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Por que os casos de ansiedade e depressão aumentam no fim do ano?

Frustrações por metas não alcançadas, sentimentos de perdas e principalmente o luto, são alguns dos motivos para entristecer as pessoas neste período

A proximidade com as festas de fim de ano, para a maioria das pessoas é sinônimo de alegria e de diversão, para outros, de tristeza e frustração. Mas por que as sensações costumam variar tanto de pessoa para a pessoa? Por que uma época do ano, em específico, costuma mexer tanto com os sentimentos?

Segundo o psicólogo cognitivo comportamental Emerson Viana, existem inúmeros fatores para isso e o principal é que costumam ficar mais sensíveis e pensativos nesta época, principalmente porque tudo o que estiver relacionado a situações vividas em anos anteriores, costumam voltar com força neste momento e nem sempre essas lembranças são positivas. Muitas vezes essas lembranças são acompanhadas de frustrações pela perda de um amor, ou pela sensação que mais um ano está se acabando e não foi possível reatar laços perdidos no passado.

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O psicólogo explica ainda que isso é normal, pois tendemos a fazer uma retrospectiva sobre os meses que passaram, o que inclui tanto as conquistas, quanto as frustrações. Além disso, as famílias costumam se reunir mais neste período e isso pode ser bastante doloroso para aqueles que perderam entes queridos ou que possuem problemas familiares. “E esse misto de sentimento pode desencadear reações adversas em cada pessoa. Alguns lidarão com isso de maneira mais leve, enquanto outros sofrerão antes mesmo que essa época chegue” – garante.

Para lidar com todos esses sentimentos que circundam o fim de ano é necessário tomar algumas atitudes que incluem a presença de um profissional especializado. O indivíduo precisa, avaliar o que deu certo e o que não deu de maneira imparcial, buscando entender o porquê de cada uma destas resoluções e pontuar o que ele pode fazer para ajustar a rota para o ano seguinte. “Mas este exercício é importante para o autoconhecimento e não para que a pessoa se frustre ainda mais, por isso é importante ser realizada com ajuda de um profissional” – reforça.

Além disso, outra dica importante para evitar a frustração é estipular metas que são possíveis de serem realizadas. Se junto com a meta, não for criado um plano para conquistá-la, é quase impossível dela se realizar.

“Muitas pessoas chegam ao meu consultório frustradas com elas mesmas, por não terem alcançado os planos que traçaram no último dia do ano, mas quando começamos a terapia, fica evidente que isso não seria possível. Uma pessoa extremamente sedentária, jamais conseguirá se tornar uma atleta se não houver preparo e acompanhamento médico, por exemplo. Assim como realizar aquela tão sonhada viagem; se a pessoa não estiver disposta a economizar e abrir mão de algumas coisas. Assim, é importante buscar ajuda para alcançar suas metas.” – evidencia Viana.

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O psicólogo finaliza dizendo que muitos destes objetivos só são possíveis com dedicação e cuidado emocional. É importante conhecer a motivação para cada um destes sonhos; buscar entender o que eles significam e para isso a terapia é uma grande aliada na hora de lidar com emoções que são difíceis de serem compreendidas. O autoconhecimento ainda é o principal fator para um ano leve e feliz.

Fonte: Emerson Viana é psicólogo cognitivo comportamental formado pela Universidade Metodista de São Paulo. Neste período, estagiou em importantes centros de atendimento psíquico ampliando o seu conhecimento e adquirindo experiência no desenvolvimento pessoal de adolescentes e terceira idade. Fundador e diretor clínico da Clínica Viva Psicologia

Tutores que passeiam com cachorros vivem melhor

Não é exagero: quem convive com cachorros e passeia com eles têm uma vida muito melhor. Segundo um estudo realizado pela Universidade de Uppsala, na Suécia, com mais de três milhões de pessoas com idades entre 40 e 80 anos – comparando tutores e não tutores de cães -, quem é pai de cachorro apresentou uma redução de 33% no risco de morte e 11% no risco de doença cardiovascular em comparação aos que não convivem com o pet.

Além disso, a caminhada é a principal responsável pelo upgrade na saúde. “Tutores que passeiam com seus cães são mais felizes e confiáveis, menos solitários, dão às suas vidas um significado maior e têm uma sensação de pertencimento ao mundo aprimorada”, explica Renata Ragazini, passeadora da DogHero e especialista em comportamento de cães.

Ainda segundo o estudo, a presença do cachorro influenciou na redução de 20% no risco de morte e de 23% no risco de doença cardiovascular. “Esses números provam que os cachorros são um fator de proteção impactante, especialmente para a saúde de pessoas que moram sozinhas – grupo notadamente mais vulnerável a essas condições”, diz Renata.

Os benefícios ainda vão além: aumento do bem-estar e dos contatos sociais e melhoria no microbioma bacteriano (mais resistência imunológica e menos alergias); outros estudos com tutores também apontaram a redução da pressão arterial, do colesterol e dos triglicérides, além de melhores índices de sobrevivência e recuperação após ataque cardíaco.

Ser pai de cachorro já ajuda na saúde. Agora, passear com ele todos os dias aumenta ainda mais os benefícios. Renata Ragazini separou alguns benefícios. Confira:

Passear com o cachorro é bom para a sua saúde

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Uma pesquisa realizada na China pela Universidade de Nanjing entre 2015 e 2016, concluiu que quanto maior o tempo de convívio e de interação (brincadeiras e passeios) com o cão, menores são os riscos de desenvolver doenças coronarianas.

Passear com o cachorro te mantém em forma

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A Organização Mundial de Saúde recomenda uma média de duas horas e meia de atividade física por semana para pessoas entre 18 e 64 anos. Adivinha quem tem mais chance de alcançar essa meta? Pessoas que passeiam com seus cachorros! Esse compromisso de fazer um bem ao amigo de quatro patas também ajuda a emagrecer, já que cada saída dura no mínimo 10 minutos e o ideal é que isso aconteça ao menos três vezes por dia.

Passear com o cachorro é benéfico à mente

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“Quando você está com seu pet e mais ainda quando passeia com ele, os níveis de ocitocina, serotonina e dopamina se elevam no organismo”, explica Renata. “Consequentemente, seu bem-estar se eleva, você se acalma, fica menos ansioso e com a pressão arterial dentro da normalidade. Não é à toa que eles estão cada vez mais presentes nos ambientes de trabalho, trazendo mais energia, satisfação e produtividade para todos.”

Para as pessoas mais velhas, passear com o cachorro também adiciona propósito e significado ao cotidiano, afastando a solidão e reduzindo o declínio cognitivo e as doenças. Cuidar do pet é um grande motivo – baseado no amor – para seguir positivamente a rotina. Nesse aspecto, que vale para todos, a depressão também leva um “chega pra lá”.

Chame um passeador quando a agenda apertar

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Mesmo para quem está comprometido em passear regularmente com o cachorrinho, imprevistos podem acontecer. Nessas situações, a melhor saída é contar com ajuda profissional. Na DogHero, o passeador recebe orientação para lidar com as mais diversas situações que podem acontecer durante um passeio. Assim como você, o dog walker ama cachorros e vai dar ao seu pet toda a atenção que ele precisa – cada passeio é feito com apenas um cachorro (salvo quando há mais de um na mesma família). Os passeios são adaptados ao perfil e nível de energia do seu cão, que ficará satisfeito e saudável.

O passeador ideal é selecionado no aplicativo da DogHero seguindo as informações que você forneceu, como endereço e duração de passeios. Você acompanha, graças ao rastreio por GPS do aplicativo, tudo que acontece, incluindo início, término e quantos xixis ele fez. E, caso ele se machuque ou passe mal durante o passeio, a empresa reembolsa os gastos com veterinário em até R$ 5 mil.

