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Campanha alerta sobre a importância de rótulos adequados para escolha de alimentos mais saudáveis

Com o mote ‘E se o rótulo alertasse você sobre quantidade de açúcar, gordura, sódio dos produtos?’, a ação do Idec será veiculada em rádios, redes sociais, outdoors e comercial de TV para informar a população

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) lança campanha nacional sobre a importância de os rótulos alertarem sobre produtos ultraprocessados com quantidades excessivas de nutrientes prejudiciais à saúde.

A ação dá destaque para três produtos conhecidos dos consumidores brasileiros: iogurte, macarrão instantâneo e biscoito água e sal, que podem conter excesso de açúcar, gordura saturada e sódio, respectivamente.

As peças também informam que a partir de outubro deste ano, os alimentos receberão a nova rotulagem, o que contribuirá para que as pessoas saibam exatamente o que estão consumindo.

As primeiras peças da campanha serão divulgadas nas redes sociais, em jornais impressos e spots de rádio. Na sequência, a campanha será veiculada em podcasts, comerciais de TV e espalhada em locais públicos de várias cidades brasileiras.

Janine Coutinho, coordenadora do Programa de Alimentação Saudável e Sustentável do Instituto, explica que escolhas mais saudáveis dependem de informações claras e adequadas sobre os produtos. “A rotulagem adequada permite que o consumidor tome decisões conscientes sobre o que comer de acordo com suas preferências e ao mesmo tempo avalie qual o impacto negativo daquele alimento para a sua saúde”, destaca.

De acordo com especialistas, pesquisadores e organizações da área da saúde, o consumo de ultraprocessados é um dos principais responsáveis pelo aumento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes, diversos tipos de câncer, doenças cardiovasculares e até depressão.

Também assina a campanha a coalizão Aliança pela Alimentação Adequada e Saudável, formada por mais de 50 organizações da sociedade civil, associações, coletivos, movimentos sociais, entidades profissionais e pessoas físicas.

Mudanças a caminho

Em outubro deste ano, entra em vigor o novo padrão de rotulagem nutricional de alimentos, aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em 2020, após um longo período de debates e participação social. A partir dessa data, os alimentos terão um selo em formato de lupa na parte da frente da embalagem para indicar quando houver quantidades excessivas de açúcar, gorduras saturadas e sódio.

Para saber mais sobre a campanha do Idec, clique aqui.

Rótulos: entenda os ingredientes presentes em chás e sucos

Você sabe ler as informações dos rótulos? A engenheira de desenvolvimento de produtos, Camila Garrett, explica de forma simples os ingredientes utilizados na produção de bebidas e como eles aparecem nos rótulos

É muito comum consumidores terem dúvida sobre os ingredientes descritos nos rótulos das embalagens. No caso de chás e sucos, por exemplo, é importante entender os ingredientes utilizados para ter certeza de que a bebida é realmente saudável. Por isso, a engenheira de desenvolvimento de produtos da Campo Largo, Camila Garrett, explica o significado dos principais componentes indicados nas embalagens de bebidas consideradas saudáveis a fim de auxiliar o consumidor para uma compra mais consciente. Confira:

Para entender

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Ácido ascórbico: alguns ácidos, dependendo da quantidade de consumo, podem trazer problemas gastrointestinais e até desgastar o esmalte dos dentes, mas este não é o caso do ácido ascórbico, mais popularmente conhecido como vitamina C. “Esse ingrediente auxilia na imunidade, processo de cicatrização e é antioxidante” explica Camila.

Acidulante ácido cítrico: “Popular, o ácido cítrico é encontrado em frutas como limão e laranja, mas muitas vezes confunde os consumidores quando adicionado o ‘acidulante’ na frente. Porém, a nomenclatura química permanece com o mesmo significado. Acidulante ácido cítrico é o ingrediente responsável pela acidez encontrada em alimentos e bebidas mais refrescantes. Assim como o ácido ascórbico, o ingrediente só apresenta perigo quando consumido de forma excessiva”.

Edulcorante glicosídeos de esteviol: “Este ingrediente é extraído da folha de Stevia rebaudiana e são adoçantes com baixo valor energético. Por serem não calóricos, são muito utilizados como substitutivos de açúcares comuns”, enfatiza.

