na tentativa de adaptação ao estímulo, o sujeito passa a produzir sintomas que trazem algum sofrimento significativo ou quando incidem numa perda de liberdade em relação à própria vida ou nas diversas relações”, exemplifica.

O psicólogo aproveita para elencar 5 reflexões importantes que precisam ser debatidas e também algumas estratégias para enfrentar o estresse neste momento atual que vivemos. Confira abaixo:

1 – Encontrando novos sentidos no mundo moderno

Pixabay

O mundo moderno nos inunda de estímulos, com os quais cada sujeito se inventa para lidar. Nossa vida já é, em si, muito estressora e, num contexto pandêmico, o estresse pode chegar a níveis realmente devastadores. Dedicarmos um dia ao estresse e falar dele é essencial, visto que a melhor saída para o trauma é a possibilidade de encontrar novos sentidos.

2 – Fique alerta aos sintomas


Sintomas ansiosos, depressivos, de intrusão (lembranças, sonhos ou pensamentos que involuntários que acarretam angústia), de evitação (de recordações ou sentimentos) e de excitação (perturbação do sono, comportamento irritadiço e surtos de raiva, hipervigilância, problemas de concentração) são comuns ao estresse. É preciso ficar atento a eles.

3 – Avaliação da vida e combate prático

O estresse é sinal de uma tentativa de adaptação: a insistência dele é um pedido para avaliarmos nossa vida. Primeiro, é válido se perguntar: há lugar para mim, meus desejos e sonhos na minha vida? Segundo, identificar os estressores: o que, como, quando e por que me estresso? Terceiro, verificar alternativas: elas vão sempre visar a si mesmo, seja se afastando de estressores, seja dando lugar e tempo ao que é realmente importante para nós.

4 – Compartilhe o que está vivendo

Foto: Klimkin/Pixabay

Momentos de crise escancaram a fragilidade de nossas vidas. Precisamos dar lugar às pessoas, aos desejos e sonhos, de forma ampla e coletiva. O sofrimento, se partilhado, tem potencial de mudança. O sofrimento vivido de forma isolada, nenhum.

5 – Procure um profissional

Foto: Shutterstock

Após reconhecer o estresse, é importante perceber se a situação é pontual ou recorrente. No segundo caso, busque ajuda especializada. O atendimento profissional é fundamental se houver sofrimento significativo, sintomas diversos e/ou mudanças de comportamento, por exemplo abuso de substância, agressividade ou isolamento.

Fonte: Anhanguera

Setembro Amarelo: relação entre redes sociais e suicídio

Especialista explica como a internet pode ser propagadora de gatilhos e como diálogo pode diminuir incidência de casos

O suicídio, hoje em dia, ainda é considerado tabu por muita gente. Mas não deveria. Afinal, faz uma média de uma vítima a cada quatro segundos no mundo, ou seja, 800 mil vítimas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A psicóloga Ana Gabriela Andriani explica que, em muitos lugares, existe um empecilho extra para tentar diminuir esse número.

“Existe a crença de que, ao falar sobre o assunto, estaríamos, na verdade, propagando ou divulgando o suicídio e suas tentativas”, adverte Ana. No entanto, deveria ser o oposto, falar disso poderia reduzir a incidência de casos.

Redes sociais e suicídio

De acordo com a especialista, as redes sociais, sim, têm sido um meio propagador de gatilhos para as tentativas de suicídio, especialmente quando falamos de jovens e adolescentes. Isso principalmente em um momento em que o consumo da internet aumentou tanto em função da necessidade do isolamento físico social.

O bullying e a constante necessidade de aprovação virtual têm levado cada vez mais jovens a desenvolver quadros de depressão e ansiedade. Um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou que os “heavy users” (usuários que passam grande parte do tempo na internet) possuem três vezes mais chances de sofrer de depressão comparando com aqueles que conferem suas redes sociais com menos frequência.

Já um estudo de 2017 da agência nova/sb analisou mais de 1 milhão de menções ao suicídio nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e Youtube): em 34,2% dos casos eram piadas ou memes, 24,4% eram opiniões, 22,1% citações, 7,5% notícias, 6,3% relatos e 5,5% se tratavam de depoimentos. Os dados também mostraram informações preocupantes: 18,3% das postagens eram falas negativas ou preconceituosas, como por exemplo “conte a um psicólogo, não ao Facebook”, “quem tem depressão não fica em rede social tentando aparecer” ou “quem quer se matar não avisa”. Algumas, inclusive, incentivavam os usuários a tirar a própria vida. “Esses resultados mostram a necessidade de uma abordagem e de um espaço sem julgamentos para sensibilizar e educar e, assim, contribuir com a prevenção”, afirma Ana Gabriela.

