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Setembro Amarelo alerta para os preocupantes números de depressão

No mês de prevenção ao suicídio, a atenção volta-se para a doença que se tornará a mais incapacitante a partir de 2020

Criado em 2015, o Setembro Amarelo tem como objetivo a conscientização para prevenção do suicídio. Em seu quinto ano, a campanha tem crescido devido ao aumento desenfreado de casos de transtornos mentais, como a depressão, muitas vezes responsáveis por criar nas pessoas o desejo de tirar a própria vida.

Para combater esse mal, o Setembro Amarelo alerta para a necessidade de falar sobre depressão, suicídio e outros transtornos que ainda são considerados tabus em diversos setores da sociedade. “É um mal silencioso, pois as pessoas fogem do assunto e, por medo ou desconhecimento, não veem os sinais de que uma pessoa próxima esteja com ideias suicidas”, aponta o movimento.

Dados divulgados pela própria OMS corroboram com o que diz o movimento. De acordo com o órgão, nove em cada 10 casos de suicídio poderiam ser evitados. Por isso, a necessidade de busca por ajuda de pessoas com transtornos mentais, mas também de sensibilização daquelas que estão ao redor de quem apresenta comportamentos que indicam tendências suicidas.

Alguma coisa está fora da ordem

Estudos chancelados pela OMS em 2018 mostram que 800 mil pessoas se suicidam todos os anos, e que essa é a segunda principal causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. No Brasil, os números também assustam. Em setembro do ano passado, o Ministério da Saúde revelou que, em média, um caso de suicídio acontece a cada 46 minutos no país.

Não por acaso, os dados ligados a transtornos psicológicos também são alarmantes. De acordo com a OMS, em estudo divulgado no ano passado, 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão ao redor do mundo. Não à toa, essa será a doença mais incapacitante do planeta a partir de 2020.

“Muitos motivos podem levar pessoas a tirarem suas próprias vidas, como estresse, problemas financeiros ou amorosos, doenças crônicas e dores, mas o suicídio está diretamente ligado à depressão. E ambos têm apresentado números preocupantes”, afirma Melina Cury Haddad, psicóloga da Care Plus.

Até mesmo quem parece ter a vida dos sonhos está suscetível a esse mal. Recentemente, o comediante, ator e youTuber Whindersson Nunes precisou se afastar do público para se cuidar da depressão. Em 2018, o maior medalhista olímpico da história, o nadador norte-americano, Michael Phelps, também revelou lutar contra o distúrbio e a ansiedade. Outro que fala abertamente da dificuldade de lidar com a depressão é o premiado ator e humorista Jim Carrey.

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Novo cenário pede novos serviços de saúde

A atenção a comportamentos preocupantes nas pessoas ao redor, como alterações no humor, no sono e no apetite, desânimo, fadiga excessiva, entre outros, é fundamental. “Ao perceber algum colega ou familiar nessa situação, ofereça apoio, ouça com gentileza, adotando uma postura livre de julgamentos ou sermões, e auxilie a pessoa a procurar ajuda profissional, pois a depressão é uma doença e deve ser tratada como tal”, comenta Melina.

Foi justamente com isso em mente que a operadora de saúde Care Plus criou um novo programa. O Mental Health é focado em saúde mental e busca entender qual a melhor jornada para os pacientes que precisam de tratamento para doenças mentais. Trata-se de um programa que vai além do que a ANS exige e fornece tratamento personalizado, avaliando a necessidade de cada indivíduo para poder dar o melhor cuidado.

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Fonte: Care Plus

 

Ataque de pânico: o que fazer diante de uma crise? por Tatiana Pimenta*

Ataque de pânico? Talvez você já tenha testemunhado ou vivenciado um, sem saber reconhecer o que ocorreu

Os sintomas físicos de um ataque de pânico são semelhantes aos de um infarto: taquicardia, dores no peito, formigamento (nas mãos, pés ou rosto), sudorese, náusea, respiração acelerada, tontura… E muito medo de morrer, de não conseguir escapar daquela situação.

O quadro assusta e, corretamente, a pessoa procura por ajuda médica. Após os exames, vem o diagnóstico: não há nada de errado com o coração. A saúde física está íntegra. Nesses casos, o próprio cardiologista costuma orientar o paciente a procurar por um psicólogo ou psiquiatra, pois seu mal-estar súbito é, na verdade, uma resposta à ansiedade.

Ataques de pânico são mais comuns que você imagina

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Os ataques – ou crises – de pânico são muito comuns. Acometem cerca de 11% da população adulta, anualmente. E estima-se que 90% das pessoas passará, em algum momento da vida, por esse tipo de experiência. Porém, os esclarecimentos sobre o assunto, infelizmente, ainda não acompanham essa frequência.

A falta de informação faz com que muitos banalizem a situação. Ou atribuam imperícia ao médico que afirma que o coração vai bem. Chamar de “ataque de pânico” todo aquele conjunto de reações atípicas e tão intensas, pode gerar mais dúvidas do que explicações.

Pensando nisso, produzimos este artigo, que tem o intuito de servir como uma espécie de “manual de instruções” sobre o tema. Reunimos as principais questões e buscamos oferecer respostas de fácil entendimento, para que você compreenda o problema – e saiba o que fazer diante dele.

Quais as causas de um ataque de pânico?

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Se a pessoa teve um ataque de pânico, então é porque ela teve muito medo de alguma coisa, certo? Errado! O nome desse distúrbio deve-se mais à reação, em si, do que ao motivo que a desencadeia.

Geralmente, quem passa por uma crise de pânico, narra que, antes do fato, estava tudo normal, sem nenhum perigo iminente. Até por isso fica complicado entender o que aconteceu, já que a causa não parece concreta.

Embora pesquisadores se dediquem a decifrar o que, especificamente, suscita a crise, suas conclusões não são precisas. Não é possível, portanto, prever um ataque de pânico.

