Arquivo da tag: saúde mental

Os estigmas do TDAH: por que ainda existe muito preconceito sobre essa doença?

Comportamentos do ator e cantor Fiuk no BBB 21 colocam no holofote os problemas ocasionados pela falta de informação e tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade

O BBB 21 vem chamando a atenção do público pelo comportamento de alguns de seus confinados desde o início do programa. Um deles é o ator e cantor Fiuk. Dias atrás, ele teve dificuldade em compreender as informações da Prova do Anjo, entre outras atitudes, e virou motivo de meme na internet, além de várias manifestações, tanto dos próprios participantes que estão na casa, quanto da audiência nas redes sociais.

Inconformada com a repercussão, sua equipe resolveu se pronunciar, dizendo que parte das dificuldades de relacionamento e até de entendimento se dão justamente porque ele é portador de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade) e está sem medicação.

“Fiuk sofre de TDAH, depressão e ansiedade. O principal sintoma é a desatenção extrema, que pode resultar na impercepção de coisas ditas como óbvias por muitos do tribunal da internet que o julgaram ignorantemente após a prova do Anjo”, afirma o comunicado. Mas, de fato, o que é o TDAH?

Segundo o médico psiquiatra e fundador do canal Saúde da Mente, Marco Antonio Abud, existem três esferas que caracterizam o transtorno: a desatenção, a hiperatividade e a impulsividade. “Esse problema, se não tratado, pode levar a vários prejuízos pessoais, profissionais e a um nível de sofrimento gigantesco para o portador. Dificuldades extremas coma execução de tarefas simples do dia a dia, por exemplo. Se as pessoas que estão em volta não têm ciência do problema, muitas vezes surgem julgamentos como preguiçoso, não comprometido, desinteressado, falta de força de vontade, ou até mesmo caracterizado como uma pessoa incompetente”.

O psiquiatra lista dez características comuns de comportamentos do dia a dia que podem caracterizar a presença do TDAH em um adulto:

=Ocorrência de atrasos constantes;
=Direção impulsiva no trânsito (com mais infrações, multas e maior risco de acidentes);
=Falta de foco ao participar de reuniões longas, distraindo-se com outros pensamentos;

Freelik

=Cansaço intenso e distraibilidade ao ter que fazer tarefas não estimulantes;
=Grande dificuldade com relacionamentos, pela dificuldade de escutar o outro e de se lembrar de compromissos;
=Excesso de procrastinação para atividades consideradas chatas ou repetitivas;
=Sensação de não conseguir relaxar, parecendo estar com o motor ligado o tempo todo;

=Dificuldade para priorizar tarefas;
=Explosões de raiva intensas e repentinas, que passam em minutos, agindo, depois, como se nada tivesse acontecido;

=Desorganização extrema de objetos, roupas e outros itens do dia a dia.

Até bem pouco tempo atrás, de acordo com Abud, os especialistas apontavam que o TDAH só existia na infância. Mas, hoje, estudos já levaram essa teoria por terra. “Existem casos de TDAH que vão se manifestar mais tarde. É necessário que os sintomas estejam presentes desde antes dos 12 anos de idade, mas, em alguns casos, a criança e o adolescente usava a inteligência para superar os problemas de atenção. Mas, quando a pessoa se depara com as diversas tarefas e demandas da vida adulta, o diagnóstico fica mais evidente”

O médico destaca ainda outras atitudes que podem sinalizar a presença do TDAH em um adulto. “Existem vários adultos que só conseguem cumprir , com excelências, tarefas com prazo apertado, ‘na última hora’, o que leva a um gigantesco gasto de energia e sofrimento. Outros, terminam relacionamentos abruptamente, de forma impulsiva. Ou trocam de emprego sem planejamento devido a dificuldade em gerenciar emoções negativas e frustrações. Normalmente são pessoas inteligentes, muito capacitadas, mas sentem que não conseguem conquistar o sucesso e reconhecimento compatíveis com seu nível intelectual.”

O TDAH não tratado gera diversos prejuízos para o portador da doença, que são exacerbados com os estigmas e estereótipos presentes na nossa sociedade, como o que está ocorrendo com Fiuk. “A maneira como a sociedade sente prazer em brincar com a dor do próximo é devastadora. Os transtornos psíquicos e seus estigmas jamais devem ser motivos de zombaria”, reforça o comunicado da equipe.

Existem várias personalidades mundiais que assumiram publicamente que têm o transtorno e estão em tratamento. Celebridades como os cantores Adam Levine (Maroon 5) e Justin Timberlake e o nadador Michael Phelps mostram que o TDAH nada tem a ver com falta de capacidade. “Eles são exemplos claros de que pessoas com TDAH podem alcançar eficiência, prestígio e reconhecimento caso tenham tratamento”, conclui Abud.

Terapeuta dá três dicas para que você não seja um “cancelador”

Rejeição a Karol Conká acende discussão sobre linchamento virtual que pode causar transtornos psicológicos como ansiedade e depressão

Cancelar é o termo utilizado por usuários da web para definir o ato coletivo de reprovar e boicotar personalidades famosas (e até mesmo desconhecidas) que tenham atitudes consideradas moralmente erradas. Em outras palavras, é a nova forma de se referir ao linchamento virtual, prática que não só prejudica a carreira e reputação, como também afeta seriamente a saúde mental do cancelado e pode levar a transtornos psicológicos como ansiedade e depressão.

O caso mais recente é da cantora e apresentadora Karol Conká, participante do Big Brother Brasil 21, que saiu na terca-feira (23) do programa com rejeição de recorde de 99,17% por suas falas e comportamento de “canceladora” com outros participantes, o mesmo que ocorre aqui fora com ela. Mesmo antes de sua saída, Karol já tinha perdido mais de 200 mil seguidores e impacto negativo financeiro avaliado em cerca de R$ 5 milhões, somando shows, aparições em programas e posts patrocinados suspensos ou cancelados.