Diálogo como prevenção

Para a psicóloga, o diálogo é fundamental. “É necessário falar sobre o assunto. Mas isso não significa apenas divulgar números. É preciso entender o que leva ao suicídio, como é possível prevenir e que o suicídio é uma questão de saúde pública. Precisamos abrir esse canal de diálogo e trazer informações sobre o tema e tudo o que o cerca, como as doenças mentais, saúde mental, o que é e quais são os sinais de comportamento suicida.”

Ela explica que o assunto é complexo e nem todas as pessoas que cometem o suicídio apresentam algum tipo de sinal prévio, por isso que é tão importante erradicar esse preconceito. Outro ponto fundamental para se esclarecer é que muitas vezes não existe um planejamento para tal ato. “Muitas vezes a pessoa busca uma maneira de acabar com algum sofrimento e vê na tentativa do suicídio uma saída. Ela não pensa em morrer, ela pensa em uma solução para aquele momento de dor. É importante esclarecer que nem toda pessoa que comete suicídio planejou a ação, pretendia de fato acabar com a vida ou tinha histórico de tentativas”, analisa.

Ana Gabriela ainda salienta que o preconceito de achar que quem comete suicídio é fraco também não é válido. “Vemos pessoas fortes que, em um momento de desespero, só enxergam isso como saída. Julgar o próximo não vai ajudá-lo”. Desde 2014, ocorre no Brasil a campanha do Setembro Amarelo, que é realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Uma tentativa de levar luz ao assunto.

Foto: MedicalNewsToday

“Quando falamos sobre a prevenção do suicídio, devemos prestar atenção à forma como abordamos o tema. Muitas vezes focamos na morte apenas de pessoas famosas e colocamos uma certa dose de romance no ato, ligando o suicídio ao estilo de vida dessa personalidade, como falta de sono, vida agitada e conturbada, por exemplo. O que é deixado de fora nesses casos, muitas vezes, são as reais causas do suicídio”, diz Ana Gabriela. Ela finaliza alertando que estão no grupo de risco pessoas com esquizofrenia, bipolaridade, borderline e usuários excessivos de drogas e de álcool.

Fonte: Ana Gabriela Andriani é graduada em Psicologia pela PUC-SP, Ana Gabriela Andriani é Mestre e Doutora pela Unicamp. Tem pós-graduação em Terapia de Casal e Família pelo The Family Institute, da Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos, e especialização em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/USP. Possui, ainda, aprimoramento Clínico em Fenomenologia Existencial na Clínica Psicológica da PUC-SP. Ana Gabriela acredita que o autoconhecimento influencia diretamente no trabalho, nas relações afetivas e na qualidade de vida.

Reflexões sobre a tentação que temos em comparar nossa vida com a dos outros continuamente*

No momento em que retomamos discussões e reflexões sobre a prevenção do suicídio neste Setembro Amarelo, temos importantes apontamentos a serem observados. Lembrando que um dos principais deles é não se esquecer de que pensar na prevenção do suicídio – e em ajudar a impedir potenciais candidatos de tirar sua vida – deve ser feito ao longo dos 365 dias do ano. A cada minuto alguém pode estar entrando em estado de total desespero, desamparo e depressão, a ponto de enxergar apenas o suicídio como uma solução definitiva e cruel para aninhar sua angústia.

Uma situação dramática como essa aponta um fator que, com o advento tecnológico e as inovações de redes sociais, fica muito mais evidente: a necessidade que o ser humano possui em estar sempre comparando sua vida com a dos outros, diante das exposições jogadas e expostas nas mídias. Comparar-se é natural, pois estamos em constante busca de critérios para julgar o certo e o errado.

Buscamos referências a todo custo. E as redes sociais nos proporcionam isso com muita facilidade, já que se apresenta como um território bem fértil para adventos comparativos. Mas a maior questão é que devemos nos conscientizar de que existe o lado bom e o lado ruim de tudo. Lembra da história de que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa? Não. Ela não é. O que ocorre é que o é demonstrado nas redes é o que o outro deseja mostrar. A parte que lhe importa. Nem sempre aquela pessoa da foto, com o sorriso mais lindo em um dia ensolarado, está mesmo tão feliz como está aparentando. O que se passa dentro de cada um não pode ser genuinamente evidenciado de forma real.

Cada um possui uma individualidade e vive um determinado contexto particular. Portanto, o maior cuidado que devemos tomar é buscar entender que a internet é uma vitrine irreal. Se a comparação for desigual, certamente o indivíduo que já se encontra fragilizado ou depressivo por qualquer que seja o motivo poderá ter sua autoestima afetada, a partir da criação de falsas expectativas e falsas ilusões – correndo o risco de entrar em um processo de negação de sua própria realidade, recusa de sua trajetória individual e estará sujeito a deixar de trabalhar os mecanismos de ponderação de sua essência.

