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Entenda a diferença entre depressão, transtorno bipolar e personalidade borderline

Nem sempre as diferenças entre os transtornos mentais são claras para os pacientes e pessoas em geral; psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica, Ariel Lipman, explica que as doenças podem compartilhar sintomas, mas necessitam de tratamentos especializados e distintos

Você sabe a diferença entre depressão, transtorno bipolar e personalidade borderline? Se a resposta for não, saiba que você não é o único. Por apresentarem sintomas similares, esses três transtornos mentais são confundidos com frequência, o que pode inclusive dificultar o diagnóstico inicial.

E parte dessa confusão deve-se ao fato de o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais ter catalogado, atualmente, mais de 300 tipos de transtornos. “Existem centenas de tipos de transtornos mentais, embora alguns sejam mais frequentes, como os três citados. Mas é muito importante diferenciar cada um, para que o paciente tenha conhecimento do que o afeta e receba tratamento adequado”, comenta Lipman, psiquiatra e diretor da SIG Residência Terapêutica.

O transtorno de personalidade borderline, por exemplo, é uma condição na qual as variações de humor acontecem repentinamente, podem ser segundos, minutos, ou no máximo, horas. “É um comportamento bem diferente do transtorno bipolar, em que o humor varia por dias, semanas ou até mesmo meses”, esclarece o médico.

Além disso, a instabilidade emocional no caso do transtorno de personalidade borderline, mistura rapidamente depressão profunda e euforia, comportamentos impulsivos e autodestrutivos, ansiedade, raiva e descontrole emocional. “As características da personalidade são exacerbadas e trazem disfunções, que podem trazer complicações para quem convive, por conta da intensidade na vida desse paciente”, acrescenta Lipman.
Já no transtorno afetivo bipolar, o polo depressivo possui características similares à depressão – como perda de interesse nas atividades que a pessoa realizava anteriormente. “Por outro lado, no polo da mania, o paciente passa a demonstrar euforia, hiperatividade e autoconfiança, e também pode manifestar sintomas psicóticos como delírios de grandeza, aumento da libido e atividade sexual exacerbada, além da falta de avaliação em situações de risco”, explica o psiquiatra.

Números indicam que o transtorno afetivo bipolar atinja aproximadamente 2% da população mundial e o transtorno de personalidade borderline alcance cerca de 6% das pessoas no mundo. Já no caso da depressão, ela afeta cerca de 4% de pessoas de todas as idades em todo o mundo.

No entanto, vale ressaltar que os casos podem ser subnotificados, devido à recusa das pessoas e familiares em aceitarem que precisam de ajuda, de acordo com Lipman. “Diversos pacientes demoram para receber um diagnóstico, por não acreditarem que algo esteja errado. Eles se sentem bem no período de euforia”, explica o psiquiatra.

E durante a fase da depressão, que pode durar meses, é possível que o paciente seja diagnosticado “somente” com depressão, o que é preocupante pois os tratamentos são diferentes. E ao ser tratado somente com antidepressivos, os episódios de euforia podem se intensificar.

Para ajudar a esclarecer as dúvidas acerca dos transtornos, Lipman listou os principais sintomas de cada um deles:

Foto: MedicalNewsToday

Personalidade Borderline:
Autoimagem distorcida;
Baixa autoestima;
Relações instáveis e turbulentas;
Emoções intensas;
Descontrole emocional;
Impulsividade;
Imprudência;
Agressividade;
Tendências compulsivas;
Alterações de humor;
Automutilação;
Comportamento suicida;
Sentimento de abandono;
Solidão.

Transtorno bipolar
Raiva;
Ansiedade;
Apatia;
Angústia;
Euforia;
Descontentamento geral;
Culpa;
Perda de interesse e prazer em atividades;
Tristeza;
Mudanças súbitas de humor de acordo com o ciclo circadiano do humor: acordar sem energia e triste, mas ir melhorando ao longo do dia.

“No comportamento, o paciente bipolar pode experimentar também: agressividade, agitação, choro excessivo, hiperatividade, impulsividade, irritabilidade, autolesão. Já a cognição do paciente bipolar também pode ser afetada com: falta de concentração, pensamento e fala acelerados, lentidão em atividades e falsa imagem de superioridade”, lista o psiquiatra da SIG.

Depressão

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Para Lipman, a depressão, assim como outros transtornos psiquiátricos, tem origem multifatorial, e mais recentemente a Pandemia da Covid-19 contribuiu para um aumento de casos. “Sem dúvida, essa pandemia foi um dos fatores mais estressantes que as últimas gerações já vivenciaram”, explica ele.

Segundo o especialista,a doença é totalmente controlada, mas o paciente precisa procurar ajuda. “É importante saber exatamente a causa do problema para que o tratamento seja certeiro e eficaz”.

Tratamentos

Ilustração: Serena Wong/Pixabay

“A melhor forma de entender o momento em que precisamos de tratamento é saber o quanto os sintomas afetam nossa vida. Se me incapacita de falar, me paralisa, afetando minha rotina, é um quadro patológico que requer tratamento. Se os sintomas trazem disfuncionalidade para minha vida, vale avaliação”, explica.

No caso do transtorno bipolar e da depressão, o uso de medicamentos pode ajudar muito o paciente. “Já para os que sofrem de transtorno de personalidade borderline, fármacos causam efeitos positivos, porém a psicoterapia é um tratamento mais eficaz e gera respostas melhores. Nos três tipos de transtornos, a associação do tratamento com medicamentos com sessões de psicoterapia colaboram para o controle do quadro e costumam trazer resultados positivos e qualidade de vida”, finaliza o especialista.

Brasileiros afirmam estar mental e fisicamente afetados em razão da pandemia, diz pesquisa

91% dos colaboradores declaram que seria bem-vinda a ideia de receber algum tipo de apoio que os ajudasse nessas frentes; Pesquisa foi feita em oito países, incluindo o Brasil

Os colaboradores das empresas brasileiras foram severamente impactos com o isolamento social imposto pela pandemia quando comparado com outros países. Dentre os entrevistados, 29% informam que a saúde mental está em nível abaixo do que o normal e 26% declaram queda também no bem-estar físico. No mundo, essa média cai para 15%.

Para 70% da amostra que afirmam estar com o bem-estar mental afetado, a principal causa está ligada à ansiedade gerada pela pandemia, enquanto 68% estão ansiosos a respeito do futuro e 52% preocupados com a sua saúde e com a das pessoas com quem convivem. Dentre aqueles que buscaram reagir diante do desafio, 30% escolheram a prática esportiva e 26% soluções médicas.