Contudo, após a ocorrência do episódio, as principais hipóteses observadas são:

– predisposição genética;
– perturbação do sistema fisiológico;
– efeito colateral de medicamentos (corticoides, anfetaminas, remédios para enjoo ou enxaqueca, por exemplo);
– uso de drogas;
– eventos estressantes (como perda de emprego, ruptura de relacionamento, falecimento de familiar…), que podem ter ocorrido até um ano antes da crise;
– histórico de traumas (abuso sexual, acidente, assalto, sequestro…);
– neuroticismo (ansiedade, depressão, baixa autoestima, pensamentos negativos exagerados e tendência a sentimentos de culpa);
– acúmulo de tensões ou inibições.

Quem pode sofrer um ataque de pânico?

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Segundo estatísticas, os ataques de pânico afetam jovens a partir dos 15 anos de idade. Entre os 25 e 40 anos, os índices são altos. Crianças são alvos menos comuns dos episódios, embora existam relatos – especialmente quando verifica-se a causa associada a medicamentos, estilo de vida marcado por muitas cobranças ou violência.

Fora a questão da faixa etária, ainda é possível perceber maior incidência entre as mulheres. Outros fatores, como estado civil, grau de escolaridade, renda, etnia… não sugerem qualquer relevância.

Quanto tempo dura uma crise?

Para algumas pessoas, o ataque pode durar poucos minutos. Para outras, algumas horas. O mais frequente é que aconteça num intervalo entre 10 e 30 minutos. Porém, mesmo após os sintomas principais cessarem, sensações desagradáveis podem persistir.

Quando acontece o ataque de pânico?

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Conforme pontuamos anteriormente, o momento da crise é súbito. Inesperado e sem um contexto em particular. Mas, e nas circunstâncias em que ocorre um mal-estar com os mesmos sintomas, sendo o evento desencadeador perceptível? Por exemplo: quando a pessoa precisa se expor para falar em público ou enfrentar uma situação desafiadora, como uma prova?

Sempre que for possível identificar o que gerou a perturbação, é preferível referir-se à desordem como crise ou ataque de ansiedade, intimamente associada ao transtorno de ansiedade generalizada. Os termos se confundem e, muitas vezes, aparecem como sinônimos. Afinal, geralmente estão interligados. Lembre-se que a ansiedade é, justamente, uma das causas dos ataques de pânico.

Enfim, a questão é que as crises de pânico, propriamente ditas, não tem hora nem lugar para acontecer. Podem se manifestar durante uma atividade corriqueira, um passeio, uma sessão de cinema. Mesmo quando estamos dormindo a possibilidade existe! O ataque de pânico noturno tem a mesma duração dos ataques diurnos e apresenta sintomas físicos semelhantes: palpitações cardíacas, suor excessivo, sensação de sufocamento… E, claro, o medo.

Qual a diferença entre ataque de pânico e síndrome do pânico?

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A diferença básica está na periodicidade. Quem sofre um ataque de pânico pode passar a vida inteira sem experimentar uma nova ocorrência. Já nos casos em que a síndrome do pânico é diagnosticada, os ataques são recorrentes.

A frequência é variável: uma vez ao ano, algumas vezes ao mês, todos os dias… Em certas situações, a pessoa enfrenta várias crises num curto intervalo de tempo (uma semana, por exemplo) e depois passa longos períodos sem enfrentar novos episódios.

O importante é que a frequência não seja negligenciada: necessita de tratamento. Do contrário, o “medo do medo” pode trazer sérias restrições. Uma das consequências é a agorafobia, que inviabiliza uma série de atividades rotineiras e impacta, severamente, nas relações sociais, profissionais, na qualidade de vida e bem-estar.

Quando ocorre o ataque de pânico, o que fazer? Como ajudar alguém em crise?

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O remédio é, obviamente, o antagonista da causa. Ou seja: a calma. Querendo ajudar alguém, ou a si próprio, numa circunstância dessas, lembre-se que qualquer atitude abrupta apenas piorará o quadro. Por exemplo: não segure a pessoa, não empurre um copo d’água, não a conduza para outro local à força. Também não fique agitado, falando demais ou muito alto. O ideal é fazer perguntas gentis, em tom suave e pausado, mostrando-se solícito.

Além de postura que inspire tranquilidade, você pode utilizar algumas técnicas. Todas tem o mesmo objetivo: afastar o pânico e promover serenidade. Se você sabe que sofre com o transtorno, pode se valer delas. Se conhece alguém que sofra, compartilhe as dicas!

E tenha em mente que descobrir como controlar as crises necessita do processo de autoconhecimento – do corpo e dos gatilhos mentais que funcionam para restabelecer sua normalidade.

1. Controle a respiração
A sensação de asfixia ou a hiperventilação são sintomas recorrentes de ataque de pânico. Dizer para si mesmo, ou para o outro, “respire normalmente” parece pouco eficiente, não é mesmo? Nessas horas, é importante conhecer estratégias que facilitem esse controle. Uma técnica bem simples é a de contar até 4. Consiste em inspirar, contando até 4, dar uma pequena pausa e expirar, contando até 4 novamente. Vá repetindo o processo, sempre atentando para fazer o exercício com calma, desacelerando.

2. Repita um mantra
O mantra é uma frase simples, que deve ecoar na mente ou ser dita em voz alta. Novamente, lembre-se que a velocidade é a chave.”Vai ficar tudo bem”, “logo vai passar”, são bons exemplos de mantras. Tente deixar as palavras longas, demoradas, para auxiliar no controle da inquietação.

3. Procure por um local sossegado
Multidões, profusão de luzes, sons… Difícil concentrar-se no próprio corpo com tantos estímulos externos, não? Sendo possível, procure se afastar – ou afastar a pessoa em crise – de lugares “tumultuados”. Se estiver ajudando alguém, recorde que não é para arrastá-la do espaço onde está. Convide-a a lhe acompanhar. Ofereça apoio, não um empurrão. Se for inviável encontrar um lugar mais silencioso – se estiver na rua, por exemplo – procure por um local onde se sinta mais protegido, encoste-se numa parede e foque sua atenção num ponto específico, num objeto. Descreva-o para si mesmo.
Ou feche os olhos – sempre ajuda – e mentalize um lugar que represente sossego para você.

4. Aplique a técnica do 5, 4, 3, 2, 1
Essa estratégia auxilia a pessoa a distrair-se dos sintomas, conduzindo a concentração ao “aqui e agora” concreto. Também, pelo desvio de foco, afugenta os medos de morrer ou enlouquecer, tão corriqueiros nas crises de pânico.