Estabilizante goma gelana: “É um polissacarídeo produzido a partir da fermentação de carboidratos. Os géis da gelana promovem a liberação de sabor das frutas e são utilizados na produção de molhos, sorvetes, geleias e recheios de confeitos”, revela.

Metabissulfito de potássio: “O nome é mais complicado do que o seu significado. Metabissulfito de potássio é um conservante e antioxidante usado para eliminar bactérias e leveduras. Ele é muito usado na fabricação de bebidas à base de frutas ou para conservá-las”, pontua a engenheira da Campo Largo.

Atenção a estes nomes

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Açúcar invertido: “Por ser um xarope químico produzido a partir do açúcar comum (sacarose), o açúcar invertido está muito presente nos alimentos ultraprocessados e que contém um alto nível de açúcar, trazendo danos para a saúde e consecutivamente sendo considerado o menos saudável de todos os tipos disponíveis no mercado”, explica a especialista da Campo Largo.

Benzoato de sódio: “É extremamente importante ficar atento a quantidade de sódio presente nas bebidas e evitá-lo sempre que possível. Produzido sinteticamente em laboratório, o benzoato de sódio é utilizado como conservante, agente antimicrobiano e agente antifúngico, muito comum em alimentos industrializados. Mas o que poucos consumidores sabem, é que existe um limite de utilização dessa substância em alimentos, capaz de danificar o sistema imunológico”, alerta a especialista.

Ciclamato de sódio: “Fique atento sempre que encontrar essa substância na lista de ingredientes dos produtos! O ciclamato de sódio é um adoçante/edulcorante utilizado em refrigerantes, sucos e suplementos alimentares, que possui efeitos cancerígeno quando consumidor em altas quantidades. A ingestão deve ser feita com cautela e em pequena quantidade”, comenta.

Dióxido de silício: “Encontrado em uma série de produtos, desde pasta de dente, sucos e até mesmo vidros, o dióxido de silício também é encontrado naturalmente em alimentos de origem vegetal e na água potável. Na indústria, a substância é utilizada como aditivo alimentar, mais conhecido como antiumectante, apresentando perigo apenas quando inalada em formato em pó”.

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Edulcorante sucralose: “Essa substância serve para adoçar os alimentos processados, reduzindo a quantidade de açúcar comum que pode ser adicionada ao alimento ou bebida durante seu processamento. Apesar de ser indicada como opção para quem tem diabetes e não pode ingerir o açúcar comum, o edulcorante sucralose divide a comunidade científica quando à toxicidade da substância quando ingerida frequentemente”, explica Camila.

Espessante goma xantana: a goma xantana, assim como as outras substâncias apresentadas pela especialista, está presente em produtos industrializados e é utilizada em receitas. “Esse ingrediente é um polissacarídeo (carboidrato). Apesar de não engordar, quando consumido em excesso, pode causar dor no estômago e cólica intestinal”.

Metabissulfito de sódio: “Utilizado como conservante e esterilizante, esse composto inorgânico, quando usado como aditivo alimentar, pode causar alergias e irritação gástrica”, comenta Camila, que não recomenda o consumo principalmente por crianças.

Tartrazina: “O nome é estranho, mas tartrazina é simplesmente um corante utilizado para pigmentar alimentos de forma artificial. Todas as marcas que utilizam essa substância na composição dos seus produtos são obrigadas por lei a informar a presença do corante nos alimentos. Além disso, a tartrazina pode causar urticária e inchaços”, finaliza Camila.

Endocrinologista dá 17 dicas para não cair nas pegadinhas dos rótulos alimentícios

O estresse da vida moderna, a correria, a infinidade de informações contraditórias e de produtos novos, bem como a falta de tempo para organizar e planejar a rotina diária, impacta diretamente no que comemos e em como comemos. Paula Pires endocrinologista e metabologista pela USP explica que é preciso conhecer o que se comunica nos rótulos e ainda entender o que significam as palavras e frases “caça-consumidores” presentes nas embalagens dos alimentos.

Para a médica o segredo de boas escolhas esta em selecionar marcas que prezam por poucos e bons ingredientes. “Perca nem que seja um minutinho olhando a lista de ingredientes. E quando for abrir uma exceção e comer coisas não tão saudáveis (o que pode e deve ser feito, às vezes, sim), faça com consciência, bom senso e com o que realmente vale a pena! A meta é sempre minimizar esse uso, preferindo os alimentos simples e naturais, aqueles que vêm direto da feira e nem tem rótulo para ler”, explica.