Para o terapeuta do Zenklub, Diego Prade, o julgamento moral sempre existiu, mas com o virtual as pessoas expressam mais aquilo que de fato pensam, sentem e rejeitam, sem filtro e em seu modo mais bruto. “O ser humano não é totalmente bom ou totalmente ruim, por isso, cancelar é uma forma de desumanização, você pega uma parte de algo que ela fez e passa a julgar somente com base naquele recorte de uma atitude ou de um período”, analisa.

Para não endossar a prática, tão prejudicial para as relações humanas, o especialista cita três dicas simples:

Não siga a manada

O posicionamento de uma figura de liderança e o consenso coletivo sobre determinado assunto ou pessoa certamente pauta a nossa opinião. No entanto, não é porque muita gente ache aceitável que você, indivíduo, tenha que achar e repetir o comportamento sem questionar. Por isso, antes de comentar sobre um tema que você não tenha conhecimento aprofundado, pesquise. Além disso, respeite o espaço e as redes sociais do outro.

Saia da sua bolha

Em um momento de polarização como o que vivemos, fica cada vez mais difícil se permitir conhecer e se surpreender com outras pessoas, até porque saber lidar com as diferenças é parte fundamental para a construção do respeito. Para isso, um bom exercício prático é conversar, ao menos uma vez por semana, com uma pessoa nova. A menos que o motivo de discordância implique em questões fundamentais, como o direito do outro de existir, vale a pena sair da chamada “câmara de eco”, expressão usada para se referir a diálogos em que só é possível ouvir a si mesmo.

Pratique a escuta empática

No processo do diálogo com o outro, ter a capacidade de escutar é imprescindível para entender que há outras formas de ver o mundo. Pequenas mudanças de atitude numa conversa, como ouvir sem interromper, não falar sobre si, perguntar mais do que interpretar e procurar não aconselhar, podem facilitar o entendimento do próximo e contribuem para deixar sempre o diálogo em aberto. Afinal, se colocar no lugar do outro, por mais difícil que seja em algumas situações, é o caminho para uma sociedade com mais respeito e com relações humanas mais saudáveis.

Sobre o Zenklub
O Zenklub é a maior plataforma de saúde emocional e desenvolvimento pessoal do Brasil. Criado em 2016 pelo médico Rui Brandão e pelo Doutor em Computação e telecomunicações José Simões, atualmente atende empresas em mais de 980 cidades e brasileiros em 124 países. A plataforma oferece sessões online com mais de mil psicólogos, psicanalistas, coaches e terapeutas, além de conteúdos em texto, áudio, vídeo e diversas outras ferramentas em seu aplicativo. Hoje, o Zenklub impacta 1,5 milhão de pessoas por mês e mais de 200 empresas, entre elas Votorantim Energia, Natura, Qualicorp, Tecnisa e Loggi.

Adolescentes na pandemia: psicanalista explica impactos e faz alerta aos pais

Psicanalista e terapeuta amazonense Samiza Soares afirma que dificuldade de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, tédio, sensação de solidão, alterações no padrão de sono e alimentação podem ser efeitos da pandemia nos adolescentes

A adolescência pode ser um período desafiador para a maioria das pessoas. A junção de hormônios, as novas descobertas e a transição para a fase adulta às vezes acarreta em uma sobrecarga mental. Atrelado a tudo isso, nesse último ano, os adolescentes precisaram lidar com mais um desafio: a pandemia da Covid-19.

“O momento tem afetado a vida de todos, mas, nos adolescentes, os efeitos foram ainda mais intensos. No consultório, tenho percebido que os impactos da pandemia desencadearam uma série de consequências nos mais jovens, como dificuldade de concentração, irritabilidade, medo, inquietação, tédio, sensação de solidão, alterações no padrão de sono e alimentação”, destacou a psicanalista e terapeuta amazonense Samiza Soares.

Segundo a especialista, pais e responsáveis devem ficar atentos às mudanças e buscarem ajuda quando notarem alterações no comportamento dos adolescentes.

“Os cuidados necessários para controlar a ansiedade durante o isolamento social deve, primeiramente, começar pelos responsáveis, pois são eles os exemplos dentro de casa. Por isso, meu alerta é observar continuamente os filhos, observar como está a alimentação, a relação com o lazer, o tempo de estudo e o que os têm motivado ultimamente”, recomenda.

“Os pais devem ficar atentos e reconhecer os sinais de estresse e da ansiedade, identificá-los e transmitir aos filhos respostas de acolhimento, segurança e aprendizado, tentando criar um momento mais tranquilo e positivo quanto ao futuro” completa.

Samiza, que desde março de 2020, início da pandemia no país, tem realizado atendimentos presenciais e online, também destaca a importância de definir horários e manter uma rotina em casa.

“É fundamental ter horário para acordar, fazer as refeições e dormir, sempre, é claro, reservando um tempo para momentos de lazer que, se possível, envolvam atividades físicas juntos, brincadeiras, conversas e, até mesmo, inseri-los nas tarefas simples de casa”, finaliza.

.

Começando o ano bem: sete metas para ter mais qualidade de vida em 2021

Confira as dicas dos especialistas para começar o ano com foco na saúde

Começar o ano cuidando da saúde é muito importante. Desde os cuidados mais complexos como realizar exames preventivos de rotina e fazer um acompanhamento médico até os cuidados mais básicos que devemos ter no dia a dia como as mudanças nos hábitos alimentação, cuidados com a saúde mental e até mesmo com a vida financeira.

E como início de ano é uma época em que muitas pessoas aproveitam para refletir sobre os erros cometidos no ano anterior e impor metas para o novo ano que se inicia, foi pensando nisso que separamos sete metas para ajudar no bem-estar e qualidade de vida em 2021.

Confira a lista e use como base para montar as suas metas pessoais e lembre-se que para alcançá-las, só depende de você.