Na prática, quando ficamos limitados a ver a vida do outro por um único ponto de vista, somos tentados a entrar em armadilhas ilusórias que alimentam apenas o que nos convém. Fortalece os desejos fantasmagóricos que temos em mente, contribuindo para que possamos nos sentir mais inferiorizados, sem ter o discernimento de enxergar que todos temos bons e maus momentos. Situações alegres, positivas, mas também difíceis e angustiantes. E está tudo bem. Isso é perfeitamente normal.

E aqui entra a necessidade, em muitos casos, de se tirar a própria vida, movido por uma tentativa frustrada de evidenciar uma tristeza instalada e mal compreendida. Tristeza que dói. E o ato de suicídio é exatamente uma infeliz decisão de se eliminar essa dor. Portanto, ao perceber que as conquistas do outro estão criando empecilhos para que você consiga criar e valorizar seus próprios passos, ligue seu botão de alerta. Conscientize-se de que cada ser humano é único e tem emoções e sentimentos muito peculiares.

Desejos, metas e conquistas são inerentes a todos. E se o outro consegue, você também pode conseguir. É importante avaliar e refletir o que possa estar lhe impedindo de ter um olhar mais crítico para perceber o que o afasta de sua felicidade. Só quando nos organizamos por dentro é que as coisas começam a tomar forma e a caminhar de vez em todos os sentidos de nossa vida.

Enfim, como mudar essa energia? Como alterar esses pensamentos limitantes? Saiba que uma situação não pode ser mudada apenas se enchendo de certezas negativas. Ao se comparar com os outros, ninguém está te julgando mais do que você mesmo. Fato é que estamos comprometidos com situações que podem nos impedir de seguir em uma busca por uma mente mais saudável. Buscamos respostas e nem sempre as encontramos de imediato. Portanto, encare sua própria mudança interna.

Não se compare a ninguém. Somos seres divergentes. Lições, experiências, necessidades e trajetórias diferentes. O outro não é tão grande e especial assim como lhe parece. Não se sinta insignificante ou menor com aquilo que está sendo exposto em uma rede social. Aprenda a lidar com seus defeitos, pois estes temos todos, até mesmo o carinha mais feliz da internet.

Aquele que parece perfeito e esbanja felicidade a todo minuto, mas que lá no mais profundo do íntimo pode estar tão destruído emocionalmente que não demonstra, não verbaliza ou mesmo não busca ajuda profissional. Veste apenas uma máscara irreal e fica preso a seus sabotadores. Lidamos com dificuldades diariamente e disso ninguém escapa. Fuja da tentação de entrar na desilusão imposta por um feed perfeito, que retrata apenas melhores momentos com filtros aplicados.

Pexels

Portanto, valorize sua vida. Valorize cada dor, cada dúvida e cada conquista. Aprenda que é permitido crescer tanto com as coisas boas quanto com as ruins que acontecem conosco. Tirar a vida por se sentir inferiorizado não o tornará vencedor. Será vitorioso ao conseguir reconhecer suas falhas, suas forças e dentro desse cenário poder promover um autoconhecimento que lhe permita ressaltar suas qualidades e evidenciar o que tem de melhor.

Não meça sua vida pela régua dos outros. Lamentar aquilo que não se tem é uma forma de desperdiçar o que já possui de melhor. Sua vida importa – e muito. Pense nisso e vida cada mais feliz e realizado, perseguindo seus objetivos e conquistando seus espaços merecidos.

Foto: Pedro Costa

*Andréa Ladislau é psicanalista, Doutora em Psicanálise, palestrante, colunista da Academia Fluminense de Letras, Gestora em saúde, Representante Internacional (USA) da University Miesperanza

Será que terapia é para mim?*

Não é de hoje que as pessoas me perguntam qual é o melhor momento para contratar o serviço de um psicólogo. Tem idade? Situação de vida? Será que terapia é para mim? Esses são questionamentos que costumam surgir para os que ainda não experimentaram as vantagens deste tipo de serviço.

Sim, terapia é um serviço que deve ser contratado como outro qualquer. Você não faz dieta, vai no salão de beleza, na manicure, vai na academia, coloca botox, faz limpeza de pele, vai ao dentista, ao médico etc? Deveria ir ao psicólogo também, afinal a cabeça é o elemento mais importante e significativo desse nosso corpinho. Ah, e ela não está em cima do pescoço apenas para enfeite. Ela é responsável pelas nossas funções cognitivas, executivas e comanda praticamente todas as ações que tomamos diariamente, mesmo que você não perceba.

Bom, se você está se perguntando se terapia é para você, a minha dica será sempre um sonoro “sim”. Terapia é para qualquer pessoa, de qualquer idade. Se você acha que tem algo a melhorar na sua jornada enquanto ser vivo, sim, terapia é pra você! Terapia é uma das ferramentas mais importantes de autodesenvolvimento que conheço. Não estou falando apenas de autoconhecimento, mas, também, da capacidade de ter ações diante do ganho de consciência a respeito de si.

