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5 maneiras de avaliar se a psicoterapia está funcionando

O professor de psicanálise Ronaldo Coelho apresenta maneiras e pontos importantes de avaliar se a psicoterapia realmente está surtindo efeito.

Como julgar a real necessidade da terapia?
Sentimentos de bloqueio a si mesmo, percepção de que todos os dias não estão sendo tão produtivos como eram antes, sentimento de emoção instável, insegurança e/ou pessimismo são alguns dos sinais que a terapia pode ser uma boa alternativa para driblar isso tudo e salvar a saúde emocional.

Ilustração: Serena Wong/Pixabay

Autoconhecimento, confiança e responsabilidade nas ações
Iniciado o processo, quando a relação com os outros começa a se fortalecer e o paciente começa a estabelecer novos relacionamentos mais facilmente e as pessoas próximas começam a responder às melhorias que observam. Outro ponto é saber lidar com as situações que normalmente incomodavam, mas que agora são facilmente encaradas. E mais: quando a pessoa aprende a aceitar que pode ser o único responsável pelo que sente é mais um sinal que de a terapia está dando certo.

Entre uma sessão e outra
Se intervalo entre as sessões são momentos que deixam tão bem quanto o momento das conversas é um sinal de que toda a terapia está sendo transportada para a rotina. É um excelente sinal, segundo Ronaldo. “Alguns dizem que é entre as sessões que a terapia realmente acontece”, fala.

Mudanças de pensamentos e de comportamentos
Se os pensamentos negativos ou destrutivos, estão dando mais lugar para os positivos e construtivos esse é um bom indicativo de que as coisas estão melhorando. Se ainda, os hábitos ruins estão ficando para trás, então, esse é um sinal positivo de que a terapia está funcionando.

Dreamstime

Como saber a hora de parar
Terapia não tem tempo estabelecido. Pode ser curta e surtir efeito ou necessitar de mais tempo para que todas as questões sejam trabalhadas. Mas, de modo geral, é natural a sensação de força que invade quem está se sentindo pronto para encarar o mundo sem a necessidade da ajuda da psicoterapia. Já outros, podem sentir que nenhuma mudança tenha mesmo que ocorrer dentro de si para que se sinta pronto. A não mudança, nesses casos, é exatamente o ganho obtido na psicoterapia. Esse pode ser um caso em que o paciente fique com a sensação de que a terapia não está funcionando, mas a mudança mesmo nem sempre é algo que se modifique — de fato.

Por que a morte de alguém famoso mexe tanto com as pessoas?

Junior Silva, psicanalista e especialista nesse assunto, conta como superar o luto e o que podemos aprender nessa fase

Estamos vivendo um momento atípico em nossas vidas. Por conta da Covid-19 algumas pessoas estão perdendo amigos e familiares. É quase impossível não conhecer alguém que tem uma história para contar sobre essa doença. Na noite da última terça-feira, 4 de maio, o ator e humorista Paulo Gustavo, faleceu, aos 42 anos, vítima da doença.

Muitas pessoas, mesmo sem conhecê-lo pessoalmente, ficaram emocionadas e sofreram com a morte dele. Nas redes sociais havia muitas homenagens e mensagens, realmente houve uma comoção nacional.

Junior Silva, psicanalista, hipnólogo e coach esclarece o motivo pelo qual a morte de celebridades mexe tanto com as pessoas. Ele também explica mais sobre o luto e deu algumas dicas valiosas de como passar por esse período.

O que é o luto?
Junior Silva:
O luto é um conjunto de sentimentos de uma perda significativa, que pode ser gerada por uma morte ou qualquer situação na qual temos a certeza que é irreversível, ou seja, não temos mais o que fazer ou viver com aquela pessoa ou situação.

