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Setembro Amarelo: 53% dos brasileiros já tiveram a saúde mental afetada por problemas financeiros

Dentre os principais sintomas relatados estão ansiedade, insônia e depressão

A saúde mental tem ganhado cada vez mais destaque e relevância para a medicina e para as empresas. Porém, mais do que tratamentos e formas de prevenção, é preciso entender os gatilhos que fazem com que a população desenvolva doenças da mente. Para entender melhor como o dinheiro pode afetar a saúde mental dos brasileiros, a Onze, fintech de saúde financeira e previdência privada, fez uma pesquisa que constatou que os problemas financeiros podem, sim, desenvolver ou agravar doenças de ordem psíquica.

A pesquisa, que ouviu 3.172 respondentes de todo o Brasil, aponta que a falta de dinheiro já afetou a saúde mental de 53% dos brasileiros. Em seguida, aparecem os problemas de relacionamento com parceiro (a) e/ou familiares (21%) e, em terceiro lugar, a saúde física, com 15%.

Ao serem questionados sobre os sintomas mentais que os problemas financeiros trouxeram, 62% dos respondentes alegaram ansiedade, 51% relataram insônia e 28% desenvolveram quadros depressivos. Além disso, 10% confessaram terem tido episódios de síndrome do pânico.

Com tantas sensações ruins relacionadas ao dinheiro, 61% dos entrevistados preferem nem falar sobre. E quando questionados sobre os sentimentos que brotam quando pensam no assunto, 48% disseram que se sentem preocupados e ansiosos e 18% ficam tristes e desanimados.

O principal motivo apontado para os sentimentos ruins foi a falta de perspectiva na realização de sonhos e objetivos (38%), seguida pela diminuição do poder de compra pela alta da inflação (28%). Em terceiro lugar, aparecem as dívidas, com 27% das respostas, e em quarto lugar vêm as despesas maiores que a renda, com 26% dos entrevistados.

“Sabemos que o estresse financeiro é uma realidade constante para os brasileiros. Além de prejudicar a produtividade na vida profissional e gerar conflitos comportamentais, a falta de recursos pode causar inúmeros problemas de saúde. Não à toa, 19% dos entrevistados afirmaram que precisaram passar no psiquiatra e fazer uso de medicamentos e 14% começaram a fazer terapia por conta de problemas financeiros”, explica Samuel Torres, consultor financeiro da Onze.

Saúde física também é afetada

Sabemos que a saúde mental e a saúde física estão diretamente ligadas e que sintomas de ordem mental podem desencadear doenças como gastrite, enxaqueca, entre outras. Dentre os entrevistados, os principais sintomas apontados foram dores crônicas em decorrência do estresse (48%); problemas digestivos (23%); e problemas relacionados à saúde do coração, como pressão alta (21%). Além disso, 6% dos respondentes afirmaram que passaram a ter hábitos ruins, como tabagismo.

Para Samuel Torres, a saúde mental e a saúde financeira estão diretamente ligadas e o primeiro passo para combater essa realidade é investir em educação financeira em todos os âmbitos: na escola, em casa e, claro, no trabalho.

“Educação financeira não se trata apenas de questões matemáticas e econômicas, mas de hábitos e costumes gerais, que acabam envolvendo finanças pessoais. A partir do momento em que esse tema passa a ser discutido com naturalidade dentro e fora das empresas, podemos ajudar as pessoas que estão passando por problemas financeiros a se recuperarem, diminuindo índices de endividamento, estresse e ansiedade”, conclui.

Fonte: Onze

Anti-inflamatórios naturais podem auxiliar o tratamento da depressão, diz especialista

Médico generalista Theo Webert indica ações complementares aos medicamentos

Em meio ao Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção ao suicídio, acende-se o alerta sobre as formas de tratamento da depressão – fator ligado à grande parte dos casos desse tipo de morte. Apesar dos tabus que envolvem o tema, a depressão é um transtorno mental muito comum, afetando, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 300 milhões de pessoas em todo o mundo.

Segundo o médico generalista Theo Webert, especialista nos estudos de áreas da medicina voltadas à visão do ser humano de maneira integral, algumas medidas naturais – como práticas de exercícios físicos regulares e consumo de vitaminas –, combinadas a medicamentos farmacológicos e demais terapias, podem ajudar no tratamento da doença.

Isso é possível porque, geralmente, os quadros depressivos estão associados ao desequilíbrio na produção de neurotransmissores, especialmente de serotonina, dopamina, noradrenalina e gaba, explica Webert. “Essas substâncias têm funções especiais na manutenção do humor, do sono, da ansiedade, da ingestão alimentar e da transmissão sensorial”, completa.

Outra substância química ligada à sensação de bem-estar é a endorfina, hormônio responsável por regular as emoções. Sua produção é natural, antes e depois da prática de atividades físicas. “A endorfina é considerada um potente analgésico natural. Ao ser liberada, estimula a sensação de bem-estar e conforto, melhora o estado de humor e alegria, e pode agir na redução do estresse, da ansiedade e da depressão”, pontua.

Além da prática de exercícios, a ingestão de probióticos, ômega-3 e vitaminas B e D para combater inflamações gastrointestinais pode diminuir os sintomas depressivos. Webert esclarece que isso se dá devido à estreita relação entre a depressão e as inflamações nesta área do corpo.