Terapia é fundamental para gente que não aceita feedback. Sabe aquelas pessoas que não se responsabilizam por nada? Que estão sempre se colocando no papel de vítimas? Aquelas que culpam o chefe, o colega, a mãe, o pai, os irmãos, o cônjuge, a economia, o presidente, o coronavírus, ou qualquer outra coisa pelas circunstâncias da vida? Tem quem culpe outros indivíduos até pela sua infelicidade.

Terapia é para o sujeito acima. Responsabilizar-se pelas rédeas da vida é uma das primeiras coisas que um bom psicólogo vai te ensinar. E não para por aí, não!

Terapia é um ótimo instrumento para quem se frustra com os nãos que a vida oferece. Para quem não tem persistência, que desiste fácil dos objetivos, que recua dos desafios sem ao menos tentar. Sabe aquelas pessoas que não param em emprego algum? Que ao sinal de primeira dificuldade pedem para sair? Que desistem dos amores por medo de sofrer ou de serem abandonados?

É bem fácil reconhecer essas pessoas. Talvez elas não se reconheçam. Elas têm medo de encarar a própria imagem diante do espelho. Sentem dificuldade em assumir seus erros, suas falhas, de aceitar orientações. Aliás, elas têm extrema dificuldade de ouvir. Ficam presas em um universo próprio e paralelo. Estão sempre repetindo as mesmas atitudes, fazendo a história pessoal se repetir.

Já viu gente que desiste fácil? Que fecha portas ao invés de mantê-las abertas? Que não se despedem de colegas, não agradecem seus pares, seus mentores e até mesmo aqueles amigos de boteco tão queridos? Aqueles que afastam propositalmente as pessoas que amam. Tem muita gente assim por aí. A terapia ajudaria, e muito, essas pessoas a sofrerem menos.

Terapia também é bom para quem tem dificuldade para amadurecer. Acreditem, tem muita de gente de 30 e poucos que se comporta como adolescente. Outro dia observei um grupo de psicólogos debatendo sobre o adolescente mais velho que cada um já havia atendido. Uma delas respondeu: 39 anos.

Tem muito adulto que vive na barra da saia da mãe. Incapaz de ter escolhas próprias, atitudes maduras, que, se deixar, passa o dia na frente da TV ou do videogame. E tem sempre aquela turma do corpo mole. Que finge demência achando que todo mundo ao redor é bobo. Aquele colega que não sabe trabalhar em equipe, que procrastina, que promete o que não consegue cumprir. Que fala um monte de sim, quando deveria falar não.

Aliás, se tem uma coisa que a terapia ensina é a falar não. Um bom psicólogo vai ensinar qualquer pessoa a reconhecer e estabelecer limites. Falar não, ou melhor, saber falar não é uma bênção, uma verdadeira dádiva. E, acreditem, você pode aprender a falar não na terapia.

Psicoterapia e autoconhecimento fazem bem demais. Conheço gente que, ao invés de colocar a culpa dos problemas atuais na pandemia e no desemprego, aprendeu a costurar e anda fazendo dinheiro comercializando máscaras reutilizáveis. Esta pessoa sabe que está nas mãos dela decidir rir ou chorar, agir ou reclamar. E depois ainda vão dizer que ela teve sorte. Ela apenas tomou as rédeas.

Já conheci muita gente superinteligente, com QI altíssimo, mas totalmente disfuncional do ponto de vista emocional. Gente que chora só de pensar no chefe, na meta, no cliente, no compromisso. Que se cobra pelas atividades erradas. Gente que fica doente toda hora. Cai cabelo, tem problema de pele, gastrite, enxaqueca, alergia, doença autoimune e por aí vai. A imunidade está sempre lá embaixo. Aliás, tem gente que só falta ser o melhor amigo do plantonista do hospital mais próximo de casa.

Quando alguém me pergunta será que terapia é pra mim, eu respondo: terapia é pra quem é forte! É para quem é capaz de olhar para dentro de si e segurar o rojão. Quem consegue mergulhar dentro de si e encarar a própria sombra. Seus medos, suas angústias, seu lado vulnerável. Terapia é para quem tem coragem de se desafiar.

Há quem pensa que mudar de cidade, de emprego, de país, de marido ou de namorado resolve. Sinto informar que não! Só muda o problema de lugar, transfere a culpa para o outro e passa a vida infeliz.

Outro dia, durante uma sessão de mentoring, ouvi a história de uma pessoa que aos 65 anos de idade havia descoberto que passou a vida na profissão errada. Não estava feliz com sua carreira, com a empresa e nem com suas conquistas. Nada tinha valido a pena. Eu pensei comigo: ainda bem que comecei a terapia aos 30.

