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A importância de estimular a beleza natural e de saber dosar procedimentos estéticos

Aplicativos que mudam a aparência podem ocasionar insatisfação com a imagem e a busca por aparência perfeita irreal

De um lado, uma avalanche de filtros “embelezadores” no Instagram; de outro, alguém descontente com sua aparência real. Pronto! A situação perfeita para riscos tanto físicos como psicológicos que podem, ainda, dar origem a vários problemas, entre os quais está o transtorno disfórmico corporal, ou seja, vê defeitos onde não existem ou se incomoda demais com certas características na frente do espelho.

Como explica a diretora clínica da rede Meu Dermato, Daniella Cury, a busca de uma beleza ideal, irretocável, seguindo padrões impostos pela mídia do corpo e rosto perfeitos é ilusória, irreal. “Buscar melhorar algumas áreas com a proposta de sentir-se bem, é ótimo. O problema é maximizar o que é belo o tempo todo e atrelar que somente com uma boca carnuda, uma pele totalmente lisa sem rugas, olhos amendoados, e uma série de procedimentos estéticos será, de fato, feliz e ‘de acordo com os padrões atuais’”.

Entre os procedimentos mais procurados atualmente está a harmonização facial com ácido hialurônico e Botox. “Muitas pessoas acabam abusando das aplicações e perdem suas características originais, ficando irreconhecíveis, sem expressão ou plastificadas, o que não é nem bonito, tampouco saudável”, explica Daniella.

Por essa razão, contar com um médico dermatologista capacitado e de confiança é fundamental. Ele é capaz de avaliar com exatidão a real necessidade do paciente, evitando assim problemas futuros e possibilitando até mesmo um maior acesso – vide uma redução no montante investido pelo paciente, muitas vezes não necessário.

Meu Dermato

Um novo conceito em medicina dermatológica, a rede de clínicas Meu Dermato tem como objetivo democratizar o acesso a estética, realçando a beleza natural dos pacientes, por meio de procedimentos acessíveis, seguros e modernos, realizados por uma equipe de médicos dermatologistas especialistas. Hoje já conta com quatro unidades em funcionamento (Paulista, Vila Olímpia, Itaim e Moema).

Positividade tóxica: efeitos colaterais da felicidade exposta nas redes sociais

Especialistas explicam que, além do bloqueio das emoções negativas, é comum que a ansiedade, depressão, baixa autoestima e transtornos mentais e comportamentais sejam desenvolvidos

Em meio a um bilhão de usuários ativos por mês, é difícil encontrar uma pessoa que não tenha perfil no Instagram. A plataforma possui 500 milhões de acessos diários e se tornou, além de uma rede social, uma rede comercial. Com a popularização dos influencers, basicamente tudo passa a ser monetizado, inclusive a felicidade. Através da tela do celular, a vida do outro aparenta ser perfeita: o corpo dos sonhos, bens materiais, viagens e felicidade em tempo integral. Mas não é bem assim.

Há materiais que circulam em blogs e portais que alegam que não é possível ser feliz sempre. Isso pode ser verdade ou não, depende do que está sendo chamado de felicidade. No âmbito da Psicologia Positiva, é usual se adotar o conceito construído pela professora Sonja Lyubormisrky: “Felicidade é a experiência de contentamento e bem-estar combinada à sensação de que a própria vida possui sentido e vale a pena”.

Em outras palavras, felicidade é um estado no qual se vivencia um pouco mais de emoções positivas que negativas em uma vida que, apesar das circunstâncias, vale a pena ser vivida. E sim, pode ser uma experiência de longa duração.

A problemática surge com a busca incessante por essa felicidade, que gera efeitos colaterais em quem consome diariamente essa “vida “perfeita” do outro. Nesse cenário, se populariza o conceito de positividade tóxica. A expressão tem sido usada para abordar uma espécie de pressão pela adoção de um discurso positivo aliada a uma vida editada para as redes sociais.

Carla Furtado

“É aqui que mora um elemento pouco mencionado acerca da felicidade legítima: ela é uma experiência intrínseca, dispensa o reconhecimento de terceiros. Sorrisos pasteurizados em fotos sob filtros, vozes cuidadosamente moduladas e falas que se assemelham a pregações são apenas artifícios, esses sim, tóxicos, daquilo que surgiu bem antes da internet: a vida de fachada e a venda de receitas mágicas”, alerta Carla Furtado, mestre em psicologia e fundadora do Instituto Feliciência.

Bloqueio de emoções negativas

Como consequência dessa busca pela felicidade, as emoções negativas são bloqueadas. Nessa realidade mascarada pelas redes sociais, não é permitido se sentir triste ou ter dias ruins. “É importante observar que a psicologia positiva não orienta que se bloqueie ou evite emoções negativas. Do ponto de vista humano isso sequer é possível e não seria recomendável”, aponta Carla.

“Emoções são comportamentos autônomos em resposta a estímulos. Tome-se o medo, por exemplo: diante de um risco real essa emoção é primordial para a preservação da vida e, embora seja de valência negativa seu desfecho pode ser bastante positivo. É sempre importante ressaltar que felicidade não é uma emoção, mas costuma ser confundida com a alegria”, complementa a especialista.