“O consumo desses elementos pode atenuar estímulos pró-inflamatórios para o cérebro que se originam no intestino, através da manutenção da saúde do intestino ou pela estimulação direta da produção de neurotransmissores.”

Para o médico, é necessário consultar profissionais que percebam a depressão como multifatorial e que entendam que, muitas vezes, apenas o medicamento não vai resolver ou nem mesmo amenizar os sintomas.

Foto: Shutterstock

“Um acompanhamento psicoterápico se faz necessário. É preciso ver se depressão não é consequência de distúrbios da tireoide, síndrome de burnout, alterações de cortisol no sistema Hipotálamo-Pituitária-Adrenal (HPA), deficiência de hormônios sexuais como a testosterona, alteração do sono ou deficiências nutricionais, por exemplo. Tudo isso precisa ser avaliado e levado em consideração para que o tratamento seja de fato, efetivo”, encerra.

Fonte: Theo Webert

Confira os principais alimentos que auxiliam a saúde mental

Cacau, castanhas, vegetais e peixes são algumas das opções que oferecem magnésio e triptofano, elementos importantes na prevenção de ansiedade, estresse e depressão; Renata Guirau, nutricionista do Oba Hortifruti, explica como a dieta do mediterrâneo também pode contribuir e dá dicas de receitas práticas para incluir os alimentos no dia a dia

Atualmente, discussões importantes sobre saúde mental ganham cada vez mais espaço. E, além do acompanhamento profissional, os alimentos também exercem um papel fundamental na prevenção de quadros que afetam o bem-estar. Renata Guirau, nutricionista do Oba Hortifruti, ressalta que o estresse é um dos quadros mais presentes na vida das pessoas. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) ele atinge cerca de 90% da população mundial. No país, a taxa é de 70%.

Por isso, a especialista explica que uma alimentação balanceada é um dos principais fatores que contribuem para o equilíbrio da saúde mental, pois melhora a disponibilidade de energia, favorece uma boa produção de neurotransmissores e ajuda na qualidade do sono.

Alguns exemplos de alimentos mais indicados são as fontes de ômega-3, como salmão, sardinha e semente de linhaça, que possuem ação antioxidante e atuam na proteção direta das células do sistema nervoso. Já os vegetais são ricos em fitoquímicos – substâncias com propriedades antioxidantes, que auxiliam na redução do estresse oxidativo. “Cacau, banana, cereais integrais, carnes, castanhas e chás de ervas também são ótimas opções para incluir no dia a dia”, conta Renata.

Além disso, a nutricionista ressalta que esses grupos alimentares são ótimas fontes de magnésio e triptofano. “O magnésio é um mineral essencial ao nosso corpo e atua principalmente no relaxamento muscular, na melhora da qualidade do sono e nas sinalizações do sistema nervoso central. Já o aminoácido triptofano trabalha diretamente na produção de neurotransmissores relacionados ao bem-estar, como a serotonina. Ambos são muito importantes na prevenção de ansiedade, estresse e depressão, por exemplo”, explica.

Os benefícios da dieta do mediterrâneo

Você sabia que a dieta mediterrânea também pode ser uma grande aliada? Rica em vegetais, carnes magras, laticínios, azeites e castanhas, estudos científicos realizados em 2018 apontam que ela promove uma grande proteção ao nosso organismo, incluindo questões cerebrais. As pesquisas também sugerem que uma dieta equilibrada, rica em alimentos frescos, garante todos os nutrientes que nosso corpo precisa e minimiza o surgimento de diversas doenças.

Outro estudo publicado no PubMed, em 2020, analisou mais de 6 mil pessoas e mostrou que o consumo de 5 porções de frutas, legumes e/ou verduras por dia promove uma melhor qualidade de vida e reduz os sintomas relacionados a problemas de saúde mental.

Agora que você já sabe um pouco mais sobre a relação entre alimentação e bem-estar mental, que tal experimentar as dicas de receitas práticas e deliciosas que a nutricionista separou? Encontre o Oba Hortifruti mais próximo e cuide-se com alimentos variados e fresquinhos todos os dias!

Salada de rúcula com figo e nozes

Ingredientes:
½ maço de rúcula baby
½ manga cortada em cubos
½ xícara de nozes picadas
½ xícara de tomatinhos cereja
2 colheres de sopa de mel
2 colheres de sopa de mostarda Dijon
4 colheres de sopa de água
Sal e pimenta a gosto

Modo de preparo:
Para o molho, basta misturar o mel, a mostarda, a água, o sal e a pimenta. Monte a salada acomodando primeiro a rúcula, depois a manga e os tomatinhos. Finalize com as nozes e sirva com o molho de acompanhamento.

Docinho de tâmara

Ingredientes:
1 xícara de tâmaras sem caroço
2 bananas nanicas
1 colher de chá de cacau em pó
½ xícara de coco ralado

Modo de preparo:
Hidrate as tâmaras por 20 minutos. Em seguida, bata no liquidificador até formar uma pasta. Acrescente a banana, o cacau e o coco e bata até formar uma pasta ainda mais consistente. Se necessário, adicione mais coco ralado para chegar ao ponto de enrolar. Faça bolinhas e sirva em forminhas de brigadeiro.