Tempo é vida, é felicidade. Tempo é a única coisa que não volta atrás e que não conseguimos comprar. E, se tem um tempo bem investido nesta minha vida, ah… posso afirmar que é aquela uma horinha semanal com a Ju, minha psicóloga.

É ali que eu descubro uma Tati nova toda semana. Me reinvento! Me percebo frágil e ao mesmo tempo forte. Insegura, mas também determinada, persistente. Ali, naquela uma hora semanal, aprendo a estabelecer meus limites e ser protagonista da minha trajetória de vida. Afinal, a única responsável pelas minhas escolhas e atitudes, certas ou erradas, sempre serei eu! E viva quem inventou essa tal de terapia.

tatiana pimenta

*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude (plataforma pioneira no ramo de saúde mental que conecta psicólogos e pacientes). Engenheira que se apaixonou pela Psicologia, pelo estudo constante do comportamento humano e da felicidade. Com mais de 15 anos de experiência profissional, foi executiva de sucesso em empresas de grande porte. Única brasileira finalista da premiação internacional Cartier Women’s Initiative Awards em 2019. Faz terapia há mais de 8 anos, é maratonista amadora e praticante de Mindfulness.

 

Aumento de 32% de suicídios na quarentena alerta para preocupação com a saúde mental

Psicóloga Ana Gabriela Andriani explica que instabilidade econômica e insegurança são as maiores causas da ação contra a vida

Uma pesquisa realizada em Michigan e divulgado pelo Pine Rest Christian Mental Health Services, um hospital psiquiátrico e profissional de saúde comportamental, nos Estados Unidos, relatou que o suicídio aumentou em 32% durante a quarentena por causa da pandemia mundial causada pela Covid-19.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 800 mil pessoas anualmente em todo o mundo cometem suicídio. Porém, durante o ano de 2020, provavelmente esse número será maior nas estatísticas.

depressão

“A insegurança e o sentimento de vulnerabilidade vividos por conta da pandemia somados a instabilidade econômica, aumentou o número de casos de depressão no mundo. Em alguns países que já retomaram suas atividades econômicas, é possível encontrar milhares de pequenos empresários que faliram. Isso acaba afetando drasticamente a saúde mental das pessoas”, afirma a psicóloga Ana Gabriela Andriani.

Por falar em economia, o Banco Asiático de Desenvolvimento calcula que o custo mundial da pandemia pode chegar a US$ 8,8 trilhões, o que equivale a quase 10% do PIB global. Logo, países como a China, precursora do vírus, está em risco de perder 95 milhões de empregos e os Estados Unidos, país que realizou a pesquisa, já está sofrendo com 20 milhões de empregos extintos.

“É uma situação complicada e, por mais que alguns países estejam tentando voltar ao normal, como o Brasil, por conta da não existência de uma vacina, não temos anda uma situação definida e controlada. . As pessoas se sentem mais ansiosas por conta desta instabilidade e indefinição sobre o futuro e isso desperta diversos gatilhos emocionais”, destaca a psicóloga.

Ainda segundo a pesquisa, as pessoas mais suscetíveis ao suicídio estão sendo os trabalhadores essenciais e os profissionais de saúde que estão na linha de frente em combate ao Covid-19.

Busca por ajuda

discussao conversa terapia

No Brasil, um estudo realizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) mostra um crescimento de 90,5% nos casos de depressão entre os brasileiros desde o início do isolamento social. A pesquisa reuniu respostas de 1.460 pessoas de 23 estados do país.

O estudo também aponta crescimento nos casos de ansiedade e estresse agudos. No caso da ansiedade aguda, a proporção foi de 8,7% para 14,9%, e no caso do estresse, foi de 6,9% para 9,7%.

“É preciso buscar ajuda psicológica logo no início de algum transtorno, ao invés de esperar chegar a uma situação critica. Porém, normalmente o paciente por estar fragilizado, muitas vezes não se da conta da gravidade do que esta sentindo e isso pode requerer a atenção e ajuda dos familiares que estão ao redor. A qualquer sinal de pensamento suicida, contate um médico para ajudar com essa questão”, finaliza Ana Gabriela.

Além da ajuda psicológica, temos no Brasil, o Centro de Valorização da Vida, que ajuda pessoas com esses pensamentos. O CVV pode ser encontrado no telefone 188 ou no site.

Ana Gabriela Andriani

Fonte: Ana Gabriela Andriani é graduada em Psicologia pela PUC-SP e Mestre e Doutora pela UNICAMP, além disso é pós-graduada em Terapia de Casal/Família pelo The Family Institute, Northwestern University – Evanston, IL (USA). Especialista em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/USP e aprimoramento Clínico em Fenomenologia Existencial na Clínica Psicológica da PUC-SP.