Renata Nayara Figueiredo

É justamente assim que surgem problemas como ansiedade, depressão, transtorno de imagem, anorexia, bulimia, entre outros. “No Instagram as pessoas conseguem praticar atividade física, ser a mãe perfeita, o pai perfeito, trabalhar, ser bem-sucedido, ter hora para tudo, então as pessoas acham que são obrigadas a fazer isso o tempo inteiro e acabam frustradas porque não conseguem ou se sentem cansadas”, explica a médica psiquiatra Renata Nayara Figueiredo, presidente da Associação Psiquiátrica de Brasília, a APBr.

Ela explica que com a sensação de não ter todo esse tempo a pessoa fica frustrada, acha que a produtividade está baixa, que alguma coisa está errada. “É aquilo do eu não consigo ser a mãe perfeita, não consigo ser uma profissional maravilhosa, enquanto o outro consegue tudo isso. Então começa o sentimento de ansiedade, de menos valia, de baixa autoestima, e isso pode gerar depressão, e outros transtornos psiquiátricos”, acrescenta.

Para a especialista é importante que o usuário entenda que o conteúdo das redes sociais é um recorte e não expressa a realidade, ou como é a vida da pessoa por completo. “Um exemplo é a foto de comida, as pessoas não postam a refeição do dia a dia. E é preciso compreender que aquilo ali é um cenário, é um palco, as pessoas fazem aquela foto, aquilo ali não é uma foto espontânea. Ela está naquela rede social para chamar a atenção”, pontua.

Outro lado

Segundo a psiquiatra, os influenciadores também sofrem. “Eles buscam mais seguidores, mais curtidas, e os que seguem querem ter uma vida daquelas, sendo que às vezes a pessoa só vive disso, de postar coisas, enquanto as outras vão postar coisas, vão seguir, vão trabalhar e vão fazer outras coisas também”, afirma. “Então isso tudo é um cenário. Cada um vai postando o que acha mais interessante e as pessoas têm que entender que aquilo ali não é a vida real”, complementa.

Outro ponto abordado por ela são pessoas que já têm algum distúrbio ou tendência a transtornos psiquiátricos. “Uma pessoa com esse tipo de problema, principalmente em relação ao corpo, vê essas fotos e se sente mal. Elas vomitam, param de comer ou deixam de sair de casa para não furar a dieta”, explica. “Então esse tipo de ‘influência’ pode ser um gatilho para pacientes com transtornos alimentares, pela questão de estar sempre postando o corpo perfeito, a dieta perfeita, a refeição dos sonhos, e entre outros pontos”, conclui.

O Boticário promove ação para capacitar mulheres 40+ para serem novas influenciadoras digitais

“Geração Botik” é uma iniciativa inédita que quer transformar o espaço de influência e marca o lançamento da linha de cuidados faciais

O Boticário acaba de lançar Botik, nova marca de cuidados faciais e, com a proposta de democratizar o skincare e os ativos presentes nos produtos, convida o público a deixar ‘seu rosto no modo ativo’.

Potencializando ainda mais esse convite, a marca desenvolveu, em parceria com a Youpix, um treinamento inédito para capacitar mulheres acima dos 40 anos para serem influenciadoras digitais. Com essa iniciativa, Botik vai colocar o rosto de novas mulheres, que não são nativas digitais, no modo ativo, protagonizando mais espaços e celebrando as diferenças. “Vamos dar voz à Geração Botik, uma geração que não se limita ou define por idade, mas que tem muitas experiências e conteúdos incríveis para compartilhar nas redes sociais”, conta Gustavo Fruges, diretor de Comunicação do Boticário.

Com a iniciativa, a marca vai selecionar 200 candidatas para serem capacitadas em um curso online, com linguagem e olhar específicos para elas. As inscrições acontecem a partir de 20 de outubro no site da marca. Para se candidatar, todas as mulheres – com 40 anos ou mais – interessadas devem inserir seus dados para cadastro e uma mini biografia. A seleção será feita por um júri técnico que vai avaliar o potencial de geração de conteúdo das candidatas, especialmente, no que diz respeito a autoestima e autocuidado.

A criação, inédita e necessária, tem como ideia central dar voz às mulheres de todas as idades, provando que nada deve limitá-las, bem como Botik que foi desenvolvida para a diversidade brasileira, abrangendo todos os tipos, cores e idades de pele. “Ao incluir essas mulheres nas redes sociais em posição e responsabilidade de serem influenciadoras, queremos que mais e mais mulheres, em toda a sua diversidade, incluindo a etária, sejam inspiradas a dividir experiências, independente de idade. Mostrando como todas podem estar ativas, tanto na sua rotina como na internet “, completa Gustavo.

Para estrelar essa campanha e abrir o debate com o público a partir da provocação “Quem são as mulheres acima dos 40 que te influenciam nas redes sociais?”, Botik lança um manifesto com um time de mulheres 40+ inspiradoras que pode ser conferido nas redes sociais da marca.

“No mundo digital, a influência para além da idade tem pouca representatividade e o Boticário quer abrir esse caminho. Ficamos muito felizes em fazer parte dessa história! Mais do que dar protagonismo para mais mulheres, estamos provocando gerações mais jovens a terem um leque mais rico de referências. Vamos ver mais mulheres de 20 e 30 anos trocando experiências com mulheres de 60, por exemplo, sobre assuntos diversos, como autocuidado, autoconhecimento, bem-estar e beleza em qualquer fase da vida”, comenta Bia Granja, sócia e CCO da Youpix.