A dieta mais saudável é aquela baseada na inclusão de alimentos in natura ou minimamente processados, ou seja, que crescem na terra vão direto para o prato, como frutas, legumes, verduras, cereais, tubérculos, leguminosas, grãos, oleaginosas e sementes. “Trazer a natureza para a mesa, nos coloca em contato com os alimentos, sabores e nutrientes em sua forma mais pura e o mais perto de sua forma original possível. É a comida de verdade, caseira, que mais faz bem a você”, alerta.

Os maiores vilões são os alimentos ultraprocessados, pois geram dependência alimentar, têm excesso de calorias e aumentam o risco de doenças. O primeiro problema é que chegam ao consumidor com preços inferiores ao de frutas e verduras e contêm indicações que podem confundir o público. Fique atento a pegadinhas contidas em frases como:

Produtos lights, para manter a consistência e sabor da versão original, precisam que muito açúcar ou aspartame sejam adicionados. Verifique cuidadosamente seus aditivos.

Produto multigrão não é necessariamente 100% integral, mas contém mais de um tipo de grão, e um deles pode ser a farinha enriquecida com ferro e ácido fólico.

Produto natural não significa que seja semelhante a algo natural, mas que, a certa altura, o fabricante trabalhou com uma fonte natural, como maçãs ou arroz.

Produto orgânico diz muito pouco sobre ser um produto é saudável. Por exemplo, o açúcar orgânico ainda é açúcar (que pode prejudicar o seu pâncreas). E o iogurte orgânico pode ser cheio de açúcares adicionados.

Sem adição de açúcar. Alguns produtos são naturalmente ricos em açúcar. O fato de não terem adicionado açúcar não significa que sejam saudáveis e substitutos do açúcar não saudáveis também podem ter sido adicionados.

Baixa caloria. Os produtos de baixa caloria precisam ter um terço a menos de calorias do que o produto original da marca. E pode ser zero calorias, mas cheio de aditivos e adoçantes em excesso.

Baixo teor de gordura. A gordura foi reduzida às custas da adição de mais açúcar. Normalmente, quando tiramos um ingrediente, substituímos por outro que pode ser até pior.

Baixo teor de carboidratos. Dietas com baixo teor de carboidratos (low carb) foram associadas à melhoria da saúde. Ainda assim, os alimentos processados rotulados com baixo teor de carboidratos, geralmente ainda são junk food, processados, semelhantes aos alimentos processados com baixo teor de gordura.

Feitos com grãos inteiros. Verifique se os grãos inteiros estão entre os três primeiros ingredientes; se não estiverem, a quantidade é insignificante.

Fortificado ou enriquecido. Significa que nutrientes foram adicionados ao produto. Por exemplo, a vitamina D é frequentemente adicionada ao leite. No entanto, só porque algo é fortificado, não o torna saudável necessariamente.

Foto: Shutterstock

Livre de glúten. Sem glúten não significa saudável. O produto simplesmente não contém trigo, centeio ou cevada. Muitos alimentos sem glúten são altamente processados e carregados de gorduras prejudiciais à saúde. Qual o melhor alimento sem glúten? Aquele que nem rótulo tem: vegetais, arroz, feijão, frutas, quinoa…

Com sabor de frutas. Muitos alimentos processados têm um nome que se refere a um sabor natural, como iogurte de morango. No entanto, o produto pode nem conter frutas – apenas produtos químicos com gosto de fruta.

Cereais integrais de caixinha. Com frequência tem açúcar e corantes na composição. Prefira granolas caseiras, aveia, sementes e castanhas.

Pão de supermercado. O problema é a distribuição em larga escala, que faz com que esses produtos sejam cheios de conservantes. Mesmo com versões sem glúten e/ou integrais, prefira um pãozinho mais artesanal, feito em uma padaria legal, com fermentação natural, de preferência. Hoje tem muita gente fazendo e entregando pães mais nutritivos também. Você pode congelar em fatias para facilitar.

Requeijão. Pode ser uma mistura química cheia de espessantes. Se for comer lácteos, prefira comer queijo em fatias, cremosos como cottage ou ricota ou ainda manteiga mesmo.

Suco de caixinha. Mesmo as versões mais naturais continuam sendo bem industrializadas, uma vez que um suco de frutas é uma bebida bem perecível. Deixe para momentos pontuais e não no dia a dia.