Fonte: DogHero

Os benefícios científicos de ser um cat lover*

Pesquisa sugere que os gatos podem tornar nossa vida mais feliz e saudável

Todo 8 de agosto é Dia Internacional dos Gatos. E no deste ano, Cora provavelmente começou a manhã como qualquer outra: subindo no meu peito e arranhando meu ombro, exigindo atenção. Eu provavelmente levantei o edredom com sono e ela se aconchegou embaixo dele, esparramada ao meu lado. Para Cora – e, portanto, para mim – todos os dias é o Dia Internacional dos Gatos.

Os gatos podem nos acordar às quatro da manhã e vomitar com uma frequência alarmante, ainda assim, entre 10% a 30% de nós nos chamamos de “cat person (pessoas do gato)” – não pessoas de cães, nem mesmo amantes de gatos e cães com oportunidades iguais. Então, por que escolhemos trazer essas bolas de pelo para nossas casas – e gastamos mais de US$ 1.000 por ano em alguém que não é geneticamente relacionado a nós e, francamente, parece ingrato na maioria das vezes?

A resposta é óbvia para mim – e provavelmente para todos os amantes de gatos por aí, que não precisam de pesquisas científicas para justificar seu amor feroz. Mas os cientistas estudaram de qualquer maneira e descobriram que, embora nossos amigos felinos possam não ser bons para nossos móveis, eles podem dar alguma contribuição à nossa saúde física e mental.

1. Bem-estar

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De acordo com um estudo australiano, os donos de gatos têm melhor saúde psicológica do que pessoas sem animais de estimação. Nos questionários, eles afirmam se sentir mais felizes, mais confiantes e menos nervosos, além de dormir, se concentrar e enfrentar melhor os problemas de suas vidas.

Adotar um gato também poderia ser bom para os filhos: em uma pesquisa com mais de 2.200 jovens escoceses entre 11 e 15 anos, as crianças que tinham um forte vínculo com seus filhotes tinham uma qualidade de vida mais alta. Quanto mais apegados, mais se sentiam em forma, enérgicos e atentos, menos tristes e solitários; e quanto mais aproveitavam o tempo sozinhos, no lazer e na escola.

Com suas palhaçadas que desafiam a gravidade e posturas de sono semelhantes a ioga, os gatos também podem nos tirar do mau humor. Em um estudo, pessoas com gatos relataram experimentar menos emoções negativas e sentimentos de isolamento do que pessoas sem gatos. De fato, solteiros com gatos estavam de mau humor com menos frequência do que pessoas com um gato e um parceiro. (Seu gato nunca está atrasado para o jantar, afinal.)

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Até os gatos da Internet podem nos fazer sorrir. As pessoas que assistem aos  vídeos de gatos on-line dizem que depois sentem menos emoções negativas (menos ansiedade, aborrecimento e tristeza) e sentimentos mais positivos (mais esperança, felicidade e satisfação). É certo que, como descobriram os pesquisadores, esse prazer se torna culpado se o fizermos com a finalidade de procrastinação. Mas ver gatos irritar seus humanos ou serem embrulhados para presente de Natal parece nos ajudar a sentir-nos menos empobrecidos e recuperar nossa energia para o dia seguinte.

2. Estresse

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Posso atestar que um gato quente no seu colo, fazendo uma boa massagem nas coxas, é uma das melhores formas de aliviar o estresse. Uma tarde, sentindo-me oprimida, eu disse em voz alta: “Gostaria que Cora sentasse no meu colo”. Eis que ela trotou e pulou em cima de mim segundos depois (embora tentativas de replicar esse fenômeno não tenham sido bem-sucedidas).

Em um estudo, os pesquisadores visitaram 120 casais em suas casas para observar como eles reagiriam ao estresse – e se os gatos ajudariam. Ligados a monitores de frequência cardíaca e pressão arterial, as pessoas foram submetidas a uma série de tarefas assustadoras: subtrair três repetidamente de um número de quatro dígitos e, em seguida, segurando a mão em água gelada (abaixo de 40 graus Fahrenheit) por dois minutos. As pessoas ou estavam sentadas em uma sala sozinhas, com o animal de estimação perambulando, com o cônjuge (que poderia oferecer apoio moral), ou ambos.

Antes do início das tarefas estressantes, os tutores de gatos tinham uma frequência cardíaca e pressão sanguínea em repouso mais baixas do que as pessoas que não possuíam animais de estimação. Durante as tarefas, os donos de gatos também se saíram melhor: eram mais propensos a se sentirem mais desafiados do que ameaçados, seus batimentos cardíacos e pressão arterial eram mais baixos e até cometeram menos erros de matemática. Em todos os vários cenários, os tutores de gatos pareciam mais calmos e cometeram o menor número de erros quando o gato estava presente. Em geral, os donos de gatos também se recuperaram mais rapidamente fisiologicamente.

Por que os gatos são tão calmantes? Eles não nos julgam por nossas habilidades matemáticas fracas ou ficam extremamente angustiados quando estamos angustiados – o que explica por que os gatos foram realmente uma influência mais calmante do que outros significativos em alguns casos.

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Como Karin Stammbach e Dennis Turner, da Universidade de Zurique, explicam, os gatos não são simplesmente pequenos seres que dependem de nós. Também recebemos conforto deles – há toda uma escala científica que mede quanto apoio emocional você recebe do seu gato, com base na probabilidade de procurá-lo em diferentes situações estressantes.

Os gatos oferecem uma presença constante, livre dos cuidados do mundo, que pode fazer com que todas as nossas pequenas preocupações e ansiedades pareçam supérfluas. Como disse a jornalista Jane Pauley: “Você não pode olhar para um gato adormecido e se sentir tenso”.

3. Relacionamentos

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Shutterstock

Gatos são seres que cuidamos e que cuidam de nós (ou pelo menos acreditamos que sim). E as pessoas que investem nesse vínculo entre espécies também podem ver benefícios em seus relacionamentos entre seres humanos.

Por exemplo, a pesquisa descobriu que os tutores de gatos são mais sensíveis socialmente, confiam mais em outras pessoas e gostam mais de outras pessoas do que pessoas que não possuem animais de estimação. Se você se considera uma pessoa que gosta de gatos, tende a pensar que outras pessoas gostam mais de você do que alguém que não é gato nem cachorro. Enquanto isso, mesmo as pessoas que assistem aos vídeos sobre gatos se sentem mais apoiadas por outras do que aquelas que não são grandes fãs da mídia digital felina.

Embora essas correlações possam parecer desconcertantes, faz sentido se você considerar os gatos apenas um nó na sua rede social. “Os sentimentos positivos sobre cães / gatos podem gerar sentimentos positivos sobre as pessoas, ou vice-versa”, escrevem Rose Perrine e Hannah Osbourne, da Eastern Kentucky University.

Quando alguém – humano ou animal – nos faz sentir bem e conectados, aumenta nossa capacidade de bondade e generosidade para com os outros. Como constatou o estudo de adolescentes escoceses, as crianças que se comunicam bem com um melhor amigo são mais apegadas aos gatos, provavelmente porque passam o tempo brincando como um trio.

“Os animais de estimação parecem agir como ‘catalisadores sociais’, induzindo o contato social entre as pessoas”, escreveu o pesquisador do Reino Unido Ferran Marsa-Sambola e seus colegas. “Um animal de estimação pode aceitar características abertamente afetuosas, consistentes, leais e honestas que podem atender à necessidade básica de uma pessoa de sentir uma sensação de valor próprio e amada”.

4. Saúde

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Foto: Nina Pearman

Por fim, apesar do que você já deve ter ouvido falar sobre parasitas cerebrais entre gatinhos e humanos, há evidências de que os gatos podem ser bons para a nossa saúde. Em um estudo, os pesquisadores acompanharam 4.435 pessoas por 13 anos. As pessoas que possuíam gatos no passado eram menos propensas a morrer de ataque cardíaco durante esse período do que as pessoas que nunca possuíram gatos – mesmo quando consideravam outros fatores de risco como pressão arterial, colesterol, tabagismo e índice de massa corporal.