Bolo integral de banana

Ingredientes:
2 xícaras de farinha de aveia
4 bananas nanicas
4 ovos
1 xícara de uvas passas
1 xícara de leite desnatado ou leite vegetal
1 colher de sopa de canela
1 colher de sopa de fermento em pó

Modo de preparo:
Deixe as uvas passas hidratando no leite por 20 minutos. Logo após, bata com os demais ingredientes no liquidificador, deixando apenas duas das quatro bananas para decoração.
Despeje a massa em uma forma, corte as duas bananas em rodelas e coloque por cima. Leve ao forno médio por cerca de 30 minutos.

Granola caseira

Ingredientes:
50g de quinoa em flocos
50g de aveia em flocos
50g de coco em lascas
50g de uva passa roxa
50g de damasco seco picado
50g de nozes picadas
50g de amêndoas picadas
50g de castanhas-do-pará picadas
1 colher de chá de canela
4 colheres de sopa de mel

Modo de preparo:
Misture todos os ingredientes e coloque em uma assadeira untada com manteiga sem sal. Leve ao forno médio por 20 minutos e mexa ao chegar na metade do tempo. Guarde em um pote tampado e consuma em até 10 dias.

Fonte: Obra Hortifruti

Setembro Amarelo: boa alimentação é um reforço para a saúde mental

Além de se alimentar corretamente e com variedade, a prática de atividades físicas e hobbies podem auxiliar na prevenção de doenças de origem emocional

Manter o corpo e a mente em equilíbrio é fundamental no tratamento da depressão. E alimentar-se bem é uma parte importante nesse processo. Usufruir de um cardápio balanceado e com variedade de alimentos que sejam fonte de nutrientes, vitaminas e minerais, como o magnésio presente no amendoim, pode ser o primeiro passo para quem procura melhorar a saúde mental, assunto contemplado no mês de prevenção ao suicídio, o setembro amarelo.

Bruna Pavão, consultora nutricional da marca Cuida Bem, antes mesmo de explicar mais sobre o tema alimentação, pondera que para manter a saúde mental em forma é preciso estar bem consigo mesmo e com os outros, aceitar as exigências da vida, saber lidar com as boas emoções e também com aquelas desagradáveis: “É necessário reconhecer os próprios limites e saber a hora de procurar ajuda”.

Sabendo disso, uma forma de aumentar a qualidade de vida é cuidar da alimentação. O primeiro passo é se concentrar em consumir alimentos in natura e minimamente processados. Mas também há momentos para relaxar e ingerir itens da categoria de indulgência, formada por alimentos que não servem apenas para nutrir, mas também para promover prazer.

A nutricionista pontua que não adianta recorrer a dietas exageradas ou ser muito rígido. “Seja gentil com você mesmo. Um princípio que ajuda muito a ter um equilíbrio alimentar sem abrir mão dos alimentos gostosos é o princípio 80/20, no qual 80% da sua alimentação vai ser saudável e 20% será ‘livre’ para comer o que quiser. Com essa liberdade, você conseguirá explorar opções de alimentação saudável sem restrições, dando espaço para momentos prazerosos com as suas comidas preferidas também”, reforça Bruna.

O mercado conta com opções diversas, que entregam sabor e saúde, e saber escolher é a chave. “Os doces Zero Adição de Açúcar, como os da linha Cuida Bem, são um grande exemplo de alimentos para se consumir sem culpa. Eles possibilitam, inclusive, que as pessoas criem novos hábitos sem restrições de comer um doce quando sentir vontade.”

Na hora de escolher esses sabores, no entanto, que tal privilegiar alguns alimentos que podem dar uma força a mais para a sua saúde mental? Segundo Bruna, entre as frutas, a banana se destaca. Usada em barras de nuts e em outros formatos de doces sem adição de açúcar, é rica em triptofano, um aminoácido que auxilia na produção do neurotransmissor serotonina, mais conhecido como hormônio da felicidade. “É bom para regular o humor, promover a sensação de bem-estar e prazer. Atua em diversas funções do Sistema Nervoso Central.”

Contra a depressão, doença que pode ser um gatilho para o suicídio, além de todos os cuidados fundamentais, vale uma porção de amendoim. Assim como a semente de girassol, a leguminosa possui vitaminas do complexo B (B1, B2, B3, B5, B6, B9, B12), que são essenciais para o equilíbrio saudável dos sistemas imune e nervoso. “A sua deficiência tem sido associada a vários distúrbios neurológicos. Além da depressão, entra na lista a ansiedade, a demência e a doença de Alzheimer”, explica a consultora.

O amendoim também é benéfico pois possui magnésio, um mineral que está envolvido em mais de 300 reações do corpo humano, com papel bem variado: da produção de energia até a regulação de neurotransmissores. “Quando não é consumido em quantidades adequadas, pode promover resistência à insulina, facilitar a hipertensão e o surgimento de transtornos psiquiátricos. Além de compor o amendoim e as castanhas, está prioritariamente em frutas, verduras e grãos integrais.”