A instrução é de que se olhe no entorno e diga:
5 coisas que pode ver;
4 coisas que pode tocar;
3 sons que consegue ouvir;
2 cheiros que pode identificar;
1 coisa que consegue sentir o sabor.

5. Inale óleo essencial de lavanda
Os óleos essenciais são concentrados de plantas, cujos efeitos por inalação ou contato com a pele são estudados pela aromaterapia. O óleo de lavanda é um dos mais populares e seguros. É um cheiro conhecido por nós, já que suas versões sintéticas são extensivamente empregadas – de produtos de limpeza a cosméticos e perfumes.
Existem vários estudos que atestam sua influência como agente tranquilizante, inclusive melhorando a qualidade do sono.

Existe tratamento para ataque de pânico?

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Sim, existem medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos), que apenas o médico pode prescrever. Caso receba essa recomendação profissional, não se abstenha de usá-la. Porém, a medicação, sozinha, nunca é a melhor solução. É importante realizar atividades físicas, descobrir técnicas de relaxamento, investir na meditação.
E, principalmente, contar com um processo terapêutico, sendo especialmente útil a terapia cognitivo comportamental.

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*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude. É engenheira formada pela UEL com MBA executivo pelo Insper. Executiva com 15 anos de experiência profissional em empresas como Votorantim e Arauco do Brasil. Apaixonada por psicologia e comportamento humano, faz psicoterapia pessoal há 7 anos. Também é maratonista amadora, palestrante, leitora voraz e colunista de comportamento, inovação e empreendedorismo.

Como a microfisioterapia pode ajudar nos relacionamentos

Descobrir memórias traumáticas não é algo simples e nem pode ser feito por qualquer pessoa. Nosso corpo guarda essas informações com o intuito de nos proteger da dor. Mas, ao contrário, pode provocar dores e doenças sem que percebamos, e influenciar nossas relações.

Curar nossa forma de lidar com os relacionamentos pode ser uma urgência, ainda mais quando entramos em um mês de comemorar o dia dos namorados, e pode ser que você esteja em uma relação tóxica ou sozinho, fugindo de se relacionar. E as causas dessas situações nada ideais? Pode ser uma decepção recente, um amor que não deu certo e deixou marcas. Mas pode ser que as causas sejam muito mais profundas e que a mente consciente não consiga explicar. E aí, como fazer?

Ocorre que algumas situações, quando são muito traumáticas, acabam sendo apagadas da nossa memória consciente. É uma forma do corpo tentar nos proteger de passar novamente pela lembrança daquela dor. Mas o organismo não deixa passar nada. As memórias traumáticas varridas do cérebro acabam alojadas em células dos nossos tecidos. A microfisioterapia mapeou o corpo humano e conseguiu verificar em que partes cada tipo de memória fica gravada, possibilitando inclusive identificar possíveis causas e data-las.

E por que isso é importante? Segundo o fisioterapeuta especializado em Saúde Integrativa, Sergio Bastos Jr, que, entre outras ferramentas, utiliza a microfisioterapia para encontrar causas “escondidas” de dores e doenças, nossos relacionamentos refletem a saúde da nossa mente e da nossa emoção: “quanto mais buscamos entender o que realmente nos move na vida, mais facilmente vamos construir relações saudáveis”.

“Seres humanos com emoções equilibradas atraem relacionamentos também equilibrados e conseguem, de forma consciente, trabalhar para o equilíbrio da vida a dois”. Para ele, não há relacionamento saudável se uma das partes tem doenças da emoção: “quando não entendemos de onde vêm nossos sentimentos, podemos ser guiados pela inconstância, pela necessidade de controle, pelo medo, pelo ciúme, e mais, podemos desenvolver doenças que vão, também atrapalhar as relações, como alergias, distúrbios do sono, ansiedade, entre outros”, revela o fisioterapeuta.

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Buscar as causas primárias de dores, doenças e inclusive de comportamentos que não entendemos e que não nos fazem bem pode ser o começo de um caminho de relações mais satisfatórias. “Os casais podem se beneficiar e muito do tratamento das nossas memórias traumáticas, encontrando entendimento mútuo e criando vínculos ainda mais fortes”, garante o fisioterapeuta.

Fonte: Biointegral Saúde

Palestra Casar Pode Dar Certo: terapeuta ensina como ter um relacionamento feliz

De forma leve e divertida, a psiquiatra e terapeuta Hebe de Moura dá dicas sobre o que fazer para que a união de um casal de apaixonados, que começa cheia de amor e boas intenções, com tudo para dar certo, não se transforme, aos poucos, em uma guerra que pode ter, como consequência, uma separação sofrida.

Ao invés de repetir “regras”, que todos já conhecem, do que as pessoas “têm que fazer”, Hebe de Moura dá as chaves para mostrar como chegar ao tão desejado resultado. Tanto os que estão se preparando para o casamento, quanto os que já estão casados, vão descobrir novas maneiras de melhorar o seu relacionamento.

Dentro da dinâmica da palestra, Hebe contará com atores que vão simular cenas vividas por casais, dando exemplos concretos do que funciona e o que não funciona em um relacionamento. Paulah Gauss é a atriz convidada. A apresentadora do evento será a jornalista Adriana de Castro.

Hebe de Moura

Hebe de Moura é médica, formada pela Unifesp em 1982. Psiquiatra, psicoterapeuta, palestrante e escritora, é autora dos livros “As 3 faces da Mulher” e “A Inteligência Feminina”. Já participou como convidada em vários programas na Rede TV!, SBT, TV Gazeta, Rede Mulher; CNT, Rede Brasil de TV, Rádio Capital, Record, Jovem Pan e CBN, entre outros. Atualmente, faz palestras para empresas, atende pacientes em seu consultório e produz e participa, como especialista, do programa “A Inteligência Feminina”, na Web, ao lado da jornalista Adriana de Castro.