Isso era verdade para as pessoas, mesmo que elas não tivessem gatos atualmente, explicam os pesquisadores, o que sugere que os gatos são mais como medicina preventiva do que tratamento para uma doença em andamento.

Em outro estudo, James Serpell, da Universidade da Pensilvânia, acompanhou duas dúzias de pessoas que acabaram de adquirir um gato. Eles completaram pesquisas dentro de um ou dois dias após levarem o gato para casa e depois várias vezes nos próximos 10 meses. Na marca de um mês, as pessoas reduziram as queixas de saúde, como dores de cabeça, dores nas costas e resfriados – embora (em média) esses benefícios parecessem desaparecer com o passar do tempo. Como especula Serpell, é possível que as pessoas que formam um bom relacionamento com seus gatos continuem vendo benefícios, e as pessoas que não, bem, não.

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Grande parte dessa pesquisa sobre gatos é correlacional, o que significa que não sabemos se os gatos são realmente benéficos ou se as pessoas já são apenas um grupo feliz e bem ajustado. Mas, infelizmente, para nós, amantes de gatos, este não parece ser o caso. Em comparação com os amantes de cães, pelo menos, tendemos a ser mais abertos a novas experiências (mesmo que nossos gatos nervosos não sejam). Mas também somos menos extrovertidos, menos calorosos e amigáveis ​​e mais neuróticos. Experimentamos mais emoções negativas e as reprimimos mais, uma técnica que nos deixa menos felizes e menos satisfeitos com nossas vidas.

Pelo lado positivo, isso significa que é mais provável que os gatos realmente nos tragam tanto prazer e alegria quanto afirmamos, embora a pesquisa esteja longe de ser conclusiva. De fato, a grande maioria das pesquisas sobre animais de estimação se concentra nos cães, em parte porque eles são mais fáceis de treinar como assistentes de terapia. “Os gatos foram deixados para trás um pouco pela pesquisa”, diz Serpell. Ainda um osso para conseguir com nossos colegas caninos.

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Enquanto esperamos por mais dados, continuarei falando para todo mundo que estou feliz por ter um gato na minha vida – e na minha cama, na minha mesa de jantar e me vendo ir ao banheiro. O que perco de sono compenso no amor suave e peludo.

*Kira M. Newman é a editora-gerente do Greater Good. Ela também é a criadora do The Year of Happy, um curso de um ano na ciência da felicidade, e do CaféHappy, um encontro em Toronto. 

Saúde mental no trabalho: existe prevenção?*

O que é mesmo saúde mental? Em primeiro lugar, é bom lembrar que saúde mental não significa apenas a ausência de doença mental. A própria OMS (Organização Mundial da Saúde) realça que o conceito de saúde mental não se limita à ausência de doença ou enfermidade. Abrange, na verdade, o conjunto das atividades que promovem o bem-estar e permitem o equilíbrio dinâmico entre diferentes esferas da vida: social, física, espiritual, econômica, emocional…

E hoje, 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental, é uma excelente oportunidade para falarmos de prevenção, ou seja, como detectar as primeiras falhas nesse equilíbrio sutil que é a saúde mental. Existem formas simples e acessíveis de monitorar alguns aspectos no dia a dia, em particular no trabalho.

Faça regularmente o check-in com você mesmo

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Em um dia típico de trabalho, é comum acordar cedo, passar o dia inteiro entre uma atividade e outra e chegar em casa exausto, sem se atentar a alguns alertas que o corpo ou a mente possam estar emitindo, como uma dor na lombar, uma tensão muscular no pescoço, ou algum assunto que anda preocupando, uma sensação de baixa energia se arrastando. Somente quando sentimos algo mais intenso é que corremos ao fisioterapeuta, ou recorremos a algum remédio para ajudar a relaxar e a dormir.

Por que não agir de forma preventiva e não curativa? Tome um tempo para si mesmo, para se auto-observar e perceber esses sinais. Esse momento pode ser uma caminhada, uma meditação, ou uma simples pausa de alguns minutos para respirar profundamente. Aproveite esses minutos para avaliar os diferentes aspectos do seu equilíbrio e, num segundo tempo, elabore um plano de ação para tratar na raiz esses sintomas. Dívida com os seus colegas, amigos ou familiares a sua situação e saiba pedir ajuda.

Tenha uma estratégia de gerenciamento do estresse

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O estresse é uma reação inerente ao ser humano, um elemento evolutivo central na sobrevivência da nossa espécie: não tem como eliminar completamente o estresse da nossa vida, até porque, às vezes, é um elemento positivo e ajuda em um momento específico a estar alerto e acordado.

O que está dentro do nosso alcance é estabelecer uma estratégia de gerenciamento do estresse, para evitar que ele se torne uma condição crônica e vire uma verdadeira ameaça à nossa saúde. Um pré-requisito essencial antes de tudo: saiba identificar os seus gatilhos, as situações que causam estresse em excesso. Num segundo momento, instaure uma rotina que favoreça a regularização do seu nível de estresse: uma conversa com uma pessoa atenciosa, uma caminhada.

A prática da meditação e de mindfulness (conjunto de técnicas práticas, possíveis e cientificamente comprovadas que ajudam a focar no momento presente, sem deixar o passado ou o futuro te afetarem, tornando sua mente mais desperta e saudável, sendo sua aliada) são ferramentas comprovadamente eficientes para abaixar o nível de estresse, diminuir a frequência cardíaca e pressão arterial, e, de forma geral, aumentar a sensação de bem-estar.

Pratique a atenção plena

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Evitar olhar os e-mails de trabalho em casa, ou cuidar de assuntos pessoais pelo celular durante uma reunião de trabalho são apenas exemplos de situações em que a nossa cabeça está em um lugar e a mente em outro. Esse comportamento, muito favorecido pela presença das tecnologias no nosso dia a dia, prejudica de várias formas a nossa saúde mental: atrapalha a nossa concentração e a nossa produtividade no trabalho, criando mais estresse e potenciais frustrações e baixo desempenho, ameaçando o pilar emocional e econômico do equilíbrio que compõe a saúde mental. Em situações de socialização, trazer questões de trabalho, por exemplo, lendo os seus e-mails, põe em perigo a sua capacidade de criar, manter e fortalecer vínculos com amigos e familiares, escutar e ser escutado de volta, ameaçando o pilar social tão importante da sua saúde mental.

Pratique a benevolência consigo mesmo e com os seus colegas

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Criar um ambiente de trabalho no qual é fácil pedir ajuda, fazer uma pausa, realizar uma atividade de relaxamento é a base para fomentar a saúde mental. Aproveite as iniciativas propostas pela sua empresa (massagem, ginástica laboral, meditação, yoga corporativo…) e seja também protagonista. Não seja perfeccionista e reavalie as suas expectativas em relação aos seus colegas. Isso ajuda a evitar frustrações e estresse em excesso.

*Armelle Champetier é diretora da Yogist no Brasil, que tem como objetivo levar o yoga às empresas, com foco na saúde e bem-estar das equipes, combatendo o estresse no trabalho e os distúrbios osteomusculares.

 

Hoje é Dia Mundial da Saúde Mental: mude hábitos e evite transtornos

O Dia Mundial da Saúde Mental tem como data 10 de outubro, instituído em 1992, pela Federação Mundial de Saúde Mental. “Os transtornos mentais podem ser altamente incapacitantes. Um levantamento realizado pela Universidade Federal de São Paulo, em parceria com o Ministério da Saúde, constatou que a maior parte dos casos de licença para o tratamento da saúde no Brasil está relacionada a um diagnóstico psiquiátrico. Entre as 10 principais causas de afastamento do trabalho, cinco estão relacionadas a transtornos mentais, sendo a depressão a causa número um”, relata  Elie Cheniaux, psiquiatra, mestre e doutor em psiquiatria, psicanálise e saúde mental pela UFRJ.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ansiedade, por exemplo, atinge mais de 260 milhões de pessoas. Aliás, o Brasil é o país com o maior número de pessoas ansiosas: 9,3% da população. Além disso, novos dados mostram que 86% dos brasileiros sofrem com algum transtorno mental, como ansiedade e depressão. O levantamento feito pela Vittude, plataforma online voltada para a saúde mental, aponta que 37% das pessoas estão com stress extremamente severo, enquanto 59% se encontram em estado extremamente severo de depressão. A ansiedade extremamente severa atinge níveis ainda mais altos: 63%.