• Mantenha uma boa alimentação

Foto: Pablo Merchan Montes/Unsplash

Sem dúvidas, essa é uma das metas mais importantes dessa lista. De acordo com a nutricionista Tayna Fernandes, da Clínica NN Estética, a alimentação saudável é essencial para quem quer ter uma melhor qualidade de vida. “Consumir alimentos ricos em vitaminas e nutrientes fazem toda a diferença. O ideal é começar com pequenas mudanças, incluindo verduras no almoço, frutas no lanche, dois litros de água por dia, optar por alimentos integrais, evitar o sal e trocar o refrigerante por sucos naturais ou chás gelados é uma ótima maneira de garantir o seu bem-estar. ”

• Mexa-se e saia do sedentarismo

Foto: Jeviniya-Pixabay

A prática de exercícios físicos promove a produção e liberação de substâncias como a endorfina e a dopamina, que nos dão a sensação de bem-estar, concentração e bom humor. “Os benefícios vão além do aumento da massa muscular ou redução dos níveis de gordura, os exercícios também promovem a quebra do quadro de “preguiça” e sensação de incapacidade nos indivíduos. É importante saber que quando somos orientados por um profissional, a atividade física traz os mesmos benefícios que alguns remédios, mas sem contraindicações ou efeitos colaterais”, explicou Felipe Barboza, profissional de Educação Física da Pulse Nutrition.

• Sua saúde mental também importa

“Olhe para si com carinho. Olhe para o outro com devido valor. Humanize as relações. Tenha empatia. A nossa saúde mental também importa. Como eu costumo dizer: ‘o bem-estar em primeiro lugar’. Por isso, pratique sempre a humanização, seja para a sua equipe de trabalho, amigos, família ou, principalmente, para os desconhecidos, isso vai ajudar você a se sentir bem e cuidar de si também”, disse a especialista em desenvolvimento humano Ester Gomes.

• Cuide da sua imunidade

BePure

O papel da alimentação é muito importante nesta meta, pois ela influencia diretamente no consumo de minerais e vitaminas que são responsáveis por ajudar a proteger o nosso sistema imunológico. Mas muitas pessoas não se alimentam corretamente ou ainda assim precisam de suplementos vitamínicos para ajudar. Tamara Borges, Health Coach da Pulse Nutrition, explica que os suplementos ajudam a turbinar a imunidade. “Existem diversos suplementos vitamínicos, mas um dos mais procurados é a vitamina D3, que regula a presença do cálcio e ferro no sangue, controla a pressão arterial, combate doenças autoimunes e também auxilia no fortalecimento dos ossos. Além dessa, a vitamina C também é uma ótima pedida pois ela é antioxidante, ajuda no metabolismo e combate os radicais livres. É importante antes de escolher o suplemento ideal para você, procurar a orientação de um especialista no assunto. ”
A biomédica Adriana Lima, também indica shots matinais para imunidade. “São shots preparados com água, limão, hortelã, gengibre e outros alimentos que são antioxidantes. O shot prepara o seu corpo para receber um café da manhã bem nutrido, causando uma desinflamação rápida e fazendo com que seu corpo absorva melhor os nutrientes e colaborando com a sua imunidade. O ideal é tomar ele assim que você acorda. ”

• Não abra mão de proteger sua saúde bucal


“A limpeza diária faz parte da rotina básica de cuidados para garantir que a saúde bucal está em dia, devemos escovar os dentes, passar fio dental e enxaguante bucal diariamente. Essa rotina ajuda a prevenir doenças como cárie e gengivite, além de fazer a limpeza básica”, explicou a dentista Rita Ventura.

• Tenha atenção à sua saúde financeira

Stocksy Unites

O consultor financeiro André Aragão traz algumas dicas que parecem simples, mas que ajudam muito no seu planejamento financeiro. “É importante sempre analisar os gastos e caso você seja empreendedor, separar a pessoa física da jurídica. Gaste de acordo com seu padrão de vida atual, especifique suas metas, utilize ferramentas para acompanhas os seus gastos como planilhas, compare preços antes de comprar, pague à vista sempre que possível e defina seus objetivos financeiros. Também é muito importante se planejar a longo prazo.”

• Passe mais tempo com quem você ama

“A proximidade com as pessoas que você ama precisa fazer parte da sua rotina. Seja presencial ou virtual, cercar-se de pessoas que te energizam é algo poderoso, que traz benefícios não só para o seu vigor físico e mental, mas que também funciona como fonte geradora de novos estímulos positivos, que te impulsionam para o cumprimento de outras metas e objetivos. Quando estamos na companhia de pessoas que amamos, nos sentimos mais à vontade e confortáveis. Nesse momento, o cérebro liga uma “chave de escape”, permitindo o descanso mental, fazendo uma clara a separação dessa vivência, com outras experiências que nos causam fadiga”, explicou Flávia Knop, especialista em desenvolvimento humano.

Psiquiatra Marco Antônio Abud promove aulas online gratuitas sobre ansiedade e depressão

Para aproveitar o período de alerta que ocorre no mês da conscientização sobre a saúde mental, denominado Janeiro Branco, o psiquiatra Marco Antônio Abud – responsável pelo canal Saúde da Mente, no YouTube, o maior do Brasil sobre o tema, com mais de 1,3 mi de inscritos – promove dois cursos on-line gratuitos voltados a pessoas interessadas em técnicas de controle da ansiedade e formas de lidar com a depressão.

“É uma forma não só de levar conhecimento sobre o tema, como também pode ser um primeiro passo para que essas pessoas tomem consciência sobre si mesmas para conseguirem lidar com essas questões. É importante ressaltar que a ansiedade e depressão são condições que afetam a maioria da população em algum nível e não devem ser tratadas como tabus”, explica Abud.