Por que o luto é importante?
Junior Silva:
Viver o luto é organizar nossos sentimentos, é encerrar uma etapa da vida que não podemos mudar e recomeçar outra. Quando reprimimos, corremos o risco de trazer consequências emocionais lá na frente, pois, o que não é resolvido, um dia nossa mente vai cobrar. Eu atendo uma paciente dos Estados Unidos que não conseguiu viver o luto da perda da mãe, houve negação e, devido a distância, ela não conseguiu chegar a tempo para se despedir e vivenciar aquele encerramento de ciclo. Essa negação do luto trouxe consequências físicas nela, ou seja, sentia dores psicossomáticas – que tinham raiz emocional -, e a maioria dos sintomas era o mesmo que a mãe teve na luta contra o câncer. Quando ela vivenciou o luto e se reconciliou com seus sentimentos e a perda, suas dores desapareceram.

O ator Paulo Gustavo/Reprodução Instagram

Por que a morte de pessoas famosas mexe com a gente? Por que ficamos tristes e abalados com a perda de uma pessoa que não conhecemos pessoalmente?
Junior Silva:
Quando perdemos um familiar, perdemos alguém que gerou diferentes sentimentos, como, por exemplo, felicidade, mágoas, tristezas e alegrias. É um conjunto de sentimentos e ações que fomos convivendo ao longo da vida. O que não acontece quando perdemos uma celebridade. Esta nos inspira, nos transmite alegria, fé e momentos divertidos. Ao perder uma pessoa famosa que admiramos, perdemos alguém que fala o que não falamos, faz o que não conseguimos, devolve o riso, a inspiração, a esperança que não vemos em nós. Paulo Gustavo foi uma pessoa incrível e um profissional maravilhoso. Ele transmitia fé e esperança não só nos papéis, mas também na essência. Nunca estamos preparados para as perdas e, principalmente, a morte de pessoas nos inspira a ser melhor, nos diverte e nos dá esperança de uma vida melhor e mais leve.

Por que não estamos preparados para a morte?
Junior Silva:
Porque não fomos ensinados a perder, não gostar da perda é muito cultural.
Por exemplo, um país pequeno, o Butão, é chamado de o mais feliz do mundo; e como eles lidam com a morte? Eles não a veem como fim, mas como uma passagem para uma nova vida, na qual a pessoa tem o direito de viver o novo. Eles fazem algumas reuniões pós-morte para relembrar o legado, o bom que esta pessoa construiu, tendo consciência que se fez o melhor sem dívida um com outro.

Como podemos passar pelo luto com mais facilidade?
Junior Silva:
A dificuldade de viver o luto acontece muito quando nos sentimos em dívida com quem nos deixou. Por exemplo, não fiz isso, não disse aquilo e agora não posso mais. Vivenciar com mais facilidade é reconhecer o quanto foi importante o outro em nossa vida, e que tudo que vivenciamos de positivo ou negativo se tornará daqui para frente um legado de vida e não de destruição. Dependendo das dívidas que temos e como lidamos, precisamos, às vezes, de um auxílio profissional.

O psicanalista Júnior Silva

O que podemos aprender com o luto?
Podemos aprender que tudo tem fim e que precisamos vivenciar o hoje como se fosse o último dia! O luto bem vivido nos traz o reconhecimento da importância do que o outro deixou de especial, pois o que perdemos pode não estar mais presente no dia a dia, mas estará no coração para o resto da vida. Uma coisa muito importante: o luto não é o fim, mas o começo de um novo tempo de alguém ou de algo que nos ajudou a ser o que somos hoje. Como Padre Marcelo Rossi sempre diz: “Saudade sim, tristeza não”.

Os estigmas da mulher separada – por Daniel Lacerda*

Estamos na segunda década do Século XXI, mas percebo que ainda existem muitos tabus em relação ao divórcio, principalmente associados à uma visão de derrota, de uma relação que não deu certo. São preconceitos que persistem, especialmente no caso das mulheres; lembrando que a lei do divórcio foi promulgada em 1977.