Já entre os que afirmam estar com o bem-estar físico afetado, 65% declaram que a razão é a prática de menos exercícios físico; 40% comem de forma menos saudável e 22% consomem mais bebidas alcoólicas. Essas são algumas das principais conclusões da pesquisa global O Futuro da Vida no Trabalho encomendada pela Sodexo em parceria com a Harris Interactive. A divulgação é comandada pela Sodexo Insights – plataforma da Sodexo Benefícios e Incentivos, que passa a ser oficialmente fonte de informação, tendências e análise para o mercado de benefícios.

Os dados do estudo revelam ainda que 91% dos trabalhadores gostariam de receber algum tipo de apoio de suas empresas nessas frentes. Entre os principais benefícios requeridos aparece em 1º lugar o plano de saúde, seguido da possibilidade de trabalhar de casa um ou dois dias da semana e, por fim, receber vouchers de refeições subsidiadas, cartões.

Quando questionados sobre como está a percepção dos trabalhadores em relação ao apoio das empresas, 25% dizem que não recebem equipamentos ou ferramentas necessárias para trabalhar de casa; 27% não têm programas de bem-estar; 30% dizem não receber suporte de saúde mental; 31% não têm benefícios ou programas de recompensa; 33% não têm subsídios para a compra de alimentos quando em home office; 35% não têm serviços de saúde ou de atividade física quando estão trabalhando de casa; 37% não têm serviço de creche para os filhos; e 39% não contam com subsídios de refeições prontas quando em home office.

Nesse contexto de pandemia, Renato Pelissaro, diretor de marketing e produtos da Sodexo Benefícios e Incentivos, alerta que se faz necessário às empresas voltarem seu ollhar ao que se refere ao universo da saúde de seus colaboradores e também às necessidades de infraestrutura para uma execução adequada do trabalho.

“Hoje é dever das companhias ofertarem benefícios que atendam o trabalhador em todas as suas necessidades que vai desde às de saúde física e mental, como o auxílio psicológico e acesso à alimentação de qualidade até incentivos direcionados ao home office, como por exemplo, a compra de uma cadeira adequada de trabalho. Quanto mais estruturado for esse ambiente de trabalho em casa, mais produtivo o colaborador será. E essa produtividade pode ser até melhor de quando se estava na empresa”, afirma Pelissaro.

Metodologia da pesquisa

A pesquisa O Futuro da Vida no Trabalho foi encomendada pela Sodexo em parceria com a Harris Interactive em oito países: EUA, Inglaterra, Espanha, França, Austrália, Alemanha, China e Brasil. Ao total, foram entrevistadas 4.800 pessoas.

Brasil

Foram entrevistados 600 adultos inseridos no mercado trabalho local entre os dias 11 e 21 de junho de 2021. Os resultados trazem aprendizados que indicam comportamento social e respostas às demandas atuais da sociedade.

Fonte: Sodexo Insights

Home office: vilão ou mocinho na qualidade de vida das mulheres?

Trabalhar de casa ou se dividir entre o lar e o escritório- no chamado modelo híbrido- causa polêmica, pois há os que defendem o modelo e os que são contrários; mentora em Carreira & Liderança Feminina lista prós e contras

Com a pandemia da Covid-19, grande parte das empresas tiveram que adotar o home office e, mesmo com a diminuição de medidas restritivas, o trabalho remoto ou o modelo híbrido- que intercala atividade presencial com trabalho à distância- continua em alta e, ao que parece, veio para ficar.

Mas, afinal, essa rotina de trabalho mais flexível é boa ou ruim para as mulheres? De acordo com a 18ª edição do índice de Confiança Robert Half, divulgada recentemente, 66% das pessoas entrevistadas disseram que sofrem desgaste com deslocamentos de casa até o local de trabalho, e 55% indicaram que teriam dificuldade para se readequar a uma nova rotina profissional 100% presencial.

De acordo com a mesma pesquisa, entre as mulheres, quatro em cada dez informaram que cogitam até mesmo trocar de emprego para que possam continuar trabalhando de casa ou no modelo híbrido. No entanto, nem tudo “são flores” em relação a esses modelos de trabalho. “Há os que defendem que são mais produtivos e conseguem ter melhor qualidade de vida trabalhando de casa, enquanto outros se queixam que a jornada de trabalho aumentou após o início da pandemia”, comenta Gisele Miranda, Mentora em Carreira & Liderança Feminina.

Para a especialista, não é possível afirmar se o home office é “bom” ou “ruim” para as mulheres. “Isso depende muito das características e do momento profissional e pessoal de cada mulher. Não existe fórmula ou receita de sucesso”, avalia. Além disso, para Gisele, ainda hoje grande parte das organizações têm um perfil mais conservador, e poucas estão preparadas para adotar o home office de forma efetiva.

Pensando nisso, Gisele listou vantagens e desvantagens do home office:

Prós

Proximidade com a família
Uma vantagem importante é a possibilidade de estar mais próxima da família. É possível, por exemplo, tomar o café da manhã com mais calma, almoçar com as pessoas que moram com você ou até mesmo levar os filhos na escola, por exemplo. “Estar mais perto da família, economizar tempo e dinheiro e ter mais liberdade com os horários são, sem dúvida, ótimas vantagens proporcionadas pelo trabalho remoto”, opina Gisele. No entanto, é preciso “pesar na balança” se isso é um fator de fato importante para a profissional em questão. “Tem mulheres que acham que estar mais em casa faz com que percam o foco no trabalho, e preferem reservar o final de semana para esses momentos de refeições ao lado da família, por exemplo. O que funciona para uma pode não ser o ideal para outra”, diz a especialista.

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Flexibilidade de horários
Não precisar “bater cartão” na empresa, em um determinado horário, também é um ponto a se considerar na hora de pensar se o home office é a melhor opção. Isso porque não é preciso calcular o tempo que será gasto para se deslocar até o escritório, para chegar ao local no horário e sem atrasos. “No home office, basta ligar o notebook alguns minutos antes e a profissional já estará pronta para iniciar seu dia, sem precisar planejar sua rota, se ficará presa no trânsito ou outros imprevistos. Nesse sentido, o home office traz mais praticidade e comodidade, diz. Além disso, o home office possibilita alguns curtos intervalos de tempo para resolver pendências, o que pode trazer mais qualidade de vida. “O tempo que se economiza com deslocamentos pode ser usado para ir rapidamente ao banco ou farmácia no horário de almoço, por exemplo. Isso pode ser algo de grande valia para algumas”.