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Palestra Casar Pode dar Certo
Data: 20h, segunda-feira, 26 de novembro.
Local: Teatro Augusta
Endereço: Rua Augusta, 943
Entrada: R$ 60,00 pelo Ingresso Rápido ou na bilheteria do teatro

 

O que o paciente borderline e família podem esperar de um tratamento especializado*

O tratamento do paciente borderline pode gerar muitas angústias e expectativas para ele e familiares. Quando procuram um atendimento especializado, em geral, já estão cansados e desacreditados que possa existir uma possível melhora, isto acontece porque vários profissionais foram consultados, sendo que alguns deles erraram no diagnóstico e no tratamento. Além disso, há também aqueles profissionais que, de forma responsável, os encaminharam por não possuírem um atendimento especializado. Os dois cenários reforçam a crença de que não há solução para esses casos, postergando assim, o sofrimento do paciente.

Promover a evolução deste paciente não é tarefa fácil, para isso é fundamental trabalhar a dinâmica dele e do ambiente familiar, visto que um influencia o outro.

A família, ora está muito distante, ora numa excessiva interferência na vida uns dos outros, abusam de críticas e acusações. Nestes momentos, podem utilizar um tom de voz e palavras agressivas, o que chamamos de emoção expressa, é uma comunicação que vem “sem filtro”, se pudessem esperar a raiva passar, as palavras seriam outras e o tom também. Eles acreditam que todo o problema familiar está ligado ao transtorno e provocam o sentimento de culpa que o indivíduo não sabe como lidar.

O paciente apresenta dependência emocional e financeira da família. Ele possui um sofrimento psíquico intenso, diferente da maioria das pessoas. Há também o comportamento de boicotar todas as áreas de sua vida, fazendo com que fique estagnada.

Cronologicamente é um adulto, muitas vezes bastante inteligente, porém sente e sofre de forma muito parecida com a criança ou com um bebê. Emocionalmente, os recursos que utiliza são de uma fase muito primitiva, um funcionamento à base do “oito ou oitenta”, do amor ou do ódio, totalmente bom ou totalmente mau (Sassi; Kernberg; Gabbard). É uma forma absoluta de vivenciar o mundo, muito diferente do esperado para alguém da sua idade, que relativiza algumas verdades e entende que uma pessoa não é totalmente má ou totalmente boa, por exemplo.

Sua rede de relacionamentos normalmente está restrita à família. Possui um comportamento recorrente de isolar-se, afastar-se e ainda provocar o afastamento das pessoas, isso faz com que acabe perdendo o melhor alimento para o mundo mental e emocional, que favorece o lapidar das emoções e da personalidade. Quem fica muito sozinho, acaba emocionalmente empobrecido e pode adoecer. Como diz Sassi: “O alimento para o corpo é comida e para o mundo mental é gente”.

O primeiro ano do tratamento é o período onde ocorre o maior número de resistências e, dependendo do paciente, este tempo pode se estender. Apresenta muitas faltas, pode não fazer o uso correto das medicações (não toma ou ainda toma em excesso), compra medicações no “mercado negro”, etc.

Ao longo do processo podem ocorrer recaídas no uso de álcool e drogas, compras abusivas no cartão de crédito, sexo desprotegido com desconhecidos, automutilações, tentativas de suicídio, dentre outros comportamentos impulsivos.

Não é tarefa fácil para este perfil dividir com o terapeuta os pensamentos e sentimentos que possui, pois é um paciente de difícil acesso. Isso ocorre em função das fantasias que tem a respeito de si mesmo e dos outros. Ele teme que o profissional e a equipe possam julgá-lo ou até mesmo abandoná-lo, como fez a maioria de seus relacionamentos. Se essas fantasias não forem trabalhadas, a terapia e o tratamento podem não ocorrer.

A melhora começa quando ele encontra um lugar no qual se sente ouvido e entendido. Então, diminuem as automutilações e as tentativas de suicídio. As pequenas mudanças acontecem em “conta gotas”, alternando com as recaídas no modo “dá dois passos e volta um”.

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Foto: MedicalNewsToday

O desenvolvimento da autonomia emocional e financeira, a conquista da confiança dos familiares e a manutenção dos laços afetivos, acontecem gradativamente ao longo dos anos como resultado das reflexões feitas nas terapias individual e familiar, e também das orientações e prescrições do médico psiquiatra.

Alguns pacientes conseguem a melhora geral na qualidade de vida em torno de seis anos de tratamento. Nos últimos tempos, para esses pacientes, temos arriscado em falar sobre cura, pois obtiveram uma mudança significativa na maneira de pensar a vida e conduzi-la, e passaram a não mais preencher os critérios para o transtorno.

Há pacientes que podem levar mais tempo para esta conquista e outros podem tornar-se crônicos, permanecendo dependentes do tratamento para sobreviverem.

Os fatores que contribuem para a melhora significativa do paciente são: uma equipe especializada que trabalhe afinada entre si e com um método específico; familiares que incentivem e participem do processo, seja através da terapia familiar ou da presença quando solicitada; e finalmente, o paciente que desde o início apresenta uma capacidade maior para falar e comparecer à terapia e no tratamento de um modo geral.

*Eliana Krambek é graduada em Psicologia pela UEM – Universidade Estadual de Maringá. Possui especialização em Psicoterapia da Infância e Adolescência, pelo Cesumar – Centro Universitário de Maringá. Especialista no Estudo do Vínculo mãe, bebê e família, pelo Ippia – Instituto de Psicoterapia e Psiquiatria da Infância e Adolescência. Possui formação em psiquiatria e psicoterapia da Infância e Adolescência, pelo Ippia. Psicóloga e supervisora clínica no Ambulatório Integrado de Transtorno de Personalidade e do Impulso IPq – HCFMUSP, São Paulo –SP e atende em consultório particular.

