Arquivo da tag: roberta padovan

Parece, mas não é: conheça a diferença entre produtos usados na rotina de cuidados

Sabonete ou shampoo em barra? Make com FPS ou protetor solar com cor? Fio dental ou escova interdental? Descubra quais as diferenças entre esses e outros produtos de autocuidado, que, apesar de parecidos, não são intercambiáveis.

A rotina diária de beleza, seja com o rosto, o corpo, os cabelos ou até os dentes, é um momento de autocuidado muito importante para a manutenção da saúde dessas estruturas. No entanto, às vezes, realizar esses cuidados pode ser complicado, especialmente para principiantes, que podem facilmente se confundir com a grande quantidade de produtos disponíveis hoje no mercado, principalmente pelo fato de muitos desses produtos serem parecidos à primeira vista, apesar de possuírem diferenças importantes.

E utilizar os produtos errados pode ser realmente catastrófico, com consequências que vão desde a perda da eficácia até a agressão das estruturas. Então, para ajudar você a realizar sua rotina de beleza sem complicações, reunimos um time de especialistas para apontar as principais diferenças entre produtos de autocuidado que, apesar de parecidos, possuem indicações diferentes. Confira:

Getty Images

Sabonete convencional X sabonete facial: muitas pessoas acreditam que o sabonete facial é apenas uma jogada de marketing, mas não é bem assim. O sabonete convencional e o sabonete facial possuem diferenças importantes, sendo recomendado que você tenha os dois. “O pH do sabonete convencional é incompatível com a pele do rosto. Logo, se utilizado nessa região, pode causar desidratação e, em seguida, o efeito rebote. E o mesmo vale no caso contrário, já que, por ser mais suave, o sabonete facial pode não ser eficaz na remoção de sujidades e oleosidade do corpo”, afirma a dermatologista Paola Pomerantzeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E mesmo entre os sabonetes faciais, é importante prestar atenção para escolher um produto adequado a sua pele.

Peles oleosas, por exemplo, podem apostar em produtos que controlem a produção de sebo, como o Sabonete Poros com Ácido Glicólico, da Be Belle, enquanto peles mais secas devem investir em produtos mais hidratantes, como o Sabonete Poros Hidratante, também da Be Belle.

Pinterest

Esfoliante facial X esfoliante corporal: novamente, a existência de um esfoliante para cada parte do corpo não é apenas uma jogada de marketing. “A pele do corpo é diferente da pele do rosto e, por isso, deve ser tratada com produtos específicos. Um esfoliante próprio para ser usado no corpo geralmente contêm partículas maiores para conseguir tratar a pele da região, que é mais grossa, com eficácia. Consequentemente, esses esfoliantes corporais são mais abrasivos, podendo causar lesões quando usados no rosto, que tem uma pele mais sensível”, afirma o dermatologista Abdo Salomão Jr, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

O ideal então é que o esfoliante facial contenha partículas menores, como é o caso do Esfoliante Tribeca, da BURB, que conta com sementes de Apricot (damasco) em sua composição.

Água micelar X tônico adstringente: tanto o tônico facial quanto a água termal funcionam, de acordo com Paola, como um complemento à higienização da pele, removendo impurezas que não saíram apenas com o sabonete, além de normalizarem o pH da pele, o que também contribui para melhor absorção dos ativos cosméticos que serão aplicados. A diferença desses produtos está na indicação. “A água micelar possui micelas que atraem as partículas de sujeira, poluição e oleosidade sem a necessidade de atrito, sendo assim ideal para ser usada por peles mais secas e sensíveis. Já o tônico adstringente possui uma ação de controle da oleosidade, sendo assim recomendado para peles oleosas e mistas”, aconselha a dermatologista, que afirma também que a água micelar ainda pode ser usada como demaquilante.

Cremes X séruns: ambos os produtos têm como principal função hidratar a pele, podendo também trazer na composição uma série de ingredientes escolhidos conforme as características de cada pele. “Esses produtos utilizados podem ser formulados com uma série de ativos para atender às necessidades de cada pele, como substâncias calmantes, anti-inflamatórias, clareadoras, rejuvenescedores e, principalmente, antioxidantes”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética. A grande diferença desses dois produtos está no veículo, isto é, a textura do cosmético, e, consequentemente, em sua indicação. “Os séruns, assim como os géis, são veículos mais leves indicados principalmente para o tratamento de peles oleosas e mistas, enquanto os cremes, e também as loções, são veículos mais espessos, ideais para peles secas”, completa a médica.

Quem tem pele oleosa e está à procura de um cosmético rejuvenescedor, por exemplo, pode apostar no sérum Be Hialuronic, da Be Belle, enquanto o Be Young, também da Be Belle, é um creme antirrugas ideal para peles mais secas.

Shutterstock

Maquiagem com FPS X fotoprotetor com cor: apesar de parecerem a mesma coisa, as maquiagens com FPS não têm a mesma eficácia na fotoproteção que os protetores solares com cor. “Geralmente, o FPS das maquiagens é muito baixo, sendo insuficiente para proteger a pele. Então, para quem usa maquiagem, o ideal é optar mesmo pelo protetor solar com cor de alta cobertura, que, além de ser eficaz na proteção, também atua como base”, alerta Daniel Cassiano, dermatologista da Clínica GRU Saúde e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. E a boa notícia é que filtro solar com cor protege mais a pele do que a versão tradicional. “Isso porque a tonalidade do filtro solar é proporcionada pela presença de óxido de ferro na composição, substância capaz de absorver a radiação visível do sol. Hoje, sabemos que a luz visível tem uma participação importante no processo de pigmentação da pele, favorecendo o desencadeamento de dermatoses pigmentárias, como melasma e hipercromia pós-inflamatória”, diz o médico.

486339964

Sabonete X shampoo em barra: mais uma vez, o shampoo em barra não é apenas uma estratégia para você comprar um sabonete por um valor mais caro. São produtos bem diferentes. “Usar um shampoo sólido ou em barra não tem nada a ver com lavar o cabelo com sabonete. Os sabões ou sabonetes passam por um processo de saponificação, têm mais aditivos químicos e pH mais alcalino, sendo assim agressivos aos fios. Já os shampoos em barra foram especificamente desenvolvidos para serem usados no couro cabeludo. A base de óleos vegetais pode até ser a mesma do sabonete, mas os componentes estão em quantidade mais adequada para o tratamento dessa região, além da fórmula ser mais nutritiva e o pH ser mais equilibrado”, acrescenta a dermatologista Patrícia Mafra, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Fio dental X escova interdental: apesar de ambos atuarem na limpeza da região entre os dentes, o fio dental e as escovas interdentais, como a CPS Prime da Curaprox, possuem ações diferentes que se complementam. “Enquanto o fio dental auxilia na remoção de detritos alimentares e pontos de contato muito apertados, a escova interdental realiza a desorganização da placa bacteriana nas irregularidades e depressões interdentais que o fio dental não consegue higienizar”, finaliza Hugo Lewgoy, cirurgião-dentista e doutor pela USP.