Redução de custos
A economia é, sem dúvida, outra grande vantagem de trabalhar de casa. Isso porque no home office, não existem custos com transporte público, gasolina, estacionamento, e até mesmo com a alimentação, já que é possível preparar o próprio almoço. “Certamente esse é um ponto relevante, pois uma mulher que trabalha do conforto de seu lar pode degustar uma refeição caprichada que ela mesma preparar rapidamente, ou saborear um café durante a tarde que ela mesma fez, sem precisar pagar preços abusivos”, avalia Gisele.

Contras

Maior carga de trabalho
Estudo publicado no ano passado pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e pela Fundação Instituto de Administração (FIA) apontou que, para 81% dos entrevistados, a produtividade trabalhando em casa é maior ou igual à da atividade presencial. No entanto, grande parte das pessoas relataram trabalhar mais horas em casa do que se estivessem no escritório. Desses, 23% afirmaram que trabalham entre 49 e 70 horas por semana, enquanto 6% falaram em volume maior do que 70 horas semanais.
“Esse é um ponto que merece atenção, pois de fato, é mais fácil estender a jornada estando em casa do que na empresa. Isso porque o fato de estar em sua própria casa pode fazer com que a mulher não se dê conta de que já prolongou demais seu dia de trabalho, pois está concentrada em uma determinada entrega”, alerta Gisele. Para as mulheres, fazer da “hora extra” uma rotina é ainda mais arriscado, pois na grande maioria dos casos, a mulher já cumpre dupla ou tripla jornada, pois além do papel profissional, cuida dos afazeres domésticos, administração do lar e cuidados com os filhos. “Ou seja, o risco da sobrecarga feminina torna-se ainda maior”, pondera Gisele.

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Menos interação e troca de ideias
Outro aspecto negativo do home office é a diminuição da troca profissional entre os colegas, ainda que existam as reuniões online e grupos de WhatsApp. “Geralmente a empresa adota iniciativas para tentar contornar de alguma forma essa falta de interação do time, promovendo por exemplo bate-papos virtuais. No entanto, a interação online nunca é a mesma coisa que a conversa olho no olho”, avalia ela. Por isso, segundo Gisele, é importante sempre buscar manter o contato com os colegas de trabalho. “Marcar um almoço ou um happy hour com a equipe, qualquer tipo de ação que ajude a diminuir o gap físico entre os colaboradores e colaboradoras é bastante válido”, sugere.

Perda da privacidade
Outra questão a se pensar é o quanto ter a família por perto é vantajoso, ou se pode prejudicar a rotina de trabalho. Afinal, ser chamada toda hora para assuntos que não têm a ver com o trabalho, no meio do expediente, atrapalha o rendimento. “Para as mulheres que são mães, trabalhar sem interrupções é ainda mais complicado. Ou seja, antes de ‘abraçar’ a ideia do home office, é preciso ser realista: terei alguém para ficar com meu filho enquanto me dedico ao trabalho, no caso das crianças pequenas? Se meu filho ou filha já têm idade para ficar sem supervisão 100% do tempo, ele irá compreender que, mesmo estando em casa, eu estarei trabalhando e não estou disponível para atendê-lo?”, exemplifica Gisele.

Jagrit Parajuli/Pixabay

Modelo híbrido é o equilíbrio?
Uma alternativa para manter a qualidade de vida do home office sem se prejudicar com as desvantagens que o trabalho remoto pode trazer é optar pelo modelo híbrido, em que a pessoa alterna dias em casa e no escritório. Isso pode ajudar a manter a economia financeira e uma certa flexibilidade de horários, e até a proximidade com a família, mas com equilíbrio. “Acredito que a mescla do trabalho remoto e presencial pode ser, sim, um bom caminho, e inclusive tem sido a opção número 1 da grande maioria das empresas. Nesse modo de atuação, a mulher pode usufruir, mesmo que parcialmente, das vantagens do home office sem abrir mão do trabalho presencial”, avalia Gisele. No entanto, ela ressalta que o futuro ainda é incerto. “São configurações bastante novas e ainda em discussão, sobre as quais ainda não se chegou a um consenso. Serão necessários alguns anos testando e avaliando os modelos atuais, para que sejam feitos os ajustes necessários e, quem sabe, se chegue perto de algum tipo de modelo ideal, que certamente não será um só para todas”, finaliza a especialista.

Fonte: Gisele Miranda é mentora de Carreira & Liderança, autora e palestrante, atua há 25 anos auxiliando mulheres a despertarem 100% de seu potencial na carreira e na vida pessoal, tornando-se protagonistas de sua própria história. Com formação em Psicologia Positiva, Neurolinguística e Neurociências, tem como principal missão fomentar e empoderar as lideranças femininas nas organizações, guiando mulheres e empresas rumo ao sucesso. É autora do recém-lançado livro “A Coragem de se apaixonar por você” (Editora Gente).

Dia Mundial do Transtorno Bipolar: uma das doenças com maior índice de suicídio

Hoje, 30 de março, se tornou o Dia Mundial do Transtorno Bipolar em homenagem ao aniversário do pintor Vincent Van Gogh, que possivelmente tinha este problema. Trata-se de uma doença mental que representa um desafio significativo para portadores, profissionais de saúde, familiares e comunidades. O objetivo da data é chamar a consciência mundial para transtornos bipolares e eliminar o estigma social.

De acordo com o psiquiatra Adiel Rios, Pesquisador do Programa de Transtorno Bipolar do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IpQ-HCFMUSP), o transtorno bipolar é altamente incapacitante e está associado à mortalidade prematura. Uma taxa mais alta de doenças cardiovasculares comórbidas e taxas de suicídio explicam em grande parte a expectativa de vida reduzida.

A doença é crônica, caracterizada pela recorrência de episódios de mania/hipomania e depressão, com prevalência estimada na população em torno de 1% a 2,4%. As manifestações clínicas geralmente aparecem no final da adolescência e início da fase adulta, o que leva a grandes deficiências, redução da expectativa de vida e altas taxas de mortalidade.

Como identificar

No episódio de mania, o portador apresenta um aumento da energia, euforia, uma alegria intensa e felicidade fora do normal. Também apresenta ideias de grandeza, superioridade ou elevada autoestima e autoconfiança excessiva, que pode atingir um grau fora da realidade. A pessoa pode apresentar também irritabilidade e impulsividade de forma exacerbada.