O médico desenvolveu técnicas para promoção da melhora da qualidade de vida de seus pacientes após anos de estudos e pautado pela sua própria experiência com a ansiedade. Aos 22 anos, o psiquiatra enfrentou sua primeira crise e, diante dos aprendizados como indivíduo e profissional, criou técnicas para ajudar a população em geral a lidar com essas barreiras.

Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a depressão afeta 322 milhões de pessoas no mundo – no Brasil, os números chegam a 11,5 milhões e de acordo com o órgão, a doença será a mais comum entre a população até 2030. Além disso, em 2019 outro dado importante foi revelado: o Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo, com cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrendo com o transtorno (9,3% da população).

De acordo com Abud, aulas e workshops online são uma maneira de oferecer conteúdo de qualidade sobre os temas de maneira acessível a todas as classes sociais. “É a minha forma de levar conhecimento sobre esses assuntos o mais longe possível, para pessoas das mais variadas origens e condições financeiras, com respaldo médico científico”, explica.

Como funcionarão as maratonas de aulas

Shutterstock

Atualmente, em tempos de pandemia, o isolamento se tornou uma medida de segurança para conter o coronavírus. A distância de amigos, familiares e pessoas do convívio social faz parte da realidade de inúmeras pessoas do mundo inteiro e tal fator, somado também ao luto (já são mais de dois milhões de mortes registradas mundialmente pela doença), vem agravando ainda mais a situação tanto de quem já sofria com transtornos mentais quanto de quem passou a desenvolvê-los.

Com o objetivo de ampliar o debate sobre a saúde da mente e qualidade de vida de forma democrática, as maratonas/ workshops se dividirão entre os temas ansiedade e depressão, ambos com quatro aulas gravadas que serão disponibilizadas às 10h da manhã, nos dias 17, 19, 21 e 24 de janeiro. Ocorrerão também aulas complementares ao vivo com o Dr. Marco nos dias 18, 20, 22 e 24.

A Maratona Livre da Ansiedade, que já conta com 57 mil inscritos, será focado nas pessoas que desejam conhecer os diferentes tipos do transtorno e suas crises, além de aprender a controlar a crise de ansiedade de forma prática e assim, conquistar uma vida mais harmônica e equilibrada, com mais felicidade, tranquilidade e redução do estresse.

Para participar, basta se inscrever no site clicando aqui.

Além disso, na aula do dia 24 de janeiro, Abud abrirá inscrições para uma nova turma do Treinamento para Mentes Ansiosas. Já na Maratona Supere a Depressão, que já possui 12 mil inscritos, o foco será desvendar e entender como e porque o transtorno ocorre, entendendo seu diagnóstico e as melhores formas de tratamento.

O objetivo é que, a partir do conteúdo proposto, o público possa aprender a lidar com a doença e assim, conquistar mais qualidade de vida, vitalidade, segurança em si mesmo e melhorar os relacionamentos. Para participar, basta se inscrever no site, clicando aqui.

Além disso, os participantes terão a oportunidade se inscreverem na nova turma do Treinamento para Mentes Depressivas, cuja inscrição também será liberada na aula do dia 24 de janeiro.

Abud frisa que as aulas das maratonas são um primeiro passo para o entendimento sobre os temas e estimulam o autocuidado, o que é especialmente válido para pacientes com sintomas leves e moderados, que possivelmente não precisam de medicação para tratar a condição.

“O autocuidado é um conjunto de estratégias que as pessoas podem colocar em prática para lidarem melhor com seus pensamentos, sentimentos e relações e, assim, melhorarem o bem-estar geral. No caso da saúde mental, é essencial estar alinhado aos estudos e práticas que auxiliam no controle de transtornos, como ansiedade e depressão. No entanto, nem sempre é possível fazer esse controle sozinho e buscar um tratamento adequado, começando por um psiquiatra ou psicólogo, se torna essencial”, finaliza o médico.

Hipnoterapia não é um tratamento psicológico nem tampouco um serviço de coach; entenda

Por trás de uma depressão, fobia ou crise de pânico existe uma demanda emocional mais complexa que necessita ser investigada e tratada. Uma emoção que trava a vida, e tudo o que há por trás das tomadas de decisões. Uma atitude que torna uma situação difícil ou uma fase que sempre se repete.

Nestes momentos questionamos onde está o erro, ou por que agimos dessa forma. Em um misto de sentimentos e sensações, as pessoas procuram referências religiosas, terapeutas, psiquiatras, além de respostas místicas e astrais. Rodrigo Costa, hipnoterapeuta, nos ensina a enxergar além de nossos próprios problemas.

Ele propõe um formato compacto e assertivo de terapia. Seu método é rápido e indolor e vai até o cerne das questões mais complexas e provoca o entendimento de nossos impasses, distúrbios e dificuldades. Por meio de uma criteriosa avaliação do paciente, um “norte” lhe conduzirá durante o tratamento.

Agendada a sessão para o tratamento em si, o paciente e o hipnoterapeuta, seguem pela jornada do autoconhecimento, dos desafios de desvendar os meandros do subconsciente e, sobretudo, caminham juntos pelas lembranças guardadas no abismo, muitas vezes profundo, da mente humana.

O desejo de mudar e de conquistar uma nova vida, faz com que o paciente “acorde” até então áreas adormecidas de seu subconsciente. Este “despertar” aciona e o faz entender todos os gatilhos por trás de determinado comportamento, distúrbio ou fobia.

A partir de então, Costa estimula o paciente a modificar os padrões de pensamentos negativos, as ‘amarras mentais’ que o impede de viver a vida que deseja. Esse método já curou inúmeros pacientes e, até hoje, impacta positivamente a vida de muitas pessoas.

Para o especialista, o “problema nunca é o problema”, ou seja, nem sempre a causa é a que imaginamos que seja; em geral, as curvas sinuosas de nosso subconsciente nos ilude com relação ao diagnóstico e, nem sempre, o tratamento é o adequado para o paciente.