O divórcio e as dores emocionais e físicas por ele provocadas

O casamento continua sendo uma idealização para todos, independente de sexo, gênero e condição social. No entanto, a questão que vem sendo levantada é: ao se casar, ambos estão, de fato, preparados? Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), quase 140 mil casamentos são cancelados hoje no Brasil, enquanto em 2006, este número não ultrapassava 80 mil.

mulher segurando alianca separacao

O motivo do crescimento dos registros de divórcio, deve-se a fatores como o estresse diário, a independência financeira individual , mudanças nas leis que facilitam a separação, mas, sem dúvidas, o término do afeto entre os casais continua a ser o motivo principal de uma separação, e é sobre isto que vamos falar hoje.

Pesquisadores da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, estudaram pessoas ao longo de 15 anos e uma das conclusões divulgadas pelo Dayli Mail, foi que, aqueles que passaram pelo divórcio tiveram sua saúde em declínio mais rapidamente, comparados aos que nunca se divorciaram.

Este tipo de pesquisa também confirma que o divórcio pode estar relacionado ao desenvolvimento da síndrome do pânico, da depressão, do câncer de mama, da insônia e do transtorno do estresse pós traumático (TEPT).

casal maduro separacao discussao problemas

“Qualquer término de relacionamento vem cercado de muita tristeza e dor, porque é um momento de luto. É como ter que enfrentar todas as etapas da dor de quando se perde um ente querido. A pessoa terá que aprender a viver sem a outra, que já não fará mais parte do seu dia a dia, de suas atividades, de seus planos. E, na maior parte das vezes, a pessoa que foi deixada sente a dor da rejeição”, explica a psiquiatra e psicoterapeuta Dra. Aline Machado Oliveira, que recebe diariamente em seu consultório pessoas que sofrem as consequências emocionais causadas pelo divórcio.

“O ser humano tem muita dificuldade em aceitar ser excluído, ser rejeitado, porque a dor é inerente; e esta dor emocional pode desencadear quadros depressivos, de ansiedade, insônia ou outros transtornos emocionais”, completa.

coracao machucado separacao

Ela também diz que, quando a pessoa reconhece a dor e aceita que é necessário passar pelo processo de luto, o processo de superação pode ser alcançado, mas cada indivíduo o vivenciará no tempo dele.

Em relação às mulheres que passam pelo divórcio, as preocupações são distintas em diferentes fases da vida. Enquanto o divórcio daquelas na faixa etária dos 30, a maior preocupação, no geral, são os filhos pequenos envolvidos. As mais velhas, na faixa etária dos 50 a 60 anos, não sabem como passarão o resto de suas vidas sozinhas, justo no momento em que estão caminhando para a velhice e se sentindo incapazes de recomeçar.

Assim sendo, não há muito o que discutir: quem está passando esta dor precisa de ajuda e o apoio psicoterápico poderá ser necessário antes, durante e após o divórcio.

Depressão pós-divórcio

terapia shutterstock
Foto: Shutterstock

Aline enfatiza que é necessário observar a si mesmo durante este período pós separação. “Se existir uma percepção de que este luto já foi longe demais, está durando muito tempo, que está começando a impedir o indivíduo de realizar suas atividades, fazer a higiene diária, trabalhar, sair da cama e de casa, é hora de buscar ajuda médica”.

E aí, tanto a psicoterapia quanto a medicação assistida pelo psiquiatra, caso haja necessidade, podem ser necessárias neste período. É importante lembrar que a dor emocional vai passar. Mas, para isto, você precisará levantar e seguir em frente. E neste momento, ter alguém que possa te dar a mão e te ajudar a levantar, faz toda a diferença.

aline machado

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria,e atua há mais de 9 anos com psiquiatria clínica e psicoterapia.
Atendimentos presenciais na cidade de Lajeado -RS. Online para todo o Brasil.

Entenda como a amizade pode ajudar no combate à depressão

Coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo dá dicas de como auxiliar um amigo com sintomas de depressão durante o isolamento social

As mudanças de hábito provocadas pelo surgimento da covid-19 têm impactado não só na saúde física da população, mas também na saúde mental. Um estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS) , divulgado antes da pandemia, revelou que a depressão é um problema crescente no país e já atinge 11,5 milhões dos brasileiros. Além disso, o levantamento mostrou que, no Brasil, mais de 18 milhões de pessoas sofrem de distúrbios relacionados à ansiedade.

O coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo, Rodrigo Linhares, explica que a pandemia tem colaborado para desencadear problemas emocionais, já que esse momento tem gerado um excesso de informações, despertado insegurança, incerteza e medo – pelo desconhecido e de ser contaminado e também pelo exigido isolamento social. Não à toa, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus , afirmou em maio deste ano que o impacto da pandemia na saúde mental das pessoas já era extremamente preocupante .