Após o período do curso, as novas influenciadoras da Geração Botik serão acompanhadas e apoiadas pela marca. “A forma de apresentar produtos e serviços mudou. Marcas buscam influenciadores que estejam engajados em causas, que sejam verdadeiros e empáticos e acreditamos que a construção desse programa contribuirá para essa demanda do mercado e para uma sociedade cada vez mais inclusiva, finaliza Gustavo.

A ação foi idealizada pela agência Pros.

Inscrições: de 20 a 25 de outubro pelo site d’O Boticário

Setembro Amarelo: relação entre redes sociais e suicídio

Especialista explica como a internet pode ser propagadora de gatilhos e como diálogo pode diminuir incidência de casos

O suicídio, hoje em dia, ainda é considerado tabu por muita gente. Mas não deveria. Afinal, faz uma média de uma vítima a cada quatro segundos no mundo, ou seja, 800 mil vítimas por ano, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). A psicóloga Ana Gabriela Andriani explica que, em muitos lugares, existe um empecilho extra para tentar diminuir esse número.

“Existe a crença de que, ao falar sobre o assunto, estaríamos, na verdade, propagando ou divulgando o suicídio e suas tentativas”, adverte Ana. No entanto, deveria ser o oposto, falar disso poderia reduzir a incidência de casos.

Redes sociais e suicídio

De acordo com a especialista, as redes sociais, sim, têm sido um meio propagador de gatilhos para as tentativas de suicídio, especialmente quando falamos de jovens e adolescentes. Isso principalmente em um momento em que o consumo da internet aumentou tanto em função da necessidade do isolamento físico social.

O bullying e a constante necessidade de aprovação virtual têm levado cada vez mais jovens a desenvolver quadros de depressão e ansiedade. Um estudo realizado pela Escola de Medicina da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, mostrou que os “heavy users” (usuários que passam grande parte do tempo na internet) possuem três vezes mais chances de sofrer de depressão comparando com aqueles que conferem suas redes sociais com menos frequência.

Já um estudo de 2017 da agência nova/sb analisou mais de 1 milhão de menções ao suicídio nas redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter e Youtube): em 34,2% dos casos eram piadas ou memes, 24,4% eram opiniões, 22,1% citações, 7,5% notícias, 6,3% relatos e 5,5% se tratavam de depoimentos. Os dados também mostraram informações preocupantes: 18,3% das postagens eram falas negativas ou preconceituosas, como por exemplo “conte a um psicólogo, não ao Facebook”, “quem tem depressão não fica em rede social tentando aparecer” ou “quem quer se matar não avisa”. Algumas, inclusive, incentivavam os usuários a tirar a própria vida. “Esses resultados mostram a necessidade de uma abordagem e de um espaço sem julgamentos para sensibilizar e educar e, assim, contribuir com a prevenção”, afirma Ana Gabriela.

Diálogo como prevenção

Para a psicóloga, o diálogo é fundamental. “É necessário falar sobre o assunto. Mas isso não significa apenas divulgar números. É preciso entender o que leva ao suicídio, como é possível prevenir e que o suicídio é uma questão de saúde pública. Precisamos abrir esse canal de diálogo e trazer informações sobre o tema e tudo o que o cerca, como as doenças mentais, saúde mental, o que é e quais são os sinais de comportamento suicida.”

Ela explica que o assunto é complexo e nem todas as pessoas que cometem o suicídio apresentam algum tipo de sinal prévio, por isso que é tão importante erradicar esse preconceito. Outro ponto fundamental para se esclarecer é que muitas vezes não existe um planejamento para tal ato. “Muitas vezes a pessoa busca uma maneira de acabar com algum sofrimento e vê na tentativa do suicídio uma saída. Ela não pensa em morrer, ela pensa em uma solução para aquele momento de dor. É importante esclarecer que nem toda pessoa que comete suicídio planejou a ação, pretendia de fato acabar com a vida ou tinha histórico de tentativas”, analisa.

Ana Gabriela ainda salienta que o preconceito de achar que quem comete suicídio é fraco também não é válido. “Vemos pessoas fortes que, em um momento de desespero, só enxergam isso como saída. Julgar o próximo não vai ajudá-lo”. Desde 2014, ocorre no Brasil a campanha do Setembro Amarelo, que é realizada pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM). Uma tentativa de levar luz ao assunto.

Foto: MedicalNewsToday

“Quando falamos sobre a prevenção do suicídio, devemos prestar atenção à forma como abordamos o tema. Muitas vezes focamos na morte apenas de pessoas famosas e colocamos uma certa dose de romance no ato, ligando o suicídio ao estilo de vida dessa personalidade, como falta de sono, vida agitada e conturbada, por exemplo. O que é deixado de fora nesses casos, muitas vezes, são as reais causas do suicídio”, diz Ana Gabriela. Ela finaliza alertando que estão no grupo de risco pessoas com esquizofrenia, bipolaridade, borderline e usuários excessivos de drogas e de álcool.

Fonte: Ana Gabriela Andriani é graduada em Psicologia pela PUC-SP, Ana Gabriela Andriani é Mestre e Doutora pela Unicamp. Tem pós-graduação em Terapia de Casal e Família pelo The Family Institute, da Northwestern University, em Illinois, Estados Unidos, e especialização em Psicoterapia Dinâmica Breve pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas/USP. Possui, ainda, aprimoramento Clínico em Fenomenologia Existencial na Clínica Psicológica da PUC-SP. Ana Gabriela acredita que o autoconhecimento influencia diretamente no trabalho, nas relações afetivas e na qualidade de vida.