“O pensamento fica acelerado, muitas ideias e projetos fluem simultaneamente ou numa sequência tão rápida que fica difícil entender sobre qual assunto a pessoa está falando”, diz o psiquiatra.

Há diminuição da necessidade de sono, comportamento sexual excessivo, descontrole nos gastos e atitudes sem a percepção de sua inadequação. Fica agitado, eventualmente agressivo, distraído e totalmente desconcentrado. Segundo Rios, a hipomania tem características similares às da mania, mas os sintomas são mais brandos.

Já o episódio de depressão se caracteriza por tristeza profunda, perda de interesse por tudo, pensamentos negativos (ideias de ruína, culpa, inutilidade, baixa autoestima) que podem ser intensos a ponto de configurar um delírio. Há modificações no sono: enquanto algumas pessoas têm insônia, outras apresentam hipersonia (dormem mais do que o habitual).

Em relação ao apetite, pode haver aumento no consumo de alimentos como forma de aliviar a ansiedade. No entanto, a perda de apetite é mais comum neste quadro. Há também diminuição da libido, perda do prazer, fadiga excessiva e desinteresse por tudo. “A pessoa mal tem vontade de levantar da cama pela manhã ou não existe força para realizar suas atividades básicas da vida diária”, ressalta o psiquiatra.

A sequência de manifestação dos episódios maníacos/hipomaníacos e depressivos é variada, ou seja, não acontece, necessariamente, de forma alternada. Os eventos de hipomania e mania, assim como os de depressão, têm duração, em geral, de dias ou semanas.

Relação com suicídio

O transtorno bipolar é uma das doenças psiquiátricas com maior índice de suicídios, ao lado da depressão. Segundo a Associação Brasileira de Transtorno Bipolar, de 30% a 50% dos pacientes com o diagnóstico tentam o suicídio, sendo que cerca de 15% cometem o ato.

No quadro agudo de euforia, a pessoa tem a sensação de que pode tudo, inclusive se colocar em situações de risco, podendo levar ao ato suicida. Já na depressão, a intensidade da angústia, da perda de interesse pela vida e dos pensamentos sempre negativos acaba chegando ao extremo do suicídio.

“Por isso, no transtorno bipolar, detectar os sintomas e o risco de um quadro suicida é uma tarefa ainda mais complexa, pois tanto na fase depressiva quanto na euforia existe a possibilidade do paciente chegar ao ponto do suicídio”, afirma o médico.

Diagnóstico

O diagnóstico costuma ser bastante difícil e pode demorar em média dez anos para ser estabelecido devido a tratamentos equivocados, ausência de comunicação entre os profissionais envolvidos, desconhecimento sobre como a doença se manifesta (seja pela falta de conhecimento como pela confusão dos seus sintomas com os de outros tipos de depressão), preconceito e autoestigmatização.

O histórico do indivíduo é decisivo para o diagnóstico conclusivo, já que alterações de humor anteriores, episódios atuais ou passados de depressão, histórico familiar de perturbação do humor ou suicídio e ausência de resposta ao tratamento com antidepressivos alertam para o diagnóstico do transtorno bipolar.

“A maioria dos pacientes não procura o psiquiatra na fase de hipomania, mas apenas quando entra em depressão. Se o diagnóstico não for exato, ou seja, se não houver uma maior investigação que aponte o transtorno bipolar, o uso de medicações antidepressivas, sem estabilização do humor, pode piorar o quadro”, pontua Rios.

Causas e tratamentos

Foto: MedicalNewsToday

Apesar de a doença se manifestar mais comumente no adulto jovem, ela pode acometer pessoas mais velhas, inclusive na terceira idade. Atinge ambos os sexos numa proporção semelhante e perdura a vida toda, ou seja, não tem cura, mas pode ser controlada.

A causa exata do transtorno bipolar é desconhecida, mas estudos sugerem que o problema pode estar associado a alterações em certas áreas do cérebro e nos níveis de vários neurotransmissores, como noradrenalina, serotonina e dopamina. Esse desequilíbrio reflete uma base genética ou hereditária para o transtorno. Há também fatores ambientais/externos, conhecidos como epigenéticos, como o uso de substâncias psicoativas (anfetaminas, álcool e cocaína, por exemplo).

O tratamento depende da fase da doença. De acordo com o psiquiatra, os quadros maníacos/hipomaníacos são tratados com estabilizadores do humor, como o lítio, anticonvulsivantes e antipsicóticos. Já nos quadros depressivos podem ser antidepressivos devidamente associadas com estabilizadores do humor e por curto período de tempo, para evitar a ocorrência de um quadro maníaco/hipomaníaco.

“Os sintomas de depressão são a causa mais frequente de incapacidade, sendo que mais da metade dos pacientes em episódios depressivos não respondem adequadamente aos tratamentos disponíveis. Portanto, há uma necessidade urgente de tratamentos coadjuvantes, visando à remissão completa do transtorno, afirma Rios.

Segundo a Abrata (Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos), a adesão aos tratamentos tem como importância:
=Redução das chances de recorrência de crises;
=Controle da evolução do transtorno;
=Redução das chances de suicídio;
=Redução da intensidade de eventuais episódios;
=Promoção de uma vida mais saudável.

“O transtorno bipolar tem forte impacto na vida da pessoa e de seus familiares, comprometendo aspectos sociais, afetivos e profissionais. Na dúvida quanto à possibilidade de ser portador de transtorno bipolar, consulte o quanto antes um médico psiquiatra, que poderá fazer a avaliação dos sintomas, o diagnóstico e indicar o tratamento adequado”, finaliza Rios.

Fonte: Adiel Rios é Mestre em Psiquiatria pela Unifesp e Pesquisador do Programa de Transtorno Bipolar do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (IpQ-HCFMUSP)

Empresa brasileira oferece consultas gratuitas com psicólogos para mulheres

Em homenagem ao Dia Internacional da Mulher, a Docway, empresa brasileira pioneira em soluções de saúde digital, vai oferecer atendimento gratuito para todas as mulheres que realizarem agendamento no dia 8 de março no site da campanha

A Docway, empresa de saúde digital que oferta soluções completas de telemedicina para empresas de todos os segmentos, constatou que, de 2020 para 2021, houve um crescimento de 500% em casos diagnosticados dentro dos quadros de ansiedade e depressão. Destes, o gênero feminino representa quase 60% dos diagnósticos relacionados à saúde mental.