A importância da amizade

amigas mulheres amizade

O psicólogo explica que o momento que estamos vivendo torna ainda mais importante a proximidade com aqueles que gostamos. “Diante do perigo, o organismo aciona o nosso sistema de luta ou fuga e liberamos o cortisol – conhecido como hormônio do estresse. No caso do coronavírus, entretanto, o isolamento reduz as possibilidades de fuga. Todo esse cenário contribui muito para o aumento dos casos de depressão e também de ansiedade e estresse pós-traumático. Por isso, contar com os amigos nessa fase, mesmo de forma virtual, pode ajudar a lidar com o momento, que é atípico para todos, e ser um fator protetivo para nossa saúde mental”, afirma.

O mês em que comemoramos o Dia do Amigo (20 de julho) é mais uma oportunidade para celebrar e também reforçar os laços de amizade. Ter amigos traz benefícios tanto para a saúde mental como física, pois vínculos afetivos despertam as emoções positivas, promovendo bem-estar. “Alguns estudos mostram, por exemplo, que essas emoções influenciam nos batimentos cardíacos. Um estudo da Universidade Columbia, nos EUA, mostrou que pessoas que tem amigos são normalmente mais felizes, entusiasmados e satisfeitos com a vida”, completa.

Como ajudar

amizade solidariedade depressão mulher pixabay 2

Reconhecer os sintomas iniciais da depressão é essencial para conseguir ajudar quem passa pelo problema. Entre os principais sinais de alerta estão: irritabilidade, desinteresse, falta de motivação e apatia, desespero, sentimento de vazio, pessimismo, sensação de culpa, de inutilidade e de fracasso, além de baixa autoestima. Falta de ânimo ou energia incapacitante também estão nessa lista.

“A pessoa deve ficar atenta se não se sentir capaz de se arrumar, pentear o cabelo, tomar banho; ou executar pequenas atividades domésticas e de home office, por exemplo. Além disso, ter pensamentos obsessivos, falta ou excesso de sono e apetite, interpretação distorcida e negativa da realidade, dificuldade de concentração, raciocínio mais lento e esquecimento também indicam que algo pode estar errado”, explica Linhares.

O apoio de amigos e familiares faz muita diferença para quem está deprimido ou com sintomas iniciais dessa doença. Por isso, o coordenador do curso de Psicologia da Anhanguera Campo Limpo elenca algumas dicas para aqueles que querem contribuir de alguma forma:

• Ouça mais e fale menos;
• Mantenha contato constante, mostre que está “presente” ou peça a alguém próximo;
• Tenha empatia e não faça julgamentos. Evite dar sermão, condenar, opinar ou banalizar;
• Não cobre grandes mudanças de hábitos, pois isso desperta ansiedade. Respeite os limites do amigo;
• Use a tecnologia a seu favor. Com ela, é possível reduzir o isolamento por meio de atividades em rede, como jogos e vídeo chamadas, além de ser um meio para leitura, estudos, psicoterapia on-line e um guia para exercícios físicos, o que ajuda a manter a mente ocupada e corpo em movimento;

Skype- terapia internet
• Incentive a consulta com um profissional. Quando os sintomas se tornam graves a ponto de atrapalhar as relações interpessoais de estudo ou trabalho, além das funções vitais, como sono e apetite, está na hora de buscar auxílio de um especialista.

Fonte: Anhanguera

Dicas para aumentar o bem-estar durante a pandemia

Especialista ensina a estimular emoções, gerar comportamentos e utilizar técnicas de mindfulness para manter uma saúde mental positiva

A quarentena já dura meses em diversas regiões do país e, apesar da flexibilização em alguns estados e cidades, muita gente ainda sofre com os efeitos do isolamento físico. Isso é o que revela um estudo realizado pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), do Rio Grande do Sul. Das 3,6 mil pessoas que participaram do levantamento, 65% dos entrevistados relataram piora na saúde mental durante a pandemia. A percepção faz parte das conclusões da primeira fase da pesquisa chamada de CovidPsiq, que começou em abril e terá duração de seis meses.

Para 46,6% do total, a saúde mental “piorou um pouco” com as restrições à circulação e, para 18,4%, “piorou muito”. Segundo os pesquisadores, quem estava em confinamento apresentou mais sintomas de estresse, ansiedade, depressão e estresse pós-traumático.

Dados como esse chamam a atenção a respeito dos cuidados necessários para elevar o bem-estar, que não é apenas um conceito – é uma ciência. “É o estudo empírico de tudo aquilo que contribui para que as pessoas floresçam”, diz a mestre em psicologia positiva aplicada pela Universidade da Pensilvânia, Flora Victoria.

A especialista conta que essa ciência, aliás, está recebendo um destaque cada vez maior em virtude da sua importância justamente para a saúde mental positiva. Não à toa, a própria Organização Mundial da Saúde (OMS) a define como: “um estado de bem-estar no qual o indivíduo desenvolve suas habilidades, consegue lidar com o estresse do dia a dia, trabalha de modo produtivo e é capaz de dar uma contribuição à sociedade”.