De que forma a saúde mental em tempos de Covid-19 afeta nossa pele

A esta altura, você não deve aguentar mais termos como “novo normal”. Mais estressada do que nunca, sua saúde mental tem alta relação com a do tecido cutâneo

É possível que você já esteja cansada de ouvir, ler e falar sobre o caos: do exausto “tempos incertos” ao ainda mais gasto “novo normal”, tudo nos bombardeia com incertezas e estresse constante, confirmando que o mundo, à falta de melhor expressão, está mesmo de pernas para o ar. Mais ansiosa e estressada que nunca, é possível que a sua pele esteja colhendo esses frutos. “A saúde mental e as doenças dermatológicas estão claramente associadas. Há uma ligação entre pele e mente que se explica pelo fato de existir uma origem biológica comum entre o sistema nervoso central e a pele”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

Pixabay

“Podemos dizer que a pele é como um sensor, que estabelece plena ligação entre o mundo externo e o mundo interno, reagindo de forma mais ou menos acentuada às emoções despertadas por diferentes estímulos”, acrescenta. Intimamente ligadas, mente e pele vão assim influenciar-se mutuamente – e essa relação é mais complexa e profunda do que podemos imaginar.

De acordo com a médica, a pele é um órgão amplamente visível, com uma função de comunicação e integração social. Dessa forma, diferentes doenças cutâneas afetam seriamente a nossa autoimagem, o que por si só já origina ansiedade, depressão e consequentemente a alteração da qualidade de vida. “Mas também sabemos que o estresse é um fator preocupante, inclusive relacionado ao desencadeamento de algumas doenças dermatológicas, como a acne, a rosácea, a psoríase, a dermatite atópica, a alopecia, o prurido e até mesmo o envelhecimento, com aparecimento de rugas”.

A explicação para isso passa pelos hormônios. “A adrenalina e hormônios como cortisol e prolactina, que são produzidos em momentos de estresse, potencializam o estado inflamatório persistente no tecido cutâneo, o que faz com que nossas células tenham longevidade e atividade diminuídas. O resultado é a aceleração do envelhecimento biológico, com o surgimento precoce de rugas e linhas de expressão, e o desenvolvimento de doenças cutâneas como acne e rosácea”, diz a médica.

Segundo o estudo “Brain skin connection: stress, inflamation and skin aging”, publicado no periódico Inflamm Allergy Drug Targets em 2014, o estresse leva à liberação de cortisol e, cronicamente, isso causa atrofia cutânea, redução do número de fibroblastos e diminuição do colágeno e elastina.

“Também há uma maior liberação de adrenalina e isso causa menor reparação aos danos ao DNA celular pelo processo de envelhecimento. O estresse emocional está ligado à redução dos mecanismos de adaptação ao estresse oxidativo (causado por agressores ambientais e hábitos como má alimentação e cigarro) aumentando a geração de radicais livres que também acentuam o envelhecimento da pele”, diz Roberta.

“Além disso, uma parte dos cromossomos, os telômeros, se encurtaria pelo estresse crônico: e o encurtamento dos telômeros é levantado como causador do envelhecimento por reduzir a função das mitocôndrias que geram energia para as células e por aumentar a produção de radicais livres”, completa a médica. Além disso, existe uma resposta exagerada dos nossos vasos cutâneos à liberação de determinadas substâncias do estresse.

Vários estudos também dão conta que o estresse aumenta a produção natural dos corticoides, facilitando a atrofia da pele e a perda de colágeno. “Ocorre também um déficit na circulação, acelerando o envelhecimento que culmina com a queda da imunidade da pele e sua capacidade de reparo e barreira — isso potencializa a ação dos agressores externos”, explica a Dra. Roberta.

O melhor meio de lidar com esses problemas é buscar ajuda médica. “Sabemos que o estresse provoca um desequilíbrio inclusive no microbioma da pele, que compreende os microrganismos que são nossos defensores. Por esse motivo, o médico pode ajudar indicando uma rotina de cuidados que conte com produtos mais suaves e menos abrasivos em um momento que essa pele precisa de um cuidado extra”, diz Roberta.

É fundamental reforçar a hidratação diária da pele, a fim de restaurar e manter o equilíbrio fisiológico da barreira cutânea”, aconselha. “Devem ser utilizados produtos de higiene suaves, com pH entre 4,5 a 5,5, e produtos cosméticos fáceis de espalhar, que não sejam muito espessos. Os produtos devem ser fáceis de espalhar, não irritantes, e com uma ação ao mesmo tempo emoliente, regeneradora, calmante, anti-inflamatória e descongestionante. Estes cosméticos aumentam muito o grau de tolerância da pele reativa, dando mais conforto, a curto e longo prazo, e melhorando a qualidade de vida”, finaliza a médica.

Fonte: Roberta Padovan é médica pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela Incisa. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, a médica é proprietária de duas clínicas, no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.

Tabaco prejudica a pele e faz fumante parecer mais velho

Existem condições dermatológicas causadas, associadas ou agravadas pelo tabagismo. “No contexto da saúde da pele, parar de fumar é fundamental para desacelerar o envelhecimento, minimizar complicações cirúrgicas e dermatológicas relacionadas ao tabagismo e melhorar as condições de saúde como um tudo, o que impacta diretamente no tecido cutâneo”, explica a dermatologista Paola Pomerantezeff, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Abaixo, a médica destaca as principais manifestações cutâneas do cigarro:

Dificuldade na cicatrização de feridas: o tabagismo demonstrou repetidamente ter efeitos deletérios na cicatrização de feridas cutâneas. “O cigarro tem sido associado a inúmeras complicações pós-operatórias, incluindo infecções de feridas. Quando são usados retalhos ou enxertos, os fumantes têm maior risco de necrose. Isso ocorre basicamente por três motivos: vasoconstrição, efeito pró-trombóticos e inflamação”, explica a médica. No caso da vasoconstrição, o fluxo sanguíneo periférico diminui em 30-40% em poucos minutos após a inalação da fumaça, comprometendo a oxigenação dos tecidos e a cicatrização de feridas. “A nicotina aumenta a adesividade das plaquetas ao inibir a prostaciclina, levando à oclusão microvascular e isquemia do tecido. O tabaco também inibe a função das células endoteliais e dos fibroblastos, a atividade do óxido nítrico, a produção do fator de crescimento endotelial vascular e a síntese de colágeno, tudo isso com impacto direto na cicatrização”, destaca.