Cultura do cancelamento digital reforça importância do Setembro Amarelo

A campanha de prevenção ao suicídio é um dos meios para conscientizar as pessoas e alertar que não existem dificuldades impossíveis

Em meio ao período de isolamento, a campanha de Setembro Amarelo ganhou ainda mais força, infelizmente agravaram-se os números de suicídios nos últimos meses, provavelmente causados pela pandemia. A quarentena já é motivo suficiente para encontrarmos neste ambiente sérias consequências à saúde mental.

E não só isso, a cultura do cancelamento dentro das redes sociais digitais também pode ser considerada umas das causas que levam as pessoas a cometerem o ato. A prática de cancelar alguém surgiu na internet, como uma forma de demonstrar que certas opiniões são inaceitáveis. Contudo, o cancelamento as vezes passa dos limites, acarretando em um número maior de pessoas buscando pela aprovação a todo custo.

Falar sobre a campanha se tornou ainda mais importante, visto que o Brasil já ocupa a oitava posição entre os países que mais cometem suicídios no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). O tema merece muita reflexão, uma vez que não existe uma única razão que explique as angústias e sofrimentos das pessoas que decidem pôr fim à própria vida.

“Existe um conjunto de fatores que podem levar uma pessoa a cometer o ato de suicídio, entre eles, a depressão e ansiedade que costumam ser consideradas ‘gatilhos’. Um outro motivo pode ser o sentimento que o cancelamento traz. Dentro das redes existe um grande medo de julgamentos, já que estamos constantemente buscando aprovação de outras pessoas”, afirma o Coordenador do Curso de Psicologia, do Centro Universitário Unimetrocamp, Professor José Anizio Marim.

“O cancelamento é perigoso, pessoas estão recebendo punições que não merecem, e isso acaba expandindo ainda mais os sentimento de ansiedade e depressão, podendo causar reflexões e mudanças de postura. Existe também a possibilidade de isso se tornar um estopim para um encadeamento de pensamentos negativos, que devem ser mais evidenciados neste Setembro Amarelo”, completa o professor.

O intuito do Setembro Amarelo é conscientizar o quanto a vida é importante, e alertar as pessoas de que não existem problemas ou dificuldades impossíveis. Além de dar informações, entender os motivos de cada pessoa, conversar e demonstrar empatia são passos fundamentais para impedir os pensamentos de querer terminar com a vida.

Fonte: Centro Universitário Unimetrocamp

Reflexões sobre a tentação que temos em comparar nossa vida com a dos outros continuamente*

No momento em que retomamos discussões e reflexões sobre a prevenção do suicídio neste Setembro Amarelo, temos importantes apontamentos a serem observados. Lembrando que um dos principais deles é não se esquecer de que pensar na prevenção do suicídio – e em ajudar a impedir potenciais candidatos de tirar sua vida – deve ser feito ao longo dos 365 dias do ano. A cada minuto alguém pode estar entrando em estado de total desespero, desamparo e depressão, a ponto de enxergar apenas o suicídio como uma solução definitiva e cruel para aninhar sua angústia.

Uma situação dramática como essa aponta um fator que, com o advento tecnológico e as inovações de redes sociais, fica muito mais evidente: a necessidade que o ser humano possui em estar sempre comparando sua vida com a dos outros, diante das exposições jogadas e expostas nas mídias. Comparar-se é natural, pois estamos em constante busca de critérios para julgar o certo e o errado.

Buscamos referências a todo custo. E as redes sociais nos proporcionam isso com muita facilidade, já que se apresenta como um território bem fértil para adventos comparativos. Mas a maior questão é que devemos nos conscientizar de que existe o lado bom e o lado ruim de tudo. Lembra da história de que a grama do vizinho é sempre mais verde que a nossa? Não. Ela não é. O que ocorre é que o é demonstrado nas redes é o que o outro deseja mostrar. A parte que lhe importa. Nem sempre aquela pessoa da foto, com o sorriso mais lindo em um dia ensolarado, está mesmo tão feliz como está aparentando. O que se passa dentro de cada um não pode ser genuinamente evidenciado de forma real.

Cada um possui uma individualidade e vive um determinado contexto particular. Portanto, o maior cuidado que devemos tomar é buscar entender que a internet é uma vitrine irreal. Se a comparação for desigual, certamente o indivíduo que já se encontra fragilizado ou depressivo por qualquer que seja o motivo poderá ter sua autoestima afetada, a partir da criação de falsas expectativas e falsas ilusões – correndo o risco de entrar em um processo de negação de sua própria realidade, recusa de sua trajetória individual e estará sujeito a deixar de trabalhar os mecanismos de ponderação de sua essência.

Na prática, quando ficamos limitados a ver a vida do outro por um único ponto de vista, somos tentados a entrar em armadilhas ilusórias que alimentam apenas o que nos convém. Fortalece os desejos fantasmagóricos que temos em mente, contribuindo para que possamos nos sentir mais inferiorizados, sem ter o discernimento de enxergar que todos temos bons e maus momentos. Situações alegres, positivas, mas também difíceis e angustiantes. E está tudo bem. Isso é perfeitamente normal.

E aqui entra a necessidade, em muitos casos, de se tirar a própria vida, movido por uma tentativa frustrada de evidenciar uma tristeza instalada e mal compreendida. Tristeza que dói. E o ato de suicídio é exatamente uma infeliz decisão de se eliminar essa dor. Portanto, ao perceber que as conquistas do outro estão criando empecilhos para que você consiga criar e valorizar seus próprios passos, ligue seu botão de alerta. Conscientize-se de que cada ser humano é único e tem emoções e sentimentos muito peculiares.