Compulsão alimentar, ejaculação precoce, drogas, impotência, relacionamentos abusivos, alcoolismo, alergias, entre outros distúrbios, fazem parte da gama de tratamentos que obtiveram êxitos entre os pacientes.

Gerd Altmann/Pixabay

Costa nos propõe um novo parâmetro e uma nova ordem de tratamento para os problemas da mente humana, não importa a origem e o tamanho do transtorno e, sim, o desafio de cicatrizar lembranças e despertar a autocura. Essa é a principal missão de Rodrigo, fortalecer e tornar seres humanos aptos a se transformarem em pessoas felizes e simples, dentro do próprio universo de cada um.

Fonte: Rodrigo Costa é hipnoterapeuta, formado em Inteligência Emocional , pela Sociedade Brasileira de Inteligência Emocional, formação em PNL, pela The Society on NLP, formado em Keynote Speaker Program pelo Elsever Institute, formado em Hipnose Clínica Avançada pela International Hypnosis Association LLC, formação em Hipnoterapia Avançada pelo Método Kraisch.

Estudo diz que toxina botulínica pode ser usada para tratamento de depressão

Pesquisa publicada na revista médica Scientific Reports apontou que pacientes que se submeteram à aplicação da toxina botulínica para diversas finalidades apresentaram quadros depressivos com menor frequência.

Figurando entre os procedimentos estéticos não cirúrgicos mais realizados no Brasil e no mundo, a toxina botulínica é uma das principais opções para a correção de rugas e marcas de expressão, visto que, se aplicada corretamente, a substância é capaz de paralisar a musculatura, eliminando, consequentemente, as rugas da região. Mas se engana quem acredita que esta é a única funcionalidade da toxina.

“Inicialmente, a toxina botulínica era utilizada pela oftalmologia, para o tratamento de blefaroespasmo, passando em seguida a ser usada no tratamento de espasmos musculares em pacientes neurológicos. Só muito tempo depois a substância passou a ser aplicada para o tratamento de rugas e hoje pode ser utilizada para diversos fins, desde tratamento de enxaqueca até melhora de cicatrizes”, explica o cirurgião plástico, Mário Farinazzo, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP).

E, com o avanço das pesquisas médicas, cada vez mais funcionalidades da toxina botulínica são descobertas. Por exemplo, um estudo publicado em julho desse ano na revista médica Scientific Reports apontou que a substância também pode ser utilizada no tratamento de quadros depressivos.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram um banco de dados de cerca de 40 mil pessoas que se submeteram à aplicação de toxina botulínica para verificar o que esses pacientes experenciaram após o tratamento. A partir dessa avaliação, os estudiosos observaram que pessoas que receberam injeções da substância em seis diferentes locais relataram depressão com frequência de 40 a 80% menor do que pacientes submetidos a tratamentos diferentes para as mesmas condições.

“A relação entre depressão e toxina botulínica já é conhecida há algum tempo, visto que muitos cirurgiões notam uma melhora nos quadros depressivos após o tratamento. Mas até então acreditava-se que esse efeito estava ligado à amenização das linhas na testa, o que impede certas expressões que reforçam emoções negativas. No entanto, o presente estudo apontou que essa relação ocorre não importando onde a toxina é aplicada”, destaca Farinazzo.

Dessa forma, o estudo mostra-se de grande relevância por apresentar uma nova alternativa de tratamento para uma doença extremamente comum e perigosa. No entanto, ainda é preciso mais pesquisas para entender realmente o mecanismo por trás do impacto da toxina botulínica em quadros depressivos. De acordo com os autores do estudo, algumas possibilidades incluem o transporte da substância para regiões do sistema nervoso central envolvidas no controle das emoções ou a ação terapêutica da toxina sobre condições que podem contribuir e agravar quadros depressivos.

“É importante ressaltar que o estudo possui algumas limitações, visto que, apesar dos estudiosos terem excluído relatos de pessoas que tomavam antidepressivos, é possível que alguns indivíduos tenham ingerido medicamentos dessa classe sem notificarem. Logo, mais estudos são fundamentais antes que a toxina botulínica seja incluída na lista de tratamentos para depressão”, completa o cirurgião.

Outras indicações

Enquanto a ação da toxina botulínica em quadros de depressão ainda está em estudo, outras indicações da substância já são comprovadas cientificamente e amplamente utilizadas. Por exemplo, em casos de paralisia facial, a toxina botulínica pode ser utilizada para melhorar a assimetria da face causada pela contração dos músculos, melhorando assim a harmonia do rosto. Além disso, a substância pode ser utilizada na melhora de cicatrizes hipertróficas e queloides.

“A toxina botulínica pode ajudar para que a cicatrização ocorra de forma adequada, sendo usada preventivamente, já no dia da cirurgia, quando há necessidade de reduzir a tensão local para dar pontos na pele, evitando assim a formação de cicatrizes espessas e inestéticas”, completa o especialista.

Doenças de pele, como a acne e a rosácea, também podem ser tratadas com a toxina botulínica, bem como a sudorese excessiva. Porém, é fundamental utilizar a toxina com cuidado e apenas sob orientação médica, já que o uso indiscriminado da substância, em grandes doses ou em um espaço de tempo muito curto, pode levar a uma tolerância à toxina, que não fará mais efeito. “Por isso, o mais importante é que você consulte um médico antes de realizar qualquer procedimento. Apenas ele poderá realizar uma avaliação e indicar o melhor tratamento para seu caso”, finaliza Farinazzo.

Fonte: Mário Farinazzo é cirurgião plástico, membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) e Chefe do Setor de Rinologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Formado em Medicina pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o médico é especialista em Cirurgia Geral e Cirurgia Plástica pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Professor de Trauma da Face e Rinoplastia da Unifesp e Cirurgião Instrutor do Dallas Rinoplasthy e Dallas Cosmetic Surgery and Medicine Annual Meetings. Opera nos Hospitais Sírio, Einstein, São Luiz, Oswaldo Cruz, entre outros.