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Barrinhas de cereais. Muitas delas são cheias de corantes, adoçantes em excesso e substâncias estranhas que tem mais o objetivo de facilitar do que nutrir. Por isso, leia sempre o rótulo e faça a relação carboidratos/fibras.

Sem dúvida, é quase impossível para quem trabalha por mais de oito horas diárias, consumir apenas produtos in natura ou minimamente processados. Porém isso não pode ser uma desculpa para não se alimentar bem. Passo a passo, pode-se substituir produtos e buscar o que de melhor o mercado traz em termos nutricionais. Procure desembalar menos a cada dia.

Fonte: Paula Pires é especialista em Endocrinologia e Metabologia, Especialista em Endocrinologia Pediátrica. Graduação pela Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília – UnB. Residência Médica em Clínica Médica pela Unicamp. Residência Médica em Endocrinologia pelo Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HC-FM USP). Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia- SBEM. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia Pediátrica. Membro da Endocrine Society, SBEM e Abeso.

Dicas de como ler, e entender, os rótulos dos cosméticos


Apesar de complicados, os rótulos carregam informações essenciais para o uso do produto. Por isso, saber como interpretá-los é de extrema importância

Existe uma infinidade de produtos cosméticos no mercado hoje e cada um deles tem sua finalidade própria, o que pode causar dúvidas em muitos consumidores. Mas, acredite ou não, tudo o que você precisa saber sobre aquele produto está em seu rótulo.

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“Todos os rótulos seguem padrões definidos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), sendo assim não devem conter indicações ou menções terapêuticas, não podem induzir o consumidor ao erro e o fabricante deve garantir a veracidade das informações ali presentes. A rotulagem também deve conter toda a indicação necessária referente ao produto como nome, marca, conteúdo, modo de uso, data de validade, entre outros”, explica Isabel Piatti, especialista em Estética e Cosmetologia, embaixadora do CIA — Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas. Por isso, é sempre importante prestar atenção nos rótulos dos cosméticos e, acima de tudo, entendê-los

A parte que mais devemos nos atentar quando falamos de rótulos é a composição do produto, ou seja, que ingredientes estão presentes na fórmula daquele cosmético. Porém, essa lista é, sem dúvida, uma das coisas mais difíceis de se entender. Segundo a especialista, isso acontece porque a nomenclatura dos ingredientes segue uma série de regras específicas adotadas mundialmente chamadas de INCI Name (International Nomenclature of Cosmetic Ingredients).

“O INCI utiliza um sistema internacional de codificação para todos os ingredientes presentes nos produtos e tem como finalidade simplificar a identificação dos componentes”, afirma Isabel. “Enquanto algumas nomenclaturas são mais fáceis de serem entendidas, como a da ureia que aparece nos rótulos como Urea, outras são mais complicadas, como a Vitamina E cujo INCI Name é Tocopheryl Acetate.”

Os ingredientes ainda obedecem uma ordem decrescente de concentração no produto. Ou seja, os primeiros compostos que aparecem na lista de ingredientes são os que estão em maior quantidade, e os últimos são os que estão em menor. “Alguns rótulos trazem também a dosagem dos componentes, o que faz toda a diferença, pois permite que o consumidor identifique a quantidade de cada princípio ativo, podendo escolher qual cosmético atende melhor a sua necessidade. Porém, esta ainda não é uma regra, ficando a escolha da empresa colocar ou não essas informações”, destaca Isabel.

Outra informação importante que temos de prestar atenção é o prazo de validade. Assim como os alimentos e remédios, os cosméticos têm em sua composição substâncias que garantem a conservação dos mesmos. Mas, após a data de validade, os produtos deixam de fazer o efeito desejado e seu uso pode causar complicações como alergias, manchas, irritações e sensibilização na pele, além de infecções mais sérias.

“Segunda a regulamentação da Anvisa, o fabricante é obrigado a indicar para o consumidor onde se encontra o lote e prazo de validade. Estes devem ser informados na embalagem secundária, a caixa na qual o produto vem, ou diretamente na embalagem primária, o produto em si”, completa a especialista.

Além do prazo de validade, existe o PAO, Period After Opening ou período após aberto. Ele indica em até quanto tempo depois de aberto o produto deve ser utilizado, e é representado por um símbolo de pote aberto com um número seguido pela letra M, de mês.