Desejos, metas e conquistas são inerentes a todos. E se o outro consegue, você também pode conseguir. É importante avaliar e refletir o que possa estar lhe impedindo de ter um olhar mais crítico para perceber o que o afasta de sua felicidade. Só quando nos organizamos por dentro é que as coisas começam a tomar forma e a caminhar de vez em todos os sentidos de nossa vida.

Enfim, como mudar essa energia? Como alterar esses pensamentos limitantes? Saiba que uma situação não pode ser mudada apenas se enchendo de certezas negativas. Ao se comparar com os outros, ninguém está te julgando mais do que você mesmo. Fato é que estamos comprometidos com situações que podem nos impedir de seguir em uma busca por uma mente mais saudável. Buscamos respostas e nem sempre as encontramos de imediato. Portanto, encare sua própria mudança interna.

Não se compare a ninguém. Somos seres divergentes. Lições, experiências, necessidades e trajetórias diferentes. O outro não é tão grande e especial assim como lhe parece. Não se sinta insignificante ou menor com aquilo que está sendo exposto em uma rede social. Aprenda a lidar com seus defeitos, pois estes temos todos, até mesmo o carinha mais feliz da internet.

Aquele que parece perfeito e esbanja felicidade a todo minuto, mas que lá no mais profundo do íntimo pode estar tão destruído emocionalmente que não demonstra, não verbaliza ou mesmo não busca ajuda profissional. Veste apenas uma máscara irreal e fica preso a seus sabotadores. Lidamos com dificuldades diariamente e disso ninguém escapa. Fuja da tentação de entrar na desilusão imposta por um feed perfeito, que retrata apenas melhores momentos com filtros aplicados.

Pexels

Portanto, valorize sua vida. Valorize cada dor, cada dúvida e cada conquista. Aprenda que é permitido crescer tanto com as coisas boas quanto com as ruins que acontecem conosco. Tirar a vida por se sentir inferiorizado não o tornará vencedor. Será vitorioso ao conseguir reconhecer suas falhas, suas forças e dentro desse cenário poder promover um autoconhecimento que lhe permita ressaltar suas qualidades e evidenciar o que tem de melhor.

Não meça sua vida pela régua dos outros. Lamentar aquilo que não se tem é uma forma de desperdiçar o que já possui de melhor. Sua vida importa – e muito. Pense nisso e vida cada mais feliz e realizado, perseguindo seus objetivos e conquistando seus espaços merecidos.

Foto: Pedro Costa

*Andréa Ladislau é psicanalista, Doutora em Psicanálise, palestrante, colunista da Academia Fluminense de Letras, Gestora em saúde, Representante Internacional (USA) da University Miesperanza

Carnaval, redes sociais e saúde mental – por Isabel Marçal*

A “revolução tecnológica”, da qual estamos a bordo, vem transformando o modo como vivemos, trabalhamos e nos relacionamos. O impacto da tecnologia – cada vez maior em nossa rotina diária – trouxe muitas mudanças positivas, porém, é preciso ficar atento aos malefícios que a utilização indiscriminada pode acarretar. Muitos estudos relacionam o tempo de uso da internet com questões de saúde mental. Depressão, transtornos alimentares e suicídio parecem estar ligados à vida online, notadamente ao uso de redes sociais.

jovem mulher usando celular pexels

Segundo a empresa britânica GlobalWebIndex – que estuda o tempo que usuários passam em redes sociais em todo o mundo – o Brasil é o segundo país que mais fica conectado em redes sociais. Em média, passamos 3 horas e 25 minutos por dia nas redes, atrás apenas dos filipinos, com um pouco mais de 4 horas. Supondo um tempo médio de sono de oito horas diárias, isso significa que usamos 20% do nosso dia conectado em redes sociais.

Existem épocas que as postagens nas redes sociais se tornam mais frequentes e praticamente “obrigatórias”. Quais são elas? Os eventos pré-estabelecidos culturalmente e que se tornaram fontes de bem-estar e realização. Passam por eles, aniversários, férias, Natal, Ano-Novo e Carnaval. Destes momentos, o Carnaval é tido como um ápice de alegria e satisfação.

Na visão antropológica é um ritual de reversão, no qual os papéis sociais são invertidos e as normas de comportamento são suspensas, fazendo com que possam ser realizados desejos reprimidos. No Brasil, essa é a maior festa popular e um dos maiores feriados do ano. São cinco dias, para os mais tradicionais, de momentos de pura diversão, sendo tudo registrado e postado em tempo real. E este é um cenário rico para que as comparações com os outros aparecem, impreterivelmente, quase que automática.

smartphone celular pixabay

“A baixa autoestima, sintoma bem contemporâneo do sofrimento moderno, se intensifica na relação virtual, ampliando a sensação e a suposição imaginária de que o outro pode, é ou possui o que lhe falta”, afirma psicanalista e colunista voluntária do Instituto Bem do Estar, Mirmila Musse. De acordo com um estudo da Royal Society For Public Health, do qual participaram 1.500 voluntários de 14 a 24 anos, sendo que 90% deles utilizam mídias sociais, o Instagram é o líder do ranking de redes sociais mais aliadas à sensação de solidão e ansiedade.