“As mulheres frequentemente experimentam sofrimento com a dupla jornada de trabalho, e o cenário desencadeado pela pandemia reforçou esse papel. O relato de sentimento de culpa por não produzir incansavelmente ou não conseguir dar conta de tudo tem crescido, sobretudo por vivermos em uma sociedade patriarcal. A cobrança por produtividade constante, reforçada também pelas redes sociais, amplia o sentimento de culpa ou de improdutividade por praticar pausas e descansos saudáveis e necessários. Precisamos olhar com mais carinho e respeito à saúde das nossas mulheres, que representam uma grande e imprescindível força de trabalho nas empresas”, explica Karen Silva, Coordenadora do núcleo de Psicologia da Docway.

Pesquisas de mercado também apontam na direção da saúde da mulher. Segundo estudo encomendado pela Todas Group, edtech de apoio ao desenvolvimento profissional de mulheres, que ouviu 673 mulheres adultas, 70% delas estão preocupadas ou deprimidas em função do trabalho e 63% manifestam tensão causada pela pressão no ambiente corporativo. O estudo aponta ainda que apenas 45% delas acreditam poder conquistar tudo que desejam na empresa, enquanto 53% alegam não receber apoio genuíno das companhias no desenvolvimento de lideranças femininas.

Pensando nisso, hoje, 8 de março, mulheres de todo o país poderão agendar consulta com um psicólogo de forma 100% gratuita, sem limite de sessões de recorrência, válidas até o final de 2022. Isso significa que a pessoa poderá fazer quantas consultas forem necessárias para alcançar seu bem-estar. Além disso, a mulher interessada não precisa realizar a consulta no dia 8, ela tem apenas que acessar a plataforma para fazer o agendamento da primeira consulta no melhor dia e hora ao longo do ano. As demais consultas serão agendadas pelo próprio profissional, se ele entender como necessária a continuidade do tratamento.

“Acredito que precisamos ter uma visão holística, ir além de questões biológicas, para encarar com um olhar justo e maduro as condições de gênero que sobrecarregam o emocional de tantas mulheres, implicando em diferentes consequências danosas à saúde mental. O mercado de trabalho já vem sofrendo mudanças importantes, mas é preciso adotar medidas concretas, estabelecer índices e métricas e trazer para o centro do debate. Nesse quesito, a saúde digital veio para ser uma grande aliada”, comenta Fábio Tiepolo, CEO da Docway.

Para conseguir o agendamento é bem simples: basta a paciente acessar o site específico da ação ou ligar para o número 4020 2487 e escolher o melhor dia e horário para a consulta. O atendimento será realizado por um psicólogo parceiro Docway que dará todo suporte humanizado necessário à paciente, evitando possíveis autodiagnósticos e automedicações, sem filas e com a orientação adequada.

Informações: Docway

Dê férias para seu cérebro: confira algumas sugestões de atividades prazerosas

Do exercício físico ao ‘fazer nada’, descubra como o cérebro pode se beneficiar nos períodos de férias

Quem não gosta de tirar férias? Pensamos sempre em descansar o físico, curtir um lugar diferente, mas a verdade é que esse período também é bom para a saúde mental – e melhor ainda para o cérebro.

“Tirar férias pode ser um fator determinante para muitos, ainda mais em tempos de pandemia e crise econômica. Acredito que muitos considerariam evitar férias neste momento, porém pode custar caro. Tirar uma pausa de alguns dias pode auxiliar na produtividade, velocidade de processamento cerebral e saúde cerebral de forma geral, criatividade, satisfação profissional e pessoal”, explica Gabriel Novaes de Rezende Batistella, médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA).

“Somos constantemente bombardeados com informações, atualizações, demandas ativas e passivas, que podem gerar um enorme amontoado de estresse, ansiedade, insônia e síndrome de burnout. Durante as férias e pausas rotineiras podemos nos colocar longe destes focos, o que ajudará muito a reduzir os efeitos deletérios da rotina”, acrescenta o médico.

Abaixo, o neurologista indica o que pode ser feito de bom para a saúde cerebral no período de férias:

Exercício físico: “Mesmo durante as férias, vale a pena praticar algum tipo de atividade física. Os exercícios físicos regulares durante o período de férias podem auxiliar na redução do estresse, manutenção do peso durante um período de maior tendência a consumir alimentos calóricos e bebidas alcoólicas, além de ajudar no sono”, diz o neurologista.

Ouvir música: “Esse é hábito que traz comprovadamente benefícios para o cérebro, mas, obviamente, depende do estilo musical escolhido e como ele é usado. Músicas podem ativar diversas áreas do cérebro em concomitância, auxiliando no aprendizado, foco, mas podem também prejudicar um aprendizado se forem músicas com letras que tomem a atenção do paciente. Acaba sendo algo pessoal, e cada paciente vai encontrar sua playlist dedicada ao momento”, diz.

Dormir: com certeza, durante o período fora das férias somos submetidos intermitentemente a uma carga inesperada de estresse e ansiedade, o que pode alterar nossos hábitos de sono, prejudicar o ciclo circadiano e a capacidade de recuperação diária pelo sono, gerando uma bola de neve. “Durante as férias temos maior liberdade para dormir até mais tarde, algo que por si só já pode compensar as horas necessárias para dormir, mas também podemos organizar um horário preferencial para dormir, sem estresse ou anseios, que pode ser mantido por muito tempo após o término das férias. Devemos aproveitar as férias para ajustar nosso relógio interno”, diz o médico.

Atividades manuais e novas habilidades: “Pode ser muito bom para alguns pacientes desenvolver atividades manuais, justamente por serem um tipo de terapia em diversos contextos. No curto período de férias, pode ser muito difícil desenvolver uma habilidade por completo, logo poderia ser mais interessante como habilidade manual terapêutica, mas ainda assim poderia ser algo que serviria como válvula de escape para o paciente, e poderia ser levada para o período de retorno ao trabalho e mantido”, conta o neurologista.

Contato com a natureza: entrar em contato com a natureza tem, comprovadamente, atividade benéfica no cérebro, tanto que é uma forma terapêutica para pacientes psiquiátricos e pacientes com distúrbios neurológicos do espectro autista, segundo Batistella.

Visitar amigos e familiares: segundo o neurologista, retornar e fortalecer o ambiente social vai ser uma atividade fantástica para a saúde cerebral, claro que a depender do quanto o paciente se sente bem neste contexto social. “Ficar em ambientes sociais ruins ou com desavenças acabaria sendo prejudicial, logo desaconselhado durante o período de férias”, diz.