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“Vale sempre o que expirar primeiro, seja a validade ou o PAO. Mas diferentemente do prazo de validade, usar produtos com o PAO expirado não é considerado infração sanitária, pois não há uma legislação nacional que obrigue o fabricante a informá-lo. Porém, ele garante maior segurança, porque quando o produto entra em contato com o oxigênio, umidade e micro-organismos, acaba ocorrendo uma degradação maior do cosmético”, finaliza Isabel.

Fonte: Isabel Luiza Piatti é especialista em Estética e Cosmetologia, embaixadora do CIA – Centro e Instituto Internacional de Aprimoramento e Pesquisas Científicas, Membro do Conselho Científico da Academia Brasileira de Estética Científica – ABEC. Profissional Aisthesis. Tecnóloga em Estética e Imagem Pessoal. Técnica em Estética. Pós-Graduanda em Estética e Exercício Físico na Saúde da Mulher. Especialista em Cosmetologia. Especialização em Escolas de Estética e Terapias Alternativas na Europa, na área Facial, Corporal e Bem-Estar. 

Dicas para não se enganar com dietas e alimentos

Diariamente nos deparamos com estudos que condenam alguns alimentos, glorificam outros e, logo em seguida, novas pesquisas são divulgadas desmentindo as conclusões anteriores. A Doctoralia, plataforma de conexão de profissionais de saúde com pacientes, traz algumas orientações e recomendações sobre como ter bons hábitos alimentares e evitar produtos que podem prejudicar a saúde.

Não se engane ao consumir alimentos com boa fama

Algumas dicas de alimentação que já fazem parte do senso comum, também podem causar efeitos negativos ao organismo se ingeridos em excesso, é o que aponta o nutricionista cadastrado na Doctoralia, Daniel Barreto de Melo. O alto consumo de fibras, muito adotado pelos que estão em dietas, “pode levar não só à constipação (intestino preso) como também a uma menor absorção de algumas vitaminas e minerais”. Mesmo as frutas, consideradas totalmente saudáveis, devem ser consumidas com moderação. “A maioria delas é rica em açúcares simples e seu excesso promove o ganho de peso e algumas desordens metabólicas”, ressalta Melo.

frutas

Diversifique seu cardápio

Dietas restritivas, como as que eliminam o carboidrato do cardápio, são muito divulgadas e praticadas, porém essa prática pode causar deficiências nutricionais sérias. O nutricionista afirma que “a diversidade alimentar é fundamental para que sejam ingeridas as quantidades adequadas de vitaminas, minerais e compostos bioativos dos alimentos”. Além disso, Melo lembra que limitar as opções pode “causar monotonia alimentar e diminuir a percepção de que a alimentação deve ser, além de saudável, prazerosa”.

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Evite alimentos com altas quantidades de compostos químicos

Segundo o profissional, alimentos fontes de gordura trans, nitritos, nitratos e outros, consumidos com frequência, mesmo que em quantidades pequenas, fazem mal à  saúde. “Neste ponto é que entra a maioria dos alimentos industrializados e daqui surgem as recomendações de se preferirem os alimentos minimamente processados, caseiros, naturais etc”.

Melo cita ainda alguns produtos que são muito comuns no dia a dia, como “a maioria dos biscoitos e bolachas, sorvetes, bolos prontos, diversos alimentos congelados, embutidos em geral, refrigerantes, alimentos coloridos artificialmente, caldo de carne, entre outros”.

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Foto: Arker

Além desses, legumes, vegetais e frutas também merecem atenção. De acordo com estudos da Anvisa, o Brasil é maior consumidor de agrotóxicos do mundo, sendo que muitos alimentos apresentam substâncias químicas acima do permitido. O nutricionista alerta para este fato e afirma “esses compostos químicos são absorvidos e armazenados no corpo, impedindo seu adequado funcionamento”.

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Foto: The Bix Blog

Crie o hábito de ler as embalagens

Muitos produtos vendidos como saudáveis também podem mascarar ingredientes prejudiciais à saúde, como é o caso dos biscoitos integrais, que algumas vezes contêm mais açúcar do que fibra em sua composição. “A indústria de alimentos costuma utilizar farinha de trigo integral junto à branca, então o produto ganha fibras e outros nutrientes, mas de forma limitada, nem sempre sendo realmente saudável”.