Na ausência de um único herói, vilões bem definidos

A consultora Bruna faz questão de frisar que nenhum item isoladamente é capaz de comprometer a saúde mental do indivíduo. “Ela vai ser acometida por um conjunto de maus hábitos que, ao longo do tempo, podem prejudicar sistemicamente, causando quadros de estresse, ansiedade e depressão”, pontua.

Aí entram os principais vilões de uma alimentação saudável e das vantagens oferecidas por ela. “O maior fator de impacto são os alimentos ricos em gorduras saturadas, frituras, açúcares de adição, sal em excesso, corantes e conservantes, pois eles podem promover um quadro inflamatório que, indiretamente, torna a pessoa mais predisposta a comprometer sua saúde mental, impactando até mesmo a memória, o humor e o raciocínio.”

Como dicas, Bruna destaca: aposte na variedade, moderação, qualidade dos alimentos e evite os ultraprocessados e aqueles considerados inflamatórios. Tudo isso é crucial para uma boa dieta, que reflita positivamente na qualidade de vida do indivíduo. Junte a isso a constância. “Dentro dos hábitos alimentares, a chave para evitar frustrações é justamente a constância. Os resultados não vêm da noite para o dia; muitas vezes, a mudança de um único ‘mau hábito’ pode demorar até três meses.”

Repensar a alimentação, incluir na rotina a prática de atividades físicas e desenvolver novos hobbies que possam divertir, distrair e dar ainda mais sentido à vida são, para a Bruna, as principais orientações para quem quer mais saúde mental.

Fonte: Cuida Bem

Setembro Amarelo: o suicídio e o comportamento suicida

Segundo a OMS, 90% dos casos poderiam ser evitados e reconhecer os sinais de alerta pode ser o mais importante passo

O suicídio é o ato de retirar a própria vida, mas pode ser evitado. “Primeiramente, a maioria dos suicidas pede ajuda antes, ou seja, é mito que o suicida não pede socorro. O suicida não quer morrer, quer aliviar seu sofrimento. O que faz com que alguém cometa suicídio intencionalmente, em geral, é uma dor emocional muito forte, na qual a pessoa tem a impressão de que não há o que fazer ou como melhorar, senão cometendo o ato”, explica Marcel Fulvio Padula Lamas, Coordenador da Psiquiatra do Hospital Albert Sabin de São Paulo.

Existem também doenças mentais que aumentam a chance do paciente cometer suicídio, como depressão unipolar ou bipolar, etilismo, esquizofrenia, delirium, entre outros. Sinais como os famosos “Ds”: dor psíquica, depressão, desespero, desesperança, desamparo, dependência química e delírio devem ser notados com cautela, além da presença de fatores predisponentes e/ou precipitantes.

Os fatores predisponentes são crônicos e, em geral, não podem ser mudados. Exemplos: sexo masculino (cometem quatro vezes mais suicídio), feminino (três vezes mais tentativas), idade (mais jovens tentam mais o ato, idosos conseguem o maior número), histórico familiar, tentativas prévias, presença de doenças físicas ou mentais, presença de desesperança, abuso na infância (físico, sexual ou mental), baixo nível de inteligência, isolamento social, ser de uma minoria étnica, entre outros.

Já os precipitantes são agudos, geralmente passageiros na vida de alguém, e levam o indivíduo a tentar o suicídio, por exemplo: separação conjugal, ruptura amorosa, rejeição afetiva e/ou social, alta recente de hospitalização psiquiátrica, perda de emprego, graves perturbações familiares, modificação de situação econômica e financeira, vergonha ou medo de ter algum segredo revelado.

“Os precipitantes são fatores que funcionam como gatilho para que ocorra alguma tragédia, acontecem em algum momento da vida e podem fazer com que os fatores que já estavam antes, os predisponentes, intensifiquem o desejo de desistir da própria vida”, relata o médico.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), são registrados mais de 700 mil suicídios em todo o mundo, sem contar os episódios subnotificados, com os quais, estima-se mais de um milhão de casos. No Brasil, os registros se aproximam de 14 mil casos por ano, ou seja, em média 38 pessoas cometem suicídio por dia.

Há certas divergências na área científica sobre o suicida, considerando que alguns autores conceituam suicídio apenas se cometido de forma intencional, (exemplo: o indivíduo que toma veneno ou se enforca), outros são mais abrangentes e englobam também pessoas que têm comportamentos suicidas, como o diabético que come açúcar, o hipertenso que exagera no sal, e até mesmo, o que ingere grandes quantidades de bebida alcoólica e depois dirige.

“Existem comportamentos suicidas e o ato direto de retirar a própria vida. Pessoas doentes que não tomam corretamente suas medicações, diabéticos que comem açúcares de cadeia curta, são exemplos de comportamentos suicidas, mas não de suicídio”, relata Lamas.

É muito importante os familiares e amigos próximos da pessoa reconhecerem os comportamentos suicidas. Pessoas dão sinais a partir de condutas que demonstram que querem acabar com a própria vida. Existem os que são muito mais sutis e, por isso, menosprezados, que não parecem ser um problema. Por exemplo, a pessoa que, do nada, não corta e/ou não pinta mais as unhas, para de tomar banho, de cuidar de si mesma, entre outros.