Spray nasal é novidade para pacientes com depressão resistente ao tratamento

Escetamina intranasal inaugura nova classe terapêutica e chega como uma das principais inovações para a doença nas últimas décadas

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) acaba de aprovar Spravato (cloridrato de escetamina) para o tratamento de sintomas depressivos em pacientes adultos de duas subpopulações com transtorno depressivo maior (TDM):

• Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) – quando há falha de duas terapias anteriores utilizadas nas doses e tempo adequados;

• Rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O medicamento é um spray nasal e deve ser usado em combinação com um antidepressivo oral. “A depressão é uma doença frequente e incapacitante que afeta tanto os pacientes quanto as pessoas à sua volta. Esse é o primeiro tratamento com um mecanismo de ação realmente inovador aprovado em décadas e oferece uma nova opção para responder às necessidades não atendidas dos pacientes e da comunidade médica”, explica Pedro do Prado Lima, psiquiatra do Instituto do Cérebro da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul.

Desenvolvido pela Janssen, farmacêutica da Johnson & Johnson, o spray nasal de escetamina é o primeiro de sua classe de medicamentos antidepressivos aprovado pela Anvisa e surge como uma das principais inovações para o tratamento da doença em décadas [1,2]. A escetamina intranasal age nos receptores de glutamato N-metil-D-aspartato (NMDA), que ajudam a restaurar as conexões sinápticas em células cerebrais de pessoas com depressão. Devido ao novo mecanismo de ação, o medicamento funciona de maneira diferente das terapias atualmente disponíveis para o TDM.

“Estamos muito orgulhosos em disponibilizar a escetamina intranasal para pacientes brasileiros com tipos de depressão bastante incapacitantes, para os quais as opções de tratamento eram escassas”, explica Fabio Lawson, psiquiatra e Diretor Médico da Janssen Brasil. “A aprovação da escetamina reflete o compromisso de longa data da Janssen com pesquisa para ajudar pessoas com doenças mentais, incluindo transtornos de humor graves”.

O medicamento tem demonstrado rápido início de ação com perfil risco-benefício favorável e tolerabilidade do paciente ao tratamento. Os resultados de dois ensaios clínicos idênticos de Fase 3 demonstraram que a escetamina em conjunto com a terapia padrão reduziu os sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose. Para assegurar seu uso correto, a escetamina intranasal será administrada em hospitais e clínicas autorizadas, sempre sob supervisão de um profissional de saúde.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a depressão afeta cerca de 300 milhões de pessoas de todas as idades e é considerada a doença mais incapacitante do mundo. Embora os antidepressivos atualmente disponíveis sejam eficazes para muitos pacientes, cerca de um terço dos indivíduos não responde ao tratamento. No Brasil, aproximadamente 5,8% da população, o equivalente a mais de 10 milhões de pessoas, apresentam sinais de depressão, fazendo com que o país tenha a maior prevalência da doença na América Latina .

“O Brasil ainda pode avançar nas políticas públicas relacionadas à saúde mental. Por exemplo, o código da Classificação Internacional de Doenças (CID) para depressão não é universalmente usado no Brasil para o diagnóstico formal da doença, o que significa que não há como mensurar adequadamente o tamanho dessa população. Esse é um transtorno que, quando tratado corretamente, os pacientes podem voltar a ser socialmente produtivos e, por isso, nos comprometemos a ajudar essa população de pacientes”, explica Teng Chei tung, Psiquiatria do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas – FMUSP.

A aprovação para tratar depressão resistente foi baseada em um robusto programa de ensaios clínicos que envolveu mais de 1.700 adultos com DRT sendo: três estudos de curto prazo; um estudo de manutenção de efeitos e outro que avaliou segurança a longo prazo. Os resultados de curto prazo de quatro semanas, publicados no The American Journal of Psychiatry, com a escetamina intranasal associada a um antidepressivo oral, mostraram que os pacientes tiveram melhoras superiores nos sintomas da depressão quando comparados àqueles que utilizaram o antidepressivo oral e placebo.

Já os resultados do estudo de longo prazo, publicados na JAMA Psychiatry, mostraram que os pacientes que alcançaram a remissão (ou em outras palavras, um nível de melhora dos sintomas que grande parte dos sintomas incômodos) demonstraram uma redução de 51% na chance de recaída se continuassem utilizando o tratamento com escetamina intranasal, uma vez a cada duas semanas, em comparação com aqueles pacientes que deixaram de fazer o tratamento continuado com o spray intranasal. Os eventos adversos mais comuns observados durante o tratamento com escetamina incluem dissociação, tontura, náusea, sedação, sensação de girar, visão embaçada, sentido reduzido de toque e sensação, ansiedade, falta de energia, pressão arterial elevada, vômito, parestesia e sensação de embriaguez .

“Estamos muito orgulhosos em compartilhar os dados sobre a manutenção dos efeitos do tratamento no momento da aprovação da escetamina, pois isso mostrará aos psiquiatras como o benefício obtido com a escetamina intranasal pode ser mantido ao longo do tempo”, comenta Lawson.

Já a aprovação para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com Transtorno Depressivo Maior com comportamento ou ideação suicida aguda foi baseada nos resultados de dois ensaios clínicos de Fase 3 que envolveram mais de 450 pacientes com transtorno depressivo maior com comportamento ou ideação suicida, incluindo pacientes brasileiros [10].

As análises avaliaram o uso combinado do spray nasal de escetamina com o tratamento padrão, que incluiu hospitalização voluntária por tempo determinado e terapia antidepressiva recentemente iniciada e/ou otimizada. Ambos os estudos mostraram que aqueles que receberam escetamina intranasal, além da terapia padrão, apresentaram melhora estatisticamente superior dos sintomas depressivos em até 24 horas após a primeira dose, quando comparado com placebo mais terapia padrão.