Por fim, o Dr. Gabriel ressalta que um tempo “sem fazer nada” acaba, também, sendo um ótimo exercício de meditação e redução dos níveis de estresse para o corpo e cérebro. “Então, sim, pode ser muito benéfico tirar um tempo para si. Cabe aqui também incentivar a atividade de meditação, assim como o mindfulness, hoje tão em alta”, finaliza.

Fonte: Gabriel Novaes de Rezende Batistella é médico neurologista e neuro-oncologista, membro da Society for Neuro-Oncology Latin America (SNOLA). Formado em Neurologia e Neuro-oncologia pela Escola Paulista de Medicina da UNIFESP, hoje é assistente de Neuro-Oncologia Clínica na mesma instituição. O médico é o representante brasileiro do International Outreach Committee da Society for Neuro-Oncology (IOC-SNO). Instagram: @neuro.oncologia.batistella

Alimentação vs emoções: veja quais alimentos podem ajudar a melhorar humor e bem-estar

A alimentação além de ser necessária como combustível metabólico para o corpo, é evidente a relação entre o alimento e as funções cerebrais, como o humor e cognição

O triptofano é um aminoácido essencial, ou seja, que o organismo não consegue produzir, devendo ser obtido a partir da alimentação. “Esse aminoácido ajuda a sintetiza serotonina, conhecida como o “hormônio do bem estar”, melatonina e niacina e por isso está associado ao tratamento e prevenção da depressão, ansiedade, insônia e pode até mesmo auxiliar no processo de emagrecimento.” esclarece a nutróloga Marianna Magri Real.

O triptofano representa um elemento essencial para o funcionamento do cérebro, devido ao seu papel como precursor da produção do neurotransmissor serotonina.

Um estudo feito na Grã-Bretanha, analisou os hábitos de 200 voluntários. Em 88% dos casos, as mudanças na dieta, entre outros costumes, como tabagismo e atividade física, conseguiram amenizar os sintomas de transtornos mentais, como ataques de pânico, ansiedade e depressão.

A nutróloga comenta sobre outro estudo, este publicado na Revista de Saúde Pública, comparou os costumes de 49.025 brasileiros adultos e seus sentimentos, e mostrou que aqueles que tinham comportamentos menos saudáveis, o que envolvia a ingestão de refrigerantes, álcool e açúcar em excesso, apresentaram mais tendência à depressão.

Marianna traz algumas dicas de alimentos com fontes de triptofano:

Banana


A banana é um alimento rico em triptofano e ajuda no bom humor. Além disso, possui vitaminas, como a B6, que ajuda a combater a ansiedade e a irritabilidade. Recomenda-se o consumo de cerca de 1 banana ao dia, que pode ser crua ou cozida, com canela. “Deve ser ingerida com moderação pelos diabéticos, devido ao alto teor de açúcar.” completa a Dra. Marianna.

Mamão

Oferece uma boa dose de triptofano. Além disso, é rico em antioxidantes, substâncias que também têm participação no aumento do bem-estar. Isso sem falar nas fibras, que dão uma força ao funcionamento do intestino, mais um item que melhora o humor. Porém se você estiver com problemas de diarreia, o consumo deve ser evitado.

Peixes

Peixes como salmão, truta, sardinha, atum, por exemplo, aportam gorduras essenciais, como o ômega 3, que o corpo não consegue produzir, este protege a estrutura da membrana celular e os neurônios. Também fornecem proteínas, tirosina, ferro, zinco, vitaminas B6 e B12, todos nutrientes favoráveis ao cérebro.

Fermentados

Foto: iStock

Alimentos e bebidas fermentadas como o kefir e kombucha, aqueles que contêm probióticos, ajudam no equilíbrio da microbiota intestinal. O órgão é responsável pela produção de cerca de 90% a 95% da serotonina do corpo, mantê-lo em equilíbrio é importante para a saúde emocional.

Chocolate 70%

Quem já experimentou, sabe consumir um pedaço já melhora rapidamente o humor. O triptofano está presente nas sementes de cacau, por isso que, quanto mais amargo e cacau o doce tiver, mais benefícios ao nosso bem estar. Foi o que constatou um estudo divulgado na reunião anual da Experimental Biology 2018, em San Diego, na Califórnia. O consumo do chocolate amargo com 70% de cacau pode melhorar os níveis de humor, memória e imunidade. Outra pesquisa da University of Wales Swansea, no País de Gales, no Reino Unido, mostrou que a ingestão de carboidratos está associada à melhora do humor e que o mau humor estimula o consumo de ‘alimentos de conforto’ como o chocolate.

Mel

Steve Buissinne/Pixabay

O mel também é fonte de triptofano, com ação calmante que induz a uma sensação de bem-estar. O alimento produzido pelas abelhas ainda é fonte de fruto-oligossacarídeos, que ajudam a promover o equilíbrio das bactérias no trato gastrointestinal. O mel também colabora com uma melhor regulação neuroendócrina, favorecendo a sensação de prazer e a disposição. Use com moderação.

Vitaminas do complexo B

Especialmente a B6 e a B12, são aliadas na produção de serotonina. São nutrientes importantes para pessoas idosas e, muitas vezes, uma suplementação com acompanhamento médico ou nutricional é indicada.

Magnésio

Outro nutriente importante para equilibrar a produção de serotonina e que ainda ajuda a regular a função nervosa. Alguns alimentos fontes desse mineral são folhas verde-escuras, como espinafre por exemplo, peixes, banana e feijão.

Melancia

Conta com o combo triptofano e vitamina C, excelente antioxidante que ajuda a combater o estresse físico e emocional. É recomendado o consumo de uma fatia média de melancia diariamente. Alerta-se o consumo moderado para os diabéticos pois contém altos níveis de açúcar.

Marianna finaliza alertando sobre a importância do consumo de água, a ingestão de água auxilia na produção de endorfina e serotonina, que têm efeito calmante e que são responsáveis pelo bom humor, relaxa e elimina a ansiedade e também diminui os níveis de adrenalina e cortisol responsáveis pelo estado de tensão.

Fonte: Marianna Magri Real é médica ecografista titulada pela Associação Médica Brasileira e Colégio Brasileiro de Radiologia. Médica nutróloga no Hospital Albert Einstein. Nutróloga responsável pelo setor de nutrologia da clinica de cirurgia plástica Dr. Hugo Sabath em São Paulo e no exterior. Food and Health ( Stanford). Medicina Integrativa e ciências da homeostase pela universidade Uningá – Maringá (certificado MEC).