“O principal é observar os fatores de risco na pessoa, acolhê-la, mostrar o quanto ela é importante, perguntar como está se sentindo e se mostrar disposto a ajudar, atitudes que auxiliam muito. Se o paciente tiver fatores de risco importantes, mas não estiver com ideação suicida, o acompanhamento pode ser ambulatorial. No momento que a pessoa está com ideação suicida, comumente está se sentindo um nada, um peso para os outros, devido ao quadro emocional que se encontra. Cada segundo que o paciente estiver com esse pensamento é extremamente doloroso, portanto, não julgue e não arrisque! Leve-o ao pronto socorro de um hospital psiquiátrico, buscar ajuda o quanto antes é essencial”, finaliza o psiquiatra.

Em casos de extrema urgência, ligue 188 – C.V.V – Centro de Valorização à Vida.

Fonte: Hospital Albert Sabin de São Paulo

Setembro Amarelo: descubra onde encontrar tratamento público no SUS para a Saúde Mental 

A Raps (Rede de Atenção Psicossocial) celebra  20 anos, mas os serviços ainda são desconhecidos. Sistema também sofre com estigma e redução de investimentos

Segundo a organização da campanha Setembro Amarelo, composta pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), no Brasil acontecem cerca de 12 mil suicídios todos os anos, mais de 30 por dia. Desses casos, em média, 96% estão relacionados a transtornos mentais, sendo depressão, transtorno bipolar e abuso de substâncias as três causas mais prevalentes. 

O mês marca uma importante virada de chave na organização de debates sobre suicídio e as complexas questões ligadas ao tema, que perpassam também a necessidade de olhares mais atentos à prevenção, promoção e manutenção da saúde mental e a produção de modos de vida mais saudáveis. Para tanto, é preciso entender, na prática, como os serviços de saúde mental estão estruturados e como cada cidadão pode fazer uso deles.

Para contextualizar, destaca-se o papel da Reforma Psiquiátrica, que impulsionou enormes avanços e transformações no modelo de atenção à saúde mental no Brasil, pavimentando a construção de organismos públicos fundamentais, como a Raps – Rede de Atenção Psicossocial – que está presente em várias partes do país com uma rede inteligente de acolhimento e atendimentos. 

Mecanismos de atendimento público em saúde mental são bastante avançados, mas ainda não amplamente conhecidos

Compreendida como uma rede integrada de diferentes setores e atores, a Raps busca criar, diversificar e articular serviços e ações para pessoas com sofrimento mental ou com demandas decorrentes do uso de drogas. Dentre suas diretrizes estão o respeito aos direitos humanos, a garantia de autonomia das pessoas, o acesso a serviços de qualidade e o combate ao estigma e ao preconceito. 

O serviço conta com atuação multiprofissional e interdisciplinar (com profissionais da medicina, enfermagem, psicologia, assistência social, terapia ocupacional, educação física, fonoaudiologia), abarcando não só o campo da saúde, mas também a assistência social, a cultura e o emprego, de modo a favorecer a inclusão social e o exercício da cidadania dos usuários dos serviços e de seus familiares. 

Apesar de não ser amplamente conhecida, a Raps estabelece que a atenção à saúde das pessoas com sofrimento psíquico deve ser realizada em todos os serviços do Sistema Único de Saúde, sem discriminação. Confira os detalhes sobre a sua atuação:

Atenção Básica em Saúde– Unidade Básica de Saúde – Núcleo de Apoio à Saúde da Família – Consultório na Rua – Centro de Convivência e Cultura
Atenção Psicossocial Estratégica– Centros de Atenção Psicossocial  – Equipe multiprofissional de atenção especializada em Saúde Mental – Unidades Ambulatoriais Especializadas
Atenção de Urgência e Emergência– SAMU 192 – Salas de Estabilização – UPA 24 horas e portas hospitalares de atenção à urgência/ pronto socorro
Atenção Residencial de Caráter Transitório– Unidades de Acolhimento – Serviço de Atenção em Regime Residencial – CTs
Atenção Hospitalar– Enfermaria especializada em Hospitais Gerais – Hospitais Psiquiátricos Especializados – Hospitais-Dia
Estratégias de Desinstitucionalização– Serviços Residenciais Terapêuticos – Programa de Volta pra Casa – Programa de Desinstitucionalização (Equipes) 
Estratégias de Reabilitação Psicossocial– Iniciativas de Geração de Trabalho e Renda – Empreendimentos solidários e Cooperativas Sociais

A importância dos Caps

A rede ainda conta com a existência de estruturas de atendimento especializadas, como os Caps, que promovem trabalhos com focos distintos. No entanto, alguns estigmas e a falta de conhecimento sobre esses organismos dificultam o acesso a tratativas precoces e ajuda qualificada.

Esses serviços estratégicos funcionam com “portas abertas”, ou seja, qualquer pessoa pode ser recebida e avaliada pela equipe de saúde presente, sem a necessidade de um encaminhamento ou agendamento prévio. As ações de cuidado são diversificadas, realizadas em grupo, individualmente, com a família ou na comunidade.