É óbvio que quando as pessoas se casam, o intuito é manter a relação até o fim da vida. Mas entre o casamento e o fim de uma vida há muitas situações que podem mudar o rumo da história. E isso não pode ser entendido como um erro. Talvez, algumas relações se acertem exatamente quando o casal se separa; do contrário, a caminhada poderia ser, de fato, muito ruim, muito triste para ambos. É importante entender isso para não ficarmos na busca de explicar o inexplicável.

No passado – e ainda uma realidade em muitos núcleos sociais -, havia a ideia de que mulher saía de casa para o altar já com a sentença de “produto sem devolução”. As preocupações por trás dessa sentença talvez estejam relacionadas ao aspecto financeiro. O marido assumia o papel de provedor da casa. Significava dizer que a mulher, caso o casamento terminasse, é que deveria assumir as responsabilidades pelo seu próprio sustento.

Outro estigma social que ainda persiste é a ideia de que a mulher solteira, a mãe solteira, separada ou divorciada, é alguém que “não segurou o casamento”. Historicamente, a mulher separada não era bem vista, era sinônimo de leviana e, até mesmo, representava um risco para outros casamentos. Não era bem-vinda socialmente. E todos esses estigmas e preconceitos tomavam – e tomam ainda, em muitos casos – uma proporção maior quando a mulher tem filho.

É óbvio que atualmente todos esses preconceitos são bem menores ou praticamente desapareceram, dependendo do meio social que essa mulher frequenta; mas o fato é que, no geral, ainda existem e também estão por trás do sofrimento de quem se separa e não quer passar a ser vista dessa forma, como alguém que não deu certo.

Existe ainda a dificuldade da mãe solteira de seguir sua vida, mantendo suas amizades e o direito a cultivar seus hobbies e diversão. É fato que quando muitas pessoas encontram ainda hoje uma mãe se divertindo ou viajando sem o filho, a pergunta logo é: onde seu filho está? Isso porque o papel do cuidado com a criança está intrinsecamente ligado à mãe, o que certamente não acontece com o pai. A percepção ainda é de que esse papel é totalmente atribuído à mãe.

Apesar desses preconceitos estarem diminuindo com o tempo, com as conquistas femininas de autonomia e liderança no trabalho e em sociedade, esses estigmas ainda são evidentes. E são também um peso a mais em um momento tão crítico e conflitante que é o do rompimento da relação conjugal.

É importante que a mulher se liberte das amarras sociais e entenda que ser separada não significa que algo tenha dado errado em sua vida. A mulher separada, a mãe solteira, todas têm o direito de usufruir de momentos de lazer, independente de terem filho ou não; e devem seguir suas vidas sem o peso desses preconceitos. São conquistas que, certamente, farão o processo da separação e do divórcio ser encarado de forma bem mais salutar.

*Daniel Lacerda é Psicólogo Clínico, colaborador do site Idivorciei, especialista em Saúde Mental.

Cultura do cancelamento digital reforça importância do Setembro Amarelo

A campanha de prevenção ao suicídio é um dos meios para conscientizar as pessoas e alertar que não existem dificuldades impossíveis

Em meio ao período de isolamento, a campanha de Setembro Amarelo ganhou ainda mais força, infelizmente agravaram-se os números de suicídios nos últimos meses, provavelmente causados pela pandemia. A quarentena já é motivo suficiente para encontrarmos neste ambiente sérias consequências à saúde mental.

E não só isso, a cultura do cancelamento dentro das redes sociais digitais também pode ser considerada umas das causas que levam as pessoas a cometerem o ato. A prática de cancelar alguém surgiu na internet, como uma forma de demonstrar que certas opiniões são inaceitáveis. Contudo, o cancelamento as vezes passa dos limites, acarretando em um número maior de pessoas buscando pela aprovação a todo custo.

Falar sobre a campanha se tornou ainda mais importante, visto que o Brasil já ocupa a oitava posição entre os países que mais cometem suicídios no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O tema merece muita reflexão, uma vez que não existe uma única razão que explique as angústias e sofrimentos das pessoas que decidem pôr fim à própria vida.