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Outro exemplo é o suco de caixinha, se for néctar de fruta, significa que tem apenas de 20% a 40% de suco e o restante é composto de água, açúcar e aromatizante. Mesmo quando não se enquadram nesta categoria, “os que realmente são sucos costumam perder uma quantidade considerável de nutrientes, durante o processo de pasteurização e envasamento, o que torna os sucos feitos na hora as melhores opções”.

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Foto: Dvir;/Morguefile

“Diante disso tudo, é importante saber que algumas marcas são mais cautelosas com o consumidor e produzem versões realmente saudáveis desses alimentos. É preciso se criar o hábito de ler rótulos, para que sejam feitas sempre as melhores escolhas”, aconselha Melo.

Fonte: Doctoralia

 

Você sabe ler um rótulo?

Engenheira de alimentos ensina como decifrar informações e explica o passo a passo

O que você verifica em um rótulo ao comprar um produto no supermercado? Calorias? Sódio? Aliás, você verifica rótulos? Se a sua resposta for negativa, saiba que você não está sozinho: 26% dos brasileiros não leem os rótulos dos produtos que consomem, de acordo com o levantamento realizado pelo QualiBest, instituto de pesquisa online, que entrevistou 2.358 pessoas para saber se a população verifica as informações nutricionais dos alimentos que compram.

Some-se a isso o fato de que os brasileiros têm também dificuldade de compreender as informações que constam em rótulos: em consulta conduzida pela organização Consumers International e realizada no país por meio do Instituto Brasileiro de Defesa ao Consumidor (Idec), apenas 28% dos 786 participantes conseguiram indicar corretamente a quantidade de gorduras, açúcares e sal em um pacote de biscoitos.

Patrícia Amarante, engenheira de alimentos do Sincabima (Sindicato das Indústrias de Cacau e Balas, Massas Alimentícias e Biscoitos, de Doces e Conservas Alimentícias do Estado do Paraná) ensina que antes mesmo de fazer a leitura do rótulo, é essencial verificar a integridade da embalagem. Furos, aberturas, lacres e vazamentos devem ser inspecionados cautelosamente. Latas não devem estar estufadas ou amassadas – caso contrário, não devem ser adquiridas.

Em seguida, a primeira informação a ser olhada pelo consumidor é a validade do produto. “Caso o consumidor seja portador de alergia ou intolerância a algum tipo específico de alimento, verificar a lista de ingredientes e alertas de alergênicos é o próximo passo”, adverte a engenheira, que explica que glúten e alergênicos, por lei, devem sempre estar indicados nas embalagens. A tabela nutricional vem na sequência, permitindo ao consumidor averiguar a quantidade de cada nutriente e porcentagens diárias que aquela porção de produto agregará à sua dieta.

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Ah, e vale lembrar que a ordem em que os nutrientes aparecem na tabela diz muito sobre o que você está consumindo – aqueles que estão presentes em maior quantidade ficam no topo da lista. E se você acha que consumir alimentos com prazo de validade vencido não fará mal algum, saiba que esta pode ser uma atitude arriscada.

“Para determinar o prazo de validade dos produtos, as indústrias realizam testes em laboratório e fazem análises durante a chamada ‘vida de prateleira’, que garantem que até aquela data, descrita no rótulo como validade, será seguro consumir o produto e que o mesmo manterá suas características sensoriais de sabor, odor, textura e cor”, ensina Patrícia Amarante. Ou seja: a data colocada ali foi estudada cautelosamente para garantir a sua segurança, portanto, o ideal é sempre respeitá-la.

Obrigatoriedade

Mas quais são as informações que precisam obrigatoriamente constar nos rótulos de alimentos? Segundo a RDC 360 de 2003 da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que regulamenta a Rotulagem Nutricional de Alimentos Embalados, é obrigatório declarar a quantidade do valor energético e dos seguintes nutrientes: carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar e sódio.

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Também é necessário declarar na tabela nutricional a porção, ou seja, a quantidade média do alimento que deveria ser consumida por pessoas sadias, maiores de 36 meses de idade em cada ocasião de ingestão. A medida caseira também deve estar indicada tendo como referência algum utensílio comumente utilizado pelo consumidor para medir alimentos, como copo, colher de sopa ou xícara. Além disso, Patrícia salienta que outras leis, portarias, resoluções e instruções normativas obrigam também a declaração de existência de glúten e alergênicos, como forma de garantir a segurança alimentar do consumidor.

Fonte: Sincabima