Mas, afinal, o que é bem-estar? “É uma combinação de sentir-se bem e funcionar de modo otimizado. Sentir-se bem se refere a experimentar emoções positivas regularmente. Já funcionamento otimizado é ter controle sobre a sua vida, desenvolver seu potencial, ter um propósito e desfrutar de relacionamentos saudáveis”, explica Flora, que também é Embaixadora da Felicidade no Brasil pela World Happiness Summit.

Manter uma saúde mental positiva, portanto, significa equilibrar as diversas dimensões do bem-estar (físico, emocional, social, intelectual, espiritual, ambiental e profissional) que estão ligadas às diferentes áreas da vida.

Seis dicas para otimizar o bem-estar

De acordo com Flora Victoria, existem alguns comportamentos que podem ser colocados em prática para elevar a qualidade de vida:

pexels mulher colocando tirando mascara
Pexels

• Priorize: faça de você a sua prioridade. Assuma total responsabilidade por sua saúde e seu bem-estar.

relogio triste tempo mulher
• Organize: uma boa gestão do tempo é essencial para que você possa priorizar seus objetivos de bem-estar. Rotinas caóticas não são compatíveis com uma boa qualidade de vida.

mulher dançando
• Energize: estabeleça objetivos que lhe tragam prazer, motivação e entusiasmo. Permita-se ser feliz!

mulher trabalho computador home office
• Otimize: reavalie suas escolhas a partir do seguinte princípio: “estou investindo minhas energias em coisas que me dão o máximo retorno?”.

mão flor gratidao pixabay
Pixabay

• Valorize: inclua mais apreciação e gratidão em sua existência. Saber valorizar os bons momentos da vida aumenta seu bem-estar e sua satisfação.

freegreatpicture-mulher-agenda
• Realize: monte sua própria agenda de atividades diárias e coloque-a em prática imediatamente. Sem ação não há realização.

Mindfulness é um grande aliado

Já ouviu falar em mindfulness? Em tradução livre, essa palavra significa atenção plena.

“O mindfulness nada mais é do que um estado de consciência total no momento presente”, conta Flora. “Ele contribui para diminuir o estresse, elevar a inteligência emocional e o autoconhecimento, além de proporcionar mais calma e tranquilidade, gerar maior equilíbrio entre corpo e mente, aumentar a satisfação e o bem-estar”, completa.

Embora o mindfulness seja geralmente associado à meditação, segundo a especialista em psicologia positiva, existem várias outras formas de desenvolver a atenção plena:

psicologiamindfulnesspixabay

Atividades: qualquer atividade que você realiza pode se transformar em uma prática de mindfulness. Basta que você fique totalmente focado no que está fazendo.

mulher ouvindo musica na cama fone de ouvido

Sons: ouça conscientemente os sons de seu ambiente. Se estiver escutando uma canção, concentre-se no ritmo. Um estudo do Centro de Pesquisa de Acústica em Música da Universidade de Stanford mostrou que a música pode estimular as ondas cerebrais para ressoar em sincronia com a batida. As rápidas trazem uma concentração mais nítida e um pensamento de alerta. Já um ritmo lento promove calma e leva a um estado meditativo.

chuveiro banho mulher rosto

Sensações: as sensações físicas podem oferecer outra oportunidade para a consciência plena. Preste atenção em suas sensações, tanto físicas quanto emocionais. Embora isso possa ser feito em qualquer lugar, uma técnica adicional para focar a sensação é praticar a atenção plena no banho. Sinta o prazer de estar aqui e agora em meio à água.

comer mastigar boca garfo mulher

Paladar: comer de forma consciente tem sido usado de modo eficaz por pessoas que tentam emagrecer e querem sentir melhor o sabor da comida. Experimente saborear cada mordida, gole ou colherada. Coma devagar e sem pensar em mais nada, prestando total atenção no gosto, na textura e no aroma.

mulher limpando tapete diy network
Foto: DIY Network

Pensamentos: um dos principais obstáculos que as pessoas experimentam quando tentam focar o presente é a dificuldade de limpar a mente, isto é, não se perder no constante fluxo de pensamentos. Para lidar com isso, você pode deixar os pensamentos irem e virem, sem se envolver com eles. Outro modo é realizar alguma atividade cotidiana, como limpar a casa ou cuidar do jardim, colocando o foco nas ações que você realiza – e não no que se passa em sua mente.

mulher dor peito respiracao healthline

Respiração: colocar a consciência na forma como você respira é uma técnica eficaz de mindfulness. Inspirar e expirar devagar, sentindo cada movimento, contribui para o relaxamento físico, mental e emocional.