Aparecimento de rugas e aceleração do envelhecimento da pele: a associação entre tabagismo e rugas foi estabelecida há muito tempo. “As características clínicas de um ‘rosto de fumante’ foram descritas em estudos e incluem: rugas faciais proeminentes, proeminência dos contornos ósseos subjacentes, pele seca e vermelha. As mulheres, segundo estudos, parecem ser mais suscetíveis aos efeitos de enrugamento causado pelo fumo do que os homens. O tabagismo é um fator de risco independente para as rugas, entretanto, a exposição ao sol tem um efeito sinérgico que potencializa o envelhecimento da pele”, explica Paola. “Os mecanismos de influência do cigarro nas rugas incluem a degradação da elastina da pele (mesmo quando não exposta ao sol), o aumento de espécies reativas de oxigênio, que estão implicadas no envelhecimento acelerado da pele, e também de metaloproteinases da matriz, que são enzimas que levam à degradação do colágeno, fibras elásticas e proteoglicanos”, explica a médica.

Thinkstock

Distúrbios orais e mucocutâneos: o tabaco tem se mostrado um fator de risco independente para o carcinoma epidermoide oral, o câncer que se desenvolve na boca. Fumar está associado à melanose do fumante, hiperpigmentação gengival devido ao aumento da melanina na camada basal da epiderme, além de gengivite, periodontite e erosões palatinas dolorosas. “O hábito de fumar também contribui para as rugas labiais, na medida em que ajuda a quebrar a fibra de sustentação e o colágeno da pele, ocasionando o aparecimento do código de barras.”

Doenças de unhas e cabelos: fumar tem sido associado a vários distúrbios do cabelo e das unhas, como alopecia androgenética, cabelo grisalho prematuro, unhas de fumante e pelos faciais descoloridos. “O cigarro basicamente prejudica a circulação sanguínea e, consequentemente, a oxigenação e aporte de nutrientes de tecidos periféricos, incluindo a pele, unhas e cabelo. As substâncias tóxicas do cigarro também levam a um quadro altamente inflamatório, sensibilizando a região que pode sofrer com irritação, dermatite seborreica, afinamento, quebra dos fios e queda capilar”, explica.

Guia Médico Brasileiro

Hidradenite supurativa: conhecida como acne inversa, essa condição de pele ocorre com mais frequência em fumantes. “Geralmente confundida com furúnculos ou espinhas grandes, a hidradenite supurativa é uma inflamação crônica da pele que se caracteriza pelo surgimento de inchaços e cistos profundos em regiões como axilas, mamas, virilha, genitais e glúteos, que liberam secreção purulenta e causam desconforto e dor”, explica a Dra. Paola Pomerantzeff. “O mecanismo dessa associação ainda não está claro, mas foi sugerido que a nicotina altera a função das células imunológicas e hiperplasia epidérmica, levando à oclusão e ruptura dos folículos pilosos”, explica.

Psoríase: fumantes apresentam risco aumentado de desenvolver psoríase e apresentam taxas mais baixas de melhora clínica com o tratamento. “Nessa doença autoimune comum, o corpo reconhece uma proteína normal da pele como anormal e tenta se livrar dela fazendo a pele descamar. Isso resulta em placas grandes, espessas e escamosas que racham e sangram, e podem ser dolorosas e apresentar coceira”, diz a dermatologista. As áreas de impacto podem variar, mas algumas das mais sensíveis são o couro cabeludo, rosto, genitais e unhas. “Pacientes que fumam têm maior probabilidade de apresentar maior gravidade da doença. A pustulose palmoplantar, uma variante da psoríase, demonstrou ter uma associação mais forte com o tabagismo”, explica.

Medicine Net

Lúpus: o desenvolvimento de lúpus eritematoso sistêmico, bem como o aumento da gravidade da doença, tem sido associado ao tabagismo. “Além disso, o cigarro prejudica demais o tratamento da doença, interferindo diretamente na efetividade dos medicamentos”, afirma.

Desordens vasculares: Doença de Buerger (tromboangeíte obliterante), uma doença oclusiva segmentar não aterosclerótica que afeta várias extremidades, está fortemente associada ao tabagismo. “Nessa doença, os sintomas são os mesmos da redução do fluxo de sangue nas extremidades: sensação de frio, dormência, formigamento ou ardor. É mais comumente visto em homens com idade entre 20 e 40 anos que fumam muito”, diz Paola.

Dermatite: o tabagismo demonstrou ter uma associação significativa com eczema ativo nas mãos. Os cigarros são um fator de risco conhecido para dermatite de contato alérgica. “Vários alérgenos potenciais de cigarros podem ser encontrados em filtros, papel e tabaco. Vários relatórios documentaram dermatite de contato irritante e alérgica ao adesivo de nicotina em alguns pacientes que tentaram parar de fumar.”

Câncer de pele: apesar da presença de vários carcinógenos na fumaça do tabaco, a relação entre o tabagismo e o câncer de pele permanece controversa. “Parece haver uma correlação entre maços por dia e anos de tabagismo com o desenvolvimento de carcinoma de células escamosas, principalmente em mulheres. Mas, mais estudos precisam ser realizados para avaliar o papel do tabagismo no desenvolvimento do câncer de pele. O que se sabe é que a falta de nutrição das células da pele pode prejudicar sua imunidade, o que a deixa mais suscetível aos danos ambientais do sol”, explica a médica. Não existe evidência conclusiva que associe o tabagismo a um risco aumentado de melanoma. “De qualquer maneira, parar de fumar ajudará e melhorar diversas condições de pele”, finaliza a médica.

Cigarro provoca rugas precoces e fumantes aparentam ter dois anos a mais

Cigarro acelera envelhecimento da pele e nicotina estimula o estresse oxidativo, libera mensageiros pró-inflamatórios, que prejudicam a função de barreira da pele, e compromete a hidratação

O cigarro figura entre os principais vilões de nossa saúde e com relação à pele não é diferente. “Ao fumarmos um cigarro ocorre, por exemplo, a vasoconstrição periférica, o que diminui o fluxo sanguíneo que é responsável por nutrir o tecido cutâneo. Como consequência desta diminuição de oxigenação e nutrição, nossa pele perde a luminosidade e torna-se amarelada e mais flácida com o passar do tempo”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

Deposiphotos

“O fumo também causa uma série de manifestações cutâneas de forma que fumantes aparentam ter dois anos a mais do que suas idades reais, segundo pesquisa”, completa a médica. “O consumo de cigarro induz ao envelhecimento, já que as substâncias tóxicas presentes estão associadas à vasoconstrição periférica por um período de dez minutos, o que diminui o fluxo sanguíneo para o tecido cutâneo e cabelos. Isso traz consequências na perda da viço e luminosidade da pele além de favorecer o amarelamento do tecido; também há uma perda de firmeza por conta da oxigenação e nutrição diminuídas”, afirma Letícia Bortolini, dermatologista membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

De acordo com a especialista, o tabagismo é associado ao comprometimento da permeabilidade epidermal, ou seja, da primeira camada da pele. “E isso contribui para um aumento da prevalência de desordens cutâneas, uma vez que a nicotina – que é somente uma das substâncias tóxicas presentes no cigarro – estimula o estresse oxidativo e libera mensageiros que vão causar inflamação na pele e prejudicar a função da barreira. Isso compromete a hidratação e favorece o aparecimento de rugas e flacidez”, conta Roberta. Os efeitos do fumo no envelhecimento foram avaliados no norte da Finlândia, onde os danos cumulativos da exposição solar são baixos.