Mas como manter a mente saudável e evitar o acometimento destes transtornos? Abaixo, especialistas indicam hábitos que estimulam o cérebro:

Xadrez

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Jogos desse tipo, que desafiam o cérebro, estimulam o crescimento de dendritos – organismos que enviam sinais a partir das células neurais. Com mais dendritos, a comunicação neural, dentro do cérebro, melhora e fica mais rápida. Um estudo feito na Alemanha afirmou que quando é pedido aos jogadores que identifiquem posições de jogo e formas geométricas, os dois hemisférios do cérebro, esquerdo e direito, ficam muito ativos. O tempo de reação para as formas simples era o mesmo, mas acabavam usando ambos os lados do cérebro para responder mais rapidamente a questões relacionadas às posições de jogo. Um estudo científico mostrou que jogar pode aumentar o QI do praticante. Uma análise feita com 4.000 estudantes venezuelanos mostrou aumentos significantes na pontuação do QI, tanto dos meninos quanto das meninas, após quatro meses de práticas. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine afirmou que pessoas com mais de 75 anos de idade que praticam esportes mentais como este tem menos probabilidade de desenvolver demência que idosos que não praticam esse tipo de jogo.

Leitura

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Há diversas pesquisas que comprovam que ler aumenta as conexões neurais, fazendo com que o cérebro funcione melhor. Uma pesquisa da Universidade Emory, dos Estados Unidos, descobriu que a redução do funcionamento do cérebro, na velhice, pode ser reduzida em cerca de 30% se a pessoa mantiver hábitos de leitura, além de proteger contra doenças como o mal de Alzheimer. Ler também melhora as funções cognitivas. “Elas representam o conjunto das funções mentais responsáveis pela aquisição, organização, interpretação e armazenamento de informações do mundo externo que possuem algum valor significativo para o indivíduo. Dentre o grande número de funções cognitivas, destacam-se a consciência, a atenção, a orientação, a sensopercepção, a memória, o pensamento e a inteligência”, reforça o psiquiatra.

Meditação

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“Como prática contemplativa e de aquietamento da mente, a meditação oferece tempo para relaxamento e conscientização de nosso estado de maneira focada, oferecendo um maior recurso interno para lidar com um mundo estressante, onde os nossos sentidos são muitas vezes alterados e influenciados negativamente. Com a prática, a meditação tem o potencial não somente de proporcionar um alívio temporário do estresse, mas de transformar nossa maneira de interagir com o mundo”, explica Vivian Wolff, especialista em Mindfulness. Segundo ela, pesquisadores do mundo todo e experts em inteligência emocional, como Daniel Goleman, defendem a prática do Mindfulness como um grande recurso para autogerenciamento, consciência das emoções, redução de estresse, desenvolvimento de empatia e aumento de foco.

Comunicação

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A falha ou falta de comunicação pode aumentar a propensão à ansiedade ou problemas de desestabilidade emocional. Segundo a psicóloga Elaine Di Sarno, na formação de indivíduos, muitos entendem que a conversa pode ser uma experiência agressiva ou autoritária. “Isso acaba inibindo futuras interações interpessoais e ainda aumenta a possibilidade da pessoa se tornar introvertida, mesmo que ela não queira”. Expor emoções de diversas formas é um recurso assimilado até por vertentes da terapia, como a musicoterapia. Essa técnica aciona o campo do cérebro associado às emoções e é indicada para quem sofre de distúrbios comunicativos, como a gagueira, além de ser eficiente no combate à depressão.

Autodomínio

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Você sabia que possui dentro do seu cérebro um detector de ameaças? Esse radar recebe o nome de amígdala, grupo de neurônios cuja estrutura implica na manifestação de reações emocionais. Sendo o responsável pelo nosso modo de defesa, de lutar ou fugir, está intimamente relacionado com nossas reações, e é o ponto de disparo para emoções como raiva, medo ou impulso. A amígdala funciona mais ou menos assim: ao detectar uma ameaça, ela entra em alerta e domina o resto do cérebro, principalmente nosso córtex pré-frontal, região onde residem as capacidades de resolver problemas, controlar nossos impulsos e nos relacionar bem com os outros. É o que os cientistas chamam de “sequestro da amígdala”. “Quando entramos nesse modo de interação cerebral dominada, todos os nossos recursos estão focados em avaliar o que é mais importante para superar essa ameaça. Para todo o resto, sobra apenas baixa velocidade cognitiva: perdemos a concentração, nos tornamos reativos, os fatos parecem distorcidos e ficamos mais limitados em nossas ações. Fugir de um tubarão em alto mar é uma questão de sobrevivência. Mas se você tem um colega de trabalho que vive te sabotando, sua amígdala entende que ele é uma ameaça”, explica Vivian. Um dos pontos mais importantes para evitar o sequestro da amígdala e nosso consequente comportamento negativo é identificar os gatilhos que disparam nossa reatividade.

Desapego

mulher caminhando caminhada pixabay
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O consumo exagerado é um sinal de alerta. De acordo com Vivian, no aprendizado das práticas meditativas existe o conceito de que muito do nosso sofrimento está no apego e no desejo de possuir mais. O que essas pessoas não sabem, e precisam aprender, é que a busca pela felicidade nem de longe está no “ter”. “Quantas vezes alguém sentiu um vazio interno, foi ao shopping, comprou um monte de coisa e voltou para casa com o sentimento de satisfação? Essa sensação é falsa e momentânea. Logo, o vazio volta, pois não são roupas novas que preencherão esta lacuna e tampouco resolverão suas angústias”, explica Vivian. Daí a necessidade de ter autoconhecimento, descobrir sua identidade, suas necessidades e o que realmente é importante na sua vida. Sem precisar torrar o cartão de crédito.

“Faça um check list da sua vida. Identifique o que tem de errado e tente mudar ou resolver o problema. Pense em quem você é, quais os seus valores, suas metas. Sinta se você está feliz com a vida que leva ou apenas acomodado. Descubra o que te dá prazer em viver, e que não tenha relação com consumo. Na medida que percebemos nossas prioridades, começamos a desapegar e construir uma nova forma de viver. Respiramos com alívio quando, em vez de passar a tarde no shopping, preferimos ir a um parque. Em vez de comprar mais um livro, resolvemos começar a ler algum dos 17 que estão empilhados no criado-mudo”, afirma Vivian.

Organização e definição de metas

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O dia só tem 24 horas, e é preciso lembrar que esse é o tempo bruto de que
dispomos. O tempo líquido que sobra deve ser dedicado à atenção de nossas necessidades fisiológicas e de saúde e bem-estar. E o conceito de bem-estar integra as dimensões física, mental, social e intelectual, bem como o propósito de vida de um indivíduo. Daí a importância da organização e definição de metas na vida pessoal e profissional. No entanto, segundo Elaine, mais importante do que definir as metas é estabelecer objetivos e selecionar atividades que possam ser implementadas de forma realista.

“Quando falamos de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional, é comum o indivíduo fazer planos como sair do trabalho mais cedo para ficar com a família, fazer ginástica e dormir, pelo menos, 8 horas por noite. Tudo isso pode parecer ideal. Mas dificilmente é possível implementar um plano tão perfeito de uma vez e fazê-lo funcionar. Sempre há imprevistos, como uma viagem a trabalho, um atraso motivado pelo trânsito ou algo que desmorona a estrutura toda”, diz Elaine.