Busca incansável por felicidade pode ser prejudicial*

A felicidade também pode ter uma função tóxica para o ser humano quando se trata de uma emoção forjada. Na verdade, a prática dessa busca incansável por felicidade e positividade pode ser prejudicial. A ditadura da felicidade nega a natureza humana, que é composta por altos e baixos. A pessoa passa a se culpar por não ser sempre otimista e estar sempre feliz, o que gera mais negatividade.

Nosso corpo e nossa mente respondem pior ao estresse quando negamos o que estamos sentindo. É impossível estarmos bem quando estamos em guerra com nós mesmos. Todos sentimos dor, tristeza, raiva, inveja, ciúme. Essas são emoções transitórias que fazem parte da natureza humana. Mas a pressão para estar sempre bem, invalida a grande gama de emoções que experimentamos. Logo, quando sentimos qualquer tipo de desconforto emocional — como a raiva e a tristeza — está subentendido que fracassamos e que somos inadequados ou fracos.

A felicidade também pode ser nociva se estiver relacionada à chamada ‘positividade tóxica’. Positividade tóxica é a crença que um estado feliz e otimista é desejável, possível e apropriado em todas as situações. Ela resulta na negação, minimização e invalidação da experiência emocional humana autêntica, deslegitimando a existência de certas emoções e sentimentos, que fazem parte da nossa experiência genuína. Isso já existia antes das redes sociais.

O pensamento positivo é um bem de consumo que alimenta um mercado multimilionário de filmes, livros, treinamentos e palestras há muitas décadas. Mas, certamente, a positividade tóxica encontrou um aliado nas redes sociais. Porque quando o ser humano se expõe socialmente, é natural que exista um esforço para que o outro o veja com bons olhos. Fica mais claro se lembrarmos que, em termos evolutivos, a sobrevivência do indivíduo humano depende do suporte do seu grupo.

Por isso, nosso cérebro desenvolveu um mecanismo, conhecido pelos pesquisadores como sociômetro, cuja função é julgar ou imaginar qual será a percepção dos outros ao nosso respeito. As pesquisas mostram que fazemos isso o tempo todo, inclusive sem termos consciência. Quando percebemos que somos admirados, a nossa autoestima aumenta, reforçando a atitude que gerou admiração. Quando percebemos que somos ou podemos ser mal vistos, nossa autoestima diminui.

E mais. Nós desejamos status, reconhecimento e aprovação social. As pessoas passam horas trabalhando em seus perfis sociais, construindo uma imagem que não condiz com quem realmente são. Já que a felicidade é reconhecida na nossa sociedade como um troféu, elas passam a divulgar apenas os momentos felizes. As redes sociais popularizam a ideia de que é possível ter uma vida livre de sofrimento. Raramente as pessoas publicam suas falhas ou destacam seus erros. Seguimos vidas artificialmente fabricadas e, como resultado, ficamos com a impressão de que todos estão lidando com tempos difíceis ‘melhor do que nós’, e isso promove uma sensação de solidão, vergonha e constrangimento. Quando o perfeito se torna normal, o bom se torna descartável.

Não tem nada de errado em vermos o lado positivo. Pelo contrário, é saudável entendermos a natureza multifacetada dos eventos e das pessoas. A positividade saudável reconhece emoções autênticas e rejeita o entendimento de que uma situação é necessariamente só boa ou só ruim. Emoções opostas podem acontecer simultaneamente. Ou seja, você pode ficar triste por perder seu emprego e ter esperança de encontrar um novo emprego no futuro. Algumas décadas de pesquisa mostram que a capacidade de ressignificar eventos é um dos principais fatores que suportam a resiliência humana. Ou seja, quando construímos sentido a partir das adversidades, tirando lições proveitosas do que nos acontece, conseguimos crescer a partir dos nossos desafios em vez de ficarmos piores por causa deles.

*Adriana Drulla é mestre em Psicologia Positiva, pela Universidade da Pennsylvania, é especialista em Compaixão e Autocompaixão. Estudou com Martin Seligman, psicólogo fundador da psicologia positiva, e outros pesquisadores referência neste campo nos Estados Unidos e no mundo. Formada em Conscious Parenting por Shefali Tsabary, psicóloga referência em parentalidade e autora do método que une psicologia, parentalidade e espiritualidade, é também especialista em Mindfulness e Autocompaixão pela Universidade da Califórnia, em San Diego (EUA) e pela USP.

4 benefícios da meditação e dos exercícios físicos na saúde mental

Especialista destaca que a junção das atividades é fundamental para o bom funcionamento do corpo e da mente

A meditação é uma técnica que permite levar a mente para um estado relaxado e sereno por meio de métodos de postura e foco. Trata-se de um mecanismo ancestral com inúmeros benefícios para a saúde física e mental, que vão desde a redução de estresse e aumento na capacidade de concentração à redução da ansiedade e melhora da insônia e da produtividade.

Júlio Pereira de Souza, CEO da Eurekka, explica: “É considerado senso comum a importância de cuidar da saúde do corpo, seja com atividade física ou se tratando com um médico. A meditação está cada vez mais ganhando atenção como um autocuidado tão básico quanto exercício físico”, diz Souza.

Souza destaca que mesmo que seja difícil perceber, há uma relação muito próxima entre o corpo e a mente, entre a saúde física e a saúde mental, visto que muitos dos problemas emocionais afetam também o corpo com os seus sintomas. “Temos uma tendência a cuidar mais do corpo. Quando estamos insatisfeitos com a aparência, vamos à academia e quando sentimos uma dor estranha e persistente, vamos ao médico. Contudo, quando há um problema psicológico ou emocional, relutamos muito até, enfim, começar a fazer terapia”, diz.

De acordo com o especialista, a melhor maneira de balancear os cuidados é a combinação de exercícios não apenas para o corpo, mas também para a mente. Visto isso, Souza destaca quatro benefícios da meditação e dos exercícios físicos na saúde mental.

Aumento do foco

Dreamstime

Ao praticar exercícios físicos, o cérebro libera endorfinas e isso faz com que o corpo estabeleça mais conexões entre os neurônios, o que favorece o aumento dos níveis de concentração e raciocínio. A meditação, por sua vez, treina a capacidade do indivíduo de perceber quando está distraído e voltar a se concentrar, desenvolvendo com o tempo mais foco e por mais tempo. De acordo com estudos, apenas quatro dias de prática de meditação já são o suficiente para começar a perceber diferenças na atenção. “Juntar isso com a produção de noradrenalina e serotonina dos exercícios físicos e, ao longo do tempo, desenvolvemos o córtex pré-frontal no cérebro, que é a região responsável pela atenção”, explica.