O cigarro também é responsável por causar a deterioração acelerada das fibras de colágeno e elastina responsáveis por conferir sustentação à pele, visto que a nicotina, princípio ativo do tabaco que compõe o cigarro, percorre pelo sangue até a parte interna do tecido cutâneo, lesando estas fibras elásticas da pele. “Dessa forma, a pele adquire um aspecto acinzentado, sem brilho, com a presença de rugas e vincos na região dos olhos e numerosas linhas de expressão na bochecha e mandíbula. Além disso, há a perda do contorno facial, o que culmina em olheiras profundas, sulcos mais proeminentes, mandíbula sem definição e maçãs do rosto caídas”, alerta Roberta Padovan.

A influência do tabaco sobre a saúde de nossa pele é tamanha que, segundo pesquisa realizada Santa Casa de São Paulo, as rugas em fumantes são 38% mais evidentes do que em não fumantes, sendo então o cigarro tão ou mais prejudicial para a pele do que a exposição solar prolongada sem proteção. “Além dos aspectos estéticos, o cigarro também é um fator de risco para certos tipos de câncer de pele, visto que provoca mutações no DNA das células que compõem o tecido cutâneo”, acrescenta a médica.

Roberta sugere que fumantes, além de buscar reduzir o consumo do cigarro, devem procurar um médico para reforçar os cuidados com a pele, a fim de diminuir os danos causados pelo cigarro. “Existem diversos tratamentos para recuperar o contorno facial, como preenchimentos injetáveis, além de lasers e radiofrequência microagulhada para melhorar a qualidade da pele”, diz.

Um dos tratamentos mais indicados para rejuvenescer a pele de fumante é o Pico Ultra 300, no modo de tratamento ultrafracionado. Segundo Letícia, diferente dos outros lasers de picossegundos, é possível com o comprimento de onda 532nm eliminar os sinais de fotodano e envelhecimento: “Além das hiperpigmentação, o envelhecimento ocorre pela desnaturação e redução de fibras elásticas e colágenas, então Pico Ultra 300 promove uma reorganização dessas fibras, além de aumento da produção dessas proteínas de sustentação da pele”.

A grande vantagem, segundo a médica, é o rejuvenescimento sem downtime ou com mínimo incômodo por pouco tempo. “Hoje as pessoas não querem e não tem tempo para ficar vermelhas ou descamando em casa. Além disso, o tratamento não dói, mas ainda é possível aplicar anestésico tópico antes para pessoas mais sensíveis”, conta. No geral, são feitas três sessões, sendo uma a cada 30 dias, mas podem ser feitas mais vezes, dependendo da indicação.

Outra opção para renovar o colágeno da pele, consumido pelos anos de vício, é o ultrassom microfocado, capaz de combater a flacidez e devolver firmeza à pele. “As ondas de ultrassom fazem micropontos de coagulação sob a pele para tonificar o tecido cutâneo, estimular a produção de colágeno e conferir efeito lifting, o que dá fim à flacidez presente na área tratada”, explica a cirurgiã plástica Beatriz Lassance, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Isaps (International Society of Aesthetic Plastic Surgery).

“As sessões são rápidas, com o tempo de duração variando de acordo com o local de aplicação e a quantidade de áreas tratadas. No geral, cada sessão facial dura entre 15 e 40 minutos”, afirma a cirurgiã plástica. Já é possível ver melhora significativa após a primeira sessão e os resultados continuam a aparecer durante os três meses seguintes.

Conheça os principais tipos de rugas e as mais poderosas substâncias para tratá-las em casa

Essas rugas podem ser suavizadas com dermocosméticos, mas eles precisam contar com substâncias poderosas para uma ação efetiva

Embora as rugas possam aparecer em qualquer parte do corpo, as áreas mais comuns são no rosto. “É exatamente na face onde temos 42 músculos individuais e uma área que pode facilmente ser vítima da exposição ao sol”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética. Muita exposição ao sol, anos fumando e o próprio envelhecimento natural são os motivos mais comuns para rugas – que também surgem por meio de expressões que facilitam a “dobra” da pele.

“Algumas pessoas possuem tendência a formar rugas mais precocemente, geralmente pessoas de pele mais clara; em outras pessoas, o surgimento demora para aparecer”, explica o cirurgião plástico Paolo Rubez, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS).

Abaixo, convidamos especialistas para explicar as principais áreas de formação das rugas:

Pés de galinha – um estudo descobriu que 84% das mulheres percebem pés de galinha ao redor dos olhos como os primeiros sinais de envelhecimento. “O motivo é que a pele ao redor dos olhos é a mais fina do corpo. Para começar, não há tanto colágeno e elastina na área, então, quando você começa a sofrer os danos do sol, é um dos primeiros lugares do rosto a enrugar”, diz Roberta. Além disso, pés de galinha são as linhas de expressão associadas à alegria, enquanto outras linhas, como aquelas entre as sobrancelhas, estão associadas à preocupação.

Linhas Glabelares – as rugas “11” são as duas linhas verticais que se formam entre as sobrancelhas. “Elas se parecem exatamente com o número e geralmente são causados por franzir as sobrancelhas repetidamente, o que os torna um excelente exemplo de rugas dinâmicas, aquelas que aparecem quando você faz movimentos faciais repetitivos”, diz a médica.

Linhas do sorriso – elas podem ser chamadas de linhas de riso, mas você provavelmente não terá dobras nasolabiais pronunciadas – as dobras que se estendem do nariz aos cantos externos da boca – apenas pelo movimento muscular. Eles geralmente são causados por flacidez da pele e perda de gordura subcutânea com a idade.

Shutterstock

Linhas da testa – as rugas da testa são as linhas horizontais que cruzam a testa, geralmente causadas por levantar as sobrancelhas repetidamente. “Algumas pessoas têm rugas na testa mais ou menos profundas do que outras devido a uma combinação de genética e opções de estilo de vida, como o uso do protetor solar”, afirma a médica.

Bigode chinês – segundo o cirurgião plástico Mário Farinazzo, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), são vários os fatores que estão ligados ao aparecimento do famoso bigode chinês, que também é chamado de sorriso amargo. “O sulco nasogeniano é formado por finas linhas que surgem das asas nasais até a comissura dos lábios. São incômodos conhecidos entre homens e mulheres, mesmo sendo um sinal comum de envelhecimento”, afirma.

*Como se livrar das rugas em casa?