Ela completa: “Daí vem a desmotivação. Num processo de mudança sustentável, é preciso constituir um plano de ação que será implementado aos poucos. As experiências bem-sucedidas vão sendo inseridas pouco a pouco na rotina e tendem a ser consolidadas aquelas que melhor se adequam à vida real e aos recursos disponíveis que o indivíduo possui. Definir um número semanal de horas de exercícios físicos permite uma distribuição flexível e mais realista do que matricular-se na aula de spinning das 19h30 todos os dias, por exemplo. O importante é avaliar constantemente o que está sendo feito versus objetivos e prioridades estabelecidos”.

Fontes
Elie Cheniaux é psiquiatra, mestre e doutor em psiquiatria, psicanálise e saúde mental pela UFRJ; pós-doutor pela COPPE/UFRJ e PUC-Rio; membro licenciado da Sociedade Psicanalítica do Rio de Janeiro
Vivian Wolff é formada em Mindfulness pela Georgetown University Institute for Transformational Leadership, Washington DC; com MBA em Marketing Estratégico pela University de Catalunya, Barcelona
Elaine Di Sarno é psicóloga com especialização em Avaliação Psicológica e Neuropsicológica pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP; especialização em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Hospital das Clínicas; pesquisadora e colaboradora do Projesq (Projeto Esquizofrenia) do IPq-HC-FMUSP

Ataque de pânico: o que fazer diante de uma crise? por Tatiana Pimenta*

Ataque de pânico? Talvez você já tenha testemunhado ou vivenciado um, sem saber reconhecer o que ocorreu

Os sintomas físicos de um ataque de pânico são semelhantes aos de um infarto: taquicardia, dores no peito, formigamento (nas mãos, pés ou rosto), sudorese, náusea, respiração acelerada, tontura… E muito medo de morrer, de não conseguir escapar daquela situação.

O quadro assusta e, corretamente, a pessoa procura por ajuda médica. Após os exames, vem o diagnóstico: não há nada de errado com o coração. A saúde física está íntegra. Nesses casos, o próprio cardiologista costuma orientar o paciente a procurar por um psicólogo ou psiquiatra, pois seu mal-estar súbito é, na verdade, uma resposta à ansiedade.

Ataques de pânico são mais comuns que você imagina

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Os ataques – ou crises – de pânico são muito comuns. Acometem cerca de 11% da população adulta, anualmente. E estima-se que 90% das pessoas passará, em algum momento da vida, por esse tipo de experiência. Porém, os esclarecimentos sobre o assunto, infelizmente, ainda não acompanham essa frequência.

A falta de informação faz com que muitos banalizem a situação. Ou atribuam imperícia ao médico que afirma que o coração vai bem. Chamar de “ataque de pânico” todo aquele conjunto de reações atípicas e tão intensas, pode gerar mais dúvidas do que explicações.

Pensando nisso, produzimos este artigo, que tem o intuito de servir como uma espécie de “manual de instruções” sobre o tema. Reunimos as principais questões e buscamos oferecer respostas de fácil entendimento, para que você compreenda o problema – e saiba o que fazer diante dele.

Quais as causas de um ataque de pânico?

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Se a pessoa teve um ataque de pânico, então é porque ela teve muito medo de alguma coisa, certo? Errado! O nome desse distúrbio deve-se mais à reação, em si, do que ao motivo que a desencadeia.

Geralmente, quem passa por uma crise de pânico, narra que, antes do fato, estava tudo normal, sem nenhum perigo iminente. Até por isso fica complicado entender o que aconteceu, já que a causa não parece concreta.

Embora pesquisadores se dediquem a decifrar o que, especificamente, suscita a crise, suas conclusões não são precisas. Não é possível, portanto, prever um ataque de pânico.

Contudo, após a ocorrência do episódio, as principais hipóteses observadas são:

– predisposição genética;
– perturbação do sistema fisiológico;
– efeito colateral de medicamentos (corticoides, anfetaminas, remédios para enjoo ou enxaqueca, por exemplo);
– uso de drogas;
– eventos estressantes (como perda de emprego, ruptura de relacionamento, falecimento de familiar…), que podem ter ocorrido até um ano antes da crise;
– histórico de traumas (abuso sexual, acidente, assalto, sequestro…);
– neuroticismo (ansiedade, depressão, baixa autoestima, pensamentos negativos exagerados e tendência a sentimentos de culpa);
– acúmulo de tensões ou inibições.

Quem pode sofrer um ataque de pânico?

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Segundo estatísticas, os ataques de pânico afetam jovens a partir dos 15 anos de idade. Entre os 25 e 40 anos, os índices são altos. Crianças são alvos menos comuns dos episódios, embora existam relatos – especialmente quando verifica-se a causa associada a medicamentos, estilo de vida marcado por muitas cobranças ou violência.

Fora a questão da faixa etária, ainda é possível perceber maior incidência entre as mulheres. Outros fatores, como estado civil, grau de escolaridade, renda, etnia… não sugerem qualquer relevância.

Quanto tempo dura uma crise?

Para algumas pessoas, o ataque pode durar poucos minutos. Para outras, algumas horas. O mais frequente é que aconteça num intervalo entre 10 e 30 minutos. Porém, mesmo após os sintomas principais cessarem, sensações desagradáveis podem persistir.

Quando acontece o ataque de pânico?

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Conforme pontuamos anteriormente, o momento da crise é súbito. Inesperado e sem um contexto em particular. Mas, e nas circunstâncias em que ocorre um mal-estar com os mesmos sintomas, sendo o evento desencadeador perceptível? Por exemplo: quando a pessoa precisa se expor para falar em público ou enfrentar uma situação desafiadora, como uma prova?

Sempre que for possível identificar o que gerou a perturbação, é preferível referir-se à desordem como crise ou ataque de ansiedade, intimamente associada ao transtorno de ansiedade generalizada. Os termos se confundem e, muitas vezes, aparecem como sinônimos. Afinal, geralmente estão interligados. Lembre-se que a ansiedade é, justamente, uma das causas dos ataques de pânico.

Enfim, a questão é que as crises de pânico, propriamente ditas, não tem hora nem lugar para acontecer. Podem se manifestar durante uma atividade corriqueira, um passeio, uma sessão de cinema. Mesmo quando estamos dormindo a possibilidade existe! O ataque de pânico noturno tem a mesma duração dos ataques diurnos e apresenta sintomas físicos semelhantes: palpitações cardíacas, suor excessivo, sensação de sufocamento… E, claro, o medo.

Qual a diferença entre ataque de pânico e síndrome do pânico?

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A diferença básica está na periodicidade. Quem sofre um ataque de pânico pode passar a vida inteira sem experimentar uma nova ocorrência. Já nos casos em que a síndrome do pânico é diagnosticada, os ataques são recorrentes.

A frequência é variável: uma vez ao ano, algumas vezes ao mês, todos os dias… Em certas situações, a pessoa enfrenta várias crises num curto intervalo de tempo (uma semana, por exemplo) e depois passa longos períodos sem enfrentar novos episódios.

O importante é que a frequência não seja negligenciada: necessita de tratamento. Do contrário, o “medo do medo” pode trazer sérias restrições. Uma das consequências é a agorafobia, que inviabiliza uma série de atividades rotineiras e impacta, severamente, nas relações sociais, profissionais, na qualidade de vida e bem-estar.

Quando ocorre o ataque de pânico, o que fazer? Como ajudar alguém em crise?

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O remédio é, obviamente, o antagonista da causa. Ou seja: a calma. Querendo ajudar alguém, ou a si próprio, numa circunstância dessas, lembre-se que qualquer atitude abrupta apenas piorará o quadro. Por exemplo: não segure a pessoa, não empurre um copo d’água, não a conduza para outro local à força. Também não fique agitado, falando demais ou muito alto. O ideal é fazer perguntas gentis, em tom suave e pausado, mostrando-se solícito.

Além de postura que inspire tranquilidade, você pode utilizar algumas técnicas. Todas tem o mesmo objetivo: afastar o pânico e promover serenidade. Se você sabe que sofre com o transtorno, pode se valer delas. Se conhece alguém que sofra, compartilhe as dicas!