Referências bibliográficas
1- Gabbard, Glen O. Transtorno de Personalidade Borderline do Grupo B: Borderline, in: Psiquiatria psicodinâmica na prática clínica. 5. Ed. – Porto Alegre: Artmed, 2016;  2- Gomes, Heloisa Szymanski Ribeiro. Terapia de família. In: Psicol. cienc. prof. vol.6 no.2 Brasília, 1986; 3- Joseph, Betty. O paciente de difícil acesso (1975), in: Melanie Klein Hoje. Desenvolvimento da teoria e da técnica. v.2. Artigos predominantemente técnicos. Rio de Janeiro: Imago Ed., 1990; 4 – Minuchin, S. Famílias: Funcionamento e Tratamento. Trad. J.A. Cunha. Porto Alegre, Ed. Artes Médicas, 1982; 5 – Zito, Daniely Marin; Sassi Junior, Erlei. Psicoterapia Psicodinâmica Modificada Para Transtorno de Personalidade Borderline: O Método; 6 – http://personalidadeborderline.com.br

Hoje é o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio

Setembro Amarelo – 97% dos suicídios estão ligados à depressão

No mês em que os olhares estão voltados para a prevenção do suicídio, Diego Tavares, psiquiatra e especialista em depressão e bipolaridade do Hospital das Clinicas da Faculdade de Medicina da USP alerta que a depressão do transtorno bipolar causa o dobro dos casos de suicídio da depressão clássica, mais conhecida pela maioria das pessoas. Mas por que pouco se fala na depressão com bipolaridade?

Segundo o especialista em transtornos de humor a maior parte das pessoas ao se deparar com temas relacionados a suicídio como automutilação, tentativas de suicídio e o próprio suicídio consumado, acaba dando atenção exclusiva aos fatores agravantes, mas não aos fatores predisponentes biológicos como as doenças psiquiátricas.

Muitos são os estressores ou gatilhos que levam ao suicídio: a perda de emprego, problema financeiro, separação, bullying, assédio moral, burnout, mas pouco se fala sobre as raízes de um comportamento suicida. E é disso que precisamos falar quando pretendemos prevenir o suicídio, agir nas raízes do problema.

“Quem se suicida está doente, isso é um fato, mesmo que a doença esteja silenciosamente oculta e na maior parte dos casos está, o suicídio traz, em algum grau, alguma desordem no sistema nervoso, nas regiões desregulação emocional. O suicídio é um problema que começa no cérebro e termina na ação, agravado por estressores psicossociais”, diz.

Para exemplificar, o médico enumera os tipos de depressão:

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Depressão melancólica: é a retratada nos filmes e, por isso, é o que a maior parte das pessoas acredita ser depressão. É um tipo grave, porém raro de depressão, em que os pacientes podem apresentar intensa lentidão motora, ficam de cama, parados o tempo todo, não comem, não tomam banho e têm acentuada perda da capacidade de sentir prazer por coisas antes prazerosas. A característica principal da melancolia é a completa ausência de reatividade do humor, ou seja, a pessoa não se anima com nenhum estímulo positivo.

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Depressão ansiosa: os pacientes apresentam sintomas depressivos menos graves, porém apresentam uma proeminência maior de sintomas ansiosos (medo intenso, preocupação, tensão, hipervigilância e insegurança).

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Depressão atípica: a pessoa sente um humor de apatia, sono excessivo durante o dia, aumento exagerado de apetite e reatividade do humor (melhora com fatores positivos eventuais). Costuma ser confundida com um esgotamento físico ou problemas como anemia, deficiência de hormônios etc.

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Depressão mista: é mais perigosa e a que apresenta o maior risco de suicídio. São quadros de depressão com maior agitação mental, desespero, angústia, dificuldade de concentração por distração e pensamento acelerado, maior irritabilidade, comportamentos compulsivos que aliviam a depressão (fumar, beber, usar maconha, gastar dinheiro, abuso de calmantes, se masturbar etc), aumento da fala (reclamando e sofrendo com a depressão), labilidade de humor (momentos de grande variação emocional).

Nesse tipo, os pacientes podem apresentar com maior frequência ideias de suicídio como fenômeno associado ao intenso desespero e angústia presentes nestes quadros. Ocorre com frequência no transtorno bipolar, devido a mistura de elementos da depressão com elementos da fase maníaca (agitação, desespero, pensamento rápido, impulsividade aumentada etc).

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De acordo com o especialista, a principal causa de suicídio são as depressões do transtorno bipolar (15% de frequência). Os tratamentos de depressões melancólicas, ansiosas e atípicas podem ser feitos apenas com medicamentos da classe dos antidepressivos mas quadros de depressão mista precisam de medicamentos da classe dos estabilizadores de humor (sozinhos ou associados aos antidepressivos).

“Mas, o mais importante de tudo é tratar a depressão como prevenção ao suicídio e sabermos que nem toda depressão se expressa da mesma maneira e que alguns tipos apresentam maior risco de suicídio. A depressão quando é grave não se cura sozinha e merece tratamento com medicamento e psicoterapia”, finaliza o especialista.

Fonte: Diego Tavares é graduado em medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP) em 2010 e residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) em 2013. Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (Gruda) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB).

Mitos que rondam o Transtorno de Personalidade Borderline (TPB)

Diego Tavares, psiquiatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que algumas doenças psiquiátricas são tão mal compreendidas que, com o tempo, vão perdendo o sentido original e incorporando características que não são e nunca fizeram parte delas.

“Hoje em dia, o transtorno de personalidade borderline (TPB) tem sofrido uma ampliação tamanha a ponto de transtorno bipolar clássico (tipo I), esquizofrenia, transtorno obsessivo compulsivo e até transtornos de ansiedade estarem sendo chamados de ‘transtorno borderline’ por conta da falha na formação adequada de psiquiatras e psicólogos”, fala o médico.

Afinal, qual a verdade sobre o problema?

1) A principal e definidora característica de um indivíduo com personalidade do tipo borderline é um problema no vínculo com as outras pessoas. “São indivíduos que lançam mão de esforços desesperados para evitar o abandono real ou imaginado. Qualquer fim ou separação (namoro, casamento, amizade, emprego) pode deflagrar uma crise em que a pessoa interpreta o afastamento como sinal de rejeição”, explica o médico.

2) Um padrão de relacionamentos instáveis caracterizados pela alternância entre extremos de idealização e desvalorização, que é o típico “tudo ou nada”, “amo ou odeio”. O outro tem que ser perfeito e, se errar, passa a ser depreciado. Assim, ao recusar um pedido, o “melhor psiquiatra do mundo” se transforma em “lixo”. Também é comum a pessoa ficar íntima rapidamente de alguém, alimentar um monte de expectativas e, logo depois, cair em frustração e passar a odiar o outro.