Além de ser descrito pelos jovens como mais viciante do que cigarros e álcool. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), essa faixa etária é a que mais sofre com problemas de saúde da mente, sendo a depressão uma das principais causas de adoecimento e deficiência entre eles. Enquanto o suicídio é a segunda maior causa de morte entre os indivíduos de 15 a 29 anos de idade.

As redes sociais mexem com o nosso instinto do reconhecimento social, aquela sensação boa que você tem quando recebe muitos likes em uma foto que acabou de postar. Os pesquisadores, do estudo citado acima, apontam que o Instagram é uma rede social muito focada na imagem, por isso, gera sentimentos de inadequação e ansiedade nos jovens. A interação na internet não gera uma recompensa social real – e isso pode levar a pioras em quadros de sofrimento psíquico.

O grande segredo para proteger sua saúde da mente dos malefícios das redes sociais reside em não permitir que sejam substitutas da vida real e da convivência com outros seres humanos. Além disso é necessário que alguns hábitos sejam adotados:

=preste atenção em como você se sente nas interações virtuais;
=pense em para que elas te servem e o que realmente quer consumir;
=restrinja redes que não te tragam benefícios;
=estabeleça o tempo que você gostaria de passar em cada rede;
=limite onde e quando utilizá-las;  
=pratique momentos ou até períodos de desconexão total, periodicamente.

amigas mulheres amizade

Aproveite o Carnaval para estar presente, curtindo o momento com as pessoas ao seu redor ou até sozinho, descansando. Desconecte-se do mundo paralelo – e por vezes imaginário – das redes sociais e sinta a alegria do Carnaval. A saúde da sua mente agradece.

*Isabel Marçal é cofundadora do Instituto Bem do Estar, Isabel Marçal é especialista em gestão de projetos sociais, com 15 anos de experiência no setor de Impacto Social. Apaixonada pela vida, seres humanos e suas relações. Sonha com uma sociedade mais saudável e justa, por isso, acredita que o primeiro passo esteja na consciência individual de cada ser humano.

 

Adultos na rede: inabilidade prejudica pessoas mais impulsivas e ansiosas, diz terapeuta

Especialista recomenda que pessoas usem a tecnologia com cuidado, para não gerar ainda mais solidão e afastamentos

Fala-se muito da tecnologia e crianças, os cuidados, os estímulos e tudo que podemos e devemos fazer para proteger nossos pequenos. Mas e os adultos, como estão lidando com essa novidade tecnológica? Quais as regras de tudo isso e qual a melhor maneira de utilizar?

Segundo a terapeuta transpessoal Wanessa Moreira, que também é master mentoring em coaching corpo e mente, “a inabilidade em usar algo de alcance tão grande e tão rápido, tem prejudicado e muito as pessoas mais impulsivas e ansiosas”.

E nesse compasso, as relações entre as pessoas estão sendo prejudicadas. “Sabe aquela frase: pronto falei? Vai lá e faz o textão, ou crítica uma outra pessoa, e mesmo que se arrependa depois, já foi, centenas ou milhares de pessoas já tiveram acesso… e agora?”, indaga a profissional que trabalha como orientadora pessoal.

Para a especialista, as pessoas tristes e magoadas saem impondo suas regras umas sobre as outras no ambiente virtual. “E para onde vai toda essa energia e tempo gasto? Coloca as pessoas ainda mais no estresse de sobrevivência e em uma frequência, uma vibração que rouba a nossa bateria de amor com a vida”, afirma Wanessa.

O resultado de tudo isso, de acordo com a terapeuta, é o aumento da irritação, reclamação e uma procura intensa por verdades, que nunca irão chegar. “E sabe por quê? Não há um lado certo, há sim o lado de cada um, e quando se perde o respeito, só é possível ver os erros que sobraram. E as pessoas vão se perdendo ao invés de usarem a conexão da tecnologia para se encontrar”, diz.

Não é sobre tirar um do outro e, sim, sobre um somar ao outro, exemplifica Wanessa: “Não preciso me incomodar porque o outro é feliz nas fotos das redes sociais, sejam fotos reais ou não, é o que a pessoa posta. Posso me inspirar no que ela está mostrando e aplicar na minha vida aquilo que eu busco”,argumenta a terapeuta.

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Portanto, a terapeuta transpessoal recomenda que as pessoas usem cada vez mais a tecnologia com o significado de ‘conexão’: “União, uma relação de dependência; em que há lógica, nexo e coerência, como o próprio dicionário define. Um significado que é tão rico por si só, ao invés de gerarmos mais ainda solidão e afastamentos”, recomenda.

Fonte: Wanessa Moreira é terapeuta, orientadora pessoal e Master Mentoring em Coaching Corpo e Mente, com pós-graduação em psicologia transpessoal.

O vício nas redes sociais e os impactos na saúde

Pesquisa da Diário de Campo revela que 64% das pessoas são compulsivas pelas redes sociais e 84% acompanham a vida de influenciadores digitais. Especialista alerta que a adesão maciça às redes pode ser prejudicial à saúde

A pesquisa #Hashtag Seguidores, realizada pelo Instituto de Estudos de Comportamento e Consumo Diário de Campo, com 1.260 pessoas de todo o Brasil, revelou que o hábito de acompanhar / seguir blogueiros(as) / influenciadores / celebridades é expressivo no país. E o hábito de acompanhar a vida de amigos, conhecidos e estranhos pode até gerar compulsão. O tempo excessivo gasto olhando e/ou curtindo fotos e vídeos no Instagram, por exemplo, tem efeitos diversos para a saúde e vida dos heavy users.