E tenha em mente que descobrir como controlar as crises necessita do processo de autoconhecimento – do corpo e dos gatilhos mentais que funcionam para restabelecer sua normalidade.

1. Controle a respiração
A sensação de asfixia ou a hiperventilação são sintomas recorrentes de ataque de pânico. Dizer para si mesmo, ou para o outro, “respire normalmente” parece pouco eficiente, não é mesmo? Nessas horas, é importante conhecer estratégias que facilitem esse controle. Uma técnica bem simples é a de contar até 4. Consiste em inspirar, contando até 4, dar uma pequena pausa e expirar, contando até 4 novamente. Vá repetindo o processo, sempre atentando para fazer o exercício com calma, desacelerando.

2. Repita um mantra
O mantra é uma frase simples, que deve ecoar na mente ou ser dita em voz alta. Novamente, lembre-se que a velocidade é a chave.”Vai ficar tudo bem”, “logo vai passar”, são bons exemplos de mantras. Tente deixar as palavras longas, demoradas, para auxiliar no controle da inquietação.

3. Procure por um local sossegado
Multidões, profusão de luzes, sons… Difícil concentrar-se no próprio corpo com tantos estímulos externos, não? Sendo possível, procure se afastar – ou afastar a pessoa em crise – de lugares “tumultuados”. Se estiver ajudando alguém, recorde que não é para arrastá-la do espaço onde está. Convide-a a lhe acompanhar. Ofereça apoio, não um empurrão. Se for inviável encontrar um lugar mais silencioso – se estiver na rua, por exemplo – procure por um local onde se sinta mais protegido, encoste-se numa parede e foque sua atenção num ponto específico, num objeto. Descreva-o para si mesmo.
Ou feche os olhos – sempre ajuda – e mentalize um lugar que represente sossego para você.

4. Aplique a técnica do 5, 4, 3, 2, 1
Essa estratégia auxilia a pessoa a distrair-se dos sintomas, conduzindo a concentração ao “aqui e agora” concreto. Também, pelo desvio de foco, afugenta os medos de morrer ou enlouquecer, tão corriqueiros nas crises de pânico.

A instrução é de que se olhe no entorno e diga:
5 coisas que pode ver;
4 coisas que pode tocar;
3 sons que consegue ouvir;
2 cheiros que pode identificar;
1 coisa que consegue sentir o sabor.

5. Inale óleo essencial de lavanda
Os óleos essenciais são concentrados de plantas, cujos efeitos por inalação ou contato com a pele são estudados pela aromaterapia. O óleo de lavanda é um dos mais populares e seguros. É um cheiro conhecido por nós, já que suas versões sintéticas são extensivamente empregadas – de produtos de limpeza a cosméticos e perfumes.
Existem vários estudos que atestam sua influência como agente tranquilizante, inclusive melhorando a qualidade do sono.

Existe tratamento para ataque de pânico?

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Sim, existem medicamentos (antidepressivos e/ou ansiolíticos), que apenas o médico pode prescrever. Caso receba essa recomendação profissional, não se abstenha de usá-la. Porém, a medicação, sozinha, nunca é a melhor solução. É importante realizar atividades físicas, descobrir técnicas de relaxamento, investir na meditação.
E, principalmente, contar com um processo terapêutico, sendo especialmente útil a terapia cognitivo comportamental.

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*Tatiana Pimenta é CEO e fundadora da Vittude. É engenheira formada pela UEL com MBA executivo pelo Insper. Executiva com 15 anos de experiência profissional em empresas como Votorantim e Arauco do Brasil. Apaixonada por psicologia e comportamento humano, faz psicoterapia pessoal há 7 anos. Também é maratonista amadora, palestrante, leitora voraz e colunista de comportamento, inovação e empreendedorismo.

Plataforma digital reúne informações médicas e culturais sobre saúde mental

O objetivo é tornar o Fale Abertamente um site de pesquisa para sanar dúvidas, saber enfrentar preconceitos, encontrar especialistas na área, entender, conhecer e diferenciar as doenças e seus sintomas

Fale Abertamente é um importante canal de comunicação com informações que abordam, de maneira clara e objetiva, os sintomas das principais doenças que acometem o sistema nervoso central, como: depressão, ansiedade, pânico, bipolaridade e doença de Alzheimer.

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Atualizada semanalmente, a plataforma, idealizada pela FQM Farma, foi criada com o propósito de ajudar às pessoas que sofrem com essas doenças e seus familiares que também precisam saber lidar com a situação.

O objetivo é tornar o Fale Abertamente um site de pesquisa, para sanar dúvidas, saber enfrentar preconceitos, encontrar especialistas na área, entender, conhecer e diferenciar as doenças e seus sintomas. Atualmente, profissionais se dedicam constantemente em pesquisas para que todas as informações postadas na plataforma tenham dados que possam ajudar e orientar a população, inclusive com indicações de livros e filmes para que o assunto seja passado de forma educativa. O canal também apoia iniciativas que visam o tema, com dicas culturais.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, no Brasil, 23 milhões de pessoas tenham problemas com a saúde mental, sendo ao menos cinco milhões em níveis que vão de moderado a grave.

Ainda, de acordo com a OMS, 322 milhões de pessoas em todo o mundo vivem com depressão. Considerada o “mal do século”, ela ainda é um desafio para médicos e pacientes por tratar-se de um tabu na sociedade.

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Na opinião do neurologista Willians Lorenzatto, a Plataforma Abertamente é muito importante para que as pessoas tenham total acesso à informação: “O objetivo é que a pessoa tenha uma referência na hora de pesquisar sobre o tema e também um canal com os especialistas da área. A população precisa saber que há várias formas de tratamento sem que haja necessariamente uma internação”.

Informações sobre outras doenças e dicas importantes podem ser obtidas no site e nas redes sociais (Facebook, Instagram e Youtube).

OMS define Síndrome de Burnout como ‘estresse crônico’ e a inclui na lista oficial de doenças*

O esgotamento profissional, conhecido como “Síndrome de Burnout”, foi incluído na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS). A lista, elaborada pela OMS, é baseada nas conclusões de especialistas de todo o mundo e utilizada para estabelecer tendências e estatísticas de saúde. A nova versão da classificação entra em vigor em 2022.

E você? Já ouviu falar em Síndrome de Burnout? Apesar de cada vez mais frequente, ainda é um diagnóstico pouco divulgado e conhecido. Consiste em um conjunto de sintomas depressivos e ansiosos diretamente relacionados ao trabalho. O portador pode sofrer crises de pânico, desânimo, choro fácil, tontura, dor de cabeça e outros sintomas presentes nos quadros de depressão e transtorno de ansiedade generalizada, simplesmente ao lembrar que precisa ir ao trabalho no dia seguinte, ou naquela manhã. Em casos mais graves a simples visualização de um comercial da empresa na TV, ou passar em frente a uma filial da empresa em que trabalha na rua, já pode despertar uma crise.

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As pressões no trabalho como a cobrança aos funcionários de metas quase inatingíveis, principalmente quando associados ao assédio moral, ameaças de demissão ou punição, bullying e a um ambiente de trabalho com muitos agentes estressores (atendimento ao público e riscos de violência por exemplo) aumentam as chances do surgimento da Síndrome.

Empresas com baixo investimento na qualidade de vida dos funcionários, sem políticas de bem-estar, responsabilidade social e sustentabilidade estão mais sujeitas a registrarem um maior número de casos de afastamento por licença médica causados por sintomas psiquiátricos. A prevenção com campanhas internas de saúde, um setor de recursos humanos competente e responsável, além do respeito as leis trabalhistas essenciais, já são um grande passo para evitar um aumento do absenteísmo.

Portanto, é importante que o trabalhador conheça e exija seus direitos e que os empreendedores se conscientizem da importância de cuidar de seus funcionários, principalmente oferecendo assistência psicológica e psiquiátrica preventiva e de suporte permanente. O diagnóstico precoce facilita o tratamento, por isso é importante fazer uma avaliação com um profissional da saúde mental, o mais rápido possível, ao menor sinal e suspeita da presença destes sintomas.