“Estas são as duas principais e essenciais características para um diagnóstico desse transtorno. Todos os outros sintomas (alterações de humor, aumento de impulsividade, ideias de suicídio, automutilação etc) são secundários a uma situação que envolva um relacionamento interpessoal problemático que tenha envolvido o medo do abandono e o de se sentir rejeitado. Além disso, pra ser um TPB esses sintomas ocorrem desde o início da adolescência até a idade adulta”, fala o psiquiatra.

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Tavares comenta que mesmo que um paciente comece a apresentar problemas de relacionamento relacionados ao medo do abandono, se for apenas durante um período de depressão, por exemplo, e não durante a vida toda, não se trata de transtorno de personalidade. Esse é o problema mais grave que vemos nos dias de hoje, avaliar uma pessoa no momento presente e, por conta de sintomas “típicos de alteração emocional do borderline” fechar este diagnóstico. O transtorno de personalidade é crônico e relacionado ao amadurecimento da personalidade e não são sintomas que ocorrem exclusivamente em um momento da vida.

O que muita gente chama de TPB, mas não é:

1) Mudanças constantes de humor;

2) Alteração de humor marcada por raiva, ódio e rancor;

3) Automutilação em pessoas deprimidas;

4) Pessoas extremamente impulsivas;

5) Tentativas de suicídio constantes;

6) Pessoa com transtorno de humor que sofreu abuso sexual ou bullying na infância;

7) Baixa tolerância à frustração e imaturidade;

8) Pessoa irônica, provocativa e manipuladora que causa uma sensação ruim no terapeuta ou no médico.

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Foto: MedicalNewsToday

“O grande problema que tenho visto para um excesso de diagnósticos de TPB é que muitas vezes se utilizam sintomas isolados para o diagnóstico. Isso é, alterações de humor mais rápidas (no mesmo dia) ou mistas (com disforia, raiva e agressividade), que até podem ocorrer em um portador de TPB, são usadas como critério essencial e apenas a presença delas leva ao diagnóstico, sem uma devida avaliação da personalidade ao longo da vida. Outro erro comum é achar que todo adolescente que se mutila é borderline, sendo que esse sintoma ocorre muito em alguns transtornos de humor”, finaliza o médico.

Fonte: Diego Tavares é graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Botucatu – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (FMB-UNESP) e residência médica em Psiquiatria pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP). Psiquiatra Pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (Gruda) e do Serviço Interdisciplinar de Neuromodulação e Estimulação Magnética Transcraniana (SIN-EMT) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPQ-HC-FMUSP) e coordenador do Ambulatório do Programa de Transtornos Afetivos do ABC (PRTOAB).

Dependência de chocolate pode necessitar de ajuda terapêutica

Também conhecido como chocoholics, pessoas “viciadas em chocolate” podem precisar de tratamento multidisciplinar

Com o mercado bombardeando os consumidores com promoções de Páscoa, fica difícil para muitos resistirem à tentação de comprar até mesmo uma barrinha de chocolate. O consumo, que pode parecer inocente para algumas pessoas, pode ser um problema que vai além do aumento de peso. A vontade exagerada de comer chocolate pode caracterizar uma compulsão alimentar que deve ser tratada por profissionais.

A psicóloga Tatiane Paula Souza alerta sobre a dependência, que pode ser uma forma prejudicial da pessoa aliviar suas questões emocionais. “Como se trata de um alimento que pode implicar em uma associação de alívio de situações problemáticas, liberando endorfina e serotonina (neurotransmissores ligados à sensação de bem-estar), estamos falando de um efeito rebote que vem quando a pessoa percebe a falta das substâncias do chocolate, passando a consumir quantidades cada vez maiores para durabilidade imediata e de extremo prazer”.

No caso específico dos chocoholics, o consumo de chocolate é diário, variando a frequência conforme a gravidade do vício. “Dependendo da intensidade, o hábito pode ser comparado a dependências como às do álcool, tabaco, jogos e internet entre outras compulsões”, afirma a psicóloga.

Em mulheres, a compulsão alimentar associada ao consumo exagerado do chocolate é mais frequente, pois muitas vezes se desenvolve uma associação do doce com o alívio dos sintomas da TPM.

“Quando estamos associando padrão de consumo que eleva a normalidade, falamos de compulsão do comportamento, podendo ser do sexo masculino ou feminino. Porém, foi observada incidência maior do consumismo do chocolate em mulheres, principalmente em períodos pré menstruais”, relata Tatiane. “Há muitos relatos de mulheres que encontram no alimento (chocolate) calma e prazer. É muito comum este tipo de demanda no consultório”, complementa.

Características da compulsão

Portrait of sad young girl with the big chocolate

De acordo com Tatiane, na compulsão alimentar é observada nos indivíduos a necessidade exagerada e incontrolável de altas quantidades em períodos de curto tempo.

Para pensarmos no diagnóstico deve ser observado que esse padrão de comportamento disfuncional aconteça no mínimo duas vezes na semana, por um período mínimo de três meses. Abaixo, algumas das características que devem ser observadas na alimentação:

-Comer muito e rápido;

-Fazer refeições mesmo com ausência de fome;

-Comer exageradamente, mesmo que satisfeito;

-Ultrapassar o limite e comer até estar desconfortável;

-Sensação de perder o controle da alimentação;

-Comer escondido, para ocultar a compulsão, gerando sentimentos de culpa e fracasso;

-Comer para lidar situações problemáticas, pois durante os episódios de compulsão não há clareza dos sentimentos envolvidos.

Caso se identifique com as características, procure um profissional especialista no transtorno, como psicólogos, psiquiatras e nutricionistas, para que possa ser feito um diagnóstico completo e dadas as orientações e tratamentos adequados.

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Foto: SweetLouise/Pixabay

Teste de compulsão alimentar

Nas questões abaixo, quanto mais respostas “sim”, mais provável é que você tenha transtorno de compulsão alimentar.

=Penso em comida o tempo todo?

=Tenho o hábito de comer escondido?

=Sinto-me descontrolado, vulnerável e impotente para parar de comer, mesmo querendo?

=Como a ponto de me sentir doente/estufado/cheio?