Maior disposição

A meditação pode nos auxiliar a diminuir ruminações e preocupações excessivas antes de dormir, contribuindo para a qualidade do sono, o que está ligado de forma direta à maior disposição no dia a dia. A atividade física também ajuda a relaxar o corpo e reduzir o cortisol, que é conhecido como o hormônio do estresse. Assim, sem uma alta concentração de cortisol no sangue, o corpo ganha mais ânimo e disposição melhorando, inclusive, a imunidade.

Mais autoestima

As atividades físicas ajudam a melhorar o humor, ficar em forma e, portanto, a autoestima também. Trata-se de um efeito dominó do bem. Além disso, alguns tipos de meditação estão focados em desenvolver o autoconhecimento, o que também é a chave para melhorar a baixa autoestima. Ao reconhecer pensamentos tóxicos, as pessoas tendem a ter mais consciência de quais hábitos fazem mal. Desta forma, é possível focar mais em hábitos construtivos e saudáveis, como a atividade física.

Desenvolver disciplina

Por fim, tanto a meditação quanto os exercícios físicos podem ajudar no aprimoramento da disciplina. Afinal, as duas práticas exigem que o praticante se comprometa e tenha constância. Portanto, o comprometimento com as atividades por si só, já pode fazer com que o praticante se sinta mais disciplinado.

Souza ressalta que começar a criar hábitos como meditar e se exercitar pode ajudar a evoluir essa prática para outros afazeres do dia a dia, como trabalhar, estudar, dançar ou dormir. Ademais, já que ambos reduzem os níveis de estresse e ansiedade, você passa a ser uma pessoa mais focada e menos afobada.

Fonte: Eurekka

Cheiro de Natal e cheiro de Ano Novo… será?

Os cheiros são moléculas percebidas por células especializadas localizadas no alto da cavidade nasal – os neurônios quimiorreceptores olfatórios. Temos cerca de 10 milhões deles.

E por que afinal de contas ligamos alguns cheiros com determinadas situações? Segundo Livia Ciacci, neurocientista do Supera – Ginástica para o cérebro, o córtex piriforme é responsável pela percepção consciente dos aromas e o córtex entorrinal se projeta para o hipocampo, onde além da consolidação da memória olfativa, também ocorre a ligação com o sistema límbico – a área das emoções. “Podemos concluir que os cheiros têm conexão direta com o processamento das emoções e das memórias, afinal, diferente dos outros sentidos que passam primeiro pelo julgamento crítico, os odores chegam diretamente no sistema límbico – a área das emoções”, detalhou.

Então a resposta é sim: o cheiro de fim de ano existe! “Desde que a pessoa tenha associado a data a aromas específicos. Se alguém memoriza o cheiro de panetone ligado ao fim do ano, todas as vezes que sentir o cheiro vai evocar as memórias de fim de ano, ou então o contrário, quando chega o fim de ano, o ambiente faz com que ela se recorde do cheiro”, lembrou.

É possível perceber esse fenômeno mais facilmente quando observamos as estratégias de marketing usada por grandes varejistas como forma de atrair o consumidor por suas emoções “O cheio de ‘shopping’ é, na verdade, óleo essencial. Cafeterias espalham cheiros de guloseimas, decorações natalinas são perfumadas. Tudo nesta época especialmente contribui para nossas memórias olfativas que vão se firmando com o passar dos anos”, detalhou a neurocientista do Supera – Ginástica para o cérebro.

A infância no Natal

Quando falamos de Natal, algumas lembranças são especialmente marcantes. Biologicamente a infância e adolescência são fases da vida em que exploramos o ambiente com maior intensidade, e com isso, armazenamos informações importantes para a sobrevivência, e dentre elas, os cheiros. O Núcleo de Neurociências do Instituto de Ciências Biológicas da UFMG realizou algumas pesquisas para explicar como os cheiros se vinculam a diferentes lembranças e direcionam o comportamento. O estudo identificou entre outras coisas que a serotonina (importante neurotransmissor que modula o humor), quando liberada no bulbo olfatório, modifica a representação neuronal dos odores, atribuindo significados àquela memória olfativa.

Ainda segundo Livia Ciacci, neurocientista do Supera – Ginástica para o cérebro, a modulação do significado dos cheiros tem relação direta com as experiências “Isso explica porque o passado de natais felizes fica associado à percepção dos cheiros dessa época, assim como acontecimentos trágicos próximo da mesma data podem modificar essas sensações”, detalhou.

Voltando a conviver no dia 25

Mesmo com a pandemia ainda em andamento, o avanço da vacinação transformará as festas deste ano nas primeiras após a Covid -19 como evento de maior contato social, uma boa notícia para quem tem boas lembranças desta época, ou nem tanto para muitas pessoas “Para quem tem boas lembranças, o Natal ativa o sistema de recompensa do cérebro, trazendo prazer e reforçando o encontro como algo benéfico. O ato de conviver socialmente em si é necessário para nós, é um estímulo que mantém nossa mente saudável, independentemente de ser com familiares ou amigos”, lembrou.

Por outro lado, há quem não tenha boas lembranças desta época do ano. “Quando algumas pessoas experimentam um aumento do estresse e da ansiedade nessa época, geralmente motivada por uma série de fatores que alteram a rotina. Como por exemplo, as pressões por comparecer a confraternizações, compras de presentes, a redução ou alteração do ciclo do sono, mudanças na dieta, as altas temperaturas”, alertou. Nestes casos, a principal dica quando falamos do nosso cérebro, é buscar entender o que motiva esse sentimento, se é uma memória específica ou se é um misto de situações.

“A partir da autorreflexão, não devemos ter receio de respeitar nossos próprios limites. Perceba que os tipos de pensamentos mais comuns dessa época envolvem a sensação de obrigação: ‘Tenho que agradar as pessoas’; ‘Tenho que comprar presentes’; ‘Tenho que estar feliz’; ‘Tenho que fechar as metas’; ‘Tenho que fazer uma ceia’. Entender que você não é obrigado a cumprir coisas ou rituais que não fazem sentido para você, ou não trazem alegria e conforto, é o primeiro passo. Seja honesto consigo mesmo e se necessário ajuda especializada”, concluiu.

Fonte: Médoto Supera