Inimigo número um do trabalho e dos colaboradores de uma organização, o estresse tem causado cada vez mais danos à saúde mental e física dos profissionais de uma empresa. Isso porque tal doença costuma agir de forma discreta e silenciosa, atacando em áreas onde um trabalhador já apresenta alguma sensibilidade, o que dificulta seu diagnóstico de imediato.

Como nem todos os profissionais são iguais, o corpo pode ser o principal meio de identificar se os resultados exigidos pelas companhias, bem como as cobranças, metas e o corre-corre do dia a dia estão impactando negativamente a saúde de um indivíduo.

Estresse mental

O estresse mental é o conjunto de todas as influências externas exercidas sobre um indivíduo, ao ponto de condiciona-lo mentalmente de forma negativa; aquele estado te tensão que se estabelece no nosso organismo quando é submetido a estímulos emocionais e físicos negativos.

Todos nos, quando submetidos a tensões emocionais (doenças importantes, nossas ou de familiares), a experiências frustrantes (excesso de atividades, desemprego), ou doloridas (lutos, separações), adoecemos com maior frequência e demoramos mais para nos curar: isso se chama estresse e não é nenhuma coincidência.

Se livrar dos sintomas do estresse mental significa eliminar todas as possibilidades para que esse distúrbio comprometa o equilíbrio da vida, impedindo que a pessoa viva o dia a dia da forma mais serena e simples possível.

Os sintomas mais comuns do stress mental são situações ligadas diretamente ao estilo de vida que muitos de nos tem na sociedade na qual vive, especialmente os ritmos aos quais somos obrigados a seguir para manter o equilíbrio entre todos os compromissos e obrigações que precisamos atender durante o dia.

Uma das manifestações mais comuns do estresse mental é a pessoa começar a ter duvidas quanto a sua capacidade de ser útil a sociedade, a família, aos amigos, a capacidade de ser competente. A sensação de passividade, o pessimismo, a desestima, são alguns dos sintomas mais comuns nesses pacientes, fatores que entram na vida da pessoa, levando-a se esvaziar de todas as energias físicas e emocionais, vivendo a vida como algo negativo sem conseguir se reerguer dos abismos do medo e da ansiedade.

O estresse mental leva a desenvolver uma grande variedade de distúrbios psicológicos, entre os quais a confusão mental e a incapacidade do individuo em pensar com lucidez e clareza, prejudicando assim a capacidade de seu poder decisional, o equilíbrio dos seus sentimentos e a forma de como vai se relacionando com os outros.

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A pessoa vitima do estresse mental, geralmente não percebe o seu problema, até conseguir prejudicar um bom numero de relacionamentos com os outros. A partir daí, se não buscar ajuda., começa um processo de alienação de todos e de tudo, cuja consequência é o afastamento.

Outra situação bem comum às vitimas do estresse mental, são frequentes ataques de pânico, por entrar em contato com maior frequência com os medos, as angustias, as inseguranças que envolvem todos os aspectos emocionais. As crises são acompanhadas de vários sintomas, como vertigens, calores intensos, diminuída lucidez mental, terror, arrepios, taquicardia e outras manifestações difíceis de segurar.

A insônia também é muito presente, dificultando para a pessoa com estresse mental a possibilidade de descansar adequadamente, reintegrando todas as energias necessárias para enfrentar o dia a dia em geral. O estresse mental traz situações de mal-estar durante a noite, como câimbras musculares, hiper-sudorese, secura da boca, mais intensas ainda quando a pessoa tenta adormecer.

Não existe o momento certo para o estresse mental se manifestar, pode ser durante uma reunião em família, no trabalho, durante um ato sexual, com uma atitude de hiperirritabilidade, bem esquisita ao olhar dos outros. A consequência disso é uma crescente dificuldade em querer manter relacionamentos, por perceber a dificuldade em ser no mínimo gentil e cortês com os outros.

Fisicamente, o corpo fica menos protegido contra vírus e bactérias, desenvolvendo uma baixa imunidade e expondo o paciente a um cada vez maior numero de doenças, que, se não tratadas em tempo e adequadamente, podem se transformar em patologias crônicas e problemas orgânicos graves. Aparelho respiratório, com problemas de gripes; distúrbios digestivos, com uma maior dificuldade do organismo em absorver os alimentos após as refeições, comprometendo todo o processo digestivo, gerando queimação, diarreia, obstipação e podendo provocar dores até durante a micção. Câimbras musculares e dores articulares, são bem comuns.

Precisamos dividir o nosso tempo em quatro momentos fundamentais: um para o trabalho, um para a família, um para o lazer e um  para o EU. A maior parte das pessoas não consegue esse tempo para o EU e confunde, mistura o tempo da família com o lazer. Vivem somente para o trabalho e para a família. Assim o estresse mental entra de forma sutil e imperceptível: quando você percebe, já foi vitima.

Reduzir as fontes geradoras de estresse, aproveitar para dedicar um pouco mais de tempo para si mesmo, talvez desenvolvendo alguma atividade física, se interessar por alguma atividade que se torne um hobby, tentar ficar longe dos problemas, seja dos físicos ou psicológicos, para poder se restabelecer e recuperar o próprio equilíbrio, são dicas valiosas.

Porém o certo, é ter o acompanhamento e a orientação de um profissional competente que possa ajuda-lo a se reequilibrar e voltar a vida. Existem hoje em dia diversas abordagens terapêuticas para ajudar pacientes com estresse mental e, na maioria dos casos, os resultados são satisfatórios, considerando também que não existe o médico, nem o bom tratamento em absoluto, mas, sim, o tratamento bom e o profissional bom para aquele paciente naquele momento e com aquele problema.

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A nossa proposta é sobre o processo terapêutico que se utiliza da Hipnose Dinâmica como ferramenta para identificar, nas estruturas inconscientes da mente humana, as causas que levam o paciente a desenvolver esse quadro patológico, permitindo ao médico e ao paciente, juntos, localizar e resolver as problemáticas nelas contidas. A Hipnose Dinâmica não causa danos e não pode obrigar alguém a cometer atos contrários aos seus princípios. É aplicada em caso de tabagismo, alcoolismo, drogadição, obesidade, gagueira, depressão, ansiedade, fobia, problemas sexuais e todos os problemas de origem psicossomática.

*Leonard F. Verea é médico psiquiatra formado pela Faculdade de Medicina e Cirurgia de Milão, Itália. Especializado em Medicina Psicossomática e Hipnose Dinâmica. Especialista em Medicina do Trabalho e Medicina do Tráfego. É membro de entidades nacionais e internacionais. Atua como diretor do Instituto Verea e da Unicap. Trouxe a Hipnose Dinâmica para o Brasil em 1985. 

 

Psicotrópica: conheça a nova marca que une moda aos artistas da saúde mental

Psicotrópica foi fundada em 2015, em Florianópolis. A imersão a um universo psíquico é o norte de Raiana Pires em sua marca de roupas. Permeada pelo slow fashion, a moda da etiqueta é estampar a loucura e personalidade intrínseca de cada um por meio de suas criações artesanais, feitas em pequena escala e, sobretudo, psicotrópicas – onde a moda interliga-se com a arte.

Fruto de uma experiência pessoal no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), a grife surge para desbravar a beleza e liberdade que habitam em meio aos transtornos mentais humanos. Para Raiana, a utilização de desenhos diversos, formas geométricas e ampla paleta de cores no processo criativo materializa a proposta da marca em sua essência, cujas estampas autorais são elaboradas manualmente pelos pacientes-artistas da Rede de Saúde Mental.

Com o propósito de externalizar a loucura de maneira diferente – sendo a estampa uma forma ímpar de expressão do universo interior e carro-chefe da etiqueta –, a estamparia e linguagem visual apurada presentes em vestidos, saias, kimonos, e, especialmente, nas camisas, carregam sensibilidade e muita história para contar.