=Como chocolate ou outros alimentos para lidar com as situações difíceis, aliviar o estresse, ou para confortar/buscar conforto?

=Frequentemente sinto culpa após as refeições?

Fonte: Tatiane Paula Souza é psicóloga com formação na abordagem Cognitiva-Comportamental pela Unifesp e especialista em Psicopatologia e Dependência Química pelo Instituto de Pesquisa de São Paulo. Atuou em Hospital Psiquiátrico como Psicóloga Clínica a pacientes em regime de internação continuada e, atualmente, atende como Psicóloga Clínico Cognitivo-Comportamental, com ênfase em: Transtornos, Saúde Mental, Dependências e Compulsões. Desenvolve programas para empresas, corporações, palestras, workshop, treinamento e desenvolvimento, na área da dependência química, voltado para prevenção e tratamento.

 

Saiba como funciona o tratamento para depressão

Tristeza profunda, angústia, falta de energia e perda de interesse em atividades cotidianas são os principais sintomas da depressão. Quando essas alterações de humor são persistentes, a qualidade de vida e a capacidade produtiva de uma pessoa ficam comprometidas, podendo afetar a execução de tarefas do dia a dia, a relação com amigos e familiares e, em casos mais graves, a vontade de viver.

Além dos sintomas citados, há outros sinais que devem ser levados em conta na hora de buscar um tratamento para depressão. Entre eles estão desesperança, pessimismo, irritabilidade e problemas físicos, como aumento ou diminuição de sono, de apetite e de libido; ganho ou perda de peso anormal; dores no corpo e de cabeça; alterações gastrointestinais e falta de concentração, atenção e memória.

“É importante diferenciar a tristeza da depressão de períodos de tristeza que ocorrem em algumas fases da vida, como por exemplo durante o luto ou por fatores estressores de forma geral. Existe uma tristeza que pode ser normal, e a tristeza patológica. Na depressão, a tristeza tem duração de pelo menos duas semanas, está presente na maior parte do dia e permanece durante vários dias. Paralisa, e não gera reflexão. Pode tirar a perspectiva de futuro e a alegria de fazer coisas que a pessoa sentia prazer em realizar antes – é o que chamamos de anedonia”, afirma Luana Harada, psiquiatra do Hospital Santa Mônica.

Ela completa: “É como ficar preso dentro da sua própria angústia e não ter mais esperança de melhorar. A visão fica mais pessimista, o sentimento de culpa e inferioridade ficam mais intensos. Dentro de um estado de tristeza intensa e persistente, sem sentir prazer em viver, sem perspectiva de futuro e marcada desesperança, temos que ficar atentos ao risco de suicídio que um episódio depressivo pode gerar”,

O transtorno depressivo pode ser causado pela interação de diversos fatores biológicos, psicológicos e ambientais, ou ser um efeito secundário do uso de medicamentos indicados para curar outras doenças ou do abuso de drogas e bebidas alcoólicas, por exemplo, sendo necessário um diagnóstico diferenciado. Eventos traumáticos, baixa autoestima, histórico familiar da doença e vulnerabilidade social também são fatores de risco.

De acordo com estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 350 milhões de pessoas de diferentes idades em todo o mundo sofrem com essa doença, no Brasil afeta aproximadamente 11,5 milhões de brasileiros. Apesar de ser mais comum entre as mulheres, a depressão masculina também é expressiva e deve ser cuidada com a mesma atenção.

Diante da importância desse tema, separamos algumas questões para explicar e sanar as principais dúvidas sobre o tratamento para depressão.

depressão

Quando procurar ajuda?

O diagnóstico precoce da depressão é um dos fatores que mais contribuem para o sucesso do tratamento e para o controle da doença. Existem casos em que os sintomas se confundem com os de outras enfermidades, por isso, é importante reconhecer que há algo errado e procurar ajuda de especialistas o mais rápido possível, principalmente quando o estado depressivo demora a passar e começa a refletir em outros aspectos da vida.

Ao fazer uma avaliação completa e detalhada, a equipe de profissionais conseguirá distinguir se os sintomas são patológicos, transitórios ou decorrentes de outros problemas médicos e neurológicos, indicando o tratamento mais adequado para o nível da doença, que pode ser leve, moderado ou grave.

Algumas pessoas têm receio em procurar um tratamento especializado, pois acreditam que ficarão isoladas e sofrerão preconceito. Em consequência disso, tentam curar a depressão de formas variadas, se automedicando ou recorrendo ao consumo de drogas ilícitas e álcool, o que pode levar à piora significativa da doença e até mesmo à dependência química.

Buscar informações sobre a doença, conhecer as opções de tratamento e receber orientação profissional são as melhores formas de reverter um quadro depressivo. Outra questão essencial em todo o processo é compartilhar os problemas e contar com o apoio de parentes e amigos próximos.

Por que tratar a depressão é importante?

A depressão é uma doença incapacitante, que prejudica diversas áreas da vida do paciente, inclusive profissional, amorosa e familiar. Um paciente com um episódio depressivo leve, por exemplo, pode ter dificuldade em realizar tarefas simples e diárias; quem apresenta um quadro moderado está mais propenso a abandonar o trabalho, as responsabilidades domésticas e as atividades sociais; já aquele que apresenta episódio depressivo grave pode ter crises profundas e pensamentos suicidas frequentes.

Quando diagnosticada corretamente, a depressão deve ser tratada de maneira séria e completa, com o objetivo de amenizar os sintomas, evitar a cronificação da doença, minimizar as recaídas e aumentar a qualidade de vida do paciente. Interromper o tratamento quando há alguma melhora logo no início pode levar a consequências negativas no futuro. Assim, seguir com as orientações pelo tempo determinado pelos profissionais é fundamental para o controle do transtorno.

mulher sessão terapia psicologa

Qual tratamento é o mais indicado?