Divididos em diversas modalidades, os Caps também variam de acordo com o porte dos municípios. Nas grandes cidades e regiões acima de 200 mil habitantes, são previstos Capsde funcionamento 24h, como os Caps III voltados para pessoas com sofrimento mental em geral, e os Caps ad III, destinados principalmente para pessoas com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas. Os Capsij são direcionados para o público infanto-juvenil e podem ser implantados em municípios e regiões a partir de 70 mil habitantes. Para os municípios de médio porte (a partir de 70 mil habitantes), há os Caps II e Caps ad, e para os de pequeno porte (a partir de 15 mil habitantes), os Caps I (BRASIL, 2011). Mais recentemente, a esta tipificação foi acrescentado o Caps ad IV, para municípios com população acima de 500 mil habitantes ou nas capitais de estados.

Em 2002, havia 424 Caps implantados no país, ao final de 2019, chegaram a cerca de 2.669. Uma amplitude de estrutura assistencial que não apenas existe, mas que pode e deve ser acionada por toda e qualquer pessoa que necessite de auxílio. Falar sobre saúde mental pode ser complexo, mas também é necessário e deve ir muito além do mês de setembro e institucionalizar esse debate em todos os espaços e setores sociais.

Pensamentos suicidas: como evitá-los?

No Setembro Amarelo, psicólogo explica como funciona a mente de uma pessoa que pensa em tirar a própria vida e faz alerta

Setembro é o mês destinado à prevenção ao suícidio, com disseminação de mensagens e informações públicas com objetivo de conscientizar as pessoas sobre como agir e lidar com o assunto. Segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, 12.895 pessoas cometeram suícidio no Brasil em 2020, evidenciando uma tendência de alta durante a última década, visto que o número de casos em 2012 era de 6.905.

A prevenção ao suicídio requer o esforço da sociedade, alinhando estratégias que englobem o trabalho em nível individual e coletivo. Felipe Laccelva, psicólogo e CEO da plataforma de atendimentos Fepo, explica que o suícidio é apenas o último ato de uma pessoa que já passou por diversas situações.

“O suicídio é o desfecho de eventos anteriores e nunca um fato isolado da vida individual. Envolve questões psicológicas, biológicas, culturais e ambientais. Uma pessoa que pensa em suicídio está pedindo ajuda, e já chegou em um ponto que o sofrimento se tornou impossível de suportar, sendo a única saída que consegue encontrar”, declara Laccelva.

Iniciativas, mesmo que simples, podem ser fundamentais para ajudar a prevenir um ato de suicídio, como o ambiente familiar agradável e passar um tempo de qualidade com os amigos, promovendo momentos de aproximação e meios de se reunir e conversar.

Uma pessoa que está pensando em suícidio pode se sentir sozinha. Assim, um ambiente acolhedor é fundamental para ajudar na recuperação e dar suporte, além de, todos ao redor, permanecerem abertos para escutar, sem realizar julgamentos, para trazer a segurança necessária para compartilhar as angústias e sentimentos.

O papel da saúde mental na prevenção ao suícidio

Gerd Altmann/Pixabay

Assim como a física, a saúde mental é parte integrante e complementar da manutenção das funções do corpo. Por isso, a promoção da saúde mental é essencial para que o indivíduo tenha a capacidade necessária de executar bem as habilidades pessoais e profissionais no dia a dia.

Pesquisas da Assossiação Brasileira de Psiquiatria mostram que, em torno de 96% dos casos de suicídio, possuem relações com transtornos mentais. Quem deseja tirar a própria vida, possivelmente está passando por um quadro de doença mental, e isso influencia a forma como percebe o mundo e como avalia os próprios pensamentos, as relações e, até mesmo, o livre arbítrio.

Quando um indivíduo não está bem, e não tem nenhum tipo de suporte, é provável que as escolhas que faça para própria vida não sejam as mais adequadas. Essas sucessíveis escolhas ruins podem levar para um caminho que, aos poucos, prejudique a saúde mental.

Laccelva lista cinco dicas que podem colaborar, no curto prazo, para manter a saúde mental saudável:

-Converse sobre os seus sentimentos;
-Aproveite a companhia dos amigos e familiares;
-Cuide do seu corpo;
-Tenha momentos de lazer;
-Tenha uma boa noite de sono.

Quais os sinais transmitidos por uma pessoa de que a saúde mental não está bem?

Ilustração: Serena Wong/Pixabay

“A maioria das pessoas que tenta o suicídio fala a respeito disso, comentam sua percepção sobre a morte. Isso acontece dias ou semanas antes da tentativa, porque é algo que é construído dentro da pessoa”, comenta o psicólogo Laccelva.

Mudanças bruscas de apetite e comportamento, isolamento de pessoas que antes era próxima, problemas com o sono, são todos pequenos sinais emitidos pelo corpo de que o estado mental por não estar nas melhores condições.

Uma consulta com psicólogo é pouco para determinar toda a situação clínica de um paciente. No entanto, os sinais são fornecidos o tempo todo, e quem está em volta poderá perceber. O cuidado e atenção são fundamentais, pois a prevenção ao suícidio se faz individualmente e coletivamente.