Existem boas notícias: as rugas podem ser suavizadas com o tempo e o uso de produtos com orientação médica. “Os cuidados anti-idade devem preconizar a ordem da pirâmide da beleza e saúde epitelial, em que temos itens: fundamentais (hidratação, antioxidantes, enzimas e fotoproteção) para proteção e reparação; transformadores (retinoides e alfa, beta e poli-hidroxiácidos) para esfoliação, melhora da renovação celular e hidratação; e, por fim, ‘otimizadores’ (peptídeos e fatores de crescimento) para estimulação, cicatrização e regeneração celular. Dependendo do caso, o mais indicado é o tratamento médico com tecnologias modernas, como Pico Ultra 300 (um laser ultrarrápido para rejuvenescimento e manchas), Ultraction 3D (um potente ultrassom) e o laser Pro Collagen (com ação de volumização e estímulo do colágeno)”, afirma o dermatologista Abdo Salomão Jr., membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia. Quanto aos produtos de cuidados diários, não tente fazer isso sem a orientação de um médico. “Embora rugas mais graves normalmente não possam ser totalmente revertidas em casa, sua aparência pode ser diminuída – isto é, se você usar produtos adequados”, explica Roberta.

Confira abaixo as melhores substâncias:

Retinoides – são o que chamamos de ‘padrão ouro’ para redução de rugas em casa. “São derivados da vitamina A, então estimulam a renovação celular e aumentam a produção de colágeno, reduzindo assim o aparecimento de rugas”, diz Roberta. Retinoides é o termo genérico para todos esses derivados, incluindo retinol, que você pode encontrar em produtos sem receita, e ácido retinoico, disponível sob prescrição. De qualquer forma, consultar um médico é vital nesse caso. “Além da capacidade de redução de rugas, os retinoides podem suavizar a pele, uniformizar a textura e atenuar manchas escuras. Mas com grande potência vem o risco de irritação. Para evitar vermelhidão e descamação (sinais de que a forma ativa do retinol, um composto chamado ácido retinoico, está trabalhando para produzir mais colágeno), existem estratégias como começar a usar um retinoide duas vezes por semana e, em seguida, um hidratante. Após algumas semanas, podemos aumentar o uso para três vezes por semana”, afirma Roberta. E como os retinoides podem torná-lo mais sensível aos raios ultravioleta, os especialistas recomendam usá-los apenas à noite, quando você não está exposto ao sol. E no dia seguinte, não esqueça do protetor solar.

Peptídeos de Retinol-like – o retinol pode causar efeitos colaterais, favorecendo o surgimento de vermelhidão, irritação, sensibilidade e descamação, além de ser contraindicado para gestantes. Para rejuvenescer sem efeito colateral, a marca italiana de dermocosméticos Ada Tina Italy criou o Retintense 5.0, um sérum ultra rejuvenescedor e clareador da pele livre de Retinol Puro e desenvolvido com peptídeos Retinol-like, podendo inclusive ser utilizado durante o dia e no verão. “Os Peptídeos Retinol-Like são quatro vezes mais potentes que o Retinol Puro e capazes de aumentar em 20% a produção de colágeno na pele, conferindo efeito lifting, harmonização facial, preenchimento de rugas e clareamento de manchas sem causar efeitos colaterais”, afirma o farmacêutico Maurizio Pupo, Pesquisador, Consultor em Cosmetologia e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina Italy. Retintense ainda traz a Niacinamida Clareadora, o Ácido Hialurônico de Baixíssimo Peso Molecular e o fator de crescimento plant-TGFβ2, que potencializa a produção de colágeno.

Antioxidantes – Vitamina C, Niacinamida, Ácido Ferúlico e Resveratrol são verdadeiros defensores da nossa pele e atuam para neutralizar os radicais livres, que causam danos às células da pele e, portanto, causam rugas. “Além disso, eles também aumentam a produção de colágeno e muitos deles têm efeito clareador. Para obter o máximo de proteção, você pode aplicá-lo antes do protetor solar para potencializar a defesa da pele”, afirma Roberta. A ação dos radicais livres ocorre em uma camada mais profunda da pele, que deve ser alcançada pelo antioxidante. “Então, quando usamos um creme, a matéria-prima dele precisa ter boa permeação e chegar às camadas mais profundas para neutralizar a formação de radicais livres”, afirma Pupo. “Os antioxidantes podem neutralizar a ação dos radicais livres ou até reverter os danos, diminuindo a concentração dessas moléculas e a inflamação no local”, completa o pesquisador.

Ácidos, alfa-hidroxiácidos e renovadores esfoliantes – alfa-hidroxiácidos (AHAs), que incluem ácido glicólico, cítrico e láctico, aumentam a renovação celular e iniciam a produção de colágeno, o que reduz o aparecimento de rugas e linhas finas com o tempo. Os AHAs podem ser encontrados em concentrações mais baixas em limpadores de venda livre e em peelings caseiros, ou em concentrações mais altas na forma de peelings químicos administrados por um dermatologista. “O ácido glicólico tem as menores moléculas de todos os AHAs, por isso pode penetrar facilmente na pele. Mas, como é capaz de penetrar tão bem, há uma probabilidade maior de irritação e quem tem pele sensível pode optar por ácido lático ou cítrico mais suave. Lembrando que essa orientação sempre deve ser feita pelo médico”, afirma Roberta. Para renovar a pele, você pode contar também com esfoliantes, que são menos agressivos, mas ajudam a retirar a primeira camada da pele, o que incentiva uma renovação celular.

Ácido Hialurônico – é uma glicosaminoglicana e faz parte da matriz extracelular, onde ficam as fibras do colágeno e elastina. “Com o avanço da idade, o ácido hialurônico diminui, reduzindo também a hidratação e elasticidade da pele. Então, quando existe falta de ácido hialurônico, há desidratação da pele, tendência à flacidez, formam-se rugas, sulcos e perda de luminosidade”, explica Isabel Piatti, Consultora Executiva em Estética e Inovação Cosmética e conselheira do Comitê Técnico de Inovação da Buona Vita. A Buona Vita, por exemplo, conta com o 4D, um sérum preenchedor de rugas e linhas de expressão. Além de quatro ácidos hialurônicos de diferentes pesos moleculares, o produto traz Sculptessence, que estimula a síntese de glicosaminoglicanas, proteínas estruturais de resistência, flexibilidade e elasticidade da pele.