Das pessoas que estão no Instagram:
=84,3% dizem gostar de seguir e acompanhar com frequência blogueiros(as)/influenciadores/celebridades;
=12,2% seguem, mas não veem perfis dos influenciadores com muita frequência;
apenas 3,5% não seguem/não gostam de seguir influenciadores.

E os efeitos de acompanhar a vida de amigos, conhecidos e estranhos geram compulsão:

=64% dos entrevistados se consideram viciados na rede social Instagram;

=43% se assumem viciados em acompanhar influenciadores digitais.

“Esse número é ainda maior, pois há pessoas que não têm consciência ou então se envergonham e não admitem esse vício. Presenciamos isso durante o campo da pesquisa.”, revela Julianna Queiróz, sócia da Diário de Campo Pesquisa.

mulheres usando celular smartphone

O comportamento de entrar frequentemente em rede social e de seguir influenciadores tem alto impacto na vida das pessoas. A psicanalista Flávia Hasky, que estuda como a internet afeta as relações de cada um consigo mesmo e com os outros, explica que esse vício tem efeitos diversos e impacta cada indivíduo de modo singular

Flávia indica que “para uma pessoa mais desenvolta socialmente essa adesão maciça às redes sociais pode ser prejudicial, por reduzir os momentos de convívio com amigos íntimos e familiares, com a natureza ou mesmo o envolvimento em atividades culturais, por exemplo. Há ainda uma diminuição preocupante da capacidade de se haver com o tédio, de lidar com a própria solidão.”, completa.

Bruna Elia, de 24 anos, mestranda em antropologia, identifica alguns desses danos: “o Instagram não tem fim. Fico olhando e de repente me toco que eu estou há 2 horas sem fazer nada. Perco a hora, sempre me atraso pra sair de casa e ainda fico ansiosa por não conseguir ver tudo. Faço print para ler depois. Parece que você está presa ali. É como se ficasse dopada.”

No entanto, a psicanalista esclarece que para uma pessoa mais tímida pode até ser benéfico, pois o mundo dela tende a se expandir. ¨Ela se abre para realidades com as quais dificilmente teria contato por ser mais retraída socialmente.”, explica.

A médica Bruna Gomes, de 27 anos, diz que já aprendeu muito com as influenciadoras que segue. “Elas me fazem pensar sobre mim, me ajudam a refletir sobre vários assuntos, ampliam o meu olhar para o mundo. Já até mudei a minha forma de pensar por causa delas.”

Aspiracional

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A pesquisa da Diário de Campo também revelou que redes sociais como o Instagram fomentam o aspiracional, ou seja, o sonhar com aquilo que não se tem: 67% das pessoas dizem preferir ver dicas de lugares, passeios, produtos que sabem que não podem pagar, mas que inspiram e fazem sonhar.

¨Se por um lado esse hábito de estar em contato com o inalcançável pode manter as pessoas em um constante lugar de falta, de escassez, elevando os níveis de ansiedade, por outro, paradoxalmente, também tem uma função terapêutica”, explica Renata Del Caro, também sócia da Diário de Campo Pesquisa.

Além disso, os influenciadores, por exemplo, têm um papel muito importante na construção de autoconfiança.

=56% das pessoas dizem que os influenciadores as ajudam a ter mais autoestima e se aceitarem como são;

=51% dizem que os influenciadores as ajudam a encarar a vida de forma mais positiva;

=44% das pessoas dizem que os influenciadores as ajudam a se relacionarem melhor com amigos, familiares, parceiros.

“Muitos influenciadores incluem em suas postagens frases motivadoras, de autossuperação, autoaceitação, dando estímulos necessários em momentos de carência e, até mesmo, aplacando e preenchendo o lugar de falta que o própria rede social fomenta com suas imagens, corpos e vidas perfeitas. Já, inclusive, nos deparamos com depoimentos de casos de depressão que foram amenizados por estímulos de influenciadores.”, diz Julianna Queiróz.

Para Jaqueline da Silva, de 38 anos, seguir pessoas que ela considera de sucesso, a ajuda a ter ideias de como melhorar sua própria vida. “A gente fica querendo acompanhar o que uma pessoa bonita faz para ficar daquele jeito. Quero ver a carreira dela para saber o que ela fez para chegar a esse patamar”, conta Jaqueline.

A influenciadora digital Kika, do perfil no Instagram @DicadaKika, diz perceber que “Hoje em dia está faltando mais esse contato mais próximo entre as pessoas. Vejo as pessoas mais carentes. Então, se a pessoa te vê ali falando no story, ela acha que você está conversando só com ela. Quando eu faço um story, eu penso que eu estou falando para aquela pessoa que está me vendo.”

É assim com Liliane Pereira, de 39 anos, uma das participantes da pesquisa Hashtag Seguidores: “Ver a Kika, do @DicadaKika, toda manhã me faz ter vontade de sair de casa, de viver! Ela ainda me apresenta lugares que antes eram só em sonho pra mim. Um dia ela até me incentivou ir no Copacabana Palace. Vendo ela lá e então sabendo como tudo é lá, acreditei que eu também podia ir.”

Escapismo

mulher executiva celular
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Redes sociais voltadas a fotos e vídeos espontâneos – como o Instagram – são escolhidos para momentos de escape do dia a dia, das questões pessoais, momento para espairecer. “O Instagram amplifica os espaços vazios dentro da rotina. Curtos momentos de pausa entre uma atividade e outra são expandidos.” explica Renata Del Caro.