Nos dois ensaios de Fase 3, a melhora na gravidade da suicidalidade em 24 horas foi medida usando uma escala global padronizada. A diferença de tratamento entre os dois grupos não foi estatisticamente significativa neste desfecho secundário (endpoint) e, por isso, mesmo que o paciente apresente melhoras com as doses iniciais do medicamento, seu uso não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada. Tanto a escetamina intranasal quanto o placebo em combinação com tratamento padrão mostraram uma redução semelhante nesse contexto.

O perfil de segurança observado nos ensaios foi consistente com estudos anteriores da escetamina em DRT, acrescentando-se evidências de segurança e eficácia. Os efeitos colaterais mais comuns incluíram dissociação (sensação de desconexão de si mesmo, de seus pensamentos, sentimentos, espaço e tempo), tonturas, sedação (sonolência), aumento da pressão arterial, hipoestesia, vômitos, humor eufórico e vertigem.

Transtorno Depressivo Maior (Depressão)

A depressão é uma doença de base biológica caracterizada por tristeza persistente ou recorrente e perda de interesse em atividades, acompanhada pela incapacidade de desempenhar tarefas diárias por pelo menos duas semanas . Atualmente, é considerada a principal causa de incapacidade em todo o mundo.

O Brasil é o 5º país no mundo em número de pessoas com depressão9, . Dados do estudo observacional TRAL (Treatment-Resistant Depression in America Latina), realizado na América Latina com quase 1500 pacientes, demonstraram que no Brasil cerca de 40% das pessoas com transtorno depressivo maior têm depressão resistente . Estudos mostram ainda que, a cada novo episódio, as chances de responder ao tratamento padrão diminuem consideravelmente. Enquanto as perspectivas de resposta na primeira linha de terapia são de 49%, quando a doença se torna resistente, esse número cai para 17%.

Sobre Spravato (escetamina) Spray Nasal

A escetamina intranasal está aprovada no Brasil para Depressão Resistente ao Tratamento (DRT) e para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda. O medicamento, utilizado em associação com antidepressivos orais, já é comercializado nos EUA, Canadá, União Europeia (UE) e vários outros países do mundo para a indicação de DRT. Além disso, a agência regulatória americana Food and Drug Administration (FDA) aprovou recentemente o spray nasal de escetamina, utilizado em conjunto com um antidepressivo oral, para a rápida redução dos sintomas depressivos em pacientes adultos com TDM com comportamento ou ideação suicida aguda.

O produto não demonstrou efetividade na prevenção do suicídio ou na redução da ideação ou comportamento suicida. Mesmo que o paciente melhore com as doses iniciais de escetamina, o uso do medicamento não dispensa a necessidade de hospitalização, caso clinicamente justificada.

Fonte: Janssen

Relacionamentos tóxicos: como identificar e o que fazer

Ao contrário do que muita gente acredita e do que a mídia apresenta, o relacionamento tóxico não se limita ao relacionamento romântico, tendo sempre o homem como vilão. O relacionamento tóxico vai muito além do aspecto romântico.

Relacionamento tóxico é todo aquele onde uma das pessoas acaba prejudicando a outra, como por exemplo: nas relações onde há ciúmes em excesso, onde há invasão à privacidade alheia, manipulação emocional, entre outros. E entre os diversos tipos de relacionamentos: entre mães e filhos, pais e filhos, patrão e empregado e sim, nos relacionamentos de amizades e entre cônjuges.

Em um relacionamento romântico nós precisamos ter cuidado, por exemplo, com o ciúmes em excesso, como afirma Aline Machado Oliveira, médica psiquiatra e psicoterapeuta junguiana: “O ciúmes é uma reação natural, ele vai acontecer, mas é preciso saber como controlá-lo. Numa relação onde um dos dois é muito ciumento, o relacionamento será prejudicado, porque aquele que está sofrendo o ciúmes acaba perdendo a sua liberdade, e a perda da liberdade é o início do fim de um relacionamento. E liberdade não é libertinagem; significa que um vai confiar no outro e vai confiar que o outro está lhe respeitando, mesmo que não estejam juntos o tempo todo.”

Pais & Filhos

O relacionamento tóxico de mãe para filho é quando a mãe não deixa o filho viver a própria vida; não o deixa crescer. Ela quer viver pelo filho, quer protegê-lo de todos os males do mundo e isso é impossível porque todos nós passamos por sofrimentos em nossas vidas. É assim na vida de todas as pessoas, independente de classe social, raça ou crença, explica Aline.

“Nenhum pai ou mãe no mundo, por mais que tente, vai conseguir impedir que seu filho passe pelas dores que todo ser humano precisa passar. Então, quando uma mãe cria o filho como se este fosse o rei e ela, o súdito, certamente este relacionamento é tóxico, pois as atitudes da mãe impedirão que seu filho cresça, se desenvolva e assuma suas próprias responsabilidades” – completa a psicoterapeuta.

Freepik

Também é muito comum o relacionamento tóxico partindo dos filhos para os pais, como, por exemplo, o filho que abusa financeiramente dos pais, que os xinga, que os manipula emocionalmente com chantagens e estes cedem, com medo de perdê-los.

“É muito comum no consultório, relatos de pessoas que têm filhos usuários de drogas, que aceitam tudo que os filhos impõem, inclusive que eles usem drogas dentro de casa, pois temem que se não deixarem, os percam para o mundo. Assim, rendem-se às chantagens, manipulações e ao desrespeito. Isto é tóxico” , diz a psiquiatra.

As relações sociais e profissionais

Nas relações em que não há respeito pelo espaço do outro, quando não se respeita os limites da privacidade, quando há manipulação emocional, desejo de controle ou excesso de críticas negativas, existe toxidade. E estes são só alguns exemplos que servem como sinais de que estes relacionamentos não são harmônicos e isso pode ser, de muitas formas, nocivo.