Protetor solar – os raios ultravioleta são uma das maiores causas de rugas prematuras, então o filtro solar é o segredo final para manter uma pele jovem. “Proteger sua pele dos raios ultravioleta ajudará a prevenir a formação de novas rugas, bem como a retardar o agravamento das existentes em seu rosto. Use-o diariamente e respeitando a reaplicação do produto: a cada duas horas em exposição direta e a cada quatro horas em ambientes fechados”, diz Roberta. O protetor solar Bonelli Solare, desenvolvido pela Be Belle, traz textura ultraleve, toque seco, rápida absorção e alta espalhabilidade, tudo isso com FPS 30 e PPD 13,4 para oferecer alta proteção contra a radiação UVA e UVB e combater todos os tipos de danos causados pela exposição solar. “Além disso, o produto confere ação hidratante, antioxidante e rejuvenescedora, prevenindo rugas, manchas, flacidez, câncer de pele e queimaduras solares ao mesmo tempo em que promove potente hidratação sem deixar a pele oleosa”, explica a cosmetóloga Ludmila Bonelli, CEO da Be Belle. Existem também suplementos que podem ajudar na questão da fotoproteção oral e ação antioxidante. Mais recentemente tem se falado muito na questão dos pré e probióticos associados à formulação tópica e via oral com conceito de defesa e imunologia da pele. A fotoproteção oral é fundamental e complementar. No entanto, eles não substituem os protetores de uso tópico! “Eles funcionam como verdadeiros guardiões, quando associados aos protetores locais, para preservar a estrutura e evitar a desnaturação do DNA celular por proteger as células imunológicas da pele e reverter em parte os danos biológicos e inflamatórios causados pela exposição exagerada ao sol”, afirma Roberta. Os mais importantes são o Polipodium Leucotomus, Pycnogenol, Astaxantina, Luteína, Extrato de White e Green Tea, Resveratrol e ácido elágico da Romã, sempre associando ao uso de silício orgânico Exsynutriment para melhora do aspecto da flacidez e ao Bio-Arct para ação antioxidante, imunológica e melhora da energia mitocondrial.

Tudo que você precisa saber para cuidar da delicada pele ao redor dos olhos

Esta área sensível requer cuidados diferentes do que o resto do seu rosto. Saiba o que fazer e o que evitar nos cuidados com essa pele, além de descobrir como tratar problemas comuns, desde linhas finas e olheiras até inchaço

Nunca os olhos foram tão expressivos quanto agora. Por conta das máscaras de proteção, o olhar é o nosso maior destaque – e também nossa maior representação das emoções. Mas devemos cuidar bem da região, pois algumas alterações estéticas dão sinais que não necessariamente queremos dizer.

“Enquanto as rugas deixam a aparência mais triste, as olheiras dão um ar de cansaço. A pele ao redor dos olhos é uma das mais finas e sensíveis do corpo. Também está entre as primeiras a revelar sinais de envelhecimento precoce, como linhas finas, flacidez, rugas e olheiras”, explica Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

“A pele da área dos olhos não tem tantas glândulas sebáceas e colágeno quanto o resto do seu rosto e corpo, tornando-a mais propensa a secar e desenvolver sinais de envelhecimento. Um estudo publicado no periódico Clinical Anatomy concluiu que as áreas da pele com menos glândulas sebáceas (que produzem oleosidade) são menos densas e mais sujeitas a rugas, razão pela qual os pés de galinha são um problema tão grande nessa região”, acrescenta. Abaixo, a médica destaca um manual de cuidados e tratamentos para a pele ao redor dos olhos:

Três cuidados básicos:

=Comprometa-se a tratar a pele dos olhos: os cremes para os olhos são um dos produtos que os pacientes mais esquecem de usar com frequência, segundo Roberta: “Você precisa de um hidratante que possa penetrar na área para fornecer a hidratação necessária”.

=Não confie no seu hidratante facial: é um hábito comum usar o hidratante facial na área dos olhos, mas, na maioria das vezes, isso não é indicado. “É necessário um creme específico para a área dos olhos, pois ele é desenvolvido com ativos destinados a tratar essa área e na textura ideal. Além disso, alguns hidratantes faciais podem conter ingredientes ativos, como retinoides, que podem estar em uma concentração muito forte para a pele sob os olhos – o que pode causar uma grande irritação”, diz a médica.

=Opte por determinados ativos: só porque é uma área delicada não significa que você precise de um hidratante suave. “Um dos melhores ativos para ficar atento é o retinol, um derivado da vitamina A. Um creme para os olhos que contém retinol é diferente de um creme facial típico com retinol, por conta de textura e da concentração do ativo. Nesse caso, ele também é formulado em uma base mais emoliente (ou seja, hidratante); além disso, procure ingredientes como ácido hialurônico para aumentar a hidratação enquanto diminui o risco de irritação. Outros ativos importantes para a região são: meiyanol e ácido kójico para atuar contra olheiras, peptídeos e extratos como o de cafeína”, afirma Roberta.

Quatro dicas para lidar com problemas comuns:

Círculos escuros: embora eles estejam ligados à falta de sono, às vezes registrar consistentemente oito horas por noite não vai eliminá-los. “Isso porque há um componente genético nas olheiras também. Elas são difíceis de apagar completamente com cremes, mas existem alguns produtos tópicos interessantes que contêm cafeína ou vitamina K, que podem ajudar na circulação para clarear os círculos escuros”, diz a médica.

Shutterstock

Inchaço: “Se você acordar inchado, pode ser por causa do fluido que se acumulou sob seus olhos enquanto você dormia. “Se este for um cenário comum para você, um rolo de jade pode ajudar. Deixe na geladeira durante a noite e, de manhã, mergulhe o rolo no gel para os olhos e role suavemente sobre o inchaço, o que ajudará a drenar a região, diminuindo o inchaço. As baixas temperaturas reduzem o fluxo sanguíneo para reduzir o inchaço da área dos olhos”, afirma a médica.

Linhas finas e rugas: opte por um retinol ou um creme para os olhos cheio de peptídeos. “Enquanto o retinoide estimula a renovação das células da pele e a produção de colágeno, os peptídeos ligam-se às células para exercer diversas ações, como: antiglicante (combatendo os malefícios do açúcar), clareadora e rejuvenescedora”, explica a médica. Pela manhã, ela recomenda um creme para os olhos que contenha chá verde, um ingrediente antioxidante que protege a pele contra os estressores ambientais que contribuem para o envelhecimento. “Os polifenóis do chá verde, que são compostos antioxidantes, neutralizam os radicais livres do envelhecimento no corpo, diminuem o risco de queimaduras solares e diminuem a atividade de uma enzima que degrada o colágeno da pele. O resultado: menos danos UV e menos linhas e rugas”, afirma Roberta.

Foto: HealthStatus

Vermelhidão e irritação: “Dada a natureza fina e sensível dessa pele, pode levar mais tempo para se recuperar, então se você for sensível a um ingrediente de um de seus produtos, como fragrâncias, conservantes ou extratos naturais de plantas, os olhos costumam ser a primeira área que vai explodir em irritação, ou a irritação pode ser mais extrema. Nesse caso, consulte um médico. É melhor tratar a área imediatamente [e identificar o produto ofensivo]; caso contrário, pode levar semanas ou meses para voltar ao normal”, diz.

Que tipo de produto escolher?