=53% porque ajuda a passar o tempo;
=50% seguem porque os influenciadores são engraçados;
=45% seguem porque gostam de ver estilos de vida diferentes dos deles;
=41% seguem porque se sentem bem em ver pessoas que pensam como eles.

Metodologia

A etapa quantitativa da pesquisa #Hashtag Seguidores foi realizada por meio de questionários online com 1.260 pessoas, de 14 a 55 anos, de todas as regiões do Brasil. A etapa qualitativa foi composta de 30 entrevistas em profundidade presenciais e online. A pesquisa se deu entre março e maio de 2019.

Fonte: Instituto de Estudos de Comportamento e Consumo Diário de Campo Pesquisa

É possível ser feliz em tempos de redes sociais?

A resposta é sim, segundo a master coach Flora Victoria, nomeada “embaixadora da felicidade no Brasil” pelo World Happiness Summit

As redes sociais tornaram-se o local em que amigos e figuras públicas mostram, além de ideias e posicionamentos, sua vida íntima. A crítica mais ferrenha às elas decorre de uma falta de “verdade” demonstrada nas postagens. Muitos ainda não compreendem que há uma “edição” da realidade, e se sentem decepcionados com a própria vida, supostamente, menos interessante que a de sua rede de contatos.

A verdade é que essa versão revela apenas uma parte do todo ou pinta os acontecimentos com cores mais vivas. Por isso, imergir neste tipo de ambiente virtual pode levar à frustração e a todo tipo de sentimento negativo. Em alguns casos, até mesmo a um quadro clínico de depressão.

Há estudos científicos que comprovam o poder das redes sociais na diminuição da felicidade pessoal. Uma equipe do departamento de psicologia da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, analisou as experiências de 143 estudantes, de 18 a 22 anos, com as três plataformas mais populares entre os alunos da graduação: Facebook, Snapchat e Instagram. Os resultados apontaram que, quem ficou nas redes por mais tempo, teve aumento significativo na sensação de solidão.

E como sair dessa?

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Da mesma forma que há estudos para apontar o que pode fazer mal à saúde mental humana, há outros que revelam o que faz bem. Um dos mais sérios é em torno da ciência da felicidade, a psicologia positiva. O objetivo é focar nas forças, ao invés das fraquezas, e fazer com que as pessoas adquiram competências para lidarem com suas vidas cotidianas, sendo capazes de intervir de forma proveitosa.

Com a psicologia positiva, condições que envolvem relações interpessoais, propósito, satisfação, e motivação deixaram de ser abstratas e passaram a ser analisadas de forma sistemática e científica.

“Por meio da neurociência, descobrimos que disfunções na amígdala ou baixos níveis de dopamina ou serotonina podem ter origens genéticas, mas, pelo menos, 50% do nosso bem-estar está diretamente conectado ao ambiente, e por isso é tão importante que criemos um ambiente propício a ele”, explica Flora Victoria, mestre em Psicologia Positiva Aplicada, pela Universidade da Pensilvânia, e presidente da SBCoaching.

Como encontro meu bem-estar

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O bem-estar é mais que a ausência de estados psicológicos negativos; ele é diretamente influenciado por perspectivas subjetivas, por metas alinhadas a propósitos, que trazem satisfação. “Sem se dar, a pessoa pode acabar se autossabotando. A busca pelo bem-estar pleno, inevitavelmente, fracassa, porque ela deixa de atender suas necessidades e desejos enquanto indivíduo”, conta Flora Victoria.

Por isso, ter atenção ao tempo gasto nas redes sociais e ao nível de importância dado a elas é fundamental para o indivíduo entender como isso está afetando seu bem-estar, um índice mensurável e que decorre da satisfação nos diversos domínios da existência.

Para entender se o bem-estar é parte integrante da vida, é preciso atentar-se àquela sensação agradável e recompensadora ao fim do dia. “Pessoas que mantêm relações mutuamente satisfatórias, veem sentido em suas atividades e têm um senso de controle sobre o que vivem. São indivíduos que certamente vivem este sentimento sensação de bem-estar”, diz a especialista em psicologia positiva.

Cinco dicas do professor da felicidade

Outro expoente da área de psicologia positiva, o israelense Tal Ben-Shahar, acredita que ser feliz não é estar bem o tempo todo, mas saber agir com o desconforto e não deixar de ficar bem mesmo em situações difíceis. A seguir, ele dá algumas dicas preciosas para processar emoções ruins:

Aceitar os erros

depressão mulher tristeza

– Aprender que falhar é parte do processo de inovação, por isso deve-se “abraçar o stress e o fracasso”, pois isso faz parte do que é ser humano.

Simplificar a vida

mulher feliz campo bicicleta

– Dar tchau à ansiedade e praticar a paciência durante as tarefas.

Praticar exercícios físicos

exercicio em casa

– Estimular o sistema circulatório, liberar tensões e produzir endorfina no corpo, promove a sensação de bem-estar.

Ter um hobby

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– Dar um tempo nas obrigações, tarefas e compromissos do dia a dia e dar um alô para o prazer da atividade preferida.

Praticar a gratidão

mãos

– Ir além da racionalidade, da obrigatoriedade de agradecer; o sentimento de ser grato é o que conduz à felicidade.

Fonte: SBCoaching (Sociedade Brasileira de Coaching)