Para o Verão 2019, a obra “Prosperidade, felicidade em tudo” de Pedro Mota – em exposição no Ateliê Gaia, no Museu Bispo do Rosário Arte Contemporânea, no Rio de Janeiro – serviu de inspiração para garantir a tônica da nova coleção, batizada “Limiar”, que ganha vida com três novas estampas em oito modelos diferentes, elaboradas à mão pelo artista carioca.

“Somos uma marca slow fashion que cria roupas com estampas únicas e autorais, com produção artesanal e em pequena escala. Além de valorizarmos o tempo e a criação de cada peça, acreditamos que é a partir da estampa que expressamos nosso universo interior e a loucura que há dentro de cada um de nós”, conta Raiana. “Estampe sua loucura.”

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Psicotrópica – Showroom: Avenida Senador Casemiro da Rocha, 731 –  Mirandópolis – São Paulo/SP

Crescer com animais pode tornar uma pessoa mais resiliente quando adulta

Uma educação rural com muito contato com animais pode garantir o sistema imunológico e a resiliência mental ao estresse de forma mais eficaz do que a criação em uma cidade e sem animais de estimação.

Essa foi a conclusão de uma pesquisa liderada por profissionais da Universidade de Ulm na Alemanha e agora publicada na revista PNAS. Esse estudo não é de forma alguma o primeiro a propor que crescer em ambientes urbanos sem diversidade de micróbios pode prejudicar a saúde física.

A esse respeito, acrescenta-se à crescente evidência em apoio às teorias que se desenvolveram a partir da “hipótese da higiene”. Porém, o estudo é o primeiro a sugerir que um risco maior de transtornos psiquiátricos – provavelmente devido a uma “resposta imunológica exagerada” – pode ser outra consequência inesperada do crescimento em um ambiente com menos oportunidades de interagir com uma variedade de micróbios.

“Já foi muito bem documentado”, diz Christopher A. Lowry, coautor do estudo, professor de fisiologia integrativa na Universidade do Colorado em Boulder, que “a exposição a animais e ambientes rurais durante o desenvolvimento físico é benéfica em termos de redução de riscos de asma e alergias mais tarde na vida “.

No entanto, ele acrescenta que seu estudo também “avança a conversa mostrando pela primeira vez em humanos que essas mesmas exposições provavelmente são importantes também para a saúde mental”.

Perdendo contato com micróbios coevoluídos

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A existência humana está se tornando cada vez mais urbanizada. Em 1950, apenas um terço da população mundial vivia nas cidades. Em 2014, esse número subiu para 54% e deverá aumentar para 66% até 2050.

A ideia de que o aumento da urbanização e as mudanças no estilo de vida que o acompanham pode aumentar o risco de certas doenças, devido à redução da interação com uma variedade de micróbios, decorre da hipótese da higiene.

A teoria tem suas raízes em uma pesquisa de 30 anos que sugere que uma taxa mais baixa de infecção entre crianças pequenas foi o motivo pelo qual as taxas de asma e doenças relacionadas à alergia aumentaram no século XX. No entanto, tornou-se evidente que a interação com os micróbios ultrapassa esse escopo original, e até mesmo foi sugerido que o termo hipótese de higiene é um equívoco e deve ser abandonado.

Em seu estudo, o autor sênior Stefan O. Reber, professor de psicossomática molecular na Universidade de Ulm, e sua equipe usam o termo “velhos amigos” para se referir aos micróbios que coevoluíram com os humanos.

Lowry e colegas discutiram anteriormente como “a perda progressiva do contato com organismos com os quais coevoluímos” pode ser a culpado por “grande parte do fracasso da regulação de respostas imunes inflamatórias inapropriadas” visto em muitos habitantes urbanos modernos e habitantes de nações mais ricas.

Estudo testou homens com vários níveis de educação

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O novo estudo investiga ainda mais esse elo comparando as respostas relacionadas ao estresse em adultos jovens que foram criados em ambientes rurais, onde tiveram muito contato com animais com pessoas criadas em áreas urbanas “na ausência de animais de estimação”.

Os investigadores inscreveram 40 voluntários masculinos saudáveis com idades entre 20 e 40 anos residentes na Alemanha. Metade tinha sido criada em fazendas onde eles frequentemente lidavam com animais, e a outra metade tinha sido criada em ambientes urbanos sem animais de estimação.

Para criar a condição de estresse, todos os participantes completaram duas tarefas. Na primeira, fizeram uma apresentação para uma audiência que não mostrou reação, e então, eles tiveram que resolver um problema de matemática difícil sob pressão de tempo. Os voluntários deram amostras de sangue e saliva 5 minutos antes do teste, e novamente 15, 60, 90 e 120 minutos depois.

“Resposta imunitária exagerada”

Os resultados mostraram que os homens jovens criados em cidades sem animais de estimação tiveram um “aumento pronunciado” nos níveis de “células mononucleares do sangue periférico”. Essas células formam uma grande parte do sistema imunológico.

Enquanto isso, membros do grupo educados na cidade também tiveram níveis mais altos de interleucina 6 e níveis “suprimidos” de interleucina 10. A interleucina 6 é um composto que promove a inflamação, enquanto a interleucina 10 é um composto que reduz a inflamação.

Lowry diz que esses resultados mostraram que “as pessoas que cresceram em um ambiente urbano tiveram uma indução muito exagerada da resposta imune inflamatória ao estressor, o que persistiu durante o período de duas horas”.

O que surpreendeu os pesquisadores foi que, embora seus corpos parecessem ter uma resposta mais sensível ao estresse, os homens criados em cidades e sem animal de estimação relataram sentimentos mais baixos de estresse do que seus colegas que foram criados em fazendas.

Lowry compara a “reação inflamatória exagerada” dos homens criados na cidade a “um gigante adormecido que eles desconhecem completamente”.

Contato com animais pode ser fator chave

homem brincando com gato

Ao discutir suas descobertas, os autores mencionaram pesquisas anteriores que mostraram que a forma como nosso sistema imunológico responde ao estresse é moldada na infância por nossas interações com os micróbios.

Outros estudos sugeriram que uma resposta amplificada à inflamação está ligada a uma taxa mais alta de transtorno de estresse pós-traumático e depressão mais tarde. Eles também discutem como a presença ou a ausência de animais pode ser um fator importante nos resultados.

Eles observam como outros pesquisadores descobriram que “agricultura altamente industrializada com baixo contato com animais de fazenda” está mais ligada a condições relacionadas à desregulação imunológica – como asma e alergias – do que “agricultura tradicional com contato regular com animais de fazenda”.

Isso sugeriria, eles explicam, que o “efeito protetor” – de uma educação rural com animais em comparação a uma criação na cidade sem animais – venha mais provavelmente  do contato com animais do que a diferença entre os estilos de vida rural e urbana.

‘Tenha um animal de estimação e passe um tempo na natureza’

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Foto: Docg

Os pesquisadores agora querem repetir o estudo com grupos maiores – tanto homens quanto mulheres – e com educação mais variada, a fim de desvendar os efeitos do contato com animais e do grau de urbanização.

Eles também reconhecem que o estudo não levou em conta outros fatores que podem afetar a exposição infantil à variedade de micróbios. Esses incluem, por exemplo, o tipo de parto ao nascer, a amamentação em comparação com a alimentação de outra forma, o uso de antibióticos e dietas.

Enquanto isso, os pesquisadores sugerem que os moradores da cidade se tornem um “animal de estimação peludo”, passem um tempo na natureza e comam alimentos que são “ricos em bactérias saudáveis”. Além de adotarem um animal de estimação.

“Muitas pesquisas ainda precisam ser feitas. Mas parece que gastar o máximo de tempo possível, de preferência durante a educação, em ambientes que oferecem uma ampla gama de exposições microbianas, tem muitos efeitos benéficos” afirmou o professor Stefan O. Reber.

Fonte: MedicalNewsToday