“Existe um conjunto de fatores que podem levar uma pessoa a cometer o ato de suicídio, entre eles, a depressão e ansiedade que costumam ser consideradas ‘gatilhos’. Um outro motivo pode ser o sentimento que o cancelamento traz. Dentro das redes existe um grande medo de julgamentos, já que estamos constantemente buscando aprovação de outras pessoas”, afirma o Coordenador do Curso de Psicologia, do Centro Universitário Unimetrocamp, Professor José Anizio Marim.

“O cancelamento é perigoso, pessoas estão recebendo punições que não merecem, e isso acaba expandindo ainda mais os sentimento de ansiedade e depressão, podendo causar reflexões e mudanças de postura. Existe também a possibilidade de isso se tornar um estopim para um encadeamento de pensamentos negativos, que devem ser mais evidenciados neste Setembro Amarelo”, completa o professor.

O intuito do Setembro Amarelo é conscientizar o quanto a vida é importante, e alertar as pessoas de que não existem problemas ou dificuldades impossíveis. Além de dar informações, entender os motivos de cada pessoa, conversar e demonstrar empatia são passos fundamentais para impedir os pensamentos de querer terminar com a vida.

Fonte: Centro Universitário Unimetrocamp

Setembro Amarelo: como cuidar da saúde mental na terceira idade?

Levantamento do IBGE aponta que pessoas entre 60 e 64 anos são as mais afetadas pela depressão no país

Assunto que ganhou muita visibilidade na última década, a saúde mental é pauta de diversas discussões que habitam desde o ambiente corporativo até as redes sociais. Porém, é perceptível o foco majoritário nos jovens, quando falamos de doenças psicológicas, como a depressão e a ansiedade. Isto porque as associamos às fases ativas, cheias de insegurança e questionamentos, como se a maturidade extinguisse essas características da personalidade de todos os indivíduos.

A verdade é que a terceira idade é uma fase que contém novidades como qualquer outra, mas os parentes e outras pessoas jovens próximas dos idosos podem não saber lidar direito com ela. A depressão nessa idade, por exemplo, pode se manifestar de maneira diferente da usual tristeza, falta de motivação etc., “muitas vezes o aumento de dores físicas e a perda de memória são resultantes de uma doença psicológica”, explica Marco Maximino , psicólogo membro da plataforma Doctoralia.

Segundo levantamento feito pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2019, pessoas entre 60 e 64 anos são as mais afetadas pela depressão no país, representando 11,1% dentre os 11,2 milhões de brasileiros diagnosticados com a doença.

Outro ponto de atenção quando se toca no assunto com os mais idosos é a questão geracional. “Há algumas décadas, as doenças psicológicas eram vistas como ‘frescura’, ‘falta do que fazer’, principalmente por pessoas que cresceram em um ambiente atarefado, trabalhando desde cedo ou que constituíram família ainda muito jovens, o que era comum há 25, 30 anos”, conta o especialista.

Assim, a dica de Maximino é que os mais jovens ao redor tentem dialogar e explicar para as pessoas que estão envelhecendo a importância de exercitar o corpo e a mente. “Estimular uma alimentação saudável, por exemplo, é um passo importante para que os idosos tenham mais qualidade de vida. Pessoas que fazem algum tipo de acompanhamento psicoterapêutico também podem compartilhar suas experiências de maneira a exemplificar os benefícios que têm tido a partir delas”.

Além disso, é preciso lembrar que os tempos mudaram e os mais velhos também podem e devem estar antenados. “Incluí-los nas atividades digitais, apresentar conteúdos que possam os interessar em canais da internet, auxiliá-los e incentivá-los na interação com tecnologias as quais não estão habituados, pode ser uma grande ajuda para dispersar sentimentos de solidão ou até mesmo de obsolescência, sem contar que é uma ótima maneira de aproximar as gerações”, finaliza o psicólogo.

Fonte: Doctoralia