“Ainda que uma pessoa possa ter parado de expressar as ideias de tirar a própria vida em algum momento, não quer dizer que ela esteja bem. O acompanhamento deve permanecer, já que existe a possibilidade de estar atravessando apenas um momento mais calmo, porém as questões permanecem dentro dela”, finaliza.

Sobre a Fepo

Fundada em 2018 pelo psicólogo Felipe Laccelva, a Fepo é uma startup digital especializada em atendimentos psicológicos, com terapias a partir de R$38,00 e mais de 60 profissionais disponíveis. Desde o início da pandemia, já realizou mais de 27 mil sessões, resultando em um crescimento de 1870%.

Setembro Amarelo: a importância de debater e prevenir problemas de saúde mental

Em tempos de pandemia, isolamento social e sentimentos aflorados, tema ganhou ainda mais urgência, afirma especialista do Cejam

A campanha Setembro Amarelo, que debate mundialmente a importância de prevenir problemas de saúde mental, ganhou ainda mais urgência entre os anos de 2020 e 2021, em meio ao isolamento social imposto pela pandemia de Covid-19. Medos, incertezas em relação ao futuro, luto e dificuldades financeiras vêm marcando a vida de muitas pessoas e estão entre as principais causas de depressão, ansiedade excessiva e falta de motivação.

Pesquisa do instituto Ipsos, encomendada pelo Fórum Econômico Mundial, destaca que 53% dos brasileiros declararam que seu bem-estar mental piorou um pouco ou muito no último ano. Essa porcentagem só é maior em quatro países: Itália (54%), Hungria (56%), Chile (56%) e Turquia (61%).

Um relatório de 2017 da OMS (Organização Mundial da Saúde) já apontava o Brasil como um país de grande prevalência de transtornos de ansiedade nas Américas: 9,3% da população, o equivalente a 18,6 milhões de pessoas.

Segundo a psicóloga Ligia Kaori Matsumoto, que atende na UBS Alto da Riviera, gerenciada pelo Cejam – Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim”, a campanha foi criada no Brasil em 2015 para dar mais ênfase ao tema, com ações de conscientização e debates que possibilitem a quebra de paradigmas e a redução do preconceito que envolve o grave problema.

“As ações do Setembro Amarelo funcionam como uma forma de prevenção e sensibilização, tanto àqueles que podem estar passando por algum tipo de sofrimento, quanto às pessoas próximas, na detecção de fatores que identifiquem quando um ente querido não está bem”, explica.

Alerta vermelho

Foto: MedicalNewsToday

Os sinais de alerta costumam variar de pessoa para pessoa, mas a especialista destaca que existem alguns indícios que servem para detectar se você ou um ente querido está precisando de auxílio profissional. Conforme a psicóloga, é necessário ficar atento às alterações repentinas de humor e comportamento, bem como às mudanças bruscas na rotina, como qualidade do sono, alimentação, abandono de atividades que antes eram prazerosas ou ainda desistência de planos futuros.

Ligia também faz um alerta para o uso abusivo ou para a mudança no padrão de consumo de álcool, substâncias tóxicas e medicações. “Além disso, devemos sempre dar uma atenção maior às pessoas com transtornos psiquiátricos ou com históricos na família.”

Segundo a especialista, é comum ainda as pessoas sinalizarem que não sabem como reagir ou de que forma responder quando alguém próximo expressa suas dores, tristezas e frustrações.

“O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você”. A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção”, ressalta Ligia, citando trecho de um texto do psicanalista e escritor Rubem Alves.

Centro de Valorização da Vida

Umas das formas mais práticas de buscar apoio, seja para você ou para alguém que conheça e possa estar procurando ajuda, é entrando em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida, um serviço gratuito que oferece auxílio emocional 24 horas.

O atendimento é realizado em sigilo total, por meio de telefone (188), e-mail, chat ou ainda pessoalmente. Os canais e endereços estão disponíveis no site.

Mais de 3 milhões de pessoas são atendidas anualmente pelo CVV, que oferece mais de 4 mil voluntários localizados em 24 estados e no Distrito Federal.

A psicóloga recomenda a divulgação do serviço para quem possa estar precisando de ajuda. “Devemos sempre oferecer acolhimento, ouvir e auxiliar na busca por ajuda. Estas posturas de respeito com aquele que está em sofrimento podem ser fundamentais à recuperação, enquanto o desdém e pouco caso podem amplificar a dor ou adiar um tratamento”, finaliza.

Fonte: Cejam

Livro Vida Após o Suicídio é voltado àqueles que foram impactados pela perda

Criado para divulgar a importância da prevenção do suicídio, o Setembro Amarelo é também oportunidade para destacar a pósvenção: os cuidados especiais com aqueles que foram impactados pela perda de um familiar ou amigo que decidiu tirar a própria vida. Você já pensou nisso?

Aos sentimentos de rejeição e culpa por não ter conseguido evitar o suicídio de um ente querido se soma a culpa que os outros costumam imputar às pessoas mais próximas de quem se matou. E assim aumentam o trauma e a vergonha relacionados ao suicídio na nossa sociedade. A pósvenção, portanto, não deixa de ser uma forma de prevenção, por minimizar o risco de comportamento suicida em quem vive esse tipo de luto tão complicado e estigmatizado.