O relacionamento tóxico também está presente em outras áreas da nossa vida social, como por exemplo, quando há abuso de poder por parte de figuras de autoridade, seja para benefício próprio ou por puro egoísmo.

Fato é, que nem todas as pessoas estão preparadas psicológica ou emocionalmente para assumirem posições de poder, refletindo suas frustrações ou traumas não resolvidos.

Dentro do aspecto social mais abrangente, relacionamentos tóxicos podem ser criados ou estimulados, como por exemplo, a hostilidade entre brancos e negros, pobres e ricos, ou mesmo a hostilidade religiosa.

O que fazer?

O ideal é buscarmos relacionamentos mais harmoniosos, pessoas que acrescentem aquilo que precisamos, que venham para somar, que respeitem nosso espaço e nossas escolhas, mas que também possamos compartilhar o que temos de melhor para as outras pessoas, seja nos relacionamentos familiares ou românticos, seja com os amigos, na vida profissional ou social.

Caso você esteja vivenciando algum relacionamento nocivo e não saiba como sair desse relacionamento, o melhor é procurar ajuda profissional.

Fonte: Aline Machado Oliveira é médica psiquiatra e especialista em Psicologia Clínica Junguiana e Analista Junguiana em formação pelo Instituo Junguiano do Rio Grande do Sul. Membro da Associação de Psiquiatria do Rio Grande do Sul e da Associação Brasileira de Psiquiatria, atua como psiquiatria clínica e psicoterapia. Atendimentos presenciais na cidade de Lajeado, RS e online para todo o Brasil.

Doenças do home office: depressão, transtornos de ansiedade e burnout têm aumentando

Depois de mais de seis meses do início da quarenta vivemos o reflexo do isolamento social, provocado pela crise epidemiologia, econômica e social profunda sem precedentes – e dificilmente alguém sairá ileso dos impactos. Resultado: aumento de diagnósticos de depressão, estresse, esgotamento mental, pânico, transtornos de ansiedade. Além das dores na coluna, tendinites, agravamento de problemas circulatórios (varizes), obesidade e o próprio sedentarismo pode vir agravar a saúde como um todo.

Edwiges Parra, psicóloga, instrutora de Mindfulness MBCT-D, especialista em Recursos Humanos, nos últimos meses vivenciou o aumento por ajuda no seu consultório, com queixas de medo, ansiedade, depressão e muitas dores físicas, excesso de telas causadas pela pressão do trabalho e isso leva a um espiral de exaustão mental e o isolamento e/ou distanciamento acabam sendo agentes de gatilhos emocionais.

De acordo com os trabalhos desenvolvidos pela psicóloga em empresas, o público feminino vem apresentado aumentados níveis de estresse, na tentativa de equilibrar a vida pessoal (afazeres domésticos, cuidados com os filhos e relação conjugal) e vida profissional. Os líderes relatam sobrecarga de trabalho, maior esforço e mais tempo dedicado a realizar as tarefas da empresa. E a geração Z (nascidos após 1997) demonstra mais tédio, desânimo e insegurança com o futuro, o que é representado pelo impacto financeiro e ameaça ao desemprego.

“O medo pode se tornar um problema quando é excessivo, frequente ou quando surge em situações nas quais a maior parte das pessoas não o manifestaria. Nessas situações, ele pode se tornar exagerado ou irracional e, até patológico (desequilibrado), transformando-se em um transtorno de ansiedade ou uma ansiedade aguda, explica Parra.

Segundo a psicóloga os agentes estressores como desemprego, mudanças bruscas de condições financeiras, medo, excesso de telas, e jornadas extensivas de trabalho estão mexendo com o bem-estar mental acarretando:

Foto: Moritz320/Pixabay

Síndrome de Burnout – causado pelo excesso de trabalho. Trata-se do estado físico, emocional e mental de exaustão extrema, que resulta do acúmulo excessivo em situações de trabalho emocionalmente exigentes e principalmente estressantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade.

Transtorno de ansiedade – pode surgir como uma angústia e desencadear para crise de pânico ou depressão e interferem na vida da pessoa a ponto de paralisar a realização de tarefas e interações e relacionamentos. Provocam sintomas como sudorese, medo, aumento da frequência cardíaca e tremores.

O que as pessoas podem fazer para manter a boa saúde mental no home office:

Estratégias funcionais e adaptativas:

Shutterstock

• Exercícios de relaxamento
• Distração temporária durante as crises
• Exercício físico
• Conectar emoções e valores maiores
• Substituir uma emoção por outra agradável ou apropriada

Foto: SelfSetFreeLiving

• Consciência plena (mindfulness)
• Aceitação
• Atividades prazerosas
• Momentos íntimos compartilhados
• Alimentar-se de bons nutrientes

Adotar uma psicologia do estilo de vida que considere a respiração, consciência, movimento e a transcendência (senso de valor e propósito de vida) como norteadores integrados para uma vida com melhor longevidade, produtividade e bem-estar.

O que as empresas podem fazer para ajudar seus colaboradores:

É recomendável que empresas adotem medidas preventivas e de apoio para o próximo ciclo que vamos enfrentar, (a quarta onda), que exigirá adaptabilidade para a retomada aos postos de trabalho.

Medidas básicas que podem ser adotadas:

• Pesquisa Interna de monitoramento do nível de estresse
• Webinars ministrados por profissionais da saúde debatendo temas de saúde mental para todos os funcionários (esta é uma boa forma de psicoeducação)
• Webinars voltados especificamente para líderes para discutir temas específicos de gestão e explicitar a importância do autocuidado.
• Rodas de conversas internas (com a devida segurança)
• Programas de meditação mindfulness
• Incentivo a terapia online (para prevenção e apoio)
• Protocolos de intervenção nos casos em que houver um prejuízo ao bem-estar mental do colaborador.

Fonte: Edwiges Parra é psicóloga Organizacional, Terapeuta Cognitiva-Comportamental, Instrutora de Mindfulness MBCT-D e Colunista Você RH