Creme ou gel? Esta questão depende do seu tipo de pele ou da preocupação principal. “Se você costuma sofrer com secura na pele dessa região, então é melhor escolher um creme que contenha menos água do que um gel, permitindo uma melhor hidratação. Nesse caso, o gel por si só não é hidratante o suficiente. Por outro lado, se você está lidando com bolsas sob os olhos, um gel pode ser perfeito para você. A vantagem de muitos produtos em gel disponíveis no mercado é que eles podem ser refrigerados. Quando você aplica, qualquer inchaço desaparece imediatamente”, diz a médica.

Aplicação adequada do cosmético

Sobre como aplicar um creme ou gel para os olhos, a médica recomenda usar o dedo com o toque mais leve, geralmente o mindinho. “Bata suavemente na área sob os olhos até que esteja coberta. Isso garante que você não puxe essa pele delicada como faria se a esfregasse”, afirma.

Procedimentos médicos

Às vezes, uma solução sem receita simplesmente não resolve. Felizmente, existem soluções mais poderosas disponíveis no consultório médico. Aqui estão alguns procedimentos e tratamentos sobre os quais você deve perguntar:

Injetáveis: de acordo com um artigo publicado em janeiro de 2015 na Clinics in Plastic Surgery, a injeção de uma pequena quantidade de ácido hialurônico, um preenchedor comum, pode preencher o pequeno sulco próximo à cavidade lacrimal. “Como a pele da região é muito fina, como a pesquisa mostrou, esse procedimento deve ser feito por um profissional qualificado. Para pessoas entre 20 e 40 anos, as olheiras reagem muito bem a esse tratamento”, diz a médica. “Os tratamentos injetáveis de ácido hialurônico têm a função de preencher e restabelecer a estrutura desta região das pálpebras inferiores quando o paciente começa a perder a sustentação. É uma ótima opção para quem sofre com a hiperpigmentação da região, restaurando o volume da pálpebra inferior e reduzindo a coloração”, afirma Paolo Rubez, cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS).

Ao preencher esse espaço, ele muda a forma como a luz é refletida nessa área, fazendo com que os olhos pareçam cada vez mais claros. Com um anestésico tópico, as injeções produzem o mínimo de dor e duram de 9 a 12 meses. Uma abordagem diferente pode ser garantida para pessoas na casa dos 45 anos, diz a médica. “Frequentemente, ocorrem alterações ósseas, bem como escorregamento de almofadas de gordura profundas devido à perda de gordura e colágeno, que servem de suporte para a área”, diz a médica. Para tratar essas alterações, a lipoenxertia pode ser indicada. “Nesse caso, utilizamos a gordura do próprio corpo para rejuvenescer a pele, então, a técnica é biocompatível e não há os riscos de rejeição. E, mesmo sabendo que cerca de 50% do material enxertado pode ser absorvido pelo organismo, a quantidade restante é repleta de células-tronco capazes de melhorar a qualidade e o aspecto da pele”, afirma Rubez

“O primeiro passo é retirar a gordura de outra região, que pode ser dos culotes, partes internas ou externas das coxas, costas ou abdômen — sendo que esta última área é a mais comum. O procedimento é feito através de uma cânula que fará a lipoaspiração do material, levando-o para um recipiente separado. Nele, o médico eliminará partes desnecessárias para que a gordura fique limpa e pronta para ser enxertada no local desejado”, completa o médico. Logo após, a gordura é injetada na região facial com o objetivo de trazer efeito volumizador, tratando problemas como olheiras profundas.

Tratamento a laser: para linhas finas ou olheiras, experimente um tratamento a laser. “Existem tecnologias não ablativas que aquecem as camadas mais profundas da derme sem danificar a superfície da pele e melhoram vários sinais de envelhecimento de uma só vez, usando o calor direcionado para desencadear uma resposta de tratamento da pele enrugada”, diz a médica. “Essa resposta estimula a produção de colágeno, o que ajuda a firmar a pele ao longo do tempo. Os lasers não apenas reduzem as linhas, mas também melhoram a aparência das olheiras, manchas escuras e textura”, explica.

Cirurgia de blefaroplastia: “Com a perda de colágeno com o envelhecimento da pele, a camada de gordura ao redor do olho pode escorregar, criando uma protuberância que as pessoas percebem como bolsas ao redor dos olhos”, afirma Roberta. Indicada para fins estéticos e também funcionais, visto que a flacidez excessiva das pálpebras pode atrapalhar a visão de algumas pessoas, a cirurgia de blefaroplastia tem como objetivo rejuvenescer a área periorbital por meio da retirada do excesso de pele e bolsas de gordura presentes nas pálpebras superiores e inferiores, com a possibilidade do reposicionamento dessas estruturas ou preenchimento de sulcos na região quando o médico julgar necessário.

“Em alguns pacientes pode ser realizada também enxertia de gordura para preencher a perda dos tecidos locais, visto que o resultado da cirurgia se torna mais natural quando há certo volume de tecido ao redor dos olhos”, afirma Rubez. “Feito sob anestesia local com sedação ou geral, a cirurgia, que dura entre uma e duas horas, também pode ser realizada em conjunto ao lifting do terço superior da face, quando o excesso de tecido nas pálpebras é causado também pela queda dos supercílios”.

De acordo com o especialista, a recuperação do procedimento é tranquila e indolor, sendo que nos primeiros dias após a cirurgia o paciente pode apresentar inchaço e hematomas no local, sintomas que se resolvem dentro de algumas semanas e podem ser aliviados com a ajuda de repouso e compressas frias sobre os olhos. Os cuidados pós-operatórios são semelhantes aos da cirurgia de correção de ptose palpebral e o resultado definitivo é notado em torno de 3 a 6 meses.

Por fim, a médica lembra que maus hábitos de saúde, principalmente o fumo, podem contribuir para problemas sob os olhos: “O consumo excessivo de álcool pode causar bolsas e olheiras, além de afetar a qualidade do seu sono. Por falar em sono, certifique-se de que está dormindo bem entre sete e nove horas recomendadas por noite. Beber bastante água, reduzir o sal na dieta e aumentar o consumo de vegetais folhosos e frutas, ambos alimentos ricos em vitaminas, minerais e antioxidantes, também é um bom caminho para ajudar a pele dessa região”.

Fontes:
Roberta Padovan é médica pós-graduada em Dermatologia. Graduada em Medicina pela Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) e especialista em Medicina Estética e Dermatologia pela Incisa. Com participação regular em congressos, jornadas e cursos nacionais e internacionais, é proprietária de duas clínicas, no Maranhão e em São Paulo, com diversos tratamentos para saúde e beleza da pele. Além disso, atuou como médica residente no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto.
Paolo Rubez é cirurgião plástico, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, da Sociedade Americana de Cirurgia Plástica (ASPS) e da International Society of Aesthetic Plastic Surgery (Isaps), Mestre em Cirurgia Plástica pela Escola Paulista de Medicina da Unifesp. O médico é especialista em Cirurgia de Enxaqueca pela Case Western University, com o Dr Bahman Guyuron (em Cleveland – EUA) e em Rinoplastia Estética e Reparadora, pela mesma Universidade, e pela Escola Paulista de Medicina/Unifesp.