A famosa médica Drª Jennifer Ashton – figura frequente nos programas de TV norteamericanos Good Morning America, The Dr. Oz Show e The Doctors – viveu tudo isso na pele, quando o pai de seus filhos se suicidou em fevereiro de 2017, logo após assinarem o divórcio. O livro “Vida Após Suicídio”, em que conta sua perda pessoal e as etapas da recuperação dela e dos filhos, chega este mês ao Brasil pela Editora nVersos.

O objetivo da autora com a obra é estender a mão a tantos milhares de pessoas ao redor do planeta que vivem essa dor. Em 2016, foram 800 mil mortes por suicídio no mundo – em média, um a cada 40 segundos -, segundo o último levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS). Para cada caso, calcula-se que de seis a dez pessoas (amigos e familiares) são direta e significativamente impactadas.

O suicídio não tem preconceito, atinge todas as classes sociais, todas as culturas, todas as idades. E é hoje uma questão mundial de saúde pública. Em mais de 90% das vezes, os suicídios estão associados a doenças mentais (principalmente depressão, bipolaridade, esquizofrenia, dependência química e alcoólica), que também costumam ser pouco compreendidas pela sociedade.

Jennifer Ashton relata sua vivência e as histórias de vários outros “sobreviventes do suicídio” com quem conversou, com respeito e compaixão por aqueles que decidiram partir. Seu livro é um espaço seguro e acolhedor para quem precisa de coragem para seguir em frente com sua vida. Sua missão é romper tabus e fortalecer as redes de apoio que encontrou quando precisou para oferecer o mesmo conforto a qualquer um que, de repente, se encontre na mesma situação.

 Vida Após Suicídio – Encontrando coragem, conforto e acolhimento após a perda de uma pessoa querida
Autora: Jennifer Ashton, M.D.
Editora: nVersos
Nº de páginas: 208
Formato: 14 cm x 21 cm
Acabamento: Brochura
Preço: R$ 42,00

Setembro Amarelo: atenção e prevenção ao suicídio na quarentena

Os desafios impostos pela pandemia de Covid-19 e pelo isolamento contribuem para o aumento das doenças mentais, a exemplo da depressão e transtornos de ansiedade. A necessidade de se adaptar ao home office e rotina intensa de trabalho neste momento, com inúmeros compromissos virtuais e em muitos casos aumento do serviço doméstico, também tem elevado os níveis de estresse e ansiedade.

Embora não haja estudos aprofundados sobre isso, uma pesquisa da Associação Brasileira de Psiquiatria, realizada em maio deste ano, revelou que 89,2% dos especialistas entrevistados destacaram o agravamento de quadros psiquiátricos em seus pacientes, devido aos efeitos do novo coronavírus na sociedade.

O momento de maior vulnerabilidade demanda atenção redobrada para a campanha Setembro Amarelo, criada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Centro de Valorização da Vida (CVV). O objetivo é promover a informação sobre saúde mental e a prevenção do suicídio.

Todos os anos, cerca de 11 mil brasileiros tiram a própria vida. No mundo, o número de suicídios, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é de 800 mil por ano. Estima-se que cada morte por suicídio afete intimamente a vida de cerca de 60 pessoas, entre familiares, amigos e colegas.

De acordo com a psicóloga Paula Diniz Vicentini, da clínica Personal da Central Nacional Unimed, “o medo da Covid-19, os conflitos familiares decorrentes do isolamento e até a crise econômica provocada pela pandemia têm aumentado o índice de problemas emocionais e transtornos psiquiátricos”. Por isso, cuidar das próprias emoções e oferecer apoio às pessoas mais próximas são medidas que podem ajudar a prevenir as doenças mentais e o suicídio.

Ajuda profissional

“Existem alguns possíveis sinais de comportamento suicida. É preciso prestar atenção, oferecer uma escuta ativa, amparar e indicar acompanhamento profissional”, explica Paula. Mesmo no isolamento social é possível escutar e oferecer apoio. A internet e o telefone permitem a escuta ativa, mesmo à distância.

O acompanhamento psiquiátrico e psicológico ajuda a desenvolver habilidade emocional para administrar adversidades da vida. “Se há perigo imediato, a orientação do Ministério da Saúde é não deixar a pessoa que pensa em suicídio sozinha. Você pode procurar ajuda de profissionais de serviços de saúde, de emergência ou entrar em contato com alguém de confiança, indicado pela própria pessoa”.

Existem ainda os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em http://www.cvv.org.br, que trabalha para promover o bem-estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

Sinais de alerta*


• Falar muito sobre a própria morte e demonstrar desesperança em relação ao futuro.
• Usar expressões que manifestam intenções suicidas: “vou desaparecer”, “vou deixar vocês em paz”, “eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “é inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar”, “vocês vão ficar melhor sem mim”, não aguento mais”.
• Reduzir as interações: não atender a telefonemas, não responder mensagens ou ser evasivo.
• Apresentar grandes mudanças de humor (estar eufórico em um dia e profundamente desencorajado em outro).
• Ter atitudes arriscadas, como dirigir de forma imprudente ou entrar em brigas.
• Começar a se despedir de amigos e familiares como se não fosse vê-los novamente.
*Ministério da Saúde

Fonte: Central Nacional Unimed