O melhor tratamento para depressão é aquele elaborado de forma personalizada para atender às necessidades de cada paciente. Para isso, uma equipe multidisciplinar deve ser consultada a fim de analisar as especificidades dos sintomas, acompanhar os resultados e modificar as estratégias ao longo do tempo caso seja necessário.
Ainda que não sejam universais, alguns tratamentos são mais recomendados por sua eficácia comprovada. Confira abaixo:

Psicoterapia

Em alguns casos leves, a psicoterapia pode ser suficiente para controlar e melhorar os sintomas da depressão. Existem diferentes abordagens psicoterapêuticas, tais como a terapia ocupacional, a terapia em grupo, a psicanálise, a terapia cognitivo-comportamental, entre outras. O método escolhido pode variar de acordo com os sintomas, a personalidade do paciente e a confiança no terapeuta.

De modo geral, as psicoterapias auxiliam o paciente a se conhecer melhor e a identificar seus pensamentos e comportamentos negativos de forma a buscar novas formas de lidar com os conflitos e as relações interpessoais. Esse tipo de tratamento também é indicado para os episódios depressivos moderados e graves, mas normalmente é feito em conjunto com o uso de medicamentos.

Medicamentos

Há uma grande variedade de medicamentos indicados para o tratamento da depressão, que agem de maneiras diferentes no organismo para controlar a doença. Todos devem ser administrados sob orientação médica devido a possíveis efeitos colaterais e interação com outros remédios.

Os antidepressivos são os mais conhecidos e atuam diretamente no sistema nervoso, normalizando os fluxos de neurotransmissores como a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. O tratamento para depressão também pode incluir ansiolíticos – utilizados para diminuir a ansiedade – e antipsicóticos – indicados em casos de perturbações psicóticas.

“Os antidepressivos serão escolhidos de acordo com perfil de efeito colateral de cada medicação e discussão destes efeitos com o paciente; quais doenças clínicas (por ex. diabetes, hipertensão) e medicações em uso (uma vez que pode existir interação medicamentosa); o uso prévio de antidepressivo que paciente possa ter feito (prevendo a chance de resposta ou não à medicação escolhida) ”, afirma Luana Harada.

A psiquiatra reforça “é importante frisar que o antidepressivo não tem melhora imediata, levando pelo menos 14 dias para iniciar o seu efeito, e também inicialmente pode piorar sintomas ansiosos – é uma informação que passo aos pacientes para não descontinuar o uso da medicação, caso os efeitos adversos sejam tolerados, e também há medicações usadas no início do tratamento que ajudam o desconforto no início do tratamento”. O uso da medicação tem que ser contínuo durante o tratamento, existem medicações que causam desconforto caso não sejam tomadas diariamente e também atrapalham a resposta terapêutica, podendo até piorar sintomas ansiosos e depressivos.

Para saber mais sobre depressão, visite o site Tratamento da Depressão do Hospital Santa Mônica, clicando aqui.

 

Bagunça está associada à depressão, ansiedade e compulsão alimentar

Se você acha que a bagunça e a falta de organização são inofensivas, atenção! Um estudo publicado no Environment and Behavior comprovou que ambientes caóticos levam ao estresse e à compulsão alimentar. Quer mais? Se a cozinha é um local bagunçado, aumenta em duas vezes a chance das mulheres comerem mais.

Segundo a psicóloga Carolina Marques, cofundadora da Estar Saúde Mental, o local onde moramos ou onde trabalhamos reflete nosso estado emocional. “A bagunça extrema e contínua pode ser um sinal de sofrimento mental e de certos transtornos, como depressão e ansiedade. Além disso, o caos eleva o nível de estresse, pois a bagunça gera uma enorme quantidade de informações no cérebro e é um lembrete permanente da nossa incapacidade de organização ou ainda de que estamos adiando nossas atividades”.

Por onde começar?

O começo do ano é uma época excelente para tomar algumas atitudes que possam melhorar a qualidade de vida. “Uma delas é organizar a casa. Porém, muitas pessoas sentem dificuldade e não sabem por onde começar”, comenta Carolina.

Com a ajuda da psicóloga, elaboramos uma lista para ajudar você. Confira:

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Pixabay

Tudo de uma vez: não caia na armadilha de escolher uma gaveta ou um armário para fazer a arrumação. Tire um dia e arrume a casa inteira.

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Boas lembranças: uma das regras para descartar objetos é pensar se você usou nos últimos seis meses. Outra é se você gosta ou não daquilo. Se não usou neste período, doe ou descarte. Se não gosta, idem.

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Desapega: segundo a autora Mary Kondo, que publicou um livro chamado “A Mágica da Arrumação”, 60% daquilo que guardamos não tem utilidade! Portanto, na arrumação separe o que você vai doar, o que você jogar fora e aquilo que realmente é útil.

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Espaços para cada item: separe tudo por categorias,  por exemplo livros, cosméticos, roupas, sapatos etc. Use caixas organizadoras se for necessário. Coloque etiquetas. Isso irá ajudar a encontrar mais facilmente os objetos, além de evitar bagunça e acumulação.

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Solidão necessária: se possível faça essa arrumação sozinho. Outras pessoas podem interferir nas decisões de manter, doar, jogar fora.

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Trilha sonora: use uma música para motivar você na hora da limpeza. Se for mais calma, melhor, mas use uma trilha que lhe dê motivação.

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Foto: Nuzree/Pixabay

Manutenção: se possível, depois de arrumar, mantenha a organização. Ao chegar em casa, guarde o sapato, as roupas e demais objetos, cada coisa no seu lugar.

“A arrumação é importante. Entretanto, se a pessoa já desenvolveu um quadro de depressão e ansiedade é importante também que ela procure uma psicoterapia e um psiquiatra para o manejo do transtorno. Essas patologias afetam todos os domínios, ou seja, o físico, o mental e o emocional e, com isso, toda ajuda é bem-vinda”, conclui Carolina.

Fonte: Carolina Marques tem Pós-doutorado em Psiquiatria e Psicologia Médica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); pesquisadora do Núcleo de Estatística e Metodologias Aplicadas do Departamento de Psiquiatria (Nemap) da Universidade Federal de São Paulo; doutorado em Neurologia e Neurociências pela Universidade Federal de São Paulo, Unifesp, São Paulo, Brasil; aprimoramento em Neuropsicologia no Departamento de Psicobiologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Formação em Coaching pelo Integrated Coaching Institute – ICI; Graduação (Bacharelado e Licenciatura) em Psicologia pela Universidade São Marcos