Consumo de uvas oferece proteção contra os danos UV da pele, mostra estudo recente

Publicado no final de janeiro no Journal of the American Academy of Dermatology estudo afirma que as uvas são capazes de proteger a pele contra o fotodano

Um estudo humano recente publicado no Journal of the American Academy of Dermatology descobriu que o consumo de uvas protege contra os danos ultravioleta (UV) da pele. “Os participantes do estudo mostraram maior resistência às queimaduras solares e redução nos marcadores de danos UV no nível celular.

Acredita-se que os componentes naturais encontrados nas uvas, conhecidos como polifenóis, sejam os responsáveis por esses efeitos benéficos”, afirma Maurizio Pupo, Pesquisador, Consultor em Cosmetologia e diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Ada Tina Italy. O estudo Dietary table grape protects against UV photodamage in humans: 1. clinical evaluation foi conduzido na University of Alabama e publicado no final de janeiro.

Mebiotic

“Falar sobre os benefícios da uva é lembrar do poder do resveratrol, um polifenol encontrado, principalmente, na casca e nas sementes das uvas vermelhas ou pretas. Com relação à pele, sua ação antioxidante e protetora contra a radiação ultravioleta é o mais importante para um efeito anti-idade complementar, na medida em que aumenta a longevidade celular”, afirma a médica nutróloga Marcella Garcez, diretora e professora da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

Os autores investigaram o impacto do consumo de pó de uva integral – equivalente a 2,25 xícaras de uvas por dia – por 14 dias contra os fotodanos causados pela luz ultravioleta. “A resposta da pele dos indivíduos à luz ultravioleta foi medida antes e depois de consumir uvas por duas semanas, determinando a dose limite de radiação ultravioleta que induziu vermelhidão visível após 24 horas – a Dose Mínima de Eritema”, explica Pupo.

O estudo concluiu que o consumo de uva exerce um papel protetor, ou seja, mais exposição aos raios ultravioleta foi necessária para causar queimaduras solares após o consumo da uva, com a Dose Mínima de Eritema aumentando em média 74,8%. “A análise de biópsias de pele mostrou que a dieta da uva foi associada a danos ao DNA diminuídos, menos mortes de células da pele e uma redução nos marcadores inflamatórios que, se não forem controlados, juntos podem prejudicar a função da pele e podem levar ao câncer de pele”, explica Pupo.

O câncer de pele é o mais comum no país. Além de fatores genéticos, a maioria dos casos de câncer de pele está associada à exposição à radiação ultravioleta do sol: cerca de 90% dos cânceres de pele não melanoma e 86% dos melanomas, respectivamente. Além disso, cerca de 90% do envelhecimento da pele é causado pelo sol.

“Com esse estudo, vimos um efeito fotoprotetor significativo com o consumo da uva e é possível identificar as vias moleculares pelas quais esse benefício ocorre – por meio do reparo do dano ao DNA e da regulação negativa das vias pró-inflamatórias. As uvas podem atuar como um protetor solar comestível, oferecendo uma camada adicional de proteção além dos produtos tópicos de proteção solar”, explica o pesquisador.

Usada em cosméticos, a molécula de resveratrol, derivada das uvas, também é altamente utilizada em dermocosméticos por conta do seu elevado poder antioxidante natural. “Ela é capaz de prevenir e até tratar inúmeras doenças devido ao seu poder antioxidante, anti-inflamatório, estimulante da expressão de sirtuínas e protetor dos telômeros”, diz Pupo. “Com esse estudo, fica claro que o ideal é combinar o consumo das uvas com produtos tópicos antioxidantes e de proteção solar”, explica o farmacêutico.

Cuidados com áreas esquecidas

A exposição solar sem a fotoproteção adequada é o mais importante agressor da pele, pois leva a um dano cumulativo: causa mudanças nas bases do DNA celular que provocam reações de mutação celular, com consequente fotoenvelhecimento precoce, inflamação e cancerização. “Por isso, a melhor forma de proteção é o filtro solar. Mas existem regiões do corpo que são comumente esquecidas e podem sofrer desde queimaduras solares ou, por conta do dano cumulativo, alterações mais graves”, afirma Roberta Padovan, médica pós-graduada em Dermatologia e Medicina Estética.

Por isso, reforce a proteção em áreas como pálpebras e canto interno dos olhos, cantos e ponta do nariz, região da boca e lábios, orelhas, nuca, dorso dos pés e mãos. As pálpebras por exemplo viraram preocupação mundial pelo aumento da incidência de câncer de pele, que já chega a 10% nessas áreas frequentemente negligenciadas, segundo pesquisa da Universidade de Liverpool apresentada na conferência anual da Associação Britânica de Dermatologistas em 2017, no Reino Unido.

“Uma proteção solar adequada deve ser feita efetivamente com a cobertura de todo o rosto, além do uso de chapéus e principalmente óculos de sol, já que a área dos olhos tem uma pele extremamente fina e susceptível a danos, inclusive câncer”, explica Roberta. “Como a pele da região dos olhos é muito delicada, alguns filtros podem causar irritação; dessa forma, o paciente deve priorizar produtos oftalmologicamente testados, protegendo a área sem correr risco de reação”, afirma.

“Mas devemos lembrar da importância de acessórios na proteção solar, como os óculos de sol com proteção UV, que não resguardam apenas os olhos e córneas; eles são importantes para proteger, também, a pele das pálpebras propensas a câncer”, completa.

Outras formas de proteção

Stock Photos

Além da alimentação, existem também suplementos que podem ajudar na questão da fotoproteção oral e ação antioxidante. “Mais recentemente tem se falado muito na questão dos pré e probióticos associados à formulação tópica e via oral com conceito de defesa e imunologia da pele. A fotoproteção oral é fundamental e complementar. No entanto, eles não substituem os protetores de uso tópico! Os filtros imunoprotetores via oral vieram para ficar com propriedades de melhora da resistência cutânea e imunológica”, afirma a dermatologista Claudia Marçal, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

“Eles funcionam como verdadeiros guardiões, quando associados aos protetores locais, para preservar a estrutura e evitar a desnaturação do DNA celular por proteger as células imunológicas da pele e reverter em parte os danos biológicos e inflamatórios causados pela exposição exagerada ao sol. Os mais importantes são o Polipodium Leucotomus, Pycnogenol, Astaxantina, Luteína, Extrato de White e Green Tea, Resveratrol e ácido elágico da Romã, sempre associando ao uso de silício orgânico Exsynutriment para melhora do aspecto da flacidez e ao Bio-Arct para ação antioxidante, imunológica e melhora da energia mitocondrial. Outra substância importante para a nutrição celular e ação anti-idade é In.Cell”, finaliza Claudia.